terça-feira, 14 de julho de 2026

NÃO NOS PERMITAMOS

Refletindo sobre nossos companheiros de jornada, é provável que, em alguns momentos da vida, nos deparemos com uma angustiante questão. 
Olhamos para nossos pais, cônjuge, filhos ou amigos e nos perguntamos: 
-Quando foi a última vez que recebi ou que lhes ofertei um abraço? 
O toque, seja através do afago, do beijo ou do abraço expressa nossos sentimentos, enche a vida de ternura e aquece a alma de quem o oferece e de quem o recebe. 
As manifestações sinceras de afeto fazem as pessoas se sentirem amadas e queridas pois demonstram o amor que as envolve. 
Ter a liberdade de falar sobre os sentimentos e expressá-los, com equilíbrio e sensatez, também mantém apertados os laços que nos unem às pessoas com as quais nos relacionamos. 
Ao constatarmos a distância estabelecida sutilmente entre os afetos, uma grande tristeza nos invade. 
É o momento em que nos questionamos: 
-Quando e como começou a ser estabelecida essa distância? Como pudemos permitir que chegasse a esse ponto? Quem foram os responsáveis? E agora? Como fazer para construir novamente essa ponte de ligação com as pessoas amadas?
Olhamos para trás buscando as respostas, na tentativa de começar a construir um caminho diferente, uma nova aproximação. 
Muitas vezes, essas respostas não serão facilmente encontradas pois, por mais que busquemos nos arquivos de nossa memória, será difícil identificar o registro de quando foi que tudo começou. 
Essa análise do passado é importante, pois descobrindo onde erramos, podemos, a partir dessa constatação, agir de outra forma. 
Verificamos então, que talvez tenhamos nos permitido adotar algumas atitudes que podem ter nos distanciado lenta e gradativamente dos seres amados.
Foi o Bom dia deixado de lado pela pressa de começar logo as atividades de mais uma jornada de trabalho; o Boa noite esquecido, vencido pelo cansaço. 
Os sentimentos ocultados pela quietude diária, onde cada um se envolve apenas com suas próprias questões pessoais. 
A falta de compreensão e de companheirismo, o egoísmo, as mentiras sutis, as mágoas acumuladas e os pequenos desentendimentos. 
Essas atitudes são como gotas pequeninas que, com o tempo, se transformam em imensos oceanos. 
E quando nos damos conta, não mais sabemos atravessar esse espaço e tocar alguém que tanto estimamos. 
* * * 
Não deixemos que isso aconteça pois transpor essa distância que construímos é uma difícil tarefa. 
Não nos permitamos deixar de dar o sorriso de boas vindas, o abraço de despedida, o afago de boa noite e de bom dia. 
Esse esquecimento pode significar o início dessa barreira invisível que se forma entre as pessoas. 
Falar sobre os sentimentos, perguntar com interesse como vai o outro, escutar, importar-se, perceber o que incomoda, vibrar com o que felicita, dividir as angústias e as alegrias, faz muita diferença. 
Lembremos que todas as manifestações sinceras de carinho e amor são vibrações que envolvem o próximo, aquecem as almas, alegram e embelezam a vida. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 24.02.2012

segunda-feira, 13 de julho de 2026

NÃO MATARÁS

A jovem mãe adentrou o consultório médico, levando nos braços seu lindo bebê. Iniciada a consulta, ela desabafou, ansiosa: 
-Preciso que me ajude a resolver um problema grave. Meu filho tem pouco mais de um ano e estou grávida novamente! Não desejo ter outro filho agora. Pretendo dar um espaço maior entre um e outro. Quero interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico a olhou atentamente, como a buscar inspiração para a solução do caso. 
Depois lhe disse: 
-Se, eventualmente, eu propusesse que, para a senhora não ficar com dois bebês, de idades tão próximas, matássemos o bebê que já tem, o que me diria? Eu posso lhe dizer que, dessa forma, a senhora não correria risco algum. 
A mulher ficou horrorizada. 
-Não, doutor! Matar uma criança é crime! É infanticídio! 
O médico, consciente do seu dever, falou longamente, mostrando que não havia diferença entre matar a criança nascida ou a que estava para nascer. 
Ambos têm o mesmo direito à vida. 
E o crime seria idêntico. 
* * * 
Um dos mandamentos do Decálogo, recebido por Moisés, no monte Sinai, estabelece: Não matarás. 
O direito à vida é uma lei divina.
Infelizmente, criamos leis que permitem esse tipo de crime.
Um deles, o abortamento. 
Embora grande parte da Humanidade se diga espiritualista, ainda comete esse crime bárbaro contra um ser indefeso.
Salvo os casos em que se deve optar pelo abortamento para salvar a vida da mãe, os demais serão crimes contabilizados na economia moral dos responsáveis. 
Dispomos de muitos meios de programarmos o nascimento dos filhos, sem precisar lançar mão de qualquer crime. 
E se a gravidez advier, sempre se poderá optar pelo nascimento e oferecer o bebê para adoção. 
O abortamento não é compatível com a civilização.
Ao menos, com uma civilização de maioria espiritualista, que admite a existência da alma. 
Mesmo porque o Espírito, que tem sua vida ceifada no ventre materno, não será extinto com a eliminação do seu corpinho em formação. 
Se for um Espírito elevado, perdoará os envolvidos. 
Poderá, até, fazer nova tentativa, no sentido de retornar aos braços de quem ama. 
Se for um Espírito infeliz, poderá revoltar-se e perseguir os responsáveis em busca de vingança. 
Por tudo isso, vale a pena termos em mente este mandamento divino: Não matarás! 
Se, por desventura, tenhamos cometido um ato dessa natureza, lembremos que Deus é Amor e Misericórdia. 
Ele somente deseja a eliminação da impiedade e do mal.
Então, sempre podemos acolher alguém em nosso lar, ou oferecer nosso tempo, nossos cuidados, em algum trabalho voluntário, pela vida de outros. 
As oportunidades de refazimento, de compensação se apresentam de muitas formas. 
Podemos colaborar direta ou indiretamente, como nos seja possível. 
O importante é que tenhamos em mente que devemos lutar pela vida dos nossos semelhantes, sejam eles os que já habitam este planeta ou aqueles que estão se ensaiando para o renascimento. 
Seja a nossa mensagem a da preservação da vida. 
Matar, nunca. 
Redação do Momento Espírita, com descrição de fato. 
Em 06.01.2022.

domingo, 12 de julho de 2026

TRANSFORMANDO O CAOS EM ESPERANÇA

Lucie Aubrac
A cidade de Lyon, na França, guarda em suas pedras milenares a memória de quem sabe o que significa resistir.
Conhecida historicamente como a terra dos mártires, em 1943, ela se viu mergulhada em um dos períodos mais sombrios da alma humana. 
Sob o jugo da ocupação nazista, ela se transformou em um tabuleiro de sombras. 
Cada esquina, cada café e cada prédio pareciam vigiados por olhos invisíveis. 
O terror tinha um nome: Klaus Barbie, o carniceiro de Lyon. 
E uma sede: o Hotel Terminus, onde interrogatórios brutais silenciavam vozes para sempre. 
Foi nessa ambiência de medo, incertezas e dor que uma mulher se dispôs a alterar o rumo de algumas vidas. 
Lucie Aubrac era professora de História. 
Seu marido, Raymond, engenheiro. 
Aos olhos do mundo, um casal comum. 
Na intimidade do dever cívico, eram pilares da resistência francesa. 
Em junho de 1943, o véu da segurança rompeu-se: Raymond foi preso e levado para a temida prisão de Montluc.
Condenado à morte.
Grávida de cinco meses, Lucie não se permitiu o luxo do desespero. 
Recusou-se a aceitar o inevitável. 
Sozinha, ela atravessou as portas do Hotel Terminus e sentou-se diante de um dos torturadores mais temidos da Europa.
Dizendo-se uma noiva desesperada, alegou que precisava casar com o prisioneiro antes de sua execução para que seu filho tivesse o nome do pai e para salvar sua honra. 
O carrasco cedeu. 
A cerimônia de casamento era, na verdade, o gatilho para uma operação de resgate meticulosamente planejada. 
No dia 21 de outubro de 1943, após o breve encontro nupcial, o comando organizado por ela interceptou o comboio que reconduzia detidos à prisão. 
Em meio ao fogo cruzado e à neutralização dos guardas alemães, não apenas Raymond, mas outros treze prisioneiros foram arrancados das garras da morte e levados para a segurança. 
Uma única pessoa, agindo com inteligência e coragem, mudou a trajetória de catorze famílias e fortaleceu o espírito de uma resistência que se recusava a morrer. 
Após a emboscada, a família Aubrac conseguiu chegar a Londres, onde o seu segundo filho teve como padrinho Charles de Gaulle. 
* * * 
Diante das tempestades que assolam o mundo e das sombras que, por vezes, parecem obscurecer o horizonte da Humanidade, é comum sermos assaltados por um sentimento de profunda pequenez. 
Olhamos ao redor e nos questionamos: 
-O que pode um único coração fazer diante de tamanha desordem? 
A história que acabamos de percorrer nos recorda que, embora não possamos mudar o mundo inteiro, detemos o poder de mudar o mundo de alguém. 
Ou de plantar a semente que alterará o curso de uma vida.
Todos carregamos essa centelha transformadora. 
A noite escura que parece sufocar a última réstia de fé pode se tornar aquela que precede o espetáculo do sol que renasce. 
A aurora não pede licença para brilhar. 
Sejamos alvorada no panorama de sombras. 
Afinal, um único coração fiel ao bem é capaz de redirecionar o destino de uma ou de várias vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Lucie Aubrac. 
Em 11.07.2026

sábado, 11 de julho de 2026

NÃO JULGUEIS

Viktor E. Frankl
O Evangelista Mateus anotou, das palavras de Jesus, a grave advertência: 
-Não julgueis, a fim de não serdes julgados; porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros. 
Ocorre que, em nossas vidas, de modo geral, julgamos em demasia. 
Alguns de nós chegamos a expressar que nos basta um olhar para saber das qualidades ou dos defeitos das pessoas. 
Em verdade, damos uma olhada superficial e permitimos que o preconceito oriente a nossa apreciação. 
Recordamos que Victor Frankl, psiquiatra austríaco, que ficou prisioneiro em quatro campos de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu: 
O chefe do campo, no qual estive por último e do qual fui libertado, era um homem da SS. Depois da libertação do campo, descobriu-se algo que até então apenas o médico do campo (também ele prisioneiro) sabia: O chefe do campo cedia, do próprio bolso, quantias significativas de dinheiro para comprar remédios, destinados aos prisioneiros, na farmácia de um mercado próximo. 
A história teve uma continuação: depois da libertação, os prisioneiros judeus esconderam o homem da SS das tropas americanas e explicaram ao comandante que iriam entregá-lo única e exclusivamente com a condição de não lhe tocarem num único fio de cabelo. 
O comandante americano deu sua palavra de honra de oficial e os prisioneiros judeus apresentaram o antigo chefe do campo. 
O comandante americano voltou a nomear o homem da SS como chefe do campo – e o homem da SS organizou coleta de alimentos e de roupas para nós, entre a população dos vilarejos vizinhos. 
Este é um dos tantos exemplos em que, uma apreciação superficial nos diria que aquele homem, das tropas SS, um nazista, somente poderia ser mau, muito mau. 
Contudo, estivesse ali por imposição ou por necessidade imperiosa, o que era certo é que era um homem que, onde se encontrava, fazia o seu melhor. 
Discordava do tratamento dado aos prisioneiros e, às ocultas, buscava suavizar o sofrimento dos doentes daquele campo de concentração. 
Deu mostras, na sequência, da sua vontade de auxiliar e de como se importava com o seu semelhante, fosse ele quem fosse. 
O psiquiatra austríaco ainda conta que, depois da guerra, teve muitos aborrecimentos por defender alguns hitleristas. 
Ele teve a coragem de levantar a voz contra um julgamento generalizado. 
E dizia: 
-Eu sou o prisioneiro número cento e dezenove mil, cento e quatro e isso me permite fazer isso. 
Tenho de fazer. 
As pessoas acreditam em mim, e isso é um dever. 
* * * 
O gesto do psiquiatra de Viena condiz perfeitamente com a advertência de Jesus: Não julgueis. 
Pensemos nisso e, antes de estabelecer juízo de valor de quem quer que seja, nos permitamos o conhecimento prévio, a análise precisa. 
Lembremos de que a História registra as barbáries cometidas por indivíduos, por nações, pelo simples fato de julgarem a priori o seu semelhante. 
Não repitamos esse triste quadro em nossas vidas. 
Sejamos dos que busquem saber um tanto mais antes de julgar pessoas, instituições, doutrinas e pensamentos que surjam no mundo. 
Tenhamos em mente a advertência de quem é o sábio dos sábios: Não julgueis... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Sobre a culpa coletiva, do livro O que não está escrito no meus livros, de Viktor E. Frankl, ed. É realizações.
Em 25.09.2013

sexta-feira, 10 de julho de 2026

NÃO HÁ MAIS TEMPO A PERDER

Quando paramos para refletir sobre os valores da nossa sociedade atual, vemos as enormes ondas do materialismo em todas as camadas sociais. 
As noções básicas de dignidade foram quase totalmente abandonadas a pretexto de uma falsa liberdade. 
As guerras possibilitam fortunas acumuladas sobre cadáveres de inocentes. 
Falar a respeito de Deus é visto com maus olhos. 
A hipocrisia é maior do que a justiça.
No coração de muitos esfriou o amor. 
Facilmente concluímos que estes são os tempos preditos desde há muito. 
Tempos em que os trabalhadores da última hora são chamados ao labor, sem tardança. 
Em que o joio será separado do trigo, e toda planta que o Pai Celestial não plantou será arrancada e lançada fora. 
Essas imagens fortes nos convidam à reflexão. 
Muitos ainda permanecemos em consciência de sono, nos atendo apenas às nossas funções orgânicas, como o alimento para o corpo, o sono reparador e a satisfação dos prazeres.
Corremos do trabalho para o lazer, e de novo para o trabalho, num círculo vicioso. 
Utilizamos nosso tempo cuidando das coisas que exaltam o nosso ego, esquecendo de cuidar do eu verdadeiro, nosso Espírito imortal. 
Deixamos de levar em conta que, após havermos percorrido nosso tempo na presente vida, somente restará o Espírito que nunca morre. 
É tempo de nos perguntarmos para onde estamos sendo levados, nessa ânsia das coisas materiais. 
Estamos cheios das coisas do mundo e vazios das coisas da Espiritualidade. 
Parecemo-nos com Marta, aquela da passagem evangélica, preocupados em arrumar a casa, preparar o alimento, guardar dinheiro para adquirir mais bens. 
Naturalmente, não estamos sugerindo que abandonemos o trabalho, os quefazeres de nossa responsabilidade. 
Ou que deixemos de viver no mundo e nos isolemos em algum local, longe de todos, em busca da conexão com o Criador. 
Apenas pensemos em nosso viver, que pode até mesmo contemplar as frivolidades de cada dia, mas com um sentimento de pureza que as possa santificar. 
Isso significa darmos sentido à nossa vida. 
Honrar o dia com nosso trabalho, que engrandece o mundo e aprimora nosso intelecto. 
Entretanto, dedicarmos um espaço para pensar na essência que somos, aquela que sobreviverá à transitoriedade das coisas. 
Como recomenda um benfeitor espiritual: impor silêncio aos ciúmes e às discórdias para que não sejamos promotores de desgraças. 
E nos dispormos a realizar alguma coisa em benefício do outro. 
Pode ser algo que alimente ou aqueça o corpo, ou algo que lhe fortaleça a alma.
Nem só de pão vive o homem, disse Jesus. 
E lembramos que o ser humano precisa do pão da alma, do carinho de um irmão, de um abraço afetuoso, para se sentir minimamente feliz. 
Nós mesmos não podemos viver na aridez dos sentimentos, como quem se encontra em um deserto de homens, sem nenhum oásis à vista. 
Não há mais tempo a perder. 
As guerras, as doenças, os desastres naturais, tudo nos convoca, todos os dias, a pensar no amanhã imortal.
Aprontemos nossa bagagem com coisas positivas, ações beneméritas, pacificação interior. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XX, item 5 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 09.12.2023.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

NOSSAS INCOERÊNCIAS

RAUL TEIXEIRA
Muitas vezes, em nossas preces silenciosas ou no recolhimento do lar, elevamos o pensamento a Deus com um pedido recorrente: a saúde. 
É comum dizermos que, se o Criador nos conceder o bem-estar do corpo, o restante nós mesmos resolveremos.
Brindados com a saúde do corpo, acreditamos que poderemos trabalhar com honra para o sustento, estudar para iluminar a inteligência e guiar nossos filhos pelas veredas do bem. 
É um discurso bonito e, em sua essência, sincero. 
No entanto, compete-nos considerar se há coerência entre o que pedimos e nosso proceder. 
Por vezes, rogamos pela saúde ao mesmo tempo que agredimos nosso organismo com excessos à mesa ou nos entregando a vícios, como o tabaco, com suas dezenas de itens nocivos. 
Pedimos a bênção do equilíbrio enquanto nos permitimos o uso de alcoólicos que, naturalmente, nos desequilibrarão física e emocionalmente. 
Não raro, criamos problemas que transbordam para o ambiente doméstico, afetando aqueles que amamos por puro descontrole emocional. 
Nosso corpo físico é nosso instrumento precioso de trabalho nesta escola terrena. 
Mais do que isso, trata-se de uma obra-prima da engenharia divina, cedida por empréstimo para que nos alcemos para a luz. 
Quando o prejudicamos, criamos transtornos que poderão ser passageiros ou se instalar como doenças insidiosas. 
Da mesma forma, é habitual pedirmos paz. 
E Deus, em Sua bondade infinita, sempre a envia para nós.
Contudo, a conservação dessa paz em nosso íntimo é tarefa que nos cabe. 
A paz não é um estado estático que recebemos de fora, mas uma construção diária que exige o controle de nossas reações impulsivas, a disciplina de não agir impensadamente. 
Também o cuidado com as palavras agressivas que, uma vez lançadas, semeiam má vontade em nosso caminho. 
Como a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto, se oferecemos ofensas, colheremos, em algum momento, os frutos amargos, reflexo da nossa própria semeadura. 
Jesus, o Mestre por excelência, ensinou-nos que aquele que não é fiel no pouco, não conseguirá ser fiel no muito. 
É de nos indagarmos como poderemos gerir nosso destino se negligenciamos o cuidado com o nosso corpo, com nossas atitudes e com nossas ações mais simples. 
É indispensável um ajuste de rota. 
Precisamos nos libertar do que é supérfluo, daquilo que não promove o nosso bem-estar. 
Antes de nos deixarmos vencer por hábitos destruidores ou por atitudes que esfacelam nossa paz interior, vale o questionamento: 
-Para que isso me serve? 
Ao buscarmos o melhor para nós mesmos através da disciplina e do autocontrole, nossa oração ganhará uma nova força. 
Então, quando suplicarmos por saúde, equilíbrio e paz, a resposta será o suave abraço da Divindade, duplicando e consolidando tudo o que, com esforço e dedicação, estamos ensaiando dentro de nós. 
E seremos, na Terra, o reflexo de um Espírito que compreendeu que viver com equilíbrio é a forma mais bela de dizer: 
-Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no curta Por que somos incoerentes?, de Raul Teixeira, disponível no @canalfep. 
Em 09.07.2026

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NÃO HÁ MAIOR ABISMO QUE O SILÊNCIO

AUGUSTO CURY
Entre pais e filhos não há maior abismo que o silêncio. 
O silêncio da indiferença, do esquecimento, da mágoa...
Silêncios que têm início na infância, talvez até antes do nascimento, quando os pais não consideram que ali, no ventre da mãe, já existe um ser. 
Embora aquele novo corpo físico ainda esteja em elaboração, ligado a ele, desde a concepção, já está o Espírito reencarnante. 
Assim, toda vida psíquica e comportamental da mãe, e também do pai, terá muita influência sobre o feto. 
A alma que regressa não está consciente, mas sente se é querida ou não, se há equilíbrio no lar ou não, se realmente terá um lar ou não... 
Desta forma, é importante conversar, desde esses primeiros momentos, com o bebê que irá nascer. 
Dizer a ele que é amado; que os pais irão preparar um lar onde reinará o carinho, a compreensão; que estão cientes da missão que estão recebendo e vão se esforçar para serem bem sucedidos. 
Os carinhos na barriga, os beijos suaves, as canções de ninar jamais serão esquecidos pelo Espírito, que cada dia se sentirá mais seguro em voltar ao palco terrestre. 
Os estímulos que podemos produzir por vezes são tão fortes, que presenciaremos vários casos em que há resposta.
O bebê se mexe, chuta, dá cambalhotas, como se quisesse dizer alguma coisa. 
Estudos mostram que, depois de nascida, a criança reconhece sons, música e vozes ouvidos no período da gestação. 
Assim, podemos entender que no útero materno não há silêncio, há vida. 
Vida que começou na concepção, e talvez até antes, se considerarmos o planejamento reencarnatório, o encontro com os futuros pais no mundo espiritual, os planos, os sonhos...
Não há espaço para o silêncio na família.
O hábito do diálogo, o hábito de se envolver com a vida do outro, da empatia, começa na gestação. 
Os pais podem iniciar o processo educacional do seu filho ainda no ventre, de modo desajustado ou feliz, pelos tipos e vida íntima que escolham. 
Pelos hábitos sociais e alimentares que adotem, enfim, pelas descargas de vida ou de morte que façam incidir sobre o seu filhinho. 
Conscientes da missão grandiosa que estão recebendo do Criador, os bons pais aproveitarão o período da gestação para darem boas-vindas ao Espírito que volta. 
Sendo um amor do passado, um opositor ou mesmo um estranho naquele núcleo, merece receber os cuidados necessários para que tenha em sua nova vida, todos os recursos para crescer. 
Em sua bagagem vêm muitos planos, muitas dificuldades, mas certamente a vontade de vencer, de acertar e de amar.
Procura amigos que o acolham, que o apóiem em seu novo tentame, e que estejam sempre presentes em sua vida. 
É isso que nos faz filhos e depois pais, que nos une em família, e que propicia que aprendamos a amar, primeiro poucos, para depois amarmos toda a Humanidade. 
No amor, não há lugar para o silêncio... 
* * * 
Bons pais conversam. 
Pais brilhantes dialogam. 
O eminente estudioso Augusto Cury, em uma de suas mais conhecidas obras, afirma que entre conversar e dialogar há um grande vale. 
Conversar é falar sobre o mundo que nos cerca, dialogar é falar sobre o mundo que somos. 
Outro especialista na área, Gardner, explica: 
Dialogar é contar experiências, é segredar o que está oculto no coração, é penetrar além da cortina dos comportamentos, é desenvolver inteligência interpessoal.
Redação do Momento Espírita com citações do livro Pais brilhantes, professores fascinantes, de Augusto Cury, ed. Sextante, 2003. 
Em 24.03.2008.