terça-feira, 3 de março de 2026

AS MEDALHAS DE DEUS

Eric Liddell
Ele foi imortalizado nas telas do cinema no filme Carruagens de fogo, vencedor de quatro Oscars. 
Eric Liddell nasceu em Tianjin, no norte da China. 
Cresceu num ambiente permeado por valores religiosos sólidos. 
Seus pais e seus quatro irmãos eram missionários presbiterianos.
Estudando em Londres, foi capitão dos times de rúgbi e críquete. 
Aos vinte anos, participou de sete jogos internacionais escoceses e se consagrou como o corredor mais veloz da Escócia. 
Optando com exclusividade pelo atletismo aos vinte e um anos, havia conquistado títulos nacionais, conseguindo estabelecer um recorde britânico, nas cem jardas, que duraria vinte e três anos. 
Em 1924, estava em Paris para os jogos olímpicos de verão.
Tudo apontava para o ouro olímpico na prova dos cem metros rasos. 
Então, ele foi envolvido num grande escândalo. 
Ao tomar conhecimento de que as eliminatórias dessa prova seriam disputadas em um domingo, anunciou que não correria. 
Aquele dia era reservado a Deus. 
A imprensa britânica o chamou de traidor. 
Ele permaneceu firme.
É a minha crença, afirmou, não critico os outros, mas não vou correr no domingo. 
Inscreveu-se nos quatrocentos metros, prova para a qual não era cotado. 
Venceu a final com cinco metros de vantagem, quebrando o recorde mundial com 47,6 segundos. 
O jornal The Times descreveu a prova como a corrida mais dramática já vista em uma pista de atletismo. 
A consagração olímpica, porém, não foi o ponto final de sua vida pública, mas um ponto de partida. 
Em 1925, Liddell voltou para a China, seguindo os passos dos pais. 
Tornou-se professor em Tianjin, dedicando-se ao ensino, ao esporte e ao trabalho pastoral. 
Sua atuação missionária unia fé e ação concreta. 
Além das aulas, treinava jovens, dirigia escola dominical e ajudava a projetar um estádio em Tianjin. 
Os anos 1930 e 1940 trouxeram tempos sombrios para a China, marcados pela invasão japonesa e pela Segunda Guerra Mundial. 
Em 1941, quando o governo britânico aconselhou seus cidadãos a deixarem o país, Eric tomou a decisão mais dolorosa. 
Enviou a esposa grávida e as duas filhas para o Canadá e permaneceu para cuidar dos que não tinham para onde ir.
Dois anos depois, foi preso e detido no campo de internação na província de Shandong, junto com centenas de britânicos e americanos. 
Dedicou-se às crianças órfãs, organizou atividades, confortou os idosos e dava aulas, sempre com bom humor e espírito sereno. 
Em 1945, sucumbiu a um tumor cerebral, sem ter conhecido sua filha caçula. 
De forma surpreendente, seu maior legado não se mede em medalhas nem homenagens. 
Foi sua fé inabalável, sua coragem na renúncia e sua dedicação aos outros que o tornaram inesquecível. 
Ele afirmou: 
-Foi uma experiência maravilhosa competir nos jogos olímpicos e trazer para casa uma medalha de ouro. Mas, desde que eu era jovem, eu tinha meus olhos em um prêmio diferente. Cada um de nós está em uma corrida maior do que qualquer uma das que eu já corri em Paris, e esta corrida termina quando Deus distribui as medalhas. 
Que extraordinária medalha o aguardava na Espiritualidade!
Redação do Momento Espírita, com base em dados da coluna Trabalhadores do Bem, de Mary Ishiyama, do Jornal Mundo Espírita, de dezembro 2025, ed. FEP. 
Em 03.03.2026

segunda-feira, 2 de março de 2026

UMA MULHER SINGULAR

WILMA ARCARI
Nasceu em família de nobre conduta, mas de dificuldades de toda sorte. 
Aos oito anos de idade, ante um problema dentário, procurou o dentista da escola. 
O tratamento era gratuito mas, segundo ele, uma extração dentária, como era exigida no caso dela, precisaria ser paga.
Ela sabia que seus pais não poderiam arcar com qualquer custo. 
Como toda criança acostumada a driblar problemas, principiou a negociar com o profissional. 
Ela não tinha dinheiro. 
Ele aceitaria alguma outra coisa como pagamento? 
-O que, por exemplo? - Indagou ele. 
-O senhor gosta de cães? Não tem nenhum? Todo mundo precisa ter um cão. Lá em casa temos uma ninhada recente. Posso trazer um cãozinho para o senhor. 
O cirurgião estabeleceu suas exigências: queria um macho, sadio. 
E lá se foi a menina, no dia seguinte, levando um filhote por dentro da blusa, com todo o cuidado, para o dentista. 
Essa disposição de dar a volta por cima, de encontrar soluções, a acompanharia para tudo. 
Dinâmica, criativa, inventava sempre algo mais com que se ocupar, com que honrar os seus dias. 
Criou uma marca de roupas jeans e gerenciou uma fábrica de alta produção. 
Casou-se, teve duas filhas. 
Costureira de mão cheia, não se cansou de lhes providenciar vestidos, agasalhos, shorts, abrigos. 
Depois, quando as jovens deixaram o lar, como aves formando seus próprios ninhos, ela costurou centenas e centenas de enxovais para mães carentes. 
Também peças lindas para o bazar da instituição beneficente em que se voluntariou há muitos anos. 
Quem lhe conhece o capricho com que tudo confecciona, reconhece seu produto de imediato. 
Amando tudo que faz, tem sempre um pãozinho recheado de ternura para receber a família ou os amigos, a qualquer hora que batam à porta.
Um pãozinho especial que também serve para curar as dores físicas ou emocionais. 
Entre abraços, um café, um pedacinho do pão alimenta a alma e sacia o corpo. 
Dona da receita de bolo de morango mais saborosa do planeta, segundo uma de suas filhas, é com ele que adoça as festas de aniversário, noivado, ou um encontro de amigas.
Não tendo podido adentrar a Universidade, na juventude, depois das filhas casadas, prestou vestibular e formou-se em Pedagogia. 
Quando precisou ser cuidadora, enfermeira em tempo integral para sua mãe idosa, somente teve palavras de gratidão pela oportunidade de conviver mais estreitamente com ela.
E, mesmo que superficialmente, poder retribuir os tantos cuidados que ela mesma recebeu durante anos. Uma mulher singular. 
Esposa, mãe, avó. 
Confidente, conselheira, amiga. 
Quanto mais acrescenta anos à idade, mais conquista a admiração dos que com ela convivem no lar, na instituição religiosa, onde quer que se apresente.
* * * 
Existem muitas criaturas assim, portas adentro de nossos lares. 
Criaturas que iluminam outras vidas, que exemplificam a renúncia, o cuidado, a dedicação. 
Que se doam de forma ampla, sem pedir nada em troca.
Olhemos ao nosso redor e descubramos quantas pessoas maravilhosas gravitam em nosso entorno. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Wilma Arcari. 
Em 02.09.2024

domingo, 1 de março de 2026

A MULHER QUE NÃO DEVIA VIVER

Gisela Grober
Com um tratamento adequado, no qual se incluíam vitaminas e injeções, ela chegaria, no máximo, aos vinte e cinco anos de idade. 
Talvez aos trinta. 
Esta foi a previsão dos médicos na ocasião do seu nascimento, em 20 de fevereiro de 1942. 
De qualquer forma, ela não merece viver, sentenciariam os nazistas que queriam livrar o povo alemão de pessoas como ela. 
Quando Gisela Grober nasceu, em Riedlingen, na Alta Bavária, a eutanásia infantil havia sido implantada no Terceiro Reich. 
E os seus diminutos olhos oblíquos, sua face arredondada, uma cardiopatia e um cromossomo a mais não deixavam dúvidas: seu diagnóstico era o seu atestado de morte.
Naquela época, todo médico, toda parteira, toda maternidade eram obrigados a relatar o nascimento de crianças com deficiência. 
Contudo, no caso desse bebê da Bavária, parece que todos os envolvidos em seu nascimento, milagrosamente, fecharam os olhos às suas particularidades: e esta foi a sua salvação.
Atualmente, a senhora de setenta e três anos faz parte de um limitado grupo de idosos alemães, com Síndrome de Down, que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial. 
* * * 
A mulher que não deveria viver não sabe de nada disso. 
Hoje, se interessa somente pelas figuras de seus livros de história. 
Ela desconhece as letras. 
Não se aborrece com política, mas sim com os portões dos jardins que são esquecidos abertos, fechando-os, um a um, quando passa por eles. 
Então comemora, como se tivesse feito uma travessura. 
E quando ri, o seu rosto se ilumina, parecendo um sol, com vários raios em torno dos enrugados olhos azuis. 
Gisela é cidadã ilustre na pequena cidade alemã. 
Na padaria, ganha guloseimas. 
Na paróquia, é tão conhecida quanto o padre. 
Todos se voltam para ela durante a missa quando, num dialeto somente seu, formula frases e orações quase incompreensíveis e, vez ou outra, gargalha de alegria.
Acompanhada de seu irmão e cuidador, quando passa próximo ao cemitério, diz: 
-Oi, mamãe. 
Então, olhando em direção à sepultura, recita o bordão de sempre: 
-Felicidades para o seu aniversário e que você esteja no céu, junto de Deus. 
Desde a morte de sua mãe, Thilde, Gisela diariamente vai ao jazigo para essas conversas, expressando, dessa forma singela, sua tristeza, sua saudade. 
Ninguém sabe ao certo como ela sobreviveu. 
Estima-se que em torno de cinco mil crianças não tenham tido a mesma ventura. 
Mas o fato é que, no auge dos seus setenta e três anos, com alguns problemas de saúde, é verdade, decorrentes da idade, ela continua a ser uma mulher ativa, brincalhona e risonha.
-Em casa, estou sempre feliz, afirma. 
* * * 
A vida de cada um de nós é presente Divino. 
Entretanto, usufruir desta dádiva com sabedoria, valorizá-la e fazer deste dom, pois que a vida é um dom, mão de progresso pelas vias da eternidade, é dever de cada ser em marcha de evolução. 
Não espere o amanhã para ser feliz. 
Não espere o amanhã para viver. 
Não espere o momento perfeito para dizer aos seus amores o quanto você os ama, para realizar um sonho, para conquistar seus objetivos. 
Nada é impossível! 
 Seja. Ouse. Faça. Acredite. Viva. 
E viva com abundância! 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Gisela Grober, disponíveis no site http://www.badische-zeitung.de/panorama/die-frau-die-es-nicht-geben-duerfte
Em 18.02.2016.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A MULHER PERFEITA

PAULO COELHO
Conta-se que um mestre, chamado Nasrudin, conversava com um amigo, que lhe fez a seguinte pergunta: 
-E então, mestre, nunca pensaste em casamento? 
-Já pensei, respondeu Nasrudin. Em minha juventude, resolvi conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, cheguei a Damasco e conheci uma mulher espiritualizada e linda. Mas ela não sabia nada das coisas do mundo. Continuei a viagem e fui à cidade de Isfahan. Lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do Espírito, mas não era bonita. Então, resolvi ir até o Cairo, onde jantei na casa de uma moça bonita, religiosa e conhecedora da realidade material.
Intrigado, o amigo indagou: 
-E por que não casaste com ela? 
-Ah! Meu companheiro! Suspirou Nasrudin. Infelizmente ela também procurava um homem perfeito.
* * * 
O ensinamento do sábio aplica-se perfeitamente aos dias de hoje. 
É comum ouvirmos as exigências das pessoas, no que diz respeito à amizade, ao namoro e casamento. 
Os jovens e as jovens trazem em suas mentes sonhadoras a idealização de como deverá ser aquele, ou aquela, que conquistará seu coração. 
Ingenuamente, procuramos a perfeição no outro, desde que não podemos encontrá-la em nós mesmos. 
Não há mal, de forma alguma, em ser exigente na escolha de nossas amizades ou de um futuro esposo ou esposa. 
Isso é saudável, desde que não cheguemos ao exagero, é claro. 
O problema está em sempre querer que o outro seja especial, que tenha diversas virtudes, esquecendo de que ele, ou ela, também tem suas exigências, suas idealizações. 
Assim, poderíamos questionar: 
-Será que eu tenho essas características, essas virtudes que procuro no outro? Será que ele não tem uma lista de exigências como a minha? Eu preencho os meus próprios requisitos? 
Exemplificando: sonhamos com alguém que seja companheiro, que seja sincero, e em quem possamos confiar.
Agora, já paramos para analisar se estamos dispostos a ser assim para com o outro? 
Se a virtude da sinceridade está em nosso coração, ou se somos dignos de inspirar confiança? 
Vejamos como a racionalidade nos ajuda a entender melhor as coisas da vida. 
Ela nos ensina a perceber que, antes de exigir qualquer virtude dos outros, é preciso verificar se nós a temos. 
Assim, é importante o esforço para nos melhorarmos, para agradar os outros, buscando a perfeição em nós primeiramente. 
Ainda estamos longe da sublimidade, é certo, mas é preciso caminhar rumo a ela todos os dias. 
* * * 
É belo sonhar. 
É necessário almejar a felicidade. 
Mas, enquanto procuramos por ela apenas no quintal vizinho, continuaremos a viver decepções e frustrações em nossos dias. 
Vamos habituar nossa mente a pensar em como poderemos fazer felizes aqueles que estão à nossa volta, ao invés de apenas exigir atitudes e sentimentos dos outros. 
É belo sonhar. 
É necessário almejar a felicidade. 
Mas atentemos sempre para o fato de que, para sermos felizes em nosso lar, precisamos levar a felicidade ao quintal de alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A mulher perfeita, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho, ed. Globo. 
Em 20.08.2019.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A MULHER NO MUNDO

Durante longos séculos a mulher foi relegada a plano secundário, inferior mesmo. 
Menosprezada, muitas vezes, e excluída de áreas consideradas de exclusividade masculina. 
Foi-lhe negado o direito de decidir sobre sua própria vida, de enriquecer o intelecto pelo estudo, de tantas coisas mais. 
O Mestre de Nazaré deu exemplo de respeito à mulher, tratando-a com dignidade e valorizando sua missão na Terra.
Acolheu a equivocada de Magdala, concedeu oportunidade de regeneração à adúltera, que lhe foi trazida para julgamento.
Na Samaria, é para Fotina, a mulher que vai ao poço de Jacó buscar água que Ele se apresenta como o Messias, 
Aquele que tem a água viva. 
Ele mesmo, Espírito de superior grandeza, serviu-se de uma mulher para vir à Terra. 
E demonstrou o quanto a amava ao confiá-la ao Apóstolo João, enquanto Ele se despedia do mundo material, na agonia da crucificação. 
A mulher é cocriadora com Deus, na tarefa de ofertar corpos para os filhos dEle, Espíritos imortais, se materializarem sobre o planeta, atendendo à lei do progresso. 
A mulher é o vaso eleito para a luz da reencarnação. 
Nela a vida se acolhe e se sustenta. 
Também a regeneração do homem, considerando que ela o nutre com seu amor e lhe dá as primeiras lições de vida. 
O colo maternal, as palavras de carinho, o direcionamento moral, o sorriso delicado são predicados inerentes à função da mulher. 
Ela avança no intelecto, dirige empresas, assume altos cargos públicos, comanda homens e mulheres, mas será sempre a face da ternura, onde quer que se encontre. 
No terreno das crenças, a presença da mulher sempre se fez constante. 
Na Antiguidade, a vemos ligada aos cultos religiosos. Na Grécia, eram as pitonisas, que traziam ao povo as mensagens do deus Apolo. 
Em Roma, eram as vestais, dedicadas à deusa Vesta.
Iniciavam seu ofício entre os sete e os dez anos e assumiam um compromisso por três décadas, devendo manter aceso o fogo sagrado. 
Ainda hoje, em todas as religiões, a mulher engrandece de sentimentos elevados os corações. 
Atende seu lar, como esposa, mãe, educadora e se doa, na assistência ao próximo, em múltiplas atividades. 
Mulheres corajosas existem em toda parte, alavancando a família, sustentando o trabalho social nos templos de variadas crenças, cuidando dos enfermos, enfrentando adversidades.
Mulheres que não medem esforços para servir. 
Trabalham arduamente, no setor profissional. Enfrentam as tarefas do lar. 
E se doam, com amor e alegria, em benefício alheio, sempre que preciso for. 
Mas, de todas as tarefas da mulher, sobressai a maternidade como a plenitude do coração feminino. 
Enquanto mãe, guarda a mulher a chave do controle do mundo. 
Afinal, ela é a mãe do sábio, do cientista, do professor, do político, de todos os grandes homens. 
Também é a mãe do infeliz que sucumbe no crime, na droga, no mal. 
Maternidade é missão e alegria, é prova e sofrimento. 
Mas traduz o grande amor de Deus, ensejando o burilamento das almas na ascensão dos destinos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 50, do livro O Espírito da Verdade, de autores diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. FEB. 
Em 22.04.2017.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

UMA GOTA NO OCEANO...

DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
Como poderia surgir algo de bom de um jovem rico, acostumado a ser servido, dormir em lençóis de seda, não fazer nada na vida além de usufruir de regalias e mais regalias? 
E se juntarmos um carpinteiro, cujo sonho era ter uma casa com muitos filhos e, depois de anos e anos de espera, acabou sozinho, numa floresta gelada? 
Somemos a isso que a cidade próxima vivia o caos da maldade, onde o prazer de cada um era criar dificuldades para o outro. 
Lemos em obra de inigualável valor que o esforço é lei da vida e todos os seres, de uma forma ou outra, não se podem furtar a ele. 
O esforço expressa-se pelo trabalho aplicado em favor do crescimento pessoal, na busca dos painéis intelecto-morais.
Onde viceja, enfloresce a paz e, no lugar no qual a ação, movimenta o progresso, estua a alegria. 
Num lugar tão caótico, como a ação de uma pessoa poderia fazer a diferença? 
Como transformar algo tão ruim em civilizado? 
Como transformar uma sociedade em que cada um somente vê o outro como inimigo? 
A sabedoria de nosso Pai, no entanto, não tem limites. 
Uma garota faz um desenho expressando a tristeza de estar tão só. 
E a Divindade contrata um vento brando para levar aquele desenho até as mãos do homem solitário. 
Um homem que, enquanto esperava que lhe nascessem os filhos, construiu os mais belos brinquedos. 
Então, a menina recebeu um presente em sua casa, enchendo-se de alegria. 
E como alegria não consegue ficar oculta, porque deseja espalhar os seus benefícios, logo a garotinha divulgou a notícia a outras crianças. 
Assim, o jovem, que nunca fizera algo em sua vida, se empenhou em falar àqueles pequenos, acostumados a maldades, desde o berço, que poderiam ganhar brinquedos.
Bastava que e
O objetivo era praticar uma ação positiva a cada dia. 
E todos os meninos e meninas buscaram a escola, que precisou ser reaberta para que aprendessem o segredo das letras e da elaboração das frases. 
Logo começaram os relatos, nas cartas, intensos e verdadeiros: 
-Meus irmãos e eu, em vez de roubarmos as frutas de Dona Runa, as colhemos e levamos em uma cesta para ela. Dona Runa fez uma torta e trouxe para nossa mãe, que fez um doce e levou para ela. 
Fora criada a corrente da gentileza. 
As armas foram desaparecendo, sendo substituídas por brinquedos. 
Os vizinhos passaram a falar uns com os outros. Logo a cidade se transformara. 
Gentileza gera gentileza.
Em poucos meses, deixou de ser absolutamente cinzenta. 
As casas foram arrumadas e todos começaram a colaborar uns com os outros. 
Surgiram o Clube do Livro, churrascos e cafezinhos como motivos para encontros e reencontros. 
Eles haviam descoberto a alegria de viver bem, de conviver, de se auxiliar. 
Deus não é mesmo incrível? 
Como poderia conduzir aquele jovem preguiçoso para um local tão ruim, para encontrar um coração solitário de um carpinteiro e realizar uma transformação que ninguém acreditava possível? 
Bem verdade é que uma gota faz toda diferença na imensidade do oceano. 
Redação do Momento Espírita, com descrição de cenas do filme Klaus, disponível na Netflix; com base na terceira parte, cap. XII, questão 909 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB e no cap. 13, do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 26.02.2026

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A MULHER MÃE

Anna Jarvis
O mês de maio é dedicado às mães. 
Tudo começou nos Estados Unidos, com Anna Jarvis. 
No segundo domingo de maio de 1907, ela resolveu transferir para todas as mães do mundo a homenagem que seus amigos prestavam para sua própria mãe, Anna Reeves Jarvis.
A ideia foi abraçada em nosso país em 1919, mas somente em 1932, por Decreto Presidencial, passou a se dedicar o segundo domingo de maio para se homenagear as mães. 
O interessante, no episódio, é que alguns de nós nos recordamos que temos mãe somente no dia em que o calendário assinala. 
E, contudo, mãe é uma personagem fundamental em nossas vidas. 
Pedro Almodóvar
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar narra suas experiências com sua mãe. Diz se lembrar dela em todos os momentos de sua vida.
Recorda como ela era extremamente criativa. Uma pessoa de iniciativa.
Em uma época que viveram num pequeno povoado espanhol onde a vida era difícil, porém barata, sua mãe começou a trabalhar como leitora e escrevedora de cartas. 
Com o que ganhava complementava o salário do marido.
O menino Pedro, à época com oito anos, começou a observar que o texto que a mãe lia não correspondia ao que estava no papel. 
Parte ela inventava. 
As vizinhas nem tomavam conhecimento disso, porque o inventado era algo que preenchia aquelas vidas. 
Ela acrescentava uma observação de carinho, de afeto que a carta não trazia. 
Era como se ela preenchesse as lacunas das cartas para tornar aquelas vidas sofridas mais alegres. 
Os improvisos passaram a falar mais alto para o menino Pedro. 
Continham uma grande lição. 
Estabeleciam a diferença entre a ficção e a realidade e o quanto a realidade necessitava da ficção para ser completa, mais agradável, mais fácil de se viver. 
Possivelmente por passar a olhar a vida por este ângulo, escolheu a carreira de cineasta. 
Todos nós percebemos, às vezes somente depois que elas se vão, que as mães são extremamente importantes.
Não necessitam, verdadeiramente, fazer nada de especial para serem essenciais, importantes, inesquecíveis, didáticas.
Elas simplesmente o são. 
Quem não se recordará das primeiras lições aprendidas com aquela personagem única? 
Quem não haverá de se lembrar com emoção das noites de mal estar em que ela ficou sustentando-nos o corpo contra o seu, num aconchego de carinho? 
A primeira ida ao colégio, a mão protetora. 
O afago no dia da desilusão da perda de um jogo na escola. 
O enxugar das nossas lágrimas no dia do insucesso na peça teatral, em que esquecemos o texto e vimos a turma toda a nos olhar, em expectativa. 
* * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Há sempre renúncia na mulher que opta por ser mãe. 
No anonimato da sua abnegação, ela permanece vigilante aos deveres assumidos com alegria junto ao filho. 
Frutos do seu devotamento, conseguimos vencer a noite do tempo e brilhar no mundo. 
Enquanto as mães se multiplicarem no mundo podemos guardar a certeza do descortinar de um futuro melhor para a Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O último suspiro, de Pedro Almodóvar, publicada em Seleções Reader´s Digest, maio.2000 e no cap. 2 do livro Terapêutica de emergência, de Espíritos diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Disponível no Cd Momento Espírita, v. 18, ed. FEP. 
Em 18.07.2013