quarta-feira, 15 de abril de 2026

A CADA MIL LÁGRIMAS

Itamar Assumpção e Alice Ruiz
Em caso de dor ponha gelo. 
Mude o corte do cabelo. 
Mude como modelo. 
Vá ao cinema. 
Dê um sorriso 
Ainda que amarelo. 
Esqueça seu cotovelo. 
Se amargo foi já ter sido 
Troque já esse vestido. 
Troque o padrão do tecido. 
Saia do sério, deixe os critérios. 
Siga todos os sentidos. 
Faça fazer sentido. 
A cada mil lágrimas sai um milagre... 
 A cada mil lágrimas sai um milagre... 
* * * 
A letra da belíssima canção de Itamar Assumpção e Alice Ruiz é inspiradora. 
Fala-nos de como encarar as dores do mundo com inteligência, com coragem e com estilo.
Inteligência de quem vê na dor oportunidade de mudança e aprendizado.
Coragem de quem aceita mudar. 
Estilo de quem sofre e ainda consegue sorrir, chorar, sem perder a linha, sem perder o passo. 
A dor chega sem aviso, de cara cruel, como um monstro invencível e desproporcional ao nosso tamanho. 
Chega destruindo tudo... 
E tudo parece o fim. Mas não... 
Descobrimos que ela ensina, orienta, cuida. 
É o cinzel que esculpe, que talha, que faz o bloco amorfo de mármore se transformar em estátua, em obra de arte. 
A dor é o convite à mudança de hábitos, de pensamento, de rumo, talvez. 
Trocar o vestido da alma é renová-la. 
Mudar o padrão de seus tecidos é não permanecer preso às mesmas ideias, aos mesmos vícios. 
É necessário deixar a vida fazer sentido. 
Uma vida sem sentido é quase como uma escuridão. 
Nada se vê, nem a si próprio. 
Nada se encontra, pois não se sabe onde está e onde se deve chegar. 
E o milagre após as lágrimas é tantas coisas!... 
O milagre de se encontrar, de ver a si mesmo com suas forças e fraquezas, mas sem máscaras, sem ilusões. 
O milagre de perceber que se está melhor, que as feridas cicatrizam sempre, e que ali a pele se torna mais resistente. 
O milagre do recomeço, de nascer de novo, de se dar nova chance.
O milagre de descobrir os amores ao redor, e quanto prezam por nós; de descobrir aqueles que nunca nos abandonam, não importa o que aconteça. 
O milagre de saber que a vida procura nos levar sempre para cima, para diante, e nunca para trás. 
E a dor é lei de equilíbrio e educação. 
A cada mil lágrimas sai um milagre. 
* * * 
Léon Denis
O sofrimento, muitas vezes, não é mais do que a repercussão das violações da ordem eterna cometidas. Mas, sendo partilha de todos, deve ser considerado como necessidade de ordem geral, como agente de desenvolvimento, condição do progresso. Todos os seres têm de, por sua vez, passar por ele. Sua ação é benfazeja para quem sabe compreendê-lo. Mas, somente podem compreendê-lo aqueles que lhe sentiram os poderosos efeitos.
Redação do Momento Espírita, com base na letra da música Milágrimas, de Itamar Assumpção e Alice Ruiz e pensamentos finais extraídos do cap XXVI do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP. 
Em 15.04.2026

terça-feira, 14 de abril de 2026

O MUNDO PERFEITO

Marina Costa Macedo
Se as crianças pudessem reinventar o mundo, podemos imaginar como seria? 
Certa feita, ouvimos uma garota de sete anos, falar a respeito.
Segundo ela, deveria haver um tobogã para descer do apartamento para a lan house. Facilitaria. 
E, na lan house, bastaria falar os sites e eles apareceriam, automaticamente. 
Preguiça de digitar? 
Não, é que algumas pessoas não sabem escrever direito e assim todos poderiam acessá-los para navegar. 
Bem se vê que ela estava preocupada com quem demonstrava algumas dificuldades. 
Na rua, haveria malabaristas e bailarinas. 
E grandes borboletas, que poderiam ser montadas pelas crianças. 
Mas teriam que ser borboletas de cara bonita. 
Assim, todos teriam acesso a brincadeiras e seriam felizes.
Nas praças, haveria música de todo tipo. 
Isso possibilitaria que cada qual ouvisse a que mais gostasse.
Os fios de luz não dariam choque e, toda vez que se encostasse neles, se poderia formular um desejo. 
Com isso, ficaria eliminado o perigo que atravessam algumas crianças, por ignorância ou descuido de quem as deveria proteger. 
E, conforme a sua lógica, se nunca é tarde para se começar a fazer coisas boas, então nunca é tarde para dormir. 
Isso, naturalmente, dito em causa própria, nessa vontade de ficar até mais tarde nas brincadeiras, ou em frente à televisão.
Sim, se as crianças pudessem, alterariam muitas coisas no mundo. 
Acabariam as guerras, porque criança se desentende com o amigo agora, briga, diz que nunca mais falará com ele para, logo depois, buscá-lo e tornar a brincar. 
É a lição da boa vizinhança, do perdão, da diplomacia.
Acabariam as disputas por terras e pedaços de terra. 
Afinal, não seria legal poder brincar em todas as praças do mundo, visitar todos os parques do mundo, nadar em todos os rios? 
Tudo seria compartilhado, dividido, usufruído em conjunto. 
As barreiras linguísticas seriam superadas, de forma rápida, porque nada mais fácil para uma criança do que se entender com a outra, quando deseja brincar. 
E, de igual forma, uma aprende com a outra o idioma. 
Haveria menos preocupações com festas dispendiosas e mais simplicidade porque o importante numa festa é reunir os amigos, brincar até cansar. 
Depois, se sobrar tempo, pode-se comer cachorro-quente, pizza, sanduíche, bolo de chocolate ou pão com manteiga. 
O importante são as brincadeiras, é o desfrutar da companhia dos amigos por horas. 
E não perder um minuto sequer de nenhuma delas. 
O sono seria profundo, fruto do cansaço prazeroso. 
E não haveria tanta preocupação com roupas, porque o que as crianças desejam é estar confortáveis para correr, pular, subir em árvores, chutar bola, jogar-se na piscina. 
Não importa se a roupa é de grife ou comprada no mercado próximo, ficará suja logo, logo, com tanta poeira e suor. 
* * * 
Seria bom que, por vezes, olhássemos com mais atenção para as crianças, que as ouvíssemos, que lhes seguíssemos alguns exemplos. 
A vida, com certeza, se tornaria menos complicada. 
E talvez aprendêssemos a ser mais descontraídos, menos sisudos, a dedicar menos horas ao trabalho e um pouco mais ao prazer de estar com a família, com os amigos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com algumas frases escritas por Marina Costa Macedo, aos sete anos de idade. 
Em 07.11.2014.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

O MUNDO PELO AVESSO

Foi no aniversário de seus setenta anos que Iracema, pela primeira vez, ouviu sua neta lhe dizer que estava ficando velha. 
A frase lhe causou surpresa. 
Jamais pensara nos tantos anos somados, décadas acumuladas. 
Olhava-se ao espelho e percebia, naturalmente, não trazer mais o viço da juventude, mas não se dera conta do tempo transcorrido. 
A vida fora plena de realizações. 
Ali mesmo, na sala, nesse dia, ela podia contemplar os filhos, com suas esposas, os netos.
Quando o dia findou e ela ficou só, percebeu que viver e envelhecer, como lhe acontecera, era muito gratificante. 
Um verdadeiro presente de Deus. 
Foi então que passou sua vida a limpo. 
Viu-se criança, vivendo em uma casa sem luz elétrica, sem asfalto, com fogão e forno a lenha, raros carros na cidade. 
As notícias de familiares distantes chegavam por cartas e as mais urgentes, por telegramas. 
Os primeiros telefones tinham centrais, para as quais era solicitada a ligação, que nem sempre acontecia. 
A chegada da luz elétrica foi uma festa. 
Conheceu os noticiários, as manchetes, pelo rádio, que mais parecia um enorme caixote sobre o armário, sendo ligado só pelo pai ou pela mãe. 
Viu as primeiras conservas em latas, com as quais, depois de vazias, fazia canecas e vasos para flores. 
A chegada da televisão foi outro acontecimento. 
Os comentários eram dos que se admiravam em ter o cinema, dentro de casa. 
A tecnologia surpreendia na criação de equipamentos incríveis, em todos os setores. 
Para as mulheres daqueles anos era um sonho pensar que poderiam vir a ter, em algum momento, máquina para lavar roupas, para lavar louças, ferro elétrico, enceradeira. 
Veio depois o telefone sem fio, que poderia ser levado de um lugar para outro. 
Logo, surgiu o celular. 
Portátil, e com várias funções: falar, ouvir, ver, enviar mensagem. 
Em certo momento, as lembranças foram se embaralhando porque as novas tecnologias foram surgindo mais rapidamente do que ela as podia dominar. 
Mas, se deu conta de que atravessou anos de quase coisa nenhuma e hoje se serve do celular, manuseia um computador. 
Vivenciando a pandemia, aprendeu a assistir aulas e palestras, através de plataformas diferenciadas. 
-Nossa, exclamou para si mesma, vivi setenta anos, vi o mundo pelo avesso e não havia percebido. Sinto vontade de viver mais setenta só para ver o quanto vai melhorar. De tudo, porém, o mais importante em minha vida foi conhecer uma nova doutrina que me abriu os olhos e a alma para a realidade imortal, onde a pele enrugada, o cabelo ralo e branco, a perna mancando, a dor nos quadris, não fazem diferença alguma. Quanto mais vivo, mais aprendo, não paro no tempo. Vivo em busca de me aprimorar mais e mais, engrandecendo minha alma e me tornando mais sábia. E ainda divido o que sei, para multiplicar esse saber entre todos que me rodeiam. Obrigada, Senhor, pela minha vida. 
Possamos nós aprender com essa senhora, que envelhece no corpo, ilustrando a mente. 
Redação do Momento Espírita 
Em 19.11.2022.

domingo, 12 de abril de 2026

UM MUNDO PARA AS CRIANÇAS

Ante tantas guerras e rumores de guerras, atentados terroristas que roubam a paz das gentes simples, é de nos perguntarmos: que mundo estamos construindo para nossos filhos? 
O que ofereceremos para esses pequenos que apenas desabrocham para a vida física? 
O que estamos preparando para seus olhos, para seu futuro?
Importante seria se nos preocupássemos em construir um mundo onde eles pudessem viver o amanhã, mantendo o brilho no olhar. 
Com menos tristeza estampada na face. 
Menos dor pela perda prematura dos pais.
Menos desencanto por verem partir seus amigos e encontrar tantos bancos vazios na escola. 
Um mundo em que as pessoas pudessem andar livres pelas ruas, sem temer balas perdidas, arrastões ou manifestações agressivas. 
Um mundo onde todos se unissem para vencer a enfermidade, a fome, a miséria, que ainda existe em tantas vielas da Terra. 
Onde cada qual pensasse no melhor para a sua família e para o seu próximo. 
Um mundo onde as crianças pudessem sonhar, com a única preocupação de crescer e se tornarem cidadãos úteis, trabalhadores do bem. 
Criaturas que encantassem o planeta com sua arte, enchendo-o de maravilhosos sons com a sinfonia das suas vozes. 
Ou com a leveza dos seus corpos na dança. 
Ou com a agilidade e eficiência nas disputas esportivas. 
Ou utilizassem suas mentes, suas mãos para curar enfermidades que persistem em machucar tanta gente. 
Ou pudessem se dedicar a experimentos que resultassem em inventos para facilitar a vida do homem sobre a face da Terra.
Quem sabe, vencer a gravidade e lançar-se no espaço, rumo a novas descobertas, novas estrelas? 
Uma criança é um raio de luz. 
Não apaguemos a esperança que brilha em seu olhar, em seus gestos. 
Construamos um mundo em que cada criança tenha seu lugar ao sol, seja amada, possa brincar livre, vivendo intensamente sua infância. 
Em que possa ir à escola, ir ao parque, à piscina, ao campo, à praia, sem medo.
* * * 
É possível que ouvindo esta mensagem alguns de nós digamos que somos pessoas normais, vivendo o dia a dia, sem poder interferir nos conflitos armados ou em decisões armamentistas. 
No entanto, pensemos em como podemos semear a paz em nossos dias, sendo menos agressivos, mais tolerantes. 
Que não dirijamos nosso carro como se fosse uma arma, que respeitemos nosso semelhante, que honremos o trabalho honesto.
Há tanto para fazer neste mundo que pode beneficiar a muitos. 
A vibração de amor que lançamos na direção do outro é a mesma que acalmará a onda dos conflitos armados. 
A dignidade com que executemos nossas tarefas diminuirá a corrupção, a desonestidade. 
A nossa doação em espécie ou em trabalho voluntário diminuirá dificuldades que se apresentam próximas ou distantes.
Um mundo novo. 
Um mundo para ser compartilhado com todos. 
Um mundo para nossos filhos. 
Um mundo de esperança, bordado com as cores do arco-íris.
Comecemos hoje e unamo-nos a outros tantos que já semeiam no mundo o bem, o amor, a paz. 
Façamos isso pelos nossos filhos. 
Pelas nossas crianças. 
Por nós mesmos que retornaremos, em futuras vidas, para o mundo que construirmos agora. 
Redação do Momento Espírita, com base na canção Let the children have a world, de Danna Winner. Disponível no CD Momento Espírita, v. 33, ed. FEP. 
Em 04.09.2018.

sábado, 11 de abril de 2026

QUANDO EU ESTIVER DE RETORNO!

Todos os que temos a convicção de que somos imortais e que continuaremos a peregrinar por longo tempo, entre os mundos físicos, pensamos em retornar a este bendito lar a que nos habituamos chamar Terra. 
Pensando nesse retorno, pusemo-nos a pensar como desejamos encontrar este mundo abençoado, em outro século, quem sabe em outro milênio. 
Vamos para as ruas e sentimos o ar com gosto de vida.
Respiramos e sentimos a pureza que hoje só encontramos no topo das montanhas. 
As cidades não são selvas de pedra cinzenta, mas jardins suspensos nos quais os prédios respiram, cobertos por fachadas verdes que abraçam o sol e devolvem oxigênio. 
Os rios correm livres e claros. 
Abundância de água e de espécies animais, sem perigo da extinção porque o homem abandonou esportes e lazeres predatórios. 
O oceano, nosso velho mestre, está limpo, com seus corais brilhando como joias sob águas que esqueceram o peso do plástico. 
A tecnologia, com sua mão invisível, zela pela Humanidade.
Pelas ruas e pelas estradas, não há mais o barulho dos motores. 
O transporte desliza como um sussurro, movido pela energia das estrelas e dos ventos. 
Enquanto nos deslocamos de um ponto a outro, podemos nos encantar com as curvas do caminho, os relevos estonteantes e as florestas de coloridos diversos. 
Vivemos sem o medo da escassez. 
A ciência aprendeu, com a natureza, a ser generosa: a comida nasce da precisão e do respeito, sem que nenhum animal precise sofrer para que possamos nos nutrir. 
As escolas são lugares de puro aprendizado. 
As crianças brincam nas praças, nas praias, nos jardins, com a segurança de olhos amigos, mesmo que estejam distantes de seus pais. 
A inteligência das máquinas não serve mais para nos vigiar, mas para garantir que ninguém, em nenhum canto do planeta, sofra o frio da fome ou a dor de uma doença esquecida. 
Basta ser detectada uma necessidade que o alarme se faz e a solidariedade responde com urgência e precisão.
Nesse novo mundo, a palavra estrangeiro perdeu o sentido de ameaça e as fronteiras no mapa são apenas linhas de história, sem muros de exclusão. 
Orgulhamo-nos do pavilhão nacional, da nossa cultura, do nosso idioma, desejosos igualmente de conhecer a vasta cultura do mundo. 
Nesse futuro, aprendemos que o sucesso de um povo é o sucesso de todos. 
As guerras são lembradas apenas nos livros, contadas como uma febre antiga que a Humanidade, em sua infância, finalmente conseguiu curar. 
Foi dado início à era da gentileza, na qual cooperar é tão natural quanto respirar. 
Honramos os antepassados que trilharam caminhos de conquista, legando-nos essas benesses. 
Não os esquecemos e lhes votamos homenagens. 
Afinal, o bem deve ser evidenciado, falado e mostrado para maior incentivo às novas gerações.
Sonhando tudo isso, nos questionamos quando nos decidiremos pela sua concretização a curto ou médio prazo.
Talvez para acelerar nossa vontade, nos perguntemos que mundo desejamos encontrar quando retornarmos a viver neste planeta azul. 
Redação do Momento Espírita 
Em 11.04.2026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O MUNDO NÃO É MAIS O MESMO

Sérgio Vieira de Mello
Quando uma catástrofe de grandes proporções assume as manchetes dos meios de comunicação de massa, o povo declara, indignado: “o mundo não é mais o mesmo!” 
No entanto, a cada momento que um cidadão melhora, com sua ação, uma situação qualquer, pode-se dizer que o mundo não é mais o mesmo: está melhor. 
Quando uma pessoa adota uma criança sem pais; quando alguém de boa vontade dedica seu tempo a um idoso desvalido; quando pessoas de bem visitam presídios e levam afeto a delinqüentes infelizes, podemos dizer que o mundo está um pouco melhor. 
Quando voluntários se dedicam a crianças que não têm acesso à arte, à cultura, à escola, o mundo não é mais o mesmo, está melhor. 
E quando um homem doa seu tempo e seus conhecimentos em prol da construção da liberdade de povos que sequer falam a sua língua, podemos afirmar com certeza: o mundo está bem melhor. 
Pouco se ouvia falar do cidadão Sérgio Vieira de Mello até o dia em que um carro-bomba explodiu sob a janela de seu escritório, no Iraque. 
No entanto, aquele homem singular tinha um ideal bem definido, ao qual dedicou trinta e cinco anos de sua curta jornada terrestre.
Era um homem que se compadecia com a desgraça do próximo. 
Por sua diplomacia, firmeza e doçura, foi enviado pela organização das nações unidas para ajudar na solução dos conflitos deixados no Iraque após a invasão norte-americana.
Ele atuou em Kosovo, Timor Leste, Moçambique, Sudão, Chipre, Peru, sempre com o intuito de promover a paz e a concórdia entre povos em conflito. 
A cada uma das suas ações de paz, certamente o mundo ficava um pouco melhor. 
 ...Um homem..., uma vida..., um ideal. ...O mundo não é mais o mesmo...
As luzes do palco físico se apagavam lentamente para aquele trabalhador incansável... 
Seu corpo físico estava ferido e preso entre os escombros, mas a dor não impedia aquele construtor de um mundo melhor de pensar em seus amigos e companheiros de jornada... 
O bombeiro que tentou salvá-lo, “disse que em momento algum, mesmo em suas últimas horas, o brasileiro mencionou que era Sérgio Vieira de Mello, funcionário veterano da onu e o homem escolhido pelo secretário-geral da organização, Kofi Annan, para liderar a missão no Iraque.” 
Disse, ainda, que enquanto conversava com Sérgio para mantê-lo consciente, ele perguntava: 
-Como estão todos? Há quantas pessoas feridas? Você pode me dizer o que aconteceu? 
Mesmo ferido e sentindo dores acerbas, Sérgio pensava nos outros. 
Poucas horas mais tarde, o missionário saía de cena...
Deixava os palcos terrenos onde desempenhou com maestria o papel que lhe competia... 
No instante derradeiro, quando suas forças estavam no fim, Sérgio usou o sopro de voz que lhe restava para expressar o desejo de que a onu continuasse no Iraque. 
-“Não deixe que eles retirem a missão”, disse ao bombeiro que lhe prestava socorro. 
Por tudo isso hoje, hoje podemos dizer que o mundo não é mais o mesmo... está melhor. 
Porque um homem, que não era, nem pretendia ser santo, fez a sua parte. 
Um homem que colocou seu tijolo de amor na construção de um mundo onde a paz possa ser, um dia, realidade. ... 
Um homem, um ideal, uma vida. 
Sérgio Vieira de Mello escreveu, com as tintas inapagáveis do amor ao próximo, sua história... e deu a vida pelo ideal de um mundo livre e soberano, onde os direitos humanos sejam efetivamente respeitados. 
E, como tantos outros, ao fechar a mala e retornar para casa, Sérgio pôde dizer: 
-Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte. O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem. Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo, em 27/08/2003 e em palavras de Vitor Hugo, do livro A Reencarnação Através dos Séculos.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

UM MUNDO HOSPITAL

E...CHICO XAVIER
Existem religiosos que afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas. 
E procuram isolamento para preservação da própria pureza.
Entretanto, mesmo aí, no silencioso retiro em que se acolham, por mais humildes se façam, comem os frutos e vestem a túnica que o mundo lhes oferece. 
Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e discórdia, viciação e delinquência. 
Contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as próprias ideias e encontram os leitores que lhes compram os livros. 
Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malícia e perversidade, como se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo. 
Todavia, é no mundo que adquirem os conhecimentos com que embelezam o próprio verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra. 
Muitas pessoas dizem que o mundo é local de perdição em que as trevas do mal senhoreiam a vida. 
No entanto, é no mundo que receberam o regaço materno para tomarem o arado da experiência.
É no mundo que se nutrem confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos. 
O mundo, obra-prima da Criação, indiferente às acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da Humanidade. 
*** 
Ampliemos nossa visão. 
Permitamos que o sentimento perceba o abraço do Pai Criador. 
O mundo em que vivemos está longe de ser morada superior, uma vez que aqui estamos aqueles que ainda insistimos no erro. 
Por isso, necessitamos de atendimento hospitalar para nossos vícios morais. 
Este é um mundo hospital, um hospital-escola, o que não o torna menos belo. 
Caminhemos pelas instalações de um desses hospitais modelo da Terra e vejamos o cuidado, a organização, a disciplina dos servidores e a gigantesca estrutura para atender os pacientes. 
São pequenas cidades construídas em prédios bem iluminados, bem projetados, com equipamentos de alta tecnologia para providenciar conforto a quem precise.
Nutricionistas garantindo as melhores refeições; enfermeiros competentes e amorosos; profissionais de informática dedicados; equipes de limpeza e higienização treinadas constantemente. 
Quartos confortáveis, leitos de última geração, centros cirúrgicos prontos para qualquer tipo de intervenção. 
Assim é o planeta Terra, oferecendo-nos uma estrutura admirável para que possamos ser bem atendidos durante o tempo que passamos aqui. 
O paciente, muitas vezes distraído com suas enfermidades, não percebe a beleza que o cerca. 
Reclama da dor da injeção que lhe traz o analgésico; reclama dos exercícios repetitivos propostos pelo fisioterapeuta, pois não enxerga o bem maior. 
Façamos essa experiência de olhar o mundo de forma distinta. 
Deixemos de ver o estado de doença, os outros pacientes, e olhemos o hospital. 
Percebamos tudo que nos é dado para que tenhamos excelente atendimento. 
Ficaremos encantados descobrindo que Deus tudo nos provê.
Temos aquilo de que precisamos para crescer, para darmos mais um passo na busca por sermos melhores. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 12, do Livro da esperança, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC. 
Em 21.04.2025