domingo, 29 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSIÇÃO!

O ano de 2011 está assinalado por muitas catástrofes. 
É como se observássemos uma grande revolta dos elementos naturais, buscando local próprio. 
A tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, transformando cidades e edificações em um mar de lama e pedras, ceifando incontáveis vidas, abalou os brasileiros. 
Mas, ainda não refeitos desses fatos que motivaram gestos de solidariedade de variadas localidades, os terremotos no Japão nos levam ao quase terror. 
Mais do que as cenas do cinema catástrofe, as imagens televisivas nos impressionaram ao mostrar o mar erguendo-se em enormes vagalhões e engolindo tudo.
Destruição em segundos do que o homem levou muito tempo para construir. 
Belos edifícios, cidades inteiras, lugares aprazíveis, tudo levado de roldão, arrasado. 
Carros e máquinas arrastadas como brinquedos pela correnteza inclemente. 
E vidas, quantas vidas ceifadas. 
Desaparecidos sem conta. 
E, depois, continua o tsunami em sua jornada, ameaçando outros países, que se colocam em alerta. 
E dizer que todos recebemos o Ano Novo com tanta esperança. 
E vivemos o Terceiro Milênio em anseio de um novo tempo.
Como entender tamanha destruição? 
Recorremos ao Evangelho de Jesus. 
Ele não nos enganou, em momento algum. 
Falou de um mundo em extinção para o aparecimento de outro. 
Falou de dores, de desolação, de tempos amargosos: 
-Pedi a Deus que a vossa fuga não se dê durante o inverno. A aflição desse tempo será tão grande como ainda não houve igual desde o começo do mundo até o presente e como nunca mais haverá. 
E se esses dias não fossem abreviados, nenhum homem se salvaria. 
Mas esses dias serão abreviados, em favor dos eleitos. 
-Em verdade vos digo: chorareis e gemereis, e o mundo se rejubilará. Estareis em tristeza, mas a vossa tristeza se mudará em alegria. Uma mulher, quando dá à luz, está em dor, porque é vinda a sua hora. Mas depois que ela dá à luz um filho, não mais se lembra de todos os males que sofreu, pela alegria que experimenta de haver posto no mundo um homem. É assim que agora estais em tristeza. Mas, eu vos verei de novo e o vosso coração rejubilará e ninguém vos arrebatará a vossa alegria.
Jesus predisse os últimos tempos de um mundo de dores em transição para outro onde o bem predominará. 
Assim, o que hoje observamos e que nos leva à solidariedade, ao auxílio de tantas vítimas é a concretização daqueles tempos anunciados. 
Muitas dores se farão no mundo para que a grande renovação se apresente. 
Muitos irão de retorno à Pátria Espiritual, outros tantos retornarão, Espíritos renovados para promover a grande transformação moral do planeta. 
O mundo físico também sofre as transformações e por isso treme, alteram-se paisagens, modificam-se elevações. 
Tudo é um grande estertor. Mas, como Jesus mesmo afirmou, após as grandes dores, virá o tempo da bonança. 
Auxiliemo-nos enquanto as dores nos maltratam e aguardemos a aurora nova de um novo mundo. 
O Senhor está no leme. 
Redação do Momento Espírita, com citações extraídas do Evangelho de Mateus, cap. XXIV, vv. 15 a 22 e do Evangelho de João, cap. XVI, vv. 20 a 22. 
Em 24.03.2011.

sábado, 28 de março de 2026

OS RECURSOS DE UM MESTRE

Ele se apresentou no rio Jordão, submetendo-se ao batismo de João, o Batista, exatamente para que pudesse ser identificado por aqueles que O aguardavam. 
Ele era o Enviado, o Cordeiro de Deus, Aquele que viera para acender o fogo da transformação nas almas. 
E tinha pressa que se incendiasse a Terra, que Seu rebanho evoluísse sem tantos percalços, furtando-se a muitas dores.
Saindo das águas, Ele foi seguido por dois discípulos do Batista. 
Quando eles lhe indagam onde mora, o convite do Mestre é para que O sigam e vejam.
Em resumo, Ele diz que as cobras têm covis, os pássaros têm ninhos, mas ele, o Filho do Homem, não tem uma pedra para repousar a cabeça. 
E, contudo, realizou uma revolução, transformando pescadores do mar da Galileia em pescadores de homens, no imenso mar das turbulências humanas. 
Em Seu tempo, não havia livros. 
Existiam os rolos de papiro e pergaminho. 
Mas Ele não se serviu de nenhum desses materiais para deixar gravado o Seu ensino, que foi todo oral. 
Ele semeou luzes nas mentes humanas, o mais extraordinário depósito de sabedoria de todos os tempos. 
Um arquivo que, através dos séculos e das idades, somente se engrandece com acréscimos do conhecimento. 
Um dia, somente um dia, Ele escreveu no pó da terra algumas palavras. 
Referiam-se aos equívocos daqueles homens que estavam na praça, pedindo-lhe o julgamento de uma mulher surpreendida em adultério. 
Escreveu na terra. 
O vento apagou as letras, que, no entanto, ficaram gravadas, de maneira indelével, na consciência de cada um dos que se retiraram do local, envergonhados. 
Naqueles dias, não havia tecnologia de ponta para projeção de imagem e som. 
Ele subiu a um monte e projetou a Sua voz para ser ouvida com absoluta clareza por mais de cinco mil pessoas. 
Ele não se serviu de nenhum meio de transporte. 
Viajou constantemente a pé entre povoados e cidades da Galileia, da Judeia e da Pereia. 
Não temos ideia exata de quantos quilômetros percorreu. 
Uma estimativa conservadora sugere que Ele pode ter percorrido cerca de trezentos e vinte e um quilômetros.
Especulações baseadas em um cálculo mais amplo de Sua vida sugerem milhares de quilômetros, chegando a cerca de trinta e quatro mil. 
Não há um número exato e universalmente aceito, pois os Evangelhos focam nos ensinamentos e eventos, não em um registro detalhado de viagens. 
Sem recursos externos, que hoje nos favorecem a comunicação e o marketing, Jesus nos deu o exemplo de como se pode utilizar os recursos próprios para concretizar o que nos compete. 
Pensemos o quanto nós podemos realizar dispondo dos livros, da internet, das plataformas digitais, das redes sociais.
Sobretudo, prestemos atenção ao fato de que são todos talentos, que nos são disponibilizados. 
Talentos dos quais teremos que prestar contas em algum momento. 
Afinal, Ele mesmo asseverou que nos compete dar contas da nossa administração. 
Administração do tempo, dos recursos da inteligência, dos talentos do conhecimento e tudo o mais que o extraordinário mundo dos homens nos oferece. 
Redação do Momento Espírita 
Em 28.03.2026

sexta-feira, 27 de março de 2026

INTRIGANTE ESCOLHA

Augusto Cury
Ele é o Rei Solar. 
Antes que fôssemos, Ele já era. 
Era o Espírito excelso, que galgara degraus da evolução, alçando-se a Modelo e Guia da Humanidade pela qual é responsável. 
Antes que fôssemos, Ele era um com o Pai e dEle recebeu a missão de preparar um lar para bilhões de almas, Seu rebanho. 
Tomou da bola de fogo das mãos do Criador e a moldou, por milênios, preparando-a para receber Suas ovelhas. 
Não lhe escapou nenhum detalhe. 
A camada de ozônio, a disposição do globo girando em torno de si e ao redor do astro rei. 
Ao mesmo tempo, executando uma viagem infinita pelo Universo para que descobrisse a grandeza do Criador.
Nenhum despertar no planeta no mesmo ponto do dia anterior.
Podemos nos dar conta da grandiosidade do Universo que apenas começamos a descobrir? 
Ele veio para os Seus. 
Apresentou-se como o Bom Pastor, Aquele que dá a Sua vida pela das Suas ovelhas. 
Estranhamente, não abraçou a profissão de pastor ao se manifestar na Terra. 
Falou de sementes, demonstrando Seu conhecimento sobre o preparar a terra, o plantio, a colheita. Mas não se fez agricultor. 
Abraçou a profissão de seu pai, o bom José, carpinteiro. 
O Construtor de um local tão magnífico como o planeta em que vivemos optou por ser carpinteiro. 
Aquele que toma a madeira bruta e a amolda, transformando-a. 
Talvez pudesse ter sido um arquiteto, considerando que projetou, planejou e gerenciou a construção de todos os espaços terrenos, transformando-os em funcionais, estéticos e seguros para os seres que os viriam habitar. 
No entanto, ele escolheu nascer filho de um carpinteiro para, conforme o costume de Israel, seguir-lhe os passos profissionais. 
É de admirar essa disposição de Jesus trabalhar, desde a infância, com martelo, pregos e madeira, exatamente as armas que lhe destruiriam o corpo físico. 
Menino, quantas vezes terá ouvido de Seu pai acerca dos cuidados que deveria ter para não se ferir. 
Plenamente consciente do que lhe sucederia ao final da missão, como terá ressoado em Sua mente o martelar dos pregos na madeira? 
Pregos o fixariam na cruz, um dia, pelos pulsos e pelos pés. Maria, sua mãe delicada e observadora, quantas vezes terá retirado farpas de madeira do jovem Jesus. 
Mas, quando levado para o sacrifício, Ele receberia um madeiro bruto, com farpas que lhe penetrariam a carne, dolorosamente. 
Trabalhar com as mesmas ferramentas que lhe iriam produzir as mais intensas feridas e dores, seria suficiente para produzir zonas de tensão em Seu inconsciente. 
Contudo, Ele apresentou o topo da saúde psíquica.
Aprendamos com nosso Modelo e Guia. 
Modelo é um padrão a ser replicado. 
Foca na forma e no resultado final. 
Guia é um conjunto de diretrizes, princípios ou instruções que orienta o caminho. 
O Modelo é o exemplo pronto. 
O Guia ensina como percorrer o trajeto. 
Modelo é o que devemos almejar. 
Guia é o manual de diretrizes para chegar a isso. 
Por isso, disse Jesus: 
-Eu sou o Caminho. 
Sigamo-lO. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 2, do livro O Mestre do Amor – coleção Análise da Inteligência do Cristo, de Augusto Cury, ed. Academia de inteligência. 
Em 27.03.2026

quinta-feira, 26 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

Morey Belanger (centro)
Notícias boas nos levam a crer que podemos alimentar esperanças de um mundo melhor, que se encontra em construção. 
Faz bem ouvir a respeito de movimentos que são fortalecidos pela ação de crianças e jovens. 
Preconceitos, exclusão e bullying começam a ser vistos com outros olhares pela maioria. 
A solidariedade principia a se tornar panorama comum em muitas situações. 
Emocionam atitudes altruístas, frente a situações como a da pequena Morey Belanger. 
Sua matrícula foi anunciada antes de seu ingresso na Escola Elementar do Maine, nos Estados Unidos. 
Diagnosticada com um distúrbio auditivo raro, ela seria uma exceção entre tantos alunos. 
A instituição empreendeu uma ação preparatória que envolveu alunos, professores e funcionários, a fim de que a menina se sentisse bem-vinda, acolhida.
Os que seriam seus colegas de classe se dispuseram, com afinco, a aprender a língua de sinais a fim de recebê-la da melhor forma. 
E foi o que aconteceu no dia em que Morey Belanger, com seis anos, adentrou a Escola. 
Isso ocorreu em dois mil e dezessete. 
Na oportunidade, ela era a primeira aluna surda naquela Escola. 
A mãe comovida disse que, desde o início, sua filha foi aceita e amada, o que a manteve animada para ir à Escola todos os dias. 
Não demorou para que fizesse amizades, feliz, participando das brincadeiras, das festinhas, de tudo, enfim.
* * * 
Quando Jesus nos ensinou os dois mandamentos básicos que transformariam nosso mundo, 
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, possivelmente não imaginamos que seria dessa forma. 
Hoje compreendemos que, cada qual fazendo a sua parte, melhorando-se e oferecendo sua contribuição, melhoraremos o mundo. 
Também se tornou evidente que quando procuramos oferecer ao próximo o que ele mais precisa, nos sentimos realizados, capazes, felizes e estimulados a continuar nesse caminho. 
Se a felicidade da menina Morey foi grande, se a satisfação de sua mãe ao vê-la acolhida foi enorme, o sentimento de realização de todos os que colaboraram para que isso se concretizasse foi maior ainda. 
De fato, há um sentido profundo na orientação do Mestre de Nazaré quando prescreve que façamos ao outro o que gostaríamos nos fosse feito. 
Quando tivermos plena consciência dessa assertiva, veremos se multiplicar em nós o respeito ao semelhante. 
Essa nova geração, que vimos despontar na Terra, portadora de sentimentos fraternos, propensão para o bem, age de forma muito natural aos movimentos de respeito e preservação da vida em todos os sentidos. Importa que nós, os adultos, que sonhamos com um futuro melhor para todos, os estimulemos nas suas ações e nos engajemos, atuando ao lado deles. 
O mundo vai melhorar quando cada um de nós se fizer melhor. 
Quando estimularmos, pelo exemplo, os outros a agirem melhor. 
Quando aderirmos a movimentos que promovem o acolhimento, a derrubada de preconceitos de qualquer ordem, quando nos sentirmos como verdadeiros irmãos e parte de uma única e imensa família, chamada raça humana.
Pensemos a respeito e espalhemos bons exemplos, colaborando com o bem, fazendo a nossa parte nessa grande construção do mundo melhor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no site www.sonoticiaboa.com.br 
Em 16.11.2019.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O MUNDO DO TERCEIRO MILÊNIO

Fala-se muito que vivemos em um mundo de constante violência. 
E se diz que todos andam apressados, que tudo é uma loucura, que não dá mais para viver de forma serena.
Contudo, graças a iniciativas que ocorrem, ainda de forma esporádica, mas com grande brilhantismo, verifica-se que existem variantes felizes. 
Um dos exemplos mais recentes foi a iniciativa de um pouco mais de trinta integrantes da Companhia de Ópera da Filadélfia. 
Aconteceu no dia 24 de abril de 2010, um sábado, no Reading Terminal Market, na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia. 
O local é um bazar gastronômico, ainda hoje, conforme suas remotas origens no século XVII. 
Em qualquer dia ali se pode encontrar uma variedade eclética de produtos diretos do campo, especiarias incomuns, flores, aves, artesanatos, joias e roupas. 
É um local apinhado de gente. 
A média é de cem mil pessoas que o visitam, a cada semana.
Pois nesse sábado de abril, enquanto as pessoas se acotovelavam, indo e vindo, em meio a balcões de produtos e exposição de telas, de repente, uma música começa a encher os ouvidos de todos. 
É La Traviata, composição de Giuseppe Verdi, inspirada na obra de Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias. 
Então, um tenor lança sua voz, seguido de outro, mais adiante. 
Surpreendentemente, do meio daquele povo todo, que andava de um lado para outro, conversando, tirando fotos, vão se destacando os membros da Companhia de Ópera. 
Estão misturados à multidão, vestidos de forma comum, uns com boné à cabeça, portando mochilas, bolsas, roupas esporte, descontraídos. 
Somente são identificados, a partir do momento que abrem sua boca e começam a cantar. 
Surpresas, as pessoas vão se dando conta de que cada um deles, que sorri e canta, que brinda com o copo de papel com café ou que os convida a alguns passos de dança, está com um boton com a identificação da Companhia de Ópera da Filadélfia e os dizeres: La Traviata.
E todos param o que estão fazendo para ouvir, admirar, se emocionar. 
Os turistas tiram fotos e mais fotos. 
Um momento mágico. Algo que nos diz que iniciativas dessa ordem devem, graças ao êxito observado, se repetir de outras vezes e em muitas localidades. 
Em todo o mundo. 
Em terminais de ônibus e de trens, onde as pessoas ficam horas aguardando, inquietas, desejando chegar logo aos seus destinos.
Em aeroportos, onde os atrasos deixam as pessoas estressadas, mal-humoradas. 
Pelas ruas das cidades. 
Iniciativas como essa nos dizem que, a pouco e pouco o homem vai descobrindo como é bom viver a harmonia, o belo, a arte. 
Como é bom ter um dom e dividi-lo com todos, alegrar corações, fazer as pessoas sorrirem e sonharem. 
Sonharem com o mundo maravilhoso que todos idealizamos para o nosso Terceiro Milênio. 
Vibremos por isso. 
E que Deus abençoe Alexandre Dumas Filho, Giuseppe Verdi, os músicos, os cantores, todos que tornam, enfim, este imenso mundo de Deus tão mais belo e harmonioso para nossas vidas. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 1º.12.2022.

terça-feira, 24 de março de 2026

SEMPRE COM ALEGRIA

Dominique Lapierre
Irmã Ananda. 
Ananda quer dizer alegria. 
Irmã Alegria. 
Desde sua mais tenra infância, acostumara-se a mergulhar nas águas do rio Ganges, para resgatar vestidos, joias, o que pudesse ser transformado em dinheiro. 
Dessa forma, ela se constituía no sustento de toda a família. 
Sua agilidade e habilidade em nadar, até os lugares mais fundos eram elogiáveis. 
No entanto, quando manchas estranhas começaram a aparecer em sua pele escura, quando a palavra terrível foi pronunciada, ela foi jogada na rua, pela família mesma por quem tanto trabalhara.
Não poderiam, de forma alguma, permanecer com uma leprosa no lar. 
E a menina, impedida de se misturar aos demais, impedida de retirar do rio sagrado o seu sustento, sentiu a fome abraçá-la.
Sozinha, enferma, esfomeada, foi acolhida pelas Irmãs de Caridade que, não somente lhe providenciaram o teto, a vestimenta, o alimento, como lhe deram o melhor presente.
Submeteram-na a tal tratamento que ela foi declarada curada da hanseníase. 
Agora, passados os anos, cumprido seu noviciado, ela recebeu das mãos de Madre Teresa de Calcutá, o sari branco, com lista azul. 
Dali em diante, essa seria sua única vestimenta. 
Vestimenta que a identificaria como uma das Missionárias da Caridade em qualquer dos mais de cento e trinta países em que ela fosse designada a servir. 
Ela foi enviada a Nova Iorque, com mais três companheiras.
Sua bagagem chamou a atenção: eram baldes, caixas de papelão amarradas, colchões de palha enrolados em pedaços de pano presos por cordas. 
Tudo endereçado para Madre Teresa de Calcutá – Nova Iorque. Estados Unidos. 
A maior recomendação de Madre Teresa era de que servissem sempre com alegria. 
Era um dia frio e a menina indiana, transformada em missionária, se encantou com os flocos de neve que caíam. Jamais vira tal espetáculo. 
Então, seu coração exultou na recitação dos versos do profeta Daniel: 
-Orvalhos e geadas, gelos e neves, bendizei ao Senhor por todos os séculos. 
Quando chegou ao local em que trabalharia, dirigiu-se ao subsolo. 
Era ali que ficavam as suas acomodações. 
Embora Madre Teresa houvesse especificado que não deveria haver conforto algum, quem viera reformar o prédio tudo ignorara. 
E lá estavam quatro chuveiros à disposição. 
Ananda ficou olhando-os, admirada. 
Desde sempre, ela tinha algo muito especial com a água. 
Na Índia, carregava os baldes da fonte para casa. Emocionada, Ananda estendeu uma mão trêmula e abriu a torneira. 
Um verdadeiro dilúvio caiu imediatamente do teto.
Hipnotizada, ela olhou a água correr. 
Aquilo parecia um milagre. 
Com os braços abertos, a cabeça caída para trás, ela se jogou toda vestida debaixo do chuveiro. 
Teve vontade de cantar. 
E cantou os versos do profeta: 
-Chuvas e orvalhos, exaltai o Senhor. E vós, astros do céu, bendizei-O por todos os séculos. 
Sua voz atraiu as demais companheiras que vieram correndo.
Ao verem Ananda se divertir como uma criança, explodiram todas numa sonora gargalhada. 
Felicidade. 
Sim, Madre Teresa de Calcutá poderia ficar tranquila. 
Era com alegria no coração que suas Irmãs começavam sua tarefa em Nova Iorque. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 52, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.
Em 24.03.2026

segunda-feira, 23 de março de 2026

O CAMINHO DE VOLTA

Lúcia tinha dezenove anos quando conheceu Fernando, através de uma prima, que a convidou para sair com ela, seu namorado e um amigo. 
Foram meses de diversão com risadas e bate-papos alegres. Coisas de jovens. 
Fernando comentou que namorava uma moça, residente em Fortaleza, e que tinha intenção de se casar. 
Por sua vez, Lúcia, residindo no Rio de Janeiro, tinha desfeito um namoro de quatro anos, e desejava liberdade para recomeçar sua vida. 
Naquele momento, queria apenas curtir a amizade com Fernando. 
Contudo, com o passar dos meses, ela percebeu que algo mais profundo poderia surgir. 
Conversaram a respeito e decidiram que melhor seria se afastarem. 
Afinal, ele tinha um compromisso de namoro e ela desejava atender aos projetos de sua carreira. 
Rolaram os anos. 
Ela soube do casamento de Fernando, de sua residência nos Estados Unidos, retorno ao Brasil. 
Por motivos profissionais, Lúcia transferiu residência para Campinas, viajou para o Exterior, fez novos amigos. 
Enfim, atendeu ao que planejara.
Então, no ano de 1978, foi surpreendida por uma ligação telefônica. 
Era ele: 
-Lembra de mim? Sou o Fernando, nos conhecemos há uns dez anos, no Rio de Janeiro. 
Ela reconheceu a voz de imediato. 
Ele enviuvara, há alguns meses, depois de acompanhar o sofrimento da esposa, portadora de leucemia, por três longos anos. 
Fernando foi a Campinas, reataram antigos gostos comuns, a conversa tão amiga. 
Ela foi a São Paulo, a seu convite, para conhecer seus dois filhos. 
Em seis meses, estavam casados. 
Corajosa, ela se tornou mãe dos dois pequenos. 
Quase cinquenta anos se passaram, durante os quais uma filha veio selar de forma magnífica o amor que os une. 
* * * 
Essa história nos lembra que a vida não utiliza relógios de pulso, mas o compasso das estrelas. 
É um lembrete de que a vida não é uma linha reta, mas um bordado que faz sentido apenas quando olhamos pelo lado do avesso. 
Naquele primeiro encontro, a juventude ardia, mas o mundo ainda era vasto demais e as estradas divergiam. 
Eles se soltaram, cada um carregando um fragmento do outro no silêncio da memória, sem saber que o tempo estava apenas respirando fundo. 
Quando os olhos se cruzaram, dez anos depois, não eram as mesmas pessoas. 
Ele trazia as marcas da vida e as mãos ocupadas pelo amor de seus filhos. 
Ela trazia a serenidade de quem soube esperar sem saber o que aguardava. 
Foi ali que o invisível se tornou claro: a separação não foi um erro, foi o intervalo necessário. 
O silêncio não foi esquecimento, foi o amadurecimento do fruto. 
A dor dele precisava do porto dela. 
A espera dela precisava do transbordar dele. 
Hoje, após quase cinco décadas de mãos dadas, eles são a prova viva de que o que é nosso sempre encontra o caminho de volta. 
A intensidade do amor que vivem não nasceu do acaso, mas da paciência. 
Afinal, o amor não é encontrar a pessoa certa no momento certo. 
É confiar que, mesmo quando o tempo parece errado, a vida está apenas escrevendo um capítulo mais bonito do que aquele que tentamos ditar. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos. 
Em 23.03.2026