sexta-feira, 13 de março de 2026

O ESSENCIAL NÃO É O QUE PARECE

CHICO XAVIER
O essencial não será tanto o que reténs. 
É o que dás de ti mesmo e a maneira como dás. 
Não é tanto o que recebes. 
É o que distribuis e como distribuis. 
Não é tanto o que colhes. 
É o que semeias e para que semeias.
Não é tanto o que esperas. 
É o que realizas. 
Não é tanto o que rogas. 
É o que aceitas. 
Não é tanto o que reclamas. 
É o que suportas e como suportas. 
Não é tanto o que falas. 
É o que sentes e como sentes. 
Não é tanto o que perguntas. 
É o que aprendes e para que aprendes. 
Não é tanto o que aconselhas. 
É o que exemplificas. 
Não é tanto o que ensinas. 
É o que fazes e como fazes. 
Em suma, na vida do Espírito 
- a única vida verdadeira – 
o essencial não é o que parece. 
O essencial será sempre aquilo que é.
* * * 
A mensagem nos abre a compreensão para o que mais importa em nossos dias. 
Será que temos focado, colocado as nossas mais preciosas energias naquilo que é realmente essencial? 
Não que o restante não tenha sua importância, mas, quando usamos a palavra essencial, estamos nos referindo à essência, àquilo que nos conecta à essência de nós mesmos, ao mais importante de tudo. 
Prioridades. 
Num mundo que, segundo dizemos, nos pede tanto, nos exige que cumpramos tantos papéis ao mesmo tempo, nunca foi tão importante que estabeleçamos prioridades. 
Falar, então, do essencial, é buscar as prioridades. 
Muitas vezes, na busca de atender aquilo que é supérfluo, secundário e até dispensável na existência, estamos deixando de lado algo essencial. 
Pensemos num exemplo bastante pertinente nos dias de hoje: a dificuldade que têm os pais em saber o que dizer aos filhos, nas lições a transmitir, nos ensinamentos. 
Pais querem ser professores à moda antiga, fazendo os filhos se sentarem em carteiras escolares, em frente a quadros negros, com o giz da autoridade nas mãos, escrevendo ali o que devem e não devem fazer.
Entretanto, o essencial não está no que ensinamos pela palavra, mas pelos exemplos. 
E nesse item: como estão os nossos exemplos dentro e fora de casa? 
Como nós, pais e mães, como casais, como nos tratamos? Como somos como filhos? 
Como tratamos nossos pais, irmãos, a família? 
Que comportamento apresentamos no grupo social em que estamos inseridos? 
O que trazemos para casa nos comentários sobre a vida dos outros? 
O que fazemos pelo próximo? 
Eis o essencial! 
Eis o que nossos filhos levarão para sempre em seus corações: os exemplos. 
O essencial será sempre aquilo que é, e nunca o que parece ser. 
Em tempos de vidas expostas em fotos que mostram realidades incompletas; em tempos de sorrisos e lágrimas fabricados para chamar a atenção, vale a pena pensar sobre o que é essencial em nossa vida. 
Tudo que está ligado à vida do Espírito, que é a vida essencial, a vida que não se destrói, que não se esquece com o tempo. 
Busquemos a nossa essência. 
Busquemos a essência da experiência na Terra e tenhamos a certeza de que nossa encarnação está valendo a pena.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 43, do livro Caminho Espírita, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 13.03.2026

quinta-feira, 12 de março de 2026

UM MUNDO CADA VEZ MELHOR

Rutger Bergman
Quantas vezes ouvimos, ou nós mesmos repetimos que o mundo está cada vez pior? 
Somos nós, várias vezes, os porta-vozes do pessimismo. 
Ou aqueles que assumimos uma postura derrotista. 
Basta uma manchete ruim no noticiário para justificar nossa tese de que tudo vai de mal a pior. 
Dizemos que perdemos a crença na Humanidade, que o mundo não tem jeito.
E outras tantas afirmações de desânimo. 
Porém, será isso mesmo verdade? 
Será que a Humanidade vai de mal a pior, como muitas vezes apregoamos? 
O historiador holandês Rutger Bergman compilou em seu livro, ao qual denominou Utopia para realistas, alguns dados bem interessantes. 
Segundo ele, em 1820, 84% da população mundial vivia em extrema pobreza. 
Cem anos depois o número baixou pela metade. 
No início do Século XXI, menos de 10% da população mundial vive em extrema pobreza. 
Há cinquenta anos, metade da população mundial sobrevivia com menos de duas mil calorias diárias. 
Hoje, corresponde a menos de 3%.
Na atualidade, há mais pessoas sofrendo por obesidade do que de fome. 
Assuntos que eram ficção científica, há pouco tempo, tornam-se realidade: implantes cerebrais que restituem a visão, pernas robóticas que permitem paraplégicos se locomoverem com autonomia, cirurgias de alta precisão feitas por robôs.
A energia solar ficou 99% mais barata nos últimos quarenta anos. 
Desde 1994, o número de pessoas com acesso a Internet saltou de 0,4% para 40%. 
A expectativa de vida global hoje é mais do que o dobro do que era em 1900. 
Desde 1990, a taxa de mortalidade por tuberculose caiu para quase a metade. 
A partir do ano 2000, o número de mortes por malária decresceu 25%, a mesma queda nas mortes por AIDS, desde 2005. 
O número de mortos em guerras despencou 90%, desde 1946. 
Para onde olharmos, vamos perceber que há melhoras significativas no mundo. 
Como essas evoluções acontecem de maneira silenciosa, pois se desenvolvem lenta e constantemente ao longo das décadas, tornam-se invisíveis para nossa percepção. 
Porém, é inegável o quanto o mundo vem evoluindo e se tornando um lugar melhor para se viver. 
Para isso, são inúmeros os cientistas, pesquisadores, profissionais variados, mulheres e homens públicos, que vêm se doando em prol da melhora coletiva. 
Há muito mais gente colaborando para o mundo ser um lugar melhor do que imaginamos ou percebemos. 
São incontáveis os que se sacrificam pelos seus filhos, que fazem o melhor que podem na sua profissão, que atuam voluntariamente em causas nobres. 
É a lei do progresso, prevista nos códigos divinos, se fazendo presente, nos proporcionando melhoria de vida e bem-estar.
Efetivamente estamos cada vez melhores. 
Refletimos isso em um mundo mais justo, mais igualitário, mais humano. 
Cabe, no entanto, lembrarmos sempre que cabe a cada um de nós dar sua cota de colaboração, oferecendo ao mundo o que temos de melhor, na mente e no coração, para o progresso da Humanidade. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com dados extraídos do livro Utopia para realistas, de Rutger Bergman, ed. Sextante. 
Em 22.10.2020.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O PREÇO DA CONSCIÊNCIA

Richard Gere
A coragem se caracteriza em defender o que é certo e justo ou de ser verdadeiro consigo mesmo. 
Etimologicamente, vem do latim cor - coração -, no sentido de agir com o coração.
Foi assim, deixando falar o coração, que, na cerimônia do Oscar de 1993, agiu o ator Richard Gere. 
Ele subiu ao palco com a tarefa de apresentar o prêmio de melhor direção de arte. 
Em vez de seguir o roteiro da Academia, que primava pelo entretenimento puro, Gere transformou o momento em algo que soou como uma grande crítica. 
Amigo pessoal do Dalai Lama, a maior autoridade política e religiosa do Tibete, Gere fugiu do script e fez um apelo emocional e direto, denunciando a ocupação militar do Tibete e as supostas violações dos direitos humanos pelas forças chinesas. 
-Gostaria de aproveitar um segundo, se me permitirem. Com a presença de tantas pessoas poderosas aqui, quero falar sobre a situação indescritível do povo do Tibete, sem esperança de que as coisas melhorem. Por favor, enviem o seu amor e a sua verdade a quem precisa, e aos líderes chineses para que possam retirar as suas tropas daquele país. 
O discurso, embora breve, causou um choque imediato. 
A plateia reagiu com uma mistura de aplausos esparsos e silêncio constrangido. 
O que se seguiu a essa cerimônia foi uma represália discreta, mas eficaz. 
Richard Gere não foi convidado a apresentar ou participar de nenhuma cerimônia do Oscar por exatos vinte anos. 
A  Academia de artes e ciências cinematográficas nunca emitiu uma declaração formal de banimento, mas a ausência do ator por duas décadas foi amplamente interpretada pela imprensa como uma punição direta por seu desvio do protocolo. 
Sua postura teve outras consequências, especialmente no que diz respeito ao seu relacionamento com a China. 
Ele foi proibido de entrar naquele país e passou a ser evitado por produtoras que buscavam financiamento ou distribuição no país asiático. 
O ator confirmou, em entrevistas posteriores, que essa posição política o levou a perder papéis em filmes, pois os investidores chineses o recusavam. 
Apesar do alto custo pessoal e profissional, Richard Gere nunca demonstrou arrependimento pela sua ação. 
Em suas manifestações, ele reiterou sua dedicação à causa do Tibete e aos princípios do Dalai Lama. 
Ele encarou o banimento da Academia como uma consequência natural de sua posição moral, que se baseia no princípio de lutar contra as violações dos direitos humanos.
Não discutimos a questão política. 
O que desejamos ressaltar é o exemplo de um indivíduo que usou sua fama e plataforma em um momento de pico de visibilidade global para defender uma causa que considerava justa, sacrificando potencialmente sua carreira.
* * * 
Quantas vezes, em nossas vidas, deixamos de defender o correto, o moral, o ético com medo de represálias? 
Com medo de perder amigos, posição social, prestígio. 
Em tempos de tantas injustiças, temos a coragem de defender o mais fraco, o excluído?
Estamos atentos que, como cristãos, devemos defender o que é correto, justo e bom? 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Richard Gere. 
Em 11.03.2026

terça-feira, 10 de março de 2026

O MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO

Elisa Correa
A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar. 
Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra. 
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas. 
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por consequência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos. 
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição. 
Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes. 
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados. 
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso. 
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista... 
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás. 
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. 
Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. 
Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis. 
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. 
Em mera imagem. 
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões. 
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
-Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar. 
Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira. 
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto. 
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação. 
A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito. 
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre. 
* * * 
Evite o excesso de exigência para com os outros. 
Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo. 
O diferente está ao nosso lado por razões especiais. 
É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008. 
Em 07.12.2017.

segunda-feira, 9 de março de 2026

NÃO DOEU NADA

ADÉLIA PRADO
Pensando em sua morte, de maneira inspirada, escreveu uma poetisa brasileira: 
 Acho que morrer é assim: 
Deus, me passa no pontilhão? 
A pé ou no colo? 
No colo. 
Você fecha os olhos
 e quando abre já passou. 
Não doeu nada. 
* * * 
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem? 
-Não gosto de pensar sobre isso! – Dizem uns. 
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros. 
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. – Afirmam ainda alguns. 
A morte é um fenômeno natural. 
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro. 
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo. 
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma. 
Como se dará a passagem para cada um de nós? 
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um. 
Pode não doer nada? 
Pode sim. 
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento. 
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual. 
Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. 
Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber. 
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade. 
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou. 
Não doeu nada.
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea. 
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual. 
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela. 
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida. 
Fundamental cultivar o desapego. 
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado. 
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta. 
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá. 
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem. 
O amor não é perdido. 
As memórias não são perdidas. 
Tudo que construímos não se perde. 
Não nos preocupemos. 
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda. 
Deus nos carrega no colo, quando precisamos. 
Ele faz isso constantemente, sem percebermos. 
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida. 
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record, e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 09.03.2026.

domingo, 8 de março de 2026

A MULHER SOL

Não a conheço. 
Jamais a vira antes e, possivelmente, nesta cidade onde transitam milhares de pessoas, todos os dias, jamais tornarei a vê-la. 
Ela transitava pela calçada, no sentido contrário ao da minha caminhada. 
O que me chamou a atenção foram seus cabelos de prata que admirei. 
Seriam tingidos pelos dedos do tempo ou por produtos químicos? 
Ao passar por mim, o rosto dela se iluminou, num sorriso aberto, espontâneo. 
Seus lábios se abriram e disseram com uma agradável entonação: 
-Bom dia! 
Senti uma vibração de paz invadir-me. Uma aura de harmonia abraçar-me. 
E, naquele átimo de segundo em que nos cruzamos, enquanto lhe respondia ao cumprimento, pude lhe ver o rosto. 
As rugas haviam iniciado a desenhar arabescos em linhas suaves, denunciando o passar dos anos. 
Os olhos claros brilhavam na manhã ensolarada. 
Gravei-lhe a expressão na memória. 
Nestes dias de tanto atropelo, tanta pressa, em que as pessoas parecem correr como se desejassem recuperar minutos que já se foram, deparar com um rosto tão tranquilo, realmente, é inusitado. 
Também encontrar alguém que deseje Bom dia! 
Com vontade, com sincero desejo de que seja um dia muito bom. 
Nada mecânico.
Nada convencional. 
Continuei meu caminho quase num enlevo, envolvido nas vibrações harmônicas jorradas daquela expressão fisionômica tão serena. 
Fiquei pensando em quantas pessoas ela haveria de encontrar em seu dia e para quantas a sua presença, o seu olhar, o seu sorriso ou o seu cumprimento fariam a grande diferença. 
Como fizera comigo, em rápido segundo. 
A quantas ela ofereceria aquele cumprimento tão especial. E não pude deixar de indagar a mim mesmo: 
-Terá ela saído de casa com esse propósito de iluminar as horas das pessoas que encontrasse? Ou aquilo lhe seria, simplesmente, a maneira natural de ser em sua vida?
* * * 
Quantos de nós temos essa capacidade de beneficiar alguém com nossa presença? 
Capacidade para iluminar o dia, alegrar as horas de quem caminha ao nosso lado ou de quem, simplesmente, passa por nós. 
Quantos de nós temos esse condão de tornar o dia de alguém muito diferente, melhor? 
Transformar brumas em sol, nuvens em claridade, problemas em soluções. 
Somente pode fazer sol quem tem raios de luz dentro de si.
Somente pode irradiar serenidade quem alcançou a harmonia interior, quem suplantou a si próprio e administra muito bem as dificuldades que se apresentam. 
Alcançar esse estágio deveria ser uma meta para nós.
Destoarmos no mundo. 
Sermos irradiadores do bem, do belo, das coisas positivas e grandiosas. 
Para isso, basta-nos a vontade, o querer. 
Por isso, enquanto o dia canta esperanças, enquanto as horas se renovam, iniciemos nossa campanha particular, individual.
A campanha de fazer sol nas alheias vidas. 
Redação do Momento Espírita.
Em 28.12.2017.

sábado, 7 de março de 2026

A HORA DA MORTE

Michael Tan
Das certezas que podemos ter, neste mundo, a morte é sem dúvida uma delas. 
Nenhum ser vivo pode se furtar a ela. 
Mensageira estranha, por vezes, abraça os mais jovens e os sadios, deixando para trás idosos e doentes. Contudo, sempre chega. 
Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todos evitamos tocar. 
Por isso mesmo, quando chega, surpreende e muitas lágrimas são derramadas. 
Lágrimas que se casam a exclamações como: Se eu soubesse que era o seu último dia! 
-Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele. 
É bom considerarmos que nossa existência é efêmera. 
Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida. 
O ser amado que se despede para o trabalho diário pode não retornar. 
A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa. 
Como a irmã daquele menino de dez anos. 
Ele entrou em casa e chamou pela mãe. 
Ela estava no quarto, sentada, quieta. 
-Sua irmã morreu esta manhã. – Foi o que ela disse. 
O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho. 
Durante muito tempo ele perguntava para a mãe: Ela vai voltar? 
Por que ela teve de morrer? 
Por muitos dias, ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta. 
Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. 
Tudo estava bem arrumado: os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.
A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando fora para o colégio naquela última manhã. 
Depois, devolvia tudo no seu lugar. 
Perguntava-se se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas. 
O que ele sempre lembraria foi o que acontecera duas noites antes de a irmã morrer. 
Ela chegara em casa preocupada. 
Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte. 
Ele se dispôs a ajudá-la. 
Juntos fizeram doze borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares. 
No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertara mais cedo. 
Observou-a se aprontando para a escola e ficou segurando a porta aberta para que ela saísse com tranquilidade. 
Em uma das mãos, ela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus. 
Estava de uniforme azul.
Tinha só quatorze anos.
E suas últimas palavras para Michael foram: 
-Até logo, irmão. 
Passadas mais de quatro décadas, Michael ainda guardava a lembrança de sua irmã e de todos esses detalhes. 
Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos. 
E espera. 
Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o Grande Além. 
Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez. 
* * * 
Amemos muito. 
Usufruamos a companhia dos afetos. 
Quando um deles se for, poderemos acalentar nossos dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados. 
E isso amenizará nossa grande saudade até o dia do reencontro. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A despedida, de Michael Tan, da revista Seleções Reader´s Digest, de out/2005.
Em 07.03.2026