Nos retratos, nas poses em grupo, raramente se identifica um sorriso.
Os que julgamos precipitadamente podemos conjeturar:
As pessoas eram menos felizes naquela época!
Ou ainda:
Como eram contidos, sisudos, nossos antepassados!
Analisemos com vagar e talvez descubramos que não se trata de uma nem de outra situação.
Quem sabe fazendo o exercício inverso, a título de uma breve brincadeira, possamos compreender melhor.
Imaginemos que essas pessoas do passado tivessem a chance de ter em mãos coleções de fotos de habitantes do futuro, ou seja, da nossa atualidade.
Não apenas isso, mas também ter acesso às memórias por trás de cada fotografia.
Eis um primeiro comentário que poderia surgir:
Por que eles acham que precisam sorrir em todas as fotografias?
Por que, mesmo não querendo, eles forçam sorrisos?
Vejam!
Aprenderam a ser atores em alguns momentos, pois conseguem trocar os rostos amarrados, por vezes espumando de ódio, por lindas expressões de alegria!
Que tipo de fenômeno foi esse que aconteceu com a Humanidade?
Eles conseguem armar e desarmar um sorriso como quem arma e desarma um guarda-chuva!
E que tal este outro fenômeno curioso: tantas fotografias de si mesmos, em várias posições, como se estivessem buscando alguma coisa, como se estivessem em frente a um espelho que não os satisfaz.
Os comentários poderiam seguir e teríamos ainda boas reflexões.
E os habitantes do passado poderiam justificar sua aparente seriedade dizendo:
-Fotos eram registros, documentos, momentos estranhos, normalmente em frente a um profissional que mal conhecíamos.
Não havia por que sorrir.
Guardávamos os sorrisos para os momentos importantes da vida, quando tínhamos realmente vontade de sorrir.
Muitas vezes, sorríamos logo depois que aquelas sessões cansativas terminavam!
Sorríamos de alívio, pois não estávamos acostumados com aquelas coisas.
Sorríamos em casa, quando acordávamos e olhávamos pela janela ou quando abraçávamos nossos filhos e netos.
Sorríamos quando recebíamos visitas ou quando visitávamos alguém que estimávamos muito.
* * *
Os tempos são outros.
Reflitamos como banalizamos o sorrir a ponto de não sabermos mais quando ele é genuíno ou montado.
Nem dos outros e o mais grave: nem o nosso!
As redes sociais estão repletas de sorrisos de mentira, de expressões armadas para parecer algo que não está lá ou que não existe de fato.
Queremos parecer, mostrar, estar bem na foto, para pertencer, para sermos aceitos e amados.
Tudo isso antes do mais importante: arrumar a casa interna.
Estar bem conosco mesmo.
O verdadeiro sorriso precisa vir de dentro, do coração em paz, do coração grato, da alma em equilíbrio.
Sorrir porque está todo mundo sorrindo?
Sorrir porque senão vão achar ou pensar isso ou aquilo de nós?
Não.
Vamos sorrir quando estivermos preparados para sorrir.
Se procurarmos bem, perceberemos que temos muitos motivos.
Podemos ainda não ter encontrado devido a uma fase difícil, mas ele está esperando com paciência por nós.
Redação do Momento Espírita
Em 18.04.2026







