segunda-feira, 16 de março de 2026

MUNDO DE IRMÃOS

Cinco de maio. 
Mukhtar, um somaliano residente em Copenhagen, na Dinamarca, se ergue pela manhã e comparece ao serviço.
Ele é motorista de ônibus. 
Tudo parece normal, como todos os dias. As pessoas entram, saem, o ônibus faz as paradas devidas. 
E é justamente numa dessas que, entre outros, entra um jovem vestindo o mais fino traje a rigor. 
Na mão, um instrumento de sopro. 
Coloca-se em lugar estratégico do ônibus e toca. 
O motorista olha pelo espelho e continua sua rota. 
Então, uma mulher começa a cantar. 
É uma música que, com certeza, fala de felicidades, de dia de aniversário. 
Mukhtar sorri agora, abrindo a boca, mostrando os dentes alvos. 
É o dia do seu aniversário. 
Outras vozes se unem à primeira e também cantam. 
A viagem prossegue. 
Então, ao entrar em determinada via, ele se depara com uma marcha de protesto. 
Bom, não dá para ele saber com exatidão contra quem ou o que eles protestam. 
As pessoas, jovens, homens, mulheres, estão de costas para ele.
Portam cartazes, que ele não consegue ler. 
Eles gritam palavras de ordem, erguendo os punhos. 
Mukhtar sabe que deve ter cuidado. 
Avança devagar, aproxima-se delas e pede passagem buzinando. 
A marcha continua imperturbável na sua manifestação. Ele torna a buzinar. 
Aí, o inusitado acontece. 
Todas aquelas pessoas se voltam de frente para ele. 
Os cartazes agora estão virados para ele e o saúdam pelo seu aniversário. 
São felicitações. 
Todos cantam, sorriem. 
O ônibus para. 
Não há como prosseguir. 
Entre a surpresa e a emoção, o motorista abre a porta do veículo. 
Um homem vem ao seu encontro, o abraça e lhe entrega flores. 
Outros lhe oferecem presentes. 
Mukhtar disfarça as lágrimas da emoção que o toma por inteiro. 
Algumas daquelas pessoas são passageiros habituais da sua linha de ônibus, outras se encontravam na rua e foram convidadas a participar da homenagem ao aniversariante.
Tudo organizado pela empresa de ônibus que o emprega.
Uma empresa que lembrou que aquele somaliano, vivendo distante de sua terra, de sua gente, apreciaria uma manifestação de alegria e de afeto, no dia do seu aniversário.
* * * 
Enquanto houver pessoas que se preocupam em ofertar momentos de alegria a outras pessoas; enquanto houver tempo para manifestações de afeto; enquanto um empresário se lembrar de parabenizar seu funcionário pelo seu aniversário, pelo filho que lhe nasceu, pelo diploma que conquistou, tenhamos certeza: o mundo está melhor.
Enquanto alguns ainda se comprazem em prejudicar o seu irmão ou se mostram indiferentes à dor alheia, acreditemos: há um número expressivo de pessoas que se importam com o seu semelhante. 
Pessoas que se sentem felizes em propiciar felicidade a outros. 
Mesmo que isso possa ser somente cantar uma canção de aniversário, ofertar um abraço, tocar uma música, aceitar participar de uma homenagem a um servidor de todos os dias.
Pensemos nisso e vibremos e nos unamos a tais pessoas, engrossando a fileira dos que mentalizam o bem, fazem o bem e materializam, dia a dia, um mundo de irmãos, um mundo de amor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos na Internet. 
Em 06.12.2011.

domingo, 15 de março de 2026

UM MUNDO DE CORES E BÊNÇÃOS

É comum reclamarmos do mundo, das coisas que observamos acontecer, das tantas tragédias provocadas pelo próprio homem. 
Quase sempre, nossa visão acanhada toma ciência das maldades cometidas pelo homem e dizemos que o mundo vai muito mal. 
Ouvimos falar de crimes hediondos, de corrupção em vários níveis, de tantos que desafiam a lei do respeito e da cidadania e dizemos que está tudo perdido, mesmo. 
Os anos se somam acumulando séculos e o homem continua lobo do próprio homem. 
Por vezes, chegamos até a duvidar que nossas atitudes corretas possam vir a produzir qualquer diferença positiva para cenário tão triste. 
No entanto, é bom que consultemos a História. 
É bom relembrar como éramos no ontem das nossas existências. 
Lembrar das mulheres que eram consideradas coisa alguma.
Recordar que a mulher era tida como propriedade do pai, depois do marido, que sobre seu destino decidia sem contestação da sociedade, ou de qualquer lei que lhe pudesse garantir direitos. 
Recordar que crianças bastardas tinham direito algum, podendo se lhes dar o destino que bem se quisesse. 
Olhemos para nosso mundo hoje. 
Sim, ainda pleno de equívocos, de maldade, até mesmo de crueldade. 
No entanto, basta que uma tragédia se instale em algum local do planeta e todos se irmanam em donativos, em auxílio, em voluntariado para saciar a sede, a fome dos envolvidos. 
O ser humano tem seu direito à vida assegurado. 
As mulheres conquistaram um largo espaço, podendo frequentar a escola, ilustrar suas mentes, tornando-as ainda mais brilhantes. 
Sim, há muito mal na Terra. 
Contudo, a soma de bens sobrepuja o que ainda persiste. 
A dor é socorrida com a anestesia e o medicamento. 
Doenças consideradas incuráveis são combatidas, ferozmente. 
A higiene é propalada como indispensável condição para a saúde e dignidade da vida. 
Sim, com o Apóstolo Paulo podemos afirmar que não somos perfeitos, que muito deve ser conquistado e melhorado mas graças a Deus, já somos o que somos. 
Seres que se importam com o outro, que batalham por leis sempre mais justas, pela proteção do ser humano, desde o ventre materno. 
Por leis que assegurem a educação plena a todos, o direito ao teto e ao pão, leis que digam da correta remuneração a quem trabalha. 
Das aristocracias do passado marchamos para a verdadeira aristocracia, a do mérito, ajustando-nos ao preceito evangélico: A cada um segundo as suas obras. 
Obras de construção, de amor, de engrandecimento. 
Com certeza, ainda é duro o mundo quando a impiedade nos alcança, quando os maus agridem, quando nos sentimos acuados pela desonestidade e pela ironia. 
No entanto, avançamos, rumo ao Alto. 
Estamos melhores hoje. 
Somos melhores hoje. 
Guardemos essa certeza e continuemos a crescer para a luz.
Somos filhos da Luz, nos disse o Mestre. 
Iluminemos o mundo com nossa luz. 
Luz da compreensão, luz que ampara o caído, que socorre quem errou, que estende a mão ao que resvala pelo caminho.
Somos seres humanos. 
Comportemo-nos como tal, amando-nos uns aos outros.
E, de mãos dadas, rumemos para a angelitude. 
Ela pode estar bem próxima de nós, se quisermos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.06.2022.

sábado, 14 de março de 2026

QUANDO A PERSISTÊNCIA VIRA COMBUSTÍVEL

Sabrina Gonzalez Pasterski
Em um bairro comum de Chicago, enquanto outros adolescentes aprendiam a dirigir, uma jovem trabalhava com rebites, planos e motores. 
Ela dispunha de uma garagem, ferramentas emprestadas e uma obstinação silenciosa em entender como o mundo decola. 
Seu nome era Sabrina Gonzalez Pasterski
Tinha quatorze anos quando construiu, completamente sozinha, um avião monomotor funcional. 
Desenhou-o, montou-o peça por peça e o pilotou.
Postou o vídeo na internet como quem guarda provas, não como quem procura aplausos. 
Enviou sua candidatura ao Instituto de Tecnologia de Massachussetts. 
Era latina, cubano-americana de primeira geração, vinda de escolas públicas, sem ligações herdadas, sem sobrenome influente. 
Ela era extraordinária, mas o Instituto não a aceitou. 
Ela se sentiu despedaçar porque todo o seu sonho tinha sido construído em volta daquele lugar. 
Não era só uma faculdade. Era a porta. 
Seu instrutor de voo alertou dois professores do instituto, que viram uma adolescente pensar como engenheira, trabalhar como mecânica e voar como piloto. 
Eles viram potencial. 
Levaram o vídeo para as admissões. 
E, dessa vez, a porta se abriu. 
Ela se graduou em apenas três anos, com a maior pontuação possível. 
Foi a primeira mulher em duas décadas a formar-se como melhor estudante de física. 
Estagiou na NASA. 
Foi para Harvard. 
Estudou buracos negros, gravidade quântica e a própria estrutura do espaço-tempo. 
Aos vinte e cinco anos, Stephen Hawking citou seu trabalho.
Não como promessa. 
Como referência. 
Chegou a ser comparada a Einstein. 
Aos vinte e sete anos, chegou ao corpo docente no Instituto Perimeter de física teórica no Canadá, um dos centros de física teórica mais importantes do planeta. 
Toda vez que ensina, cada vez que posta, cada vez que acompanha um aluno, deixa a porta um pouco mais aberta para quem vem atrás. 
Para a próxima garota latina. 
Para o filho de imigrantes.
Para quem se atreva a querer o Universo sem pedir permissão. 
O Instituto de Tecnologia não a considerou no início. 
Ela o obrigou a olhar de novo. 
E fez algo mais importante do que ingressar. 
Fez história. 
* * * 
Alguns de nós, ante os reveses, ante os tantos nãos recebidos e as portas que se fecham, desanimamos. 
Os que acreditamos no próprio potencial e temos a firmeza do ideal estampada na vontade, insistimos. 
Isso nos levará a alcançar patamares jamais imaginados e abrir sulcos na terra do sucesso para que outros nos sigam. 
O exemplo de Sabrina demonstra que mesmo a inteligência mais brilhante exige o motor da persistência para traduzir o potencial em descoberta. 
Sua persistência não é apenas a recusa em desistir. 
É a capacidade de sustentar um nível extraordinário de foco e autodisciplina em busca de uma meta que transcende o sucesso pessoal e busca o avanço do conhecimento universal. 
Uma história que merece se tornar exemplo a quantos nos permitimos sonhar com o deslindar de mistérios do imenso Universo de Deus. 
Conhecer, avançar, crescer ao infinito porque, afinal, fomos criados à Sua Imagem e Semelhança. 
Imortais, inteligentes, criadores. 
Redação do Momento Espírita 
Em 14.03.2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

O ESSENCIAL NÃO É O QUE PARECE

CHICO XAVIER
O essencial não será tanto o que reténs. 
É o que dás de ti mesmo e a maneira como dás. 
Não é tanto o que recebes. 
É o que distribuis e como distribuis. 
Não é tanto o que colhes. 
É o que semeias e para que semeias.
Não é tanto o que esperas. 
É o que realizas. 
Não é tanto o que rogas. 
É o que aceitas. 
Não é tanto o que reclamas. 
É o que suportas e como suportas. 
Não é tanto o que falas. 
É o que sentes e como sentes. 
Não é tanto o que perguntas. 
É o que aprendes e para que aprendes. 
Não é tanto o que aconselhas. 
É o que exemplificas. 
Não é tanto o que ensinas. 
É o que fazes e como fazes. 
Em suma, na vida do Espírito 
- a única vida verdadeira – 
o essencial não é o que parece. 
O essencial será sempre aquilo que é.
* * * 
A mensagem nos abre a compreensão para o que mais importa em nossos dias. 
Será que temos focado, colocado as nossas mais preciosas energias naquilo que é realmente essencial? 
Não que o restante não tenha sua importância, mas, quando usamos a palavra essencial, estamos nos referindo à essência, àquilo que nos conecta à essência de nós mesmos, ao mais importante de tudo. 
Prioridades. 
Num mundo que, segundo dizemos, nos pede tanto, nos exige que cumpramos tantos papéis ao mesmo tempo, nunca foi tão importante que estabeleçamos prioridades. 
Falar, então, do essencial, é buscar as prioridades. 
Muitas vezes, na busca de atender aquilo que é supérfluo, secundário e até dispensável na existência, estamos deixando de lado algo essencial. 
Pensemos num exemplo bastante pertinente nos dias de hoje: a dificuldade que têm os pais em saber o que dizer aos filhos, nas lições a transmitir, nos ensinamentos. 
Pais querem ser professores à moda antiga, fazendo os filhos se sentarem em carteiras escolares, em frente a quadros negros, com o giz da autoridade nas mãos, escrevendo ali o que devem e não devem fazer.
Entretanto, o essencial não está no que ensinamos pela palavra, mas pelos exemplos. 
E nesse item: como estão os nossos exemplos dentro e fora de casa? 
Como nós, pais e mães, como casais, como nos tratamos? Como somos como filhos? 
Como tratamos nossos pais, irmãos, a família? 
Que comportamento apresentamos no grupo social em que estamos inseridos? 
O que trazemos para casa nos comentários sobre a vida dos outros? 
O que fazemos pelo próximo? 
Eis o essencial! 
Eis o que nossos filhos levarão para sempre em seus corações: os exemplos. 
O essencial será sempre aquilo que é, e nunca o que parece ser. 
Em tempos de vidas expostas em fotos que mostram realidades incompletas; em tempos de sorrisos e lágrimas fabricados para chamar a atenção, vale a pena pensar sobre o que é essencial em nossa vida. 
Tudo que está ligado à vida do Espírito, que é a vida essencial, a vida que não se destrói, que não se esquece com o tempo. 
Busquemos a nossa essência. 
Busquemos a essência da experiência na Terra e tenhamos a certeza de que nossa encarnação está valendo a pena.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 43, do livro Caminho Espírita, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 13.03.2026

quinta-feira, 12 de março de 2026

UM MUNDO CADA VEZ MELHOR

Rutger Bergman
Quantas vezes ouvimos, ou nós mesmos repetimos que o mundo está cada vez pior? 
Somos nós, várias vezes, os porta-vozes do pessimismo. 
Ou aqueles que assumimos uma postura derrotista. 
Basta uma manchete ruim no noticiário para justificar nossa tese de que tudo vai de mal a pior. 
Dizemos que perdemos a crença na Humanidade, que o mundo não tem jeito.
E outras tantas afirmações de desânimo. 
Porém, será isso mesmo verdade? 
Será que a Humanidade vai de mal a pior, como muitas vezes apregoamos? 
O historiador holandês Rutger Bergman compilou em seu livro, ao qual denominou Utopia para realistas, alguns dados bem interessantes. 
Segundo ele, em 1820, 84% da população mundial vivia em extrema pobreza. 
Cem anos depois o número baixou pela metade. 
No início do Século XXI, menos de 10% da população mundial vive em extrema pobreza. 
Há cinquenta anos, metade da população mundial sobrevivia com menos de duas mil calorias diárias. 
Hoje, corresponde a menos de 3%.
Na atualidade, há mais pessoas sofrendo por obesidade do que de fome. 
Assuntos que eram ficção científica, há pouco tempo, tornam-se realidade: implantes cerebrais que restituem a visão, pernas robóticas que permitem paraplégicos se locomoverem com autonomia, cirurgias de alta precisão feitas por robôs.
A energia solar ficou 99% mais barata nos últimos quarenta anos. 
Desde 1994, o número de pessoas com acesso a Internet saltou de 0,4% para 40%. 
A expectativa de vida global hoje é mais do que o dobro do que era em 1900. 
Desde 1990, a taxa de mortalidade por tuberculose caiu para quase a metade. 
A partir do ano 2000, o número de mortes por malária decresceu 25%, a mesma queda nas mortes por AIDS, desde 2005. 
O número de mortos em guerras despencou 90%, desde 1946. 
Para onde olharmos, vamos perceber que há melhoras significativas no mundo. 
Como essas evoluções acontecem de maneira silenciosa, pois se desenvolvem lenta e constantemente ao longo das décadas, tornam-se invisíveis para nossa percepção. 
Porém, é inegável o quanto o mundo vem evoluindo e se tornando um lugar melhor para se viver. 
Para isso, são inúmeros os cientistas, pesquisadores, profissionais variados, mulheres e homens públicos, que vêm se doando em prol da melhora coletiva. 
Há muito mais gente colaborando para o mundo ser um lugar melhor do que imaginamos ou percebemos. 
São incontáveis os que se sacrificam pelos seus filhos, que fazem o melhor que podem na sua profissão, que atuam voluntariamente em causas nobres. 
É a lei do progresso, prevista nos códigos divinos, se fazendo presente, nos proporcionando melhoria de vida e bem-estar.
Efetivamente estamos cada vez melhores. 
Refletimos isso em um mundo mais justo, mais igualitário, mais humano. 
Cabe, no entanto, lembrarmos sempre que cabe a cada um de nós dar sua cota de colaboração, oferecendo ao mundo o que temos de melhor, na mente e no coração, para o progresso da Humanidade. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com dados extraídos do livro Utopia para realistas, de Rutger Bergman, ed. Sextante. 
Em 22.10.2020.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O PREÇO DA CONSCIÊNCIA

Richard Gere
A coragem se caracteriza em defender o que é certo e justo ou de ser verdadeiro consigo mesmo. 
Etimologicamente, vem do latim cor - coração -, no sentido de agir com o coração.
Foi assim, deixando falar o coração, que, na cerimônia do Oscar de 1993, agiu o ator Richard Gere. 
Ele subiu ao palco com a tarefa de apresentar o prêmio de melhor direção de arte. 
Em vez de seguir o roteiro da Academia, que primava pelo entretenimento puro, Gere transformou o momento em algo que soou como uma grande crítica. 
Amigo pessoal do Dalai Lama, a maior autoridade política e religiosa do Tibete, Gere fugiu do script e fez um apelo emocional e direto, denunciando a ocupação militar do Tibete e as supostas violações dos direitos humanos pelas forças chinesas. 
-Gostaria de aproveitar um segundo, se me permitirem. Com a presença de tantas pessoas poderosas aqui, quero falar sobre a situação indescritível do povo do Tibete, sem esperança de que as coisas melhorem. Por favor, enviem o seu amor e a sua verdade a quem precisa, e aos líderes chineses para que possam retirar as suas tropas daquele país. 
O discurso, embora breve, causou um choque imediato. 
A plateia reagiu com uma mistura de aplausos esparsos e silêncio constrangido. 
O que se seguiu a essa cerimônia foi uma represália discreta, mas eficaz. 
Richard Gere não foi convidado a apresentar ou participar de nenhuma cerimônia do Oscar por exatos vinte anos. 
A  Academia de artes e ciências cinematográficas nunca emitiu uma declaração formal de banimento, mas a ausência do ator por duas décadas foi amplamente interpretada pela imprensa como uma punição direta por seu desvio do protocolo. 
Sua postura teve outras consequências, especialmente no que diz respeito ao seu relacionamento com a China. 
Ele foi proibido de entrar naquele país e passou a ser evitado por produtoras que buscavam financiamento ou distribuição no país asiático. 
O ator confirmou, em entrevistas posteriores, que essa posição política o levou a perder papéis em filmes, pois os investidores chineses o recusavam. 
Apesar do alto custo pessoal e profissional, Richard Gere nunca demonstrou arrependimento pela sua ação. 
Em suas manifestações, ele reiterou sua dedicação à causa do Tibete e aos princípios do Dalai Lama. 
Ele encarou o banimento da Academia como uma consequência natural de sua posição moral, que se baseia no princípio de lutar contra as violações dos direitos humanos.
Não discutimos a questão política. 
O que desejamos ressaltar é o exemplo de um indivíduo que usou sua fama e plataforma em um momento de pico de visibilidade global para defender uma causa que considerava justa, sacrificando potencialmente sua carreira.
* * * 
Quantas vezes, em nossas vidas, deixamos de defender o correto, o moral, o ético com medo de represálias? 
Com medo de perder amigos, posição social, prestígio. 
Em tempos de tantas injustiças, temos a coragem de defender o mais fraco, o excluído?
Estamos atentos que, como cristãos, devemos defender o que é correto, justo e bom? 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Richard Gere. 
Em 11.03.2026

terça-feira, 10 de março de 2026

O MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO

Elisa Correa
A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar. 
Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra. 
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas. 
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por consequência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos. 
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição. 
Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes. 
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados. 
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso. 
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista... 
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás. 
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. 
Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. 
Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis. 
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. 
Em mera imagem. 
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões. 
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
-Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar. 
Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira. 
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto. 
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação. 
A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito. 
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre. 
* * * 
Evite o excesso de exigência para com os outros. 
Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo. 
O diferente está ao nosso lado por razões especiais. 
É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008. 
Em 07.12.2017.