No coração das montanhas do país de Gales, vivia o príncipe Aaron, um guerreiro respeitado, dono de vastas terras e de um tesouro verdadeiramente insubstituível: seu fiel cão de caça, Gélert.
Gélert era conhecido por todos: grande, forte, atento a cada passo do dono.
Mais do que um animal, era guarda, companheiro de batalhas e sombra inseparável do príncipe.
Nada passava despercebido àquele cão de olhos vivos e faro aguçado.
Certa manhã, Aaron partiu para a caça, deixando no castelo aquilo que tinha de mais precioso: seu filho pequeno.
Ao lado do berço, como sentinela silenciosa, ficou Gélert, encarregado de proteger a criança.
Horas mais tarde, quando o príncipe voltou, uma estranha quietude pairava no ar.
Ao entrar no quarto, encontrou o berço virado, o chão manchado de sangue.
Gélert, ofegante, veio em sua direção, com o focinho e as patas manchadas de vermelho.
O mundo de Aaron desabou num instante.
Sem pensar, tomado pelo horror e pela certeza de que o cão havia atacado o próprio filho, ele desembainhou a espada.
Com um golpe, pôs fim à vida de Gélert, que caiu aos seus pés com um olhar de confusa lealdade.
Aaron caiu no chão em lágrimas, sem entender a razão de toda aquela desgraça.
Foi então que um som cortou o silêncio: o choro fraco de um bebê.
Atrás do berço tombado, o príncipe encontrou o filho vivo, ileso, apenas assustado.
Ao lado da criança, estendido no chão, jazia o corpo de um grande lobo, morto a dentadas.
A verdade o atingiu como uma lâmina: Gélert não era o monstro, mas o herói.
O sangue não era do menino, mas do inimigo que o cão havia enfrentado e vencido para salvar a criança.
Consumido pelo remorso, Aaron tomou o corpo de Gélert nos braços e ordenou que fosse enterrado com honra, sob uma pedra marcada para sempre.
Dizem que, a partir daquele dia, o príncipe nunca mais voltou a sorrir.
Até hoje, conta-se, naquelas terras, a lenda do túmulo de Gélert, que ecoa como um aviso: algumas decisões tomadas por impulso não têm volta.
***
Quantas vezes agimos por impulso e nos arrependemos segundos depois!
Dominados por emoções que eclodem, que nos invadem e tomam conta de tudo, acabamos perdendo o controle, como se diz popularmente.
-Eu me descontrolei! Não sei o que houve!
É assim que falamos sobre o que não deveríamos ter falado ou feito e que nos trará consequências difíceis no futuro próximo ou distante.
-Foi mais forte que eu! - Dizemos.
É por isso que estamos nos educando diariamente.
É por isso que o Mestre Jesus nos deixou exemplos tão claros.
É por isso que a disciplina de pensamentos e o trabalho diário de autoconhecimento são tão importantes.
Para que, quando cheguem momentos desconcertantes – e eles chegarão –, cada um de nós seja capaz de dominar as emoções, de pensar, de analisar as consequências desse ou daquele ato, e tomemos a melhor decisão.
Esperemos um pouco antes de agir.
Esperemos um pouco antes de falar.
Autocontrole se treina, se educa diariamente.
É uma faculdade magnífica quando conquistada.
Redação do Momento Espírita
Em 25.04.2026





