domingo, 22 de fevereiro de 2026

TRÊS ANOS!

EMMANUEL - ANDRÉ LUIZ
E CHICO XAVIER
Foram três anos incompletos para Ele mudar o curso da vida no planeta. 
Tempo marcado a partir do início de Seu ministério, quando se apresentou a João Batista às margens do rio Jordão, até os instantes derradeiros na crucificação. 
São estimativas, naturalmente.
Mas tomemos a simbologia do período para uma análise necessária para todos nós. 
Foi nesse período que Simão Pedro deixou de ser um pescador comum, e foi convidado a se tornar um pescador de almas. 
Mesmo com dificuldades e um ato de invigilância antes da partida do Mestre, tornou-se a pedra fundamental do que seria construído.
Foi nesse período que João, ainda adolescente, juntou-se ao grupo que estava sendo formado por Jesus, e vivenciou experiências inigualáveis. 
Falaria delas em seu evangelho, com doçura e saudade. 
O único dos apóstolos a estar com Ele aos pés da cruz. João construiu muito ao longo da existência. 
Desencarnou em idade avançada, dando continuidade ao trabalho de amor proposto por Jesus. 
Tudo graças àquele período com Ele. 
E certa Maria, da cidade de Magdala, nessa mesma etapa, repensou seus caminhos, e se tornou outra pessoa.
Transformou-se na trabalhadora de Jesus, acolhendo sofredores e levando-lhes as lições do Evangelho. 
Sobram exemplos. 
Pouco menos de três anos. 
Quantas vidas transformadas. 
Quantos seareiros multiplicados. 
* * * 
E nós? Como estamos nos últimos três giros da Terra em torno do sol? 
São cerca de mil e noventa e cinco dias. 
Mil e noventa e cinco oportunidades de transformação, de construção de algo de valor. 
Pensemos. 
Nesses últimos três anos: 
Estamos mais calmos, afáveis, compreensivos? 
Trazemos o Evangelho mais vivo em nossas atitudes?
Demonstramos mais disposição para servir? 
Andamos um pouco mais livres da influência e do anseio pelas posses terrestres? 
Usamos mais intensamente os pronomes nós, nosso, nossa e menos os determinativos eu, meu e minha? 
Temos orado realmente? 
Os nossos ideais evoluíram? 
E a lista continua... 
Um exame importante e necessário, que precisa ser realizado de tempos em tempos por todo cristão. 
Trata-se de uma disciplina fundamental a ser adotada por aqueles que nos propomos a melhorias, a mudanças. 
Como saber no que estamos indo bem e no que precisamos de mais atenção sem realizar qualquer medição, qualquer controle? 
Não se trata de buscar a perfeição em poucos anos nem de nos frustrarmos e desanimar cada vez que percebemos que não estamos evoluindo muito bem na caminhada. 
Trata-se de assinalarmos pontos de urgência, de atenção, de necessidade. 
Caso contrário certas questões irão ficando, se solidificando.
Daqui a pouco, estaremos adoecidos. 
As lições do Cristo são um tesouro. 
Devemos estudá-las e aprofundar nosso conhecimento, mirando em seu exemplo magnífico e de todos aqueles que lhe seguiram os passos. 
Por fim, ainda um ponto de destaque dos itens a serem verificados: 
Evangelho é alegria no coração: 
Estamos, de fato, mais alegres e felizes, intimamente, nesses últimos três anos? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Opinião Espírita, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. CEC. 
Em 20.02.2026

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A PROMESSA DO AMANHECER

Quando rompe esplendorosa a madrugada, tudo sinaliza um recomeço. 
E é dessa maneira que devemos tecer nosso hino de gratidão à vida. 
A vida é a mais sublime das concessões, um poema épico escrito na luz das novas horas que nos são oferecidas. 
É uma melodia que se renova, uma sinfonia que jamais se exaure, tocada no compasso perfeito do tempo, na qual cada nota é uma bênção incalculável. 
Nosso Pai, com Seu amor terno e grandioso, nos oferece a dádiva da existência, um milagre complexo e frágil, revestido de beleza e de esperança, que resiste a todas as noites. 
É preciso um momento de silêncio contemplativo para verdadeiramente apreender a magnitude do amanhecer de um novo dia. 
Momento de oração em que a alma, genuflexa, alcança os céus em louvores de gratidão. 
E somente então nos erguermos, decididos a viver essas vinte e quatro horas em plenitude. 
Aproveitar cada toque de carícia do vento, de brisa delicada, o calor do sol, a delicadeza da chuva que cai lenta e silenciosa.
A vida é a soma de nosso sim ao despertar, ao respirar, ao amar e ao errar, pois, até no tropeço reside a oportunidade de um aprendizado que forja a alma. 
Somos peregrinos de uma jornada tecida em luz e sombra, mas é o fio dourado da esperança que costura o tecido da nossa passagem. 
O otimismo não é uma negação ingênua da dor, mas uma fé inquebrantável na capacidade inerente da vida de se regenerar, de se reinventar, de reflorescer, mesmo após a mais rigorosa das geadas. 
A bênção da vida reside no inusitado de cada hora, na certeza de que tudo se move, tudo se transforma, e que o rio do tempo leva consigo a tristeza do ontem e traz a promessa de um inexplorado amanhã. 
Pensemos nesses dias de um novo ano como um vasto oceano, uma ilha virgem que emerge das águas, intocada e repleta de recursos. 
Não são meras horas repetidas. 
São horas singulares, dotadas de um potencial que nunca existiu e nunca mais se repetirá. 
Porque a criatividade divina é infinita. 
Em cada amanhecer, permitamo-nos dissolver as culpas da noite, desfazer os nós do passado e limpar a lousa para escrever o presente com a caligrafia do nosso potencial.
Sintamos esse recomeço cíclico como se a vida, com a voz suave de uma mãe amorosa, sussurrasse: 
-Não importa o quão errado tenha sido o ontem, aqui está a chance de recomeçar, com o fôlego renovado. 
Os novos dias que se anunciam carregam o eco dos nossos sonhos e a vibração dos anseios mais recentes. 
Eles são a materialização da nossa capacidade de sonhar e de construir. 
Em cada amanhecer, recebemos as ferramentas: a vontade para iniciar, a disciplina para prosseguir, e a convicção de que somos fortes o suficiente para enfrentar o que vier. 
E, mais importante, a certeza de que a luta em si tem um valor intrínseco, que nos lapida e nos eleva. 
A poesia da vida reside na transmutação da adversidade em força, do desafio em crescimento. 
O novo dia nos oferece o palco para essa alquimia da alma.
Abracemos a promessa do próximo amanhecer. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.02.2026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MULHERES

MARTHA MEDEIROS
No mundo, existem diversos tipos de mulheres. 
Existem as que curam com a força do seu amor e as que aliviam dores com a sua compaixão. 
Foram exemplos Irmã Dulce, na Bahia, e Madre Teresa, na Índia. 
Existem mulheres que cantam o que se sente e as que escrevem. 
Há mulheres glamourosas, como foi Lady Di e mulheres maravilhosas que deixam lições eternas, como Eunice Weaver e Madame Curie. 
Existem mulheres que fazem rir, e mulheres talentosas no teatro, nas telas dos cinemas, nos palcos do mundo. 
Entre tantos tipos de mulheres existem as que não são conhecidas ou famosas. 
Mulheres que deixam para trás tudo o que têm, em busca de uma vida nova. 
Lembramos das nossas nordestinas e sua luta constante contra a adversidade, para que os filhos sobrevivam. 
Mulheres que todos os dias se encontram diante de um novo começo, que sofrem diante das injustiças das guerras e das perdas inexplicáveis, como a de um filho amado, pela tola disputa de um pedaço de terra, um território, um comando.
Mães amorosas que, mesmo sem terem pão, dão calor e oferecem os seios secos aos filhos famintos. 
Mulheres que se submetem a duras regras para viver.
Mulheres que se perguntam, ante a violência de que são vítimas, qual será o seu destino, o seu amanhã. 
Mulheres que trazem escritos nos sulcos da face, todos os dias de sua vida, em multiplicadas cicatrizes do tempo. Todas são mulheres especiais. 
Todas, mulheres tão bonitas quanto qualquer estrela, porque lutam para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Entre essas, as que pegam dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar. 
E quando chegam em casa, encontram um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. 
Mulheres que vão de madrugada para a fila a fim de garantir a matrícula do filho na escola. 
Mulheres empresárias que administram dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana. 
Mulheres que voltam do supermercado segurando várias sacolas, depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. 
Mulheres que levam e buscam os filhos no colégio, os colocam na cama, contam histórias, dão beijos e apagam a luz. 
Mulheres que lecionam em troca de um pequeno salário, que fazem serviço voluntário, que colhem uvas, que operam pacientes, que lavam a roupa, servem a mesa, cozinham o feijão e trabalham atrás de um balcão. 
Mulheres que criam filhos, sozinhas, que dão expediente de oito horas e ainda têm disposição para brincar com os pequenos e verificar se fizeram as lições. 
Mulheres que arrumam os armários, colocam flores nos vasos, fecham a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantêm a geladeira cheia. 
Mulheres que sabem onde está cada coisa, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para dor de cotovelo do adolescente. 
Podem se chamar Bruna, Carla, Teresa ou Maria. 
O nome não importa. O que importa é o adjetivo: mulher. 
* * * 
A tarefa da mulher é sempre a missão do amor. 
Onde quer que ela esteja, ali se encontrará um raio de luz, uma pétala de flor, um aconchego, um verso, uma canção.
Redação do Momento Espírita, com base nas crônicas Mulherão, de Martha Medeiros e Mulheres, de autoria ignorada. 
Em 09.02.2015.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

MULHER ESPECIAL

RAUL TEIXEIRA
Há mulheres que são especiais. 
Em dadas circunstâncias, parecem princesas ou mesmo rainhas, pois encantam, fascinam e mostram ter poderes de tal modo expressivos, diante dos quais dobramos a cerviz. 
Há ocasiões em que são como administradoras ou economistas, quando se põem a organizar a vida do lar, seus movimentos e despesas, tudo aquilo que se compra e o que se põe na mesa, para a fruição de todos. 
Conseguem, muitas vezes, ajuntar alguma quantia que sobra para momentos mais difíceis. 
Quantas vezes se mostram como agentes de disciplina?
Alteiam a voz, como quem dá voz de comando, ordenam, impactam com o tipo de inflexão que utilizam, e põem, dessa maneira, tudo e todos em seus devidos lugares, dentro de casa. 
São quais colegas, quais colegiais, variadas vezes. 
Envolvem-se com os pequenos, brincam, jogam com eles; riem-se deles e com eles, até o momento justo de estancar a brincadeira. 
Mulheres há que se tornam médicas ou enfermeiras, diante das necessidades dos seus filhos. 
Acolhem-nos, preparam-lhes poções e chás diversos, e, muitas vezes contrariando as instruções formais, dão-lhes xaropes e pastilhas. 
Se enfermos, banham-nos, põem-nos em seus leitos, recobrem-nos, acalentam e vigiam, dias ou noites, dias e noites, até que retornem à saúde. 
Mas, dentre essas mulheres incríveis, especiais de verdade, temos aquelas que reúnem todas essas habilidades: 
São mestras, são agentes disciplinares; são administradoras e economistas, enfermeiras, psicólogas, são médicas. 
São cozinheiras, lavadeiras, artesãs e fiandeiras. 
Conseguem ser governantas, serviçais e chegam a ser santas. 
Essas almas geniais de mulher são alimentadas pelo estranho ideal de sempre entender, de atender e de sempre servir. 
São companheiras próximas dos anjos, são servidoras de Deus e mensageiras da vida. 
São nossas fãs, amigas extremadas para quem nunca há nada impossível, quando se trata de atender-nos, de alegrar-nos, de ajudar-nos. 
São mulheres sem igual. 
Perfumam como flores, são ardentes como a chama e brilham como estrelas. 
Nada obstante todos os elogios que lhes possamos dirigir, o que é mais tocante, mais comovente, é saber que uma dessas mulheres, incumbidas por Deus para mudar o mundo, ajudando-o a ser melhor, a ser um campo bom de se viver, tem uma missão particular. 
IVAN DE ALBUQUERQUE
Há uma mulher para quem o Criador entregou a missão de cuidar-me, de fazer-me estudar para entender, de ensinar-me a orar e a crescer, a respeitar a todos e a servir para o bem.
Essa mulher é um encanto em minha vida, e não há ninguém que se lhe assemelhe. 
Ao vê-la, meus olhos marejam e bate forte o meu coração. Ela é tal qual mistura de ouro e brilhante... 
Ela é, por fim, a luz que torna meu caminho cintilante. É aquela a quem chamo de minha mãe. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Ivan de Albuquerque, psicografada por Raul Teixeira, em 08/03/2006, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

APESAR DOS LIMITES

Quando era estudante de medicina numa Universidade dos Estados Unidos da América, Dr. Marlin nutria a preocupação com um mundo cheio de pessoas portadoras de deficiências e de doentes sem esperança de cura. Por essa razão, era partidário da eutanásia. 
Costumava travar calorosas discussões com os colegas que pensavam de maneira diferente da sua. 
Aos seus inflamados argumentos, os companheiros respondiam: 
-Você não vê que estamos estudando medicina, precisamente para cuidar das pessoas com qualquer deficiência física ou mental? 
-Os médicos existem neste mundo para curar os doentes. 
Era a resposta que ele dava. 
Se nada podemos fazer em seu benefício, o melhor para eles é a morte. 
Certa noite, quando prestava serviço como interno, no último ano do curso, Marlin foi chamado para assistir a uma parturiente, que morava num bairro miserável da cidade. 
Era o décimo filho que ela dava à luz. 
O bebê entrou neste mundo com uma das perninhas bem mais curta do que a outra. 
De imediato, acudiram à mente de Marlin: 
-Este pequeno vai passar a vida inteira arrastando esta perna. Para que hei de obrigá-lo a viver? O mundo nunca dará pela falta dele. 
Apesar desses pensamentos, não decretou a morte do pequeno. 
Cumprido o dever, foi embora censurando o próprio procedimento: 
-Não posso compreender por que fiz isto! Como se não houvesse filhos demais naquele antro de miséria. Não entendo por que deixei viver mais aquele. Ainda por cima estropiado. 
* * * 
Os anos correram. 
Dr. Marlin consagrou-se como médico e se dedicava verdadeiramente a salvar e conservar vidas. 
Um dia, seu filho único e a esposa morreram num acidente de automóvel. 
Na qualidade de avô, ele adotou a netinha.
Quando completou dez anos, a menina acordou, certa manhã, queixando-se de torcicolo e de dores nas pernas e nos braços. 
Verificou-se que era uma raríssima infecção causada por vírus pouco conhecido, que causava paralisia. 
Os neurologistas procurados foram unânimes em afirmar que não se conhecia remédio nem tratamento algum para aquela enfermidade. 
Porém, existe um médico no Oeste que escreveu recentemente sobre o êxito que tem obtido em casos como este, observou um dos neurologistas. 
Dr. Marlin tomou a menina e se dirigiu para o hospital indicado. 
Quando ficou frente a frente com o médico, único capaz de salvar a neta tão querida, observou que o jovem colega coxeava acentuadamente. 
Esta perna curta faz de mim um igual dos meus doentes, observou o dr. T. J. Miller, ao notar o olhar do dr. Marlin. 
-Meu nome é Tadeu. Sempre me pareceu um tanto pomposo. Como a tantos outros meninos, deram-me o nome do moço interno que uma noite me ajudou a -vir ao mundo. 
Dr. Tadeu Marlin empalideceu e engoliu a seco. 
Por alguns minutos, lembrou-se dos pensamentos que lhe acorreram naquela noite distante: 
-O mundo nunca dará pela falta dele. 
Estendeu comovidamente a mão ao colega graças ao qual a neta ia poder andar outra vez. 
E pensou: 
-Sempre é melhor ser pessoa coxa do que pessoa cega, como eu fui, por muito tempo. 
Redação do Momento Espírita, a partir de artigo de Seleções Reader’s Digest, de fevereiro/1948. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. 
Em 18.02.2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

AS MULHERES E O MUNDO

Isabel Allende
Isabel Allende, jornalista e escritora chilena, ao abordar a questão das mulheres no mundo, narra algo que ocorreu no ano de 1998, num campo de concentração para refugiados Tutsi, no Congo, África. 
Os protagonistas são uma jovem mulher, de nome Rose Mapendo e seus filhos. 
Viúva e grávida, de alguma forma ela consegue manter suas sete crianças vivas. 
Depois de alguns meses, ela dá à luz a gêmeos prematuros, dois minúsculos meninos.
Corta o cordão umbilical com um graveto e os amarra com seu próprio cabelo. 
Ela dá a seus filhos os nomes dos comandantes do campo, com o objetivo de ganhar a bênção deles e, com isso, poder alimentá-los com chá preto, já que o seu leite não poderia sustentá-los. 
A família sobrevive por dezesseis meses e então, graças ao ato de boa vontade de um soldado americano, Sasha Chanoff, Rose é salva, pois ele consegue colocar sua família em um avião de resgate. 
Rose Mapendo e seus nove filhos pousam em Phoenix, Arizona, onde agora vivem e prosperam. 
O nome Mapendo, em Suaíli, idioma oficial da África Oriental, significa grande amor. 
Outra história que a autora nos conta se passa no ano de 2005. 
O lugar é uma pequena clínica para mulheres em Bangladesh, país asiático. Jenny é uma jovem higienista bucal, voluntária americana. 
Ela foi para a clínica preparada para limpar dentes. 
No entanto, descobre que ali não há médicos, não há dentistas e que a clínica é somente uma cabana cheia de moscas. 
Do lado de fora há uma fila de mulheres que esperam horas para serem atendidas. 
A primeira paciente sente dores lancinantes, seus molares estão em péssimas condições. 
Jenny percebe que a única solução seria removê-los. 
Ela não tem licença para isso e nunca fez esse procedimento antes. 
Apavorada, ciente de que nem ao menos tem os instrumentos adequados, sente-se confortada ao certificar-se que tem como recurso um pouco de anestesia. 
Movida pela coragem e por um coração carregado de amor, ela murmura uma prece e segue em frente com a operação.
Ao final, a paciente aliviada beija suas mãos. 
Naquele dia, a higienista repetiu muitas vezes idêntico procedimento. 
* * * 
No mundo de hoje, grande parte das mulheres sofre, vivendo em condições precárias. 
Forçadas a casamentos prematuros, não têm controle sobre suas vidas, têm filhos que não conseguem alimentar, não têm acesso à educação, à saúde e à liberdade. 
Olhamos em volta e vemos protagonistas como essas por toda parte. 
Mulheres que, apesar das circunstâncias desfavoráveis, lutam com o coração cheio de amor, pelos seus próprios direitos e pelos direitos do próximo. 
Mulheres que, apesar de todas as adversidades, se mostram dispostas, confiantes, carregadas de fé e esperança, que nunca se deixam abater, que lutam diariamente, seguindo em frente sem desanimar. 
Mulheres que, como essas das histórias citadas, movidas pelo amor, colocam o coração à frente da razão. 
E Jesus nos ensinou que onde estiver o nosso tesouro, estará o nosso coração.
E o nosso tesouro onde está? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra da escritora Isabel Allende, em março de 2007. 
Em 06.12.2018.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A CRUEL INDIFERENÇA

Basta um olhar nas grandes cidades e lá está o retrato da indiferença. 
Gente maltratada, infeliz, doente, paupérrima se esgueirando pelas ruas, estendendo as mãos, pedindo, suplicando. 
Do interior dos carros, vidros fechados, refrescados pelo ar-condicionado, perfumados e alimentados, olhamos essas cenas como se estivéssemos vendo um filme. Alguns até reagimos com certa irritação. 
Culpamos o governo, reclamamos das diferenças sociais.
Olhamos, simplesmente olhamos os andrajosos que nos observam com ar cobiçoso ou infeliz. 
Chegamos a tomar outros caminhos a fim de não contemplar o espetáculo da miséria e do abandono. 
Por vezes, nos compadecemos. 
Contudo, temos medo de abrir a janela do carro, de estender a mão, de sorrir.
E, de uma maneira geral, esquecemos dos espetáculos da pobreza tão logo chegamos em casa, ao escritório ou aos locais de lazer. 
Nos restaurantes, quem de nós lembra dos famintos? 
Diante dos pratos cheirosos e meticulosamente arrumados, quem recorda das crianças esqueléticas, das mães famélicas?
Nos cinemas, lágrimas nos vêm aos olhos diante de filmes que retratam a desigualdade social avassaladora. 
Mas saímos de lá impassíveis ante o homem torturado que sofre ao nosso lado. 
Que fizemos de nossa sensibilidade diante da dor alheia? 
Em que ponto de nossa vida a indiferença se instalou em nosso peito e, com mãos de gelo, nos segurou o coração?
Certamente, a caridade não exclui a prudência. 
E, naturalmente, não devemos nos responsabilizar por todas as dores do mundo. 
Mas reflitamos: 
Estaremos fazendo, de fato, tudo o que é possível? 
Vez ou outra, ou de maneira mais ou menos regular, providenciamos alguns itens para as cestas básicas distribuídas por essa ou aquela instituição. 
Vez ou outra, realizamos uma vistoria em nosso guarda-roupa e separamos roupas usadas para doação. 
Ofertamos valores para instituição benemérita. Tudo muito louvável. 
Porém, estaremos mesmo contribuindo para reduzir a desigualdade aterradora que se vê no mundo? 
Cada um de nós, no papel que desempenha, no ambiente profissional, pode contribuir para mudar esse estado de coisas. 
Quem de nós vive tão isolado que não possa estimular alguém ao estudo, ao trabalho? 
Quem de nós, de excelente condição financeira, apadrinha uma criança e lhe dá a chance de estudar em uma boa escola? 
Quantas vezes temos a chance de mudar a vida de alguém e nos calamos, omitimos, encolhemos? 
Para aqueles que temos vontade real de contribuir, a vida oferece oportunidades ímpares de fazer a diferença. 
Por isso, abramos nosso coração para o amor. 
Desde hoje, deixemos que nossos olhos contemplem o mundo com muito mais bondade. 
Procuremos descobrir em cada criatura sofrida um irmão que tateia, em busca da mão amiga que lhe ofereça apoio e segurança. 
A indiferença é a escuridão da alma. 
Acendamos a candeia de um coração sensível e façamos luz em nossa vida, estendendo-a para um companheiro de jornada. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.02.2026