sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A GEOGRAFIA DO CORAÇÃO

Por vezes, em nossa jornada terrena, confundimos moradia com lar. 
Acreditamos, envoltos na ilusão passageira da matéria, que um lar se constrói com tijolos, cimento, projetos arquitetônicos modernos e uma decoração impecável. 
Contudo, a moradia é apenas o espaço físico, a estrutura temporária que nos protege das intempéries da natureza. 
O lar, em sua essência mais profunda e espiritual, pertence a uma geografia muito diferente: a do coração. 
O lar é constituído, única e exclusivamente, por quem se ama.
Pode ser uma família numerosa, que enche os corredores da casa de risos, debates e vozes entrelaçadas em harmonia Ou pode ser apenas aquela presença doce, paciente e acolhedora que nos aguarda ao fim de um dia exaustivo. 
O lar é o espaço sagrado, quase intocável, habitado por quem nos apoia incondicionalmente. 
São as almas por quem nutrimos o mais terno afeto, aquelas que concedem uma motivação especial à nossa vida. 
Quando as luzes do mundo se apagam, quando as desilusões batem à porta e as tempestades ameaçam a nossa paz interior, é no olhar sereno de quem nos ama que encontramos o nosso inabalável refúgio. 
O lar é construído no alicerce da afeição verdadeira. Podemos residir em um quarto minúsculo, um espaço alugado onde mal cabem os próprios passos. 
Pode ser uma casa simples, desprovida de grandes confortos materiais ou facilidades tecnológicas. 
Se ali houver abraços sinceros, palavras de compreensão, perdão e corações unidos, esse espaço é um palácio de luz.
Uma casa vazia de afeto, por mais luxuosa e imponente que seja, é apenas um abrigo estéril. 
Só será lar se tiver ao menos uma pessoa que se interesse genuinamente pelas nossas dores, que esteja disposta a enxugar as nossas lágrimas e a celebrar as nossas pequenas vitórias. 
É a presença viva desse espírito companheiro que acende a lareira invisível, a única capaz de aquecer a nossa alma nos dias invernosos. 
O lar é o abraço apertado que nos espera. 
É o sorriso farto que nos recebe à porta. 
É a voz suave que pergunta, com real interesse: 
-Como foi o seu dia? 
É a certeza de que, não importa o quão espinhosa tenha sido a jornada, existe um porto seguro para onde retornar. 
Um santuário onde não precisamos usar as máscaras que a sociedade nos exige, pois ali somos amados exatamente pelo que somos, com todas as nossas imperfeições e belezas.
Dessa maneira, não reparemos nas paredes que talvez estejam descascadas ou nos móveis marcados pela passagem do tempo. 
Olhemos para os olhos de quem nos compartilha a jornada.
São eles os verdadeiros arquitetos da nossa felicidade. 
Se temos alguém que nos dedica afeto e tempo, sejamos imensamente gratos à vida. 
Isso significa que encontramos, verdadeiramente, nosso lar.
Mas, se nos sentirmos sós neste momento da caminhada, lembremos de que carregamos em nós o poder de ser o lar de alguém. 
Construamos pontes de afeto, ofereçamos amor genuíno e, no momento certo, as paredes invisíveis do nosso próprio e doce lar serão erguidas. 
Façamos isso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 09.10.2026 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A PORTA FALSA

A vida humana é, sem dúvida alguma, o dom mais precioso que recebemos da bondade divina, um talento de especial valor, concedido para o nosso progresso espiritual. 
Quando as nuvens escuras do desespero tentam ofuscar a luz da esperança em nossos dias, é imperioso lembrar que as dores do mundo são sempre passageiras, mas a nossa alma é imortal. 
A história de Marina é um doloroso retrato das ilusões que tantas vezes abraçamos. 
Ela era uma jovem que acalentava o doce e nobre sonho de casar-se, ter filhos e constituir uma família. 
Enamorou-se perdidamente de Jorge, a quem entregou sua inteira confiança durante dois anos que, infelizmente, se revelariam completamente vãos. 
Ela se deixou envolver facilmente por promessas, passeios noturnos e sonhos românticos. 
O golpe devastador ocorreu quando, com extrema frieza e aspereza, ele confessou que não a amava e pôs fim ao relacionamento. 
Sentindo seu mundo íntimo ruir e não suportando o peso do desprezo, Marina, equivocadamente, acreditou que a morte seria a porta de fuga definitiva para o seu insuportável sofrimento. 
Ela de fato conseguiu destruir o seu invólucro físico, mas percebeu, completamente atônita, que continuava viva e consciente. 
A morte, como fim absoluto, revelou-se uma mera e trágica ilusão. 
Ao compreender a realidade inquestionável da vida imortal, um desejo ardente de voltar a viver invadiu a sua alma. 
Deu-se conta de que havia jogado fora, pelas próprias mãos, uma encarnação inteira, desperdiçando anos inestimáveis de belíssimas oportunidades. 
*** 
A vida é um presente imensurável. 
Aprendamos a aguardar o nascer do sol, que nos trará as horas renovadas, em que poderemos contemplar o brilho da esperança. 
Mesmo nas noites mais escuras da alma, recordemos que a alvorada sempre despontará, trazendo consigo a doce promessa de um novo dia. 
Cada amanhecer é uma página em branco que a bondade celestial nos oferece, um convite para recomeçar. 
Quando as feridas do coração parecerem profundas demais e o fardo das decepções ameaçar curvar os nossos ombros, olhemos para o sol que ressurge, todos os dias, soberano no horizonte, espalhando sua luz. 
Ele nos ensina, na sua majestade calada, que a Providência Divina nunca nos desampara e que, mesmo após o mais rigoroso inverno das nossas dores, a primavera da esperança invariavelmente florescerá. 
Mais do que sobreviver às tempestades, somos chamados a abraçar com entusiasmo as infinitas oportunidades de crescimento que o universo nos reserva a cada instante. 
O amanhã guarda um vir a ser que ainda desconhecemos, um horizonte repleto de encontros felizes, de aprendizados libertadores e de conquistas espirituais que engrandecerão a nossa jornada. 
Confiar na vida é cultivar a certeza inabalável de que somos guiados por um amor maior e infinitamente sábio. 
Por isso, sigamos em frente com coragem e resiliência, transformando cada lágrima em pérola de sabedoria, certos de que as oportunidades de evoluir, de amar e de encontrar a paz são tesouros inesgotáveis que aguardam aqueles que escolhem, todos os dias, honrar o milagre de estar vivo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 22 do livro A vida escreve, pelo Espírito Hilário Silva, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. FEB. 
Em 07.10.2026

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Anjos Desconhecidos

CHICO XAVIER
Há guardiães espirituais que te apoiam a existência no Plano físico e há tutores da alma que te protegem a vida na Terra mesmo. 
Frequentemente, centralizas a atenção nos poderosos do dia, sem ver os companheiros anônimos que te ajudam na garantia do pão. 
Admiras os artistas renomados que dominam nos cartazes da imprensa e esqueces facilmente os braços humildes que te auxiliam a plasmar, no santuário da própria alma, as obras primas da esperança e da paciência. 
Aplaudes os heróis e tribunos que se agigantam nas praças; todavia, não te recordas daqueles que te sustentaram a infância, de modo a desfrutares as oportunidades que hoje te felicitam. 
Ouves, em êxtase, a biografia de vultos famosos e quase nunca te dispões a conhecer a grandeza silenciosa de muitos daqueles que te rodeiam, na intimidade doméstica, invariavelmente dispostos a te estenderem generosidade e carinho. 
Homenageia, sim, os que te acenam dos pedestais que conquistaram, merecidamente, à custa, de inteligência e trabalho; contudo, reverencia também aqueles que talvez nada te falem e que muito fizeram e ainda fazem por ti, muitas vezes ao preço de sacrifícios pungentes. 
São eles pais e mães que te guardaram o berço, professores que te clarearam o entendimento, amigos que te guiaram à fé e irmãos que te ensinaram a confiar e servir… 
Vários deles jazem agora, na retaguarda, acabrunhados e encanecidos, experimentando agoniada carência de afeto ou sentindo o frio do entardecer; alguns prosseguem obscuros e devotados, no amparo às gerações que retomam a lide terrestre, enquanto outros muitos, embora enrugados e padecentes, quais cireneus do caminho, carregam as cruzes dos semelhantes. 
Pensa nesses anjos desconhecidos que se ocultam na armadura da carne, e, de quando em quando, unge-lhes o coração de reconhecimento e alegria. 
Para isso, não desejam transfigurar-se em fardos nos teus ombros. 
Quase sempre, esperam de ti, simplesmente, leve migalha das sobras que atiras pela janela ou uma frase de estímulo, uma prece ou uma flor.
Emmanuel 
Chico Xavier 
Obra: Caminho Espírita
https://betemensagemdodia.blogspot.com/

terça-feira, 6 de outubro de 2026

CICATRIZES DA TRAIÇÃO

Michael Kitzelmann
Existem dores na vida que parecem dilacerar a nossa alma de uma maneira irreparável. 
Entre as mais profundas e silenciosas, está a dor da traição.
Quando depositamos nossos medos e vulnerabilidades nas mãos de um amigo, alguém em quem confiamos plenamente, construímos uma sagrada ponte de afeto. 
Quando essa confiança é rudemente quebrada, quando aquele que chamávamos de amigo nos entrega à maldade do mundo, a ponte desmorona. 
O coração sangra, não apenas pelo ato em si, sobretudo pela ruptura desse laço de amizade. 
Foi essa dor avassaladora que um jovem de apenas vinte e seis anos enfrentou em um dos períodos mais sombrios da história. 
Ele era o tenente alemão Michael Kitzelmann. 
Criado sob os preceitos da fé cristã no interior da Baviera, ele aprendera que a vida humana é sagrada, um sopro divino que jamais poderia ser tratado como descartável. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, ao ser enviado para a frente de batalha, durante a invasão da União Soviética em 1941, Michael se defrontou com o extermínio de civis.
Mulheres, idosos e crianças indefesas sendo conduzidos para valas abertas, executados sem qualquer julgamento. 
A alma do jovem oficial não suportou o peso do silêncio.
Abalado, ele escreveu à sua família, dizendo que as imagens daqueles inocentes ficariam gravadas em sua alma para sempre. 
-Não estamos lutando contra soldados. Estamos matando pessoas indefesas. Isto não é guerra. É um crime, denunciou ele a terrível hipocrisia de um regime de trevas, que promovia o ódio. 
Em março de 1942, enquanto se recuperava de um ferimento em um leito de hospital, Michael sentiu a imensa necessidade de desabafar. 
Abriu seu coração angustiado a um colega militar revelando sua repulsa pela guerra. 
Era alguém que ele acreditava partilhar da sua mesma luz e humanidade. 
A resposta a essa partilha foi a mais amarga das traições. 
O colega o denunciou aos superiores. 
A facada da delação o levou à prisão e a uma corte marcial. 
A traição de quem ele confiava o entregou ao pelotão de fuzilamento. 
Aguardando a execução, Michael manteve a coragem de defender a verdade, sabendo perfeitamente que isso custaria sua juventude e sua existência. 
Em 11 de junho de 1942, diante das armas que ceifariam sua vida física, ele fez uma última e belíssima escolha.
Em um ato de suprema elevação espiritual, perdoou o companheiro de armas que o havia traído. 
* * * 
A dor da traição é um profundo e assustador desamparo.
Quando aquele a quem entregamos as chaves do nosso santuário íntimo nos fere, o chão desaparece sob nossos pés.
E nos questionamos se os sorrisos compartilhados foram reais, se as palavras de afeto não passaram de falas ensaiadas. 
É uma dor que queima de forma silenciosa e solitária. 
O coração, antes um abrigo acolhedor, torna-se um palco de ecos dolorosos. 
Compreendamos que o punhal da deslealdade fala unicamente das mãos de quem o segura. 
A traição reflete a profunda imaturidade espiritual daquele que ainda não aprendeu a honrar o sagrado do outro. 
Por isso, não façamos do ressentimento a nossa estadia.
Redação do Momento Espírita, com fato da vida de Michael Kitzelmann, baseado em Bundesarchiv (Arquivo Federal da Alemanha), Gedenkstätte Deutscher Widerstand (Memorial da Resistência Alemã) e Volksbund Deutsche Kriegsgräberfürsorge (Comissão Alemã para Túmulos de Guerra) 
Em 05.10.2026

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

NOCESSIDADE DE MEDITAÇÃO

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
JOANNA DE ÂNGELIS
A meditação é recurso valioso para uma existência sadia e tranquila. 
Você medita? 
Caso sua resposta tenha sido não, é sempre tempo de começar. 
Através dela o homem adquire o conhecimento de si mesmo, penetrando na sua realidade íntima e descobrindo recursos que nele dormem inexplorados. 
Meditar significa reunir os fragmentos da emoção num todo harmonioso que elimina as fobias e ansiedades, liberando os sentimentos que aprisionam o indivíduo, impossibilitando-lhe o avanço para o progresso. 
As pressões e excitações do mundo agitado e competitivo, bem como as insatisfações e rebeldias íntimas, geram um campo de conflito na personalidade. 
Esse campo de conflito termina por enfermar o indivíduo que se sente desajustado. 
A meditação propõe a terapia de refazimento, conduzindo-o aos valores realmente legítimos pelos quais deve lutar. 
Não se faz necessária uma alienação da sociedade.
Tampouco a busca de fórmulas ou de práticas místicas ou a imposição de novos hábitos em substituição dos anteriores.
Algumas instruções singelas são úteis para quem deseje renovar as energias, reoxigenar as células da alma e revigorar as disposições otimistas. 
A respiração calma e profunda, em ritmo tranquilo, é fator essencial para o exercício da meditação. 
Logo após, o relaxamento dos músculos, eliminando os pontos de tensão nos espaços físicos e mentais, mediante a expulsão da ansiedade e da falta de confiança. 
Em seguida, manter-se sereno, imóvel quanto possível, fixando a mente em algo belo, superior e dinâmico. 
Algo como o ideal de felicidade, além dos limites e das impressões objetivas. 
Esse esforço torna-se uma valiosa tentativa de compreender a vida, descobrir o significado da existência, da natureza humana e da própria mente. 
Por esse processo, há uma identificação entre a criatura e o Criador, compreendendo-se, então, quem somos, por que e para que se vive.
Esse momento não deve ser interrogação do intelecto. É de silêncio. 
Não se trata de fugir da realidade objetiva mas de superá-la.
Não se persegue um alvo à frente.
Antes, se harmoniza o todo. 
O indivíduo, na sua totalidade, medita, realiza-se, libera-se da matéria, penetrando na faixa do mundo extrafísico.
* * * 
Crie o hábito da meditação, após as fadigas. 
Reserve alguns minutos ao dia para a meditação, para a paz que renova para outras lutas. 
Terminado o seu refazimento, ore e agradeça a Deus a bênção da vida, permanecendo disposto para a conquista dos degraus de ascensão que deve galgar com otimismo e vigor.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16, do Livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 06.01.2016.

domingo, 4 de outubro de 2026

NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Quando o homem se aproxima do Evangelho são muitas as perguntas que passa a se fazer. 
Por vezes, a consciência lhe diz que deve tomar certas atitudes e abrir mão de outras. 
Em certos momentos, a mensagem parece estabelecer conflitos com a realidade que vive. 
Tal se dá, por exemplo, no que diz respeito ao que seja necessário ou supérfluo. 
Qual será o ponto exato em que termina um e começa o outro? 
Viajar será supérfluo? 
Possuir vários calçados e roupas será errado? 
Permitir-se o lazer e gastar algum dinheiro com ele será supérfluo? 
Lembramo-nos de Madre Teresa de Calcutá. 
Ao ser convidada a receber o Prêmio Nobel a que fez jus, ela pediu permissão para dispensar o banquete, pois preferia que a importância a que seria gasta com ele lhe fosse dada para os seus pobres. 
Afirmou, então, que duas colheres de arroz eram suficientes para sua alimentação. 
Para vestir-se, dois sarís era o que tinha.
Para sua mente, estava bem claro o que lhe era necessário e o que considerava supérfluo. 
Convenhamos, entretanto, que necessitamos nos apresentar de acordo com as funções e a profissão que exercemos.
Dependendo da profissão, não será supérfluo manter um guarda-roupa razoável, que nos permita comparecer aos locais com a vestimenta adequada, se isso for necessário.
Supérflua será a ostentação vaidosa de trajes e grifes. Alimentarmo-nos é necessário e cada um de nós tem sua cota estabelecida pelo seu próprio organismo. 
Ele nos diz o limite do necessário. 
Quando desvirtuamos as nossas necessidades alimentares, permitindo-nos a gula, criamos necessidades artificiais e caímos no supérfluo. 
Talvez uma boa medida do necessário e do supérfluo possa nos ser dada pelo nosso guarda-roupa. 
Quando as roupas forem tantas que o armário já não as consiga guardar, quando ao abrirmos as suas portas caem várias peças, pois que não há mais espaço para as ajeitar, eis o supérfluo. 
Quando o mofo e as traças se apoderam dos nossos guardados, estão dizendo que há supérfluos pois se a necessidade ditasse o uso, calçados, bolsas, roupas não permaneceriam o tempo suficiente em gavetas e armários para servirem de alimento a traças e sofrerem a ação continuada da umidade. 
O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. 
Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. 
Desenvolvamos em nós o senso moral e o sentimento de caridade que nos permitem o acerto, repartindo o que sobra com quem tem pouco ou nada tem. 
Você sabia... ...que a busca do bem-estar pelo homem é um desejo natural? 
E que a procura do bem-estar só é indevida se esse for conquistado às custas de alguém ou colaborar para o enfraquecimento das forças físicas ou morais do homem?
O maior mérito para o homem é fazer o bem aos outros.
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.12.2012.

sábado, 3 de outubro de 2026

NECESSÁRIA ESPERANÇA

André Comte Sponville
Você se considera alguém esperançoso? 
Você acha importante ter esperança na vida? 
Em que você tem esperança?
Curiosamente, alguns pensadores consideram-na uma ameaça. 
André Comte Sponville, filósofo moderno, afirma que a esperança deseja e teme um futuro que ainda não é, que talvez nunca seja, mas que a tortura com sua ausência. 
Para ele, nessa esperança que dizemos cultivar, há ainda muita incerteza e angústia, pois não se sabe realmente se aquilo vai ou não acontecer, se vamos ou não conseguir alcançar o que intentamos. 
É como se nos auto-enganássemos, querendo revestir de um sentimento de prazer, de alegria, um esperar que, no fundo, é totalmente incerto. 
Nietzsche é categórico, nesse sentido, dizendo que a esperança prolonga o sofrimento, por isso seria o pior dos males. 
Desconsiderando a dose extra de pessimismo nas palavras do filósofo alemão, verificaremos que há muita verdade em seu dizer. 
Se colocarmos sob observação o que entendemos por esperança, e a forma com que muitos ainda a cultivamos no mundo, veremos que todos estão certos em combatê-la. 
A esperança vulgar, do simples esperar comodista, estático, engessado, quase sempre é grande mal para o Espírito nas vias do progresso. 
Quantos dizem: 
-Tenho esperança de conseguir uma vida melhor!... 
Mas não movem um dedo sequer na direção desse sonho.
Quantos afirmam, suspirando: 
-Tenho esperança de que o mundo vai tomar jeito... 
Mas não são capazes de enxergar que está na sua modificação íntima o tal jeito do mundo. 
Quantos têm esperança de conseguir isto ou aquilo, mas não entendem que precisam fazer por merecer tais conquistas. 
Ter esperança não é esperar, simplesmente, pois a esperança verdadeira é virtude, é perfeição da alma. 
Por ser virtude, é força ativa, atuante, e não desejo vago paralisante. 
Na verdadeira esperança não há insegurança, e sim, apenas a confiança plena de que tudo acabará bem, independente do que for acontecer. 
Essa segurança é dada pela confiança nas Leis Divinas, perfeitas, que regem o Universo de forma magnificamente precisa. 
Na verdadeira esperança não há a angústia da expectativa.
Ela é substituída pela alegria, pela tranqüilidade de quem espera com confiança. 
* * * 
Quando o indivíduo se encontra na encruzilhada de decisões importantes, é a esperança que o estimula à seleção do caminho a seguir. 
Quando os céus se apresentam borrascosos e ameaçadores, é a esperança que anuncia a claridade vitoriosa que logo mais chegará.
Quando as dificuldades aturdem e as perspectivas de êxito fazem-se mais remotas ou impossíveis, é a esperança que propõe novos tentames, a fim de que tudo se modifique.
Quando a morte domina, arrebatando os seres queridos da convivência física e deixando uma lacuna quase impreenchível, é a esperança do reencontro que alenta no prosseguimento da marcha. 
Redação do Momento Espírita com citações do cap. Gratidão, do livro Pequeno tratado das grandes virtudes, de André Comte Sponville, ed. Martins Fontes e do cap. 25 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Angelis, ed. Leal. 
Em 06.11.2008.