quarta-feira, 5 de agosto de 2026

NÃO SEI...

CORA CAROLINA
Algumas pessoas passam pela vida perguntando se vale a pena tanto sofrimento... 
Se tanta correria vai nos levar a algum lugar, nesse curto tempo de uma vida. 
Se o desamor e a miséria, que nos rodeiam, merecem nosso esforço por algo, ou alguém, ainda hoje. 
Se a vida que temos nos levará a sentirmos mais paz e alegria, algum dia. 
Muitas são as nossas dúvidas, quando desprovidos de conhecimentos maiores. 
Diversas inquietudes nos movimentam a mente que se encontra sem um porto seguro. 
A incredulidade cria forças frente aos desatinos que se presencia a todo instante. 
Por vezes, temos a impressão de que deve existir algo mais positivo, mas não registramos claramente, ainda. 
Sentimos ter recurso valioso, em nosso interior profundo, mas vivenciamos tudo, automaticamente, no exterior. 
E, por esse não entendimento da vida e do tempo, nos equivocamos. 
Em muitas oportunidades, amamos apenas aos que nos amam, e deixamos às margens de nosso querer, outros que caminham ao nosso lado...
Auxiliamos a quem nos auxilia, e nem observamos os que choram suas necessidades em nosso caminho... 
Oferecemos aos nossos filhos o melhor que sabemos, temos, e podemos, e ignoramos a criança faminta que pede um pão...
Tantas dúvidas permeiam nossos dias na Terra... 
* * * 
Somente quando a vida nos leva a reflexões maiores, passamos a compreender o seu real sentido. 
Aprendemos que a realidade que somos e vivemos, é uma grande oportunidade de crescimento interior. 
Nada de bom ou de ruim nos chega por mero acaso, desde que acaso não existe nos planos Divinos. 
Aprendemos que o sofrimento é lição para a alma se aprimorar, na grande e libertadora escola da vida. 
Que a solidariedade nos faz mais felizes ao vermos a alegria no olhar do irmão atendido. 
Que nosso gesto de carinho para quem sofre nos inunda de sentimentos até então desconhecidos. 
Que a oração que elevamos aos céus nos deixa mais leves e satisfeitos com a vida que temos. 
* * * 
Compreender o real sentido da vida nos leva a sair de nós mesmos e seguir ao encontro do outro. 
A exigirmos menos de tudo o que nos cerca e a darmos mais do que possuímos. 
A valorizarmos o que antes não percebíamos e a deixar de lado o que nada nos acrescenta. 
A nos preocuparmos mais com o que fazemos e menos com o que os outros fazem. 
E, a percebermos que o que fazemos na vida e da vida, é responsabilidade nossa. 
Aquilo que o outro faz é problema dele.
Enfim, a entendermos, mais e melhor, as palavras da grande poetisa, Cora Coralina, quando registra:
-Não sei... 
Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. 
Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de versos da poesia Não sei, de Cora Coralina, disponível no site http://www.tempodepoesia.name/naosei_cc.htm 
Em 23.09.2016.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

PIEDADE EM CASA

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Muitas vezes saímos procurando exercer a caridade nas ruas, mas esquecemos das lições básicas dentro da nossa própria casa. 
Como nos aconselha o Espírito Emmanuel, não precisamos esperar que a dor bata à nossa porta para deixar a flor da compaixão desabrochar no peito. 
Tentemos ser mais carinhosos e gentis com os nossos familiares dentro dos nossos lares. 
A nossa casa é a melhor escola, onde todo dia temos várias chances de praticar o bem. 
Quando alguém sob o nosso teto perder a cabeça, respiremos fundo e ofereçamos a nossa tolerância silenciosa. 
Evitemos frases duras de acusação quando um parente se ausentar ou demorar um pouco mais do que o previsto para retornar. 
Da mesma forma, não nos irritemos com aquele irmão que acabou se deixando levar pelo orgulho nas ilusões da vida. 
Na qualidade de marido, procuremos desculpar a fraqueza ou a irritação da companheira naqueles dias mais cinzentos da incompreensão. 
Como esposa, busquemos perdoar as falhas do companheiro, ajudando-o a crescer. 
Pais e mães, tenhamos piedade com os filhos quando eles estiverem dominados pela indisciplina. 
Filhos, saibamos compreender os pais quando eles pesarem a mão no rigor. 
É fundamental estender a mão ao familiar que se equivocou para que a situação não piore. 
Lembremos de que toda revolta nasce da nossa própria ignorância diante da vida. 
Então, façamos das nossas horas em família um verdadeiro exercício de fraternidade. 
Quando sentirmos que a impaciência ou a raiva estão tomando conta, experimentemos adotar o silêncio como o grande guardião da paz íntima. 
Tenhamos compaixão, sempre. 
Mesmo que tudo ao nosso redor pareça desespero, amparemos as pessoas e esperemos com calma, sem reclamar. 
Vamos nos habituar a deixar o mal de lado, fazendo todo o bem que estiver ao nosso alcance diariamente. 
Seremos sempre os maiores beneficiados.
*** 
Lembremos que nascemos com quem deveríamos ter nascido, por mais estranho que isso possa nos parecer em muitas ocasiões. 
Alguns nos sentimos deslocados em nossos grupos familiares.
Outros destoamos significativamente. 
Prestemos muita atenção nisso. 
Nem sempre os que encarnamos numa mesma família somos seres simpáticos, atraídos por afinidade. 
Deus permite que, nas famílias, ocorram encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.
A proposta do Criador é muito rica: contato com a diversidade e a chance de reconciliação. 
Se apenas buscássemos aqueles que pensam como nós, que nos fazem as vontades e nos admiram por tudo que fazemos, pouco aprenderíamos. 
Precisamos desse contato de arestas, do convívio com aquele que pensa diferente, com aquele que apresenta outros pontos de vista. 
Vejamos como mesmo dentro de uma mesma irmandade, filhos dos mesmos pais, temos diferenças bastante significativas. Isso não é o acaso. 
Somente assim melhoramos, somente assim nos auxiliamos uns aos outros. 
A natureza opta pela diversidade, pela diferença, pois sabe que ela nos motiva ao crescimento. 
 Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Alvorada do Reino, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL e no cap IV de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 03.08.2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE SOTERRAR

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua pequena fazenda. 
Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado. 
O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. 
O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. 
Mas, pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.
Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. 
O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o cobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.
No entanto, à medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia, derrubava-a no chão e ia pisando sobre ela. 
Logo, os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que, finalmente, conseguiu sair. 
* * * 
Algumas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. 
É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. 
Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade. 
Afinal, se nos permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções: ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo, ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre. 
É importante que, se estamos nos percebendo soterrar, sacudamos a terra e a aproveitemos para subir. 
Ademais, em todas as situações difíceis que enfrentamos na vida, temos o apoio incondicional de Deus, nosso Pai Celestial, do qual podemos nos aproximar através da oração.
E a oração é uma poderosa alavanca de que podemos lançar mão a qualquer momento e em qualquer lugar. 
* * * 
Jesus nos recomendou oração e vigilância. 
A vigilância constante pode nos poupar de muitos dissabores, pois quem está atento facilmente percebe a investida de sentimentos perigosos que podem nos infelicitar. 
É a chegada silenciosa de uma desilusão, da inveja, do orgulho, da soberba, da solidão e de outros tantos detritos que pesam em nossa economia moral e tendem a nos levar para o abismo. 
A oração é recurso precioso que nos permite as forças necessárias para resistir a todas as investidas menos felizes.
Por isso, vale a pena meditar sobre os sábios conselhos do Mestre de Nazaré, pois eles podem nos ser muito úteis na conquista da felicidade que tanto desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autor desconhecido.
Em 24.04.2018.

domingo, 2 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE DESESTIMULAR

RAUL TEIXEIRA
No seu aprendizado diário, na caminhada necessária para a evolução, você encontra empeços variados, ao longo do caminho, que parecem destinados a lhe desanimar no longo percurso. 
Muitas vezes você encontra os chamados inimigos gratuitos, os amigos faladores que o deixam em situações difíceis.
Outras vezes você se depara com enfermidades físicas, com as deficiências de caráter de tanta gente, o que lhe provoca profunda tristeza, pois são companheiros que não movem uma palha em seu favor, embora ocupem seu tempo sempre que encontram a mínima dificuldade.
Você tem à sua volta a inflação que cresce e os ganhos materiais que parecem não acompanhá-la, o que lhe faz pensar que quanto mais trabalha menos ganha e gasta mais.
Você costuma ver desmoronar os mais acalentados sonhos domésticos, sem se sentir no direito de fugir. 
Desmoronam os anseios do cônjuge atencioso e afetuoso; dos filhos estudiosos, responsáveis, respeitosos; da família companheira capaz de supri-lo de energias nas horas apertadas para o seu coração. 
Como se não bastasse, ainda surge a indiferença que o faz sentir-se solitário no mundo, sem qualquer apoio ou sustentação moral.
Contudo, seja qual for a luta que lhe caiba, seja qual for o testemunho que tenha de enfrentar, não se deixe desestimular, não se permita o abatimento. 
Você não é vítima da vida. 
Encontra-se unicamente em processo de reeducação, tendo oportunidade de acertar-se com a vida que um dia desrespeitou em vários de seus aspectos. 
Você que conhece Jesus, ou que um dia ouviu sobre a Lei de Causa e Efeito, deve raciocinar que o bem ou o mal semeado na vida, da vida será colhido, e o seu desconsolo ou o seu desalento em nada colaborará para a resolução dos seus problemas.
Você deverá, então, aprender a analisar melhor as situações pelas quais tenha que passar.
Deverá aprender a perdoar, a compreender, a respeitar diferenças, a falar menos, a penetrar melhor as razões das coisas, a condenar menos, a ser mais indulgente. 
O tempo implacável não para. 
Assim, se você o aproveitar para aprender a crescer e ser feliz, ele o abençoará com expressiva claridade. 
Caso o desperdice, recolhendo-se à maldição do desânimo ou à fuga, verdadeiramente terá lançado fora o mais expressivo tesouro que nos é oferecido pelo Criador, para que nos façamos ricos e felizes: o tempo.
Não se perca nas teias do desestímulo. 
Confie sempre em Deus, que lhe dá sempre o melhor, dando-lhe chances de brilhar e ser feliz. 
* * * 
Pense nisso. 
Os obstáculos que surgem no seu caminho, não são para impedir seus passos. 
São desafios para serem superados. 
Cada vez que você consegue vencer uma dificuldade, sai dela mais fortalecido e mais confiante. 
Assim, não se deixe, jamais, desestimular, em circunstância alguma, pois Deus confia no seu poder de vencer os impedimentos e vencer-se a si mesmo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita v. 6, ed. FEP. 
Em 02.09.2022.

sábado, 1 de agosto de 2026

A ALFORRIA DO TEMPO

Nas vastas terras da Capadócia, onde o vento desenha formas místicas nas rochas e o céu se colore de poesia, reside uma das mais belas lições de gratidão da Terra.
É a história dos seus cavalos. 
Durante anos, esses animais de força monumental entregam seu suor e sua energia aos homens. 
Puxam o arado, carregam fardos pesados, cruzam vales sob o sol causticante e o frio rigoroso. 
Quando a velhice lhes bate à porta e suas pernas já não têm a agilidade de outrora, a tradição local não lhes reserva o descarte ou o esquecimento. 
Premia-os com a liberdade. 
Os cavalos são devolvidos à natureza. 
Despidos de selas e arreios, ganham o direito de correr livres pelas planícies, de pastar sem pressa e de contemplar o sol que se deita no horizonte. 
É a poesia da aposentadoria animal: o reconhecimento sagrado de que quem muito serviu merece o descanso.
Libertos, esses cavalos tornam-se totalmente selvagens. 
Eles vivem em bandos livres, correndo pelas planícies, desertos e montanhas da região. 
Eles desenvolveram uma resistência física impressionante e um comportamento de manada puramente selvagem. 
Um dos passeios mais disputados por quem visita a região é fazer safáris fotográficos para registrar as nuvens de poeira levantadas por centenas de cavalos correndo juntos ao pôr do sol. 
* * * 
Se o coração humano é capaz de tamanha sensibilidade com os benfeitores de quatro patas, quanto mais devemos exercitar essa mesma reverência para com os nossos idosos.
Quantos homens e mulheres entregaram a primavera e o verão de suas vidas para erguer as estruturas do mundo em que habitamos? 
Trabalhadores silenciosos que doaram o suor de suas frontes, o vigor de seus músculos e a lucidez de suas mentes para sustentar famílias, educar filhos e movimentar a sociedade.
Quando essas almas queridas chegam ao inverno da existência física, quando os cabelos de prata testemunham o cansaço do corpo, elas não devem encontrar a invisibilidade.
A velhice lhes deve ser o momento mais luminoso da jornada.
Sua aposentadoria precisa ser vista como uma merecida carta de alforria. 
O direito legítimo de viver bem, com a dignidade garantida.
Desfrutar da liberdade de caminhar devagar, sem o relógio a ditar as regras. 
De gozar a delícia de um pôr do sol sem a preocupação com o amanhecer do trabalho. 
Deve ser o tempo bendito de viajar ao encontro dos seus amores, de abraçar os afetos que o tempo e a distância afastaram. 
Essa fase deve ser o convite para o lazer da alma. 
O momento de dedicar-se àquela arte há muito guardada no fundo do peito. 
Pode ser deslizando o pincel sobre a tela, descobrindo cores na pintura, escrevendo memórias, costurando afetos ou simplesmente contemplando as belas paisagens que a rotina, outrora, os impedia de ver.
Quem trabalhou honestamente por décadas tem o direito soberano de ser feliz na calmaria de seus dias derradeiros.
Garantir-lhes um entardecer de paz é o teste definitivo da evolução moral de uma sociedade. 
Que possamos oferecer aos nossos idosos o respeito, o carinho e a liberdade que lhes é devida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 31.07.2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

NÃO SE AFASTAR!

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Muitas pessoas demonstram descontentamento com o meio em que habitam. Afirmam-se sem afinidade com os parentes. Não apreciam os colegas de trabalho. 
Encontram apenas defeitos nos vizinhos. 
Abominam o caráter e o comportamento dos habitantes de seu país. 
De forma gradual, procuram afastar-se do convívio familiar e social. 
Surpreendentemente, muitos dos que assim agem se dizem cristãos. 
Encantados com a figura e a mensagem do Cristo, sonham com um mundo perfeito. 
Contudo, esquecem que Jesus deixou por supremo mandamento o amor. 
É impossível ao mesmo tempo amar e desprezar. 
No contexto da mensagem cristã, o amor não é necessária e imediatamente um sentimento. 
Afinal, é difícil demonstrar arroubos de ternura por um inimigo, por alguém que nos deseja o mal. 
Mas é sempre possível agir corretamente com todas as pessoas. 
Tratá-las como gostaríamos de ser tratados, se estivéssemos no lugar delas. 
Assim, embora o comportamento de alguns companheiros não nos agrade, devemos ser sempre corretos com eles. 
Essa correção de atitude implica auxiliá-los em suas dificuldades, da espécie que sejam. 
É bom que já anelemos por uma sociedade mais pura. Constitui um sinal de progresso nosso desgosto com ambientes e hábitos corrompidos. 
Mas isso não é razão para desprezarmos os irmãos de jornada. 
Se desejamos a união com o Cristo, precisamos lembrar que Ele jamais desampara a Humanidade. 
Em certa passagem do Evangelho, o Mestre foi explícito ao afirmar que nenhuma de Suas ovelhas se perderia. 
Se a luz da consciência já brilha forte em nós, auxiliemos na transformação do mundo em que vivemos. 
A Providência Divina nos colocou no ambiente em que mais úteis podemos ser. 
Não convém hesitar quando o bom combate apenas começa.
Por séculos, em inúmeras encarnações, a ignorância imperou em nossos atos. 
É um conforto perceber que finalmente reunimos condições de laborar no bem. 
Regozijemo-nos com isso e partilhemos nossos tesouros materiais e espirituais. 
Todos os homens são irmãos. 
O cristão não pode fugir dos semelhantes. 
Ele necessita ser um fator de luz e de paz nos meios em que se movimenta. 
A mensagem cristã não constitui um convite ao afastamento da Humanidade. 
Ser cristão não implica a busca de uma santidade artificial e contemplativa. 
Ao contrário, esse estado de consciência exige trabalho ativo na transformação do mal em bem.
Os exemplos de Jesus foram muito claros nesse sentido. 
Ele não se furtou de conviver com mulheres equivocadas e ladrões, a título de preservar a própria pureza. 
O Cristo jamais fugiu do contato com os discípulos. 
Esses é que O abandonaram na hora do extremo testemunho.
O Mestre não se afastou dos homens. 
Os homens é que O expulsaram de seu convívio pela crucificação dolorosa. 
Não sejamos nós, em nossa imperfeição, a evitar o contato com o próximo. 
Se desejamos a paz do Cristo, é natural pedirmos a Ele que nos liberte do mal. 
Mas não é legítimo rogarmos que nos afaste dos locais de luta. 
Com o Mestre, devemos aprender a conformar nossa vontade com os propósitos divinos.
A encontrar prazer em ser um fator de paz e progresso. 
A cooperar alegremente na execução da Vontade Celeste, quando, como e onde for necessário. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no capítulo 57 do livro Vinha de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 20.04.2018.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

NOSSA OBRA PRIMA

No grande tear da existência, nada acontece por acaso. 
Antes que o primeiro sopro de vida anime o corpo físico, no silêncio vibrante do mundo invisível, traçamos as diretrizes de nossa nova jornada. 
Entre as escolhas fundamentais está o planejamento profissional. 
Por vezes, olhamos para o trabalho como um fardo necessário ou uma busca incessante por recursos. 
No entanto, a profissão cumpre uma dupla finalidade: ser uma peça útil na engrenagem da estrutura social e permitir o ganho honesto da moeda, garantindo o crescimento da vida material.
A profissão é o convite para que sejamos um operoso cooperador do Reino de Deus, transformando a Terra em uma estância gloriosa de progresso. 
Ser um bom profissional é compreender que o dever é o ponto de partida. 
Mas a excelência — aquela que nasce do amor — deve ser a meta. 
É ir além do que dita o contrato, é colocar a alma na ponta dos dedos e o coração em cada gesto. 
Pensemos no médico. 
O bom profissional da saúde não é aquele que domina a técnica ou prescreve a medicação correta. 
É, sobretudo, aquele que, ao entrar no quarto do hospital, leva consigo uma claridade que não vem das lâmpadas. 
Ele percebe que, além da enfermidade, existe um Espírito em sofrimento. 
Vai além do dever quando oferece o ouvido atento, o toque consolador e a palavra que restaura a esperança. 
Ele não cura apenas corpos. 
Ele medica almas, tornando-se um canal das energias superiores. 
A missão do professor, por sua vez, transcende a simples transmissão de dados ou fórmulas. 
É aquele que ilumina mentes obscurecidas pela ignorância.
Enxerga no aluno difícil um potencial adormecido e dedica minutos extras para acolher uma angústia adolescente.
Ensina, pelo exemplo, que a ética e a bondade são as disciplinas mais importantes da vida. 
Ele é o escultor do futuro, o mestre que transforma o saber em sabedoria. 
E que dizer do motorista? 
No ônibus lotado, no Uber ou no transporte escolar, ele é o guardião de vidas e sonhos. 
Vai além do dever quando mantém a calma diante do trânsito caótico, quando oferece um bom dia que desarma a agressividade alheia. 
Ou quando dirige com tamanha prudência que seus passageiros sentem estarem protegidos. 
Ele transforma o asfalto em um caminho de respeito e dignidade. 
O profissional de qualquer área, do gari que limpa a cidade com esmero, ao engenheiro que projeta com segurança, ou o atendente que sorri apesar do cansaço, todos têm em mãos uma ferramenta sagrada. 
São instrumentos do progresso. 
Trabalhar com dedicação é uma forma de psicografar a Bondade Divina no cotidiano. 
É provar que a colaboração com o Criador se faz com o suor do rosto transformado em bálsamo para o mundo. 
Quando fazemos mais do que o estritamente necessário, estamos implantando utilidades e avanços que aceleram a marcha da civilização. 
Nossa profissão é nossa assinatura no livro da vida. 
Façamos dela nossa obra-prima. 
Afinal, no fim da jornada, o que contará não será o cargo que ocupamos ou a fortuna que acumulamos, mas o quanto de luz espalhamos através das tarefas que o Pai nos confiou.
Redação do Momento Espírita 
Em 29.07.2026

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NOSSAS COLUNAS DE SUSTENTAÇÃO

Muitas vezes, ao cruzarmos o limiar de uma nova existência, o véu do esquecimento nos envolve como um manto protetor.
Olhamos ao redor e vemos rostos familiares, ouvimos vozes que nos acalentam. 
Também, por vezes, enfrentamos temperamentos que nos desafiam. 
No entanto, raramente nos damos conta da grandiosidade do planejamento que nos trouxe onde nos encontramos. 
Nada, absolutamente nada na economia divina acontece ao acaso. 
O berço onde despertamos, a família que nos recebe, o solo em que pisamos e as circunstâncias que nos cercam são peças de um mosaico meticulosamente desenhado pelo amor supremo. 
Retornar ao cenário da carne é oportunidade de refazer caminhos, de polir a alma e de aprender a amar com a pureza que o Cristo nos ensinou. 
Para que esse aprendizado seja legítimo, Deus nos concede o benefício do esquecimento. 
Imaginemos se carregássemos, a cada minuto, o peso consciente das nossas falhas de outrora. 
O remorso seria um fardo pesado demais, uma âncora a nos prender ao passado, dificultando-nos decisões e ações. 
O esquecimento é a liberdade que nos permite agir com espontaneidade, permitindo que o nosso eu de hoje construa uma nova história, sem o martírio constante da culpa. 
É verdade que voltamos para o convívio daqueles com quem temos contas a ajustar. 
A família, nesse aspecto, funciona como um hospital bendito, onde as enfermidades do orgulho e do egoísmo encontram o remédio amargo, porém necessário, da convivência difícil.
Mas a Justiça Divina é, acima de tudo, equilíbrio e misericórdia. 
Por isso, não renascemos apenas entre opositores ou corações feridos por nossas ações passadas. 
Junto de nós, retornam também os nossos grandes amores.
Espíritos que, em séculos passados, entrelaçaram suas luzes com as nossas. 
Algumas dessas almas pediram para estar conosco, se voluntariaram para dividir o pão e o teto, a fim de serem o nosso ponto de apoio quando as forças nos parecerem minguar. 
Percebamos que, entre os desafios do cotidiano, existem essas colunas de sustentação. 
Pode ser o pai que oferece o conselho prudente, a mãe cujo abraço tem o condão de curar qualquer ferida, o irmão confidente das horas incertas, que vibra na mesma frequência da nossa alma. 
Esses amores são as mãos invisíveis de Deus que nos sustentam na jornada. 
Eles são o repouso na tempestade. 
São os que enxergam a nossa essência, para além dos nossos erros e limitações temporárias. 
São esses afetos que nos auxiliam a galgar, degrau a degrau, a escada da perfeição, transformando o resgate penoso em uma caminhada de aprendizado compartilhado.
A família é um ponto de encontro de almas que, entre sorrisos e lágrimas, tecem a rede de proteção que nos mantém de pé.
Ela é a prova de que o amor é a força que tudo vence e que ninguém, absolutamente ninguém, caminha sozinho. 
Que possamos honrar esses encontros, compreendendo que nos braços daqueles que nos amam encontramos a coragem necessária para vencer a nós mesmos e transformar em vitória nossa estada na Terra.
Redação do Momento Espírita 
Em 28.07.2026

terça-feira, 28 de julho de 2026

O GIZ MÁGICO

Henry Ford e Charles Steinmetz
Quantas vezes reclamamos do valor que nos é cobrado por algum profissional? 
O portão eletrônico enguiçou, o cano d’água rompeu, o aparelho doméstico deixou de funcionar. 
Essa prática de reclamar do serviço alheio, quando nós mesmos não temos a solução, não temos a mínima ideia do que fazer, não é nova. 
Nos primeiros anos do século passado, o empresário Henry Ford o fez, em vigoroso protesto. 
Narra-se que um colossal gerador elétrico em uma das suas fábricas apresentou uma falha. 
Toda a linha de produção, que valia milhares de dólares por hora, ficou completamente parada. 
Os melhores engenheiros de Ford checaram cada fio, testaram cada conexão. Nada funcionou. 
A enorme máquina — um labirinto de bobinas de cobre e componentes de aço — mantinha-se sem ação. 
Então, Ford chamou Charles Steinmetz, conhecido como o gênio supremo da engenharia elétrica. 
Ele chegou à fábrica, solicitou uma cadeira, um caderno e silêncio. 
Por horas, ele ficou imóvel ao lado do gerador. 
Fez anotações. 
Colocou a mão em partes diferentes da máquina, sentindo variações de temperatura imperceptíveis aos demais. 
Fechou os olhos e mapeou mentalmente os caminhos elétricos invisíveis do gerador. 
Então, após o que pareceu uma eternidade para os gerentes ansiosos, Steinmetz se levantou. 
Pediu um pedaço de giz e marcou um único X na carcaça metálica e orientou: 
-Abram o painel aqui. Vocês vão encontrar uma bobina em curto. Substituam os enrolamentos danificados. 
Abriram o painel. 
Exatamente atrás do X de Steinmetz, encontraram o problema. 
Horas depois, com o reparo feito, o gerador voltou a rugir. 
A produção recomeçou. 
A crise foi resolvida. 
A fábrica de Ford fora salva por uma única marca de giz, feita por um homem que passara algumas horas no local. 
Duas semanas depois, Ford recebeu um envelope com a conta: U$$ 1 mil. 
Ele achou excessivo o valor por uma visita de poucas horas e pediu uma fatura detalhada. 
A resposta foi de absoluta elegância e concisão: 
-Fazer uma marca de giz: um dólar. Saber exatamente onde colocar a marca: 999 dólares. 
Naquele momento, um dos maiores industriais da história aprendeu algo que atravessa gerações: a verdadeira expertise é invisível até o momento em que se torna insubstituível.
Steinmetz não fez apenas um X. 
Ele trazia 30 anos estudando teoria elétrica, milhares de horas diagnosticando problemas semelhantes e uma mente capaz de enxergar padrões onde outros só viam caos. 
Eis a grande verdade. 
Quando pagamos um especialista por um serviço, estamos pagando por todo o seu conhecimento, conquistado com muita dedicação e esforço. 
O médico que faz o diagnóstico em minutos está aplicando décadas de estudo e prática. 
O técnico que, com um toque numa tecla, resolve o problema que nos demandaria horas assistindo a tutoriais para resolver se preparou para isso. 
Quanto custaria se eles não soubessem? 
Aprendamos a valorizar o estudo, o esforço, a dedicação, a expertise. 
Reconheçamos o esforço alheio, as milhares de horas dedicadas ao seu profissionalismo. 
Redação do Momento Espírita com base em dados biográficos de Henry Ford e Charles Steinmetz. 
Em 27.07.2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

NÃO RESISTIR AO MAL

Em uma passagem do Evangelho, Jesus afirma que não se deve resistir ao mal. 
O significado dessa assertiva certamente não é o de deixar que o mal cresça e se aprofunde, onde quer que se apresente. 
Malgrado Sua bondade e Sua doçura, Jesus muitas vezes usou de energia para combater o mal. 
Por exemplo, ao Se posicionar contra o comércio no recinto do templo. 
Ou nas oportunidades em que lamentou a hipocrisia reinante em Sua época. 
Ele também foi claro ao afirmar que se deve orar e vigiar. 
Ou seja, cuidar para que o mal não penetre na própria vida, em especial por intermédio dos pensamentos e sentimentos.
Nesse contexto, parece coerente interpretar não resistir como não valorizar o mal. 
Quando se valoriza algo, ele cresce em importância. 
Quem vive assombrado por certo vício torna-se escravo dele.
A pessoa que se mortifica a cada palavra mal posta fragiliza a si própria. 
Passa a se considerar indigna por cometer alguns equívocos, pela desmedida importância que lhes empresta. 
Sem dúvida, é necessário vigiar para não cair em tentação.
Manter-se atento para não se perder em variados vícios.
Contudo, não é conveniente viver alarmado pela perspectiva do erro. 
Se um pensamento surge na mente, a melhor forma de torná-lo importante é lutar contra ele, com desespero. 
Isso implica reconhecê-lo como uma poderosa e real ameaça ao próprio bem-estar. 
O mesmo vale em relação à vida em sociedade. 
Se alguém comete um erro, prestar excessiva atenção nesse equívoco lhe dá um realce todo especial. 
Em sua natural falibilidade, os homens se equivocam.
Entretanto, também acertam bastante. 
Todos têm muitas virtudes que podem ser trabalhadas.
Mesmo os que inspiram antipatia têm o seu valor. 
Caso se preste muita atenção em suas fissuras morais, deixa-se de perceber suas virtudes. 
O que se valoriza, invariavelmente, cresce em importância. 
Se você optar por identificar e apreciar o bem que há no próximo, terá mais facilidade para gostar dele. 
Tal não significa ignorar defeitos, quando existam, e mesmo se prevenir contra seus efeitos. 
Mas apenas não resistir a eles, no específico sentido de não colocar muita força emocional nesse processo. 
Quem erra também acerta, eis um fato. 
Se você tem maus pensamentos, também os tem bons.
Quando surgir em seu mundo íntimo algo desagradável, perceba a presença daquele pensamento ou sentimento.
Depois, com tranquilidade, deixe que ele se vá, como um visitante passageiro e indesejado. 
Se você errar, reconheça a ocorrência, mas não se sinta perdido ou pervertido. 
Assuma de forma serena as consequências do que fez e as repare. 
E trate de seguir em frente, valorizando e vivendo o bem que há em você e no próximo. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 02.10.2009.

domingo, 26 de julho de 2026

Não te recordes da noite quando tens o dia

Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura. 
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor. 
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo. 
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva. 
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: 
-Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome. 
Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida. 
A resposta de Jesus é brilhante: 
-Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna. Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz. 
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala. 
* * * 
DIVALDO FRANCO
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador.
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. 
Ajustes com a lei. 
Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação. 
O alerta a Madalena serve para todos nós. Não olhar para o passado. 
Não olhar para a noite que se foi. 
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. 
Dessa maneira, proponhamo-nos a arar! 
Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás. 
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. 
Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural. Conhecer a si mesmo é uma coisa. 
Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente. 
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante. 
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material. 
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo. 
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe. 
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro. 
Lembremos da recomendação do Mestre: 
-Não te recordes da noite, quando tens o dia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 da obra A estrela verde, de Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho, ed. LEAL. 
Em 25.07.2026

sábado, 25 de julho de 2026

O "NÃO" QUE NOS BENEFICIA!

Quantas vezes, na infância e na adolescência, ficamos literalmente arrasados com as negativas de nossos pais?
Lembramos daquele dia em que os amigos foram para a praia, num carro emprestado.
Todos foram, menos nós porque nosso pai disse que temia que algo ruim pudesse nos acontecer: a estrada era perigosa, o jovem motorista acabara de receber sua habilitação. 
E, olhando aquele bando de adolescentes que brincavam sem parar, temeu alguma imprudência. 
Bom, eles não tiveram um acidente na estrada mas, os exageros na bebida levaram alguns deles para atendimento emergencial. 
Poderíamos ter estado entre eles... 
Lembramos daquele baile que perdemos porque, simplesmente, nossa mãe resolveu, de última hora, que as companhias não eram as mais adequadas. 
Soubemos que o baile foi maravilhoso. 
E nossos amigos se divertiram muito. 
Todos... menos nós. 
Não tivemos notícia de nada ruim ter ocorrido. 
E, durante muito tempo, amargamos decepção e raiva por não termos podido participar. 
Quantos não recebemos, pelos mais diversos motivos. 
Num dia, a festa era inadequada porque aconteceria na véspera de uma prova de matéria na qual andávamos mal.
Então, precisávamos ficar estudando. 
Em outra oportunidade... 
Bom, parecia que nossos pais adoravam dizer não.
Chegamos a pensar que eles desconheciam a palavra sim.
Concluímos, também, que eles combinavam, no revezamento das negativas. 
Quando um estava prestes a concordar conosco, a nos permitir o que queríamos, lá vinha o outro, pronto para falar a palavra indesejada. 
Na maturidade do hoje, guardamos a certeza de que as negativas nos preservaram de alguns incômodos. 
Até mesmo da própria vida. 
E escutamos alguns jovens se referindo aos pais como uma mala sem alça porque desejam saber aonde vão, com quem vão, o que farão. 
E controlam o horário de retorno ao lar. 
Mal se dão conta de que isso se chama cuidado, atenção, nesses dias de tantos descuidos e maldades. Deveriam se dar conta de que, mais de uma vez, eles, como almas zelosas, estão sendo os intérpretes físicos das diretrizes espirituais.
Os anjos de guarda precisam de quem os auxiliem, na Terra.
Ninguém melhor do que pais e mães amorosos, preocupados com a integridade física e moral dos seus filhos. 
Por tudo isso, aprendamos a receber os não de nossos pais.
Não deixa de ser um excelente exercício porque afinal, a vida nos diz muitos não. 
Pensamos em ingressar em determinada carreira.
Vamos bem em todas as provas, menos na prova física. 
E lá se vai nossa chance. 
Programamos um estudo no Exterior, por determinado tempo.
Problemas familiares nos exigem a presença no lar e a assunção como provedor. 
Interessante é que, logo mais, descobrimos como tantas negativas nos fizeram bem. 
Se nos frustraram, em determinado momento, nos amadureceram o entendimento. 
Alguns deles nos encaminharam para trilhas diversas das idealizadas. 
E nos trouxeram felicidade, realização. 
Dessa forma, aprendamos a receber os "não" de quem quer que seja, mesmo da vida, a fim de descobrirmos, depois, quão benéficos nos foram. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.09.2023.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

SÓ DE PASSAGEM

A expressão "Estou só de passagem", ao se referir à vida física, atesta que a pessoa tem convicção imortalista.
Ela sabe que é breve sua passagem pelo planeta. 
Mesmo que chegue aos cem anos, se considerar a eternidade, é um lapso temporal breve. 
A pessoa, que assim se expressa, manifesta a convicção de quem tem os olhos postos no futuro. 
Vive no mundo, mas com a inabalável certeza de que sua preocupação deve ser com o Espírito imortal, esse que sobreviverá à morte corporal. 
Se isso é louvável, um detalhe, no entanto, não pode ser esquecido. 
É que a vida corporal é etapa imprescindível ao progresso do Espírito. 
É na carne que se experimentam as provas.
É nas vicissitudes da vida que o Espírito cresce, utilizando sua inteligência e criatividade, para superar transtornos e desafios.
Isso nos diz que os mundos materiais são importantes. 
São moradas, estâncias, onde o Espírito se reveste de carne e habita. E progride. 
Dessa forma, há que se considerar o que estamos fazendo com o planeta, enquanto nos encontramos somente de passagem. 
O que estamos fazendo com nossa morada, lar, escola?
Estamos auxiliando na sua conservação ou somos dos que não nos preocupamos com coisa alguma porque logo estaremos partindo? 
Seria importante nos perguntarmos se estamos colaborando com as medidas de sustentabilidade do planeta. 
Coisas simples, como diminuir o impacto ambiental, substituindo plástico por outros materiais menos agressivos ao meio ambiente. 
É de nos indagarmos se somos dos que, a cada vez que nos servimos de água, nos bebedouros do escritório, da empresa, apanhamos um novo copo plástico. 
Já nos preocupamos com o meio ambiente e temos nosso próprio copo de vidro, para uso particular, no local de trabalho? 
Ou, ao menos, nos servimos de um único copo plástico, durante todo o dia? 
Lembramos de utilizar a impressão de documentos, artigos e tudo o mais, somente quando imprescindível, poupando árvores? 
Recordamos de utilizar a folha de papel de ambos os lados?
De reutilizar papel escrito em uma só face, transformando-o em bloco de anotações ou lembretes? 
Preocupamo-nos com a separação do lixo orgânico do lixo reciclável? 
São coisas pequenas, mas que têm muita importância. 
Não podemos nos esquecer que estamos de passagem, mas nossos filhos, netos, quanto tempo mais terão sobre a Terra?
E, além disso, um detalhe importante: pela lei da reencarnação, deveremos retornar em algum momento. 
Já pensamos em como desejamos encontrar o planeta, nesse retorno? 
O que fazemos reflete no todo.
E não nos preocupemos com os que não colaboram.
Poderão aprender com nosso exemplo. 
Enquanto isso, sejamos como a ave que, levando gotas de água em suas asas, tenta apagar o incêndio na floresta. 
Em resumo: façamos nossa parte.
A propósito, já plantamos uma árvore, em nossa vida?
Semeamos um jardim? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 24.07.2026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

NÃO PRECISA MUDAR O MUNDO

Era uma vez um rei que governava um próspero país. 
Certo dia, ele resolveu conhecer algumas áreas distantes de seu reino. 
Por vários dias ele percorreu grande extensão de estradas. 
Mas, quando retornou ao seu palácio, chamou seus súditos e reclamou que seus pés estavam feridos e doíam muito. 
Afinal, era a primeira vez que ele fazia uma viagem tão longa por estradas tão ásperas e cheias de pedregulhos. 
Pensou numa maneira de resolver o problema. Logo, teve uma ideia. 
Ordenou que seus servos recobrissem todas as estradas do seu país com couro. 
Seria uma obra muito cara, pois custaria a vida de milhares de vacas e bois. 
Então, um dos mais sábios entre os servos ousou fazer uma sugestão ao rei dizendo-lhe: 
-Por que o rei tem que gastar essa enorme quantia de dinheiro? Não seria mais prático e mais barato mandar cortar um pequeno pedaço de couro para cobrir seus pés? 
O rei ficou surpreso, mas aceitou a sugestão. 
Mandou cortar um pedaço de couro e fazer uma proteção para seus pés, a fim de evitar os ferimentos nas próximas viagens.
Às vezes, nós também costumamos ter ideias semelhantes à do rei, tentando resolver os problemas da maneira mais difícil.
Insatisfeitos com o mundo, desejamos mudá-lo, em vez de efetuar as mudanças necessárias em nós mesmos. 
Movidos pelo desejo de pavimentar estradas sem espinhos nem obstáculos, esquecemos das proteções que devemos construir na intimidade da própria alma, e queremos mudar a situação ao redor, a todo custo. 
Se não desejamos sofrer os ferimentos da vaidade, é preciso recobrir a alma com a proteção da modéstia. 
Se queremos evitar os pedregulhos do orgulho, é necessário proteger a alma com o algodão da humildade. 
Se não desejamos sofrer a dor provocada pelos espinhos do egoísmo, busquemos desenvolver a couraça da fraternidade.
Se a situação ao redor nos desagrada e nos fere com frequência, o melhor a fazer é buscar a reformulação dos próprios atos, na certeza de que não precisamos mudar o mundo, mas efetuar as reformas necessárias em nosso comportamento, em nossa forma de ser. 
A melhor maneira de nos proteger dos pedregulhos da caminhada, evitando os ferimentos, é revestir a alma com o couro da verdadeira caridade, entendendo que o mais infeliz é sempre aquele que fere, aquele que ofende. 
Jesus, o Sublime Galileu, experimentou todo tipo de agressão e, no entanto, nunca perdeu a serenidade e foi sempre o vitorioso. 
Que importava se o mundo exterior era cheio de pedregulhos e espinhos se Sua alma estava revestida de paz e confiança em Deus? 
Jesus, mesmo sendo o Espírito mais sábio de que se teve notícias, jamais desejou mudar o mundo, mas deixou sempre o convite para todos aqueles que desejem seguir a Sua trilha.
A trilha que conduz à felicidade plena, acima das imperfeições deste mundo. 
Assim, se você está indignado com a situação a sua volta e deseja mudar o mundo, lembre-se que isso só será possível começando por mudar a si mesmo. 
* * * 
Toda mudança exige esforços e uma grande dose de coragem. 
A maioria de nós prefere criticar os outros e responsabilizá-los pelo que não está certo. 
No entanto, às vezes é preciso um autoenfrentamento com toda sinceridade a fim de repensar atitudes e tomar decisões importantes para o próprio crescimento. 
O que não devemos esquecer jamais é que somos Espíritos milenares e que trazemos uma grande soma de experiências e hábitos adquiridos ao longo da caminhada evolutiva. 
E precisamos admitir a hipótese de que somos os construtores da própria infelicidade de hoje, graças aos hábitos dos quais não queremos abrir mão. 
E, se assim é, se desejamos alcançar a felicidade almejada, é preciso despojar-nos do manto escuro das imperfeições que nos pesa nos ombros, a fim de alçar o voo definitivo em direção à luz. 
Redação do Momento Espírita com base em texto retirado de The prayer of the frog, tradução de Sérgio Barros. 
Em 13.11.2010.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

TORNANDO-NOS REAIS

Ao mirar-se o horizonte, percebia-se que o sol, senhor do dia, baixava guarda ao reinado da lua. 
Primeiro um, depois outro, os vizinhos começavam a trazer suas cadeiras para a frente dos lares, em busca de uma agradável conversa de final de dia. 
Enquanto os adultos dialogavam sobre os mais variados assuntos, as crianças brincavam na rua. 
Era como se, naquela comunidade, todos fizessem parte de uma mesma família. 
Entretanto, aconteceu que um dia um dos vizinhos chegou em casa carregando uma grande caixa de papelão. 
Ao anoitecer, como era costume, todos se reuniram nas calçadas para mais algumas horas de conversa. 
Foi então que alguém, verbalizando a curiosidade geral, questionou o vizinho acerca do conteúdo da misteriosa embalagem. 
Ele revelou que, depois de muito poupar, sua família havia comprado um aparelho de televisão. 
Estavam ansiosos aguardando pelo dia seguinte, quando um técnico viria instalá-lo corretamente. 
A vizinhança ficou toda admirada. 
Aquela era a primeira televisão a chegar naquela rua. 
Os dias sucederam-se e aquele vizinho, bem como seus familiares, começaram a aparecer cada vez menos na alegre roda de conversa entre amigos. 
Primeiro, vinham apenas a cada dois ou três dias. 
Depois, uma vez por semana. 
Então, uma vez ou duas por mês. 
E, finalmente, não apareceram mais. 
Enquanto todos conversavam alegremente, contemplavam pelas vidraças a família do saudoso vizinho, sentado junto aos seus familiares, de frente para aquela tela brilhante. 
O tempo foi passando. 
Logo, mais um vizinho apareceu com uma grande caixa de papelão em casa. 
E depois outro. 
E ainda mais um. 
Gradualmente, a roda de conversa foi ficando menor, até desaparecer por completo. 
Os vizinhos, agora, pouco se viam. 
À noite, recolhiam-se diante dos televisores, absortos pela programação, mergulhados num afastamento sem limites. 
* * * 
As décadas se passaram, mas a triste situação permanece.
Hoje, ainda que estejamos vivenciando a era da internet, através da qual temos ampla possibilidade de nos comunicarmos, jamais estivemos tão isolados. 
Nunca o número daqueles que se sentem sós esteve tão alto, ainda que contando centenas de amigos nas redes sociais.
Contra a solidão e o isolamento, os ensinamentos eternos do Mestre: 
-Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos. 
Troquemos, vez ou outra, o toque frio dos mouses de computador, pelo toque caloroso de uma mão amiga. 
A digitação frenética, por momentos venturosos de uma conversa amistosa. 
Os sites de bate papo, por idas ao parque, um jantar descontraído com os amigos, momentos de diversão. 
A grande lição que todos temos diante da oportunidade reencarnatória que se apresenta é aprendermos a amar. 
E tal aprendizado só se faz na relação com o outro: nos gestos de caridade e de perdão, nas palavras ditas num momento de ternura. 
Quando, enfim, deixamos um pouco de lado o conforto e a praticidade da vida virtual e vivemos intensamente aquilo que nos torna reais e humanos: a capacidade de amar. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 22.07.2026

terça-feira, 21 de julho de 2026

TRÊS PERGUNTAS

LÉON TOLSTOI
Conta-se que um soberano, no intuito de melhor governar, procurou um sábio para auxiliá-lo a estabelecer a melhor estratégia. 
Vestiu roupas simples e, antes de chegar ao destino, apeou do cavalo, deixou seus guarda-costas para trás e foi sozinho.
O sábio estava cavando o chão em frente à sua cabana. 
O rei chegou e disse:
-Vim procurá-lo porque preciso que me responda três perguntas: Como posso aprender a fazer o que é certo na hora certa? Quem são as pessoas às quais devo prestar maior atenção? Quais os assuntos aos quais devo conceder prioridade? 
O sábio não respondeu e continuou a cavar, demonstrando dificuldade na tarefa. 
O rei se ofereceu para cavar em seu lugar e preparou duas extensas sementeiras. 
Ao final da tarde, como não obtivesse resposta alguma, preparou-se para partir. 
Então, da floresta surgiu um homem correndo. 
Estava ferido e caiu desmaiado. 
O rei e o sábio o socorreram e conseguiram estancar a hemorragia. 
Levaram-no para a cama. 
E, porque a noite chegara, o rei sentou-se na entrada da cabana e, cansado, adormeceu. 
Ao despertar pela manhã, demorou um pouco para se dar conta de onde estava. 
Voltou-se para dentro. 
O ferido o olhou e lhe pediu perdão. 
-Não tenho nada para lhe perdoar, disse o rei. Nem o conheço. 
-Mas eu o conheço. O senhor prendeu meu irmão e jurei acabar com sua vida. Esperei na floresta para matá-lo. Mas o senhor não voltou. Saí de meu esconderijo e seus guarda-costas me feriram. Fugi deles. Teria sangrado até a morte se não me tivesse socorrido. Se eu sobreviver, serei o mais fervoroso de seus servos. 
O rei ficou satisfeito por ter conseguido a paz com seu inimigo.
Disse que mandaria seu médico para atendê-lo. 
Levantou-se e procurou o sábio, que estava plantando nas sementeiras cavadas no dia anterior. 
-Então, vai responder às minhas perguntas? 
Erguendo os olhos, o sábio lhe respondeu: 
-O senhor já tem todas as suas respostas. 
E, ante a surpresa do rei, explicou: 
-Se Sua Majestade não tivesse ficado condoído da minha fraqueza, ontem, e cavado essas sementeiras para mim, indo embora, teria sido atacado por aquele homem. Teria se arrependido de não ter permanecido comigo. Por isso, a hora mais importante foi quando cavava as sementeiras. Eu era o homem mais importante. Fazer-me o favor foi o mais importante. Depois, quando o quase assassino chegou correndo, a hora mais importante foi quando cuidou dele. Se não fizesse isso, ele teria morrido sem estar em paz consigo. Por isso, ele era o homem mais importante. O que foi feito por ele foi o mais importante. Então, majestade, só existe um momento importante, o agora. O homem mais importante é aquele com quem você está, pois ninguém sabe se vai tornar a lidar com outro alguém. O assunto mais importante é fazer o bem para esse com quem se está, pois esse é o grande propósito da vida. 
* * * 
A hora de agir é agora. 
O local onde nos encontramos é o mais ajustado. 
As pessoas que estão conosco são as ideais para a nossa vida e o nosso crescimento. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Três perguntas, de Léon Tolstoi, de O livro das virtudes, de William J. Bennett, v. II, ed. Nova Fronteira. 
Em 21.07.2026

segunda-feira, 20 de julho de 2026

NÃO PERDEMOS NINGUÉM

AGOSTINHO DE HIPONA
Agostinho de Hipona, mais conhecido como Santo Agostinho, um dos grandes pensadores do Cristianismo, escreveu certa feita: 
"O amor não desaparece jamais. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, continuarei sendo; me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste. Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho."  
* * * 
Nas reflexões profundas do filósofo, constrói-se o entendimento da Imortalidade e continuidade da vida. 
Como um barco que veleja num largo rio para aportar na outra margem, assim se dá a viagem para a Imortalidade, quando nos desfazemos do corpo físico. 
Morrer, efetivamente, não existe. 
Morre o corpo, nós permanecemos. 
Morre a matéria, que se transforma, se decompõe, para originar outros corpos. 
Porém, nós permanecemos, carregando para o lado de lá da existência tudo aquilo que temos guardado na intimidade da mente e do coração. 
Assim, a despeito do corpo físico, que aqui permanece, a vida continua e somos os mesmos. 
Afinal, como alega Santo Agostinho, o fio não foi cortado. 
E os que partem antes de nós não estão longe, apenas do outro lado do caminho. 
Dessa forma, diferente do que comumente alegamos, não perdemos ninguém. 
Os amores que nos antecedem, não se perderam, apenas estão no outro lado da margem. 
De forma alguma faz algum sentido afirmar, como costumeiramente fazemos: 
-Perdi meu pai, perdi meu companheiro. 
Eles vivem na mesma intensidade e mais plenamente que nós, que ainda permanecemos vinculados a um corpo físico.
Afinal, não somos o corpo que habitamos. 
Este é apenas morada momentânea, a fim de nos dar oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal. 
Quando a Providência Divina entender ser o melhor momento, o deixaremos, para retornarmos para casa, para o mundo espiritual. 
O desvincular-se do corpo físico é retorno para casa, é voltar para o mundo do Criador, deixando o mundo das criaturas, como afirma Santo Agostinho. 
* * * 
Nos momentos de tristeza e dor, utilizemos a prece, a oração, como ferramenta de apoio e consolo. 
Quanto aos nossos amores, estaremos sempre vinculados a eles pelo pensamento e pelo sentimento. 
Orar por eles, lembrar deles com ternura, carinho, reconhecimento, é o maior presente que podemos lhes oferecer, enquanto a distância nos impede o encontro. 
E na saudade, lembremos do grande pensador de Hipona: 
-A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Afinal, o amor não desaparece jamais. 
Redação do Momento Espírita.
Em 17.11.2015.

domingo, 19 de julho de 2026

NÃO PASSE RECIBO

RAUL TEIXEIRA
Em cada momento da sua vida diária, você se verá a braços com desafios que exigirão muita prudência de sua parte, para que não se envolva em situações-problemas, muitas vezes difíceis. 
Você sabe que a Terra vem passando por momentos graves em todas as áreas. 
A violência tem se tornado a grande intérprete desses tempos planetários, já que sua proposta é de fácil aceitação pela quase maioria dos humanos, nos estágios em que se estagiam no mundo. 
Se você estiver na rua, na condução, no lazer ou mesmo no lar, encontrará diversas pessoas, muitas delas companheiras suas ou familiares, cujos comportamentos, cujas posturas poderão lhe causar chateações, irritações, capazes de estimular seu lado frágil ou sua intolerância. 
Tenha muito cuidado para não ser vítima do seu próprio temperamento. 
Exercite-se na conquista da tranquilidade, acautelando-se contra a ira ou a revolta que podem apanhá-lo desprevenido.
A proposta escusa das equipes de Espíritos das sombras é converter a vida social da Terra num inferno verdadeiro, no qual cada pessoa não enxergue outra saída para os seus problemas, senão as de caráter violento. 
Não morda essa isca. 
Procure manter ou desenvolver sua paciência. 
Você ouvirá palavras ditas rudemente e outras, como afiado gume que lhe irão penetrando fina e suavemente, mas cujo objetivo é infelicitá-lo. 
Verá em toda parte arrancadas bruscas de veículos em mãos nervosas. 
Ouvirá palavrões estrondeando a sua volta. 
Deparará a provocação em forma de mau atendimento onde você paga e paga caro por qualquer serviço. 
Você faceará a violência da calúnia, do mexerico, da zombaria e do desdém. 
Aprume-se no pensamento superior. 
Pense sempre em nível mais alto e não revide, não se deixe enredar. 
Quando algo for muito forte para a sua sensibilidade ou para os seus nervos, afaste-se, física ou mentalmente, buscando nos ensinos de Jesus o amparo de que necessite. 
Recorde o Mestre ao ensinar-nos a não contender com o mal. Seja qual for a perturbação que ocorra a sua volta, mantenha-se em paz. 
Não tema carantonhas, não se agonize com ameaças. 
Não responda às agressões que serão apenas fogos cruzados. 
Não passe recibo às violências. 
Se você obtiver êxito, sairá ileso desses pântanos viscosos formados pelos psiquismos doentes de vivos e mortos. 
Caso morda a isca ao invés de morder a língua, guarde a certeza de que seus destemperos o aproximarão da cadeia, do túmulo ou de inabordáveis remorsos que não o deixarão viver em harmonia. 
A determinação das sombras é fazer tombar, é atrasar ou impedir o passo de todos os que demonstrem possibilidades mais nítidas de união com Jesus. 
Ore, policie-se, fale e aja da melhor forma, para que, em pleno incêndio moral no mundo, você se mantenha resguardado pela redoma da paz que vem construindo com seus esforços para uma abençoada passagem planetária. 
* * * 
O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 
-Perdoa-me, Senhor, porque pequei. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 16.08.2010.