segunda-feira, 27 de abril de 2026

CONSTRUINDO UM MUNDO MELHOR

Vivemos um tempo em que muitos corações estão cansados.
Notícias tristes, relações frágeis, pressões diárias. 
Às vezes, perguntamos em silêncio: 
-O mundo ainda tem jeito? 
Estamos em transição para uma nova fase da Terra. 
Violência, indiferença, ingratidão, abandono, vingança ainda existem. 
Mas não encontram tanto espaço nos corações despertos. 
O planeta progride, porque a Humanidade progride. 
E cada consciência convertida ao bem empurra a História para a frente.
Não se turbe o vosso coração foi a mensagem do Doce Galileu. 
Essas palavras acendem uma luz suave em meio à inquietação. 
Elas nos lembram que nada está parado: a vida segue em direção ao progresso, e nós seguimos com ela. 
Nosso planeta é uma escola, um mundo de provas e expiações, onde nos compete aprender a domar o orgulho, vencer o egoísmo e semear o que deverá florescer em paz.
Nenhum de nós está fadado a sofrimentos por castigo ou punição divina. 
Padecemos pelas nossas escolhas equivocadas, pelas ações indevidas que praticamos, pelo bem que deixamos de realizar, pelas mágoas que alimentamos ou pelos vícios que abraçamos. 
Porém, esses desafios são ferramentas de crescimento, oportunidades de burilamento. 
Os flagelos, as dificuldades e os desencontros não são interrupções, apenas parte do caminho. 
Trazem lições, acordam consciências, fortalecem a fé. 
Cada lágrima pode nos ensinar, cada erro pode nos reconstruir. 
E, se desejamos um mundo melhor, é preciso começar pelo único território que realmente controlamos: nós mesmos.
Jesus resumiu tudo em um único verbo: amar! 
Amar a Deus, ao próximo e a si mesmo. 
Esse tripé é a base de toda evolução. 
Não há mundo renovado sem pessoas renovadas. 
O futuro se constrói com escolhas. 
Não podemos culpar o mundo, o governo, o acaso ou o destino. 
A transformação não começa na sociedade.
Começa em cada um de nós. 
Quando adotamos atitudes de compreensão e entendimento, ampliamos a harmonia ao nosso redor.
Quando nos dispomos a perdoar, liberamos o outro e a nós mesmos. 
Quando nos empenhamos na realização do bem possível, por menor que possa ser, colaboramos para tornar o planeta mais leve. 
O mundo melhora quando optamos pela corajosa disposição de sermos melhores. 
Podemos colaborar com ações que parecem não ter importância, mas que alteram as paisagens mentais do mundo: olhar com mais compreensão e menos crítica, ter reações menos impulsivas, julgar menos e ter mais compaixão. 
É possível que, por vezes, nos vejamos apenas quebrando pedras num enfrentamento de problemas que parecem insolúveis, que nos encontremos repetindo rotinas, atravessando dias difíceis. 
Pensemos de forma positiva. 
A rocha que reduzimos hoje a pequenos pedaços não mais se constituirá como empecilho no amanhã.
Mergulhemos nesse propósito grandioso de colaborar para a construção do amanhã feliz. 
Do mundo de bênçãos, de menos solidão e mais solidariedade, de menos tempestades e mais ventos brandos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita
Em 27.04.2026

domingo, 26 de abril de 2026

MÚSICA CELESTE

Por um momento, imagine a grandeza do Cosmo. 
Estimam os cientistas que, há quase quatorze bilhões de anos, houve uma explosão de luz e nasceu o nosso Universo.
A ciência chama a isso de Big Bang. 
Para os espiritualistas, ali está a presença de Deus, criando todas as coisas, pronunciando as doces palavras: 
-Que se faça a luz! 
E a luz se fez: bilhões e bilhões de sóis passeiam, solenes, na sinfonia dos mundos. 
Em torno desses sóis, trilhões de planetas, satélites e asteroides executam a dança silenciosa das harmonias celestes. 
Giram planetas sobre si mesmos. 
Giram em torno de sóis. 
Giram os sóis e seu cortejo acompanhando o caminhar das galáxias. 
Ritmo e graça em toda parte. 
Aqui e ali, um cometa – asteroide obscuro – se aproxima de uma estrela. 
E de repente é invadido pela luz. 
Eis que se acende inteiro, como um fósforo cósmico. 
Então se vai, arrastando sua cauda de poeira e gás, a semear a vida pelos mundos. 
Mas, em um desses trilhões de planetas, sob a luz amarela de um sol, os moradores de um certo planeta - a Terra - se orgulham de ser maiores que os demais. 
Vista do espaço, a Terra é um pequeno grão de areia, lindo, que passeia seu azul pelo espaço infinito. 
Mas seus habitantes são como crianças: brigando sempre, acreditando-se senhores da vida, donos dos céus. 
Ah, se pudéssemos nos ver no conjunto do Universo, minúscula gota no grande oceano da Criação!
Certamente seríamos mais humildes. 
Não daríamos tanta importância aos pequenos problemas do dia a dia. Talvez fosse mais fácil perdoar, esquecer, apagar as mágoas. 
Se víssemos nosso mundo como translúcida bolha de sabão que flutua em meio ao pontilhado das estrelas, quem sabe aprenderíamos a reverenciar mais a obra Divina.
* * * 
Estenda os seus olhos para o espaço. 
Nas luzes azuis que piscam a milhares de anos-luz, veja a assinatura do grande Criador de todas as coisas. 
Deus, nome Divino que enche de luz e de música as nossas existências pálidas. 
Deus, quanta grandeza em Ti, sublime Pai de todas as coisas.
Deus, ao Teu sopro de vida, nascemos como Espíritos.
Cumprindo Tuas leis, mergulhamos no corpo tantas vezes e construímos uma trajetória em que as experiências se somam e nos enriquecem de sabedoria. 
Senhor, eis-nos aqui. 
Somos Tuas crianças, que dirigem para ti olhos confiantes.
Se ainda somos tolos, se ainda somos frágeis, ensina-nos a ser fortes e sábios. 
Inspira-nos ainda uma vez a lição da fraternidade universal.
Para que o amor faça morada em nós.
Para que a paz se asile em nossa casa mental. 
Para que sejamos dignos de ser chamados filhos Teus. 
* * * 
Os mundos são estâncias do reino de Deus, esperando por nós, viandantes em marcha para a perfeição. 
Como os países, cidades e aldeias de um mesmo continente, os mundos dos espaços siderais são variadas escolas de progresso tecnológico, intelectual e moral. 
Moradas da Casa do Pai no imenso 
Universo que ainda nos cabe descobrir, explorar, admirar.
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7 e no CD Momento Espírita, v. 28, ed. FEP. 
Em 09.09.2015.

sábado, 25 de abril de 2026

O IMPULSO E O AUTOCONTROLE

No coração das montanhas do país de Gales, vivia o príncipe Aaron, um guerreiro respeitado, dono de vastas terras e de um tesouro verdadeiramente insubstituível: seu fiel cão de caça, Gélert. 
Gélert era conhecido por todos: grande, forte, atento a cada passo do dono. 
Mais do que um animal, era guarda, companheiro de batalhas e sombra inseparável do príncipe. 
Nada passava despercebido àquele cão de olhos vivos e faro aguçado. 
Certa manhã, Aaron partiu para a caça, deixando no castelo aquilo que tinha de mais precioso: seu filho pequeno. 
Ao lado do berço, como sentinela silenciosa, ficou Gélert, encarregado de proteger a criança. 
Horas mais tarde, quando o príncipe voltou, uma estranha quietude pairava no ar.
Ao entrar no quarto, encontrou o berço virado, o chão manchado de sangue. 
Gélert, ofegante, veio em sua direção, com o focinho e as patas manchadas de vermelho. 
O mundo de Aaron desabou num instante. 
Sem pensar, tomado pelo horror e pela certeza de que o cão havia atacado o próprio filho, ele desembainhou a espada.
Com um golpe, pôs fim à vida de Gélert, que caiu aos seus pés com um olhar de confusa lealdade. 
Aaron caiu no chão em lágrimas, sem entender a razão de toda aquela desgraça. 
Foi então que um som cortou o silêncio: o choro fraco de um bebê. 
Atrás do berço tombado, o príncipe encontrou o filho vivo, ileso, apenas assustado. 
Ao lado da criança, estendido no chão, jazia o corpo de um grande lobo, morto a dentadas. 
A verdade o atingiu como uma lâmina: Gélert não era o monstro, mas o herói. 
O sangue não era do menino, mas do inimigo que o cão havia enfrentado e vencido para salvar a criança. 
Consumido pelo remorso, Aaron tomou o corpo de Gélert nos braços e ordenou que fosse enterrado com honra, sob uma pedra marcada para sempre. 
Dizem que, a partir daquele dia, o príncipe nunca mais voltou a sorrir. 
Até hoje, conta-se, naquelas terras, a lenda do túmulo de Gélert, que ecoa como um aviso: algumas decisões tomadas por impulso não têm volta. 
***
Quantas vezes agimos por impulso e nos arrependemos segundos depois! 
Dominados por emoções que eclodem, que nos invadem e tomam conta de tudo, acabamos perdendo o controle, como se diz popularmente. 
-Eu me descontrolei! Não sei o que houve! 
É assim que falamos sobre o que não deveríamos ter falado ou feito e que nos trará consequências difíceis no futuro próximo ou distante. 
-Foi mais forte que eu! - Dizemos. 
É por isso que estamos nos educando diariamente. 
É por isso que o Mestre Jesus nos deixou exemplos tão claros. 
É por isso que a disciplina de pensamentos e o trabalho diário de autoconhecimento são tão importantes. 
Para que, quando cheguem momentos desconcertantes – e eles chegarão –, cada um de nós seja capaz de dominar as emoções, de pensar, de analisar as consequências desse ou daquele ato, e tomemos a melhor decisão. 
Esperemos um pouco antes de agir. 
Esperemos um pouco antes de falar. 
Autocontrole se treina, se educa diariamente. 
É uma faculdade magnífica quando conquistada. 
Redação do Momento Espírita
Em 25.04.2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O MUNDO TEM SEDE DE AMOR


Quando se despedem da Terra pessoas que simbolizam o amor ao próximo e o Mundo inteiro verte as lágrimas quentes dos adeuses é hora de nos determos um pouco para ouvir os apelos da Humanidade. 
Não importa a classe social, a condição financeira, a raça, a religião, a nacionalidade, todos, unidos pelo sofrimento, param para prestar uma última homenagem. 
Os olhares se encontram, rompem-se as barreiras do preconceito, e um grito surdo explode, em comovente apelo silencioso, clamando por paz, por justiça, fraternidade, solidariedade, amor! 
Diante do esquife frio, sente-se que as esperanças se apagarão, assim como as flores que o recobrem estarão murchas dentro de poucas horas. 
Parece que tudo não passou de ilusão, que todos os sorrisos, os abraços, a alegria de viver, encontraram o fim no túmulo sombrio. 
Todavia, quando a morte cobre com seu manto escuro os olhos físicos, a imortalidade se abre no mais além, gloriosa, descortinando outros panoramas para novas realizações. 
A vida segue estuante e bela.
A esperança não cessa com o fim de uma existência. 
O Espírito sai do corpo, sem sair da vida, e se é bom, vai se juntar aos demais lidadores da caridade no hemisfério espiritual, dando seguimento às suas atividades. 
Aqueles que na Terra sentiram os afagos desse amor, e que já se encontram no plano espiritual, os recebem jubilosos, felizes por tê-los junto outra vez. 
As almas caridosas não deixam de o ser porque se libertam do corpo físico, pois a caridade é atributo do Espírito imortal, e não do corpo. 
Eles deixam a existência terrena mas não abandonam a boa luta. 
E para que suas existências tenham valido a pena, é importante que saibamos entender as lições vivas exemplificadas em cada palavra, em cada sorriso, em cada gesto de ternura. 
É importante que saibamos ler, no livro da vida, cada página grafada com carinho, fé, disposição e coragem. 
Se a pessoa mostra ao Mundo, com humildade, o verdadeiro amor ao próximo, ninguém lhe pergunta qual é sua bandeira religiosa, sua nacionalidade, sua cor, sua raça. 
Tão somente é respeitada, porque o Mundo tem sede de amor. 
Tantos foram os homens e mulheres que marcaram as estradas terrestres com suas pegadas de luz e seguem no além a ajudar tantos quantos necessitem de seu amor.
Os verdadeiros sábios sempre se preocuparam em deixar uma equipe treinada para levar avante a bandeira da fraternidade que eles ostentavam enquanto encarnados sobre a Terra. 
Assim, ao contrário do que pensam alguns, a esperança não vai sepultada com os corpos, mas vive com os que sabem entender a mensagem e levá-la adiante. 
* * * 
Cada Espírito assumiu uma missão individual antes de renascer, visando a própria redenção e, por conseguinte a evolução da Humanidade. 
Uns nascem apenas para romper com os preconceitos raciais do seu povo. 
Outros, sem medo de curvar-se ante a miséria alheia, rompem os protocolos e as convenções sociais, mostrando ao Mundo que vale a pena lutar por dias melhores. 
Tantos nascem tão-somente para exemplificar o amor ao próximo. 
Alguns ficam famosos, mas grande é o número daqueles que vêm e vão no mais absoluto anonimato, deixando apenas o rastro de luz por onde passam. 
Nesse contexto, não podemos esquecer do exemplo máximo de abnegação que foi Jesus de Nazaré. 
Ele foi o primeiro mensageiro do amor encarnado sobre a Terra sofrida. 
Depois Dele, a Humanidade jamais foi a mesma. 
E Ele, que jamais nos abandona, constantemente envia Seus anjos para manter acesa a chama da esperança em nossos corações. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.02.2008.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

UM MUNDO SÓ

Léon Denis
Irmãos de jornada na Terra: Desde o início dos tempos estivemos ao seu lado. 
Somos a brisa discreta que se mostra presente, fazendo dançar as folhas verdes na árvore que lhes dá sombra. Somos a nuvem que se dissipa ou se aglomera no alto, prevendo tempo aberto ou momento de lutas. 
Somos a coincidência do encontro e do desencontro, quando desejamos, de alguma forma, que nos ouçam com clareza. 
Somos a lembrança fora de hora. Somos a intuição repentina. Somos a canção de conforto que ecoa na alma, sem aparente razão. 
Somos as ideias que se somam às suas. Somos as letras das suas músicas. 
Somos as músicas das suas letras. 
Enfim, somos um mundo só. 
Sim... 
Nossos mundos sempre foram apenas um. 
Foram vocês que aprenderam a se referir a nós como seres do outro mundo, seres de outra esfera. 
Foram vocês que aprenderam a chamar este lado da vida de lá, de além... 
Fronteiras são apenas desenhos acanhados de transições, de passagens. 
Desaparecerão, tão logo compreendam com mais profundidade as leis universais. 
Tudo é apenas uma questão de perspectiva. 
Escutem: a vida é uma só, a vida do Espírito, de todos nós, independente se estamos vestindo um corpo físico neste instante ou não. 
A vida é uma só e ela nos interconecta a todos, criaturas da criação: desde o átomo até o mais perfeito ser.
E as almas... as almas são todas irmãs. 
Vindas de Deus, todas as filhas da raça humana são unidas por laços estreitos de fraternidade e solidariedade. 
Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. 
O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. 
Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. 
Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do espaço. 
Esta mesma força, que é apenas uma das mil nuances do amor do Criador, sempre propiciou também que as almas, em todos os graus de sua ascensão, fossem atraídas e socorridas pelas entidades superiores. 
Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo. 
É maravilhosa essa fecundação constante dos corações mais áridos, necessitados, pelas almas mais esclarecidas e nobres. Daí vem todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. 
Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. 
Deus, na Sua equidade, nunca recusou seu socorro nem Sua luz para raça alguma, para povo algum. 
A todos tem enviado guias, missionários, profetas. 
A verdade é uma e eterna, ela penetra na Humanidade através de irradiações sucessivas, à medida que seu entendimento se torna mais apto para assimilá-la. 
Um mundo só. 
Sempre fomos um mundo só, interligados pelas sutilezas da vida exultante, entrelaçados em Deus, Espírito e matéria. 
O Espírito sopra onde quer, e eis que aqui estamos, onde desejamos estar, ao seu lado, num mundo só. 
Redação do Momento Espírita, com citação do cap. III, do livro O Grande Enigma, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 27.04.2021.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

UM MUNDO SEM FURTOS

O dicionário nos ensina que ladrão é aquele que se apossa de coisas alheias, aquele que toma do que a outrem pertence e nunca mais devolve. 
Tais objetos serão para seu usufruto ou para comércio a terceiros, transformando o furto em moeda viva para si mesmo. 
Com esses conceitos, denominamos ladrão a quem adentra nosso lar, ou nos aborda na rua e leva nossos bens. 
Também o que se serve da máquina pública, dos bens comuns, para seu único e exclusivo benefício. 
Aquele que desvia para si verbas direcionadas para a escola, o hospital, o posto de saúde. 
Esse, além de ser o usurpador do que tem destino e objetivo certos, se transforma, ainda, em criador de muitos problemas.
Isso porque a verba que não chegará a esses locais, impedirá que a escola seja reformada, ampliada, melhorada para que cumpra melhor seu papel na comunidade. 
O hospital deixará de ter a sua Unidade de Terapia Intensiva, ou mais leitos, a sala de cirurgia adequada, e vidas poderão perecer. 
O posto de saúde não disporá das condições mínimas para que os que o busquem sejam dignamente atendidos. 
Isso significa dizer que além do furto, se acrescentam delitos de maior gravidade. 
No entanto, existem outros tantos tipos de furtos. 
Talvez, habitualmente, pensemos que não. 
Mas, toda vez que nos apropriamos de algo que não nos pertence, o processo não é moral. 
Hoje em dia, quando alguém encontra dinheiro, sobretudo se somas significativas e busca o dono para a devolução, se torna manchete. 
O normal, o ético, o moral se tornou raro e, por isso, quando realizado, ganha destaque. Isso é bom. 
Mas melhor seria se fosse o normal, o comum porque isso diria que nos importamos uns com os outros. 
Afinal, vivendo neste imenso lar chamado Terra, pertencemos todos a uma única e imensa família: a Humanidade. 
Somos irmãos porque criados pelo mesmo Pai. 
Não importa nos diferenciemos pela cor da pele, a cultura, o idioma, as crenças religiosas. 
Somos todos irmãos.
Por isso, natural seria que cuidássemos muito bem uns dos outros.
E nada do que fosse encontrado, ficasse conosco senão o tempo necessário para identificarmos o legítimo dono. 
Como tudo seria mais fácil. 
Não precisaríamos ficar tão preocupados com a casa, o carro, a bolsa, o dinheiro, em momento algum. 
Se déssemos um valor maior ao comerciante teríamos a certeza de que nos seria devolvido. 
Em qualquer aquisição, teríamos também a certeza de que o preço justo estaria sendo exigido. 
Nada exorbitante. 
Não nos estaria sendo oferecido algo como valioso quando não o fosse.
Isso seria mais do que honestidade. 
Seria fraternidade, solidariedade. 
Fazer ao outro, conforme o ensino evangélico, aquilo que a nós mesmos desejamos. 
Como seríamos felizes. 
Andaríamos pelas ruas mais tranquilos. 
Sairíamos em férias descontraídos, sem o temor de sermos assaltados no caminho ou no local visitado. 
Nem mesmo com a possibilidade de retornarmos ao lar e o encontrarmos sem os pertences, que adquirimos com trabalho e esforço. 
Finalmente, investiríamos em nossos políticos, conduzindo-os ou reconduzindo-os a seus cargos, com a certeza de que verdadeiramente seus objetivos seriam servir ao povo. 
Um mundo melhor.
Um mundo sem apropriações indevidas. 
Uma Terra de paz. 
Um lar. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.11.2014.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O ESPORTE E A GUERRA

Marleth Silva
Cerca de cinquenta homens de cada lado. 
Homens preparados para lutar, para matar. 
Vindos de lugares diferentes. 
O que eles têm em comum é que são loucos por futebol. 
O clima deveria ser natalino, mas as circunstâncias os colocaram em campos opostos. 
O lugar onde se encontram é terra de ninguém. 
O apito soa em algum lugar. 
O que eles fazem? 
Eles se divertem com a bola improvisada. 
Chutam e brincam de marcar gols, de dar passes e de driblar.
Eles são soldados alemães, de um lado, e soldados ingleses, do outro. 
Ninguém perde, todos ganham. 
Depois de meia hora de brincadeira são convocados a voltar para as trincheiras. 
Era 25 de dezembro de 1915 e a Primeira Guerra Mundial mataria a maioria deles. 
Mas, naquela improvável confraternização de Natal, eles foram felizes. 
Quem deu a ordem para a brincadeira acabar foi o major britânico, que ordenou o retorno da tropa para a trincheira lembrando, aos gritos, que estavam lá para matar os alemães, não para fazer amizade com eles. 
Não há registros oficiais dessa partida, mas houve alguns relatos dos participantes. 
A “Trégua de 1915” está nos livros de História, não é um conto de Natal. 
Um dos soldados acabou conhecido por ter vivido muito.
Viveu para contar e fez um relato singelo daquele Natal.
Afirmou que, na noite de 24 de dezembro, ele e seus colegas ouviram canções de Natal, vindas do lado alemão e responderam cantando. 
Naquele Natal de 1915, houve diversas tréguas improvisadas e informais, ao longo das frentes de batalha. 
Porém, aquela breve partida de futebol, um futebol alegre, sem resquícios de batalha, foi inesquecível. 
* * * 
Nestes tempos em que as arenas de futebol parecem verdadeiros campos de batalha, campos de ódio e violência, vale a pena refletir sobre algumas questões: 
Será que estamos entendendo a verdadeira função dos esportes em nossa sociedade? 
Será que perdemos o espírito esportivo, quando transformamos essas atividades em simples negócios, onde não há mais espaço para diversão e confraternização? 
Será que estamos voltando às arenas para assistir massacres? 
Depois de tanto tempo? 
Será que ainda temos na alma esse prazer doentio? 
No que nos tornamos quando vestimos a camisa desse ou daquele time? 
Será que uniformes têm poder de nos transformar em primitivos novamente? 
Não podemos permitir isso. 
Não mais. 
Fomos tão cruéis durante tanto tempo e agora, que temos a chance de viver a Nova Era, a era de amor, de amizade, insistimos nesses vícios destruidores? 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde do corpo e da alma. 
Esporte é superação íntima. 
Esporte não é destruição ou um simples instrumento para colocarmos para fora nossos animais internos. 
O prazer de reunir um grande grupo para torcer por essa ou aquela equipe, nessa ou naquela modalidade, deve estar na confraternização. 
O esporte perde seu sentido quando abandona a diversão, o lúdico. 
E mais, quando abandona a paz. 
Ele deve ser instrumento da paz, e não da guerra. 
Reflitamos sobre isso tudo. 
Eduquemos nossas crianças. 
Alteremos os costumes bárbaros ainda tão presentes nos esportes da Terra. 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde, confraternização e veículo da paz. 
Redação do Momento Espírita com base em reportagem de Marleth Silva, do jornal Gazeta do Povo, de 15.12.2013. 
Em 21.04.2026