sexta-feira, 26 de junho de 2026

ONDE HOUVER ÓDIO

Onde houver ódio, que eu leve o amor. 
Incrível é o poder que tem o antiamor, essa hidra a que chamamos ódio. 
Começando por desnutrir e desmantelar o cerne do seu portador, segue, mundo afora, espargindo seus miasmas e se multiplicando no seio de muitas vidas, tornando amarga a vivência. 
O indivíduo odiento, relativamente aos que o rodeiam, é alguém que se acha encharcado pelo mesmo ódio que destila.
É alguém que odeia a si mesmo, e que, por isso adoece.
Assim, se desejamos erradicar o ódio do mundo, o primeiro lugar onde devemos tratá-lo, atendê-lo, é dentro de nós mesmos. 
Todas as ações odientas que vemos gritando pelo mundo, fazendo vítimas, causando dor e revolta, têm seu início no íntimo enfermo do ser humano. 
É o auto-ódio que precisa ser tratado. 
O ódio contra si mesmo é a maior tragédia da mente humana.
O perfeccionismo exagerado, que penaliza seu portador, quando não alcança os resultados almejados, é manifestação de auto-ódio. 
Os insucessos devem ser estímulo para acertar numa próxima vez e nunca razão de autoflagelo ou decepção profunda consigo mesmo. 
Quem se odeia avança para o fim sem cerimônia, seja o fim da saúde, da alegria, do sossego ou o fim da família, dos amigos, da vida, ao cabo de tudo. 
Adere aos vícios de difícil erradicação, justificando não poder abandoná-los, escusando-se de fazer mínimos esforços para isso. 
O ser que se detesta, imprime em tudo o que faz o selo da negatividade, complicando o que poderia ser simples.
Assim, é preciso parar tudo e cultivar o seu oposto: o autoamor. 
Quando Francisco de Assis apresenta a proposta do Onde houver ódio, que eu leve o amor, ele não se refere apenas ao ódio de fora, exterior. 
Sabia muito bem, quando se colocou como instrumento da paz que os maiores inimigos do homem estão em sua intimidade. 
Desta forma, amar a si mesmo é salvar o mundo. 
O amor a si mesmo faz com que desejemos aprender para sermos úteis; faz com que trabalhemos para progredir. 
O amor a si mesmo está no perdão concedido, que evita que carreguemos os dejetos prejudiciais da mágoa, do rancor, no coração. 
O amor a si mesmo está em preservarmo-nos dos vícios, dos excessos. 
Está em cuidar do corpo, sem exageros, e cuidar também da alma, dos pensamentos; do que lemos, assistimos, conversamos. 
O amor a si mesmo está longe de ser esta paixão doentia, representada muito bem pela figura mítica de Narciso, que o impediu de pensar em qualquer outra coisa além de sua própria imagem. 
É um amor maduro, que faz com que saibamos quem somos, que conheçamos nosso potencial, nosso valor; que saibamos de nossas imperfeições, mas que não nos deixemos assustar ou paralisar por elas; que nos demos novas chances, com alegria, tendo sempre em mente que nosso destino, como Espíritos imortais, será sempre a felicidade. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 24.06.2026

quinta-feira, 25 de junho de 2026

MELHOR ESQUECER

Muitos daqueles que começamos a entender a lei da reencarnação e construímos os primeiros raciocínios a respeito das vidas sucessivas esbarramos num questionamento: 
Se tivemos outras encarnações, por que não lembramos de nada? 
Se estamos aqui para resolver questões do ontem, para dar continuidade à nossa evolução, não seria mais fácil e lógico recordar de tudo?
É aí que entra em ação a Sabedoria e Bondade Divinas.
Sabedoria, pois Deus nos conhece a fundo, e sabe quais seriam as consequências de trazermos lembranças de um passado, normalmente, com muitas complicações. 
A primeira consequência direta seria uma grande perturbação em nossas relações sociais. 
Frequentemente, renascemos no mesmo meio em que já vivemos, estabelecendo vínculos com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenhamos feito. 
Se nos reconhecêssemos mutuamente, é possível que o ódio despertasse outra vez no íntimo. 
Ou que nos sentíssemos humilhados na presença daquelas pessoas a quem tivéssemos ofendido. 
Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, aquilo de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. 
Priva-nos do que nos seria prejudicial. 
Ao nascer, trazemos o que adquirimos. Nascemos qual nos fizemos. 
Em cada existência, temos um novo ponto de partida. 
Pouco importa saber o que fomos antes. 
Nossas atuais tendências más indicam o que temos a corrigir em nós. 
E é nisso que devemos concentrar toda nossa atenção, uma vez que aquilo que tenhamos corrigido já se encontra resolvido. 
As boas resoluções que tomamos são a voz da consciência, advertindo-nos do que é bem e do que é mal, e dando-nos forças para resistir às tentações. 
Existem exceções, como em toda regra. 
No desprendimento da alma pelo sono ou na primeira infância, alguns temos acesso a recordações importantes, fatos mais graves, que, de alguma forma, nos podem ajudar a resolver questões atuais. 
Casos pontuais, necessidades específicas tratadas como tal.
Como normalmente não nos recordamos, estamos na posição do começar de novo, como se fosse a primeira vez. 
A Providência Divina nos dá novas chances através da reencarnação, provendo o pacote completo: novo corpo, nova identidade, esquecimento do passado e a chance de construir uma nova história. 
Quantos de nós, depois de desatinos, de seguirmos caminhos difíceis e termos passado por dificuldades inenarráveis nesta encarnação, não gostaríamos dessa chance? 
Deus previu essa necessidade e tem feito isso com os Espíritos desde o início das eras.
Estabelece uma série de existências corporais para que vivamos experiências diversas, tendo sempre novos começos.
E nos deixa claro que o passado precisa ficar no passado.
Que ele irá nos influenciar, que ele faz parte de nossa construção. 
Mas o que mais importa é o que estamos nos propondo a ser agora e de agora em diante. 
Nada mais belo do que olhar para um bebê recém-nascido e imaginar tudo isso. 
Um Espírito milenar, ganhando, mais uma vez, uma nova chance. 
Deus é mesmo espetacular! 
Redação do Momento Espírita 
Em 25.06.2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

NÃO ESTÁS DEPRIMIDO

Facundo Cabral
Não estás deprimido, estás distraído. 
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia. 
Não estás deprimido, estás distraído. 
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. 
Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. 
Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. 
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. 
Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. 
Não existe a morte, apenas a mudança. 
És movido pela força natural da vida. 
A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu.
Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. 
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo."
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos. 
Não estás deprimido, estás desocupado. 
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. 
Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão. 
Dá sem medida, e receberás sem medida. 
E não te deixes enganar por alguns maus, por alguns homicidas e suicidas. 
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma carícia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida. 
* * * 
Enfrentamos momentos em que os pensamentos depressivos, desencorajadores parecem desejar tomar conta de tudo. 
Os ombros caem... 
A voz baixa de tom... 
Os olhos já não se abrem tanto... 
Tais momentos, porém, devem durar apenas o tempo da reflexão necessária, o tempo da conquista da sabedoria e, logo depois, devem ser seguidos por nova atitude. 
Uma nova atitude de renovação, de mudança, que nos faz trilhar por novos caminhos, com novas forças. 
De nada adianta se entregar à inércia emocional. 
De nada adianta a autopiedade. 
Não são caminhos, são paredes que construímos à nossa frente, impedindo a nós mesmos de prosseguir. 
Não nos permitamos distrair pelas mazelas da vida, esquecendo tão facilmente o bem que recebemos sempre.
Não nos deixemos desocupar, abrindo, através da hora vazia, portas e janelas para ondas de pensamento deletério que flutuam no ar. 
A desocupação, a inutilidade são polos atraentes de influências perigosas, pelas quais pagaremos alto e amargo custo. 
Afastemos a depressão de nosso coração. 
Abracemos a vida e o renascer diário com todo nosso amor.
Redação do Momento Espírita, com citação de texto de Facundo Cabral, que circula pela Internet. 
Em 14.07.2020.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A VOZ DO TROVÃO E O SILÊNCIO DA ALMA

Dizem que o silêncio é a linguagem de Deus. 
No entanto, em certos recantos do planeta, a Divindade parece escolher o som mais potente, a vibração mais profunda e o cenário mais grandioso para se fazer anunciar.
Lembramos, com a nitidez que só as emoções verdadeiras permitem guardar, de uma tarde em frente à Garganta do diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu. 
Sheila acompanhava um produtor italiano de rádio e tv, homem afeito às grandes produções, aos palcos iluminados e à sofisticação das metrópoles europeias. 
Ele trazia o olhar curioso do viajante. 
Também o cansaço típico de quem lida com o efêmero todos os dias. 
À medida que caminhavam pelas passarelas que serpenteiam sobre o rio Iguaçu, o som ia crescendo. 
Não era um ruído comum. 
Era um grave profundo que parecia vir das entranhas do mundo. 
Então, chegaram diante da queda monumental. 
Milhões de litros de água despencando em uma coreografia de força e bruma, em que o arco-íris insiste em nascer mesmo sob o império do caos. 
O turista italiano ficou imóvel. 
Ele não sacou a câmera. 
Não tentou enquadrar o infinito no visor limitado de um celular.
Ele apenas ficou parado, as mãos apoiadas no guarda-corpo, os olhos perdidos na imensidão branca. 
O silêncio interno que se instalou, apesar do rugido ensurdecedor das águas, era sagrado. 
Era como se o barulho externo fosse tão vasto que acabasse por anular qualquer ruído mental, permitindo que apenas o essencial permanecesse. 
Passaram-se minutos que pareceram horas de uma liturgia natural. 
Por fim, ele se virou para a jovem. 
Com a voz embargada, ele disse algo que soou como uma das declarações mais profundas e verdadeiras: 
-É nestas horas que temos certeza de que Deus existe.
Naquele instante, a Garganta do diabo mudou de nome.
Passou a ser a Garganta de Deus. 
Ali, naquele altar de rocha e água, o produtor italiano, acostumado a criar conteúdos para o mundo, sentiu-se parte de uma Criação que não precisa de roteiro, nem de edição. 
A certeza de Deus não veio de um raciocínio lógico, mas de um impacto sensorial. 
Quando a beleza é tamanha que o ego se cala, o que sobra é a evidência do Criador. 
A água que cai na Garganta do diabo é a mesma que irriga a semente na terra e que corre em nossos rios. 
Mas ali, em sua queda vertiginosa, ela nos recorda da nossa pequenez e, paradoxalmente, da nossa importância. 
Somos pequenos diante da força, mas somos grandes o suficiente para percebermos a presença do Pai naquela força.
Deus fala em todas as frequências. 
Às vezes, Ele escolhe o trovão das águas para nos dizer que está no comando, que a vida se renova eternamente e que a beleza é a assinatura de Sua justiça e de Seu amor. 
A Voz de Deus ainda ecoa naquelas quedas, e continuará ecoando em todos os corações que se permitirem, por um momento que seja, simplesmente parar e sentir. 
Como bem disse aquele irmão de terras distantes: 
-Há momentos em que a dúvida se dissolve na névoa, e a única coisa que resta, majestosa, é a certeza da Presença Divina. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.06.2026

segunda-feira, 22 de junho de 2026

NÃO ESPEREMOS!

Não esperemos por um sorriso para sermos gentis. 
Não esperemos ser amados para amar. 
Não esperemos ficar sozinhos para reconhecermos o valor de um amigo. 
Não esperemos o melhor emprego para começarmos a trabalhar. 
Não esperemos ter muito para compartilharmos um pouco.
Não esperemos a queda para nos lembrarmos do conselho.
Não esperemos a morte para dizermos o quanto amamos alguém. 
Não esperemos a chuva para valorizarmos o dia de sol. 
Não esperemos ser abraçados para darmos um abraço. 
Não esperemos a dor para acreditarmos na oração. 
Não esperemos ter tempo para podermos servir. 
Não esperemos a mágoa do outro para pedirmos perdão. Nem esperemos a separação para nos reconciliarmos. 
Não esperemos... pois não sabemos o tempo que ainda temos. 
Pois ninguém precisa esperar para amar e buscar a felicidade.
A vida é uma oportunidade ímpar. 
Estar neste planeta é uma imensa chance que temos de aprender, de levarmos daqui valores verdadeiros, levarmos amores maduros e duradouros, e deixarmos as memórias e vivências tristes do passado que tivemos. 
Estar neste planeta é poder ajudá-lo a crescer, a deixar para as próximas gerações uma casa em ordem, reformada e melhor. 
É deixar para nós mesmos, quem sabe, mais esperança. Para isso, não podemos nos permitir acomodar, desanimar, deixar que a vida nos leve, ao invés de nós conduzirmos a vida.
Cada dia é único. 
Cada manhã é diferente. 
Cada noite tem sua beleza especial. 
Por isso, despertemos para a vida realmente, deixando em cada instante a nossa contribuição, a marca de nossos corações por onde passarmos. 
Ao final desta etapa – mais uma das muitas que ainda teremos – poderemos reconhecer, satisfeitos, que cumprimos nossa missão, que nosso viver não foi em branco, e que agora somos mais felizes do que éramos antes. 
Por isso tudo, não esperemos. 
Não esperemos ser amados para amar. 
Nem a chuva para valorizarmos o sol. 
Não esperemos a dor para acreditarmos na oração. 
Nem o afastamento para darmos valor à presença. 
Não esperemos ser chamados para nos oferecermos à tarefa.
Nem termos mais tempo para nos doarmos. 
Não esperemos ouvir Eu te amo para dizermos Eu te amo.
Nem recebermos para então doarmos. 
Somos seres repletos de experiências, de vivências em outras realidades, quando vestimos outros nomes e outros corpos.
Mas, em cada nova vida, a bênção do esquecimento do passado nos faz novos, nos dá o trabalho como um livro em branco, no qual contaremos nossa história, como se fosse a primeira que estivéssemos vivendo. 
Trazemos na consciência e nas intuições as orientações necessárias para trilhar o novo caminho, fazendo com que os planos previamente traçados, na pátria espiritual, possam ser devidamente cumpridos. 
Dessa forma, nosso tempo aqui precisa ser bem aproveitado, ser bem utilizado. 
Para isso não podemos esperar para agir no bem, não podemos esperar para construir nossa felicidade futura.
Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria ignorada. 
Em 16.01.2013.

domingo, 21 de junho de 2026

NÃO ESPERE ACONTECER

Era uma vez um rei que possuía larga extensão de terras. Habituado a caminhar pelo seu reino, certa ocasião, o soberano irritou-se com a aspereza do solo que lhe feria os pés. 
Determinou que todas as estradas e todos os caminhos fossem cobertos por macios e belos tapetes. 
Todos os súditos se empenharam em realizar a louca e difícil tarefa imposta pelo monarca. 
Passaram-se alguns anos sem que o trabalho pudesse ser concluído. 
Um dia, o exigente soberano, tomado por uma febre violenta, acabou morrendo sem ver seu desejo realizar-se. 
Um velho sábio, ao tomar conhecimento daquela estranha história, comentou: 
-Pobre rei! Morreu sem concretizar seu sonho e sem saber o quão fácil isso poderia ter sido! 
Ante a surpresa e a discordância manifestada por aqueles que o ouviam, esclareceu: 
-Se o rei não queria ferir-se com a aspereza dos solos, bastaria que cortasse dois pedacinhos de tapete e os colasse na sola de seus próprios pés. Se assim tivesse agido, para ele, todo o seu reino seria acarpetado. 
Críticos sagazes, somos hábeis em tecer comentários cruéis a respeito de pessoas e de situações. 
Somos ágeis em relacionar o que não nos agrada nos mais diversos lugares e ambientes. 
Temos olhos de águia para criticar e condenar. 
Estabelecemos listas infindáveis de coisas a serem melhoradas e corrigidas pelos outros. 
Temos a convicção de que se não fosse pelos erros dos outros o mundo poderia ser muito melhor.
Agimos como se fôssemos meros espectadores e como se não nos coubesse qualquer responsabilidade perante a vida.
Esperamos que as coisas se resolvam por si só, ou ainda, que as outras pessoas façam algo por nós. 
Queremos um mundo onde as estradas sejam acarpetadas para garantir maciez aos nossos pés. 
Mas, esperamos que os outros cubram nossos caminhos com belos e ricos tapetes. 
Delegamos ao resto da Humanidade a responsabilidade por toda a nossa desdita e pela nossa ventura. 
Em virtude disso, vemo-nos destinados a reclamar infinitamente pela não realização de nossos sonhos. 
Sonhos esses que teriam grandes chances de se concretizar se nos dispuséssemos a fazer a parte que nos cabe. 
Não aguardemos pela iniciativa dos que nos cercam na realização do que a todos compete efetuar. 
Quem cruza os braços em função da inércia alheia, confunde-se na multidão dos que nada fazem. 
Responsabilizar os outros não produz nada de útil.
Apontar equívocos alheios não nos autoriza a ignorar os nossos próprios. 
Ser capaz de reclamar não nos aprimora, nem garante a correção das falhas que apuramos. 
Abandonemos a acomodação que há tanto nos acompanha e livremo-nos das garras da preguiça que nos alicia. 
Tenhamos disposição para fazer o que nosso conhecimento e nossa capacidade nos permitem. 
Pouco a pouco, a gota corrompe a pedra. 
O raio de luz vence a escuridão.
O vento move a montanha e esculpe as rochas. 
Demonstra a natureza que cada qual detém a possibilidade de alterar o que parece imutável. 
Cada um, singela e constantemente agindo, pode marcar a face da História e transformar o rumo da vida.
Atos simples que não exigirão heroísmo, nem bravura, de nenhum de nós. 
Atos cotidianos e aparentemente banais, mas que, em verdade, integram a missão individual de cada um perante Deus. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Parábolas eternas, de Legrand, ed. Sóler. 
Em 11.01.2010.

sábado, 20 de junho de 2026

UMA NOVA PARTITURA

André Henrique de Siqueira
De todas as dores que padecemos, enquanto astronautas da nave Terra, com certeza a mais terrível é a morte. 
Essa megera surge em momentos impróprios, decepando os ramos da alegria da nossa existência. 
No auge de uma conquista, no comemorar uma vitória depois de anos de estudo, ela vem e arrebata o ser amado. 
De um modo geral, nesses momentos, sentimos que nuvens escuras pairam sobre nossas cabeças, como aquelas que anunciam tempestades avassaladoras. 
Dizemo-nos cristãos, seguidores dAquele Nazareno que provou que a morte é somente um hiato entre o agora e o logo mais do reencontro. 
Debrucemo-nos sobre essa lição. 
Ele demonstrou que o túmulo é apenas uma porta de saída.
Não se trata de um abismo sem fim, mas do despertar de um pássaro que finalmente descobre que possui asas.
Lembremos da lagarta que deixa o casulo para se transformar em esplêndida borboleta, de asas multicores. 
A vida nunca cessa. 
A saudade dói pela ausência da presença física, daquele toque de mão, daquele abraço, daquele sorriso. 
Contudo, a separação é um até breve, não um adeus eterno. As afeições não morrem. 
Pelo contrário, elas se tornam mais puras. 
Aqueles que amamos não foram tragados pelo nada. 
Apenas atravessaram a fronteira antes de nós. 
A essência daqueles que amamos continua vibrando. 
Eles nos veem, nos sentem e, muitas vezes, estão ao nosso lado, amparando nossos passos quando as lágrimas nos turvam a visão. 
O reencontro é uma certeza. 
Não se trata de um talvez, ou um se. 
O amor é o ímã que garante a reunião das almas. 
Tornaremos a conviver, tornaremos a estar juntos, em algum momento, que pode ser logo ou mais tarde.
Quando tivermos concluído nossa tarefa, quando nossa jornada findar, quando concluirmos nossos afazeres, nos reencontraremos. 
Enquanto o reencontro não chega, trabalhemos na própria reforma e no auxílio ao próximo. 
Transformemos a dor em serviço. 
A saudade é o convite para nos tornarmos pessoas melhores, para que, no dia do abraço, possamos estar na mesma sintonia de luz. 
A melhor homenagem que podemos prestar aos amores que se foram é viver. Viver como se não fôssemos morrer amanhã, estudar como se fôssemos viver para sempre. 
Cada passo em direção à luz é um presente que enviamos para o outro lado da vida. 
O amor é a única bagagem que atravessa o túmulo e a única ponte que nos mantém conectados. 
Não se trata de um convite ao desapego irresponsável do mundo, mas um chamamento para a construção de valores éticos e afetivos imperecíveis. 
Assim, quando a morte bater à nossa porta, que a possamos encarar com o dever cumprido, sabendo que, se o mundo faz vencedores efêmeros, as leis divinas e a imortalidade nos fazem invencíveis. 
Labutemos com esperança e vivamos para a eternidade! 
Não permitamos que a tristeza paralise nossas mãos. Façamos de nosso coração um altar de gratidão, honrando quem partiu através da bondade que espalhamos aos que caminham conosco. 
A vida é um hino eterno que não se cala. 
A morte é o silêncio necessário para que a alma aprenda a cantar em nova partitura. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de frases do artigo A desmistificação da finitude: uma abordagem filosófica, histórica e espírita perante a morte, de André Henrique de Siqueira. 
Em 20.06.2026