quarta-feira, 21 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE REFORMA

Vivemos tempos tormentosos. 
Há guerras em várias partes do Mundo. 
Em nosso país, o cenário político e social é desolador. 
Entre denúncias de corrupção e de venalidade, resta pouca fé nos homens públicos. 
A impunidade instiga novos desmandos. 
O povo se mira nas figuras eminentes e acredita encontrar no comportamento dessas, justificativa para seus próprios equívocos. 
Levar vantagem parece um objetivo que se generaliza pelo corpo social, a tal ponto que a idéia do sucesso como resultado de um esforço continuado e metódico torna-se pouco sedutora. 
O famoso “jeitinho brasileiro” não mais significa criatividade, mas apenas esperteza e falta de caráter.
A História fornece inúmeros exemplos de civilizações que se corromperam e de como isso causou sofrimento aos seus integrantes. 
Em Roma, no período de transição entre a República e o Império, os costumes e os valores degeneraram. 
O filósofo e jurista Marco Túlio Cícero era profundamente angustiado com esse estado de coisas. 
Ele deixou inúmeros escritos que denotam sua preocupação com a corrupção que invadia a vida pública romana. 
Cícero se preocupava com medidas populistas freqüentemente adotadas pelos governantes. 
Tais medidas atendiam a caprichos da multidão, mas sem educá-la ou destiná-la a trabalho útil. 
Quem trabalhava era fortemente tributado, a fim de que largos benefícios fossem concedidos pelo Estado, sem qualquer critério razoável. 
Era, já naqueles tempos, a prática do assistencialismo, às custas dos contribuintes. 
Mas o que mais indignava Cícero era a corrupção e a troca de favores envolvendo o dinheiro público. 
Ao refletir sobre os valores fraternos, afirmou:
-“Estabeleçamos, pois, como lei primeira da amizade, não pedir nem conceder nada de vergonhoso. É uma desculpa indigna de ser admitida em qualquer pecado, e principalmente naqueles cometidos contra o Estado, confessar que se agiu por um amigo.” 
Bem se percebe a semelhança com a situação brasileira atual, pois ainda vivemos sob o regime do compadrio: o dinheiro público é rateado entre alguns, como se particular fosse.
Aproximadamente dois milênios nos separam da crise vivida pelo Mundo Romano, que provocou sua desarticulação.
Nesse período, a Humanidade evoluiu muito, sob os prismas intelectual e científico. 
Mas, embora alguns avanços, permanece titubeante, no que tange à moralidade. 
Na verdade, todos sofrem em razão da falta de ética. 
São inúmeros os prejuízos oriundos da torpeza generalizada.
Um deles é o aumento dos preços de produtos e serviços, causado pela inadimplência: os comerciantes computam em seus custos e, conseqüentemente, nos preços que praticam, um percentual destinado a fazer frente aos calotes que ordinariamente sofrem. 
Se todos tivessem o hábito de pagar regularmente as próprias contas, isso não ocorreria. 
Por outro lado, o desvio do dinheiro público dificulta a construção de creches, escolas e hospitais. 
Sem uma estrutura adequada de serviços básicos, a vida da população, especialmente de baixa renda, torna-se mais difícil. 
Como decorrência, cresce o número de desesperados e revoltados, a insegurança e a violência se alastram, em prejuízo de todos, ricos ou pobres. 
* * * 
O progresso intelectual é precioso, mas por si só não garante a paz. 
Se queremos viver em um mundo melhor, mais harmonioso, importa aprimoremos a moralidade. 
É imperioso um esforço em promover uma profunda reforma ética. 
Como toda mudança começa no indivíduo, para que a sociedade melhore, cada um deve esforçar-se em se aprimorar. 
Torna-se imperativa a adoção de novos hábitos: chega de levar vantagem, de fugir dos próprios deveres; basta de mentir, fraudar, sonegar e trair. 
O patrimônio público é sagrado e todos são responsáveis por ele. 
O dinheiro público não existe para ser apropriado por alguns, mas para atender demandas relevantes da coletividade. Impõe-se a severa fiscalização de sua utilização, como o cumprimento de um dever. 
Quando formarmos uma sociedade consciente e cumpridora de seus deveres, apenas por isso já desfrutaremos de grande tranqüilidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Diálogo sobre a Amizade, de Marco Túlio Cícero, ed. Cultura Moderna Sociedade. 
Em 02.01.2008.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

NOSSO SISTEMA AVANÇADO DE PROTEÇÃO

Você já ouviu falar em sistema avançado de proteção ao motorista? 
Os veículos mais modernos são equipados com uma tecnologia impressionante, que proporciona uma vigilância constante e minuciosa. 
Exemplos disso são o detector de fadiga e o assistente de frenagem. 
O monitor de fadiga atenta para pequenos sinais no motorista: o piscar mais lento, o olhar que se desvia, a cabeça que pende. 
Ele não interfere na direção.
Apenas observa e emite um alerta discreto quando percebe que o condutor se afasta do caminho natural. 
Essa presença discreta não toma o controle, respeitando a decisão e a vontade de quem dirige. 
Já o sistema anticolisão age no momento crítico, quando o risco está diante dos olhos e o tempo de reação humana não é suficiente. 
Nesse instante, a tecnologia intervém, evitando o choque sem substituir totalmente a vontade de quem dirige. 
Esses sistemas desempenham um papel de vigilância muito parecido com o dos nossos Espíritos protetores. 
Juntos, os dois sistemas compõem uma guarda em duas camadas: um que previne, alertando cedo, e outro que socorre, agindo no limite. 
A Doutrina Espírita revela que essa vigilância ininterrupta é feita por seres que nunca se cansam e perseveram ao nosso lado em toda circunstância. 
Como nos ensina Allan Kardec, todos temos ligado a nós, desde o nascimento, um Espírito bom que nos tomou sob a sua proteção. 
Ele desempenha a missão de um pai para com o filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso através das provas da vida. 
Esse companheiro desvelado nos acompanha desde o início, inspirando e guiando a nossa jornada. 
Como o detector de fadiga, o nosso anjo guardião age na primeira camada da prevenção, através do silencioso caminho da intuição. 
Ele sussurra avisos à consciência e nos inspira quando o cansaço da alma ameaça nos desviar do caminho. 
Porém, com respeito à nossa liberdade, ele jamais se impõe. Apenas alerta e inspira, deixando que a decisão seja nossa. 
E se acabamos tropeçando nas horas de tempestade? 
Se as nossas forças se esgotam e a queda parece inevitável?
É aí que entra a segunda camada de proteção.
Ele respeita nossas escolhas. 
Como bom professor, entende a importância das lições da queda, e nos atende de outra maneira. 
Atua no consolo, na recuperação, buscando facilitar o entendimento daquela prova para que extraiamos dela o melhor possível. 
É eles que nos diz ao pé da cama, em nossos sonhos: Fique tranquilo, você não está sozinho. 
Estou com você. 
Conversar com esse amigo pela prece é o melhor meio de acionar esse maravilhoso sistema de defesa da alma. 
 A oração atrai essa influência salutar que dissipa as angústias e recarrega as energias para o amanhã. 
Sós, realmente sós, nunca estaremos, pois estamos abraçados por esse guardião que Deus colocou ao nosso lado. 
Valorizemos essa companhia celeste, escutemos o nosso protetor e sigamos seu rumo com a certeza de que Deus nos cuida, assim como cuida de todos, como Pai de infinito amor pelos filhos a quem concedeu a vida. 
Redação do Momento Espírita com base na pt. 2, cap. IX, q. 489 a 521 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 20.10.2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

NECESSIDADE OU DESEJOS?

Você, que é pai ou educador, já deve ter ficado em dúvida, alguma vez, quanto às verdadeiras necessidades do seu educando.
Já deve ter se perguntado se deve atender a todos os desejos de seu filho, ou só às necessidades. 
Mas, afinal de contas, como distinguir as reais necessidades dos desejos caprichosos das crianças?
Aqui vão algumas dicas que podem ser úteis na hora da decisão: 
Comer, por exemplo, é uma necessidade. Mas, comer chocolate em vez de almoçar é um desejo que a criança tem e que não deve ser atendido para não criar problemas de saúde. 
Beber é uma necessidade. Mas, beber apenas refrigerante é um capricho prejudicial.
Brincar também é uma necessidade de qualquer criança. No entanto, brincar com o novo aparelho de som do pai ou da mãe, ou com o computador, já é outra questão. 
Dormir é necessidade básica. Mas, dormir em vez de ir para a escola, e ficar até tarde navegando na Internet, jogando vídeo game ou assistindo televisão, é outra história. 
Vestir-se confortavelmente e de acordo com o clima é necessário Mas, exigir roupas de determinada grife é mero capricho. 
Descansar após um ano de estudos e dedicação faz parte das necessidades físicas do ser humano. Mas, exigir viagens para este ou àquele lugar por passar de ano, é apenas desejo.
Carinho e afeto também são necessidades básicas do ser. Mas, exigir atenção exclusiva a todo momento é um desejo que não deve ser atendido quando se quer educar. 
Assim, cabe aos pais e educadores decidir se devem ou não atender alguns desejos da criança, levando sempre em conta as possibilidades financeiras e as oportunidades de educar.
Se nosso filho tem várias calças, por exemplo, mas quer mais uma para a sua coleção, devemos ponderar a respeito de comprar para que ele não nos importune, ou aproveitar a oportunidade para orientá-lo sobre os inconvenientes do consumismo. 
Se ele deseja receber uma viagem como prêmio por ter passado de ano, podemos optar por apenas satisfazer-lhe o desejo ou conversar sobre o assunto, de maneira a deixar claro que só consentimos porque ele foi um bom aluno e cumpriu com as suas obrigações junto ao lar e à família, mas que isso não se tornará regra.
O importante é ter sempre em mente que nosso filho precisa aprender a viver com limites e disciplina. 
Importante, também, é ensinar-lhe que nem tudo o que ele deseja ele pode ou deve ter, mesmo que tenhamos condições de atender. 
Criança que tem tudo o que quer é grande candidata à delinquência. 
Suprir suas necessidades de afeto e atenção é medida salutar, mas se deixar levar pelas exigências movidas pelo ciúme e pelo desejo de posse, é altamente prejudicial na formação do caráter da criança. 
Algumas crianças são extremamente inseguras e, por essa razão, desejam atenção exclusiva para si. 
Pais atentos na educação vão colocando limites e contendo os exageros. 
Por todas essas razões e outras mais é preciso estar sempre atento para as oportunidades de dar aos filhos uma educação baseada no amor e também na razão e no bom senso. 
* * * 
O verdadeiro amor não é permissivo, é exigente e visa o crescimento do ser amado. 
Em matéria de filhos, é preciso avaliar muito bem o que é melhor para cada um, pois nem sempre o que eles desejam os fará crescer e se tornar homens de bem. 
Quem ama, educa. 
E quem educa bem, salva. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no livro Limites sem traumas, de Tânia Zagury, ed. Record.
Em 16.11.2010.

domingo, 18 de outubro de 2026

A DOR DA AUSÊNCIA

A dor da ausência costuma ter o peso dos momentos que deixamos de conviver. 
Quando alguém que amamos parte para a pátria espiritual, a casa da alma silencia e o pranto revela o amargo sabor do arrependimento. 
É o choro doloroso de quem teve a oportunidade preciosa de compartilhar coisas belíssimas com aquele afeto, mas permitiu que a iludida correria dos dias roubasse o tempo que não mais voltará. 
Quantas vezes o convite feito em forma de um sorriso entusiasmado para mais uma viagem pelas estradas poeirentas teve como resposta a negativa? 
Furtamo-nos a seguir ao seu lado por caminhos simples, perdendo a alegria de admirar, em sua companhia, o espetáculo sem igual do pôr do sol.
Ou um céu coalhado de estrelas no meio do campo, longe das luzes da cidade. 
Deixamos de contemplar juntos a linha indefinida do horizonte, lá onde as montanhas parecem agulhas desejando espetar o céu azul. 
Uma poesia tão diferente da praia, onde o horizonte é definido com clareza e precisão pelo encontro entre o céu e o mar. 
Na praia, a vastidão é um traço contínuo. Na montanha, é o desejo da Terra em tocar o divino. 
Como teria sido abençoado testemunhar esse toque de mãos dadas! 
Agora, restam os ecos das ligações telefônicas, das mensagens de whats e o brilho frio das fotos no celular. Imagens de lugares maravilhosos que ele visitou, paisagens que ele admirou e que observamos com os olhos marejados, desejando haver estado lá para compartilhar o mesmo encanto. 
A Doutrina Espírita nos consola ao ensinar que a morte não é o fim, mas apenas uma mudança de endereço da alma.
Aquele que partiu continua vivo em outra dimensão e não está insensível aos nossos sentimentos. 
Por isso, o remorso não deve se transformar em uma algema que paralisa o coração, mas em um convite ao despertamento espiritual. 
Se a oportunidade de caminhar juntos na matéria passou, o tempo do amor e da comunhão permanece intocado. 
O arrependimento sincero pode se converter na prece afetuosa do hoje. 
O pensamento, fluido intangível da alma, atravessa as dimensões e alcança o ser amado onde quer que ele esteja, envolvendo-o em um abraço de paz e pedido de perdão. 
Que as lágrimas trazidas pela saudade nos ensinem a não mais adiar a convivência com aqueles que ainda caminham conosco. 
Que desaceleremos os passos, aceitemos os convites e jamais recusemos a chance de contemplar belezas ao lado de quem amamos. 
Olhemos ao nosso redor e desfrutemos cada minuto precioso da vida com nossos amados. 
Aprendamos a eleger o primordial, o mais importante. 
Um entrelaçar de mãos, um repousar a cabeça no ombro do outro, o acompanhar os esforços de quem deseja se laurear nas ciências, nas artes, ou em algum torneio esportivo.
Estejamos presentes, sorrindo, torcendo, gritando o nome amado para que saiba que estamos vibrando. 
Que deixamos os afazeres de sempre para estar ali. 
Porque ele, filho, cônjuge, amigo é importante. 
Muito importante para nosso coração. 
Não deixemos para falar sobre lápides frias ou em despedidas tristes. 
Este é o melhor dia para estar com quem amamos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.10.2026

sábado, 17 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE PERDOAR

Imaginemos a seguinte situação: uma criança é mandada para a escola e seus pais não admitem que ela erre. 
Exigem sempre a nota máxima e a perfeição nas ações e no aprendizado. 
Não concordam, em hipótese alguma, que seu filho possa errar. 
E fazem cobranças intensas e constantes a esse respeito.
Vendo tal situação, o que pensaríamos? 
Fatalmente não concordaríamos com atitude tão drástica. 
Ao educarmos, percebemos que o erro faz parte do processo de aprendizagem, permitindo a reflexão, a análise e o refazer da ação. 
Dessa forma, qualquer um que não tenha a possibilidade de errar, encontraria grandes dificuldades em aprender. 
Não que devamos ser permissivos com o erro, mas entendendo-o como processo natural de aprendizagem. 
* * * 
Assim como a criança na escola, estamos todos nós sob constante aprendizado em nossa vida. 
Não somos desafiados apenas intelectualmente, mas temos, em grande monta, lições de aprendizado emocional e moral.
Lições especialmente concretizadas nas oportunidades de relacionamento humano. 
Quando nos dispomos a nos relacionar, estamos nos oportunizando o aprendizado de novos valores e capacidades pessoais. 
É natural que essa vida de relação, a vida em sociedade, apresente dificuldades e problemas. 
Afinal, todos estamos aprendendo. 
Portanto, não podemos esperar dos outros que, a todo momento e em toda situação, ajam da melhor forma possível, da maneira mais adequada. 
Eles agirão conforme os valores e capacidades adquiridas ou que desenvolveram no seu mundo íntimo. 
Dessa forma analisando, percebemos que todos somos factíveis a erros e tropeços no relacionamento com o próximo; que esses erros são naturais no processo de aprendizado.
Afinal, é compreensível que pessoas ainda imperfeitas, nas suas capacidades e valores, gerem relacionamentos imperfeitos. 
Então, ao nos depararmos com essa ou aquela pessoa agindo de maneira equivocada, posicionando-se de um modo que não concordamos, não podemos esquecer que ela também está aprendendo. 
Cada um de nós oferece aquilo que dispõe em seu mundo interior, nada além disso. 
Por isso, se alguém agiu de maneira errônea conosco, pensemos sobre a possibilidade de perdão. 
Muitos de nossos erros não são nem pautados na maldade, mas apenas na limitação de nossas capacidades. 
Ao olharmos o próximo com essa compreensão, ao utilizarmos as lentes da benevolência para com ele, estaremos construindo um atalho para o entendimento que nos levará mais facilmente ao perdão. 
Aquele que hoje erra, amanhã, inevitavelmente, arcará com suas ações. 
Por outro lado, quem perdoa, evitará carregar pesado fardo ao longo de seu caminhar. 
Afinal, o coração que não sabe perdoar, sempre estará pesado. 
Colecionará mágoas, frases mal colocadas, situações problemáticas, ações infelizes, que nada contribuirão para sua felicidade. 
Ao perdoar, tudo isso sairá de nosso coração, abrindo espaço para sentimentos e valores mais nobres, valiosos e úteis, para o aprendizado de que nós mesmos temos necessidade.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 21.02.2013.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

PODEMOS CHORAR

Pâmela Magalhães
Numa sessão de terapia o paciente confessa sua incapacidade de chorar. 
Ele associa o choro à fraqueza. 
Tem medo de se mostrar frágil diante das pessoas.
A resposta da terapeuta é de uma doçura extraordinária, lembrando-o de que todos somos vulneráveis e que essa vulnerabilidade é transformadora. 
Quando choramos é como se a nossa emoção abraçasse a do outro, tornando-nos mais fortes porque, no encontro dessas águas, nos transformamos em oceano. 
O choro é o que hidrata a alma, mostrando que somos fortes o suficiente para olhar aquilo que nos toca, reconhecer o sentimento e perceber que o que mexe conosco nos mistura com o melhor de nós mesmos.
Isso nos fala um pouco sobre o ego iludido, essa tendência humana de usar máscaras sociais para esconder conflitos internos e aparentar uma felicidade que não corresponde à nossa verdade. 
Construímos uma fachada de bem-estar com bases muito instáveis, e quando essa estrutura desmorona, o resultado são angústias reprimidas e uma agressividade que transferimos para os outros. 
Mascaramos nossas inseguranças fiscalizando rigidamente a conduta alheia ou racionalizando demais os nossos erros.
Esse comportamento cobra um preço altíssimo da nossa saúde. 
Como adverte um benfeitor espiritual: 
-A saúde procede da harmonia mental, orgânica e do ajustamento social. 
Constituído pela energia do Espírito, qualquer distonia que nos perturbe abre caminho para enfermidades no corpo físico.
Escravos da mente, transitamos do cárcere à liberdade conforme direcionamos nossas energias. 
A insegurança gera medo e ansiedade, que, muitas vezes, confundimos com as ambições do ego. 
A angústia cultivada é semelhante a uma espessa carga tóxica que aspiramos lentamente, envenenando o coração com tristeza injustificável. 
O rancor acumulado vira um verdadeiro entulho psíquico que causa profundos danos emocionais. 
A vida impõe a necessidade de uma catarse libertadora para eliminar as sequelas do insucesso e limpar a nossa mente. 
O choro genuíno é essa catarse natural que hidrata a alma e nos purifica por dentro. 
Se desejamos conquistar o equilíbrio real, precisamos ter a coragem de abandonar a postura de juiz da vida alheia e deixar cair as nossas próprias defesas. 
Só nos sentimos verdadeiramente bem ao lado de pessoas que nos conhecem de fato, o que exige a coragem de nos permitirmos ser vistos com nossas fragilidades, erros e imperfeições. 
Portanto, nos permitamos retirar as máscaras e dobrar as armaduras do orgulho. 
Choremos sem medo quando a nossa emoção for tocada. Choremos de alegria quando nos sentirmos assim. Choremos quando uma lembrança significativa tocar os sentimentos. Choremos de tristeza e nos permitamos momentos a sós com nossas lágrimas. 
Evitemos as expressões: 
-Você não precisa chorar! Ou, não chore! 
Quando estivermos acolhendo a dor de alguém. 
Permitamos que o outro se expresse no choro e comecemos a perceber como esse hábito é saudável e natural. 
Podemos chorar... Aprendamos com as nossas emoções, com nossas alegrias e dores e reconquistemos a verdadeira saúde espiritual.
Redação do Momento Espírita com base em vídeo de Pamela Magalhães (@psipamela), no cap. 7 do livro O ser consciente e no cap. 17, do livro Momentos de saúde, ambos do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 15.10.2026

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE ORAR

AMÉLIA RODRIGUES(Espírito)
DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
A Sua voz, há pouco, terminara de envolver os homens nas esperanças e consolações do soberano código das Bem-aventuranças. 
O odor de santidade e o vigor da sabedoria, decorrentes da Sua magistral lição, ainda envolviam os ouvintes, quando Seus discípulos Dele se acercaram e um deles, comovido, interessado em compreendê-lO, interrogou: 
-Senhor, por que orais tanto? Sempre quando terminadas as tarefas, por que buscais o silêncio e penetrais na oração?
Havia sadia curiosidade no questionamento do discípulo devotado. 
Relanceando o olhar em torno, e aplaudido pela musicalidade da natureza em festa, 
Ele respondeu: 
-A alma tem necessidade da oração, mais do que o corpo tem necessidade de pão. Orar é buscar Deus, pedindo Seu auxílio, para absorver resistências nos Seus recursos divinos. 
O diálogo salutar prosseguiu e, mais à frente, surgiu novo questionamento por parte dos discípulos: 
-Mesmo vós - perguntou novamente o amigo - que sois o caminho para o Pai e o Seu Messias para a humanidade, tendes necessidade de orar? 
A resposta do Mestre foi doce e poética: 
-A chama que ilumina gasta o combustível que a sustenta, e a chuva que irriga o solo retorna à nuvem de onde provém.
* * * 
Jesus, a chama maior que já esteve entre nós, compreendia com perfeição a necessidade da conversa com o Criador, a necessidade deste contato constante com as esferas superiores. 
A prece é o alimento do Espírito, desse ser imortal criado por amor e para amar. 
A sintonia com as regiões mais elevadas nos confere novas energias, novo combustível, envolvendo-nos em vibrações de ânimo, de consolo, fazendo-nos mais fortes para enfrentar os nossos dias. 
No ato de louvor devemos expressar carinho e reconhecimento, fluindo de nosso ser, de modo a produzir uma sintonia, mediante a qual transmitimos os sentimentos de exaltação do bem. 
Quando pedimos, devemos colocar a Deus as reais necessidades de nossa alma, de modo que as solicitações não constituam uma imposição apaixonada, ou um capricho que não merece consideração. 
E, finalmente, quando confiamos e agradecemos, é necessário o nosso reconhecimento por tudo aquilo que recebemos, muitas vezes até sem perceber. 
Confiar na sabedoria Divina, em Seus desígnios, faz com que tenhamos fé, esta certeza íntima de que tudo sempre acontecerá para o nosso bem e que, no comando das Leis, da justiça do Universo, está o Pai soberanamente justo e bom. 
* * * 
Quando feitas de coração, todas as nossas preces recebem resposta. Raramente percebemos, mas a Providência Divina tem formas muito diversas de entrar em contato conosco. 
A resposta que buscamos pode estar na conversa com um amigo, nas linhas de um livro que manuseamos por acaso, nas lições de uma palestra, nos relatos trazidos por um filme, nos sonhos à primeira vista incompreensíveis, nas coincidências da vida que nos fazem parar por alguns instantes para pensar. 
Deus, como Pai amoroso, jamais deixaria Seus filhos sem respostas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro Trigo de Deus, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 28.09.2011.