terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MUITOS DEUSES, UM PAI!

Na Antiguidade muitos eram os deuses. 
Basta se consulte a mitologia e, perdendo-se no tempo, encontramos uma série diversificada de entidades denominadas deuses. 
Desde sempre, deram-se conta os homens que, além da esfera física, auxiliando-os em seus esforços, havia seres de outra dimensão. 
E, como não lhes pudessem compreender a essência, os conceberam com forma humana e lhes atribuíram suas virtudes e defeitos. 
Assim, surgiram as versões dos tantos deuses, encarregados de variadas missões. 
Ouvindo os sons retumbantes dos céus, imaginaram alguém que estivesse a bater com um enorme martelo sobre imensa bigorna e surgiu Thor, deus do trovão. 
No mar, que os vencia tantas vezes, levando vidas preciosas, com seus caprichos de ressacas, ondas enormes, tempestades, colocaram um ser que a tudo presidia, caprichoso: Netuno. 
E, porque os dias se sucedessem, sem que eles pudessem deter as horas, imaginaram um deus que a isso presidisse igualmente: Saturno, que devorava os próprios filhos.
Percebendo ainda que suas ações eram secundadas por seres invisíveis, passaram a lhes dar nomes, e os invocar para as suas atividades. 
E surgiram Hermes, deus do comércio; Apollo, deus da medicina; Atenas, deusa da sabedoria; Vênus, Diana, Eros, deuses do amor. 
Para cada atividade, um deus protetor. 
Mas, acima de todos, havia o deus dos deuses. 
Zeus, habitante do Olimpo grego, chamado Júpiter, na mitologia romana. 
Essas entidades interagiam com os homens e, tanto quanto cuidavam dos céus, da Terra e do mar, se imiscuíam nas atividades humanas, interferindo, fazendo valer sua vontade.
Mais tarde, entendendo um pouco mais da essência espiritual, surgiriam religiões concebendo um mundo invisível povoado de anjos protetores e anjos maus. 
A respeito deles, falaram antigos filósofos tanto quanto os pais da Igreja, que surgiu no século IV. 
Olhando à distância, tudo pode parecer estranho e, em alguns momentos, até ingênuo. 
Mas são verdades vestidas do entendimento das criaturas da época. 
Estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas, afirmava o Apóstolo Paulo de Tarso. 
São seres invisíveis, as almas dos homens que morreram, que nos cercam, dessa outra dimensão para onde se foram, após a morte do corpo. 
E têm virtudes e defeitos, como os homens, porque as criaturas não se modificam simplesmente porque passam de uma dimensão para outra. 
Continuam a se interessar pelos seres amados, a assisti-los em suas necessidades, trabalhar de múltiplas formas porque a ociosidade seria o pior de todos os castigos. 
De acordo com o grau de elevação ou de inferioridade em que se situem, se ocupam das mais diversas tarefas. 
Todos têm deveres a cumprir. 
Os seres mais elevados recebem as ordens de Deus e concorrem para a harmonia do Universo, executando as vontades celestes. 
Por isso, os homens os perceberam, desde sempre e buscaram lhes dar nomes e tentar descobrir suas missões.
Eram pedaços do grande espelho da verdade que, a pouco e pouco, foram sendo juntados e ampliados. 
Contudo, em todos os tempos, sempre o homem entendeu que acima de si mesmo, acima dessas tantas divindades, desses seres espirituais, uma vontade governa e é soberana.
Um Deus, um Senhor. 
Através dos tempos e das nações, o chamou de Zeus, Júpiter, Yaweh, Tupã. 
Quando veio Jesus lhe deu um nome para que todos O pudéssemos igualmente denominar: 
-Pai. Pai nosso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. Fep. 
Em 02.01.2013.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O NAUFRÁGIO DE MUITOS INTERNAUTAS

Mario Sergio Cortella
Alice estava desnorteada, e encontrando um gato sentado sobre o galho de uma árvore, perguntou-lhe: 
-O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho tomar para sair daqui? 
-Isso depende muito de onde você quer ir... – Respondeu o gato com um sorriso enigmático de orelha a orelha. 
-Não me importa muito para onde... – Afirmou Alice. 
O felino sentenciou:
-Então não importa o caminho que você escolher. Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. 
* * * 
Nestes tempos de informações abundantes, de possibilidades infinitas, de tecnologia surpreendente, fazem-se necessários alguns cuidados. 
Cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da Humanidade na era do conhecimento. 
Exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a primeira riqueza. 
Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas é a internet. 
É neste ponto que precisamos ir devagar com as coisas. 
Não se deve confundir informação com conhecimento. 
A internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação.
No entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento – ao contrário da informação – não é cumulativo, mas seletivo. 
Seria como alguém que entra numa dessas grandes livrarias, sem saber muito bem o que deseja. 
Corre o risco de entrar em pânico, tendo a sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo. 
Faz-se fundamental o critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha.
Os computadores e a internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido. 
Ferramenta não tem objetivo em si mesmo. 
É instrumento para outra coisa, para outro fim. 
O critério, o equilíbrio nos permitirão, assim, poder utilizar desse ferramental com sabedoria, na dosagem certa, no momento adequado. 
Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo.
Esquecem-se de se perguntar: 
-Eu quero isso para mim? Eu preciso disso? Para que serve? Aonde desejo ir? 
Nos tempos de hoje, se não formos muito cuidadosos, corremos o risco de navegar na internet, e naufragar. 
Sêneca, sabiamente, já havia dito, que nenhum vento é a favor, para quem não sabe para onde ir. 
* * * 
David Hume, afirmava: 
-Por conhecimento, entendo a certeza que nasce da comparação de ideias. Para que nasça o conhecimento é necessário pensar, comparar, conectar ideias. Nenhuma informação poderá ser tomada por verdade, por conhecimento, antes de amadurecer dentro da alma humana. Sabedoria não se transmite. É preciso que nós mesmos a descubramos depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar. 
Redação do Momento Espírita com base no texto O naufrágio de muitos internautas, do livro Não nascemos prontos – provocações filosóficas, de Mario Sergio Cortella, ed Vozes.
Em 02.02.2026

domingo, 1 de fevereiro de 2026

OS MUITOS CUIDADOS DE DEUS

O hábito de reclamar é muito comum. 
É possível que acreditemos, como seres humanos, ser natural. 
A verdade é que, em qualquer parte do mundo, encontramos os que reclamam. 
Como filhos reclamamos dos pais, como cônjuges reclamamos um do outro. 
Patrões e empregados parecemos quase inimigos, com tantas reclamações. 
Nossos vizinhos, amigos e até meros conhecidos não deixam de ser alvos das nossas reclamações. 
Falamos que deveriam ser mais atenciosos conosco, mais educados, mais... 
Acontece que pessoas genuinamente gratas são ainda um tanto raras em nosso mundo. 
Quando apenas prestamos atenção no que falta, costumamos não notar o que temos. 
Esse mau hábito é especialmente triste em se tratando da Divindade. 
Isso porque Deus é o Senhor do Universo. 
Dele procedem todas as bênçãos e oportunidades. 
Ele cria todos os Espíritos iguais e nos concede existências incontáveis a fim de que nos possamos aprimorar. 
Cerca-nos dos mais ternos cuidados. 
Providencia-nos o corpo para que vivamos na Terra. 
Não esquece de nos cercar de amores, a fim de que, como flores, não venhamos a secar no deserto das afeições.
Inclusive cuida de bloquear certos desatinos nossos, mais graves, para que não nos compliquemos em excesso.
Entretanto, curiosamente, ainda nos sentimos no direito de reclamar do Eterno.
Imaginamos ter direito a mais do que recebemos. 
Desejamos tranquilidade, riqueza, poder, fama e beleza.
Contudo, nesse querer fantasioso, nos esquecemos de perceber e agradecer o muito que nos é dado, de forma constante. 
Esquecemos a bênção dos tempos de paz, nos quais podemos perseguir nossos sonhos. 
Não valorizamos a família na qual nascemos ou nos encontramos. 
Os pais que nos cercaram os primeiros passos, as escolas nas quais fomos matriculados e que pudemos frequentar. 
Os professores que nos instruíram. 
A saúde do corpo, a existência em um país pacífico, os amigos... 
Achamos natural possuir tantos tesouros. 
Ocorre que nem todos podem desfrutar, simultaneamente, dos mesmos dons. 
A vida na Terra constitui uma estação de aprendizado.
Nela, as experiências variam ao infinito. 
Devemos considerar que há os que experienciam a saúde, enquanto outros vivem a enfermidade. 
Alguns desfrutam facilidades materiais e outros têm vida mais modesta. 
As posições se alternam no curso dos séculos. 
O papel de cada um de nós é ser digno e fraterno na posição em que nos encontramos.
Utilizar os tesouros que recebemos da vida, a fim de crescer em talentos e virtudes.
E, especialmente, entender que o próximo é um irmão de caminhada. 
Ele também deseja ser feliz e viver em paz. 
É, igualmente, um filho de Deus. 
Tendo isso em mente, urge repensar os próprios hábitos.
Identificar os inúmeros cuidados recebidos de Deus. 
Ser grato por todos eles e cessar de reclamar por bobagens.
Ao mesmo tempo, aprendermos a manifestar bondade para com o próximo como uma forma de gratidão ao nosso Criador.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 05.07.2023.

sábado, 31 de janeiro de 2026

O CANTO DO SABIÁ

Ele chega no alto do muro, todas as manhãs. 
Exceção daquelas de chuva torrencial. 
Nesses dias, somente aparece quando a chuva se vai. 
Ele se posta exatamente na direção da janela do escritório onde trabalho. 
Anda um pouco de um lado a outro. 
Parece olhar para mim. 
Na verdade, tenho certeza que me olha. 
E então, solta seu canto. 
É o meu companheiro sabiá. 
Não vem a esse local porque o alimento, considerando que é no meio do jardim, do outro lado da casa, que coloco a ração diária para ele e todos os pássaros que queiram. 
A maioria deles, habitando a árvore em frente à casa, há bastante tempo. 
Ou seja, desde que o pequeno arbusto se transformou em uma árvore alta, cheia de galhos e folhas. 
Árvore que tenho o cuidado de zelar toda vez que os funcionários da prefeitura vêm realizar a poda. 
Supervisiono o serviço, não permitindo que cortem galhos em excesso, em especial aqueles em que estão construídos os preciosos ninhos. 
Não sei se o sabiá sabe disso tudo. 
Nunca contei nada a ele. 
Mas quando ele vem cantar em frente à minha janela, eu o cumprimento: 
-Oi, amiguinho, já chegou? Qual a sinfonia para hoje? 
E depois dele alegrar o meu coração, parte voando.
Sei que não o verei mais até o dia seguinte. 
Alguns dirão que tudo isso é coincidência. 
Nada demais. 
Talvez o sabiá goste daquele pedaço de muro por algum motivo. 
Eu, sinceramente, acredito que se trata de gratidão de uma ave que se alimenta todos os dias, em meu jardim. 
Mais do que isso, eu vejo a manifestação Divina nesse pequenino ser.
É Deus que me diz, com o seu canto, que sou Seu filho, uma pessoa importante nesta Terra. 
Por isso, ergo minha prece em gratidão e trabalho com o coração mais alegre, a mente mais desperta, os dedos mais ágeis. 
Quantos de nós recebemos, todos os dias, dádivas semelhantes e não nos damos conta? 
Que tal começarmos a prestar atenção? 
Deus tem maneiras simplesmente criativas de nos alcançar: na brisa que brinca em nossos cabelos, na chuva que cai, permitindo que a terra exale aquele seu perfume peculiar de quem recebeu uma dádiva e agradece. 
Ou talvez através de uma ave que cante em nossa janela ou nas proximidades. 
Deus a tudo preside e nada esquece. 
Prestemos mais atenção ao nosso entorno e descobriremos, todos os dias, inúmeros motivos para sermos gratos ao Pai que nos ama e manifesta isso de multiplicadas maneiras.
* * * 
No ruído longínquo do mar, na paisagem solitária, nas águas que murmuram, no sono das florestas, na altivez das montanhas, Deus assinala a Sua presença. 
Na poesia das flores, nas calmas noites estreladas, no brilho da lua, podemos perceber a excelência do Autor Divino. 
Para a alma sensível, tudo respira e transpira Deus, o que levou o salmista Davi a escrever que os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Cerremos os olhos, paremos um pouco e nos permitamos sentir o suave toque de Deus em nossa alma, agora, enquanto morrem os acordes musicais... 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de Salmos de Davi, cap. 19, vers. 1. 
Em 31.01.2026

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AMOR FRATERNAL

Erich Fromm
Os que nascemos em uma mesma família estamos unidos pelos laços de sangue que, no entanto, não configuram laços de amor necessariamente. 
Não é raro irmãos terem ciúme e inveja uns dos outros, criando dificuldades de relacionamento. 
Ou chegarem mesmo à agressão, à usurpação dos direitos e bens uns dos outros. 
Contudo, quando os laços afetivos existem, é comovedor observar a dedicação de alguns irmãos. 
Soubemos da história de uma garotinha de cinco anos de idade. 
Seu irmãozinho, de oito anos, foi diagnosticado com leucemia.
Exames, internamentos, quimioterapia. 
Tudo o que a medicina oferece aos portadores dessa enfermidade. 
erto dia, a mãe tomou a menina entre seus braços e explicou que o irmão ficaria num hospital, durante algum tempo. 
Ele precisava de um tratamento especial. 
Explicou também que, quando ele voltasse, ela não se assustasse porque, por causa do tratamento, ele teria perdido todo seu cabelo. 
Recomendou que ela não risse ou fizesse brincadeiras quando visse a carequinha do irmão. 
A menina ouviu com atenção e ficou calada. 
A mãe acreditou que ela não havia entendido bem. 
Dias depois, os pais foram buscar o garoto no hospital.
Quando o carro chegou na frente da casa, a garotinha olhou pela janela do primeiro andar e sorriu. 
Seu irmão estava de volta. 
Na cabeça, um boné vermelho. 
Correu para o banheiro, tomou a tesoura de sua mãe e concretizou o plano que estava em sua cabecinha, desde a conversa com a mãe. 
Pouco depois, desceu as escadas aos pulos. 
Abriu a porta no exato momento em que o irmão chegava. Ela o olhou por um segundo. 
Então, estendeu para ele as mãozinhas cheias de seus próprios cabelos. 
Ele olhou para a irmãzinha e viu que ela trazia os cabelos desalinhados, mostrando que os havia cortado, do jeito que pudera. 
Um lado mais curto do que o outro, as franjas tortas como se fossem degraus de uma escada mal construída. 
Ela não disse nada. 
Nem ele. 
Os pais observavam, atônitos. 
Então, o garoto tomou nas suas mãos os cabelos que a irmã lhe oferecia e, com um sorriso largo, tirou o próprio boné e colocou na cabecinha dela. 
Depois, ajoelhou-se e ambos se abraçaram longa e demoradamente. 
* * * 
Amor fraternal é a mais fundamental espécie de amor.
É a que alicerça todos os tipos de amor. 
Se desenvolvemos a capacidade de amar a um irmão consanguíneo, não podemos deixar de amar, na sequência, a todos os demais irmãos. 
O amor fraternal é o amor entre iguais. Iguais por sermos todos Espíritos, filhos do mesmo Pai. 
Iguais, na Terra, por estarmos na condição humana. 
Se pensarmos nas diferenças de talento, inteligência, conhecimento, veremos que são pequenas se compararmos com a identidade essencial, comum a todos nós. 
O amor é uma força ativa no homem. 
Uma força que irrompe pelas paredes que o separam de seus semelhantes. 
Que o une aos outros. 
Que o estimula a dar-se, numa extraordinária experiência de vitalidade e de alegria. 
Redação do Momento Espírita, a partir de cenas do vídeo Gesto de amor, de autoria desconhecida, e do cap. 2 do livro A arte de amar, de Erich Fromm, ed. Itatiaia. 
Em 30.01.2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

MUITO HUMILDE

DONALD SPOTO(✝︎)
A pessoa que trabalha lá em casa é muito, muito humilde. 
Você já deve ter ouvido esta frase, com certeza. 
E com a mesma certeza sabe que quem assim fala está se referindo a alguém com poucos recursos amoedados. 
Ou intelectuais. 
Ou ambos. 
De um modo geral, associamos pobreza, analfabetismo, ignorância à humildade. 
Contudo, foram humildes Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Francisco Cândido Xavier. 
E esses não se enquadram nos itens destacados. 
Jesus era humilde, no entanto, a ninguém ocorre imaginar que Ele fosse um iletrado.
Profundo conhecedor da alma humana, o que Lhe confere, de imediato, alta condição psicológica, era igualmente conhecedor da História de Israel, da cultura do mundo em que vivia, das escrituras. 
Provam isso suas falas, seus pronunciamentos, reportando-se à Lei antiga, aos profetas, ao tempo político que se vivia então. 
Ademais, era poeta, utilizando-se sabiamente de figuras de linguagem, adequando-as ao ensino que desejava oferecer e às pessoas para as quais falava.
Ninguém foi tão grande quanto Ele. 
E era humilde. 
Ele mesmo o disse: 
-Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.
Francisco Cândido Xavier não dispunha de recursos financeiros, nem diplomas. 
Mas ninguém ousaria dizê-lo ignorante. 
Basta recordar-lhe a sabedoria nas entrevistas que concedeu a jornalistas, repórteres, cientistas que desejaram estudar-lhe as qualidades mediúnicas. 
Sabia portar-se em público, utilizando-se de vocabulário adequado, demonstrando a ilustração do seu intelecto.
Francisco de Assis nasceu em berço rico e abraçou a pobreza, por opção do ensino que desejou ministrar, em plena Idade Média. 
Era humilde e conhecedor do Evangelho. 
Foi ainda compositor. 
Dizia-se o cantor do Grande Rei, Deus. 
No ideal de divulgar o Evangelho de Jesus em sua essência mais pura, agregou jovens ricos, homens cultos, no mesmo ideal e os liderou. 
Falava ao povo simples, falava a magistrados e às autoridades eclesiásticas. 
Conta-se que, certa vez, em retornando de Roma a Assis, deteve-se na cidade de Ímola. 
Por questão de respeito hierárquico, apresentou-se ao bispo e expressou o desejo de pregar na igreja local. 
-Eu prego a meu povo e isso é o bastante! – Foi a resposta do bispo. 
Francisco se retirou e voltou uma hora depois, fazendo o mesmo pedido. 
Ante o espanto do bispo, pela insistência, respondeu: 
-Meu senhor, se um pai expulsa o filho por uma porta, ele deve voltar por outra! 
O raciocínio coerente lhe valeu o direito de tomar lugar no púlpito do prelado para a pregação. 
* * * 
Humildade é virtude que brilha nos corações dos homens de bem. 
Homens de intelecto mas que a ninguém desprezam. 
Homens de posses, que a todos acolhem. 
Homens que sabem reivindicar seus direitos, nunca sendo omissos. 
Homens de bem. Humildes. 
Repensemos nossos conceitos. 
Redação do Momento Espírita, com relato de fato colhido no cap. Onze (1213-1218), do livro Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva. 
Em 18.01.2016.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

VONTADES IMPERFEITAS

Por que a Vontade de Deus não é a nossa vontade? 
Com certeza muitos de nós já fizemos esta pergunta. 
Os acontecimentos se sucedem em nossas vidas e nem sempre gostamos ou com eles concordamos. 
Desejaríamos que fossem diferentes. 
Mas, se aprendemos que tudo acontece sob o comando Divino, que Deus tudo vê e a todos ampara, por que tantas vezes nos comportamos dessa forma? 
Se já conseguimos entender que Deus é infinitamente bom e justo, perfeito em Suas ações e que tudo que dEle emana tem o cunho da perfeição, tudo visa o nosso bem, por que, então, ainda não concordamos? 
Muitos de nós, quando passamos por reveses mais intensos, chegamos até a negá-lO, dizendo desacreditar da Sua existência. 
Outros, apelamos para reclamações, maldizendo o que nos acontece, tal a nossa discordância, muitas vezes envolta em cólera e revolta. 
Porém, a Vontade de Deus é de tal forma ideal, que Jesus, ao orar, ensina-nos a pedir que seja feita a Sua Vontade, e não a nossa. 
Ainda assim, desatentos do que afirmamos em oração, não raro queremos que seja feita a nossa vontade, e não a do Pai.
E indagamos: 
-Por que Deus permite que o anjo da morte arranque de nosso convívio aqueles que antes embalávamos nos braços? Que a doença rapidamente mine a saúde do corpo, perfeito e cheio de vigor? Por que permite que nossa vida sem dificuldades se transforme em escassez, enquanto a carência, como melodia monótona, passe a nos guiar os passos? 
Quantos de nós já nos pegamos fazendo esses e outros tantos questionamentos com os olhos voltados ao firmamento.
Embora os conhecimentos já adquiridos, por que tanta dificuldade para entender as coisas de Deus? 
Qual a razão de ainda não aceitarmos aquilo que a vida nos apresenta e que não conseguimos mudar? 
Como a criança que se rebela em ir à escola, desejando permanecer nos folguedos infantis, somos nós a analisar as coisas de Deus. 
Nosso olhar ainda é imaturo. 
Queremos uma vida de facilidades, tranquilidade e despreocupação. 
Dias sem tribulações, sem reveses, sem dores.
Esquecemos de que são exatamente esses dias de tempestade que nos oferecem as melhores lições. 
Não percebemos que as dores transitórias são oportunidades valiosas para a aquisição de valores nobres para o Espírito imortal que somos. 
* * * 
Assim, aprendamos a consolidar nossa fé em Deus e no entendimento de que devemos agir buscando o melhor para nossa alma. 
E nos conscientizemos de que haverá momentos em que, alheias à nossa vontade, dores irão surgir, perdas irão acontecer, dificuldades nos chegarão. 
Nessas horas, pensemos que a Vontade de Deus continua sendo sábia, coerente e justa. 
Se ainda não a entendemos, aguardemos. 
Esperemos o transcorrer dos dias.
Logo mais, quando nosso entendimento de Deus e da vida forem mais profundos, concluiremos que a Providência Divina nunca nos abandonou, e que Deus, sábia e amorosamente, cuida sempre, de cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 28.01.2026