domingo, 12 de abril de 2026

UM MUNDO PARA AS CRIANÇAS

Ante tantas guerras e rumores de guerras, atentados terroristas que roubam a paz das gentes simples, é de nos perguntarmos: que mundo estamos construindo para nossos filhos? 
O que ofereceremos para esses pequenos que apenas desabrocham para a vida física? 
O que estamos preparando para seus olhos, para seu futuro?
Importante seria se nos preocupássemos em construir um mundo onde eles pudessem viver o amanhã, mantendo o brilho no olhar. 
Com menos tristeza estampada na face. 
Menos dor pela perda prematura dos pais.
Menos desencanto por verem partir seus amigos e encontrar tantos bancos vazios na escola. 
Um mundo em que as pessoas pudessem andar livres pelas ruas, sem temer balas perdidas, arrastões ou manifestações agressivas. 
Um mundo onde todos se unissem para vencer a enfermidade, a fome, a miséria, que ainda existe em tantas vielas da Terra. 
Onde cada qual pensasse no melhor para a sua família e para o seu próximo. 
Um mundo onde as crianças pudessem sonhar, com a única preocupação de crescer e se tornarem cidadãos úteis, trabalhadores do bem. 
Criaturas que encantassem o planeta com sua arte, enchendo-o de maravilhosos sons com a sinfonia das suas vozes. 
Ou com a leveza dos seus corpos na dança. 
Ou com a agilidade e eficiência nas disputas esportivas. 
Ou utilizassem suas mentes, suas mãos para curar enfermidades que persistem em machucar tanta gente. 
Ou pudessem se dedicar a experimentos que resultassem em inventos para facilitar a vida do homem sobre a face da Terra.
Quem sabe, vencer a gravidade e lançar-se no espaço, rumo a novas descobertas, novas estrelas? 
Uma criança é um raio de luz. 
Não apaguemos a esperança que brilha em seu olhar, em seus gestos. 
Construamos um mundo em que cada criança tenha seu lugar ao sol, seja amada, possa brincar livre, vivendo intensamente sua infância. 
Em que possa ir à escola, ir ao parque, à piscina, ao campo, à praia, sem medo.
* * * 
É possível que ouvindo esta mensagem alguns de nós digamos que somos pessoas normais, vivendo o dia a dia, sem poder interferir nos conflitos armados ou em decisões armamentistas. 
No entanto, pensemos em como podemos semear a paz em nossos dias, sendo menos agressivos, mais tolerantes. 
Que não dirijamos nosso carro como se fosse uma arma, que respeitemos nosso semelhante, que honremos o trabalho honesto.
Há tanto para fazer neste mundo que pode beneficiar a muitos. 
A vibração de amor que lançamos na direção do outro é a mesma que acalmará a onda dos conflitos armados. 
A dignidade com que executemos nossas tarefas diminuirá a corrupção, a desonestidade. 
A nossa doação em espécie ou em trabalho voluntário diminuirá dificuldades que se apresentam próximas ou distantes.
Um mundo novo. 
Um mundo para ser compartilhado com todos. 
Um mundo para nossos filhos. 
Um mundo de esperança, bordado com as cores do arco-íris.
Comecemos hoje e unamo-nos a outros tantos que já semeiam no mundo o bem, o amor, a paz. 
Façamos isso pelos nossos filhos. 
Pelas nossas crianças. 
Por nós mesmos que retornaremos, em futuras vidas, para o mundo que construirmos agora. 
Redação do Momento Espírita, com base na canção Let the children have a world, de Danna Winner. Disponível no CD Momento Espírita, v. 33, ed. FEP. 
Em 04.09.2018.

sábado, 11 de abril de 2026

QUANDO EU ESTIVER DE RETORNO!

Todos os que temos a convicção de que somos imortais e que continuaremos a peregrinar por longo tempo, entre os mundos físicos, pensamos em retornar a este bendito lar a que nos habituamos chamar Terra. 
Pensando nesse retorno, pusemo-nos a pensar como desejamos encontrar este mundo abençoado, em outro século, quem sabe em outro milênio. 
Vamos para as ruas e sentimos o ar com gosto de vida.
Respiramos e sentimos a pureza que hoje só encontramos no topo das montanhas. 
As cidades não são selvas de pedra cinzenta, mas jardins suspensos nos quais os prédios respiram, cobertos por fachadas verdes que abraçam o sol e devolvem oxigênio. 
Os rios correm livres e claros. 
Abundância de água e de espécies animais, sem perigo da extinção porque o homem abandonou esportes e lazeres predatórios. 
O oceano, nosso velho mestre, está limpo, com seus corais brilhando como joias sob águas que esqueceram o peso do plástico. 
A tecnologia, com sua mão invisível, zela pela Humanidade.
Pelas ruas e pelas estradas, não há mais o barulho dos motores. 
O transporte desliza como um sussurro, movido pela energia das estrelas e dos ventos. 
Enquanto nos deslocamos de um ponto a outro, podemos nos encantar com as curvas do caminho, os relevos estonteantes e as florestas de coloridos diversos. 
Vivemos sem o medo da escassez. 
A ciência aprendeu, com a natureza, a ser generosa: a comida nasce da precisão e do respeito, sem que nenhum animal precise sofrer para que possamos nos nutrir. 
As escolas são lugares de puro aprendizado. 
As crianças brincam nas praças, nas praias, nos jardins, com a segurança de olhos amigos, mesmo que estejam distantes de seus pais. 
A inteligência das máquinas não serve mais para nos vigiar, mas para garantir que ninguém, em nenhum canto do planeta, sofra o frio da fome ou a dor de uma doença esquecida. 
Basta ser detectada uma necessidade que o alarme se faz e a solidariedade responde com urgência e precisão.
Nesse novo mundo, a palavra estrangeiro perdeu o sentido de ameaça e as fronteiras no mapa são apenas linhas de história, sem muros de exclusão. 
Orgulhamo-nos do pavilhão nacional, da nossa cultura, do nosso idioma, desejosos igualmente de conhecer a vasta cultura do mundo. 
Nesse futuro, aprendemos que o sucesso de um povo é o sucesso de todos. 
As guerras são lembradas apenas nos livros, contadas como uma febre antiga que a Humanidade, em sua infância, finalmente conseguiu curar. 
Foi dado início à era da gentileza, na qual cooperar é tão natural quanto respirar. 
Honramos os antepassados que trilharam caminhos de conquista, legando-nos essas benesses. 
Não os esquecemos e lhes votamos homenagens. 
Afinal, o bem deve ser evidenciado, falado e mostrado para maior incentivo às novas gerações.
Sonhando tudo isso, nos questionamos quando nos decidiremos pela sua concretização a curto ou médio prazo.
Talvez para acelerar nossa vontade, nos perguntemos que mundo desejamos encontrar quando retornarmos a viver neste planeta azul. 
Redação do Momento Espírita 
Em 11.04.2026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O MUNDO NÃO É MAIS O MESMO

Sérgio Vieira de Mello
Quando uma catástrofe de grandes proporções assume as manchetes dos meios de comunicação de massa, o povo declara, indignado: “o mundo não é mais o mesmo!” 
No entanto, a cada momento que um cidadão melhora, com sua ação, uma situação qualquer, pode-se dizer que o mundo não é mais o mesmo: está melhor. 
Quando uma pessoa adota uma criança sem pais; quando alguém de boa vontade dedica seu tempo a um idoso desvalido; quando pessoas de bem visitam presídios e levam afeto a delinqüentes infelizes, podemos dizer que o mundo está um pouco melhor. 
Quando voluntários se dedicam a crianças que não têm acesso à arte, à cultura, à escola, o mundo não é mais o mesmo, está melhor. 
E quando um homem doa seu tempo e seus conhecimentos em prol da construção da liberdade de povos que sequer falam a sua língua, podemos afirmar com certeza: o mundo está bem melhor. 
Pouco se ouvia falar do cidadão Sérgio Vieira de Mello até o dia em que um carro-bomba explodiu sob a janela de seu escritório, no Iraque. 
No entanto, aquele homem singular tinha um ideal bem definido, ao qual dedicou trinta e cinco anos de sua curta jornada terrestre.
Era um homem que se compadecia com a desgraça do próximo. 
Por sua diplomacia, firmeza e doçura, foi enviado pela organização das nações unidas para ajudar na solução dos conflitos deixados no Iraque após a invasão norte-americana.
Ele atuou em Kosovo, Timor Leste, Moçambique, Sudão, Chipre, Peru, sempre com o intuito de promover a paz e a concórdia entre povos em conflito. 
A cada uma das suas ações de paz, certamente o mundo ficava um pouco melhor. 
 ...Um homem..., uma vida..., um ideal. ...O mundo não é mais o mesmo...
As luzes do palco físico se apagavam lentamente para aquele trabalhador incansável... 
Seu corpo físico estava ferido e preso entre os escombros, mas a dor não impedia aquele construtor de um mundo melhor de pensar em seus amigos e companheiros de jornada... 
O bombeiro que tentou salvá-lo, “disse que em momento algum, mesmo em suas últimas horas, o brasileiro mencionou que era Sérgio Vieira de Mello, funcionário veterano da onu e o homem escolhido pelo secretário-geral da organização, Kofi Annan, para liderar a missão no Iraque.” 
Disse, ainda, que enquanto conversava com Sérgio para mantê-lo consciente, ele perguntava: 
-Como estão todos? Há quantas pessoas feridas? Você pode me dizer o que aconteceu? 
Mesmo ferido e sentindo dores acerbas, Sérgio pensava nos outros. 
Poucas horas mais tarde, o missionário saía de cena...
Deixava os palcos terrenos onde desempenhou com maestria o papel que lhe competia... 
No instante derradeiro, quando suas forças estavam no fim, Sérgio usou o sopro de voz que lhe restava para expressar o desejo de que a onu continuasse no Iraque. 
-“Não deixe que eles retirem a missão”, disse ao bombeiro que lhe prestava socorro. 
Por tudo isso hoje, hoje podemos dizer que o mundo não é mais o mesmo... está melhor. 
Porque um homem, que não era, nem pretendia ser santo, fez a sua parte. 
Um homem que colocou seu tijolo de amor na construção de um mundo onde a paz possa ser, um dia, realidade. ... 
Um homem, um ideal, uma vida. 
Sérgio Vieira de Mello escreveu, com as tintas inapagáveis do amor ao próximo, sua história... e deu a vida pelo ideal de um mundo livre e soberano, onde os direitos humanos sejam efetivamente respeitados. 
E, como tantos outros, ao fechar a mala e retornar para casa, Sérgio pôde dizer: 
-Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte. O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem. Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo, em 27/08/2003 e em palavras de Vitor Hugo, do livro A Reencarnação Através dos Séculos.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

UM MUNDO HOSPITAL

E...CHICO XAVIER
Existem religiosos que afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas. 
E procuram isolamento para preservação da própria pureza.
Entretanto, mesmo aí, no silencioso retiro em que se acolham, por mais humildes se façam, comem os frutos e vestem a túnica que o mundo lhes oferece. 
Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e discórdia, viciação e delinquência. 
Contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as próprias ideias e encontram os leitores que lhes compram os livros. 
Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malícia e perversidade, como se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo. 
Todavia, é no mundo que adquirem os conhecimentos com que embelezam o próprio verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra. 
Muitas pessoas dizem que o mundo é local de perdição em que as trevas do mal senhoreiam a vida. 
No entanto, é no mundo que receberam o regaço materno para tomarem o arado da experiência.
É no mundo que se nutrem confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos. 
O mundo, obra-prima da Criação, indiferente às acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da Humanidade. 
*** 
Ampliemos nossa visão. 
Permitamos que o sentimento perceba o abraço do Pai Criador. 
O mundo em que vivemos está longe de ser morada superior, uma vez que aqui estamos aqueles que ainda insistimos no erro. 
Por isso, necessitamos de atendimento hospitalar para nossos vícios morais. 
Este é um mundo hospital, um hospital-escola, o que não o torna menos belo. 
Caminhemos pelas instalações de um desses hospitais modelo da Terra e vejamos o cuidado, a organização, a disciplina dos servidores e a gigantesca estrutura para atender os pacientes. 
São pequenas cidades construídas em prédios bem iluminados, bem projetados, com equipamentos de alta tecnologia para providenciar conforto a quem precise.
Nutricionistas garantindo as melhores refeições; enfermeiros competentes e amorosos; profissionais de informática dedicados; equipes de limpeza e higienização treinadas constantemente. 
Quartos confortáveis, leitos de última geração, centros cirúrgicos prontos para qualquer tipo de intervenção. 
Assim é o planeta Terra, oferecendo-nos uma estrutura admirável para que possamos ser bem atendidos durante o tempo que passamos aqui. 
O paciente, muitas vezes distraído com suas enfermidades, não percebe a beleza que o cerca. 
Reclama da dor da injeção que lhe traz o analgésico; reclama dos exercícios repetitivos propostos pelo fisioterapeuta, pois não enxerga o bem maior. 
Façamos essa experiência de olhar o mundo de forma distinta. 
Deixemos de ver o estado de doença, os outros pacientes, e olhemos o hospital. 
Percebamos tudo que nos é dado para que tenhamos excelente atendimento. 
Ficaremos encantados descobrindo que Deus tudo nos provê.
Temos aquilo de que precisamos para crescer, para darmos mais um passo na busca por sermos melhores. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 12, do Livro da esperança, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC. 
Em 21.04.2025

quarta-feira, 8 de abril de 2026

A GRATIDÃO DO ÍDOLO

JOHN WAYNE
É comum observarmos o brilho repentino do sucesso transformar ídolos em figuras distantes e tomadas pela presunção. 
O apoio genuíno dos fãs é ignorado ou respondido com frieza. 
Alguns chegam a se isolar do mundo, dizendo que não desejam o assédio dos que os colocaram e sustentam no pedestal da fama. 
Esquecem que o sucesso que despreza o afeto humano é um isolamento vazio. 
Esquecem de ser gratos, de corresponder de alguma maneira a quem os aplaude, por vezes, à distância. 
Alguns, no entanto, demonstram gratidão por todos os aplausos, a recepção calorosa de suas obras. 
São gratos por aqueles que aguardam seus filmes, suas apresentações, que lhes acompanham a trilha do sucesso.
Talvez as novas gerações não conheçam a carreira do cowboy americano Marion Michael Morrison, que morreu em 1979. 
Atuou em mais de cento e setenta faroestes e filmes de guerra. 
Profissionalmente, era conhecido por John Wayne e usava o apelido Duke. 
Em março de 1961, ele encontrou, entre a correspondência de estúdios e pedidos de autógrafos, um envelope simples, manuscrito. 
Era de uma professora do Estado de Montana. 
Dizia lecionar para doze alunos, entre seis e catorze anos. 
A maioria era filho de rancheiros. 
Ela usava os filmes dele para estudar história e valores americanos. 
Wayne ficou surpreso: Valores americanos? 
Seus filmes inspiravam isso?
A carta informava que a escola rural não tinha projetor. 
Nas aulas, as crianças representavam as cenas, e o ensino frisava coragem, honra e o que significava ser americano.
Mensagens de cada criança acompanhavam as letras da professora. 
Eram doze vozes anônimas, num canto esquecido do país, aprendendo sobre a vida através dos filmes dele. 
Ele ficou em silêncio. 
Depois pediu que fosse providenciado o melhor projetor de dezesseis milímetros. 
E cópias dos seus dez melhores faroestes. 
Acrescentou um cheque de considerável valor e uma carta, de próprio punho: 
Querida Margaret e alunos,
Fico honrado por estudarem os meus filmes. Coragem não é ausência de medo. É fazer o que é certo apesar dele. Honra é cumprir a palavra quando ninguém está olhando. Ser americano é acreditar que todos importam. Até crianças numa escola que poucos conhecem. Envio um projetor e alguns filmes. Não porque pediram, mas porque merecem ver as histórias, não apenas lê-las. Vocês não são apenas doze crianças de Montana. São doze americanos. 
Com amizade. Duke. 
Simples assim. 
Não informou a imprensa nem convocou os fotógrafos para o registro. 
Foi apenas um gesto de agradecimento, de sensibilidade, de quem valoriza o outro. 
Seis meses depois, ele foi filmar naquele Estado. 
Um dia de chuva interrompeu as gravações. 
Então, o cowboy das cenas de filme pegou um jipe e seguiu por estradas de terra até uma escola isolada. 
Quando ele entrou à sala, doze crianças ficaram imóveis. 
O homem estava ali. De verdade. 
Naquele dia, eles não aprenderam apenas sobre faroestes.
Aprenderam que ídolos reais não vivem somente nos filmes.
Vivem nas escolhas feitas longe dos holofotes, quando ninguém vê. 
Redação do Momento Espírita, a partir de fatos colhidos em dados biográficos de John Wayne.
Em 08.04.2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ PERDIDO

RAUL TEIXEIRA
Ante os acontecimentos infelizes que afligem o planeta, as guerras que se multiplicam, é comum ouvirmos a expressão:
O mundo está perdido! 
Entretanto, o mundo não está perdido. 
Está na mais perfeita harmonia. 
O sol cumpre sistematicamente o seu papel, sem alarde. 
A Terra oferece todos os recursos da sua intimidade, que possibilitam a vida das criaturas. 
As sementes germinam, a floração acontece, os rios seguem seus cursos e os animais atendem aos objetivos que o Criador lhes estabeleceu.
Portanto, o mundo não está perdido. 
Nós é que nos esquecemos da nossa condição de filhos de Deus e nos debatemos em busca de ilusões, que nos distanciam da felicidade almejada. 
Esquecidos de que somos filhos da luz, nós nos atormentamos nas trevas e acabamos nos precipitando nos despenhadeiros de variados vícios. 
O mundo não está perdido... 
Nós é que perdemos o rumo...
A Terra faz seus movimentos de rotação e translação, obedecendo às leis do Criador. 
Os astros giram no espaço infinito, na mais perfeita sintonia com o pensamento divino. 
O sol dardeja ouro sobre a Terra, tornando possível a vida. 
A chuva generosa cumpre seu papel... 
O mundo não está perdido. Nós é que estamos com a visão distorcida. 
Nossa miopia moral nos faz perder a fé no Criador... 
E as manhãs que se renovam, como dádivas de Deus para o nosso crescimento, escorrem ligeiras pelas nossas mãos. 
Os minutos que se repetem, incansáveis, são desvalorizados por nós. 
Olhamos o mundo, através das nossas lentes embaçadas pelo pessimismo e fazemos coro ao vozerio geral: 
O mundo está perdido. 
Mas aqueles que têm os olhos lubrificados pela fé racional dilatam o seu campo de visão e contemplam o equilíbrio do mundo. 
Seus passos são ligeiros e decididos, pois a confiança em Deus os sustenta com o otimismo. 
São pessoas assim que mudam o ambiente terrestre, que fazem luz onde as sombras teimam em se instalar. 
Sua confiança no Criador do Universo é, de tal forma grandiosa, que jamais se permitem cair nas malhas do amolentamento. 
São pessoas que não reclamam do mundo, mas fazem do mundo, a cada dia, um lugar melhor. 
Por isso, o mundo não está perdido... 
Nós é que nos perdemos por nos distanciarmos do Nosso Pai.
Por nos sentirmos senhores do mundo. 
Por relegarmos a segundo plano os valores morais. 
Quando abrirmos os olhos, sairmos da casca do egoísmo e retirarmos a capa do orgulho, veremos que o mundo tem um colorido diferente. 
Enxergaremos as belezas naturais com que Deus enfeitou a Terra e nos deslumbraremos com o perfeito equilíbrio que impera em todo o Universo. 
* * * 
No reino da natureza, o ser humano é o único dotado de razão. 
É o único ser capaz de questionar e entender o seu Criador.
Nós, como seres humanos, somos os únicos capazes de enxergar algo além das aparências. 
Não nos deixemos levar pelo pessimismo. 
Corrijamos o ângulo da nossa visão, lubrifiquemo-la com o óleo da fé em Deus e façamos a nossa parte. 
Pensemos nisso! 
Façamos isso! 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por Raul Teixeira, na cidade de Amparo/SP, em 20.2.2004. 
Em 18.01.2024.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

UMA ESCUTA, RESPEITO E CAFÉ!

Jerry Stiller e Anne Meara
Ele a viu sair do escritório aos prantos. 
Outros viram a mesma cena, sem se importar. 
Ele, no entanto, de imediato entendeu. 
Ela era uma atriz irlandesa, de Long Island, e o homem que deveria impulsionar sua carreira fizera exatamente o oposto: tentara assediá-la. 
Anne escapara, mas estava abalada, furiosa e sozinha. 
O comediante judeu do Brooklyn jamais a vira, embora frequentassem os mesmos ambientes. 
Como ela, tentava sobreviver como ator. 
Jerry a seguiu e a encontrou, no corredor, ainda em lágrimas.
Apresentou-se e perguntou se ela aceitaria um café. 
Era tudo o que ele tinha para oferecer. 
Estava falido. 
Foram a uma lanchonete. 
Ela desabafou sobre como era difícil ser mulher e tentar vencer no meio artístico. 
Ele a ouviu, deixando que ela extravasasse tudo que lhe ia na alma. 
Daquele café e daquela escuta, surgiu o namoro. 
Lutando ambos por espaço, vivendo em apartamentos minúsculos, aceitando qualquer trabalho, casaram um ano depois. 
Sofreram muitas críticas porque, na América daqueles anos 1950, um casamento inter-religioso era praticamente inaceitável: um judeu e uma católica irlandesa. 
Eles ignoraram a tensão familiar, o desconforto sofrido em muitas situações. 
Construíram sua própria vida. 
Descobriram, depois de um tempo, que juntos eram especiais.
Criaram a dupla cômica Stiller e Meara: personagens que discutiam, se provocavam e se amavam. 
Em um humor inteligente e afetuoso, apresentavam suas diferenças culturais. 
Tornaram-se conhecidos em todo o país, sendo convidados para um dos programas mais importantes da televisão americana, por nada menos do que trinta e seis vezes. 
Houve momentos em que a dupla foi o auge do sucesso e outros em que cada um seguiu carreira individual. 
Eles nunca deixaram que a competitividade profissional ou as mudanças de fase de vida abalassem o suporte que davam um ao outro. 
Em uma época de preconceito, mostraram que o amor não precisa de origens iguais. 
Apenas de decisão pessoal. 
Tiveram dois filhos: Ben e Amy. 
Ambos seguiram a carreira artística. 
Ben se tornou um dos grandes nomes do cinema americano.
Sempre afirmou que a maior lição que recebeu dos pais não foi sobre atuação, mas sobre parceria.
Ele cresceu vendo um casamento sustentado por humor, respeito e afeto verdadeiro. 
Eles discutiam, como qualquer casal, mas sempre voltavam ao riso.
Sempre um ao outro. 
Afinal, o casamento duradouro não é a ausência de diferenças, mas a decisão consciente de que a união vale mais do que vencer uma discussão sobre as diferenças. 
O casal viveu junto mais de seis décadas. 
Anne morreu aos oitenta e cinco anos. 
O marido a seguiu apenas cinco anos depois. 
Ao anunciar a morte do pai, o filho o apresentou como o marido mais dedicado que alguém poderia ser. 
O judeu do Brooklyn e a católica irlandesa de Long Island provaram que o amor não precisa de permissão ou consentimento geral. 
Só de escuta, respeito… e café. 
O que construíram permanece nos filhos, no humor, nos exemplos. 
Exemplo para cada casal que escolha se unir apesar do mundo. 
Redação do Momento Espírita com fatos da vida de Jerry Stiller e Anne Meara. 
Em 06.04.2026