segunda-feira, 17 de agosto de 2026

UM DUETO INSÓLITO

Quem caminha pelas terras da Capadócia, no coração da Turquia, é imediatamente tomado por uma profunda sensação de estranhamento e encanto. 
Diante dos olhos, desdobra-se um cenário que desafia a lógica terrestre. 
São torres de pedra que parecem se erguer em prece em direção ao céu, vales ondulados que imitam as ondas de um mar petrificado. 
Uma paisagem que evoca um mundo quase extraterreno. 
No entanto, o mais extraordinário nesse lugar não está na beleza incomum de suas formas. 
O que é espetacular é o dueto que ali se estabeleceu entre a engenharia divina e a criatividade humana. 
Uma parceria sublime que atravessou os milênios. 
Há milhões de anos, o Arquiteto do Universo preparou a tela. Cinzas vulcânicas cobriram o solo, solidificando-se em uma rocha macia, o tufo. 
Por cima, a lava moldou uma capa protetora, mais dura. 
E o tempo — esse operário silencioso —, acompanhado pelo cinzel invisível do vento e das chuvas, começou a esculpir.
Século após século, os dedos invisíveis de um Criador insuperável desenharam aquelas colunas, desgastando o que era frágil e preservando o que era forte. 
Cada curva daquelas rochas traduz um traço da paciência divina, revelando que a natureza nada mais é do que a arte do Criador em constante movimento. 
Entretanto, a sinfonia não parou na geologia. 
Para que o dueto fosse perfeito, Deus convocou Sua obra-prima: o homem, feito à Sua imagem e semelhança. 
Ao se deparar com aquela paisagem inacreditável, a criatura humana sintonizou-se com o ambiente. 
Com inteligência e sensibilidade, percebeu que a rocha esculpida por Deus guardava a promessa de um lar, de um refúgio. 
E começou a agir. 
Onde a natureza oferecia o mistério das formas exteriores, a engenharia humana esculpiu a História em seu interior.
Cidades subterrâneas inteiras foram cavadas, descendo andares e mais andares nas entranhas da terra.
Labirintos de pedra que abrigaram milhares de almas em momentos de dor e perseguição. 
Os cristãos não foram os primeiros, nem os únicos a usarem a região como fortaleza. 
O local foi disputado e habitado por vários povos, que chegaram a transformar as cavernas e túneis subterrâneos em complexos habitacionais defensivos. 
E os homens também esculpiram santuários no coração das chaminés de rocha. 
Templos onde as preces do passado ecoavam, subindo aos céus junto com a fumaça das lamparinas. 
O interior das pedras transformou-se em arte viva, decorada com pinturas que retratavam a fé, enquanto o exterior continuava sob a guarda dos ventos. 
*** 
Esse dueto nos recorda a nossa própria essência espiritual.
Somos, por excelência, herdeiros da capacidade criativa de Deus. 
Quando nos unimos às leis da natureza com respeito, reverência e inteligência, somos capazes de transformar o rude em belo, o deserto em santuário, a rocha bruta em abrigo de amor. 
Naquela paisagem de rara beleza, o Criador e a criatura assinaram juntos uma das artes mais impressionantes da Terra. 
Um dueto que canta, através das eras, que a beleza máxima nasce quando o homem reconhece os traços de Deus e decide participar ativamente. 
Redação do Momento 
Espírita Em 17.08.2026

domingo, 16 de agosto de 2026

NÃO SONHE OS SONHOS DOS SEUS FILHOS

BENEDITA MARIA(+), ESPÍRITO
Pai, quando eu crescer quero ser jogador de futebol! 
Mãe, quando eu for adulto quero ser criador de jogos de video game! 
Ao ouvir expressões como estas, bastante comuns a partir de certa idade, alguns pais começam a se preocupar, principalmente se não foi isso que imaginaram para o futuro de seus pequenos. 
* * *
É muito bonito e importante que, na condição de mãe ou de pai, façamos planos para a ventura dos filhos. 
Isso faz parte das preocupações pater-maternais, empolgados como nos encontramos com essa bendita honra que Deus nos concedeu de pôr no mundo mais um dos Seus filhos. 
É válido, contudo, que nos apercebamos de que os nossos sonhos com relação a eles não devem passar de sonhos.
Nada de fazer-lhes imposições descabidas ou inoportunas chantagens, supondo que eles terão que atender ao que vimos sonhando para a vida deles. 
Nenhum problema haverá, caso dialoguemos e falemos dos nossos sonhos, sem exageros emocionais, nenhum erro existirá em ajudá-los a pensar no que almejam para a carreira profissional ou para a vida sentimental. 
Porém, será uma atitude adulta, respeitosa e digna parar por aí.
Quando em tenra idade, faz parte do primeiro contato dos nossos filhos consigo mesmos, as ideias muitas vezes esdrúxulas, sonhadoras demais, a nosso ver. 
Porém, isso é exercício de autoconhecimento e deve ser feito livremente, sem freios dos pais. 
Importantíssimo é deixar que os filhos façam escolhas, decidam, peçam sugestões ou orientações aos pais, aos professores ou a algum profissional já experimentado nas profissões que almejam. 
Tudo isso, porém, sem o peso das exigências dos pais.
Jamais deveremos confundir sugestões, conjecturas e diálogos com determinações ou imposições para as vidas que não serão vividas por nós. 
Afinal, há sonhos que precisam ser sonhados por nossos filhos, a fim de que eles trabalhem para convertê-los em realidade. 
* * * 
Vivemos tempos novos no que diz respeito à escolha da profissão. As opções se multiplicaram de forma inacreditável.
O mercado de trabalho mudou e se transforma constantemente. 
As ocupações antes tidas como de grande destaque social, agora já não são mais o anelo da grande maioria. 
O mundo se transforma e a educação dos filhos precisa ser repensada. 
Muitas das heranças que trazemos de tempos idos, vícios de conduta e de pensamento, necessitam ser renovados. 
Isso não dá dinheiro. Isso não fará de você ninguém importante. 
- São expressões que devem ser abandonadas do nosso vocabulário e do nosso pensamento. 
A vocação de cada um, através de nossas habilidades, nos insere na sociedade como peça importante de um mecanismo que precisa de todos para funcionar com perfeição. 
Ser útil deve vir antes de ser rico, pois a utilidade nos faz realizados, enquanto que a riqueza não é e nunca foi condição para tal. 
Precisamos sobreviver, sim, mas antes viver. 
Ou recordando Sócrates: 
-O mais importante não é viver, mas sim, bem viver. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.10.2015.

sábado, 15 de agosto de 2026

NÃO SOMOS UMA ILHA

AUGUSTO CURY
Em tudo que fazemos afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. 
Os mínimos comportamentos podem interferir na História da Humanidade. 
Quando um índio, em uma tribo isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a História. 
O pássaro não porá ovos, que não serão chocados e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. 
Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. 
A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. 
Quando um aluno tem problemas na leitura, perante uma classe e é obrigado a repetir, muitas vezes, o mesmo trecho, sob o deboche dos colegas, registra a experiência. 
Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência.
Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. 
Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. 
Uma pessoa que se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. 
Ele despedaçará a emoção e a memória deles. 
Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores que afetarão as suas histórias. 
Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas, alterando o futuro da sociedade. 
Quando Hitler se mudou para Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. 
Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. 
Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. 
O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos. 
Os rumos da Humanidade foram alterados. 
É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre. 
Mas não um dos maiores sociopatas da História. 
Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nas artes, mas poderia ter sido abrandada. 
Ou até mesmo deixado de se manifestar. 
Não somos uma ilha. 
Somos uma grande família. 
Uma única espécie. 
Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. 
O que fazemos influencia as pessoas que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. 
Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros.
Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outrem, acolher uma criança, pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas.
* * * 
O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos, assim, em tudo que dizemos e façamos. 
Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. 
Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. 
Pensemos nisso, antes de agir, no próximo minuto. 
Somos responsáveis pelo mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro O futuro da Humanidade – a saga de Marco Polo, de Augusto Cury, ed. Sextante. 
Em 27.4.2017.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PESSOAS QUERIDAS

EMMANUEL e CHICO XAVIER
Uma das coisas mais desafiadoras da nossa jornada é conviver em harmonia com aqueles a quem amamos. 
Por vezes, esquecemos que a pessoa querida é um mundo inteiro à parte, trazendo sentimentos e formas de pensar que podem ser muito diferentes dos nossos. 
Certamente, já nos pegamos querendo que este ou aquele familiar pense exatamente como nós. 
Ou que entenda aquilo que estamos explicando da mesma forma que faz sentido para nós. 
Nossa, para mim isso é tão claro! 
Não é possível que fulano não veja assim, ou não esteja enxergando isso! 
Pois é muito possível que assim seja. 
Imaginemos que a lente de enxergar de cada um foi elaborada por um cristal distinto. 
Em seus componentes, temos milênios de experiências passadas, décadas de cultura e educação, além de uma boa dose de distorções e manchas. 
Não há uma pessoa igual a outra. 
Por sermos distintos, vemos as coisas de forma distinta.
Portanto, é fundamental entender a situação de cada um.
Naturalmente, devemos incentivar os familiares a darem o seu melhor, servindo-nos do diálogo construtivo para sugerir mudanças e melhorias. 
O amor age assim. 
Mas, se os nossos conselhos não forem seguidos, em especial por aqueles que alcançaram a fase adulta, não devemos tentar prendê-los aos nossos pontos de vista. Isso seria uma forma de violência. 
É comum, como pais, irmãos ou amigos, planejarmos a felicidade perfeita no casamento ou grandes títulos acadêmicos para os nossos jovens. 
No entanto, pode ser que eles tenham vindo à Terra justamente para enfrentar tarefas árduas ou relacionamentos desafiadores, que fazem parte da sua evolução. 
Tentar desviá-los desse caminho seria desrespeitar aquilo que eles vieram desenvolver. 
E se aquelas almas que tanto amamos acabarem tropeçando e caindo no erro? 
Não condenemos e não reprovemos. 
Deixemos que elas façam as suas escolhas.
Afinal, nós também não suportaríamos que alguém impusesse regras sobre o nosso modo de viver. 
Mantenhamos a serenidade diante dos caminhos que o próximo decidir trilhar. 
Vivamos a nossa vida com consciência e permitamos aos demais a liberdade de viver a existência que o Criador lhes concedeu. 
* * * 
Um dos maiores desafios da atualidade é o conflito de gerações. 
Na verdade, isso sempre houve, pois uma nova geração normalmente apresenta mudanças significativas em relação à que lhe precedeu. 
A tendência dos mais antigos na encarnação será achar que o seu modo, a sua época, os seus costumes, eram melhores. 
E os novos, são absurdos. 
Pensemos bem antes de chegar a essa conclusão com tanta rapidez. 
O que, nesse julgamento, é da nossa lente, do nosso apego afetivo com nosso tempo e o quanto é avaliação de valores verdadeiros, aqueles que não têm tempo nem idade? 
Sejamos os defensores dos bons costumes. 
Daqueles que remetem à prática do amor ao próximo e à construção do ser espiritual, porém, não nos fechemos às novas ideias, aos novos pontos de vista. 
Há muito ainda a construir em nós. 
Todas as gerações têm o que aprender umas com as outras.
Respeitemos isso. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10, do livro Calma, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 13.08.2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

NÃO SOMOS NOSSOS PROBLEMAS

Conta-se que Victor Hugo, o admirável escritor francês, quando no exílio, tinha por hábito, ao cair da tarde, chegar a uma parte em que havia uma colina próxima ao mar, e ali sentava-se, mergulhando em reflexões demoradas. 
Enquanto o grande gênio da língua neolatina meditava, crianças brincavam à sua volta. 
Depois de haver reflexionado suficientemente, o gigante da pena erguia-se, dobrava-se, tomava de uma pedra e a atirava ao mar. 
Tornara-se-lhe tão habitual este movimento que já o fazia por automatismo. 
Certo dia, porém, uma das crianças, vendo o grande escritor repetir o gesto de atirar ao mar uma pedra, perguntou, com o olhar traquinas e o sorriso infantil: 
-Senhor Hugo, por que o senhor, depois de meditar tanto, toma de uma pedra e a joga no mar?
E o admirável exilado respondeu, com um toque de melancolia: 
-É que tenho muitos problemas e resolvi, diariamente, por meditar em um problema. Após equacioná-lo, atirá-lo ao mar do esquecimento. 
* * * 
DIVALDO P.FRANCO(+)
Não permitamos que os problemas tomem conta de nossa vida e exauram todas as nossas energias. 
É necessária a compreensão de que estamos no problema, mas não somos o problema. 
Somos a solução para ele. 
Quando analisarmos cada um deles, devemos pensar: 
Aqui está o meu problema. 
Fora de mim. 
Não somos este momento de aflição.
Apenas transitamos por ele temporariamente. 
Encaremos cada problema como um desafio, algo que veio para fazer-nos crescer, amadurecer. 
E não para nos destruir. 
Isso permitirá que a vida o solucione com tranquilidade, sem desgastar-nos em demasia. 
Contemos com ajuda externa. 
Não acreditemos que tenhamos que resolver tudo sempre sozinhos. 
Há tanta gente disposta a nos ajudar, no mundo material, e no mundo invisível, onde encontramos os amores do ontem e os protetores de nossa reencarnação. 
Então, após resolver cada problema, atiremo-lo ao mar do esquecimento, não permitindo que ele permaneça em nossa casa mental. 
Renovemo-nos diariamente, não permitindo que resquícios de crises e dores amarguem a alma, e se transformem em prisão indesejada. 
Não nos assustemos com a palavra problema. 
Se ela nos parecer assustadora, troquemo-la por outra, como desafio ou obstáculo. 
Obstáculos existem para serem observados, compreendidos e transpostos. 
Saímos mais fortes de cada um deles, se desejarmos, em vez de mais fracos e abalados. 
Libertemo-nos desse negativismo que, por vezes, estraga nosso dia, quando a lente do pessimismo nubla nossa vista imperceptivelmente. 
Libertemo-nos do cinza, do escuro dos pensamentos que tanto nos aborrecem a alma. 
Nascemos para ser livres, então, libertemo-nos. 
Não somos nossos problemas. 
Apenas transitamos por eles temporariamente. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita com base na faixa 1, do CD Visualizações terapêuticas, de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 05.02.2025

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O RELÓGIO, O SMARTPHONE E A CAUSA PRIMÁRIA

Muitas vezes, olhamos para o céu estrelado ou para a beleza de uma flor e nos perguntamos onde estará Deus. 
Da mesma forma que não vemos forças que sabemos que existem, como a gravidade e o magnetismo, não podemos vê-lO com os nossos olhos físicos, por ser muito limitada nossa visão. 
Nossas imperfeições funcionam como um nevoeiro, que nos obscurecem a visão e nos impedem de contemplá-lO em toda Sua grandeza. 
No entanto, a existência desse Pai amantíssimo pode ser provada através de um princípio lógico e incontestável: não há efeito sem causa. 
Todo efeito inteligente precisa decorrer de uma causa inteligente. 
Se encontramos um relógio com seu mecanismo engenhoso, sabemos que ele foi feito por alguém, e não pelo acaso. 
Ou um smartphone, com todos os seus aplicativos, tela sensível ao toque e microchips complexos. 
Sabemos que ele foi projetado por designers, engenheiros e montado com precisão. 
Jamais pensaríamos na possibilidade de ser resultado de um acaso da natureza.
Da mesma maneira, a ordem, a sabedoria e a harmonia que governam as obras da natureza ultrapassam de longe a mais portentosa inteligência humana. 
O corpo humano é uma obra muito mais complexa que qualquer supercomputador que alguém construiu ou sonhou em construir. 
É assim que, utilizando esse princípio lógico, chegamos à causa primordial de tudo aquilo que sabemos não ter sido feito pelo homem. 
Essa causa primária de todas as coisas, que dirige as forças do mundo com uma Inteligência Superior, é que chamamos Deus. 
Ele é a Inteligência Suprema. 
Único, Eterno e Imutável, garantindo a estabilidade de todas as leis que regem o universo. 
Diante de tanta grandeza, talvez nos perguntemos: 
-Como Deus tão imenso pode se ocupar dos nossos pequenos problemas e dos nossos pensamentos diários? 
É que a natureza inteira se encontra mergulhada em Seu fluido divino. 
Como esse fluido está presente em toda parte, tudo acaba ficando submetido à ação inteligente, à providência e ao cuidado de Deus.
Isso significa que nunca estamos sós, pois todos somos mantidos em relação constante com o nosso Criador. 
Se mergulharmos em nossa essência, se analisarmos o nosso íntimo, encontraremos um sentimento poderoso identificando a presença de Deus em nós. 
Todos trazemos esse sentimento inato. 
Alguns aprendemos a negá-lO ou mesmo a bloquear qualquer contato com Ele. 
Apesar disso, Ele está ali. 
O sentimento de uma força superior, de um Criador, sempre esteve em todos nós. 
Basta observar os povos mais primitivos. 
Por que será? 
Porque é da natureza do Espírito buscar sua essência. 
Assim, sejamos humildes e assumamos que não conhecemos todas as coisas. 
Se nos faltam respostas ou a capacidade de entender certos fenômenos, aguardemos com calma e disposição. 
Alguns de nós não sabemos nem como funciona o mecanismo de um relógio analógico ou um smartphone. 
Então, para compreendermos tudo sobre Deus, falta um bocado, não é mesmo? 
Redação do Momento Espírita 
Em 10.08.2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A INFELICIDADE DA VINGANÇA

Ele pertencia à nobreza e sua mais ardente obsessão era a continuidade de sua linhagem. 
Desejava, acima de tudo, um herdeiro que ostentasse com orgulho o brasão da família. 
No entanto, o destino lhe trouxe um filho que carregava uma gagueira acentuada. 
O orgulho paterno, ferido em sua vaidade, transformou-se em profunda rejeição. 
Cada encontro entre os dois era marcado por humilhações e gritos, o que apenas agravava a dificuldade do pequeno. 
Com a morte precoce da mãe, a criança foi isolada em uma propriedade distante, abandonada aos cuidados de criados.
Foi ali que encontrou uma alma generosa, que tomou para si a sua educação. 
Desejando desesperadamente conquistar o amor do pai, o garoto dominou a gagueira, se esmerou nos estudos, na equitação, nas artes. 
Mas, nas raras vezes em que o pai comparecia àquela propriedade, e ele demonstrava o que já conquistara, continuava a receber somente desprezo. 
Essa atitude fez brotar, em seu íntimo, as raízes amargas da revolta. 
No leito de morte do pai, olhando para aquele homem que sempre o desprezara, o jovem pronunciou um juramento terrível: jamais geraria um filho. 
A linhagem que o pai tanto prezava morreria com ele. 
Aquela seria a sua vingança. 
Os anos caminharam. 
O rapaz tornou-se homem respeitado e convidado para os mais nobres salões. 
Festas, banquetes e honrarias faziam parte de sua rotina. 
Mas as portas do seu imenso castelo guardavam apenas o silêncio e a solidão, quebrada unicamente pela companhia dos livros. 
Generoso com os servos e aldeões, ele se negava o direito de constituir um lar e de sentir o calor de uma família. 
A vingança, que ele julgava ser contra o pai, se tornara um cárcere para si mesmo. 
Então, a Providência Divina colocou uma moça em seu caminho. 
Ela não era apenas bela por fora. 
Exalava a beleza do Espírito. 
Ao ouvir-lhe as confidências do amargo juramento ao pai, ela lhe falou das glórias de construir um lar, dos efeitos benditos do perdão. 
E o questionou, em ocasião propícia: 
De que lhe valia alimentar esse ódio? 
Quem, afinal, estava sendo destruído por essa escolha senão ele mesmo? 
Ela o conduziu pelas alamedas do afeto. 
Falou-lhe do perdão que rompe os grilhões da amargura e fê-lo ouvir a canção do amor, que cobre a multidão dos equívocos. 
Aos poucos, a doce melodia desfez a rigidez daquele coração. Ele foi se transformando, permitindo-se observar o valor da família e as alegrias da paternidade responsável. 
***
Quando nos prendemos à dor do passado, permitimos que quem nos feriu continue governando nossas emoções. 
A vingança é sempre um caminho destrutivo que impede o crescimento e seca a alma. 
O perdão, por outro lado, é um ato de profunda libertação. 
É a cura, a paz interior e o recomeço.
Perdoar não é esquecer o erro alheio, mas esvaziar o peito da dor para que a felicidade possa, finalmente, entrar. 
Escolher perdoar é o maior presente que damos a nós mesmos, libertando-nos de mágoas e dores acumuladas.
Pensemos nisso. 
Permitamo-nos ser felizes. 
Redação do Momento Espírita 
Em 11.08.2026