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| CHICO XAVIER E EMMANUEL |
Vivemos em um mundo que nos convida, a todo instante, à posse.
Queremos o melhor carro, a casa mais suntuosa, o título mais brilhante no currículo.
Mas, nessa busca incessante pelo ter, raramente paramos para perguntar o que realmente nos pertence.
Às vezes, guardamos inúmeros títulos de propriedade.
Temos as chaves, os contratos, os registros.
Contudo, se no meio de tantas utilidades terrestres não somos senhores da nossa própria alma, de que vale o patrimônio?
Sem o autodomínio, a riqueza não passa de um convite à ilusão, uma introdução ao desequilíbrio.
Muitos de nós atravessamos a juventude como se fosse uma festa eterna.
Multiplicamos jardins de alegria e prazeres imediatos.
No entanto, se não buscamos o conhecimento superior, se não traçamos um roteiro espiritual para o amanhã, essa fase será apenas a véspera ruidosa de uma velhice solitária e vazia.
É comum buscarmos o aplauso.
Queremos o peito coberto de medalhas honoríficas, a admiração dos outros, o reconhecimento social.
Entretanto, se a luz da reta consciência não banha o nosso coração, corremos o risco de ser como cofres de trevas: enfeitados por fora, mas absolutamente vazios por dentro.
E a nossa casa?
Dedicamos tanto tempo a adorná-la!
Amontoamos o que há de mais moderno, buscamos o conforto, o perfil dominante da arquitetura, o esplendor das artes.
Mas, se na intimidade do lar não existe a harmonia, se o afeto não circula entre as paredes, nosso domicílio corre o risco de ser apenas um mausoléu adornado, onde a vida não vibra.
Podemos ter grandes recursos amoedados e com eles falar com autoridade, influenciar o próximo.
Todavia, se esses recursos não se transformam em socorro ao necessitado, em postos de trabalho, em estímulo ao bem e em educação para os semelhantes, somos apenas viajores descuidados.
Caminhamos a passos largos para o encontro com a desilusão, pois o dinheiro que não serve é como água parada.
Podemos conquistar o poder, a fama e ver o mundo reverenciar nossa presença física.
Mas, se não trouxermos conosco os valores do bem, se não cultivarmos a bondade e a caridade, acabaremos caminhando ao lado dos infelizes, marchando para as ruínas do desencanto espiritual.
A proposta da vida não é a miséria.
É a prosperidade da alma.
Ser rico com Deus não é abrir mão do que se tem, mas saber dar destino nobre ao que nos foi emprestado pela Divindade.
É transformar o ouro em pão, o poder em serviço, a inteligência em luz e a casa em santuário de paz.
Pensemos nisso.
Ao partirmos desta grande escola chamada Terra, não levaremos o que está nas nossas mãos, mas apenas aquilo que colocamos dentro do nosso coração.
Lembremos que a morte é o alfandegário mais rigoroso que existe: ela não deixa passar nada que caiba numa mala.
Levaremos conosco o que amealhamos como tesouros imperecíveis do Espírito, que definirão nossa entrada e nossa estadia na pátria espiritual.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.
120, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 1º.06.2026





