quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

UMA GOTA NO OCEANO...

DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
Como poderia surgir algo de bom de um jovem rico, acostumado a ser servido, dormir em lençóis de seda, não fazer nada na vida além de usufruir de regalias e mais regalias? 
E se juntarmos um carpinteiro, cujo sonho era ter uma casa com muitos filhos e, depois de anos e anos de espera, acabou sozinho, numa floresta gelada? 
Somemos a isso que a cidade próxima vivia o caos da maldade, onde o prazer de cada um era criar dificuldades para o outro. 
Lemos em obra de inigualável valor que o esforço é lei da vida e todos os seres, de uma forma ou outra, não se podem furtar a ele. 
O esforço expressa-se pelo trabalho aplicado em favor do crescimento pessoal, na busca dos painéis intelecto-morais.
Onde viceja, enfloresce a paz e, no lugar no qual a ação, movimenta o progresso, estua a alegria. 
Num lugar tão caótico, como a ação de uma pessoa poderia fazer a diferença? 
Como transformar algo tão ruim em civilizado? 
Como transformar uma sociedade em que cada um somente vê o outro como inimigo? 
A sabedoria de nosso Pai, no entanto, não tem limites. 
Uma garota faz um desenho expressando a tristeza de estar tão só. 
E a Divindade contrata um vento brando para levar aquele desenho até as mãos do homem solitário. 
Um homem que, enquanto esperava que lhe nascessem os filhos, construiu os mais belos brinquedos. 
Então, a menina recebeu um presente em sua casa, enchendo-se de alegria. 
E como alegria não consegue ficar oculta, porque deseja espalhar os seus benefícios, logo a garotinha divulgou a notícia a outras crianças. 
Assim, o jovem, que nunca fizera algo em sua vida, se empenhou em falar àqueles pequenos, acostumados a maldades, desde o berço, que poderiam ganhar brinquedos.
Bastava que e
O objetivo era praticar uma ação positiva a cada dia. 
E todos os meninos e meninas buscaram a escola, que precisou ser reaberta para que aprendessem o segredo das letras e da elaboração das frases. 
Logo começaram os relatos, nas cartas, intensos e verdadeiros: 
-Meus irmãos e eu, em vez de roubarmos as frutas de Dona Runa, as colhemos e levamos em uma cesta para ela. Dona Runa fez uma torta e trouxe para nossa mãe, que fez um doce e levou para ela. 
Fora criada a corrente da gentileza. 
As armas foram desaparecendo, sendo substituídas por brinquedos. 
Os vizinhos passaram a falar uns com os outros. Logo a cidade se transformara. 
Gentileza gera gentileza.
Em poucos meses, deixou de ser absolutamente cinzenta. 
As casas foram arrumadas e todos começaram a colaborar uns com os outros. 
Surgiram o Clube do Livro, churrascos e cafezinhos como motivos para encontros e reencontros. 
Eles haviam descoberto a alegria de viver bem, de conviver, de se auxiliar. 
Deus não é mesmo incrível? 
Como poderia conduzir aquele jovem preguiçoso para um local tão ruim, para encontrar um coração solitário de um carpinteiro e realizar uma transformação que ninguém acreditava possível? 
Bem verdade é que uma gota faz toda diferença na imensidade do oceano. 
Redação do Momento Espírita, com descrição de cenas do filme Klaus, disponível na Netflix; com base na terceira parte, cap. XII, questão 909 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB e no cap. 13, do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 26.02.2026

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A MULHER MÃE

Anna Jarvis
O mês de maio é dedicado às mães. 
Tudo começou nos Estados Unidos, com Anna Jarvis. 
No segundo domingo de maio de 1907, ela resolveu transferir para todas as mães do mundo a homenagem que seus amigos prestavam para sua própria mãe, Anna Reeves Jarvis.
A ideia foi abraçada em nosso país em 1919, mas somente em 1932, por Decreto Presidencial, passou a se dedicar o segundo domingo de maio para se homenagear as mães. 
O interessante, no episódio, é que alguns de nós nos recordamos que temos mãe somente no dia em que o calendário assinala. 
E, contudo, mãe é uma personagem fundamental em nossas vidas. 
Pedro Almodóvar
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar narra suas experiências com sua mãe. Diz se lembrar dela em todos os momentos de sua vida.
Recorda como ela era extremamente criativa. Uma pessoa de iniciativa.
Em uma época que viveram num pequeno povoado espanhol onde a vida era difícil, porém barata, sua mãe começou a trabalhar como leitora e escrevedora de cartas. 
Com o que ganhava complementava o salário do marido.
O menino Pedro, à época com oito anos, começou a observar que o texto que a mãe lia não correspondia ao que estava no papel. 
Parte ela inventava. 
As vizinhas nem tomavam conhecimento disso, porque o inventado era algo que preenchia aquelas vidas. 
Ela acrescentava uma observação de carinho, de afeto que a carta não trazia. 
Era como se ela preenchesse as lacunas das cartas para tornar aquelas vidas sofridas mais alegres. 
Os improvisos passaram a falar mais alto para o menino Pedro. 
Continham uma grande lição. 
Estabeleciam a diferença entre a ficção e a realidade e o quanto a realidade necessitava da ficção para ser completa, mais agradável, mais fácil de se viver. 
Possivelmente por passar a olhar a vida por este ângulo, escolheu a carreira de cineasta. 
Todos nós percebemos, às vezes somente depois que elas se vão, que as mães são extremamente importantes.
Não necessitam, verdadeiramente, fazer nada de especial para serem essenciais, importantes, inesquecíveis, didáticas.
Elas simplesmente o são. 
Quem não se recordará das primeiras lições aprendidas com aquela personagem única? 
Quem não haverá de se lembrar com emoção das noites de mal estar em que ela ficou sustentando-nos o corpo contra o seu, num aconchego de carinho? 
A primeira ida ao colégio, a mão protetora. 
O afago no dia da desilusão da perda de um jogo na escola. 
O enxugar das nossas lágrimas no dia do insucesso na peça teatral, em que esquecemos o texto e vimos a turma toda a nos olhar, em expectativa. 
* * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Há sempre renúncia na mulher que opta por ser mãe. 
No anonimato da sua abnegação, ela permanece vigilante aos deveres assumidos com alegria junto ao filho. 
Frutos do seu devotamento, conseguimos vencer a noite do tempo e brilhar no mundo. 
Enquanto as mães se multiplicarem no mundo podemos guardar a certeza do descortinar de um futuro melhor para a Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O último suspiro, de Pedro Almodóvar, publicada em Seleções Reader´s Digest, maio.2000 e no cap. 2 do livro Terapêutica de emergência, de Espíritos diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Disponível no Cd Momento Espírita, v. 18, ed. FEP. 
Em 18.07.2013

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

RECEITA INFALÍVEL

ALBINO TEIXEIRA(espírito)
CHICO XAVIER(✝︎)
Uma receita para tratamento de determinada enfermidade é um conjunto de orientações e instruções detalhadas. 
Nela estão incluídos os nomes dos medicamentos, dosagens, via de administração e tempo de utilização. 
Analisando a etimologia da palavra receita, encontraremos o imperativo récipe, que tem o sentido de receba ou tome, referindo-se a ingredientes para se manipular um medicamento. 
Os ensinamentos de Jesus devem ser recebidos assim, como medicamentos de tratamento, alguns buscando tratar enfermidades implantadas na alma, outros como profilaxia, evitando que a saúde se altere. 
Lembremos de alguns itens dessa receita: Para pensamentos sombrios, alguns instantes de prece. 
Importante mudar os hábitos mentais e, quando invadidos por ideias deletérias, pensamentos que inclusive parecem não ser nossos, mudar a sintonia, buscando momentos de oração. Na oração, pedimos auxílio. 
Na oração, mudamos a vibração dos pensamentos. 
Para irritação: silêncio de meia hora, pelo menos. 
Todos nos irritamos, em algum momento. 
Indispensável que avaliemos nossa irritação, jamais fazendo de conta que ela não existe. 
Alguns a contornamos com bom humor. 
Alguns saímos para uma caminhada ao ar livre. 
Outros permanecemos em silêncio, sabendo que qualquer coisa que possamos falar será dita de forma inadequada. 
Para tristeza: ampliação voluntária da quota de trabalho habitual. 
A tristeza é também um sentimento natural. 
Precisamos dar espaço para ela, analisá-la, escutá-la. 
O perigo se encontra quando ela permanece por tempo dilatado, quando se torna desânimo constante e falta de vontade de tudo. 
O trabalho nos coloca na condição de sermos úteis, mantendo ocupada a vida mental, evitando a hora vazia e os pensamentos melancólicos. 
Para a solidão: auxílio a alguém que, em relação a nós, talvez se encontre mais sozinho. Curioso, mas nos momentos em que nos sentimos pequenos, abandonados, vítimas, esquecemos que a dor é partilha de muitos. 
Experiências como essas que atravessamos são comuns no mundo em que vivemos. 
Podemos ter sido abandonados por esse ou aquele, sofrido decepções aqui ou ali, mas esse abandono ou solidão que mencionamos nunca é tão drástico como o que pensamos estar vivendo. 
Por vezes, nós mesmos nos colocamos nesse estado. 
De outras, falta-nos observar ao redor, perceber quantos nos amam e estão de braços abertos a nos esperar. 
Por fim, sós, realmente sós, nunca estaremos. 
Temos um Espírito protetor, designado pelas leis divinas para nos acompanhar desde o início da encarnação. 
Um companheiro desvelado que está ao nosso lado. 
Além disso, estamos mergulhados no amor de nosso Pai, abraçados por Ele. 
A receita segue, basta que estudemos os passos do Mestre.
Cada exemplo, cada palavra dita ou não dita nos serve como medicação indispensável para nossos dias. 
Sigamos a prescrição com atenção, diariamente, e evitemos esquecer a receita em qualquer canto da casa mental.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18, do livro Caminho Espírita, pelo Espírito Albino Teixeira, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 24.02.2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A MULHER IDEAL

RAUL TEIXEIRA
Afixado em um mural, estava o cartaz chamativo: Procura-se uma mulher. 
Que mulher seria?
O autor colocou em prosa o seu anseio nos seguintes termos:
-Minha procura não é algo fácil. Em meu caminhar por este mundo tenho conhecido todo tipo de pessoas, de todas as condições sociais. Mas, no final das contas, somente tem-se tratado de pessoas e o que eu procuro é uma mulher. Uma mulher que não tema ser forte, segura e independente, porque com isso não perde sua feminilidade, pelo contrário, toma o lugar que lhe corresponde na evolução do casal humano. Uma mulher disposta a descobrir e desenvolver todos os seus valores em potencial porque nós, os homens, jamais amadurecemos emocionalmente se temos companheiras, mães, ou irmãs que dão pouca importância ao crescimento como pessoas. A evolução supõe um crescimento compartilhado. Uma mulher preparada e decidida, que não somente saiba o que fazer, mas como e quando fazer, porque assim será um respaldo para mim como eu, com prazer, o serei para ela. Uma mulher que me ajude a ver-me como sou, não como acredito que sou. Que tenha tato para dizer meus defeitos no momento em que estou mais receptivo, para que aceite a crítica construtiva e possa, assim, florescer como pessoa. Uma mulher que seja terna, sem perder a firmeza. Séria, sem chegar a ser solene. Desejosa de superar, sem sentir-se superior. Doce, sem ser melosa. Uma mulher que seja minha companheira em tudo, desde estender a cama juntos até o adentrarmos em uma aventura intelectual, passando pela experiência de trabalhar ombro a ombro e percorrer um parque de bicicleta. Uma mulher que não se alarme se alguma vez me vir chorar. Quero recuperar essa capacidade de expressão reprimida. Que me anime a permitir-me ser frágil e a pedir ajuda mesmo sendo um homem forte. Uma mulher que não se deixe utilizar e que nunca manipule outro ser humano incluindo seu companheiro, pois não tem fundamento cair em uma dependência destrutiva, quando existe a alternativa luminosa de um enriquecimento recíproco. Uma mulher que saiba que o homem foi denominado o ser mais elevado dos viventes, mas que ela, como mulher, foi concebida como a mais sublime das criações do Universo.
* * * 
Sem dúvida, à mulher cabe uma importante quota de contribuição com a obra de Deus, oferecendo a sua sensibilidade e a sua inteligência em favor da vida. 
Muito a propósito é a afirmação do Espírito da Verdade, na obra O Livro dos Espíritos, quando alerta que a tarefa delegada para a mulher é mais importante que a do homem.
Isso porque cabe a ela conduzir os homens, dando-lhes as primeiras noções de vida. 
Quando a mulher se decidir a educar e amar, instruir e orientar com firmeza e disposição, o mundo, mais rapidamente, mudará para melhor. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Uma mulher, de Rafael Martin del Campo, do livro Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana e no cap. 13 do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.01.2011.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

TRÊS ANOS!

EMMANUEL - ANDRÉ LUIZ
E CHICO XAVIER
Foram três anos incompletos para Ele mudar o curso da vida no planeta. 
Tempo marcado a partir do início de Seu ministério, quando se apresentou a João Batista às margens do rio Jordão, até os instantes derradeiros na crucificação. 
São estimativas, naturalmente.
Mas tomemos a simbologia do período para uma análise necessária para todos nós. 
Foi nesse período que Simão Pedro deixou de ser um pescador comum, e foi convidado a se tornar um pescador de almas. 
Mesmo com dificuldades e um ato de invigilância antes da partida do Mestre, tornou-se a pedra fundamental do que seria construído.
Foi nesse período que João, ainda adolescente, juntou-se ao grupo que estava sendo formado por Jesus, e vivenciou experiências inigualáveis. 
Falaria delas em seu evangelho, com doçura e saudade. 
O único dos apóstolos a estar com Ele aos pés da cruz. João construiu muito ao longo da existência. 
Desencarnou em idade avançada, dando continuidade ao trabalho de amor proposto por Jesus. 
Tudo graças àquele período com Ele. 
E certa Maria, da cidade de Magdala, nessa mesma etapa, repensou seus caminhos, e se tornou outra pessoa.
Transformou-se na trabalhadora de Jesus, acolhendo sofredores e levando-lhes as lições do Evangelho. 
Sobram exemplos. 
Pouco menos de três anos. 
Quantas vidas transformadas. 
Quantos seareiros multiplicados. 
* * * 
E nós? Como estamos nos últimos três giros da Terra em torno do sol? 
São cerca de mil e noventa e cinco dias. 
Mil e noventa e cinco oportunidades de transformação, de construção de algo de valor. 
Pensemos. 
Nesses últimos três anos: 
Estamos mais calmos, afáveis, compreensivos? 
Trazemos o Evangelho mais vivo em nossas atitudes?
Demonstramos mais disposição para servir? 
Andamos um pouco mais livres da influência e do anseio pelas posses terrestres? 
Usamos mais intensamente os pronomes nós, nosso, nossa e menos os determinativos eu, meu e minha? 
Temos orado realmente? 
Os nossos ideais evoluíram? 
E a lista continua... 
Um exame importante e necessário, que precisa ser realizado de tempos em tempos por todo cristão. 
Trata-se de uma disciplina fundamental a ser adotada por aqueles que nos propomos a melhorias, a mudanças. 
Como saber no que estamos indo bem e no que precisamos de mais atenção sem realizar qualquer medição, qualquer controle? 
Não se trata de buscar a perfeição em poucos anos nem de nos frustrarmos e desanimar cada vez que percebemos que não estamos evoluindo muito bem na caminhada. 
Trata-se de assinalarmos pontos de urgência, de atenção, de necessidade. 
Caso contrário certas questões irão ficando, se solidificando.
Daqui a pouco, estaremos adoecidos. 
As lições do Cristo são um tesouro. 
Devemos estudá-las e aprofundar nosso conhecimento, mirando em seu exemplo magnífico e de todos aqueles que lhe seguiram os passos. 
Por fim, ainda um ponto de destaque dos itens a serem verificados: 
Evangelho é alegria no coração: 
Estamos, de fato, mais alegres e felizes, intimamente, nesses últimos três anos? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Opinião Espírita, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. CEC. 
Em 20.02.2026

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A PROMESSA DO AMANHECER

Quando rompe esplendorosa a madrugada, tudo sinaliza um recomeço. 
E é dessa maneira que devemos tecer nosso hino de gratidão à vida. 
A vida é a mais sublime das concessões, um poema épico escrito na luz das novas horas que nos são oferecidas. 
É uma melodia que se renova, uma sinfonia que jamais se exaure, tocada no compasso perfeito do tempo, na qual cada nota é uma bênção incalculável. 
Nosso Pai, com Seu amor terno e grandioso, nos oferece a dádiva da existência, um milagre complexo e frágil, revestido de beleza e de esperança, que resiste a todas as noites. 
É preciso um momento de silêncio contemplativo para verdadeiramente apreender a magnitude do amanhecer de um novo dia. 
Momento de oração em que a alma, genuflexa, alcança os céus em louvores de gratidão. 
E somente então nos erguermos, decididos a viver essas vinte e quatro horas em plenitude. 
Aproveitar cada toque de carícia do vento, de brisa delicada, o calor do sol, a delicadeza da chuva que cai lenta e silenciosa.
A vida é a soma de nosso sim ao despertar, ao respirar, ao amar e ao errar, pois, até no tropeço reside a oportunidade de um aprendizado que forja a alma. 
Somos peregrinos de uma jornada tecida em luz e sombra, mas é o fio dourado da esperança que costura o tecido da nossa passagem. 
O otimismo não é uma negação ingênua da dor, mas uma fé inquebrantável na capacidade inerente da vida de se regenerar, de se reinventar, de reflorescer, mesmo após a mais rigorosa das geadas. 
A bênção da vida reside no inusitado de cada hora, na certeza de que tudo se move, tudo se transforma, e que o rio do tempo leva consigo a tristeza do ontem e traz a promessa de um inexplorado amanhã. 
Pensemos nesses dias de um novo ano como um vasto oceano, uma ilha virgem que emerge das águas, intocada e repleta de recursos. 
Não são meras horas repetidas. 
São horas singulares, dotadas de um potencial que nunca existiu e nunca mais se repetirá. 
Porque a criatividade divina é infinita. 
Em cada amanhecer, permitamo-nos dissolver as culpas da noite, desfazer os nós do passado e limpar a lousa para escrever o presente com a caligrafia do nosso potencial.
Sintamos esse recomeço cíclico como se a vida, com a voz suave de uma mãe amorosa, sussurrasse: 
-Não importa o quão errado tenha sido o ontem, aqui está a chance de recomeçar, com o fôlego renovado. 
Os novos dias que se anunciam carregam o eco dos nossos sonhos e a vibração dos anseios mais recentes. 
Eles são a materialização da nossa capacidade de sonhar e de construir. 
Em cada amanhecer, recebemos as ferramentas: a vontade para iniciar, a disciplina para prosseguir, e a convicção de que somos fortes o suficiente para enfrentar o que vier. 
E, mais importante, a certeza de que a luta em si tem um valor intrínseco, que nos lapida e nos eleva. 
A poesia da vida reside na transmutação da adversidade em força, do desafio em crescimento. 
O novo dia nos oferece o palco para essa alquimia da alma.
Abracemos a promessa do próximo amanhecer. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.02.2026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MULHERES

MARTHA MEDEIROS
No mundo, existem diversos tipos de mulheres. 
Existem as que curam com a força do seu amor e as que aliviam dores com a sua compaixão. 
Foram exemplos Irmã Dulce, na Bahia, e Madre Teresa, na Índia. 
Existem mulheres que cantam o que se sente e as que escrevem. 
Há mulheres glamourosas, como foi Lady Di e mulheres maravilhosas que deixam lições eternas, como Eunice Weaver e Madame Curie. 
Existem mulheres que fazem rir, e mulheres talentosas no teatro, nas telas dos cinemas, nos palcos do mundo. 
Entre tantos tipos de mulheres existem as que não são conhecidas ou famosas. 
Mulheres que deixam para trás tudo o que têm, em busca de uma vida nova. 
Lembramos das nossas nordestinas e sua luta constante contra a adversidade, para que os filhos sobrevivam. 
Mulheres que todos os dias se encontram diante de um novo começo, que sofrem diante das injustiças das guerras e das perdas inexplicáveis, como a de um filho amado, pela tola disputa de um pedaço de terra, um território, um comando.
Mães amorosas que, mesmo sem terem pão, dão calor e oferecem os seios secos aos filhos famintos. 
Mulheres que se submetem a duras regras para viver.
Mulheres que se perguntam, ante a violência de que são vítimas, qual será o seu destino, o seu amanhã. 
Mulheres que trazem escritos nos sulcos da face, todos os dias de sua vida, em multiplicadas cicatrizes do tempo. Todas são mulheres especiais. 
Todas, mulheres tão bonitas quanto qualquer estrela, porque lutam para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Entre essas, as que pegam dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar. 
E quando chegam em casa, encontram um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. 
Mulheres que vão de madrugada para a fila a fim de garantir a matrícula do filho na escola. 
Mulheres empresárias que administram dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana. 
Mulheres que voltam do supermercado segurando várias sacolas, depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. 
Mulheres que levam e buscam os filhos no colégio, os colocam na cama, contam histórias, dão beijos e apagam a luz. 
Mulheres que lecionam em troca de um pequeno salário, que fazem serviço voluntário, que colhem uvas, que operam pacientes, que lavam a roupa, servem a mesa, cozinham o feijão e trabalham atrás de um balcão. 
Mulheres que criam filhos, sozinhas, que dão expediente de oito horas e ainda têm disposição para brincar com os pequenos e verificar se fizeram as lições. 
Mulheres que arrumam os armários, colocam flores nos vasos, fecham a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantêm a geladeira cheia. 
Mulheres que sabem onde está cada coisa, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para dor de cotovelo do adolescente. 
Podem se chamar Bruna, Carla, Teresa ou Maria. 
O nome não importa. O que importa é o adjetivo: mulher. 
* * * 
A tarefa da mulher é sempre a missão do amor. 
Onde quer que ela esteja, ali se encontrará um raio de luz, uma pétala de flor, um aconchego, um verso, uma canção.
Redação do Momento Espírita, com base nas crônicas Mulherão, de Martha Medeiros e Mulheres, de autoria ignorada. 
Em 09.02.2015.