quinta-feira, 26 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

Morey Belanger (centro)
Notícias boas nos levam a crer que podemos alimentar esperanças de um mundo melhor, que se encontra em construção. 
Faz bem ouvir a respeito de movimentos que são fortalecidos pela ação de crianças e jovens. 
Preconceitos, exclusão e bullying começam a ser vistos com outros olhares pela maioria. 
A solidariedade principia a se tornar panorama comum em muitas situações. 
Emocionam atitudes altruístas, frente a situações como a da pequena Morey Belanger. 
Sua matrícula foi anunciada antes de seu ingresso na Escola Elementar do Maine, nos Estados Unidos. 
Diagnosticada com um distúrbio auditivo raro, ela seria uma exceção entre tantos alunos. 
A instituição empreendeu uma ação preparatória que envolveu alunos, professores e funcionários, a fim de que a menina se sentisse bem-vinda, acolhida.
Os que seriam seus colegas de classe se dispuseram, com afinco, a aprender a língua de sinais a fim de recebê-la da melhor forma. 
E foi o que aconteceu no dia em que Morey Belanger, com seis anos, adentrou a Escola. 
Isso ocorreu em dois mil e dezessete. 
Na oportunidade, ela era a primeira aluna surda naquela Escola. 
A mãe comovida disse que, desde o início, sua filha foi aceita e amada, o que a manteve animada para ir à Escola todos os dias. 
Não demorou para que fizesse amizades, feliz, participando das brincadeiras, das festinhas, de tudo, enfim.
* * * 
Quando Jesus nos ensinou os dois mandamentos básicos que transformariam nosso mundo, 
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, possivelmente não imaginamos que seria dessa forma. 
Hoje compreendemos que, cada qual fazendo a sua parte, melhorando-se e oferecendo sua contribuição, melhoraremos o mundo. 
Também se tornou evidente que quando procuramos oferecer ao próximo o que ele mais precisa, nos sentimos realizados, capazes, felizes e estimulados a continuar nesse caminho. 
Se a felicidade da menina Morey foi grande, se a satisfação de sua mãe ao vê-la acolhida foi enorme, o sentimento de realização de todos os que colaboraram para que isso se concretizasse foi maior ainda. 
De fato, há um sentido profundo na orientação do Mestre de Nazaré quando prescreve que façamos ao outro o que gostaríamos nos fosse feito. 
Quando tivermos plena consciência dessa assertiva, veremos se multiplicar em nós o respeito ao semelhante. 
Essa nova geração, que vimos despontar na Terra, portadora de sentimentos fraternos, propensão para o bem, age de forma muito natural aos movimentos de respeito e preservação da vida em todos os sentidos. Importa que nós, os adultos, que sonhamos com um futuro melhor para todos, os estimulemos nas suas ações e nos engajemos, atuando ao lado deles. 
O mundo vai melhorar quando cada um de nós se fizer melhor. 
Quando estimularmos, pelo exemplo, os outros a agirem melhor. 
Quando aderirmos a movimentos que promovem o acolhimento, a derrubada de preconceitos de qualquer ordem, quando nos sentirmos como verdadeiros irmãos e parte de uma única e imensa família, chamada raça humana.
Pensemos a respeito e espalhemos bons exemplos, colaborando com o bem, fazendo a nossa parte nessa grande construção do mundo melhor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no site www.sonoticiaboa.com.br 
Em 16.11.2019.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O MUNDO DO TERCEIRO MILÊNIO

Fala-se muito que vivemos em um mundo de constante violência. 
E se diz que todos andam apressados, que tudo é uma loucura, que não dá mais para viver de forma serena.
Contudo, graças a iniciativas que ocorrem, ainda de forma esporádica, mas com grande brilhantismo, verifica-se que existem variantes felizes. 
Um dos exemplos mais recentes foi a iniciativa de um pouco mais de trinta integrantes da Companhia de Ópera da Filadélfia. 
Aconteceu no dia 24 de abril de 2010, um sábado, no Reading Terminal Market, na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia. 
O local é um bazar gastronômico, ainda hoje, conforme suas remotas origens no século XVII. 
Em qualquer dia ali se pode encontrar uma variedade eclética de produtos diretos do campo, especiarias incomuns, flores, aves, artesanatos, joias e roupas. 
É um local apinhado de gente. 
A média é de cem mil pessoas que o visitam, a cada semana.
Pois nesse sábado de abril, enquanto as pessoas se acotovelavam, indo e vindo, em meio a balcões de produtos e exposição de telas, de repente, uma música começa a encher os ouvidos de todos. 
É La Traviata, composição de Giuseppe Verdi, inspirada na obra de Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias. 
Então, um tenor lança sua voz, seguido de outro, mais adiante. 
Surpreendentemente, do meio daquele povo todo, que andava de um lado para outro, conversando, tirando fotos, vão se destacando os membros da Companhia de Ópera. 
Estão misturados à multidão, vestidos de forma comum, uns com boné à cabeça, portando mochilas, bolsas, roupas esporte, descontraídos. 
Somente são identificados, a partir do momento que abrem sua boca e começam a cantar. 
Surpresas, as pessoas vão se dando conta de que cada um deles, que sorri e canta, que brinda com o copo de papel com café ou que os convida a alguns passos de dança, está com um boton com a identificação da Companhia de Ópera da Filadélfia e os dizeres: La Traviata.
E todos param o que estão fazendo para ouvir, admirar, se emocionar. 
Os turistas tiram fotos e mais fotos. 
Um momento mágico. Algo que nos diz que iniciativas dessa ordem devem, graças ao êxito observado, se repetir de outras vezes e em muitas localidades. 
Em todo o mundo. 
Em terminais de ônibus e de trens, onde as pessoas ficam horas aguardando, inquietas, desejando chegar logo aos seus destinos.
Em aeroportos, onde os atrasos deixam as pessoas estressadas, mal-humoradas. 
Pelas ruas das cidades. 
Iniciativas como essa nos dizem que, a pouco e pouco o homem vai descobrindo como é bom viver a harmonia, o belo, a arte. 
Como é bom ter um dom e dividi-lo com todos, alegrar corações, fazer as pessoas sorrirem e sonharem. 
Sonharem com o mundo maravilhoso que todos idealizamos para o nosso Terceiro Milênio. 
Vibremos por isso. 
E que Deus abençoe Alexandre Dumas Filho, Giuseppe Verdi, os músicos, os cantores, todos que tornam, enfim, este imenso mundo de Deus tão mais belo e harmonioso para nossas vidas. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 1º.12.2022.

terça-feira, 24 de março de 2026

SEMPRE COM ALEGRIA

Dominique Lapierre
Irmã Ananda. 
Ananda quer dizer alegria. 
Irmã Alegria. 
Desde sua mais tenra infância, acostumara-se a mergulhar nas águas do rio Ganges, para resgatar vestidos, joias, o que pudesse ser transformado em dinheiro. 
Dessa forma, ela se constituía no sustento de toda a família. 
Sua agilidade e habilidade em nadar, até os lugares mais fundos eram elogiáveis. 
No entanto, quando manchas estranhas começaram a aparecer em sua pele escura, quando a palavra terrível foi pronunciada, ela foi jogada na rua, pela família mesma por quem tanto trabalhara.
Não poderiam, de forma alguma, permanecer com uma leprosa no lar. 
E a menina, impedida de se misturar aos demais, impedida de retirar do rio sagrado o seu sustento, sentiu a fome abraçá-la.
Sozinha, enferma, esfomeada, foi acolhida pelas Irmãs de Caridade que, não somente lhe providenciaram o teto, a vestimenta, o alimento, como lhe deram o melhor presente.
Submeteram-na a tal tratamento que ela foi declarada curada da hanseníase. 
Agora, passados os anos, cumprido seu noviciado, ela recebeu das mãos de Madre Teresa de Calcutá, o sari branco, com lista azul. 
Dali em diante, essa seria sua única vestimenta. 
Vestimenta que a identificaria como uma das Missionárias da Caridade em qualquer dos mais de cento e trinta países em que ela fosse designada a servir. 
Ela foi enviada a Nova Iorque, com mais três companheiras.
Sua bagagem chamou a atenção: eram baldes, caixas de papelão amarradas, colchões de palha enrolados em pedaços de pano presos por cordas. 
Tudo endereçado para Madre Teresa de Calcutá – Nova Iorque. Estados Unidos. 
A maior recomendação de Madre Teresa era de que servissem sempre com alegria. 
Era um dia frio e a menina indiana, transformada em missionária, se encantou com os flocos de neve que caíam. Jamais vira tal espetáculo. 
Então, seu coração exultou na recitação dos versos do profeta Daniel: 
-Orvalhos e geadas, gelos e neves, bendizei ao Senhor por todos os séculos. 
Quando chegou ao local em que trabalharia, dirigiu-se ao subsolo. 
Era ali que ficavam as suas acomodações. 
Embora Madre Teresa houvesse especificado que não deveria haver conforto algum, quem viera reformar o prédio tudo ignorara. 
E lá estavam quatro chuveiros à disposição. 
Ananda ficou olhando-os, admirada. 
Desde sempre, ela tinha algo muito especial com a água. 
Na Índia, carregava os baldes da fonte para casa. Emocionada, Ananda estendeu uma mão trêmula e abriu a torneira. 
Um verdadeiro dilúvio caiu imediatamente do teto.
Hipnotizada, ela olhou a água correr. 
Aquilo parecia um milagre. 
Com os braços abertos, a cabeça caída para trás, ela se jogou toda vestida debaixo do chuveiro. 
Teve vontade de cantar. 
E cantou os versos do profeta: 
-Chuvas e orvalhos, exaltai o Senhor. E vós, astros do céu, bendizei-O por todos os séculos. 
Sua voz atraiu as demais companheiras que vieram correndo.
Ao verem Ananda se divertir como uma criança, explodiram todas numa sonora gargalhada. 
Felicidade. 
Sim, Madre Teresa de Calcutá poderia ficar tranquila. 
Era com alegria no coração que suas Irmãs começavam sua tarefa em Nova Iorque. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 52, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.
Em 24.03.2026

segunda-feira, 23 de março de 2026

O CAMINHO DE VOLTA

Lúcia tinha dezenove anos quando conheceu Fernando, através de uma prima, que a convidou para sair com ela, seu namorado e um amigo. 
Foram meses de diversão com risadas e bate-papos alegres. Coisas de jovens. 
Fernando comentou que namorava uma moça, residente em Fortaleza, e que tinha intenção de se casar. 
Por sua vez, Lúcia, residindo no Rio de Janeiro, tinha desfeito um namoro de quatro anos, e desejava liberdade para recomeçar sua vida. 
Naquele momento, queria apenas curtir a amizade com Fernando. 
Contudo, com o passar dos meses, ela percebeu que algo mais profundo poderia surgir. 
Conversaram a respeito e decidiram que melhor seria se afastarem. 
Afinal, ele tinha um compromisso de namoro e ela desejava atender aos projetos de sua carreira. 
Rolaram os anos. 
Ela soube do casamento de Fernando, de sua residência nos Estados Unidos, retorno ao Brasil. 
Por motivos profissionais, Lúcia transferiu residência para Campinas, viajou para o Exterior, fez novos amigos. 
Enfim, atendeu ao que planejara.
Então, no ano de 1978, foi surpreendida por uma ligação telefônica. 
Era ele: 
-Lembra de mim? Sou o Fernando, nos conhecemos há uns dez anos, no Rio de Janeiro. 
Ela reconheceu a voz de imediato. 
Ele enviuvara, há alguns meses, depois de acompanhar o sofrimento da esposa, portadora de leucemia, por três longos anos. 
Fernando foi a Campinas, reataram antigos gostos comuns, a conversa tão amiga. 
Ela foi a São Paulo, a seu convite, para conhecer seus dois filhos. 
Em seis meses, estavam casados. 
Corajosa, ela se tornou mãe dos dois pequenos. 
Quase cinquenta anos se passaram, durante os quais uma filha veio selar de forma magnífica o amor que os une. 
* * * 
Essa história nos lembra que a vida não utiliza relógios de pulso, mas o compasso das estrelas. 
É um lembrete de que a vida não é uma linha reta, mas um bordado que faz sentido apenas quando olhamos pelo lado do avesso. 
Naquele primeiro encontro, a juventude ardia, mas o mundo ainda era vasto demais e as estradas divergiam. 
Eles se soltaram, cada um carregando um fragmento do outro no silêncio da memória, sem saber que o tempo estava apenas respirando fundo. 
Quando os olhos se cruzaram, dez anos depois, não eram as mesmas pessoas. 
Ele trazia as marcas da vida e as mãos ocupadas pelo amor de seus filhos. 
Ela trazia a serenidade de quem soube esperar sem saber o que aguardava. 
Foi ali que o invisível se tornou claro: a separação não foi um erro, foi o intervalo necessário. 
O silêncio não foi esquecimento, foi o amadurecimento do fruto. 
A dor dele precisava do porto dela. 
A espera dela precisava do transbordar dele. 
Hoje, após quase cinco décadas de mãos dadas, eles são a prova viva de que o que é nosso sempre encontra o caminho de volta. 
A intensidade do amor que vivem não nasceu do acaso, mas da paciência. 
Afinal, o amor não é encontrar a pessoa certa no momento certo. 
É confiar que, mesmo quando o tempo parece errado, a vida está apenas escrevendo um capítulo mais bonito do que aquele que tentamos ditar. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos. 
Em 23.03.2026

domingo, 22 de março de 2026

O MUNDO DO AMANHÃ

 Severn Suzuki
O Codificador da Doutrina Espírita, em sua obra, A gênese, assinala que a Terra se transformará. 
E estamos observando o fenômeno acontecer. 
De um Mundo de muitas dores e injustiças vamos caminhando para um Mundo de regeneração. 
Um Mundo em que nos importemos mais uns com os outros.
Em que sejamos amigos, irmãos. 
Tal transformação se processa pela transformação gradual das criaturas que vivem na Terra.
Exemplos de tais Espíritos encarnados entre nós os temos todos os dias, em nossos lares, na comunidade em que vivemos. 
Alguns nos surpreendem com sua maturidade e bom senso, como a menina canadense Severn Suzuki, de apenas 13 anos. 
Ela discursou no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio ambiente e Desenvolvimento, em 1992.
Entre tantas questões, disse ela: 
-“Represento a ECO, a Organização das Crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos tentando fazer a nossa parte, contribuir. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir. Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho soluções, mas, quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso então, por favor, parem de destruir! Aqui, vocês são representantes de seus Governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas, na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios, e todos também são filhos. Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de bilhões de pessoas e, ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo, rumo a um único objetivo. Sou apenas uma criança, mas ainda sei que, se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria! Na escola, desde o jardim de infância, vocês nos ensinaram a não brigar com os outros. A resolver as coisas bem. Respeitar os outros. Arrumar nossas bagunças. Não maltratar outras criaturas. Dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer? Vocês estão decidindo em que tipo de Mundo nós iremos crescer. O que vocês fazem, nos fazem chorar à noite. Vocês adultos, nos dizem que nos amam. Eu desafio vocês. Por favor, façam as suas ações refletirem as suas palavras.” 
Redação do Momento Espírita, com reprodução de parte do Discurso de Severn Suzuki, na Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento – ECO 1992, no Rio de Janeiro.

sábado, 21 de março de 2026

APEDREJAMENTO MORAL

O apedrejamento é uma das formas mais antigas e brutais de execução de que se tem registro na História da Humanidade.
No contexto bíblico e na sociedade judaica da época de Jesus, era reservado para crimes considerados gravíssimos, como o adultério, a blasfêmia ou a idolatria. 
Recordamos que o jovem Estêvão, considerado o primeiro mártir da Boa Nova, foi apedrejado pela acusação de blasfêmia contra Deus e Moisés.
O ato não era apenas uma punição física, mas um ritual de exclusão comunitária. 
Ao lançar pedras, a sociedade declarava que aquele indivíduo não era mais digno de habitar entre os vivos, transformando a execução em um espetáculo de dor lenta e humilhação pública. 
Em algumas regiões do nosso planeta, continua vigente, qual um lembrete sombrio de como a intolerância pode se institucionalizar, ignorando a dignidade humana em nome de um julgamento implacável. 
A Anistia Internacional tem desenvolvido campanhas para a abolição plena dessa penalidade e feito apelos diretos a países que utilizam ou preveem o apedrejamento para que abandonem essa prática. 
No entanto, para além das pedras físicas que ferem o corpo, existe um apedrejamento simbólico que alguns enfrentamos diariamente. 
Na arena social, as pedras são substituídas por palavras, olhares e silêncios punitivos. 
Quando lançamos uma mentira em uma rede social ou um boato de corredor, isso funciona exatamente como um projétil.
Atinge o alvo com força e deixa marcas que, às vezes, levam anos para cicatrizar. 
Talvez uma das pedras mais pesadas seja a do desprezo, especialmente quando direcionada às melhores intenções.
Dedicamos tempo, energia e amor em alguma ação benemérita e recebemos a crítica destrutiva ou o julgamento de quem nada faz. 
Podemos chamar de apedrejamento da boa vontade, em que o esforço altruísta é tido como vaidade ou erro. 
Suportar ser apedrejado psicologicamente exige uma força interior profunda. Jesus, ao confrontar os acusadores da mulher adúltera, trouxe a reflexão: 
-Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra. 
Essa frase não apenas interrompeu uma execução física, mas desarmou o tribunal moral da época. 
Dessa maneira, frente às pedras da calúnia e do desprezo que possam nos atingir no trabalho, na família ou na vida social, o desafio é não revidar com o mesmo peso. 
Embora as feridas doam, elas não têm o poder de mudar quem somos, a menos que permitamos que o ódio do outro se torne o nosso próprio veneno. 
Para lidar com o apedrejamento moral, especialmente quando ele vem de onde menos esperamos, como para nossos gestos de maior entrega, fortaleçamos nossa imunidade emocional. 
E não percamos tempo em nossa defesa. 
Gastar energia nos defendendo de calúnias infundadas apenas alimenta o conflito. 
Deixemos que o tempo e a constância do nosso trabalho falem por nós. 
As pedras que nos lançam, e que nos ferem, são as mesmas que, sob o solo da paciência, pavimentarão o caminho da nossa vitória moral. 
Permaneçamos firmes no bem. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.03.2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

O PAI AO PÉ DA CAMA

Ela sempre teve pesadelos noturnos. 
Os sonhos ruins atrapalhavam as noites. 
Acordava assustada uma, duas, três vezes. 
Assim foi enquanto era menina e depois, quando chegou na adolescência.
E ela nunca conseguiu dizer o que perturbava tanto o período noturno. 
A única coisa que solucionava, que resolvia o problema dos pesadelos, era a presença da mãe ou do pai. 
Ela os buscava no quarto, quase sonâmbula, pegava-os pelas mãos em silêncio, e os conduzia até o seu quarto. 
Eles a abraçavam, faziam breve oração, diziam para ela pensar em um lugar bem bonito onde desejava estar, e a colocavam de volta na cama. 
Um gesto, porém, era bastante curioso, e durou anos. 
A menina simplesmente apontava para os pés da cama como a dizer: 
-Fiquem um pouquinho comigo ali. 
Eles entendiam e ficavam. 
Bastava uns cinco minutos. 
A resposta vinha imediata. 
Ela se deitava, fechava os olhos, e uns segundos depois os abria, como que a espiar para saber se o pai ou a mãe ainda estava ali. 
Quando identificava um deles, nascia um sorriso sem igual, um sorriso de Agora está tudo bem. 
A respiração se normalizava, o sono se restabelecia e tudo voltava à paz. 
Bastava ela saber que o pai ou a mãe permanecia ali, aos pés da cama. 
* * * 
Isso é muito simbólico. 
Não porque tenhamos pesadelos e acordemos assustados pedindo ajuda, mas pela questão da confiança. 
A figura dos pais ao pé da cama representa a vigilância, a guarda, a certeza de que nada nos fará mal, pois eles estão velando. 
Na vida adulta, essa figura ainda existe, representada por nosso Espírito protetor, que é também uma mãe ou um pai, que é um amigo ou uma amiga querida presente em nossos dias. 
Mais ainda, a figura dos pais ao pé da cama é também a confiança que devemos construir em Deus, nosso Pai Maior.
Ele está sempre conosco, embora não O sintamos na maioria das vezes, por estarmos nas batalhas dos pesadelos, sem poder abrir os olhos. 
Falta-nos despertar, buscá-lO pelas mãos e pedir Seu auxílio.
Ele nunca nega ajuda a quem lha pede. 
O Pai aos pés da cama nos ouve com paciência. 
Poderá ser invocado diversas vezes à noite e nunca irá reclamar. 
Sempre nos atenderá com a mesma boa vontade e paciência. Contemos com Ele. 
Contemos com a figura de nosso Espírito protetor.
Conversemos mais com esse Espírito amigo que assumiu missão tão grandiosa. 
Perguntemos, peçamos e tenhamos a sensibilidade e a humildade de ouvir as respostas, mesmo que não sejam aquelas que desejaríamos. 
Lembremos que nosso anjo de guarda e nosso Pai Maior não são gênios da lâmpada, ou serviçais que existem apenas para atender nossos três desejos ou caprichos. 
Eles nos conhecem. 
Eles nos viram nascer, sabem das nossas necessidades.
Sabem o que é manha e sabem o que é carência. 
Sabem o que é real ou apenas passageira ilusão de nossa parte. 
Mas, no que diz respeito aos pesadelos, aos medos e aos enfrentamentos, podemos contar sempre com eles, ali, ao pé da cama, nos dizendo: 
-Fique tranquilo. Você não está sozinho. Estamos com você.
Redação do Momento Espírita 
Em 20.03.2026