quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava mulheres em todo o Mundo. 
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos. 
No Brasil, na Arábia ou na Índia. 
Na Antiguidade ou nas metrópoles de hoje. 
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento do seu valor e do seu papel. 
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha. 
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha. 
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres. 
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem. 
Carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos. 
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência. 
Ou você nunca notou? 
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade. 
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites. 
Quer prova disso? 
Observe as mães e esposas de atletas e artistas. 
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas? 
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto? 
Quem sempre acredita? 
E os filhos deficientes? 
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora. 
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos, é quem apoia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos. 
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante. 
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas. 
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços. 
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais. 
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro. 
E fica invisível. 
Passa a fazer parte da paisagem. 
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta. 
Mas quem disse que ela se abate? 
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder, capaz de fazer nascer borboletas. 
Capaz de fazer brilhar o sol. 
* * * 
CHICO XAVIER
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais, na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher o anjo da esperança, ternura e amor. 
A missão feminina é espinhosa. 
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP.
Em 07.07.2025.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A MULHER E A IGUALDADE

CHICO XAVIER E EMMANUEL
No período em que Jesus viveu, neste planeta, havia muitas restrições estabelecidas para as mulheres, entre Seu povo.
Elas deviam fidelidade absoluta ao marido, embora não pudessem exigir a reciprocidade. 
E lhe deviam ser totalmente submissas. 
No aspecto legal, a mulher, na Palestina do primeiro século, era considerada incapaz e lhe era vetado realizar negócios.
Na eventualidade de realizar algum, poderia ser desfeito pelo seu marido, se assim não concordasse. 
Contudo, elas tinham um papel fundamental na manutenção do lar. 
Eram responsáveis por fiar os tecidos, produzir o pão, que era a base da alimentação da família.
Tinham o dever de providenciar o azeite, essencial na alimentação e, também, para manter acesas as lâmpadas, em especial no dia do Sabbat. 
* * * 
Foi nesse ambiente, que Jesus se evidenciou como exemplo de respeito e dignidade para com as mulheres.
Com Jesus começou o legítimo feminismo. 
Esse que traça nos corações diretrizes superiores e santificantes. 
Em variadas passagens dos Evangelhos, recolhemos o Seu tratamento especial para com as mulheres. 
No poço de Jacó, quando se dirige à mulher samaritana, Ele derruba preconceitos. 
Um homem não se dirigia a uma mulher, em público, mesmo que fosse a sua esposa. 
Entretanto, Jesus estabelece um diálogo com ela. 
Ademais, os samaritanos eram um povo de rivalidades históricas com os judeus. 
Mas, será para essa mulher que Jesus se revelará como a fonte de água viva, aquela que sacia para sempre. 
Ele era o Messias. 
Será para uma mulher que Ele se apresentará, em primeiro lugar, anunciando a Sua Imortalidade, após a morte na cruz:
Madalena. 
Será para as irmãs de Lázaro, Marta e Maria, que concederá excepcionais lições. 
Enaltece a escolha de Maria, quando ela se dispõe a ouvi-lO.
Consola o coração de Marta, após a aparente morte do irmão, dizendo que ele tornará a viver.
E cumpre o prometido, devolvendo-o aos braços de ambas as irmãs. 
No episódio do iminente apedrejamento da mulher adúltera, Jesus advoga a causa do julgamento justo, estabelecendo que atirasse a primeira pedra aquele que não tivesse equívoco algum em sua consciência. 
Concede honra à acusada, dizendo-lhe que se erga, refaça sua vida e não torne a cometer o mesmo desatino. 
O Evangelho inaugura Nova Era para as esperanças femininas.
Figuras extraordinárias se evidenciam nas páginas da Boa Nova. 
Registramos a lucidez de Isabel, a mãe do precursor, sabendo exatamente quem era o Espírito missionário do filho que estava gerando. 
Tanto quanto descobre em sua prima, Maria, a excelsa mãe do Seu Senhor. 
* * *
Desde esses dias, a Humanidade vem avançando no tratamento igualitário entre homens e mulheres. 
Cabe nos indagarmos como tem sido o nosso próprio proceder. 
Como temos nos comportado para com nossas mães, nossas irmãs, esposas, amigas, colegas de trabalho. 
Estamos colaborando nesse processo de sedimentação de uma sociedade mais igualitária? 
Homens ou mulheres, somos credores de respeito, justiça e igualdade. 
Trabalhemos nesse sentido. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 93, do livro Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no item VI, pt. 2, do cap. 2, do livro A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus, de Daniel Rops, ed. Livros do Brasil Lisboa. 
Em 03.02.2022.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

TRATAR COMO IRMÃO

Ela sempre estacionava o carro na mesma vaga. 
O guardador, sorridente, educado, sempre a cumprimentava.
Por vezes, falavam rapidamente, ela perguntava como estava a família, ele respondia. 
Contava um ou outro problema de saúde que enfrentava. 
De outras vezes, comentavam sobre amenidades, sobre o frio, o calor, sobre o perigo da cidade grande. 
Ele morava num bairro distante da região metropolitana. Certamente numa casa muito simples. 
Naquele dia, ela estava preocupada com ele.
Uma garoa fina e gelada caía, insistente. 
Fazia muito frio. 
Ela lembrou que a sua vida não era fácil, que vinha de muitas dificuldades recentes. 
Mas pensou na vida dele, que, com certeza, deveria ser bem mais complicada. 
Nem sempre ela podia lhe dar algum dinheiro. 
Dos cinco dias da semana, em média, uma ou duas vezes ela conseguia depositar-lhe nas mãos algumas moedas. 
Sabia que ele precisava. 
Que aquele era seu trabalho. 
Que dali vinha o alimento de seus filhos. 
Ela queria poder dar mais. 
Ele merecia, pois sempre guardava uma vaga especial para ela, sem ela pedir, sem ela merecer - pensava. 
Com o coração um pouco apertado, naquele dia, resolveu falar: 
-Olha... Sei que nem sempre lhe dou alguma coisa. Queria poder dar mais, dar sempre, mas, sabe... Não consigo mesmo. Sei que você é um trabalhador, uma pessoa gentil e educada, e que mesmo eu dando tão pouco, sempre guarda a vaga para mim. Já vi que existem pessoas que estacionam aqui, que lhe dão alguns reais por vez. Infelizmente, eu realmente não posso fazer o mesmo. 
Ele respondeu, com franqueza e simplicidade: 
-Dona, olha, eu não guardo sua vaga porque a senhora me dá algum dinheiro. Eu preciso de dinheiro, mas não é por isso. É que a senhora é a única pessoa que fala comigo, que me dá atenção, que me trata como irmão. 
Ela calou ao ouvir essas palavras. 
Sorriu para ele, timidamente, e disse, se despedindo: 
-Então, até logo mais. 
Foi para o trabalho pensando no que ouvira. 
Nunca havia pensado nisso. 
-Será que ninguém mais fala com ele? Falo tão rapidamente, sobre coisas corriqueiras, nada de mais importante... Será que as pessoas o ignoram? Mesmo o encontrando todos os dias como eu? 
Aqueles pensamentos ficaram em sua mente, flutuando o dia todo. 
Percebeu que poderia dar algo muito mais importante que as moedas, que o trocado de sempre. 
* * * 
Caridade não significa apenas doação material. 
Em verdade, a filantropia é apenas uma pequena porção do mundo da caridade verdadeira. 
Vivemos num mundo, num país, onde ainda há necessidade da ajuda material urgente. 
Mas precisamos entender que não é apenas isso. 
As pessoas precisam de auxílio em outras áreas. 
As pessoas precisam de atenção, de amizade, de alguém que lhes dê carinho, que demonstre que elas não são invisíveis. 
O alimento da alma fortalece o ser e, assim, ele se torna mais apto e preparado para buscar a subsistência material.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 10.2.2026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A MULHER DE DEUS

Num frio de dezembro, no hemisfério norte, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de dez anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos. 
Ele olhava a vitrina atentamente e tremia de frio. 
Uma senhora se aproximou do rapaz e disse: 
-Você está com pensamento tão profundo, olhando esta vitrina! 
-Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos. - Respondeu o garoto. 
A senhora tomou-o pela mão imediatamente, entrou à loja e pediu ao atendente para dar meia dúzia de pares de meias para o menino. 
Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. 
O balconista rapidamente a atendeu, enquanto ela levou o garoto para a parte de trás da loja. 
Lá, ela tirou suas luvas, ajoelhou-se diante do menino e lavou seus pés pequenos. 
Após isso, secou-os cuidadosamente com uma toalha. 
Nesse meio tempo, o empregado da loja havia trazido as meias e, claro, um belo e novo par de sapatos. 
Ela amarrou os outros pares de meias e também lhe entregou.
Deu um tapinha em sua cabeça e disse: 
-Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.
Ela se virou para partir e sentiu uma mão pequenina segurando a sua. 
O garoto estava com lágrimas nos olhos e, emocionado, perguntou: 
-Você é a mulher de Deus? 
* * * 
Há tantas formas de Deus se manifestar em nossa vida cotidiana... 
Alguns ainda veem Deus nas forças da natureza apenas, ou nos grandes acontecimentos da vida. 
Deus, porém, está em tudo e em todos. 
Ele age incessantemente através de nós e, muitas vezes, também, apesar de nós. 
Deus conta com nosso coração enternecido para estender a mão aos Seus filhos desamparados. 
É como o pai que conta com os filhos maiores para cuidar dos menores. 
O Criador, em Sua bondade infinita, conta com as mãos generosas de todos aqueles que praticam o bem, para instaurar na Terra, pouco a pouco, a paz permanente. 
Ele conta com a sensibilidade e compaixão daqueles que não suportam ver o sofrimento alheio, e tomam atitudes imediatas para amenizá-lo de alguma forma. 
Ele conta com a coragem dos filhos esclarecidos, que já podem defender os fracos, ainda tão maltratados pelos interesses mundanos reinantes. 
Deus conta conosco. 
Conta comigo e com você que se depara admirado por encontrar esta verdade tão valiosa em seu caminho. 
Não perca a oportunidade de trabalhar com Ele, de ser Seu veículo, Seu agente direto.
Iluminamos o próximo, sim, mas nos autoiluminamos ao mesmo tempo, e com isso, o bem e o amor sempre saem vitoriosos. 
Sejamos instrumentos do bem na Terra, onde quer que estejamos, através das tantas maneiras possíveis. Deus conta conosco. 
Redação do Momento Espírita, com historieta que circula pela Internet, sem menção a autor. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 03.01.2025.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

MUITOS LARES

-Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Credes em Deus. Crede também em mim. Vou à frente, preparar-vos o lugar.
 As palavras de Jesus foram colhidas e registradas pelo Evangelista João. 
Trata-se de um discurso de esperança. 
O Senhor Jesus nos diz que a casa do Pai, o Universo, é um local de muitos lares, de muitas humanidades. 
Não estamos sós neste imenso Universo.
Nossa Terra não é o único planeta habitado. 
Em verdade, desde tempos recuados, imaginou o homem que outras civilizações existiam para além das nossas fronteiras terrestres. 
Os chineses da antiguidade lançavam aos céus suas flechas incendiárias, no intuito de alcançar os mundos que povoavam de luz as noites estreladas. 
O homem se acostumou a olhar para o infinito, sonhando tocar as luzes que sua ignorância, de início, imaginou estivessem fixas na abóbada. 
Basta que recordemos a lenda de Ícaro, provendo-se de asas e voando em direção ao sol, num anseio de projetar-se para além da própria Terra. 
Tão logo a tecnologia permitiu ao homem ir mais além, enviou satélites ao espaço, na busca do conhecimento de outras paisagens estelares. 
Desde sempre, no entanto, deu asas à imaginação, concebendo viagens interplanetárias, encontrando outras humanidades e com elas estabelecendo diálogos.
Naturalmente, por ser ainda um ser muito belicoso, quase sempre idealizou o encontro com criaturas dominadoras, cruéis, que desejavam somente a conquista de novas terras, ampliando seus domínios. 
 Mas, a verdade aí está. 
A cada dia, a ciência nos apresenta a descoberta de novos astros, planetas, sóis. 
Recentemente, uma equipe de astrônomos descobriu terras habitáveis, em torno de uma estrela do sistema estelar denominado Gliese 667C. 
Trata-se de Super-Terras, ou seja, planetas com mais massa do que a Terra e menos do que Urano ou Netuno. 
São três planetas, dentre os seis que orbitam a terceira estrela mais tênue desse sistema estelar triplo, que fica a vinte e dois anos-luz da nossa Terra, na Constelação do Escorpião.
Sistemas em torno de estrelas do tipo do sol são abundantes na Via Láctea. 
Esse sistema, no entanto, é o primeiro exemplo onde uma estrela de baixa massa abriga vários planetas potencialmente rochosos, na zona habitável. 
Isso nos diz o quanto ainda precisamos descobrir e quão diversa é a Criação Divina. 
E pensar em outras formas de vida, diferentes das que conhecemos, nos alargará ainda mais a busca e as descobertas. 
Mais uma vez, cabe-nos render homenagem à sabedoria do grande Mestre, Rei Solar, que esteve entre nós e nos lecionou, há mais de dois mil anos: 
-Há muitas moradas na casa de meu pai. 
Bem nos ensinam os Espíritos que, entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! 
Também há mundos regeneradores, que servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. 
Nesses, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. 
É para isso que caminhamos nestes tempos da grande transição: para o mundo de regeneração. 
Colaboremos para que ele se instale com brevidade na Terra.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. III, itens 1, 16 e 17 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 18.10.2013.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

A LEALDADE IGNORADA

Uma das mais belas qualidades humanas é a lealdade.
Quanta grandeza em saber reconhecer um benefício com gestos de fidelidade. 
Mas não é isso o que vemos sempre pelo mundo. 
Muito pelo contrário. 
O mais frequente é encontrarmos por toda parte o desamor como pagamento àqueles que estendem a mão em auxílio ao próximo. 
Quantas vezes vemos amizades e famílias desfeitas, boas lembranças esquecidas. 
Tudo em nome da deslealdade, que nada mais é do que uma forma de ingratidão. 
Assim, vale a pena refletirmos sobre a natureza do que é desleal. 
Quem agiria assim? 
Quem seria capaz de pagar um benefício com uma traição? 
E por que razão faria isso? 
Vamos responder por partes. 
Desleal costuma ser a maior parte da Humanidade em algum momento da vida. 
Dificílimo é encontrar alguém que sempre age corretamente, que pauta seus atos pela extrema correção, em todas as ocasiões. 
Por outro lado, as razões que levam à deslealdade são sempre baseadas no egoísmo. 
O egoísta não se preocupa com o bem-estar do outro. 
Para ele, seus interesses vêm em primeiro lugar. 
Por isso, o egoísta não se envergonha em atraiçoar aquele que lhe estendeu mão amiga. 
Movido por interesses financeiros, por orgulho ou vaidade, não hesita em dar as costas para um amigo ou um ser querido. 
E o que é alvo de um gesto de deslealdade o que deve fazer? Antes de tudo cabe não julgar. 
O desleal é alguém doente.
Não um doente do corpo, mas um doente da alma, a quem nos cabe perdoar. 
Perdoar? Sim, perdoar. 
Costumamos afastar de nosso dia a dia a prática do perdão.
Falamos tanto em perdão e enaltecemos seu valor na hora da provação. 
Mas, basta que alguém nos fira, para imediatamente esquecermos tudo o que costumamos falar sobre a necessidade de perdoar o próximo. 
É uma conveniência. 
Assim, diante da deslealdade, recordemos Jesus, que nos ensina a não resistir ao mal. 
É o Cristo que nos convida a pagar o mal com o bem, a oferecer a outra face, a perdoar constantemente. 
O valor do perdão é maior quanto mais grave é a deslealdade.
Quando o desleal é uma alma querida, a quem sempre oferecemos o melhor em termos de amizade. 

Uma fórmula preciosa para esses instantes é recorrer à prece.
A oração balsamiza a alma, acalma o coração, ilumina os dias. 
Se o coração do que é agredido está sereno, ele está liberto.
E o outro? 
Ah, a questão não é mais entre um e outro. 
A questão é entre Deus e cada um de nós. 
O outro? 
A questão é entre ele e Deus. 
De nossa parte, devemos nos preocupar única e exclusivamente com a nossa consciência perante as Leis Divinas. 
Se estamos em paz, tudo está bem. 
Isso, acredite, é também um exercício de desapego. 
Não contabilizar benefícios faz parte da essência da verdadeira caridade. 
Se fizermos um bem a alguém, devemos fazê-lo por amor a Deus, pelo prazer de ser bom, pela alegria de ver os outros felizes. 
Fazer o bem simplesmente, sem esperar recompensa, sem aguardar retribuição. 
Foi isso o que Jesus nos ensinou. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 06.02.2025

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

OS MUITOS FILHOS DE UM MESMO PAI

Dominique Lapierre
O mundo é imenso. Imensa também a diversidade dos pensamentos, das culturas dos quase oito bilhões que habitamos este bendito planeta. 
Quase sempre, por causa dessas diferenças, criamos conflitos entre nós.
Paradoxalmente, por pensarmos de modos tão diversos acerca de quem nos criou, como nos criou, empreendemos batalhas verbais, quando não verdadeiras guerras chamadas religiosas.
Contudo, Deus não tem religião alguma.
E, por ser Pai amoroso e bom, entende cada um dos Seus filhos. 
Por saber que cada qual se situa em um ponto específico de sua evolução, recebe as homenagens da forma que lhes são oferecidas. 
A todos atende, independentemente se oram num templo luxuoso, no alto de uma montanha, à beira de um muro em ruínas, ou na intimidade de um pequeno cômodo. 
Não foi outro o motivo pelo qual Jesus, ao ser indagado pela mulher da Samaria, acerca do local mais adequado para se orar a Deus, recebeu a grande lição. 
Lição que atravessou os séculos, mas que ainda não aprendemos devidamente: 
Deus deve ser adorado em Espírito e Verdade, no altar do coração. 
Por isso, não importa se estamos vestindo branco ou negro; se nossas vestes são brilhantes ou escuras. 
O que importa é o sentimento, é o diálogo íntimo entre a criatura e o Criador. 
Um diálogo que ecoa pelo infinito, que ressoa entre as estrelas, repercute no Universo e chega ao pai, que sempre envia a resposta. 
Certo dia, um jovem chegou à Abadia das Sete Dores de Latroun, no caminho de Tel Aviv. 
Foi uma sensação maravilhosa penetrar nesse lugar de fé e paz, a menos de cinco quilômetros do acampamento onde lhe ensinavam a matar e destruir. 
O canto dos monges, monocórdico e repetitivo, parecia elevar-se em direção aos céus como uma interminável oferenda.
Mas, porque trazia o conceito de que orar era um ato solitário e silencioso, estranhou a prece praticada em comum e em voz alta.
Intimamente, ele não pôde furtar-se a uma pergunta: 
-Esse matraquear não transformará a devoção em um insípido estribilho? 
Um abade experiente, ao perceber-lhe a estranheza lhe disse:
-O importante, meu filho, é, a cada um desses momentos de oração conjunta, se destacar um versículo. Não importa qual seja. Por exemplo, “Escuta ó, Senhor, o grito dos infelizes.” Ou “Ó, Deus, dá a Teus filhos alegria e esperança.” 
Então, mesmo continuando a recitar a prece comum, imaginar Jesus dizendo as mesmas palavras. 
E tantos milhões de outros homens. 
Procurar as realidades de hoje às quais essas palavras correspondem. 
Então, finalizou, a oração se tornará intensa. Tornar-se-á meditação. 
Pensemos nisso e aprendamos a respeitar todas as manifestações de caráter religioso, as formas diferentes das pessoas se dirigirem ao Criador. 
E, como cristãos, sigamos Jesus, pronunciando com toda unção: 
-Pai nosso, que estais nos céus. Santificado seja o vosso nome... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra. Em 1º.8.2020.