sexta-feira, 19 de junho de 2026

ASTRONAUTAS

ARTEMIS II - NASA
Em abril de 2026, a missão Artemis II da NASA levou o ser humano mais longe do que ele jamais fora anteriormente.
Essa viagem espacial quebrou o recorde anterior, que pertencia à Apollo 13, em 1970, e conduziu quatro astronautas a mais de quatrocentos mil quilômetros de distância da superfície do planeta. 
E lá fomos nós uma vez mais explorar a lua, romper limites. 
E lá fomos nós uma vez mais para fora. 
As constatações dos astronautas, quando veem a imagem do planeta lá de fora, continuam a encantar.
Não conseguem expressar em palavras a beleza, têm dificuldade para expressar a emoção. 
Percebem claramente como estamos todos juntos numa mesma nave espacial flutuando no espaço. 
Um deles utilizou estas palavras: 
-Vocês nos enxergam aqui numa nave espacial flutuando no espaço, mas curiosamente, estamos enxergando vocês da mesma forma. 
O planeta Terra é uma grande nave viajando, veloz, pelo espaço infinito. 
Uma estação de tratamento, uma escola, um hospital, e todos que aqui estão foram convidados a fazer uma grande jornada para dentro de si mesmos. 
Não há como evitar o caminho do autoencontro, do autoconhecimento. 
Não falamos deste autoconhecimento raso, que tem feito as pessoas falarem apenas de si, tornarem-se cada vez mais individualistas e se conformarem com seus vícios morais. 
Não falamos da busca do si egoísta, vaidoso, que tem se chafurdado nos cosméticos, medicamentos que prometem consertar excessos que nós mesmos cometemos, ou ainda no si do reflexo no espelho que vê o corpo bem delineado e compensa a alma triste.
Autoconhecimento é uma busca pela essência espiritual de si mesmo e, uma vez que nos descobrimos Espíritos, tudo muda. 
Espírito não é corpo. 
Espírito veste um corpo temporariamente com determinado objetivo. 
Espírito não morre, continua. 
Espírito já aprendeu antes e não para de aprender. 
São muitas as consequências de se ver como um ser espiritual numa jornada terrena. 
Mudam as relações com as coisas do mundo. 
Mudam as relações com as pessoas. 
Mudam os valores. 
O que colocar em primeiro lugar na vida? 
Quais as nossas prioridades? 
Como usar nosso tempo? 
O que pode ou não tirar nosso sono? 
O que deve ou não nos preocupar? 
Somos astronautas em uma missão na nave planeta Terra.
Corpo, alimentação, moradia, bens materiais são instrumentos. 
O mais importante está além disso. 
Qual a sua missão, astronauta? 
Você já parou para pensar? 
Ou ainda, quais as suas missões? 
Cada fase da vida nos reserva tarefas, incumbências diversas, em múltiplas áreas. 
Um astronauta que pode permanecer nesta nave por cem, cento e dez anos, deve ter muito a fazer e pode usar muito bem esse tempo em cada fase da vida, não havendo nenhuma dela menos importante que a outra. 
Que possamos, depois de nosso tempo aqui, retornar à base maior ou, ainda, pousar em paz sobre algum oceano do plano espiritual, com sorriso nos olhos a dizer: 
-Deu tudo certo! 
Redação do Momento Espírita 
Em 19.06.2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

NÃO DOEU NADA

ADÉLIA PRADO
Pensando em sua morte, de maneira inspirada, escreveu uma poetisa brasileira: 
Acho que morrer é assim: 
Deus, me passa no pontilhão? 
 A pé ou no colo? 
No colo. 
Você fecha os olhos e quando abre já passou. 
Não doeu nada. 
* * * 
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem? 
-Não gosto de pensar sobre isso! - Dizem uns. 
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros. 
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. - Afirmam ainda alguns. 
A morte é um fenômeno natural. 
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro. 
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo. 
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma. 
Como se dará a passagem para cada um de nós? 
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um. 
Pode não doer nada? Pode sim. 
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento. 
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual. Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber. 
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade. 
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou. 
Não doeu nada. 
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea. 
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual. 
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela. 
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida. 
Fundamental cultivar o desapego. 
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado. 
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta. 
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá. 
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem. 
O amor não é perdido. 
As memórias não são perdidas. 
Tudo que construímos não se perde. 
Não nos preocupemos. 
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda. 
Deus nos carrega no colo, quando precisamos. 
Ele faz isso constantemente, sem percebermos.
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida. 
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record, e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 09.03.2026.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A INABALÁVEL CERTEZA

Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. 
Com Ele, dois ladrões, um à Sua direita e outro à Sua esquerda, cumprindo a escritura que diz: 
-Ele foi contado entre os transgressores. 
Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei zombavam dEle, dizendo: 
-Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! 
Ele morreu em torno das três da tarde. 
Foi uma agonia de seis horas.
Abreviada pelo martírio dos açoites a que fora submetido, que lhe provocaram grande perda de sangue. 
Nem mesmo água lhe fora dada, após a ceia do cair da tarde/início da noite de quinta-feira. 
Estava de tal maneira exaurido que os soldados, temerosos de que Ele não chegasse vivo ao Calvário, exigiram que o homem de Cirene levasse a cruz. 
Frequentemente, nos detemos demoradamente no Calvário, no peso do madeiro e no martírio físico de Jesus.
Continuamos a mostrá-lO preso a uma cruz. 
É justo que honremos o sacrifício, mas importante que a contemplemos como um hífen de luz que verticalmente une os céus à Terra. 
E o que mais devemos evidenciar, como seguidores de Jesus, é a Sua ressurreição gloriosa. 
O mundo acreditou que estava silenciando a verdade. 
O que as autoridades da época não compreendiam e o que, muitas vezes, nós ainda custamos a entender, é que o Espírito não pode ser pregado em uma viga de madeira. 
O que morreu na cruz foi o invólucro, a vestimenta de carne que permitiu ao Mestre caminhar entre nós. 
Porém, a essência, aquela chama que Ele chamava de Eu sou, permaneceu intacta. 
O silêncio do sepulcro não foi uma derrota, mas o intervalo necessário para que a maior lição de toda a História humana fosse gestada: a prova definitiva de que a vida é um fluxo contínuo que não se interrompe com o cessar dos batimentos cardíacos. 
A manhã da ressurreição confere o atestado irrevogável da vitória de Jesus sobre a morte. 
Ao ressurgir, Ele lhe altera a natureza, transformando-a de um abismo em uma ponte. 
O Cristo ressurreto é a prova viva de que a biologia não tem a última palavra sobre a nossa existência. 
Ele surge com um corpo transformado, glorioso, que retém as marcas da Sua passagem pela Terra, mas que não é escravo das leis da matéria. 
E tudo é tão grandioso na ressurreição que os relatos são de que Ele apareceu aos peregrinos que se dirigiam a Emaús, andou com eles, entrou na pousada e repartiu o pão, momento em que eles O identificaram. 
Esteve no cenáculo por duas vezes, apareceu na praia, às margens do Tiberíades, visto por sete dos Seus apóstolos. 
A ressurreição de Jesus é o argumento final contra o desespero. 
Ela nos diz que somos seres espirituais simplesmente vivendo uma experiência humana. 
Jesus venceu a morte para que pudéssemos compreender que a nossa verdadeira pátria não é feita de pó, mas de luz. 
A glória daquele domingo é o sol que nunca se põe na alma de quem crê. 
A morte morreu naquela manhã. 
O que resta é a certeza de que a vida é imortal, pujante e soberana. 
Jesus testificou com o próprio ser que, assim como Ele venceu o mundo e a morte, nós também estamos destinados à glória da vida sem fim. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.06.2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

NÃO DIGAS QUE A VIDA É TRISTE!

Não digas, coração, que a vida é triste,
porque a vida é grandeza permanente
e a natureza, em tudo, é um cântico de glória,
desde o sol até a semente.

Mágoas? Dizes que as mágoas lembram trevas,
que nem de longe sabes entendê-las...
contempla o céu noturno, revelando
avalanches de estrelas.

Asseveras que os sonhos são feridas,
quais picadas de espinhos agressores...
fita o verde das árvores podadas,
recobertas de flores.

Nos dias de aflição, ante a força das provas,
recorda, na amargura que te oprime,
que a ostra faz nascer, do próprio seio em chaga,
a pérola sublime.

Assim também, nas trilhas da existência,
se choras sem apoio e caminhas sem paz,
não te queixes do mundo... serve, ama,
espera e vencerás!

A vida... toda vida é luz eterna!
Escalando amplidões e buscando apogeus...
e a presença da dor, em qualquer parte,
é uma bênção de Deus.
* * * 
Será que não nos falta um pouco mais de poesia na vida?
Falamos não apenas dessa linguagem bela dos poemas, dos versos rítmicos e das rimas aqui ou ali. 
Referimo-nos a essa forma inspirada e sensível de enxergar o mundo, a vida, as coisas em geral. 
Não se trata também de visão ingênua ou distorcida, que deseja fugir de uma realidade dura. 
Trata-se, justamente, de uma lente que nos ajude a entender melhor os mecanismos, as leis, o funcionamento do Universo, tudo que nos rodeia. 
A vida é difícil, bem o sei. 
Compõe-se de mil nadas, que são picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir - recita um poeta amigo. 
No entanto, o mesmo olhar que enxerga os alfinetes percebe que as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores.
Os dias de sol, de vento brando não são mais numerosos do que aqueles de cinza e frio? 
A poesia na vida nos ensina a equilibrar a medida, a ponderar os lados, a não nos permitir cair nas armadilhas poderosas e frequentes do pessimismo destruidor.
A inspirada poetisa brasileira, Cecília Meireles, falando das pequenas felicidades certas, dizia: 
-Uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 
O convite de aprender a olhar está posto. 
Um aprendizado necessário, indispensável, podemos dizer, numa vida de muitas lutas e tantos momentos de tristeza. 
A lente da poesia é tão grandiosa que nos permite inclusive viver a tristeza sem medo, e vislumbrar beleza até mesmo na melancolia - este movimento de recolhimento da alma que lhe é sempre aprendizado valioso. 
A poesia nos convida a pousar na dor, mas não fazer morada nela. 
Convida-nos a renascer e a nos renovarmos com a natureza, que exulta à nossa volta, num apelo constante a seguir adiante. 
A poesia nos convida a admirar o sol e a chuva com o mesmo encanto. 
O frio e o calor como sendo necessários. 
A noite e o dia como irmãos e não adversários. 
A vida... Toda a vida é uma luz esplendorosa. 
Por isso, nunca digas, coração, que a vida é triste. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Antologia da Espiritualidade, pelo Espírito Maria Dolores, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no poema A Arte de ser feliz, de Cecília Meireles, do livro Escolha o seu sonho, ed. Global. 
Em 09.11.2022.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

VAMOS LÁ!

Essa frase era utilizada por Todd Beamer para conseguir que os dois filhos se concentrassem em uma tarefa. 
E foi com essa frase que ele definiu o destino do voo 93 da Airlines, no dia 11 de setembro de 2001.
Ele tinha trinta e dois anos. 
Era casado e pai de dois meninos. 
Uma filha estava a caminho. 
Usando um dos telefones da aeronave, conseguiu se comunicar com a supervisora telefônica Lisa Jefferson. 
Sua voz estava serena, mas ela conseguia sentir o peso do que ele estava enfrentando. 
Contou do sequestro pelos terroristas. 
Ele falou da esposa, dos seus filhos, do bebê ainda não nascido. 
Da sua fé em Deus. 
Lisa ficou na linha com aquele estranho que se preparava para fazer algo impossível de imaginar. 
Ele encorajou os outros passageiros. 
Pessoas comuns: trabalhadores, estudantes, tripulantes, que entenderam que eles eram os únicos que podiam impedir que aquele avião atingisse seu alvo, fosse qual fosse, na capital americana. 
Eles fizeram suas orações e decidiram lutar. 
As últimas palavras de Todd Beamer ouvidas por Lisa foram para os outros passageiros: 
-Estão prontos? 
Então, veio a frase memorável: 
-Vamos lá! 
Os passageiros se lançaram para a cabine. 
Eles não tinham treino, não tinham um plano além da recusa de que os sequestradores usassem o avião para matar mais inocentes.
A gravação da cabine captou o caos: o barulho dos passageiros abrindo caminho, os terroristas entrando em pânico, gritos de confusão quando seu plano cuidadosamente preparado começou a desmoronar. 
Eles perderam o controle do avião, que caiu em um campo perto de Shanksville, Pensilvânia. 
Todos a bordo morreram. 
Eram trinta e três passageiros e sete tripulantes. 
Vamos lá! 
Tornou-se um grito de união para uma nação ferida. 
Apareceu em distintivos. Em memoriais. Em autocolantes. Em discursos. 
Nunca foi apenas uma palavra de ordem. 
Foi o último grito de batalha de pessoas comuns que fizeram algo extraordinário. 
Todd Beamer não era soldado. 
Não estava treinado para o combate. 
Era um gerente de contas da Oracle, amava a família e jogava softball nos fins de semana. 
Porém, quando o momento o exigiu, quando a escolha foi entre deixar o terror vencer ou resistir, levantou-se. 
Não lutou pela glória. 
Não lutou por reconhecimento.
Lutou para que seus filhos crescessem em um mundo onde o mal não se impusesse. 
Para nos lembrar que a coragem não exige uniforme: apenas um coração disposto a agir. 
Porque os heróis, às vezes, são apenas pais querendo voltar para casa, para a família. 
Num campo silencioso, nomes estão gravados em pedra. 
Não como vítimas apenas. 
Mais do que tudo, como pessoas que, no momento mais escuro, escolheram luz. 
* * * 
Vamos lá! Duas palavras simples. 
Mas que carregam um peso imenso: o de levantar-se quando tudo parece perdido. O de fazer o que é certo mesmo quando custa tudo. 
Todd Beamer entrou num avião esperando um dia comum.
Entrou para a História como alguém que escolheu ser extraordinário quando mais importava. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos em redes sociais. 
Em 15.6.2026

domingo, 14 de junho de 2026

NÃO DESISTIR JAMAIS!

Você já pensou em abandonar algum compromisso, alguma atividade antes de acabá-la, só porque estava difícil demais?
Já se viu desistindo de resolver um grande problema, porque ele se mostrou maior do que você estava disposto a solucionar? 
Talvez muitos de nós já tenhamos passado por alguma dessas situações. 
O de desistir de algo, de algum intento, de algo previamente planejado. 
Algumas vezes o motivo é o cansaço, outros o desestímulo, ainda pode ser a falta de perspectiva... 
Seja qual for a causa, o resultado é sempre o mesmo: tarefa inacabada, tarefa adiada. 
Nosso livre-arbítrio nos permite tal ação, mas a resposta da vida será sempre a mesma: em algum momento, nos encontraremos novamente com o compromisso, a fim de concluí-lo. 
Quanto mais importante for o compromisso adiado, mais tormentos e dificuldades, e mais energia vai-nos exigir para a sua continuidade. 
Será sempre mais trabalhoso retomar o compromisso mais tarde pois, ao abandoná-lo, ele não se extingue, apenas continua lá, do mesmo tamanho e tão desafiador como sempre. 
Desses compromissos que, algumas vezes pensamos em adiar, abandonar, fugir, sem dúvida, o maior deles é a própria vida. 
Você já se deu conta de que viver é um grande compromisso de nós para conosco mesmo e para com Deus? 
Ninguém vive por acaso, por obra do acaso e de maneira aleatória. A vida de cada um de nós é experiência de extrema importância em nossa história de Espíritos imortais. 
A cada vida, um planejamento, uma programação, sob a tutela e os cuidados da Providência Divina, para que tudo ocorra da melhor maneira possível. 
Dessa forma, é natural que, para nossa vida, também estejam programados embates, desafios, alguns dissabores... São os resultados do ontem refletindo no hoje. 
Mas todas as experiências que a vida nos oportuniza são para aprendizado, nada ao acaso, nada tempo perdido. 
Por isso, evadir-se da vida pelo caminho infeliz do suicídio é opção insensata dos que imaginamos que todos os nossos problemas se solucionarão ao darmos as costas para eles. 
Os problemas não só continuarão, como estarão aguardando nossas ações para sua solução, em momento oportuno. 
É ilusão imaginar que a morte irá trazer a solução dos problemas. 
Pelos caminhos tristes do suicídio, ela nos trará apenas a decepção para quem se iludiu, imaginando que a vida acaba com a morte do corpo, esquecendo-se que a alma permanece. 
Os nossos problemas são os mais adequados para a nossa estrutura emocional e para nossas capacidades. 
Ninguém no mundo está abandonado.
Deus, como Pai amantíssimo, cuida de cada um de nós, com um desvelo que poucas vezes nos damos conta. 
* * * 
Se algum dia tal ideia infeliz lhe passou pela cabeça, liberte-se dessa infame ilusão, pois que, por esses caminhos, a morte nada lhe trará a não ser a certeza de que tudo o que você quer abandonar hoje, terá que ser retomado mais tarde, sob a injunção de maiores dificuldades e dores. 
Sem dúvida, o dia de hoje, o momento atual, é o mais adequado, favorável e feliz para a solução dos seus problemas. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.03.2010.

sábado, 13 de junho de 2026

NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO

RAUL TEIXEIRA
A Terra estava informe e vazia. 
As trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 
Assim inicia o livro bíblico Gênesis, resumindo em poesia o estado do nosso planeta antes de vir a ser. 
Então, separou Deus as águas do elemento árido. 
Fez os pássaros do céu, os anfíbios, os répteis. 
No sexto dia, fez o ser humano, que também saiu da água.
Por quê? 
Porque foi feito da argila, que, por sua vez, tinha saído da água. 
A vida orgânica começou nas águas. 
Nascer da água significa nascer na vida orgânica. 
Nosso corpo físico é um corpo de água, que, adulto, tem cerca de sessenta e cinco a setenta por cento de água. 
Nascer da água é, portanto, nascer no corpo. 
E, quando reestruturamos a nossa vida moral, nos aproximamos de Cristo. Isto é nascer do Espírito. 
Nascer da água não é a condição suficiente. 
É preciso nascer da água e do Espírito, segundo Jesus.
Assim, não basta estar encarnado. 
É preciso dar à encarnação um bom desempenho, desenvolver o melhor. 
Se estamos na Terra, com esse dever de nos aprimorarmos, o que é que estamos esperando? 
Não estamos proibidos de comer, de beber, de namorar, de casar, de ter filhos, de gozar, de jogar futebol, de competir, de ser campeões. 
Mas, enquanto estamos usufruindo dessas prerrogativas, o que estamos armazenando para a alma imortal? 
Tudo que fizermos deverá ter por sentido final a nossa felicidade, o nosso progresso, a nossa evolução. 
Por isso, é preciso levar a vida com seriedade. 
Saber que estamos na Terra como quem se acha numa escola, em que há momento de recreio, embora a maior parte do tempo seja para o aprendizado. 
O recreio é um deleite para refrescar a mente, para refrescar a alma.
Para isso, a Divindade coloca à nossa disposição este planeta belíssimo, cheio de picos, como dedos de pedra erguidos aos céus para pouso das águias; esses mares bravios que se atiram contra os arrecifes, provocando um tapete de espuma.
Pelo amor de Deus, temos a Terra recoberta por esse toldo de estrelas, iluminada pelo spotlight que reflete a luz do sol e que chamamos Selene, nosso satélite lunar. 
A Terra é um planeta de primaveras abençoadas, que a transformam num gigantesco jardim. 
Um mundo maravilhoso no qual todas as coisas acatam a vontade de Deus. 
As aves, das andorinhas às águias, continuam a voejar, a cantar os seus cantos e a bater suas asas, singrando os céus do mundo. 
As estações se sucedem disciplinadamente, uma vez ao ano, cada qual com sua característica. 
E temos as brisas mansas, os ventos que sopram das montanhas e refrescam as baixadas. 
Um planeta recortado de artérias chamadas de rios, que vão encontrar-se no mar. 
Tudo sob os cuidados da Divindade. 
* * * 
Pensemos: É preciso entender Jesus na solidão das nossas reflexões: 
Onde esse Mestre nos está faltando? 
Onde estamos sentindo falta dEssa Voz macia da Galileia, dessas águas mansas de Genesaré? 
Onde está faltando Cristo em nós, para que O possamos entronizá-lO no coração? 
Redação do Momento Espírita, a partir do curta O mundo em que vivemos e o Espiritismo, de Raul Teixeira, disponível em @canalfep 
Em 13.06.2026