sexta-feira, 10 de julho de 2026

NÃO HÁ MAIS TEMPO A PERDER

Quando paramos para refletir sobre os valores da nossa sociedade atual, vemos as enormes ondas do materialismo em todas as camadas sociais. 
As noções básicas de dignidade foram quase totalmente abandonadas a pretexto de uma falsa liberdade. 
As guerras possibilitam fortunas acumuladas sobre cadáveres de inocentes. 
Falar a respeito de Deus é visto com maus olhos. 
A hipocrisia é maior do que a justiça.
No coração de muitos esfriou o amor. 
Facilmente concluímos que estes são os tempos preditos desde há muito. 
Tempos em que os trabalhadores da última hora são chamados ao labor, sem tardança. 
Em que o joio será separado do trigo, e toda planta que o Pai Celestial não plantou será arrancada e lançada fora. 
Essas imagens fortes nos convidam à reflexão. 
Muitos ainda permanecemos em consciência de sono, nos atendo apenas às nossas funções orgânicas, como o alimento para o corpo, o sono reparador e a satisfação dos prazeres.
Corremos do trabalho para o lazer, e de novo para o trabalho, num círculo vicioso. 
Utilizamos nosso tempo cuidando das coisas que exaltam o nosso ego, esquecendo de cuidar do eu verdadeiro, nosso Espírito imortal. 
Deixamos de levar em conta que, após havermos percorrido nosso tempo na presente vida, somente restará o Espírito que nunca morre. 
É tempo de nos perguntarmos para onde estamos sendo levados, nessa ânsia das coisas materiais. 
Estamos cheios das coisas do mundo e vazios das coisas da Espiritualidade. 
Parecemo-nos com Marta, aquela da passagem evangélica, preocupados em arrumar a casa, preparar o alimento, guardar dinheiro para adquirir mais bens. 
Naturalmente, não estamos sugerindo que abandonemos o trabalho, os quefazeres de nossa responsabilidade. 
Ou que deixemos de viver no mundo e nos isolemos em algum local, longe de todos, em busca da conexão com o Criador. 
Apenas pensemos em nosso viver, que pode até mesmo contemplar as frivolidades de cada dia, mas com um sentimento de pureza que as possa santificar. 
Isso significa darmos sentido à nossa vida. 
Honrar o dia com nosso trabalho, que engrandece o mundo e aprimora nosso intelecto. 
Entretanto, dedicarmos um espaço para pensar na essência que somos, aquela que sobreviverá à transitoriedade das coisas. 
Como recomenda um benfeitor espiritual: impor silêncio aos ciúmes e às discórdias para que não sejamos promotores de desgraças. 
E nos dispormos a realizar alguma coisa em benefício do outro. 
Pode ser algo que alimente ou aqueça o corpo, ou algo que lhe fortaleça a alma.
Nem só de pão vive o homem, disse Jesus. 
E lembramos que o ser humano precisa do pão da alma, do carinho de um irmão, de um abraço afetuoso, para se sentir minimamente feliz. 
Nós mesmos não podemos viver na aridez dos sentimentos, como quem se encontra em um deserto de homens, sem nenhum oásis à vista. 
Não há mais tempo a perder. 
As guerras, as doenças, os desastres naturais, tudo nos convoca, todos os dias, a pensar no amanhã imortal.
Aprontemos nossa bagagem com coisas positivas, ações beneméritas, pacificação interior. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XX, item 5 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 09.12.2023.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

NOSSAS INCOERÊNCIAS

RAUL TEIXEIRA
Muitas vezes, em nossas preces silenciosas ou no recolhimento do lar, elevamos o pensamento a Deus com um pedido recorrente: a saúde. 
É comum dizermos que, se o Criador nos conceder o bem-estar do corpo, o restante nós mesmos resolveremos.
Brindados com a saúde do corpo, acreditamos que poderemos trabalhar com honra para o sustento, estudar para iluminar a inteligência e guiar nossos filhos pelas veredas do bem. 
É um discurso bonito e, em sua essência, sincero. 
No entanto, compete-nos considerar se há coerência entre o que pedimos e nosso proceder. 
Por vezes, rogamos pela saúde ao mesmo tempo que agredimos nosso organismo com excessos à mesa ou nos entregando a vícios, como o tabaco, com suas dezenas de itens nocivos. 
Pedimos a bênção do equilíbrio enquanto nos permitimos o uso de alcoólicos que, naturalmente, nos desequilibrarão física e emocionalmente. 
Não raro, criamos problemas que transbordam para o ambiente doméstico, afetando aqueles que amamos por puro descontrole emocional. 
Nosso corpo físico é nosso instrumento precioso de trabalho nesta escola terrena. 
Mais do que isso, trata-se de uma obra-prima da engenharia divina, cedida por empréstimo para que nos alcemos para a luz. 
Quando o prejudicamos, criamos transtornos que poderão ser passageiros ou se instalar como doenças insidiosas. 
Da mesma forma, é habitual pedirmos paz. 
E Deus, em Sua bondade infinita, sempre a envia para nós.
Contudo, a conservação dessa paz em nosso íntimo é tarefa que nos cabe. 
A paz não é um estado estático que recebemos de fora, mas uma construção diária que exige o controle de nossas reações impulsivas, a disciplina de não agir impensadamente. 
Também o cuidado com as palavras agressivas que, uma vez lançadas, semeiam má vontade em nosso caminho. 
Como a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto, se oferecemos ofensas, colheremos, em algum momento, os frutos amargos, reflexo da nossa própria semeadura. 
Jesus, o Mestre por excelência, ensinou-nos que aquele que não é fiel no pouco, não conseguirá ser fiel no muito. 
É de nos indagarmos como poderemos gerir nosso destino se negligenciamos o cuidado com o nosso corpo, com nossas atitudes e com nossas ações mais simples. 
É indispensável um ajuste de rota. 
Precisamos nos libertar do que é supérfluo, daquilo que não promove o nosso bem-estar. 
Antes de nos deixarmos vencer por hábitos destruidores ou por atitudes que esfacelam nossa paz interior, vale o questionamento: 
-Para que isso me serve? 
Ao buscarmos o melhor para nós mesmos através da disciplina e do autocontrole, nossa oração ganhará uma nova força. 
Então, quando suplicarmos por saúde, equilíbrio e paz, a resposta será o suave abraço da Divindade, duplicando e consolidando tudo o que, com esforço e dedicação, estamos ensaiando dentro de nós. 
E seremos, na Terra, o reflexo de um Espírito que compreendeu que viver com equilíbrio é a forma mais bela de dizer: 
-Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no curta Por que somos incoerentes?, de Raul Teixeira, disponível no @canalfep. 
Em 09.07.2026

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NÃO HÁ MAIOR ABISMO QUE O SILÊNCIO

AUGUSTO CURY
Entre pais e filhos não há maior abismo que o silêncio. 
O silêncio da indiferença, do esquecimento, da mágoa...
Silêncios que têm início na infância, talvez até antes do nascimento, quando os pais não consideram que ali, no ventre da mãe, já existe um ser. 
Embora aquele novo corpo físico ainda esteja em elaboração, ligado a ele, desde a concepção, já está o Espírito reencarnante. 
Assim, toda vida psíquica e comportamental da mãe, e também do pai, terá muita influência sobre o feto. 
A alma que regressa não está consciente, mas sente se é querida ou não, se há equilíbrio no lar ou não, se realmente terá um lar ou não... 
Desta forma, é importante conversar, desde esses primeiros momentos, com o bebê que irá nascer. 
Dizer a ele que é amado; que os pais irão preparar um lar onde reinará o carinho, a compreensão; que estão cientes da missão que estão recebendo e vão se esforçar para serem bem sucedidos. 
Os carinhos na barriga, os beijos suaves, as canções de ninar jamais serão esquecidos pelo Espírito, que cada dia se sentirá mais seguro em voltar ao palco terrestre. 
Os estímulos que podemos produzir por vezes são tão fortes, que presenciaremos vários casos em que há resposta.
O bebê se mexe, chuta, dá cambalhotas, como se quisesse dizer alguma coisa. 
Estudos mostram que, depois de nascida, a criança reconhece sons, música e vozes ouvidos no período da gestação. 
Assim, podemos entender que no útero materno não há silêncio, há vida. 
Vida que começou na concepção, e talvez até antes, se considerarmos o planejamento reencarnatório, o encontro com os futuros pais no mundo espiritual, os planos, os sonhos...
Não há espaço para o silêncio na família.
O hábito do diálogo, o hábito de se envolver com a vida do outro, da empatia, começa na gestação. 
Os pais podem iniciar o processo educacional do seu filho ainda no ventre, de modo desajustado ou feliz, pelos tipos e vida íntima que escolham. 
Pelos hábitos sociais e alimentares que adotem, enfim, pelas descargas de vida ou de morte que façam incidir sobre o seu filhinho. 
Conscientes da missão grandiosa que estão recebendo do Criador, os bons pais aproveitarão o período da gestação para darem boas-vindas ao Espírito que volta. 
Sendo um amor do passado, um opositor ou mesmo um estranho naquele núcleo, merece receber os cuidados necessários para que tenha em sua nova vida, todos os recursos para crescer. 
Em sua bagagem vêm muitos planos, muitas dificuldades, mas certamente a vontade de vencer, de acertar e de amar.
Procura amigos que o acolham, que o apóiem em seu novo tentame, e que estejam sempre presentes em sua vida. 
É isso que nos faz filhos e depois pais, que nos une em família, e que propicia que aprendamos a amar, primeiro poucos, para depois amarmos toda a Humanidade. 
No amor, não há lugar para o silêncio... 
* * * 
Bons pais conversam. 
Pais brilhantes dialogam. 
O eminente estudioso Augusto Cury, em uma de suas mais conhecidas obras, afirma que entre conversar e dialogar há um grande vale. 
Conversar é falar sobre o mundo que nos cerca, dialogar é falar sobre o mundo que somos. 
Outro especialista na área, Gardner, explica: 
Dialogar é contar experiências, é segredar o que está oculto no coração, é penetrar além da cortina dos comportamentos, é desenvolver inteligência interpessoal.
Redação do Momento Espírita com citações do livro Pais brilhantes, professores fascinantes, de Augusto Cury, ed. Sextante, 2003. 
Em 24.03.2008.

terça-feira, 7 de julho de 2026

BOTÕES

Possivelmente, você clicou em alguns botões para ouvir esta mensagem. 
Acessou um site, um link, usando o sistema de touch screen.
Aumentou volume, baixou. 
Para isso, teve de utilizar o smartphone, que também foi ligado por um botão. 
Ou um computador pessoal: ligou, clicou aqui, ali e abriu.
Perceba como sua vida é repleta de botões. 
Quantos controles remotos? 
Quantos controles para abrir portão, porta do carro, ligar ar-condicionado, acionar ou desligar alarmes. 
Botão para dar entrada num relógio de ponto. 
Botões e botões. 
Tudo se liga e se desliga, se acessa ou se desconecta por eles.
É uma grande praticidade. 
Tudo, menos você mesmo. 
Já percebeu isso? 
Não possuímos botões. 
Não temos esses sistemas e nunca tivemos. 
Somos outro tipo de máquina, outro tipo de sistema. 
Acontece que nos acostumamos tanto com o mundo do liga/desliga, com o mundo do standby, dos acessos rápidos para isso e aquilo, que muitos de nós começamos a nos tratar assim também. 
Temos certeza de que um dos nossos grandes inimigos é o alarme da manhã. 
Em tempos idos seria um relógio barulhento na cabeceira, treinado para nos acordar na hora marcada. 
Marcada com o compromisso, mas não com o corpo. Paramos para pensar nisso? 
Chegamos a inventar o rádio-relógio, que poderia nos despertar com música ou com um alarme que parecia um aviso de incêndio, de tão assustador. 
Muitos relógios e rádios foram destruídos por pessoas que se revoltavam contra aquela determinação das horas. 
Por que será? 
Porque nosso corpo não tem botões, não é uma máquina com circuitos, com placas, que pode ser simplesmente acordado a tal hora e sentir-se bem. 
Depende de muitos fatores. Passamos a nos tratar como se pudéssemos ser ligados e desligados a qualquer momento.
Deita na cama. 
Aperta o desliga. 
A tal hora, aperta o liga e sai vivendo. 
O corpo cansa. 
Algo que nos ameaça acontece. 
Aperta o botão da fome, da sede, do pequeno descanso. 
E tudo parece seguir funcionando bem. 
Sabemos que não é assim conosco. 
Nosso corpo, ligado diretamente à mente, comandado pelo Espírito, é muito mais complexo e precisa ser respeitado, precisa ser mais bem tratado. 
Precisamos entender como funcionamos. 
Precisamos perceber nosso ritmo e não sermos agressivos conosco mesmo. Ideal seria deixar o corpo acordar sem a utilização de recursos externos, barulhentos, que o colocam em alerta como preparado para o perigo. Ideal prepará-lo igualmente para o sono, reduzindo o ritmo gradualmente ao chegar a noite, cuidando dos hábitos, daquilo que assistimos, daquilo que lemos e com o que nos alimentamos. 
A oração será sempre um recurso precioso nesse preparo.
Não pode ser mais um botão, mas sim uma proposta de higiene da alma, uma transição saudável e lenta entre momentos importantes do dia. 
Pensemos nisso, na próxima vez que apertarmos qualquer botão. 
Quais deles nos fazem bem?
Quais deles estão quase nos escravizando e nos tornando dependentes de algo que não precisamos?
Lembremos: não temos em nós os botões de refletir, pensar, sentir. 
 Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 07.07.2026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

LAÇOS DE AFETO

MÁRIO QUINTANA
Do poeta e escritor gaúcho Mário Quintana, encontramos uma preciosidade que fala sobre algo muito simples: um laço.
Escreveu ele: 
"Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita... dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah, então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço! "
* * * 
ANDRÉ LUIZ
E CHICOXAVIER 
Tem toda razão o poeta em sua analogia. 
Amor e amizade são sentimentos altruístas. 
Quem ama somente deseja o bem do ser amado. 
Por isso, não interfere em suas escolhas, em seus desejos. 
Sugere, opina, mas deixa livre o outro para a tomada das próprias decisões.
Quem ama auxilia o amado a atingir seus objetivos. 
Nunca cobra o ofertado, nem exige nada em troca. 
Quem ama não aprisiona o amado, não o algema ao seu lado.
Ama e deixa o amado livre para estender suas asas. 
Assim crescem os dois, pois há espaços para ambos conquistarem. 
Na amizade, não se faz diferente o panorama. 
O verdadeiro amigo não deseja que o outro pense como ele próprio pois reconhece que os pensamentos são criações originais de cada um. 
Entende que o amigo é uma bênção que lhe cabe cultivar e o auxilia a realizar a sua felicidade sem cogitar da sua própria.
Sente-se feliz com o bem daquele a quem devota amizade.
Entende que cada criatura humana é um ser inteligente em transformação e que, por vezes, poderão ocorrer mudanças na forma de pensar, de agir do outro. 
Mudanças que nem sempre estarão na mesma direção das suas próprias escolhas. 
O amigo enxerga defeitos no coração do outro, mas sabe amá-lo e entendê-lo mesmo assim. 
E, se ventos diversos se apresentam, criando distâncias entre ambos, jamais buscará desacreditar ou desmoralizar aquele amigo. 
Tudo isso porque a ventura real da amizade é o bem dos entes queridos. 
Um laço que ata... 
Um laço que se desata.. 
Aqueles a quem oferecemos o coração, poderão se distanciar, buscar outros caminhos, atravessar outras fronteiras. 
Eles têm o direito de assim proceder, se o desejarem. 
De nossa parte, lembremos da leveza do laço e cuidemos para que não se transforme em nó, que prende e retém. 
Redação do Momento Espírita, com base em versos do poeta Mário Quintana e no cap. 12, do livro Sinal verde, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.
Em 06.07.2026

domingo, 5 de julho de 2026

NÃO HÁ COMO SER FELIZ SEM DEUS

CHICO XAVIER
Sem dúvida, em lugar algum e em tempo algum, nada conseguiremos, na essência, planejar, organizar, conduzir, instituir ou fazer sem Deus. 
Já paramos para pensar que para tudo precisamos de Deus?
Por que será que para a conquista de nossa felicidade ainda insistimos em excluí-lO? 
Insistimos em acreditar que podemos encontrar outras maneiras, outros caminhos, que não passam pelo encontro com Ele, o Pai de amor e misericórdia. 
Talvez nos questionemos: 
E os que não acreditam em Deus? 
Eles nunca irão encontrar sua felicidade?
A resposta não é tão simples. 
Primeiro, perguntemos a nós mesmos: 
Será que eles não possuem dentro de si nenhum germe de espiritualidade? 
Veremos que todos possuem. 
Usam outras denominações, têm seus próprios princípios, mas não deixam de manter contato com essa sua essência espiritual. 
E isso é espiritualidade. 
Também podemos nos perguntar se seu aparente ateísmo não é apenas uma forma de se protegerem dos absurdos que encontraram nas religiões tradicionais do mundo. 
Precisamos recordar que, em nome da religião, cometemos grandes desatinos como Humanidade.
Exatamente por não compreendermos Deus e por termos desejado utilizar o nome dEle para defender interesses pessoais. 
Até mesmo indignos. 
Podemos ainda afirmar, com segurança, que todos iremos encontrar Deus em algum momento, de alguma forma. 
Não falamos de buscar um Criador incompreendido, perdido nos confins do Universo. 
Um Senhor distante. 
É uma viagem interior, rumo à nossa própria essência. 
Assim, tudo que fazemos para nos espiritualizarmos, nos conduz ao Pai. 
Trazer espiritualidade para nossa vida é um caminho para Deus e um caminho para nossa felicidade. 
Quando nos encontramos, nos conhecemos e, por conseguinte, nos amamos, nos colocamos dentro da grande proposta de amor do Universo, tão bem resumida pelo Mestre Jesus. 
Os três pilares do amor: a si mesmo, ao próximo e a Deus.
Cada um desses amores constrói o outro, cresce com o outro e seu produto nos traz a felicidade genuína.
* * * 
O Mestre de Nazaré nos ensinou que há muitas moradas na casa do pai. 
Dessa maneira, nos apresenta as diferentes categorias de mundos habitados: mundos espirituais e mundos materiais. 
O planeta em que vivemos é uma dessas moradas. 
Um mundo de provas e expiações, onde a inteligência se apresenta criadora, potente. 
Porém, onde ainda há muita imperfeição moral. 
Caminhamos, contudo, para mundo de regeneração, a próxima fase evolutiva, mundo que estamos construindo. 
Um mundo em que se manifestarão alterações sociais para o bem, onde não haverá domínio das paixões, do orgulho, da inveja e do ódio. 
Estamos, lentamente, construindo esse mundo do futuro.
Um mundo no qual todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis. 
­Será a aurora da felicidade, aspirando as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do Seu seio emanam. 
Eis a grande sabedoria: não há como dar o próximo passo sem Deus. 
Não há como ser feliz sem Deus. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro Brilhe vossa luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier/Carlos A. Bacelli, ed. IDE e no cap. III, item 17, de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 23.09.2024.

sábado, 4 de julho de 2026

HOMENAGEM À VIDA

Edi Aringhieri, mãe de Andrea Bocelli
Sua voz encanta. 
Sua presença no palco emociona. 
Ele atrai multidões para os seus concertos, shows, mas não os vê. 
O que lhe atesta a presença das pessoas são os aplausos que ouve e o fazem sorrir. 
Em plena pandemia, realizou uma live na Catedral de Milão totalmente vazia. 
Ele chamou de Música pela esperança. 
Esperança de que o mundo melhore, de que a pandemia seja controlada, de que as pessoas sejam felizes. 
Todo ano, em julho, verão europeu, ele realiza um grande show no Teatro do silêncio, espaço a céu aberto, construído por sua iniciativa, em sua cidade natal, Lajatico, na região da Toscana. 
O agendado para 2020 não se realizou, em virtude da decretação do isolamento social. 
Mas ele se apresentou para uma plateia de bandeiras de todas as nações do mundo. 
-O Teatro do silêncio vive. – Disse ele. Vive no imaginário e na esperança de dezenas de milhares de espectadores que esperam por 2021. O público maravilhoso está aqui, encarnado nas bandeiras multicolores de todo o mundo.
Foram cinco músicas, iniciando por uma prece à Mãe de Jesus, Ave, Maria e concluindo com um hino de amor à sua pátria. 
Os que nos habituamos a aplaudi-lo e que temos sido privilegiados com suas apresentações, talvez não saibamos que o mundo esteve muito próximo de jamais tê-lo entre nós.
Em uma entrevista a um canal de televisão, sua mãe revelou que, quando estava grávida, os médicos lhe recomendaram abortar. 

O próprio Andrea, em um vídeo, narra que sua mãe chegou ao hospital com fortes dores no ventre. 
Tratava-se de apendicite mas ela teve aplicado gelo sobre o abdômen. 
Depois, os médicos a aconselharam abortar o filho que gestava porque ele nasceria com doença congênita. 
Jovem, Edi optou por ter a criança, que nasceu com glaucoma. 
A perda total da visão viria aos doze anos, depois de sofrer um golpe na cabeça, divertindo-se em um jogo de futebol. 
O agradecimento do tenor italiano à sua mãe é surpreendente.
Por isso, diz ele, luta e é a favor da vida. 
Narra esse fato para que sirva de encorajamento a outras mulheres que possam vir a se encontrar em situação semelhante. 
Ele agradece por ter vindo ao mundo. 
E todos nós agradecemos àquela jovem esposa que optou pela vida e nos deu o tenor, compositor e produtor italiano.
Que bela voz teria perdido o mundo sem a sua presença. 
* * * 
A vida é assim. 
Quando não somos nada além de um embrião, de um feto, quem pode imaginar o que seremos. 
Que contribuição viremos a dar ao mundo.
Poderemos vir para encantá-lo com nossa arte musical, com nossos discursos ou com nossos poemas. 
Alguém que reformule conceitos na arquitetura, na engenharia. 
Poderemos ser um embaixador da paz, um cientista que realize descobertas. 
Alguém que contribua, revolucionando tratamentos de doenças graves. 
Um médico anônimo servindo no front da enfermidade, lutando contra a morte, por seus pacientes. 
Poderemos ser, simplesmente, um homem ou uma mulher de bem, fazendo a diferença no mundo. 
Um pai, uma mãe que ofertarão sua prole ao mundo, educada, operosa, tornando melhor este planeta. 
A vida nos merece homenagens. 
Redação do Momento Espírita, com base em entrevista de Edi Aringhieri, no programa televisivo Domenica In, transmitido pelo Canal RAI1, em janeiro de 2018. 
Em 04.07.2026