terça-feira, 9 de junho de 2026

UM PORTO SEGURO

ANNE e CHARLES DE GAULLE
A História o apresenta como um importante militar e estadista francês. Esteve nas duas grandes guerras. 
Em 1940, recusou a rendição à Alemanha, exilou-se em Londres e comandou a Resistência Francesa. 
Paris o recebeu como herói, em 1944, comemorando a libertação da capital. 
Foi considerado o líder mais poderoso da França moderna, com forte influência política contínua. 
Para seus soldados, ele era o homem de ferro. 
Dentro do lar, era o pai que se ajoelhava para brincar com a filha Anne, portadora de síndrome de Down. 
Nascida no Ano Novo de 1928, era a mais nova dos seus três filhos. 
Naquela época, ter um filho especial era uma vergonha. 
Era comum as famílias da alta sociedade os internarem em instituições, a fim de protegerem a própria reputação. 
Charles e sua esposa Yvonne jamais a afastaram do lar acolhedor, cheio de risos, junto aos irmãos Philippe e Elisabeth. 
Quando cruzava a porta da casa, o general imponente, de rosto severo, se transformava no pai das canções e das histórias. 
Ele tudo fazia para fazê-la sorrir. 
Costumava dizer que ela era a sua alegria. 
Em plena Segunda Guerra Mundial, com o peso do mundo em seus ombros, ele encontrava paz em sua presença. 
Anne amava aquele pai que a tratava com total igualdade e que assegurava que ela valia mais do que um rei ou um presidente. 
Sua vida foi curta. 
Pouco depois de completar vinte anos, ela morreu, nos braços do pai, que murmurou: 
-Agora ela é como as outras.
Entendia que ela estava livre das limitações físicas e dos julgamentos cruéis do mundo. 
No mesmo ano de sua morte, desejando que portadores de deficiência, abandonados pelas suas famílias, encontrassem um abrigo seguro e digno, ele e a esposa criaram a Fundação Anne de Gaulle. 
O casal queria que toda criança pudesse viver com a dignidade que Anne tinha conhecido, no castelo antigo que eles adquiriram para abrigar a Fundação. 
O grande homem deixou instruções expressas de que não queria um funeral nacional grandioso. 
Não queria glória, multidões ou honras que ecoassem pelas avenidas de Paris, rejeitando cerimônias fúnebres de Estado.
Seu corpo foi sepultado, ao lado do túmulo da sua amada Anne, na pequena vila Colombey-les-deux-églises, numa cerimônia simples, focada na família, amigos íntimos e companheiros da Resistência. 
A França lhe prestou homenagens à altura do homem que fora, numa cerimônia paralela na Catedral de Notre-Dame, em Paris, para líderes mundiais e oficiais. 
* * * 
Ser pai ou mãe de uma criança especial exige uma metamorfose diária: é ser o porto seguro onde a criança pode apenas ser. 
Ao integrarem seus filhos ao convívio social, ao riso e à mesa da família, eles desafiam a cultura da exclusão. 
Eles nos ensinam que a deficiência é uma partitura diferente, que exige novos ritmos e uma sensibilidade aguçada para ser compreendida. 
Eles nos mostram que, quando as luzes do palco se apagam e as glórias mundanas silenciam, o que resta é o amor que protegeu, que dançou junto e que garantiu que ninguém, por mais diferente que fosse, vivesse sem a certeza de ser profundamente amado. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no site Fundación Anne de Gaulle.
Em 09.06.2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

ELE, O CRISTO!

Fez-se humano, Ele que é luz estelar, para que pudesse entre nós trafegar e cantar o Seu verbo de luz. 
Fez-se simples, Ele que conhece e compreende toda a complexa e grandiosa estrutura do Universo e as Leis do Criador. 
Exemplificou a humildade, mesmo tendo em Suas mãos o destino de todo o planeta. 
Quando tantos esperavam o conquistador, Ele veio ser servo de todos, amparando as mazelas humanas, curando as feridas da alma, sustentando as necessidades do Espírito.
Quando muitos queriam o Messias Rei, Ele se fez operário, filho de carpinteiro, vindo de um vilarejo simples, quase desconhecido, para que Seu verbo de luz conquistasse os corações. 
Quando outros anelavam pelas conquistas terrenas, pelos tesouros que brilham aos olhos, Ele apontava para as riquezas da alma. 
Quando muitos elegiam a beleza, a fama, as ilusões do mundo, Ele estava com os coxos, leprosos, cegos e estropiados, do corpo e da alma, mostrando a transitoriedade da vida física. 
Quando tantos se perdiam em tradições e regras vazias, Ele dava novo significado às coisas e aos atos, ensinando que o exterior nada significa se não reflete o mundo interior, esse sim, de grande importância. 
Trafegava entre poderosos, ricos e intelectuais, mas também entre os simples, os analfabetos e os pobres, pois via a todos como almas em evolução, Seus irmãos, filhos de Deus. 
Se tantos elegiam as armas, a guerra e a morte como ferramentas de conquista e usurpação, Ele veio conquistar o mundo, sem nada usurpar, falando e vivenciando o amor, na sua mais alta expressão. 
Se à época foi incompreendido, preterido ou ignorado por muitos, não foram poucos aqueles que se deixaram tocar pela Sua presença, e nunca mais voltaram a ser os mesmos.
Naqueles dias, grassavam a violência, a barbárie e as injustiças. 
Não muito diferente dos dias de hoje. 
Naqueles dias, o poder, o dinheiro e as glórias externas eram o desejo e ambição dos homens. 
Tal e qual nos dias que hoje transcorrem. 
Se a tecnologia, filha do intelecto, transformou o mundo, nós ainda continuamos praticamente os mesmos. 
O amor, filho do coração, ainda aguarda espaço para surgir em nós e nos transformar intimamente, para que o mundo então se transforme efetivamente. 
Somos todos nós ainda, os cansados e aflitos que Ele aguarda, pacientemente, para nos amparar. 
Somos ainda os estropiados, não do corpo, mas da alma, necessitados dEle para a nossa cura definitiva. 
Somos aqueles, de alma sofrida, pelas opções infelizes que fizemos, agora sedentos da Sua paz. 
E ainda hoje Ele nos aguarda, para que, cansados das ilusões da vida, possamos tê-lO efetivamente, como o Caminho, a Verdade e a Vida. 
* * * 
Jesus Cristo é sempre a melhor resposta para todas as nossas necessidades, anseios e carências. 
Como há mais de dois mil anos, Ele prossegue o pastor fiel, o jardineiro das almas, nosso Mestre e Senhor. 
Não nos percamos nos labirintos do mundo, entre a incerteza e a solidão. 
Entreguemos nossas vidas ao amor não amado e sintamos os benefícios da Sua presença em nós. 
Façamos isso.
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 08.06.2026

domingo, 7 de junho de 2026

NÃO DESISTA DE VOCÊ!

Por vezes você não entende como as pessoas ainda conseguem sorrir num mundo como esse. 
Anda pelas ruas e não vê graça no movimento de ir e vir das pessoas, não encontra a alegria na vivacidade das crianças e não percebe essas supostas coisas boas que a vida tem. 
As notícias falam de conspirações, de golpes, de chacinas.
Pioram índices disso ou daquilo. 
E você tem certeza de que não vale a pena investir nenhum esforço nessa existência. 
Há também uma espécie de vazio aí dentro. 
Uma dor na boca do estômago ou nos pulmões, uma dificuldade de respirar às vezes. 
Você não sabe o que é. 
Será que todo mundo tem isso? 
Você estuda por obrigação ou trabalha apenas pelo resultado financeiro.
Ora, você precisa comer, precisa de um lugar para morar, comprar algumas coisas... 
Mas, por vezes fica pensando se vale a pena lutar por isso.
Tem vezes que come mais do que necessita, outras que fica muitas horas sem se alimentar e percebe que isso não faz muita falta. Até poderia viver sem... 
Percebe que as pessoas estão se isolando. 
Cada um no seu canto. 
Por isso não fala muito de você. 
Aliás, pode passar horas e horas sem proferir uma única palavra. 
Estamos nos escondendo atrás das telas! 
Ouviu um especialista dizer. 
E nas suas horas livres permanece ali, naquele mundo que parece não ter fim, mas que às vezes também tem cara de imenso vazio. 
A internet parece cheia de gente mas, ao mesmo tempo, vazia. 
Entro e saio desse suposto mundo digital do mesmo jeito – são pensamentos que lhe acodem. 
Você anda cansado de tudo, de todos. 
As pessoas não são interessantes. 
Não tem paciência para quase ninguém. 
De vez em quando bate uma tristeza profunda, como se abrisse um abismo no peito. 
Você tem vontade de chorar, mas não consegue. 
Não entende o que é isso. 
Você se sente sozinho. 
* * * 
Eis algumas palavras especiais para você. 
Primeiro: não se permita a solidão prolongada. 
Conte com alguém para conversar, para se abrir. 
Alguém em quem confie, alguém para quem possa escrever essas coisas estranhas que pensa, que sente ou que vê ao seu redor. 
Não perca a referência do amor, dos que lhe querem bem.
Todos temos esses à nossa volta. 
Todos temos os que estão dispostos a nos estender a mão, ou apenas ouvir. 
Você não está só. 
Não fomos simplesmente abandonados num mundo que vai de mal a pior. 
Essa é outra visão distorcida. 
É uma visão terrorista que muitos se acostumaram a passar ou aceitar. 
Não julgue o mundo apenas ouvindo um dos lados. 
Há muito amor nas pessoas. 
O Universo é coordenado por amor, embora ainda tenhamos dificuldade em entender certos mecanismos de suas leis. 
Veja como esta mensagem está chegando até você. 
Não existe coincidência, não existe acaso. 
Tudo está em seu devido lugar e a ajuda chega a quem precisa e na hora certa. Não desista de você. 
Não desista de seus ideais, sonhos, objetivos. 
Se for necessário, remonte-se, reconstrua-se, peça ajuda de alguém especializado e refaça seus passos. 
Perceba se sintomas que apresenta não estão ligados a algum tipo de transtorno emocional. 
Todos estamos sujeitos a essas dificuldades. 
Finalmente, lembre que a oportunidade da encarnação é o maior tesouro que podemos ter recebido. 
Aproveite cada instante. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 27.09.2019.

sábado, 6 de junho de 2026

NÃO DESANIME!

Sem sombra de dúvidas, enfrentamos dias desafiadores. 
O século XX nos ofereceu como herança grandes conquistas tecnológicas, conforto e recursos nas inúmeras áreas do conhecimento humano. 
Porém, não conseguiu solucionar os dramas mais íntimos da natureza humana. 
Nosso olhar ora percebe grandes avanços e franco desenvolvimento, ora se depara com embates milenares, que ainda teimam em fazer parte de nosso cotidiano. 
As dicotomias e o antagonismo de valores fazem parte das paisagens do mundo. 
Se analisarmos nosso mundo íntimo, esses mesmos embates se fazem. 
Assim como no mundo externo, na intimidade de nossa alma ainda trafegam valores que se digladiam, na busca que fazemos, diariamente, de consolidar virtudes. 
E será somente nesse consolidar de virtudes, fazendo com que elas ocupem o espaço ora habitado por sentimentos menos nobres em nosso coração, que renovaremos nossas paisagens íntimas. 
Por isso, nos esforçamos para que nosso comportamento seja ético. 
Buscamos primar pelo correto cumprimento de nossos deveres financeiros, não tomando nada de forma ilícita, honrando nossos compromissos. 
No entanto, nos deparamos com alguns roubando, trapaceando, corrompendo, enriquecendo de forma ilegale desenfreada. 
Buscamos todos os cuidados para incutir valores na intimidade de nossos filhos, fazendo de nossas ações o exemplo vivo de educação. 
Esforçamo-nos para nos modificar, a fim de sermos coerentes naquilo que desejamos ensinar a eles. 
Nada obstante, inúmeros são os que nos cruzam os caminhos com comportamentos viciantes e viciados, com valores frágeis e referências ilusórias. 
Sem conseguir parâmetros para si mesmos, oferecem aos seus filhos apenas as condutas do mundo, fazendo o que lhes é conveniente ou aquilo que é frequente, sem compromisso nenhum com uma conduta lúcida e sadia. 
Buscamos nos comportar com cidadania, em respeito ao coletivo, às regras, ao próximo e aos direitos do outro, preocupados com os deveres que nos cabem na estrutura social em que nos inserimos. 
Entretanto, muitos são os que agem buscando vantagens pessoais, benefícios que não lhes cabem, privilégios em detrimento dos direitos de todos. 
Realmente não é simples viver nos dias de hoje. Mas, embora aparentemente comum, frequentemente confundido com normalidade, o comportamento desses outros, é apenas passageiro. 
Aos poucos a sociedade vem evoluindo e novos valores, a pouco e pouco, passam a se inserir no nosso cotidiano. 
Por isso, na busca do melhor, do bem, do agir dignamente, não desanimemos. 
Frente àquele que nos choca com seu comportamento, mantenhamo-nos lúcidos. 
Em retribuição àqueles que agem de maneira irresponsável, sigamos fazendo a nossa parte. 
Permaneçamos resolutos e confiantes nos valores nobres que nos esforçamos por seguir. 
Assim ao final da jornada, teremos a tranquilidade de olhar para trás, na certeza de que a existência valeu a pena.
Redação do Momento Espírita. 
Em 26.09.2015.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

NÃO DEIXE PARA DEPOIS

O pai de família chegou em casa e se sentou à mesa com as contas do mês a pagar, e algumas já vencidas, quando seu filhinho, cheio de alegria, entrou correndo na sala e disse com entusiasmo: 
-Feliz aniversário, papai! Mamãe disse que você está completando cinquenta e cinco anos hoje, por isso eu vou lhe dar cinquenta e cinco beijos, um para cada ano. 
O garoto começou a fazer o que prometera, quando o pai exclamou: 
-Oh! Filho, agora não! Estou tão ocupado! 
O menino fez silêncio imediato. 
Mas o seu gesto chamou a atenção do aniversariante.
Olhando-o, o pai percebeu que havia lágrimas em seus grandes olhos azuis. 
Desculpando-se, disse ao filho: 
-Você pode terminar amanhã. 
O menino não respondeu e não foi capaz de disfarçar o seu desapontamento, enquanto se afastava. 
Naquela mesma noite o pai lhe falou: 
-Venha cá e termine de me dar seus beijos agora, filho. 
Ou ele não ouviu ou não estava mais com vontade, pois não atendeu ao pedido. 
Dois meses depois, um acidente levou o garoto. 
Seu corpo foi sepultado num pequeno cemitério, perto do lugar onde ele gostava de brincar. 
Aquele pai constantemente se sentava ao lado do túmulo do seu pequeno e, observando a natureza, pensava consigo mesmo: 
-O canto do sabiá não é mais doce que a voz do meu filho, e a rolinha que canta para os seus filhotes não é tão gentil como o menininho que deixou de completar a sua declaração de amor. Ah! Se eu pudesse ao menos lhe dizer como me arrependo daquelas palavras impensadas, e como o meu coração está doendo agora por causa de minha falta de delicadeza. Hoje eu fico aqui sentado, pensando em como pude não retribuir seu afeto, e entristeci seu pequeno coração, cheio de ternura. 
* * * 
Às vezes, por motivos banais, deixamos passar oportunidades únicas, que jamais se repetirão em nossas vidas. 
São momentos em que uma distração qualquer nos afasta do abraço afetuoso de um ser querido... 
Um compromisso, que poderíamos adiar, nos impede de ficar um pouco mais com alguém que nos deixará em breve...
Depois, como aconteceu ao pai que recusou os beijos do filho, só resta a dor do arrependimento. 
E essa dor é como um fogo que queima sem consumir. 
E não é necessário que a pessoa a quem negamos nossa atenção seja arrebatada pela morte, para que sintamos o desconforto do arrependimento. 
Quantos filhos deixam de procurar os pais, por falta de atenção, e se vão, em busca de alguém que ouça seus desabafos ou responda suas perguntas. 
Quantas esposas se fecham no mutismo, depois de várias tentativas de diálogo com o companheiro indiferente ou frio.
Quantos esposos se isolam, após tentativas frustradas de entendimento. 
Por todas essas razões, vale a pena prestar atenção nos braços que se distendem para um abraço, os lábios que se dispõem para um beijo, as mãos que se oferecem para um carinho. 
* * * 
Um gesto de ternura deve ser sempre bem recebido, mesmo que estejamos sobrecarregados, cansados, sem vontade de atender. 
Uma demonstração de amor é sempre bem-vinda, para dar novo colorido às nossas horas, ao nosso dia a dia, às nossas lutas. 
O amor, quando chega, dissipa as trevas, clareia o caminho, perfuma o ambiente e refaz o ânimo de quem lhe recebe a suave visita. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada. Disponível no cd Momento Espírita, v. 7 e no livro Momento Espírita, v. 3, ed. Fep. 
Em 13.04.2012.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

NÃO DEIXEMOS QUE SE PERCAM AS BOAS SEMENTES

Todos somos instrumentos do Criador no socorro àqueles que padecem. 
Vivendo na Terra, constituímos uma grande família e nos compete nos auxiliarmos mutuamente. 
Dotados de livre-arbítrio, que é a capacidade de decidir livremente nossos caminhos, estamos destinados à perfeição e à felicidade desde que saímos das mãos divinas. 
É por isso que, todos os dias, temos renovada a oportunidade de fazer o bem, onde nos encontremos. 
Para isso, algumas virtudes são como sementes preciosas, que devemos preservar, com a rega e o cultivo diários, para frutificarem e jamais perecerem nos espinheiros da indiferença. 
Essas virtudes são o otimismo, a esperança, a alegria, a fé e a caridade. 
Cabe-nos, dessa maneira, reconhecer o terreno necessitado de cuidados e identificar a virtude mais apropriada para protegê-lo da seca, da tormenta e do granizo destruidor. 
Se acionarmos a virtude do otimismo poderemos proteger da amargura os que dividem conosco o recinto familiar, os bancos escolares, o ambiente de trabalho, os tantos espaços da sociedade. 
Confrontando o pessimismo com uma atitude firme, mas compassiva, evitamos que a erva daninha do mal sufoque a flor tenra com os frutos amargos da melancolia. 
Por sua vez, a esperança adoça a vida e luariza a fé.
Portadora de bálsamo que consola a alma, suaviza os ásperos dias daqueles que sofrem e coloca remédio salutar nas chagas do desânimo. 
A virtude da alegria dissipa os ventos da tristeza e da incompreensão. 
Une corações destoantes, aproximando pontos de vista e minimizando as vibrações negativas da desconfiança e da discórdia, venenos que infestam as relações do cotidiano. 
Do mesmo modo, a fé, ao encontrar a colheita do desespero nas adversidades do dia a dia, é o pilar que sustenta o edifício da esperança. 
Se primarmos por seu cultivo, nos canteiros do mundo, serviremos de exemplo para os que nos cercam. 
E a caridade, como fonte que se oferece para dessedentar o campo dos corações em provação, sintetiza as demais virtudes, pois ela é, ao mesmo tempo, estimuladora da alegria, do otimismo, da esperança e da fé. 
* * * 
Sejamos fiéis servidores e bons instrumentos da Providência Divina, assumindo a responsabilidade de não permitir que se perca qualquer semente que Deus nos oferece para o cultivo sábio e promissor.
A vida é um constante semear e colher na lavoura das provações e do aprendizado, conduzindo-nos pelos caminhos das existências corporais sucessivas, crescendo de contínuo, melhorando-nos a cada passo. 
Estarmos atentos para descobrir se o irmão ao nosso lado enfrenta as agruras da desesperança, no torrão das provações a que fomos chama
dos, é virtude nobre que pouco nos custa e traz recompensas de felicidade ao próprio coração. 
Cultivemos o otimismo, a esperança, a alegria, a fé e a caridade como sementes benéficas para os corações que peregrinam pela vinha terrena, a fim de que a vida, para todos, se faça de menos agruras e melhores resultados.
Redação do Momento Espírita 
Em 10.08.2024

quarta-feira, 3 de junho de 2026

QUANDO BRILHAMOS MAIS

Certamente, em alguma esfera de nossa vida cotidiana, acabamos por nos envolver com um trabalho em equipe.
Família, profissão, esporte, instituição religiosa. 
Cada vez mais, percebemos que as grandes realizações do mundo dependem muito mais do trabalho em conjunto do que das conquistas individualistas. 
Sem dúvida, as construções do indivíduo são de suprema importância. 
Sem dúvida que tudo aquilo que ele vem construindo por si mesmo, com seu esforço, com sua perseverança e determinação, tem um valor imenso para sua evolução. 
Nosso enfoque diz respeito ao momento em que precisamos somar esforços, quando percebemos que sozinhos somos limitados e que quando nos unimos aos outros ganhamos novos horizontes. 
Vejamos um exemplo interessante. 
Analisando a lista dos Prêmios Nobel na área da Medicina, nos últimos quinze anos, apenas três deles foram conferidos a uma pessoa. 
Doze outros foram dados a duas ou mais, isto é, a trabalhos feitos em equipe. 
Se formos para área do Prêmio Nobel de Química, quatorze deles foram para duplas ou grupos, e apenas um para um único indivíduo. 
Isso mostra que, na área da construção do conhecimento, somos muito mais fortes quando nos unimos, o que de forma alguma desmerece o trabalho e o esforço individual. 
Somar forças, trabalhar em equipe, não significa perder o brilho, mas brilhar mais e brilhar com outros. 
O mundo novo será o mundo da colaboração. 
Co–laborar é laborar com alguém, trabalhar com os outros.
Dentro do colaborar também há a ação de compartilhar. 
O conhecimento não pode ser secreto, senão ele perde forças. 
É quando ele é compartilhado que tem chance de se tornar maior. 
As novas tecnologias têm propiciado essa beleza. 
No instante em que um cirurgião faz um procedimento experimental na Índia - algo jamais feito antes -, ele compartilha com outros da mesma especialidade que estão na Alemanha, no Canadá, no Brasil. 
Estes podem opinar, fazer perguntas, dividir impressões. 
Em alguns casos assistem à cirurgia a distância, como convidados. 
Acostumemo-nos, dessa maneira, a conviver e trabalhar em equipe. 
Deixemos o ego inflado de lado. 
Trabalhemos as dificuldades de convívio. 
Superemos esse ou aquele entrave para lidar com pessoas que pensam diferente de nós. 
Brilhamos mais quando estamos juntos. 
Podemos ir mais longe quando somamos nossas forças.
Querendo ou não, precisamos uns dos outros. 
Ninguém é autossuficiente. 
Em todas as empresas do bem, somos complementos naturais uns dos outros. 
O Universo é sustentado na base da equipe. 
Uma constelação é família de sóis. Um átomo é agregado de partículas. 
Aprendamos, então, a conviver melhor com os outros, aproveitando as potências de cada um. 
Que nos amparemos nos momentos de falta, de queda, pois toda empreitada as terá. 
E celebremos juntos os instantes de glória, que haverão de se apresentar, quando investirmos no bem e uns nos outros.
Esse é mais um belo exemplo de como a lei do amor rege todo o Universo. 
Redação do Momento Espírita 
Em 03.06.2026