quarta-feira, 14 de outubro de 2026

ARMAS INVISÍVEIS

Ao analisar a guerra, os benfeitores espirituais estabelecem, respondendo às indagações humanas, que o homem é culpado das crueldades que nela cometa, sendo-lhe também levado em conta o sentimento de humanidade com que proceda.
Estipulam que a crueldade é o instinto de destruição no que tem de pior, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. 
Ela resulta sempre de uma natureza má. 
Quando pensamos em crueldade, é comum que a nossa mente viaje, quase de imediato, para os cenários desoladores dos grandes campos de batalha. 
Imaginamos as bombas, a crueldade física imposta ao semelhante sob o pretexto de disputas políticas e de conquistas territoriais. 
Esquecemos que existem outros campos de batalha, silenciosos e invisíveis. 
Eles se encontram no recôndito de nossos lares, nos corredores dos nossos ambientes de trabalho e nas ruas por onde transitamos. 
Nesses espaços, uma nuance da crueldade se veste de roupagens extremamente sutis, porém de uma letalidade devastadora para a alma imortal. 
Ela dilacera os tecidos do Espírito, quando matamos o ideal sagrado que floresce no peito do nosso irmão. 
Tornamo-nos cruéis quando desejamos reduzir o outro a mais absoluta insignificância, roubando-lhe a esperança e apagando o brilho dos olhos sonhadores. 
Agimos cruelmente quando enfatizamos a alguém, com a lâmina fria da nossa indiferença, que ele não é importante.
Quando as nossas atitudes demonstram cabalmente que o seu esforço diário, as suas lutas invisíveis e a sua própria existência não possuem qualquer significado. 
Decretamos, no tribunal do nosso egoísmo, que aquela vida não tem nenhum valor. 
É de crueldade dolorosa responder com distanciamento e frieza às indagações de quem nos procura em busca de um norte, de uma orientação ou de um mínimo de atenção. 
Deixar alguém falando sozinho, relegá-lo ao vazio de um aposento ou à invisibilidade social, é expressar-lhe todo o seu desvalor. 
O silêncio, quando utilizado como arma de punição ou de desprezo, é um dos mais perversos algozes da humanidade.
Esse silêncio gélido e calculado tem o terrível condão de destruir a vontade de servir do nosso semelhante, não importa onde ele esteja inserido. 
Ao negarmos reconhecimento, um sorriso ou a mais simples das respostas, nós o asfixiamos emocionalmente. 
* * * 
Quantos corações caminham ao nosso lado, arrastando-se nesses campos de batalha diários, feridos pela nossa brutal indiferença? 
Quantos ideais nobres foram precocemente sepultados na vala comum do desprezo? 
Reflitamos, com honestidade e brandura, sobre as armas invisíveis que temos empunhado em nossas relações afetivas e sociais. 
O Cristo, nosso Modelo e Guia, nunca foi indiferente a ninguém. 
Para Ele, não havia dor insignificante nem criatura humana invisível. 
Que possamos desarmar os nossos corações. 
Que façamos de nossa presença um oásis de acolhimento luminoso, lembrando que a maior e mais bela vitória que podemos conquistar é o resgate da dignidade do outro através da força inesgotável do amor. 
Redação do Momento espírita, com base em O Livro dos Espíritos, pt. 3, cap. VI, q. 749 e 752, ed. FEB.
Em 13.10.2026

terça-feira, 13 de outubro de 2026

QUANDO SANGRA O CORAÇÃO

Há dores que não deixam marcas visíveis na pele, mas que ferem profundamente a alma. 
O que fazer quando sangra o coração, pela cortante indiferença? 
Quando sintamos ameaçadas nossas forças, lembremos dos heróis da humanidade. 
Aqueles que travam as verdadeiras batalhas no bem possuem um código de honra inquebrantável: toda pessoa é importante.
Nos resgates heroicos, nos cenários onde a vida corre perigo, o verdadeiro soldado sabe que não se deixa para trás um companheiro ferido. 
Se os homens de bem na Terra já compreendem essa fraternidade, o que dirá o Governador de nossas almas?
Busquemos inspiração no Mestre de Nazaré. Jesus, o maior líder e psicólogo que a Terra já conheceu, deixou-nos a diretriz insuperável: 
-Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 
Ele amou sem exclusões, sem cancelamentos. Jamais relegou alguém ao abandono. 
Recordemos Judas Iscariotes. 
O discípulo invigilante, iludido pelas sombras, entregou o Mestre. 
Contudo, tão logo Jesus despertou de Sua agonia no madeiro, desceu às zonas de profundo sofrimento no mundo invisível para buscar o amigo transviado. 
Envolveu-o em compaixão, amparando-o em seu desespero e propôs-lhe a bendita reabilitação pelo seu engano, através de novas oportunidades de serviço. 
Pensemos em Simão Pedro. 
O pescador, amedrontado, negou Jesus três vezes. 
Mas o Cristo não o ignorou. 
Ao retornar, vitorioso sobre a morte, o procurou.
Não cobrou, não humilhou. 
Apenas perguntou sobre seu amor e reafirmou sua confiança:
-Apascenta as minhas ovelhas. 
Pedro, doravante, seria o valoroso condutor daquelas almas, a rocha viva na qual se apoiaria a Boa Nova. 
Alarguemos ainda mais a nossa reflexão, buscando na figura emblemática de Saulo de Tarso o ápice dessa divina pedagogia. 
Saulo era o algoz, o perseguidor implacável dos primeiros seguidores do Cristo. 
Respirando ameaças, arrastava homens e mulheres para as prisões, semeando o pranto e o terror. 
Aos olhos humanos, ele seria o candidato perfeito para ser banido e definitivamente excluído. 
Mas, como agiu o Amor que não desampara? 
Em um dia radioso, nas estradas poeirentas que levavam a Damasco, o Cristo o buscou. 
Nimbado de luz ofuscante, Jesus não enviou emissários. 
Foi pessoalmente ao encontro daquele coração equivocado.
Ao envolvê-lo em Sua claridade magnânima, o Mestre resgatou Saulo das trevas do próprio orgulho, reconduzindo-o para a grande e sublime tarefa para a qual ele, de fato, renascera: espalhar o Evangelho pelo mundo. 
Aquele que transformou o perseguidor em apóstolo é o mesmo que hoje acolhe as lágrimas de qualquer coração ferido garantindo que, no reino de Deus, todo trabalhador é precioso, por menor seja a sua tarefa, na grandiosidade do mundo. 
Onde os homens erguem muros de silêncio, a Providência Divina constrói pontes de misericórdia. 
Continuemos oferecendo o nosso melhor. 
Ninguém que caminhe fazendo o bem tem retirado seu nome do livro dos céus, que registra os benfeitores anônimos a fim de que, quando alguém precise de apoio, seja acionado para o socorro que se faz necessário. 
Redação do Momento Espírita 
Em 12.10.2026

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Um dia de criança

-O dente caiu! O dente caiu! 
Foi assim durante todo o trajeto. 
A criança, no banco detrás de onde nos encontrávamos, no ônibus urbano, ia cantando pelo caminho. 
Repetia a frase e a cada vez em uma escala acima ou abaixo da anterior.
Ficamos a imaginar que ela deveria ter perdido o dente de leite e isso lhe constituía algo inusitado. 
Talvez os pais lhe tivessem prometido algo, como por vezes ocorre. 
Talvez a família tivesse comemorado o fato, por atestar que ela estava amadurecendo, no natural processo de substituição da primeira dentição. 
Fosse porque fosse, ficamos a imaginar como para a criança tudo é extremamente importante. 
Parece que quando nos tornamos adultos, vamos perdendo essa capacidade de dar importância para pequenas coisas.
Como adultos, reclamamos quando a chuva cai e precisamos sair para o trabalho, para os afazeres do cotidiano. 
A criança sai conosco e vai procurando todas as poças possíveis para bater os pés, adorando ver a água salpicar.
Não se importa se os respingos lhe molharão a roupa, sujarão a barra da calça. 
O que importa é se divertir, até o ponto de cantar, anunciando: -Eu vou pular nesta daqui. 
-E nesta aqui também. 
Adultos saímos à rua e nossos pensamentos nos precedem.
Vamos pensando no que precisamos fazer, no que temos que dizer, no que precisamos providenciar. 
Criança a caminho da escola vai olhando tudo, cada detalhe e o que mais se ouve é: 
-Olha, mãe! Pai, olha lá! 
Quanta coisa perdemos esquecendo de observar detalhes do nosso entorno.
Não vemos a flor que desabrochou, o beija-flor que dança entre os canteiros floridos, o andar displicente do sabiá nas alamedas... 
Nem percebemos que a rua ficou mais alegre porque o vizinho providenciou colorido novo na casa. 
E outro, mais acima, podou artisticamente os arbustos. 
Nós estamos preocupados com as contas a pagar, com o saldo bancário, com as compras a fazer, com os fornecedores que não atendem nossa demanda. 
A criança quer saber quantas pedrinhas encontrará pelo caminho para chutar, se conseguirá chutar para mais longe cada uma delas... 
Vidas despreocupadas. Vidas da infância. 
Período de repouso para o Espírito, ensinam os luminares da Espiritualidade. 
Verdade: nós adultos temos muitos compromissos, muitos deveres. 
Mas, vez ou outra, seria salutar que lembrássemos que fomos criança um dia e lembrássemos das tantas pequenas grandes coisas que faziam nossa felicidade. 
E reprisar algumas delas, enriquecendo-nos com o ouro de um dia de sol, os raios prateados da lua, o brilho exuberante das estrelas. 
Lembrarmos de nos encantarmos com uma clara noite de luar, uma noite quente de verão, os minúsculos grãos de areia da praia. 
Determo-nos para escutar o rugido do mar, o estrondo do trovão e o doce pipilar das avezitas na árvore em frente à nossa casa. 
Coisas pequenas. 
Coisas grandes. 
Coisas que fazem a grande diferença entre um dia insípido, sem graça alguma e um dia cheio de cor, som e alegria. 
Um dia de monotonia. 
Ou um dia de trabalho prazeroso, de contatos amistosos, de intenso viver. 
Permitamo-nos reviver, por vezes, as alegrias da infância descontraída e despreocupada. 
Com certeza, haveremos de querer repetir e repetir. 
E nos sentiremos rejuvenescidos, infinitamente gratos a Deus por nossa vida. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.10.2026

domingo, 11 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE AFETO

Mitch Albom
Morrie era um garoto de apenas oito anos. 
Seu pai era de origem russa e não sabia falar inglês. 
Por isso, quando chegou o telegrama, noticiando a morte da mãe, foi o próprio garoto quem leu. 
No cemitério, ele ficou olhando jogarem terra sobre o caixão de sua mãe e acreditou que nunca mais seria feliz sobre a face da Terra. 
Nos dias que se seguiram, para aliviar a saudade, ele procurava lembrar os doces momentos de ternura que tivera com a mãe. 
Eram muito pobres. 
O pai mudou-se para os Estados Unidos fugindo do exército russo e, nem sempre conseguia emprego. 
Por essa razão a família vivia mais da assistência pública do que dos próprios recursos. 
Depois da morte da mãe, o pequeno núcleo familiar se transferiu para uma região de muita mata. 
Durante o dia o garoto e seu irmão se divertiam a correr.
Quando chegava a noite, Morrie ficava olhando para o pai, esperando que ele o acariciasse. 
Mas o homem rude não manifestava qualquer gesto de afeto. Morrie se sentia muito só. 
Sentia grande falta do carinho da mãe. 
Um ano depois, com apenas nove anos de idade, já se sentia um velho. 
Parecia carregar o peso do mundo nos ombros. 
Então, uma imigrante romena, de feições singelas, se casou com seu pai. 
Foi o abraço salvador para o pequeno. 
Era uma mulher de muita energia. 
Tinha uma aura que aquecia o lar. 
Se o marido produzia uma atmosfera cinza, ela transformava em claridade. 
Se ele fazia silêncio, ela falava. 
À noite, cantava para os meninos com sua voz suave, que durante o dia sabia ministrar lições. 
Ela cantava músicas pobres e tristes, mas os acalentava. 
Eva era o seu nome e desejava boa noite aos dois com um beijo para cada um. 
Era um momento mágico para Morrie. 
Ele ficava esperando aquele beijo como um pequenino animal espera o seu prato de alimento. 
A presença de Eva lhe dizia que ele tinha uma mãe de novo.
Muitas vezes o único alimento que tinham era o pão. 
Mesmo assim, ela o ensinou a amar o estudo e a se preocupar com os outros. 
Eva considerava a instrução o único antídoto contra a pobreza. 
Ela aprimorava seu inglês, estudando com dedicação, à noite, enquanto os garotos, sentados à mesa da cozinha, também estudavam. 
Morrie cresceu e se tornou professor. 
Setenta anos depois, ao recordar do telegrama noticiando a morte de sua mãe, ainda sentia doer o coração, mas a lembrança de Eva lhe trazia de volta evocações ternas e doces de um tempo em que um menino, assustado e carente de afeto, encontrou um colo de mãe para se aninhar e crescer em segurança. 
* * * 
Os Espíritos nos dizem que Deus permite que haja órfãos, para que lhes sirvamos de pais. 
Amparar essas criaturinhas, evitando que sofram fome e frio e lhes dirigir a alma, para que não despenquem no vício, é caridade. 
No entanto, o mais precioso de todos os benefícios é o do amor. 
Nada que possa substituir uma carícia, um sorriso amistoso, uma palavra de carinho. 
Por isso, à criança que nos olha, além de pão e agasalho, ofertemos a proteção do nosso abraço e a música da nossa voz, dizendo-lhe: 
-Gosto muito de você. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O professor, do livro A última grande lição, de Mitch Albom, ed. Sextante e no item 18, do cap. XVIII do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. 
Em 21.01.2012.

sábado, 10 de outubro de 2026

MANUAL DO CASAMENTO

ANDRÉ LUIZ E WALDO VIEIRA
Manter um relacionamento saudável e em harmonia não acontece por acaso. 
Exige um verdadeiro guia de convivência diária, construído com amor, tolerância e bom senso. 
A espiritualidade nos apresenta diretrizes fundamentais que funcionam como um verdadeiro manual de boas maneiras para os casais. 
O primeiro item desse manual é o reconhecimento de que a pessoa com quem nos casamos é um Espírito único, com ideias, tendências e um caminho evolutivo próprio.
Ela não é uma extensão do nosso ego, e não temos o direito de moldá-la à nossa imagem. 
Dentro de casa, a verdadeira gentileza pede que nunca abandonemos o outro nas suas lutas diárias, sob a desculpa de que as tarefas de um e de outro são diferentes. 
Se nosso cônjuge tem um sonho, um projeto, sejamos o maior incentivador. 
Empenhemos esforço e carinho para que as esperanças dele se realizem. 
Outra regra de ouro é a preservação da confiança mútua. Afastemos do diálogo qualquer assunto que possa gerar dúvida ou turvar a confiança mútua. 
Isso significa banir de vez o ciúme obsessivo e nunca tomar compromissos fora de casa sem antes consultar e ouvir a opinião do outro. 
O amor de verdade não abre mão da cortesia, da afabilidade, da discrição e do respeito. 
Muitos casais caem no erro do desleixo no trato diário, só porque têm anos de convívio. 
Não percamos a delicadeza. 
Valorizemos e aceitemos a importância da intimidade e da parceria sexual na vida do casal, respeitando as fases e adaptações pelas quais essa parceria passa ao longo do tempo. 
O aspecto material também exige cuidados. Fugir do desperdício e adaptar-se com maturidade ao padrão econômico real que vivemos hoje é uma atitude de respeito ao lar. 
Evitemos discussões inúteis por questões de dinheiro, compreendendo que a verdadeira riqueza começa na harmonia doméstica. 
Na vida social, respeitemos as amizades do outro e saibamos conviver com cooperação diante dos problemas que surjam em nossas famílias. 
Sogros, sogras, cunhados e cunhadas são também companheiros dessa grande jornada reencarnatória. 
Se temos filhos, tratemo-los com equilíbrio, sem reduzi-los à condição de bonecos ou coisas de nossa propriedade. 
Não forcemos nossos filhos a trilharem carreiras ou hábitos apenas para satisfazer o nosso orgulho. 
Eles precisam de exemplos vivos, de diálogo sincero, e não de castigos ou caprichos atendidos. 
Lembremos de que o casamento é uma escola divina.
Quando unimos nossos passos, traçamos juntos, antes de reencarnar, um programa de trabalho e de renovação íntima.
Quando as dificuldades surgirem, enfrentemo-las juntos.
Evitemos alterar esse maravilhoso plano de serviço com separações precipitadas e desnecessárias, que apenas adiam o processo de crescimento. 
Sigamos adiante, com brandura, com diálogo e amor.
O casamento é a chance luminosa que as leis de Deus nos oferecem para mudar a trajetória das nossas almas e construir, passo a passo, a verdadeira felicidade do amanhã.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 9 da obra Sol nas almas, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. CEC. 
Em 10.10.2026

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A GEOGRAFIA DO CORAÇÃO

Por vezes, em nossa jornada terrena, confundimos moradia com lar. 
Acreditamos, envoltos na ilusão passageira da matéria, que um lar se constrói com tijolos, cimento, projetos arquitetônicos modernos e uma decoração impecável. 
Contudo, a moradia é apenas o espaço físico, a estrutura temporária que nos protege das intempéries da natureza. 
O lar, em sua essência mais profunda e espiritual, pertence a uma geografia muito diferente: a do coração. 
O lar é constituído, única e exclusivamente, por quem se ama.
Pode ser uma família numerosa, que enche os corredores da casa de risos, debates e vozes entrelaçadas em harmonia Ou pode ser apenas aquela presença doce, paciente e acolhedora que nos aguarda ao fim de um dia exaustivo. 
O lar é o espaço sagrado, quase intocável, habitado por quem nos apoia incondicionalmente. 
São as almas por quem nutrimos o mais terno afeto, aquelas que concedem uma motivação especial à nossa vida. 
Quando as luzes do mundo se apagam, quando as desilusões batem à porta e as tempestades ameaçam a nossa paz interior, é no olhar sereno de quem nos ama que encontramos o nosso inabalável refúgio. 
O lar é construído no alicerce da afeição verdadeira. Podemos residir em um quarto minúsculo, um espaço alugado onde mal cabem os próprios passos. 
Pode ser uma casa simples, desprovida de grandes confortos materiais ou facilidades tecnológicas. 
Se ali houver abraços sinceros, palavras de compreensão, perdão e corações unidos, esse espaço é um palácio de luz.
Uma casa vazia de afeto, por mais luxuosa e imponente que seja, é apenas um abrigo estéril. 
Só será lar se tiver ao menos uma pessoa que se interesse genuinamente pelas nossas dores, que esteja disposta a enxugar as nossas lágrimas e a celebrar as nossas pequenas vitórias. 
É a presença viva desse espírito companheiro que acende a lareira invisível, a única capaz de aquecer a nossa alma nos dias invernosos. 
O lar é o abraço apertado que nos espera. 
É o sorriso farto que nos recebe à porta. 
É a voz suave que pergunta, com real interesse: 
-Como foi o seu dia? 
É a certeza de que, não importa o quão espinhosa tenha sido a jornada, existe um porto seguro para onde retornar. 
Um santuário onde não precisamos usar as máscaras que a sociedade nos exige, pois ali somos amados exatamente pelo que somos, com todas as nossas imperfeições e belezas.
Dessa maneira, não reparemos nas paredes que talvez estejam descascadas ou nos móveis marcados pela passagem do tempo. 
Olhemos para os olhos de quem nos compartilha a jornada.
São eles os verdadeiros arquitetos da nossa felicidade. 
Se temos alguém que nos dedica afeto e tempo, sejamos imensamente gratos à vida. 
Isso significa que encontramos, verdadeiramente, nosso lar.
Mas, se nos sentirmos sós neste momento da caminhada, lembremos de que carregamos em nós o poder de ser o lar de alguém. 
Construamos pontes de afeto, ofereçamos amor genuíno e, no momento certo, as paredes invisíveis do nosso próprio e doce lar serão erguidas. 
Façamos isso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 09.10.2026 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A PORTA FALSA

A vida humana é, sem dúvida alguma, o dom mais precioso que recebemos da bondade divina, um talento de especial valor, concedido para o nosso progresso espiritual. 
Quando as nuvens escuras do desespero tentam ofuscar a luz da esperança em nossos dias, é imperioso lembrar que as dores do mundo são sempre passageiras, mas a nossa alma é imortal. 
A história de Marina é um doloroso retrato das ilusões que tantas vezes abraçamos. 
Ela era uma jovem que acalentava o doce e nobre sonho de casar-se, ter filhos e constituir uma família. 
Enamorou-se perdidamente de Jorge, a quem entregou sua inteira confiança durante dois anos que, infelizmente, se revelariam completamente vãos. 
Ela se deixou envolver facilmente por promessas, passeios noturnos e sonhos românticos. 
O golpe devastador ocorreu quando, com extrema frieza e aspereza, ele confessou que não a amava e pôs fim ao relacionamento. 
Sentindo seu mundo íntimo ruir e não suportando o peso do desprezo, Marina, equivocadamente, acreditou que a morte seria a porta de fuga definitiva para o seu insuportável sofrimento. 
Ela de fato conseguiu destruir o seu invólucro físico, mas percebeu, completamente atônita, que continuava viva e consciente. 
A morte, como fim absoluto, revelou-se uma mera e trágica ilusão. 
Ao compreender a realidade inquestionável da vida imortal, um desejo ardente de voltar a viver invadiu a sua alma. 
Deu-se conta de que havia jogado fora, pelas próprias mãos, uma encarnação inteira, desperdiçando anos inestimáveis de belíssimas oportunidades. 
*** 
A vida é um presente imensurável. 
Aprendamos a aguardar o nascer do sol, que nos trará as horas renovadas, em que poderemos contemplar o brilho da esperança. 
Mesmo nas noites mais escuras da alma, recordemos que a alvorada sempre despontará, trazendo consigo a doce promessa de um novo dia. 
Cada amanhecer é uma página em branco que a bondade celestial nos oferece, um convite para recomeçar. 
Quando as feridas do coração parecerem profundas demais e o fardo das decepções ameaçar curvar os nossos ombros, olhemos para o sol que ressurge, todos os dias, soberano no horizonte, espalhando sua luz. 
Ele nos ensina, na sua majestade calada, que a Providência Divina nunca nos desampara e que, mesmo após o mais rigoroso inverno das nossas dores, a primavera da esperança invariavelmente florescerá. 
Mais do que sobreviver às tempestades, somos chamados a abraçar com entusiasmo as infinitas oportunidades de crescimento que o universo nos reserva a cada instante. 
O amanhã guarda um vir a ser que ainda desconhecemos, um horizonte repleto de encontros felizes, de aprendizados libertadores e de conquistas espirituais que engrandecerão a nossa jornada. 
Confiar na vida é cultivar a certeza inabalável de que somos guiados por um amor maior e infinitamente sábio. 
Por isso, sigamos em frente com coragem e resiliência, transformando cada lágrima em pérola de sabedoria, certos de que as oportunidades de evoluir, de amar e de encontrar a paz são tesouros inesgotáveis que aguardam aqueles que escolhem, todos os dias, honrar o milagre de estar vivo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 22 do livro A vida escreve, pelo Espírito Hilário Silva, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. FEB. 
Em 07.10.2026