segunda-feira, 11 de maio de 2026

UMA MÃE QUE FAÇA CASTELOS DE AREIA

Uma dessas tirinhas de jornal, com três breves cenas, levantou uma questão muito importante, que merece nossa atenção. 
Na primeira cena, vemos uma menina pequena em frente à sua mãe.
Da mãe, vê-se apenas as pernas e a cintura. 
A filha, então, pergunta: 
-Mãe, aonde você vai? Que roupa é essa? 
Na segunda cena, temos a resposta da mãe: 
-Ora, é minha roupa de Academia! Você não quer uma mãe bonita no verão? 
E, finalmente, na terceira, temos a perspicaz resposta da criança: 
-Não, prefiro uma mãe que faça castelos de areia. 
* * * 
Vale a pena refletir por alguns instantes, se estamos sendo apenas uma mãe que deseja estar bonita no verão, ou uma mãe que faz castelos de areia com seus filhos. 
O cuidado do corpo é importante, claro, e todos precisamos mantê-lo saudável, porém, é necessário verificar se não estamos, muitas vezes, caindo em excessos. 
A breve passagem narrada apresenta muito bem o que temos de mais precioso para dar aos nossos filhos: nosso tempo ao seu lado. 
Quando se falou em verão, a menina pensou nos castelos de areia que faria com a mãe. 
Vale refletir se, em muitos casos, em nome de tantas coisas, tantos compromissos, ou mesmo em nome da vaidade, não estamos deixando nossos filhos de lado, em casa, com babás, avós ou até sozinhos, por tempo demais.
Quando aceitamos a importante missão de pai, de mãe, aceitamos sacrifícios, aceitamos renunciar parte de nossa vida por eles, pelo menos por um tempo, enquanto são pequenos e precisam de nossa atenção integral. 
Muitos pais parecemos esquecer disso, achando que podemos levar a mesma vida que levávamos quando solteiros, ou quando ainda não tínhamos filhos. 
Terceirizamos os cuidados e a educação para outros, conseguindo assim mais tempo livre ou ainda, mais tempo para outros afazeres. 
Tenhamos calma. Tenhamos paciência. 
Esse sacrifício, essas horas e mais horas doadas a eles, irão nos trazer muitas alegrias. 
E a primeira delas é a alegria da consciência em paz, da consciência que se reconhece cumpridora de seus deveres.
Utilizemos disciplina. 
Guardemos momentos para nós durante a semana, para nossos afazeres, mas, evitemos ao máximo deixar as crianças de lado por muito tempo.
São momentos que não voltam e passam muito rápido. 
Logo nos daremos conta disso. 
Talvez estejamos exaustos com tantos compromissos domésticos, profissionais e familiares. 
Parece que não estamos dando conta, é certo. 
É nossa cota de doação para a família. 
E por se tratar de gesto de altruísmo, de abnegação, não estamos sozinhos. 
Podemos contar com a ajuda dos amigos espirituais que nos acompanham e que também trabalham pelo sucesso de nossa empreitada na Terra. 
Oremos, peçamos ajuda. 
Tranquilizemos o coração e acalmemos a ansiedade.
Logo tudo se encaixa, tudo se acalma. Em breve os filhos crescem, a vida muda mais uma vez, e será o momento da saudade de quando eram pequenos. 
Guardemos em nosso coração uma certeza maior, a de que vale a pena investir nosso tempo em construir castelos de areia com nossos amados filhos. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 29, ed. FEP. 
Em 11.05.2026

domingo, 10 de maio de 2026

MÃE, SIMPLESMENTE!

Deus, em Sua Criação, fez no infinito, um belo jardim. 
Pelo Universo lançou sementes de amor. 
Sol a sol, luz a luz, um por um, um por vez. 
Em todo o jardim encontramos o Criador. 
Em tudo, a divina assinatura. 
Feche os olhos, sinta e creia, procure. 
No Universo, tudo é movimento, dinâmica, equilíbrio, perfeição. 
Não há pergunta sem resposta, não há efeito sem causa, conquista sem trabalho, mérito sem doação. 
As sementes foram lançadas, espalhadas por onde a vista não alcança. 
Não há morte, não há fim. 
Em cada morte, um recomeço. 
Em cada fim, uma esperança. 
* * * 
Olhos atentos encontrarão a mais bela flor do jardim do Onipotente. 
Para ela, adjetivos diversos: ternura, vida, carinho, amor, devoção. 
Ou mãe, simplesmente. 
* * * 
Senhor, rogo a Ti por todas as mães. 
Em todo gesto de amor Tu te revelas e, ainda mais te encontro, ó Pai, no amor de mãe, pois sei que a maternidade é uma de Tuas faces. 
Mães, Senhor. 
Mães que são exemplo de doação, de sacrifício, de abnegação, de generosidade, de fé.
Rogo-te, Pai, pelas mães que, durante nove meses, carregaram em seus ventres os rebentos de amor e que, para toda a vida, continuam a lhes guiar os passos, a perdoar-lhes as fraquezas e a lhes ofertar o abraço reparador. 
Peço, também, pelas mães adotivas, que amam com desprendimento e desinteresse o filho de outras mães. 
E por aquelas que tiveram seus filhos desaparecidos, jamais recuperados e, assim, perderam parte de seu próprio coração.
Eu te rogo, Deus do perdão, pelas mães presidiárias, que não podem estar junto dos seus e sofrem a aguda dor da saudade.
E, por aquelas que têm os filhos na prisão e que, esperançosas, depositam neles a confiança, aguardando retornem ao bom caminho que elas lhes apontaram. 
Pelas mães doentes, acamadas, hospitalizadas. 
Que os bons Espíritos, cumpridores de Tua vontade, lhes fortaleçam os ânimos e derramem sobre elas o bálsamo de Teu consolo, misericórdia e paz. 
Rogo também pelas mães abandonadas. 
Aquelas que, na velhice, foram deixadas em asilos, derramando as lágrimas amargas da solidão. 
E pelas avós, tias, madrastas que, por amor, transformam netos, sobrinhos, enteados, em filhos do coração. 
Ainda, Senhor da eternidade, te rogo pelas mães desencarnadas, esses verdadeiros anjos da guarda, que continuam a zelar pelos seus, pois compreendem que a maternidade não é mero fenômeno biológico e, sim, um laço eterno de almas. 
* * * 
Doce mãe de Jesus, na singela manjedoura, Tu o acolheste em Teus braços. 
Teu coração, no silêncio, bateu no ritmo do dEle e Tu soubeste: era o Teu filho, também o filho de Deus. 
Acolhe, mãe por excelência, todas as mães do mundo em Teu amor. 
Faz do coração delas manjedoura para o Cristo Jesus, a fim de que Ele nasça no Espírito de cada filho deste nosso chão.
Redação do Momento Espírita. 
Em 22.6.2015.

sábado, 9 de maio de 2026

MÚSICA PARA A ALMA

Ele se chama Jorge Bergero
É um violoncelista da orquestra do Teatro Colón, em Buenos Aires. 
Mas, com certeza, seu mais importante papel e a mais extraordinária lição que confere ao mundo é o que realiza como presidente da Associação Civil Música para a Alma.
Iniciada na Argentina, com apenas dez músicos, hoje conta com mais de dois mil e quinhentos e extrapolou as fronteiras do país.
Já alcançou o Uruguai, Bolívia, Chile, Peru, Paraguai, Equador, Itália, França e Israel. 
O propósito é tocar músicas clássicas em hospitais e locais em que se encontram idosos internados. 
O objetivo é levar a música a quem está distante dela e alegrar a todos. 
Assistir aos vídeos que mostram esses artistas se apresentando em salas e corredores de hospitais é emocionante. 
Pacientes retidos no leito, com quase nenhuma mobilidade, erguem os braços e acompanham o ritmo das músicas, como se fossem autênticos maestros. 
Alguns tentam acompanhar os tenores e sopranos, na execução dos trechos de ópera. 
O projeto foi inspirado na namorada de Jorge, Maria Eugênia Rubio, uma flautista incrível e, segundo ele, muito bonita. 
Bonita de corpo e alma. 
Um sorriso maravilhoso. 
Em 2008, ela foi diagnosticada com câncer de mama e, na medida em que a enfermidade avançava, ficava sempre mais difícil para ela continuar a executar o seu instrumento.
Internada para tratamento, Jorge e seus amigos resolveram levar a música para ela e aos demais pacientes do hospital.
Nascia ali o projeto Música para a Alma. 
E descobriram como aquilo fazia bem. 
Criava momentos mágicos, inigualáveis para os internados.
Alguns recordavam de momentos felizes de suas vidas. 
E os músicos, ao concluírem a sua apresentação, por se sentirem imensamente felizes, se indagavam: 
-Quando será nosso próximo concerto?
Em dezembro de 2011, Eugênia partiu. 
Em nome do amor a ela e à música, que Jorge qualifica como o próprio oxigênio para sua vida, ele continuou com o projeto e ainda o ampliou. 
Hoje, são em torno de setenta a oitenta concertos realizados, por ano. 
E o que é grandioso é ver honrada dessa forma a lembrança de um grande amor, fonte inspiradora do trabalho inicial.
Quando tantos de nós, ante a morte de um ser querido, nos isolamos e até desistimos de viver, o músico argentino continua a sorrir e a fazer sorrir aos demais. 
Em nome do amor. 
De um grande amor, que ele multiplica com suas ações. 
Que grandes benefícios espalha ele, além de, com seu exemplo, ter arrebatado tantos outros músicos igualmente idealistas. 
Profissionais que, com regularidade, deixam os palcos, os trajes de gala para se misturarem ao povo sofrido, e lhes oferecer o melhor de si: a execução de peças clássicas com seus instrumentos musicais ou as modulações impecáveis das suas vozes. 
* * * 
Em meio a tantas dores, a situações complexas que envolvem as nações, enquanto muitos discutem estratégias militares, políticas e governamentais, gente simples espalha suas sementes de alegria e amor. 
Gente como você e eu, gente que deseja abraçar o seu próximo e o faz com o melhor de si. 
Pensemos nisso: 
-O que nós podemos fazer para tornar melhor a vida de alguém? 
Redação do Momento Espírita. Disponível na Agenda Momento Espírita 2020, ed. FEP. 
Em 25.03.2019.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

A MÚSICA E O CORAÇÃO

Rossini(Espírito)
A música e o coração têm mistérios que entre si se relacionam. 
É por isso que a uns agrada mais esta ou aquela melodia. 
Tal sinfonia faz vibrar os sentimentos de determinada pessoa, enquanto que a outra pouco agrada, ou, mesmo, aborrece.
Cada indivíduo, segundo as condições especialíssimas do seu estado psíquico, fica mais ou menos em consonância com determinada harmonia de uma música. 
Há afinações, na harmonia dos sentimentos, que correspondem às afinações na harmonia dos sons. 
A música e o coração são confidentes que muito bem se entendem. 
Pela predileção das melodias pode-se descobrir perfeitamente, entre as pessoas, as que se acham irmanadas pelos sentimentos. 
As cordas da lira e do coração afinam-se num diapasão comum. 
Há mistérios entre a harmonia que regula o equilíbrio das notas e aquela que preside ao equilíbrio do nosso "Eu".
Considerando tudo isso, é preciso admitir que a música é um excelente recurso pedagógico. 
As canções de boa qualidade despertam na criança o gosto pela arte, pelo belo, pelo bem, porque desenvolve a sensibilidade. 
Além disso, a música auxilia no aprendizado porque favorece a fixação de conteúdos. 
Como podemos perceber, a influência da música é muito forte sobre a alma da criança. 
O coração da criança é como a harpa, que vibra ao mais sutil dos toques. 
Pode expressar-se doce e suave como o perfume da violeta, ou rugir como a tempestade... 
Explodir como o raio, ou lamentar-se como a brisa... 
Pode ser precipitada como as cascatas, ou calma como um lago... 
Murmurar como um regato ou roncar como uma torrente...
Pode ter a aridez do deserto, ou o aconchego de um oásis...
Ser triste e melancólica como o outono, ou jovem e alegre como a primavera... 
Desordenada como a paixão, ou límpida como o amor... 
E quando essa harpa é dedilhada com sabedoria e ternura produz a mais bela e vibrante canção de esperança... 
É por essa razão que a música é a arte que vai mais direta ao coração... 
Pense nisso! 
A harmonia, a ciência e a virtude são as três concepções do espírito; a primeira o extasia, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. 
Possuídas em suas plenitudes, elas se confundem e constituem a pureza. 
O compositor que concebe a harmonia e a traduz na grosseira linguagem chamada música, concretiza a idéia, escreve-a. 
Se o compositor é terra-a-terra, como representará a virtude que ele desdenha, o belo que ignora e o grande que não compreende? 
Suas composições serão o reflexo de seus gostos sensuais, de sua leviandade, de sua indiferença. 
Elas serão ora licenciosas e ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas; comunicarão aos ouvintes sentimentos que pervertem ao invés de engrandecer.
Já a alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu a harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais blindadas e comovê-las.
Pensemos nisso!
TC 19/10/2006 Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na mensagem intitulada A música e o coração, do livro Nas pegadas do Mestre, e em mensagens do Espírito Rossini, publicada na Revista Espírita de março1869 e de Lamennais, Revista Espírita de maio de 1861.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

TRÊS VEZES MÃE!

O esposo havia notado, há um bom tempo, uma característica curiosa nas expressões utilizadas por ela no trato diário com a filha. 
-Espere. Espere. Espere. – Dizia para a menina. 
Em outra situação, que exigia mais energia: 
-Vamos, vamos, vamos! 
Era assim que ela procedia, repetindo pelo menos três vezes cada comando, cada pedido, cada instrução. 
O esposo iniciou a conversa em tom leve, de brincadeira, perguntando: 
-Você percebeu que sempre repete pelo menos três vezes cada comando, cada instrução que dá para nossa filha? 
E simulou algumas delas mais recentes. 
Os dois riram, pois, segundo ele, algumas poderiam até virar música. 
Quando ela parou de rir, respirou fundo, lembrou das mil doses de paciência que precisava tomar diariamente, e respondeu: 
-Com ela, tem que ser assim. Não é da primeira vez que ela escuta. Então, eu emendo logo três vezes, para reforçar o que preciso dizer. É cansativo, mas é assim que funciona... E olha que às vezes são mais de três! Hoje, para acordar essa mocinha, foi assim. Três vezes indo lá, sendo recebida por grunhidos, por cotoveladas de mau humor. 
O esposo compreendeu.
A filha estava por perto. 
Olhava os dois com olhos de curiosidade e admiração. 
-É, filha, a gente continua aprendendo juntos. A mamãe e o papai estão se esforçando. Você também precisa entender que estamos aqui para ajudar. Por vezes, as coisas são difíceis para todos nós. Mas, se colaborarmos, se formos amorosos uns com os outros, resolvemos tudo. 
A garota sorriu. 
A limitação intelectual, de que é portadora, talvez não lhe permitisse captar toda a profundidade daquele momento, mas o sentimento foi tocado pelo perfume do amor que exalava daqueles corações. 
***
Uma mãe atípica, particularmente, precisa ser três vezes mãe.
Três vezes paciência. Três vezes determinação. Três vezes coragem. Três vezes resistência. 
Algumas fases da criança irão durar três vezes mais.
Alguns momentos de aflição serão três vezes mais difíceis...
Três vezes mãe.
Ela não pode descuidar de si mesma, pois ali está um valioso instrumento que Deus encontrou para cuidar de um Espírito que veio ao mundo em condições peculiares. 
Ela precisa olhar para si mesma três vezes mais. 
Não de forma egoísta, individualista, mas no sentido de nutrir-se, de manter-se forte. 
*** 
Mãe, lembre sempre de orar. 
Três vezes mais. 
Recorde que precisa de descanso, que nem sempre poderá dar conta de tudo e que precisa pedir ajuda. 
Dividir o fardo quando possível.
Não tenha vergonha de pedir auxílio. 
Espiritualize-se. 
Traga Jesus para o seu coração e para o seu lar. 
*** 
A Espiritualidade Superior acompanha esses lares com particular cuidado. 
São projetos especiais. 
São investimentos cuidadosos do amor divino, muito bem planejados. 
As mães e pais que aceitaram, antes da existência, o desafio de um ser especial nunca estão sós. 
Por isso, mãe dedicada, tenha certeza: 
Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo.
Redação do Momento Espírita 
Em 07.05.2026

quarta-feira, 6 de maio de 2026

MÚSICA EM NOSSAS VIDAS

LÉON DENIS
Conta-se que, um dia, ao ouvir o silvo do vento passar pelo tronco oco de uma árvore, o homem o desejou imitar. 
E inventou a flauta. 
Tudo na natureza tem musicalidade. 
O vento dedilha sons na vasta cabeleira das árvores e murmura melodias enquanto acarinha as pétalas das flores e os pequenos arbustos. 
Quando se prepara a tempestade, ribombam os trovões, como o som dos tambores marcando o passo dos soldados, em batidas ritmadas e fortes.
Quando cai a chuva sobre a terra seca pela estiagem, ouve-se o burburinho de quem bebe com pressa. 
Cantam os rios, as cachoeiras, ulula o mar bravio.
Tudo é som e harmonia na natureza. 
Mesmo quando os elementos parecem enlouquecidos, no prenúncio da tormenta. 
E lembramos das poderosas harmonias do Universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades. 
Em tudo há ritmo, harmonia, musicalidade. 
Em nosso corpo, bate ritmado o coração, trabalham os pulmões em ritmo próprio, escorre o sangue pelas veias e artérias. 
Tudo em tempo marcado. Harmonia. Nosso passo, nosso falar é marcado pelo ritmo. 
A música está na natureza e, por sermos parte integrante dela, temos música em nossa intimidade. 
Somos música. 
Por isso é que o homem, desde o princípio, compôs melodias para deliciar as suas noites, amenizar a saudade, cantar amores, lamentar os mortos.
Também aprendeu que, através das notas musicais, podia erguer hinos de louvor ao Criador de todas as coisas. 
E surgiu a música mística, a música sacra, o canto gregoriano.
Entre os celtas, era considerada bem inalienável a harpa, junto ao livro e à espada. 
Eles viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes. 
Os cristãos primitivos, ao marcharem para o martírio, faziam-no entre hinos ao Senhor. 
Verdadeiras preces que os conduziam ao êxtase e os fortaleciam para enfrentar o fogo, as feras, a morte, sem temor algum. 
O rei de Israel, Saul, em suas crises nervosas e obsessivas, chamava o pastor Davi que, através dos sons de sua harpa, o acalmava. 
A música é a mais sublime de todas as artes. 
Desperta na alma impressões de arte e de beleza. 
Melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida. 
Por isso ela é a própria voz do mundo superior. 
A voz humana possui entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos.
Ela pode expressar os estados de espírito, todas as sensações de alegria e da dor, desde a invocação de amor até às entonações mais trágicas do desespero. 
É por isso que a introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e de beleza. 
É por isso que a sabedoria popular adverte: 
-Quem canta, seus males espanta! 
Cantemos! 
Redação do Momento Espírita, com trechos do cap. VII do livro O espiritismo na arte, de Léon Denis, ed. Arte e cultura.
Em 19.07.2012.

terça-feira, 5 de maio de 2026

ALÉM DOS LIMITES

MAE BELLAMY
Existem histórias extraordinárias que nos chegam ao conhecimento. 
Verdadeiras umas, criadas outras para exaltar gestos de altruísmo e dedicação. 
O importante, no entanto, é destacar o grande papel do ser humano na face da Terra. 
Conta-se que, na primavera de 1926, uma jovem mãe foi cientificada de que seu filho Thomas, de cinco anos, tinha um crescimento perigoso na garganta. 
Cada respiração era um esforço. 
Cada noite parecia emprestada. 
Os médicos foram diretos: sem cirurgia, ele morreria em poucos meses. 
O único hospital capaz de realizar o procedimento ficava a seiscentos e quarenta quilômetros de distância.
Aquela mãe não tinha dinheiro. Não tinha carro. 
Não tinha ninguém para ajudá-la a levar o filho. 
Então, ela tomou uma decisão que desafiava a lógica.
Colocou Thomas nas costas, amarrou-o com panos firmes junto ao corpo e começou a caminhar. 
Durante trinta e um dias, ela caminhou do nascer ao pôr do sol. 
Enfrentou a chuva que encharcava suas roupas, a lama que engolia seus sapatos.
Dormia onde o cansaço a vencia: em celeiros, valas, debaixo de pontes. 
Quando a comida acabava, ela pedia e conseguia graças à bondade de alguns. 
Thomas não tinha forças para andar. 
Por isso, ela o carregava, sussurrando histórias, cantando baixinho, prometendo que estavam quase chegando, mesmo quando ainda faltava muito. 
Quando Thomas lutava para respirar, ela o apertava contra si e acelerava o passo, com medo de que parar significasse perdê-lo para sempre. 
Depois de trinta e um dias de caminhada, ela alcançou os degraus do hospital e desabou. 
Os médicos atenderam o menino às pressas. 
No dia seguinte, removeram a anomalia em sua garganta.
 Pela primeira vez, em meses, ele respirou sem dor. 
Thomas sobreviveu. Floresceu. Cresceu. Casou-se. Teve filhos. Tornou-se avô.
*** 
A jornada dessa mãe é um testemunho sagrado de que o amor não é apenas um sentimento, mas uma força física capaz de mover montanhas. 
Ou percorrer quilômetros infindáveis carregando seu bem mais precioso. 
É a prova definitiva de que a resistência materna não conhece limites geográficos ou biológicos. 
Onde se ausentam recursos de outros, o vigor de uma mulher transforma o próprio cansaço em solo firme para a sobrevivência do filho. 
Essa coragem, esse amor, que se faz ponte e escudo, é o que mantém a Humanidade acreditando em sua própria capacidade de superação. 
A cura de Thomas não começou no hospital, mas no primeiro passo dado por sua mãe, provando que o amor, quando absoluto, é a ferramenta mais poderosa contra a fatalidade.
Essa história transcende o mero relato biográfico para se tornar um manifesto sobre a resistência materna. 
Diante do abismo da escassez e da doença, o amor de mãe surge como uma força que desafia a lógica e a física.
Caminhar mais de seiscentos quilômetros com o filho às costas é a materialização de um afeto que supera qualquer óbice. 
A mulher-mãe converte o próprio corpo em transporte e escudo, demonstrando que a dedicação absoluta é capaz de reescrever a própria história. 
Redação do Momento Espírita, com relato de fato vivido por Mae Bellamy, nos Estados Unidos, no ano de 1926. 
Em 05.05.2026