quinta-feira, 30 de julho de 2026

NOSSA OBRA PRIMA

No grande tear da existência, nada acontece por acaso. 
Antes que o primeiro sopro de vida anime o corpo físico, no silêncio vibrante do mundo invisível, traçamos as diretrizes de nossa nova jornada. 
Entre as escolhas fundamentais está o planejamento profissional. 
Por vezes, olhamos para o trabalho como um fardo necessário ou uma busca incessante por recursos. 
No entanto, a profissão cumpre uma dupla finalidade: ser uma peça útil na engrenagem da estrutura social e permitir o ganho honesto da moeda, garantindo o crescimento da vida material.
A profissão é o convite para que sejamos um operoso cooperador do Reino de Deus, transformando a Terra em uma estância gloriosa de progresso. 
Ser um bom profissional é compreender que o dever é o ponto de partida. 
Mas a excelência — aquela que nasce do amor — deve ser a meta. 
É ir além do que dita o contrato, é colocar a alma na ponta dos dedos e o coração em cada gesto. 
Pensemos no médico. 
O bom profissional da saúde não é aquele que domina a técnica ou prescreve a medicação correta. 
É, sobretudo, aquele que, ao entrar no quarto do hospital, leva consigo uma claridade que não vem das lâmpadas. 
Ele percebe que, além da enfermidade, existe um Espírito em sofrimento. 
Vai além do dever quando oferece o ouvido atento, o toque consolador e a palavra que restaura a esperança. 
Ele não cura apenas corpos. 
Ele medica almas, tornando-se um canal das energias superiores. 
A missão do professor, por sua vez, transcende a simples transmissão de dados ou fórmulas. 
É aquele que ilumina mentes obscurecidas pela ignorância.
Enxerga no aluno difícil um potencial adormecido e dedica minutos extras para acolher uma angústia adolescente.
Ensina, pelo exemplo, que a ética e a bondade são as disciplinas mais importantes da vida. 
Ele é o escultor do futuro, o mestre que transforma o saber em sabedoria. 
E que dizer do motorista? 
No ônibus lotado, no Uber ou no transporte escolar, ele é o guardião de vidas e sonhos. 
Vai além do dever quando mantém a calma diante do trânsito caótico, quando oferece um bom dia que desarma a agressividade alheia. 
Ou quando dirige com tamanha prudência que seus passageiros sentem estarem protegidos. 
Ele transforma o asfalto em um caminho de respeito e dignidade. 
O profissional de qualquer área, do gari que limpa a cidade com esmero, ao engenheiro que projeta com segurança, ou o atendente que sorri apesar do cansaço, todos têm em mãos uma ferramenta sagrada. 
São instrumentos do progresso. 
Trabalhar com dedicação é uma forma de psicografar a Bondade Divina no cotidiano. 
É provar que a colaboração com o Criador se faz com o suor do rosto transformado em bálsamo para o mundo. 
Quando fazemos mais do que o estritamente necessário, estamos implantando utilidades e avanços que aceleram a marcha da civilização. 
Nossa profissão é nossa assinatura no livro da vida. 
Façamos dela nossa obra-prima. 
Afinal, no fim da jornada, o que contará não será o cargo que ocupamos ou a fortuna que acumulamos, mas o quanto de luz espalhamos através das tarefas que o Pai nos confiou.
Redação do Momento Espírita 
Em 29.07.2026

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NOSSAS COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO

Muitas vezes, ao cruzarmos o limiar de uma nova existência, o véu do esquecimento nos envolve como um manto protetor.
Olhamos ao redor e vemos rostos familiares, ouvimos vozes que nos acalentam. 
Também, por vezes, enfrentamos temperamentos que nos desafiam. 
No entanto, raramente nos damos conta da grandiosidade do planejamento que nos trouxe onde nos encontramos. 
Nada, absolutamente nada na economia divina acontece ao acaso. 
O berço onde despertamos, a família que nos recebe, o solo em que pisamos e as circunstâncias que nos cercam são peças de um mosaico meticulosamente desenhado pelo amor supremo. 
Retornar ao cenário da carne é oportunidade de refazer caminhos, de polir a alma e de aprender a amar com a pureza que o Cristo nos ensinou. 
Para que esse aprendizado seja legítimo, Deus nos concede o benefício do esquecimento. 
Imaginemos se carregássemos, a cada minuto, o peso consciente das nossas falhas de outrora. 
O remorso seria um fardo pesado demais, uma âncora a nos prender ao passado, dificultando-nos decisões e ações. 
O esquecimento é a liberdade que nos permite agir com espontaneidade, permitindo que o nosso eu de hoje construa uma nova história, sem o martírio constante da culpa. 
É verdade que voltamos para o convívio daqueles com quem temos contas a ajustar. 
A família, nesse aspecto, funciona como um hospital bendito, onde as enfermidades do orgulho e do egoísmo encontram o remédio amargo, porém necessário, da convivência difícil.
Mas a Justiça Divina é, acima de tudo, equilíbrio e misericórdia. 
Por isso, não renascemos apenas entre opositores ou corações feridos por nossas ações passadas. 
Junto de nós, retornam também os nossos grandes amores.
Espíritos que, em séculos passados, entrelaçaram suas luzes com as nossas. 
Algumas dessas almas pediram para estar conosco, se voluntariaram para dividir o pão e o teto, a fim de serem o nosso ponto de apoio quando as forças nos parecerem minguar. 
Percebamos que, entre os desafios do cotidiano, existem essas colunas de sustentação. 
Pode ser o pai que oferece o conselho prudente, a mãe cujo abraço tem o condão de curar qualquer ferida, o irmão confidente das horas incertas, que vibra na mesma frequência da nossa alma. 
Esses amores são as mãos invisíveis de Deus que nos sustentam na jornada. 
Eles são o repouso na tempestade. 
São os que enxergam a nossa essência, para além dos nossos erros e limitações temporárias. 
São esses afetos que nos auxiliam a galgar, degrau a degrau, a escada da perfeição, transformando o resgate penoso em uma caminhada de aprendizado compartilhado.
A família é um ponto de encontro de almas que, entre sorrisos e lágrimas, tecem a rede de proteção que nos mantém de pé.
Ela é a prova de que o amor é a força que tudo vence e que ninguém, absolutamente ninguém, caminha sozinho. 
Que possamos honrar esses encontros, compreendendo que nos braços daqueles que nos amam encontramos a coragem necessária para vencer a nós mesmos e transformar em vitória nossa estada na Terra.
Redação do Momento Espírita 
Em 28.07.2026

terça-feira, 28 de julho de 2026

O GIZ MÁGICO

Henry Ford e Charles Steinmetz
Quantas vezes reclamamos do valor que nos é cobrado por algum profissional? 
O portão eletrônico enguiçou, o cano d’água rompeu, o aparelho doméstico deixou de funcionar. 
Essa prática de reclamar do serviço alheio, quando nós mesmos não temos a solução, não temos a mínima ideia do que fazer, não é nova. 
Nos primeiros anos do século passado, o empresário Henry Ford o fez, em vigoroso protesto. 
Narra-se que um colossal gerador elétrico em uma das suas fábricas apresentou uma falha. 
Toda a linha de produção, que valia milhares de dólares por hora, ficou completamente parada. 
Os melhores engenheiros de Ford checaram cada fio, testaram cada conexão. Nada funcionou. 
A enorme máquina — um labirinto de bobinas de cobre e componentes de aço — mantinha-se sem ação. 
Então, Ford chamou Charles Steinmetz, conhecido como o gênio supremo da engenharia elétrica. 
Ele chegou à fábrica, solicitou uma cadeira, um caderno e silêncio. 
Por horas, ele ficou imóvel ao lado do gerador. 
Fez anotações. 
Colocou a mão em partes diferentes da máquina, sentindo variações de temperatura imperceptíveis aos demais. 
Fechou os olhos e mapeou mentalmente os caminhos elétricos invisíveis do gerador. 
Então, após o que pareceu uma eternidade para os gerentes ansiosos, Steinmetz se levantou. 
Pediu um pedaço de giz e marcou um único X na carcaça metálica e orientou: 
-Abram o painel aqui. Vocês vão encontrar uma bobina em curto. Substituam os enrolamentos danificados. 
Abriram o painel. 
Exatamente atrás do X de Steinmetz, encontraram o problema. 
Horas depois, com o reparo feito, o gerador voltou a rugir. 
A produção recomeçou. 
A crise foi resolvida. 
A fábrica de Ford fora salva por uma única marca de giz, feita por um homem que passara algumas horas no local. 
Duas semanas depois, Ford recebeu um envelope com a conta: U$$ 1 mil. 
Ele achou excessivo o valor por uma visita de poucas horas e pediu uma fatura detalhada. 
A resposta foi de absoluta elegância e concisão: 
-Fazer uma marca de giz: um dólar. Saber exatamente onde colocar a marca: 999 dólares. 
Naquele momento, um dos maiores industriais da história aprendeu algo que atravessa gerações: a verdadeira expertise é invisível até o momento em que se torna insubstituível.
Steinmetz não fez apenas um X. 
Ele trazia 30 anos estudando teoria elétrica, milhares de horas diagnosticando problemas semelhantes e uma mente capaz de enxergar padrões onde outros só viam caos. 
Eis a grande verdade. 
Quando pagamos um especialista por um serviço, estamos pagando por todo o seu conhecimento, conquistado com muita dedicação e esforço. 
O médico que faz o diagnóstico em minutos está aplicando décadas de estudo e prática. 
O técnico que, com um toque numa tecla, resolve o problema que nos demandaria horas assistindo a tutoriais para resolver se preparou para isso. 
Quanto custaria se eles não soubessem? 
Aprendamos a valorizar o estudo, o esforço, a dedicação, a expertise. 
Reconheçamos o esforço alheio, as milhares de horas dedicadas ao seu profissionalismo. 
Redação do Momento Espírita com base em dados biográficos de Henry Ford e Charles Steinmetz. 
Em 27.07.2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

NÃO RESISTIR AO MAL

Em uma passagem do Evangelho, Jesus afirma que não se deve resistir ao mal. 
O significado dessa assertiva certamente não é o de deixar que o mal cresça e se aprofunde, onde quer que se apresente. 
Malgrado Sua bondade e Sua doçura, Jesus muitas vezes usou de energia para combater o mal. 
Por exemplo, ao Se posicionar contra o comércio no recinto do templo. 
Ou nas oportunidades em que lamentou a hipocrisia reinante em Sua época. 
Ele também foi claro ao afirmar que se deve orar e vigiar. 
Ou seja, cuidar para que o mal não penetre na própria vida, em especial por intermédio dos pensamentos e sentimentos.
Nesse contexto, parece coerente interpretar não resistir como não valorizar o mal. 
Quando se valoriza algo, ele cresce em importância. 
Quem vive assombrado por certo vício torna-se escravo dele.
A pessoa que se mortifica a cada palavra mal posta fragiliza a si própria. 
Passa a se considerar indigna por cometer alguns equívocos, pela desmedida importância que lhes empresta. 
Sem dúvida, é necessário vigiar para não cair em tentação.
Manter-se atento para não se perder em variados vícios.
Contudo, não é conveniente viver alarmado pela perspectiva do erro. 
Se um pensamento surge na mente, a melhor forma de torná-lo importante é lutar contra ele, com desespero. 
Isso implica reconhecê-lo como uma poderosa e real ameaça ao próprio bem-estar. 
O mesmo vale em relação à vida em sociedade. 
Se alguém comete um erro, prestar excessiva atenção nesse equívoco lhe dá um realce todo especial. 
Em sua natural falibilidade, os homens se equivocam.
Entretanto, também acertam bastante. 
Todos têm muitas virtudes que podem ser trabalhadas.
Mesmo os que inspiram antipatia têm o seu valor. 
Caso se preste muita atenção em suas fissuras morais, deixa-se de perceber suas virtudes. 
O que se valoriza, invariavelmente, cresce em importância. 
Se você optar por identificar e apreciar o bem que há no próximo, terá mais facilidade para gostar dele. 
Tal não significa ignorar defeitos, quando existam, e mesmo se prevenir contra seus efeitos. 
Mas apenas não resistir a eles, no específico sentido de não colocar muita força emocional nesse processo. 
Quem erra também acerta, eis um fato. 
Se você tem maus pensamentos, também os tem bons.
Quando surgir em seu mundo íntimo algo desagradável, perceba a presença daquele pensamento ou sentimento.
Depois, com tranquilidade, deixe que ele se vá, como um visitante passageiro e indesejado. 
Se você errar, reconheça a ocorrência, mas não se sinta perdido ou pervertido. 
Assuma de forma serena as consequências do que fez e as repare. 
E trate de seguir em frente, valorizando e vivendo o bem que há em você e no próximo. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 02.10.2009.

domingo, 26 de julho de 2026

Não te recordes da noite quando tens o dia

Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura. 
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor. 
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo. 
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva. 
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: 
-Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome. 
Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida. 
A resposta de Jesus é brilhante: 
-Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna. Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz. 
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala. 
* * * 
DIVALDO FRANCO
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador.
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. 
Ajustes com a lei. 
Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação. 
O alerta a Madalena serve para todos nós. Não olhar para o passado. 
Não olhar para a noite que se foi. 
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. 
Dessa maneira, proponhamo-nos a arar! 
Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás. 
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. 
Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural. Conhecer a si mesmo é uma coisa. 
Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente. 
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante. 
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material. 
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo. 
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe. 
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro. 
Lembremos da recomendação do Mestre: 
-Não te recordes da noite, quando tens o dia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 da obra A estrela verde, de Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho, ed. LEAL. 
Em 25.07.2026

sábado, 25 de julho de 2026

O "NÃO" QUE NOS BENEFICIA!

Quantas vezes, na infância e na adolescência, ficamos literalmente arrasados com as negativas de nossos pais?
Lembramos daquele dia em que os amigos foram para a praia, num carro emprestado.
Todos foram, menos nós porque nosso pai disse que temia que algo ruim pudesse nos acontecer: a estrada era perigosa, o jovem motorista acabara de receber sua habilitação. 
E, olhando aquele bando de adolescentes que brincavam sem parar, temeu alguma imprudência. 
Bom, eles não tiveram um acidente na estrada mas, os exageros na bebida levaram alguns deles para atendimento emergencial. 
Poderíamos ter estado entre eles... 
Lembramos daquele baile que perdemos porque, simplesmente, nossa mãe resolveu, de última hora, que as companhias não eram as mais adequadas. 
Soubemos que o baile foi maravilhoso. 
E nossos amigos se divertiram muito. 
Todos... menos nós. 
Não tivemos notícia de nada ruim ter ocorrido. 
E, durante muito tempo, amargamos decepção e raiva por não termos podido participar. 
Quantos não recebemos, pelos mais diversos motivos. 
Num dia, a festa era inadequada porque aconteceria na véspera de uma prova de matéria na qual andávamos mal.
Então, precisávamos ficar estudando. 
Em outra oportunidade... 
Bom, parecia que nossos pais adoravam dizer não.
Chegamos a pensar que eles desconheciam a palavra sim.
Concluímos, também, que eles combinavam, no revezamento das negativas. 
Quando um estava prestes a concordar conosco, a nos permitir o que queríamos, lá vinha o outro, pronto para falar a palavra indesejada. 
Na maturidade do hoje, guardamos a certeza de que as negativas nos preservaram de alguns incômodos. 
Até mesmo da própria vida. 
E escutamos alguns jovens se referindo aos pais como uma mala sem alça porque desejam saber aonde vão, com quem vão, o que farão. 
E controlam o horário de retorno ao lar. 
Mal se dão conta de que isso se chama cuidado, atenção, nesses dias de tantos descuidos e maldades. Deveriam se dar conta de que, mais de uma vez, eles, como almas zelosas, estão sendo os intérpretes físicos das diretrizes espirituais.
Os anjos de guarda precisam de quem os auxiliem, na Terra.
Ninguém melhor do que pais e mães amorosos, preocupados com a integridade física e moral dos seus filhos. 
Por tudo isso, aprendamos a receber os não de nossos pais.
Não deixa de ser um excelente exercício porque afinal, a vida nos diz muitos não. 
Pensamos em ingressar em determinada carreira.
Vamos bem em todas as provas, menos na prova física. 
E lá se vai nossa chance. 
Programamos um estudo no Exterior, por determinado tempo.
Problemas familiares nos exigem a presença no lar e a assunção como provedor. 
Interessante é que, logo mais, descobrimos como tantas negativas nos fizeram bem. 
Se nos frustraram, em determinado momento, nos amadureceram o entendimento. 
Alguns deles nos encaminharam para trilhas diversas das idealizadas. 
E nos trouxeram felicidade, realização. 
Dessa forma, aprendamos a receber os "não" de quem quer que seja, mesmo da vida, a fim de descobrirmos, depois, quão benéficos nos foram. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.09.2023.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

SÓ DE PASSAGEM

A expressão "Estou só de passagem", ao se referir à vida física, atesta que a pessoa tem convicção imortalista.
Ela sabe que é breve sua passagem pelo planeta. 
Mesmo que chegue aos cem anos, se considerar a eternidade, é um lapso temporal breve. 
A pessoa, que assim se expressa, manifesta a convicção de quem tem os olhos postos no futuro. 
Vive no mundo, mas com a inabalável certeza de que sua preocupação deve ser com o Espírito imortal, esse que sobreviverá à morte corporal. 
Se isso é louvável, um detalhe, no entanto, não pode ser esquecido. 
É que a vida corporal é etapa imprescindível ao progresso do Espírito. 
É na carne que se experimentam as provas.
É nas vicissitudes da vida que o Espírito cresce, utilizando sua inteligência e criatividade, para superar transtornos e desafios.
Isso nos diz que os mundos materiais são importantes. 
São moradas, estâncias, onde o Espírito se reveste de carne e habita. E progride. 
Dessa forma, há que se considerar o que estamos fazendo com o planeta, enquanto nos encontramos somente de passagem. 
O que estamos fazendo com nossa morada, lar, escola?
Estamos auxiliando na sua conservação ou somos dos que não nos preocupamos com coisa alguma porque logo estaremos partindo? 
Seria importante nos perguntarmos se estamos colaborando com as medidas de sustentabilidade do planeta. 
Coisas simples, como diminuir o impacto ambiental, substituindo plástico por outros materiais menos agressivos ao meio ambiente. 
É de nos indagarmos se somos dos que, a cada vez que nos servimos de água, nos bebedouros do escritório, da empresa, apanhamos um novo copo plástico. 
Já nos preocupamos com o meio ambiente e temos nosso próprio copo de vidro, para uso particular, no local de trabalho? 
Ou, ao menos, nos servimos de um único copo plástico, durante todo o dia? 
Lembramos de utilizar a impressão de documentos, artigos e tudo o mais, somente quando imprescindível, poupando árvores? 
Recordamos de utilizar a folha de papel de ambos os lados?
De reutilizar papel escrito em uma só face, transformando-o em bloco de anotações ou lembretes? 
Preocupamo-nos com a separação do lixo orgânico do lixo reciclável? 
São coisas pequenas, mas que têm muita importância. 
Não podemos nos esquecer que estamos de passagem, mas nossos filhos, netos, quanto tempo mais terão sobre a Terra?
E, além disso, um detalhe importante: pela lei da reencarnação, deveremos retornar em algum momento. 
Já pensamos em como desejamos encontrar o planeta, nesse retorno? 
O que fazemos reflete no todo.
E não nos preocupemos com os que não colaboram.
Poderão aprender com nosso exemplo. 
Enquanto isso, sejamos como a ave que, levando gotas de água em suas asas, tenta apagar o incêndio na floresta. 
Em resumo: façamos nossa parte.
A propósito, já plantamos uma árvore, em nossa vida?
Semeamos um jardim? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 24.07.2026