sexta-feira, 17 de julho de 2026

CONSTRUINDO CATEDRAIS

Suas imensas torres a rasgar os céus, suas paredes bordadas em pedra, seus vitrais filtrando em cores os raios solares que os transpassam, fazem-nas belezas imensas nas paisagens de velhas cidades. 
Mas, em todas elas, se se tentar saber quem são seus construtores, encontram-se imensas dificuldades. 
Essas construções levavam séculos para serem concluídas. 
E o trabalho de muitos, que dedicavam toda sua vida para construí-las, perdia-se no tempo. 
Os sacrifícios para que essas imensas naves fossem erguidas, vencendo os séculos com altivez e beleza, perderam-se na História. 
Posto que a construção durava mais do que uma vida humana, eram as vidas de muitos que se somavam para que esses templos ganhassem forma, em um trabalho anônimo, desconhecido. 
Não é diferente do que ocorre conosco em nossa caminhada. Muitos de nossos sacrifícios, de nossos esforços passam despercebidos por todos. 
Poucos dão-se conta do trabalho anônimo da mãe no lar, preparando as refeições, consertando roupas, pregando um botão ou passando uma camisa, para que filhos e esposo se apresentem impecáveis. 
Ninguém percebe quantas vezes alguém se cala para que uma discussão não ganhe proporções indesejadas. 
Ou quando avança horas na noite, a velar o sono de um enfermo. 
Ficam perdidas no anonimato as boas ações como quando, mesmo sem tempo, nos dispomos a ouvir alguém, a ceder a vez para o outro em uma fila, a fazer um favor que nos foi solicitado. 
Poucos aquilatam as longas horas de trabalho do professor a corrigir textos, analisar trabalhos, varando madrugadas, a fim de que possa conhecer mais intimamente seus educandos, entendendo suas mentes e suas almas, para melhor colaborar com sua formação. 
No entanto, Deus está vendo. 
Ele percebe nossas intenções e compreende que todas essas ações contribuem para a construção de nossa catedral íntima.
Assim, jamais desanimemos pelo não reconhecimento da sociedade ou da família, frente àquilo que fazemos.
Trabalhemos e vivamos oferecendo o que temos de melhor, na nossa vida familiar, nas lides profissionais ou na convivência social. 
É verdade que, muitas vezes, criamos expectativas de que alguém reconheça e valorize o que fazemos. 
Porém, mesmo se isso não ocorrer, mesmo assim, nosso trabalho nunca será anônimo. 
Afinal, é Deus quem nos cuida e vê cada ação nossa, o esforço que fazemos para erigir a catedral de virtudes e valores nobres em nossa intimidade. 
Como os construtores de outrora, toda uma vida de sacrifício será válida se pensarmos que Deus estará sempre vendo o que realizamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em vídeo de Nicole Johnson. 
Em 17.07.2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

NÃO OREMOS POR VIDA FÁCIL

Joshua Bell
Já percebemos que tudo de bom que construímos vem da dificuldade, vem do esforço empregado? 
Então, por que insistimos em rogar por menos dificuldades, menos problemas, mais facilidades? 
Por que insistimos em desejar vida fácil? 
Toda vez que acreditamos em soluções mágicas para enriquecer, soluções mágicas para o retorno da saúde ou mesmo para aprender algo novo, estamos agindo contrariamente ao que acreditamos. 
Por que ainda sonhamos com as tais loteria e jogos de azar?
São processos que incentivam o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos, ampliando as desigualdades sociais já tão incômodas em nosso país. 
Acreditamos no convite sedutor feito pela rede social que assegura que poderemos ganhar dinheiro sem sair de casa, com pouco trabalho, ou seja, que receberemos tantos mil reais por mês fazendo poucas e reduzidas coisas.
Vendedores de ilusões se multiplicam, a cada hora. 
Eles só existem porque muitos desejam a vida fácil. 
Vendem seus cursos, seus métodos disso ou daquilo e realmente enriquecem. 
Não pelo método que apresentam, mas por conseguirem seduzir um número gigantesco de pessoas desavisadas. 
Tudo que é bom e importante na vida exige esforço, dedicação. 
Na maioria das vezes, tempo... Muito tempo. 
Pensemos nas dificuldades que a semente enfrenta, no interior do solo, para poder germinar. 
E depois, prossegue na luta para crescer, se desenvolver, produzir. 
Luta contra os ventos, o frio, o calor excessivo, a seca, a tempestade... 
Pensemos nos anos de dedicação, envolvimento, entrega e ensaios de que um artista necessita antes de entrar num palco e poder ser considerado grande. 
Joshua Bell é considerado um dos maiores violinistas de todos os tempos. 
Aos cinquenta e sete anos, já consagrado, ele conta que pratica o instrumento de quatro a seis horas por dia. 
Além disso, cuida do corpo para poder se manter saudável a fim de continuar a tocar. 
Mesmo sendo considerado um virtuose, nunca parou de aprender e de se esforçar cada vez mais. 
Quem o vê tocando pode sonhar em ser um grande violinista, pode achar lindo tocar aquele instrumento, pode até achar que ele tem uma vida de sucesso pois faz o que ama e seu trabalho é sua arte. 
Porém, não enxerga as dores, não enxerga a trajetória de esforço contínuo, não vê as inúmeras dificuldades que o conduziram ao patamar que alcançou. 
Onde outros desistiram, ele permaneceu. 
Quando outros elegeram prioridade para suas vidas, ele optou pelo violino e pela arte. 
Perguntemo-nos, então: 
Estaríamos dispostos a calçar esses sapatos, ou seja, fazermos o que ele fez e continua fazendo? 
Se olharmos para nossa trajetória, iremos identificar as importantes conquistas e perceberemos que todas elas resultaram do nosso empenho, persistência e entusiasmo. 
Por que, então, desejarmos a vida fácil? 
Reflitamos a respeito. 
As dificuldades nos fazem crescer. 
Os desafios são nossos instrumentos.
Não os tratemos como nossos inimigos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 26.12.2024

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A GLÓRIA DO ESFORÇO

CHICO XAVIER
e
Espírito Néio Lúcio
Toda vez que as lições do doce Rabi da Galileia são colocadas na pauta das reflexões humanas, os comentários que se ouvem, a respeito de Sua inadequação à vida atual, são muitos. 
Falam que é quase impossível praticar as lições da Boa Nova neste mundo avesso à bondade, à renúncia e ao perdão.
Neste mundo em que o que vale é a conta bancária polpuda, roupas caras, o último modelo do carro. 
A maioria das criaturas vive na indiferença e no endurecimento. 
A respeito de tais questões, conta-se que, em tempos antigos, existiu um grande artista que se especializou na harpa.
Tamanha era a perfeição com que executava as peças musicais que pessoas importantes vinham de longe para ouvi-lo. 
Senhores de terras estranhas vinham até sua moradia, em caravanas, somente para escutar as suas sublimes execuções. 
Graças a isso, o mestre da harpa fez fama e fortuna.
Comentava-se que não havia ninguém na Terra que o pudesse igualar na expressão musical. 
Esse músico possuía um escravo para seu serviço pessoal.
Era ele quem servia água, frutas e doces aos convidados.
Com uma aparência um tanto tola, nunca conversava. 
A harpa do seu amo, contudo, o atraía e, por vezes, ele olhava fascinado para as mãos do artista dedilhando o instrumento, em quase adoração. 
Certa noite, o artista voltou para casa bem mais cedo do esperado. 
Ao adentrar nos jardins percebeu que uma melodia celeste estava no ar. 
Alguém tocava de forma magistral na casa solitária. 
O artista se comoveu. 
Quem seria o estrangeiro que lhe tomara o lugar? 
Ou quem sabe seria um anjo exilado na Terra que assim expressava sua grandeza através das notas musicais?
Sensibilizado por pressentir a existência de alguém com ideal artístico muito superior ao seu, avançou devagar para não ser percebido. 
Qual não foi a sua surpresa ao verificar que o harpista maravilhoso era o seu velho escravo tolo. 
Usando os minutos que lhe pertenciam por direito, sem incomodar ninguém, ele exercitava as lições do seu senhor há muito tempo. 
O artista generoso e famoso decidiu libertar o escravo, conferindo-lhe posição ao seu lado, nas apresentações musicais, dali por diante. 
* * * 
A aquisição de qualidades nobres se dá pelo esforço, da mesma forma que pelo exercício se adquire maestria em uma arte. 
Toda criatura que utilizar as horas de que dispõe na harpa da vida, com sabedoria, depressa absorverá a grandeza e a sublimidade de que falam os Evangelhos e se tornará um representante dos céus, perante os seus irmãos na Terra. 
* * * 
O tesouro das horas é distribuído de forma generosa a todos.
Cada um faz dele o que bem entende. 
Quem trabalha somente pela paga que recebe, quem não aproveita a oportunidade das horas para crescimento pessoal, de verdade nada terá além do salário do mundo. 
Investir em si mesmo, na sua reforma pessoal, interessar-se pelos outros e se doar é condição que todos podemos desfrutar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 43 do livro Jesus no lar, pelo Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 15.07.2026

terça-feira, 14 de julho de 2026

NÃO NOS PERMITAMOS

Refletindo sobre nossos companheiros de jornada, é provável que, em alguns momentos da vida, nos deparemos com uma angustiante questão. 
Olhamos para nossos pais, cônjuge, filhos ou amigos e nos perguntamos: 
-Quando foi a última vez que recebi ou que lhes ofertei um abraço? 
O toque, seja através do afago, do beijo ou do abraço expressa nossos sentimentos, enche a vida de ternura e aquece a alma de quem o oferece e de quem o recebe. 
As manifestações sinceras de afeto fazem as pessoas se sentirem amadas e queridas pois demonstram o amor que as envolve. 
Ter a liberdade de falar sobre os sentimentos e expressá-los, com equilíbrio e sensatez, também mantém apertados os laços que nos unem às pessoas com as quais nos relacionamos. 
Ao constatarmos a distância estabelecida sutilmente entre os afetos, uma grande tristeza nos invade. 
É o momento em que nos questionamos: 
-Quando e como começou a ser estabelecida essa distância? Como pudemos permitir que chegasse a esse ponto? Quem foram os responsáveis? E agora? Como fazer para construir novamente essa ponte de ligação com as pessoas amadas?
Olhamos para trás buscando as respostas, na tentativa de começar a construir um caminho diferente, uma nova aproximação. 
Muitas vezes, essas respostas não serão facilmente encontradas pois, por mais que busquemos nos arquivos de nossa memória, será difícil identificar o registro de quando foi que tudo começou. 
Essa análise do passado é importante, pois descobrindo onde erramos, podemos, a partir dessa constatação, agir de outra forma. 
Verificamos então, que talvez tenhamos nos permitido adotar algumas atitudes que podem ter nos distanciado lenta e gradativamente dos seres amados.
Foi o Bom dia deixado de lado pela pressa de começar logo as atividades de mais uma jornada de trabalho; o Boa noite esquecido, vencido pelo cansaço. 
Os sentimentos ocultados pela quietude diária, onde cada um se envolve apenas com suas próprias questões pessoais. 
A falta de compreensão e de companheirismo, o egoísmo, as mentiras sutis, as mágoas acumuladas e os pequenos desentendimentos. 
Essas atitudes são como gotas pequeninas que, com o tempo, se transformam em imensos oceanos. 
E quando nos damos conta, não mais sabemos atravessar esse espaço e tocar alguém que tanto estimamos. 
* * * 
Não deixemos que isso aconteça pois transpor essa distância que construímos é uma difícil tarefa. 
Não nos permitamos deixar de dar o sorriso de boas vindas, o abraço de despedida, o afago de boa noite e de bom dia. 
Esse esquecimento pode significar o início dessa barreira invisível que se forma entre as pessoas. 
Falar sobre os sentimentos, perguntar com interesse como vai o outro, escutar, importar-se, perceber o que incomoda, vibrar com o que felicita, dividir as angústias e as alegrias, faz muita diferença. 
Lembremos que todas as manifestações sinceras de carinho e amor são vibrações que envolvem o próximo, aquecem as almas, alegram e embelezam a vida. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 24.02.2012

segunda-feira, 13 de julho de 2026

NÃO MATARÁS

A jovem mãe adentrou o consultório médico, levando nos braços seu lindo bebê. Iniciada a consulta, ela desabafou, ansiosa: 
-Preciso que me ajude a resolver um problema grave. Meu filho tem pouco mais de um ano e estou grávida novamente! Não desejo ter outro filho agora. Pretendo dar um espaço maior entre um e outro. Quero interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico a olhou atentamente, como a buscar inspiração para a solução do caso. 
Depois lhe disse: 
-Se, eventualmente, eu propusesse que, para a senhora não ficar com dois bebês, de idades tão próximas, matássemos o bebê que já tem, o que me diria? Eu posso lhe dizer que, dessa forma, a senhora não correria risco algum. 
A mulher ficou horrorizada. 
-Não, doutor! Matar uma criança é crime! É infanticídio! 
O médico, consciente do seu dever, falou longamente, mostrando que não havia diferença entre matar a criança nascida ou a que estava para nascer. 
Ambos têm o mesmo direito à vida. 
E o crime seria idêntico. 
* * * 
Um dos mandamentos do Decálogo, recebido por Moisés, no monte Sinai, estabelece: Não matarás. 
O direito à vida é uma lei divina.
Infelizmente, criamos leis que permitem esse tipo de crime.
Um deles, o abortamento. 
Embora grande parte da Humanidade se diga espiritualista, ainda comete esse crime bárbaro contra um ser indefeso.
Salvo os casos em que se deve optar pelo abortamento para salvar a vida da mãe, os demais serão crimes contabilizados na economia moral dos responsáveis. 
Dispomos de muitos meios de programarmos o nascimento dos filhos, sem precisar lançar mão de qualquer crime. 
E se a gravidez advier, sempre se poderá optar pelo nascimento e oferecer o bebê para adoção. 
O abortamento não é compatível com a civilização.
Ao menos, com uma civilização de maioria espiritualista, que admite a existência da alma. 
Mesmo porque o Espírito, que tem sua vida ceifada no ventre materno, não será extinto com a eliminação do seu corpinho em formação. 
Se for um Espírito elevado, perdoará os envolvidos. 
Poderá, até, fazer nova tentativa, no sentido de retornar aos braços de quem ama. 
Se for um Espírito infeliz, poderá revoltar-se e perseguir os responsáveis em busca de vingança. 
Por tudo isso, vale a pena termos em mente este mandamento divino: Não matarás! 
Se, por desventura, tenhamos cometido um ato dessa natureza, lembremos que Deus é Amor e Misericórdia. 
Ele somente deseja a eliminação da impiedade e do mal.
Então, sempre podemos acolher alguém em nosso lar, ou oferecer nosso tempo, nossos cuidados, em algum trabalho voluntário, pela vida de outros. 
As oportunidades de refazimento, de compensação se apresentam de muitas formas. 
Podemos colaborar direta ou indiretamente, como nos seja possível. 
O importante é que tenhamos em mente que devemos lutar pela vida dos nossos semelhantes, sejam eles os que já habitam este planeta ou aqueles que estão se ensaiando para o renascimento. 
Seja a nossa mensagem a da preservação da vida. 
Matar, nunca. 
Redação do Momento Espírita, com descrição de fato. 
Em 06.01.2022.

domingo, 12 de julho de 2026

TRANSFORMANDO O CAOS EM ESPERANÇA

Lucie Aubrac
A cidade de Lyon, na França, guarda em suas pedras milenares a memória de quem sabe o que significa resistir.
Conhecida historicamente como a terra dos mártires, em 1943, ela se viu mergulhada em um dos períodos mais sombrios da alma humana. 
Sob o jugo da ocupação nazista, ela se transformou em um tabuleiro de sombras. 
Cada esquina, cada café e cada prédio pareciam vigiados por olhos invisíveis. 
O terror tinha um nome: Klaus Barbie, o carniceiro de Lyon. 
E uma sede: o Hotel Terminus, onde interrogatórios brutais silenciavam vozes para sempre. 
Foi nessa ambiência de medo, incertezas e dor que uma mulher se dispôs a alterar o rumo de algumas vidas. 
Lucie Aubrac era professora de História. 
Seu marido, Raymond, engenheiro. 
Aos olhos do mundo, um casal comum. 
Na intimidade do dever cívico, eram pilares da resistência francesa. 
Em junho de 1943, o véu da segurança rompeu-se: Raymond foi preso e levado para a temida prisão de Montluc.
Condenado à morte.
Grávida de cinco meses, Lucie não se permitiu o luxo do desespero. 
Recusou-se a aceitar o inevitável. 
Sozinha, ela atravessou as portas do Hotel Terminus e sentou-se diante de um dos torturadores mais temidos da Europa.
Dizendo-se uma noiva desesperada, alegou que precisava casar com o prisioneiro antes de sua execução para que seu filho tivesse o nome do pai e para salvar sua honra. 
O carrasco cedeu. 
A cerimônia de casamento era, na verdade, o gatilho para uma operação de resgate meticulosamente planejada. 
No dia 21 de outubro de 1943, após o breve encontro nupcial, o comando organizado por ela interceptou o comboio que reconduzia detidos à prisão. 
Em meio ao fogo cruzado e à neutralização dos guardas alemães, não apenas Raymond, mas outros treze prisioneiros foram arrancados das garras da morte e levados para a segurança. 
Uma única pessoa, agindo com inteligência e coragem, mudou a trajetória de catorze famílias e fortaleceu o espírito de uma resistência que se recusava a morrer. 
Após a emboscada, a família Aubrac conseguiu chegar a Londres, onde o seu segundo filho teve como padrinho Charles de Gaulle. 
* * * 
Diante das tempestades que assolam o mundo e das sombras que, por vezes, parecem obscurecer o horizonte da Humanidade, é comum sermos assaltados por um sentimento de profunda pequenez. 
Olhamos ao redor e nos questionamos: 
-O que pode um único coração fazer diante de tamanha desordem? 
A história que acabamos de percorrer nos recorda que, embora não possamos mudar o mundo inteiro, detemos o poder de mudar o mundo de alguém. 
Ou de plantar a semente que alterará o curso de uma vida.
Todos carregamos essa centelha transformadora. 
A noite escura que parece sufocar a última réstia de fé pode se tornar aquela que precede o espetáculo do sol que renasce. 
A aurora não pede licença para brilhar. 
Sejamos alvorada no panorama de sombras. 
Afinal, um único coração fiel ao bem é capaz de redirecionar o destino de uma ou de várias vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Lucie Aubrac. 
Em 11.07.2026

sábado, 11 de julho de 2026

NÃO JULGUEIS

Viktor E. Frankl
O Evangelista Mateus anotou, das palavras de Jesus, a grave advertência: 
-Não julgueis, a fim de não serdes julgados; porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros. 
Ocorre que, em nossas vidas, de modo geral, julgamos em demasia. 
Alguns de nós chegamos a expressar que nos basta um olhar para saber das qualidades ou dos defeitos das pessoas. 
Em verdade, damos uma olhada superficial e permitimos que o preconceito oriente a nossa apreciação. 
Recordamos que Victor Frankl, psiquiatra austríaco, que ficou prisioneiro em quatro campos de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu: 
O chefe do campo, no qual estive por último e do qual fui libertado, era um homem da SS. Depois da libertação do campo, descobriu-se algo que até então apenas o médico do campo (também ele prisioneiro) sabia: O chefe do campo cedia, do próprio bolso, quantias significativas de dinheiro para comprar remédios, destinados aos prisioneiros, na farmácia de um mercado próximo. 
A história teve uma continuação: depois da libertação, os prisioneiros judeus esconderam o homem da SS das tropas americanas e explicaram ao comandante que iriam entregá-lo única e exclusivamente com a condição de não lhe tocarem num único fio de cabelo. 
O comandante americano deu sua palavra de honra de oficial e os prisioneiros judeus apresentaram o antigo chefe do campo. 
O comandante americano voltou a nomear o homem da SS como chefe do campo – e o homem da SS organizou coleta de alimentos e de roupas para nós, entre a população dos vilarejos vizinhos. 
Este é um dos tantos exemplos em que, uma apreciação superficial nos diria que aquele homem, das tropas SS, um nazista, somente poderia ser mau, muito mau. 
Contudo, estivesse ali por imposição ou por necessidade imperiosa, o que era certo é que era um homem que, onde se encontrava, fazia o seu melhor. 
Discordava do tratamento dado aos prisioneiros e, às ocultas, buscava suavizar o sofrimento dos doentes daquele campo de concentração. 
Deu mostras, na sequência, da sua vontade de auxiliar e de como se importava com o seu semelhante, fosse ele quem fosse. 
O psiquiatra austríaco ainda conta que, depois da guerra, teve muitos aborrecimentos por defender alguns hitleristas. 
Ele teve a coragem de levantar a voz contra um julgamento generalizado. 
E dizia: 
-Eu sou o prisioneiro número cento e dezenove mil, cento e quatro e isso me permite fazer isso. 
Tenho de fazer. 
As pessoas acreditam em mim, e isso é um dever. 
* * * 
O gesto do psiquiatra de Viena condiz perfeitamente com a advertência de Jesus: Não julgueis. 
Pensemos nisso e, antes de estabelecer juízo de valor de quem quer que seja, nos permitamos o conhecimento prévio, a análise precisa. 
Lembremos de que a História registra as barbáries cometidas por indivíduos, por nações, pelo simples fato de julgarem a priori o seu semelhante. 
Não repitamos esse triste quadro em nossas vidas. 
Sejamos dos que busquem saber um tanto mais antes de julgar pessoas, instituições, doutrinas e pensamentos que surjam no mundo. 
Tenhamos em mente a advertência de quem é o sábio dos sábios: Não julgueis... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Sobre a culpa coletiva, do livro O que não está escrito no meus livros, de Viktor E. Frankl, ed. É realizações.
Em 25.09.2013