terça-feira, 7 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ PERDIDO

RAUL TEIXEIRA
Ante os acontecimentos infelizes que afligem o planeta, as guerras que se multiplicam, é comum ouvirmos a expressão:
O mundo está perdido! 
Entretanto, o mundo não está perdido. 
Está na mais perfeita harmonia. 
O sol cumpre sistematicamente o seu papel, sem alarde. 
A Terra oferece todos os recursos da sua intimidade, que possibilitam a vida das criaturas. 
As sementes germinam, a floração acontece, os rios seguem seus cursos e os animais atendem aos objetivos que o Criador lhes estabeleceu.
Portanto, o mundo não está perdido. 
Nós é que nos esquecemos da nossa condição de filhos de Deus e nos debatemos em busca de ilusões, que nos distanciam da felicidade almejada. 
Esquecidos de que somos filhos da luz, nós nos atormentamos nas trevas e acabamos nos precipitando nos despenhadeiros de variados vícios. 
O mundo não está perdido... 
Nós é que perdemos o rumo...
A Terra faz seus movimentos de rotação e translação, obedecendo às leis do Criador. 
Os astros giram no espaço infinito, na mais perfeita sintonia com o pensamento divino. 
O sol dardeja ouro sobre a Terra, tornando possível a vida. 
A chuva generosa cumpre seu papel... 
O mundo não está perdido. Nós é que estamos com a visão distorcida. 
Nossa miopia moral nos faz perder a fé no Criador... 
E as manhãs que se renovam, como dádivas de Deus para o nosso crescimento, escorrem ligeiras pelas nossas mãos. 
Os minutos que se repetem, incansáveis, são desvalorizados por nós. 
Olhamos o mundo, através das nossas lentes embaçadas pelo pessimismo e fazemos coro ao vozerio geral: 
O mundo está perdido. 
Mas aqueles que têm os olhos lubrificados pela fé racional dilatam o seu campo de visão e contemplam o equilíbrio do mundo. 
Seus passos são ligeiros e decididos, pois a confiança em Deus os sustenta com o otimismo. 
São pessoas assim que mudam o ambiente terrestre, que fazem luz onde as sombras teimam em se instalar. 
Sua confiança no Criador do Universo é, de tal forma grandiosa, que jamais se permitem cair nas malhas do amolentamento. 
São pessoas que não reclamam do mundo, mas fazem do mundo, a cada dia, um lugar melhor. 
Por isso, o mundo não está perdido... 
Nós é que nos perdemos por nos distanciarmos do Nosso Pai.
Por nos sentirmos senhores do mundo. 
Por relegarmos a segundo plano os valores morais. 
Quando abrirmos os olhos, sairmos da casca do egoísmo e retirarmos a capa do orgulho, veremos que o mundo tem um colorido diferente. 
Enxergaremos as belezas naturais com que Deus enfeitou a Terra e nos deslumbraremos com o perfeito equilíbrio que impera em todo o Universo. 
* * * 
No reino da natureza, o ser humano é o único dotado de razão. 
É o único ser capaz de questionar e entender o seu Criador.
Nós, como seres humanos, somos os únicos capazes de enxergar algo além das aparências. 
Não nos deixemos levar pelo pessimismo. 
Corrijamos o ângulo da nossa visão, lubrifiquemo-la com o óleo da fé em Deus e façamos a nossa parte. 
Pensemos nisso! 
Façamos isso! 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por Raul Teixeira, na cidade de Amparo/SP, em 20.2.2004. 
Em 18.01.2024.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

UMA ESCUTA, RESPEITO E CAFÉ!

Jerry Stiller e Anne Meara
Ele a viu sair do escritório aos prantos. 
Outros viram a mesma cena, sem se importar. 
Ele, no entanto, de imediato entendeu. 
Ela era uma atriz irlandesa, de Long Island, e o homem que deveria impulsionar sua carreira fizera exatamente o oposto: tentara assediá-la. 
Anne escapara, mas estava abalada, furiosa e sozinha. 
O comediante judeu do Brooklyn jamais a vira, embora frequentassem os mesmos ambientes. 
Como ela, tentava sobreviver como ator. 
Jerry a seguiu e a encontrou, no corredor, ainda em lágrimas.
Apresentou-se e perguntou se ela aceitaria um café. 
Era tudo o que ele tinha para oferecer. 
Estava falido. 
Foram a uma lanchonete. 
Ela desabafou sobre como era difícil ser mulher e tentar vencer no meio artístico. 
Ele a ouviu, deixando que ela extravasasse tudo que lhe ia na alma. 
Daquele café e daquela escuta, surgiu o namoro. 
Lutando ambos por espaço, vivendo em apartamentos minúsculos, aceitando qualquer trabalho, casaram um ano depois. 
Sofreram muitas críticas porque, na América daqueles anos 1950, um casamento inter-religioso era praticamente inaceitável: um judeu e uma católica irlandesa. 
Eles ignoraram a tensão familiar, o desconforto sofrido em muitas situações. 
Construíram sua própria vida. 
Descobriram, depois de um tempo, que juntos eram especiais.
Criaram a dupla cômica Stiller e Meara: personagens que discutiam, se provocavam e se amavam. 
Em um humor inteligente e afetuoso, apresentavam suas diferenças culturais. 
Tornaram-se conhecidos em todo o país, sendo convidados para um dos programas mais importantes da televisão americana, por nada menos do que trinta e seis vezes. 
Houve momentos em que a dupla foi o auge do sucesso e outros em que cada um seguiu carreira individual. 
Eles nunca deixaram que a competitividade profissional ou as mudanças de fase de vida abalassem o suporte que davam um ao outro. 
Em uma época de preconceito, mostraram que o amor não precisa de origens iguais. 
Apenas de decisão pessoal. 
Tiveram dois filhos: Ben e Amy. 
Ambos seguiram a carreira artística. 
Ben se tornou um dos grandes nomes do cinema americano.
Sempre afirmou que a maior lição que recebeu dos pais não foi sobre atuação, mas sobre parceria.
Ele cresceu vendo um casamento sustentado por humor, respeito e afeto verdadeiro. 
Eles discutiam, como qualquer casal, mas sempre voltavam ao riso.
Sempre um ao outro. 
Afinal, o casamento duradouro não é a ausência de diferenças, mas a decisão consciente de que a união vale mais do que vencer uma discussão sobre as diferenças. 
O casal viveu junto mais de seis décadas. 
Anne morreu aos oitenta e cinco anos. 
O marido a seguiu apenas cinco anos depois. 
Ao anunciar a morte do pai, o filho o apresentou como o marido mais dedicado que alguém poderia ser. 
O judeu do Brooklyn e a católica irlandesa de Long Island provaram que o amor não precisa de permissão ou consentimento geral. 
Só de escuta, respeito… e café. 
O que construíram permanece nos filhos, no humor, nos exemplos. 
Exemplo para cada casal que escolha se unir apesar do mundo. 
Redação do Momento Espírita com fatos da vida de Jerry Stiller e Anne Meara. 
Em 06.04.2026

domingo, 5 de abril de 2026

UM MUNDO DE DORES E BÊNÇÃOS

É comum reclamarmos do mundo, das coisas que observamos acontecer, das tantas tragédias provocadas pelo próprio homem. 
Quase sempre, nossa visão acanhada toma ciência das maldades cometidas pelo homem e dizemos que o mundo vai muito mal. 
Ouvimos falar de crimes hediondos, de corrupção em vários níveis, de tantos que desafiam a lei do respeito e da cidadania e dizemos que está tudo perdido, mesmo. 
Os anos se somam acumulando séculos e o homem continua lobo do próprio homem. 
Por vezes, chegamos até a duvidar que nossas atitudes corretas possam vir a produzir qualquer diferença positiva para cenário tão triste. 
No entanto, é bom que consultemos a História. 
É bom relembrar como éramos no ontem das nossas existências. 
Lembrar das mulheres que eram consideradas coisa alguma.
Recordar que a mulher era tida como propriedade do pai, depois do marido, que sobre seu destino decidia sem contestação da sociedade, ou de qualquer lei que lhe pudesse garantir direitos. 
Recordar que crianças bastardas tinham direito algum, podendo se lhes dar o destino que bem se quisesse. 
Olhemos para nosso mundo hoje. 
Sim, ainda pleno de equívocos, de maldade, até mesmo de crueldade. 
No entanto, basta que uma tragédia se instale em algum local do planeta e todos se irmanam em donativos, em auxílio, em voluntariado para saciar a sede, a fome dos envolvidos. 
O ser humano tem seu direito à vida assegurado. 
As mulheres conquistaram um largo espaço, podendo frequentar a escola, ilustrar suas mentes, tornando-as ainda mais brilhantes. 
Sim, há muito mal na Terra. 
Contudo, a soma de bens sobrepuja o que ainda persiste. 
A dor é socorrida com a anestesia e o medicamento. 
Doenças consideradas incuráveis são combatidas, ferozmente. 
A higiene é propalada como indispensável condição para a saúde e dignidade da vida. 
Sim, com o Apóstolo Paulo podemos afirmar que não somos perfeitos, que muito deve ser conquistado e melhorado mas graças a Deus, já somos o que somos. 
Seres que se importam com o outro, que batalham por leis sempre mais justas, pela proteção do ser humano, desde o ventre materno. 
Por leis que assegurem a educação plena a todos, o direito ao teto e ao pão, leis que digam da correta remuneração a quem trabalha. 
Das aristocracias do passado marchamos para a verdadeira aristocracia, a do mérito, ajustando-nos ao preceito evangélico: A cada um segundo as suas obras. 
Obras de construção, de amor, de engrandecimento. 
Com certeza, ainda é duro o mundo quando a impiedade nos alcança, quando os maus agridem, quando nos sentimos acuados pela desonestidade e pela ironia. 
No entanto, avançamos, rumo ao Alto. 
Estamos melhores hoje. 
Somos melhores hoje. 
Guardemos essa certeza e continuemos a crescer para a luz. Somos filhos da Luz, nos disse o Mestre. 
Iluminemos o mundo com nossa luz. 
Luz da compreensão, luz que ampara o caído, que socorre quem errou, que estende a mão ao que resvala pelo caminho.
Somos seres humanos. 
Comportemo-nos como tal, amando-nos uns aos outros. 
E, de mãos dadas, rumemos para a angelitude. 
Ela pode estar bem próxima de nós, se quisermos.
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.06.2022.

sábado, 4 de abril de 2026

ENSINAMENTO QUE FALTA

 Maurice Druon
Tudo andava às mil maravilhas na vida daquele menino. 
Ele vivia numa mansão esplêndida, tinha pais que o amavam, divertia-se brincando com seu pônei. 
Um dia, no entanto, aconteceu algo doloroso. 
O jardineiro, aquele homem gentil que enchia de coloridos perfumados os canteiros do jardim, não despertou. 
Quando perguntou para sua mãe o que acontecera, Rodrigo recebeu como resposta que o homem resolvera descansar para sempre.
-Posso ir vê-lo dormir? 
A negativa foi acompanhada da explicação de que ele partira para uma viagem muito longa. 
E nunca mais voltaria. 
Estranho, pensou o pequeno. 
-Não se viaja de olhos fechados. Se está dormindo, podia ter me dito boa noite. Se partiu, podia ter se despedido. Não dá para entender. 
Resolvido a desvendar aquele mistério, como toda criança que desconfia de que estão lhe escondendo a verdade, foi buscar respostas com outras pessoas. 
A cozinheira lhe respondeu que o coitado do senhor Tadeu estava no céu. 
E agora era muito mais feliz. 
 A cabecinha de Rodrigo continuou a funcionar: 
-Se está feliz, por que dizer que é coitado? Se é coitado, como pode ser feliz? 
A resposta, dada pela prima idosa, deixou tudo ainda mais intrigante: 
-Tadeu está debaixo da terra, no cemitério. 
-Como assim? Indagou Rodrigo. Está debaixo da terra ou no céu? Não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Finalmente, alguém lhe disse:
-É simples. Tadeu morreu. 
E o garoto aprendeu que não é somente a guerra que mata homens. 
Ela é somente uma ajudante da morte. 
As pessoas morrem porque ficam muito velhas. 
-Toda vida termina assim, concluiu um dos professores. 
O garoto teve a impressão de que o sol perdia o seu brilho, o prado se tornava escuro e o ar difícil de respirar. 
São os sinais que as pessoas grandes pensam que somente elas têm. 
Não percebem que as crianças também sofrem desse mal, que se chama desgosto. 
Depois de chorar por um tempo, Rodrigo decidiu descobrir onde estaria Tadeu: 
-Debaixo da terra ou no céu? 
Foi ao cemitério. 
Procurou e descobriu uma lápide na qual estava escrito: 
Aqui jaz Tadeu, Jardineiro dos melhores. 
Uma lágrima por ele Que foi amigo das flores. 
Já sei como despertar Tadeu, pensou o menino. 
E encheu a sepultura das mais belas flores. 
Tudo em vão. 
A sepultura ficou maravilhosa com tantas cores e perfumes.
Mas Tadeu não respondeu. 
Com a alma mergulhada em sombras, Rodrigo descobriu que as flores não tinham poder contra aquele mal chamado morte.
Voltou para casa para chorar e chorar, totalmente sozinho.
* * *
De todas as questões da vida, uma certeza existe: mais dia, menos dia, a morte nos abraça. 
Ninguém, por mais rico, poderoso, inteligente ou fenomenal pode se furtar a ela. 
Ela chega de variadas maneiras: devagar, de repente, de mansinho ou violenta. 
Se é inexorável, por que não temos aulas sobre ela? 
Por que não falamos dela para nossas crianças, com a mesma clareza com que lhes mostramos o céu, o amor, as letras, a vida? 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19, do livro O menino do dedo verde, de Maurice Druon, ed. José Olympio.
Em 04.04.2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ MELHORANDO

Marycarmen Caro Gastelum
Sempre ouvimos falar que, para o mundo melhorar, é preciso que as pessoas melhorem. 
Embora seja um processo lento, é uma realidade da qual não se pode fugir. 
Quanto mais pessoas se dispuserem a colaborar nessa melhoria, olhando com mais atenção ao seu redor, identificando situações onde possam agir em favor do bem, mais rápida se fará essa transformação. 
Diariamente, temos exemplos de que a face do mundo está se modificando.
Marycarmen Caro Gastelum 
Basta ter olhos de ver.
Como aquele rapaz que passava pela rua e se surpreendeu com o que viu. 
Parou, fotografou, compartilhando, posteriormente, em seu perfil, em rede social.
Explicou depois o que vira: uma enfermeira, moradora na cidade do México, saindo de seu plantão, viu um homem em uma cadeira de rodas. 
Todos passavam e ninguém lhe prestava atenção. 
Talvez seja essa uma conduta de autodefesa. 
Se fingirmos não ver o problema, não temos compromisso com qualquer tentativa de solução. 
Sabemos que as condições de pobreza, da falta de moradia, da fome e da saúde têm sido um grande desafio em quase todos os lugares. 
Contudo, nada nos impede de colocarmos uma gota de bálsamo, de amor e atenção fraterna no coração daquele que sofre. 
Não resolvemos o problema mas, se nos aproximarmos, quiçá possamos descobrir que a ajuda de que a pessoa necessita não é tão grande e que podemos oferecê-la. 
Certamente, com essa disposição, Marycarmen se aproximou e verificou que aquele cadeirante sofria muito. 
Trazia os pés feridos. 
Sem pensar em seu cansaço, depois das horas de trabalho, ela se prontificou, ali mesmo, a tratar dos ferimentos, com o material que trazia em sua maleta. 
Não terá resolvido o problema da fome dele, da ausência de família, de abrigo. 
Mas, diminuiu-lhe a dor, o que ele mais precisava, naquele momento. 
* * * 
Felizmente multiplicam-se as pessoas, de espírito nobre, capazes de sentir empatia. 
São gestos dessa ordem que arrastam outros à solidariedade, na tentativa salutar de imitá-los. Isso faz parte do mundo melhor, que estamos construindo. 
Um mundo que reflete fraternidade, semeadura de paz. 
Essa paz que almejamos para nós, para nossos amores, para o mundo. 
Buscar saber quem realmente somos, de onde viemos, porque estamos aqui, e para onde vamos, nos auxiliará a clarear o caminho para a instalação dessa paz tão falada, tão desejada. 
O Evangelho de Jesus, como um processo educativo do ser espiritual que somos, nos auxilia a nos percebermos como construtores desse mundo almejado. 
Pessoas espiritualizadas fazem a diferença em nossa sociedade, agindo conforme a lei de amor e promovendo o bem onde se encontrem. 
O Mestre Jesus foi quem nos afirmou que o que fizermos a um faminto, a um doente, a um necessitado de qualquer ordem, a Ele mesmo o estaremos fazendo. 
Que coisa grandiosa se assim pensarmos. 
Servir ao Rei dos reis na pessoa do mais humilde cidadão.
Isso mais nos deve incentivar à prática das boas ações, ao atendimento aos pequenos do mundo. 
Será com o amor que trazemos em nós, que alimentaremos a chama do amor no mundo. 
Pensemos: tudo começa em cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita, com narrativa de fato, envolvendo a enfermeira Marycarmen Caro Gastelum. 
Em 08.08.2020.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

POSSUIR

Rachel Naomi Remen
Aquela psicóloga estabelecera um laço de amizade com o menino. 
Era comum se encontrarem para brincar com os carrinhos de corrida dele. 
Um tinha uma das rodas quebradas. 
Mesmo assim, eles viajavam com a imaginação, cada qual descrevendo o que via pelas estradas em que rodava. 
Era uma brincadeira maravilhosa. 
O garoto, no entanto, desejava muito uma coleção de carros de corrida. 
Rachel teve vontade de comprá-la, mas temia constranger os pais com essa atitude. 
Então, uma companhia de petróleo lançou uma campanha. 
A cada tanque cheio de combustível, um carrinho de corrida.
Entre amigos, Rachel fez a campanha e, rapidamente, conseguiu a coleção completa. 
Embrulhou em uma bela caixa e presenteou o garoto. 
Os carrinhos encheram todo o parapeito da janela da sala.
Curiosamente, o menino deixou de brincar com eles.
Achando aquilo estranho, Rachel quis saber o porquê. 
Então, ele não gostara daqueles carros? 
A resposta a abalou: 
-Eu não sei como gostar de tantos carros. 
* * * 
Quantos de nós temos tantas coisas que nem nos damos conta. 
E parece que, aos poucos, perdem o significado para nossas vidas. 
Por vezes, tentamos preencher nosso vazio acumulando mais e mais objetos, livros, revistas. 
De um modo peculiar, quanto mais acumulamos menos usufruímos.
Poderíamos até colocar um cartaz para nós mesmos: 
Possua tudo, usufrua nada. 
Quase sempre, não fazemos ideia de tudo o que está guardado em nossos armários, estantes e gavetas. 
Já nos aconteceu de adquirir um livro e descobrirmos, ao chegar em casa, que o tínhamos. 
Isso nos dá a ideia de quanto temos e não usufruímos. 
Em tempos de redes sociais, de whatsapp, percebemos quantas pessoas estão em nossos contatos e quase não as conhecemos? 
Algumas são amigas das nossas amigas. 
Muitas delas jamais conhecemos pessoalmente, jamais dialogamos de verdade. 
Simplesmente entramos em grupos e mais grupos. 
Alguns temos um milhão de seguidores, recebemos centenas de mensagens todos os dias. 
Mensagens que são encaminhadas e reencaminhadas.
Quantas delas foram realmente elaboradas especialmente para nós? 
Quantas, nós mesmos, elaboramos para amigos especiais?
Aqueles que fazem a grande diferença em nossas vidas, que transformam nossos dias em auroras boreais, que desenham arco-íris nas nossas mentes e iluminam as noites sem estrelas. 
Talvez devêssemos realizar um balanço de tudo que temos, do que precisamos, o que verdadeiramente desfrutamos.
Talvez devamos diminuir a quantidade de itens que temos distribuídos em tantos lugares da casa, do escritório. 
Quem sabe diminuir o número de grupos e estabelecermos relações mais autênticas. 
Talvez devamos nos permitir receber menos vídeos e mensagens e realmente aproveitar o que nos chega, como algo que possa edificar as nossas horas, alimentar-nos com nobreza. 
Talvez devamos nos ater àquilo que tenhamos tempo para usufruir. 
O livro para ler, o vídeo para assistir, a mensagem para reflexionar. 
Uma agenda com contatos de pessoas que amemos e que nos amem. 
Porque, em essência, isso faz a grande diferença em nossas vidas. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 1, cap. Possuir, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante. 
Em 02.04.2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ ACABANDO

Não é novidade a previsão de que o mundo vai acabar. 
As culturas milenares ou doutrinas recentes, pregadores de hoje ou profetas do ontem se fizeram arautos do fim do mundo. 
Alguns previram explosões e convulsões intensas avassalando imensas regiões. 
Outros, imaginaram grandes asteróides se chocando com a Terra, convulsionando de tal forma a harmonia do planeta, que a vida humana se tornaria impossível, sendo destruída em sua totalidade. 
Alguns fanáticos promoveram suicídios coletivos, antecipando a catástrofe que, imaginavam eles, se daria brevemente. 
Não foram poucos aqueles que marcaram data, ano, na exatidão do calendário que se escoava e que teimava em não cumprir a previsão catastrófica. 
Poucos, porém, se deram conta de que o mundo há muito tempo vem acabando. 
Onde está o mundo onde as mulheres não tinham direitos sociais, eram proibidas de votar, não podiam frequentar a escola? 
Esse mundo acabou, resistindo apenas em alguns rincões de ignorância e miséria moral. 
Como falar, então, do mundo onde as cartas levavam meses para encontrar seu destino, onde as notícias eram poucas e raras, onde sabia-se de pouco e pouco se difundia? 
Esse mundo também acabou, substituído por um mundo melhor, onde a tecnologia nos aproxima, nos beneficia, coloca luzes nos mais distantes lugares do mundo, minimizando as dores e dificuldades. 
Analisando assim, é verdade que o mundo está acabando. Não da maneira violenta e definitiva como imaginavam tantos, nem tampouco de forma irreversível e avassaladora como pregaram outros. 
É natural da evolução humana que o mundo vá se acabando, para que outro mundo se construa, na marcha inevitável do progresso e da melhora. 
Mesmo a guerra, as grandes catástrofes naturais, os desastres são previstos nas leis de Deus para que o progresso ganhe marcha e a melhora se instale para todos.
Nesses dias de transição que ora passamos, é urgente que o mundo também se acabe. 
Mas esse mundo que deve ser extinto é o mundo da violência que palpita dentro de nós. 
Temos que ajudar a dar fim ao mundo de injustiça que, muitas vezes, permitimos que se dê sob os nossos olhos. 
Devemos colaborar para o fim de um mundo de iniquidades, de desigualdades, de fome e miséria que ainda se estende por tanta parte e para tantos. 
É verdadeiramente urgente que esse mundo todo se acabe. 
E que um novo mundo se inicie em nossa intimidade e, aos poucos, possamos colaborar para que nosso planeta ganhe outras paisagens e outros valores. 
Só assim dia virá em que olharemos para esses dias que ora se passam e teremos a certeza de que o mundo acabou. 
E que no lugar dele, um mundo de paz, harmonia e justiça se instaurou, para nunca mais acabar. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no cd Momento Espírita, v. 22, ed. Fep. 
Em 31.07.2012.