terça-feira, 6 de outubro de 2026

CICATRIZES DA TRAIÇÃO

Michael Kitzelmann
Existem dores na vida que parecem dilacerar a nossa alma de uma maneira irreparável. 
Entre as mais profundas e silenciosas, está a dor da traição.
Quando depositamos nossos medos e vulnerabilidades nas mãos de um amigo, alguém em quem confiamos plenamente, construímos uma sagrada ponte de afeto. 
Quando essa confiança é rudemente quebrada, quando aquele que chamávamos de amigo nos entrega à maldade do mundo, a ponte desmorona. 
O coração sangra, não apenas pelo ato em si, sobretudo pela ruptura desse laço de amizade. 
Foi essa dor avassaladora que um jovem de apenas vinte e seis anos enfrentou em um dos períodos mais sombrios da história. 
Ele era o tenente alemão Michael Kitzelmann. 
Criado sob os preceitos da fé cristã no interior da Baviera, ele aprendera que a vida humana é sagrada, um sopro divino que jamais poderia ser tratado como descartável. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, ao ser enviado para a frente de batalha, durante a invasão da União Soviética em 1941, Michael se defrontou com o extermínio de civis.
Mulheres, idosos e crianças indefesas sendo conduzidos para valas abertas, executados sem qualquer julgamento. 
A alma do jovem oficial não suportou o peso do silêncio.
Abalado, ele escreveu à sua família, dizendo que as imagens daqueles inocentes ficariam gravadas em sua alma para sempre. 
-Não estamos lutando contra soldados. Estamos matando pessoas indefesas. Isto não é guerra. É um crime, denunciou ele a terrível hipocrisia de um regime de trevas, que promovia o ódio. 
Em março de 1942, enquanto se recuperava de um ferimento em um leito de hospital, Michael sentiu a imensa necessidade de desabafar. 
Abriu seu coração angustiado a um colega militar revelando sua repulsa pela guerra. 
Era alguém que ele acreditava partilhar da sua mesma luz e humanidade. 
A resposta a essa partilha foi a mais amarga das traições. 
O colega o denunciou aos superiores. 
A facada da delação o levou à prisão e a uma corte marcial. 
A traição de quem ele confiava o entregou ao pelotão de fuzilamento. 
Aguardando a execução, Michael manteve a coragem de defender a verdade, sabendo perfeitamente que isso custaria sua juventude e sua existência. 
Em 11 de junho de 1942, diante das armas que ceifariam sua vida física, ele fez uma última e belíssima escolha.
Em um ato de suprema elevação espiritual, perdoou o companheiro de armas que o havia traído. 
* * * 
A dor da traição é um profundo e assustador desamparo.
Quando aquele a quem entregamos as chaves do nosso santuário íntimo nos fere, o chão desaparece sob nossos pés.
E nos questionamos se os sorrisos compartilhados foram reais, se as palavras de afeto não passaram de falas ensaiadas. 
É uma dor que queima de forma silenciosa e solitária. 
O coração, antes um abrigo acolhedor, torna-se um palco de ecos dolorosos. 
Compreendamos que o punhal da deslealdade fala unicamente das mãos de quem o segura. 
A traição reflete a profunda imaturidade espiritual daquele que ainda não aprendeu a honrar o sagrado do outro. 
Por isso, não façamos do ressentimento a nossa estadia.
Redação do Momento Espírita, com fato da vida de Michael Kitzelmann, baseado em Bundesarchiv (Arquivo Federal da Alemanha), Gedenkstätte Deutscher Widerstand (Memorial da Resistência Alemã) e Volksbund Deutsche Kriegsgräberfürsorge (Comissão Alemã para Túmulos de Guerra) 
Em 05.10.2026

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

NOCESSIDADE DE MEDITAÇÃO

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
JOANNA DE ÂNGELIS
A meditação é recurso valioso para uma existência sadia e tranquila. 
Você medita? 
Caso sua resposta tenha sido não, é sempre tempo de começar. 
Através dela o homem adquire o conhecimento de si mesmo, penetrando na sua realidade íntima e descobrindo recursos que nele dormem inexplorados. 
Meditar significa reunir os fragmentos da emoção num todo harmonioso que elimina as fobias e ansiedades, liberando os sentimentos que aprisionam o indivíduo, impossibilitando-lhe o avanço para o progresso. 
As pressões e excitações do mundo agitado e competitivo, bem como as insatisfações e rebeldias íntimas, geram um campo de conflito na personalidade. 
Esse campo de conflito termina por enfermar o indivíduo que se sente desajustado. 
A meditação propõe a terapia de refazimento, conduzindo-o aos valores realmente legítimos pelos quais deve lutar. 
Não se faz necessária uma alienação da sociedade.
Tampouco a busca de fórmulas ou de práticas místicas ou a imposição de novos hábitos em substituição dos anteriores.
Algumas instruções singelas são úteis para quem deseje renovar as energias, reoxigenar as células da alma e revigorar as disposições otimistas. 
A respiração calma e profunda, em ritmo tranquilo, é fator essencial para o exercício da meditação. 
Logo após, o relaxamento dos músculos, eliminando os pontos de tensão nos espaços físicos e mentais, mediante a expulsão da ansiedade e da falta de confiança. 
Em seguida, manter-se sereno, imóvel quanto possível, fixando a mente em algo belo, superior e dinâmico. 
Algo como o ideal de felicidade, além dos limites e das impressões objetivas. 
Esse esforço torna-se uma valiosa tentativa de compreender a vida, descobrir o significado da existência, da natureza humana e da própria mente. 
Por esse processo, há uma identificação entre a criatura e o Criador, compreendendo-se, então, quem somos, por que e para que se vive.
Esse momento não deve ser interrogação do intelecto. É de silêncio. 
Não se trata de fugir da realidade objetiva mas de superá-la.
Não se persegue um alvo à frente.
Antes, se harmoniza o todo. 
O indivíduo, na sua totalidade, medita, realiza-se, libera-se da matéria, penetrando na faixa do mundo extrafísico.
* * * 
Crie o hábito da meditação, após as fadigas. 
Reserve alguns minutos ao dia para a meditação, para a paz que renova para outras lutas. 
Terminado o seu refazimento, ore e agradeça a Deus a bênção da vida, permanecendo disposto para a conquista dos degraus de ascensão que deve galgar com otimismo e vigor.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16, do Livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 06.01.2016.

domingo, 4 de outubro de 2026

NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Quando o homem se aproxima do Evangelho são muitas as perguntas que passa a se fazer. 
Por vezes, a consciência lhe diz que deve tomar certas atitudes e abrir mão de outras. 
Em certos momentos, a mensagem parece estabelecer conflitos com a realidade que vive. 
Tal se dá, por exemplo, no que diz respeito ao que seja necessário ou supérfluo. 
Qual será o ponto exato em que termina um e começa o outro? 
Viajar será supérfluo? 
Possuir vários calçados e roupas será errado? 
Permitir-se o lazer e gastar algum dinheiro com ele será supérfluo? 
Lembramo-nos de Madre Teresa de Calcutá. 
Ao ser convidada a receber o Prêmio Nobel a que fez jus, ela pediu permissão para dispensar o banquete, pois preferia que a importância a que seria gasta com ele lhe fosse dada para os seus pobres. 
Afirmou, então, que duas colheres de arroz eram suficientes para sua alimentação. 
Para vestir-se, dois sarís era o que tinha.
Para sua mente, estava bem claro o que lhe era necessário e o que considerava supérfluo. 
Convenhamos, entretanto, que necessitamos nos apresentar de acordo com as funções e a profissão que exercemos.
Dependendo da profissão, não será supérfluo manter um guarda-roupa razoável, que nos permita comparecer aos locais com a vestimenta adequada, se isso for necessário.
Supérflua será a ostentação vaidosa de trajes e grifes. Alimentarmo-nos é necessário e cada um de nós tem sua cota estabelecida pelo seu próprio organismo. 
Ele nos diz o limite do necessário. 
Quando desvirtuamos as nossas necessidades alimentares, permitindo-nos a gula, criamos necessidades artificiais e caímos no supérfluo. 
Talvez uma boa medida do necessário e do supérfluo possa nos ser dada pelo nosso guarda-roupa. 
Quando as roupas forem tantas que o armário já não as consiga guardar, quando ao abrirmos as suas portas caem várias peças, pois que não há mais espaço para as ajeitar, eis o supérfluo. 
Quando o mofo e as traças se apoderam dos nossos guardados, estão dizendo que há supérfluos pois se a necessidade ditasse o uso, calçados, bolsas, roupas não permaneceriam o tempo suficiente em gavetas e armários para servirem de alimento a traças e sofrerem a ação continuada da umidade. 
O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. 
Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. 
Desenvolvamos em nós o senso moral e o sentimento de caridade que nos permitem o acerto, repartindo o que sobra com quem tem pouco ou nada tem. 
Você sabia... ...que a busca do bem-estar pelo homem é um desejo natural? 
E que a procura do bem-estar só é indevida se esse for conquistado às custas de alguém ou colaborar para o enfraquecimento das forças físicas ou morais do homem?
O maior mérito para o homem é fazer o bem aos outros.
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.12.2012.

sábado, 3 de outubro de 2026

NECESSÁRIA ESPERANÇA

André Comte Sponville
Você se considera alguém esperançoso? 
Você acha importante ter esperança na vida? 
Em que você tem esperança?
Curiosamente, alguns pensadores consideram-na uma ameaça. 
André Comte Sponville, filósofo moderno, afirma que a esperança deseja e teme um futuro que ainda não é, que talvez nunca seja, mas que a tortura com sua ausência. 
Para ele, nessa esperança que dizemos cultivar, há ainda muita incerteza e angústia, pois não se sabe realmente se aquilo vai ou não acontecer, se vamos ou não conseguir alcançar o que intentamos. 
É como se nos auto-enganássemos, querendo revestir de um sentimento de prazer, de alegria, um esperar que, no fundo, é totalmente incerto. 
Nietzsche é categórico, nesse sentido, dizendo que a esperança prolonga o sofrimento, por isso seria o pior dos males. 
Desconsiderando a dose extra de pessimismo nas palavras do filósofo alemão, verificaremos que há muita verdade em seu dizer. 
Se colocarmos sob observação o que entendemos por esperança, e a forma com que muitos ainda a cultivamos no mundo, veremos que todos estão certos em combatê-la. 
A esperança vulgar, do simples esperar comodista, estático, engessado, quase sempre é grande mal para o Espírito nas vias do progresso. 
Quantos dizem: 
-Tenho esperança de conseguir uma vida melhor!... 
Mas não movem um dedo sequer na direção desse sonho.
Quantos afirmam, suspirando: 
-Tenho esperança de que o mundo vai tomar jeito... 
Mas não são capazes de enxergar que está na sua modificação íntima o tal jeito do mundo. 
Quantos têm esperança de conseguir isto ou aquilo, mas não entendem que precisam fazer por merecer tais conquistas. 
Ter esperança não é esperar, simplesmente, pois a esperança verdadeira é virtude, é perfeição da alma. 
Por ser virtude, é força ativa, atuante, e não desejo vago paralisante. 
Na verdadeira esperança não há insegurança, e sim, apenas a confiança plena de que tudo acabará bem, independente do que for acontecer. 
Essa segurança é dada pela confiança nas Leis Divinas, perfeitas, que regem o Universo de forma magnificamente precisa. 
Na verdadeira esperança não há a angústia da expectativa.
Ela é substituída pela alegria, pela tranqüilidade de quem espera com confiança. 
* * * 
Quando o indivíduo se encontra na encruzilhada de decisões importantes, é a esperança que o estimula à seleção do caminho a seguir. 
Quando os céus se apresentam borrascosos e ameaçadores, é a esperança que anuncia a claridade vitoriosa que logo mais chegará.
Quando as dificuldades aturdem e as perspectivas de êxito fazem-se mais remotas ou impossíveis, é a esperança que propõe novos tentames, a fim de que tudo se modifique.
Quando a morte domina, arrebatando os seres queridos da convivência física e deixando uma lacuna quase impreenchível, é a esperança do reencontro que alenta no prosseguimento da marcha. 
Redação do Momento Espírita com citações do cap. Gratidão, do livro Pequeno tratado das grandes virtudes, de André Comte Sponville, ed. Martins Fontes e do cap. 25 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Angelis, ed. Leal. 
Em 06.11.2008.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ACOLHENDO NOSSAS EMOÇÕES

Beatrice Alemagna
Há dias em que perdemos o controle das nossas emoções.
Num instante de frustração, num acesso de fúria diante dos desafios do cotidiano, tomamos atitudes impulsivas que nos custam a paz. 
A literatura contemporânea nos presenteia com uma história belíssima e profunda, que ilustra exatamente essa nossa condição humana. 
Ela nos apresenta o pequeno Yuki, que, num dia comum, dominado pela raiva descontrolada, faz algo impensado: joga a própria chave de casa diretamente no ralo do esgoto. 
Assim que a chave desaparece na escuridão, o fogo da ira se apaga, dando lugar a um sentimento frio e pesado: a culpa.
Sem a chave, ele não tem como voltar para o seu refúgio, para a sua casa. 
Quantas vezes nós mesmos fazemos exatamente isso?
Dominados pela impaciência, atiramos pelo ralo as chaves da nossa tranquilidade doméstica e ferimos aqueles que mais amamos. 
Mas o jovem Yuki toma uma atitude corajosa. 
Percebendo o erro, ele decide descer pela escada do ralo para encarar as profundezas e recuperar o que perdeu. 
E é aqui que a história toma um rumo poético e revelador para todos nós. 
Ao chegar ao subsolo, ele não encontra um lugar feio, assustador ou cheio de monstros, como se poderia imaginar.
Ele encontra o país do lodo, um reino subterrâneo denso, feito de terra, raízes e antigas memórias.
Ele é recebido pela guardiã daquele mundo: a princesa lamacenta, uma figura monumental, feita inteiramente de lama, mas profundamente acolhedora. 
Em vez de dar uma bronca ou punir o garoto pelo seu ato de fúria, ela o recebe com imensa empatia e ternura. 
Ela lhe explica que a lama, que representa as nossas emoções confusas e difíceis, faz parte de todo ser humano.
Com doçura, ela se oferece para guiá-lo naquela jornada pelo subsolo misterioso, ajudando-o a encontrar a chave perdida.
Que lição magnífica para aqueles que somos tão duros conosco mesmos. 
Eis aqui um convite certeiro para o autoconhecimento.
Quando descemos aos nossos próprios porões psíquicos, logo após um erro, costumamos nos condenar com extrema severidade, nos culpamos e nos maltratamos como se fôssemos seres imperdoáveis. 
No entanto, o que precisamos encontrar lá no fundo da nossa alma é a nossa princesa lamacenta, ou seja, o nosso próprio olhar de autocompaixão e entendimento. 
Precisamos compreender que a nossa lama interior – nossos medos, nossas inseguranças e nossas revoltas – é composta da terra das nossas experiências e das raízes do nosso passado milenar. 
Como nos ensina a Espiritualidade maior, não fomos criados perfeitos. 
Estamos em plena construção da nossa consciência imortal, aprendendo através das próprias quedas. 
Assim, quando tropeçarmos nas nossas emoções e perdermos a chave da nossa paz, não nos desesperemos, nem nos castiguemos com crueldade. 
Desçamos corajosamente aos nossos sentimentos.
Encaremos a nossa lama com a luz da empatia e do perdão para conosco mesmo. 
Acolhamos nossas emoções difíceis, aprendamos com elas, resgatemos a chave da nossa renovação íntima e, serenamente, voltemos para casa. 
Voltemos para o aconchego do nosso coração. 
Redação do Momento Espírita com base no livro Sua Alteza Lamacenta, princesa no país do lodo, de Beatrice Alemagna, ed. WMF Martins Fontes. 
Em 02.10.2026

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ELA MERECE MAIS

Nico Williams e sua mãe
Nico Williams, um dos destaques da seleção espanhola – campeã do mundo de futebol de 2026 –, prestou uma bela homenagem à mãe logo após ser consagrado.
No instante mais glorioso da carreira, ele retirou a medalha de ouro do peito, caminhou até a arquibancada, e entregou à sua mãe dizendo: 
-Eu corro rápido, mas não tão rápido quanto a minha mãe. Ela escapou da morte e atravessou o Saara, de Gana à Espanha. 
Dei a medalha a ela porque ela merece mais.
Antes de os filhos nascerem, Maria e o marido deixaram Gana, na África Ocidental, em busca de uma vida melhor. 
Eles cruzaram o deserto do Saara enfrentando calor extremo, fome, medo e muitas dificuldades. 
Ela estava grávida durante parte da jornada. 
Chegando à cidade de Melila, conseguiram asilo e reconstruíram a vida em terra espanhola. 
Agora, o menino que cresceu graças ao sacrifício dos pais conquistou o maior dos títulos do futebol mundial, e fez questão de reconhecer o mérito dos que vieram antes. 
* * * 
Será que já tivemos chance de fazer o mesmo? diante das nossas conquistas, das vitórias, das fases importantes da vida que foram vencidas, reconhecemos o papel dos que vieram antes de nós? 
Às vezes são os pais. 
Às vezes é uma avó, um avô, uma tia, uma professora.
Aquela pessoa que, em momentos-chave da vida, atuou para que nós pudéssemos construir nossa história com segurança.
Será que agradecemos? 
Será que reconhecemos o papel dessas pessoas? 
Papéis apagados, parecendo quase sem importância. 
Mas persistentes e lutadores. 
Por vezes, pessoas simples, que se doaram ao extremo para que nós pudéssemos existir. 
Em outros casos, almas esclarecidas que nos ofereceram lições de vida ou que nos salvaram de problemas graves.
Reconhecer que devemos nossas conquistas também ao trabalho dos que vieram antes não nos faz menores, não nos faz perder parte do mérito. 
Ao contrário, isso mostra que amadurecemos, que sabemos ser grandes. 
Esta é uma das razões de encontrarmos o honrar pai e mãe entre os ensinos mais importantes e antigos da humanidade, no Decálogo. 
Nesse honrar está inserido o reconhecimento aos que nos abriram os caminhos da encarnação. 
Também aos que se sacrificaram para que tivéssemos melhores dias. 
Dessa forma, diante de qualquer conquista, diante de toda felicidade, lembremos de correr para a arquibancada da vida e prestar a devida homenagem aos que nos foram importantes.
E continuam sendo. 
Não os deixemos relegados ao esquecimento, simplesmente pelo fato de que não dependemos mais deles. 
Façamos questão de tê-los perto do coração. 
A gratidão é uma alegria dividida. Ser grato não é se sentir na obrigação de devolver alguma coisa, mas sim de dividir. 
Nada fará essas pessoas mais felizes do que poder fazer parte desses momentos conosco. 
Elas entenderão o quanto valeu a pena.
Entenderão o quanto o amor que ofereceram em sacrifício é grandioso. 
Assim, quando estivermos em nossos bons dias, correndo muito, ganhando medalhas, lembremos que, para que isso acontecesse, alguém correu antes. 
E muito mais... 
Redação do Momento Espírita com base em reportagem do portal Só Notícia Boa, de 19.7.2026. 
Em 01º.10.2026

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A NECESSÁRIA CONVIVÊNCIA

Já nos demos conta de que não são poucos os habitantes de nosso planeta que estagiam em um nível de consciência mais lúcido? 
Com frequência, encontramos aqueles com comportamentos éticos exemplares, com atitudes generosas em relação ao próximo, preocupados com o coletivo e o bem-estar alheio.
São inúmeros a lutar em prol do meio ambiente, contra o racismo, defendendo minorias, buscando igualdade de gênero. 
Muitos outros se dedicam aos desfavorecidos, às populações em situação de rua, aos abandonados, aflitos, distribuindo amor em forma de comida, conversa ou sorrisos. 
Alguns, ainda muito jovens, se encontram à frente de ONGs, defendendo uma sociedade mais igualitária, mais justa.
Outros, profissionais de larga experiência, se engajam em trabalhos voluntários ou mesmo usam sua expertise para causas coletivas e de impacto social. 
Tantos são os voluntários em asilos, creches, escolas, oferecendo solidariedade, suas presenças, amenizando dores.
Todos esses fazem o bem e fomentam a paz na sociedade.
É assim que, impactados por tantos a fazer tanto, passamos também a oferecer um pouco de nós, em prol do mundo.
Começamos a nos esforçar em modificar nossas paisagens íntimas. 
Buscamos nos engajar em causas importantes, e colaboramos para que o mundo seja melhor, a partir de nós.
Nada obstante esse esforço de outros e de nós mesmos, também encontraremos aqueles ainda refratários a tal movimento de progresso. 
São os que agem em prol de si próprios, sem se preocuparem com padrões éticos, desrespeitando leis e vidas em nome de vantagens pessoais e para os seus. 
São esses que fomentam o crime, a corrupção, oprimem os desfavorecidos, defendendo com unhas e dentes seus interesses. 
Como cada um de nós estagia em seu próprio nível de consciência, não deve nos causar alarde, nem constrangimento, encontrar aqueles que ainda não comungam de sentimentos mais nobres. 
Porém, não nos afastemos deles, nem com eles nos antipatizemos, mesmo que gerem dificuldade e criem problemas à nossa volta. 
No esforço de autoiluminação em que nos encontramos, utilizemos da paciência para com esses difíceis companheiros de jornada. 
Se no trânsito encontramos alguém arrogante, em desequilíbrio e insensato, ofereçamos a nossa compreensão e vibrações de paz. 
Logo mais, ele, em momento aprazado, encontrará oportunidade de reflexão e aprendizado. 
Se o colega de trabalho age de maneira irascível, ou se mostra tirano, abusivo, busquemos a palavra firme, porém amiga, fraterna, não sintonizando com as vibrações de sua dificuldade. 
Ele também encontrará, em algum momento, as lições para o despertar da consciência, tal como ocorreu conosco. 
Dessa forma, buscando os primeiros como exemplo, e a esses outros como laboratório de compreensão e empatia, persistamos no esforço de fazer nosso mundo melhor a cada dia. 
Pensemos que em tudo dependemos das mentes mais esclarecidas e dos homens de boa vontade. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.05.2021.