![]() |
| SANDRA BORBA PEREIRA |
Ele procurara o psiquiatra porque precisava tomar uma decisão.
Precisava de quem lhe dissesse que estava certo no que pretendia fazer.
O que ele sabia com certeza: era tremendamente infeliz.
E a primeira frase que saiu de sua boca foi:
-Doutor, eu não amo mais a minha esposa. Quero me separar. O que o senhor me diz?
O médico, experiente e calmo, respondeu:
-Ame a sua esposa.
O paciente pensou que não se expressara de forma conveniente.
Ou talvez se tratasse mesmo de um problema de audição.
Diga-se, sempre pensamos assim quando o outro responde de maneira diversa daquela que esperávamos.
Então repetiu, dessa vez, frisando as palavras:
-Doutor, preste atenção. Eu estou lhe dizendo que eu não amo mais a minha mulher. Acabou o amor, eu quero me separar. O que o senhor me diz?
O médico reprisou a mesma frase:
-Ame a sua esposa.
-Doutor, estou dizendo ao senhor que eu não amo mais a minha esposa. Perdi todo aquele encantamento. Estou dizendo que eu não a amo. Eu perdi aquele frisson, aquele elã, aquela coisa.
O médico olhou para ele e esclareceu:
-O problema do senhor é que o senhor está com a cabeça em Hollywood.
-Como assim? – Quase gritou o homem ansioso por quem lhe referendasse a decisão.
-O senhor está querendo o amor cinematográfico. Está querendo aquele amor com cara de adolescente.
O que o senhor está querendo é ter aquelas emoções próprias da adolescência, da juventude. Amor é sentimento. Mas amar é verbo e verbo transitivo direto, ou seja, exige ação.
***
Somente descobrimos o amor quando amamos.
O amor necessita de uma ação.
É preciso sair daquela preguiça na qual vivemos para buscar o amor.
Porque o amor se resume em amar.
Então, é preciso sair de nós mesmos, de nossa zona de conforto, para amar.
O amor resume-se ao exercício de amar.
Começamos amando, amando e aí ele vai aparecendo.
Estamos falando do exercício que é necessário para que esse sentimento de fato ecloda em nossa intimidade e crie raízes de profundidade.
É necessário buscar essa construção, que é o exercício de amar.
A pequena planta necessita de água, ar, luz e calor para viver.
O amor precisa de emoção e de alegria.
Tem que ser regado, alimentado todo dia.
E o detalhe importante é nos apaixonarmos pelo menos uma vez por semana.
Como se cada semana fosse um novo capítulo de um livro que não queremos parar de ler.
Cada dia, darmo-nos conta de que, mesmo convivendo tanto, ainda existe um universo no outro, um universo a ser explorado.
Ficarmos atentos a detalhes.
Algo especial que somente o ser amado tem, como aquele jeito de mexer no cabelo, o sorriso fácil que brota gentil a cada reencontro, mesmo que o período seja curto, da saída pela manhã ao retorno no cair da tarde.
Estarmos sempre prontos para mudar os planos do cotidiano para fazer algo diferente, saindo da trilha batida e criando uma memória fresquinha e vibrante.
Selarmos o compromisso, cada semana, de nunca deixar o nós virar paisagem, porque, afinal, amar é verbo transitivo direto.
Quem ama, ama alguém.
Redação do Momento Espírita, com base na palestra
A lei de amor. Porque o amor tudo supera, de Sandra Borba
Pereira, proferida na 6ª Conferência Estadual Espírita, em
24.4.2004, no Palácio de Cristal, Círculo Militar do Paraná,
em Curitiba/PR.
Em 15.05.2026







