sexta-feira, 3 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ MELHORANDO

Marycarmen Caro Gastelum
Sempre ouvimos falar que, para o mundo melhorar, é preciso que as pessoas melhorem. 
Embora seja um processo lento, é uma realidade da qual não se pode fugir. 
Quanto mais pessoas se dispuserem a colaborar nessa melhoria, olhando com mais atenção ao seu redor, identificando situações onde possam agir em favor do bem, mais rápida se fará essa transformação. 
Diariamente, temos exemplos de que a face do mundo está se modificando.
Marycarmen Caro Gastelum 
Basta ter olhos de ver.
Como aquele rapaz que passava pela rua e se surpreendeu com o que viu. 
Parou, fotografou, compartilhando, posteriormente, em seu perfil, em rede social.
Explicou depois o que vira: uma enfermeira, moradora na cidade do México, saindo de seu plantão, viu um homem em uma cadeira de rodas. 
Todos passavam e ninguém lhe prestava atenção. 
Talvez seja essa uma conduta de autodefesa. 
Se fingirmos não ver o problema, não temos compromisso com qualquer tentativa de solução. 
Sabemos que as condições de pobreza, da falta de moradia, da fome e da saúde têm sido um grande desafio em quase todos os lugares. 
Contudo, nada nos impede de colocarmos uma gota de bálsamo, de amor e atenção fraterna no coração daquele que sofre. 
Não resolvemos o problema mas, se nos aproximarmos, quiçá possamos descobrir que a ajuda de que a pessoa necessita não é tão grande e que podemos oferecê-la. 
Certamente, com essa disposição, Marycarmen se aproximou e verificou que aquele cadeirante sofria muito. 
Trazia os pés feridos. 
Sem pensar em seu cansaço, depois das horas de trabalho, ela se prontificou, ali mesmo, a tratar dos ferimentos, com o material que trazia em sua maleta. 
Não terá resolvido o problema da fome dele, da ausência de família, de abrigo. 
Mas, diminuiu-lhe a dor, o que ele mais precisava, naquele momento. 
* * * 
Felizmente multiplicam-se as pessoas, de espírito nobre, capazes de sentir empatia. 
São gestos dessa ordem que arrastam outros à solidariedade, na tentativa salutar de imitá-los. Isso faz parte do mundo melhor, que estamos construindo. 
Um mundo que reflete fraternidade, semeadura de paz. 
Essa paz que almejamos para nós, para nossos amores, para o mundo. 
Buscar saber quem realmente somos, de onde viemos, porque estamos aqui, e para onde vamos, nos auxiliará a clarear o caminho para a instalação dessa paz tão falada, tão desejada. 
O Evangelho de Jesus, como um processo educativo do ser espiritual que somos, nos auxilia a nos percebermos como construtores desse mundo almejado. 
Pessoas espiritualizadas fazem a diferença em nossa sociedade, agindo conforme a lei de amor e promovendo o bem onde se encontrem. 
O Mestre Jesus foi quem nos afirmou que o que fizermos a um faminto, a um doente, a um necessitado de qualquer ordem, a Ele mesmo o estaremos fazendo. 
Que coisa grandiosa se assim pensarmos. 
Servir ao Rei dos reis na pessoa do mais humilde cidadão.
Isso mais nos deve incentivar à prática das boas ações, ao atendimento aos pequenos do mundo. 
Será com o amor que trazemos em nós, que alimentaremos a chama do amor no mundo. 
Pensemos: tudo começa em cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita, com narrativa de fato, envolvendo a enfermeira Marycarmen Caro Gastelum. 
Em 08.08.2020.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

POSSUIR

Rachel Naomi Remen
Aquela psicóloga estabelecera um laço de amizade com o menino. 
Era comum se encontrarem para brincar com os carrinhos de corrida dele. 
Um tinha uma das rodas quebradas. 
Mesmo assim, eles viajavam com a imaginação, cada qual descrevendo o que via pelas estradas em que rodava. 
Era uma brincadeira maravilhosa. 
O garoto, no entanto, desejava muito uma coleção de carros de corrida. 
Rachel teve vontade de comprá-la, mas temia constranger os pais com essa atitude. 
Então, uma companhia de petróleo lançou uma campanha. 
A cada tanque cheio de combustível, um carrinho de corrida.
Entre amigos, Rachel fez a campanha e, rapidamente, conseguiu a coleção completa. 
Embrulhou em uma bela caixa e presenteou o garoto. 
Os carrinhos encheram todo o parapeito da janela da sala.
Curiosamente, o menino deixou de brincar com eles.
Achando aquilo estranho, Rachel quis saber o porquê. 
Então, ele não gostara daqueles carros? 
A resposta a abalou: 
-Eu não sei como gostar de tantos carros. 
* * * 
Quantos de nós temos tantas coisas que nem nos damos conta. 
E parece que, aos poucos, perdem o significado para nossas vidas. 
Por vezes, tentamos preencher nosso vazio acumulando mais e mais objetos, livros, revistas. 
De um modo peculiar, quanto mais acumulamos menos usufruímos.
Poderíamos até colocar um cartaz para nós mesmos: 
Possua tudo, usufrua nada. 
Quase sempre, não fazemos ideia de tudo o que está guardado em nossos armários, estantes e gavetas. 
Já nos aconteceu de adquirir um livro e descobrirmos, ao chegar em casa, que o tínhamos. 
Isso nos dá a ideia de quanto temos e não usufruímos. 
Em tempos de redes sociais, de whatsapp, percebemos quantas pessoas estão em nossos contatos e quase não as conhecemos? 
Algumas são amigas das nossas amigas. 
Muitas delas jamais conhecemos pessoalmente, jamais dialogamos de verdade. 
Simplesmente entramos em grupos e mais grupos. 
Alguns temos um milhão de seguidores, recebemos centenas de mensagens todos os dias. 
Mensagens que são encaminhadas e reencaminhadas.
Quantas delas foram realmente elaboradas especialmente para nós? 
Quantas, nós mesmos, elaboramos para amigos especiais?
Aqueles que fazem a grande diferença em nossas vidas, que transformam nossos dias em auroras boreais, que desenham arco-íris nas nossas mentes e iluminam as noites sem estrelas. 
Talvez devêssemos realizar um balanço de tudo que temos, do que precisamos, o que verdadeiramente desfrutamos.
Talvez devamos diminuir a quantidade de itens que temos distribuídos em tantos lugares da casa, do escritório. 
Quem sabe diminuir o número de grupos e estabelecermos relações mais autênticas. 
Talvez devamos nos permitir receber menos vídeos e mensagens e realmente aproveitar o que nos chega, como algo que possa edificar as nossas horas, alimentar-nos com nobreza. 
Talvez devamos nos ater àquilo que tenhamos tempo para usufruir. 
O livro para ler, o vídeo para assistir, a mensagem para reflexionar. 
Uma agenda com contatos de pessoas que amemos e que nos amem. 
Porque, em essência, isso faz a grande diferença em nossas vidas. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 1, cap. Possuir, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante. 
Em 02.04.2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O MUNDO ESTÁ ACABANDO

Não é novidade a previsão de que o mundo vai acabar. 
As culturas milenares ou doutrinas recentes, pregadores de hoje ou profetas do ontem se fizeram arautos do fim do mundo. 
Alguns previram explosões e convulsões intensas avassalando imensas regiões. 
Outros, imaginaram grandes asteróides se chocando com a Terra, convulsionando de tal forma a harmonia do planeta, que a vida humana se tornaria impossível, sendo destruída em sua totalidade. 
Alguns fanáticos promoveram suicídios coletivos, antecipando a catástrofe que, imaginavam eles, se daria brevemente. 
Não foram poucos aqueles que marcaram data, ano, na exatidão do calendário que se escoava e que teimava em não cumprir a previsão catastrófica. 
Poucos, porém, se deram conta de que o mundo há muito tempo vem acabando. 
Onde está o mundo onde as mulheres não tinham direitos sociais, eram proibidas de votar, não podiam frequentar a escola? 
Esse mundo acabou, resistindo apenas em alguns rincões de ignorância e miséria moral. 
Como falar, então, do mundo onde as cartas levavam meses para encontrar seu destino, onde as notícias eram poucas e raras, onde sabia-se de pouco e pouco se difundia? 
Esse mundo também acabou, substituído por um mundo melhor, onde a tecnologia nos aproxima, nos beneficia, coloca luzes nos mais distantes lugares do mundo, minimizando as dores e dificuldades. 
Analisando assim, é verdade que o mundo está acabando. Não da maneira violenta e definitiva como imaginavam tantos, nem tampouco de forma irreversível e avassaladora como pregaram outros. 
É natural da evolução humana que o mundo vá se acabando, para que outro mundo se construa, na marcha inevitável do progresso e da melhora. 
Mesmo a guerra, as grandes catástrofes naturais, os desastres são previstos nas leis de Deus para que o progresso ganhe marcha e a melhora se instale para todos.
Nesses dias de transição que ora passamos, é urgente que o mundo também se acabe. 
Mas esse mundo que deve ser extinto é o mundo da violência que palpita dentro de nós. 
Temos que ajudar a dar fim ao mundo de injustiça que, muitas vezes, permitimos que se dê sob os nossos olhos. 
Devemos colaborar para o fim de um mundo de iniquidades, de desigualdades, de fome e miséria que ainda se estende por tanta parte e para tantos. 
É verdadeiramente urgente que esse mundo todo se acabe. 
E que um novo mundo se inicie em nossa intimidade e, aos poucos, possamos colaborar para que nosso planeta ganhe outras paisagens e outros valores. 
Só assim dia virá em que olharemos para esses dias que ora se passam e teremos a certeza de que o mundo acabou. 
E que no lugar dele, um mundo de paz, harmonia e justiça se instaurou, para nunca mais acabar. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no cd Momento Espírita, v. 22, ed. Fep. 
Em 31.07.2012.

terça-feira, 31 de março de 2026

CONVIDANDO À VIDA

Elizabeth Barret Browning
A mãe de Elizabeth morrera quando seus onze filhos eram ainda pequenos e o pai passou a dirigir a família com rigor. 
De saúde delicada, Elizabeth vivia confinada em um sofá.
Isso lhe garantia direito a cuidados especiais, como ter um quarto somente para si e estar ao abrigo das fúrias do pai. 
Aos vinte anos, ela publicou seu primeiro livro de poesia. 
O pai gostava de ter um gênio doméstico. 
Algo que ele podia exibir, desde que continuasse sob sua autoridade controladora. 
No século XIX, um poeta não precisava frequentar salões para ser lido. 
Bastava enviar manuscritos a editores, manter correspondência e ter críticos interessados. 
Elizab eth fazia tudo por cartas, de sua própria casa. 
O poeta Robert Browning começou a escrever para ela como admirador de seus poemas. 
As cartas viraram amor intenso. 
Eles se encontraram às escondidas e, dois dias depois, ele lhe mandou uma carta transbordante de paixão. 
Vencendo os receios dela, ele conseguiu arrancá-la de seu quarto de doente e se casaram, em segredo, numa cerimônia discreta em Londres. 
Pouco depois, ela fugiu com o marido para a Itália, levando apenas o essencial. 
O pai jamais a perdoou e devolveu todas as cartas que ela lhe enviou, sem abri-las. 
O mais surpreendente é que, longe do pai, Elizabeth recuperou a saúde. 
Passou a andar, viajar, socializar e escrever com mais vigor.
Muitos biógrafos veem nisso um forte componente psicológico — a libertação emocional foi tão poderosa quanto qualquer remédio. 
Ela tinha quarenta anos e Robert era seis anos mais jovem.
Ele, literalmente, a convidou a viver. 
Ela se tornou uma mulher engajada em temas políticos e sociais. 
Em sua poesia, abordou a opressão dos italianos pelos austríacos, o trabalho infantil nas minas e fábricas da Inglaterra e a escravidão, entre outras injustiças sociais.
Embora isso tenha diminuído sua popularidade, Elizabeth continuou sendo ouvida e reconhecida em toda a Europa. 
Ela morreu em 1861, nos braços de Robert, em Florença. Ele nunca mais se casou. 
* * * 
Uma história de amor. 
Sobretudo um convite a viver. 
Robert era dessas pessoas maravilhosas e inesquecíveis, que convidam a viver. 
Pessoas desse naipe nos estimulam a desenvolver e aperfeiçoar tudo o que somos e tudo o que podemos ser. 
O convite à vida é o convite ao crescimento, a que sejamos nós mesmos e gozemos a bênção de estarmos vivos.
Vivemos quando somos honestos com nós próprios, autênticos nos nossos sentimentos e fiéis às nossas convicções. 
Vivemos quando amamos, quando nos interessamos pela vida dos outros, quando nos damos e preocupamos. 
Vivemos quando construímos e criamos, temos esperança, sofremos e nos alegramos. 
O mais importante é nos darmos conta de que podemos ser a pessoa que estimula outros a uma existência vibrante, cheia de esperança e amor. 
Podemos imitar aquele Mestre que foi ao encontro dos pescadores no mar da Galileia e lhes estendeu o mais audacioso convite: 
-Vinde e vos farei pescadores de homens. 
Todos conhecemos o resultado maravilhoso das suas adesões ao convite. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Elizabeth Barret Browning e no artigo Convite à vida, de Ardis Whitman, de Seleções do Reader’s Digest, de julho 1972. 
Em 31.03.2026

segunda-feira, 30 de março de 2026

O MUNDO E O MAL

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Em certo trecho do Evangelho, Jesus faz uma longa oração pelos Seus discípulos.
Nessa oração, Ele pede a Deus que não os tire do mundo, mas que os livre do mal. 
Esse trecho da prece do Cristo suscita as mais interessantes reflexões. 
Nos centros religiosos, há sempre grande número de pessoas preocupadas com a ideia da morte.
Muitas não creem na paz, nem no amor, senão em planos diferentes da Terra. 
A maioria aguarda situações imaginárias e injustificáveis em seu futuro espiritual. 
Nessa expectativa de um amanhã rosado e glorioso, esquecem o esforço próprio. 
Não fazem o possível para tornar melhor o mundo em que vivem. 
Olvidam a bênção do trabalho, da disciplina e da perseverança. 
Envolvem-se o mínimo possível com o sofrimento alheio.
Parecem achar que a vida na Terra é simplesmente algo a ser suportado. 
Quanto antes passar, da forma mais automática possível, mais rapidamente entrarão na posse de uma felicidade perfeita. 
Contudo, o anseio de morrer para ser feliz é enfermidade do Espírito. 
Afinal, orando ao Pai por Seus discípulos, Jesus não rogou para que fossem retirados do mundo. 
Pediu apenas que fossem libertos do mal. 
Trata-se de um eloquente sinal de que o importante para as criaturas não consiste em trocar de domicílio. 
Na Terra ou no Plano Espiritual, continuam as mesmas. 
O mal, portanto, não é essencialmente do mundo, mas das criaturas que o habitam. 
A Terra, em si, sempre foi boa. 
De sua lama, brotam lírios de delicado aroma. 
Sua natureza maternal é repositório de maravilhosos milagres que se repetem todos os dias. 
De nada adianta alguém partir do planeta, quando seus males não foram exterminados convenientemente. 
Em tais circunstâncias, a imensa maioria dos homens se assemelha aos portadores das chamadas moléstias incuráveis. 
Podem trocar de residência. 
Mas a mudança é quase nada, se as feridas os acompanham.
O relevante é embelezar o mundo e aprimorá-lo. 
E isso se realiza mediante a transformação moral dos homens. 
Nessa linha, cada ser humano é colocado no melhor contexto para que se aperfeiçoe. 
Então, você não precisa morrer e nem mesmo trocar de vizinhança, de emprego, de família ou de país para ser feliz.
Necessita, sim, ser digno e generoso onde quer que a vida o tenha colocado. 
Precisa aprender a perdoar e a dar de si, em vez de reclamar auxílio dos outros. 
Quando se tornar trabalhador, desprendido, leal e bondoso, viverá em paz em qualquer ambiente. 
Ainda que desafiado por fatores externos, possuirá um pedaço do céu em seu coração. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 30 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 01.06.2012.

domingo, 29 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSIÇÃO!

O ano de 2011 está assinalado por muitas catástrofes. 
É como se observássemos uma grande revolta dos elementos naturais, buscando local próprio. 
A tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, transformando cidades e edificações em um mar de lama e pedras, ceifando incontáveis vidas, abalou os brasileiros. 
Mas, ainda não refeitos desses fatos que motivaram gestos de solidariedade de variadas localidades, os terremotos no Japão nos levam ao quase terror. 
Mais do que as cenas do cinema catástrofe, as imagens televisivas nos impressionaram ao mostrar o mar erguendo-se em enormes vagalhões e engolindo tudo.
Destruição em segundos do que o homem levou muito tempo para construir. 
Belos edifícios, cidades inteiras, lugares aprazíveis, tudo levado de roldão, arrasado. 
Carros e máquinas arrastadas como brinquedos pela correnteza inclemente. 
E vidas, quantas vidas ceifadas. 
Desaparecidos sem conta. 
E, depois, continua o tsunami em sua jornada, ameaçando outros países, que se colocam em alerta. 
E dizer que todos recebemos o Ano Novo com tanta esperança. 
E vivemos o Terceiro Milênio em anseio de um novo tempo.
Como entender tamanha destruição? 
Recorremos ao Evangelho de Jesus. 
Ele não nos enganou, em momento algum. 
Falou de um mundo em extinção para o aparecimento de outro. 
Falou de dores, de desolação, de tempos amargosos: 
-Pedi a Deus que a vossa fuga não se dê durante o inverno. A aflição desse tempo será tão grande como ainda não houve igual desde o começo do mundo até o presente e como nunca mais haverá. 
E se esses dias não fossem abreviados, nenhum homem se salvaria. 
Mas esses dias serão abreviados, em favor dos eleitos. 
-Em verdade vos digo: chorareis e gemereis, e o mundo se rejubilará. Estareis em tristeza, mas a vossa tristeza se mudará em alegria. Uma mulher, quando dá à luz, está em dor, porque é vinda a sua hora. Mas depois que ela dá à luz um filho, não mais se lembra de todos os males que sofreu, pela alegria que experimenta de haver posto no mundo um homem. É assim que agora estais em tristeza. Mas, eu vos verei de novo e o vosso coração rejubilará e ninguém vos arrebatará a vossa alegria.
Jesus predisse os últimos tempos de um mundo de dores em transição para outro onde o bem predominará. 
Assim, o que hoje observamos e que nos leva à solidariedade, ao auxílio de tantas vítimas é a concretização daqueles tempos anunciados. 
Muitas dores se farão no mundo para que a grande renovação se apresente. 
Muitos irão de retorno à Pátria Espiritual, outros tantos retornarão, Espíritos renovados para promover a grande transformação moral do planeta. 
O mundo físico também sofre as transformações e por isso treme, alteram-se paisagens, modificam-se elevações. 
Tudo é um grande estertor. Mas, como Jesus mesmo afirmou, após as grandes dores, virá o tempo da bonança. 
Auxiliemo-nos enquanto as dores nos maltratam e aguardemos a aurora nova de um novo mundo. 
O Senhor está no leme. 
Redação do Momento Espírita, com citações extraídas do Evangelho de Mateus, cap. XXIV, vv. 15 a 22 e do Evangelho de João, cap. XVI, vv. 20 a 22. 
Em 24.03.2011.

sábado, 28 de março de 2026

OS RECURSOS DE UM MESTRE

Ele se apresentou no rio Jordão, submetendo-se ao batismo de João, o Batista, exatamente para que pudesse ser identificado por aqueles que O aguardavam. 
Ele era o Enviado, o Cordeiro de Deus, Aquele que viera para acender o fogo da transformação nas almas. 
E tinha pressa que se incendiasse a Terra, que Seu rebanho evoluísse sem tantos percalços, furtando-se a muitas dores.
Saindo das águas, Ele foi seguido por dois discípulos do Batista. 
Quando eles lhe indagam onde mora, o convite do Mestre é para que O sigam e vejam.
Em resumo, Ele diz que as cobras têm covis, os pássaros têm ninhos, mas ele, o Filho do Homem, não tem uma pedra para repousar a cabeça. 
E, contudo, realizou uma revolução, transformando pescadores do mar da Galileia em pescadores de homens, no imenso mar das turbulências humanas. 
Em Seu tempo, não havia livros. 
Existiam os rolos de papiro e pergaminho. 
Mas Ele não se serviu de nenhum desses materiais para deixar gravado o Seu ensino, que foi todo oral. 
Ele semeou luzes nas mentes humanas, o mais extraordinário depósito de sabedoria de todos os tempos. 
Um arquivo que, através dos séculos e das idades, somente se engrandece com acréscimos do conhecimento. 
Um dia, somente um dia, Ele escreveu no pó da terra algumas palavras. 
Referiam-se aos equívocos daqueles homens que estavam na praça, pedindo-lhe o julgamento de uma mulher surpreendida em adultério. 
Escreveu na terra. 
O vento apagou as letras, que, no entanto, ficaram gravadas, de maneira indelével, na consciência de cada um dos que se retiraram do local, envergonhados. 
Naqueles dias, não havia tecnologia de ponta para projeção de imagem e som. 
Ele subiu a um monte e projetou a Sua voz para ser ouvida com absoluta clareza por mais de cinco mil pessoas. 
Ele não se serviu de nenhum meio de transporte. 
Viajou constantemente a pé entre povoados e cidades da Galileia, da Judeia e da Pereia. 
Não temos ideia exata de quantos quilômetros percorreu. 
Uma estimativa conservadora sugere que Ele pode ter percorrido cerca de trezentos e vinte e um quilômetros.
Especulações baseadas em um cálculo mais amplo de Sua vida sugerem milhares de quilômetros, chegando a cerca de trinta e quatro mil. 
Não há um número exato e universalmente aceito, pois os Evangelhos focam nos ensinamentos e eventos, não em um registro detalhado de viagens. 
Sem recursos externos, que hoje nos favorecem a comunicação e o marketing, Jesus nos deu o exemplo de como se pode utilizar os recursos próprios para concretizar o que nos compete. 
Pensemos o quanto nós podemos realizar dispondo dos livros, da internet, das plataformas digitais, das redes sociais.
Sobretudo, prestemos atenção ao fato de que são todos talentos, que nos são disponibilizados. 
Talentos dos quais teremos que prestar contas em algum momento. 
Afinal, Ele mesmo asseverou que nos compete dar contas da nossa administração. 
Administração do tempo, dos recursos da inteligência, dos talentos do conhecimento e tudo o mais que o extraordinário mundo dos homens nos oferece. 
Redação do Momento Espírita 
Em 28.03.2026