Os sonhos ruins atrapalhavam as noites.
Acordava assustada uma, duas, três vezes.
Assim foi enquanto era menina e depois, quando chegou na adolescência.
E ela nunca conseguiu dizer o que perturbava tanto o período noturno.
A única coisa que solucionava, que resolvia o problema dos pesadelos, era a presença da mãe ou do pai.
Ela os buscava no quarto, quase sonâmbula, pegava-os pelas mãos em silêncio, e os conduzia até o seu quarto.
Eles a abraçavam, faziam breve oração, diziam para ela pensar em um lugar bem bonito onde desejava estar, e a colocavam de volta na cama.
Um gesto, porém, era bastante curioso, e durou anos.
A menina simplesmente apontava para os pés da cama como a dizer:
-Fiquem um pouquinho comigo ali.
Eles entendiam e ficavam.
Bastava uns cinco minutos.
A resposta vinha imediata.
Ela se deitava, fechava os olhos, e uns segundos depois os abria, como que a espiar para saber se o pai ou a mãe ainda estava ali.
Quando identificava um deles, nascia um sorriso sem igual, um sorriso de Agora está tudo bem.
A respiração se normalizava, o sono se restabelecia e tudo voltava à paz.
Bastava ela saber que o pai ou a mãe permanecia ali, aos pés da cama.
* * *
Isso é muito simbólico.
Não porque tenhamos pesadelos e acordemos assustados pedindo ajuda, mas pela questão da confiança.
A figura dos pais ao pé da cama representa a vigilância, a guarda, a certeza de que nada nos fará mal, pois eles estão velando.
Na vida adulta, essa figura ainda existe, representada por nosso Espírito protetor, que é também uma mãe ou um pai, que é um amigo ou uma amiga querida presente em nossos dias.
Mais ainda, a figura dos pais ao pé da cama é também a confiança que devemos construir em Deus, nosso Pai Maior.
Ele está sempre conosco, embora não O sintamos na maioria das vezes, por estarmos nas batalhas dos pesadelos, sem poder abrir os olhos.
Falta-nos despertar, buscá-lO pelas mãos e pedir Seu auxílio.
Ele nunca nega ajuda a quem lha pede.
O Pai aos pés da cama nos ouve com paciência.
Poderá ser invocado diversas vezes à noite e nunca irá reclamar.
Sempre nos atenderá com a mesma boa vontade e paciência.
Contemos com Ele.
Contemos com a figura de nosso Espírito protetor.
Conversemos mais com esse Espírito amigo que assumiu missão tão grandiosa.
Perguntemos, peçamos e tenhamos a sensibilidade e a humildade de ouvir as respostas, mesmo que não sejam aquelas que desejaríamos.
Lembremos que nosso anjo de guarda e nosso Pai Maior não são gênios da lâmpada, ou serviçais que existem apenas para atender nossos três desejos ou caprichos.
Eles nos conhecem.
Eles nos viram nascer, sabem das nossas necessidades.
Sabem o que é manha e sabem o que é carência.
Sabem o que é real ou apenas passageira ilusão de nossa parte.
Mas, no que diz respeito aos pesadelos, aos medos e aos enfrentamentos, podemos contar sempre com eles, ali, ao pé da cama, nos dizendo:
-Fique tranquilo. Você não está sozinho. Estamos com você.
Redação do Momento Espírita
Em 20.03.2026





