domingo, 8 de novembro de 2026

NEM TUDO O QUE PESA É NOSSO!

Já nos demos conta de que, algumas vezes, estamos carregando peso em demasia? 
Tudo parece recair sobre nossas costas: a família, o trabalho, os cuidados com o corpo, os cuidados com a alma. 
Somem-se a isso os problemas do mundo, a insegurança, o sustento financeiro, as expectativas dos outros, a necessidade de estarmos conectados para não nos sentirmos excluídos da sociedade. 
Tudo pesa. E pesa muito. 
Será que precisamos abraçar todo esse peso? 
Alguns nos deixamos afetar por tudo. 
Somos almas que andamos de portas escancaradas.
Qualquer vento entra, qualquer tempestade faz uma grande bagunça. 
Se temos andado com portas e janelas abertas, precisamos de disciplina e silêncio interior. 
Precisamos organizar nossos pesos, nossas responsabilidades. 
Saber destacar o que é nosso e o que não é. 
O que podemos controlar e o que não podemos. 
O que é para agora e o que é para depois. 
Mesmo na esfera da família, onde estão nossas maiores responsabilidades, precisamos de disciplina dos pensamentos e emoções. 
Como pais, por exemplo, se formos esmagados pela ansiedade, pelas expectativas exageradas antes da hora, estaremos carregando pesos desnecessários. 
Certamente, presenciamos a situação em que, num tom de brincadeira, amigos falam para o pai de uma menina de quatro ou cinco anos: 
-Já pensou na adolescência? Primeiro namorado? Essa vai dar trabalho! 
E quase morremos do coração, só de imaginar. 
Naturalmente, trata-se de uma brincadeira. 
Mas ela demonstra muito bem como temos esse costume de antecipar sofrimentos, de carregar pesos antes da hora, de criar tensões sem necessidade. 
Alguns de nós, mesmo com os filhos adultos, donos de si, continuamos carregando aquele mesmo peso da primeira infância, quase que as mesmas preocupações. 
-Será que estão bem? 
-Será que estão se alimentando bem? 
-Será que fulano está tratando bem a minha filha? 
Acabamos nos envolvendo em demasia na vida dos filhos, prejudicando o seu desenvolvimento. 
Esquecemos de soltar e vamos carregando um peso que não precisa ser nosso. 
Podemos também colocar referências e expectativas exageradas, distorcidas, para nós mesmos. 
Elegemos ídolos, modismos, meios de vida esdrúxulos, baseados nessa ou naquela crença, por vezes debaixo da bandeira de uma suposta saúde do corpo físico, e acabamos nos escravizando. 
Peso demais! 
Peso demais que nos prejudica a máquina corporal a longo prazo, em nome da beleza, do fisiculturismo, pois colocamos na mente: 
-Eu preciso! 
Será que precisamos mesmo de todo esse peso? 
Vale a pena a reflexão. 
Com um pouco de silêncio interior e disciplina, perceberemos que nem todo peso que carregamos precisa ser nosso.
Elejamos o que ler, o que assistir, com o que nos preocupar, e em que momento. 
Isso é disciplina de pensamento. 
Do contrário, o esgotamento chega antes do que imaginamos e de formas que nos deixarão bastante infelizes. 
Lembremos: nem tudo que pesa é nosso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.08.2025

sábado, 7 de novembro de 2026

A ESTRELA DE NAZARÉ

Quando os olhos da história buscam compreender os caminhos que transformaram a humanidade, raramente se detêm nas sombras nas quais as mulheres foram forçadas a caminhar. No tempo em que Jesus esteve entre nós, às mulheres não cabiam os direitos, as vozes ou as decisões.
Apenas as patrícias romanas, protegidas pela aristocracia do império, desfrutavam de exceções e de algum prestígio social.
Para a maioria, o anonimato e a submissão eram a regra imposta pela cultura e pelas leis da época. 
A mensagem do Evangelho, como nova aurora, rasgou o preconceito e revelou a dignidade espiritual de todas as criaturas humanas. 
E almas corajosas sobressaíram-se, escrevendo com amor e renúncia páginas inesquecíveis. 
Interessante constatar como a Boa Nova, em variados momentos, se serviu do intelecto, da energia e da coragem das mulheres. Lembramos de Febe, a devotada servidora da igreja de Cencreia, cuja firmeza e sabedoria mereceram a confiança de Paulo de Tarso. 
Ele a apresenta como sua hospedeira e de quantos necessitem e a encarregou de transportar e entregar a célebre Epístola aos Romanos, guardando-a com a própria vida.
Recordamos a doçura de Dorcas, a generosa costureira de Jope. 
Com mãos habilidosas e coração transbordante de caridade, vestia os desamparados, fazendo de cada ponto e de cada costura uma oração viva de amparo aos necessitados.
Evocamos, ainda, o testemunho inabalável de Joana de Cusa, nobre de coração, que culminou sua jornada com o testemunho de fé no circo de sofrimentos, sem jamais renegar o amor que a transformara. 
Mas, acima de todas as figuras femininas que floresceram sob a luz do Evangelho, ergue-se a grandeza serena de Maria de Nazaré. 
A maior de todas as mulheres. 
Entre todas as almas que habitavam a Terra, a Sua elevação espiritual sobressaía como um farol de pureza e renúncia.
Para acolher em Seu seio o Modelo e Guia de toda a humanidade, fazia-se necessária uma virtude capaz de suportar o peso de uma missão divina com absoluta simplicidade e fé inabalável. 
O extraordinário de Maria residia na Sua capacidade de amar e servir sem nada pedir em troca.
Maternar o Cristo significava alimentar a esperança do mundo. Também guardar no peito a dor silenciosa das incompreensões e o prenúncio da cruz. 
Em cada gesto de carinho, na mansidão com que acolhia os necessitados e no silêncio perante as dores, Ela exemplificou a perfeita sintonia com a vontade do Pai Celestial. 
Ao pé da cruz, quando as forças do mundo pareciam sucumbir à escuridão, a Estrela de Nazaré manteve-se de pé, convertendo a própria dor em fortaleza para amparar os discípulos desolados. 
Ela se tornou a mãe consoladora de todos nós, a presença maternal que continua a guiar os passos dos que buscamos o caminho do bem. 
Maria permanece como a expressão mais alta da sublimação humana. 
Sua vida nos prova que o amor puro é a única força capaz de transformar o destino das almas. 
Nossa gratidão, Mãe Santíssima. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 52, do livro Religião dos Espíritos, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 07.11.2026

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

NEM SÓ DE PÃO.....

RAUL TEIXEIRA
As palavras foram registradas pelo Evangelista Lucas e foram pronunciadas pelo Mestre de Nazaré. 
Em verdade, repetindo o que se encontra no livro bíblico do Antigo Testamento, Deuteronômio: 
-Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus. 
Nos dias que atravessamos, em que o isolamento social se impôs, voltamo-nos, quase todos, para a internet e buscamos as mais diversas plataformas para nos comunicarmos.
Atividades presenciais nos templos religiosos foram substituídas por registros virtuais, em dias e horas preestabelecidos. 
Companheiros habituados a reuniões para estudo da Doutrina que abraçam, para as preces em conjunto, passaram a se encontrar, virtualmente. 
O que registramos é que o número de lives, reuniões virtuais, encontros, treinamentos têm crescido de forma assustadora, desde o início da pandemia. 
É comum ouvirmos pessoas afirmarem que se encontram em atividade virtual intensa, com as horas muito mais ocupadas do que quando atuavam presencialmente, no templo religioso.
Consideramos que as ofertas virtuais são inúmeras. 
E falamos daquelas de boa qualidade, que oferecem conteúdos de estudo, de reflexão. 
São, verdadeiramente, períodos em que pelo celular ou pelo computador, nos ligamos ao Superior. 
Ouvimos palestra aqui, outra ali. 
Logo mais, um treinamento. 
E nossas horas vão sendo preenchidas. 
Com certeza, louvável o esforço empreendido pelos religiosos, por conferencistas de renome para nos oferecerem produtos de alto valor. 
No entanto, é importante nos indagarmos se não estamos apenas ouvindo, ouvindo e ouvindo, sem tempo para aprofundamentos pessoais. 
Parafraseando Jesus, pensemos que nem só de atividades virtuais devemos nutrir os nossos pensamentos. 
É muitíssimo importante que saibamos valorizar o livro, esse recurso que a vida nos deu e que a inteligência humana conseguiu fazer aflorar, desenvolver-se, permitindo que hoje o tenhamos, no mundo inteiro. 
O livro, impresso ou digital, não deve ser abandonado. 
É importante viajarmos pelas asas da literatura, sejam romances, livros épicos de ciências, de filosofia, livros religiosos, livros de lazer. 
Quando ouvimos, acompanhamos o pensamento alheio.
Quando lemos, temos a oportunidade de realizar o mergulho no conteúdo, no nosso ritmo, na nossa velocidade mental.
Dessa forma, guardemos um tempo para essa busca nas letras, inebriando a alma com versos de luz. 
Permitamo-nos viajar no tempo, no espaço, enquanto percorremos com os olhos, as linhas dos escritos. 
Deixemos repousar os olhos sobre uma frase que nos chama a atenção. 
Deliciemo-nos com a poesia dos versos, a harmonia das frases encadeadas, numa narrativa sem par. 
Livro. Sempre tesouro precioso. 
Encantemo-nos com as descobertas das sílabas que formam o universo da escrita. 
Ouçamos, assistamos todas as lives e todos os bons conteúdos. 
Mas, lembremos, não somente isso. 
Permitamo-nos um tempo para ler e reflexionar.
Para ler e anotar. 
Para apreciarmos uma boa e profunda leitura. 
Redação do Momento Espírita, com base no programa televisivo Vida e Valores, O livro e a leitura, de Raul Teixeira, ed. FEP e citação do Evangelho de Lucas, cap. 4, vers. 4. 
Em 25.08.2020.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

PRECISAMOS UNS DOS OUTROS

BENEDITA MARIA(espírito)
Quando caminhamos por uma floresta a contemplarmos a majestade das grandes árvores, costumamos imaginá-las como seres isolados, disputando a luz e os recursos do solo.
No entanto, a ciência moderna desvendou um segredo fascinante debaixo dos nossos passos.
Trata-se da wood wide web, uma verdadeira internet vegetal formada pela malha de fungos benéficos, que conectam as raízes de quase noventa por cento das plantas terrestres.
Longe de viverem em competição feroz, as espécies vivem em profunda cooperação. 
Os fungos recebem os açúcares produzidos pelas folhas. 
Em troca, ampliam em até mil vezes o alcance das raízes, absorvendo água e minerais que as plantas sozinhas jamais alcançariam. 
Através dessa rede invisível, as árvores-mãe, mais fortes, bombeiam nutrientes para as mudas que crescem na sombra, garantindo que sobrevivam. 
Quando uma planta é atacada por pragas, ela envia sinais de alerta pela malha subterrânea, permitindo que as vizinhas ativem suas defesas antes que o perigo se aproxime. 
A floresta não é um amontoado de seres isolados. 
É um superorganismo interligado, onde a vida de um depende da vida de todos. 
Se a natureza nos dá essa lição magnífica, como podemos nos iludir julgando-nos independentes? 
Curiosamente, é o homem, em toda a escala da vida, quem apresenta a maior taxa de dependência dos demais. 
Enquanto os animais nascem prontos, guiados pelo instinto, nós precisamos do concurso alheio desde o primeiro respiro.
Essa interdependência não é uma fraqueza, mas uma sábia lei da natureza, uma lei divina que nos convida à fraternidade.
Precisamos uns dos outros para o retorno à Terra. 
Chegamos protegidos pelo véu do anonimato e frágeis, dependendo dos cuidados daqueles que vieram antes de nós. Precisamos reaprender tantas coisas. 
Necessitamos nos adaptar, humildemente, dentro de uma estrutura familiar, na qual cada um exercerá um papel. 
Mesmo depois de adultos, ainda precisamos uns dos outros. 
O médico precisará do engenheiro, que dependerá do médico. O professor carecerá do advogado e do agricultor, mas nenhum se formaria sem o mestre. 
E todos necessitamos do motorista, do gari, do policial, do enfermeiro, do padeiro e do entregador. 
Cada qual traz sua nota indispensável para compor a bela sinfonia da existência humana. 
Ninguém alcança a paz sozinho. 
Deus não criou seres para o isolamento. 
A lei divina nos mostra que essa dependência mútua abate o orgulho e a vaidade, que nos fazem supor que somos o centro do mundo ou superiores aos outros. 
Somos Espíritos eternos vinculados por laços naturais de solidariedade no passado, no presente e no porvir. 
Assim como a floresta só resiste às tempestades porque suas raízes se entrelaçam no solo, a humanidade só se regenerará quando nossos corações se unirem no trabalho do bem.
Despertemos para essa rede viva de amor que nos sustenta.
Estendamos as mãos, cooperemos com alegria e compreendamos que o crescimento do próximo é também a nossa própria vitória. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. IX, cap. 33, do livro Todos precisam de paz na alma, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 05.11.2026

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

NEM MAIS UM DIA SEM SORRIR!

RAUL TEIXEIRA
-Depois que minha filha nasceu, não passo mais nem um dia sequer sem sorrir. 
Esta foi a declaração desse pai apaixonado pela nova vida que segurava nos braços e que modificaria sua forma de ver o mundo e de viver, para sempre.
Uma nova vida é sempre um novo sorrir. 
Sorrir de Deus, que concede nova chance a um de nós. 
Sorrir da natureza, que se renova, que vibra com seus ciclos belíssimos na Terra. 
Sorrir de quem chega pois, por mais que a existência seja ainda campo de provação e expiação, é também campo de redenção, de novos caminhos. 
Um passo a mais para a felicidade. 
E ainda, sorrir de quem recebe no lar um novo ser, que não é propriamente novo, mas que aterrissa no planeta de uma forma muito especial, através das vestes da infância. 
Uma nova vida é sempre um novo sorrir. Identificamos na criança a confiança que o Criador deposita nas mãos da Humanidade. 
A criança é a canção com que o tempo embala os ouvidos do futuro quanto é a semente, que lançada na terra fértil da nobre orientação, produzirá floração e frutos de esperanças para o amanhã. 
A infância é o poema de amor e docilidade, que o Pai Maior recita para Seus filhos queridos, mostrando-lhes o caminho da pureza que os incita a construir em suas almas. 
Aprendamos com a simplicidade da infância, com as primeiras conquistas e com esse olhar de admiração e encanto que somente os pequeninos têm. 
Aprendamos com eles a importância do aconchego, de estar sempre perto, abraçado a quem se ama. 
Aprendamos a confiar no colo do pai e da mãe, que não nos deixam cair em momento algum e assim nos entreguemos à vontade de Deus, que nunca nos desampara. 
Aprendamos com as crianças a perceber as minúcias do espaço à nossa volta, os detalhes, as delicadezas da existência. 
Aprendamos, enfim, a dar a nós mesmos novas chances, novas oportunidades de acertar, pois o Criador assim O faz sempre e com muita competência. 
Não deixemos que o tempo, na companhia delas, passe voando. Não. 
Lembremos de cada progresso, de cada nova vitória, registrando tudo nas fotos, gravações e, claro, no coração.
Porque uma nova vida é sempre um novo sorrir. 
E quem de nós não precisa sorrir mais? 
Sorrir de alegria, sorrir de gratidão, sorrir por amar; sorrir por sorrir, por estar vivo... 
O Criador Maior e Suas Leis perfeitas desejam que sempre estejamos sorrindo. 
Dessa forma, promovem nosso crescimento através das eras, pelas sendas do amor infinito. 
Quem sabe um dia todos possamos dizer: 
-Não passo mais nem um dia sequer sem sorrir... 
Redação do Momento Espírita, com trecho do cap. 10 do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita, v. 27, ed. FEP. 
Em 30.03.2015.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

TORNANDO-SE CLARO!

Rachel Naomi Remen
Quantas vezes, durante um simples dia, nos servimos da palavra Claro? 
Quando afirmamos que faremos o que nos pedem, que estaremos presentes na reunião marcada, sintetizamos com Claro. 
Se nos questionam sobre a veracidade de um fato, dizemos:
-Claro, como sinônimo de afirmação imediata. 
Esse vocábulo tem mais de sessenta significados. 
E o convite que a vida nos faz vai além da superfície dos dicionários e das nossas conversas rotineiras. 
É para que possamos, na intimidade do nosso ser, dia após dia, nos tornarmos claros. 
Trata-se de um processo contínuo de libertação e de despertar. 
É permitir que a luz do entendimento dissipe, com suavidade, as sombras que ainda habitam o nosso mundo interior. 
É compreender que somos Espíritos imortais, viajantes do universo, fadados à perfeição. 
Nossas asas espirituais não foram forjadas para a gaiola do comodismo ou da pequenez. 
Ser claro é expandir os horizontes, sem as barreiras que nós mesmos nos impomos. 
É realizar o trabalho silencioso de limpar a vidraça do próprio coração. 
É retirar, com a flanela do perdão, o pó do ressentimento, a fuligem da mágoa e a espessa teia de aranha do egoísmo.
Dessa maneira, a luz do amor poderá nos atravessar e iluminar o próximo. 
Não significa ter a presunção de possuir todas as respostas do universo, mas abrigar a fé inabalável de que o leme de nossa vida está em boas mãos. 
Ser claro é confiar na pedagogia divina, sabendo que cada lágrima e cada sorriso são lições perfeitamente desenhadas para o nosso burilamento moral. 
É permitir que o rio da bondade flua através de nós, sem as pesadas pedras do orgulho a barrar a correnteza. 
É nos tornarmos instrumento dócil da paz, um canal desobstruído por onde a misericórdia flui, facilitando a jornada daqueles que caminham ao nosso lado. 
É perdoar a nós mesmos. 
Compreender que o erro cometido foi apenas o degrau áspero e doloroso que nos ensinou a subir. 
Ser claro é recusar carregar o peso esmagador de um passado que não pode ser alterado, utilizando, em vez disso, suas duras lições para retificar o presente. 
Tornar-se claro é, sobretudo, adotar uma postura íntima de coragem e de renovação. 
É tomar a decisão consciente de não alimentar os monstros da ansiedade e do pavor, criados pelas ilusões da nossa mente. 
***
Enfrentemos as situações, por mais desafiadoras, com a serenidade de quem sabe que toda tempestade é passageira. Não estamos sós. 
O Criador do universo, em Seu amor incondicional, sustenta cada um de nossos passos. 
Ele sussurra coragem na brisa suave da manhã, oferece consolo no silêncio repousante da noite e derrama bênçãos de recomeço a cada novo amanhecer. 
Aceitemos esse inadiável convite. 
Retiremos, um a um, os véus que nos encobrem e deixemos brilhar a centelha divina que trazemos guardada no peito.
Tornemo-nos claros como a água pura da fonte, claros como a verdade que liberta, claros como o amanhecer que triunfa, invariavelmente, sobre a mais escura e longa das noites. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Tornando-se claro, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante 
Em 03.11.2026

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

AS DÁDIVAS DA VIDA

Na encruzilhada da existência, todos nos encontramos, em algum instante, postos a cultivar a paciência e a observação.
Imaginemo-nos parados na esquina do calçadão do tempo, vendo a multidão que vem e vai. 
Rostos cansados, rostos iluminados, rostos esperançosos. 
Se prestarmos atenção, perceberemos que esse local não é apenas um ponto de passagem. 
Trata-se de um local de trocas invisíveis. 
Cada pessoa que caminha em nossa direção traz algo nas mãos. 
Ao passar por nós, sem interromper o passo, cada uma nos entrega um objeto singular. 
Há quem ofereça uma flor perfumada, ou uma pedra gasta pelo uso. 
Alguém nos entrega um livro antigo. 
O próximo, apenas um pedaço de pão, uma fita colorida ou uma semente seca. 
Todos seguem em frente, misturando-se novamente à brisa do tempo, sem pedir nada em troca. 
Diante desse fluxo incessante, a gratidão deve ser a nossa primeira e mais profunda resposta. 
Nada do que recebemos nessa esquina é por acaso. 
A flor nos ensina a beleza efêmera e a delicadeza. 
A pedra nos fala da resistência necessária nos dias difíceis. 
O livro nos oferta a sabedoria e a semente nos convida à fé no amanhã. 
Mesmo os gestos mais simples guardam um valor inestimável.
Por vezes, a vaidade do mundo tenta nos seduzir. 
Vozes ao nosso redor nos afirmam que somos extraordinários, dotados de inteligência superior, detentores de criatividade ímpar e singularmente especiais. 
No entanto, como verdadeiros aprendizes da vida, tenhamos consciência de que o orgulho é uma venda sobre os olhos.
Nenhuma virtude individual é tão brilhante que possa ofuscar o brilho presente no próximo. 
Por mais talentosos que possamos parecer, jamais saberemos tudo, nem seremos autossuficientes. 
Cada ser humano que cruza o nosso caminho é um tesouro vivo, uma obra em construção sob as bênçãos do Criador.
Não há alma desprovida de luz ou destituída de um propósito sagrado. 
Se nos posicionarmos com humildade e atenção genuína, seremos capazes de perceber a dádiva que cada passante compartilha conosco. 
O viajante cansado nos ensina a empatia. 
A criança sorridente nos devolve a esperança. 
O idoso nos entrega a paciência lapidada pelos anos. 
O enfermo nos repassa resiliência e força moral. 
Aprender a colher esses presentes exige silêncio interior e um olhar desarmado. 
Exige enxergar além das aparências, das limitações temporárias e das ruidosas distrações cotidianas. 
Aquele que nos parece simples ou rude pode ser, na verdade, o portador da lição mais profunda que precisávamos receber naquele exato instante. 
Ao final da jornada, ao olharmos para as nossas mãos repletas dessas oferendas e memórias, perceberemos que nunca caminhamos sós. 
Somos o tecido vivo feito das experiências, dos afetos e do aprendizado que coletamos em cada esquina. 
Saibamos, portanto, abençoar cada pessoa que passa, guardar cada oferta com reverência e reconhecer que, na grande escola da vida, todos somos doadores e receptores da infinita bondade de Deus. 
Redação do Momento Espírita 
Em 02.11.2026