quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O RELÓGIO, O SMARTPHONE E A CAUSA PRIMÁRIA

Muitas vezes, olhamos para o céu estrelado ou para a beleza de uma flor e nos perguntamos onde estará Deus. 
Da mesma forma que não vemos forças que sabemos que existem, como a gravidade e o magnetismo, não podemos vê-lO com os nossos olhos físicos, por ser muito limitada nossa visão. 
Nossas imperfeições funcionam como um nevoeiro, que nos obscurecem a visão e nos impedem de contemplá-lO em toda Sua grandeza. 
No entanto, a existência desse Pai amantíssimo pode ser provada através de um princípio lógico e incontestável: não há efeito sem causa. 
Todo efeito inteligente precisa decorrer de uma causa inteligente. 
Se encontramos um relógio com seu mecanismo engenhoso, sabemos que ele foi feito por alguém, e não pelo acaso. 
Ou um smartphone, com todos os seus aplicativos, tela sensível ao toque e microchips complexos. 
Sabemos que ele foi projetado por designers, engenheiros e montado com precisão. 
Jamais pensaríamos na possibilidade de ser resultado de um acaso da natureza.
Da mesma maneira, a ordem, a sabedoria e a harmonia que governam as obras da natureza ultrapassam de longe a mais portentosa inteligência humana. 
O corpo humano é uma obra muito mais complexa que qualquer supercomputador que alguém construiu ou sonhou em construir. 
É assim que, utilizando esse princípio lógico, chegamos à causa primordial de tudo aquilo que sabemos não ter sido feito pelo homem. 
Essa causa primária de todas as coisas, que dirige as forças do mundo com uma Inteligência Superior, é que chamamos Deus. 
Ele é a Inteligência Suprema. 
Único, Eterno e Imutável, garantindo a estabilidade de todas as leis que regem o universo. 
Diante de tanta grandeza, talvez nos perguntemos: 
-Como Deus tão imenso pode se ocupar dos nossos pequenos problemas e dos nossos pensamentos diários? 
É que a natureza inteira se encontra mergulhada em Seu fluido divino. 
Como esse fluido está presente em toda parte, tudo acaba ficando submetido à ação inteligente, à providência e ao cuidado de Deus.
Isso significa que nunca estamos sós, pois todos somos mantidos em relação constante com o nosso Criador. 
Se mergulharmos em nossa essência, se analisarmos o nosso íntimo, encontraremos um sentimento poderoso identificando a presença de Deus em nós. 
Todos trazemos esse sentimento inato. 
Alguns aprendemos a negá-lO ou mesmo a bloquear qualquer contato com Ele. 
Apesar disso, Ele está ali. 
O sentimento de uma força superior, de um Criador, sempre esteve em todos nós. 
Basta observar os povos mais primitivos. 
Por que será? 
Porque é da natureza do Espírito buscar sua essência. 
Assim, sejamos humildes e assumamos que não conhecemos todas as coisas. 
Se nos faltam respostas ou a capacidade de entender certos fenômenos, aguardemos com calma e disposição. 
Alguns de nós não sabemos nem como funciona o mecanismo de um relógio analógico ou um smartphone. 
Então, para compreendermos tudo sobre Deus, falta um bocado, não é mesmo? 
Redação do Momento Espírita 
Em 10.08.2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A INFELICIDADE DA VINGANÇA

Ele pertencia à nobreza e sua mais ardente obsessão era a continuidade de sua linhagem. 
Desejava, acima de tudo, um herdeiro que ostentasse com orgulho o brasão da família. 
No entanto, o destino lhe trouxe um filho que carregava uma gagueira acentuada. 
O orgulho paterno, ferido em sua vaidade, transformou-se em profunda rejeição. 
Cada encontro entre os dois era marcado por humilhações e gritos, o que apenas agravava a dificuldade do pequeno. 
Com a morte precoce da mãe, a criança foi isolada em uma propriedade distante, abandonada aos cuidados de criados.
Foi ali que encontrou uma alma generosa, que tomou para si a sua educação. 
Desejando desesperadamente conquistar o amor do pai, o garoto dominou a gagueira, se esmerou nos estudos, na equitação, nas artes. 
Mas, nas raras vezes em que o pai comparecia àquela propriedade, e ele demonstrava o que já conquistara, continuava a receber somente desprezo. 
Essa atitude fez brotar, em seu íntimo, as raízes amargas da revolta. 
No leito de morte do pai, olhando para aquele homem que sempre o desprezara, o jovem pronunciou um juramento terrível: jamais geraria um filho. 
A linhagem que o pai tanto prezava morreria com ele. 
Aquela seria a sua vingança. 
Os anos caminharam. 
O rapaz tornou-se homem respeitado e convidado para os mais nobres salões. 
Festas, banquetes e honrarias faziam parte de sua rotina. 
Mas as portas do seu imenso castelo guardavam apenas o silêncio e a solidão, quebrada unicamente pela companhia dos livros. 
Generoso com os servos e aldeões, ele se negava o direito de constituir um lar e de sentir o calor de uma família. 
A vingança, que ele julgava ser contra o pai, se tornara um cárcere para si mesmo. 
Então, a Providência Divina colocou uma moça em seu caminho. 
Ela não era apenas bela por fora. 
Exalava a beleza do Espírito. 
Ao ouvir-lhe as confidências do amargo juramento ao pai, ela lhe falou das glórias de construir um lar, dos efeitos benditos do perdão. 
E o questionou, em ocasião propícia: 
De que lhe valia alimentar esse ódio? 
Quem, afinal, estava sendo destruído por essa escolha senão ele mesmo? 
Ela o conduziu pelas alamedas do afeto. 
Falou-lhe do perdão que rompe os grilhões da amargura e fê-lo ouvir a canção do amor, que cobre a multidão dos equívocos. 
Aos poucos, a doce melodia desfez a rigidez daquele coração. Ele foi se transformando, permitindo-se observar o valor da família e as alegrias da paternidade responsável. 
***
Quando nos prendemos à dor do passado, permitimos que quem nos feriu continue governando nossas emoções. 
A vingança é sempre um caminho destrutivo que impede o crescimento e seca a alma. 
O perdão, por outro lado, é um ato de profunda libertação. 
É a cura, a paz interior e o recomeço.
Perdoar não é esquecer o erro alheio, mas esvaziar o peito da dor para que a felicidade possa, finalmente, entrar. 
Escolher perdoar é o maior presente que damos a nós mesmos, libertando-nos de mágoas e dores acumuladas.
Pensemos nisso. 
Permitamo-nos ser felizes. 
Redação do Momento Espírita 
Em 11.08.2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NÃO SOMOS DIGNOS

Maria Helena Marcon
Em Cafarnaum havia um centurião, ou seja, o chefe de uma companhia de cem homens. 
Historiadores sugerem que seu nome seria Marcus Lucius. 
Ele se alistara nas poderosas legiões romanas e fizera carreira. 
Correto, disciplinado, estava habituado a ser saudado pelos soldados, quando passava com suas insígnias romanas. 
Ele representava o poder do Imperador Tibério César. 
Quando seu escravo adoeceu, ele se preocupou e providenciou tudo o que havia à disposição: ervas, filtros medicamentosos, médicos. 
Mas o escravo não melhorava. 
Uma noite, Marcus se lembrou de que ouvira falar de um Rabi que realizava curas extraordinárias. 
Então, ele enviou uma embaixada de judeus para que rogassem a Jesus lhe curasse o servo. 
No entanto, em vez de simplesmente pedir a cura, eles rogaram que o Mestre fosse à casa do oficial romano. Jesus se pôs a caminho. 
Os emissários foram à frente, para dar a notícia ao centurião.
Assim que ele soube da vinda do Homem de Nazaré, se sensibilizou e se apressou a ir ao encontro dEle, dizendo-lhe:
-Senhor, não te incomodes, porque não sou digno que entres sob o meu teto. Mandei emissários ao Teu encontro, porque também não me julgava digno de ir ter Contigo. Não é preciso que estejas na presença do enfermo. Tu és o Senhor das leis orgânicas que regem o corpo humano. Basta que dês uma ordem e a moléstia abandonará o corpo do meu escravo.
* * * 
Nessa narrativa, desejamos nos deter nas palavras iniciais do centurião: 
-Não sou digno que entres sob o meu teto. 
Quantas vezes nos sentimos assim? 
Dispomo-nos à oração, num convite ostensivo a que Jesus venha estar conosco e nos sentimos indignos. 
Indignos de pronunciar as palavras, indignos da presença radiosa do Mestre. 
Somos cristãos, mas ainda há pouco tornamos a nos impacientar por coisa nenhuma. 
E elevamos a voz, ao chamar a atenção de alguém que realizou uma tarefa, de forma diversa da que pedimos. 
Ainda há pouco, nos irritamos no trânsito e dissemos, intimamente ao nosso irmão que seguisse... 
Naturalmente, não com as bênçãos celestes. 
Foi hoje que pronunciamos palavras menos dignas; que desejamos, mesmo que por breves segundos, que nosso opositor não fosse tão feliz em suas empreitadas. 
Raiva, inveja, desânimo. 
Tudo isso vivenciamos nas poucas horas deste dia. 
Como então, desejar que adentres, Senhor, a nossa casa mental, nosso coração? 
Como o centurião, não nos acreditamos dignos. 
No entanto, apiada-te de nós. 
Perdoa-nos mais uma vez. 
Aceita a nossa oração, o nosso propósito de nos ajustarmos, de melhorarmos. 
Desejamos ser bons. 
Contudo, somos ainda tão frágeis, que tornamos a errar no momento seguinte. 
Fortalece a nossa vontade, cura a nossa alma de tantas mazelas, como curaste a enfermidade daquele escravo.
Abençoa nossa vida com Tua presença e perfuma nosso lar com Teu amor. 
Vem, Jesus. 
Temos muitas saudades da Tua presença em nossas vidas.
Sê conosco, hoje e sempre, para que venhamos a nos tornar um dia os Teus autênticos seguidores. 
Vem, Jesus. 
 Redação do Momento Espírita, com dados históricos colhidos no cap. O poder e a fé, do livro Personagens da Boa Nova, de Maria Helena Marcon, ed. FEP. 
Em 22.08.2020.

domingo, 9 de agosto de 2026

NÃO SEPULTAMOS O ESPÍRITO

Alguns dias após a tragédia ocorrida em Nova Iorque, em 11de setembro de 2001, que abalou o mundo inteiro e, de forma especial, os norteamericanos, o número de mortos já somava milhares. 
As pessoas, inconformadas pela separação brusca dos entes queridos que foram arrebatados do corpo de forma violenta, eram tomadas pelo desespero. 
Após uma cerimônia simples, dezenas de bombeiros foram sepultados. 
Aqueles homens morreram no cumprimento do dever.
Morreram tentando apagar as labaredas que devoravam os dois edifícios e também socorrendo os feridos mais graves.
Agora eles também se despediam do palco terreno, encerrando definitivamente o expediente no corpo físico. 
O capelão do Corpo de Bombeiros proferia algumas palavras de consolo aos familiares dos falecidos. 
De forma serena, expressava profunda fé na vida eterna. 
Dizia ele aos seus ouvintes: 
-Logo mais estes corpos serão enterrados... Nós vamos enterrar os corpos, mas não sepultaremos os Espíritos, pois o Espírito continua vivo, após a morte. Vamos enterrar as mãos, mas não sepultaremos suas obras. Vamos enterrar os pés, mas não sepultaremos seus passos. Vamos enterrar as bocas, mas não sepultaremos as palavras que foram ditas. Vamos enterrar os cérebros, mas suas ideias não podem ser sepultadas. Vamos enterrar os corações, mas seus sentimentos ninguém conseguirá sepultar. Assim sendo, este não é um momento de dizer um adeus definitivo, mas de dizer “até breve”, pois iremos encontrá-los na outra vida. 
* * * 
O capelão, como todo cristão, sabe que não se pode sepultar o Espírito, pois o Espírito é imortal. 
Todo cristão sabe que só corpos podem ser destruídos, porque o Espírito é indestrutível. 
Todo cristão tem certeza de que a vida não acaba com a morte, pois é eterna, conforme ensinou e demonstrou o Mestre de Nazaré. 
VITOR HUGO
Vitor Hugo, poeta e romancista francês que viveu no século passado, falou da Imortalidade da alma dizendo: 
-De cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhantes. Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo que não sou. Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos: “Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.” 
O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem.
Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente. 
As palavras do capelão e o depoimento de Victor Hugo demonstram que a Imortalidade e a individualidade da alma, bem como sua consequente evolução infinita, é uma necessidade lógica para todos aqueles que acreditam num Deus sábio e justo. 
* * * 
É natural que se lamente o sofrimento daqueles familiares que choram a morte dos seus e que rogue a Deus para que os fortaleça nessa hora amarga. 
Todavia, pensemos um pouco naqueles que promovem o terrorismo e com ele tanta desgraça. 
Lembremos que esses são merecedores da nossa mais profunda compaixão, pois são loucos que não sabem o que fazem. 
Aqueles que perderam o corpo no desastre resgataram algum débito pendente com as Leis Divinas e se libertaram, mas os terroristas estão se endividando desastrosamente. 
Quem, nesse caso, é mais necessitado de preces? 
Pense nisso, e não se esqueça de rogar a Deus por eles também! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 01.02.2013.

sábado, 8 de agosto de 2026

NÃO SEJAMOS DE VIDRO

O melindre costuma causar estragos nas relações humanas.
Por excesso de sensibilidade, amizades são rompidas e grupos se desfazem. 
Existem pessoas que se ofendem com muita facilidade.
Identificam intenções ofensivas nas coisas mais corriqueiras.
Uma simples brincadeira ou uma palavra mal escolhida podem fazê-las se sentirem gravemente ofendidas. 
Criaturas assim ficam sempre atentas aos atos e dizeres dos outros.
Se encontram qualquer coisa, remotamente parecida com uma crítica, se melindram. 
Esse modo específico de sentir revela uma grande vaidade.
Essas pessoas se imaginam o centro das atenções aonde quer que se encontrem. 
Justamente por isso, acreditam que tudo o que é feito ou dito à sua volta se refere a elas. 
Porém, a realidade é que investimos muito pouco tempo nos preocupando com os demais. 
Cada um de nós tem sua vida e seus problemas. 
Portanto, a não ser que a pessoa seja uma sumidade em determinada área, um artista, desportista, ou figura social de destaque, provavelmente, os que a rodeiam não se preocupam, particularmente, com seus atos. 
Fora do nosso grupo familiar, raramente alguém se detém a esmiuçar nosso proceder. 
E quando o faz, é por breve tempo. 
Então, não nos imaginemos o centro do mundo. 
Os outros não falam ou agem com o firme propósito de nos agredir, de nos ofender. 
Eles nem pensam muito em nós. 
Não sejamos de vidro no trato com os semelhantes. 
Não vejamos ofensas onde elas não existem. 
Preocupemo-nos, sim, com a essência das coisas. 
O corre-corre do mundo moderno nem sempre permite que tudo seja dito ou feito com a suavidade desejável.
Certamente, nós também, inúmeras vezes, proferimos palavras sem desejar que firam a quem quer que seja. 
Mas acontece. 
Muitos de nossos atos e palavras podem ser mal interpretados.
Ocorre que quem procura razão para se sentir ofendido certamente encontrará. 
Trata-se, principalmente, de um estado de espírito.
Conscientizemo-nos dessa realidade. 
Não nos imaginemos mais importantes do que somos.
Vivamos com leveza. 
Se alguém criticar algo que tenhamos feito, não nos ofendamos. 
Não tornemos tudo pessoal. 
A crítica nem sempre é destrutiva. 
Aceitemos que, às vezes, erramos. 
As observações dos amigos podem nos auxiliar a sermos melhores. 
Procuremos tolerar sem melindre, mesmo alguma observação maliciosa a nosso respeito. 
Em um ambiente descontraído, com frequência, alguém é motivo de piadas. 
Trata-se de uma dinâmica especial de certos locais. 
E a intenção raramente é ofender. 
Tanto é assim que se altera constantemente o alvo da troça.
É necessário que os participantes de um grupo ou meio social tenham certa liberdade uns com os outros. 
Evidentemente, sem ultrapassar limites. 
Sem uma certa dose de sinceridade e espontaneidade, resta somente a formalidade e a hipocrisia. 
Em um clima hipócrita, nada de real se cria e ninguém se sente seguro e à vontade. 
Assim, sejamos leves em nosso viver. 
Não nos ofendamos a todo instante, por tudo e por nada. 
Isso apenas nos isolará dos demais, sem qualquer resultado útil. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 15.09.2022.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

NÃO SEJA BONZINHO

Inúmeras passagens do Evangelho conclamam os homens a amar seus semelhantes. 
Ocorre que ao amor são atribuídos inúmeros significados.
Muitos afirmam cometer loucuras e crimes por força desse sentimento. 
Entretanto, sendo o amor a essência das leis divinas, a sua vivência deve pacificar e iluminar. 
É inconcebível imaginar que tão sublime energia possa desequilibrar e provocar tragédias. 
Na realidade, frequentemente se toma por amor o que é apenas paixão ou desejo. 
Outras vezes, mesmo amando, a criatura se equivoca na forma pela qual demonstra seu afeto. 
Um dos grandes erros que alguém pode cometer é pensar que amar o próximo significa realizar suas vontades e fantasias. 
Nessa linha, seria necessário agradar o ser amado, ser bonzinho com ele. 
Entretanto, o adjetivo bonzinho não é, necessariamente, elogioso. 
Jamais se diz de uma pessoa genuinamente boa que ela seja boazinha. 
Quando alguém se constitui em uma presença benfazeja no meio social, diz-se que é uma ótima pessoa, que tem um grande coração. 
Seria difícil ocorrer a alguém afirmar que Madre Tereza de Calcutá era boazinha. 
O termo bonzinho, habitualmente, indica alguém bem-intencionado, mas sem discernimento. 
Há uma diferença enorme entre ser bondoso e ser bonzinho. Tome-se o exemplo de um professor. 
Existe uma distância considerável entre um bom professor e um professor bonzinho. 
Um bom professor possui conhecimento e didática. 
Ele efetivamente ensina, mas também cobra o conteúdo de seus alunos. 
Caso eles não estudem e aprendam, serão reprovados. 
Um bom professor tem noção de seus deveres e responsabilidades. 
Já um professor bonzinho ensina pouco e cobra menos ainda.
Distribui notas altas, independentemente do real aprendizado obtido pelos alunos. 
Esse professor, a pretexto de agradar, causa um grande mal.
O conhecimento que ele não proporciona certamente fará falta aos seus pupilos no futuro. 
Outro exemplo de bondade sem discernimento é o da mãe que se torna escrava dos filhos. 
Dá-lhes tudo na mão e faz com que vivam em sua casa como se fosse um hotel. 
Assim agindo, habitua seus filhos a serem servidos.
Entretanto, a vida não é um hotel de luxo. 
O dia a dia é composto de lutas e esforços, que nos desafiam, constantemente. 
A mãe que assume o papel de boazinha prejudica seus filhos, ao lhes dar uma perspectiva equivocada do viver. 
É um perigo alguém tornar-se bonzinho. 
Esse gênero de bondade é piegas e equivocado, pois prejudica o ser amado. 
Devemos ser pessoas boas, na acepção da palavra.
Manifestar afeto pelos que nos rodeiam, mas incentivando-os a cumprirem seus deveres. 
Orientar nossos amores para que sejam honrados e trabalhadores e assumam as consequências de seus atos. 
A pretexto de amar, não podemos infantilizar ninguém, furtando-o das experiências necessárias ao seu progresso.
Afinal, o amor não se identifica com pieguices e ilusões. 
O amor é uma força atuante e transformadora.
Pressupõe discernimento de quem ama. 
Pois somente assim proporciona paz e felicidade ao ser amado. 
Redação do Momento Espírita.
Em 23.09.2022.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A PARTITURA DE DEUS

Maestro Issac Karabtchevsky
A brisa que toca a folhagem traz consigo uma melodia que não se apaga com o tempo. 
É a sinfonia da vida, composta de notas alegres, de pausas dramáticas, acordes tensos e, acima de tudo, de uma comovente capacidade de recomeçar. 
Quando olhamos para a jornada humana na Terra, muitas vezes nos deparamos com o peso dos anos como se ele fosse um fardo inevitável, um convite ao recolhimento e à inércia. 
No entanto, o Criador, em Sua infinita sabedoria, nos envia faróis encarnados para demonstrar que o Espírito não envelhece. 
Lembramos de duas almas luminosas que decidiram fazer de suas existências um hino de resistência e beleza: João Carlos Martins e Issac Karabtchevsky. 
Dois gigantes da nossa música, dois operários da arte que transformaram o tempo em um aliado da transcendência.
Isaac Karabtchevsky, em sua nona década de existência, ergue a batuta com a mesma energia vibrante de sua juventude. 
Frente à orquestra, seus gestos desafiam as leis da matéria. Ele não apenas rege músicos. 
Ele desperta sentimentos, governa energias e prova que a mente, quando sintonizada com o belo mantém o corpo físico vigoroso e útil. 
Maestro João Carlos Martins
Ao seu lado, na galeria dos imortais do cotidiano, cruzamos com a trajetória hercúlea de João Carlos Martins. 
Um homem cuja biografia se confunde com o próprio conceito de superação. 
Octogenário, ele carrega a marca de 31 cirurgias. 
Trinta e uma vezes o corpo pediu trégua. 
Trinta e uma vezes o Espírito disse: 
-Caminha. 
Privado do movimento pleno das mãos que encantaram o mundo ao piano, ele não silenciou.
Buscou na tecnologia das luvas biônicas, na regência e na força da alma o caminho para continuar tocando o coração das gentes. 
Ele sintetiza sua jornada com a convicção dos que conhecem as profundezas da dor: 
-A música vence e supera qualquer coisa. 
Essa frase nos remete aos ensinamentos dos emissários celestes quando abordam, magistralmente, a lei do trabalho. 
É através do trabalho que o Espírito desenvolve sua inteligência, expia suas faltas e coopera com a obra do Universo. 
A vida desses dois maestros nos mostra que o trabalho, quando realizado com denodo e amor, imortaliza e cura. 
João Carlos e Issac não trabalham por obrigação. Trabalham por missão. 
Eles compreenderam que a atividade intelectual, artística e nobre é o combustível que mantém a chama do Espírito radiante, refletindo saúde e vitalidade na indumentária carnal.
Eles superaram as limitações físicas, as dores crônicas e o preconceito da idade com o escudo do trabalho incessante.
Mostraram que não existe aposentadoria para a alma.
Enquanto houver um sopro de vida, haverá uma nota a ser afinada, um irmão a ser consolado pela beleza de uma melodia. 
* * * 
Se a dor bater à nossa porta, se o peso dos anos parecer excessivo, lembremo-nos desses exemplos. 
E sejamos maestros das nossas vidas, regendo nossas dificuldades com a batuta da fé e o compasso do trabalho edificante. 
Afinal, no concerto do universo, a partitura de Deus prevê sempre a vitória do Espírito sobre a matéria. 
Redação do Momento Espírita
Em 05.08.2026