segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ABUNDÂNCIA COTIDIANA

Jordan Dworkin
Há cem anos, muitos chamariam de impossível.
Outros chamariam de milagre.
Já paramos para pensar na quantidade de comodidades que estão à nossa disposição no dia a dia? 
Imaginemo-nos deitados no conforto do sofá, após um dia cansativo, ouvindo a música que escolhemos com apenas um clique no celular. 
Acendemos uma luminária, mandamos mensagens para o outro lado do mundo e ajustamos a climatização do quarto. 
Se temos sede, abrimos a torneira. 
Se temos fome, encontramos alimentos frescos na geladeira e especiarias do mundo todo. 
Se necessitamos aquecer algum alimento, basta colocar por segundos dentro de um aparelho que funciona com ondas eletromagnéticas. 
Tudo parece tão automático, tão simples... 
Quase invisível. 
Essa abundância cotidiana é, na verdade, uma galeria de conquistas heroicas da humanidade. 
Tudo em nossa casa foi um luxo da realeza ou impossibilidade física. 
Antes, ouvir uma música dependia de instrumentistas ao vivo. Iluminar a casa exigia velas e chamas perigosas. 
Perder a visão devido à idade significava o fim da leitura e da vida produtiva, pois não existiam os óculos. 
A água vinha de poços poluídos que provocavam cólera, e as cirurgias eram feitas em total agonia, sem anestesia. 
Cada pequena conveniência de hoje traz a assinatura de Espíritos que lutaram contra a escassez, a dor e o isolamento.
Obviamente, nem todos têm a possibilidade de usufruir dessas maravilhas da modernidade porque ainda vivemos num mundo de desigualdades severas. 
O ponto de vista aqui é outro. 
É o que nos ensina a viver no presente para usufruir de uma galeria construída pelos esforços heroicos de gerações passadas. 
Ensina a cada um de nós, principalmente aos mais jovens, que chegam e encontram tudo pronto, a resgatar o sentimento de admiração diante dessas conveniências diárias.
Reconhecer e honrar esse legado. 
Essa evolução não ocorre por acaso, pois a lei do progresso rege o universo. 
Como Espíritos imortais, talvez sejamos nós mesmos colhendo o que plantamos em outras encarnações. 
As máquinas e vacinas são frutos do progresso que direciona o globo para a regeneração. 
Deus colocou o remédio ao lado do mal, agindo em proveito da nossa evolução. 
Não nos permitamos viver no automatismo da indiferença.
Quando vestirmos nossas roupas, tomarmos um remédio ou olharmos fotos de quem amamos, façamos uma pausa.
Reconheçamos a mão desvelada de milhões de irmãos que trabalharam antes de nós para que nossa jornada fosse mais leve. 
Agradeçamos pela dádiva do agora, com a consciência de que cada minuto nesta atual existência é um empréstimo precioso do Criador. 
Acima de tudo, nos perguntemos: 
-O que vamos deixar como testamento natural para os que virão depois de nós? 
Façamos do nosso presente uma semeadura de amor, tornando-nos cooperadores da luz, na promoção pelo bem-comum. 
Saibamos admirar o extraordinário que se veste de cotidiano, pois a gratidão é a alquimia que transforma a cobiça em paz e a matéria em eterno bem. 
Redação do Momento Espírita com base no ensaio Ordinary Abundance, de Jordan Dworkin, disponível no site: www.ordinaryabundance.com 
Em 26.10.2026

domingo, 25 de outubro de 2026

NEGÓCIOS

Peter Drucker
Ganhar a vida já não é suficiente, o trabalho tem que nos permitir vivê-la também. 
A frase é daquele que é considerado o Pai da Administração Moderna - Peter Drucker - e revela uma verdade preciosa para os dias de hoje. 
Drucker acompanhou um período sem precedentes na Terra, no que diz respeito ao mundo dos negócios.
Nascido em 1909, veio a desencarnar em 2005, após uma vida de muitas conquistas e de farto material produzido na área corporativa.
Sua citação sobre o papel do trabalho, da profissão, em nossa existência, precisa ser analisada em profundidade, pois traz consequências imediatas em todo viver, uma vez colocada em prática. 
A profissão tem como função principal nos fazer peça útil na sociedade e, também, nos propiciar o ganha-pão. 
A reflexão de Drucker nos convida a pensar: 
-De que adianta ganhar a vida, ter o meio de sustento, ter riqueza, se não consigo "usufruir" disso tudo para meu benefício? 
O trabalho tem que nos permitir viver a vida. 
Ele não pode nos escravizar numa teia de compromissos, responsabilidades, sem nos deixar sequer respirar o ar de uma bela manhã. 
Se nos transformamos nos chamados workaholics, perdemos o foco verdadeiro da encarnação, trocando os meios pelos fins. 
Sim, a profissão, o trabalho, tudo isso são meios. 
Meio de subsistência, meio de crescimento intelectual, meio de ser útil. 
Quando percebermos que o mundo dos negócios, a vida profissional está nos deixando quase loucos, é tempo de parar tudo e repensar. 
Temos, como Espíritos encarnados, compromisso direto com a melhoria material do planeta, ao mesmo tempo que temos compromisso conosco de nos melhorarmos, de nos tornarmos pessoas de bem. 
Assim, não podemos deixar que essas atividades simplesmente nos absorvam todas as energias, a ponto de nos fazer chegar em casa, ao final de cada dia, sem vontade sequer de conversar, de brincar com um filho pequeno, de sorrir. 
Temos que dar a cada coisa seu devido valor. 
E o mundo dos negócios não pode ser mais importante do que a família, do que a saúde de nosso corpo e de nosso Espírito.
Se você percebe que a vida tem lhe carregado para esse caminho, pare, pense, reflita, reprograme tudo enquanto há tempo. 
* * * 
Do Eclesiastes do Antigo Testamento Bíblico retiramos:
-Melhor é um punhado com descanso, do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição de espírito. 
Pense nisso. 
Pense se realmente vale a pena tanta aflição, tanto desespero, tantas horas de tensão, apenas por questões puramente materiais. 
Não podemos deixar de trabalhar, é certo, mas quem sabe possamos deixar o trabalho mais leve, menos extenuante, menos neurótico, permitindo que vivamos a vida em abundância. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 24, ed. FEP. 
Em 15.09.2025

sábado, 24 de outubro de 2026

A REDE E OS PEIXES

Cairbar Schutel
As parábolas de Jesus são códigos de luz que aguardam decifração. 
Aos poucos, à medida que nos tornamos mais esclarecidos, nós vamos entendendo sua essência.
Uma das mais impactantes é a parábola da rede. 
O reino dos céus é semelhante a uma rede.
Lançada ao mar, reúne peixes de toda espécie e, depois de cheia, separam-se os bons nos cestos e deitam-se fora os ruins. 
Assim será no fim do mundo: os anjos separarão os maus dentre os justos, lançando-os na fornalha do sofrimento, onde haverá choro e ranger de dentes. 
Essa imagem parece severa demais, motivo pelo qual nos cabe retirar o espírito da letra. 
Primeiramente, tenhamos em mente que esse fim do mundo não é a destruição do planeta, mas o fim do velho mundo, dos velhos costumes e o advento de uma nova fase, abrindo um novo programa de vida. 
A rede representa a lei suprema que atrai a todos, e os anjos são os Espíritos superiores encarregados desse apuramento moral. 
Uma advertência que devemos considerar é de que não vale só conhecer, é preciso praticar. 
Não vale estar na rede, é indispensável ser bom! Muitos exigimos lealdade, mas não a praticamos. 
Clamamos por indulgência sem sermos indulgentes.
Pregamos a humildade, mas buscamos os primeiros lugares. Se ficarmos na penumbra da vaidade, não seremos selecionados para os cestos da nova geração. 
O Espiritismo deixa clara a justiça de Deus, retirando o caráter sobrenatural do Além e revelando a certeza da vida futura. 
A reencarnação explica as anomalias da nossa jornada, mostrando que cada um renasce segundo a sua semeadura anterior. 
Deus não criou privilégios nem privilegiados. 
Todos fomos criados simples e ignorantes, com a mesma essência e destino. 
Os que praticamos o mal demonstramos ser Espíritos retardatários, que nos deveremos aperfeiçoar, depurando-nos na fornalha de dor dos mundos inferiores. 
A razão rejeita as penas eternas. 
As portas do arrependimento e da reparação nunca se fecham. 
Pela lei dos renascimentos, os laços de família deixam de ser carnais e se tornam verdadeiras uniões, solidários no passado e no futuro. 
Frente a todas essas ponderações, cabe-nos indagar, dentro dessa rede da parábola do Mestre, que tipo de peixe somos nessa estação do agora? 
Somos o peixe distraído, preocupado apenas com as nossas coisas? 
Somos o peixe que entendeu a importância do bem, mas que só o prega por palavras? 
Ou, finalmente, somos aquele que se esforça para ser bom diariamente? 
Que tipo de esforços temos feito? 
Ou temos exigido mudanças somente nos outros? 
Temos pensado apenas em nós mesmo, egoisticamente, ou já conseguimos ter a visão do cardume? 
A renovação do mundo não será feita por um milagre do céu.
Somente se concretizará pela mudança íntima daqueles que nos reunimos em nome do amor. 
Acalmemos nossos raciocínios e abramos o coração para o amanhã. 
Façamos o nosso trabalho de evolução hoje, sabendo que a caridade real é o único caminho seguro na jornada da eternidade. 
Redação do Momento Espírita com base na Parábola da rede, do livro Parábolas e ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, ed. O Clarim. 
Em 24.10.2026

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O ENDEREÇO MAIS SEGURO

A dor da perda é uma das travessias mais difíceis e misteriosas da experiência humana. 
Quando parte alguém que amamos, deixando o palco deste mundo, um silêncio denso e gélido parece tomar conta de tudo ao nosso redor. 
Precisamos viver essa dor. 
O luto não é um equívoco da alma ou um sinal de fraqueza. 
É um processo necessário de reajuste íntimo. 
As lágrimas são o orvalho que umedece a terra árida do coração ferido, permitindo que a esperança, no seu tempo certo, volte a brotar. 
Não devemos fingir que o coração não sangra. 
Contudo, existe um limiar delicado e vital entre vivenciar a dor e aprisionar-se nela. 
Muitas vezes, na tentativa desesperada de desejar manter o ser amado por perto, paralisamos a nossa existência.
Deixamos de viver. 
Mergulhamos em um oceano de angústia permanente, iludidos pela falsa crença de que a intensidade e a duração do nosso sofrimento são a medida exata do nosso amor.
Acreditamos que deixar de sofrer, ou permitir que um sorriso aflore novamente aos lábios, seria uma traição. 
Pensamos que cicatrizar a ferida seria o mesmo que esquecer, diminuindo o valor que essa vida teve para nós e desonrando, de alguma forma, a sua memória. 
Ao observar nossos dias cinzentos e nossa recusa em abraçar a vida que continua a pulsar, com certeza nosso afeto poderá nos endereçar uma pergunta: 
-Por que você construiu um monumento de dor tão pesado ao seu redor, quando toda a minha existência ao seu lado foi baseada no amor? 
Essa única indagação tem o poder extraordinário de quebrar as correntes do sofrimento crônico. 
A verdadeira traição à memória de um grande amor não está em voltar a ser feliz, mas em transformar a sua lembrança brilhante e luminosa em uma sombra escura de tristeza interminável. 
O amor, em sua essência mais pura, liberta. 
Jamais escraviza. 
Ele não deseja o suplício ou a paralisia do outro. 
Ao contrário, anseia pela sua paz, pela sua felicidade e pela sua contínua evolução. 
Quando descobrirmos que deixar de sofrer não significa esquecer, um horizonte novo se desvela. 
A dor dilacerante cede lugar a um sentimento mais nobre, maduro e reconfortante: a saudade serena. 
Essa saudade que ilumina o peito, que nos faz sorrir ao lembrar de uma história engraçada ou compartilhada, que nos fortalece nos instantes de fraqueza. 
Não diminuamos o valor inestimável da vida do nosso afeto resumindo-a a um ponto final de inércia e lamentação.
Honremos a passagem dessa alma pela Terra vivendo de forma plena tudo aquilo que ela gostaria que vivêssemos.
Derrubemos, pedra por pedra, o pesado monumento de dor e solidão. 
Em seu lugar, com paciência e carinho, cultivemos um jardim vibrante de memórias felizes. 
Aqueles que amamos não morrem jamais. 
Eles apenas se mudam para o endereço mais seguro: o nosso coração. 
Acolhidos na luz, eles aguardam pacientemente que o nosso pulsar seja, novamente, de pura alegria, paz profunda e imensa gratidão à vida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.10.2026

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

A NECESSIDADE DO TRABALHO

Tudo no Universo é dinamismo e labor. 
Os mundos giram incessantemente pelo espaço infinito, em grandiosas jornadas.
As estações do ano mantêm a Terra em processo de constante e viva metamorfose. 
As espécies animais e vegetais estão em contínuo aprimoramento. 
A organização e o progresso surgem das alterações incessantes. 
No âmbito dos seres irracionais, o aprimoramento ocorre de forma automática. 
Os imperativos da natureza fazem com que apenas os espécimes mais hábeis e adaptáveis vivam o bastante para assegurar sua reprodução. 
Desse modo, a melhor herança genética é transmitida aos futuros seres. 
Na faixa da Humanidade, o processo evolutivo é mais sofisticado. 
O homem não é guiado apenas pelo instinto de forma automática. 
Ele dispõe da razão para orientá-lo. 
E sua evolução não possui como aspecto primordial as alterações do organismo físico. 
Embora vinculado a um corpo, o homem possui de mais importante a sua natureza espiritual. 
Malgrado os corpos se sucedam ao longo das reencarnações, o Espírito que os anima mantém suas conquistas. 
As experiências na Terra visam ao burilamento intelecto-moral. 
As fadigas necessárias à manutenção da vida física têm por objeto viabilizar essa evolução. 
O homem possui muito forte o instinto de conservação da vida. 
Para preservá-la, ele se afadiga em inúmeras tarefas. 
Essas tarefas, desenvolvidas com a finalidade de obter bem-estar e segurança, fazem-no superar-se a cada dia. 
No ambiente profissional, a gentileza é imperativa. 
Ninguém pode se dar ao luxo de espantar clientes e maltratar colegas e superiores. 
Também é necessário ser pontual, vestir-se adequadamente, falar com correção. 
A concorrência torna necessário o contínuo aperfeiçoamento dos próprios talentos e habilidades. 
Vagarosamente a criatura desenvolve disciplina, tolerância, amor ao estudo e bons modos. 
Caso não necessitasse trabalhar a fim de manter-se, o homem permaneceria um bruto. 
Tudo se encadeia com perfeição nos planos divinos. 
A Humanidade é uma fase, após a qual vem a Angelitude. 
No concerto cósmico, não há favores ou privilégios. 
Cada qual é responsável por seu destino e pelos caminhos que trilha. 
Mas para sempre, e em qualquer condição, haverá trabalho para ser feito. 
Os próprios anjos laboram na manutenção da ordem cósmica.
Trabalhar não é um castigo, conforme o vagabundo o qualifica. 
Ócio e estagnação são sinais de doença e de morte. Valorize suas tarefas. 
Realize-as com amor, mesmo por entre dificuldades. 
Se você se sente bem apenas no final de semana, esforce-se por mudar esse modo doentio de perceber o mundo. 
O seu trabalho corresponde a uma genuína bênção em seu favor. 
Se ele lhe exige paciência, renúncias e esforços, não se rebele. 
São exatamente as suas áreas de dificuldade que estão sendo trabalhadas. 
Enquanto você não enfrentar e superar suas deficiências evolutivas, elas continuarão presentes em sua vida. 
Após vencê-las, você estará pronto para experiências mais sublimes. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.11.2007.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE REFORMA

Vivemos tempos tormentosos. 
Há guerras em várias partes do Mundo. 
Em nosso país, o cenário político e social é desolador. 
Entre denúncias de corrupção e de venalidade, resta pouca fé nos homens públicos. 
A impunidade instiga novos desmandos. 
O povo se mira nas figuras eminentes e acredita encontrar no comportamento dessas, justificativa para seus próprios equívocos. 
Levar vantagem parece um objetivo que se generaliza pelo corpo social, a tal ponto que a idéia do sucesso como resultado de um esforço continuado e metódico torna-se pouco sedutora. 
O famoso “jeitinho brasileiro” não mais significa criatividade, mas apenas esperteza e falta de caráter.
A História fornece inúmeros exemplos de civilizações que se corromperam e de como isso causou sofrimento aos seus integrantes. 
Em Roma, no período de transição entre a República e o Império, os costumes e os valores degeneraram. 
O filósofo e jurista Marco Túlio Cícero era profundamente angustiado com esse estado de coisas. 
Ele deixou inúmeros escritos que denotam sua preocupação com a corrupção que invadia a vida pública romana. 
Cícero se preocupava com medidas populistas freqüentemente adotadas pelos governantes. 
Tais medidas atendiam a caprichos da multidão, mas sem educá-la ou destiná-la a trabalho útil. 
Quem trabalhava era fortemente tributado, a fim de que largos benefícios fossem concedidos pelo Estado, sem qualquer critério razoável. 
Era, já naqueles tempos, a prática do assistencialismo, às custas dos contribuintes. 
Mas o que mais indignava Cícero era a corrupção e a troca de favores envolvendo o dinheiro público. 
Ao refletir sobre os valores fraternos, afirmou:
-“Estabeleçamos, pois, como lei primeira da amizade, não pedir nem conceder nada de vergonhoso. É uma desculpa indigna de ser admitida em qualquer pecado, e principalmente naqueles cometidos contra o Estado, confessar que se agiu por um amigo.” 
Bem se percebe a semelhança com a situação brasileira atual, pois ainda vivemos sob o regime do compadrio: o dinheiro público é rateado entre alguns, como se particular fosse.
Aproximadamente dois milênios nos separam da crise vivida pelo Mundo Romano, que provocou sua desarticulação.
Nesse período, a Humanidade evoluiu muito, sob os prismas intelectual e científico. 
Mas, embora alguns avanços, permanece titubeante, no que tange à moralidade. 
Na verdade, todos sofrem em razão da falta de ética. 
São inúmeros os prejuízos oriundos da torpeza generalizada.
Um deles é o aumento dos preços de produtos e serviços, causado pela inadimplência: os comerciantes computam em seus custos e, conseqüentemente, nos preços que praticam, um percentual destinado a fazer frente aos calotes que ordinariamente sofrem. 
Se todos tivessem o hábito de pagar regularmente as próprias contas, isso não ocorreria. 
Por outro lado, o desvio do dinheiro público dificulta a construção de creches, escolas e hospitais. 
Sem uma estrutura adequada de serviços básicos, a vida da população, especialmente de baixa renda, torna-se mais difícil. 
Como decorrência, cresce o número de desesperados e revoltados, a insegurança e a violência se alastram, em prejuízo de todos, ricos ou pobres. 
* * * 
O progresso intelectual é precioso, mas por si só não garante a paz. 
Se queremos viver em um mundo melhor, mais harmonioso, importa aprimoremos a moralidade. 
É imperioso um esforço em promover uma profunda reforma ética. 
Como toda mudança começa no indivíduo, para que a sociedade melhore, cada um deve esforçar-se em se aprimorar. 
Torna-se imperativa a adoção de novos hábitos: chega de levar vantagem, de fugir dos próprios deveres; basta de mentir, fraudar, sonegar e trair. 
O patrimônio público é sagrado e todos são responsáveis por ele. 
O dinheiro público não existe para ser apropriado por alguns, mas para atender demandas relevantes da coletividade. Impõe-se a severa fiscalização de sua utilização, como o cumprimento de um dever. 
Quando formarmos uma sociedade consciente e cumpridora de seus deveres, apenas por isso já desfrutaremos de grande tranqüilidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Diálogo sobre a Amizade, de Marco Túlio Cícero, ed. Cultura Moderna Sociedade. 
Em 02.01.2008.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

NOSSO SISTEMA AVANÇADO DE PROTEÇÃO

Você já ouviu falar em sistema avançado de proteção ao motorista? 
Os veículos mais modernos são equipados com uma tecnologia impressionante, que proporciona uma vigilância constante e minuciosa. 
Exemplos disso são o detector de fadiga e o assistente de frenagem. 
O monitor de fadiga atenta para pequenos sinais no motorista: o piscar mais lento, o olhar que se desvia, a cabeça que pende. 
Ele não interfere na direção.
Apenas observa e emite um alerta discreto quando percebe que o condutor se afasta do caminho natural. 
Essa presença discreta não toma o controle, respeitando a decisão e a vontade de quem dirige. 
Já o sistema anticolisão age no momento crítico, quando o risco está diante dos olhos e o tempo de reação humana não é suficiente. 
Nesse instante, a tecnologia intervém, evitando o choque sem substituir totalmente a vontade de quem dirige. 
Esses sistemas desempenham um papel de vigilância muito parecido com o dos nossos Espíritos protetores. 
Juntos, os dois sistemas compõem uma guarda em duas camadas: um que previne, alertando cedo, e outro que socorre, agindo no limite. 
A Doutrina Espírita revela que essa vigilância ininterrupta é feita por seres que nunca se cansam e perseveram ao nosso lado em toda circunstância. 
Como nos ensina Allan Kardec, todos temos ligado a nós, desde o nascimento, um Espírito bom que nos tomou sob a sua proteção. 
Ele desempenha a missão de um pai para com o filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso através das provas da vida. 
Esse companheiro desvelado nos acompanha desde o início, inspirando e guiando a nossa jornada. 
Como o detector de fadiga, o nosso anjo guardião age na primeira camada da prevenção, através do silencioso caminho da intuição. 
Ele sussurra avisos à consciência e nos inspira quando o cansaço da alma ameaça nos desviar do caminho. 
Porém, com respeito à nossa liberdade, ele jamais se impõe. Apenas alerta e inspira, deixando que a decisão seja nossa. 
E se acabamos tropeçando nas horas de tempestade? 
Se as nossas forças se esgotam e a queda parece inevitável?
É aí que entra a segunda camada de proteção.
Ele respeita nossas escolhas. 
Como bom professor, entende a importância das lições da queda, e nos atende de outra maneira. 
Atua no consolo, na recuperação, buscando facilitar o entendimento daquela prova para que extraiamos dela o melhor possível. 
É eles que nos diz ao pé da cama, em nossos sonhos: Fique tranquilo, você não está sozinho. 
Estou com você. 
Conversar com esse amigo pela prece é o melhor meio de acionar esse maravilhoso sistema de defesa da alma. 
 A oração atrai essa influência salutar que dissipa as angústias e recarrega as energias para o amanhã. 
Sós, realmente sós, nunca estaremos, pois estamos abraçados por esse guardião que Deus colocou ao nosso lado. 
Valorizemos essa companhia celeste, escutemos o nosso protetor e sigamos seu rumo com a certeza de que Deus nos cuida, assim como cuida de todos, como Pai de infinito amor pelos filhos a quem concedeu a vida. 
Redação do Momento Espírita com base na pt. 2, cap. IX, q. 489 a 521 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 20.10.2026