terça-feira, 10 de março de 2026

O MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO

Elisa Correa
A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar. 
Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra. 
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas. 
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por consequência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos. 
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição. 
Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes. 
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados. 
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso. 
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista... 
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás. 
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. 
Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. 
Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis. 
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. 
Em mera imagem. 
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões. 
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
-Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar. 
Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira. 
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto. 
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação. 
A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito. 
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre. 
* * * 
Evite o excesso de exigência para com os outros. 
Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo. 
O diferente está ao nosso lado por razões especiais. 
É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008. 
Em 07.12.2017.

segunda-feira, 9 de março de 2026

NÃO DOEU NADA

ADÉLIA PRADO
Pensando em sua morte, de maneira inspirada, escreveu uma poetisa brasileira: 
 Acho que morrer é assim: 
Deus, me passa no pontilhão? 
A pé ou no colo? 
No colo. 
Você fecha os olhos
 e quando abre já passou. 
Não doeu nada. 
* * * 
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem? 
-Não gosto de pensar sobre isso! – Dizem uns. 
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros. 
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. – Afirmam ainda alguns. 
A morte é um fenômeno natural. 
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro. 
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo. 
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma. 
Como se dará a passagem para cada um de nós? 
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um. 
Pode não doer nada? 
Pode sim. 
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento. 
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual. 
Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. 
Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber. 
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade. 
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou. 
Não doeu nada.
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea. 
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual. 
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela. 
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida. 
Fundamental cultivar o desapego. 
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado. 
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta. 
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá. 
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem. 
O amor não é perdido. 
As memórias não são perdidas. 
Tudo que construímos não se perde. 
Não nos preocupemos. 
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda. 
Deus nos carrega no colo, quando precisamos. 
Ele faz isso constantemente, sem percebermos. 
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida. 
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record, e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 09.03.2026.

domingo, 8 de março de 2026

A MULHER SOL

Não a conheço. 
Jamais a vira antes e, possivelmente, nesta cidade onde transitam milhares de pessoas, todos os dias, jamais tornarei a vê-la. 
Ela transitava pela calçada, no sentido contrário ao da minha caminhada. 
O que me chamou a atenção foram seus cabelos de prata que admirei. 
Seriam tingidos pelos dedos do tempo ou por produtos químicos? 
Ao passar por mim, o rosto dela se iluminou, num sorriso aberto, espontâneo. 
Seus lábios se abriram e disseram com uma agradável entonação: 
-Bom dia! 
Senti uma vibração de paz invadir-me. Uma aura de harmonia abraçar-me. 
E, naquele átimo de segundo em que nos cruzamos, enquanto lhe respondia ao cumprimento, pude lhe ver o rosto. 
As rugas haviam iniciado a desenhar arabescos em linhas suaves, denunciando o passar dos anos. 
Os olhos claros brilhavam na manhã ensolarada. 
Gravei-lhe a expressão na memória. 
Nestes dias de tanto atropelo, tanta pressa, em que as pessoas parecem correr como se desejassem recuperar minutos que já se foram, deparar com um rosto tão tranquilo, realmente, é inusitado. 
Também encontrar alguém que deseje Bom dia! 
Com vontade, com sincero desejo de que seja um dia muito bom. 
Nada mecânico.
Nada convencional. 
Continuei meu caminho quase num enlevo, envolvido nas vibrações harmônicas jorradas daquela expressão fisionômica tão serena. 
Fiquei pensando em quantas pessoas ela haveria de encontrar em seu dia e para quantas a sua presença, o seu olhar, o seu sorriso ou o seu cumprimento fariam a grande diferença. 
Como fizera comigo, em rápido segundo. 
A quantas ela ofereceria aquele cumprimento tão especial. E não pude deixar de indagar a mim mesmo: 
-Terá ela saído de casa com esse propósito de iluminar as horas das pessoas que encontrasse? Ou aquilo lhe seria, simplesmente, a maneira natural de ser em sua vida?
* * * 
Quantos de nós temos essa capacidade de beneficiar alguém com nossa presença? 
Capacidade para iluminar o dia, alegrar as horas de quem caminha ao nosso lado ou de quem, simplesmente, passa por nós. 
Quantos de nós temos esse condão de tornar o dia de alguém muito diferente, melhor? 
Transformar brumas em sol, nuvens em claridade, problemas em soluções. 
Somente pode fazer sol quem tem raios de luz dentro de si.
Somente pode irradiar serenidade quem alcançou a harmonia interior, quem suplantou a si próprio e administra muito bem as dificuldades que se apresentam. 
Alcançar esse estágio deveria ser uma meta para nós.
Destoarmos no mundo. 
Sermos irradiadores do bem, do belo, das coisas positivas e grandiosas. 
Para isso, basta-nos a vontade, o querer. 
Por isso, enquanto o dia canta esperanças, enquanto as horas se renovam, iniciemos nossa campanha particular, individual.
A campanha de fazer sol nas alheias vidas. 
Redação do Momento Espírita.
Em 28.12.2017.

sábado, 7 de março de 2026

A HORA DA MORTE

Michael Tan
Das certezas que podemos ter, neste mundo, a morte é sem dúvida uma delas. 
Nenhum ser vivo pode se furtar a ela. 
Mensageira estranha, por vezes, abraça os mais jovens e os sadios, deixando para trás idosos e doentes. Contudo, sempre chega. 
Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todos evitamos tocar. 
Por isso mesmo, quando chega, surpreende e muitas lágrimas são derramadas. 
Lágrimas que se casam a exclamações como: Se eu soubesse que era o seu último dia! 
-Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele. 
É bom considerarmos que nossa existência é efêmera. 
Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida. 
O ser amado que se despede para o trabalho diário pode não retornar. 
A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa. 
Como a irmã daquele menino de dez anos. 
Ele entrou em casa e chamou pela mãe. 
Ela estava no quarto, sentada, quieta. 
-Sua irmã morreu esta manhã. – Foi o que ela disse. 
O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho. 
Durante muito tempo ele perguntava para a mãe: Ela vai voltar? 
Por que ela teve de morrer? 
Por muitos dias, ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta. 
Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. 
Tudo estava bem arrumado: os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.
A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando fora para o colégio naquela última manhã. 
Depois, devolvia tudo no seu lugar. 
Perguntava-se se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas. 
O que ele sempre lembraria foi o que acontecera duas noites antes de a irmã morrer. 
Ela chegara em casa preocupada. 
Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte. 
Ele se dispôs a ajudá-la. 
Juntos fizeram doze borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares. 
No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertara mais cedo. 
Observou-a se aprontando para a escola e ficou segurando a porta aberta para que ela saísse com tranquilidade. 
Em uma das mãos, ela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus. 
Estava de uniforme azul.
Tinha só quatorze anos.
E suas últimas palavras para Michael foram: 
-Até logo, irmão. 
Passadas mais de quatro décadas, Michael ainda guardava a lembrança de sua irmã e de todos esses detalhes. 
Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos. 
E espera. 
Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o Grande Além. 
Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez. 
* * * 
Amemos muito. 
Usufruamos a companhia dos afetos. 
Quando um deles se for, poderemos acalentar nossos dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados. 
E isso amenizará nossa grande saudade até o dia do reencontro. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A despedida, de Michael Tan, da revista Seleções Reader´s Digest, de out/2005.
Em 07.03.2026

sexta-feira, 6 de março de 2026

MULTIPLICANDO O BEM

JOANNA DE ÂNGELIS(espírito)
DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
A cena era comovente. 
Repórteres com seus microfones e câmeras apontados para aquele homem simples e maltrapilho que, um tanto sem jeito, contava a sua história. 
Ele, um mendigo que vivia nos bancos das praças, fora condecorado por ter salvo a vida de três crianças. 
Dizia, comovido diante das câmeras, que só as tinha livrado dos marginais porque teve uma experiência singular. 
Contou que, tempos antes, num cair de tarde como tantos outros, monótonos e sem esperança, resolvera dar cabo da vida. 
Não suportava mais aquela situação miserável em que se encontrava depois que perdera a família num acidente e os poucos bens que possuía, para um sócio corrupto. 
Havia batido de porta em porta à procura de um serviço digno de onde pudesse retirar o próprio sustento, mas a resposta era sempre a mesma: 
-Sentimos muito, mas o senhor está acima da faixa etária para admissão. 
Então resolvera que aquela seria a última noite que contemplaria o céu bordado de estrelas, única companhia daqueles dias amargos. 
-Todavia, dizia ele, Deus possuía outros planos para mim...Naquela, que eu pretendia fosse a minha última noite, apareceu um anjo, digo um anjo porque era uma mulher jovem com expressões de doçura que eu nem imaginava que existissem. Sentou-se ao meu lado naquele banco que, por muito tempo, tinha me servido de lar, e iniciou um diálogo afetuoso. Interessou-se por minha história e condoeu-se com a minha desdita. Falou-me de Jesus, o Sublime Nazareno que a todos ama, inclusive os pobres e aflitos, como eu. Disse-me para que elevasse o pensamento e Lhe pedisse forças para suportar o fardo pesado que me fora colocado sobre os ombros, e eu o fiz. Desisti do suicídio e consegui um serviço de jardineiro. Não ganho o suficiente para morar numa casa confortável, mas consigo pagar um pequeno barraco que me abriga das intempéries e não preciso mais me alimentar de restos colhidos na lixeira. Aquela foi a primeira e única vez que vi aquela jovem senhora, mas suas palavras ainda embalam minhas horas difíceis. E cada vez que o fardo me parece pesado demais, lembro das palavras de Jesus: "Vinde a mim todos vós que sofreis... Meu fardo é leve e meu jugo é suave..." E foi porque alguém me estendeu as mãos e me retirou das portas do suicídio que eu pude salvar essas crianças das mãos dos marginais que as haviam sequestrado. Porque um dia alguém me olhou e me fez ver que também sou filho de Deus é que resolvi multiplicar o bem que me foi feito, tornando-me útil. Hoje eu entendo que não temos o direito de interromper a vida de quem quer que seja, mesmo que seja a nossa. Gostaria de agradecer àquela moça que ousou se aproximar de um mendigo e estender-lhe a mão. 
* * * 
Não esqueças de que o bem que se faz é o único trabalho que faz bem. 
E esse serviço em favor dos outros é a caridade única em favor de nós mesmos, que pode atingir o cerne da alma, libertando-a para o sacerdócio do soerguimento do mundo.
Redação do Momento Espírita, com base no verbete Bem, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 10.08.2009.

quinta-feira, 5 de março de 2026

MÚLTIPLAS NOVIDADES

RAUL TEIXEIRA
Constantemente encontramos pessoas indispostas e queixosas, diante dos compromissos que assumiram espontaneamente, ou que tiveram que assumir, obrigadas pela necessidade. 
Muitas delas, tornadas infelizes, passam a não fazer bem feito o que têm aos seus cuidados, sob mil alegações: 
-Não ganho para isso... Ninguém me dá valor... Estou estressado com tantas coisas... Enquanto me acabo, há outros que não fazem nada... 
É verdade que vemos mães e pais de família sobrecarregados diante dos deveres domésticos que lhes pesam. 
Os compromissos de cuidar, ao mesmo tempo, do lar, da família e da profissão, provocam, indiscutivelmente, desgastes e cansaços. 
No entanto, partindo-se do princípio de que Deus não concede um fardo maior do que as forças de quem o vai conduzir, como estabelece a voz popular, constatamos que os aborrecimentos são injustificados. 
Concebendo-se a perfeição das leis Divinas em tudo, também esse rol de atividades e de lutas está dentro dessa Divina perfeição. 
Por outro lado, a adoção das reclamações e do mau humor permanente não solucionará os problemas, nem diminuirá os deveres, antes, ampliará as torturas sob as quais alegamos viver. 
Podemos escolher: fazer o que temos que fazer com raiva, má vontade, e tornar nosso dia terrível, ou, fazer o que temos que fazer conservando a calma, a paciência, e buscando nessas atividades algo que nos ensine sobre a vida. 
Podemos, ainda, verificar se realmente não estamos trabalhando demais, cansando-nos demais, em virtude de querer ter mais coisas, de desejar manter um nível de vida econômico e financeiro melhor. 
Se for por isso, a reclamação é indevida. 
A situação só depende de nós para ser resolvida. 
Se somos obrigados a essas múltiplas atividades, porque são vitais para o equilíbrio social da família, da nossa vida, se não há modo de alterar esse quadro sem graves prejuízos, então, estamos em meio a vicissitudes importantes para o reequilíbrio geral, perante as leis de Deus. 
Se nossa jornada múltipla atende a necessidades intransponíveis, seja numa fase da nossa vida ou durante toda a vida terrena, pensemos na importância disso para o nosso reajustamento espiritual, pensemos na sementeira abençoada para o próximo futuro. 
Vejamos, por outro lado, que trabalhamos muito agora, sim, e censuramos os que nada ou muito pouco fazem, no campo dos seus conhecimentos. 
Avaliemos que a situação que essas pessoas vivem hoje em dia, de modo displicente, cria para elas a necessidade do reacerto com as leis eternas, no futuro. 
A diferença entre elas e nós é que já nos encontramos em franco processo de reajustamento, respondendo pela má utilização do tempo em épocas passadas. 
* * * 
Façamos tudo com alegria íntima porque estamos em rota de libertação. 
O que nos dói não é o trabalho em si, pois o trabalho é lei de Deus. 
O que nos atormenta é o preço do resgate, caracterizado pela indiferença do mundo para com nossa luta particular. 
Da próxima vez que lamentarmos a respeito de nossas muitas atividades, lembremos disso: o trabalho é oportunidade maravilhosa de crescimento interior. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 23, do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 13.09.2014.

quarta-feira, 4 de março de 2026

EU TE VI

AMÉLIA RODRIGUES(espírito)
DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
Bartolomeu é sobrenome hebraico, que corresponde a “filho de Tolmai”, enquanto seu nome, que é Natanael, significa “Deus deu”, ficando, portanto, denominado como “Natanael bar Tolmai”. 
Os livros do Novo Testamento referem-se a ele poucas vezes.
O suficiente para se saber que era de caráter nobre e introspectivo, silencioso, como quem busca algo que deseja ardentemente. e a isso se dedicava com interesse. 
Tinha por hábito consultar os “escritos sagrados”, o que fazia à sombra das figueiras que lhe cercavam a casa modesta. 
O seu relacionamento com Filipe, outro apóstolo de Jesus, era constante. 
Estavam sempre juntos, quando dialogavam sobre aquela expectativa que a ambos afligia: a vinda do Messias. 
Naquela época uma voz procedia do deserto conclamando à penitência, pois que o “reino” estava próximo de ser edificado e o “Messias” já se encontrava na Terra, preparando-o. 
João fizera-se conhecido pela sua pregação e pelo hábito de batizar aqueles que se arrependiam dos erros e necessitavam de uma nova oportunidade para serem felizes. 
Os dois amigos haviam-no escutado e estavam realmente comovidos com a mensagem que lhes banhava a alma de santas emoções. 
Filipe foi o primeiro a conhecer Jesus e ficara fascinado. 
Tudo nEle era especial e incomum. 
Suas palavras eram pérolas luminosas que abrilhantavam o coração. 
Natanael o encontrou em seguida. 
Ficamos a imaginar seu primeiro momento com o Mestre.
Filipe o levou. 
Talvez não tenha dito quem era, deixando que o momento falasse por si mesmo. 
Jesus se antecipa dizendo: 
-Eis aqui um verdadeiro filho de Israel. Este é um israelita sem dolo! 
Natanael tem o semblante transformado. 
Pensa e externa: 
-De onde me conheces Tu? 
E ele ouve o lance genial do Cristo: 
-Vem, Natanael! Eu te vi à sombra da figueira meditando…
Natanael tem um choque. 
Meditava em solitude, isolado. 
Ninguém o sabia. 
Possivelmente, em algumas de suas meditações, deveria ter evocado a presença do Messias aguardado. 
Agora Ele estava ali, à sua frente. 
Podemos aquilatar sua emoção. 
Um verdadeiro homem de fé não torna complexa a vida, não questiona quando a verdade lhe é clara. 
Assim fez Natanael. 
Sua resposta é imediata: 
-Rabi! Tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel. 
Totalmente tocado pela sua beleza e mensagem, desde aquele momento entregou-se-lhe em regime de totalidade. 
A partir de então, discreto e diligente, esteve ao lado do amado Rabi. 
* * * 
É tão belo esse entendimento imediato de cada discípulo quando em contato com Jesus. 
Não se tratava de uma fé cega. 
Tratava-se de uma fé viva, raciocinada e muito bem apoiada por uma força que estava na frente de cada um deles.
Pensando nos dias atuais, em nossa conduta, é de nos perguntarmos: 
-Por que temos complicado tanto? Por que deixamos tanto ruído interferir entre nós e nossa fé viva? Por que demorar tanto tempo para aceitar o convite de Jesus de segui-lO mais de perto? 
Permitamo-nos ouvir também: 
-Vem, filho! Eu te vi meditando… 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19, do livro O essencial, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 02.03.2026