terça-feira, 5 de maio de 2026

ALÉM DOS LIMITES

MAE BELLAMY
Existem histórias extraordinárias que nos chegam ao conhecimento. 
Verdadeiras umas, criadas outras para exaltar gestos de altruísmo e dedicação. 
O importante, no entanto, é destacar o grande papel do ser humano na face da Terra. 
Conta-se que, na primavera de 1926, uma jovem mãe foi cientificada de que seu filho Thomas, de cinco anos, tinha um crescimento perigoso na garganta. 
Cada respiração era um esforço. 
Cada noite parecia emprestada. 
Os médicos foram diretos: sem cirurgia, ele morreria em poucos meses. 
O único hospital capaz de realizar o procedimento ficava a seiscentos e quarenta quilômetros de distância.
Aquela mãe não tinha dinheiro. Não tinha carro. 
Não tinha ninguém para ajudá-la a levar o filho. 
Então, ela tomou uma decisão que desafiava a lógica.
Colocou Thomas nas costas, amarrou-o com panos firmes junto ao corpo e começou a caminhar. 
Durante trinta e um dias, ela caminhou do nascer ao pôr do sol. 
Enfrentou a chuva que encharcava suas roupas, a lama que engolia seus sapatos.
Dormia onde o cansaço a vencia: em celeiros, valas, debaixo de pontes. 
Quando a comida acabava, ela pedia e conseguia graças à bondade de alguns. 
Thomas não tinha forças para andar. 
Por isso, ela o carregava, sussurrando histórias, cantando baixinho, prometendo que estavam quase chegando, mesmo quando ainda faltava muito. 
Quando Thomas lutava para respirar, ela o apertava contra si e acelerava o passo, com medo de que parar significasse perdê-lo para sempre. 
Depois de trinta e um dias de caminhada, ela alcançou os degraus do hospital e desabou. 
Os médicos atenderam o menino às pressas. 
No dia seguinte, removeram a anomalia em sua garganta.
 Pela primeira vez, em meses, ele respirou sem dor. 
Thomas sobreviveu. Floresceu. Cresceu. Casou-se. Teve filhos. Tornou-se avô.
*** 
A jornada dessa mãe é um testemunho sagrado de que o amor não é apenas um sentimento, mas uma força física capaz de mover montanhas. 
Ou percorrer quilômetros infindáveis carregando seu bem mais precioso. 
É a prova definitiva de que a resistência materna não conhece limites geográficos ou biológicos. 
Onde se ausentam recursos de outros, o vigor de uma mulher transforma o próprio cansaço em solo firme para a sobrevivência do filho. 
Essa coragem, esse amor, que se faz ponte e escudo, é o que mantém a Humanidade acreditando em sua própria capacidade de superação. 
A cura de Thomas não começou no hospital, mas no primeiro passo dado por sua mãe, provando que o amor, quando absoluto, é a ferramenta mais poderosa contra a fatalidade.
Essa história transcende o mero relato biográfico para se tornar um manifesto sobre a resistência materna. 
Diante do abismo da escassez e da doença, o amor de mãe surge como uma força que desafia a lógica e a física.
Caminhar mais de seiscentos quilômetros com o filho às costas é a materialização de um afeto que supera qualquer óbice. 
A mulher-mãe converte o próprio corpo em transporte e escudo, demonstrando que a dedicação absoluta é capaz de reescrever a própria história. 
Redação do Momento Espírita, com relato de fato vivido por Mae Bellamy, nos Estados Unidos, no ano de 1926. 
Em 05.05.2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

VENTOS QUE CONDUZEM


Sentada na areia, em silêncio, ela observava o mar. 
Nada além de olhar. 
O vento soprava constante, varrendo a praia com delicadeza e força ao mesmo tempo. 
Grãos de areia se moviam sem resistência, formando pequenos desenhos que logo se desfaziam.
Folhas secas, esquecidas, eram levadas para longe, sem escolher o destino. 
Por alguns instantes, ela acompanhou aquele movimento simples. 
Nada parecia desordenado, embora tudo estivesse em mudança. 
O vento não perguntava para onde ir. 
Apenas seguia, conduzindo o que encontrava pelo caminho. Pensou na própria vida. 
Quantas vezes fora retirada do lugar sem aviso? 
Planos interrompidos, mudanças inesperadas, perdas, recomeços forçados. 
Situações que a deslocaram de onde se sentia segura e a lançaram em direções jamais cogitadas. 
Tudo lhe parecia confuso, injusto, difícil de compreender.
Talvez porque ainda não fosse o tempo de entender, mas apenas de atravessar. 
Talvez aquela norma que ouvira, em algum momento, de não se inquietar pelo dia de amanhã, porque para cada dia basta o seu mal fosse algo verdadeiro. 
Talvez não nos caiba decifrar o sentido de algumas fases da vida, mas confiar que ele existe. 
E aceitar que o amanhã se constrói passo a passo, não de uma só vez. 
O vento da vida não pede permissão. 
Ele chega quando menos esperamos. 
Desorganiza o que parecia estável, desfaz certezas, muda rotas. 
Quase sempre resistimos, tentando nos fixar onde já não é possível permanecer. 
Ali, diante do mar, algo ficou claro: o vento não destrói por capricho. 
Ele move para renovar. 
Afasta o que precisa seguir adiante. 
Abre espaço para novos caminhos. 
Aquilo que se deixa conduzir não se perde. Apenas encontra outro lugar. 
Na vida, acontece assim. 
Nem sempre somos levados para onde desejamos, mas somos conduzidos exatamente para onde precisamos estar. 
O que parece perda se revela propósito. O que nos soa como desvio se mostra aprendizado. 
Confiar é aceitar que nem todos os ventos são contrários. Alguns são necessários. 
Eles nos arrancam do comodismo, quebram a ilusão de controle e nos ensinam a seguir com mais fé do que certeza.
Assim como a areia da praia, não fomos feitos para permanecer imóveis. 
Somos convidados ao movimento, ao crescimento, à transformação. 
Quando resistimos demais, sofremos. Quando confiamos, aprendemos. 
Afinal, a vida não nos pede respostas prontas, mas confiança. Confiança em Deus. 
Confiança de que cada vento tem um motivo, mesmo quando não o compreendemos. 
De que não somos levados ao acaso, ainda que o caminho pareça incerto. 
E de que nada se perde no vasto campo da jornada terrena.
Dessa maneira, quando os ventos da vida soprarem mais fortes, tenhamos em mente que não estamos sendo afastados do que importa, mas conduzidos ao que é essencial. 
Há um cuidado maior sustentando cada passo, uma sabedoria silenciosa orientando o movimento. 
E, mesmo sem vislumbrar o destino, sigamos seguros de que a travessia também faz parte do chegar. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com referência do Evangelho de Mateus, cap. 6, vers. 34. 
Em 04.05.2026

domingo, 3 de maio de 2026

MÚSICA DE AMOR

Vickie Lynne Agee
Lester era filho de um pastor de uma pequena cidade.
Recebeu uma sólida educação, em que os valores da autoconfiança e da determinação se aliavam à alegria dos aspectos criativos da vida. 
Ele amava a música e para pagar suas aulas de piano, trabalhava cortando lenha.
Vieram os anos da depressão americana e puseram fim aos estudos da Faculdade e à sua carreira musical. 
Aos trinta anos, ele se casou e deu início à doce harmonia doméstica de um pequeno lar e uma família. 
O seu interesse pela música nunca cessou. 
Sempre que podia, ele ouvia e estudava os grandes compositores clássicos. 
No entanto, não tinha muitas oportunidades de exercitar os seus talentos. 
Com contas para pagar e a perspectiva de aumentar a família, ele nem podia pensar em adquirir um piano.
Em 1942, foi convocado para a guerra e enviado para os campos de batalha, na Europa. 
Todos os dias, em meio aos horrores da guerra, Lester encontrava tempo para escrever para sua querida Frances.
Sentia saudades dela e do homenzinho, como chamava o filho recém-nascido, que morava na pequena mansão, um título pomposo dado à sua casa modesta. 
Aquela correspondência, tão valiosa e cuidadosamente guardada, era lida e relida por Frances, que aguardava, ansiosa, a chegada da próxima carta. 
Lester remetia todo o dinheiro que podia para sustentar sua família e ela trabalhava meio período como enfermeira para complementar o orçamento. 
A economia era a nota constante.
Ela comprava o suficiente para as necessidades básicas e com suas orações pedia proteção continuamente para o seu marido. 
A guerra terminou e, no mês de março de 1946, Lester retornou para a sua pequena mansão. 
Uma grande surpresa o aguardava. 
Uma verdadeira dádiva de amor. 
Frances guardara todos os cheques que ele enviara, cuidadosamente, para comprar um presente que alimentaria a alma do seu amado. 
Renunciando ao próprio conforto, ela poupara quase tudo, a fim de adquirir um piano para ele. 
Na verdade, era uma espineta, um instrumento de cordas semelhante ao cravo. 
Mas, para Lester era o melhor e o mais belo piano de concerto do mundo. 
Era o saldo da renúncia máxima de uma mulher. 
O instrumento se tornou um símbolo de amor. 
Seus netos o guardaram com zelo e quando se sentam para tocá-lo têm a sensação de que trazem de volta à vida a história da família. 
É como se ouvissem o velho avô tocando canções de ninar para seus filhos, sinfonias arrebatadoras de Beethoven para a sua avó e músicas alegres para dançar. 
Cada nota do instrumento transmite o amor que Frances e Lester sentiam um pelo outro, pelos filhos e pelos netos. 
Eles partiram para a Espiritualidade mas legaram aos seus amores uma lição imortal: a do amor que supera a amargura, a distância, o tempo e a vida física. 
Também uma lição de renúncia e de espera pacífica. 
Afinal, quando se tem amor no coração, a necessidade do outro está sempre em primeiro lugar. 
Isso demonstrou Lester, renunciando em favor da família. 
Isso lecionou Frances renunciando em favor do amado.
Exemplos para serem pensados... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Música de amor, de Corrie Franz Cowart e no cap. Lições de vida aprendidas com um casal de periquitos de Vickie Lynne Agee, da obra Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press. 
Em 18.06.2021.

sábado, 2 de maio de 2026

ELES ESTÃO ATENTOS

Ao olharmos o mundo, é comum nos determos a analisar tragédias ocasionadas pela revolta climática, que varrem cidades inteiras, como se as desejasse eliminar do mapa.
Catalogamos as absurdas deliberações de alguns governos e nos indagamos por que a Divindade tudo isso permite. 
Como permite que tantos maus exerçam sua maldade, de maneira impune e inconsequente?
Idealizamos como tudo poderia ser resolvido, ser amenizado, bastando uma mínima interferência dos céus. 
Nesse patamar, nos esquecemos de que o Ser Supremo do Universo, a Causa primária de todas as coisas, é soberanamente justo. 
Infinito em Suas qualidades, não se equivoca e mantém seus olhos fixos na Sua Criação. 
Nada lhe escapa ao olhar penetrante e sábio. 
Sutil como a brisa e firme como as leis que regem as galáxias, Ele sustenta a vida em todas as suas dimensões.
Acrescentemos que, no centro desse sistema soberano e infalível, destaca-se a figura de Jesus. 
O Seu olhar sobre a Terra é o de um Mestre que jamais abandona a Sua escola. 
Habitar este planeta, sob a égide de Sua governança espiritual, deve nos conceder a certeza de que a misericórdia precede qualquer justiça rigorosa. 
Jesus atua como o farol que vara a névoa dos séculos, oferecendo um norte ético e emocional que nos garante atravessar as tempestades com a convicção de que o destino da Humanidade é a luz. 
Consideremos ainda que a Assistência Divina nos providenciou uma plêiade de benfeitores, que renunciam a planos de repouso para se tornarem os guardiões de nossa caminhada.
São os amigos invisíveis que sussurram a intuição salvadora no momento da dúvida, que sustentam nossas mãos quando o cansaço ameaça nos fazer parar e que, com infinita paciência, organizam as circunstâncias de nossas vidas para que o aprendizado seja mais eficiente. 
Se prestarmos um mínimo de atenção, identificaremos Sua assinatura discreta em atos que nos alcançam. 
Reconhecer essa rede de proteção é transformar a própria visão de mundo. 
Quando compreendermos que somos assistidos diariamente pela Providência, guiados pelo olhar atento do Cristo e amparados pelos benfeitores que nos cercam, abandonaremos nossas análises e críticas inconsequentes.
Consideraremos a vida uma experiência sagrada de ascensão, em que cada amanhecer nos renova o convite para a nossa transformação interior.
E, porque nunca estamos sós, filhos de uma Sabedoria Infinita que nos conduz, nada mais nos compete senão reger nossa própria vida. 
Diante da perfeição da Providência Divina, que estabelece o equilíbrio dos mundos e as minúcias de cada dia; de Jesus, o Governador Planetário, que sustenta a Humanidade com Seu olhar de infinita misericórdia e paciência, preciso nos é ponderar que, como aprendizes, não nos cabe o papel de julgadores do mundo. 
Melhor faremos se, em vez de focar nas sombras externas, confiarmos e focarmos mais em nosso próprio aprimoramento.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 02.05.2026

sexta-feira, 1 de maio de 2026

REVISITANDO O ONTEM

Com extrema curiosidade, subo os degraus do castelo medieval, fortaleza de batalhas inglórias. Impressionam-me as marcas deixadas pelas águas do mar, que, a cada dia, investem contra as altas muralhas. 
Visito as alamedas com arbustos verdes, atravesso salas imensas, extasiando-me com a arquitetura de tempos tão recuados. 
Enfim, com quase devoção, adentro um imenso salão.
Um lamento seco ecoa pelas paredes descascadas, nas quais o tempo decidiu morar. 
O cheiro de pó e carvalho antigo invade-me os pulmões, trazendo o gosto metálico de eras que a História quase apagou. 
Caminho pelo salão vazio, sentindo o peso de séculos nas pontas dos dedos, ao tocar as colunas de mármore gasto e sem brilho.
Pareço vislumbrar mesas, banquetas, ocupadas por dedicados copistas. 
Recuo a séculos transatos. 
As sombras se alongam no recinto. 
O silêncio reina no lugar do raspar rítmico das penas de ganso. 
O cheiro de mofo e pergaminho velho ainda flutua no ar frio, evocando o tempo em que a luz das velas era a única guardiã do saber humano. 
Neste scriptorium deserto, as paredes guardam o eco de orações sussurradas entre letras banhadas a ouro e pigmentos de lápis-lazúli. 
Pareço descobrir as silhuetas curvadas de monges que dedicavam vidas inteiras a uma única obra, ignorando o mundo de fora, que parecia distante.
Cada mancha de tinta é uma cicatriz de um tempo em que a palavra era um tesouro esculpido à mão, caprichosamente.
Antes que as prensas de metal e o barulho mecânico de Gutenberg tornassem a escrita veloz, nesse espaço, o conhecimento respirava no compasso do coração. 
Os manuscritos partiram, as estantes estão nuas, e o que restou foi apenas a poeira de um pensamento que não precisava de máquinas para ser eterno. 
Sinto-me como um visitante em um templo de paciência esquecida, onde a alma do livro morreu antes mesmo de ser impressa em série pela primeira vez.
No vazio da sala, o tempo parou no exato instante em que a última pena caiu ao chão, cedendo lugar ao chumbo, antimônio e estanho. Indago a mim mesmo, ante a emoção que me invade, se não terei presenciado as cenas reais desse trabalho. 
Ou terei sido, em algum tempo, um desses dedicados copistas, desenhando letras, criando iluminuras, numa paciente e delicada obra de arte? 
Foram-se os anos. 
Hoje, no desfrutar de tanta tecnologia, honro na lembrança o trabalho heroico dos dedicados e anônimos registradores, que devotavam sua criatividade e seu esforço para que não se perdessem ditos e feitos de uma Humanidade em ascensão.
Para onde mais seguirão os passos dessa Humanidade, concebida à imagem e semelhança de um Criador insuperável? 
Que caminhos mais surpreendentes nos aguardam à frente, plenos de surpresas, de facilidades que mais nos permitirão gozar de tempo para viver em plenitude? 
Somente um Criador tão generoso e onipotente para traçar um destino grandioso, sem limites para Sua Criação. 
Redação do Momento Espírita 
Em 01º.05.2026

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A MÚSICA DAS ESTRELAS

A música, dentre todas as expressões artísticas, é a mais misteriosa.
De que maneira sons combinados são capazes de nos despertar alegria, tristeza, ternura? 
De que maneira são capazes de evocar as mais doces lembranças, os sentimentos mais profundos de nossas almas? 
Uma antiga paixão, um pôr-do-sol especial, um momento de despedida ou de reencontro. 
Um velho amigo, uma ocasião festiva, lágrimas de solidão. Instantes únicos guardados em nossa memória e que são evocados através de uma música. 
Utilizando-se de relações matemáticas, o filósofo grego Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre números inteiros. 
De acordo com o pensador, todas as proporções geométricas existentes na natureza também podem ser descritas em razões numéricas. 
Logo, em tudo o que nos cerca há musicalidade, há melodia.
Ainda assim, e considerando que à época de Pitágoras acreditava-se que a Terra era o centro do Cosmo, era certo para o pensador de que as esferas guardavam proporções de distância fixas entre si. 
Logo, também entre os astros havia melodiosidade. 
A chamada Música das esferas. 
Os séculos se sucederam. 
O homem conheceu o sistema heliocêntrico. 
O cientista Johannes Kepler, nascido na Alemanha, em 1571, obteve três leis gerais que descrevem o movimento dos planetas. 
Através da observação dessas leis, Kepler deduziu os intervalos musicais para cada astro. 
Ele propôs serem eternos os sons de cada orbe, a variar continuamente entre o som mais grave e o mais agudo da escala musical de cada um deles. 
Os movimentos dos céus não são mais que uma eterna polifonia, afirmou o cientista. 
* * * 
Aos ouvidos e olhos mais atentos, tudo o que nos cerca é música, poesia, arte, harmonia, beleza. 
Você já parou hoje um instante para ouvir a melodia daquilo que nos cerca? 
Embora as guerras, a violência gratuita, os grandes sofrimentos, as desigualdades sociais sejam, muitas vezes, para nós nada além de ruídos desafinados, em tudo encontramos a sempre presente harmonia da Criação. 
Basta que ouçamos e vejamos com os ouvidos e com os olhos da alma, do coração, do amor. 
Onde há guerra, orquestremos a sinfonia da paz. 
Onde há mágoa, executemos a sinfonia do perdão. 
Onde há sofrimento, cantemos a melodia da esperança. 
Onde há solidão, arpejemos as notas da amizade. 
Onde há medo, construamos os acordes da fé. 
* * * 
É necessária muita sensibilidade para se ouvir as notas da melodia da vida. 
A cada passo que damos em direção ao progresso, novas harmonias são acrescentadas, novas vozes, novos instrumentos. 
Novos são os desafios, as oportunidades, os começos e recomeços. 
Muda-se o compasso, muda-se o tom, alternam-se momentos de sons com os de silêncio... 
Mas sempre se vai adiante, a melodia não retrocede jamais.
Por isso, embora as dificuldades inerentes à caminhada de cada um, jamais fechemos os olhos àquilo que nos cerca.
Sintamo-nos parte desse todo, desse equilíbrio, dessa música universal. 
Mais do que isso, nos sintamos co-criadores da melodia da vida, pois o Grande Maestro conta conosco na execução das notas harmônicas da Criação.
Redação do Momento Espírita.
Em 01.02.2014

quarta-feira, 29 de abril de 2026

OPINIÃO SOBRE TUDO

Impressionantes estes tempos em que precisamos emitir opinião a respeito de tudo. 
Se não opinamos sobre os assuntos do momento, sentimo-nos deslocados, desatualizados. 
Até menos inteligentes. 
Há um sentimento de que quem fala mais sabe mais, de quem tem opinião é mais inteligente. 
E esses são vistos por nossa sociedade como os donos do pedaço. 
Será que isso faz sentido?
Será que temos que dar nosso parecer sobre todo e qualquer assunto que apareça? 
Qual o problema em dizermos: 
-Desculpe, mas não estou a par deste tema. Desculpe, mas não estudei suficientemente sobre essas questões para poder emitir uma opinião segura. 
Isso não é ser menor. 
Demonstra humildade e sabedoria. 
Os que falamos demais, os que falamos sobre aquilo que pouco sabemos, apenas por falar, muitas vezes somos simplesmente exibicionistas de plantão. 
Falamos sem profundidade e nada sabemos além da superfície das ideias. 
Queremos chamar a atenção para nós mesmos, para ganharmos likes ou visualizações. 
Queremos exibir a nossa habilidade de entreter, de fazer piada com tudo, ou mesmo mostrar nosso estilo inconfundível de falar e falar, sem dizer nada. 
É assim que caímos nas armadilhas da verdade. 
Ouvimos parte da história, criamos nossos relatos, nossos julgamentos, fazemos nosso show e despejamos tudo para milhões. 
Basta um dia, basta uma semana e tudo já está diferente. 
As coisas não eram bem assim, novos fatos aparecem, fulano fala com beltrano e tudo muda. 
Aí vêm as retratações. 
Vídeos saem do ar. 
Pedidos de desculpas. 
Processos por difamação. 
Tudo porque não seguramos a língua, tudo porque não esperamos o tempo certo das coisas. 
Um mensageiro de bom senso escreveu uma observação muito pertinente: 
-Observe que, do campo mental aos lábios, temos um trajeto claramente controlável para as nossas manifestações e, por isso mesmo, tão logo a ideia negativa nos alcance a cabeça, busquemos afastá-la. 
Ele acrescenta que um pensamento pode ser substituído, de imediato, no silêncio do espírito, ao passo que a palavra solta é sempre um instrumento ativo de circulação. 
Notemos a sutil observação: da mente aos lábios, temos um trajeto controlável! 
Por isso, trabalhemos por tê-lo sob nosso domínio. 
Esse é um belo sinal de inteligência, de esclarecimento. 
Saber escolher o que dizer, quando dizer e não simplesmente irmos despejando o que nos vem à cabeça. 
Cuidemos com a palavra. 
Não há mal nenhum em, de forma prudente, dizermos: 
-Não posso opinar sobre este caso.
Ou mesmo: 
-Não gostaria de opinar sobre isso, pois não creio que seja necessário. 
Cuidemos mais da nossa vida do que da dos outros. 
Falar por falar não ajuda ninguém. 
Espalhar o mal, espalhar o escândalo, apenas faz com que sejamos terroristas do pensamento, num mundo em que estamos precisando de paz. 
Sejamos os que espalham as palavras de fraternidade, as boas notícias, os elogios, aqueles que buscam o entendimento entre as partes e nunca a dissensão.
O mal não precisa ser divulgado. 
Sejamos os divulgadores dos planos grandiosos do bem.
Redação do Momento Espírita 
Em 29.04.2026

terça-feira, 28 de abril de 2026

UMA IMPORTANTE LIÇÃO

ANDRÉ LUIZ(espírito)
CHICO XAVIER(+
)
Numa época em que um sorvete custava muito menos do que hoje, um menino de dez anos entrou numa lanchonete e se sentou a uma mesa.
Uma garçonete colocou um copo d’água na frente dele. 
-Quanto custa um sundae?-Ele perguntou. 
-Cinquenta centavos, respondeu a garçonete. 
O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las. 
-Bem, quanto custa o sorvete simples?-Perguntou outra vez. 
A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa. 
A garçonete foi se irritando. 
De maneira brusca, respondeu: 
-Trinta e cinco centavos. 
O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse: 
-Eu vou querer, então, o sorvete simples. 
Depressa, a moça trouxe o sorvete simples e a conta, colocou na mesa e saiu. 
O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu.
Quando a garçonete voltou e começou a limpar a mesa, não pôde deixar de chorar. 
Ali, do lado do prato, havia duas moedas de cinco centavos e cinco moedas de um centavo. 
Ou seja, o menino não pôde pedir o sundae porque ele queria que sobrasse a gorjeta da garçonete. 
* * * 
 Ser grato aos que nos servem é um dever tanto quanto servir com alegria. 
Quem serve, deve mostrar gratidão pela oportunidade do trabalho. 
Quem é servido deve demonstrar gratidão pelo serviço do outro, de que necessita. 
Afinal, todos somos, na Terra, dependentes uns dos outros. 
Já imaginou em que se transformaria o panorama do mundo sem a contribuição de faxineiros, pedreiros, carpinteiros, jardineiros? 
O que seria do hospital, com médicos, enfermeiras e gente especializada nos laboratórios, se faltasse a faxina para garantir a limpeza? 
Como poderia garantir a qualidade dos seus pães e doces, o padeiro, sem o concurso do produtor que lhe entregasse a farinha de boa qualidade? 
De que valeria o trabalho muito bem pensado e estruturado de engenheiros e arquitetos, se faltasse a preciosa mão de obra de serventes e carpinteiros? 
Em todo lugar, sempre, dependemos uns dos outros. 
O que abre a loja e expõe a mercadoria, necessita do cliente que observe, goste e compre. 
Clientes e vendedores, patrões e empregados, superiores e subordinados, necessitamos e muito uns dos outros. 
Não podemos sobreviver, muito menos viver uns sem os outros. 
Por isso, a melhor técnica é nos unir, dar as mãos, valorizarmo-nos uns aos outros e sermos gratos pela oportunidade de servir e receber serviços. 
* * * 
O comércio é também uma escola de fraternidade.
Realmente, precisamos da atenção do vendedor, mas o vendedor espera de nós a mesma atitude. 
Sempre que nos sintamos no direito de reclamar, não façamos do nosso verbo um instrumento de agressão. 
Por vezes, a pessoa mal-humorada, em seus contatos públicos, carrega um pesado fardo de inquietação e doença.
Acostumemo-nos a pedir por favor aos que trabalham em repartições, armazéns, lojas, lanchonetes e hotéis. 
Antes de serem empregados à disposição de clientes, são seres humanos que sentem alegria, dor, têm seus problemas e esperam compreensão dos demais seres humanos.
Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada e no cap. 11 do livro Sinal verde, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.
Em 28.04.2026

segunda-feira, 27 de abril de 2026

CONSTRUINDO UM MUNDO MELHOR

Vivemos um tempo em que muitos corações estão cansados.
Notícias tristes, relações frágeis, pressões diárias. 
Às vezes, perguntamos em silêncio: 
-O mundo ainda tem jeito? 
Estamos em transição para uma nova fase da Terra. 
Violência, indiferença, ingratidão, abandono, vingança ainda existem. 
Mas não encontram tanto espaço nos corações despertos. 
O planeta progride, porque a Humanidade progride. 
E cada consciência convertida ao bem empurra a História para a frente.
Não se turbe o vosso coração foi a mensagem do Doce Galileu. 
Essas palavras acendem uma luz suave em meio à inquietação. 
Elas nos lembram que nada está parado: a vida segue em direção ao progresso, e nós seguimos com ela. 
Nosso planeta é uma escola, um mundo de provas e expiações, onde nos compete aprender a domar o orgulho, vencer o egoísmo e semear o que deverá florescer em paz.
Nenhum de nós está fadado a sofrimentos por castigo ou punição divina. 
Padecemos pelas nossas escolhas equivocadas, pelas ações indevidas que praticamos, pelo bem que deixamos de realizar, pelas mágoas que alimentamos ou pelos vícios que abraçamos. 
Porém, esses desafios são ferramentas de crescimento, oportunidades de burilamento. 
Os flagelos, as dificuldades e os desencontros não são interrupções, apenas parte do caminho. 
Trazem lições, acordam consciências, fortalecem a fé. 
Cada lágrima pode nos ensinar, cada erro pode nos reconstruir. 
E, se desejamos um mundo melhor, é preciso começar pelo único território que realmente controlamos: nós mesmos.
Jesus resumiu tudo em um único verbo: amar! 
Amar a Deus, ao próximo e a si mesmo. 
Esse tripé é a base de toda evolução. 
Não há mundo renovado sem pessoas renovadas. 
O futuro se constrói com escolhas. 
Não podemos culpar o mundo, o governo, o acaso ou o destino. 
A transformação não começa na sociedade.
Começa em cada um de nós. 
Quando adotamos atitudes de compreensão e entendimento, ampliamos a harmonia ao nosso redor.
Quando nos dispomos a perdoar, liberamos o outro e a nós mesmos. 
Quando nos empenhamos na realização do bem possível, por menor que possa ser, colaboramos para tornar o planeta mais leve. 
O mundo melhora quando optamos pela corajosa disposição de sermos melhores. 
Podemos colaborar com ações que parecem não ter importância, mas que alteram as paisagens mentais do mundo: olhar com mais compreensão e menos crítica, ter reações menos impulsivas, julgar menos e ter mais compaixão. 
É possível que, por vezes, nos vejamos apenas quebrando pedras num enfrentamento de problemas que parecem insolúveis, que nos encontremos repetindo rotinas, atravessando dias difíceis. 
Pensemos de forma positiva. 
A rocha que reduzimos hoje a pequenos pedaços não mais se constituirá como empecilho no amanhã.
Mergulhemos nesse propósito grandioso de colaborar para a construção do amanhã feliz. 
Do mundo de bênçãos, de menos solidão e mais solidariedade, de menos tempestades e mais ventos brandos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita
Em 27.04.2026

domingo, 26 de abril de 2026

MÚSICA CELESTE

Por um momento, imagine a grandeza do Cosmo. 
Estimam os cientistas que, há quase quatorze bilhões de anos, houve uma explosão de luz e nasceu o nosso Universo.
A ciência chama a isso de Big Bang. 
Para os espiritualistas, ali está a presença de Deus, criando todas as coisas, pronunciando as doces palavras: 
-Que se faça a luz! 
E a luz se fez: bilhões e bilhões de sóis passeiam, solenes, na sinfonia dos mundos. 
Em torno desses sóis, trilhões de planetas, satélites e asteroides executam a dança silenciosa das harmonias celestes. 
Giram planetas sobre si mesmos. 
Giram em torno de sóis. 
Giram os sóis e seu cortejo acompanhando o caminhar das galáxias. 
Ritmo e graça em toda parte. 
Aqui e ali, um cometa – asteroide obscuro – se aproxima de uma estrela. 
E de repente é invadido pela luz. 
Eis que se acende inteiro, como um fósforo cósmico. 
Então se vai, arrastando sua cauda de poeira e gás, a semear a vida pelos mundos. 
Mas, em um desses trilhões de planetas, sob a luz amarela de um sol, os moradores de um certo planeta - a Terra - se orgulham de ser maiores que os demais. 
Vista do espaço, a Terra é um pequeno grão de areia, lindo, que passeia seu azul pelo espaço infinito. 
Mas seus habitantes são como crianças: brigando sempre, acreditando-se senhores da vida, donos dos céus. 
Ah, se pudéssemos nos ver no conjunto do Universo, minúscula gota no grande oceano da Criação!
Certamente seríamos mais humildes. 
Não daríamos tanta importância aos pequenos problemas do dia a dia. Talvez fosse mais fácil perdoar, esquecer, apagar as mágoas. 
Se víssemos nosso mundo como translúcida bolha de sabão que flutua em meio ao pontilhado das estrelas, quem sabe aprenderíamos a reverenciar mais a obra Divina.
* * * 
Estenda os seus olhos para o espaço. 
Nas luzes azuis que piscam a milhares de anos-luz, veja a assinatura do grande Criador de todas as coisas. 
Deus, nome Divino que enche de luz e de música as nossas existências pálidas. 
Deus, quanta grandeza em Ti, sublime Pai de todas as coisas.
Deus, ao Teu sopro de vida, nascemos como Espíritos.
Cumprindo Tuas leis, mergulhamos no corpo tantas vezes e construímos uma trajetória em que as experiências se somam e nos enriquecem de sabedoria. 
Senhor, eis-nos aqui. 
Somos Tuas crianças, que dirigem para ti olhos confiantes.
Se ainda somos tolos, se ainda somos frágeis, ensina-nos a ser fortes e sábios. 
Inspira-nos ainda uma vez a lição da fraternidade universal.
Para que o amor faça morada em nós.
Para que a paz se asile em nossa casa mental. 
Para que sejamos dignos de ser chamados filhos Teus. 
* * * 
Os mundos são estâncias do reino de Deus, esperando por nós, viandantes em marcha para a perfeição. 
Como os países, cidades e aldeias de um mesmo continente, os mundos dos espaços siderais são variadas escolas de progresso tecnológico, intelectual e moral. 
Moradas da Casa do Pai no imenso 
Universo que ainda nos cabe descobrir, explorar, admirar.
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7 e no CD Momento Espírita, v. 28, ed. FEP. 
Em 09.09.2015.

sábado, 25 de abril de 2026

O IMPULSO E O AUTOCONTROLE

No coração das montanhas do país de Gales, vivia o príncipe Aaron, um guerreiro respeitado, dono de vastas terras e de um tesouro verdadeiramente insubstituível: seu fiel cão de caça, Gélert. 
Gélert era conhecido por todos: grande, forte, atento a cada passo do dono. 
Mais do que um animal, era guarda, companheiro de batalhas e sombra inseparável do príncipe. 
Nada passava despercebido àquele cão de olhos vivos e faro aguçado. 
Certa manhã, Aaron partiu para a caça, deixando no castelo aquilo que tinha de mais precioso: seu filho pequeno. 
Ao lado do berço, como sentinela silenciosa, ficou Gélert, encarregado de proteger a criança. 
Horas mais tarde, quando o príncipe voltou, uma estranha quietude pairava no ar.
Ao entrar no quarto, encontrou o berço virado, o chão manchado de sangue. 
Gélert, ofegante, veio em sua direção, com o focinho e as patas manchadas de vermelho. 
O mundo de Aaron desabou num instante. 
Sem pensar, tomado pelo horror e pela certeza de que o cão havia atacado o próprio filho, ele desembainhou a espada.
Com um golpe, pôs fim à vida de Gélert, que caiu aos seus pés com um olhar de confusa lealdade. 
Aaron caiu no chão em lágrimas, sem entender a razão de toda aquela desgraça. 
Foi então que um som cortou o silêncio: o choro fraco de um bebê. 
Atrás do berço tombado, o príncipe encontrou o filho vivo, ileso, apenas assustado. 
Ao lado da criança, estendido no chão, jazia o corpo de um grande lobo, morto a dentadas. 
A verdade o atingiu como uma lâmina: Gélert não era o monstro, mas o herói. 
O sangue não era do menino, mas do inimigo que o cão havia enfrentado e vencido para salvar a criança. 
Consumido pelo remorso, Aaron tomou o corpo de Gélert nos braços e ordenou que fosse enterrado com honra, sob uma pedra marcada para sempre. 
Dizem que, a partir daquele dia, o príncipe nunca mais voltou a sorrir. 
Até hoje, conta-se, naquelas terras, a lenda do túmulo de Gélert, que ecoa como um aviso: algumas decisões tomadas por impulso não têm volta. 
***
Quantas vezes agimos por impulso e nos arrependemos segundos depois! 
Dominados por emoções que eclodem, que nos invadem e tomam conta de tudo, acabamos perdendo o controle, como se diz popularmente. 
-Eu me descontrolei! Não sei o que houve! 
É assim que falamos sobre o que não deveríamos ter falado ou feito e que nos trará consequências difíceis no futuro próximo ou distante. 
-Foi mais forte que eu! - Dizemos. 
É por isso que estamos nos educando diariamente. 
É por isso que o Mestre Jesus nos deixou exemplos tão claros. 
É por isso que a disciplina de pensamentos e o trabalho diário de autoconhecimento são tão importantes. 
Para que, quando cheguem momentos desconcertantes – e eles chegarão –, cada um de nós seja capaz de dominar as emoções, de pensar, de analisar as consequências desse ou daquele ato, e tomemos a melhor decisão. 
Esperemos um pouco antes de agir. 
Esperemos um pouco antes de falar. 
Autocontrole se treina, se educa diariamente. 
É uma faculdade magnífica quando conquistada. 
Redação do Momento Espírita
Em 25.04.2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O MUNDO TEM SEDE DE AMOR


Quando se despedem da Terra pessoas que simbolizam o amor ao próximo e o Mundo inteiro verte as lágrimas quentes dos adeuses é hora de nos determos um pouco para ouvir os apelos da Humanidade. 
Não importa a classe social, a condição financeira, a raça, a religião, a nacionalidade, todos, unidos pelo sofrimento, param para prestar uma última homenagem. 
Os olhares se encontram, rompem-se as barreiras do preconceito, e um grito surdo explode, em comovente apelo silencioso, clamando por paz, por justiça, fraternidade, solidariedade, amor! 
Diante do esquife frio, sente-se que as esperanças se apagarão, assim como as flores que o recobrem estarão murchas dentro de poucas horas. 
Parece que tudo não passou de ilusão, que todos os sorrisos, os abraços, a alegria de viver, encontraram o fim no túmulo sombrio. 
Todavia, quando a morte cobre com seu manto escuro os olhos físicos, a imortalidade se abre no mais além, gloriosa, descortinando outros panoramas para novas realizações. 
A vida segue estuante e bela.
A esperança não cessa com o fim de uma existência. 
O Espírito sai do corpo, sem sair da vida, e se é bom, vai se juntar aos demais lidadores da caridade no hemisfério espiritual, dando seguimento às suas atividades. 
Aqueles que na Terra sentiram os afagos desse amor, e que já se encontram no plano espiritual, os recebem jubilosos, felizes por tê-los junto outra vez. 
As almas caridosas não deixam de o ser porque se libertam do corpo físico, pois a caridade é atributo do Espírito imortal, e não do corpo. 
Eles deixam a existência terrena mas não abandonam a boa luta. 
E para que suas existências tenham valido a pena, é importante que saibamos entender as lições vivas exemplificadas em cada palavra, em cada sorriso, em cada gesto de ternura. 
É importante que saibamos ler, no livro da vida, cada página grafada com carinho, fé, disposição e coragem. 
Se a pessoa mostra ao Mundo, com humildade, o verdadeiro amor ao próximo, ninguém lhe pergunta qual é sua bandeira religiosa, sua nacionalidade, sua cor, sua raça. 
Tão somente é respeitada, porque o Mundo tem sede de amor. 
Tantos foram os homens e mulheres que marcaram as estradas terrestres com suas pegadas de luz e seguem no além a ajudar tantos quantos necessitem de seu amor.
Os verdadeiros sábios sempre se preocuparam em deixar uma equipe treinada para levar avante a bandeira da fraternidade que eles ostentavam enquanto encarnados sobre a Terra. 
Assim, ao contrário do que pensam alguns, a esperança não vai sepultada com os corpos, mas vive com os que sabem entender a mensagem e levá-la adiante. 
* * * 
Cada Espírito assumiu uma missão individual antes de renascer, visando a própria redenção e, por conseguinte a evolução da Humanidade. 
Uns nascem apenas para romper com os preconceitos raciais do seu povo. 
Outros, sem medo de curvar-se ante a miséria alheia, rompem os protocolos e as convenções sociais, mostrando ao Mundo que vale a pena lutar por dias melhores. 
Tantos nascem tão-somente para exemplificar o amor ao próximo. 
Alguns ficam famosos, mas grande é o número daqueles que vêm e vão no mais absoluto anonimato, deixando apenas o rastro de luz por onde passam. 
Nesse contexto, não podemos esquecer do exemplo máximo de abnegação que foi Jesus de Nazaré. 
Ele foi o primeiro mensageiro do amor encarnado sobre a Terra sofrida. 
Depois Dele, a Humanidade jamais foi a mesma. 
E Ele, que jamais nos abandona, constantemente envia Seus anjos para manter acesa a chama da esperança em nossos corações. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.02.2008.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

UM MUNDO SÓ

Léon Denis
Irmãos de jornada na Terra: Desde o início dos tempos estivemos ao seu lado. 
Somos a brisa discreta que se mostra presente, fazendo dançar as folhas verdes na árvore que lhes dá sombra. Somos a nuvem que se dissipa ou se aglomera no alto, prevendo tempo aberto ou momento de lutas. 
Somos a coincidência do encontro e do desencontro, quando desejamos, de alguma forma, que nos ouçam com clareza. 
Somos a lembrança fora de hora. Somos a intuição repentina. Somos a canção de conforto que ecoa na alma, sem aparente razão. 
Somos as ideias que se somam às suas. Somos as letras das suas músicas. 
Somos as músicas das suas letras. 
Enfim, somos um mundo só. 
Sim... 
Nossos mundos sempre foram apenas um. 
Foram vocês que aprenderam a se referir a nós como seres do outro mundo, seres de outra esfera. 
Foram vocês que aprenderam a chamar este lado da vida de lá, de além... 
Fronteiras são apenas desenhos acanhados de transições, de passagens. 
Desaparecerão, tão logo compreendam com mais profundidade as leis universais. 
Tudo é apenas uma questão de perspectiva. 
Escutem: a vida é uma só, a vida do Espírito, de todos nós, independente se estamos vestindo um corpo físico neste instante ou não. 
A vida é uma só e ela nos interconecta a todos, criaturas da criação: desde o átomo até o mais perfeito ser.
E as almas... as almas são todas irmãs. 
Vindas de Deus, todas as filhas da raça humana são unidas por laços estreitos de fraternidade e solidariedade. 
Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. 
O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. 
Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. 
Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do espaço. 
Esta mesma força, que é apenas uma das mil nuances do amor do Criador, sempre propiciou também que as almas, em todos os graus de sua ascensão, fossem atraídas e socorridas pelas entidades superiores. 
Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo. 
É maravilhosa essa fecundação constante dos corações mais áridos, necessitados, pelas almas mais esclarecidas e nobres. Daí vem todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. 
Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. 
Deus, na Sua equidade, nunca recusou seu socorro nem Sua luz para raça alguma, para povo algum. 
A todos tem enviado guias, missionários, profetas. 
A verdade é uma e eterna, ela penetra na Humanidade através de irradiações sucessivas, à medida que seu entendimento se torna mais apto para assimilá-la. 
Um mundo só. 
Sempre fomos um mundo só, interligados pelas sutilezas da vida exultante, entrelaçados em Deus, Espírito e matéria. 
O Espírito sopra onde quer, e eis que aqui estamos, onde desejamos estar, ao seu lado, num mundo só. 
Redação do Momento Espírita, com citação do cap. III, do livro O Grande Enigma, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 27.04.2021.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

UM MUNDO SEM FURTOS

O dicionário nos ensina que ladrão é aquele que se apossa de coisas alheias, aquele que toma do que a outrem pertence e nunca mais devolve. 
Tais objetos serão para seu usufruto ou para comércio a terceiros, transformando o furto em moeda viva para si mesmo. 
Com esses conceitos, denominamos ladrão a quem adentra nosso lar, ou nos aborda na rua e leva nossos bens. 
Também o que se serve da máquina pública, dos bens comuns, para seu único e exclusivo benefício. 
Aquele que desvia para si verbas direcionadas para a escola, o hospital, o posto de saúde. 
Esse, além de ser o usurpador do que tem destino e objetivo certos, se transforma, ainda, em criador de muitos problemas.
Isso porque a verba que não chegará a esses locais, impedirá que a escola seja reformada, ampliada, melhorada para que cumpra melhor seu papel na comunidade. 
O hospital deixará de ter a sua Unidade de Terapia Intensiva, ou mais leitos, a sala de cirurgia adequada, e vidas poderão perecer. 
O posto de saúde não disporá das condições mínimas para que os que o busquem sejam dignamente atendidos. 
Isso significa dizer que além do furto, se acrescentam delitos de maior gravidade. 
No entanto, existem outros tantos tipos de furtos. 
Talvez, habitualmente, pensemos que não. 
Mas, toda vez que nos apropriamos de algo que não nos pertence, o processo não é moral. 
Hoje em dia, quando alguém encontra dinheiro, sobretudo se somas significativas e busca o dono para a devolução, se torna manchete. 
O normal, o ético, o moral se tornou raro e, por isso, quando realizado, ganha destaque. Isso é bom. 
Mas melhor seria se fosse o normal, o comum porque isso diria que nos importamos uns com os outros. 
Afinal, vivendo neste imenso lar chamado Terra, pertencemos todos a uma única e imensa família: a Humanidade. 
Somos irmãos porque criados pelo mesmo Pai. 
Não importa nos diferenciemos pela cor da pele, a cultura, o idioma, as crenças religiosas. 
Somos todos irmãos.
Por isso, natural seria que cuidássemos muito bem uns dos outros.
E nada do que fosse encontrado, ficasse conosco senão o tempo necessário para identificarmos o legítimo dono. 
Como tudo seria mais fácil. 
Não precisaríamos ficar tão preocupados com a casa, o carro, a bolsa, o dinheiro, em momento algum. 
Se déssemos um valor maior ao comerciante teríamos a certeza de que nos seria devolvido. 
Em qualquer aquisição, teríamos também a certeza de que o preço justo estaria sendo exigido. 
Nada exorbitante. 
Não nos estaria sendo oferecido algo como valioso quando não o fosse.
Isso seria mais do que honestidade. 
Seria fraternidade, solidariedade. 
Fazer ao outro, conforme o ensino evangélico, aquilo que a nós mesmos desejamos. 
Como seríamos felizes. 
Andaríamos pelas ruas mais tranquilos. 
Sairíamos em férias descontraídos, sem o temor de sermos assaltados no caminho ou no local visitado. 
Nem mesmo com a possibilidade de retornarmos ao lar e o encontrarmos sem os pertences, que adquirimos com trabalho e esforço. 
Finalmente, investiríamos em nossos políticos, conduzindo-os ou reconduzindo-os a seus cargos, com a certeza de que verdadeiramente seus objetivos seriam servir ao povo. 
Um mundo melhor.
Um mundo sem apropriações indevidas. 
Uma Terra de paz. 
Um lar. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.11.2014.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O ESPORTE E A GUERRA

Marleth Silva
Cerca de cinquenta homens de cada lado. 
Homens preparados para lutar, para matar. 
Vindos de lugares diferentes. 
O que eles têm em comum é que são loucos por futebol. 
O clima deveria ser natalino, mas as circunstâncias os colocaram em campos opostos. 
O lugar onde se encontram é terra de ninguém. 
O apito soa em algum lugar. 
O que eles fazem? 
Eles se divertem com a bola improvisada. 
Chutam e brincam de marcar gols, de dar passes e de driblar.
Eles são soldados alemães, de um lado, e soldados ingleses, do outro. 
Ninguém perde, todos ganham. 
Depois de meia hora de brincadeira são convocados a voltar para as trincheiras. 
Era 25 de dezembro de 1915 e a Primeira Guerra Mundial mataria a maioria deles. 
Mas, naquela improvável confraternização de Natal, eles foram felizes. 
Quem deu a ordem para a brincadeira acabar foi o major britânico, que ordenou o retorno da tropa para a trincheira lembrando, aos gritos, que estavam lá para matar os alemães, não para fazer amizade com eles. 
Não há registros oficiais dessa partida, mas houve alguns relatos dos participantes. 
A “Trégua de 1915” está nos livros de História, não é um conto de Natal. 
Um dos soldados acabou conhecido por ter vivido muito.
Viveu para contar e fez um relato singelo daquele Natal.
Afirmou que, na noite de 24 de dezembro, ele e seus colegas ouviram canções de Natal, vindas do lado alemão e responderam cantando. 
Naquele Natal de 1915, houve diversas tréguas improvisadas e informais, ao longo das frentes de batalha. 
Porém, aquela breve partida de futebol, um futebol alegre, sem resquícios de batalha, foi inesquecível. 
* * * 
Nestes tempos em que as arenas de futebol parecem verdadeiros campos de batalha, campos de ódio e violência, vale a pena refletir sobre algumas questões: 
Será que estamos entendendo a verdadeira função dos esportes em nossa sociedade? 
Será que perdemos o espírito esportivo, quando transformamos essas atividades em simples negócios, onde não há mais espaço para diversão e confraternização? 
Será que estamos voltando às arenas para assistir massacres? 
Depois de tanto tempo? 
Será que ainda temos na alma esse prazer doentio? 
No que nos tornamos quando vestimos a camisa desse ou daquele time? 
Será que uniformes têm poder de nos transformar em primitivos novamente? 
Não podemos permitir isso. 
Não mais. 
Fomos tão cruéis durante tanto tempo e agora, que temos a chance de viver a Nova Era, a era de amor, de amizade, insistimos nesses vícios destruidores? 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde do corpo e da alma. 
Esporte é superação íntima. 
Esporte não é destruição ou um simples instrumento para colocarmos para fora nossos animais internos. 
O prazer de reunir um grande grupo para torcer por essa ou aquela equipe, nessa ou naquela modalidade, deve estar na confraternização. 
O esporte perde seu sentido quando abandona a diversão, o lúdico. 
E mais, quando abandona a paz. 
Ele deve ser instrumento da paz, e não da guerra. 
Reflitamos sobre isso tudo. 
Eduquemos nossas crianças. 
Alteremos os costumes bárbaros ainda tão presentes nos esportes da Terra. 
Esporte é vida. 
Esporte é saúde, confraternização e veículo da paz. 
Redação do Momento Espírita com base em reportagem de Marleth Silva, do jornal Gazeta do Povo, de 15.12.2013. 
Em 21.04.2026

segunda-feira, 20 de abril de 2026

ENVELHECER É PERDER OU GANHAR?

Chega um dia em que nos olhamos no espelho e percebemos que o tempo deixou suas marcas. 
Os cabelos mudaram de cor. 
A pele não mais reflete o frescor da aurora. 
O corpo pede mais pausas. 
O simples ato de se levantar da cama ou do sofá exige mais esforço. 
O processo do envelhecimento envolve perdas concretas, como a agilidade que nos permitia correr sem cansaço.
Quase sempre, esse momento vem acompanhado de tristeza, como se fosse um lento processo de perdas. 
Enfrentamos a despedida de entes queridos, o que nos obriga a encarar a finitude de forma inevitável. 
No entanto, a vida, sábia professora, nunca retira sem oferecer algo em troca. 
Envelhecer é o equilíbrio delicado entre o desbotar do corpo e o florescer da consciência. 
Com o passar dos anos, aprendemos a ouvir mais e a falar menos. 
Descobrimos que nem toda batalha precisa ser travada e que muitas discussões podem ser evitadas com um simples silêncio. 
Conta-se que um senhor, sentado em um banco de praça observava crianças correndo e rindo, cheias de energia.
Alguém comentou, com certo tom de pesar, que ele já não podia fazer o mesmo. 
Ele sorriu serenamente e respondeu: 
-É verdade, mas hoje eu consigo amar sem pressa, perdoar sem esforço e compreender sem julgar. 
O corpo pode cansar, mas a alma amadurece. 
Aquilo que antes parecia urgente perde a importância. 
Os afetos sinceros, a consciência tranquila, o bem realizado ganham novo significado. 
Jesus nos alertou sobre isso quando disse: 
-Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
Durante muito tempo, colocamos nosso tesouro na aparência, na beleza, na força física, nas conquistas externas. 
Com o passar dos anos, aprendemos a guardá-lo em outro lugar: no amor que oferecemos, na paz que conquistamos, na bondade que espalhamos. 
Envelhecer, portanto, não é decadência. 
É o momento em que a alma começa a se revelar com mais clareza, desprendendo-se, pouco a pouco, das ilusões do mundo material. 
Ganhamos a paciência de quem já viu o sol nascer e se pôr, inúmeras vezes, compreendendo que a maioria das tempestades é passageira. 
Ganhamos a liberdade de não precisar da aprovação externa, trocando a máscara social pela autenticidade do ser.
Ganhamos olhares mais brandos, a calma que antes nos faltava. 
Ganhamos amigos verdadeiros, aqueles que ficam. Ganhamos histórias para contar, memórias que aquecem o coração nos dias silenciosos. 
Ganhamos sabedoria para escolher o que realmente importa.
Ganhamos filhos, netos e, às vezes, até bisnetos. 
Ganhamos abraços mais apertados, sorrisos que nos renovam as forças.
Ganhamos ajuda e, com ela, a humildade de aceitá-la. Ganhamos a oportunidade de ensinar pelo exemplo. Ganhamos um novo jeito de amar: mais sereno, mais maduro, mais verdadeiro. 
Ganhamos a paz da consciência que aprendeu com a vida.
Deixamos de ser colecionadores de momentos para nos tornarmos síntese de experiências. 
Perdemos o que temos para possuirmos quem somos. 
Então, envelhecer será perder ou ganhar? 
Redação do Momento Espírita 
Em 20.04.2026

domingo, 19 de abril de 2026

O MUNDO QUE EU DESEJO!

É frequente, não raro mesmo, ouvirmos das pessoas reclamações a respeito do mundo em que vivemos, lamúrias e queixas a respeito da sociedade contemporânea. 
Várias são as vezes em que as pessoas se reúnem para se queixar dos dias cada vez piores, segundo elas. 
E às vezes somos nós mesmos a iniciar a lista de reclamações e queixas.
Gostaríamos de dias com mais honestidade, reclamam uns. 
Outros desejariam uma sociedade mais pacificada, menos violenta, menos agressiva. 
Tantos outros gostariam de ter relações sociais permeadas com mais paciência, solidariedade, compreensão. 
Nada mais compreensivo para esses dias que se mostram tão desafiadores e tão contrastantes. 
Porém, antes de iniciarmos a elencar tudo o que desejaríamos para nossa sociedade, há que se perguntar: 
-O que vimos oferecendo para o mundo em que vivemos? 
Se desejamos um mundo honesto, a honestidade deve iniciar-se em nós.
Se nos choca ver políticos a desviarem verbas e valores que não são seus, o que falar quando nos evadimos da padaria ou do supermercado com troco a mais, levando um dinheiro que não nos pertence? 
Se reclamamos da falta de honestidade dessa ou daquela pessoa, precisamos pensar quantas vezes não somos os primeiros a ensinar ao filho os caminhos da mentira, pedindo-lhe para afirmar ao telefone ou à porta da residência que não nos encontramos. 
Não nos causam mais forte comoção a violência do mundo, as guerras, lutas de gangues, o barateamento da vida que tomba pelas armas de fogo, pelos motivos mais banais. 
Só não podemos esquecer que, muitas vezes, somos nós a semear a discórdia, a guerra e a malquerença no ambiente de trabalho ou na própria família.
A sociedade é o retrato dos seus habitantes. 
São os Espíritos reencarnados, com seus valores e vivências, que fazem os dias que ora vivemos.
E se fomos convidados pela Providência Divina a reencarnar em dias tão desafiadores é porque eles nos oferecem lições valiosas.
Talvez se faça necessário vivenciar os extremos da violência para nos decidirmos a implantar a paz em nosso agir. 
Ou talvez seja necessário o cansar da desonestidade que permeia a tudo, para revermos os valores pelos quais nos conduzimos, e decidirmos resolutamente pelo bem. 
Não vivemos nesses dias que se passam por mero acaso Divino. 
Essa sociedade que se nos oferece é a oportunidade que a vida nos dá para os melhores aprendizados para a alma. 
E se hoje percebemos que não nos servem mais os valores e conceitos que o mundo ainda elege por padrão, que se inicie em nós a mudança para uma sociedade melhor. 
Ninguém pode exigir da vida aquilo que ainda não lhe oferece. 
Logo, elejamos os valores pelos quais queremos que o mundo caminhe, e iniciemos os primeiros movimentos para tal. 
Tomemos os valores que desejamos para o mundo e comecemos a sua vivência. 
Não tardará que outros, admirados pela nossa coragem e disposição, principiem a sua trajetória. 
De início, tímida e silenciosa. 
Mas será através da mudança da intimidade de cada um de nós que o mundo, definitivamente, irá mudar. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 15.10.2010.

sábado, 18 de abril de 2026

FOTOGRAFIAS SEM SORRISOS

Olhamos com certa estranheza os velhos álbuns de fotografia.
Nos retratos, nas poses em grupo, raramente se identifica um sorriso. 
Os que julgamos precipitadamente podemos conjeturar: 
As pessoas eram menos felizes naquela época! 
Ou ainda: 
Como eram contidos, sisudos, nossos antepassados!
Analisemos com vagar e talvez descubramos que não se trata de uma nem de outra situação. 
Quem sabe fazendo o exercício inverso, a título de uma breve brincadeira, possamos compreender melhor. 
Imaginemos que essas pessoas do passado tivessem a chance de ter em mãos coleções de fotos de habitantes do futuro, ou seja, da nossa atualidade. 
Não apenas isso, mas também ter acesso às memórias por trás de cada fotografia. 
Eis um primeiro comentário que poderia surgir: 
Por que eles acham que precisam sorrir em todas as fotografias? 
Por que, mesmo não querendo, eles forçam sorrisos? 
Vejam! 
Aprenderam a ser atores em alguns momentos, pois conseguem trocar os rostos amarrados, por vezes espumando de ódio, por lindas expressões de alegria! 
Que tipo de fenômeno foi esse que aconteceu com a Humanidade? 
Eles conseguem armar e desarmar um sorriso como quem arma e desarma um guarda-chuva! 
E que tal este outro fenômeno curioso: tantas fotografias de si mesmos, em várias posições, como se estivessem buscando alguma coisa, como se estivessem em frente a um espelho que não os satisfaz. 
Os comentários poderiam seguir e teríamos ainda boas reflexões. 
E os habitantes do passado poderiam justificar sua aparente seriedade dizendo: 
-Fotos eram registros, documentos, momentos estranhos, normalmente em frente a um profissional que mal conhecíamos. 
Não havia por que sorrir. 
Guardávamos os sorrisos para os momentos importantes da vida, quando tínhamos realmente vontade de sorrir. 
Muitas vezes, sorríamos logo depois que aquelas sessões cansativas terminavam! 
Sorríamos de alívio, pois não estávamos acostumados com aquelas coisas. 
Sorríamos em casa, quando acordávamos e olhávamos pela janela ou quando abraçávamos nossos filhos e netos.
Sorríamos quando recebíamos visitas ou quando visitávamos alguém que estimávamos muito. 
* * * 
Os tempos são outros. 
Reflitamos como banalizamos o sorrir a ponto de não sabermos mais quando ele é genuíno ou montado.
Nem dos outros e o mais grave: nem o nosso! 
As redes sociais estão repletas de sorrisos de mentira, de expressões armadas para parecer algo que não está lá ou que não existe de fato. 
Queremos parecer, mostrar, estar bem na foto, para pertencer, para sermos aceitos e amados. 
Tudo isso antes do mais importante: arrumar a casa interna.
Estar bem conosco mesmo. 
O verdadeiro sorriso precisa vir de dentro, do coração em paz, do coração grato, da alma em equilíbrio. 
Sorrir porque está todo mundo sorrindo? 
Sorrir porque senão vão achar ou pensar isso ou aquilo de nós? 
Não. 
Vamos sorrir quando estivermos preparados para sorrir. 
Se procurarmos bem, perceberemos que temos muitos motivos. 
Podemos ainda não ter encontrado devido a uma fase difícil, mas ele está esperando com paciência por nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.04.2026