segunda-feira, 21 de setembro de 2026

SEMIMORTOS

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Quando lemos a parábola do bom samaritano, narrada por Jesus, é comum imaginarmos aquela estrada antiga e poeirenta que descia de Jerusalém para Jericó. 
Imaginamos o homem caído, espoliado e ferido pelos assaltantes, esperando por algum tipo de socorro à beira do caminho. 
No entanto, se olharmos ao nosso redor, perceberemos que essa estrada é muito mais atual do que parece. 
Ela atravessa as nossas cidades, passa pelos nossos locais de trabalho e, muitas vezes, cruza os corredores da nossa própria casa. 
O Espírito Emmanuel, com sua profunda sensibilidade, nos lembra que hoje, nas estradas do mundo moderno, encontramos aqueles a quem ele chama de os semimortos da alma. 
Eles não estão sangrando pelas feridas do corpo físico, mas carregam dilacerações invisíveis que doem profundamente e lhes roubam a alegria de viver. 
Quem são eles? 
São os caídos aos golpes da incompreensão e da intolerância, numa sociedade cada vez mais exigente. 
São os desorientados que o ateísmo e o materialismo empurraram para o nevoeiro do sofrimento sem sentido. 
São os mutilados da mente, que foram atropelados pela calúnia e pela maledicência em pleno trabalho edificante. 
São os cansados da solidão, que caminham no meio da multidão, rodeados de pessoas, mas se sentindo completamente invisíveis e abandonados. 
São aqueles que se emaranharam nos espinhos da revolta, são as vítimas do desânimo profundo, os prisioneiros da obsessão, os envenenados pelo desespero e os esquecidos na sombra da ignorância. 
Quantas vezes nós mesmos passamos por eles como os indiferentes da parábola? 
Com a nossa pressa, com os olhos focados nas telas dos nossos celulares ou nos nossos compromissos inadiáveis, simplesmente passamos adiante. 
Dizemos a nós mesmos que não temos tempo, que não queremos nos envolver ou que o problema é exclusivamente do outro. 
Entretanto, Jesus nos convida, com a doçura de sempre, a sermos os samaritanos da estrada. 
O samaritano é aquele que interrompe a própria viagem, abre mão do seu tempo e dos seus interesses, porque o amor e a compaixão lhe falam mais alto ao coração. 
É aquele que se aproxima do irmão caído e derrama o óleo do carinho e o vinho da esperança nas suas feridas. 
Esse óleo e esse vinho podem se traduzir num abraço demorado, numa palavra de estímulo, num bom dia sincero e caloroso, ou apenas no silêncio respeitoso de quem se senta ao lado e oferece uma escuta atenta, sem cobranças e sem julgamentos. 
Pensemos nisso. 
Somos Espíritos imortais, fazendo uma rápida viagem educativa pela escola e oficina do planeta. 
A Terra é tão somente uma estalagem aonde chegamos ontem e da qual partiremos amanhã pela manhã. 
Ao término dessa jornada, levaremos conosco apenas aquilo que aprendemos e o amor que semeamos. 
Não deixemos que o nosso irmão continue caído na estrada da vida. 
Sejamos a mão estendida, trazendo de volta à luz e à esperança aqueles que o mundo, na sua indiferença, deixou semimortos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Nós, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no Evangelho de Lucas, cap. 10, versículos 25 a 37. 
Em 21.09.2026

domingo, 20 de setembro de 2026

NA SOLIDÃO DO CAMINHO

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Um palestrante, em certa oportunidade, afirmou que, à medida que somos promovidos na hierarquia das organizações, enfrentamos progressiva surdez. 
Trata-se de uma metáfora, que nos merece acurada reflexão.
Ela nos diz que, ao galgarmos degraus de poder e responsabilidade, perdemos, forçosamente, a identificação com os companheiros de jornada. 
Passamos a viver em outro círculo. 
Com isso, perdemos o contato com grande parte dos antigos colegas de caminhada profissional. 
Em nossa vida religiosa, algo semelhante, por vezes, acontece. 
Quando nos decidimos a trilhar as sendas de iluminação e elevação, descobrimos que são caminhos em desertos de solidão. 
Quando avançamos em conhecimento e consciência, deixamos para trás as tolices da imaturidade, para nos encontrarmos com o chamamento ao dever, ao qual nos afervoramos. 
Abandonamos os vales dos prazeres fugazes e dos pensamentos rasos, abraçando com alegria e comprometimento outro modo de ser, que reflete um novo eu.
Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, marcou com incomparável beleza esse momento de transformação, assinalando: 
-Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino. Quando me tornei homem, acabei com as coisas de menino. 
Nesse processo de crescimento, a claridade que nos invade o coração vem acompanhada de um profundo e martirizante silêncio, que nos fere a alma sensível quando nossos amores ficam para trás. 
A felicidade de saber que subimos um degrau na montanha da evolução contrasta com a dor de não sermos compreendidos, de não termos com quem compartilhar. 
Os corações que nos buscavam para partilhar das mesmas fantasias são agora nossos estranhos. 
Porque falamos outra linguagem, amigos do passado não conseguem nos compreender. 
Somos como a semente que vive a dor de romper a casca na cova solitária, em busca do próprio desabrochar. 
Como a lagarta, trocamos o rastejar por nova roupagem que nos permitirá voos libertadores em círculos mais altos e de maior compromisso. 
E tudo isso nos modificou e nos transformou numa versão aprimorada de nós mesmos. 
* * * 
Nesses momentos, quando nos propomos à nossa melhoria, recordemos Jesus e aprendamos com Ele. 
Subiu sozinho o Calvário, enfrentando uma morte desonrosa e sem culpa, tendo por companhia compulsória dois malfeitores.
Tomou a Sua cruz sem reclamar e seguiu, conforme ordenava a justiça dos homens. 
Não relacionou, em Sua defesa, os bens que distribuiu, as pessoas que curou, os pecadores que salvou, as viúvas que amparou, as crianças que abençoou, as lições que espalhou.
Entregou-se ao sacrifício, perdoando e rogando ao Pai que perdoasse a todos pela inconsequência em que se encontravam. 
Façamos como o Amigo Divino. 
Guardemos a certeza de que, na solidão do aprendizado, na subida da montanha do conhecimento e da autoiluminação, Ele sempre estará conosco. 
E os que ficarem na retaguarda nos haverão de reencontrar, em algum momento, em alguma dobra do caminho, igualmente renovando-se. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 70, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 27.06.2025.

sábado, 19 de setembro de 2026

MARIA DE NAZARÉ

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais 
É com esta denominação que a Mãe de Jesus foi eleita para ser a protetora de Curitiba, a capital paranaense. 
E existem outras tantas denominações com que é lembrada a Mãe de Jesus. 
De acordo com o local, as circunstâncias, Ela recebe o adjetivo. 
Nossa Senhora de Fátima, de La Salete, dos Navegantes, Imaculada Conceição, Nossa Senhora Aparecida. 
Algumas das denominações têm a ver com aparições de Espíritos luminosos. 
Apresentando-se com características femininas e excelsa beleza, foram tomados pela própria Mãe de Jesus. 
Foi somente na segunda metade do século quarto que Maria passou a ser objeto de culto. 
Na Armênia, na Gália e na Espanha, os documentos do século sexto registram um dia consagrado à Maria. 
Em Roma, as festas em Sua homenagem aparecem só no século VII. 
Não se sabe ao certo se as aparições eram realmente da Mãe de Jesus. 
No entanto, todas as religiões cristãs reverenciam a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
No Espiritismo também aprendemos a reconhecer em Maria uma entidade muito evoluída.
Há mais de dois mil anos já havia conquistado elevadas virtudes que a tornaram apta a desempenhar, na crosta terrestre, a elevada missão de receber nos braços o emissário de Deus. 
Emissário que se fez menino para se transformar no modelo de perfeição moral que a humanidade pode pretender sobre a Terra. 
Após o episódio da crucificação do filho, Maria permanece um curto período em Bataneia. 
Depois se transfere, com João Evangelista, para Éfeso. 
Ali estabelece um pouso e refúgio aos desamparados. 
Com João, passa a ensinar as verdades do Evangelho. 
Em poucas semanas, a casa de João se transforma num ponto de assembleias adoráveis. 
Maria fala das Suas lembranças. 
Fala sobre Jesus com maternal enternecimento. 
Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados passam a frequentar o sítio generoso. 
São velhos e desenganados do mundo que vêm ouvir as palavras confortadoras. 
São enfermos que invocam Sua proteção.
Infortunados que pedem a bênção de Seu carinho. 
Sua morada passa a ser conhecida como a Casa da Santíssima. 
Assim foi até Sua morte. 
Ao libertar-se do vaso físico, Ela deseja rever a Galileia. 
Fora ali que Seu filho apresentara as mais belas canções da Imortalidade. 
Em seguida, visita os cárceres de Roma, repletos de discípulos do Mestre, que aguardam a morte. 
Conforta-os e lhes transmite bom ânimo. 
Na Espiritualidade, Jesus lhe confia a assistência aos suicidas. 
Esses Espíritos, em profundo sofrimento no Além, são atendidos pela Legião dos Servos de Maria. 
Maria é, pois, a sublime acolhedora desses Espíritos que se arrojaram aos abismos da morte voluntária. 
Todas as petições que a Ela são dirigidas, são acolhidas pelos Seus emissários. 
Examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria. 
Maria de Nazaré prossegue amparando com imenso amor maternal a humanidade inteira. 
Os espíritas a reconhecem como Ser Sublime que, na Terra, mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitude maternal, Aquele que foi o redentor dos homens, nosso Mestre e Senhor Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados históricos colhidos no verbete Maria, na Enciclopédia Mirador, v.13, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil. 
Em 19.09.2026

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ROCHA VIVA

CHICO XAVIER(+) e EMMANUEL
Pedra é algo que nos remete, geralmente, ao pensamento de algo que incomoda. 
Pensamos na rigidez, na frieza, naquilo que não tem vida e que nos machuca ou nos impede de avançar. 
Quando desejamos expressar que algo está criando uma dificuldade para alcançar um objetivo, dizemos que há uma pedra no caminho. 
No entanto, Jesus, o maior intérprete de almas que já pisou na Terra, olhava para as coisas de um jeito diferente. 
Para Ele, uma pedra não era apenas um obstáculo. 
Podia ser um alicerce. 
Onde, habitualmente, vemos algo duro e inflexível, o Mestre via firmeza, base segura, fundação para se construir uma casa que os ventos não abalassem, nem a tempestade viesse a derrubar. 
E foi usando essa exata figura que Ele olhou para um pescador impulsivo, cheio de falhas, e o chamou de rocha viva da fé. 
Por que exatamente Pedro, entre os doze? 
Se nós fôssemos escolher alguém para ser a rocha de um projeto mundial, talvez buscássemos a pessoa mais perfeita, inabalável e culta. 
Jesus escolheu Simão Pedro. 
Um homem que tinha medo, que afundou na água quando duvidou, que cortou a orelha de um soldado num ímpeto de raiva e que, na hora mais difícil, O negou três vezes.
Por que, então, chamá-lo de rocha? 
Porque Jesus não estava olhando para o Pedro daquele momento. 
Ele olhava para o potencial daquele Espírito. 
Uma pedra, antes de ser o alicerce de um templo, de um edifício, passa por pancadas, é lapidada, perde as arestas. 
As dores e os erros de Pedro foram o cinzel que tirou o excesso de orgulho e impulsividade, revelando a rocha forte que havia por baixo. 
Prestemos atenção ao adjetivo que Jesus confere à rocha: viva. 
Uma rocha morta é a rigidez, a dureza das regras sem amor.
Uma rocha viva, por outro lado, é firme nas convicções, mas pulsa de compaixão. 
Ela dá sustentação aos outros. Sabe se adaptar para acolher. Pedro se tornou essa rocha viva. 
Depois da partida de Jesus, foi ele quem sustentou os primeiros cristãos, apaziguou contendas e deu a vida pela mensagem. 
* * * 
A história de Pedro é a nossa história. 
Quantas vezes nós também prometemos mundos e fundos a Jesus em nossas orações, e logo depois tropeçamos, negamos nossos valores e afundamos no mar das próprias dúvidas?
Quantas vezes afirmamos que O seguiríamos em todos os momentos e, no entanto, ante percalços maiores, O negamos? 
Ou seja, nos sentimos fracos, esquecidos de que Ele segue conosco. 
Mesmo assim, o Mestre continua nos chamando para sermos pedras de construção. 
Ele confia na nossa capacidade de transformação. 
Toda vez que escolhermos perdoar em vez de revidar, estaremos sendo rocha viva. 
Toda vez que mantivermos a esperança quando tudo der errado, estaremos demonstrando a nossa firmeza. 
Que possamos nos tornar rocha viva, alicerce seguro e amoroso na vida daqueles que caminham ao nosso lado. 
Que possamos ser considerados ditosos por trabalharmos juntos e unirmos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra que nos foi dada a realizar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 124 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 18.09.2026

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

NAS MÃOS DE DEUS

Há momentos em que nossas mãos parecem pequenas demais. 
Tentamos segurar tudo ao mesmo tempo: problemas, decisões, medos, responsabilidades. 
Apertamos forte, como se o controle fosse a solução. 
Porém, descobrimos que nem tudo pode caber em nossas mãos. 
Há limites que não são fraquezas, são aprendizados. 
Há dores que não conseguimos resolver. Situações que fogem do nosso alcance.
Perguntas que não encontram resposta imediata. 
É nesse instante que aprendemos uma lição essencial: aquilo que não cabe em nós deve ser colocado nas mãos de Deus.
Conta-se que uma enfermeira que trabalhava em uma UTI neonatal, cuidava de bebês extremamente frágeis. 
Sabia exatamente o que fazer tecnicamente. 
Dominava os protocolos, conhecia os equipamentos. 
Ainda assim, havia dias em que nada parecia suficiente. 
Certa noite, um recém-nascido não respondeu aos tratamentos esperados. 
A equipe fez tudo o que estava ao alcance. 
Ao final do plantão, exausta e frustrada, a enfermeira percebeu que suas mãos tremiam. 
Não de medo, mas de cansaço emocional. 
Antes de sair, voltou ao leito, ajustou o cobertor, tocou delicadamente o bebê e, em silêncio, fez algo diferente do habitual. 
Não pediu resultados. 
Não pediu controle. 
Apenas depositou nas mãos de Deus o que não cabia em suas mãos. 
Asserenou a própria alma. 
Entregou aquele pequeno ser a quem decidira por tê-lo como seu filho, na Terra. 
Determinar-lhe o rumo da existência competia a Ele, somente a Ele. 
***
Nas mãos de Deus cabem nossas dores. 
Mesmo aquelas que não sabemos explicar. 
Cabem as lágrimas silenciosas, as noites difíceis, as feridas que teimam em não cicatrizar. 
Cabem nossas esperanças, os sonhos interrompidos, os planos que não saíram como desejávamos, os caminhos que precisaram ser mudados.
Deus não despreza nossos projetos, mas sabe quando é preciso ajustá-los ao que realmente nos fará crescer. 
Nas suas mãos cabem todas as nossas escolhas. 
As acertadas e as equivocadas. 
Quando entregues com humildade, até os erros se transformam em aprendizado. 
Deus não nos condena pelo tropeço. 
Ele nos convida ao recomeço. 
Cabem, sobretudo, os silêncios. 
Aqueles momentos em que oramos e não ouvimos resposta. O silêncio de Deus não é abandono. 
É trabalho invisível. 
É cuidado que acontece sem anúncio, preparando o que ainda não conseguimos ver. 
Confiar nas mãos de Deus não é cruzar os braços. 
É fazer o que nos cabe e entregar o que ultrapassa nossas forças. 
É compreender que nem sempre teremos explicações, mas sempre teremos amparo. 
A fé não elimina os desafios, mas muda a forma como caminhamos entre eles. 
Quando colocamos nossas dores nas mãos de Deus, elas não desaparecem, mas encontram direção. 
Quando entregamos o futuro, ele deixa de ser ameaça e passa a ser caminho.
Nada se perde nesse processo. 
Por isso, diante do que não compreendemos, diante do que não conseguimos mudar, saibamos dizer, com fé e serenidade, a frase que nos foi ofertada pelo Mestre de Nazaré: 
-Pai, seja feita a vossa vontade assim na Terra como nos céus. 
Redação do Momento Espírita 
Em 24.04.2026

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

NAS LEIS DO DESTINO

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Há quem pense que o Criador, por vezes, sentencia Suas criaturas a sofrimentos eternos. 
Contudo, tanto quanto se pode perceber, o Pai Celestial se manifesta através de leis que expressam ser Seu objetivo o bem supremo.
Essas leis podem ser observadas mesmo nos processos rudimentares do campo físico. 
O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado. 
Entretanto, se colocamos a mão no braseiro, é natural que venhamos a sofrer dolorosas consequências. 
A máquina é parte acessória do progresso.
Mas em mãos que não a saibam manusear, pode se converter em instrumento de destruição. 
Negligência, imperícia ou indisciplina na sua utilização causam resultados desastrosos. 
Ocorre o mesmo nos planos da consciência. 
Na matemática do Universo, o destino sempre dá para a criatura o que ela lhe der. 
É inútil que autoridades de um ou outro princípio religioso pintem o Todo Poderoso com as tintas das paixões humanas.
Com frequência, ouvimos interpretações que assemelham Deus a um soberano rodeado de púrpura e riquezas. 
A alguém que fica simplesmente governando Seus súditos à distância. 
Segundo esses relatos, Ele se enraivece por falta de louvores ou pela desobediência dos Seus filhos.
Também se envaidece com adulações. 
Os que assim apresentam a Divindade podem estar movidos de santos propósitos. 
Talvez raciocinem sob o influxo de lendas e tradições respeitáveis do passado longínquo. 
Mas se esquecem de que, mesmo perante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra. 
Deus é amor. Amor que se expande do átomo aos astros. 
Mas é justiça também. Justiça que atribui a cada Espírito segundo o que ele próprio escolheu. 
Nosso Mestre Jesus disse que a cada um seria dado segundo as suas obras. 
Sendo amor, Deus concede à consciência transviada tantas experiências quantas necessite, a fim de retificar o próprio caminho. 
Sendo justiça, ignora privilégios de qualquer ordem. 
Para Ele, todos são iguais, filhos do Seu amor. 
Jamais afirmemos, portanto, que Deus privilegia a uns e condena a outros. 
Recordemos que não podemos raciocinar pelo cérebro alheio. Também não podemos nos alimentar pela boca do próximo.
Cada um é o responsável pelas suas próprias ações. Deus nos criou a todos para que nos engrandeçamos, para que realizemos o progresso, de ordem intelectual e de ordem moral. 
Em uma palavra, para que alcancemos a felicidade no mais amplo sentido. 
Para isso, sendo amor, nos proporciona um caminho de bênçãos e de luzes. 
Sendo justiça, determinou que cada Espírito possuísse vontade e razão. 
Assim, nenhum de nós é vítima senão de si mesmo. 
Cada qual nos adiantamos ou nos atrasamos, conforme queiramos, no decorrer de incontáveis existências. 
O livre-arbítrio vigora amplamente no Universo. 
Apenas é necessário arcar com as consequências das próprias opções. 
Dessa forma, nossa vida, aqui ou no Além, será sempre o que quisermos, ou seja, o que dela fizermos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. LI, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 27.12.2018.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

COMO JESUS NOS VÊ

e CHICO XAVIER(+)
Por vezes, ao pousarmos os olhos sobre nós mesmos ou sobre o próximo, permitimos que uma severidade implacável embace a nossa visão. 
Julgamos com o imediatismo da carne, medindo a eternidade pelo tamanho das imperfeições do hoje. 
Será que o bom Mestre de Nazaré olha dessa forma a humanidade, ainda tão ignorante, com tantos defeitos? 
Ele, o puro por excelência, não se serve das lentes frias do julgamento. 
Onde o mundo aponta criaturas frágeis e caídas, o Seu olhar identifica seres que lhe foram confiados pela Divindade para a correta condução. 
Onde nosso orgulho enxerga apenas ignorância, Jesus acolhe corações sedentos de rumo, almas que tateiam na penumbra ansiando por se libertar da lama que as prende ao chão. 
Para ele, nosso Irmão Maior, ainda guardamos a fragilidade de crianças imaturas. 
Nossos passos trôpegos e rebeldias passageiras clamam pelo amparo constante e por Seu terno desvelo. 
Essa delicadeza compassiva moldou cada passo de Sua trajetória terrena.
Enquanto os homens viam na manjedoura apenas um canto rústico e esquecido para os animais, Jesus apresentou a própria presença aninhada na simplicidade da natureza.
Transformou a palha em um poema de excelsa beleza. 
O Seu olhar sempre enxergou o que estava oculto nas profundezas da alma.
Para a mulher de Magdala, cruelmente rotulada pela sociedade como sem valor e prisioneira de sombras espirituais, estendeu Ele um olhar que rasgou as aparências. Compreendeu a agonia que sangrava naquele peito feminino, e, envolvendo-a em amor sublime, transformou-a na primeira e radiante mensageira da ressurreição. 
Quando os olhos do mundo viam em Simão Pedro apenas o pescador rude, Jesus divisou o reflexo de Deus pulsando em seu espírito atribulado. 
Lapidou aquele homem até torná-lo a rocha inabalável da fé cristã através dos séculos. 
E, enquanto o mundo via apenas a névoa espessa da traição, a ternura do olhar do Mestre não se alterou. 
Enquanto condenamos Judas como um negociante de intenções sombrias, Ele viu a alma de um companheiro invigilante em desalinho. 
Estendeu-lhe braços amorosos e o buscou, após a sua dolorosa deserção, convidando-o ao ressarcimento de suas falhas. 
Diante de Saulo de Tarso, o perseguidor feroz e orgulhoso, Cristo foi ao seu encontro na estrada de Damasco para lembrá-lo de sua nobre missão: tornar-se embaixador da Boa Nova. 
* * * 
Inspirados pelo rastro luminoso de Jesus, aprendamos a perceber que, mesmo no fundo do pântano denso e escuro, nascem os lírios alvos e perfumados para exalar, triunfantes, a glória de Deus. 
Aprendamos que a maldade e o erro são apenas espinheiros e lamas provisórias que revestem, por fora, o solo sagrado da alma. 
Somos filhos da luz, criados para mostrar a sublime luz que em nós se aninha. 
Floresçamos em luz. 
Aprendamos a nos servir dos olhos de Jesus para olhar a cada um dos nossos irmãos e a nós mesmos. 
Encontramo-nos aqui para aprender, servir, amparar e amar.
Colocados lado a lado, demo-nos as mãos e marchemos para o Alto, conquistando virtudes, tornando-nos, a cada dia, luz mais brilhante.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro Religião dos Espíritos, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 15.09.2026