quinta-feira, 20 de agosto de 2026

NÃO TEM PREÇO

Às vésperas do Natal, chegou a nota, por e-mail, lacônica e terrível. 
Todos os cursos da Faculdade estavam sendo encerrados.
Alunos e professores ficaram estarrecidos, desarvorados. 
-Que presente de Natal! – Comentaram alguns. 
Uma professora, em especial, vestiu-se de tristeza.
Lecionando há bastante tempo, naquela Universidade, ela tinha muitos compromissos assumidos, contando com o salário dos próximos meses. 
Agora, lhe parecia que o chão lhe fora retirado de sob os pés.
Começou a fazer contas, a pensar onde buscar nova colocação. 
Naturalmente, nuvens de preocupação lhe cobriram a face, a tal ponto que o filho, de apenas cinco anos, percebeu. 
E, ouvindo comentários aqui, ali, foi imaginando, em sua cabecinha, o que significava desemprego.
Era, com certeza, algo muito ruim porque sua mãe estava triste. 
Assim, em certo momento, achegou-se a ela e perguntou:
-Mamãe, se a senhora tivesse dinheiro, poderia comprar seu emprego de volta? 
-Como assim? – Indagou ela, não captando o exato sentido da pergunta. 
-Eu quero saber se a senhora, tendo dinheiro, pode ir na faculdade e comprar seu emprego de volta. 
Verificando a preocupação do menino, ela lhe explicou o que era emprego, ou seja, exatamente o propiciador de recursos para as necessidades da família. 
E, preocupada com o que poderia estar atormentando seu filho, resolveu indagar: 
-Mas, por que você está perguntando isto? 
-Nada não. É que se precisasse de dinheiro para conseguir seu emprego de volta, eu queria lhe dar as moedas do meu cofrinho. Não quero lhe ver triste. 
* * * 
-Filhos? Melhor não tê-los. – Escreveu, certa vez, Vinícius de Moraes. 
Mas, que grande alegria se perderia, que grande amor se deixaria de vivenciar. 
Os anos haverão de rolar, muitas coisas boas e ruins acontecerão na vida daquela mãe. 
No entanto, pode-se afirmar com toda a certeza de que jamais ela esquecerá a oferta do filho, singela, inocente: todo seu tesouro, guardado a pouco e pouco, suas moedinhas, para acabar com a tristeza de sua mãe. 
Isso se chama amor. 
Amor de filho. 
Filhos são gemas preciosas que Deus envia aos corações dos pais para os plenificar de grandeza. 
Maravilhoso gerar um filho. 
Ser cocriador com a Divindade. 
Extraordinário vê-lo se desenvolver dia a dia, descobrindo o mundo ao seu redor. 
Acompanhar-lhe os passos, as pequenas conquistas: ficar de pé, andar, subir e descer degraus, relacionar-se com o mundo, dominar seu próprio espaço. 
Dominar o mundo das letras, das formas, dos números.
Descobrir o milagre da junção dos vocábulos, a riqueza das frases, a poesia dos versos. 
Vê-lo crescer e tornar-se um homem. Cidadão. 
Alguém que colabora positivamente com o mundo. Realmente, não tem preço a ventura de ter filhos. 
Não tem preço ter filhos que tenham tanto amor por nós que desejem dar tudo que têm para nos ver felizes. 
Mesmo que esse tudo sejam somente as moedas de um cofrinho. 
Filhos? Que maravilha tê-los. 
Que presente amá-los, de forma intensa e inigualável.
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.03.2015.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NÃO TE ENTREGUES

Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram?
Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti? 
Pessoas a quem confidenciaste questões particulares, jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais?
Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores? 
Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição?
Acreditas que estás só, difamado, em abandono? 
Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza. 
Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado.
Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais. 
Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis. 
Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta. 
Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos. 
Aqueles que, mesmo cometas erros, prosseguirão contigo.
Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas. 
Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças.
Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes. 
E olha por ti, todos os dias. 
Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões. 
O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-O e evoca-O nas tuas horas mais amargas. 
Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo segundos. 
O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. 
Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato.
Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo.
Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces. 
Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua. 
Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida. 
Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo. 
Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido. 
Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer.
Sempre. 
Serve-te da prece. 
Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. 
Sempre. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 07.04.2017.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

COM QUEM TU ANDAS

JAQUELINE PEREIRA
Desde cedo, ouvimos aquele ditado popular: 
"Diga-me com quem andas que te direi quem és."
Nossas avós sempre souberam disso antes mesmo de qualquer estudo profundo. 
Pelo interior, as expressões são ainda mais pitorescas, como aquela que afirma: 
"Passarinho que acompanha morcego aprende a dormir de cabeça para baixo."
Ou aquela que nos alerta que o que não falta no mundo é tatu pronto para te levar para o buraco. 
São frases simples, com um toque de humor, mas que carregam uma lição incontestável: conviver pressupõe influenciar e ser influenciado. 
É uma verdadeira contaminação invisível. 
Vejamos que, hoje, a própria ciência está comprovando essa intuição ancestral.
Um estudo robusto de uma das maiores Universidades do mundo, o M I T, revelou algo interessante. 
Os pesquisadores descobriram que até mesmo as nossas decisões financeiras são fortemente influenciadas pelas pessoas com quem convivemos diariamente. 
Segundo o estudo, a proximidade com perfis impulsivos nos torna igualmente impulsivos. 
Ambientes emocionalmente instáveis aumentam os nossos gastos e nos levam a escolhas pouco conscientes. 
Se isso acontece com a nossa vida material, imaginemos o impacto gigantesco das companhias nos nossos sentimentos e nas virtudes ainda vacilantes da nossa alma! 
A lei de sintonia e afinidade nos ensina exatamente isso: os semelhantes se atraem invariavelmente. 
Somos como rádios vivos, emitindo e captando ondas mentais o tempo todo. 
Quando escolhemos nossas amizades, não estamos apenas escolhendo pessoas para conversar. 
Estamos escolhendo as energias que vamos absorver e os Espíritos que vão caminhar ao nosso lado. 
Se nos cercamos de pessoas que vivem a reclamar da sorte e a falar mal dos outros, lentamente a nossa lente interna vai ficando obscurecida por essa mesma sombra. 
Por outro lado, se buscamos a convivência com almas nobres, otimistas e voltadas para o bem, sentimos as nossas próprias asas crescerem, impulsionadas pelo exemplo irresistível da caridade. 
É claro que o Cristo nos convida a amar a todos. 
Deve haver benevolência em nosso coração para com todas as criaturas. 
No entanto, amar e auxiliar quem está no lodo não significa mergulhar e morar no ambiente deles. 
Jesus amou profundamente a todos, mas, ao constituir o Seu círculo íntimo para construir as bases do Evangelho, buscou corações dispostos a trabalhar pela luz. 
Façamos uma reflexão sincera no dia de hoje: 
-Quem são as pessoas que têm moldado as nossas escolhas? De quem temos nos aproximado mental e fisicamente? Será que as nossas companhias estão nos puxando para cima ou estão ancorando os nossos pés na ilusão? 
Além disso, perguntemos a nós mesmos: 
-Que tipo de companhia temos sido para os outros? Somos aquele que eleva o ambiente ou aquele que o contamina?
Vigiemos as nossas sintonias e escolhas. 
Somos donos de nossos destinos, mas são os nossos passos de hoje, incluindo os daqueles com quem temos andado, que desenham a paz do nosso amanhã. 
Redação do Momento Espírita com base No artigo Diga-me com quem tu andas…, de Jacqueline Pereira, da revista Vida Simples, ano 24, nº 290. 
Em 18.08.2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

UM DUETO INSÓLITO

Quem caminha pelas terras da Capadócia, no coração da Turquia, é imediatamente tomado por uma profunda sensação de estranhamento e encanto. 
Diante dos olhos, desdobra-se um cenário que desafia a lógica terrestre. 
São torres de pedra que parecem se erguer em prece em direção ao céu, vales ondulados que imitam as ondas de um mar petrificado. 
Uma paisagem que evoca um mundo quase extraterreno. 
No entanto, o mais extraordinário nesse lugar não está na beleza incomum de suas formas. 
O que é espetacular é o dueto que ali se estabeleceu entre a engenharia divina e a criatividade humana. 
Uma parceria sublime que atravessou os milênios. 
Há milhões de anos, o Arquiteto do Universo preparou a tela. Cinzas vulcânicas cobriram o solo, solidificando-se em uma rocha macia, o tufo. 
Por cima, a lava moldou uma capa protetora, mais dura. 
E o tempo — esse operário silencioso —, acompanhado pelo cinzel invisível do vento e das chuvas, começou a esculpir.
Século após século, os dedos invisíveis de um Criador insuperável desenharam aquelas colunas, desgastando o que era frágil e preservando o que era forte. 
Cada curva daquelas rochas traduz um traço da paciência divina, revelando que a natureza nada mais é do que a arte do Criador em constante movimento. 
Entretanto, a sinfonia não parou na geologia. 
Para que o dueto fosse perfeito, Deus convocou Sua obra-prima: o homem, feito à Sua imagem e semelhança. 
Ao se deparar com aquela paisagem inacreditável, a criatura humana sintonizou-se com o ambiente. 
Com inteligência e sensibilidade, percebeu que a rocha esculpida por Deus guardava a promessa de um lar, de um refúgio. 
E começou a agir. 
Onde a natureza oferecia o mistério das formas exteriores, a engenharia humana esculpiu a História em seu interior.
Cidades subterrâneas inteiras foram cavadas, descendo andares e mais andares nas entranhas da terra.
Labirintos de pedra que abrigaram milhares de almas em momentos de dor e perseguição. 
Os cristãos não foram os primeiros, nem os únicos a usarem a região como fortaleza. 
O local foi disputado e habitado por vários povos, que chegaram a transformar as cavernas e túneis subterrâneos em complexos habitacionais defensivos. 
E os homens também esculpiram santuários no coração das chaminés de rocha. 
Templos onde as preces do passado ecoavam, subindo aos céus junto com a fumaça das lamparinas. 
O interior das pedras transformou-se em arte viva, decorada com pinturas que retratavam a fé, enquanto o exterior continuava sob a guarda dos ventos. 
*** 
Esse dueto nos recorda a nossa própria essência espiritual.
Somos, por excelência, herdeiros da capacidade criativa de Deus. 
Quando nos unimos às leis da natureza com respeito, reverência e inteligência, somos capazes de transformar o rude em belo, o deserto em santuário, a rocha bruta em abrigo de amor. 
Naquela paisagem de rara beleza, o Criador e a criatura assinaram juntos uma das artes mais impressionantes da Terra. 
Um dueto que canta, através das eras, que a beleza máxima nasce quando o homem reconhece os traços de Deus e decide participar ativamente. 
Redação do Momento 
Espírita Em 17.08.2026

domingo, 16 de agosto de 2026

NÃO SONHE OS SONHOS DOS SEUS FILHOS

BENEDITA MARIA(+), ESPÍRITO
Pai, quando eu crescer quero ser jogador de futebol! 
Mãe, quando eu for adulto quero ser criador de jogos de video game! 
Ao ouvir expressões como estas, bastante comuns a partir de certa idade, alguns pais começam a se preocupar, principalmente se não foi isso que imaginaram para o futuro de seus pequenos. 
* * *
É muito bonito e importante que, na condição de mãe ou de pai, façamos planos para a ventura dos filhos. 
Isso faz parte das preocupações pater-maternais, empolgados como nos encontramos com essa bendita honra que Deus nos concedeu de pôr no mundo mais um dos Seus filhos. 
É válido, contudo, que nos apercebamos de que os nossos sonhos com relação a eles não devem passar de sonhos.
Nada de fazer-lhes imposições descabidas ou inoportunas chantagens, supondo que eles terão que atender ao que vimos sonhando para a vida deles. 
Nenhum problema haverá, caso dialoguemos e falemos dos nossos sonhos, sem exageros emocionais, nenhum erro existirá em ajudá-los a pensar no que almejam para a carreira profissional ou para a vida sentimental. 
Porém, será uma atitude adulta, respeitosa e digna parar por aí.
Quando em tenra idade, faz parte do primeiro contato dos nossos filhos consigo mesmos, as ideias muitas vezes esdrúxulas, sonhadoras demais, a nosso ver. 
Porém, isso é exercício de autoconhecimento e deve ser feito livremente, sem freios dos pais. 
Importantíssimo é deixar que os filhos façam escolhas, decidam, peçam sugestões ou orientações aos pais, aos professores ou a algum profissional já experimentado nas profissões que almejam. 
Tudo isso, porém, sem o peso das exigências dos pais.
Jamais deveremos confundir sugestões, conjecturas e diálogos com determinações ou imposições para as vidas que não serão vividas por nós. 
Afinal, há sonhos que precisam ser sonhados por nossos filhos, a fim de que eles trabalhem para convertê-los em realidade. 
* * * 
Vivemos tempos novos no que diz respeito à escolha da profissão. As opções se multiplicaram de forma inacreditável.
O mercado de trabalho mudou e se transforma constantemente. 
As ocupações antes tidas como de grande destaque social, agora já não são mais o anelo da grande maioria. 
O mundo se transforma e a educação dos filhos precisa ser repensada. 
Muitas das heranças que trazemos de tempos idos, vícios de conduta e de pensamento, necessitam ser renovados. 
Isso não dá dinheiro. Isso não fará de você ninguém importante. 
- São expressões que devem ser abandonadas do nosso vocabulário e do nosso pensamento. 
A vocação de cada um, através de nossas habilidades, nos insere na sociedade como peça importante de um mecanismo que precisa de todos para funcionar com perfeição. 
Ser útil deve vir antes de ser rico, pois a utilidade nos faz realizados, enquanto que a riqueza não é e nunca foi condição para tal. 
Precisamos sobreviver, sim, mas antes viver. 
Ou recordando Sócrates: 
-O mais importante não é viver, mas sim, bem viver. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.10.2015.

sábado, 15 de agosto de 2026

NÃO SOMOS UMA ILHA

AUGUSTO CURY
Em tudo que fazemos afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. 
Os mínimos comportamentos podem interferir na História da Humanidade. 
Quando um índio, em uma tribo isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a História. 
O pássaro não porá ovos, que não serão chocados e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. 
Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. 
A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. 
Quando um aluno tem problemas na leitura, perante uma classe e é obrigado a repetir, muitas vezes, o mesmo trecho, sob o deboche dos colegas, registra a experiência. 
Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência.
Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. 
Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. 
Uma pessoa que se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. 
Ele despedaçará a emoção e a memória deles. 
Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores que afetarão as suas histórias. 
Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas, alterando o futuro da sociedade. 
Quando Hitler se mudou para Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. 
Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. 
Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. 
O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos. 
Os rumos da Humanidade foram alterados. 
É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre. 
Mas não um dos maiores sociopatas da História. 
Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nas artes, mas poderia ter sido abrandada. 
Ou até mesmo deixado de se manifestar. 
Não somos uma ilha. 
Somos uma grande família. 
Uma única espécie. 
Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. 
O que fazemos influencia as pessoas que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. 
Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros.
Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outrem, acolher uma criança, pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas.
* * * 
O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos, assim, em tudo que dizemos e façamos. 
Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. 
Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. 
Pensemos nisso, antes de agir, no próximo minuto. 
Somos responsáveis pelo mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro O futuro da Humanidade – a saga de Marco Polo, de Augusto Cury, ed. Sextante. 
Em 27.4.2017.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PESSOAS QUERIDAS

EMMANUEL e CHICO XAVIER
Uma das coisas mais desafiadoras da nossa jornada é conviver em harmonia com aqueles a quem amamos. 
Por vezes, esquecemos que a pessoa querida é um mundo inteiro à parte, trazendo sentimentos e formas de pensar que podem ser muito diferentes dos nossos. 
Certamente, já nos pegamos querendo que este ou aquele familiar pense exatamente como nós. 
Ou que entenda aquilo que estamos explicando da mesma forma que faz sentido para nós. 
Nossa, para mim isso é tão claro! 
Não é possível que fulano não veja assim, ou não esteja enxergando isso! 
Pois é muito possível que assim seja. 
Imaginemos que a lente de enxergar de cada um foi elaborada por um cristal distinto. 
Em seus componentes, temos milênios de experiências passadas, décadas de cultura e educação, além de uma boa dose de distorções e manchas. 
Não há uma pessoa igual a outra. 
Por sermos distintos, vemos as coisas de forma distinta.
Portanto, é fundamental entender a situação de cada um.
Naturalmente, devemos incentivar os familiares a darem o seu melhor, servindo-nos do diálogo construtivo para sugerir mudanças e melhorias. 
O amor age assim. 
Mas, se os nossos conselhos não forem seguidos, em especial por aqueles que alcançaram a fase adulta, não devemos tentar prendê-los aos nossos pontos de vista. Isso seria uma forma de violência. 
É comum, como pais, irmãos ou amigos, planejarmos a felicidade perfeita no casamento ou grandes títulos acadêmicos para os nossos jovens. 
No entanto, pode ser que eles tenham vindo à Terra justamente para enfrentar tarefas árduas ou relacionamentos desafiadores, que fazem parte da sua evolução. 
Tentar desviá-los desse caminho seria desrespeitar aquilo que eles vieram desenvolver. 
E se aquelas almas que tanto amamos acabarem tropeçando e caindo no erro? 
Não condenemos e não reprovemos. 
Deixemos que elas façam as suas escolhas.
Afinal, nós também não suportaríamos que alguém impusesse regras sobre o nosso modo de viver. 
Mantenhamos a serenidade diante dos caminhos que o próximo decidir trilhar. 
Vivamos a nossa vida com consciência e permitamos aos demais a liberdade de viver a existência que o Criador lhes concedeu. 
* * * 
Um dos maiores desafios da atualidade é o conflito de gerações. 
Na verdade, isso sempre houve, pois uma nova geração normalmente apresenta mudanças significativas em relação à que lhe precedeu. 
A tendência dos mais antigos na encarnação será achar que o seu modo, a sua época, os seus costumes, eram melhores. 
E os novos, são absurdos. 
Pensemos bem antes de chegar a essa conclusão com tanta rapidez. 
O que, nesse julgamento, é da nossa lente, do nosso apego afetivo com nosso tempo e o quanto é avaliação de valores verdadeiros, aqueles que não têm tempo nem idade? 
Sejamos os defensores dos bons costumes. 
Daqueles que remetem à prática do amor ao próximo e à construção do ser espiritual, porém, não nos fechemos às novas ideias, aos novos pontos de vista. 
Há muito ainda a construir em nós. 
Todas as gerações têm o que aprender umas com as outras.
Respeitemos isso. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10, do livro Calma, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 13.08.2026