quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NÃO SEI...

CORA CAROLINA
Algumas pessoas passam pela vida perguntando se vale a pena tanto sofrimento... 
Se tanta correria vai nos levar a algum lugar, nesse curto tempo de uma vida. 
Se o desamor e a miséria, que nos rodeiam, merecem nosso esforço por algo, ou alguém, ainda hoje. 
Se a vida que temos nos levará a sentirmos mais paz e alegria, algum dia. 
Muitas são as nossas dúvidas, quando desprovidos de conhecimentos maiores. 
Diversas inquietudes nos movimentam a mente que se encontra sem um porto seguro. 
A incredulidade cria forças frente aos desatinos que se presencia a todo instante. 
Por vezes, temos a impressão de que deve existir algo mais positivo, mas não registramos claramente, ainda. 
Sentimos ter recurso valioso, em nosso interior profundo, mas vivenciamos tudo, automaticamente, no exterior. 
E, por esse não entendimento da vida e do tempo, nos equivocamos. 
Em muitas oportunidades, amamos apenas aos que nos amam, e deixamos às margens de nosso querer, outros que caminham ao nosso lado...
Auxiliamos a quem nos auxilia, e nem observamos os que choram suas necessidades em nosso caminho... 
Oferecemos aos nossos filhos o melhor que sabemos, temos, e podemos, e ignoramos a criança faminta que pede um pão...
Tantas dúvidas permeiam nossos dias na Terra... 
* * * 
Somente quando a vida nos leva a reflexões maiores, passamos a compreender o seu real sentido. 
Aprendemos que a realidade que somos e vivemos, é uma grande oportunidade de crescimento interior. 
Nada de bom ou de ruim nos chega por mero acaso, desde que acaso não existe nos planos Divinos. 
Aprendemos que o sofrimento é lição para a alma se aprimorar, na grande e libertadora escola da vida. 
Que a solidariedade nos faz mais felizes ao vermos a alegria no olhar do irmão atendido. 
Que nosso gesto de carinho para quem sofre nos inunda de sentimentos até então desconhecidos. 
Que a oração que elevamos aos céus nos deixa mais leves e satisfeitos com a vida que temos. 
* * * 
Compreender o real sentido da vida nos leva a sair de nós mesmos e seguir ao encontro do outro. 
A exigirmos menos de tudo o que nos cerca e a darmos mais do que possuímos. 
A valorizarmos o que antes não percebíamos e a deixar de lado o que nada nos acrescenta. 
A nos preocuparmos mais com o que fazemos e menos com o que os outros fazem. 
E, a percebermos que o que fazemos na vida e da vida, é responsabilidade nossa. 
Aquilo que o outro faz é problema dele.
Enfim, a entendermos, mais e melhor, as palavras da grande poetisa, Cora Coralina, quando registra:
-Não sei... 
Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. 
Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de versos da poesia Não sei, de Cora Coralina, disponível no site http://www.tempodepoesia.name/naosei_cc.htm 
Em 23.09.2016.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

PIEDADE EM CASA

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Muitas vezes saímos procurando exercer a caridade nas ruas, mas esquecemos das lições básicas dentro da nossa própria casa. 
Como nos aconselha o Espírito Emmanuel, não precisamos esperar que a dor bata à nossa porta para deixar a flor da compaixão desabrochar no peito. 
Tentemos ser mais carinhosos e gentis com os nossos familiares dentro dos nossos lares. 
A nossa casa é a melhor escola, onde todo dia temos várias chances de praticar o bem. 
Quando alguém sob o nosso teto perder a cabeça, respiremos fundo e ofereçamos a nossa tolerância silenciosa. 
Evitemos frases duras de acusação quando um parente se ausentar ou demorar um pouco mais do que o previsto para retornar. 
Da mesma forma, não nos irritemos com aquele irmão que acabou se deixando levar pelo orgulho nas ilusões da vida. 
Na qualidade de marido, procuremos desculpar a fraqueza ou a irritação da companheira naqueles dias mais cinzentos da incompreensão. 
Como esposa, busquemos perdoar as falhas do companheiro, ajudando-o a crescer. 
Pais e mães, tenhamos piedade com os filhos quando eles estiverem dominados pela indisciplina. 
Filhos, saibamos compreender os pais quando eles pesarem a mão no rigor. 
É fundamental estender a mão ao familiar que se equivocou para que a situação não piore. 
Lembremos de que toda revolta nasce da nossa própria ignorância diante da vida. 
Então, façamos das nossas horas em família um verdadeiro exercício de fraternidade. 
Quando sentirmos que a impaciência ou a raiva estão tomando conta, experimentemos adotar o silêncio como o grande guardião da paz íntima. 
Tenhamos compaixão, sempre. 
Mesmo que tudo ao nosso redor pareça desespero, amparemos as pessoas e esperemos com calma, sem reclamar. 
Vamos nos habituar a deixar o mal de lado, fazendo todo o bem que estiver ao nosso alcance diariamente. 
Seremos sempre os maiores beneficiados.
*** 
Lembremos que nascemos com quem deveríamos ter nascido, por mais estranho que isso possa nos parecer em muitas ocasiões. 
Alguns nos sentimos deslocados em nossos grupos familiares.
Outros destoamos significativamente. 
Prestemos muita atenção nisso. 
Nem sempre os que encarnamos numa mesma família somos seres simpáticos, atraídos por afinidade. 
Deus permite que, nas famílias, ocorram encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.
A proposta do Criador é muito rica: contato com a diversidade e a chance de reconciliação. 
Se apenas buscássemos aqueles que pensam como nós, que nos fazem as vontades e nos admiram por tudo que fazemos, pouco aprenderíamos. 
Precisamos desse contato de arestas, do convívio com aquele que pensa diferente, com aquele que apresenta outros pontos de vista. 
Vejamos como mesmo dentro de uma mesma irmandade, filhos dos mesmos pais, temos diferenças bastante significativas. Isso não é o acaso. 
Somente assim melhoramos, somente assim nos auxiliamos uns aos outros. 
A natureza opta pela diversidade, pela diferença, pois sabe que ela nos motiva ao crescimento. 
 Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Alvorada do Reino, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL e no cap IV de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 03.08.2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE SOTERRAR

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua pequena fazenda. 
Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado. 
O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. 
O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. 
Mas, pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.
Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. 
O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o cobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.
No entanto, à medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia, derrubava-a no chão e ia pisando sobre ela. 
Logo, os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que, finalmente, conseguiu sair. 
* * * 
Algumas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. 
É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. 
Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade. 
Afinal, se nos permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções: ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo, ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre. 
É importante que, se estamos nos percebendo soterrar, sacudamos a terra e a aproveitemos para subir. 
Ademais, em todas as situações difíceis que enfrentamos na vida, temos o apoio incondicional de Deus, nosso Pai Celestial, do qual podemos nos aproximar através da oração.
E a oração é uma poderosa alavanca de que podemos lançar mão a qualquer momento e em qualquer lugar. 
* * * 
Jesus nos recomendou oração e vigilância. 
A vigilância constante pode nos poupar de muitos dissabores, pois quem está atento facilmente percebe a investida de sentimentos perigosos que podem nos infelicitar. 
É a chegada silenciosa de uma desilusão, da inveja, do orgulho, da soberba, da solidão e de outros tantos detritos que pesam em nossa economia moral e tendem a nos levar para o abismo. 
A oração é recurso precioso que nos permite as forças necessárias para resistir a todas as investidas menos felizes.
Por isso, vale a pena meditar sobre os sábios conselhos do Mestre de Nazaré, pois eles podem nos ser muito úteis na conquista da felicidade que tanto desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autor desconhecido.
Em 24.04.2018.

domingo, 2 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE DESESTIMULAR

RAUL TEIXEIRA
No seu aprendizado diário, na caminhada necessária para a evolução, você encontra empeços variados, ao longo do caminho, que parecem destinados a lhe desanimar no longo percurso. 
Muitas vezes você encontra os chamados inimigos gratuitos, os amigos faladores que o deixam em situações difíceis.
Outras vezes você se depara com enfermidades físicas, com as deficiências de caráter de tanta gente, o que lhe provoca profunda tristeza, pois são companheiros que não movem uma palha em seu favor, embora ocupem seu tempo sempre que encontram a mínima dificuldade.
Você tem à sua volta a inflação que cresce e os ganhos materiais que parecem não acompanhá-la, o que lhe faz pensar que quanto mais trabalha menos ganha e gasta mais.
Você costuma ver desmoronar os mais acalentados sonhos domésticos, sem se sentir no direito de fugir. 
Desmoronam os anseios do cônjuge atencioso e afetuoso; dos filhos estudiosos, responsáveis, respeitosos; da família companheira capaz de supri-lo de energias nas horas apertadas para o seu coração. 
Como se não bastasse, ainda surge a indiferença que o faz sentir-se solitário no mundo, sem qualquer apoio ou sustentação moral.
Contudo, seja qual for a luta que lhe caiba, seja qual for o testemunho que tenha de enfrentar, não se deixe desestimular, não se permita o abatimento. 
Você não é vítima da vida. 
Encontra-se unicamente em processo de reeducação, tendo oportunidade de acertar-se com a vida que um dia desrespeitou em vários de seus aspectos. 
Você que conhece Jesus, ou que um dia ouviu sobre a Lei de Causa e Efeito, deve raciocinar que o bem ou o mal semeado na vida, da vida será colhido, e o seu desconsolo ou o seu desalento em nada colaborará para a resolução dos seus problemas.
Você deverá, então, aprender a analisar melhor as situações pelas quais tenha que passar.
Deverá aprender a perdoar, a compreender, a respeitar diferenças, a falar menos, a penetrar melhor as razões das coisas, a condenar menos, a ser mais indulgente. 
O tempo implacável não para. 
Assim, se você o aproveitar para aprender a crescer e ser feliz, ele o abençoará com expressiva claridade. 
Caso o desperdice, recolhendo-se à maldição do desânimo ou à fuga, verdadeiramente terá lançado fora o mais expressivo tesouro que nos é oferecido pelo Criador, para que nos façamos ricos e felizes: o tempo.
Não se perca nas teias do desestímulo. 
Confie sempre em Deus, que lhe dá sempre o melhor, dando-lhe chances de brilhar e ser feliz. 
* * * 
Pense nisso. 
Os obstáculos que surgem no seu caminho, não são para impedir seus passos. 
São desafios para serem superados. 
Cada vez que você consegue vencer uma dificuldade, sai dela mais fortalecido e mais confiante. 
Assim, não se deixe, jamais, desestimular, em circunstância alguma, pois Deus confia no seu poder de vencer os impedimentos e vencer-se a si mesmo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita v. 6, ed. FEP. 
Em 02.09.2022.

sábado, 1 de agosto de 2026

A ALFORRIA DO TEMPO

Nas vastas terras da Capadócia, onde o vento desenha formas místicas nas rochas e o céu se colore de poesia, reside uma das mais belas lições de gratidão da Terra.
É a história dos seus cavalos. 
Durante anos, esses animais de força monumental entregam seu suor e sua energia aos homens. 
Puxam o arado, carregam fardos pesados, cruzam vales sob o sol causticante e o frio rigoroso. 
Quando a velhice lhes bate à porta e suas pernas já não têm a agilidade de outrora, a tradição local não lhes reserva o descarte ou o esquecimento. 
Premia-os com a liberdade. 
Os cavalos são devolvidos à natureza. 
Despidos de selas e arreios, ganham o direito de correr livres pelas planícies, de pastar sem pressa e de contemplar o sol que se deita no horizonte. 
É a poesia da aposentadoria animal: o reconhecimento sagrado de que quem muito serviu merece o descanso.
Libertos, esses cavalos tornam-se totalmente selvagens. 
Eles vivem em bandos livres, correndo pelas planícies, desertos e montanhas da região. 
Eles desenvolveram uma resistência física impressionante e um comportamento de manada puramente selvagem. 
Um dos passeios mais disputados por quem visita a região é fazer safáris fotográficos para registrar as nuvens de poeira levantadas por centenas de cavalos correndo juntos ao pôr do sol. 
* * * 
Se o coração humano é capaz de tamanha sensibilidade com os benfeitores de quatro patas, quanto mais devemos exercitar essa mesma reverência para com os nossos idosos.
Quantos homens e mulheres entregaram a primavera e o verão de suas vidas para erguer as estruturas do mundo em que habitamos? 
Trabalhadores silenciosos que doaram o suor de suas frontes, o vigor de seus músculos e a lucidez de suas mentes para sustentar famílias, educar filhos e movimentar a sociedade.
Quando essas almas queridas chegam ao inverno da existência física, quando os cabelos de prata testemunham o cansaço do corpo, elas não devem encontrar a invisibilidade.
A velhice lhes deve ser o momento mais luminoso da jornada.
Sua aposentadoria precisa ser vista como uma merecida carta de alforria. 
O direito legítimo de viver bem, com a dignidade garantida.
Desfrutar da liberdade de caminhar devagar, sem o relógio a ditar as regras. 
De gozar a delícia de um pôr do sol sem a preocupação com o amanhecer do trabalho. 
Deve ser o tempo bendito de viajar ao encontro dos seus amores, de abraçar os afetos que o tempo e a distância afastaram. 
Essa fase deve ser o convite para o lazer da alma. 
O momento de dedicar-se àquela arte há muito guardada no fundo do peito. 
Pode ser deslizando o pincel sobre a tela, descobrindo cores na pintura, escrevendo memórias, costurando afetos ou simplesmente contemplando as belas paisagens que a rotina, outrora, os impedia de ver.
Quem trabalhou honestamente por décadas tem o direito soberano de ser feliz na calmaria de seus dias derradeiros.
Garantir-lhes um entardecer de paz é o teste definitivo da evolução moral de uma sociedade. 
Que possamos oferecer aos nossos idosos o respeito, o carinho e a liberdade que lhes é devida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 31.07.2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

NÃO SE AFASTAR!

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Muitas pessoas demonstram descontentamento com o meio em que habitam. Afirmam-se sem afinidade com os parentes. Não apreciam os colegas de trabalho. 
Encontram apenas defeitos nos vizinhos. 
Abominam o caráter e o comportamento dos habitantes de seu país. 
De forma gradual, procuram afastar-se do convívio familiar e social. 
Surpreendentemente, muitos dos que assim agem se dizem cristãos. 
Encantados com a figura e a mensagem do Cristo, sonham com um mundo perfeito. 
Contudo, esquecem que Jesus deixou por supremo mandamento o amor. 
É impossível ao mesmo tempo amar e desprezar. 
No contexto da mensagem cristã, o amor não é necessária e imediatamente um sentimento. 
Afinal, é difícil demonstrar arroubos de ternura por um inimigo, por alguém que nos deseja o mal. 
Mas é sempre possível agir corretamente com todas as pessoas. 
Tratá-las como gostaríamos de ser tratados, se estivéssemos no lugar delas. 
Assim, embora o comportamento de alguns companheiros não nos agrade, devemos ser sempre corretos com eles. 
Essa correção de atitude implica auxiliá-los em suas dificuldades, da espécie que sejam. 
É bom que já anelemos por uma sociedade mais pura. Constitui um sinal de progresso nosso desgosto com ambientes e hábitos corrompidos. 
Mas isso não é razão para desprezarmos os irmãos de jornada. 
Se desejamos a união com o Cristo, precisamos lembrar que Ele jamais desampara a Humanidade. 
Em certa passagem do Evangelho, o Mestre foi explícito ao afirmar que nenhuma de Suas ovelhas se perderia. 
Se a luz da consciência já brilha forte em nós, auxiliemos na transformação do mundo em que vivemos. 
A Providência Divina nos colocou no ambiente em que mais úteis podemos ser. 
Não convém hesitar quando o bom combate apenas começa.
Por séculos, em inúmeras encarnações, a ignorância imperou em nossos atos. 
É um conforto perceber que finalmente reunimos condições de laborar no bem. 
Regozijemo-nos com isso e partilhemos nossos tesouros materiais e espirituais. 
Todos os homens são irmãos. 
O cristão não pode fugir dos semelhantes. 
Ele necessita ser um fator de luz e de paz nos meios em que se movimenta. 
A mensagem cristã não constitui um convite ao afastamento da Humanidade. 
Ser cristão não implica a busca de uma santidade artificial e contemplativa. 
Ao contrário, esse estado de consciência exige trabalho ativo na transformação do mal em bem.
Os exemplos de Jesus foram muito claros nesse sentido. 
Ele não se furtou de conviver com mulheres equivocadas e ladrões, a título de preservar a própria pureza. 
O Cristo jamais fugiu do contato com os discípulos. 
Esses é que O abandonaram na hora do extremo testemunho.
O Mestre não se afastou dos homens. 
Os homens é que O expulsaram de seu convívio pela crucificação dolorosa. 
Não sejamos nós, em nossa imperfeição, a evitar o contato com o próximo. 
Se desejamos a paz do Cristo, é natural pedirmos a Ele que nos liberte do mal. 
Mas não é legítimo rogarmos que nos afaste dos locais de luta. 
Com o Mestre, devemos aprender a conformar nossa vontade com os propósitos divinos.
A encontrar prazer em ser um fator de paz e progresso. 
A cooperar alegremente na execução da Vontade Celeste, quando, como e onde for necessário. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no capítulo 57 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 20.04.2018.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

NOSSA OBRA PRIMA

No grande tear da existência, nada acontece por acaso. 
Antes que o primeiro sopro de vida anime o corpo físico, no silêncio vibrante do mundo invisível, traçamos as diretrizes de nossa nova jornada. 
Entre as escolhas fundamentais está o planejamento profissional. 
Por vezes, olhamos para o trabalho como um fardo necessário ou uma busca incessante por recursos. 
No entanto, a profissão cumpre uma dupla finalidade: ser uma peça útil na engrenagem da estrutura social e permitir o ganho honesto da moeda, garantindo o crescimento da vida material.
A profissão é o convite para que sejamos um operoso cooperador do Reino de Deus, transformando a Terra em uma estância gloriosa de progresso. 
Ser um bom profissional é compreender que o dever é o ponto de partida. 
Mas a excelência — aquela que nasce do amor — deve ser a meta. 
É ir além do que dita o contrato, é colocar a alma na ponta dos dedos e o coração em cada gesto. 
Pensemos no médico. 
O bom profissional da saúde não é aquele que domina a técnica ou prescreve a medicação correta. 
É, sobretudo, aquele que, ao entrar no quarto do hospital, leva consigo uma claridade que não vem das lâmpadas. 
Ele percebe que, além da enfermidade, existe um Espírito em sofrimento. 
Vai além do dever quando oferece o ouvido atento, o toque consolador e a palavra que restaura a esperança. 
Ele não cura apenas corpos. 
Ele medica almas, tornando-se um canal das energias superiores. 
A missão do professor, por sua vez, transcende a simples transmissão de dados ou fórmulas. 
É aquele que ilumina mentes obscurecidas pela ignorância.
Enxerga no aluno difícil um potencial adormecido e dedica minutos extras para acolher uma angústia adolescente.
Ensina, pelo exemplo, que a ética e a bondade são as disciplinas mais importantes da vida. 
Ele é o escultor do futuro, o mestre que transforma o saber em sabedoria. 
E que dizer do motorista? 
No ônibus lotado, no Uber ou no transporte escolar, ele é o guardião de vidas e sonhos. 
Vai além do dever quando mantém a calma diante do trânsito caótico, quando oferece um bom dia que desarma a agressividade alheia. 
Ou quando dirige com tamanha prudência que seus passageiros sentem estarem protegidos. 
Ele transforma o asfalto em um caminho de respeito e dignidade. 
O profissional de qualquer área, do gari que limpa a cidade com esmero, ao engenheiro que projeta com segurança, ou o atendente que sorri apesar do cansaço, todos têm em mãos uma ferramenta sagrada. 
São instrumentos do progresso. 
Trabalhar com dedicação é uma forma de psicografar a Bondade Divina no cotidiano. 
É provar que a colaboração com o Criador se faz com o suor do rosto transformado em bálsamo para o mundo. 
Quando fazemos mais do que o estritamente necessário, estamos implantando utilidades e avanços que aceleram a marcha da civilização. 
Nossa profissão é nossa assinatura no livro da vida. 
Façamos dela nossa obra-prima. 
Afinal, no fim da jornada, o que contará não será o cargo que ocupamos ou a fortuna que acumulamos, mas o quanto de luz espalhamos através das tarefas que o Pai nos confiou.
Redação do Momento Espírita 
Em 29.07.2026