segunda-feira, 20 de julho de 2026

NÃO PERDEMOS NINGUÉM

AGOSTINHO DE HIPONA
Agostinho de Hipona, mais conhecido como Santo Agostinho, um dos grandes pensadores do Cristianismo, escreveu certa feita: 
"O amor não desaparece jamais. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, continuarei sendo; me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste. Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho."  
* * * 
Nas reflexões profundas do filósofo, constrói-se o entendimento da Imortalidade e continuidade da vida. 
Como um barco que veleja num largo rio para aportar na outra margem, assim se dá a viagem para a Imortalidade, quando nos desfazemos do corpo físico. 
Morrer, efetivamente, não existe. 
Morre o corpo, nós permanecemos. 
Morre a matéria, que se transforma, se decompõe, para originar outros corpos. 
Porém, nós permanecemos, carregando para o lado de lá da existência tudo aquilo que temos guardado na intimidade da mente e do coração. 
Assim, a despeito do corpo físico, que aqui permanece, a vida continua e somos os mesmos. 
Afinal, como alega Santo Agostinho, o fio não foi cortado. 
E os que partem antes de nós não estão longe, apenas do outro lado do caminho. 
Dessa forma, diferente do que comumente alegamos, não perdemos ninguém. 
Os amores que nos antecedem, não se perderam, apenas estão no outro lado da margem. 
De forma alguma faz algum sentido afirmar, como costumeiramente fazemos: 
-Perdi meu pai, perdi meu companheiro. 
Eles vivem na mesma intensidade e mais plenamente que nós, que ainda permanecemos vinculados a um corpo físico.
Afinal, não somos o corpo que habitamos. 
Este é apenas morada momentânea, a fim de nos dar oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal. 
Quando a Providência Divina entender ser o melhor momento, o deixaremos, para retornarmos para casa, para o mundo espiritual. 
O desvincular-se do corpo físico é retorno para casa, é voltar para o mundo do Criador, deixando o mundo das criaturas, como afirma Santo Agostinho. 
* * * 
Nos momentos de tristeza e dor, utilizemos a prece, a oração, como ferramenta de apoio e consolo. 
Quanto aos nossos amores, estaremos sempre vinculados a eles pelo pensamento e pelo sentimento. 
Orar por eles, lembrar deles com ternura, carinho, reconhecimento, é o maior presente que podemos lhes oferecer, enquanto a distância nos impede o encontro. 
E na saudade, lembremos do grande pensador de Hipona: 
-A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Afinal, o amor não desaparece jamais. 
Redação do Momento Espírita.
Em 17.11.2015.

domingo, 19 de julho de 2026

NÃO PASSE RECIBO

RAUL TEIXEIRA
Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis. 
Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas. 
A violência tem se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos, nos estágios em que se estagiam no mundo. 
Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão lhe causar chateações, irritações, capazes de estimular seu lado frágil ou sua intolerância. 
Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento. 
Exercite-se na conquista da tranquilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.
A proposta escusa das equipes de Espíritos das sombras é converter a vida social da Terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão as de caráter violento. 
Não morda essa isca. 
Procure manter ou desenvolver sua paciência. 
Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitá-lo. 
Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas. 
Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. 
Deparará a provocação em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço. 
Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. 
Aprume-se no pensamento superior. 
Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe enredar. 
Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite. 
Recorde o Mestre ao ensinar-nos a não contender com o mal. Seja qual for a perturbação que ocorra a sua volta, mantenha-se em paz. 
Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. 
Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. 
Não passe recibo às violências. 
Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de vivos e mortos. 
Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia. 
A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos os que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus. 
Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral no mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária. 
* * * 
O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 
-Perdoa-me, Senhor, porque pequei. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 16.08.2010.

sábado, 18 de julho de 2026

TRANSFORMANDO VIDAS

Aos catorze anos, a agenda de Andressa estava repleta. 
De segunda a domingo, tinha compromissos assumidos, de forma voluntária, com as pessoas da sua comunidade. 
Aos domingos, trabalhava em um programa de rádio, falando ao público sobre o Evangelho de Jesus, contando histórias infantis. 
Nos demais dias da semana, estudava pelas manhãs e, no período da tarde, se dedicava à ajuda humanitária, levando alegria e esperança a muitas pessoas. 
Nas segundas-feiras, realizava um trabalho missionário, na comunidade religiosa a que se vinculara. 
Nas terças, visitava um asilo. 
Na companhia dos idosos, cantava, orava, brincava e conversava, amenizando-lhes a solidão. 
Era pura alegria. 
Sua presença modificava o ambiente tão logo chegava. 
Por isso, era sempre aguardada. 
Montou em sua casa uma cooperativa que tinha como objetivo ajudar as pessoas do seu bairro a aumentarem a renda mensal. 
Participavam desse projeto famílias carentes, que assim tinham oportunidade de aprender a fazer diferentes tipos de trabalhos manuais. 
Nas sextas-feiras, coordenava um grupo de oração infantil, através do qual ensinava a importância e o alcance da prece.
Mostrava o quanto todos podemos ser beneficiados pelas boas vibrações vindas daquele que ora com amor e fé em Deus. 
E as preces se estendiam por quantos fossem necessitados de recuperação da saúde, de paz ao coração, de harmonia em seus lares. 
Era tão dedicada ao próximo que, certa vez, com o objetivo de colaborar em uma atividade para jovens carentes, pediu à sua mãe para utilizar o dinheiro que vinha sendo guardado para a realização da sua festa de quinze anos. 
Ela estudava, brincava e curtia a família como qualquer outra jovem da sua idade, mas tinha consciência de que, das vinte e quatro horas do dia, era importante que dedicasse algum tempo para fazer um trabalho voluntário. 
Teve oportunidade de afirmar: 
-Se não fizermos agora o trabalho para o qual Jesus nos convida, talvez amanhã não dê tempo. 
E não houve mais tempo... 
No dia vinte e dois de março de 2008, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o carro em que se encontrava chocou-se contra um caminhão. 
Ela desencarnou, juntamente com a sua avó, tia e prima.
No pouco que viveu, ela fez muito.
Fez tudo o que podia. 
Com um sorriso constantemente emoldurando seu rosto, viveu sua vida ajudando o outro, demonstrando a imensa grandeza que abrigava no coração. 
Desde cedo, aos nove anos, ela partiu para o trabalho no mundo, disposta ao serviço em favor do próximo. 
E, com doação de si mesma, mostrou que o mundo que devemos construir é o do amor e da caridade. 
Que o exemplo dessa doce menina nos leve a refletir um pouco mais no que fazer diariamente. 
Que possamos melhorar a capacidade de sermos úteis à sociedade. 
Meditemos sobre qual tem sido nosso grau de utilidade e não deixemos para amanhã a oportunidade de modificar o mundo em que vivemos.
Pode não dar tempo... 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Andressa Barragana, disponibilizados na Internet. 
Em 18.07.2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

CONSTRUINDO CATEDRAIS

Suas imensas torres a rasgar os céus, suas paredes bordadas em pedra, seus vitrais filtrando em cores os raios solares que os transpassam, fazem-nas belezas imensas nas paisagens de velhas cidades. 
Mas, em todas elas, se se tentar saber quem são seus construtores, encontram-se imensas dificuldades. 
Essas construções levavam séculos para serem concluídas. 
E o trabalho de muitos, que dedicavam toda sua vida para construí-las, perdia-se no tempo. 
Os sacrifícios para que essas imensas naves fossem erguidas, vencendo os séculos com altivez e beleza, perderam-se na História. 
Posto que a construção durava mais do que uma vida humana, eram as vidas de muitos que se somavam para que esses templos ganhassem forma, em um trabalho anônimo, desconhecido. 
Não é diferente do que ocorre conosco em nossa caminhada. Muitos de nossos sacrifícios, de nossos esforços passam despercebidos por todos. 
Poucos dão-se conta do trabalho anônimo da mãe no lar, preparando as refeições, consertando roupas, pregando um botão ou passando uma camisa, para que filhos e esposo se apresentem impecáveis. 
Ninguém percebe quantas vezes alguém se cala para que uma discussão não ganhe proporções indesejadas. 
Ou quando avança horas na noite, a velar o sono de um enfermo. 
Ficam perdidas no anonimato as boas ações como quando, mesmo sem tempo, nos dispomos a ouvir alguém, a ceder a vez para o outro em uma fila, a fazer um favor que nos foi solicitado. 
Poucos aquilatam as longas horas de trabalho do professor a corrigir textos, analisar trabalhos, varando madrugadas, a fim de que possa conhecer mais intimamente seus educandos, entendendo suas mentes e suas almas, para melhor colaborar com sua formação. 
No entanto, Deus está vendo. 
Ele percebe nossas intenções e compreende que todas essas ações contribuem para a construção de nossa catedral íntima.
Assim, jamais desanimemos pelo não reconhecimento da sociedade ou da família, frente àquilo que fazemos.
Trabalhemos e vivamos oferecendo o que temos de melhor, na nossa vida familiar, nas lides profissionais ou na convivência social. 
É verdade que, muitas vezes, criamos expectativas de que alguém reconheça e valorize o que fazemos. 
Porém, mesmo se isso não ocorrer, mesmo assim, nosso trabalho nunca será anônimo. 
Afinal, é Deus quem nos cuida e vê cada ação nossa, o esforço que fazemos para erigir a catedral de virtudes e valores nobres em nossa intimidade. 
Como os construtores de outrora, toda uma vida de sacrifício será válida se pensarmos que Deus estará sempre vendo o que realizamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em vídeo de Nicole Johnson. 
Em 17.07.2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

NÃO OREMOS POR VIDA FÁCIL

Joshua Bell
Já percebemos que tudo de bom que construímos vem da dificuldade, vem do esforço empregado? 
Então, por que insistimos em rogar por menos dificuldades, menos problemas, mais facilidades? 
Por que insistimos em desejar vida fácil? 
Toda vez que acreditamos em soluções mágicas para enriquecer, soluções mágicas para o retorno da saúde ou mesmo para aprender algo novo, estamos agindo contrariamente ao que acreditamos. 
Por que ainda sonhamos com as tais loteria e jogos de azar?
São processos que incentivam o acúmulo de riqueza nas mãos de poucos, ampliando as desigualdades sociais já tão incômodas em nosso país. 
Acreditamos no convite sedutor feito pela rede social que assegura que poderemos ganhar dinheiro sem sair de casa, com pouco trabalho, ou seja, que receberemos tantos mil reais por mês fazendo poucas e reduzidas coisas.
Vendedores de ilusões se multiplicam, a cada hora. 
Eles só existem porque muitos desejam a vida fácil. 
Vendem seus cursos, seus métodos disso ou daquilo e realmente enriquecem. 
Não pelo método que apresentam, mas por conseguirem seduzir um número gigantesco de pessoas desavisadas. 
Tudo que é bom e importante na vida exige esforço, dedicação. 
Na maioria das vezes, tempo... Muito tempo. 
Pensemos nas dificuldades que a semente enfrenta, no interior do solo, para poder germinar. 
E depois, prossegue na luta para crescer, se desenvolver, produzir. 
Luta contra os ventos, o frio, o calor excessivo, a seca, a tempestade... 
Pensemos nos anos de dedicação, envolvimento, entrega e ensaios de que um artista necessita antes de entrar num palco e poder ser considerado grande. 
Joshua Bell é considerado um dos maiores violinistas de todos os tempos. 
Aos cinquenta e sete anos, já consagrado, ele conta que pratica o instrumento de quatro a seis horas por dia. 
Além disso, cuida do corpo para poder se manter saudável a fim de continuar a tocar. 
Mesmo sendo considerado um virtuose, nunca parou de aprender e de se esforçar cada vez mais. 
Quem o vê tocando pode sonhar em ser um grande violinista, pode achar lindo tocar aquele instrumento, pode até achar que ele tem uma vida de sucesso pois faz o que ama e seu trabalho é sua arte. 
Porém, não enxerga as dores, não enxerga a trajetória de esforço contínuo, não vê as inúmeras dificuldades que o conduziram ao patamar que alcançou. 
Onde outros desistiram, ele permaneceu. 
Quando outros elegeram prioridade para suas vidas, ele optou pelo violino e pela arte. 
Perguntemo-nos, então: 
Estaríamos dispostos a calçar esses sapatos, ou seja, fazermos o que ele fez e continua fazendo? 
Se olharmos para nossa trajetória, iremos identificar as importantes conquistas e perceberemos que todas elas resultaram do nosso empenho, persistência e entusiasmo. 
Por que, então, desejarmos a vida fácil? 
Reflitamos a respeito. 
As dificuldades nos fazem crescer. 
Os desafios são nossos instrumentos.
Não os tratemos como nossos inimigos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 26.12.2024

quarta-feira, 15 de julho de 2026

A GLÓRIA DO ESFORÇO

CHICO XAVIER
e
Espírito Néio Lúcio
Toda vez que as lições do doce Rabi da Galileia são colocadas na pauta das reflexões humanas, os comentários que se ouvem, a respeito de Sua inadequação à vida atual, são muitos. 
Falam que é quase impossível praticar as lições da Boa Nova neste mundo avesso à bondade, à renúncia e ao perdão.
Neste mundo em que o que vale é a conta bancária polpuda, roupas caras, o último modelo do carro. 
A maioria das criaturas vive na indiferença e no endurecimento. 
A respeito de tais questões, conta-se que, em tempos antigos, existiu um grande artista que se especializou na harpa.
Tamanha era a perfeição com que executava as peças musicais que pessoas importantes vinham de longe para ouvi-lo. 
Senhores de terras estranhas vinham até sua moradia, em caravanas, somente para escutar as suas sublimes execuções. 
Graças a isso, o mestre da harpa fez fama e fortuna.
Comentava-se que não havia ninguém na Terra que o pudesse igualar na expressão musical. 
Esse músico possuía um escravo para seu serviço pessoal.
Era ele quem servia água, frutas e doces aos convidados.
Com uma aparência um tanto tola, nunca conversava. 
A harpa do seu amo, contudo, o atraía e, por vezes, ele olhava fascinado para as mãos do artista dedilhando o instrumento, em quase adoração. 
Certa noite, o artista voltou para casa bem mais cedo do esperado. 
Ao adentrar nos jardins percebeu que uma melodia celeste estava no ar. 
Alguém tocava de forma magistral na casa solitária. 
O artista se comoveu. 
Quem seria o estrangeiro que lhe tomara o lugar? 
Ou quem sabe seria um anjo exilado na Terra que assim expressava sua grandeza através das notas musicais?
Sensibilizado por pressentir a existência de alguém com ideal artístico muito superior ao seu, avançou devagar para não ser percebido. 
Qual não foi a sua surpresa ao verificar que o harpista maravilhoso era o seu velho escravo tolo. 
Usando os minutos que lhe pertenciam por direito, sem incomodar ninguém, ele exercitava as lições do seu senhor há muito tempo. 
O artista generoso e famoso decidiu libertar o escravo, conferindo-lhe posição ao seu lado, nas apresentações musicais, dali por diante. 
* * * 
A aquisição de qualidades nobres se dá pelo esforço, da mesma forma que pelo exercício se adquire maestria em uma arte. 
Toda criatura que utilizar as horas de que dispõe na harpa da vida, com sabedoria, depressa absorverá a grandeza e a sublimidade de que falam os Evangelhos e se tornará um representante dos céus, perante os seus irmãos na Terra. 
* * * 
O tesouro das horas é distribuído de forma generosa a todos.
Cada um faz dele o que bem entende. 
Quem trabalha somente pela paga que recebe, quem não aproveita a oportunidade das horas para crescimento pessoal, de verdade nada terá além do salário do mundo. 
Investir em si mesmo, na sua reforma pessoal, interessar-se pelos outros e se doar é condição que todos podemos desfrutar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 43 do livro Jesus no lar, pelo Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 15.07.2026

terça-feira, 14 de julho de 2026

NÃO NOS PERMITAMOS

Refletindo sobre nossos companheiros de jornada, é provável que, em alguns momentos da vida, nos deparemos com uma angustiante questão. 
Olhamos para nossos pais, cônjuge, filhos ou amigos e nos perguntamos: 
-Quando foi a última vez que recebi ou que lhes ofertei um abraço? 
O toque, seja através do afago, do beijo ou do abraço expressa nossos sentimentos, enche a vida de ternura e aquece a alma de quem o oferece e de quem o recebe. 
As manifestações sinceras de afeto fazem as pessoas se sentirem amadas e queridas pois demonstram o amor que as envolve. 
Ter a liberdade de falar sobre os sentimentos e expressá-los, com equilíbrio e sensatez, também mantém apertados os laços que nos unem às pessoas com as quais nos relacionamos. 
Ao constatarmos a distância estabelecida sutilmente entre os afetos, uma grande tristeza nos invade. 
É o momento em que nos questionamos: 
-Quando e como começou a ser estabelecida essa distância? Como pudemos permitir que chegasse a esse ponto? Quem foram os responsáveis? E agora? Como fazer para construir novamente essa ponte de ligação com as pessoas amadas?
Olhamos para trás buscando as respostas, na tentativa de começar a construir um caminho diferente, uma nova aproximação. 
Muitas vezes, essas respostas não serão facilmente encontradas pois, por mais que busquemos nos arquivos de nossa memória, será difícil identificar o registro de quando foi que tudo começou. 
Essa análise do passado é importante, pois descobrindo onde erramos, podemos, a partir dessa constatação, agir de outra forma. 
Verificamos então, que talvez tenhamos nos permitido adotar algumas atitudes que podem ter nos distanciado lenta e gradativamente dos seres amados.
Foi o Bom dia deixado de lado pela pressa de começar logo as atividades de mais uma jornada de trabalho; o Boa noite esquecido, vencido pelo cansaço. 
Os sentimentos ocultados pela quietude diária, onde cada um se envolve apenas com suas próprias questões pessoais. 
A falta de compreensão e de companheirismo, o egoísmo, as mentiras sutis, as mágoas acumuladas e os pequenos desentendimentos. 
Essas atitudes são como gotas pequeninas que, com o tempo, se transformam em imensos oceanos. 
E quando nos damos conta, não mais sabemos atravessar esse espaço e tocar alguém que tanto estimamos. 
* * * 
Não deixemos que isso aconteça pois transpor essa distância que construímos é uma difícil tarefa. 
Não nos permitamos deixar de dar o sorriso de boas vindas, o abraço de despedida, o afago de boa noite e de bom dia. 
Esse esquecimento pode significar o início dessa barreira invisível que se forma entre as pessoas. 
Falar sobre os sentimentos, perguntar com interesse como vai o outro, escutar, importar-se, perceber o que incomoda, vibrar com o que felicita, dividir as angústias e as alegrias, faz muita diferença. 
Lembremos que todas as manifestações sinceras de carinho e amor são vibrações que envolvem o próximo, aquecem as almas, alegram e embelezam a vida. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 24.02.2012