terça-feira, 25 de agosto de 2026

SAUDADE COM EQUILÍBRIO

CHICO XAVIER
Minha mãe, minha amada mãezinha Ebe. 
Eu quero lhe pedir para não chorar.
As suas lágrimas são como chamas 
de dor no meu coração... 
Eu tenho aqui a minha amada
 bisavó Tina 
e o nosso bisavô Amadei, 
que estão comigo. 
Fique tranquila, Deus está conosco. 
À senhora e ao meu pai, 
um beijo do seu filho. 
*** 
Francisco Cândido Xavier psicografou inúmeras cartas, que, muitas vezes, começavam assim, buscando apenas tranquilizar os corações que haviam permanecido na Terra.
Por vezes, mergulhados na imensa dor da saudade, da falta, acabamos nos tornando egoístas, isto é, deixamos de lado a dor daqueles que partiram. 
Eles estão vivos. 
Essa a primeira constatação, a maior certeza.
Não se trata de fé, crença, mas de confirmação da realidade.
Uma realidade que muitos não conhecem e que, no entanto, está mais que clara. 
A segunda certeza nos fala de amparo. 
Todos recebem a devida assistência ao desencarnar, seja pelos antepassados, pela família espiritual que lá está, ou pelos socorristas do bem. 
Há equipes de resgate, equipes responsáveis pelo auxílio aos recém-desencarnados. 
Trabalhadores do bem que se propõem à tarefa nobre de acolher as almas dos que se desligam do corpo. 
Tudo isso é manifestação de um Deus, Pai de amor. 
É a ação de uma Providência Divina muito bem-organizada, ciente de tudo que ocorre no planeta a cada instante. 
Assim, nesses primeiros e mais dolorosos momentos da morte de um amor, digamos a nós mesmos: 
-Calma, nada está fora do controle. Não há razão para desespero ou revolta. 
Num segundo momento, importante pensarmos naquele que parte, mais do que em nós que ficamos. 
Trata-se de um instante necessário, do término de uma jornada no planeta, o fechamento de um ciclo. 
Dói-lhes e os perturba ouvir frases como: 
-Você não poderia ter partido! Por que você me deixou? Como vou viver sem você agora? 
Nosso coração aflito quer dizer isso. 
Sentimos a partida, sofremos com a ausência física. 
Mas não há prova maior de amor do que, nesse momento, deixarmos a nossa dor em segundo plano para pensarmos na tranquilidade dos seres amados. 
Com certeza, desejamos que o momento da partida lhes seja o mais suave, o menos atribulado possível. 
Nós, os que amamos, desejamos somente o melhor aos nossos amores. 
Nesse momento devemos ajudá-los com nossas preces, com pensamentos orientadores e com lembranças positivas. 
Talvez ele ou ela demore para descobrir que ainda vive, embora não mais em um corpo físico. 
E que notícia maravilhosa quando se derem conta disso!
Então, contemos isso a eles em nossas orações, falemos disso em nossas conversas com os familiares e até nas cerimônias que se realizam, em sua homenagem. 
Se sofremos em demasia, eles sofrem conosco. 
Se nos revoltamos, eles querem voltar e não conseguem.
Agindo assim lhes criamos uma agonia desnecessária.
A morte celebra uma nova fase. 
Uma separação temporária, jamais destruição ou fim.
Cultivemos a saudade com equilíbrio, com desejo do bem àqueles que iniciam um novo ciclo, guardando a certeza de que, nem eles e nem nós, que permanecemos aqui, estamos sem amparo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Claramente vivos, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 25.08.2026

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

NÃO VALORIZE AGRESSÕES

JOSÉ RAUL TEIXEIRA
Como você costuma se comportar diante das agressões? Você as valoriza ou não? 
O seu cotidiano será sempre marcado por situações de variados níveis de gravidade. 
Você estará sempre a braços com as correntezas diárias de satisfação ou de tormento que o alcançam para fazê-lo crescer para Deus. 
Em meio aos episódios todos que você vivencia está a agressão entre os indivíduos, que se esbarram a todo momento pelas vias comuns. 
Sem dúvida, você também participa de um modo ou de outro dessa verdadeira tomada humana, cabendo-lhe, no entanto, realizar esforços por superar essas ondas perturbadoras.
Tenha cuidado com o mau humor de familiares, de amigos próximos, do chefe ou do empregado. 
Não lhes passe recibo. 
É muito comum que a pessoa deseje dar ou receber explicações em situações assim. 
Os resultados costumam ser desastrosos. 
Quando veja alguém nas crises de mau humor, ore por ele e busque entender como tratá-lo, como abordá-lo, para que não haja desentendimentos desnecessários. 
Você sairá sempre feliz desses episódios, se adotar essas providências. 
Nessas horas, fale o mínimo, module com tranquilidade a própria voz. 
Não esqueça, porém, de vibrar pelos que estão mal sintonizados. 
Quando receba agressões no movimento de veículos, no trânsito, não revide, pense no bem e avance em seu caminho.
Evite discutir, evite explosões temperamentais, evite atirar ameaças em nome da irritação. 
Você nunca sabe com quem está falando, se é com uma alma serena que cometeu, por um momento, algum equívoco, que se calará frente à sua irritação. ou se está se dirigindo a alguém de temperamento também explosivo, que resolve tudo no braço ou com o uso de armas. 
Recorde-se de que Jesus exaltou a mansuetude e a paz, ao enunciar as bem-aventuranças. 
Busque tranquilizar-se, fazendo esforços por não sintonizar com níveis de fluidos corrompidos onde se vinculam entidades de péssima índole, sejam encarnadas ou não. 
Procure preservar boa relação com seus patrões, com seus empregados, com seus companheiros da oficina de trabalho.
Nada consegue recompensar a alegria e a paz íntima que você sente, cada vez que doma a si mesmo, demonstrando superioridade espiritual, pela capacidade de não valorizar o mal. 
Em cada situação complexa, em qualquer área ou momento da sua vida, aja sempre da melhor forma, evocando o equilíbrio que você quer desenvolver pensando nas bênçãos da paz almejadas. 
Passados os momentos das ocorrências, sejam quais forem, você sentirá saudável atmosfera de harmonia e de segurança espiritual, com a alma iluminada pelo ideal do bem, sem guardar remorsos, sem reter mágoas, sem se perturbar.
Confie no bem e faça o bem, a fim de que você se transforme num polo de equilíbrio a balizar a marcha humana de tanta gente. 
* * * 
O homem, que no mundo ocupa elevada posição, não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. 
O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da Humanidade material. 
Esse compreende que o ódio e o rancor só o rebaixariam.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18 do livro, Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 19.08.2010.

domingo, 23 de agosto de 2026

NÃO TE RECORDES DA NOITE QUANDO TENS O DIA

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura. 
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor. 
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo. 
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva. 
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: 
-Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome.
Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida. 
A resposta de Jesus é brilhante: 
-Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna. Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz. 
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala. 
* * * 
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador. 
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. 
Ajustes com a lei. Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação. 
O alerta a Madalena serve para todos nós. 
Não olhar para o passado. 
Não olhar para a noite que se foi. 
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. 
Dessa maneira, proponhamo-nos a arar! Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás.
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. 
Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural. Conhecer a si mesmo é uma coisa. 
Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente. 
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante. 
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material. 
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo. 
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe. 
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro. 
Lembremos da recomendação do Mestre: 
-Não te recordes da noite, quando tens o dia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 da obra A estrela verde, de Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho, ed. LEAL. 
Em 25.07.2026
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sábado, 22 de agosto de 2026

PROVOCANDO ESCÂNDALOS

Marcelo Anátocles Ferreira
Profundo conhecedor das Suas ovelhas, Jesus de Nazaré asseverou que o escândalo se faz necessário na Terra. 
Mas advertiu sobre a responsabilidade de quem o provoca. 
Em 1937, o pintor espanhol Pablo Picasso concebeu a célebre obra Guernica. 
O quadro retratava o terrível massacre da Alemanha nazista, sofrido por aquela cidade no período da guerra civil espanhola. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, o seu apartamento em Paris foi invadido por soldados alemães. 
Ao encontrarem os esboços da obra, um dos militares questionou de forma imediata: 
-Você fez isso? 
Com serenidade, o pintor respondeu: 
Pablo Picasso
-Eu não, vocês fizeram. 
Qual seria o verdadeiro escândalo: pintar Guernica para denunciar o mal, ou ser responsável pelo massacre?
No final do século 19, um escândalo político abalou a França. 
O judeu Alfred Dreyfus, oficial da artilharia do Exército francês, foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de alta traição. 
O processo, embasado em documentos falsos, foi conduzido a portas fechadas, impedindo que o inocente produzisse provas a seu favor. 
Inconformada, sua família lutou sem sucesso pela revisão da sentença. 
Em busca de apoio, procurou o escritor Émile Zola, que, indignado, publicou, na primeira página de um jornal, uma carta aberta ao presidente da República, que ficou conhecida como Eu acuso
Isso lhe custou o exílio em Londres. 
Contudo, o impacto da matéria foi tão grave que o processo foi reaberto, o verdadeiro traidor foi descoberto e Dreyfus, após cinco dolorosos anos de prisão, recuperou a liberdade.
Em 1857, quando Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos, provocou um escândalo que abalou as bases da filosofia e da religião. 
Ele e seus seguidores enfrentaram severas perseguições, culminando no Auto de fé de Barcelona, em 1861, quando 300 livros espíritas foram incendiados por ordem do bispo local.
Não menores, com toda certeza, foram os escândalos provocados por João Batista com o anúncio de que vinha preparar os caminhos do Senhor. 
E do Nazareno, que nos apresentou Deus como Pai de todos os residentes do planeta. 
Um Deus de amor, misericórdia e justiça, que ampara aos Seus filhos. 
Escândalos numerosos produziram os primitivos seguidores do Cristo, descendo às arenas do circo romano cantando louvores, testificando da romagem que empreendiam para a verdadeira vida. 
A história mostra que quase todo grande avanço moral, científico ou artístico começou como um escândalo. 
A afirmação de Galileu Galilei de que a Terra girava em torno do Sol foi um escândalo que abalou a visão de mundo da época. 
A luta para que mulheres tivessem o direito ao voto e o movimento pela Abolição da Escravatura foram tratados como atos escandalosos que destruiriam a família e a economia.
Podemos dizer que o escândalo positivo é a dor do crescimento intelectual e moral da humanidade. 
Ele destrói uma velha ordem para que uma forma mais elevada de pensamento, justiça ou empatia ocupe o seu lugar.
Que tal nos tornarmos promotores de escândalos positivos, agindo como verdadeiros seguidores do Homem de Nazaré?
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O mundo precisa de mais escândalos positivos, de Marcelo Anátocles Ferreira, do Jornal Mundo Espírita, edição 1703, ano 94, da Federação Espírita do Paraná. 
Em 21.08.2026

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

NÃO TENHA INVEJA DOS RICOS

JOANNA DE ÂNGELIS
DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Quem nunca sonhou em ser milionário? 
Viver entre luxo e festas, divertimentos, viagens e alegria?
Essa aspiração é universal e é comum a pessoas de todos os países e épocas. 
É que a maior parte da Humanidade fixa seus interesses apenas na vida material. 
Acreditamos mesmo que a boa condição financeira vai nos trazer a completa felicidade.
É uma ilusão.
Associamos o bem-estar a coisas que nos dão prazer ou satisfazem nossos sentidos: boa comida, conforto, pessoas que nos servem e atendem aos nossos mínimos desejos. 
Aos poucos, passamos a acreditar que os ricos é que são felizes em suas vidas, que nos parecem uma permanente festa. 
Quando passam em seus carros de luxo, elegantemente vestidos, suspiramos ao contemplar a beleza das joias e, sequer imaginamos que algo possa estragar tal felicidade.
Mas, nos enganamos.
As belas residências também abrigam gente que se entristece, que tem problemas, que está sujeita à doença, morte, traições, decepção. 
E quantas vezes os ricos carregam excessiva carga de dores que não vemos. 
Sim, pois o dinheiro tem o poder de trazer consigo falsas amizades, ambição, paixões e excessos. 
A riqueza tem um componente ainda mais grave. 
Não raro, ela nos escraviza. 
Muros altos, cercas eletrificadas, guardas de segurança, cães e grades atestam o medo que deixa sitiadas as grandes fortunas. 
É o temor de ladrões, de sequestradores, de gente que tentará enganar ou levar algum tipo de vantagem. 
E o que dizer do medo de que os amores e amizades sejam interesseiros? 
O que pensar das brutais disputas por heranças? 
São escravizações. 
O dinheiro tem, ainda, um estranho poder: o de fazer com que se gaste tanto quanto se ganha. 
E que sempre se queira muito mais do que se tem. 
É comum vermos as pessoas passarem horas a buscar os melhores investimentos, as aplicações mais rentáveis.
Atormentam-se com as oscilações da bolsa de valores e acompanham trêmulos o comportamento do mercado.
Escravos do dinheiro, que deveria lhes trazer benefícios. 
Por isso, não tenha inveja dos ricos. 
Não queira ser mais um a ser dominado pelo dinheiro. 
Se tiver que admirar alguém, que seja aquele que consegue viver satisfeito com o que tem. 
Se tiver de imitar alguém, que seja o sábio Francisco de Assis, que sentiu a força escravizadora da fortuna e optou pela liberdade. 
Francisco pobre, feliz Francisco, que escolheu o amor em vez do dinheiro. 
* * * 
A riqueza, sob qualquer aspecto considerada, é bênção que Deus concede ao homem para sua felicidade. 
Ao homem compete bem utilizá-la, multiplicando-a em dons de misericórdia e progresso a benefício do próximo. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento extraído do verbete Riqueza, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, v. 2., ed. LEAL. Disponível no livro Momento Espírita v. 7. ed. FEP 
Em 16.12.2021

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

NÃO TEM PREÇO

Às vésperas do Natal, chegou a nota, por e-mail, lacônica e terrível. 
Todos os cursos da Faculdade estavam sendo encerrados.
Alunos e professores ficaram estarrecidos, desarvorados. 
-Que presente de Natal! – Comentaram alguns. 
Uma professora, em especial, vestiu-se de tristeza.
Lecionando há bastante tempo, naquela Universidade, ela tinha muitos compromissos assumidos, contando com o salário dos próximos meses. 
Agora, lhe parecia que o chão lhe fora retirado de sob os pés.
Começou a fazer contas, a pensar onde buscar nova colocação. 
Naturalmente, nuvens de preocupação lhe cobriram a face, a tal ponto que o filho, de apenas cinco anos, percebeu. 
E, ouvindo comentários aqui, ali, foi imaginando, em sua cabecinha, o que significava desemprego.
Era, com certeza, algo muito ruim porque sua mãe estava triste. 
Assim, em certo momento, achegou-se a ela e perguntou:
-Mamãe, se a senhora tivesse dinheiro, poderia comprar seu emprego de volta? 
-Como assim? – Indagou ela, não captando o exato sentido da pergunta. 
-Eu quero saber se a senhora, tendo dinheiro, pode ir na faculdade e comprar seu emprego de volta. 
Verificando a preocupação do menino, ela lhe explicou o que era emprego, ou seja, exatamente o propiciador de recursos para as necessidades da família. 
E, preocupada com o que poderia estar atormentando seu filho, resolveu indagar: 
-Mas, por que você está perguntando isto? 
-Nada não. É que se precisasse de dinheiro para conseguir seu emprego de volta, eu queria lhe dar as moedas do meu cofrinho. Não quero lhe ver triste. 
* * * 
-Filhos? Melhor não tê-los. – Escreveu, certa vez, Vinícius de Moraes. 
Mas, que grande alegria se perderia, que grande amor se deixaria de vivenciar. 
Os anos haverão de rolar, muitas coisas boas e ruins acontecerão na vida daquela mãe. 
No entanto, pode-se afirmar com toda a certeza de que jamais ela esquecerá a oferta do filho, singela, inocente: todo seu tesouro, guardado a pouco e pouco, suas moedinhas, para acabar com a tristeza de sua mãe. 
Isso se chama amor. 
Amor de filho. 
Filhos são gemas preciosas que Deus envia aos corações dos pais para os plenificar de grandeza. 
Maravilhoso gerar um filho. 
Ser cocriador com a Divindade. 
Extraordinário vê-lo se desenvolver dia a dia, descobrindo o mundo ao seu redor. 
Acompanhar-lhe os passos, as pequenas conquistas: ficar de pé, andar, subir e descer degraus, relacionar-se com o mundo, dominar seu próprio espaço. 
Dominar o mundo das letras, das formas, dos números.
Descobrir o milagre da junção dos vocábulos, a riqueza das frases, a poesia dos versos. 
Vê-lo crescer e tornar-se um homem. Cidadão. 
Alguém que colabora positivamente com o mundo. Realmente, não tem preço a ventura de ter filhos. 
Não tem preço ter filhos que tenham tanto amor por nós que desejem dar tudo que têm para nos ver felizes. 
Mesmo que esse tudo sejam somente as moedas de um cofrinho. 
Filhos? Que maravilha tê-los. 
Que presente amá-los, de forma intensa e inigualável.
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.03.2015.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NÃO TE ENTREGUES

Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram?
Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti? 
Pessoas a quem confidenciaste questões particulares, jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais?
Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores? 
Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição?
Acreditas que estás só, difamado, em abandono? 
Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza. 
Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado.
Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais. 
Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis. 
Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta. 
Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos. 
Aqueles que, mesmo cometas erros, prosseguirão contigo.
Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas. 
Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças.
Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes. 
E olha por ti, todos os dias. 
Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões. 
O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-O e evoca-O nas tuas horas mais amargas. 
Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo segundos. 
O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. 
Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato.
Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo.
Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces. 
Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua. 
Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida. 
Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo. 
Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido. 
Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer.
Sempre. 
Serve-te da prece. 
Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. 
Sempre. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 07.04.2017.