sexta-feira, 24 de abril de 2026

O MUNDO TEM SEDE DE AMOR


Quando se despedem da Terra pessoas que simbolizam o amor ao próximo e o Mundo inteiro verte as lágrimas quentes dos adeuses é hora de nos determos um pouco para ouvir os apelos da Humanidade. 
Não importa a classe social, a condição financeira, a raça, a religião, a nacionalidade, todos, unidos pelo sofrimento, param para prestar uma última homenagem. 
Os olhares se encontram, rompem-se as barreiras do preconceito, e um grito surdo explode, em comovente apelo silencioso, clamando por paz, por justiça, fraternidade, solidariedade, amor! 
Diante do esquife frio, sente-se que as esperanças se apagarão, assim como as flores que o recobrem estarão murchas dentro de poucas horas. 
Parece que tudo não passou de ilusão, que todos os sorrisos, os abraços, a alegria de viver, encontraram o fim no túmulo sombrio. 
Todavia, quando a morte cobre com seu manto escuro os olhos físicos, a imortalidade se abre no mais além, gloriosa, descortinando outros panoramas para novas realizações. 
A vida segue estuante e bela.
A esperança não cessa com o fim de uma existência. 
O Espírito sai do corpo, sem sair da vida, e se é bom, vai se juntar aos demais lidadores da caridade no hemisfério espiritual, dando seguimento às suas atividades. 
Aqueles que na Terra sentiram os afagos desse amor, e que já se encontram no plano espiritual, os recebem jubilosos, felizes por tê-los junto outra vez. 
As almas caridosas não deixam de o ser porque se libertam do corpo físico, pois a caridade é atributo do Espírito imortal, e não do corpo. 
Eles deixam a existência terrena mas não abandonam a boa luta. 
E para que suas existências tenham valido a pena, é importante que saibamos entender as lições vivas exemplificadas em cada palavra, em cada sorriso, em cada gesto de ternura. 
É importante que saibamos ler, no livro da vida, cada página grafada com carinho, fé, disposição e coragem. 
Se a pessoa mostra ao Mundo, com humildade, o verdadeiro amor ao próximo, ninguém lhe pergunta qual é sua bandeira religiosa, sua nacionalidade, sua cor, sua raça. 
Tão somente é respeitada, porque o Mundo tem sede de amor. 
Tantos foram os homens e mulheres que marcaram as estradas terrestres com suas pegadas de luz e seguem no além a ajudar tantos quantos necessitem de seu amor.
Os verdadeiros sábios sempre se preocuparam em deixar uma equipe treinada para levar avante a bandeira da fraternidade que eles ostentavam enquanto encarnados sobre a Terra. 
Assim, ao contrário do que pensam alguns, a esperança não vai sepultada com os corpos, mas vive com os que sabem entender a mensagem e levá-la adiante. 
* * * 
Cada Espírito assumiu uma missão individual antes de renascer, visando a própria redenção e, por conseguinte a evolução da Humanidade. 
Uns nascem apenas para romper com os preconceitos raciais do seu povo. 
Outros, sem medo de curvar-se ante a miséria alheia, rompem os protocolos e as convenções sociais, mostrando ao Mundo que vale a pena lutar por dias melhores. 
Tantos nascem tão-somente para exemplificar o amor ao próximo. 
Alguns ficam famosos, mas grande é o número daqueles que vêm e vão no mais absoluto anonimato, deixando apenas o rastro de luz por onde passam. 
Nesse contexto, não podemos esquecer do exemplo máximo de abnegação que foi Jesus de Nazaré. 
Ele foi o primeiro mensageiro do amor encarnado sobre a Terra sofrida. 
Depois Dele, a Humanidade jamais foi a mesma. 
E Ele, que jamais nos abandona, constantemente envia Seus anjos para manter acesa a chama da esperança em nossos corações. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.02.2008.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

UM MUNDO SÓ

Léon Denis
Irmãos de jornada na Terra: Desde o início dos tempos estivemos ao seu lado. 
Somos a brisa discreta que se mostra presente, fazendo dançar as folhas verdes na árvore que lhes dá sombra. Somos a nuvem que se dissipa ou se aglomera no alto, prevendo tempo aberto ou momento de lutas. 
Somos a coincidência do encontro e do desencontro, quando desejamos, de alguma forma, que nos ouçam com clareza. 
Somos a lembrança fora de hora. Somos a intuição repentina. Somos a canção de conforto que ecoa na alma, sem aparente razão. 
Somos as ideias que se somam às suas. Somos as letras das suas músicas. 
Somos as músicas das suas letras. 
Enfim, somos um mundo só. 
Sim... 
Nossos mundos sempre foram apenas um. 
Foram vocês que aprenderam a se referir a nós como seres do outro mundo, seres de outra esfera. 
Foram vocês que aprenderam a chamar este lado da vida de lá, de além... 
Fronteiras são apenas desenhos acanhados de transições, de passagens. 
Desaparecerão, tão logo compreendam com mais profundidade as leis universais. 
Tudo é apenas uma questão de perspectiva. 
Escutem: a vida é uma só, a vida do Espírito, de todos nós, independente se estamos vestindo um corpo físico neste instante ou não. 
A vida é uma só e ela nos interconecta a todos, criaturas da criação: desde o átomo até o mais perfeito ser.
E as almas... as almas são todas irmãs. 
Vindas de Deus, todas as filhas da raça humana são unidas por laços estreitos de fraternidade e solidariedade. 
Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. 
O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. 
Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. 
Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do espaço. 
Esta mesma força, que é apenas uma das mil nuances do amor do Criador, sempre propiciou também que as almas, em todos os graus de sua ascensão, fossem atraídas e socorridas pelas entidades superiores. 
Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo. 
É maravilhosa essa fecundação constante dos corações mais áridos, necessitados, pelas almas mais esclarecidas e nobres. Daí vem todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. 
Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. 
Deus, na Sua equidade, nunca recusou seu socorro nem Sua luz para raça alguma, para povo algum. 
A todos tem enviado guias, missionários, profetas. 
A verdade é uma e eterna, ela penetra na Humanidade através de irradiações sucessivas, à medida que seu entendimento se torna mais apto para assimilá-la. 
Um mundo só. 
Sempre fomos um mundo só, interligados pelas sutilezas da vida exultante, entrelaçados em Deus, Espírito e matéria. 
O Espírito sopra onde quer, e eis que aqui estamos, onde desejamos estar, ao seu lado, num mundo só. 
Redação do Momento Espírita, com citação do cap. III, do livro O Grande Enigma, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 27.04.2021.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

UM MUNDO SEM FURTOS

O dicionário nos ensina que ladrão é aquele que se apossa de coisas alheias, aquele que toma do que a outrem pertence e nunca mais devolve. 
Tais objetos serão para seu usufruto ou para comércio a terceiros, transformando o furto em moeda viva para si mesmo. 
Com esses conceitos, denominamos ladrão a quem adentra nosso lar, ou nos aborda na rua e leva nossos bens. 
Também o que se serve da máquina pública, dos bens comuns, para seu único e exclusivo benefício. 
Aquele que desvia para si verbas direcionadas para a escola, o hospital, o posto de saúde. 
Esse, além de ser o usurpador do que tem destino e objetivo certos, se transforma, ainda, em criador de muitos problemas.
Isso porque a verba que não chegará a esses locais, impedirá que a escola seja reformada, ampliada, melhorada para que cumpra melhor seu papel na comunidade. 
O hospital deixará de ter a sua Unidade de Terapia Intensiva, ou mais leitos, a sala de cirurgia adequada, e vidas poderão perecer. 
O posto de saúde não disporá das condições mínimas para que os que o busquem sejam dignamente atendidos. 
Isso significa dizer que além do furto, se acrescentam delitos de maior gravidade. 
No entanto, existem outros tantos tipos de furtos. 
Talvez, habitualmente, pensemos que não. 
Mas, toda vez que nos apropriamos de algo que não nos pertence, o processo não é moral. 
Hoje em dia, quando alguém encontra dinheiro, sobretudo se somas significativas e busca o dono para a devolução, se torna manchete. 
O normal, o ético, o moral se tornou raro e, por isso, quando realizado, ganha destaque. Isso é bom. 
Mas melhor seria se fosse o normal, o comum porque isso diria que nos importamos uns com os outros. 
Afinal, vivendo neste imenso lar chamado Terra, pertencemos todos a uma única e imensa família: a Humanidade. 
Somos irmãos porque criados pelo mesmo Pai. 
Não importa nos diferenciemos pela cor da pele, a cultura, o idioma, as crenças religiosas. 
Somos todos irmãos.
Por isso, natural seria que cuidássemos muito bem uns dos outros.
E nada do que fosse encontrado, ficasse conosco senão o tempo necessário para identificarmos o legítimo dono. 
Como tudo seria mais fácil. 
Não precisaríamos ficar tão preocupados com a casa, o carro, a bolsa, o dinheiro, em momento algum. 
Se déssemos um valor maior ao comerciante teríamos a certeza de que nos seria devolvido. 
Em qualquer aquisição, teríamos também a certeza de que o preço justo estaria sendo exigido. 
Nada exorbitante. 
Não nos estaria sendo oferecido algo como valioso quando não o fosse.
Isso seria mais do que honestidade. 
Seria fraternidade, solidariedade. 
Fazer ao outro, conforme o ensino evangélico, aquilo que a nós mesmos desejamos. 
Como seríamos felizes. 
Andaríamos pelas ruas mais tranquilos. 
Sairíamos em férias descontraídos, sem o temor de sermos assaltados no caminho ou no local visitado. 
Nem mesmo com a possibilidade de retornarmos ao lar e o encontrarmos sem os pertences, que adquirimos com trabalho e esforço. 
Finalmente, investiríamos em nossos políticos, conduzindo-os ou reconduzindo-os a seus cargos, com a certeza de que verdadeiramente seus objetivos seriam servir ao povo. 
Um mundo melhor.
Um mundo sem apropriações indevidas. 
Uma Terra de paz. 
Um lar. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.11.2014.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O ESPORTE E A GUERRA

Marleth Silva
Cerca de cinquenta homens de cada lado. 
Homens preparados para lutar, para matar. 
Vindos de lugares diferentes. 
O que eles têm em comum é que são loucos por futebol. 
O clima deveria ser natalino, mas as circunstâncias os colocaram em campos opostos. 
O lugar onde se encontram é terra de ninguém. 
O apito soa em algum lugar. 
O que eles fazem? 
Eles se divertem com a bola improvisada. 
Chutam e brincam de marcar gols, de dar passes e de driblar.
Eles são soldados alemães, de um lado, e soldados ingleses, do outro. 
Ninguém perde, todos ganham. 
Depois de meia hora de brincadeira são convocados a voltar para as trincheiras. 
Era 25 de dezembro de 1915 e a Primeira Guerra Mundial mataria a maioria deles. 
Mas, naquela improvável confraternização de Natal, eles foram felizes. 
Quem deu a ordem para a brincadeira acabar foi o major britânico, que ordenou o retorno da tropa para a trincheira lembrando, aos gritos, que estavam lá para matar os alemães, não para fazer amizade com eles. 
Não há registros oficiais dessa partida, mas houve alguns relatos dos participantes. 
A “Trégua de 1915” está nos livros de História, não é um conto de Natal. 
Um dos soldados acabou conhecido por ter vivido muito.
Viveu para contar e fez um relato singelo daquele Natal.
Afirmou que, na noite de 24 de dezembro, ele e seus colegas ouviram canções de Natal, vindas do lado alemão e responderam cantando. 
Naquele Natal de 1915, houve diversas tréguas improvisadas e informais, ao longo das frentes de batalha. 
Porém, aquela breve partida de futebol, um futebol alegre, sem resquícios de batalha, foi inesquecível. 
* * * 
Nestes tempos em que as arenas de futebol parecem verdadeiros campos de batalha, campos de ódio e violência, vale a pena refletir sobre algumas questões: 
Será que estamos entendendo a verdadeira função dos esportes em nossa sociedade? 
Será que perdemos o espírito esportivo, quando transformamos essas atividades em simples negócios, onde não há mais espaço para diversão e confraternização? 
Será que estamos voltando às arenas para assistir massacres? 
Depois de tanto tempo? 
Será que ainda temos na alma esse prazer doentio? 
No que nos tornamos quando vestimos a camisa desse ou daquele time? 
Será que uniformes têm poder de nos transformar em primitivos novamente? 
Não podemos permitir isso. 
Não mais. 
Fomos tão cruéis durante tanto tempo e agora, que temos a chance de viver a Nova Era, a era de amor, de amizade, insistimos nesses vícios destruidores? 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde do corpo e da alma. 
Esporte é superação íntima. 
Esporte não é destruição ou um simples instrumento para colocarmos para fora nossos animais internos. 
O prazer de reunir um grande grupo para torcer por essa ou aquela equipe, nessa ou naquela modalidade, deve estar na confraternização. 
O esporte perde seu sentido quando abandona a diversão, o lúdico. 
E mais, quando abandona a paz. 
Ele deve ser instrumento da paz, e não da guerra. 
Reflitamos sobre isso tudo. 
Eduquemos nossas crianças. 
Alteremos os costumes bárbaros ainda tão presentes nos esportes da Terra. 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde, confraternização e veículo da paz. 
Redação do Momento Espírita com base em reportagem de Marleth Silva, do jornal Gazeta do Povo, de 15.12.2013. 
Em 21.04.2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

ENVELHECER É PERDER OU GANHAR?

Chega um dia em que nos olhamos no espelho e percebemos que o tempo deixou suas marcas. 
Os cabelos mudaram de cor. 
A pele não mais reflete o frescor da aurora. 
O corpo pede mais pausas. 
O simples ato de se levantar da cama ou do sofá exige mais esforço. 
O processo do envelhecimento envolve perdas concretas, como a agilidade que nos permitia correr sem cansaço.
Quase sempre, esse momento vem acompanhado de tristeza, como se fosse um lento processo de perdas. 
Enfrentamos a despedida de entes queridos, o que nos obriga a encarar a finitude de forma inevitável. 
No entanto, a vida, sábia professora, nunca retira sem oferecer algo em troca. 
Envelhecer é o equilíbrio delicado entre o desbotar do corpo e o florescer da consciência. 
Com o passar dos anos, aprendemos a ouvir mais e a falar menos. 
Descobrimos que nem toda batalha precisa ser travada e que muitas discussões podem ser evitadas com um simples silêncio. 
Conta-se que um senhor, sentado em um banco de praça observava crianças correndo e rindo, cheias de energia.
Alguém comentou, com certo tom de pesar, que ele já não podia fazer o mesmo. 
Ele sorriu serenamente e respondeu: 
-É verdade, mas hoje eu consigo amar sem pressa, perdoar sem esforço e compreender sem julgar. 
O corpo pode cansar, mas a alma amadurece. 
Aquilo que antes parecia urgente perde a importância. 
Os afetos sinceros, a consciência tranquila, o bem realizado ganham novo significado. 
Jesus nos alertou sobre isso quando disse: 
-Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
Durante muito tempo, colocamos nosso tesouro na aparência, na beleza, na força física, nas conquistas externas. 
Com o passar dos anos, aprendemos a guardá-lo em outro lugar: no amor que oferecemos, na paz que conquistamos, na bondade que espalhamos. 
Envelhecer, portanto, não é decadência. 
É o momento em que a alma começa a se revelar com mais clareza, desprendendo-se, pouco a pouco, das ilusões do mundo material. 
Ganhamos a paciência de quem já viu o sol nascer e se pôr, inúmeras vezes, compreendendo que a maioria das tempestades é passageira. 
Ganhamos a liberdade de não precisar da aprovação externa, trocando a máscara social pela autenticidade do ser.
Ganhamos olhares mais brandos, a calma que antes nos faltava. 
Ganhamos amigos verdadeiros, aqueles que ficam. Ganhamos histórias para contar, memórias que aquecem o coração nos dias silenciosos. 
Ganhamos sabedoria para escolher o que realmente importa.
Ganhamos filhos, netos e, às vezes, até bisnetos. 
Ganhamos abraços mais apertados, sorrisos que nos renovam as forças.
Ganhamos ajuda e, com ela, a humildade de aceitá-la. Ganhamos a oportunidade de ensinar pelo exemplo. Ganhamos um novo jeito de amar: mais sereno, mais maduro, mais verdadeiro. 
Ganhamos a paz da consciência que aprendeu com a vida.
Deixamos de ser colecionadores de momentos para nos tornarmos síntese de experiências. 
Perdemos o que temos para possuirmos quem somos. 
Então, envelhecer será perder ou ganhar? 
Redação do Momento Espírita 
Em 20.04.2026

domingo, 19 de abril de 2026

O MUNDO QUE EU DESEJO!

É frequente, não raro mesmo, ouvirmos das pessoas reclamações a respeito do mundo em que vivemos, lamúrias e queixas a respeito da sociedade contemporânea. 
Várias são as vezes em que as pessoas se reúnem para se queixar dos dias cada vez piores, segundo elas. 
E às vezes somos nós mesmos a iniciar a lista de reclamações e queixas.
Gostaríamos de dias com mais honestidade, reclamam uns. 
Outros desejariam uma sociedade mais pacificada, menos violenta, menos agressiva. 
Tantos outros gostariam de ter relações sociais permeadas com mais paciência, solidariedade, compreensão. 
Nada mais compreensivo para esses dias que se mostram tão desafiadores e tão contrastantes. 
Porém, antes de iniciarmos a elencar tudo o que desejaríamos para nossa sociedade, há que se perguntar: 
-O que vimos oferecendo para o mundo em que vivemos? 
Se desejamos um mundo honesto, a honestidade deve iniciar-se em nós.
Se nos choca ver políticos a desviarem verbas e valores que não são seus, o que falar quando nos evadimos da padaria ou do supermercado com troco a mais, levando um dinheiro que não nos pertence? 
Se reclamamos da falta de honestidade dessa ou daquela pessoa, precisamos pensar quantas vezes não somos os primeiros a ensinar ao filho os caminhos da mentira, pedindo-lhe para afirmar ao telefone ou à porta da residência que não nos encontramos. 
Não nos causam mais forte comoção a violência do mundo, as guerras, lutas de gangues, o barateamento da vida que tomba pelas armas de fogo, pelos motivos mais banais. 
Só não podemos esquecer que, muitas vezes, somos nós a semear a discórdia, a guerra e a malquerença no ambiente de trabalho ou na própria família.
A sociedade é o retrato dos seus habitantes. 
São os Espíritos reencarnados, com seus valores e vivências, que fazem os dias que ora vivemos.
E se fomos convidados pela Providência Divina a reencarnar em dias tão desafiadores é porque eles nos oferecem lições valiosas.
Talvez se faça necessário vivenciar os extremos da violência para nos decidirmos a implantar a paz em nosso agir. 
Ou talvez seja necessário o cansar da desonestidade que permeia a tudo, para revermos os valores pelos quais nos conduzimos, e decidirmos resolutamente pelo bem. 
Não vivemos nesses dias que se passam por mero acaso Divino. 
Essa sociedade que se nos oferece é a oportunidade que a vida nos dá para os melhores aprendizados para a alma. 
E se hoje percebemos que não nos servem mais os valores e conceitos que o mundo ainda elege por padrão, que se inicie em nós a mudança para uma sociedade melhor. 
Ninguém pode exigir da vida aquilo que ainda não lhe oferece. 
Logo, elejamos os valores pelos quais queremos que o mundo caminhe, e iniciemos os primeiros movimentos para tal. 
Tomemos os valores que desejamos para o mundo e comecemos a sua vivência. 
Não tardará que outros, admirados pela nossa coragem e disposição, principiem a sua trajetória. 
De início, tímida e silenciosa. 
Mas será através da mudança da intimidade de cada um de nós que o mundo, definitivamente, irá mudar. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 15.10.2010.

sábado, 18 de abril de 2026

FOTOGRAFIAS SEM SORRISOS

Olhamos com certa estranheza os velhos álbuns de fotografia.
Nos retratos, nas poses em grupo, raramente se identifica um sorriso. 
Os que julgamos precipitadamente podemos conjeturar: 
As pessoas eram menos felizes naquela época! 
Ou ainda: 
Como eram contidos, sisudos, nossos antepassados!
Analisemos com vagar e talvez descubramos que não se trata de uma nem de outra situação. 
Quem sabe fazendo o exercício inverso, a título de uma breve brincadeira, possamos compreender melhor. 
Imaginemos que essas pessoas do passado tivessem a chance de ter em mãos coleções de fotos de habitantes do futuro, ou seja, da nossa atualidade. 
Não apenas isso, mas também ter acesso às memórias por trás de cada fotografia. 
Eis um primeiro comentário que poderia surgir: 
Por que eles acham que precisam sorrir em todas as fotografias? 
Por que, mesmo não querendo, eles forçam sorrisos? 
Vejam! 
Aprenderam a ser atores em alguns momentos, pois conseguem trocar os rostos amarrados, por vezes espumando de ódio, por lindas expressões de alegria! 
Que tipo de fenômeno foi esse que aconteceu com a Humanidade? 
Eles conseguem armar e desarmar um sorriso como quem arma e desarma um guarda-chuva! 
E que tal este outro fenômeno curioso: tantas fotografias de si mesmos, em várias posições, como se estivessem buscando alguma coisa, como se estivessem em frente a um espelho que não os satisfaz. 
Os comentários poderiam seguir e teríamos ainda boas reflexões. 
E os habitantes do passado poderiam justificar sua aparente seriedade dizendo: 
-Fotos eram registros, documentos, momentos estranhos, normalmente em frente a um profissional que mal conhecíamos. 
Não havia por que sorrir. 
Guardávamos os sorrisos para os momentos importantes da vida, quando tínhamos realmente vontade de sorrir. 
Muitas vezes, sorríamos logo depois que aquelas sessões cansativas terminavam! 
Sorríamos de alívio, pois não estávamos acostumados com aquelas coisas. 
Sorríamos em casa, quando acordávamos e olhávamos pela janela ou quando abraçávamos nossos filhos e netos.
Sorríamos quando recebíamos visitas ou quando visitávamos alguém que estimávamos muito. 
* * * 
Os tempos são outros. 
Reflitamos como banalizamos o sorrir a ponto de não sabermos mais quando ele é genuíno ou montado.
Nem dos outros e o mais grave: nem o nosso! 
As redes sociais estão repletas de sorrisos de mentira, de expressões armadas para parecer algo que não está lá ou que não existe de fato. 
Queremos parecer, mostrar, estar bem na foto, para pertencer, para sermos aceitos e amados. 
Tudo isso antes do mais importante: arrumar a casa interna.
Estar bem conosco mesmo. 
O verdadeiro sorriso precisa vir de dentro, do coração em paz, do coração grato, da alma em equilíbrio. 
Sorrir porque está todo mundo sorrindo? 
Sorrir porque senão vão achar ou pensar isso ou aquilo de nós? 
Não. 
Vamos sorrir quando estivermos preparados para sorrir. 
Se procurarmos bem, perceberemos que temos muitos motivos. 
Podemos ainda não ter encontrado devido a uma fase difícil, mas ele está esperando com paciência por nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.04.2026