quarta-feira, 2 de setembro de 2026

NASCE JESUS

Filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, dos Céus, de Deus, nasce o Filho do Homem. 
Sua mãe, Maria, O envolve em panos singelos e O coloca em uma manjedoura. 
A abóboda celeste plenifica-se de estrelas e os mensageiros celestes cantam: 
-Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens. 
Na simplicidade da estrebaria de Belém nasce Jesus. 
Nasce pobre, no seio de um povo cativo. 
Homenageado por uma conta infinita de estrelas, o Universo e a eternidade lhe embalam o sono. Cresceu na Galileia, numa cidade considerada das menores e de importância alguma.
Aguardou que o tempo se fizesse para o início do Seu Messianato. 
O Embaixador do Amor nasceu e viveu entre os pobres, entre os desprezados, os humilhados. 
Estendeu Sua mão àqueles que a sociedade tornava invisíveis: leprosos, deficientes, famintos, viúvas, órfãos. 
Pelas estradas que percorreu, cruzou o caminho de todos os homens. 
Chegou a corações longínquos e a almas distantes, aproximando-as do Pai. 
Peregrinou pela Galileia, Judeia, Pereia, chegando às cidades de Tiro e Sidon. 
Não entrou para a História. 
Ele a dividiu: antes dEle, depois dEle. 
E, para tal, apenas amou e nos ensinou a amar. 
Não tomou de espadas, não esteve à frente de exércitos, não liderou batalhas, não destronou reis, não conquistou impérios, não ostentou coroas e cetros. 
Meu reino não é deste mundo, afirmou. 
Dois mil anos se passaram desde o Seu nascimento. 
É Natal, é data festiva. 
Cerremos os olhos e pensemos nEle. 
Pensemos no Cristo Jesus e lhe façamos a nossa rogativa:
-Nasce Jesus e transforma os nossos corações em manjedouras verdadeiras para Te acolhermos, neste dia e sempre, em Tua paz, em Tua luz. 
Nasce Jesus em nossas imperfeições e pensamentos, em nossas mazelas morais, nas chagas de nossas almas, nos recônditos mais profundos de nossas emoções e sentimentos.
Nasce Jesus em nosso egoísmo e nos faz enxergar os Teus pobres, os Teus solitários, os Teus abandonados, como nossos irmãos. 
Que a Teu exemplo, lhes distendamos nossos braços de socorro, colo de proteção, palavras de consolo, mãos de doação. 
Nasce Jesus em nosso orgulho, quando marginalizamos o perdão, quando esquecemos a prece reparadora, quando não nos comprometemos com a verdade consoladora, por não nos lembrarmos da gratidão. 
Nasce Jesus nos orfanatos e asilos, nos sanatórios, nas casas de recuperação, nos hospitais. 
Nasce entre os que sofrem preconceito, entre as religiões, em todos os países, tribos, entre orientais e ocidentais. 
Entre os encarcerados, ó Mestre, nasce também. 
Um novo horizonte lhes concede e que seja todo luz, todo recomeço, todo oportunidades, todo bem. 
Nasce Jesus. 
Desperta-nos para o fato de que todo ato tem consequências, de que a Lei de Deus reside na consciência, e de que é percorrendo a estrada da eternidade que chegaremos à almejada felicidade. 
* * * 
O Natal, verdadeiro Natal, ocorre quando o Mestre da paz nasce na manjedoura de nossos corações e faz morada na intimidade de nossas almas. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 30, ed. FEP. 
Em 24.12.2021.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

DEUS CRIA A ROTA, O HOMEM CONSTROI OS CAMINHOS

A rota cênica de Trollstigen, na Noruega, compreende um roteiro de natureza abundante, com vistas impressionantes de montanhas escarpadas, cachoeiras, fiordes profundos e vales verdejantes. 
Os nomes das montanhas imponentes dão uma ideia da sua majestade: o rei, a rainha, o bispo. 
Graças à engenhosidade humana, pode-se circular por uma estrada de cento e seis quilômetros de extensão, serpenteando as encostas. 
São onze curvas acentuadas. 
A possibilidade, desde a abertura da estrada, em 1936, de conduzir um automóvel por essa área íngreme se deve ao feito de habilidosos engenheiros e construtores.
Admirados, chegamos a nos indagar: 
-Estaria Deus desafiando a sua criatura a peregrinar por esses lugares tão extraordinários e parecendo inalcançáveis? 
Com certeza, Ele, o Senhor de tudo, tem exatamente a ciência do que pode o ser, que Ele criou à Sua imagem e semelhança. 
Transitando por essa estrada, não se sabe, verdadeiramente, o que mais elogiar. 
Se a natureza com suas belezas, que surpreendem a cada nova curva, nessa região inclinada, ou se a estrutura criada pelo homem. 
E nos pomos a pensar. 
Se podemos criar condições de viajar por regiões montanhosas, íngremes; se temos a capacidade de vencer abismos, unindo extremidades com pontes fenomenais, que não poderemos mais fazer? 
É então que nos damos conta de que não somos pessoas melhores somente porque ainda não direcionamos a nossa vontade para nossa intimidade. 
Ainda não acionamos nossa vontade para descobrir como vencer os abismos da intolerância, que nos levam a ficarmos distanciados dos nossos irmãos em humanidade. 
Também não cogitamos como poderemos vencer as diferenças, criando estradas de entendimento, a fim de que tenhamos menos conflitos por questões que nada mais são do que acidentes no caminho.
Vencer o egoísmo, vencer os preconceitos. Eis metas que devemos perseguir. 
E, tenhamos certeza: isso é possível. 
Então, as fronteiras dos países mais nada serão que limites que nos dirão onde acaba um país e começa o outro. 
As línguas, as culturas, os costumes serão meros detalhes que, paulatinamente, venceremos. 
E somente nos enriqueceremos uns com o conhecimento da riqueza do outro. 
As reservas do solo, que tanto disputamos, poderão ser compartilhadas, trocadas, negociadas, de forma sadia, sem conflitos desonestos e agressivos. 
Seres imortais. Seres inteligentes da Criação. Somos nós.
Sirvamo-nos desse potencial para a transformação deste mundo num oásis de paz, de progresso, de trabalho, de cooperação. 
Tão bom será quando todos nos dermos as mãos, trocando tecnologia, informações, alimentos, conhecimentos, em sadio comércio. 
Tão bom será quando aprendermos que aquele que habita além da fronteira é somente mais um irmão, filho do mesmo Deus, criado para o mesmo fim: a perfeição. 
Tenhamos em mente que se conseguimos superar os óbices do relevo, que nos desafiam, podemos, igualmente, superar os maus pendores e ideias equivocadas que vivem dentro de nós. 
Isso é possível. 
Tenhamos certeza. 
Redação do Momento Espírita.
Em 1º.09.2026

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A MEMÓRIA DO CORAÇÃO

Denzel Washington
e Connie Mauro
Muitas vezes, caminhamos pela estrada da existência sem nos darmos conta de quantas sementes de luz são plantadas em nosso íntimo, por almas generosas que cruzam nossos passos. 
São pequenos gestos, palavras de incentivo ou momentos de pura dedicação que alteram o rumo de nossas vidas, sem que tenhamos a sensibilidade de agradecer. 
E, no entanto, a gratidão é virtude que devemos cultivar, sem nos esquecer de manifestá-la a quem nos ofereceu, em algum momento, sua atenção, sua orientação, sua gentileza. 
Lembramos de um menino de sete anos que vivia em Mount Vernon, em Nova York. 
Ele costumava visitar a biblioteca pública, acompanhado por sua mãe. 
Um dia, ele foi até Connie Mauro, a bibliotecária infantil, e lhe explicou que precisava ler algo curto no fim de semana para apresentar um relatório na escola na segunda-feira. 
Com paciência, Connie buscou um livro curto, entregou-lhe o seu primeiro cartão de usuário e o ajudou a iniciar uma relação com a leitura que ele nunca mais abandonaria.
Para ela, foi apenas um gesto diário, o simples cumprimento de seu trabalho. 
O garoto cresceu e tornou-se um consagrado ator de Hollywood, diretor e vencedor de importantes reconhecimentos: Denzel Washington. 
Do outro lado do tempo, Connie envelheceu e foi viver em uma residência assistida em Marietta, na Georgia. 
Quando ela estava prestes a completar noventa e nove anos, a equipe do local gravou um vídeo lembrando o menino que procurava a biblioteca em Nova York. 
A gravação chegou até as mãos de Washington. 
Tocado pela lembrança, ele telefonou para ela. 
Disse-lhe, comovido, que ainda se lembrava daquele dia e que nunca tinha deixado de ler. 
Prometeu visitá-la. 
Em dezembro de 2016, ele cumpriu a sua palavra. 
Connie reconheceu imediatamente o homem famoso, mas viu nele também o menino que outrora procurara um livro para uma tarefa escolar. 
Denzel a beijou, segurou suas mãos e passou um longo tempo conversando. 
Por sua vez, Connie, transbordando carinho, havia tricotado dois cachecóis, um para ele e outro para a sua esposa.
Entregou-lhe ainda um livro com uma dedicatória. 
* * * 
Nenhum de nós sabe para onde a vida nos levará e quem acabará nos influenciando intensamente. 
Quantos de nós carregamos em nossa história benfeitores aos quais esquecemos de agradecer? 
Um professor que enxergou nosso potencial, um amigo que nos estendeu a mão em um momento de dor, um colega cujo sorriso iluminou um dia sombrio. 
A gratidão é a memória do coração. 
Que possamos resgatar em nossas lembranças essas almas queridas e, mesmo em pensamento, dizer-lhes um profundo obrigado. 
Que sigamos plantando pequenas sementes de bondade, influenciando beneficamente outras vidas. 
Porém, que não nos esqueçamos jamais de quem plantou uma flor no jardim de nossa vida, nos ofereceu um conselho, nos abraçou em dia de triunfo ou de tristeza. 
Sejamos gratos! Manifestemos nossa gratidão! Redação do Momento Espírita, com dados biográficos de Denzel Washington. Acesso em 18.7.2026
https://www.facebook.com/groups/ 4127901240565937/posts/27699108516351878/ 
Em 31.08.2026

domingo, 30 de agosto de 2026

NA RELAÇÃO A DOIS

Enquanto muitos apregoam o fim das relações familiares e observa-se um deperecimento do afeto em tantos casais, encontra-se, em contrapartida, exemplos que tocam fundo a alma. 
Contou-nos uma senhora que há alguns meses, em exames de rotina, foi-lhe constatado um início de diabetes. 
O exame estava ali, mostrando a alta taxa de glicose. 
Sua primeira reação foi vestir-se de tristeza. 
Pensou que bem podia diminuir ou até eliminar os farináceos, os tubérculos, o arroz. 
Mas, os doces... 
Como poderia ficar sem eles? 
Ela já tivera problemas outros de saúde, anteriormente, bastante sérios e à conta de se recuperar, impusera-se um rigoroso ritmo de vida. 
Abdicara de tantas coisas, pensava. Mas agora, teria que se privar também dos doces. 
Doces que ela adorava fazer e saborear. 
Com que prazer criava novas receitas e oferecia pratos deliciosos à família e amigos. 
Contou ao marido e ficou entabulando consigo mesma como poderia iniciar a nova dieta. 
E quando o faria. 
Naturalmente, o médico a iria melhor orientar, dizer-lhe exatamente como proceder doravante. 
O retorno ao equilíbrio orgânico exigia que a decisão fosse imediata. 
Entretanto, ela aguardou alguns dias. 
Dias que passaram lentos, morosos. Finalmente, decidiu refazer todos os exames. 
Outro médico. Outro laboratório. Nova coleta de material. 
Dias depois, o marido foi apanhar os resultados no laboratório.
Retornou ao lar e mal estacionou o carro, entrou em casa, chamando as filhas, a esposa, todos. 
Na mão direita, um envelope que sacudia sem parar. 
Ante o suspense que se fez, ele abriu o envelope e disse, eufórico: 
-Este exame diz que você, meu bem, está com a dosagem glicêmica absolutamente normal. Deve ter ocorrido um engano anteriormente. Não importa. O que importa mesmo é que você poderá continuar a comer doces. E nós vamos comemorar. Porque agora posso voltar a ficar feliz, sabendo que você não precisará se submeter a mais essa dieta, privando-se de algo que você gosta tanto. 
E abraçou a esposa, as filhas, entre a emoção e inusitada alegria. 
* * *
Isto se chama amor. 
Alguém que se importa tanto com o outro, que se alegra quando descobre que aquele não necessitará de mais um sacrifício para prosseguir a viver. 
Alegra-se com a alegria dele. 

Entristece-se com a sua problemática. 
Benditos os casais que assim levam a vida, mesmo após os anos de convivência se contarem às dezenas e os olhos não guardarem o mesmo brilho dos tempos da juventude. 
Casais que compartilham tudo: o amor, a dor, a alegria, o desconforto. 
Que se apoiam mutuamente, nos dias de invernia. 
* * * 
Enquanto segue a dois, lembre-se de usar a ternura, vez ou outra.
Lembre ao cônjuge que o amor ainda prossegue a fazer vibrar o seu coração.
Encontre palavras de carinho para enfeitar o dia de quem caminha, na vida, ao seu lado. 
Recorde enfim, que a relação conjugal é uma oportunidade de progresso e redenção e que não foi o acaso que os reuniu. 
E não se canse de utilizar a frase sempre aguardada dos lábios de quem ama: 
-Amo você! 
Redação do Momento Espírita, a partir de fato ocorrido com o casal Lannes Boljevac Csucsuly e Abigair Ivone Csucsuly. 
Em 11.03.2015.

sábado, 29 de agosto de 2026

NOSSAS TENTAÇÕES

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
JOANNA DE ÂNGELIS(ESPÍRITO)
Viver na Terra é uma dádiva sublime, uma jornada indispensável que nos enriquece a cada amanhecer. 
O contato com o nosso semelhante e com os fenômenos da natureza esculpe a nossa alma, estimulando-nos a crescer.
Nessa bela escola que é o mundo, caminhamos por trilhas onde, por vezes, nos deparamos com um dos mais delicados desafios da alma humana: o das tentações. 
Quase sempre, diante desse espelho da vida, fazemos um juízo equivocado de nós mesmos e superestimamos as nossas forças. 
Juramos ao vento que somos inabaláveis, que jamais cederemos a determinados apelos e que não cairemos nas armadilhas do caminho. 
No entanto, em momentos de distração, adotamos posturas infelizes obedecendo exatamente a esses apelos. 
Eles surgem disfarçados de promessas fáceis. 
Apresentam-se na ilusão de experimentar um vício apenas uma única vez, sob a crença de que manteremos a sobriedade. 
Mostram-se na temeridade de pisar fundo no acelerador e desafiar o perigo, ou na sombra de nos apropriarmos do que não nos pertence. 
E, quando nos equivocamos, é tão humano terceirizar a responsabilidade pelas nossas quedas, justificando que foram as más companhias ou as entidades sombrias que nos arrastaram ao abismo. 
A verdade, porém, é que a tentação age no sagrado território da vontade. 
Não realizamos coisa alguma que não encontre eco nesse nosso território. 
Afinal, a tentação não está do lado de fora. 
Ela reside dentro de nós. 
É o eco de uma bagagem interior que aguarda pela ação da disciplina de uma situação íntima ainda não trabalhada devidamente. 
As influências infelizes, sejam espirituais ou dos que se encontram na esfera física, como nós mesmos, apenas se aproveitam das nossas brechas morais, somando o desejo delas à nossa débil e indisciplinada vontade. 
Jesus Cristo nos ensinou que quem busca encontra. 
Se nos pusermos a rastrear a origem de um espinho, certamente nos depararemos com o espinheiro. 
Se procurarmos perfumes e cores, a vida nos guiará a um jardim. 
Para que possamos triunfar e transformar as nossas fragilidades em força, o Mestre Jesus nos entregou uma bússola infalível: oração e vigilância. 
Aprendamos a orar, construindo essa ponte luminosa de amor com o Divino. 
Saibamos ter vigilância, que nada mais é do que o cuidado amoroso com nós mesmos, prestando atenção aos caminhos por onde trafegamos, para onde vão os nossos pensamentos e quais serão as consequências dos nossos atos.
Entendamos as tentações como pedras da estrada, criando impedimentos à movimentação dos viajantes do progresso.
São os espinhos cravados nas carnes do coração ferindo, a cada contração muscular. 
Constituem, também os estímulos à vitória, à transformação íntima para melhor.
São o aguilhão que impele para a frente todo aquele que lhe padece o estímulo. 
Somos Espíritos imortais em marcha evolutiva. 
Usemos a nossa vontade soberana para educar nossos pendores. 
Cada desafio superado é uma vitória, um degrau acima, preparando a nossa alma para que um dia, plenos de luz, possamos finalmente tocar as estrelas. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. 14, do livro Vida e Valores, ed. FEP e no cap. 5 do livro Desperte e seja feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 29.08.2026

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

QUANDO DESPERTAREMOS?

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Infelizmente, ainda não sabemos valorizar as preciosas companhias de nossa jornada terrena. 
Caminhamos, muitas vezes, de olhos vendados para a beleza e a profundidade das almas que compartilham conosco a poeira das estradas do mundo.
Somente a distância, sob o filtro do tempo e da saudade, é que nos damos conta da real grandeza daqueles que estiveram ao nosso lado, servindo em silêncio, com abnegação. 
A história humana é um testemunho vivo dessa nossa persistente miopia espiritual. 
Antonio Vivaldi, cuja música hoje ecoa como um hino à própria criação e à sensibilidade, foi enterrado numa cova simples, esquecido pelo mundo que tanto embelezou. 
Johann Sebastian Bach, cujas composições tocam as franjas do divino, era visto pelos seus contemporâneos muito mais como um organista virtuoso e professor, e menos como o compositor genial e revolucionário que conhecemos.
O gênio e a inovação de Mozart incomodavam tanto pela grandiosidade de suas obras que a inveja e o orgulho dos homens trataram de isolá-lo e afastá-lo do convívio social. 
No campo do conhecimento e das ideias, repetimos o mesmo padrão de incompreensão. 
Allan Kardec foi impiedosamente perseguido e ridicularizado pelos intelectuais de seu tempo, simplesmente por descortinar as realidades imortais do Espírito. 
Hoje, na era da tecnologia, deslumbramo-nos com as respostas sofisticadas das inteligências artificiais. 
Mas deliberadamente esquecemos o nome de Alan Turing, o homem que, na solidão de seu pioneirismo, definiu o padrão de comportamento dessas mentes digitais, pagando um preço altíssimo em sua vida pessoal por sua incompreendida genialidade. 
Exaltamos o fruto, mas ignoramos o suor anônimo de quem preparou o alicerce. 
Assim ocorre no círculo de nossas vidas. 
Quantas vezes a dedicação no lar, no trabalho ou na tarefa voluntária é recebida com a indiferença daqueles que não sabem ouvir, ou com o silêncio dos que não aprenderam a ver? 
Quantas vezes quem serve persistente e dedicado passa despercebido, desconsiderado... 
Nessas horas, ergue-se um exemplo grandioso. 
O do Mestre de Nazaré, que estendeu o amor e a verdade, a paz e a luz, levantou enfermos, devolveu movimentos a membros paralisados. 
Contudo, lhe foi conferida a cruz entre dois malfeitores. 
Era o Príncipe da Paz e foi esmagado pela guerra dos interesses inferiores.
Era o Justo e padeceu a suprema injustiça.
Foi vilipendiado numa tarde. 
Porém, transformou a própria dor em glória divina. 
Pendera-lhe a fronte, empastada de sangue, no madeiro, numa sexta-feira de tristeza. 
Ressurgiu à luz do sol, ao hálito perfumado de um jardim, inaugurando um domingo radiante. 
Isso nos afirma que todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, e continuam a servir, descobrem o trilho bendito da eterna ressurreição. 
A nós, humanidade, cabe uma indagação contundente: Quando despertaremos para reconhecer os heróis silenciosos que ombreiam conosco? 
Até quando continuaremos a desconsiderar os que estabelecem o bem, a harmonia e a beleza no mundo?
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 46 do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 28.08.2026

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NARCISOS CONTEMPORÂNEOS

Na mitologia grega, Narciso era um jovem bonito e vaidoso.
Um dia, Narciso curvou-se para beber água em uma fonte e, vendo sua própria face refletida na água, enamorou-se dela. 
A lenda nos conta que ele foi definhando, dia após dia, sem se alimentar, sem descansar, encantado pelo reflexo de sua própria imagem na superfície da água, até morrer. 
Foi Sigmund Freud que acrescentou o termo narcisismo ao vocabulário da psicologia para designar amor à própria imagem. 
O termo contemplava também a etapa do desenvolvimento na qual a criança faz do próprio eu o objeto principal de seu amor. 
Segundo o Manual Americano de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, narcisistas são indivíduos arrogantes e convencidos, que têm fantasias magníficas sobre si mesmos. 
Eles superestimam seu sucesso, precisam ser constantemente admirados e sempre esperam tratamento preferencial. 
Os narcisistas estão convencidos de que merecem mais do que recebem. 
Preocupam-se em ter boa aparência e manter-se jovens. 
Não são sensíveis às necessidades e aos problemas dos outros. 
Com pouca tolerância para crítica, frequentemente reagem com fúria a ofensas reais ou imaginárias. 
Em suma, os narcisistas focalizam a si mesmos, fascinados com sua personalidade e seu corpo. 
Com um individualismo atroz que carece de valores morais e sociais e se desinteressa por qualquer questão transcendental. 
Percebe-se que o distúrbio em questão é bastante sério, e comum de se encontrar nos dias de hoje. 
Vivemos dias em que cultuamos o narcisismo, seja na esfera individual, coletiva e das grandes mídias. 
Muitos valores do mundo contemporâneo não passam de consequências de um narcisismo disfarçado de bem-estar, de saúde, de prazer. 
Dessa forma, faz-se urgente uma revisão em todos os valores que temos, em todas as coisas a que damos importância e em que aplicamos nossas energias. nas adolescentes anoréxicas; no exibicionismo de corpos esculturais na televisão; nas cirurgias plásticas excessivas; nos expectadores que compram quaisquer novas ideias impostas pelas mídias, percebemos o narcisismo reinante. 
Talvez seja necessário relembrar as consequências do comportamento de Narciso. 
Iludidos pela imagem do corpo, pela superficialidade dos valores do mundo, não só o corpo, mas sobretudo a alma acaba definhando, perdendo-se num mar de ilusões passageiras. 
* * * 
Ainda há tempo de perceber que a imagem do espelho não representa quem somos. 
Não é nossa essência, e sim apenas uma vestimenta temporária. 
O verdadeiro eu é a alma imortal, a alma que aprende, que luta, que se desenvolve. 
A verdadeira beleza está no Espírito que se liberta das amarras do materialismo preponderante. 
O ser realmente belo será aquele que se entregue, não à imagem refletida numa superfície refletora, mas se doe profundamente, por amor, aos outros. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Mário Pereyra, disponível no site
Em 20.06.2014.