quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

APESAR DOS LIMITES

Quando era estudante de medicina numa Universidade dos Estados Unidos da América, Dr. Marlin nutria a preocupação com um mundo cheio de pessoas portadoras de deficiências e de doentes sem esperança de cura. Por essa razão, era partidário da eutanásia. 
Costumava travar calorosas discussões com os colegas que pensavam de maneira diferente da sua. 
Aos seus inflamados argumentos, os companheiros respondiam: 
-Você não vê que estamos estudando medicina, precisamente para cuidar das pessoas com qualquer deficiência física ou mental? 
-Os médicos existem neste mundo para curar os doentes. 
Era a resposta que ele dava. 
Se nada podemos fazer em seu benefício, o melhor para eles é a morte. 
Certa noite, quando prestava serviço como interno, no último ano do curso, Marlin foi chamado para assistir a uma parturiente, que morava num bairro miserável da cidade. 
Era o décimo filho que ela dava à luz. 
O bebê entrou neste mundo com uma das perninhas bem mais curta do que a outra. 
De imediato, acudiram à mente de Marlin: 
-Este pequeno vai passar a vida inteira arrastando esta perna. Para que hei de obrigá-lo a viver? O mundo nunca dará pela falta dele. 
Apesar desses pensamentos, não decretou a morte do pequeno. 
Cumprido o dever, foi embora censurando o próprio procedimento: 
-Não posso compreender por que fiz isto! Como se não houvesse filhos demais naquele antro de miséria. Não entendo por que deixei viver mais aquele. Ainda por cima estropiado. 
* * * 
Os anos correram. 
Dr. Marlin consagrou-se como médico e se dedicava verdadeiramente a salvar e conservar vidas. 
Um dia, seu filho único e a esposa morreram num acidente de automóvel. 
Na qualidade de avô, ele adotou a netinha.
Quando completou dez anos, a menina acordou, certa manhã, queixando-se de torcicolo e de dores nas pernas e nos braços. 
Verificou-se que era uma raríssima infecção causada por vírus pouco conhecido, que causava paralisia. 
Os neurologistas procurados foram unânimes em afirmar que não se conhecia remédio nem tratamento algum para aquela enfermidade. 
Porém, existe um médico no Oeste que escreveu recentemente sobre o êxito que tem obtido em casos como este, observou um dos neurologistas. 
Dr. Marlin tomou a menina e se dirigiu para o hospital indicado. 
Quando ficou frente a frente com o médico, único capaz de salvar a neta tão querida, observou que o jovem colega coxeava acentuadamente. 
Esta perna curta faz de mim um igual dos meus doentes, observou o dr. T. J. Miller, ao notar o olhar do dr. Marlin. 
-Meu nome é Tadeu. Sempre me pareceu um tanto pomposo. Como a tantos outros meninos, deram-me o nome do moço interno que uma noite me ajudou a -vir ao mundo. 
Dr. Tadeu Marlin empalideceu e engoliu a seco. 
Por alguns minutos, lembrou-se dos pensamentos que lhe acorreram naquela noite distante: 
-O mundo nunca dará pela falta dele. 
Estendeu comovidamente a mão ao colega graças ao qual a neta ia poder andar outra vez. 
E pensou: 
-Sempre é melhor ser pessoa coxa do que pessoa cega, como eu fui, por muito tempo. 
Redação do Momento Espírita, a partir de artigo de Seleções Reader’s Digest, de fevereiro/1948. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. 
Em 18.02.2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

AS MULHERES E O MUNDO

Isabel Allende
Isabel Allende, jornalista e escritora chilena, ao abordar a questão das mulheres no mundo, narra algo que ocorreu no ano de 1998, num campo de concentração para refugiados Tutsi, no Congo, África. 
Os protagonistas são uma jovem mulher, de nome Rose Mapendo e seus filhos. 
Viúva e grávida, de alguma forma ela consegue manter suas sete crianças vivas. 
Depois de alguns meses, ela dá à luz a gêmeos prematuros, dois minúsculos meninos.
Corta o cordão umbilical com um graveto e os amarra com seu próprio cabelo. 
Ela dá a seus filhos os nomes dos comandantes do campo, com o objetivo de ganhar a bênção deles e, com isso, poder alimentá-los com chá preto, já que o seu leite não poderia sustentá-los. 
A família sobrevive por dezesseis meses e então, graças ao ato de boa vontade de um soldado americano, Sasha Chanoff, Rose é salva, pois ele consegue colocar sua família em um avião de resgate. 
Rose Mapendo e seus nove filhos pousam em Phoenix, Arizona, onde agora vivem e prosperam. 
O nome Mapendo, em Suaíli, idioma oficial da África Oriental, significa grande amor. 
Outra história que a autora nos conta se passa no ano de 2005. 
O lugar é uma pequena clínica para mulheres em Bangladesh, país asiático. Jenny é uma jovem higienista bucal, voluntária americana. 
Ela foi para a clínica preparada para limpar dentes. 
No entanto, descobre que ali não há médicos, não há dentistas e que a clínica é somente uma cabana cheia de moscas. 
Do lado de fora há uma fila de mulheres que esperam horas para serem atendidas. 
A primeira paciente sente dores lancinantes, seus molares estão em péssimas condições. 
Jenny percebe que a única solução seria removê-los. 
Ela não tem licença para isso e nunca fez esse procedimento antes. 
Apavorada, ciente de que nem ao menos tem os instrumentos adequados, sente-se confortada ao certificar-se que tem como recurso um pouco de anestesia. 
Movida pela coragem e por um coração carregado de amor, ela murmura uma prece e segue em frente com a operação.
Ao final, a paciente aliviada beija suas mãos. 
Naquele dia, a higienista repetiu muitas vezes idêntico procedimento. 
* * * 
No mundo de hoje, grande parte das mulheres sofre, vivendo em condições precárias. 
Forçadas a casamentos prematuros, não têm controle sobre suas vidas, têm filhos que não conseguem alimentar, não têm acesso à educação, à saúde e à liberdade. 
Olhamos em volta e vemos protagonistas como essas por toda parte. 
Mulheres que, apesar das circunstâncias desfavoráveis, lutam com o coração cheio de amor, pelos seus próprios direitos e pelos direitos do próximo. 
Mulheres que, apesar de todas as adversidades, se mostram dispostas, confiantes, carregadas de fé e esperança, que nunca se deixam abater, que lutam diariamente, seguindo em frente sem desanimar. 
Mulheres que, como essas das histórias citadas, movidas pelo amor, colocam o coração à frente da razão. 
E Jesus nos ensinou que onde estiver o nosso tesouro, estará o nosso coração.
E o nosso tesouro onde está? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra da escritora Isabel Allende, em março de 2007. 
Em 06.12.2018.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A CRUEL INDIFERENÇA

Basta um olhar nas grandes cidades e lá está o retrato da indiferença. 
Gente maltratada, infeliz, doente, paupérrima se esgueirando pelas ruas, estendendo as mãos, pedindo, suplicando. 
Do interior dos carros, vidros fechados, refrescados pelo ar-condicionado, perfumados e alimentados, olhamos essas cenas como se estivéssemos vendo um filme. Alguns até reagimos com certa irritação. 
Culpamos o governo, reclamamos das diferenças sociais.
Olhamos, simplesmente olhamos os andrajosos que nos observam com ar cobiçoso ou infeliz. 
Chegamos a tomar outros caminhos a fim de não contemplar o espetáculo da miséria e do abandono. 
Por vezes, nos compadecemos. 
Contudo, temos medo de abrir a janela do carro, de estender a mão, de sorrir.
E, de uma maneira geral, esquecemos dos espetáculos da pobreza tão logo chegamos em casa, ao escritório ou aos locais de lazer. 
Nos restaurantes, quem de nós lembra dos famintos? 
Diante dos pratos cheirosos e meticulosamente arrumados, quem recorda das crianças esqueléticas, das mães famélicas?
Nos cinemas, lágrimas nos vêm aos olhos diante de filmes que retratam a desigualdade social avassaladora. 
Mas saímos de lá impassíveis ante o homem torturado que sofre ao nosso lado. 
Que fizemos de nossa sensibilidade diante da dor alheia? 
Em que ponto de nossa vida a indiferença se instalou em nosso peito e, com mãos de gelo, nos segurou o coração?
Certamente, a caridade não exclui a prudência. 
E, naturalmente, não devemos nos responsabilizar por todas as dores do mundo. 
Mas reflitamos: 
Estaremos fazendo, de fato, tudo o que é possível? 
Vez ou outra, ou de maneira mais ou menos regular, providenciamos alguns itens para as cestas básicas distribuídas por essa ou aquela instituição. 
Vez ou outra, realizamos uma vistoria em nosso guarda-roupa e separamos roupas usadas para doação. 
Ofertamos valores para instituição benemérita. Tudo muito louvável. 
Porém, estaremos mesmo contribuindo para reduzir a desigualdade aterradora que se vê no mundo? 
Cada um de nós, no papel que desempenha, no ambiente profissional, pode contribuir para mudar esse estado de coisas. 
Quem de nós vive tão isolado que não possa estimular alguém ao estudo, ao trabalho? 
Quem de nós, de excelente condição financeira, apadrinha uma criança e lhe dá a chance de estudar em uma boa escola? 
Quantas vezes temos a chance de mudar a vida de alguém e nos calamos, omitimos, encolhemos? 
Para aqueles que temos vontade real de contribuir, a vida oferece oportunidades ímpares de fazer a diferença. 
Por isso, abramos nosso coração para o amor. 
Desde hoje, deixemos que nossos olhos contemplem o mundo com muito mais bondade. 
Procuremos descobrir em cada criatura sofrida um irmão que tateia, em busca da mão amiga que lhe ofereça apoio e segurança. 
A indiferença é a escuridão da alma. 
Acendamos a candeia de um coração sensível e façamos luz em nossa vida, estendendo-a para um companheiro de jornada. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.02.2026

domingo, 15 de fevereiro de 2026

MULHERES DE HEROIS

Baronesa do Serro Azul
Os homens vão para a guerra, alimentam as revoluções com sua coragem e seu sangue. 
Doam suas vidas por amor à nação, à pátria, à causa que defendem.
Para as mulheres são reservadas as lágrimas, os filhos órfãos, a dor da saudade e, por vezes, o abandono total daqueles mesmos a quem seus maridos deram a própria vida. 
Assim aconteceu com Maria José Correia, nascida no litoral paranaense e que se tornou a esposa do Barão do Serro Azul.
Quando da Revolução Federalista, que envolveu em sangue a nação brasileira, com desmandos da parte de governistas e de revolucionários, ele se destacou. Homem de fibra, o Barão tomou a si o governo da Província, quando o então Governador, covardemente, a abandonou, deixando-a sem nenhum amparo, um único policial. 
Com sacrifício de sua saúde e de seus interesses, ele se pôs à frente de uma comissão para estabelecer a ordem e a tranquilidade para uma população temerosa de saques, violações e mortes. 
Enquanto Curitiba esteve entregue à revolução triunfante, foi o Barão o elemento principal da grande força que zelou pela escola, pelo comércio, a indústria, a imprensa, sobretudo pela família curitibana. 
Tudo fez de coração aberto, sendo o primeiro a abrir os cofres para o acordo que se estabeleceu com os revolucionários.
Alma generosa, teve a seu lado a esposa, que em tudo o apoiou. 
Quando as tropas governistas entraram na capital, ele aguardou que representantes do Governo Federal lhe viessem agradecer pelo que fizera. 
Quantas vidas preservara, quantos sacrifícios empreendera para que os saques e abusos não ocorressem. 
O que recebeu foi a traição, a prisão e uma morte vergonhosa, que permaneceu sem investigação alguma, durante décadas.
A Baronesa, grávida de sete meses, viria dar à luz uma criança morta. 
Quanta dor naquele coração amoroso! 
Como ela mesma escreveu ao Barão de Ladário, em carta que foi lida no Senado Federal, se estabeleceu o luto eterno em seu lar, para sempre deserto das alegrias que eram para seu coração de esposa e para a inocência dos filhos, agora órfãos de pai, o único e grato conforto na vida. 
Essa extraordinária mulher, cuja coragem nascia da própria imensidade do seu sofrimento, ficou a enxugar as lágrimas das três crianças órfãs. 
Aguardou que a justiça se fizesse. 
Ela acreditava que o martírio não dormiria eternamente, porque eterna na Terra só há de ser a divina soberania do direito e da verdade. 
Era, ademais, uma mulher de fé. 
Por isso mesmo, continuou a semear generosidade enquanto as posses lhe permitiram. 
Um dos exemplos foi a doação de quatro terrenos, situados na Villa Ildefonso, atual bairro do Batel, para a construção de um hospital pela Sociedade Portuguesa Beneficente Primeiro de Dezembro. 
Doou ainda mobília à Sociedade, cujo objetivo era o amparo aos imigrantes portugueses e suas famílias. 
Nos lotes foram construídas seis casas de madeira, que serviram como ambulatórios e sede para a Sociedade. 
O que se deve ressaltar é o desprendimento de um coração ferido, mortalmente, pela mais torpe traição sofrida por seu marido. 
Um coração que, angustiado, jamais deixou de amar o seu semelhante. 
E se o coração se enchia de dolorosa saudade, ainda guardava espaços para sentir a dor do próximo. 
Com certeza, um exemplo de alma cristã. 
Um exemplo a ser seguido.
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos e em carta da Baronesa do Serro Azul, datada de 8 de julho de 1895, endereçada ao Barão de Ladário, do Senado Federal. Disponível no CD Momento Espírita, v. 32, ed. FEP. 
Em 26.3.2018.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

DEUS EM MEU QUINTAL!

Emily Dickinson
Alguns guardam o domingo indo à igreja.
Eu o guardo ficando em casa 
Tendo um sabiá como cantor 
E um pomar por santuário. 

Alguns guardam o domingo em vestes brancas. 
Mas eu só uso minhas asas 
E ao invés de repicar dos sinos da igreja
Nosso pássaro canta na palmeira. 

É Deus que está pregando, pregador admirável. 
E o Seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final 
Eu O encontro o tempo todo no quintal. 

Emily Dickinson, autora deste poema, reveste de beleza singela uma ideia muito profunda e importante, a respeito de nossa adoração a Deus.
Haverá lugar específico para adorar a Deus? 
Haverá tempo certo, posição mais adequada, formas, vestimentas? 
Estudemos a orientação primordial de Jesus, que foi bastante claro em dizer que Deus é Espírito, e deve ser adorado em Espírito e verdade. 
O Espírito não tem forma, não é corpo, não é matéria. 
 Assim, o que o Mestre deseja dizer com adorá-lO em Espírito, é que tal adoração deve ser interior, e que não precisa das formas exteriores. 
A adoração deverá ser sempre de Espírito para Espírito, de nossa alma para o Criador, independente de onde estivermos, independente das formas exteriores utilizadas. 
Há de se considerar as crenças humanas arraigadas, que trouxeram para as formas externas muitos hábitos, muitos rituais envolvendo o contato com Deus. 
Porém, a alma madura, esclarecida, conhecedora da verdade, da mesma verdade da qual Cristo fala nesta passagem, precisa ir mudando seus costumes gradativamente. 
A adoração a Deus em Espírito abre-nos mil possibilidades inigualáveis. Independente se estamos nesta ou naquela crença religiosa, se neste ou naquele local, se usando destas ou daquelas palavras, podemos nos comunicar com Ele.
Quando o pensamento está elevado, quando se reveste do bem, da caridade, da poesia, ele está em contato com o Criador. 
Quando admiramos a natureza num fundo de quintal, e percebemos a grandeza da Criação, nos sentindo parte de algo grandioso e maravilhoso, estamos adorando o Criador.
Quando praticamos as leis de Deus, inscritas em nossa consciência, colocamo-nos em comunhão com Ele. 
Basta a sintonia mental positiva. 
Basta a alegria de viver. 
Basta a gratidão pela existência, pelos seres amados, e lá estamos nós sintonizados com o Pai. 
Adorar a Deus em Espírito e verdade, é conhecer a felicidade no caminhar, é despertar para a verdadeira vida todos os dias. Pense nisso. 
* * * 
Você sabia que Allan Kardec, na terceira parte de O livro dos Espíritos, trata sobre a lei de adoração? Na questão 654 ele pergunta: Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo? Ao que os Espíritos lhe respondem: Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. II, q. 654, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB, e versos da poetisa americana Emily Dickinson, do livro Complete Poems, ed. Backbay books. 
Em 14.2.2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

OCEANO DE SABEDORIA

DALAI LAMA
Dalai Lama é o título dado a uma linhagem de líderes religiosos do budismo tibetano. 
Dalai significa oceano, na língua mongol e lama é a palavra tibetana para mestre, podendo se referir à pessoa que recebe esse título, como sendo um oceano de sabedoria. 
Certa vez, perguntaram ao monge budista tibetano, o Dalai Lama, o que mais o surpreendia na Humanidade e ele respondeu: 
-“Os homens. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido.” 
* * * 
Estas poucas palavras são realmente de grande sabedoria.
Muitos adultos da atualidade vivem o presente com o pensamento voltado somente para o futuro. 
Buscam construir uma carreira profissional sólida e certa estabilidade financeira que lhes ofereçam segurança, porém, fazem tudo isso em detrimento das pessoas que têm grande valor em suas vidas. 
Quando se dão conta, os filhos estão crescidos e eles constatam que perderam preciosas oportunidades de desfrutar momentos únicos da infância deles. 
Por terem se dedicado a horas intermináveis de trabalho, a reuniões e a viagens de negócios, se ausentaram em importantes momentos de convívio familiar. 
Sem perceber, se afastaram gradativamente. 
Entre as pessoas com as quais escolheram partilhar a vida, formou-se uma grande distância provocada por todos os momentos em que não se permitiram parar e desfrutar intensamente da companhia do outro. 
Veem seus próprios pais já idosos e sentem que o tempo ao lado deles já não será mais tão longo. 
E por todas as preocupações excessivas, pelas horas de sono perdidas, pela falta do tempo dedicado ao lazer e ao descanso merecido, constatam que comprometeram a saúde. 
O corpo físico dá o sinal. 
Começam a aparecer alterações orgânicas ou doenças relacionadas com a maneira como conduziram sua vida.
Chega a hora de consultar médicos, procurar tratamentos, refletir e buscar possíveis mudanças de hábitos e atitudes na tentativa de reconquistar e preservar a saúde. 
* * * 
Não nos deixemos ser levados pelo turbilhão de preocupações da vida moderna. 
É possível dedicarmo-nos com qualidade à atividade profissional sem deixarmos de cuidar da saúde. 
O tempo do descanso, desde que seja sem excessos e com qualidade, é muito benéfico. 
Trabalhemos com responsabilidade, mas não nos esqueçamos jamais que as almas queridas que dividem conosco a caminhada terrena - filhos, pais, cônjuges e amigos - não estarão eternamente ao nosso lado. 
Saibamos valorizar o tempo presente e equilibrar as horas gastas entre o trabalho, o lazer, os cuidados com a saúde e a dedicação aos nossos amores. 
Não nos permitamos levar a vida como se nunca fôssemos deixá-la. 
Preparemo-nos para que, quando essa hora chegar, tenhamos a sensação de termos vivido em plenitude.
Redação do Momento Espírita.
Em 13.02.2026

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava mulheres em todo o Mundo. 
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos. 
No Brasil, na Arábia ou na Índia. 
Na Antiguidade ou nas metrópoles de hoje. 
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento do seu valor e do seu papel. 
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha. 
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha. 
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres. 
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem. 
Carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos. 
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência. 
Ou você nunca notou? 
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade. 
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites. 
Quer prova disso? 
Observe as mães e esposas de atletas e artistas. 
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas? 
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto? 
Quem sempre acredita? 
E os filhos deficientes? 
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora. 
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos, é quem apoia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos. 
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante. 
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas. 
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços. 
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais. 
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro. 
E fica invisível. 
Passa a fazer parte da paisagem. 
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta. 
Mas quem disse que ela se abate? 
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder, capaz de fazer nascer borboletas. 
Capaz de fazer brilhar o sol. 
* * * 
CHICO XAVIER
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais, na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher o anjo da esperança, ternura e amor. 
A missão feminina é espinhosa. 
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP.
Em 07.07.2025.