domingo, 2 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE DESESTIMULAR

RAUL TEIXEIRA
No seu aprendizado diário, na caminhada necessária para a evolução, você encontra empeços variados, ao longo do caminho, que parecem destinados a lhe desanimar no longo percurso. 
Muitas vezes você encontra os chamados inimigos gratuitos, os amigos faladores que o deixam em situações difíceis.
Outras vezes você se depara com enfermidades físicas, com as deficiências de caráter de tanta gente, o que lhe provoca profunda tristeza, pois são companheiros que não movem uma palha em seu favor, embora ocupem seu tempo sempre que encontram a mínima dificuldade.
Você tem à sua volta a inflação que cresce e os ganhos materiais que parecem não acompanhá-la, o que lhe faz pensar que quanto mais trabalha menos ganha e gasta mais.
Você costuma ver desmoronar os mais acalentados sonhos domésticos, sem se sentir no direito de fugir. 
Desmoronam os anseios do cônjuge atencioso e afetuoso; dos filhos estudiosos, responsáveis, respeitosos; da família companheira capaz de supri-lo de energias nas horas apertadas para o seu coração. 
Como se não bastasse, ainda surge a indiferença que o faz sentir-se solitário no mundo, sem qualquer apoio ou sustentação moral.
Contudo, seja qual for a luta que lhe caiba, seja qual for o testemunho que tenha de enfrentar, não se deixe desestimular, não se permita o abatimento. 
Você não é vítima da vida. 
Encontra-se unicamente em processo de reeducação, tendo oportunidade de acertar-se com a vida que um dia desrespeitou em vários de seus aspectos. 
Você que conhece Jesus, ou que um dia ouviu sobre a Lei de Causa e Efeito, deve raciocinar que o bem ou o mal semeado na vida, da vida será colhido, e o seu desconsolo ou o seu desalento em nada colaborará para a resolução dos seus problemas.
Você deverá, então, aprender a analisar melhor as situações pelas quais tenha que passar.
Deverá aprender a perdoar, a compreender, a respeitar diferenças, a falar menos, a penetrar melhor as razões das coisas, a condenar menos, a ser mais indulgente. 
O tempo implacável não para. 
Assim, se você o aproveitar para aprender a crescer e ser feliz, ele o abençoará com expressiva claridade. 
Caso o desperdice, recolhendo-se à maldição do desânimo ou à fuga, verdadeiramente terá lançado fora o mais expressivo tesouro que nos é oferecido pelo Criador, para que nos façamos ricos e felizes: o tempo.
Não se perca nas teias do desestímulo. 
Confie sempre em Deus, que lhe dá sempre o melhor, dando-lhe chances de brilhar e ser feliz. 
* * * 
Pense nisso. 
Os obstáculos que surgem no seu caminho, não são para impedir seus passos. 
São desafios para serem superados. 
Cada vez que você consegue vencer uma dificuldade, sai dela mais fortalecido e mais confiante. 
Assim, não se deixe, jamais, desestimular, em circunstância alguma, pois Deus confia no seu poder de vencer os impedimentos e vencer-se a si mesmo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita v. 6, ed. FEP. 
Em 02.09.2022.

sábado, 1 de agosto de 2026

A ALFORRIA DO TEMPO

Nas vastas terras da Capadócia, onde o vento desenha formas místicas nas rochas e o céu se colore de poesia, reside uma das mais belas lições de gratidão da Terra.
É a história dos seus cavalos. 
Durante anos, esses animais de força monumental entregam seu suor e sua energia aos homens. 
Puxam o arado, carregam fardos pesados, cruzam vales sob o sol causticante e o frio rigoroso. 
Quando a velhice lhes bate à porta e suas pernas já não têm a agilidade de outrora, a tradição local não lhes reserva o descarte ou o esquecimento. 
Premia-os com a liberdade. 
Os cavalos são devolvidos à natureza. 
Despidos de selas e arreios, ganham o direito de correr livres pelas planícies, de pastar sem pressa e de contemplar o sol que se deita no horizonte. 
É a poesia da aposentadoria animal: o reconhecimento sagrado de que quem muito serviu merece o descanso.
Libertos, esses cavalos tornam-se totalmente selvagens. 
Eles vivem em bandos livres, correndo pelas planícies, desertos e montanhas da região. 
Eles desenvolveram uma resistência física impressionante e um comportamento de manada puramente selvagem. 
Um dos passeios mais disputados por quem visita a região é fazer safáris fotográficos para registrar as nuvens de poeira levantadas por centenas de cavalos correndo juntos ao pôr do sol. 
* * * 
Se o coração humano é capaz de tamanha sensibilidade com os benfeitores de quatro patas, quanto mais devemos exercitar essa mesma reverência para com os nossos idosos.
Quantos homens e mulheres entregaram a primavera e o verão de suas vidas para erguer as estruturas do mundo em que habitamos? 
Trabalhadores silenciosos que doaram o suor de suas frontes, o vigor de seus músculos e a lucidez de suas mentes para sustentar famílias, educar filhos e movimentar a sociedade.
Quando essas almas queridas chegam ao inverno da existência física, quando os cabelos de prata testemunham o cansaço do corpo, elas não devem encontrar a invisibilidade.
A velhice lhes deve ser o momento mais luminoso da jornada.
Sua aposentadoria precisa ser vista como uma merecida carta de alforria. 
O direito legítimo de viver bem, com a dignidade garantida.
Desfrutar da liberdade de caminhar devagar, sem o relógio a ditar as regras. 
De gozar a delícia de um pôr do sol sem a preocupação com o amanhecer do trabalho. 
Deve ser o tempo bendito de viajar ao encontro dos seus amores, de abraçar os afetos que o tempo e a distância afastaram. 
Essa fase deve ser o convite para o lazer da alma. 
O momento de dedicar-se àquela arte há muito guardada no fundo do peito. 
Pode ser deslizando o pincel sobre a tela, descobrindo cores na pintura, escrevendo memórias, costurando afetos ou simplesmente contemplando as belas paisagens que a rotina, outrora, os impedia de ver.
Quem trabalhou honestamente por décadas tem o direito soberano de ser feliz na calmaria de seus dias derradeiros.
Garantir-lhes um entardecer de paz é o teste definitivo da evolução moral de uma sociedade. 
Que possamos oferecer aos nossos idosos o respeito, o carinho e a liberdade que lhes é devida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 31.07.2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

NÃO SE AFASTAR!

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Muitas pessoas demonstram descontentamento com o meio em que habitam. Afirmam-se sem afinidade com os parentes. Não apreciam os colegas de trabalho. 
Encontram apenas defeitos nos vizinhos. 
Abominam o caráter e o comportamento dos habitantes de seu país. 
De forma gradual, procuram afastar-se do convívio familiar e social. 
Surpreendentemente, muitos dos que assim agem se dizem cristãos. 
Encantados com a figura e a mensagem do Cristo, sonham com um mundo perfeito. 
Contudo, esquecem que Jesus deixou por supremo mandamento o amor. 
É impossível ao mesmo tempo amar e desprezar. 
No contexto da mensagem cristã, o amor não é necessária e imediatamente um sentimento. 
Afinal, é difícil demonstrar arroubos de ternura por um inimigo, por alguém que nos deseja o mal. 
Mas é sempre possível agir corretamente com todas as pessoas. 
Tratá-las como gostaríamos de ser tratados, se estivéssemos no lugar delas. 
Assim, embora o comportamento de alguns companheiros não nos agrade, devemos ser sempre corretos com eles. 
Essa correção de atitude implica auxiliá-los em suas dificuldades, da espécie que sejam. 
É bom que já anelemos por uma sociedade mais pura. Constitui um sinal de progresso nosso desgosto com ambientes e hábitos corrompidos. 
Mas isso não é razão para desprezarmos os irmãos de jornada. 
Se desejamos a união com o Cristo, precisamos lembrar que Ele jamais desampara a Humanidade. 
Em certa passagem do Evangelho, o Mestre foi explícito ao afirmar que nenhuma de Suas ovelhas se perderia. 
Se a luz da consciência já brilha forte em nós, auxiliemos na transformação do mundo em que vivemos. 
A Providência Divina nos colocou no ambiente em que mais úteis podemos ser. 
Não convém hesitar quando o bom combate apenas começa.
Por séculos, em inúmeras encarnações, a ignorância imperou em nossos atos. 
É um conforto perceber que finalmente reunimos condições de laborar no bem. 
Regozijemo-nos com isso e partilhemos nossos tesouros materiais e espirituais. 
Todos os homens são irmãos. 
O cristão não pode fugir dos semelhantes. 
Ele necessita ser um fator de luz e de paz nos meios em que se movimenta. 
A mensagem cristã não constitui um convite ao afastamento da Humanidade. 
Ser cristão não implica a busca de uma santidade artificial e contemplativa. 
Ao contrário, esse estado de consciência exige trabalho ativo na transformação do mal em bem.
Os exemplos de Jesus foram muito claros nesse sentido. 
Ele não se furtou de conviver com mulheres equivocadas e ladrões, a título de preservar a própria pureza. 
O Cristo jamais fugiu do contato com os discípulos. 
Esses é que O abandonaram na hora do extremo testemunho.
O Mestre não se afastou dos homens. 
Os homens é que O expulsaram de seu convívio pela crucificação dolorosa. 
Não sejamos nós, em nossa imperfeição, a evitar o contato com o próximo. 
Se desejamos a paz do Cristo, é natural pedirmos a Ele que nos liberte do mal. 
Mas não é legítimo rogarmos que nos afaste dos locais de luta. 
Com o Mestre, devemos aprender a conformar nossa vontade com os propósitos divinos.
A encontrar prazer em ser um fator de paz e progresso. 
A cooperar alegremente na execução da Vontade Celeste, quando, como e onde for necessário. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no capítulo 57 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 20.04.2018.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

NOSSA OBRA PRIMA

No grande tear da existência, nada acontece por acaso. 
Antes que o primeiro sopro de vida anime o corpo físico, no silêncio vibrante do mundo invisível, traçamos as diretrizes de nossa nova jornada. 
Entre as escolhas fundamentais está o planejamento profissional. 
Por vezes, olhamos para o trabalho como um fardo necessário ou uma busca incessante por recursos. 
No entanto, a profissão cumpre uma dupla finalidade: ser uma peça útil na engrenagem da estrutura social e permitir o ganho honesto da moeda, garantindo o crescimento da vida material.
A profissão é o convite para que sejamos um operoso cooperador do Reino de Deus, transformando a Terra em uma estância gloriosa de progresso. 
Ser um bom profissional é compreender que o dever é o ponto de partida. 
Mas a excelência — aquela que nasce do amor — deve ser a meta. 
É ir além do que dita o contrato, é colocar a alma na ponta dos dedos e o coração em cada gesto. 
Pensemos no médico. 
O bom profissional da saúde não é aquele que domina a técnica ou prescreve a medicação correta. 
É, sobretudo, aquele que, ao entrar no quarto do hospital, leva consigo uma claridade que não vem das lâmpadas. 
Ele percebe que, além da enfermidade, existe um Espírito em sofrimento. 
Vai além do dever quando oferece o ouvido atento, o toque consolador e a palavra que restaura a esperança. 
Ele não cura apenas corpos. 
Ele medica almas, tornando-se um canal das energias superiores. 
A missão do professor, por sua vez, transcende a simples transmissão de dados ou fórmulas. 
É aquele que ilumina mentes obscurecidas pela ignorância.
Enxerga no aluno difícil um potencial adormecido e dedica minutos extras para acolher uma angústia adolescente.
Ensina, pelo exemplo, que a ética e a bondade são as disciplinas mais importantes da vida. 
Ele é o escultor do futuro, o mestre que transforma o saber em sabedoria. 
E que dizer do motorista? 
No ônibus lotado, no Uber ou no transporte escolar, ele é o guardião de vidas e sonhos. 
Vai além do dever quando mantém a calma diante do trânsito caótico, quando oferece um bom dia que desarma a agressividade alheia. 
Ou quando dirige com tamanha prudência que seus passageiros sentem estarem protegidos. 
Ele transforma o asfalto em um caminho de respeito e dignidade. 
O profissional de qualquer área, do gari que limpa a cidade com esmero, ao engenheiro que projeta com segurança, ou o atendente que sorri apesar do cansaço, todos têm em mãos uma ferramenta sagrada. 
São instrumentos do progresso. 
Trabalhar com dedicação é uma forma de psicografar a Bondade Divina no cotidiano. 
É provar que a colaboração com o Criador se faz com o suor do rosto transformado em bálsamo para o mundo. 
Quando fazemos mais do que o estritamente necessário, estamos implantando utilidades e avanços que aceleram a marcha da civilização. 
Nossa profissão é nossa assinatura no livro da vida. 
Façamos dela nossa obra-prima. 
Afinal, no fim da jornada, o que contará não será o cargo que ocupamos ou a fortuna que acumulamos, mas o quanto de luz espalhamos através das tarefas que o Pai nos confiou.
Redação do Momento Espírita 
Em 29.07.2026

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NOSSAS COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO

Muitas vezes, ao cruzarmos o limiar de uma nova existência, o véu do esquecimento nos envolve como um manto protetor.
Olhamos ao redor e vemos rostos familiares, ouvimos vozes que nos acalentam. 
Também, por vezes, enfrentamos temperamentos que nos desafiam. 
No entanto, raramente nos damos conta da grandiosidade do planejamento que nos trouxe onde nos encontramos. 
Nada, absolutamente nada na economia divina acontece ao acaso. 
O berço onde despertamos, a família que nos recebe, o solo em que pisamos e as circunstâncias que nos cercam são peças de um mosaico meticulosamente desenhado pelo amor supremo. 
Retornar ao cenário da carne é oportunidade de refazer caminhos, de polir a alma e de aprender a amar com a pureza que o Cristo nos ensinou. 
Para que esse aprendizado seja legítimo, Deus nos concede o benefício do esquecimento. 
Imaginemos se carregássemos, a cada minuto, o peso consciente das nossas falhas de outrora. 
O remorso seria um fardo pesado demais, uma âncora a nos prender ao passado, dificultando-nos decisões e ações. 
O esquecimento é a liberdade que nos permite agir com espontaneidade, permitindo que o nosso eu de hoje construa uma nova história, sem o martírio constante da culpa. 
É verdade que voltamos para o convívio daqueles com quem temos contas a ajustar. 
A família, nesse aspecto, funciona como um hospital bendito, onde as enfermidades do orgulho e do egoísmo encontram o remédio amargo, porém necessário, da convivência difícil.
Mas a Justiça Divina é, acima de tudo, equilíbrio e misericórdia. 
Por isso, não renascemos apenas entre opositores ou corações feridos por nossas ações passadas. 
Junto de nós, retornam também os nossos grandes amores.
Espíritos que, em séculos passados, entrelaçaram suas luzes com as nossas. 
Algumas dessas almas pediram para estar conosco, se voluntariaram para dividir o pão e o teto, a fim de serem o nosso ponto de apoio quando as forças nos parecerem minguar. 
Percebamos que, entre os desafios do cotidiano, existem essas colunas de sustentação. 
Pode ser o pai que oferece o conselho prudente, a mãe cujo abraço tem o condão de curar qualquer ferida, o irmão confidente das horas incertas, que vibra na mesma frequência da nossa alma. 
Esses amores são as mãos invisíveis de Deus que nos sustentam na jornada. 
Eles são o repouso na tempestade. 
São os que enxergam a nossa essência, para além dos nossos erros e limitações temporárias. 
São esses afetos que nos auxiliam a galgar, degrau a degrau, a escada da perfeição, transformando o resgate penoso em uma caminhada de aprendizado compartilhado.
A família é um ponto de encontro de almas que, entre sorrisos e lágrimas, tecem a rede de proteção que nos mantém de pé.
Ela é a prova de que o amor é a força que tudo vence e que ninguém, absolutamente ninguém, caminha sozinho. 
Que possamos honrar esses encontros, compreendendo que nos braços daqueles que nos amam encontramos a coragem necessária para vencer a nós mesmos e transformar em vitória nossa estada na Terra.
Redação do Momento Espírita 
Em 28.07.2026

terça-feira, 28 de julho de 2026

O GIZ MÁGICO

Henry Ford e Charles Steinmetz
Quantas vezes reclamamos do valor que nos é cobrado por algum profissional? 
O portão eletrônico enguiçou, o cano d’água rompeu, o aparelho doméstico deixou de funcionar. 
Essa prática de reclamar do serviço alheio, quando nós mesmos não temos a solução, não temos a mínima ideia do que fazer, não é nova. 
Nos primeiros anos do século passado, o empresário Henry Ford o fez, em vigoroso protesto. 
Narra-se que um colossal gerador elétrico em uma das suas fábricas apresentou uma falha. 
Toda a linha de produção, que valia milhares de dólares por hora, ficou completamente parada. 
Os melhores engenheiros de Ford checaram cada fio, testaram cada conexão. Nada funcionou. 
A enorme máquina — um labirinto de bobinas de cobre e componentes de aço — mantinha-se sem ação. 
Então, Ford chamou Charles Steinmetz, conhecido como o gênio supremo da engenharia elétrica. 
Ele chegou à fábrica, solicitou uma cadeira, um caderno e silêncio. 
Por horas, ele ficou imóvel ao lado do gerador. 
Fez anotações. 
Colocou a mão em partes diferentes da máquina, sentindo variações de temperatura imperceptíveis aos demais. 
Fechou os olhos e mapeou mentalmente os caminhos elétricos invisíveis do gerador. 
Então, após o que pareceu uma eternidade para os gerentes ansiosos, Steinmetz se levantou. 
Pediu um pedaço de giz e marcou um único X na carcaça metálica e orientou: 
-Abram o painel aqui. Vocês vão encontrar uma bobina em curto. Substituam os enrolamentos danificados. 
Abriram o painel. 
Exatamente atrás do X de Steinmetz, encontraram o problema. 
Horas depois, com o reparo feito, o gerador voltou a rugir. 
A produção recomeçou. 
A crise foi resolvida. 
A fábrica de Ford fora salva por uma única marca de giz, feita por um homem que passara algumas horas no local. 
Duas semanas depois, Ford recebeu um envelope com a conta: U$$ 1 mil. 
Ele achou excessivo o valor por uma visita de poucas horas e pediu uma fatura detalhada. 
A resposta foi de absoluta elegância e concisão: 
-Fazer uma marca de giz: um dólar. Saber exatamente onde colocar a marca: 999 dólares. 
Naquele momento, um dos maiores industriais da história aprendeu algo que atravessa gerações: a verdadeira expertise é invisível até o momento em que se torna insubstituível.
Steinmetz não fez apenas um X. 
Ele trazia 30 anos estudando teoria elétrica, milhares de horas diagnosticando problemas semelhantes e uma mente capaz de enxergar padrões onde outros só viam caos. 
Eis a grande verdade. 
Quando pagamos um especialista por um serviço, estamos pagando por todo o seu conhecimento, conquistado com muita dedicação e esforço. 
O médico que faz o diagnóstico em minutos está aplicando décadas de estudo e prática. 
O técnico que, com um toque numa tecla, resolve o problema que nos demandaria horas assistindo a tutoriais para resolver se preparou para isso. 
Quanto custaria se eles não soubessem? 
Aprendamos a valorizar o estudo, o esforço, a dedicação, a expertise. 
Reconheçamos o esforço alheio, as milhares de horas dedicadas ao seu profissionalismo. 
Redação do Momento Espírita com base em dados biográficos de Henry Ford e Charles Steinmetz. 
Em 27.07.2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

NÃO RESISTIR AO MAL

Em uma passagem do Evangelho, Jesus afirma que não se deve resistir ao mal. 
O significado dessa assertiva certamente não é o de deixar que o mal cresça e se aprofunde, onde quer que se apresente. 
Malgrado Sua bondade e Sua doçura, Jesus muitas vezes usou de energia para combater o mal. 
Por exemplo, ao Se posicionar contra o comércio no recinto do templo. 
Ou nas oportunidades em que lamentou a hipocrisia reinante em Sua época. 
Ele também foi claro ao afirmar que se deve orar e vigiar. 
Ou seja, cuidar para que o mal não penetre na própria vida, em especial por intermédio dos pensamentos e sentimentos.
Nesse contexto, parece coerente interpretar não resistir como não valorizar o mal. 
Quando se valoriza algo, ele cresce em importância. 
Quem vive assombrado por certo vício torna-se escravo dele.
A pessoa que se mortifica a cada palavra mal posta fragiliza a si própria. 
Passa a se considerar indigna por cometer alguns equívocos, pela desmedida importância que lhes empresta. 
Sem dúvida, é necessário vigiar para não cair em tentação.
Manter-se atento para não se perder em variados vícios.
Contudo, não é conveniente viver alarmado pela perspectiva do erro. 
Se um pensamento surge na mente, a melhor forma de torná-lo importante é lutar contra ele, com desespero. 
Isso implica reconhecê-lo como uma poderosa e real ameaça ao próprio bem-estar. 
O mesmo vale em relação à vida em sociedade. 
Se alguém comete um erro, prestar excessiva atenção nesse equívoco lhe dá um realce todo especial. 
Em sua natural falibilidade, os homens se equivocam.
Entretanto, também acertam bastante. 
Todos têm muitas virtudes que podem ser trabalhadas.
Mesmo os que inspiram antipatia têm o seu valor. 
Caso se preste muita atenção em suas fissuras morais, deixa-se de perceber suas virtudes. 
O que se valoriza, invariavelmente, cresce em importância. 
Se você optar por identificar e apreciar o bem que há no próximo, terá mais facilidade para gostar dele. 
Tal não significa ignorar defeitos, quando existam, e mesmo se prevenir contra seus efeitos. 
Mas apenas não resistir a eles, no específico sentido de não colocar muita força emocional nesse processo. 
Quem erra também acerta, eis um fato. 
Se você tem maus pensamentos, também os tem bons.
Quando surgir em seu mundo íntimo algo desagradável, perceba a presença daquele pensamento ou sentimento.
Depois, com tranquilidade, deixe que ele se vá, como um visitante passageiro e indesejado. 
Se você errar, reconheça a ocorrência, mas não se sinta perdido ou pervertido. 
Assuma de forma serena as consequências do que fez e as repare. 
E trate de seguir em frente, valorizando e vivendo o bem que há em você e no próximo. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 02.10.2009.