sábado, 21 de março de 2026

APEDREJAMENTO MORAL

O apedrejamento é uma das formas mais antigas e brutais de execução de que se tem registro na História da Humanidade.
No contexto bíblico e na sociedade judaica da época de Jesus, era reservado para crimes considerados gravíssimos, como o adultério, a blasfêmia ou a idolatria. 
Recordamos que o jovem Estêvão, considerado o primeiro mártir da Boa Nova, foi apedrejado pela acusação de blasfêmia contra Deus e Moisés.
O ato não era apenas uma punição física, mas um ritual de exclusão comunitária. 
Ao lançar pedras, a sociedade declarava que aquele indivíduo não era mais digno de habitar entre os vivos, transformando a execução em um espetáculo de dor lenta e humilhação pública. 
Em algumas regiões do nosso planeta, continua vigente, qual um lembrete sombrio de como a intolerância pode se institucionalizar, ignorando a dignidade humana em nome de um julgamento implacável. 
A Anistia Internacional tem desenvolvido campanhas para a abolição plena dessa penalidade e feito apelos diretos a países que utilizam ou preveem o apedrejamento para que abandonem essa prática. 
No entanto, para além das pedras físicas que ferem o corpo, existe um apedrejamento simbólico que alguns enfrentamos diariamente. 
Na arena social, as pedras são substituídas por palavras, olhares e silêncios punitivos. 
Quando lançamos uma mentira em uma rede social ou um boato de corredor, isso funciona exatamente como um projétil.
Atinge o alvo com força e deixa marcas que, às vezes, levam anos para cicatrizar. 
Talvez uma das pedras mais pesadas seja a do desprezo, especialmente quando direcionada às melhores intenções.
Dedicamos tempo, energia e amor em alguma ação benemérita e recebemos a crítica destrutiva ou o julgamento de quem nada faz. 
Podemos chamar de apedrejamento da boa vontade, em que o esforço altruísta é tido como vaidade ou erro. 
Suportar ser apedrejado psicologicamente exige uma força interior profunda. Jesus, ao confrontar os acusadores da mulher adúltera, trouxe a reflexão: 
-Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra. 
Essa frase não apenas interrompeu uma execução física, mas desarmou o tribunal moral da época. 
Dessa maneira, frente às pedras da calúnia e do desprezo que possam nos atingir no trabalho, na família ou na vida social, o desafio é não revidar com o mesmo peso. 
Embora as feridas doam, elas não têm o poder de mudar quem somos, a menos que permitamos que o ódio do outro se torne o nosso próprio veneno. 
Para lidar com o apedrejamento moral, especialmente quando ele vem de onde menos esperamos, como para nossos gestos de maior entrega, fortaleçamos nossa imunidade emocional. 
E não percamos tempo em nossa defesa. 
Gastar energia nos defendendo de calúnias infundadas apenas alimenta o conflito. 
Deixemos que o tempo e a constância do nosso trabalho falem por nós. 
As pedras que nos lançam, e que nos ferem, são as mesmas que, sob o solo da paciência, pavimentarão o caminho da nossa vitória moral. 
Permaneçamos firmes no bem. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.03.2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

O PAI AO PÉ DA CAMA

Ela sempre teve pesadelos noturnos. 
Os sonhos ruins atrapalhavam as noites. 
Acordava assustada uma, duas, três vezes. 
Assim foi enquanto era menina e depois, quando chegou na adolescência.
E ela nunca conseguiu dizer o que perturbava tanto o período noturno. 
A única coisa que solucionava, que resolvia o problema dos pesadelos, era a presença da mãe ou do pai. 
Ela os buscava no quarto, quase sonâmbula, pegava-os pelas mãos em silêncio, e os conduzia até o seu quarto. 
Eles a abraçavam, faziam breve oração, diziam para ela pensar em um lugar bem bonito onde desejava estar, e a colocavam de volta na cama. 
Um gesto, porém, era bastante curioso, e durou anos. 
A menina simplesmente apontava para os pés da cama como a dizer: 
-Fiquem um pouquinho comigo ali. 
Eles entendiam e ficavam. 
Bastava uns cinco minutos. 
A resposta vinha imediata. 
Ela se deitava, fechava os olhos, e uns segundos depois os abria, como que a espiar para saber se o pai ou a mãe ainda estava ali. 
Quando identificava um deles, nascia um sorriso sem igual, um sorriso de Agora está tudo bem. 
A respiração se normalizava, o sono se restabelecia e tudo voltava à paz. 
Bastava ela saber que o pai ou a mãe permanecia ali, aos pés da cama. 
* * * 
Isso é muito simbólico. 
Não porque tenhamos pesadelos e acordemos assustados pedindo ajuda, mas pela questão da confiança. 
A figura dos pais ao pé da cama representa a vigilância, a guarda, a certeza de que nada nos fará mal, pois eles estão velando. 
Na vida adulta, essa figura ainda existe, representada por nosso Espírito protetor, que é também uma mãe ou um pai, que é um amigo ou uma amiga querida presente em nossos dias. 
Mais ainda, a figura dos pais ao pé da cama é também a confiança que devemos construir em Deus, nosso Pai Maior.
Ele está sempre conosco, embora não O sintamos na maioria das vezes, por estarmos nas batalhas dos pesadelos, sem poder abrir os olhos. 
Falta-nos despertar, buscá-lO pelas mãos e pedir Seu auxílio.
Ele nunca nega ajuda a quem lha pede. 
O Pai aos pés da cama nos ouve com paciência. 
Poderá ser invocado diversas vezes à noite e nunca irá reclamar. 
Sempre nos atenderá com a mesma boa vontade e paciência. Contemos com Ele. 
Contemos com a figura de nosso Espírito protetor.
Conversemos mais com esse Espírito amigo que assumiu missão tão grandiosa. 
Perguntemos, peçamos e tenhamos a sensibilidade e a humildade de ouvir as respostas, mesmo que não sejam aquelas que desejaríamos. 
Lembremos que nosso anjo de guarda e nosso Pai Maior não são gênios da lâmpada, ou serviçais que existem apenas para atender nossos três desejos ou caprichos. 
Eles nos conhecem. 
Eles nos viram nascer, sabem das nossas necessidades.
Sabem o que é manha e sabem o que é carência. 
Sabem o que é real ou apenas passageira ilusão de nossa parte. 
Mas, no que diz respeito aos pesadelos, aos medos e aos enfrentamentos, podemos contar sempre com eles, ali, ao pé da cama, nos dizendo: 
-Fique tranquilo. Você não está sozinho. Estamos com você.
Redação do Momento Espírita 
Em 20.03.2026

quinta-feira, 19 de março de 2026

SURPRESAS NUMA CARTA

Tanto se fala a respeito da gentileza. 
Livros são escritos, vídeos são postados. 
Quando paramos, em uma dessas tardes de tempo para amar, e trocamos confidências sobre gestos de gentileza que nos alcançaram um dia, refazendo nosso ânimo, descobrimos exemplos extraordinários. 
Paulo, um amigo, contou que, recém-saído da Escola Técnica de Indústria Química, foi estagiar na capital pernambucana.
Saindo do Rio de Janeiro, ele e o colega Jair foram procurados pela vizinha para que levassem, em mãos, uma carta a seus parentes. 
Nenhum dos dois questionou por que ela não postou a carta, enviando pelos correios. 
Afinal, eles chegariam numa cidade desconhecida e teriam de procurar o tal endereço para a entrega. 
Deliberados a se desincumbirem da tarefa, se apressaram, tão logo chegaram a Recife, a entregar a encomenda. 
A surpresa veio exatamente na recepção da correspondência pela família.
A carta era uma apresentação dos dois jovens estudantes, acrescida do pedido para que fossem auxiliados da melhor maneira possível. 
As portas daquela casa se abriram, de imediato. 
Eles poderiam ficar hospedados ali, pelo tempo que necessitassem. 
Ambos aceitaram e permaneceram naquele lar por muitos meses. 
Finalizando o estágio, Jair retornou à sua cidade. 
Paulo somente deixou aquela casa quando se casou, anos mais tarde. 
Relata ele que, até hoje, lembrando da gentileza daquela família, se emociona. 
Uma família que acolheu dois estranhos. 
E uma vizinha que os recomendou aos seus próprios parentes. 
Narrando o fato, ele mesmo nem se recorda que também se dispôs, junto com seu colega, a ser gentil entregando uma correspondência que poderia ter seguido por via postal.
Gentileza verdadeira é assim, espontânea, nem percebida por quem a oferece. 
* * * 
A gentileza é muito mais do que um simples ato de cortesia. 
É uma força capaz de catalisar mudanças profundas, tanto em quem a oferece quanto em quem a recebe. 
Quando surge, pode até surpreender aquele que é alvo dela.
Chega, por vezes, a alterar o rumo de sua vida. 
Em um mundo cada vez mais acelerado e muitas vezes frio, um gesto de atenção e empatia se torna um bálsamo para a alma, quebrando barreiras de indiferença. 
Pequenas ações, que podem ir de um sorriso sincero, uma palavra de apoio ou a simples escuta atenta até as que auxiliam em profundidade, criam uma onda de positividade que se espalha de forma contínua. 
Ela não exige recursos financeiros. 
Somente riqueza de espírito e a decisão consciente de ter olhos de ver. 
Olhos de perceber a dificuldade que alguém atravessa e se dispor a auxiliar. 
Não importa quem seja. 
Porque a gentileza não indaga de procedência, de crença religiosa, político-partidária ou qualquer detalhe da vida.
Simplesmente, ao se apresentar, ela estabelece a construção de um ambiente mais harmonioso, pavimentando o caminho para uma sociedade verdadeiramente mais humana e, por consequência, transformadora. 
A gentileza não é um ato isolado. 
É a semente diária que plantamos para colher um futuro mais humano e radiante. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.03.2026

quarta-feira, 18 de março de 2026

MUNDO DIGITAL

A cena é comum nos dias de hoje: reuniões sociais e profissionais, nas quais as pessoas ficam grande parte do tempo conectadas aos seus telefones móveis. 
Quando chegam aos lugares, vão logo depositando à mesa o acessório e a partir daí, fica dividida a atenção. 
É um olho no ambiente e outro na tela do aparelho. 
Parece até que tem um poder magnético, pois as pessoas são capazes de olhar mais para ele do que umas para as outras.
Estando sozinhos, a impressão que se tem é que o referido instrumento é capaz de fazer companhia ao indivíduo, substituindo a presença física de um amigo. 
Quando funcionavam simplesmente como telefones não eram tão invasivos, mas hoje o seu uso está muito ampliado. 
Na ânsia de nos mantermos conectados com o mundo, por vezes, nos esquecemos de quem está ao nosso lado.
Priorizamos a necessidade de receber uma notícia importante, de enviar ou receber alguma mensagem ou fazer consulta para esclarecer dúvidas. 
São os novos hábitos sociais. Infelizmente, eles partem as pessoas ao meio. 
Metade do indivíduo fica presente e a outra metade fica ligada ao aparelho e a tudo que ele proporciona. 
Temos consciência de que todo progresso tecnológico, quando empregado para o bem, traz alegria e conforto à humanidade. 
São muitas as facilidades que essa nova tecnologia nos possibilita e abrir mão delas está fora de questão. 
A reflexão é no sentido de utilizá-la da forma mais conveniente, com moderação e respeito aos que nos cercam.
É certo que esses aparelhos, que estão facilmente ao nosso alcance, nos trazem informações necessárias. 
Mas, devemos ter cuidado para que eles não interfiram em momentos fundamentais aos relacionamentos. 
Estejamos atentos à forma como temos utilizado esses recursos. 
Não deixemos jamais de valorizar a companhia de quem está ao nosso lado, de olhar nos olhos durante um diálogo, de escutar o outro com atenção, de se fazer presente e curtir o momento em que estamos vivendo essa ou aquela situação.
Procuremos não dar maior importância a esses aparelhos, em detrimento da atenção que possamos oferecer a quem está próximo de nós.
Os momentos passam e não voltam. 
Todos eles são importantes para fortalecer os vínculos afetivos que existem nos relacionamentos. 
As mensagens, pesquisas, informações e tudo mais, muitas vezes, podem esperar. 
* * * 
Qualquer processo de reeducação é sempre mais trabalhoso do que a educação pura e simples, pois implica em deixarmos hábitos enraizados e substituí-los por outros. 
Se já nos deixamos levar por esses costumes inadequados, busquemos modificá-los. 
Nesta época de tecnologia avançada e de cibernética, trabalhemos em nós mesmos a capacidade de vivenciar integralmente os relacionamentos pessoais. 
Busquemos desligarmo-nos do que está distante para valorizarmos e nos ligarmos verdadeiramente em quem está conosco aqui, agora. 
Aproveitemos cada minuto com os amores, os afetos. 
Isso é insubstituível e poderá não se repetir.
Pensemos nisso: o momento é agora, enquanto estão conosco. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.08.2012.

terça-feira, 17 de março de 2026

O NOVELO DE LÃ

Quando o novelo de lã despencava da cama era uma festa!
Todos parávamos o que estávamos fazendo imediatamente.
A tv, o videogame de mão, o desenho, a tarefa da escola, tudo era menos importante a partir daquele momento. 
Agora era ele, o novelo, o centro das atenções. 
Para onde ele iria correr? 
Que caminho iria escolher? 
Que desenho a linha faria no chão até, finalmente, parar?
Minha avó achava graça, de toda graça que fazíamos. 
E como demorávamos para devolver a bola de lã! 
Ela andava por tudo! 
Com uma certa ajuda, é claro. 
Passava por debaixo da cama, por detrás da cortina, por cima do televisor. 
Uma vez ela foi parar no lustre, vejam só! 
Que danada! 
E minha avó ali, recostada no baú de madeira da cama, que lhe servia como cabeceira, com as duas agulhas na mão, só esperando a bagunça terminar. 
Sabe… hoje penso que esse novelo caiu tantas vezes... que não pode ter sido só acidente… 
Acho que ele foi “derrubado” deliberadamente, assim, quase sem querer, só para ser motivo de alegria entre nós. 
Essa vó… que sabida! 
* * * 
Vivemos tempos de individualismo. 
Afastamo-nos uns dos outros. 
Os aparelhos, que cabem na palma da mão, nos entregam o mundo. 
Então, os olhos não desgrudam das telas. 
Será que nos oferecem mesmo o mundo? 
Será que tudo que precisamos está ali? 
Será que uma conversa por texto ou mesmo áudio é capaz de substituir um olhar? 
Ou um abraço? 
O que irá substituir, dentro deste mundo digital, o poder de um abraço? 
Não é possível que tenhamos aceitado isso tudo, tão facilmente. 
Não há o que substitua uma brincadeira com uma avó, uma caça a um novelo de lã que é jogado de lá para cá, e umas boas risadas. 
Não há o que substitua o afeto da presença física, do olhar, do abraço, do mesmo espaço físico. 
O coração registra lembranças. 
Esse registro constrói um legado dentro de nós. 
Esse legado vai moldando o que chamamos felicidade. 
Será que não sentimos falta desses momentos simples, íntimos, quase bobos, que nos divertiam tanto? 
Falta tempo? 
Ou falta vontade e oportunidade? 
Tempo, não. Pois, quando desejamos fazer algo que realmente queremos, damos sempre nosso jeitinho. 
Vontade e oportunidade estão em nossas mãos. 
Vontade é uma potência de nossa alma. 
Oportunidade é criada e não esperada. 
Existem muitos que resgatam jogos para serem partilhados em família, pequenas atividades em grupo, divertidas, que envolvem todos e ainda por cima relaxam. 
Piqueniques inesperados, passeios ao ar livre, convites-surpresa. 
Pensemos: o que podemos fazer? 
Por vezes, lembranças da infância nos serão boas inspirações. 
Precisamos de momentos a sós, sim, mas evitemos o isolamento excessivo. 
Tenhamos muitos outros momentos juntos, partilhados, colaborativos. 
Aprendamos a apreciar, a curtir, sem olhar no relógio, sem a ansiedade de se estar com a alma em outro lugar. 
Corramos atrás de nossos novelos de lã, sem vergonha de sermos crianças novamente, sem medo de fazermos feliz a criança que ainda mora em todos nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.03.2026

segunda-feira, 16 de março de 2026

MUNDO DE IRMÃOS

Cinco de maio. 
Mukhtar, um somaliano residente em Copenhagen, na Dinamarca, se ergue pela manhã e comparece ao serviço.
Ele é motorista de ônibus. 
Tudo parece normal, como todos os dias. As pessoas entram, saem, o ônibus faz as paradas devidas. 
E é justamente numa dessas que, entre outros, entra um jovem vestindo o mais fino traje a rigor. 
Na mão, um instrumento de sopro. 
Coloca-se em lugar estratégico do ônibus e toca. 
O motorista olha pelo espelho e continua sua rota. 
Então, uma mulher começa a cantar. 
É uma música que, com certeza, fala de felicidades, de dia de aniversário. 
Mukhtar sorri agora, abrindo a boca, mostrando os dentes alvos. 
É o dia do seu aniversário. 
Outras vozes se unem à primeira e também cantam. 
A viagem prossegue. 
Então, ao entrar em determinada via, ele se depara com uma marcha de protesto. 
Bom, não dá para ele saber com exatidão contra quem ou o que eles protestam. 
As pessoas, jovens, homens, mulheres, estão de costas para ele.
Portam cartazes, que ele não consegue ler. 
Eles gritam palavras de ordem, erguendo os punhos. 
Mukhtar sabe que deve ter cuidado. 
Avança devagar, aproxima-se delas e pede passagem buzinando. 
A marcha continua imperturbável na sua manifestação. Ele torna a buzinar. 
Aí, o inusitado acontece. 
Todas aquelas pessoas se voltam de frente para ele. 
Os cartazes agora estão virados para ele e o saúdam pelo seu aniversário. 
São felicitações. 
Todos cantam, sorriem. 
O ônibus para. 
Não há como prosseguir. 
Entre a surpresa e a emoção, o motorista abre a porta do veículo. 
Um homem vem ao seu encontro, o abraça e lhe entrega flores. 
Outros lhe oferecem presentes. 
Mukhtar disfarça as lágrimas da emoção que o toma por inteiro. 
Algumas daquelas pessoas são passageiros habituais da sua linha de ônibus, outras se encontravam na rua e foram convidadas a participar da homenagem ao aniversariante.
Tudo organizado pela empresa de ônibus que o emprega.
Uma empresa que lembrou que aquele somaliano, vivendo distante de sua terra, de sua gente, apreciaria uma manifestação de alegria e de afeto, no dia do seu aniversário.
* * * 
Enquanto houver pessoas que se preocupam em ofertar momentos de alegria a outras pessoas; enquanto houver tempo para manifestações de afeto; enquanto um empresário se lembrar de parabenizar seu funcionário pelo seu aniversário, pelo filho que lhe nasceu, pelo diploma que conquistou, tenhamos certeza: o mundo está melhor.
Enquanto alguns ainda se comprazem em prejudicar o seu irmão ou se mostram indiferentes à dor alheia, acreditemos: há um número expressivo de pessoas que se importam com o seu semelhante. 
Pessoas que se sentem felizes em propiciar felicidade a outros. 
Mesmo que isso possa ser somente cantar uma canção de aniversário, ofertar um abraço, tocar uma música, aceitar participar de uma homenagem a um servidor de todos os dias.
Pensemos nisso e vibremos e nos unamos a tais pessoas, engrossando a fileira dos que mentalizam o bem, fazem o bem e materializam, dia a dia, um mundo de irmãos, um mundo de amor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos na Internet. 
Em 06.12.2011.

domingo, 15 de março de 2026

UM MUNDO DE CORES E BÊNÇÃOS

É comum reclamarmos do mundo, das coisas que observamos acontecer, das tantas tragédias provocadas pelo próprio homem. 
Quase sempre, nossa visão acanhada toma ciência das maldades cometidas pelo homem e dizemos que o mundo vai muito mal. 
Ouvimos falar de crimes hediondos, de corrupção em vários níveis, de tantos que desafiam a lei do respeito e da cidadania e dizemos que está tudo perdido, mesmo. 
Os anos se somam acumulando séculos e o homem continua lobo do próprio homem. 
Por vezes, chegamos até a duvidar que nossas atitudes corretas possam vir a produzir qualquer diferença positiva para cenário tão triste. 
No entanto, é bom que consultemos a História. 
É bom relembrar como éramos no ontem das nossas existências. 
Lembrar das mulheres que eram consideradas coisa alguma.
Recordar que a mulher era tida como propriedade do pai, depois do marido, que sobre seu destino decidia sem contestação da sociedade, ou de qualquer lei que lhe pudesse garantir direitos. 
Recordar que crianças bastardas tinham direito algum, podendo se lhes dar o destino que bem se quisesse. 
Olhemos para nosso mundo hoje. 
Sim, ainda pleno de equívocos, de maldade, até mesmo de crueldade. 
No entanto, basta que uma tragédia se instale em algum local do planeta e todos se irmanam em donativos, em auxílio, em voluntariado para saciar a sede, a fome dos envolvidos. 
O ser humano tem seu direito à vida assegurado. 
As mulheres conquistaram um largo espaço, podendo frequentar a escola, ilustrar suas mentes, tornando-as ainda mais brilhantes. 
Sim, há muito mal na Terra. 
Contudo, a soma de bens sobrepuja o que ainda persiste. 
A dor é socorrida com a anestesia e o medicamento. 
Doenças consideradas incuráveis são combatidas, ferozmente. 
A higiene é propalada como indispensável condição para a saúde e dignidade da vida. 
Sim, com o Apóstolo Paulo podemos afirmar que não somos perfeitos, que muito deve ser conquistado e melhorado mas graças a Deus, já somos o que somos. 
Seres que se importam com o outro, que batalham por leis sempre mais justas, pela proteção do ser humano, desde o ventre materno. 
Por leis que assegurem a educação plena a todos, o direito ao teto e ao pão, leis que digam da correta remuneração a quem trabalha. 
Das aristocracias do passado marchamos para a verdadeira aristocracia, a do mérito, ajustando-nos ao preceito evangélico: A cada um segundo as suas obras. 
Obras de construção, de amor, de engrandecimento. 
Com certeza, ainda é duro o mundo quando a impiedade nos alcança, quando os maus agridem, quando nos sentimos acuados pela desonestidade e pela ironia. 
No entanto, avançamos, rumo ao Alto. 
Estamos melhores hoje. 
Somos melhores hoje. 
Guardemos essa certeza e continuemos a crescer para a luz.
Somos filhos da Luz, nos disse o Mestre. 
Iluminemos o mundo com nossa luz. 
Luz da compreensão, luz que ampara o caído, que socorre quem errou, que estende a mão ao que resvala pelo caminho.
Somos seres humanos. 
Comportemo-nos como tal, amando-nos uns aos outros.
E, de mãos dadas, rumemos para a angelitude. 
Ela pode estar bem próxima de nós, se quisermos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.06.2022.