sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PESSOAS QUERIDAS

EMMANUEL e CHICO XAVIER
Uma das coisas mais desafiadoras da nossa jornada é conviver em harmonia com aqueles a quem amamos. 
Por vezes, esquecemos que a pessoa querida é um mundo inteiro à parte, trazendo sentimentos e formas de pensar que podem ser muito diferentes dos nossos. 
Certamente, já nos pegamos querendo que este ou aquele familiar pense exatamente como nós. 
Ou que entenda aquilo que estamos explicando da mesma forma que faz sentido para nós. 
Nossa, para mim isso é tão claro! 
Não é possível que fulano não veja assim, ou não esteja enxergando isso! 
Pois é muito possível que assim seja. 
Imaginemos que a lente de enxergar de cada um foi elaborada por um cristal distinto. 
Em seus componentes, temos milênios de experiências passadas, décadas de cultura e educação, além de uma boa dose de distorções e manchas. 
Não há uma pessoa igual a outra. 
Por sermos distintos, vemos as coisas de forma distinta.
Portanto, é fundamental entender a situação de cada um.
Naturalmente, devemos incentivar os familiares a darem o seu melhor, servindo-nos do diálogo construtivo para sugerir mudanças e melhorias. 
O amor age assim. 
Mas, se os nossos conselhos não forem seguidos, em especial por aqueles que alcançaram a fase adulta, não devemos tentar prendê-los aos nossos pontos de vista. Isso seria uma forma de violência. 
É comum, como pais, irmãos ou amigos, planejarmos a felicidade perfeita no casamento ou grandes títulos acadêmicos para os nossos jovens. 
No entanto, pode ser que eles tenham vindo à Terra justamente para enfrentar tarefas árduas ou relacionamentos desafiadores, que fazem parte da sua evolução. 
Tentar desviá-los desse caminho seria desrespeitar aquilo que eles vieram desenvolver. 
E se aquelas almas que tanto amamos acabarem tropeçando e caindo no erro? 
Não condenemos e não reprovemos. 
Deixemos que elas façam as suas escolhas.
Afinal, nós também não suportaríamos que alguém impusesse regras sobre o nosso modo de viver. 
Mantenhamos a serenidade diante dos caminhos que o próximo decidir trilhar. 
Vivamos a nossa vida com consciência e permitamos aos demais a liberdade de viver a existência que o Criador lhes concedeu. 
* * * 
Um dos maiores desafios da atualidade é o conflito de gerações. 
Na verdade, isso sempre houve, pois uma nova geração normalmente apresenta mudanças significativas em relação à que lhe precedeu. 
A tendência dos mais antigos na encarnação será achar que o seu modo, a sua época, os seus costumes, eram melhores. 
E os novos, são absurdos. 
Pensemos bem antes de chegar a essa conclusão com tanta rapidez. 
O que, nesse julgamento, é da nossa lente, do nosso apego afetivo com nosso tempo e o quanto é avaliação de valores verdadeiros, aqueles que não têm tempo nem idade? 
Sejamos os defensores dos bons costumes. 
Daqueles que remetem à prática do amor ao próximo e à construção do ser espiritual, porém, não nos fechemos às novas ideias, aos novos pontos de vista. 
Há muito ainda a construir em nós. 
Todas as gerações têm o que aprender umas com as outras.
Respeitemos isso. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10, do livro Calma, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 13.08.2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

NÃO SOMOS NOSSOS PROBLEMAS

Conta-se que Victor Hugo, o admirável escritor francês, quando no exílio, tinha por hábito, ao cair da tarde, chegar a uma parte em que havia uma colina próxima ao mar, e ali sentava-se, mergulhando em reflexões demoradas. 
Enquanto o grande gênio da língua neolatina meditava, crianças brincavam à sua volta. 
Depois de haver reflexionado suficientemente, o gigante da pena erguia-se, dobrava-se, tomava de uma pedra e a atirava ao mar. 
Tornara-se-lhe tão habitual este movimento que já o fazia por automatismo. 
Certo dia, porém, uma das crianças, vendo o grande escritor repetir o gesto de atirar ao mar uma pedra, perguntou, com o olhar traquinas e o sorriso infantil: 
-Senhor Hugo, por que o senhor, depois de meditar tanto, toma de uma pedra e a joga no mar?
E o admirável exilado respondeu, com um toque de melancolia: 
-É que tenho muitos problemas e resolvi, diariamente, por meditar em um problema. Após equacioná-lo, atirá-lo ao mar do esquecimento. 
* * * 
DIVALDO P.FRANCO(+)
Não permitamos que os problemas tomem conta de nossa vida e exauram todas as nossas energias. 
É necessária a compreensão de que estamos no problema, mas não somos o problema. 
Somos a solução para ele. 
Quando analisarmos cada um deles, devemos pensar: 
Aqui está o meu problema. 
Fora de mim. 
Não somos este momento de aflição.
Apenas transitamos por ele temporariamente. 
Encaremos cada problema como um desafio, algo que veio para fazer-nos crescer, amadurecer. 
E não para nos destruir. 
Isso permitirá que a vida o solucione com tranquilidade, sem desgastar-nos em demasia. 
Contemos com ajuda externa. 
Não acreditemos que tenhamos que resolver tudo sempre sozinhos. 
Há tanta gente disposta a nos ajudar, no mundo material, e no mundo invisível, onde encontramos os amores do ontem e os protetores de nossa reencarnação. 
Então, após resolver cada problema, atiremo-lo ao mar do esquecimento, não permitindo que ele permaneça em nossa casa mental. 
Renovemo-nos diariamente, não permitindo que resquícios de crises e dores amarguem a alma, e se transformem em prisão indesejada. 
Não nos assustemos com a palavra problema. 
Se ela nos parecer assustadora, troquemo-la por outra, como desafio ou obstáculo. 
Obstáculos existem para serem observados, compreendidos e transpostos. 
Saímos mais fortes de cada um deles, se desejarmos, em vez de mais fracos e abalados. 
Libertemo-nos desse negativismo que, por vezes, estraga nosso dia, quando a lente do pessimismo nubla nossa vista imperceptivelmente. 
Libertemo-nos do cinza, do escuro dos pensamentos que tanto nos aborrecem a alma. 
Nascemos para ser livres, então, libertemo-nos. 
Não somos nossos problemas. 
Apenas transitamos por eles temporariamente. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita com base na faixa 1, do CD Visualizações terapêuticas, de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 05.02.2025

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O RELÓGIO, O SMARTPHONE E A CAUSA PRIMÁRIA

Muitas vezes, olhamos para o céu estrelado ou para a beleza de uma flor e nos perguntamos onde estará Deus. 
Da mesma forma que não vemos forças que sabemos que existem, como a gravidade e o magnetismo, não podemos vê-lO com os nossos olhos físicos, por ser muito limitada nossa visão. 
Nossas imperfeições funcionam como um nevoeiro, que nos obscurecem a visão e nos impedem de contemplá-lO em toda Sua grandeza. 
No entanto, a existência desse Pai amantíssimo pode ser provada através de um princípio lógico e incontestável: não há efeito sem causa. 
Todo efeito inteligente precisa decorrer de uma causa inteligente. 
Se encontramos um relógio com seu mecanismo engenhoso, sabemos que ele foi feito por alguém, e não pelo acaso. 
Ou um smartphone, com todos os seus aplicativos, tela sensível ao toque e microchips complexos. 
Sabemos que ele foi projetado por designers, engenheiros e montado com precisão. 
Jamais pensaríamos na possibilidade de ser resultado de um acaso da natureza.
Da mesma maneira, a ordem, a sabedoria e a harmonia que governam as obras da natureza ultrapassam de longe a mais portentosa inteligência humana. 
O corpo humano é uma obra muito mais complexa que qualquer supercomputador que alguém construiu ou sonhou em construir. 
É assim que, utilizando esse princípio lógico, chegamos à causa primordial de tudo aquilo que sabemos não ter sido feito pelo homem. 
Essa causa primária de todas as coisas, que dirige as forças do mundo com uma Inteligência Superior, é que chamamos Deus. 
Ele é a Inteligência Suprema. 
Único, Eterno e Imutável, garantindo a estabilidade de todas as leis que regem o universo. 
Diante de tanta grandeza, talvez nos perguntemos: 
-Como Deus tão imenso pode se ocupar dos nossos pequenos problemas e dos nossos pensamentos diários? 
É que a natureza inteira se encontra mergulhada em Seu fluido divino. 
Como esse fluido está presente em toda parte, tudo acaba ficando submetido à ação inteligente, à providência e ao cuidado de Deus.
Isso significa que nunca estamos sós, pois todos somos mantidos em relação constante com o nosso Criador. 
Se mergulharmos em nossa essência, se analisarmos o nosso íntimo, encontraremos um sentimento poderoso identificando a presença de Deus em nós. 
Todos trazemos esse sentimento inato. 
Alguns aprendemos a negá-lO ou mesmo a bloquear qualquer contato com Ele. 
Apesar disso, Ele está ali. 
O sentimento de uma força superior, de um Criador, sempre esteve em todos nós. 
Basta observar os povos mais primitivos. 
Por que será? 
Porque é da natureza do Espírito buscar sua essência. 
Assim, sejamos humildes e assumamos que não conhecemos todas as coisas. 
Se nos faltam respostas ou a capacidade de entender certos fenômenos, aguardemos com calma e disposição. 
Alguns de nós não sabemos nem como funciona o mecanismo de um relógio analógico ou um smartphone. 
Então, para compreendermos tudo sobre Deus, falta um bocado, não é mesmo? 
Redação do Momento Espírita 
Em 10.08.2026

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A INFELICIDADE DA VINGANÇA

Ele pertencia à nobreza e sua mais ardente obsessão era a continuidade de sua linhagem. 
Desejava, acima de tudo, um herdeiro que ostentasse com orgulho o brasão da família. 
No entanto, o destino lhe trouxe um filho que carregava uma gagueira acentuada. 
O orgulho paterno, ferido em sua vaidade, transformou-se em profunda rejeição. 
Cada encontro entre os dois era marcado por humilhações e gritos, o que apenas agravava a dificuldade do pequeno. 
Com a morte precoce da mãe, a criança foi isolada em uma propriedade distante, abandonada aos cuidados de criados.
Foi ali que encontrou uma alma generosa, que tomou para si a sua educação. 
Desejando desesperadamente conquistar o amor do pai, o garoto dominou a gagueira, se esmerou nos estudos, na equitação, nas artes. 
Mas, nas raras vezes em que o pai comparecia àquela propriedade, e ele demonstrava o que já conquistara, continuava a receber somente desprezo. 
Essa atitude fez brotar, em seu íntimo, as raízes amargas da revolta. 
No leito de morte do pai, olhando para aquele homem que sempre o desprezara, o jovem pronunciou um juramento terrível: jamais geraria um filho. 
A linhagem que o pai tanto prezava morreria com ele. 
Aquela seria a sua vingança. 
Os anos caminharam. 
O rapaz tornou-se homem respeitado e convidado para os mais nobres salões. 
Festas, banquetes e honrarias faziam parte de sua rotina. 
Mas as portas do seu imenso castelo guardavam apenas o silêncio e a solidão, quebrada unicamente pela companhia dos livros. 
Generoso com os servos e aldeões, ele se negava o direito de constituir um lar e de sentir o calor de uma família. 
A vingança, que ele julgava ser contra o pai, se tornara um cárcere para si mesmo. 
Então, a Providência Divina colocou uma moça em seu caminho. 
Ela não era apenas bela por fora. 
Exalava a beleza do Espírito. 
Ao ouvir-lhe as confidências do amargo juramento ao pai, ela lhe falou das glórias de construir um lar, dos efeitos benditos do perdão. 
E o questionou, em ocasião propícia: 
De que lhe valia alimentar esse ódio? 
Quem, afinal, estava sendo destruído por essa escolha senão ele mesmo? 
Ela o conduziu pelas alamedas do afeto. 
Falou-lhe do perdão que rompe os grilhões da amargura e fê-lo ouvir a canção do amor, que cobre a multidão dos equívocos. 
Aos poucos, a doce melodia desfez a rigidez daquele coração. Ele foi se transformando, permitindo-se observar o valor da família e as alegrias da paternidade responsável. 
***
Quando nos prendemos à dor do passado, permitimos que quem nos feriu continue governando nossas emoções. 
A vingança é sempre um caminho destrutivo que impede o crescimento e seca a alma. 
O perdão, por outro lado, é um ato de profunda libertação. 
É a cura, a paz interior e o recomeço.
Perdoar não é esquecer o erro alheio, mas esvaziar o peito da dor para que a felicidade possa, finalmente, entrar. 
Escolher perdoar é o maior presente que damos a nós mesmos, libertando-nos de mágoas e dores acumuladas.
Pensemos nisso. 
Permitamo-nos ser felizes. 
Redação do Momento Espírita 
Em 11.08.2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

NÃO SOMOS DIGNOS

Maria Helena Marcon
Em Cafarnaum havia um centurião, ou seja, o chefe de uma companhia de cem homens. 
Historiadores sugerem que seu nome seria Marcus Lucius. 
Ele se alistara nas poderosas legiões romanas e fizera carreira. 
Correto, disciplinado, estava habituado a ser saudado pelos soldados, quando passava com suas insígnias romanas. 
Ele representava o poder do Imperador Tibério César. 
Quando seu escravo adoeceu, ele se preocupou e providenciou tudo o que havia à disposição: ervas, filtros medicamentosos, médicos. 
Mas o escravo não melhorava. 
Uma noite, Marcus se lembrou de que ouvira falar de um Rabi que realizava curas extraordinárias. 
Então, ele enviou uma embaixada de judeus para que rogassem a Jesus lhe curasse o servo. 
No entanto, em vez de simplesmente pedir a cura, eles rogaram que o Mestre fosse à casa do oficial romano. Jesus se pôs a caminho. 
Os emissários foram à frente, para dar a notícia ao centurião.
Assim que ele soube da vinda do Homem de Nazaré, se sensibilizou e se apressou a ir ao encontro dEle, dizendo-lhe:
-Senhor, não te incomodes, porque não sou digno que entres sob o meu teto. Mandei emissários ao Teu encontro, porque também não me julgava digno de ir ter Contigo. Não é preciso que estejas na presença do enfermo. Tu és o Senhor das leis orgânicas que regem o corpo humano. Basta que dês uma ordem e a moléstia abandonará o corpo do meu escravo.
* * * 
Nessa narrativa, desejamos nos deter nas palavras iniciais do centurião: 
-Não sou digno que entres sob o meu teto. 
Quantas vezes nos sentimos assim? 
Dispomo-nos à oração, num convite ostensivo a que Jesus venha estar conosco e nos sentimos indignos. 
Indignos de pronunciar as palavras, indignos da presença radiosa do Mestre. 
Somos cristãos, mas ainda há pouco tornamos a nos impacientar por coisa nenhuma. 
E elevamos a voz, ao chamar a atenção de alguém que realizou uma tarefa, de forma diversa da que pedimos. 
Ainda há pouco, nos irritamos no trânsito e dissemos, intimamente ao nosso irmão que seguisse... 
Naturalmente, não com as bênçãos celestes. 
Foi hoje que pronunciamos palavras menos dignas; que desejamos, mesmo que por breves segundos, que nosso opositor não fosse tão feliz em suas empreitadas. 
Raiva, inveja, desânimo. 
Tudo isso vivenciamos nas poucas horas deste dia. 
Como então, desejar que adentres, Senhor, a nossa casa mental, nosso coração? 
Como o centurião, não nos acreditamos dignos. 
No entanto, apiada-te de nós. 
Perdoa-nos mais uma vez. 
Aceita a nossa oração, o nosso propósito de nos ajustarmos, de melhorarmos. 
Desejamos ser bons. 
Contudo, somos ainda tão frágeis, que tornamos a errar no momento seguinte. 
Fortalece a nossa vontade, cura a nossa alma de tantas mazelas, como curaste a enfermidade daquele escravo.
Abençoa nossa vida com Tua presença e perfuma nosso lar com Teu amor. 
Vem, Jesus. 
Temos muitas saudades da Tua presença em nossas vidas.
Sê conosco, hoje e sempre, para que venhamos a nos tornar um dia os Teus autênticos seguidores. 
Vem, Jesus. 
 Redação do Momento Espírita, com dados históricos colhidos no cap. O poder e a fé, do livro Personagens da Boa Nova, de Maria Helena Marcon, ed. FEP. 
Em 22.08.2020.

domingo, 9 de agosto de 2026

NÃO SEPULTAMOS O ESPÍRITO

Alguns dias após a tragédia ocorrida em Nova Iorque, em 11de setembro de 2001, que abalou o mundo inteiro e, de forma especial, os norteamericanos, o número de mortos já somava milhares. 
As pessoas, inconformadas pela separação brusca dos entes queridos que foram arrebatados do corpo de forma violenta, eram tomadas pelo desespero. 
Após uma cerimônia simples, dezenas de bombeiros foram sepultados. 
Aqueles homens morreram no cumprimento do dever.
Morreram tentando apagar as labaredas que devoravam os dois edifícios e também socorrendo os feridos mais graves.
Agora eles também se despediam do palco terreno, encerrando definitivamente o expediente no corpo físico. 
O capelão do Corpo de Bombeiros proferia algumas palavras de consolo aos familiares dos falecidos. 
De forma serena, expressava profunda fé na vida eterna. 
Dizia ele aos seus ouvintes: 
-Logo mais estes corpos serão enterrados... Nós vamos enterrar os corpos, mas não sepultaremos os Espíritos, pois o Espírito continua vivo, após a morte. Vamos enterrar as mãos, mas não sepultaremos suas obras. Vamos enterrar os pés, mas não sepultaremos seus passos. Vamos enterrar as bocas, mas não sepultaremos as palavras que foram ditas. Vamos enterrar os cérebros, mas suas ideias não podem ser sepultadas. Vamos enterrar os corações, mas seus sentimentos ninguém conseguirá sepultar. Assim sendo, este não é um momento de dizer um adeus definitivo, mas de dizer “até breve”, pois iremos encontrá-los na outra vida. 
* * * 
O capelão, como todo cristão, sabe que não se pode sepultar o Espírito, pois o Espírito é imortal. 
Todo cristão sabe que só corpos podem ser destruídos, porque o Espírito é indestrutível. 
Todo cristão tem certeza de que a vida não acaba com a morte, pois é eterna, conforme ensinou e demonstrou o Mestre de Nazaré. 
VITOR HUGO
Vitor Hugo, poeta e romancista francês que viveu no século passado, falou da Imortalidade da alma dizendo: 
-De cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez mais brilhantes. Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo que não sou. Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos: “Meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou. Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.” 
O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem.
Fecha-se ao crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente. 
As palavras do capelão e o depoimento de Victor Hugo demonstram que a Imortalidade e a individualidade da alma, bem como sua consequente evolução infinita, é uma necessidade lógica para todos aqueles que acreditam num Deus sábio e justo. 
* * * 
É natural que se lamente o sofrimento daqueles familiares que choram a morte dos seus e que rogue a Deus para que os fortaleça nessa hora amarga. 
Todavia, pensemos um pouco naqueles que promovem o terrorismo e com ele tanta desgraça. 
Lembremos que esses são merecedores da nossa mais profunda compaixão, pois são loucos que não sabem o que fazem. 
Aqueles que perderam o corpo no desastre resgataram algum débito pendente com as Leis Divinas e se libertaram, mas os terroristas estão se endividando desastrosamente. 
Quem, nesse caso, é mais necessitado de preces? 
Pense nisso, e não se esqueça de rogar a Deus por eles também! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 01.02.2013.

sábado, 8 de agosto de 2026

NÃO SEJAMOS DE VIDRO

O melindre costuma causar estragos nas relações humanas.
Por excesso de sensibilidade, amizades são rompidas e grupos se desfazem. 
Existem pessoas que se ofendem com muita facilidade.
Identificam intenções ofensivas nas coisas mais corriqueiras.
Uma simples brincadeira ou uma palavra mal escolhida podem fazê-las se sentirem gravemente ofendidas. 
Criaturas assim ficam sempre atentas aos atos e dizeres dos outros.
Se encontram qualquer coisa, remotamente parecida com uma crítica, se melindram. 
Esse modo específico de sentir revela uma grande vaidade.
Essas pessoas se imaginam o centro das atenções aonde quer que se encontrem. 
Justamente por isso, acreditam que tudo o que é feito ou dito à sua volta se refere a elas. 
Porém, a realidade é que investimos muito pouco tempo nos preocupando com os demais. 
Cada um de nós tem sua vida e seus problemas. 
Portanto, a não ser que a pessoa seja uma sumidade em determinada área, um artista, desportista, ou figura social de destaque, provavelmente, os que a rodeiam não se preocupam, particularmente, com seus atos. 
Fora do nosso grupo familiar, raramente alguém se detém a esmiuçar nosso proceder. 
E quando o faz, é por breve tempo. 
Então, não nos imaginemos o centro do mundo. 
Os outros não falam ou agem com o firme propósito de nos agredir, de nos ofender. 
Eles nem pensam muito em nós. 
Não sejamos de vidro no trato com os semelhantes. 
Não vejamos ofensas onde elas não existem. 
Preocupemo-nos, sim, com a essência das coisas. 
O corre-corre do mundo moderno nem sempre permite que tudo seja dito ou feito com a suavidade desejável.
Certamente, nós também, inúmeras vezes, proferimos palavras sem desejar que firam a quem quer que seja. 
Mas acontece. 
Muitos de nossos atos e palavras podem ser mal interpretados.
Ocorre que quem procura razão para se sentir ofendido certamente encontrará. 
Trata-se, principalmente, de um estado de espírito.
Conscientizemo-nos dessa realidade. 
Não nos imaginemos mais importantes do que somos.
Vivamos com leveza. 
Se alguém criticar algo que tenhamos feito, não nos ofendamos. 
Não tornemos tudo pessoal. 
A crítica nem sempre é destrutiva. 
Aceitemos que, às vezes, erramos. 
As observações dos amigos podem nos auxiliar a sermos melhores. 
Procuremos tolerar sem melindre, mesmo alguma observação maliciosa a nosso respeito. 
Em um ambiente descontraído, com frequência, alguém é motivo de piadas. 
Trata-se de uma dinâmica especial de certos locais. 
E a intenção raramente é ofender. 
Tanto é assim que se altera constantemente o alvo da troça.
É necessário que os participantes de um grupo ou meio social tenham certa liberdade uns com os outros. 
Evidentemente, sem ultrapassar limites. 
Sem uma certa dose de sinceridade e espontaneidade, resta somente a formalidade e a hipocrisia. 
Em um clima hipócrita, nada de real se cria e ninguém se sente seguro e à vontade. 
Assim, sejamos leves em nosso viver. 
Não nos ofendamos a todo instante, por tudo e por nada. 
Isso apenas nos isolará dos demais, sem qualquer resultado útil. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 15.09.2022.