domingo, 9 de agosto de 2026

NÃO SEPULTAMOS O ESPÍRITO

Alguns dias após a tragédia ocorrida em Nova Iorque, em 11de setembro de 2001, que abalou o mundo inteiro e, de forma especial, os norteamericanos, o número de mortos já somava milhares. 
As pessoas, inconformadas pela separação brusca dos entes queridos que foram arrebatados do corpo de forma violenta, eram tomadas pelo desespero. 
Após uma cerimônia simples, dezenas de bombeiros foram sepultados. 
Aqueles homens morreram no cumprimento do dever.
Morreram tentando apagar as labaredas que devoravam os dois edifícios e também socorrendo os feridos mais graves.
Agora eles também se despediam do palco terreno, encerrando definitivamente o expediente no corpo físico. 
O capelão do Corpo de Bombeiros proferia algumas palavras de consolo aos familiares dos falecidos. 
De forma serena, expressava profunda fé na vida eterna. 
Dizia ele aos seus ouvintes: 
-Logo mais estes corpos serão enterrados... Nós vamos enterrar os corpos, mas não sepultaremos os Espíritos, pois o Espírito continua vivo, após a morte. Vamos enterrar as mãos, mas não sepultaremos suas obras. Vamos enterrar os pés, mas não sepultaremos seus passos. Vamos enterrar as bocas, mas não sepultaremos as palavras que foram ditas. Vamos enterrar os cérebros, mas suas ideias não podem ser sepultadas. Vamos enterrar os corações, mas seus sentimentos ninguém conseguirá sepultar. Assim sendo, este não é um momento de dizer um adeus definitivo, mas de dizer “até breve”, pois iremos encontrá-los na outra vida. 
* * * 
O capelão, como todo cristão, sabe que não se pode sepultar o Espírito, pois o Espírito é imortal. 
Todo cristão sabe que só corpos podem ser destruídos, porque o Espírito é indestrutível. 
Todo cristão tem certeza de que a vida não acaba com a morte, pois é eterna, conforme ensinou e demonstrou o Mestre de Nazaré. 
VITOR HUGO
Vitor Hugo, poeta e romancista francês que viveu no século passado, falou da Imortalidade da alma dizendo: 
-De cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhantes. Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo que não sou. Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos: “Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.” 
O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem.
Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente. 
As palavras do capelão e o depoimento de Victor Hugo demonstram que a Imortalidade e a individualidade da alma, bem como sua consequente evolução infinita, é uma necessidade lógica para todos aqueles que acreditam num Deus sábio e justo. 
* * * 
É natural que se lamente o sofrimento daqueles familiares que choram a morte dos seus e que rogue a Deus para que os fortaleça nessa hora amarga. 
Todavia, pensemos um pouco naqueles que promovem o terrorismo e com ele tanta desgraça. 
Lembremos que esses são merecedores da nossa mais profunda compaixão, pois são loucos que não sabem o que fazem. 
Aqueles que perderam o corpo no desastre resgataram algum débito pendente com as Leis Divinas e se libertaram, mas os terroristas estão se endividando desastrosamente. 
Quem, nesse caso, é mais necessitado de preces? 
Pense nisso, e não se esqueça de rogar a Deus por eles também! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 01.02.2013.

sábado, 8 de agosto de 2026

NÃO SEJAMOS DE VIDRO

O melindre costuma causar estragos nas relações humanas.
Por excesso de sensibilidade, amizades são rompidas e grupos se desfazem. 
Existem pessoas que se ofendem com muita facilidade.
Identificam intenções ofensivas nas coisas mais corriqueiras.
Uma simples brincadeira ou uma palavra mal escolhida podem fazê-las se sentirem gravemente ofendidas. 
Criaturas assim ficam sempre atentas aos atos e dizeres dos outros.
Se encontram qualquer coisa, remotamente parecida com uma crítica, se melindram. 
Esse modo específico de sentir revela uma grande vaidade.
Essas pessoas se imaginam o centro das atenções aonde quer que se encontrem. 
Justamente por isso, acreditam que tudo o que é feito ou dito à sua volta se refere a elas. 
Porém, a realidade é que investimos muito pouco tempo nos preocupando com os demais. 
Cada um de nós tem sua vida e seus problemas. 
Portanto, a não ser que a pessoa seja uma sumidade em determinada área, um artista, desportista, ou figura social de destaque, provavelmente, os que a rodeiam não se preocupam, particularmente, com seus atos. 
Fora do nosso grupo familiar, raramente alguém se detém a esmiuçar nosso proceder. 
E quando o faz, é por breve tempo. 
Então, não nos imaginemos o centro do mundo. 
Os outros não falam ou agem com o firme propósito de nos agredir, de nos ofender. 
Eles nem pensam muito em nós. 
Não sejamos de vidro no trato com os semelhantes. 
Não vejamos ofensas onde elas não existem. 
Preocupemo-nos, sim, com a essência das coisas. 
O corre-corre do mundo moderno nem sempre permite que tudo seja dito ou feito com a suavidade desejável.
Certamente, nós também, inúmeras vezes, proferimos palavras sem desejar que firam a quem quer que seja. 
Mas acontece. 
Muitos de nossos atos e palavras podem ser mal interpretados.
Ocorre que quem procura razão para se sentir ofendido certamente encontrará. 
Trata-se, principalmente, de um estado de espírito.
Conscientizemo-nos dessa realidade. 
Não nos imaginemos mais importantes do que somos.
Vivamos com leveza. 
Se alguém criticar algo que tenhamos feito, não nos ofendamos. 
Não tornemos tudo pessoal. 
A crítica nem sempre é destrutiva. 
Aceitemos que, às vezes, erramos. 
As observações dos amigos podem nos auxiliar a sermos melhores. 
Procuremos tolerar sem melindre, mesmo alguma observação maliciosa a nosso respeito. 
Em um ambiente descontraído, com frequência, alguém é motivo de piadas. 
Trata-se de uma dinâmica especial de certos locais. 
E a intenção raramente é ofender. 
Tanto é assim que se altera constantemente o alvo da troça.
É necessário que os participantes de um grupo ou meio social tenham certa liberdade uns com os outros. 
Evidentemente, sem ultrapassar limites. 
Sem uma certa dose de sinceridade e espontaneidade, resta somente a formalidade e a hipocrisia. 
Em um clima hipócrita, nada de real se cria e ninguém se sente seguro e à vontade. 
Assim, sejamos leves em nosso viver. 
Não nos ofendamos a todo instante, por tudo e por nada. 
Isso apenas nos isolará dos demais, sem qualquer resultado útil. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 15.09.2022.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

NÃO SEJA BONZINHO

Inúmeras passagens do Evangelho conclamam os homens a amar seus semelhantes. 
Ocorre que ao amor são atribuídos inúmeros significados.
Muitos afirmam cometer loucuras e crimes por força desse sentimento. 
Entretanto, sendo o amor a essência das leis divinas, a sua vivência deve pacificar e iluminar. 
É inconcebível imaginar que tão sublime energia possa desequilibrar e provocar tragédias. 
Na realidade, frequentemente se toma por amor o que é apenas paixão ou desejo. 
Outras vezes, mesmo amando, a criatura se equivoca na forma pela qual demonstra seu afeto. 
Um dos grandes erros que alguém pode cometer é pensar que amar o próximo significa realizar suas vontades e fantasias. 
Nessa linha, seria necessário agradar o ser amado, ser bonzinho com ele. 
Entretanto, o adjetivo bonzinho não é, necessariamente, elogioso. 
Jamais se diz de uma pessoa genuinamente boa que ela seja boazinha. 
Quando alguém se constitui em uma presença benfazeja no meio social, diz-se que é uma ótima pessoa, que tem um grande coração. 
Seria difícil ocorrer a alguém afirmar que Madre Tereza de Calcutá era boazinha. 
O termo bonzinho, habitualmente, indica alguém bem-intencionado, mas sem discernimento. 
Há uma diferença enorme entre ser bondoso e ser bonzinho. Tome-se o exemplo de um professor. 
Existe uma distância considerável entre um bom professor e um professor bonzinho. 
Um bom professor possui conhecimento e didática. 
Ele efetivamente ensina, mas também cobra o conteúdo de seus alunos. 
Caso eles não estudem e aprendam, serão reprovados. 
Um bom professor tem noção de seus deveres e responsabilidades. 
Já um professor bonzinho ensina pouco e cobra menos ainda.
Distribui notas altas, independentemente do real aprendizado obtido pelos alunos. 
Esse professor, a pretexto de agradar, causa um grande mal.
O conhecimento que ele não proporciona certamente fará falta aos seus pupilos no futuro. 
Outro exemplo de bondade sem discernimento é o da mãe que se torna escrava dos filhos. 
Dá-lhes tudo na mão e faz com que vivam em sua casa como se fosse um hotel. 
Assim agindo, habitua seus filhos a serem servidos.
Entretanto, a vida não é um hotel de luxo. 
O dia a dia é composto de lutas e esforços, que nos desafiam, constantemente. 
A mãe que assume o papel de boazinha prejudica seus filhos, ao lhes dar uma perspectiva equivocada do viver. 
É um perigo alguém tornar-se bonzinho. 
Esse gênero de bondade é piegas e equivocado, pois prejudica o ser amado. 
Devemos ser pessoas boas, na acepção da palavra.
Manifestar afeto pelos que nos rodeiam, mas incentivando-os a cumprirem seus deveres. 
Orientar nossos amores para que sejam honrados e trabalhadores e assumam as consequências de seus atos. 
A pretexto de amar, não podemos infantilizar ninguém, furtando-o das experiências necessárias ao seu progresso.
Afinal, o amor não se identifica com pieguices e ilusões. 
O amor é uma força atuante e transformadora.
Pressupõe discernimento de quem ama. 
Pois somente assim proporciona paz e felicidade ao ser amado. 
Redação do Momento Espírita.
Em 23.09.2022.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A PARTITURA DE DEUS

Maestro Issac Karabtchevsky
A brisa que toca a folhagem traz consigo uma melodia que não se apaga com o tempo. 
É a sinfonia da vida, composta de notas alegres, de pausas dramáticas, acordes tensos e, acima de tudo, de uma comovente capacidade de recomeçar. 
Quando olhamos para a jornada humana na Terra, muitas vezes nos deparamos com o peso dos anos como se ele fosse um fardo inevitável, um convite ao recolhimento e à inércia. 
No entanto, o Criador, em Sua infinita sabedoria, nos envia faróis encarnados para demonstrar que o Espírito não envelhece. 
Lembramos de duas almas luminosas que decidiram fazer de suas existências um hino de resistência e beleza: João Carlos Martins e Issac Karabtchevsky. 
Dois gigantes da nossa música, dois operários da arte que transformaram o tempo em um aliado da transcendência.
Isaac Karabtchevsky, em sua nona década de existência, ergue a batuta com a mesma energia vibrante de sua juventude. 
Frente à orquestra, seus gestos desafiam as leis da matéria. Ele não apenas rege músicos. 
Ele desperta sentimentos, governa energias e prova que a mente, quando sintonizada com o belo mantém o corpo físico vigoroso e útil. 
Maestro João Carlos Martins
Ao seu lado, na galeria dos imortais do cotidiano, cruzamos com a trajetória hercúlea de João Carlos Martins. 
Um homem cuja biografia se confunde com o próprio conceito de superação. 
Octogenário, ele carrega a marca de 31 cirurgias. 
Trinta e uma vezes o corpo pediu trégua. 
Trinta e uma vezes o Espírito disse: 
-Caminha. 
Privado do movimento pleno das mãos que encantaram o mundo ao piano, ele não silenciou.
Buscou na tecnologia das luvas biônicas, na regência e na força da alma o caminho para continuar tocando o coração das gentes. 
Ele sintetiza sua jornada com a convicção dos que conhecem as profundezas da dor: 
-A música vence e supera qualquer coisa. 
Essa frase nos remete aos ensinamentos dos emissários celestes quando abordam, magistralmente, a lei do trabalho. 
É através do trabalho que o Espírito desenvolve sua inteligência, expia suas faltas e coopera com a obra do Universo. 
A vida desses dois maestros nos mostra que o trabalho, quando realizado com denodo e amor, imortaliza e cura. 
João Carlos e Issac não trabalham por obrigação. Trabalham por missão. 
Eles compreenderam que a atividade intelectual, artística e nobre é o combustível que mantém a chama do Espírito radiante, refletindo saúde e vitalidade na indumentária carnal.
Eles superaram as limitações físicas, as dores crônicas e o preconceito da idade com o escudo do trabalho incessante.
Mostraram que não existe aposentadoria para a alma.
Enquanto houver um sopro de vida, haverá uma nota a ser afinada, um irmão a ser consolado pela beleza de uma melodia. 
* * * 
Se a dor bater à nossa porta, se o peso dos anos parecer excessivo, lembremo-nos desses exemplos. 
E sejamos maestros das nossas vidas, regendo nossas dificuldades com a batuta da fé e o compasso do trabalho edificante. 
Afinal, no concerto do universo, a partitura de Deus prevê sempre a vitória do Espírito sobre a matéria. 
Redação do Momento Espírita
Em 05.08.2026

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NÃO SEI...

CORA CAROLINA
Algumas pessoas passam pela vida perguntando se vale a pena tanto sofrimento... 
Se tanta correria vai nos levar a algum lugar, nesse curto tempo de uma vida. 
Se o desamor e a miséria, que nos rodeiam, merecem nosso esforço por algo, ou alguém, ainda hoje. 
Se a vida que temos nos levará a sentirmos mais paz e alegria, algum dia. 
Muitas são as nossas dúvidas, quando desprovidos de conhecimentos maiores. 
Diversas inquietudes nos movimentam a mente que se encontra sem um porto seguro. 
A incredulidade cria forças frente aos desatinos que se presencia a todo instante. 
Por vezes, temos a impressão de que deve existir algo mais positivo, mas não registramos claramente, ainda. 
Sentimos ter recurso valioso, em nosso interior profundo, mas vivenciamos tudo, automaticamente, no exterior. 
E, por esse não entendimento da vida e do tempo, nos equivocamos. 
Em muitas oportunidades, amamos apenas aos que nos amam, e deixamos às margens de nosso querer, outros que caminham ao nosso lado...
Auxiliamos a quem nos auxilia, e nem observamos os que choram suas necessidades em nosso caminho... 
Oferecemos aos nossos filhos o melhor que sabemos, temos, e podemos, e ignoramos a criança faminta que pede um pão...
Tantas dúvidas permeiam nossos dias na Terra... 
* * * 
Somente quando a vida nos leva a reflexões maiores, passamos a compreender o seu real sentido. 
Aprendemos que a realidade que somos e vivemos, é uma grande oportunidade de crescimento interior. 
Nada de bom ou de ruim nos chega por mero acaso, desde que acaso não existe nos planos Divinos. 
Aprendemos que o sofrimento é lição para a alma se aprimorar, na grande e libertadora escola da vida. 
Que a solidariedade nos faz mais felizes ao vermos a alegria no olhar do irmão atendido. 
Que nosso gesto de carinho para quem sofre nos inunda de sentimentos até então desconhecidos. 
Que a oração que elevamos aos céus nos deixa mais leves e satisfeitos com a vida que temos. 
* * * 
Compreender o real sentido da vida nos leva a sair de nós mesmos e seguir ao encontro do outro. 
A exigirmos menos de tudo o que nos cerca e a darmos mais do que possuímos. 
A valorizarmos o que antes não percebíamos e a deixar de lado o que nada nos acrescenta. 
A nos preocuparmos mais com o que fazemos e menos com o que os outros fazem. 
E, a percebermos que o que fazemos na vida e da vida, é responsabilidade nossa. 
Aquilo que o outro faz é problema dele.
Enfim, a entendermos, mais e melhor, as palavras da grande poetisa, Cora Coralina, quando registra:
-Não sei... 
Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. 
Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de versos da poesia Não sei, de Cora Coralina, disponível no site http://www.tempodepoesia.name/naosei_cc.htm 
Em 23.09.2016.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

PIEDADE EM CASA

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Muitas vezes saímos procurando exercer a caridade nas ruas, mas esquecemos das lições básicas dentro da nossa própria casa. 
Como nos aconselha o Espírito Emmanuel, não precisamos esperar que a dor bata à nossa porta para deixar a flor da compaixão desabrochar no peito. 
Tentemos ser mais carinhosos e gentis com os nossos familiares dentro dos nossos lares. 
A nossa casa é a melhor escola, onde todo dia temos várias chances de praticar o bem. 
Quando alguém sob o nosso teto perder a cabeça, respiremos fundo e ofereçamos a nossa tolerância silenciosa. 
Evitemos frases duras de acusação quando um parente se ausentar ou demorar um pouco mais do que o previsto para retornar. 
Da mesma forma, não nos irritemos com aquele irmão que acabou se deixando levar pelo orgulho nas ilusões da vida. 
Na qualidade de marido, procuremos desculpar a fraqueza ou a irritação da companheira naqueles dias mais cinzentos da incompreensão. 
Como esposa, busquemos perdoar as falhas do companheiro, ajudando-o a crescer. 
Pais e mães, tenhamos piedade com os filhos quando eles estiverem dominados pela indisciplina. 
Filhos, saibamos compreender os pais quando eles pesarem a mão no rigor. 
É fundamental estender a mão ao familiar que se equivocou para que a situação não piore. 
Lembremos de que toda revolta nasce da nossa própria ignorância diante da vida. 
Então, façamos das nossas horas em família um verdadeiro exercício de fraternidade. 
Quando sentirmos que a impaciência ou a raiva estão tomando conta, experimentemos adotar o silêncio como o grande guardião da paz íntima. 
Tenhamos compaixão, sempre. 
Mesmo que tudo ao nosso redor pareça desespero, amparemos as pessoas e esperemos com calma, sem reclamar. 
Vamos nos habituar a deixar o mal de lado, fazendo todo o bem que estiver ao nosso alcance diariamente. 
Seremos sempre os maiores beneficiados.
*** 
Lembremos que nascemos com quem deveríamos ter nascido, por mais estranho que isso possa nos parecer em muitas ocasiões. 
Alguns nos sentimos deslocados em nossos grupos familiares.
Outros destoamos significativamente. 
Prestemos muita atenção nisso. 
Nem sempre os que encarnamos numa mesma família somos seres simpáticos, atraídos por afinidade. 
Deus permite que, nas famílias, ocorram encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.
A proposta do Criador é muito rica: contato com a diversidade e a chance de reconciliação. 
Se apenas buscássemos aqueles que pensam como nós, que nos fazem as vontades e nos admiram por tudo que fazemos, pouco aprenderíamos. 
Precisamos desse contato de arestas, do convívio com aquele que pensa diferente, com aquele que apresenta outros pontos de vista. 
Vejamos como mesmo dentro de uma mesma irmandade, filhos dos mesmos pais, temos diferenças bastante significativas. Isso não é o acaso. 
Somente assim melhoramos, somente assim nos auxiliamos uns aos outros. 
A natureza opta pela diversidade, pela diferença, pois sabe que ela nos motiva ao crescimento. 
 Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Alvorada do Reino, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL e no cap IV de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 03.08.2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE SOTERRAR

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua pequena fazenda. 
Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado. 
O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. 
O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. 
Mas, pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.
Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. 
O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o cobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.
No entanto, à medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia, derrubava-a no chão e ia pisando sobre ela. 
Logo, os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que, finalmente, conseguiu sair. 
* * * 
Algumas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. 
É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. 
Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade. 
Afinal, se nos permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções: ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo, ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre. 
É importante que, se estamos nos percebendo soterrar, sacudamos a terra e a aproveitemos para subir. 
Ademais, em todas as situações difíceis que enfrentamos na vida, temos o apoio incondicional de Deus, nosso Pai Celestial, do qual podemos nos aproximar através da oração.
E a oração é uma poderosa alavanca de que podemos lançar mão a qualquer momento e em qualquer lugar. 
* * * 
Jesus nos recomendou oração e vigilância. 
A vigilância constante pode nos poupar de muitos dissabores, pois quem está atento facilmente percebe a investida de sentimentos perigosos que podem nos infelicitar. 
É a chegada silenciosa de uma desilusão, da inveja, do orgulho, da soberba, da solidão e de outros tantos detritos que pesam em nossa economia moral e tendem a nos levar para o abismo. 
A oração é recurso precioso que nos permite as forças necessárias para resistir a todas as investidas menos felizes.
Por isso, vale a pena meditar sobre os sábios conselhos do Mestre de Nazaré, pois eles podem nos ser muito úteis na conquista da felicidade que tanto desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autor desconhecido.
Em 24.04.2018.