sábado, 14 de fevereiro de 2026

DEUS EM MEU QUINTAL!

Emily Dickinson
Alguns guardam o domingo indo à igreja.
Eu o guardo ficando em casa 
Tendo um sabiá como cantor 
E um pomar por santuário. 

Alguns guardam o domingo em vestes brancas. 
Mas eu só uso minhas asas 
E ao invés de repicar dos sinos da igreja
Nosso pássaro canta na palmeira. 

É Deus que está pregando, pregador admirável. 
E o Seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final 
Eu O encontro o tempo todo no quintal. 

Emily Dickinson, autora deste poema, reveste de beleza singela uma ideia muito profunda e importante, a respeito de nossa adoração a Deus.
Haverá lugar específico para adorar a Deus? 
Haverá tempo certo, posição mais adequada, formas, vestimentas? 
Estudemos a orientação primordial de Jesus, que foi bastante claro em dizer que Deus é Espírito, e deve ser adorado em Espírito e verdade. 
O Espírito não tem forma, não é corpo, não é matéria. 
 Assim, o que o Mestre deseja dizer com adorá-lO em Espírito, é que tal adoração deve ser interior, e que não precisa das formas exteriores. 
A adoração deverá ser sempre de Espírito para Espírito, de nossa alma para o Criador, independente de onde estivermos, independente das formas exteriores utilizadas. 
Há de se considerar as crenças humanas arraigadas, que trouxeram para as formas externas muitos hábitos, muitos rituais envolvendo o contato com Deus. 
Porém, a alma madura, esclarecida, conhecedora da verdade, da mesma verdade da qual Cristo fala nesta passagem, precisa ir mudando seus costumes gradativamente. 
A adoração a Deus em Espírito abre-nos mil possibilidades inigualáveis. Independente se estamos nesta ou naquela crença religiosa, se neste ou naquele local, se usando destas ou daquelas palavras, podemos nos comunicar com Ele.
Quando o pensamento está elevado, quando se reveste do bem, da caridade, da poesia, ele está em contato com o Criador. 
Quando admiramos a natureza num fundo de quintal, e percebemos a grandeza da Criação, nos sentindo parte de algo grandioso e maravilhoso, estamos adorando o Criador.
Quando praticamos as leis de Deus, inscritas em nossa consciência, colocamo-nos em comunhão com Ele. 
Basta a sintonia mental positiva. 
Basta a alegria de viver. 
Basta a gratidão pela existência, pelos seres amados, e lá estamos nós sintonizados com o Pai. 
Adorar a Deus em Espírito e verdade, é conhecer a felicidade no caminhar, é despertar para a verdadeira vida todos os dias. Pense nisso. 
* * * 
Você sabia que Allan Kardec, na terceira parte de O livro dos Espíritos, trata sobre a lei de adoração? Na questão 654 ele pergunta: Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo? Ao que os Espíritos lhe respondem: Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. II, q. 654, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB, e versos da poetisa americana Emily Dickinson, do livro Complete Poems, ed. Backbay books. 
Em 14.2.2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

OCEANO DE SABEDORIA

DALAI LAMA
Dalai Lama é o título dado a uma linhagem de líderes religiosos do budismo tibetano. 
Dalai significa oceano, na língua mongol e lama é a palavra tibetana para mestre, podendo se referir à pessoa que recebe esse título, como sendo um oceano de sabedoria. 
Certa vez, perguntaram ao monge budista tibetano, o Dalai Lama, o que mais o surpreendia na Humanidade e ele respondeu: 
-“Os homens. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido.” 
* * * 
Estas poucas palavras são realmente de grande sabedoria.
Muitos adultos da atualidade vivem o presente com o pensamento voltado somente para o futuro. 
Buscam construir uma carreira profissional sólida e certa estabilidade financeira que lhes ofereçam segurança, porém, fazem tudo isso em detrimento das pessoas que têm grande valor em suas vidas. 
Quando se dão conta, os filhos estão crescidos e eles constatam que perderam preciosas oportunidades de desfrutar momentos únicos da infância deles. 
Por terem se dedicado a horas intermináveis de trabalho, a reuniões e a viagens de negócios, se ausentaram em importantes momentos de convívio familiar. 
Sem perceber, se afastaram gradativamente. 
Entre as pessoas com as quais escolheram partilhar a vida, formou-se uma grande distância provocada por todos os momentos em que não se permitiram parar e desfrutar intensamente da companhia do outro. 
Veem seus próprios pais já idosos e sentem que o tempo ao lado deles já não será mais tão longo. 
E por todas as preocupações excessivas, pelas horas de sono perdidas, pela falta do tempo dedicado ao lazer e ao descanso merecido, constatam que comprometeram a saúde. 
O corpo físico dá o sinal. 
Começam a aparecer alterações orgânicas ou doenças relacionadas com a maneira como conduziram sua vida.
Chega a hora de consultar médicos, procurar tratamentos, refletir e buscar possíveis mudanças de hábitos e atitudes na tentativa de reconquistar e preservar a saúde. 
* * * 
Não nos deixemos ser levados pelo turbilhão de preocupações da vida moderna. 
É possível dedicarmo-nos com qualidade à atividade profissional sem deixarmos de cuidar da saúde. 
O tempo do descanso, desde que seja sem excessos e com qualidade, é muito benéfico. 
Trabalhemos com responsabilidade, mas não nos esqueçamos jamais que as almas queridas que dividem conosco a caminhada terrena - filhos, pais, cônjuges e amigos - não estarão eternamente ao nosso lado. 
Saibamos valorizar o tempo presente e equilibrar as horas gastas entre o trabalho, o lazer, os cuidados com a saúde e a dedicação aos nossos amores. 
Não nos permitamos levar a vida como se nunca fôssemos deixá-la. 
Preparemo-nos para que, quando essa hora chegar, tenhamos a sensação de termos vivido em plenitude.
Redação do Momento Espírita.
Em 13.02.2026

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava mulheres em todo o Mundo. 
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos. 
No Brasil, na Arábia ou na Índia. 
Na Antiguidade ou nas metrópoles de hoje. 
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento do seu valor e do seu papel. 
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha. 
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha. 
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres. 
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem. 
Carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos. 
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência. 
Ou você nunca notou? 
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade. 
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites. 
Quer prova disso? 
Observe as mães e esposas de atletas e artistas. 
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas? 
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto? 
Quem sempre acredita? 
E os filhos deficientes? 
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora. 
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos, é quem apoia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos. 
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante. 
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas. 
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços. 
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais. 
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro. 
E fica invisível. 
Passa a fazer parte da paisagem. 
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta. 
Mas quem disse que ela se abate? 
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder, capaz de fazer nascer borboletas. 
Capaz de fazer brilhar o sol. 
* * * 
CHICO XAVIER
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais, na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher o anjo da esperança, ternura e amor. 
A missão feminina é espinhosa. 
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP.
Em 07.07.2025.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A MULHER E A IGUALDADE

CHICO XAVIER E EMMANUEL
No período em que Jesus viveu, neste planeta, havia muitas restrições estabelecidas para as mulheres, entre Seu povo.
Elas deviam fidelidade absoluta ao marido, embora não pudessem exigir a reciprocidade. 
E lhe deviam ser totalmente submissas. 
No aspecto legal, a mulher, na Palestina do primeiro século, era considerada incapaz e lhe era vetado realizar negócios.
Na eventualidade de realizar algum, poderia ser desfeito pelo seu marido, se assim não concordasse. 
Contudo, elas tinham um papel fundamental na manutenção do lar. 
Eram responsáveis por fiar os tecidos, produzir o pão, que era a base da alimentação da família.
Tinham o dever de providenciar o azeite, essencial na alimentação e, também, para manter acesas as lâmpadas, em especial no dia do Sabbat. 
* * * 
Foi nesse ambiente, que Jesus se evidenciou como exemplo de respeito e dignidade para com as mulheres.
Com Jesus começou o legítimo feminismo. 
Esse que traça nos corações diretrizes superiores e santificantes. 
Em variadas passagens dos Evangelhos, recolhemos o Seu tratamento especial para com as mulheres. 
No poço de Jacó, quando se dirige à mulher samaritana, Ele derruba preconceitos. 
Um homem não se dirigia a uma mulher, em público, mesmo que fosse a sua esposa. 
Entretanto, Jesus estabelece um diálogo com ela. 
Ademais, os samaritanos eram um povo de rivalidades históricas com os judeus. 
Mas, será para essa mulher que Jesus se revelará como a fonte de água viva, aquela que sacia para sempre. 
Ele era o Messias. 
Será para uma mulher que Ele se apresentará, em primeiro lugar, anunciando a Sua Imortalidade, após a morte na cruz:
Madalena. 
Será para as irmãs de Lázaro, Marta e Maria, que concederá excepcionais lições. 
Enaltece a escolha de Maria, quando ela se dispõe a ouvi-lO.
Consola o coração de Marta, após a aparente morte do irmão, dizendo que ele tornará a viver.
E cumpre o prometido, devolvendo-o aos braços de ambas as irmãs. 
No episódio do iminente apedrejamento da mulher adúltera, Jesus advoga a causa do julgamento justo, estabelecendo que atirasse a primeira pedra aquele que não tivesse equívoco algum em sua consciência. 
Concede honra à acusada, dizendo-lhe que se erga, refaça sua vida e não torne a cometer o mesmo desatino. 
O Evangelho inaugura Nova Era para as esperanças femininas.
Figuras extraordinárias se evidenciam nas páginas da Boa Nova. 
Registramos a lucidez de Isabel, a mãe do precursor, sabendo exatamente quem era o Espírito missionário do filho que estava gerando. 
Tanto quanto descobre em sua prima, Maria, a excelsa mãe do Seu Senhor. 
* * *
Desde esses dias, a Humanidade vem avançando no tratamento igualitário entre homens e mulheres. 
Cabe nos indagarmos como tem sido o nosso próprio proceder. 
Como temos nos comportado para com nossas mães, nossas irmãs, esposas, amigas, colegas de trabalho. 
Estamos colaborando nesse processo de sedimentação de uma sociedade mais igualitária? 
Homens ou mulheres, somos credores de respeito, justiça e igualdade. 
Trabalhemos nesse sentido. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 93, do livro Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no item VI, pt. 2, do cap. 2, do livro A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus, de Daniel Rops, ed. Livros do Brasil Lisboa. 
Em 03.02.2022.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

TRATAR COMO IRMÃO

Ela sempre estacionava o carro na mesma vaga. 
O guardador, sorridente, educado, sempre a cumprimentava.
Por vezes, falavam rapidamente, ela perguntava como estava a família, ele respondia. 
Contava um ou outro problema de saúde que enfrentava. 
De outras vezes, comentavam sobre amenidades, sobre o frio, o calor, sobre o perigo da cidade grande. 
Ele morava num bairro distante da região metropolitana. Certamente numa casa muito simples. 
Naquele dia, ela estava preocupada com ele.
Uma garoa fina e gelada caía, insistente. 
Fazia muito frio. 
Ela lembrou que a sua vida não era fácil, que vinha de muitas dificuldades recentes. 
Mas pensou na vida dele, que, com certeza, deveria ser bem mais complicada. 
Nem sempre ela podia lhe dar algum dinheiro. 
Dos cinco dias da semana, em média, uma ou duas vezes ela conseguia depositar-lhe nas mãos algumas moedas. 
Sabia que ele precisava. 
Que aquele era seu trabalho. 
Que dali vinha o alimento de seus filhos. 
Ela queria poder dar mais. 
Ele merecia, pois sempre guardava uma vaga especial para ela, sem ela pedir, sem ela merecer - pensava. 
Com o coração um pouco apertado, naquele dia, resolveu falar: 
-Olha... Sei que nem sempre lhe dou alguma coisa. Queria poder dar mais, dar sempre, mas, sabe... Não consigo mesmo. Sei que você é um trabalhador, uma pessoa gentil e educada, e que mesmo eu dando tão pouco, sempre guarda a vaga para mim. Já vi que existem pessoas que estacionam aqui, que lhe dão alguns reais por vez. Infelizmente, eu realmente não posso fazer o mesmo. 
Ele respondeu, com franqueza e simplicidade: 
-Dona, olha, eu não guardo sua vaga porque a senhora me dá algum dinheiro. Eu preciso de dinheiro, mas não é por isso. É que a senhora é a única pessoa que fala comigo, que me dá atenção, que me trata como irmão. 
Ela calou ao ouvir essas palavras. 
Sorriu para ele, timidamente, e disse, se despedindo: 
-Então, até logo mais. 
Foi para o trabalho pensando no que ouvira. 
Nunca havia pensado nisso. 
-Será que ninguém mais fala com ele? Falo tão rapidamente, sobre coisas corriqueiras, nada de mais importante... Será que as pessoas o ignoram? Mesmo o encontrando todos os dias como eu? 
Aqueles pensamentos ficaram em sua mente, flutuando o dia todo. 
Percebeu que poderia dar algo muito mais importante que as moedas, que o trocado de sempre. 
* * * 
Caridade não significa apenas doação material. 
Em verdade, a filantropia é apenas uma pequena porção do mundo da caridade verdadeira. 
Vivemos num mundo, num país, onde ainda há necessidade da ajuda material urgente. 
Mas precisamos entender que não é apenas isso. 
As pessoas precisam de auxílio em outras áreas. 
As pessoas precisam de atenção, de amizade, de alguém que lhes dê carinho, que demonstre que elas não são invisíveis. 
O alimento da alma fortalece o ser e, assim, ele se torna mais apto e preparado para buscar a subsistência material.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 10.2.2026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A MULHER DE DEUS

Num frio de dezembro, no hemisfério norte, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de dez anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos. 
Ele olhava a vitrina atentamente e tremia de frio. 
Uma senhora se aproximou do rapaz e disse: 
-Você está com pensamento tão profundo, olhando esta vitrina! 
-Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos. - Respondeu o garoto. 
A senhora tomou-o pela mão imediatamente, entrou à loja e pediu ao atendente para dar meia dúzia de pares de meias para o menino. 
Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. 
O balconista rapidamente a atendeu, enquanto ela levou o garoto para a parte de trás da loja. 
Lá, ela tirou suas luvas, ajoelhou-se diante do menino e lavou seus pés pequenos. 
Após isso, secou-os cuidadosamente com uma toalha. 
Nesse meio tempo, o empregado da loja havia trazido as meias e, claro, um belo e novo par de sapatos. 
Ela amarrou os outros pares de meias e também lhe entregou.
Deu um tapinha em sua cabeça e disse: 
-Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.
Ela se virou para partir e sentiu uma mão pequenina segurando a sua. 
O garoto estava com lágrimas nos olhos e, emocionado, perguntou: 
-Você é a mulher de Deus? 
* * * 
Há tantas formas de Deus se manifestar em nossa vida cotidiana... 
Alguns ainda veem Deus nas forças da natureza apenas, ou nos grandes acontecimentos da vida. 
Deus, porém, está em tudo e em todos. 
Ele age incessantemente através de nós e, muitas vezes, também, apesar de nós. 
Deus conta com nosso coração enternecido para estender a mão aos Seus filhos desamparados. 
É como o pai que conta com os filhos maiores para cuidar dos menores. 
O Criador, em Sua bondade infinita, conta com as mãos generosas de todos aqueles que praticam o bem, para instaurar na Terra, pouco a pouco, a paz permanente. 
Ele conta com a sensibilidade e compaixão daqueles que não suportam ver o sofrimento alheio, e tomam atitudes imediatas para amenizá-lo de alguma forma. 
Ele conta com a coragem dos filhos esclarecidos, que já podem defender os fracos, ainda tão maltratados pelos interesses mundanos reinantes. 
Deus conta conosco. 
Conta comigo e com você que se depara admirado por encontrar esta verdade tão valiosa em seu caminho. 
Não perca a oportunidade de trabalhar com Ele, de ser Seu veículo, Seu agente direto.
Iluminamos o próximo, sim, mas nos autoiluminamos ao mesmo tempo, e com isso, o bem e o amor sempre saem vitoriosos. 
Sejamos instrumentos do bem na Terra, onde quer que estejamos, através das tantas maneiras possíveis. Deus conta conosco. 
Redação do Momento Espírita, com historieta que circula pela Internet, sem menção a autor. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 03.01.2025.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

MUITOS LARES

-Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Credes em Deus. Crede também em mim. Vou à frente, preparar-vos o lugar.
 As palavras de Jesus foram colhidas e registradas pelo Evangelista João. 
Trata-se de um discurso de esperança. 
O Senhor Jesus nos diz que a casa do Pai, o Universo, é um local de muitos lares, de muitas humanidades. 
Não estamos sós neste imenso Universo.
Nossa Terra não é o único planeta habitado. 
Em verdade, desde tempos recuados, imaginou o homem que outras civilizações existiam para além das nossas fronteiras terrestres. 
Os chineses da antiguidade lançavam aos céus suas flechas incendiárias, no intuito de alcançar os mundos que povoavam de luz as noites estreladas. 
O homem se acostumou a olhar para o infinito, sonhando tocar as luzes que sua ignorância, de início, imaginou estivessem fixas na abóbada. 
Basta que recordemos a lenda de Ícaro, provendo-se de asas e voando em direção ao sol, num anseio de projetar-se para além da própria Terra. 
Tão logo a tecnologia permitiu ao homem ir mais além, enviou satélites ao espaço, na busca do conhecimento de outras paisagens estelares. 
Desde sempre, no entanto, deu asas à imaginação, concebendo viagens interplanetárias, encontrando outras humanidades e com elas estabelecendo diálogos.
Naturalmente, por ser ainda um ser muito belicoso, quase sempre idealizou o encontro com criaturas dominadoras, cruéis, que desejavam somente a conquista de novas terras, ampliando seus domínios. 
 Mas, a verdade aí está. 
A cada dia, a ciência nos apresenta a descoberta de novos astros, planetas, sóis. 
Recentemente, uma equipe de astrônomos descobriu terras habitáveis, em torno de uma estrela do sistema estelar denominado Gliese 667C. 
Trata-se de Super-Terras, ou seja, planetas com mais massa do que a Terra e menos do que Urano ou Netuno. 
São três planetas, dentre os seis que orbitam a terceira estrela mais tênue desse sistema estelar triplo, que fica a vinte e dois anos-luz da nossa Terra, na Constelação do Escorpião.
Sistemas em torno de estrelas do tipo do sol são abundantes na Via Láctea. 
Esse sistema, no entanto, é o primeiro exemplo onde uma estrela de baixa massa abriga vários planetas potencialmente rochosos, na zona habitável. 
Isso nos diz o quanto ainda precisamos descobrir e quão diversa é a Criação Divina. 
E pensar em outras formas de vida, diferentes das que conhecemos, nos alargará ainda mais a busca e as descobertas. 
Mais uma vez, cabe-nos render homenagem à sabedoria do grande Mestre, Rei Solar, que esteve entre nós e nos lecionou, há mais de dois mil anos: 
-Há muitas moradas na casa de meu pai. 
Bem nos ensinam os Espíritos que, entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! 
Também há mundos regeneradores, que servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. 
Nesses, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. 
É para isso que caminhamos nestes tempos da grande transição: para o mundo de regeneração. 
Colaboremos para que ele se instale com brevidade na Terra.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. III, itens 1, 16 e 17 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 18.10.2013.