quinta-feira, 29 de outubro de 2026

NEM CASTIGO, NEM PERDÃO!

Um dos maiores temores que vibram no coração do homem é o medo do castigo divino.
Convivendo com a possibilidade de que Deus possa se ofender e castiga-lo por suas faltas, o indivíduo sofre e se divide entre o amor e o temor de Deus.
Atribuindo ao Criador os mesmos vícios que ainda possui, o ser humano teme ser castigado a qualquer momento por um Deus caprichoso e cruel que está sempre à procura de defeitos para se vingar, impondo-nos sofrimentos. 
Paulo, o apóstolo, se manifestou a respeito desse tema dizendo o seguinte:
-“Gravitar para a unidade divina, eis o fim da humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Pois bem! Digo-vos, em verdade, que mentis a estes princípios fundamentais, comprometendo a idéia de Deus, exagerando-lhe a severidade. Duplamente a comprometeis, deixando que no espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais virtude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao ser infinito." 
Quem é, com efeito, o culpado? 
É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo. 
Que é o castigo? 
A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgosta-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. 
Assim, o que se chama castigo é apenas a conseqüência das leis naturais. 
É graças à dor física que a criatura procura o remédio para sua enfermidade. 
É graças ao sofrimento moral que a alma busca a própria cura. 
O sofrimento só tem por finalidade a reabilitação, o retorno do aprendiz ao caminho reto. 
Como podemos perceber, o mal não é de essência divina, é gerado pelas criaturas, ainda imperfeitas. 
O sofrimento não é imposto por Deus como castigo, é o efeito natural do falso movimento da criatura, e que a estimula, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma, a voltar ao objetivo traçado pelas leis divinas, que é a harmonia. 
E essas leis são justas, imparciais e amorosas. 
Um exemplo disso acontece quando um homem, enlouquecido, assassina várias pessoas, foge e, na fuga, se fere profundamente. 
O que acontece com seu organismo? 
Suas células, obedecendo a lei natural, começam imediatamente a se movimentar para estancar o sangue, cicatrizar a ferida e expulsar os germes que causam infecção.
Se Deus quisesse castiga-lo, derrogaria suas próprias leis e faria com que as células desse indivíduo não trabalhassem a seu favor, mas se rebelassem e o deixassem morrer. 
Afinal, ele é um criminoso! 
Mas não é isso que acontece. 
As leis divinas seguem naturalmente seu curso. 
O sol brilha, incansável, sobre justos e injustos, sem se importar com o que acontece sob sua luz. 
A chuva cai sobre a mansão e sobre o casebre. 
O frio fustiga a pobres e ricos. 
As catástrofes naturais arrebatam sábios e ignorantes, velhos e crianças, fortes e fracos. 
Por todas essas razões devemos entender que o Criador não derroga suas próprias leis para nos punir ou para nos premiar.
As nossas ações é que geram efeitos sobre essas leis. 
As boas ações geram efeitos positivos, e as infrações às leis geram efeitos desajustados. 
Nada mais justo do que esta sentença: “a cada um segundo suas obras.” 
Nem castigo, nem perdão. 
Deus não castiga porque suas leis são de amor, e não perdoa porque jamais se ofende. 
Pensemos nisso, e busquemos atender essas leis soberanas que estão inscritas em nossa própria consciência. 
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no item 1009 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

QUAL JESUS HABITA EM NÓS?

Simão Pedro de Lima
No silêncio das nossas reflexões, uma pergunta ecoa na alma: 
-Afinal, qual Jesus habita em nós? Será o Jesus simples e acolhedor dos Evangelhos, ou Aquele que construímos ao longo dos séculos, enclausurado em doutrinas, instituições e autoridades religiosas? 
Talvez tenhamos complicado demais o caminho até Ele. 
Criamos especialistas para explicá-lO, passamos séculos debatendo Suas palavras e, quase sem perceber, geramos a falsa ilusão de que alguns sabem chegar a Jesus melhor do que outros. 
Como se o conhecimento intelectual concedesse algum privilégio espiritual. 
Mas, quando olhamos para a vida do Mestre, não encontramos essas barreiras. 
Jesus conversava com os pescadores, com os doentes, com as mulheres, com os estrangeiros e com os situados à margem da sociedade. 
Para chegar até Ele, era suficiente se aproximar. 
Uma de Suas frases mais belas é, também, a mais direta e amorosa: 
-Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados. 
Ele não pediu para procurarmos primeiro quem pudesse explicá-lO. 
Não exigiu que soubéssemos explicar Seus ensinos de maneira impecável. 
Ele apenas disse: Vinde. 
Há um Jesus anterior às nossas disputas e denominações.
Um Jesus que não pergunta à pessoa exausta o que ela sabe sobre religião. 
Simplesmente oferece o Seu abraço. 
Talvez seja esse o Jesus que precisamos reencontrar. 
Não Aquele sobre quem aprendemos a falar de forma eloquente, mas Aquele com quem podemos conversar, de coração a coração. 
Se retirarmos de nossas vidas as instituições, os rótulos e tudo que dizemos acreditar, o que sobra do cristianismo em nós? 
Jesus respondeu a isso de maneira simples: 
-Conhece-se a árvore pelos frutos. 
É fácil pertencer a uma denominação, defender uma ideia, participar de celebrações e falar do Cristo. 
Os frutos, porém, germinam em outro terreno. 
Eles aparecem na maneira como tratamos quem não pensa como nós. 
Na nossa facilidade ou dificuldade de perdoar. 
Na vaidade que conseguimos conter. 
No julgamento que evitamos. 
Na mão que estendemos no anonimato. 
Os frutos aparecem, sobretudo, naquilo que somos quando estamos longe dos lugares onde parecemos religiosos. 
Talvez tenhamos dedicado tempo demais perguntando quem possui a interpretação correta das escrituras, quando Ele nos deixou um espelho muito mais simples para observar: o que a nossa presença produz na vida do outro? 
Se a nossa presença produz acolhimento, misericórdia, paz e esperança, então alguma coisa do Evangelho está acontecendo em nós. 
Se produzimos arrogância, exclusão, ressentimento e julgamento, é sinal de que precisamos reler com o coração aquilo que julgamos conhecer tão bem. 
A profundidade do ensinamento cristão está naquilo que conseguimos viver conforme o que Ele ensinou. 
Oportuno seria nos perguntarmos: 
-Se ninguém soubesse qual é a nossa religião, e não pudesse ouvir aquilo que dizemos acreditar, as pessoas conseguiriam perceber, pela maneira como vivemos, que o Evangelho passou por nós? 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que fizemos com a simplicidade do Evangelho?, de Simão Pedro de Lima. 
Em 28.10.2026

terça-feira, 27 de outubro de 2026

NEM A DISTÂNCIA, NEM A SAUDADE!

Boris e Anna Kozlov
O Apóstolo Paulo, em sua primeira Epístola aos Coríntios, asseverou: 
-O amor é paciente, o amor é bondoso. 
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 
Ter a oportunidade de nos casarmos com o amor de nossas vidas é um privilégio. 
Todavia, ter que se separar três dias após o casamento e esperar sessenta anos para se encontrar novamente é uma história extraordinária. 
Foi o que aconteceu com o casal russo Anna e Boris Kozlov.
Ele, membro do partido comunista, estava discursando em uma praça quando ela se aproximou. 
Ambos tiveram a certeza de que desejavam passar a vida toda juntos. 
Assim, organizaram o casamento rapidamente. 
A família de Anna não era bem vista pelo governo da época.
Há pouco, seu pai havia sido exilado para a Sibéria.
Entretanto, tais divergências partidárias não importavam ao casal. 
Ainda que em meio a turbulências políticas, decidiram selar o seu amor. 
Porém, o governo de Stalin continuava a desconfiar dos familiares de Anna. 
Haviam castigado o seu pai e decidiram fazer o mesmo com sua esposa e filhos. 
Três dias depois do casamento, a família foi exilada e os recém-casados se despediram. 
Boris partiu em missão com o exército. 
A família de Anna foi alocada em várias regiões e países distintos. 
A comunicação se extinguiu. 
Anna e Boris perderam totalmente o contato. 
Depois de muita insistência de seus familiares, Anna se casou com outro homem. 
Foram anos de profunda tristeza, com exceção do contentamento que lhe trouxeram os filhos e os netos. 
Boris também se casou. 
Tornou-se escritor. 
Nas linhas que escreveu, o tema saudade esteve sempre presente. 
Sessenta anos se passaram... 
* * * 
Anna e Boris contavam mais de oitenta anos quando decidiram retornar ao povoado natal. 
Ambos viúvos, planejavam passar o resto de suas vidas no lugar em que haviam sido felizes. 
Numa manhã, Anna avistou um homem que acabara de sair de um carro. 
Notou algo qualquer em seu porte, em seu olhar, gestos familiares. 
Não podia ser! Era ele! Era Boris! 
Seu grande e único amor! 
Passaram o dia falando sobre suas vidas. 
A sensação era de que nunca haviam estado separados.
Alguns meses depois, Boris teve a ideia: Casariam novamente! 
Anna ficou um tanto reticente, afinal, eram octogenários. 
Mas em breve cedeu. 
Hoje, o feliz casal é a prova viva de que nem a distância e nem a saudade são capazes de destruir o amor. 
* * * 
Que é a morte? 
Uma viagem, uma separação temporária, um até logo.
Todavia, jamais o fim, jamais o adeus. 
Aqueles que nos separamos temporariamente de nossos amores por ocasião desse fenômeno natural, devemos guardar em nossos corações a certeza: a morte, tal qual a distância, não rompe os laços de amor. 
Os dias podem se transformar em anos. E os anos, em décadas. 
Mas quando o momento oportuno se fizer, o reencontro virá e, junto dele, o esperado e saudoso abraço... 
Então, coração com coração, saberemos que nem por um instante ficamos separados daqueles a quem amamos.
Pensemos nisso. Confiemos! 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Boris e Anna Kozlov, colhidos no site http://melhorcomsaude.com/um-amor-voltou-encontrar-apos-60-anos/ 
Em 16.04.2016.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ABUNDÂNCIA COTIDIANA

Jordan Dworkin
Há cem anos, muitos chamariam de impossível.
Outros chamariam de milagre.
Já paramos para pensar na quantidade de comodidades que estão à nossa disposição no dia a dia? 
Imaginemo-nos deitados no conforto do sofá, após um dia cansativo, ouvindo a música que escolhemos com apenas um clique no celular. 
Acendemos uma luminária, mandamos mensagens para o outro lado do mundo e ajustamos a climatização do quarto. 
Se temos sede, abrimos a torneira. 
Se temos fome, encontramos alimentos frescos na geladeira e especiarias do mundo todo. 
Se necessitamos aquecer algum alimento, basta colocar por segundos dentro de um aparelho que funciona com ondas eletromagnéticas. 
Tudo parece tão automático, tão simples... 
Quase invisível. 
Essa abundância cotidiana é, na verdade, uma galeria de conquistas heroicas da humanidade. 
Tudo em nossa casa foi um luxo da realeza ou impossibilidade física. 
Antes, ouvir uma música dependia de instrumentistas ao vivo. Iluminar a casa exigia velas e chamas perigosas. 
Perder a visão devido à idade significava o fim da leitura e da vida produtiva, pois não existiam os óculos. 
A água vinha de poços poluídos que provocavam cólera, e as cirurgias eram feitas em total agonia, sem anestesia. 
Cada pequena conveniência de hoje traz a assinatura de Espíritos que lutaram contra a escassez, a dor e o isolamento.
Obviamente, nem todos têm a possibilidade de usufruir dessas maravilhas da modernidade porque ainda vivemos num mundo de desigualdades severas. 
O ponto de vista aqui é outro. 
É o que nos ensina a viver no presente para usufruir de uma galeria construída pelos esforços heroicos de gerações passadas. 
Ensina a cada um de nós, principalmente aos mais jovens, que chegam e encontram tudo pronto, a resgatar o sentimento de admiração diante dessas conveniências diárias.
Reconhecer e honrar esse legado. 
Essa evolução não ocorre por acaso, pois a lei do progresso rege o universo. 
Como Espíritos imortais, talvez sejamos nós mesmos colhendo o que plantamos em outras encarnações. 
As máquinas e vacinas são frutos do progresso que direciona o globo para a regeneração. 
Deus colocou o remédio ao lado do mal, agindo em proveito da nossa evolução. 
Não nos permitamos viver no automatismo da indiferença.
Quando vestirmos nossas roupas, tomarmos um remédio ou olharmos fotos de quem amamos, façamos uma pausa.
Reconheçamos a mão desvelada de milhões de irmãos que trabalharam antes de nós para que nossa jornada fosse mais leve. 
Agradeçamos pela dádiva do agora, com a consciência de que cada minuto nesta atual existência é um empréstimo precioso do Criador. 
Acima de tudo, nos perguntemos: 
-O que vamos deixar como testamento natural para os que virão depois de nós? 
Façamos do nosso presente uma semeadura de amor, tornando-nos cooperadores da luz, na promoção pelo bem-comum. 
Saibamos admirar o extraordinário que se veste de cotidiano, pois a gratidão é a alquimia que transforma a cobiça em paz e a matéria em eterno bem. 
Redação do Momento Espírita com base no ensaio Ordinary Abundance, de Jordan Dworkin, disponível no site: www.ordinaryabundance.com 
Em 26.10.2026

domingo, 25 de outubro de 2026

NEGÓCIOS

Peter Drucker
Ganhar a vida já não é suficiente, o trabalho tem que nos permitir vivê-la também. 
A frase é daquele que é considerado o Pai da Administração Moderna - Peter Drucker - e revela uma verdade preciosa para os dias de hoje. 
Drucker acompanhou um período sem precedentes na Terra, no que diz respeito ao mundo dos negócios.
Nascido em 1909, veio a desencarnar em 2005, após uma vida de muitas conquistas e de farto material produzido na área corporativa.
Sua citação sobre o papel do trabalho, da profissão, em nossa existência, precisa ser analisada em profundidade, pois traz consequências imediatas em todo viver, uma vez colocada em prática. 
A profissão tem como função principal nos fazer peça útil na sociedade e, também, nos propiciar o ganha-pão. 
A reflexão de Drucker nos convida a pensar: 
-De que adianta ganhar a vida, ter o meio de sustento, ter riqueza, se não consigo "usufruir" disso tudo para meu benefício? 
O trabalho tem que nos permitir viver a vida. 
Ele não pode nos escravizar numa teia de compromissos, responsabilidades, sem nos deixar sequer respirar o ar de uma bela manhã. 
Se nos transformamos nos chamados workaholics, perdemos o foco verdadeiro da encarnação, trocando os meios pelos fins. 
Sim, a profissão, o trabalho, tudo isso são meios. 
Meio de subsistência, meio de crescimento intelectual, meio de ser útil. 
Quando percebermos que o mundo dos negócios, a vida profissional está nos deixando quase loucos, é tempo de parar tudo e repensar. 
Temos, como Espíritos encarnados, compromisso direto com a melhoria material do planeta, ao mesmo tempo que temos compromisso conosco de nos melhorarmos, de nos tornarmos pessoas de bem. 
Assim, não podemos deixar que essas atividades simplesmente nos absorvam todas as energias, a ponto de nos fazer chegar em casa, ao final de cada dia, sem vontade sequer de conversar, de brincar com um filho pequeno, de sorrir. 
Temos que dar a cada coisa seu devido valor. 
E o mundo dos negócios não pode ser mais importante do que a família, do que a saúde de nosso corpo e de nosso Espírito.
Se você percebe que a vida tem lhe carregado para esse caminho, pare, pense, reflita, reprograme tudo enquanto há tempo. 
* * * 
Do Eclesiastes do Antigo Testamento Bíblico retiramos:
-Melhor é um punhado com descanso, do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição de espírito. 
Pense nisso. 
Pense se realmente vale a pena tanta aflição, tanto desespero, tantas horas de tensão, apenas por questões puramente materiais. 
Não podemos deixar de trabalhar, é certo, mas quem sabe possamos deixar o trabalho mais leve, menos extenuante, menos neurótico, permitindo que vivamos a vida em abundância. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 24, ed. FEP. 
Em 15.09.2025

sábado, 24 de outubro de 2026

A REDE E OS PEIXES

Cairbar Schutel
As parábolas de Jesus são códigos de luz que aguardam decifração. 
Aos poucos, à medida que nos tornamos mais esclarecidos, nós vamos entendendo sua essência.
Uma das mais impactantes é a parábola da rede. 
O reino dos céus é semelhante a uma rede.
Lançada ao mar, reúne peixes de toda espécie e, depois de cheia, separam-se os bons nos cestos e deitam-se fora os ruins. 
Assim será no fim do mundo: os anjos separarão os maus dentre os justos, lançando-os na fornalha do sofrimento, onde haverá choro e ranger de dentes. 
Essa imagem parece severa demais, motivo pelo qual nos cabe retirar o espírito da letra. 
Primeiramente, tenhamos em mente que esse fim do mundo não é a destruição do planeta, mas o fim do velho mundo, dos velhos costumes e o advento de uma nova fase, abrindo um novo programa de vida. 
A rede representa a lei suprema que atrai a todos, e os anjos são os Espíritos superiores encarregados desse apuramento moral. 
Uma advertência que devemos considerar é de que não vale só conhecer, é preciso praticar. 
Não vale estar na rede, é indispensável ser bom! Muitos exigimos lealdade, mas não a praticamos. 
Clamamos por indulgência sem sermos indulgentes.
Pregamos a humildade, mas buscamos os primeiros lugares. Se ficarmos na penumbra da vaidade, não seremos selecionados para os cestos da nova geração. 
O Espiritismo deixa clara a justiça de Deus, retirando o caráter sobrenatural do Além e revelando a certeza da vida futura. 
A reencarnação explica as anomalias da nossa jornada, mostrando que cada um renasce segundo a sua semeadura anterior. 
Deus não criou privilégios nem privilegiados. 
Todos fomos criados simples e ignorantes, com a mesma essência e destino. 
Os que praticamos o mal demonstramos ser Espíritos retardatários, que nos deveremos aperfeiçoar, depurando-nos na fornalha de dor dos mundos inferiores. 
A razão rejeita as penas eternas. 
As portas do arrependimento e da reparação nunca se fecham. 
Pela lei dos renascimentos, os laços de família deixam de ser carnais e se tornam verdadeiras uniões, solidários no passado e no futuro. 
Frente a todas essas ponderações, cabe-nos indagar, dentro dessa rede da parábola do Mestre, que tipo de peixe somos nessa estação do agora? 
Somos o peixe distraído, preocupado apenas com as nossas coisas? 
Somos o peixe que entendeu a importância do bem, mas que só o prega por palavras? 
Ou, finalmente, somos aquele que se esforça para ser bom diariamente? 
Que tipo de esforços temos feito? 
Ou temos exigido mudanças somente nos outros? 
Temos pensado apenas em nós mesmo, egoisticamente, ou já conseguimos ter a visão do cardume? 
A renovação do mundo não será feita por um milagre do céu.
Somente se concretizará pela mudança íntima daqueles que nos reunimos em nome do amor. 
Acalmemos nossos raciocínios e abramos o coração para o amanhã. 
Façamos o nosso trabalho de evolução hoje, sabendo que a caridade real é o único caminho seguro na jornada da eternidade. 
Redação do Momento Espírita com base na Parábola da rede, do livro Parábolas e ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, ed. O Clarim. 
Em 24.10.2026

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O ENDEREÇO MAIS SEGURO

A dor da perda é uma das travessias mais difíceis e misteriosas da experiência humana. 
Quando parte alguém que amamos, deixando o palco deste mundo, um silêncio denso e gélido parece tomar conta de tudo ao nosso redor. 
Precisamos viver essa dor. 
O luto não é um equívoco da alma ou um sinal de fraqueza. 
É um processo necessário de reajuste íntimo. 
As lágrimas são o orvalho que umedece a terra árida do coração ferido, permitindo que a esperança, no seu tempo certo, volte a brotar. 
Não devemos fingir que o coração não sangra. 
Contudo, existe um limiar delicado e vital entre vivenciar a dor e aprisionar-se nela. 
Muitas vezes, na tentativa desesperada de desejar manter o ser amado por perto, paralisamos a nossa existência.
Deixamos de viver. 
Mergulhamos em um oceano de angústia permanente, iludidos pela falsa crença de que a intensidade e a duração do nosso sofrimento são a medida exata do nosso amor.
Acreditamos que deixar de sofrer, ou permitir que um sorriso aflore novamente aos lábios, seria uma traição. 
Pensamos que cicatrizar a ferida seria o mesmo que esquecer, diminuindo o valor que essa vida teve para nós e desonrando, de alguma forma, a sua memória. 
Ao observar nossos dias cinzentos e nossa recusa em abraçar a vida que continua a pulsar, com certeza nosso afeto poderá nos endereçar uma pergunta: 
-Por que você construiu um monumento de dor tão pesado ao seu redor, quando toda a minha existência ao seu lado foi baseada no amor? 
Essa única indagação tem o poder extraordinário de quebrar as correntes do sofrimento crônico. 
A verdadeira traição à memória de um grande amor não está em voltar a ser feliz, mas em transformar a sua lembrança brilhante e luminosa em uma sombra escura de tristeza interminável. 
O amor, em sua essência mais pura, liberta. 
Jamais escraviza. 
Ele não deseja o suplício ou a paralisia do outro. 
Ao contrário, anseia pela sua paz, pela sua felicidade e pela sua contínua evolução. 
Quando descobrirmos que deixar de sofrer não significa esquecer, um horizonte novo se desvela. 
A dor dilacerante cede lugar a um sentimento mais nobre, maduro e reconfortante: a saudade serena. 
Essa saudade que ilumina o peito, que nos faz sorrir ao lembrar de uma história engraçada ou compartilhada, que nos fortalece nos instantes de fraqueza. 
Não diminuamos o valor inestimável da vida do nosso afeto resumindo-a a um ponto final de inércia e lamentação.
Honremos a passagem dessa alma pela Terra vivendo de forma plena tudo aquilo que ela gostaria que vivêssemos.
Derrubemos, pedra por pedra, o pesado monumento de dor e solidão. 
Em seu lugar, com paciência e carinho, cultivemos um jardim vibrante de memórias felizes. 
Aqueles que amamos não morrem jamais. 
Eles apenas se mudam para o endereço mais seguro: o nosso coração. 
Acolhidos na luz, eles aguardam pacientemente que o nosso pulsar seja, novamente, de pura alegria, paz profunda e imensa gratidão à vida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.10.2026