quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A NATUREZA ENSINA

Abraham Cressy Morrison

É comum contemplarmos a criatividade de costureiros e alfaiates. 
Algumas criações realmente nos causam admiração, pela concepção das linhas, a arte, beleza, leveza. 
Eles unem tecidos, fios, botões, flores, joias e compõem uma vestimenta que, diríamos, digna de um rei. 
Não menos admiráveis são certas edificações erguidas pelo homem.
Edifícios que parecem escalar as nuvens, formas arrojadas, concepções extraordinárias que imitam um olho, uma nave espacial, uma agulha desejando alcançar alturas. 
Obras de ousados costureiros, engenheiros e arquitetos. 
Entre as aves, existe um pequeno pássaro, nativo da Ásia tropical, cuja característica mais intrigante não é o canto, mas sua extraordinária engenhosidade na construção do ninho.
Normalmente, a fêmea escolhe folhas sólidas a, no mínimo, metro e meio do solo e no final dos galhos, onde existe menos chance de serem alcançadas pelos predadores. 
Ela testa as dimensões e a resistência das folhas, se enrolando nelas. 
Consideradas ideais as condições, a fêmea operosa começa a trabalhar. 
Com os pés, puxa duas folhas e com o bico perfura as bordas de uma e de outra. 
Nesses orifícios, com fibras das plantas ou teias de aranha, ela começa o processo de confecção de um berço. 
A costura é primorosa. 
O ninho não se desmancha, seja pelo material usado, seja pelo complexo padrão da costura. 
Um ninho pode ter entre cento e cinquenta a duzentos pontos. Ver essa ave trabalhar é realmente encantador. 
Se, no processo de construção, acontece de uma das folhas se rasgar, o pássaro alfaiate lida com isso, sem problema, acrescentando outra folha. 
Caso sejam irreparáveis os danos, sem cansaço, tudo recomeça do início. 
Pronto o ninho, a fêmea o preenche com penas e material vegetal para a incubação dos ovos e a recepção dos filhotes.
Fantástico! Eis aí um costureiro/ arquiteto/ engenheiro. 
É de nos perguntarmos: quem ensinou a esse pássaro essa técnica primorosa? 
Buscar a matéria-prima ideal, o local de mais difícil acesso a predadores, testar a resistência, dar-lhe a forma de que necessita para abrigar os filhotes. 
Sabemos que o que rege os animais é o instinto, essa inteligência rudimentar. 
As manifestações do instinto são espontâneas e variam conforme as espécies e suas necessidades. 
Mas que coisa espetacular é o instinto nos animais. 
Entre nós, humanos, a ciência, a arte, o saber são passados, de geração a geração e, a partir da base aprendida, o homem cria variações e aprimoramentos, graças à sua inteligência. Isso se chama progresso. 
Lei Divina. 
O instinto é sempre a mesma nota melódica. 
Sempre o mesmo, lei que estabelece científica e matematicamente o equilíbrio da flora e da fauna na face da Terra. 
Por isso, os que temos olhos de ver, ao contemplarmos a natureza e suas nuances, nos indagamos: 
-Quem deu o instinto aos animais? 
-Quem estabeleceu coisas tão impressionantes a cada espécie para lhes assegurar a vida? 
E é o vento que nos responde, numa sequência de sons, como um mantra recitado em uníssono: 
-Foi Deus, o Criador. Foi Deus, o Pai. Foi Deus, Amor.
Redação do Momento Espírita, com frase da obra Sete razões pelas quais um cientista crê em Deus, de Cressy Morrison, ed. Fleming H. Revell. 
Em 04.11.2021.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

SUBLIME PARCERIA

Tilly Smith
Alguma vez já nos detivemos a refletir sobre o poder contido em uma semente de conhecimento? 
E sobre a aliança sagrada que se forma entre a alma que ensina e o coração que se dispõe a aprender?
A história que compartilhamos hoje nos convida a uma profunda meditação sobre essa sublime parceria. 
Ela se chamava Tilly Smith e tinha apenas dez anos de idade. 
Era a manhã de 26 de dezembro de 2004. 
A menina desfrutava de suas primeiras férias fora do país. 
Um presente de Natal junto à família, na belíssima praia de Mai Khao, na Tailândia. 
O cenário parecia um pedaço do paraíso na Terra. 
De repente, o mar começou a agir de um modo estranho. 
A água não se movia com a serenidade habitual. 
A superfície tornou-se espumosa, borbulhante, inquieta. 
Para os muitos banhistas ao redor, aquilo era apenas algo inusitado da natureza. 
Um fato curioso. 
Mas, para Tilly, aquele mar revolto era um sinal. 
Apenas duas semanas antes, em sua escola, o professor de geografia Andrew Kearney havia ministrado uma aula sobre tsunamis. 
Ele explicara para a turma as mudanças repentinas no comportamento do mar: recuos incomuns, água turva e o oceano se movendo de forma anormal. 
Vejamos a importância do bom professor e da boa aula.
Aquele educador não se limitava a obedecer a um currículo.
Ele estava entregando a seus alunos ferramentas de compreensão do mundo. 
Porém, detalhe que não podemos esquecer: a semente do ensino, por melhor que seja o semeador, exige solo fértil para germinar. 
É aí que brilha o segundo milagre dessa história: a excelente atenção da aluna. 
Naquela sala de aula, Tilly acolheu o conhecimento, permitiu que a lição penetrasse em sua mente. 
E, então, na praia ensolarada, reconhecendo os sinais exatos do que havia aprendido, Tilly começou a gritar, alertando que um tsunami estava chegando. 
De início, ninguém lhe deu atenção. 
Não havia onda gigante à vista, o céu estava limpo.
Entretanto, a convicção na voz da menina era tão assustadora que seu pai decidiu acreditar. 
O alerta se espalhou. 
A equipe do hotel começou a retirar as pessoas da praia.
A família de Tilly alcançou a segurança. 
Então, a terrível muralha de água de quase 9 metros chegou.
O tsunami do Oceano Índico levou centenas de milhares de vidas naquele triste dia. 
Mas, naquela praia específica de Mai Khao, ninguém morreu.
Tudo porque uma criança prestou atenção em uma aula. 
Mais tarde, chamada de o anjo da praia e homenageada internacionalmente, Tilly fez questão de esclarecer: 
-Não foi intuição, nem heroísmo. Foi conhecimento. Uma única aula, duas semanas antes, transpôs as paredes de uma escola e salvou uma centena de vidas. 
* * * 
Aprendamos a valorizar e abençoar os mestres que dedicam suas vidas a ensinar. 
Como educadores, preparemos nossas lições, nas escolas, nos lares ou na convivência diária, com amor e profundidade.
Também saibamos, como a pequena Tilly, ser alunos atentos na grande escola da vida, guardando na alma os ensinamentos que, um dia, poderão ser a luz a guiar os nossos passos e a proteger os nossos irmãos. 
Pensemos nisso... 
Redação do Momento Espírita, com base em fato da vida da britânica Tilly Smith, que circula em redes sociais. 
Em 23.09.2026

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O NATURALISTA CRISTÃO

MALBA TAHAN
Abuzit, famoso naturalista, morava em Genebra. 
Todas as manhãs, com a maior cautela, ele media a pressão do ar e anotava-a cuidadosamente.
Assim ele procedia, seguindo a marcha de seus estudos, a vinte e dois anos. 
Um dia, uma nova criada começou o serviço por uma grande limpeza no seu gabinete de trabalho. 
Abuzit, ao entrar, perguntou-lhe preocupado:
-“Onde você pôs os papéis que estavam aqui, junto ao barômetro?” 
-“Queimei-os, senhor.” – respondeu a moça com tranqüilidade –“estavam sujos e amarelados. Mas não se preocupe, patrão, porque coloquei papel limpo no lugar deles.” 
O naturalista, num relance, deu-se conta do desastre. 
A jovem, por ignorância, havia atirado ao fogo todas as tabelas numéricas, destruindo o trabalho metódico e paciente de vinte e dois anos.
O que lhe disse, então o sábio?
Cruzou os braços, quem sabe para reprimir a tempestade que ameaçava se desencadear nele, e depois falou-lhe com serenidade: 
-“Você acaba de atirar ao fogo o resultado de vinte e dois anos de trabalho. De hoje em diante, peço-lhe encarecidamente que não toque em coisa alguma que estiver no meu gabinete.”
Reagir violentamente às ofensas e aos prejuízos que nos atingem as fibras mais íntimas não resolve os dramas estabelecidos. 
Ao contrário, em geral a reação violenta costuma causar novos males, em um ciclo contínuo. 
Paulo, o apóstolo dos gentios, orienta-nos que não devemos deixar que o sol se ponha sobre nossa cólera. 
Jesus, irmão e mestre, convida-nos à reconciliação com os nossos inimigos, enquanto estamos a caminho. 
Ele nos ensina que o sacrifício mais meritório aos olhos de Deus é aquele que diz respeito ao ressentimento superado pela criatura. 
Questionado sobre tal tema, Jesus afirmou que devemos perdoar não apenas sete vezes a ofensa recebida, mas sim, setenta vezes sete vezes. 
Estabeleceu, assim, o perdão incondicional e ilimitado. 
O exercício do perdão ensina às criaturas o esquecimento de si mesmas, tornando-as invulneráveis às injúrias e aos maus procedimentos. 
Além disso, o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal sofrido. 
Não há nenhum merecimento em relevar agravos que não passam de simples arranhões e que não nos atingiram efetivamente. 
Tampouco pode o perdão das injúrias ser um termo vão, que atinge apenas os lábios. 
O verdadeiro perdão é aquele que lança um véu sobre o passado, esquecendo completa e absolutamente qualquer ofensa. 
Somos responsáveis também pelos nossos pensamentos, os quais, todos, são conhecidos do Pai Criador, que sabe o que pulsa no coração de cada um de seus filhos. 
Ele não se satisfaz com meras aparências, sondando o recesso de nossos corações e nossos mais secretos pensamentos. 
Extirpemos de nossa intimidade qualquer sentimento de rancor, a fim de sermos merecedores do perdão que nós próprios pleiteamos perante Deus. 
Pense nisso! 
Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio. 
Perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade.
Perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era.
Perdoemos a fim de que Deus nos perdoe, porque se formos intransigentes e inflexíveis para com nossos irmãos, como poderemos querer que o pai seja indulgente para com as nossas faltas? 
Pensemos nisso! 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, p. 100, 22ª edição, Editora Record e capítulo X de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

SEMIMORTOS

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Quando lemos a parábola do bom samaritano, narrada por Jesus, é comum imaginarmos aquela estrada antiga e poeirenta que descia de Jerusalém para Jericó. 
Imaginamos o homem caído, espoliado e ferido pelos assaltantes, esperando por algum tipo de socorro à beira do caminho. 
No entanto, se olharmos ao nosso redor, perceberemos que essa estrada é muito mais atual do que parece. 
Ela atravessa as nossas cidades, passa pelos nossos locais de trabalho e, muitas vezes, cruza os corredores da nossa própria casa. 
O Espírito Emmanuel, com sua profunda sensibilidade, nos lembra que hoje, nas estradas do mundo moderno, encontramos aqueles a quem ele chama de os semimortos da alma. 
Eles não estão sangrando pelas feridas do corpo físico, mas carregam dilacerações invisíveis que doem profundamente e lhes roubam a alegria de viver. 
Quem são eles? 
São os caídos aos golpes da incompreensão e da intolerância, numa sociedade cada vez mais exigente. 
São os desorientados que o ateísmo e o materialismo empurraram para o nevoeiro do sofrimento sem sentido. 
São os mutilados da mente, que foram atropelados pela calúnia e pela maledicência em pleno trabalho edificante. 
São os cansados da solidão, que caminham no meio da multidão, rodeados de pessoas, mas se sentindo completamente invisíveis e abandonados. 
São aqueles que se emaranharam nos espinhos da revolta, são as vítimas do desânimo profundo, os prisioneiros da obsessão, os envenenados pelo desespero e os esquecidos na sombra da ignorância. 
Quantas vezes nós mesmos passamos por eles como os indiferentes da parábola? 
Com a nossa pressa, com os olhos focados nas telas dos nossos celulares ou nos nossos compromissos inadiáveis, simplesmente passamos adiante. 
Dizemos a nós mesmos que não temos tempo, que não queremos nos envolver ou que o problema é exclusivamente do outro. 
Entretanto, Jesus nos convida, com a doçura de sempre, a sermos os samaritanos da estrada. 
O samaritano é aquele que interrompe a própria viagem, abre mão do seu tempo e dos seus interesses, porque o amor e a compaixão lhe falam mais alto ao coração. 
É aquele que se aproxima do irmão caído e derrama o óleo do carinho e o vinho da esperança nas suas feridas. 
Esse óleo e esse vinho podem se traduzir num abraço demorado, numa palavra de estímulo, num bom dia sincero e caloroso, ou apenas no silêncio respeitoso de quem se senta ao lado e oferece uma escuta atenta, sem cobranças e sem julgamentos. 
Pensemos nisso. 
Somos Espíritos imortais, fazendo uma rápida viagem educativa pela escola e oficina do planeta. 
A Terra é tão somente uma estalagem aonde chegamos ontem e da qual partiremos amanhã pela manhã. 
Ao término dessa jornada, levaremos conosco apenas aquilo que aprendemos e o amor que semeamos. 
Não deixemos que o nosso irmão continue caído na estrada da vida. 
Sejamos a mão estendida, trazendo de volta à luz e à esperança aqueles que o mundo, na sua indiferença, deixou semimortos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Nós, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no Evangelho de Lucas, cap. 10, versículos 25 a 37. 
Em 21.09.2026

domingo, 20 de setembro de 2026

NA SOLIDÃO DO CAMINHO

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Um palestrante, em certa oportunidade, afirmou que, à medida que somos promovidos na hierarquia das organizações, enfrentamos progressiva surdez. 
Trata-se de uma metáfora, que nos merece acurada reflexão.
Ela nos diz que, ao galgarmos degraus de poder e responsabilidade, perdemos, forçosamente, a identificação com os companheiros de jornada. 
Passamos a viver em outro círculo. 
Com isso, perdemos o contato com grande parte dos antigos colegas de caminhada profissional. 
Em nossa vida religiosa, algo semelhante, por vezes, acontece. 
Quando nos decidimos a trilhar as sendas de iluminação e elevação, descobrimos que são caminhos em desertos de solidão. 
Quando avançamos em conhecimento e consciência, deixamos para trás as tolices da imaturidade, para nos encontrarmos com o chamamento ao dever, ao qual nos afervoramos. 
Abandonamos os vales dos prazeres fugazes e dos pensamentos rasos, abraçando com alegria e comprometimento outro modo de ser, que reflete um novo eu.
Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, marcou com incomparável beleza esse momento de transformação, assinalando: 
-Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino. Quando me tornei homem, acabei com as coisas de menino. 
Nesse processo de crescimento, a claridade que nos invade o coração vem acompanhada de um profundo e martirizante silêncio, que nos fere a alma sensível quando nossos amores ficam para trás. 
A felicidade de saber que subimos um degrau na montanha da evolução contrasta com a dor de não sermos compreendidos, de não termos com quem compartilhar. 
Os corações que nos buscavam para partilhar das mesmas fantasias são agora nossos estranhos. 
Porque falamos outra linguagem, amigos do passado não conseguem nos compreender. 
Somos como a semente que vive a dor de romper a casca na cova solitária, em busca do próprio desabrochar. 
Como a lagarta, trocamos o rastejar por nova roupagem que nos permitirá voos libertadores em círculos mais altos e de maior compromisso. 
E tudo isso nos modificou e nos transformou numa versão aprimorada de nós mesmos. 
* * * 
Nesses momentos, quando nos propomos à nossa melhoria, recordemos Jesus e aprendamos com Ele. 
Subiu sozinho o Calvário, enfrentando uma morte desonrosa e sem culpa, tendo por companhia compulsória dois malfeitores.
Tomou a Sua cruz sem reclamar e seguiu, conforme ordenava a justiça dos homens. 
Não relacionou, em Sua defesa, os bens que distribuiu, as pessoas que curou, os pecadores que salvou, as viúvas que amparou, as crianças que abençoou, as lições que espalhou.
Entregou-se ao sacrifício, perdoando e rogando ao Pai que perdoasse a todos pela inconsequência em que se encontravam. 
Façamos como o Amigo Divino. 
Guardemos a certeza de que, na solidão do aprendizado, na subida da montanha do conhecimento e da autoiluminação, Ele sempre estará conosco. 
E os que ficarem na retaguarda nos haverão de reencontrar, em algum momento, em alguma dobra do caminho, igualmente renovando-se. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 70, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 27.06.2025.

sábado, 19 de setembro de 2026

MARIA DE NAZARÉ

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais 
É com esta denominação que a Mãe de Jesus foi eleita para ser a protetora de Curitiba, a capital paranaense. 
E existem outras tantas denominações com que é lembrada a Mãe de Jesus. 
De acordo com o local, as circunstâncias, Ela recebe o adjetivo. 
Nossa Senhora de Fátima, de La Salete, dos Navegantes, Imaculada Conceição, Nossa Senhora Aparecida. 
Algumas das denominações têm a ver com aparições de Espíritos luminosos. 
Apresentando-se com características femininas e excelsa beleza, foram tomados pela própria Mãe de Jesus. 
Foi somente na segunda metade do século quarto que Maria passou a ser objeto de culto. 
Na Armênia, na Gália e na Espanha, os documentos do século sexto registram um dia consagrado à Maria. 
Em Roma, as festas em Sua homenagem aparecem só no século VII. 
Não se sabe ao certo se as aparições eram realmente da Mãe de Jesus. 
No entanto, todas as religiões cristãs reverenciam a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
No Espiritismo também aprendemos a reconhecer em Maria uma entidade muito evoluída.
Há mais de dois mil anos já havia conquistado elevadas virtudes que a tornaram apta a desempenhar, na crosta terrestre, a elevada missão de receber nos braços o emissário de Deus. 
Emissário que se fez menino para se transformar no modelo de perfeição moral que a humanidade pode pretender sobre a Terra. 
Após o episódio da crucificação do filho, Maria permanece um curto período em Bataneia. 
Depois se transfere, com João Evangelista, para Éfeso. 
Ali estabelece um pouso e refúgio aos desamparados. 
Com João, passa a ensinar as verdades do Evangelho. 
Em poucas semanas, a casa de João se transforma num ponto de assembleias adoráveis. 
Maria fala das Suas lembranças. 
Fala sobre Jesus com maternal enternecimento. 
Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados passam a frequentar o sítio generoso. 
São velhos e desenganados do mundo que vêm ouvir as palavras confortadoras. 
São enfermos que invocam Sua proteção.
Infortunados que pedem a bênção de Seu carinho. 
Sua morada passa a ser conhecida como a Casa da Santíssima. 
Assim foi até Sua morte. 
Ao libertar-se do vaso físico, Ela deseja rever a Galileia. 
Fora ali que Seu filho apresentara as mais belas canções da Imortalidade. 
Em seguida, visita os cárceres de Roma, repletos de discípulos do Mestre, que aguardam a morte. 
Conforta-os e lhes transmite bom ânimo. 
Na Espiritualidade, Jesus lhe confia a assistência aos suicidas. 
Esses Espíritos, em profundo sofrimento no Além, são atendidos pela Legião dos Servos de Maria. 
Maria é, pois, a sublime acolhedora desses Espíritos que se arrojaram aos abismos da morte voluntária. 
Todas as petições que a Ela são dirigidas, são acolhidas pelos Seus emissários. 
Examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria. 
Maria de Nazaré prossegue amparando com imenso amor maternal a humanidade inteira. 
Os espíritas a reconhecem como Ser Sublime que, na Terra, mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitude maternal, Aquele que foi o redentor dos homens, nosso Mestre e Senhor Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados históricos colhidos no verbete Maria, na Enciclopédia Mirador, v.13, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil. 
Em 19.09.2026

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ROCHA VIVA

CHICO XAVIER(+) e EMMANUEL
Pedra é algo que nos remete, geralmente, ao pensamento de algo que incomoda. 
Pensamos na rigidez, na frieza, naquilo que não tem vida e que nos machuca ou nos impede de avançar. 
Quando desejamos expressar que algo está criando uma dificuldade para alcançar um objetivo, dizemos que há uma pedra no caminho. 
No entanto, Jesus, o maior intérprete de almas que já pisou na Terra, olhava para as coisas de um jeito diferente. 
Para Ele, uma pedra não era apenas um obstáculo. 
Podia ser um alicerce. 
Onde, habitualmente, vemos algo duro e inflexível, o Mestre via firmeza, base segura, fundação para se construir uma casa que os ventos não abalassem, nem a tempestade viesse a derrubar. 
E foi usando essa exata figura que Ele olhou para um pescador impulsivo, cheio de falhas, e o chamou de rocha viva da fé. 
Por que exatamente Pedro, entre os doze? 
Se nós fôssemos escolher alguém para ser a rocha de um projeto mundial, talvez buscássemos a pessoa mais perfeita, inabalável e culta. 
Jesus escolheu Simão Pedro. 
Um homem que tinha medo, que afundou na água quando duvidou, que cortou a orelha de um soldado num ímpeto de raiva e que, na hora mais difícil, O negou três vezes.
Por que, então, chamá-lo de rocha? 
Porque Jesus não estava olhando para o Pedro daquele momento. 
Ele olhava para o potencial daquele Espírito. 
Uma pedra, antes de ser o alicerce de um templo, de um edifício, passa por pancadas, é lapidada, perde as arestas. 
As dores e os erros de Pedro foram o cinzel que tirou o excesso de orgulho e impulsividade, revelando a rocha forte que havia por baixo. 
Prestemos atenção ao adjetivo que Jesus confere à rocha: viva. 
Uma rocha morta é a rigidez, a dureza das regras sem amor.
Uma rocha viva, por outro lado, é firme nas convicções, mas pulsa de compaixão. 
Ela dá sustentação aos outros. Sabe se adaptar para acolher. Pedro se tornou essa rocha viva. 
Depois da partida de Jesus, foi ele quem sustentou os primeiros cristãos, apaziguou contendas e deu a vida pela mensagem. 
* * * 
A história de Pedro é a nossa história. 
Quantas vezes nós também prometemos mundos e fundos a Jesus em nossas orações, e logo depois tropeçamos, negamos nossos valores e afundamos no mar das próprias dúvidas?
Quantas vezes afirmamos que O seguiríamos em todos os momentos e, no entanto, ante percalços maiores, O negamos? 
Ou seja, nos sentimos fracos, esquecidos de que Ele segue conosco. 
Mesmo assim, o Mestre continua nos chamando para sermos pedras de construção. 
Ele confia na nossa capacidade de transformação. 
Toda vez que escolhermos perdoar em vez de revidar, estaremos sendo rocha viva. 
Toda vez que mantivermos a esperança quando tudo der errado, estaremos demonstrando a nossa firmeza. 
Que possamos nos tornar rocha viva, alicerce seguro e amoroso na vida daqueles que caminham ao nosso lado. 
Que possamos ser considerados ditosos por trabalharmos juntos e unirmos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra que nos foi dada a realizar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 124 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 18.09.2026