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| Eric Liddell |
Eric Liddell nasceu em Tianjin, no norte da China.
Cresceu num ambiente permeado por valores religiosos sólidos.
Seus pais e seus quatro irmãos eram missionários presbiterianos.
Estudando em Londres, foi capitão dos times de rúgbi e críquete.
Aos vinte anos, participou de sete jogos internacionais escoceses e se consagrou como o corredor mais veloz da Escócia.
Optando com exclusividade pelo atletismo aos vinte e um anos, havia conquistado títulos nacionais, conseguindo estabelecer um recorde britânico, nas cem jardas, que duraria vinte e três anos.
Em 1924, estava em Paris para os jogos olímpicos de verão.
Tudo apontava para o ouro olímpico na prova dos cem metros rasos.
Então, ele foi envolvido num grande escândalo.
Ao tomar conhecimento de que as eliminatórias dessa prova seriam disputadas em um domingo, anunciou que não correria.
Aquele dia era reservado a Deus.
A imprensa britânica o chamou de traidor.
Ele permaneceu firme.
É a minha crença, afirmou, não critico os outros, mas não vou correr no domingo.
Inscreveu-se nos quatrocentos metros, prova para a qual não era cotado.
Venceu a final com cinco metros de vantagem, quebrando o recorde mundial com 47,6 segundos.
O jornal The Times descreveu a prova como a corrida mais dramática já vista em uma pista de atletismo.
A consagração olímpica, porém, não foi o ponto final de sua vida pública, mas um ponto de partida.
Em 1925, Liddell voltou para a China, seguindo os passos dos pais.
Tornou-se professor em Tianjin, dedicando-se ao ensino, ao esporte e ao trabalho pastoral.
Sua atuação missionária unia fé e ação concreta.
Além das aulas, treinava jovens, dirigia escola dominical e ajudava a projetar um estádio em Tianjin.
Os anos 1930 e 1940 trouxeram tempos sombrios para a China, marcados pela invasão japonesa e pela Segunda Guerra Mundial.
Em 1941, quando o governo britânico aconselhou seus cidadãos a deixarem o país, Eric tomou a decisão mais dolorosa.
Enviou a esposa grávida e as duas filhas para o Canadá e permaneceu para cuidar dos que não tinham para onde ir.
Dois anos depois, foi preso e detido no campo de internação na província de Shandong, junto com centenas de britânicos e americanos.
Dedicou-se às crianças órfãs, organizou atividades, confortou os idosos e dava aulas, sempre com bom humor e espírito sereno.
Em 1945, sucumbiu a um tumor cerebral, sem ter conhecido sua filha caçula.
De forma surpreendente, seu maior legado não se mede em medalhas nem homenagens.
Foi sua fé inabalável, sua coragem na renúncia e sua dedicação aos outros que o tornaram inesquecível.
Ele afirmou:
-Foi uma experiência maravilhosa competir nos jogos olímpicos e trazer para casa uma medalha de ouro. Mas, desde que eu era jovem, eu tinha meus olhos em um prêmio diferente. Cada um de nós está em uma corrida maior do que qualquer uma das que eu já corri em Paris, e esta corrida termina quando Deus distribui as medalhas.
Que extraordinária medalha o aguardava na Espiritualidade!
Redação do Momento Espírita, com base em dados da
coluna Trabalhadores do Bem, de Mary Ishiyama, do
Jornal Mundo Espírita, de dezembro 2025, ed. FEP.
Em 03.03.2026








