quinta-feira, 7 de novembro de 2024

NOSSO IRMÃO

Ela era arrimo de família desde cedo. 
Com a desencarnação do pai, de forma súbita, vitimado por um infarto, ela assumira totalmente o lar. 
Trabalhava para prover às necessidades da mãe e do irmão, mais novo que ela. 
No entanto, os anos foram se sucedendo e o irmão acomodou-se. 
Abandonou a escola, não concluindo o ensino médio.
Também não se preocupou em procurar alguma ocupação que lhe garantisse o próprio sustento ou mesmo um auxílio no lar. 
Ela foi se cansando. 
Um dia, de alma sofrida, confidenciou ao coordenador da atividade religiosa a que comparecia, com assiduidade, as suas dificuldades. 
Era sozinha para tudo. 
O irmão não colaborava, restringindo-se a usufruir do que ela oferecia. 
E não a acompanhava ao templo, não participava, sequer, dos momentos de prece no lar. 
Ele era avesso a tudo. 
Ela deixou que o mar das lágrimas extravasasse da sua intimidade. 
Aguardava palavras de conforto, de encorajamento que lhe permitissem a continuidade das lutas, sem denodo. 
O que ela ouviu, no entanto, saindo da boca daquele a quem admirava pelo conhecimento profundo da doutrina que esposava e pela maneira como elucidava as passagens evangélicas, a deixou em choque. 
-Mande-o embora de casa. Se ele não trabalha, não estuda, não participa nem do culto do Evangelho no lar, diga que vá embora. Quem não colabora, não merece receber nada. 
Ela foi para casa, levando a morte dentro de si. 
Buscara aconchego e recebera uma sentença terrível para a sua vida e do próprio irmão. 
Como poderia expulsar de casa o irmão? 
Então, não ensinava a lúcida doutrina que nascemos na mesma família para nos apoiarmos, nos auxiliarmos? 
Ela imaginou jogar o irmão na rua. 
E pensou: 
-Será que nas noites frias, quando eu for, com nosso grupo de atendimento, levar a sopa aos moradores de rua, encontrarei meu irmão no meio deles? Como poderei falar em caridade, em amor ao próximo se eu rechaçar o próximo mais próximo, meu próprio irmão? Como posso me arvorar em querer resgatar os que vivem perdidos no mundo, se eu não fizer um esforço para com quem está tão próximo de mim? 
Foi repassando, em sua mente, lições lidas e ouvidas.
Aprendera que existem Espíritos rebeldes que nascem ao nosso lado para que os resgatemos, os orientemos, lhes mostremos a luz. 
O membro problemático na família é, antes de tudo, filho de Deus. 
As leis divinas nos dizem que o devemos amar e suportá-lo, tanto quanto nos seja possível. 
E nosso dever é insistir na reeducação, na orientação, que jamais se perderá. 
Um dia, afirmam os Espíritos do bem, tudo se resolverá, nem sempre como se desejaria, porém, como pode ser ante as leis do Grande Pai. 
A jovem desconsiderou a orientação intempestiva que recebera. 
E, quase adentrando os anos da velhice, pôde assistir à transformação do irmão querido. 
Ele se casou, constituiu sua família e se converteu, para ela mesma, em cooperador. 
-Valeu a pena, confessa ela. Valeu a pena investir, não desanimar, não desistir. Valeu a pena mantê-lo ao meu lado, amando, acolhendo e esperando em Deus a transformação.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro Vereda Familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, ed. Fráter. 
Em 07.11.2024

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

MAPA DO TESOURO

SÃO PAULO E BARNABÉ
Narra-se que, nos tempos apostólicos, Paulo, o apóstolo dos gentios e seu companheiro Barnabé costumavam fazer longas viagens juntos. 
Um dia, a noite os surpreendeu a caminho e eles resolveram se acolher em uma gruta. 
A temperatura estava bastante fria e eles não tinham sequer agasalhos suficientes. 
Também sentiam fome, porque há muito não tinham mais provisões. 
Animados, contudo, pela fé que os movia, a enfrentar grandes distâncias para levar a mensagem de Jesus, sentaram-se lado a lado e começaram a conversar. 
Falaram das suas experiências, de como as suas vidas haviam tomado um rumo totalmente diferente desde que haviam conhecido a mensagem de Jesus. 
Inflamados pelo ideal cristão, discorreram sobre o grande tesouro que possuíam e que deveria ser preservado a qualquer custo. 
Animados com a conversa, não perceberam que malfeitores, igualmente buscando abrigo na noite fria, os observavam na entrada da gruta, atentos às suas falas. 
Em determinado momento, empunhando armas, acercaram-se dos dois servidores de Jesus e exigiram, com rispidez, que eles entregassem o tesouro que traziam. 
Por terem aprendido com Jesus que não se deve reagir ao mal, os dois apóstolos se olharam um pouco assustados, a princípio. 
Mas, em seguida, colocando a mão por dentro das dobras do manto, Paulo retirou um pergaminho muito bem guardado e entregou ao que parecia ser o chefe do bando. 
Pensando que aqueles papéis poderiam ser transformados em moedas, logo adiante, o chefe deu ordem a que seu bando se retirasse. 
Paulo e Barnabé, assim que os salteadores se foram, abraçaram-se, agradecendo a Deus pela proteção Divina, que lhes resguardou as vidas. 
E o comentário final do apóstolo Paulo foi: 
-Espero que eles façam bom uso do pergaminho. Era o nosso maior tesouro. 
Paulo se referia às primeiras anotações de Levi, que mais tarde tomaria o nome de Mateus e divulgaria suas notas como o Evangelho, a Boa Nova. 
Eram preciosas, pois era o único documento que aqueles idealistas possuíam com alguns ditos e feitos do Senhor Jesus.
Liam com profundo respeito as notas e estudavam com carinho e atenção cada ensinamento ali contido, buscando memorizá-los para suas pregações futuras. 
Os ladrões roubaram um grande tesouro. 
Não lhes representaria ouro, prata ou jóias, com certeza. 
Mas era o mapa do grande tesouro que conduz o ser ao Reino dos Céus. 
* * * 
O evangelista Mateus lançou seu Evangelho ao mundo no ano 42 ou 48, em língua hebraica. 
Até então, o que havia eram anotações que ele fizera e que eram copiadas e recopiadas, com extremo cuidado, pelos primeiros seguidores de Jesus. 
Nos tempos do Cristianismo nascente, as pessoas procuravam ouvir com grande interesse aqueles que haviam convivido com Jesus. 
Eles eram o arquivo vivo das memórias, das recordações. 
Foi assim, entrevistando os que haviam estado com Jesus que Lucas, o quarto evangelista, escreveu o seu Evangelho.
Redação do Momento Espírita 
Em 10.06.2009.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

QUERER É CRER

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Ao lermos os Evangelhos, nos surpreendemos com indagações do Mestre Jesus, para aqueles que lhe vinham rogar a cura de suas enfermidades. 
Ou liberá-los de alguma limitação física. 
Diga-se, questionamentos que nos falam da sabedoria desse Mestre, Modelo e Guia, muito adiante do Seu tempo. 
Profundo conhecedor do psiquismo humano. 
Ao cego que clama por misericórdia, ao ouvi-lO passar, Ele indaga: 
-Que queres que eu te faça? 
Os que estão próximos e ouvem a pergunta, dizem para si mesmos: 
-Não é óbvio o que quer o pobre cego que vive à margem da sociedade, esmolando? Ele quer ver, quer ter ativo o dom da visão. 
Entretanto, no processo da cura, é imperioso que a pessoa queira verdadeiramente o restabelecimento da saúde. 
O querer, em profundidade, sem reservas, altera completamente o quadro psicofísico do indivíduo, auxiliando o organismo na restauração dos seus equipamentos danificados. 
A doença é um estado de desarmonia do Espírito, que se exterioriza no físico. 
Dessa maneira, querer é se decidir a alterar seu estado, a mudar. 
Para quem recebe o terrível diagnóstico da enfermidade que lhe agride a maquinaria física, principia na mudança de hábitos. 
O querer assinala uma disposição nova, o abandonar o que causa o distúrbio que se apresenta na emoção, na mente e no corpo. 
Por isso, escreve o Evangelista Marcos que o cego responde:
-Que eu veja, senhor. 
E a resposta de Jesus é decisiva: 
-Vai, a tua fé te salvou. 
Em outros momentos, depois da resposta à primeira indagação, estabelece uma segunda. 
No caso dos dois cegos que O seguem até a casa na qual Jesus adentra, pergunta:
-Credes que eu seja capaz de vos curar? 
Igualmente parece óbvia a resposta. 
Se eles O seguiram, insistindo pela cura, guardavam a certeza de que Ele poderia processá-la. 
Mas Jesus aguarda. 
E somente depois da resposta positiva de ambos, Ele lhes toca os olhos e conclui: 
-Seja feito conforme credes. 
O crer é uma decisão grave, de maturidade emocional e humana. 
Quando se quer acreditar, sem dúvida, no êxito, é o passo decisivo para alcançar o que se almeja. 
Em termos de restabelecimento da saúde, observamos pacientes que buscam a cirurgia, a terapia, o medicamento, enquanto em sua mente assinalam: 
-Sei que não vai adiantar nada. Vou fazer porque minha família quer. 
E, como é de se esperar, dificilmente conseguem melhorias. 
A enfermidade faz morada em seus corpos. 
Isso porque a mente da criatura agasalha o estado mórbido.
Querer e crer conduzem à luta, mediante a decisão de alcançar o campo do êxito. 
No episódio do paralítico descido pelo telhado e posto ao lado de Jesus, está demonstrada a vontade de voltar a andar, de reaver a mobilidade do corpo. 
De tornar a viver, com liberdade. 
Para isso, Ele pedira auxílio a amigos para que o conduzissem. 
Não se importou com o desconforto ou com o aumento das dores ao ser transportado em uma simples maca, quiçá improvisada. 
Ele queria ser curado. 
E conseguiu. 
Pensemos nisso: querer e crer são essenciais para o restabelecimento físico e psíquico do candidato à cura.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Jesus e sofrimentos, do livro Jesus e atualidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Pensamento. 
Em 05.11.2024

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

MÃOS

CORA CAROLINA
O corpo de que nos servimos, nesta vida, é uma verdadeira dádiva. 
Ele representa as extensas possibilidades na concretização de realizações. 
Lembramos de nossas mãos, tão preciosas, como dizia a poetisa Cora Coralina: 
-Olha para estas mãos de mulher roceira, esforçadas mãos cavouqueiras. 
Mãos que varreram e cozinharam. 
Lavaram e estenderam roupas nos varais. 
Pouparam e remendaram. 
Mãos domésticas e remendonas. 
Minhas mãos doceiras, jamais ociosas. 
Fecundas. Imensas e ocupadas. 
Mãos laboriosas. Abertas sempre para dar, ajudar, unir e abençoar. 
Mãos feridas na remoção de pedras e tropeços, quebrando as arestas da vida. 
Mãos alavancas, na escava de construções inconclusas. 
* * * 
CHICO XAVIER
E
EMANNUEL
Nossas mãos podem produzir muitas coisas excepcionais.
Admiremos as mãos do músico que toca lindas e harmoniosas melodias que encantam uma plateia inteira. 
Olhemos para as mãos do professor que ensina a ler e escrever e que ilumina a alma de seus alunos. 
Pensemos nas mãos do cirurgião que, com precisão e delicadeza, restaura a saúde do corpo de seus pacientes.
Admiremos as mãos amorosas das mães que acariciam seus filhos e os conduzem para o caminho do bem. 
Reflitamos sobre as mãos do agricultor que planta a semente, que se transformará no alimento para tantas pessoas.
Meditemos sobre as mãos esforçadas do operário que levanta edifícios, que constrói nossas casas. 
Analisemos as mãos afetuosas da cozinheira que prepara o alimento que nos dará a nutrição ao corpo. 
Apreciemos as mãos unidas das crianças brincando em roda, mãos que formam laços, que dão abraços e que criam espaços de amor. 
Oportuno nos perguntarmos como temos utilizado nossas mãos. 
Temos aproveitado todo seu potencial? 
Com nossas mãos podemos plantar uma única semente que se transformará em uma formosa flor. 
Ou podemos plantar inúmeras sementes que se transformarão em um extenso e belo jardim. 
Podemos escrever um singelo bilhete demonstrando nossa gratidão a alguém de quem muito tenhamos recebido.
Também podemos escrever incontáveis linhas para emocionar vários corações e iluminar mentes. 
Com nossas mãos podemos entregar um alimento para aquele que passa fome. 
Ou as podemos utilizar em multiplicadas ações de solidariedade, espalhando cotas de bênçãos a muitos necessitados. 
Podemos, simplesmente, estender nossa mão amiga a quem nos pede ou que nossa vigilância descobre. 
Uma mão amiga! 
Socorro preciso em momento de desânimo. 
Utilizemos nossas mãos para espalhar amizade, alegria, esperança, amor... 
Pensemos em todas as possibilidades que nos permitem nossas mãos. 
Aproveitemos todas. 
Somente haveremos de aprender, valorizar, reformar e engrandecer a vida. 
Santifiquemos nossas mãos no trabalho digno, na expressão de ternura, na dádiva ao mundo. 
E fiquemos com elas estendidas, um tanto mais porque as generosas bênçãos celestes as haverão de encher com raios de luz. 
Porque esta é a lei da vida: quem mais dá, mais recebe. Quem mais oferece, mais se repleta de dádivas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 12, do livro Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e versos do poema Estas Mãos, de Cora Coralina, do livro Meu livro de cordel, ed. Global. 
Em 26.2.2021.

domingo, 3 de novembro de 2024

ONDE ESTÃO NOSSOS AMORES?

Quando as sombras da morte arrebatam nossos amores, um punhal se crava em nosso coração. 
A dor moral é tamanha, a sensação de perda é tão grande que o corpo inteiro se retesa e sente dores. 
À medida que os dias se sucedem e as horas avançam, tristonhas, acumulando dias, a ausência da presença amada mais se faz dolorida. 
Então, revolvemos nossas lembranças e no banco de dados da nossa memória, vamos recordar dos momentos felizes que juntos desfrutamos. 
Recordamos das viagens, das pequenas coisas do dia a dia, dos aniversários, das tolices. 
E até das rusgas, dos pequenos embates verbais que, por convivermos tão próximos, aconteceram, ao longo dos anos.
Se o ser amado é um filho, ficamos a rememorar os primeiros passos, as palavras iniciais, os balbucios. 
E a noite da saudade vai se povoando de cenas que tornamos a viver e a sentir. 
Recordamos o dia da formatura, as festas com os amigos, as ansiedades antes das entrevistas do primeiro emprego.
Tantas coisas a rememorar... 
Acionamos as nossas recordações e, como um filme, as cenas vão ali se sucedendo, uma a uma, enquanto a vertente das lágrimas extravasa dos nossos olhos. 
Se se trata do cônjuge, vêm-nos à lembrança os dias do namoro, os tantos beijos roubados aqui e ali, as mãos entrelaçadas, os mil gestos da intimidade... 
Na tela mental, refazemos passos, atitudes, momentos de alegria e de tristeza, juntos vividos e vencidos. 
Pais, irmãos, amigos, colegas. 
A cada partida, na estatística de nossa saudade, acrescentamos mais um item. 
E tudo nos parece difícil, pesado. 
A vida se torna mais complexa sem aqueles que amamos e que se constituíam na alegria de nossos dias. 
Vestimo-nos de tristeza e desaceleramos o passo da própria existência. 
Como encontrar motivação para a continuidade das lutas, se o amor partiu? 
Como prosseguir caminhando pelas vias da solidão e da saudade? 
* * * 
Nossos amores vivem e nos veem, nos visitam. Não estão mortos, apenas retiraram a vestimenta a que nos habituáramos a vê-los. 
Substituíram as vestes pesadas por outras diáfanas, vaporosas. 
Mas continuam conosco. 
Por isso, não contribuamos para a sua tristeza, ficando tristes.
Eles, que nos amaram, continuam a nos amar com a mesma intensidade e nos desejam felizes. 
Por isso nos visitam nas asas do sonho, enquanto o sono nos recupera as forças físicas. 
Por isso nos abraçam nos dias festivos. 
Transmitem-nos a sua ternura, com seus beijos de amor. 
Sim, eles nos visitam. 
Eles nos acompanham a trajetória e certamente sofrem com nossa inconformação, nosso desespero. 
Eles estão libertos da carne porque já cumpriram a parte que lhes estava destinada na Terra: crianças, jovens, adultos ou idosos. 
Cada qual tem seu tempo, determinado pelas sábias leis divinas. 
* * * 
Quando as dores da ausência se fizerem mais intensas, ora e pede a Deus por ti e por teus amores que partiram. 
E Deus, que é o amor por excelência, te permitirá o reencontro pelos fios do pensamento, pelas filigranas da prece, na intimidade da tua mente e do teu coração. 
Utiliza essa possibilidade e vive os anos que ainda te faltam, com nobreza, sobre a Terra. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 14, ed. FEP. 
Em 2.11.2024

sábado, 2 de novembro de 2024

A MORTE CHEGA PARA TODOS

ALBERT EINSTEIN

MAJA EINSTEIN(irmã)
Você já percebeu que, sempre que o noticiário nos mostra as tragédias do mundo, acreditamos que nada semelhante jamais nos atingirá? 
Já se deu conta de que, normalmente, partilhamos a ideia de que o mal somente chegará à casa do vizinho? 
Com esses conceitos, vivemos despreocupados. 
Nem sempre utilizamos a prudência que nos seria devida para nos furtarmos de certos acontecimentos inconvenientes.
Quando a morte ronda os lares, continuamos a acreditar que o nosso está protegido dessa megera terrível. 
Por isso, quando ela chega, é sempre uma surpresa para nós.
Mas, ninguém foge à morte. 
E seria importante que, a respeito dela, meditássemos um pouco a cada dia. 
Recordamos que, depois do término da Segunda Guerra Mundial, morreu a amada irmã de Albert Einstein. 
Ele havia estado com ela, dias antes de sua morte. 
Ambos estavam abatidos e doentes. 
Albert tinha recebido o diagnóstico de um aneurisma abdominal da aorta. 
Tivera uma crise e, com fortes dores abdominais, ficara internado no hospital para longo tratamento. 
Brincando, ele havia dito à irmã: 
-Creio que enfrentarei a grande jornada para o espaço, antes de você, querida Maja. Por isso, estou aqui para as despedidas. 
E Maja respondeu: 
-Não, meu querido irmão, partirei antes. Em sonho recente, vi nossos pais. Entendi, por sinais feitos pelas mãos de nossa mãe, que a partida seria logo. 
Albert a abraçara, falando ao seu ouvido: 
-Seja como for, sinto que em breve nos encontraremos.
Recebendo, agora, a notícia da morte da irmã, olha o Infinito e fala baixinho: 
-Que Deus a abençoe! Como disse a você, em breve nos encontraremos. 
Nem raiva, nem desespero. 
Atitude de quem tinha a certeza da Imortalidade. 
Continuou a trabalhar. 
Mesmo com suas dores, ele não se deixava vencer. 
Recebia amigos, viajava, proferindo palestras sobre suas teorias e respondia a todas as perguntas que os jornalistas lhe faziam. 
Com o rompimento do aneurisma abdominal, agrava-se seu quadro anêmico.
Em 18 de abril de 1955, a uma hora e quinze minutos da madrugada, Albert Einstein morre, em Princeton, Nova Jersey.
Ele providenciara seu testamento, legando seus inventos e documentos científicos, já provados ou não, à Universidade de Jerusalém. 
Sabia que a morte o rondava. 
Preparou-se para recebê-la, mantendo-se ativo e sereno. 
Ele tinha a certeza da Imortalidade. 
* * * 
Conforme seu pedido, o corpo de Albert Einstein foi cremado e suas cinzas espalhadas em local ignorado. 
Ele doou seu cérebro a Thomas Harvey, patologista do Hospital Princeton. 
Esse fato causou profundo abalo no meio dos físicos e intelectuais filosóficos. 
Mas era preciso respeitar o desejo do maior conhecedor em cálculos matemáticos e das teorias sobre Física. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Albert Einstein. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. 
Em 9.1.2014.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

O SONHO DE RAFAELA

Yvonne A. Pereira
Rafaela era uma camponesa muito pobre que vivia em uma rústica região italiana. 
Ela tinha uma filha de nome Adda, a qual desencarnara com aproximadamente três anos de idade. 
Decorridos seis meses do falecimento, a mãe não se conformava e se sentia injustiçada pelos céus. 
Mas, certa noite, ela teve um sonho que reformulou sua percepção a respeito do ocorrido. 
No sonho, ela fora convidada para uma festa que se realizaria em um local próximo do céu. 
Muitas crianças compareceriam no evento para se divertir.
Quando ela chegou, ficou extasiada. 
Tudo era muito belo e as crianças dançavam e cantavam, bastante alegres. 
Todas as crianças tinham asas reluzentes e Rafaela as contemplava embevecida. 
Entretanto, ficou muito surpresa ao notar sua própria filha sentada em um canto. 
A menina estava triste e chorosa, com roupas e asas molhadas, pesadas e sem brilho. 
A mãe indagou à filha o que aquilo significava, pois ela sempre fora muito alegre. 
A pequena Adda disse que não poderia brincar com as outras crianças, mesmo se quisesse. 
A pobre camponesa ainda argumentou que a filha tinha asas, era um anjo e deveria voar com alegria. 
A menina esclareceu que não podia voar, pois estava toda molhada, com as asas pesadas e coladas no corpo. 
A mãe se dispôs a ajudar, como fosse possível, pois queria que a filha fosse feliz e pudesse brincar. 
Adda afirmou que a culpada de tudo era a própria Rafaela.
Com sua grande tristeza e suas blasfêmias contra Deus, a mãe a mantinha colada a si e a impedia de voar. 
O excesso de mágoas de Rafaela aprisionava a pequena Adda e as lágrimas que vertia sem cessar molhavam suas asas. 
Aterrada, a pobre camponesa compreendeu que estava prejudicando a filha, ao não acatar a Vontade Divina.
Prometeu que não mais choraria e nem reclamaria, pois queria que a menina fosse livre e feliz. 
Ao acordar, tomou-se de grande felicidade pela certeza de ter visto e falado com sua filha. 
Chamou as amigas e relatou o sonho. 
Também tratou de relatá-lo a outra mãe que havia perdido um filho recentemente. 
* * * 
Essa bela história traduz uma realidade. 
O amor e os vínculos não se extinguem apenas porque alguém desencarnou. 
Os Espíritos desencarnados recebem os pensamentos e as vibrações dos que ficaram na Terra. 
É preciso que esses cuidem de manter pensamentos e sentimentos equilibrados, a fim de não prejudicar quem se foi.
Quando retorna à pátria espiritual, o Espírito vive momentos delicados e precisa de paz e tranquilidade para se adaptar à nova situação. 
A pretexto de muito amar, não é viável causar dor nos amores que nos precederam na viagem para o verdadeiro lar. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. III, do livro Ressurreição e vida, pelo Espírito Léon Tolstoi, psicografado por Yvonne A. Pereira, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 16, ed. FEP. 
Em 1º.11.2024