quinta-feira, 23 de julho de 2026

NÃO PRECISA MUDAR O MUNDO

Era uma vez um rei que governava um próspero país. 
Certo dia, ele resolveu conhecer algumas áreas distantes de seu reino. 
Por vários dias ele percorreu grande extensão de estradas. 
Mas, quando retornou ao seu palácio, chamou seus súditos e reclamou que seus pés estavam feridos e doíam muito. 
Afinal, era a primeira vez que ele fazia uma viagem tão longa por estradas tão ásperas e cheias de pedregulhos. 
Pensou numa maneira de resolver o problema. Logo, teve uma ideia. 
Ordenou que seus servos recobrissem todas as estradas do seu país com couro. 
Seria uma obra muito cara, pois custaria a vida de milhares de vacas e bois. 
Então, um dos mais sábios entre os servos ousou fazer uma sugestão ao rei dizendo-lhe: 
-Por que o rei tem que gastar essa enorme quantia de dinheiro? Não seria mais prático e mais barato mandar cortar um pequeno pedaço de couro para cobrir seus pés? 
O rei ficou surpreso, mas aceitou a sugestão. 
Mandou cortar um pedaço de couro e fazer uma proteção para seus pés, a fim de evitar os ferimentos nas próximas viagens.
Às vezes, nós também costumamos ter ideias semelhantes à do rei, tentando resolver os problemas da maneira mais difícil.
Insatisfeitos com o mundo, desejamos mudá-lo, em vez de efetuar as mudanças necessárias em nós mesmos. 
Movidos pelo desejo de pavimentar estradas sem espinhos nem obstáculos, esquecemos das proteções que devemos construir na intimidade da própria alma, e queremos mudar a situação ao redor, a todo custo. 
Se não desejamos sofrer os ferimentos da vaidade, é preciso recobrir a alma com a proteção da modéstia. 
Se queremos evitar os pedregulhos do orgulho, é necessário proteger a alma com o algodão da humildade. 
Se não desejamos sofrer a dor provocada pelos espinhos do egoísmo, busquemos desenvolver a couraça da fraternidade.
Se a situação ao redor nos desagrada e nos fere com frequência, o melhor a fazer é buscar a reformulação dos próprios atos, na certeza de que não precisamos mudar o mundo, mas efetuar as reformas necessárias em nosso comportamento, em nossa forma de ser. 
A melhor maneira de nos proteger dos pedregulhos da caminhada, evitando os ferimentos, é revestir a alma com o couro da verdadeira caridade, entendendo que o mais infeliz é sempre aquele que fere, aquele que ofende. 
Jesus, o Sublime Galileu, experimentou todo tipo de agressão e, no entanto, nunca perdeu a serenidade e foi sempre o vitorioso. 
Que importava se o mundo exterior era cheio de pedregulhos e espinhos se Sua alma estava revestida de paz e confiança em Deus? 
Jesus, mesmo sendo o Espírito mais sábio de que se teve notícias, jamais desejou mudar o mundo, mas deixou sempre o convite para todos aqueles que desejem seguir a Sua trilha.
A trilha que conduz à felicidade plena, acima das imperfeições deste mundo. 
Assim, se você está indignado com a situação a sua volta e deseja mudar o mundo, lembre-se que isso só será possível começando por mudar a si mesmo. 
* * * 
Toda mudança exige esforços e uma grande dose de coragem. 
A maioria de nós prefere criticar os outros e responsabilizá-los pelo que não está certo. 
No entanto, às vezes é preciso um autoenfrentamento com toda sinceridade a fim de repensar atitudes e tomar decisões importantes para o próprio crescimento. 
O que não devemos esquecer jamais é que somos Espíritos milenares e que trazemos uma grande soma de experiências e hábitos adquiridos ao longo da caminhada evolutiva. 
E precisamos admitir a hipótese de que somos os construtores da própria infelicidade de hoje, graças aos hábitos dos quais não queremos abrir mão. 
E, se assim é, se desejamos alcançar a felicidade almejada, é preciso despojar-nos do manto escuro das imperfeições que nos pesa nos ombros, a fim de alçar o voo definitivo em direção à luz. 
Redação do Momento Espírita com base em texto retirado de The prayer of the frog, tradução de Sérgio Barros. 
Em 13.11.2010.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

TORNANDO-NOS REAIS

Ao mirar-se o horizonte, percebia-se que o sol, senhor do dia, baixava guarda ao reinado da lua. 
Primeiro um, depois outro, os vizinhos começavam a trazer suas cadeiras para a frente dos lares, em busca de uma agradável conversa de final de dia. 
Enquanto os adultos dialogavam sobre os mais variados assuntos, as crianças brincavam na rua. 
Era como se, naquela comunidade, todos fizessem parte de uma mesma família. 
Entretanto, aconteceu que um dia um dos vizinhos chegou em casa carregando uma grande caixa de papelão. 
Ao anoitecer, como era costume, todos se reuniram nas calçadas para mais algumas horas de conversa. 
Foi então que alguém, verbalizando a curiosidade geral, questionou o vizinho acerca do conteúdo da misteriosa embalagem. 
Ele revelou que, depois de muito poupar, sua família havia comprado um aparelho de televisão. 
Estavam ansiosos aguardando pelo dia seguinte, quando um técnico viria instalá-lo corretamente. 
A vizinhança ficou toda admirada. 
Aquela era a primeira televisão a chegar naquela rua. 
Os dias sucederam-se e aquele vizinho, bem como seus familiares, começaram a aparecer cada vez menos na alegre roda de conversa entre amigos. 
Primeiro, vinham apenas a cada dois ou três dias. 
Depois, uma vez por semana. 
Então, uma vez ou duas por mês. 
E, finalmente, não apareceram mais. 
Enquanto todos conversavam alegremente, contemplavam pelas vidraças a família do saudoso vizinho, sentado junto aos seus familiares, de frente para aquela tela brilhante. 
O tempo foi passando. 
Logo, mais um vizinho apareceu com uma grande caixa de papelão em casa. 
E depois outro. 
E ainda mais um. 
Gradualmente, a roda de conversa foi ficando menor, até desaparecer por completo. 
Os vizinhos, agora, pouco se viam. 
À noite, recolhiam-se diante dos televisores, absortos pela programação, mergulhados num afastamento sem limites. 
* * * 
As décadas se passaram, mas a triste situação permanece.
Hoje, ainda que estejamos vivenciando a era da internet, através da qual temos ampla possibilidade de nos comunicarmos, jamais estivemos tão isolados. 
Nunca o número daqueles que se sentem sós esteve tão alto, ainda que contando centenas de amigos nas redes sociais.
Contra a solidão e o isolamento, os ensinamentos eternos do Mestre: 
-Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos. 
Troquemos, vez ou outra, o toque frio dos mouses de computador, pelo toque caloroso de uma mão amiga. 
A digitação frenética, por momentos venturosos de uma conversa amistosa. 
Os sites de bate papo, por idas ao parque, um jantar descontraído com os amigos, momentos de diversão. 
A grande lição que todos temos diante da oportunidade reencarnatória que se apresenta é aprendermos a amar. 
E tal aprendizado só se faz na relação com o outro: nos gestos de caridade e de perdão, nas palavras ditas num momento de ternura. 
Quando, enfim, deixamos um pouco de lado o conforto e a praticidade da vida virtual e vivemos intensamente aquilo que nos torna reais e humanos: a capacidade de amar. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 22.07.2026

terça-feira, 21 de julho de 2026

TRÊS PERGUNTAS

LÉON TOLSTOI
Conta-se que um soberano, no intuito de melhor governar, procurou um sábio para auxiliá-lo a estabelecer a melhor estratégia. 
Vestiu roupas simples e, antes de chegar ao destino, apeou do cavalo, deixou seus guarda-costas para trás e foi sozinho.
O sábio estava cavando o chão em frente à sua cabana. 
O rei chegou e disse:
-Vim procurá-lo porque preciso que me responda três perguntas: Como posso aprender a fazer o que é certo na hora certa? Quem são as pessoas às quais devo prestar maior atenção? Quais os assuntos aos quais devo conceder prioridade? 
O sábio não respondeu e continuou a cavar, demonstrando dificuldade na tarefa. 
O rei se ofereceu para cavar em seu lugar e preparou duas extensas sementeiras. 
Ao final da tarde, como não obtivesse resposta alguma, preparou-se para partir. 
Então, da floresta surgiu um homem correndo. 
Estava ferido e caiu desmaiado. 
O rei e o sábio o socorreram e conseguiram estancar a hemorragia. 
Levaram-no para a cama. 
E, porque a noite chegara, o rei sentou-se na entrada da cabana e, cansado, adormeceu. 
Ao despertar pela manhã, demorou um pouco para se dar conta de onde estava. 
Voltou-se para dentro. 
O ferido o olhou e lhe pediu perdão. 
-Não tenho nada para lhe perdoar, disse o rei. Nem o conheço. 
-Mas eu o conheço. O senhor prendeu meu irmão e jurei acabar com sua vida. Esperei na floresta para matá-lo. Mas o senhor não voltou. Saí de meu esconderijo e seus guarda-costas me feriram. Fugi deles. Teria sangrado até a morte se não me tivesse socorrido. Se eu sobreviver, serei o mais fervoroso de seus servos. 
O rei ficou satisfeito por ter conseguido a paz com seu inimigo.
Disse que mandaria seu médico para atendê-lo. 
Levantou-se e procurou o sábio, que estava plantando nas sementeiras cavadas no dia anterior. 
-Então, vai responder às minhas perguntas? 
Erguendo os olhos, o sábio lhe respondeu: 
-O senhor já tem todas as suas respostas. 
E, ante a surpresa do rei, explicou: 
-Se Sua Majestade não tivesse ficado condoído da minha fraqueza, ontem, e cavado essas sementeiras para mim, indo embora, teria sido atacado por aquele homem. Teria se arrependido de não ter permanecido comigo. Por isso, a hora mais importante foi quando cavava as sementeiras. Eu era o homem mais importante. Fazer-me o favor foi o mais importante. Depois, quando o quase assassino chegou correndo, a hora mais importante foi quando cuidou dele. Se não fizesse isso, ele teria morrido sem estar em paz consigo. Por isso, ele era o homem mais importante. O que foi feito por ele foi o mais importante. Então, majestade, só existe um momento importante, o agora. O homem mais importante é aquele com quem você está, pois ninguém sabe se vai tornar a lidar com outro alguém. O assunto mais importante é fazer o bem para esse com quem se está, pois esse é o grande propósito da vida. 
* * * 
A hora de agir é agora. 
O local onde nos encontramos é o mais ajustado. 
As pessoas que estão conosco são as ideais para a nossa vida e o nosso crescimento. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Três perguntas, de Léon Tolstoi, de O livro das virtudes, de William J. Bennett, v. II, ed. Nova Fronteira. 
Em 21.07.2026

segunda-feira, 20 de julho de 2026

NÃO PERDEMOS NINGUÉM

AGOSTINHO DE HIPONA
Agostinho de Hipona, mais conhecido como Santo Agostinho, um dos grandes pensadores do Cristianismo, escreveu certa feita: 
"O amor não desaparece jamais. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, continuarei sendo; me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste. Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho."  
* * * 
Nas reflexões profundas do filósofo, constrói-se o entendimento da Imortalidade e continuidade da vida. 
Como um barco que veleja num largo rio para aportar na outra margem, assim se dá a viagem para a Imortalidade, quando nos desfazemos do corpo físico. 
Morrer, efetivamente, não existe. 
Morre o corpo, nós permanecemos. 
Morre a matéria, que se transforma, se decompõe, para originar outros corpos. 
Porém, nós permanecemos, carregando para o lado de lá da existência tudo aquilo que temos guardado na intimidade da mente e do coração. 
Assim, a despeito do corpo físico, que aqui permanece, a vida continua e somos os mesmos. 
Afinal, como alega Santo Agostinho, o fio não foi cortado. 
E os que partem antes de nós não estão longe, apenas do outro lado do caminho. 
Dessa forma, diferente do que comumente alegamos, não perdemos ninguém. 
Os amores que nos antecedem, não se perderam, apenas estão no outro lado da margem. 
De forma alguma faz algum sentido afirmar, como costumeiramente fazemos: 
-Perdi meu pai, perdi meu companheiro. 
Eles vivem na mesma intensidade e mais plenamente que nós, que ainda permanecemos vinculados a um corpo físico.
Afinal, não somos o corpo que habitamos. 
Este é apenas morada momentânea, a fim de nos dar oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal. 
Quando a Providência Divina entender ser o melhor momento, o deixaremos, para retornarmos para casa, para o mundo espiritual. 
O desvincular-se do corpo físico é retorno para casa, é voltar para o mundo do Criador, deixando o mundo das criaturas, como afirma Santo Agostinho. 
* * * 
Nos momentos de tristeza e dor, utilizemos a prece, a oração, como ferramenta de apoio e consolo. 
Quanto aos nossos amores, estaremos sempre vinculados a eles pelo pensamento e pelo sentimento. 
Orar por eles, lembrar deles com ternura, carinho, reconhecimento, é o maior presente que podemos lhes oferecer, enquanto a distância nos impede o encontro. 
E na saudade, lembremos do grande pensador de Hipona: 
-A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Afinal, o amor não desaparece jamais. 
Redação do Momento Espírita.
Em 17.11.2015.

domingo, 19 de julho de 2026

NÃO PASSE RECIBO

RAUL TEIXEIRA
Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis. 
Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas. 
A violência tem se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos, nos estágios em que se estagiam no mundo. 
Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão lhe causar chateações, irritações, capazes de estimular seu lado frágil ou sua intolerância. 
Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento. 
Exercite-se na conquista da tranquilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.
A proposta escusa das equipes de Espíritos das sombras é converter a vida social da Terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão as de caráter violento. 
Não morda essa isca. 
Procure manter ou desenvolver sua paciência. 
Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitá-lo. 
Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas. 
Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. 
Deparará a provocação em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço. 
Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. 
Aprume-se no pensamento superior. 
Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe enredar. 
Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite. 
Recorde o Mestre ao ensinar-nos a não contender com o mal. Seja qual for a perturbação que ocorra a sua volta, mantenha-se em paz. 
Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. 
Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. 
Não passe recibo às violências. 
Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de vivos e mortos. 
Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia. 
A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos os que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus. 
Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral no mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária. 
* * * 
O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 
-Perdoa-me, Senhor, porque pequei. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 16.08.2010.

sábado, 18 de julho de 2026

TRANSFORMANDO VIDAS

Aos catorze anos, a agenda de Andressa estava repleta. 
De segunda a domingo, tinha compromissos assumidos, de forma voluntária, com as pessoas da sua comunidade. 
Aos domingos, trabalhava em um programa de rádio, falando ao público sobre o Evangelho de Jesus, contando histórias infantis. 
Nos demais dias da semana, estudava pelas manhãs e, no período da tarde, se dedicava à ajuda humanitária, levando alegria e esperança a muitas pessoas. 
Nas segundas-feiras, realizava um trabalho missionário, na comunidade religiosa a que se vinculara. 
Nas terças, visitava um asilo. 
Na companhia dos idosos, cantava, orava, brincava e conversava, amenizando-lhes a solidão. 
Era pura alegria. 
Sua presença modificava o ambiente tão logo chegava. 
Por isso, era sempre aguardada. 
Montou em sua casa uma cooperativa que tinha como objetivo ajudar as pessoas do seu bairro a aumentarem a renda mensal. 
Participavam desse projeto famílias carentes, que assim tinham oportunidade de aprender a fazer diferentes tipos de trabalhos manuais. 
Nas sextas-feiras, coordenava um grupo de oração infantil, através do qual ensinava a importância e o alcance da prece.
Mostrava o quanto todos podemos ser beneficiados pelas boas vibrações vindas daquele que ora com amor e fé em Deus. 
E as preces se estendiam por quantos fossem necessitados de recuperação da saúde, de paz ao coração, de harmonia em seus lares. 
Era tão dedicada ao próximo que, certa vez, com o objetivo de colaborar em uma atividade para jovens carentes, pediu à sua mãe para utilizar o dinheiro que vinha sendo guardado para a realização da sua festa de quinze anos. 
Ela estudava, brincava e curtia a família como qualquer outra jovem da sua idade, mas tinha consciência de que, das vinte e quatro horas do dia, era importante que dedicasse algum tempo para fazer um trabalho voluntário. 
Teve oportunidade de afirmar: 
-Se não fizermos agora o trabalho para o qual Jesus nos convida, talvez amanhã não dê tempo. 
E não houve mais tempo... 
No dia vinte e dois de março de 2008, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o carro em que se encontrava chocou-se contra um caminhão. 
Ela desencarnou, juntamente com a sua avó, tia e prima.
No pouco que viveu, ela fez muito.
Fez tudo o que podia. 
Com um sorriso constantemente emoldurando seu rosto, viveu sua vida ajudando o outro, demonstrando a imensa grandeza que abrigava no coração. 
Desde cedo, aos nove anos, ela partiu para o trabalho no mundo, disposta ao serviço em favor do próximo. 
E, com doação de si mesma, mostrou que o mundo que devemos construir é o do amor e da caridade. 
Que o exemplo dessa doce menina nos leve a refletir um pouco mais no que fazer diariamente. 
Que possamos melhorar a capacidade de sermos úteis à sociedade. 
Meditemos sobre qual tem sido nosso grau de utilidade e não deixemos para amanhã a oportunidade de modificar o mundo em que vivemos.
Pode não dar tempo... 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Andressa Barragana, disponibilizados na Internet. 
Em 18.07.2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

CONSTRUINDO CATEDRAIS

Suas imensas torres a rasgar os céus, suas paredes bordadas em pedra, seus vitrais filtrando em cores os raios solares que os transpassam, fazem-nas belezas imensas nas paisagens de velhas cidades. 
Mas, em todas elas, se se tentar saber quem são seus construtores, encontram-se imensas dificuldades. 
Essas construções levavam séculos para serem concluídas. 
E o trabalho de muitos, que dedicavam toda sua vida para construí-las, perdia-se no tempo. 
Os sacrifícios para que essas imensas naves fossem erguidas, vencendo os séculos com altivez e beleza, perderam-se na História. 
Posto que a construção durava mais do que uma vida humana, eram as vidas de muitos que se somavam para que esses templos ganhassem forma, em um trabalho anônimo, desconhecido. 
Não é diferente do que ocorre conosco em nossa caminhada. Muitos de nossos sacrifícios, de nossos esforços passam despercebidos por todos. 
Poucos dão-se conta do trabalho anônimo da mãe no lar, preparando as refeições, consertando roupas, pregando um botão ou passando uma camisa, para que filhos e esposo se apresentem impecáveis. 
Ninguém percebe quantas vezes alguém se cala para que uma discussão não ganhe proporções indesejadas. 
Ou quando avança horas na noite, a velar o sono de um enfermo. 
Ficam perdidas no anonimato as boas ações como quando, mesmo sem tempo, nos dispomos a ouvir alguém, a ceder a vez para o outro em uma fila, a fazer um favor que nos foi solicitado. 
Poucos aquilatam as longas horas de trabalho do professor a corrigir textos, analisar trabalhos, varando madrugadas, a fim de que possa conhecer mais intimamente seus educandos, entendendo suas mentes e suas almas, para melhor colaborar com sua formação. 
No entanto, Deus está vendo. 
Ele percebe nossas intenções e compreende que todas essas ações contribuem para a construção de nossa catedral íntima.
Assim, jamais desanimemos pelo não reconhecimento da sociedade ou da família, frente àquilo que fazemos.
Trabalhemos e vivamos oferecendo o que temos de melhor, na nossa vida familiar, nas lides profissionais ou na convivência social. 
É verdade que, muitas vezes, criamos expectativas de que alguém reconheça e valorize o que fazemos. 
Porém, mesmo se isso não ocorrer, mesmo assim, nosso trabalho nunca será anônimo. 
Afinal, é Deus quem nos cuida e vê cada ação nossa, o esforço que fazemos para erigir a catedral de virtudes e valores nobres em nossa intimidade. 
Como os construtores de outrora, toda uma vida de sacrifício será válida se pensarmos que Deus estará sempre vendo o que realizamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em vídeo de Nicole Johnson. 
Em 17.07.2026