quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NARCISOS CONTEMPORÂNEOS

Na mitologia grega, Narciso era um jovem bonito e vaidoso.
Um dia, Narciso curvou-se para beber água em uma fonte e, vendo sua própria face refletida na água, enamorou-se dela. 
A lenda nos conta que ele foi definhando, dia após dia, sem se alimentar, sem descansar, encantado pelo reflexo de sua própria imagem na superfície da água, até morrer. 
Foi Sigmund Freud que acrescentou o termo narcisismo ao vocabulário da psicologia para designar amor à própria imagem. 
O termo contemplava também a etapa do desenvolvimento na qual a criança faz do próprio eu o objeto principal de seu amor. 
Segundo o Manual Americano de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, narcisistas são indivíduos arrogantes e convencidos, que têm fantasias magníficas sobre si mesmos. 
Eles superestimam seu sucesso, precisam ser constantemente admirados e sempre esperam tratamento preferencial. 
Os narcisistas estão convencidos de que merecem mais do que recebem. 
Preocupam-se em ter boa aparência e manter-se jovens. 
Não são sensíveis às necessidades e aos problemas dos outros. 
Com pouca tolerância para crítica, frequentemente reagem com fúria a ofensas reais ou imaginárias. 
Em suma, os narcisistas focalizam a si mesmos, fascinados com sua personalidade e seu corpo. 
Com um individualismo atroz que carece de valores morais e sociais e se desinteressa por qualquer questão transcendental. 
Percebe-se que o distúrbio em questão é bastante sério, e comum de se encontrar nos dias de hoje. 
Vivemos dias em que cultuamos o narcisismo, seja na esfera individual, coletiva e das grandes mídias. 
Muitos valores do mundo contemporâneo não passam de consequências de um narcisismo disfarçado de bem-estar, de saúde, de prazer. 
Dessa forma, faz-se urgente uma revisão em todos os valores que temos, em todas as coisas a que damos importância e em que aplicamos nossas energias. nas adolescentes anoréxicas; no exibicionismo de corpos esculturais na televisão; nas cirurgias plásticas excessivas; nos expectadores que compram quaisquer novas ideias impostas pelas mídias, percebemos o narcisismo reinante. 
Talvez seja necessário relembrar as consequências do comportamento de Narciso. 
Iludidos pela imagem do corpo, pela superficialidade dos valores do mundo, não só o corpo, mas sobretudo a alma acaba definhando, perdendo-se num mar de ilusões passageiras. 
* * * 
Ainda há tempo de perceber que a imagem do espelho não representa quem somos. 
Não é nossa essência, e sim apenas uma vestimenta temporária. 
O verdadeiro eu é a alma imortal, a alma que aprende, que luta, que se desenvolve. 
A verdadeira beleza está no Espírito que se liberta das amarras do materialismo preponderante. 
O ser realmente belo será aquele que se entregue, não à imagem refletida numa superfície refletora, mas se doe profundamente, por amor, aos outros. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Mário Pereyra, disponível no site
Em 20.06.2014.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

NARCISISMO E AMOR-PRÓPRIO

Brené Brown
A renomada professora e pesquisadora norte-americana, Brené Brown, apresenta pesquisa curiosa e reveladora, em sua obra A coragem de ser imperfeito
Informa que um grupo de pesquisadores realizou uma análise em três décadas de canções que chegaram ao topo das paradas de sucesso. 
Eles registraram uma tendência estatística significativa para o narcisismo e a hostilidade na música popular. 
Encontraram uma diminuição expressiva no uso de nós e nosso, e um aumento de eu e meu. 
Não para por aí. 
Eles relataram um declínio das palavras relacionadas à solidariedade e a emoções positivas. 
E um aumento das palavras relacionadas à ira e ao comportamento antissocial, como ódio e matar. 
Dois pesquisadores da equipe, que publicaram o livro A epidemia do narcisismo, argumentaram que a incidência do transtorno de personalidade narcisista mais que dobrou nos Estados Unidos nos últimos dez anos. 
São sintomas de uma sociedade adoecida, certamente. 
No entanto, não podemos apenas identificar problemas, precisamos ir em busca de soluções. 
O amor a si mesmo, proposto por Jesus, é o caminho autêntico e seguro para isso. 
Provavelmente, na sua fase inicial, se expressa como autovalorização descabida, por ignorância real das possibilidades que lhe são inatas. 
Quando não estamos hábeis ao amor-próprio no seu sentido mais profundo, permitimo-nos tornar soberbos, enrijecendo o sentimento de ternura e de respeito por nosso próximo. 
O amor-próprio saudável é fundamental nos relacionamentos humanos, em particular nas parcerias afetivas, no matrimônio ou não. 
À medida que o ser humano se conscientiza dos objetivos existenciais, dos desafios que o aguardam, de como deverá enfrentar insucessos e problemas, maior se lhe apresenta o amor-próprio. 
Ele o induz a não cometer os mesmos desvarios de antes, ao culto do personalismo perturbador, ao narcisismo desenfreado, nem tampouco à subestima, à desconsideração pelos seus potenciais de realização. 
Enfim, a tudo quanto é próprio como resultado das conquistas conseguidas. 
Dá-se conta, então, do muito que lhe falta conquistar. 
Porém, se percebe feliz pelo que já alcançou.
O amor-próprio abre um elenco abençoado de possibilidades de serviço para o progresso interior, equilibrando a emoção em referência às aspirações, a mente em relação ao comportamento, a vida diante da imortalidade. 
Induzido ao autoaprimoramento, o Espírito torna-se tolerante para com as falhas do seu próximo, embora não concordando com essas atitudes infelizes. 
Não se transforma em julgador de ninguém, porque conhece as dificuldades que ele mesmo enfrenta, nesse embate de autocrescimento que não cessa. 
A sua visão de mundo é mais abrangente, mais rica de compaixão, mais enternecedora. 
O amor-próprio dá a exata dimensão do que somos, de como nos encontramos e do quanto necessitamos realizar a fim de alcançar o objetivo da harmonia. 
Por isso, trabalhemos por menos narcisismo e mais amor-próprio. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 1, do livro A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, ed. Sextante, e no cap. 20, do livro Garimpo de amor, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 06.03.2026

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SAUDADE COM EQUILÍBRIO

CHICO XAVIER
Minha mãe, minha amada mãezinha Ebe. 
Eu quero lhe pedir para não chorar.
As suas lágrimas são como chamas 
de dor no meu coração... 
Eu tenho aqui a minha amada
 bisavó Tina 
e o nosso bisavô Amadei, 
que estão comigo. 
Fique tranquila, Deus está conosco. 
À senhora e ao meu pai, 
um beijo do seu filho. 
*** 
Francisco Cândido Xavier psicografou inúmeras cartas, que, muitas vezes, começavam assim, buscando apenas tranquilizar os corações que haviam permanecido na Terra.
Por vezes, mergulhados na imensa dor da saudade, da falta, acabamos nos tornando egoístas, isto é, deixamos de lado a dor daqueles que partiram. 
Eles estão vivos. 
Essa a primeira constatação, a maior certeza.
Não se trata de fé, crença, mas de confirmação da realidade.
Uma realidade que muitos não conhecem e que, no entanto, está mais que clara. 
A segunda certeza nos fala de amparo. 
Todos recebem a devida assistência ao desencarnar, seja pelos antepassados, pela família espiritual que lá está, ou pelos socorristas do bem. 
Há equipes de resgate, equipes responsáveis pelo auxílio aos recém-desencarnados. 
Trabalhadores do bem que se propõem à tarefa nobre de acolher as almas dos que se desligam do corpo. 
Tudo isso é manifestação de um Deus, Pai de amor. 
É a ação de uma Providência Divina muito bem-organizada, ciente de tudo que ocorre no planeta a cada instante. 
Assim, nesses primeiros e mais dolorosos momentos da morte de um amor, digamos a nós mesmos: 
-Calma, nada está fora do controle. Não há razão para desespero ou revolta. 
Num segundo momento, importante pensarmos naquele que parte, mais do que em nós que ficamos. 
Trata-se de um instante necessário, do término de uma jornada no planeta, o fechamento de um ciclo. 
Dói-lhes e os perturba ouvir frases como: 
-Você não poderia ter partido! Por que você me deixou? Como vou viver sem você agora? 
Nosso coração aflito quer dizer isso. 
Sentimos a partida, sofremos com a ausência física. 
Mas não há prova maior de amor do que, nesse momento, deixarmos a nossa dor em segundo plano para pensarmos na tranquilidade dos seres amados. 
Com certeza, desejamos que o momento da partida lhes seja o mais suave, o menos atribulado possível. 
Nós, os que amamos, desejamos somente o melhor aos nossos amores. 
Nesse momento devemos ajudá-los com nossas preces, com pensamentos orientadores e com lembranças positivas. 
Talvez ele ou ela demore para descobrir que ainda vive, embora não mais em um corpo físico. 
E que notícia maravilhosa quando se derem conta disso!
Então, contemos isso a eles em nossas orações, falemos disso em nossas conversas com os familiares e até nas cerimônias que se realizam, em sua homenagem. 
Se sofremos em demasia, eles sofrem conosco. 
Se nos revoltamos, eles querem voltar e não conseguem.
Agindo assim lhes criamos uma agonia desnecessária.
A morte celebra uma nova fase. 
Uma separação temporária, jamais destruição ou fim.
Cultivemos a saudade com equilíbrio, com desejo do bem àqueles que iniciam um novo ciclo, guardando a certeza de que, nem eles e nem nós, que permanecemos aqui, estamos sem amparo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Claramente vivos, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 25.08.2026

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

NÃO VALORIZE AGRESSÕES

JOSÉ RAUL TEIXEIRA
Como você costuma se comportar diante das agressões? Você as valoriza ou não? 
O seu cotidiano será sempre marcado por situações de variados níveis de gravidade. 
Você estará sempre a braços com as correntezas diárias de satisfação ou de tormento que o alcançam para fazê-lo crescer para Deus. 
Em meio aos episódios todos que você vivencia está a agressão entre os indivíduos, que se esbarram a todo momento pelas vias comuns. 
Sem dúvida, você também participa de um modo ou de outro dessa verdadeira tomada humana, cabendo-lhe, no entanto, realizar esforços por superar essas ondas perturbadoras.
Tenha cuidado com o mau humor de familiares, de amigos próximos, do chefe ou do empregado. 
Não lhes passe recibo. 
É muito comum que a pessoa deseje dar ou receber explicações em situações assim. 
Os resultados costumam ser desastrosos. 
Quando veja alguém nas crises de mau humor, ore por ele e busque entender como tratá-lo, como abordá-lo, para que não haja desentendimentos desnecessários. 
Você sairá sempre feliz desses episódios, se adotar essas providências. 
Nessas horas, fale o mínimo, module com tranquilidade a própria voz. 
Não esqueça, porém, de vibrar pelos que estão mal sintonizados. 
Quando receba agressões no movimento de veículos, no trânsito, não revide, pense no bem e avance em seu caminho.
Evite discutir, evite explosões temperamentais, evite atirar ameaças em nome da irritação. 
Você nunca sabe com quem está falando, se é com uma alma serena que cometeu, por um momento, algum equívoco, que se calará frente à sua irritação. ou se está se dirigindo a alguém de temperamento também explosivo, que resolve tudo no braço ou com o uso de armas. 
Recorde-se de que Jesus exaltou a mansuetude e a paz, ao enunciar as bem-aventuranças. 
Busque tranquilizar-se, fazendo esforços por não sintonizar com níveis de fluidos corrompidos onde se vinculam entidades de péssima índole, sejam encarnadas ou não. 
Procure preservar boa relação com seus patrões, com seus empregados, com seus companheiros da oficina de trabalho.
Nada consegue recompensar a alegria e a paz íntima que você sente, cada vez que doma a si mesmo, demonstrando superioridade espiritual, pela capacidade de não valorizar o mal. 
Em cada situação complexa, em qualquer área ou momento da sua vida, aja sempre da melhor forma, evocando o equilíbrio que você quer desenvolver pensando nas bênçãos da paz almejadas. 
Passados os momentos das ocorrências, sejam quais forem, você sentirá saudável atmosfera de harmonia e de segurança espiritual, com a alma iluminada pelo ideal do bem, sem guardar remorsos, sem reter mágoas, sem se perturbar.
Confie no bem e faça o bem, a fim de que você se transforme num polo de equilíbrio a balizar a marcha humana de tanta gente. 
* * * 
O homem, que no mundo ocupa elevada posição, não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. 
O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da Humanidade material. 
Esse compreende que o ódio e o rancor só o rebaixariam.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18 do livro, Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 19.08.2010.

domingo, 23 de agosto de 2026

NÃO TE RECORDES DA NOITE QUANDO TENS O DIA

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura. 
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor. 
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo. 
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva. 
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: 
-Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome.
Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida. 
A resposta de Jesus é brilhante: 
-Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna. Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz. 
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala. 
* * * 
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador. 
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. 
Ajustes com a lei. Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação. 
O alerta a Madalena serve para todos nós. 
Não olhar para o passado. 
Não olhar para a noite que se foi. 
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. 
Dessa maneira, proponhamo-nos a arar! Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás.
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. 
Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural. Conhecer a si mesmo é uma coisa. 
Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente. 
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante. 
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material. 
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo. 
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe. 
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro. 
Lembremos da recomendação do Mestre: 
-Não te recordes da noite, quando tens o dia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 da obra A estrela verde, de Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho, ed. LEAL. 
Em 25.07.2026
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sábado, 22 de agosto de 2026

PROVOCANDO ESCÂNDALOS

Marcelo Anátocles Ferreira
Profundo conhecedor das Suas ovelhas, Jesus de Nazaré asseverou que o escândalo se faz necessário na Terra. 
Mas advertiu sobre a responsabilidade de quem o provoca. 
Em 1937, o pintor espanhol Pablo Picasso concebeu a célebre obra Guernica. 
O quadro retratava o terrível massacre da Alemanha nazista, sofrido por aquela cidade no período da guerra civil espanhola. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, o seu apartamento em Paris foi invadido por soldados alemães. 
Ao encontrarem os esboços da obra, um dos militares questionou de forma imediata: 
-Você fez isso? 
Com serenidade, o pintor respondeu: 
Pablo Picasso
-Eu não, vocês fizeram. 
Qual seria o verdadeiro escândalo: pintar Guernica para denunciar o mal, ou ser responsável pelo massacre?
No final do século 19, um escândalo político abalou a França. 
O judeu Alfred Dreyfus, oficial da artilharia do Exército francês, foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de alta traição. 
O processo, embasado em documentos falsos, foi conduzido a portas fechadas, impedindo que o inocente produzisse provas a seu favor. 
Inconformada, sua família lutou sem sucesso pela revisão da sentença. 
Em busca de apoio, procurou o escritor Émile Zola, que, indignado, publicou, na primeira página de um jornal, uma carta aberta ao presidente da República, que ficou conhecida como Eu acuso
Isso lhe custou o exílio em Londres. 
Contudo, o impacto da matéria foi tão grave que o processo foi reaberto, o verdadeiro traidor foi descoberto e Dreyfus, após cinco dolorosos anos de prisão, recuperou a liberdade.
Em 1857, quando Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos, provocou um escândalo que abalou as bases da filosofia e da religião. 
Ele e seus seguidores enfrentaram severas perseguições, culminando no Auto de fé de Barcelona, em 1861, quando 300 livros espíritas foram incendiados por ordem do bispo local.
Não menores, com toda certeza, foram os escândalos provocados por João Batista com o anúncio de que vinha preparar os caminhos do Senhor. 
E do Nazareno, que nos apresentou Deus como Pai de todos os residentes do planeta. 
Um Deus de amor, misericórdia e justiça, que ampara aos Seus filhos. 
Escândalos numerosos produziram os primitivos seguidores do Cristo, descendo às arenas do circo romano cantando louvores, testificando da romagem que empreendiam para a verdadeira vida. 
A história mostra que quase todo grande avanço moral, científico ou artístico começou como um escândalo. 
A afirmação de Galileu Galilei de que a Terra girava em torno do Sol foi um escândalo que abalou a visão de mundo da época. 
A luta para que mulheres tivessem o direito ao voto e o movimento pela Abolição da Escravatura foram tratados como atos escandalosos que destruiriam a família e a economia.
Podemos dizer que o escândalo positivo é a dor do crescimento intelectual e moral da humanidade. 
Ele destrói uma velha ordem para que uma forma mais elevada de pensamento, justiça ou empatia ocupe o seu lugar.
Que tal nos tornarmos promotores de escândalos positivos, agindo como verdadeiros seguidores do Homem de Nazaré?
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O mundo precisa de mais escândalos positivos, de Marcelo Anátocles Ferreira, do Jornal Mundo Espírita, edição 1703, ano 94, da Federação Espírita do Paraná. 
Em 21.08.2026

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

NÃO TENHA INVEJA DOS RICOS

JOANNA DE ÂNGELIS
DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Quem nunca sonhou em ser milionário? 
Viver entre luxo e festas, divertimentos, viagens e alegria?
Essa aspiração é universal e é comum a pessoas de todos os países e épocas. 
É que a maior parte da Humanidade fixa seus interesses apenas na vida material. 
Acreditamos mesmo que a boa condição financeira vai nos trazer a completa felicidade.
É uma ilusão.
Associamos o bem-estar a coisas que nos dão prazer ou satisfazem nossos sentidos: boa comida, conforto, pessoas que nos servem e atendem aos nossos mínimos desejos. 
Aos poucos, passamos a acreditar que os ricos é que são felizes em suas vidas, que nos parecem uma permanente festa. 
Quando passam em seus carros de luxo, elegantemente vestidos, suspiramos ao contemplar a beleza das joias e, sequer imaginamos que algo possa estragar tal felicidade.
Mas, nos enganamos.
As belas residências também abrigam gente que se entristece, que tem problemas, que está sujeita à doença, morte, traições, decepção. 
E quantas vezes os ricos carregam excessiva carga de dores que não vemos. 
Sim, pois o dinheiro tem o poder de trazer consigo falsas amizades, ambição, paixões e excessos. 
A riqueza tem um componente ainda mais grave. 
Não raro, ela nos escraviza. 
Muros altos, cercas eletrificadas, guardas de segurança, cães e grades atestam o medo que deixa sitiadas as grandes fortunas. 
É o temor de ladrões, de sequestradores, de gente que tentará enganar ou levar algum tipo de vantagem. 
E o que dizer do medo de que os amores e amizades sejam interesseiros? 
O que pensar das brutais disputas por heranças? 
São escravizações. 
O dinheiro tem, ainda, um estranho poder: o de fazer com que se gaste tanto quanto se ganha. 
E que sempre se queira muito mais do que se tem. 
É comum vermos as pessoas passarem horas a buscar os melhores investimentos, as aplicações mais rentáveis.
Atormentam-se com as oscilações da bolsa de valores e acompanham trêmulos o comportamento do mercado.
Escravos do dinheiro, que deveria lhes trazer benefícios. 
Por isso, não tenha inveja dos ricos. 
Não queira ser mais um a ser dominado pelo dinheiro. 
Se tiver que admirar alguém, que seja aquele que consegue viver satisfeito com o que tem. 
Se tiver de imitar alguém, que seja o sábio Francisco de Assis, que sentiu a força escravizadora da fortuna e optou pela liberdade. 
Francisco pobre, feliz Francisco, que escolheu o amor em vez do dinheiro. 
* * * 
A riqueza, sob qualquer aspecto considerada, é bênção que Deus concede ao homem para sua felicidade. 
Ao homem compete bem utilizá-la, multiplicando-a em dons de misericórdia e progresso a benefício do próximo. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento extraído do verbete Riqueza, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, v. 2., ed. LEAL. Disponível no livro Momento Espírita v. 7. ed. FEP 
Em 16.12.2021