quinta-feira, 21 de maio de 2026

NA ESTAÇÃO INVERNOSA

CHICO XAVIER E EMMANUEL
O inverno é a estação mais fria do ano, desafiando, com suas características acentuadas, determinadas regiões do planeta.
Temperaturas muito baixas, tempestades de neve, frio enregelante.
Os animais, que hibernam, se abrigam em refúgios próprios e permanecem imóveis, a fim de conservarem a energia corporal, considerando que, nessa época, a comida é escassa. 
Aves voam milhares de quilômetros, migrando para regiões mais quentes. 
As abelhas se apinham na colmeia para suportar o frio com o calor umas das outras. 
As formigas se internam no lugar mais profundo do formigueiro e tampam a entrada com restos vegetais. 
O homem, igualmente, busca abrigo adequado a fim de vencer as investidas da estação invernosa. 
Em certas circunstâncias, precisa permanecer recluso, aguardando o amenizar das condições climáticas. 
Aventurar-se na neve, no gelo, nem pensar. 
Embora nos possa parecer interminável, como toda estação, o inverno é sazonal. 
Tem começo, meio e fim. 
Quando ele se vai, respiramos aliviados e, imediatamente, reformulamos nossa maneira de viver. 
De forma semelhante, agimos em nossas relações com o Pai Celeste. 
Quando o inverno do sofrimento nos visita, nós o buscamos como a cabana aquecida que nos haverá de abrigar. 
Existem muitas almas que apenas se recordam da necessidade do encontro com os emissários do Divino Mestre por ocasião do inverno rigoroso do sofrimento. 
Muitas se lembram do Salvador somente em hora de neblina espessa, de tempestade ameaçadora, de gelo pesado e compacto sobre o coração. 
Em momentos assim, o barco da esperança costuma navegar sem rumo, ao sabor das ondas revoltas. 
Os nevoeiros ocultam a meta e tudo, em torno do viajante da vida, tende à desordem e à desorientação. 
Nesses momentos, recorremos a Jesus, ao Pai, como se eles fossem criados de sobreaviso para nos atender. 
É quando nos lembramos de orar: quando estamos em apuro, quando as coisas da vida vão mal. 
Quando tudo vai bem, não achamos que seja necessário orar.
Na calmaria, fechamos nosso coração. 
Importante aprendermos que manter contato com nosso Pai e Criador, não deve ser um expediente de última hora, em extrema necessidade. 
Orar não deve ser somente pedir. 
Deve nos constituir algo tão importante como respirar. É a respiração da alma. 
Orai sempre, recomenda o Apóstolo Paulo, ao escrever sua epístola aos companheiros da Tessalônica. 
É como dizer Respirai sempre. 
Nunca deixeis de respirar porque sem respiração não podereis viver. 
Dessa forma, não invoquemos a proteção celestial somente quando surgirem as avalanches na caminhada, quando a geada enregelar nossos corações. 
Filhos do amor do Pai permaneçamos conectados com Ele, todos os dias. 
A alma que ora cria uma abertura rumo ao infinito, porque está com fome e espera receber alimento de Deus. 
É indispensável, diz o benfeitor espiritual Emmanuel, procurar o Amigo Celeste ou aqueles que já se ligaram, definitivamente, ao Seu amor, antes dos períodos angustiosos, para que nos instalemos em refúgios de paz e segurança. 
Pensemos a respeito. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 66, do livro Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB; na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, cap. 5, vers. 16 e no livro A Metafísica do Cristianismo, de Huberto Rohden, ed. Martin Claret, cap. Quando quiserdes orar. 
Em 27.03.2023

quarta-feira, 20 de maio de 2026

UMA LUZ HÁ DE VIR

Por vezes, tanto empeço na estrada, 
que indagas, coração, de alma desencantada, 
por que meios humanos prosseguir… 
Entretanto, ergue a fronte, ao vasto firmamento, 
da nuvem mais pesada ou do céu mais cinzento 
uma luz há de vir… 
O trecho do poema de Maria Dolores acalenta nosso coração, relembrando-nos algo precioso: tudo passa e devemos confiar mais e confiar sempre. 
No entanto, que fique claro: não se trata de uma confiança incerta, que tem cara de quem sabe, talvez ou espero que...
Não, essa confiança, que também chamamos de fé raciocinada, pode ser construída sobre o fundamento da certeza e da razão.
Conforme vamos conhecendo as leis divinas, conforme vamos nos apropriando de parte da beleza de como tudo funciona, vamos nos sentindo mais confiantes. 
No Universo, nada está no lugar errado. 
Nenhum astro, dos bilhões e bilhões que já descobrimos, nenhum deles escapa ao cumprimento das leis universais.
Para que estivéssemos vivos hoje pela manhã, e para que a vida no planeta Terra fosse possível, muita coisa teve que dar certo ao mesmo tempo, muita coisa teve que ser pensada, calculada, colocada em seu devido lugar. 
Nada a esmo, nada jogado, nada deixado aqui ou ali de qualquer jeito. 
Segundo alguns cálculos das ciências, para que a vida fosse possível na Terra, mais de cem variáveis físicas e químicas precisaram ser exatas. 
Um ajuste fino, que, estatisticamente calculado, nos mostra que a probabilidade de ter sido feito ao acaso é de um em dez, elevado à potência cento e trinta e oito. 
Isso é, de longe, pela matemática, considerado probabilidade zero. 
Não há acaso no Universo e as ciências sabem disso. Não há acaso em nossas vidas, da mesma forma. 
Tudo está como está por alguma razão. 
Tudo se alinhou dessa forma, neste momento, por uma série de fatores, muitos deles provocados por nós mesmos. 
Esse nós mesmos pode ser entendido de uma maneira mais ampla. 
O eu de hoje e o eu milenar, que vem seguindo através das eras. 
Se pudéssemos olhar melhor o passado, se soubéssemos observar melhor o cuidado das leis para com nosso processo evolutivo, iríamos perceber que uma luz sempre veio. 
A maior delas chamou-se Jesus. 
Jesus foi a luz que o Pai amoroso enviou para a Terra, servindo-nos de Guia e Modelo. 
Muitas outras luzes O seguiram e O seguem até hoje. Francisco de Assis iluminou a Idade Média. 
Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, irmã Dulce foram outras tantas luzes que nos exemplificaram como é seguir a luz.
Saibamos ver e procurar pela luz. 
Quem trabalha pelo bem, quem serve sem olhar para trás, certamente logo a vê. 
Quem confia na grandeza do Universo, respeita suas leis e abraça seu próximo com amorosidade faz a sua própria luz.
Os empeços na estrada são lições da escola. 
Os desafios precisam existir, caso contrário, nos acomodamos aos vícios. 
Não peçamos vida fácil; saibamos lidar com as lutas, confiando sempre na luz que há de vir! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 37, do livro Maria Dolores, pelo Espírito Maria Dolores, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL. 
Em 20.05.2026

terça-feira, 19 de maio de 2026

O ENDEREÇO CERTO

O jovem rapaz fazia os últimos preparativos para a viagem que se avizinhava. 
Ficaria distante da família, do país, na busca de novos desafios profissionais. 
Estava às portas de iniciar uma nova fase da vida, na qual precisaria se afastar do lar, dos amigos. 
Pela primeira vez, pensava ele, estaria sozinho, dono de si e de seu destino. 
Os vinte e poucos anos davam-lhe o combustível para correr em busca dos sonhos e das aventuras, no desejo natural de se descobrir e descobrir a vida. 
Certo dia, o avô o chamou, pois queria ter com ele uma conversa antes de partir. 
Recebido entre abraços e brincadeiras carinhosas, o velho senhor o convidou a ouvi-lo, pois tinha um último conselho a lhe dar antes da viagem. 
O jovem, afeito aos cuidados naturais do avô, imaginou que seriam as falas de sempre, aqueles conselhos para se cuidar, mandar notícias, e outras coisas do gênero. 
Sentou-se e esperou. 
Contudo, com o peso da sabedoria que os anos lhe possibilitavam, o avô o olhou, profundamente, nos olhos e lhe disse: 
-Meu filho, por onde quer que você vá, não importam os caminhos e possibilidades que a vida lhe oferte, lembre-se de nunca perder o endereço de sua casa. 
O rapaz achou, a princípio, que se tratava de alguma brincadeira, ou mesmo que o juízo do avô falhara por alguns instantes. 
Afinal, como ele iria esquecer o nome da rua, o número da casa que lhe fora lar por toda a vida? 
-Como assim, vovô, perder o endereço de casa? O senhor acha que eu não vou me lembrar onde moro? 
Depois de uma pausa natural, o ancião explicou: 
-Meu filho, muitos serão os convites que lhe chegarão. E cada convite, será uma bifurcação na estrada de sua vida. Você terá a opção de ir para um lado ou para outro. Terá sempre a chance de dizer sim ou de dizer não. A sua resposta, para cada convite é que definirá o rumo de sua caminhada, o destino que você estará construindo para si mesmo. Assim, quando tiver dúvidas, quando se perguntar se vale a pena isso ou aquilo, lembre-se do endereço de sua casa. Lembre-se dos valores com que foi educado. Lembre-se de que é aqui que você aprendeu a ser honesto, honrado, solidário com o próximo, a ser uma pessoa de bem. As propostas que o afastarem da sua casa, tenha certeza, não valerão à pena. Não importa se possam acenar com sucesso, conquistas, dinheiro ou reconhecimento social. 
Escutando as valiosas palavras do avô, o jovem, emocionado, o abraçou, guardando na alma a lição. 
* * * 
Os valores recebidos no lar deverão nos acompanhar vida afora, aonde quer que nos conduzam nossos passos e nas mais diversas circunstâncias, sorria-nos o sucesso ou as momentâneas nuvens do fracasso. 
Os conselhos dos que nos antecederam na jornada reencarnatória devem nos merecer acurada reflexão, uma vez que, tendo experienciado determinadas lutas, eles têm, além do peso natural dos anos, a própria vivência a lhes guiar as palavras. 
Pensemos nisso. 
Fiquemos atentos às ponderações dos que nos querem bem e somente desejam que sejamos felizes nesta vida, sob a bandeira da honestidade e da dignidade. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.05.2026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

NA CONSTRUÇÃO DO AMANHÃ

Dale Galloway
Nos Estados Unidos, o dia dos namorados é comemorado a 14 de fevereiro. 
Nesse dia, as pessoas costumam enviar cartões não somente para os namorados. 
Também a amigos e pessoas queridas. 
Foi com preocupação que a mãe de um garoto tímido e calado ouviu-o dizer que desejava dar um cartão para cada colega seu. 
Chad era um excluído na classe. 
A mãe o via, todos os dias, retornando da escola. 
A turma vinha na frente, brincando, conversando. 
Ele sempre atrás, sozinho. 
Ela ficou angustiada. 
Mesmo assim, nos dias que se seguiram, ela ajudou o filho a confeccionar os cartões. 
Comprou papel, cola e lápis de cor. 
E ele trabalhou com afinco. 
Finalmente, no dia dos namorados, estavam prontos os trinta e cinco cartões. 
Ele não cabia em si de contentamento. 
A mãe passou o dia preocupada. 
Tinha certeza que ele voltaria desapontado. 
Não receberia nenhum cartão. 
Por isso, resolveu fazer alguma coisa para amenizar a situação. 
Assou biscoitos especiais que ele gostava. 
Depois, ficou esperando. 
Olhou pela janela e viu os garotos. 
Como sempre, eles vinham rindo e se divertindo. 
Como sempre, Chad vinha atrás do grupo. 
Caminhava, no entanto, um pouco mais rápido do que o normal. 
Quando entrou em casa, ela esperou que ele se desmanchasse em lágrimas. 
Chegou de mãos vazias, como ela pensara. 
Segurando o pranto, a mãe lhe disse: 
-Filho, preparei um lanchinho para você. 
Mas Chad não prestou atenção ao que ela disse. 
Com passos firmes, se encaminhou para a cozinha, repetindo:
-Nenhum... Nenhum... 
Nesse momento, a mãe observou que o rosto do filho brilhava de alegria. 
E o ouviu completar a frase: 
-Não esqueci nenhum, nenhum deles! 
* * * 
A atitude do garoto é altruísta e denota uma alma que muito mais se preocupa em ofertar amor, do que buscar ser amado.
Poucas criaturas podem superar, contudo, situações semelhantes. 
O bullying, essa prática de agressividade repetida, muito comum entre crianças e adolescentes, tem dado causa a alguns desastres. 
O fenômeno é mundial. 
Crianças e adolescentes são excluídos pelos colegas, perseguidos e humilhados. 
Muitos abandonam a escola, sem condições de prosseguirem enfrentando humilhações e trotes. 
As estatísticas apontam, ainda, crescente número de suicídios na faixa etária da infância/adolescência, como efeito do bullying. 
Qual será o motivo de tamanha crueldade? 
Educadores e pais, estejamos atentos. 
Observemos o comportamento dos nossos filhos. 
Serão eles os promotores do bullying ou suas vítimas? 
É tempo de ensinar a amar em nosso lar. 
A respeitar os diferentes. 
A imitar os melhores, não tentar destruí-los. 
Pensemos: quais são os comentários que nossos filhos mais ouvem, com respeito aos outros seres, em nosso lar? 
Que falamos a respeito dos colegas de trabalho, dos vizinhos, dos filhos dos outros? 
É possível que descubramos que essa manifestação doentia, o bullying, seja a resultante da indiferença e do desamor que ensinamos a eles, todos os dias. 
* * * 
O mundo melhor do amanhã está em nossas mãos. 
Depende de nós a geração que se estrutura hoje para atuar no mundo logo mais, como cidadãos do mundo, herdeiros das nossas riquezas morais. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Dia dos namorados, de Dale Galloway, do livro Histórias para o coração, v. 1, de Alice Gray, ed. United Press. 
Em 23.01.2017.

domingo, 17 de maio de 2026

NA BÊNÇÃO DA VIDA

Mal acordamos, pela manhã, e muitas preocupações passam a ocupar a nossa mente. 
São tantas as providências que temos a tomar que muitas vezes ficamos atordoados. 
Nem percebemos o dia acabar. 
As coisas mais simples e as mais graves são alvos de nossa atenção, ocupando-nos as horas.
A noite nos encontra extremamente exaustos.
Mastigamos o jantar enquanto tentamos digerir os problemas que ficaram pendentes. 
Algumas horas de sono e novamente o dia nos convida a agir... 
E lá vamos nós outra vez. 
As horas se sucedem, os dias se vão, os meses se transformam em anos, e passamos pela vida sem nos darmos conta das muitas bênçãos que ela nos oferece, bem como de todas as criaturas que dividem o planeta conosco. 
Entretanto, o novo dia se apresenta para ser vivido. 
Talvez seja oportuno lançarmos um olhar mais atento ao mundo à nossa volta, buscando interagir, de maneira consciente. 
Descubramos o valor das dádivas que o Senhor nos faz pelas mãos da vida e ofereçamos alegria e reconhecimento por toda a parte. 
Observemos a natureza a nos abençoar a existência na Terra.
Nascem frutas saborosas em árvores cujas raízes se prendem à lama... 
Correm brisas leves, entoando melodias suaves, em apertados vales onde cadáveres se decompõem. 
Cai o orvalho da noite sobre o solo ressequido e misérrimo, castigado pelo sol. 
Voam borboletas delicadas nos rios de ar ligeiro qual festival de cor flutuante sobre campina pontilhada de flores miúdas.
Desabrocham, além, espécies variadas da flora que o pólen feliz fecunda em todo lugar. 
Cintilam constelações no manto da noite salpicando a treva de diamantes preciosos. 
Em cada madrugada renasce o sol dourado, purificando o pântano, vitalizando o homem, atendendo à flor sem indagar da aplicação que lhe façam dos raios beneficentes. 
Não nos detenhamos e recordemos os tesouros com que o bem nos enriquece o coração, através dos valiosos patrimônios da saúde e da fé, da alegria e da paciência, e vamos em frente. 
Indiferença é enfermidade. 
Medo é veneno que mata lentamente. 
Acendamos a luz da coragem na alma, a fim de que não fiquemos embaraçados nas dificuldades muito naturais que seguem ao lado dos nossos compromissos em relação à vida.
Confiança em nossos atos é fortalecimento para a coragem alheia. 
Otimismo nas realizações também é aliança de identificação com as esferas superiores. 
* * * 
Não nos encontramos no mundo sem propósitos elevados.
Aproveitemos a oportunidade, valorizemos as bênçãos que recebemos, todos os dias,difundamos gratidão e alegria por onde passarmos, com quem estivermos, com o que possuímos, justificando em atos edificantes a nossa passagem pela Terra. 
Não somos simples figurantes nos palcos da vida terrestre.
Somos protagonistas, lições vivas, peças importantes nesta imensa engrenagem chamada sociedade. 
Pensemos nisso, e nos movimentemos produzindo o melhor para nós e para a grande família humana à qual pertencemos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Na bênção da vida, do livro Ementário Espírita, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. O CLARIM.
Em 17.07.2020.

sábado, 16 de maio de 2026

OS MAIS ALTOS LOUROS

Neerja Bhanot 
Podemos definir um herói como alguém que age em benefício do outro ou de uma causa maior, muitas vezes sob risco pessoal ou sacrifício significativo. 
O que o qualifica é sua ação. 
Citamos os heróis da Pátria, que se evidenciaram em momentos estratégicos da nossa História.
Lemos sobre seus atos nos livros de História. 
E os reverenciamos. 
Não menos herói é, no entanto, o bombeiro que entra em um prédio em chamas ou alguém que doa um órgão para salvar uma vida, mesmo que seja a de um estranho. 
Às vezes, o maior ato heroico é simplesmente continuar. 
É o heroísmo de quem enfrenta doenças graves, luto ou pobreza extrema e mantém a integridade e a ajuda aos outros. 
Herói é um pai ou mãe que trabalha em três empregos para garantir o futuro dos filhos sem nunca perder a ternura.
Christopher Reeve, em seu martírio de nove anos de paralisia, depois de seu trágico acidente equestre, disse que o herói é um indivíduo comum que encontra a força para perseverar e resistir apesar dos obstáculos devastadores.
Em resumo, podemos dizer que o herói demonstra sua natureza no exato momento em que o nós se torna mais importante do que o eu. 
Foi o que aquela jovem demonstrou, às vésperas de seu vigésimo terceiro aniversário, naquele fatídico dia de setembro de 1986. 
O voo Pan Am 73 pousara apenas para reabastecimento, quando o avião foi invadido por quatro homens armados, instalando o pânico entre os passageiros. 
Na frente da cabine estava a comissária-chefe, Neerja Bhanot. 
Ela poderia ter se evadido, de imediato. Mas ficou. 
Enviou um sinal aos pilotos, permitindo-lhes escapar pela escotilha de emergência. 
Com isso, frustrou o plano dos terroristas de sequestrar o avião, levá-lo para outro país ou jogá-lo ao chão. 
Foram dezessete horas de terror, que ela enfrentou com calma.
Para que não fossem identificados os passageiros visados pelos terroristas, ela escondeu seus passaportes. 
Neerja acalmou as crianças, abraçou passageiros assustados. 
Não pensou em si mesma. Nem por um segundo. 
Manteve e transmitiu calma. 
Quando a noite caiu, as luzes do avião se apagaram. 
Os terroristas abriram fogo. 
O pânico foi geral. 
A porta de emergência estava aberta e os passageiros correram para ela. 
A comissária permaneceu firme, empurrando as pessoas para fora. 
Quando três crianças ficaram paralisadas de medo, ela as cobriu com seu corpo, recebendo todas as balas.
Ela não sobreviveu àquela noite, mas salvou mais de trezentas pessoas. 
Postumamente, recebeu a mais alta condecoração da Índia por bravura em tempos de paz. 
Um filme lhe foi dedicado. 
Nas companhias aéreas, seu comportamento tornou-se parte dos programas de treinamento. 
Ela se tornou um exemplo de fidelidade além do dever. 
Afinal, quando teve de escolher entre a sua vida e a dos outros, ela escolheu a deles. 
Sem hesitação. Sem medo. 
Nesse dia, guindou-se ao altar dos que se sacrificam pelo bem-estar alheio. 
Ela retornou para a pátria espiritual, coroada dos mais altos louros: o sacrifício da vida pelos outros. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos. 
Em 16.05.2026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

VERBO TRANSITIVO DIRETO

SANDRA BORBA PEREIRA
Ele procurara o psiquiatra porque precisava tomar uma decisão. 
Precisava de quem lhe dissesse que estava certo no que pretendia fazer. 
 O que ele sabia com certeza: era tremendamente infeliz. 
E a primeira frase que saiu de sua boca foi: 
-Doutor, eu não amo mais a minha esposa. Quero me separar. O que o senhor me diz? 
O médico, experiente e calmo, respondeu: 
-Ame a sua esposa. 
O paciente pensou que não se expressara de forma conveniente. 
Ou talvez se tratasse mesmo de um problema de audição.
Diga-se, sempre pensamos assim quando o outro responde de maneira diversa daquela que esperávamos. 
Então repetiu, dessa vez, frisando as palavras: 
-Doutor, preste atenção. Eu estou lhe dizendo que eu não amo mais a minha mulher. Acabou o amor, eu quero me separar. O que o senhor me diz? 
O médico reprisou a mesma frase: 
-Ame a sua esposa. 
-Doutor, estou dizendo ao senhor que eu não amo mais a minha esposa. Perdi todo aquele encantamento. Estou dizendo que eu não a amo. Eu perdi aquele frisson, aquele elã, aquela coisa. 
O médico olhou para ele e esclareceu: 
-O problema do senhor é que o senhor está com a cabeça em Hollywood. 
-Como assim? – Quase gritou o homem ansioso por quem lhe referendasse a decisão. 
-O senhor está querendo o amor cinematográfico. Está querendo aquele amor com cara de adolescente. O que o senhor está querendo é ter aquelas emoções próprias da adolescência, da juventude. Amor é sentimento. Mas amar é verbo e verbo transitivo direto, ou seja, exige ação.
***
Somente descobrimos o amor quando amamos. 
O amor necessita de uma ação. 
É preciso sair daquela preguiça na qual vivemos para buscar o amor. 
Porque o amor se resume em amar.
Então, é preciso sair de nós mesmos, de nossa zona de conforto, para amar. 
O amor resume-se ao exercício de amar. 
Começamos amando, amando e aí ele vai aparecendo.
Estamos falando do exercício que é necessário para que esse sentimento de fato ecloda em nossa intimidade e crie raízes de profundidade. 
É necessário buscar essa construção, que é o exercício de amar. 
A pequena planta necessita de água, ar, luz e calor para viver.
O amor precisa de emoção e de alegria. 
Tem que ser regado, alimentado todo dia. 
E o detalhe importante é nos apaixonarmos pelo menos uma vez por semana. 
Como se cada semana fosse um novo capítulo de um livro que não queremos parar de ler. 
Cada dia, darmo-nos conta de que, mesmo convivendo tanto, ainda existe um universo no outro, um universo a ser explorado. 
Ficarmos atentos a detalhes. 
Algo especial que somente o ser amado tem, como aquele jeito de mexer no cabelo, o sorriso fácil que brota gentil a cada reencontro, mesmo que o período seja curto, da saída pela manhã ao retorno no cair da tarde. 
Estarmos sempre prontos para mudar os planos do cotidiano para fazer algo diferente, saindo da trilha batida e criando uma memória fresquinha e vibrante. 
Selarmos o compromisso, cada semana, de nunca deixar o nós virar paisagem, porque, afinal, amar é verbo transitivo direto. 
Quem ama, ama alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A lei de amor. Porque o amor tudo supera, de Sandra Borba Pereira, proferida na 6ª Conferência Estadual Espírita, em 24.4.2004, no Palácio de Cristal, Círculo Militar do Paraná, em Curitiba/PR. 
Em 15.05.2026