domingo, 20 de setembro de 2026

NA SOLIDÃO DO CAMINHO

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Um palestrante, em certa oportunidade, afirmou que, à medida que somos promovidos na hierarquia das organizações, enfrentamos progressiva surdez. 
Trata-se de uma metáfora, que nos merece acurada reflexão.
Ela nos diz que, ao galgarmos degraus de poder e responsabilidade, perdemos, forçosamente, a identificação com os companheiros de jornada. 
Passamos a viver em outro círculo. 
Com isso, perdemos o contato com grande parte dos antigos colegas de caminhada profissional. 
Em nossa vida religiosa, algo semelhante, por vezes, acontece. 
Quando nos decidimos a trilhar as sendas de iluminação e elevação, descobrimos que são caminhos em desertos de solidão. 
Quando avançamos em conhecimento e consciência, deixamos para trás as tolices da imaturidade, para nos encontrarmos com o chamamento ao dever, ao qual nos afervoramos. 
Abandonamos os vales dos prazeres fugazes e dos pensamentos rasos, abraçando com alegria e comprometimento outro modo de ser, que reflete um novo eu.
Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, marcou com incomparável beleza esse momento de transformação, assinalando: 
-Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino. Quando me tornei homem, acabei com as coisas de menino. 
Nesse processo de crescimento, a claridade que nos invade o coração vem acompanhada de um profundo e martirizante silêncio, que nos fere a alma sensível quando nossos amores ficam para trás. 
A felicidade de saber que subimos um degrau na montanha da evolução contrasta com a dor de não sermos compreendidos, de não termos com quem compartilhar. 
Os corações que nos buscavam para partilhar das mesmas fantasias são agora nossos estranhos. 
Porque falamos outra linguagem, amigos do passado não conseguem nos compreender. 
Somos como a semente que vive a dor de romper a casca na cova solitária, em busca do próprio desabrochar. 
Como a lagarta, trocamos o rastejar por nova roupagem que nos permitirá voos libertadores em círculos mais altos e de maior compromisso. 
E tudo isso nos modificou e nos transformou numa versão aprimorada de nós mesmos. 
* * * 
Nesses momentos, quando nos propomos à nossa melhoria, recordemos Jesus e aprendamos com Ele. 
Subiu sozinho o Calvário, enfrentando uma morte desonrosa e sem culpa, tendo por companhia compulsória dois malfeitores.
Tomou a Sua cruz sem reclamar e seguiu, conforme ordenava a justiça dos homens. 
Não relacionou, em Sua defesa, os bens que distribuiu, as pessoas que curou, os pecadores que salvou, as viúvas que amparou, as crianças que abençoou, as lições que espalhou.
Entregou-se ao sacrifício, perdoando e rogando ao Pai que perdoasse a todos pela inconsequência em que se encontravam. 
Façamos como o Amigo Divino. 
Guardemos a certeza de que, na solidão do aprendizado, na subida da montanha do conhecimento e da autoiluminação, Ele sempre estará conosco. 
E os que ficarem na retaguarda nos haverão de reencontrar, em algum momento, em alguma dobra do caminho, igualmente renovando-se. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 70, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 27.06.2025.

sábado, 19 de setembro de 2026

MARIA DE NAZARÉ

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais 
É com esta denominação que a Mãe de Jesus foi eleita para ser a protetora de Curitiba, a capital paranaense. 
E existem outras tantas denominações com que é lembrada a Mãe de Jesus. 
De acordo com o local, as circunstâncias, Ela recebe o adjetivo. 
Nossa Senhora de Fátima, de La Salete, dos Navegantes, Imaculada Conceição, Nossa Senhora Aparecida. 
Algumas das denominações têm a ver com aparições de Espíritos luminosos. 
Apresentando-se com características femininas e excelsa beleza, foram tomados pela própria Mãe de Jesus. 
Foi somente na segunda metade do século quarto que Maria passou a ser objeto de culto. 
Na Armênia, na Gália e na Espanha, os documentos do século sexto registram um dia consagrado à Maria. 
Em Roma, as festas em Sua homenagem aparecem só no século VII. 
Não se sabe ao certo se as aparições eram realmente da Mãe de Jesus. 
No entanto, todas as religiões cristãs reverenciam a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
No Espiritismo também aprendemos a reconhecer em Maria uma entidade muito evoluída.
Há mais de dois mil anos já havia conquistado elevadas virtudes que a tornaram apta a desempenhar, na crosta terrestre, a elevada missão de receber nos braços o emissário de Deus. 
Emissário que se fez menino para se transformar no modelo de perfeição moral que a humanidade pode pretender sobre a Terra. 
Após o episódio da crucificação do filho, Maria permanece um curto período em Bataneia. 
Depois se transfere, com João Evangelista, para Éfeso. 
Ali estabelece um pouso e refúgio aos desamparados. 
Com João, passa a ensinar as verdades do Evangelho. 
Em poucas semanas, a casa de João se transforma num ponto de assembleias adoráveis. 
Maria fala das Suas lembranças. 
Fala sobre Jesus com maternal enternecimento. 
Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados passam a frequentar o sítio generoso. 
São velhos e desenganados do mundo que vêm ouvir as palavras confortadoras. 
São enfermos que invocam Sua proteção.
Infortunados que pedem a bênção de Seu carinho. 
Sua morada passa a ser conhecida como a Casa da Santíssima. 
Assim foi até Sua morte. 
Ao libertar-se do vaso físico, Ela deseja rever a Galileia. 
Fora ali que Seu filho apresentara as mais belas canções da Imortalidade. 
Em seguida, visita os cárceres de Roma, repletos de discípulos do Mestre, que aguardam a morte. 
Conforta-os e lhes transmite bom ânimo. 
Na Espiritualidade, Jesus lhe confia a assistência aos suicidas. 
Esses Espíritos, em profundo sofrimento no Além, são atendidos pela Legião dos Servos de Maria. 
Maria é, pois, a sublime acolhedora desses Espíritos que se arrojaram aos abismos da morte voluntária. 
Todas as petições que a Ela são dirigidas, são acolhidas pelos Seus emissários. 
Examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria. 
Maria de Nazaré prossegue amparando com imenso amor maternal a humanidade inteira. 
Os espíritas a reconhecem como Ser Sublime que, na Terra, mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitude maternal, Aquele que foi o redentor dos homens, nosso Mestre e Senhor Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados históricos colhidos no verbete Maria, na Enciclopédia Mirador, v.13, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil. 
Em 19.09.2026

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ROCHA VIVA

CHICO XAVIER(+) e EMMANUEL
Pedra é algo que nos remete, geralmente, ao pensamento de algo que incomoda. 
Pensamos na rigidez, na frieza, naquilo que não tem vida e que nos machuca ou nos impede de avançar. 
Quando desejamos expressar que algo está criando uma dificuldade para alcançar um objetivo, dizemos que há uma pedra no caminho. 
No entanto, Jesus, o maior intérprete de almas que já pisou na Terra, olhava para as coisas de um jeito diferente. 
Para Ele, uma pedra não era apenas um obstáculo. 
Podia ser um alicerce. 
Onde, habitualmente, vemos algo duro e inflexível, o Mestre via firmeza, base segura, fundação para se construir uma casa que os ventos não abalassem, nem a tempestade viesse a derrubar. 
E foi usando essa exata figura que Ele olhou para um pescador impulsivo, cheio de falhas, e o chamou de rocha viva da fé. 
Por que exatamente Pedro, entre os doze? 
Se nós fôssemos escolher alguém para ser a rocha de um projeto mundial, talvez buscássemos a pessoa mais perfeita, inabalável e culta. 
Jesus escolheu Simão Pedro. 
Um homem que tinha medo, que afundou na água quando duvidou, que cortou a orelha de um soldado num ímpeto de raiva e que, na hora mais difícil, O negou três vezes.
Por que, então, chamá-lo de rocha? 
Porque Jesus não estava olhando para o Pedro daquele momento. 
Ele olhava para o potencial daquele Espírito. 
Uma pedra, antes de ser o alicerce de um templo, de um edifício, passa por pancadas, é lapidada, perde as arestas. 
As dores e os erros de Pedro foram o cinzel que tirou o excesso de orgulho e impulsividade, revelando a rocha forte que havia por baixo. 
Prestemos atenção ao adjetivo que Jesus confere à rocha: viva. 
Uma rocha morta é a rigidez, a dureza das regras sem amor.
Uma rocha viva, por outro lado, é firme nas convicções, mas pulsa de compaixão. 
Ela dá sustentação aos outros. Sabe se adaptar para acolher. Pedro se tornou essa rocha viva. 
Depois da partida de Jesus, foi ele quem sustentou os primeiros cristãos, apaziguou contendas e deu a vida pela mensagem. 
* * * 
A história de Pedro é a nossa história. 
Quantas vezes nós também prometemos mundos e fundos a Jesus em nossas orações, e logo depois tropeçamos, negamos nossos valores e afundamos no mar das próprias dúvidas?
Quantas vezes afirmamos que O seguiríamos em todos os momentos e, no entanto, ante percalços maiores, O negamos? 
Ou seja, nos sentimos fracos, esquecidos de que Ele segue conosco. 
Mesmo assim, o Mestre continua nos chamando para sermos pedras de construção. 
Ele confia na nossa capacidade de transformação. 
Toda vez que escolhermos perdoar em vez de revidar, estaremos sendo rocha viva. 
Toda vez que mantivermos a esperança quando tudo der errado, estaremos demonstrando a nossa firmeza. 
Que possamos nos tornar rocha viva, alicerce seguro e amoroso na vida daqueles que caminham ao nosso lado. 
Que possamos ser considerados ditosos por trabalharmos juntos e unirmos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra que nos foi dada a realizar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 124 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 18.09.2026

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

NAS MÃOS DE DEUS

Há momentos em que nossas mãos parecem pequenas demais. 
Tentamos segurar tudo ao mesmo tempo: problemas, decisões, medos, responsabilidades. 
Apertamos forte, como se o controle fosse a solução. 
Porém, descobrimos que nem tudo pode caber em nossas mãos. 
Há limites que não são fraquezas, são aprendizados. 
Há dores que não conseguimos resolver. Situações que fogem do nosso alcance.
Perguntas que não encontram resposta imediata. 
É nesse instante que aprendemos uma lição essencial: aquilo que não cabe em nós deve ser colocado nas mãos de Deus.
Conta-se que uma enfermeira que trabalhava em uma UTI neonatal, cuidava de bebês extremamente frágeis. 
Sabia exatamente o que fazer tecnicamente. 
Dominava os protocolos, conhecia os equipamentos. 
Ainda assim, havia dias em que nada parecia suficiente. 
Certa noite, um recém-nascido não respondeu aos tratamentos esperados. 
A equipe fez tudo o que estava ao alcance. 
Ao final do plantão, exausta e frustrada, a enfermeira percebeu que suas mãos tremiam. 
Não de medo, mas de cansaço emocional. 
Antes de sair, voltou ao leito, ajustou o cobertor, tocou delicadamente o bebê e, em silêncio, fez algo diferente do habitual. 
Não pediu resultados. 
Não pediu controle. 
Apenas depositou nas mãos de Deus o que não cabia em suas mãos. 
Asserenou a própria alma. 
Entregou aquele pequeno ser a quem decidira por tê-lo como seu filho, na Terra. 
Determinar-lhe o rumo da existência competia a Ele, somente a Ele. 
***
Nas mãos de Deus cabem nossas dores. 
Mesmo aquelas que não sabemos explicar. 
Cabem as lágrimas silenciosas, as noites difíceis, as feridas que teimam em não cicatrizar. 
Cabem nossas esperanças, os sonhos interrompidos, os planos que não saíram como desejávamos, os caminhos que precisaram ser mudados.
Deus não despreza nossos projetos, mas sabe quando é preciso ajustá-los ao que realmente nos fará crescer. 
Nas suas mãos cabem todas as nossas escolhas. 
As acertadas e as equivocadas. 
Quando entregues com humildade, até os erros se transformam em aprendizado. 
Deus não nos condena pelo tropeço. 
Ele nos convida ao recomeço. 
Cabem, sobretudo, os silêncios. 
Aqueles momentos em que oramos e não ouvimos resposta. O silêncio de Deus não é abandono. 
É trabalho invisível. 
É cuidado que acontece sem anúncio, preparando o que ainda não conseguimos ver. 
Confiar nas mãos de Deus não é cruzar os braços. 
É fazer o que nos cabe e entregar o que ultrapassa nossas forças. 
É compreender que nem sempre teremos explicações, mas sempre teremos amparo. 
A fé não elimina os desafios, mas muda a forma como caminhamos entre eles. 
Quando colocamos nossas dores nas mãos de Deus, elas não desaparecem, mas encontram direção. 
Quando entregamos o futuro, ele deixa de ser ameaça e passa a ser caminho.
Nada se perde nesse processo. 
Por isso, diante do que não compreendemos, diante do que não conseguimos mudar, saibamos dizer, com fé e serenidade, a frase que nos foi ofertada pelo Mestre de Nazaré: 
-Pai, seja feita a vossa vontade assim na Terra como nos céus. 
Redação do Momento Espírita 
Em 24.04.2026

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

NAS LEIS DO DESTINO

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Há quem pense que o Criador, por vezes, sentencia Suas criaturas a sofrimentos eternos. 
Contudo, tanto quanto se pode perceber, o Pai Celestial se manifesta através de leis que expressam ser Seu objetivo o bem supremo.
Essas leis podem ser observadas mesmo nos processos rudimentares do campo físico. 
O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado. 
Entretanto, se colocamos a mão no braseiro, é natural que venhamos a sofrer dolorosas consequências. 
A máquina é parte acessória do progresso.
Mas em mãos que não a saibam manusear, pode se converter em instrumento de destruição. 
Negligência, imperícia ou indisciplina na sua utilização causam resultados desastrosos. 
Ocorre o mesmo nos planos da consciência. 
Na matemática do Universo, o destino sempre dá para a criatura o que ela lhe der. 
É inútil que autoridades de um ou outro princípio religioso pintem o Todo Poderoso com as tintas das paixões humanas.
Com frequência, ouvimos interpretações que assemelham Deus a um soberano rodeado de púrpura e riquezas. 
A alguém que fica simplesmente governando Seus súditos à distância. 
Segundo esses relatos, Ele se enraivece por falta de louvores ou pela desobediência dos Seus filhos.
Também se envaidece com adulações. 
Os que assim apresentam a Divindade podem estar movidos de santos propósitos. 
Talvez raciocinem sob o influxo de lendas e tradições respeitáveis do passado longínquo. 
Mas se esquecem de que, mesmo perante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra. 
Deus é amor. Amor que se expande do átomo aos astros. 
Mas é justiça também. Justiça que atribui a cada Espírito segundo o que ele próprio escolheu. 
Nosso Mestre Jesus disse que a cada um seria dado segundo as suas obras. 
Sendo amor, Deus concede à consciência transviada tantas experiências quantas necessite, a fim de retificar o próprio caminho. 
Sendo justiça, ignora privilégios de qualquer ordem. 
Para Ele, todos são iguais, filhos do Seu amor. 
Jamais afirmemos, portanto, que Deus privilegia a uns e condena a outros. 
Recordemos que não podemos raciocinar pelo cérebro alheio. Também não podemos nos alimentar pela boca do próximo.
Cada um é o responsável pelas suas próprias ações. Deus nos criou a todos para que nos engrandeçamos, para que realizemos o progresso, de ordem intelectual e de ordem moral. 
Em uma palavra, para que alcancemos a felicidade no mais amplo sentido. 
Para isso, sendo amor, nos proporciona um caminho de bênçãos e de luzes. 
Sendo justiça, determinou que cada Espírito possuísse vontade e razão. 
Assim, nenhum de nós é vítima senão de si mesmo. 
Cada qual nos adiantamos ou nos atrasamos, conforme queiramos, no decorrer de incontáveis existências. 
O livre-arbítrio vigora amplamente no Universo. 
Apenas é necessário arcar com as consequências das próprias opções. 
Dessa forma, nossa vida, aqui ou no Além, será sempre o que quisermos, ou seja, o que dela fizermos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. LI, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 27.12.2018.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

COMO JESUS NOS VÊ

e CHICO XAVIER(+)
Por vezes, ao pousarmos os olhos sobre nós mesmos ou sobre o próximo, permitimos que uma severidade implacável embace a nossa visão. 
Julgamos com o imediatismo da carne, medindo a eternidade pelo tamanho das imperfeições do hoje. 
Será que o bom Mestre de Nazaré olha dessa forma a humanidade, ainda tão ignorante, com tantos defeitos? 
Ele, o puro por excelência, não se serve das lentes frias do julgamento. 
Onde o mundo aponta criaturas frágeis e caídas, o Seu olhar identifica seres que lhe foram confiados pela Divindade para a correta condução. 
Onde nosso orgulho enxerga apenas ignorância, Jesus acolhe corações sedentos de rumo, almas que tateiam na penumbra ansiando por se libertar da lama que as prende ao chão. 
Para ele, nosso Irmão Maior, ainda guardamos a fragilidade de crianças imaturas. 
Nossos passos trôpegos e rebeldias passageiras clamam pelo amparo constante e por Seu terno desvelo. 
Essa delicadeza compassiva moldou cada passo de Sua trajetória terrena.
Enquanto os homens viam na manjedoura apenas um canto rústico e esquecido para os animais, Jesus apresentou a própria presença aninhada na simplicidade da natureza.
Transformou a palha em um poema de excelsa beleza. 
O Seu olhar sempre enxergou o que estava oculto nas profundezas da alma.
Para a mulher de Magdala, cruelmente rotulada pela sociedade como sem valor e prisioneira de sombras espirituais, estendeu Ele um olhar que rasgou as aparências. Compreendeu a agonia que sangrava naquele peito feminino, e, envolvendo-a em amor sublime, transformou-a na primeira e radiante mensageira da ressurreição. 
Quando os olhos do mundo viam em Simão Pedro apenas o pescador rude, Jesus divisou o reflexo de Deus pulsando em seu espírito atribulado. 
Lapidou aquele homem até torná-lo a rocha inabalável da fé cristã através dos séculos. 
E, enquanto o mundo via apenas a névoa espessa da traição, a ternura do olhar do Mestre não se alterou. 
Enquanto condenamos Judas como um negociante de intenções sombrias, Ele viu a alma de um companheiro invigilante em desalinho. 
Estendeu-lhe braços amorosos e o buscou, após a sua dolorosa deserção, convidando-o ao ressarcimento de suas falhas. 
Diante de Saulo de Tarso, o perseguidor feroz e orgulhoso, Cristo foi ao seu encontro na estrada de Damasco para lembrá-lo de sua nobre missão: tornar-se embaixador da Boa Nova. 
* * * 
Inspirados pelo rastro luminoso de Jesus, aprendamos a perceber que, mesmo no fundo do pântano denso e escuro, nascem os lírios alvos e perfumados para exalar, triunfantes, a glória de Deus. 
Aprendamos que a maldade e o erro são apenas espinheiros e lamas provisórias que revestem, por fora, o solo sagrado da alma. 
Somos filhos da luz, criados para mostrar a sublime luz que em nós se aninha. 
Floresçamos em luz. 
Aprendamos a nos servir dos olhos de Jesus para olhar a cada um dos nossos irmãos e a nós mesmos. 
Encontramo-nos aqui para aprender, servir, amparar e amar.
Colocados lado a lado, demo-nos as mãos e marchemos para o Alto, conquistando virtudes, tornando-nos, a cada dia, luz mais brilhante.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro Religião dos Espíritos, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 15.09.2026

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A COR DA NOSSA MISSÃO

Joanna Shimkus e Sidney Poitier
Você já se perguntou por que nascemos com esta ou aquela cor de pele? 
Por que reencarnamos como negros, brancos ou amarelos?
Por que alguns de nós despertam para a vida em países marcados por graves problemas políticos e ambientais, ou em nações que sofrem com a fome, a miséria e o poder arbitrário de governos que parecem se eternizar?
Compreendemos que o acaso não existe. 
A roupagem física e o cenário em que estagiamos fazem parte de um planejamento minucioso. 
Nascer com determinada cor de pele ou em certo contexto social e geográfico reflete as diretrizes particulares de cada Espírito. 
É o palco exato onde devemos realizar o nosso aprendizado e, acima de tudo, a nossa cota de contribuição benéfica para a humanidade. 
Alguns entendemos isso de imediato. 
Como aquele ator que, nascido em Miami, criado nas Bahamas, chegou aos Estados Unidos ainda adolescente e encontrou uma sociedade que tentava, a todo custo, defini-lo e limitá-lo pela cor de sua pele.
Ao buscar espaço no cinema, esbarrou em uma engrenagem cruel: os papéis destinados a atores negros eram, na época, invariavelmente marcados pela submissão, pela ignorância ou pela caricatura degradante. 
Ele precisava do salário para sobreviver, mas a sua alma nobre falou mais alto. 
Sidney Poitier tomou uma decisão inflexível que poderia ter lhe custado a carreira. 
Recusou papéis que considerava ofensivos à sua humanidade. 
Fez questão de interpretar profissionais respeitados, médicos, professores, homens de fibra. 
Sua postura perante o preconceito o levou a quebrar barreiras inimagináveis. 
Em 1964, fez história ao se tornar o primeiro homem negro a vencer o Oscar de melhor ator. 
Três anos depois, brilhou interpretando um médico negro, noivo de uma jovem branca, exatamente quando o país debatia o fim das leis que proibiam o casamento inter-racial. 
E foi no amor que ele também encontrou seu porto seguro, longe dos holofotes. 
Com a atriz Joanna Shimkus, construiu um casamento de quase quarenta e seis anos. 
Quando questionada se a diferença racial havia sido um problema no cotidiano do casal, Joanna não fez discursos políticos, apenas respondeu com a simplicidade das almas afins: 
-Acho que simplesmente estávamos destinados a ficar juntos.
Sidney Poitier retornou à pátria espiritual aos noventa e quatro anos, deixando um legado indelével.
Ele usou a sua profissão, o seu lugar no mundo e a sua condição física para curar dores sociais, abrir portas e elevar o espírito humano. 
Ele não se acomodou. 
Ele fez a diferença. 
* * * 
E nós? 
O que estamos fazendo com o cenário que nos foi confiado?
Onde quer que nos encontremos hoje, na profissão, na sociedade ou no ambiente religioso em que estagiamos, temos nas mãos o poder de transformar a realidade. 
Não importa se o país enfrenta crises severas ou se os obstáculos parecem intransponíveis. 
Nascemos no lugar certo, com as características exatas de que precisamos para sermos agentes de mudanças para melhor. 
Sejamos pioneiros do amor, da integridade e do respeito.
Onde quer que a vida nos tenha plantado, floresçamos e façamos a diferença. 
Redação do Momento Espírita, com dados biográficos de Sidney Poitier. 
Em 14.09.2026

domingo, 13 de setembro de 2026

NASCIMENTO ESPECIAL

Todos os anos, os cristãos comemoram o Natal no dia 24 para 25 de dezembro. 
A história nos diz que Jesus, nosso Mestre, em verdade não nasceu nesse dia e aponta algumas datas prováveis, especificando dia, mês e ano.
Afinal, quando realmente terá nascido Jesus? 
E onde? Em Nazaré ou em Belém? 
Se perguntarmos a Francisco de Assis o que ele sabe a respeito do nascimento de Jesus, ele nos responderá: 
-Jesus nasceu no dia em que, na praça de Assis, entreguei minha bolsa, minhas roupas e até meu nome para segui-Lo, pois sabia que Ele é a fonte inesgotável de amor. 
Se indagarmos ao Apóstolo Pedro quando se deu o nascimento de Jesus, ele nos dirá: 
-Jesus nasceu no pátio do palácio de Caifás, na noite em que o galo cantou pela terceira vez, no momento em que eu negava outra vez ao meu Mestre. Foi nesse instante que minha consciência despertou para a verdadeira vida. 
Se questionarmos a Joana de Cusa sobre onde e quando nasceu Jesus, ela nos falará: 
Jesus nasceu no dia em que, amarrada ao poste do circo em Roma, ouvi o povo gritar: 
-"Nega! Nega! Renuncia a Ele!" 
E o soldado, com a tocha acesa, dizendo: 
-"Este teu Cristo te ensinou apenas a morrer?" 
Nesse instante em que senti o fogo subir pelo meu corpo e eu pude, com certeza e sinceridade responder:
-"Não me ensinou só isso. Ele também me ensinou a te amar."
Foi então que nasceu Jesus. 
Se interrogarmos a Lázaro onde e quando nasceu Jesus, a sua resposta será: 
-Jesus nasceu em Betânia, na tarde em que me visitou o túmulo e ordenou-me: "Lázaro! Levanta e vem para fora!" Nesse momento, eu compreendi quem Ele era e Ele nasceu em mim. 
Mas, o doutor da lei, Saulo, transformado em Paulo de Tarso, nos afirmará: 
-Jesus nasceu na estrada de Damasco, em pleno meio-dia, quando a luz que o envolvia me cegou e ouvi a Sua voz: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Foi aí que passei a enxergar um mundo novo e lhe disse: "Senhor, o que queres que eu faça?" 
A mulher samaritana, da cidade de Sicar, nos dirá que Jesus nasceu junto à fonte de Jacob, na tarde em que ela O encontrou e Ele lhe ofereceu a beber da água viva, que sacia toda a sede, pois vem do amor de Deus e santifica as criaturas.
Naquela tarde, Fotina descobriu que Jesus era o Filho de Deus e modificou a sua vida. 
Finalmente, Maria de Nazaré, sorrindo, nos falará que Jesus nasceu quando Se escondeu das estrelas nas sombras da Terra. 
Quando O segurou pela primeira vez nos braços e sentiu que ali se cumpria a promessa de um novo tempo. 
Aquele menino, enviado por Deus, vinha para ensinar aos homens, seus irmãos, a Lei maior do amor. 
* * * 
Se já te permites banhar pelas claridades do Evangelho, permite que Jesus nasça em teu coração. 
Deixa que as vibrações 
Dele te cheguem ao Espírito e espalha o perfume da Sua presença, na senda por onde avanças na busca da vida.
Refaze, mentalmente, o caminho percorrido, desde que a sinfonia da Boa Nova te alcançou e propõe-te a viver a mensagem do Mestre que é o teu Modelo e Guia, Jesus.
Então, Ele finalmente nascerá em ti. 
Redação do Momento Espírita com base em texto atribuído a Vinícius (Pedro de Camargo) e no verbete Natal, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 24.12.2009.

sábado, 12 de setembro de 2026

NASCIMENTO, VIDA E MORTE

Ernest Renan
Ele era filho de um capitão de barco de pesca e ficou órfão de pai aos cinco anos. 
A partir daí, sua educação ficou aos cuidados de sua mãe e de sua irmã Henriette, com a qual tinha profunda ligação afetiva.
Os anos de 1860 – 1861 foram marcantes para Ernest Renan.
Foi nessa época que concebeu a obra Vida de Jesus, lançando sobre o papel a sua primeira redação. 
No entanto, a 24 de setembro de 1862, em Biblo, morreu sua querida irmã.
Foi para ela que redigiu uma dedicatória, na abertura de seu famoso livro: Para a alma pura de minha irmã Henriette
-Lá no seio de Deus onde repousas, recordas-te ainda daqueles largos dias, onde eu, só contigo, escrevia estas páginas inspiradas pelos lugares que tínhamos visitado juntos? Silenciosa ao meu lado, ias lendo e copiando logo cada folha, enquanto se desdobravam abaixo de nós o mar e as aldeias, as quebradas e as montanhas. Disseste-me um dia que havias de querer muito a este livro, não só porque nele te revias, mas também, e especialmente, porque fora elaborado contigo. Receavas, por vezes, que os juízos estreitos do homem frívolo pesassem sobre ele. Mas nunca deixaste de crer que as almas verdadeiramente religiosas o haveriam de apreciar. No meio de tão gratas meditações, veio cobrir-nos a asa da morte. Na mesma hora, nos envolveu o sono da febre. Eu despertei, mas estava só! Tu dormes, ao pé das sagradas águas onde vinham juntar suas lágrimas as mulheres dos mistérios da Antiguidade. A mim, a quem tanto querias, revela, Espírito amigo, as verdades que dominam a morte, que impedem que o homem a tema e que quase fazem que a deseje.
* * * 
Aqueles que têm a certeza de que a morte física não aniquila a alma, guardam essa doce possibilidade de endereçar aos seus amados os seus versos e os seus poemas. 
Sim, nossos mortos prosseguem a viver e nos ouvem, nos veem. 
Muitas vezes, acompanham nossas lutas e lamentam nossos desacertos. 
Nada mais alentadora do que a afirmação de Jesus, em Seu discurso de despedida: 
-Não vos deixarei órfãos. Vou à frente preparar-vos o lugar. Se assim não fora eu vo-lo teria dito. 
Nossos amados, que seguiram à nossa frente, demandando o grande Além, estão à nossa espera. 
E se nos tranquiliza saber que eles deixaram a vida física, vitoriosos, tendo cumprido suas missões, sendo bons esposos, pais, irmãos, filhos, guardamos a certeza de que gozam de paz e harmonia na vida espiritual. 
Oxalá, quando chegue a nossa vez, possamos igualmente merecer a palma da vitória por todos os deveres cumpridos, pela missão completada.
Nesse dia, deixaremos o corpo de carne, retornando para o lar verdadeiro, a pátria espiritual. 
Por quanto tempo? Só Deus o sabe.
Talvez fiquemos por lá um breve tempo e resolvamos voltar ao planeta azul para continuar nossas lides, nosso crescimento.
Talvez fiquemos um período mais longo, como um repouso depois de tantas lutas, de tantas batalhas empreendidas.
Nascimento, vida, morte. 
Reencontro de almas aqui, Além. 
Que certeza gratificante nos enche de esperança os corações.
Redação do Momento Espírita, com reprodução da dedicatória de Ernest Renan, no livro Vida de Jesus, de sua autoria e do versículo 2, do cap. 14 do Evangelho de João. 
Em 30.04.2015.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A FORÇA INQUEBRANTÁVEL DO ESPÍRITO

Kirk Douglas
A caminhada terrena é, por excelência, uma sublime jornada de aprendizado, pontuada por desafios que, muitas vezes, nos parecem intransponíveis. 
No entanto, quando as sombras das dificuldades materiais tentam obscurecer o caminho, somos convidados a despertar uma força que não pertence à carne, mas à alma. 
É quando compreendemos, com profunda sensibilidade, que quem verdadeiramente comanda o corpo é o Espírito imortal. 
A história humana é rica em almas que exemplificam a soberania do ser espiritual sobre as limitações físicas. 
Contemplamos a trajetória de um homem que conheceu o topo do mundo através da fama e do reconhecimento em Hollywood. 
Ele possuía uma voz marcante, uma presença vigorosa que encantava multidões. 
Contudo, a vida, em seus desígnios misteriosos, chamou-o a testemunhar a sua maior atuação no palco da própria existência, quando um grave acidente vascular cerebral, aos 79 anos, silenciou sua voz e comprometeu seus movimentos.
Para o olhar puramente material, o veredicto parecia definitivo: o fim de uma era, o sepultamento da comunicação. 
Mas, para o Espírito, o diagnóstico dos homens é apenas um convite ao recomeço. 
O corpo físico, esse instrumento provisório, pode sofrer os abalos do tempo e da enfermidade, mas a vontade que emana da alma permanece intacta, vibrante e indomável. 
E Kirk Douglas buscou, dentro de si, as energias extraordinárias que todos trazemos guardadas. 
Afinal, somos filhos do Senhor do universo, criados à imagem e semelhança de um Criador onipotente. 
Podemos realizar feitos considerados inimagináveis, acionando a alavanca da vontade soberana. 
O ator se submeteu a um rigoroso processo de fonoaudiologia. 
Cada palavra reaprendida, cada músculo facial que voltava a obedecer ao comando da mente, era um poema de superação escrito na matéria. 
O ápice dessa espetacular vitória deu-se apenas dois meses após o revés. 
Ele subiu ao palco do Oscar para receber uma homenagem pelo conjunto de sua obra. 
Ovacionado pelo público, ele discursou, demonstrando uma coragem comovente, que arrancou lágrimas do filho, da esposa e de muitos amigos. 
Diante da numerosa plateia e de todo o planeta, ele não era apenas um ator recebendo uma estatueta. 
Era o Espírito imortal proclamando o seu triunfo sobre a fragilidade da carne. 
Ele viveu até os 103 anos, provando que o tempo e as rugas não reduzem a luz de quem escolhe continuar caminhando com otimismo e coragem. 
Essa extraordinária jornada nos recorda que trazemos em nós uma centelha divina capaz de transcender qualquer barreira.
Quando o corpo fraquejar e o horizonte parecer cinzento, lembremo-nos de que somos os condutores do nosso próprio destino biológico. 
O Espírito renova-se e vence, porque a nossa essência foi feita para a luz. 
E, para a alma que confia e luta, não existe o impossível.
Podemos perder a juventude e a força física, mas o Espírito imortal surpreende e, sob o seu comando, não existem barreiras que não possam ser superadas. 
Redação do Momento Espírita, a partir de dados biográficos de Kirk Douglas. 
Em 11.09.2026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

COPO MEIO CHEIO

Certamente já ouvimos algo ligado à analogia do copo meio cheio ou copo meio vazio. 
É comum que identifiquemos a atitude de enxergar o copo meio vazio com o pessimismo, enquanto enxergar o copo meio cheio é atribuído aos otimistas.
A comparação não é antiga. Os registros nos mostram a expressão sendo utilizada na metade do século 20, primeiramente falando em tanques de combustível. 
Logo depois, falou-se em garrafa e depois em copo, quando um economista, enfim, afirmou que um otimista é aquele que olha para o copo e o vê meio cheio. 
A analogia é inteligente, pois trata de como cada um escolhe ver a mesma realidade, o mesmo copo, a mesma quantidade de líquido. 
Isso fala de como somos ou de como estamos em determinado momento. 
A filosofia tratou questões com essa maestria. 
Na visão de alguns como o filósofo Epicteto, a realidade é dividida entre o que podemos e o que não podemos controlar.
Dessa maneira, olhar para a metade cheia é focar no controle da própria mente e fazê-la perceber que há água para se beber. 
O Espiritismo, por sua vez, nos mostra um otimismo maduro, sem visão fantasiosa e sem esconder a realidade. 
Diante de um mundo difícil, a Doutrina dos Espíritos nos ensina, por exemplo, que o mal é transitório. 
Ensina que ser otimista não é fechar os olhos para o charco, para o lado ruim da vida, mas ter a sensibilidade de perceber que a água corre cantando por ele, isto é, que, apesar de tudo, as dificuldades nos ensinam a crescer. 
Otimismo é estímulo para o trabalho, vigor para a luta, saúde para a doença das paisagens espirituais, e luz para as densas trevas que se demoram em vitória momentânea. 
Alguns viciamos tanto em lamentar pelo copo meio vazio que nos esquecemos de que há água! 
E que podemos bebê-la. esquecemos de agradecer pelo líquido salvador que está à nossa disposição. 
Por isso, de nada adianta ficarmos vivendo de lamentos, destacando tristezas e desencantos, vendo apenas o que nos falta. 
Precisamos enxergar o que temos, o que já conquistamos, sabendo que a existência é uma oportunidade única – não porque tenhamos só uma encarnação – mas, porque essa oportunidade, do jeito que está organizada, da maneira que se configurou para nós, não se repetirá.
Viver sempre esperando o que ainda não temos é armadilha letal que drena nossas forças e sempre resulta em frustração.
* * * 
O otimismo real fundamenta-se na fé inabalável nas leis divinas. 
Quem sabe que o Pai governa o universo não se desespera com o nevoeiro passageiro da tarde. 
O pessimismo é uma deserção do dever de ser feliz. 
Sorrir diante do obstáculo é um ato de coragem que atrai o socorro do Alto. 
Leveza diante das dificuldades.
Calma perante os desafios. 
Já somos maduros o suficiente para sabermos entender os acontecimentos e extrair deles o melhor possível. 
Assim, da próxima vez que olharmos o copo com água e tivermos que fazer a escolha, pensemos bem e bebamos a água que a vida nos oferece, com gratidão e disposição para prosseguir. 
Redação do Momento Espírita
Em 10.09.2026

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

UM NASCIMENTO

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
JOANNA DE ÂNGELIS(espírito)
Aquele nascimento singular, num momento de grande alucinação coletiva na Terra, deveria dividir os fatos da História, assinalando o Seu como o período de preparação da paz. 
Não era um conquistador odiento, que vinha armado para os combates destrutivos, mas um vencedor, que viera somente para amar. 
Por isso, não foi reconhecido, ou melhor, não O quiseram conhecer. 
Porque estavam preparados para a guerra, para o ódio, para o desforço, longe dos sentimentos da compaixão e da misericórdia, da compreensão e da caridade. Israel era soberba e seu povo, ingrato. 
Por isso, Roma a esmagava com as suas legiões impiedosas, ameaçando sempre com a força e a arrogância dos seus administradores de um dia. 
Não havia lugar, naqueles corações, para a compreensão da fragilidade humana, da temporalidade de todas as coisas, para o esforço de solidariedade. 
Forte, então, era aquele que esmagava, mesmo que fosse vencido logo depois, pela doença, pela desgraça política, pela morte... 
O fraco era odiado, porque não revidava, nem disseminava o desprezo ao inimigo, em face da sua situação subalterna. 
* * * 
Jesus...Sim, este Seu nome, foi a força do amor que modificou as estruturas do pensamento e da razão, alterando, por definitivo, a face do planeta. 
Nunca mais a Terra seria a mesma depois Dele... 
Antes, sofria o peso do carro da guerra perversa e das devastações do ódio. 
É certo que ainda não cessaram os combates do homem e da mulher contra os seus irmãos, no entanto, permanece o sentimento de fraternidade em memória e em homenagem a Ele. 
Combatido, permaneceu amando.
Odiado, continuou amando. 
Crucificado, persistiu amando, E morto, ressuscitou do túmulo, a fim de prosseguir amando... 
* * * 
Nestes tempos de incertezas momentâneas, de crises morais graves, não há como sobreviver, se não continuarmos amando. 
Exemplos, bons exemplos, existem para serem seguidos, e não apenas catalogados nos anais da História e admirados distantemente pela grande massa popular. 
Jesus precisa ser a referência primeira de nossas vidas, mas não o Jesus distante, crucificado nas alturas, mas o Jesus amigo, conselheiro amoroso de todo dia. 
Lembremos mais de Seu nascimento do que de Seu assassínio, de Sua presença do que de Sua ausência. 
O Consolador já está entre nós, abraçando-nos a todos cada dia mais forte. 
Não se pode fugir da verdade.
Não se pode continuar sem amor no coração. 
Todo nascimento é motivo de alegria, e este, em especial, representa o nascer do amor maduro, do amor ágape, na intimidade fértil do Espírito imortal. 
Lembremos Jesus... Sempre. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 30 da obra O amor como solução, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 04.03.2009.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A DOCE MÃE DE JESUS

Dia 8 de setembro é o dia dedicado à padroeira da capital paranaense: Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. 
A origem dessa denominação remonta ao século 15, envolvendo um português que vivia na freguesia de Carnide, em Lisboa.
Ninguém sabe ao certo como acabou prisioneiro e escravo na África. 
O que narram as tradições é que ele era devoto de Maria Santíssima, a quem orava, diariamente. Pero Martins passou a ter sonhos com a Mãe de Jesus, que lhe falava do seu retorno à liberdade, o que veio a acontecer. 
Encontrando, em sua cidade natal, próximo a uma fonte, uma imagem, a identificou como sendo da celeste Mãe. 
E porque vira uma luz misteriosa no local onde estava a estátua, deu-lhe o nome de Nossa Senhora da Luz. 
Na capital do Paraná, Curitiba, o culto agregou uma denominação e surgiu Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
É verdadeiramente incrível quando se fala a respeito da Mãe de Jesus descobrir que ela tem mais de mil e cem títulos. 
Vão desde Mãe Santíssima, Virgem Maria, Rainha do céu, Santa Maria, a denominações específicas dos lugares onde, dizem, ela teria aparecido. 
Assim temos Nossa Senhora de La Salete, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe. Segundo a tradição e registrado por escritores, desde os primeiros séculos, o povo cristão honra a Maria de Nazaré. 
Possivelmente, uma das primeiras denominações que recebeu foi a de Mãe Santíssima. 
Isso porque, em Éfeso, onde foi morar com João Evangelista, atendia aos doentes de toda sorte. 
Foi ali que surgiu a expressão da boca de um atendido, em forma de gratidão: 
-És nossa Mãe Santíssima. 
Imaginemos como tantos daqueles que tinham saudades de Jesus a buscavam, para ouvi-la contar do Seu nascimento, Sua infância, Sua missão. 
Que mulher teve missão maior? 
Ser a mãe do único ser perfeito que a Terra já recebeu: nosso Mestre e Senhor. 
Registramos seu exemplo de mãe devotada que oferece o filho ao mundo, para que Ele cumpra a missão para a qual viera. 
Ela conhecia as escrituras. 
Como terá se sobressaltado seu coração, tantas vezes, com as notícias que lhe chegavam, dos inimigos da Boa Nova.
Daqueles que afirmavam querer prendê-lO, daqueles que diziam que Ele não era mais do que um louco. 
Quantas dores terá suportado aquele coração materno. 
Sem falar na dor terrível de assistir, durante seis horas, à agonia do filho amado, supliciado na cruz. 
Nossa mãe, mãe de toda a humanidade. 
Jesus no-la ofereceu, em Suas derradeiras horas de vida. 
-Filho, eis aí a tua mãe.
Não importa como a denominemos. 
Seu maior título é ter sido Mãe de Jesus. 
E sua misericórdia se estende a todo o rebanho do Seu filho.
* * * 
Portanto, neste dia, mais do que nunca, oremos a esse Espírito de alta envergadura moral para que abençoe a esta Terra. 
Terra dos pinhais. Terra do Brasil. Terra do mundo. 
Que a doce Mãe de Jesus se apiade das mães sofredoras, das que perdem seus filhos para os vícios, para a criminalidade. 
Que ela abençoe todos os que padecem. 
Também os que a louvamos, em canções, em poesias, em dramatizações. 
Que ela ouça as nossas preces de gratidão, Senhora da Luz.
Terna Mãe de Jesus. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.09.2026

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Sete de Setembro.
Feriado nacional. 
Dia da Independência do Brasil. 
Por todo o país se fazem presentes as comemorações. 
São desfiles militares, escolares, civis. 
Discursos, bandas, orquestras. 
Evoca-se 1822, em verso e prosa. 
Enaltece-se Dom Pedro I como o libertador. 
Desde a sua audaciosa desobediência às determinações da metrópole portuguesa, não regressando a Portugal, estava proclamada a Independência do Brasil. 
O príncipe tinha suas noites povoadas de sonhos de amor à liberdade. 
Desenvolvia no espírito as noções da solidariedade humana. Não representava o tipo ideal necessário à realização dos projetos espirituais, mas era voluntarioso. 
E ele era a autoridade. 
Os patriotas já não pensavam noutra coisa que não fosse a organização política do Brasil. 
A imprensa da época concentrava as energias nacionais para a suprema afirmação da liberdade da Pátria. 
As pessoas viviam a expectativa. 
Todos os corações aguardavam. 
Então, no retorno da sua viagem a São Paulo, um correio leva ao conhecimento de Dom Pedro as novas imposições das cortes de Lisboa. 
Ali mesmo, nas margens do Ipiranga, ele deixa escapar o grito: Independência ou morte
Sem suspeitar, Dom Pedro I era dócil instrumento de um emissário divino, que velava pela grandeza da pátria.
Consumou-se o fato e, logo, os versos do Hino da Independência eram cantados:
Já podeis da pátria filhos, 
Ver contente a mãe gentil
Já raiou a liberdade 
No horizonte do Brasil. 
A Independência do Brasil foi fruto do intenso trabalho das hostes espirituais junto aos homens. 
Muitos homens deram a vida por este ideal. 
* * * 
São passados mais de duzentos anos da nossa independência. 
Olhamos o nosso imenso país, um gigante geográfico e nos indagamos: 
Somos realmente livres? 
A verdadeira independência é moral. 
Enquanto prosseguem vigentes o jeitinho brasileiro e a lei de Gerson não seremos livres. 
Quando assumirmos nosso papel de homens dignos, corretos, fiéis aos nobres ideais, seremos livres. 
Quando o estandarte da solidariedade e da tolerância se implantar em nossos corações, a nossa bandeira verde e amarela tremulará mais bela. 
Quando estendermos os braços para o bem da comunidade, as estrelas do pano pátrio brilharão com maior intensidade.
Quando a ordem e a disciplina se instalarem nas ações de todos nós, o branco do pavilhão nacional terá alcançado o verdadeiro sentido: a paz. 
Para que o progresso real se instale, é necessário que as individualidades cresçam. 
A soma das conquistas pessoais resultará no crescimento coletivo. 
Hoje é um excelente dia para se propor a trabalhar pelo nosso gigante. 
Dizem que está adormecido, mas só porque os seus filhos dormem. 
A mãe gentil que nos recebe nesta etapa da vida no planeta merece-nos o esforço. 
Se quisermos, e só se quisermos, poderemos tornar verdadeira, desde agora a assertiva espiritual: 
Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. Coração que pulsa, que ama, que não relega ao abandono os seus filhos. 
E tanto quanto pode, recebe e ampara os filhos de outros solos. 
Pátria do Evangelho que irradia o bem, que serve de modelo, que luta pela justiça, pela verdade.
Independência moral. 
Crescimento real. 
Vamos começar neste dia a lutar por esses objetivos?
Redação do Momento Espírita, com base nos cap. 18 e 19 do livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 33 e no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. 
Em 07.09.2026

domingo, 6 de setembro de 2026

O NASCER DO SOL E A PRESENÇA DE DEUS

PAULO COELHO
Após a sessão matinal de orações, o noviço perguntou ao abade: 
-Todas essas orações que o senhor nos ensina, fazem com que Deus se aproxime de nós? 
-Vou responder a você com outra pergunta.-Disse o abade.-Todas essas orações que você reza irão fazer o sol nascer amanhã? 
-Claro que não! O sol nasce porque obedece a uma lei universal! 
-Então esta é a resposta à sua pergunta. Deus está perto de nós, independente das preces que fazemos. 
O noviço revoltou-se: 
-O senhor quer dizer que nossas orações são inúteis?!
-Absolutamente. - Respondeu, com serenidade, o abade. - Se você não acordar cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não orar, embora Deus esteja sempre por perto, você nunca conseguirá notar Sua presença.
* * * 
Que bela lição encontramos aqui. Não oramos para que Deus esteja próximo e nos ouça. 
Oramos para criar uma ponte entre nós e o Criador de tudo e de todos.
Em verdade somos nós que precisamos nos aproximar dEle, assim como das coisas do Espírito, dos verdadeiros tesouros do Universo.
Somos nós que esquecemos da Providência Divina, de nossos protetores. 
Eles jamais se afastam de nós. 
Somos nós que, ao fecharmos os olhos e ouvidos da alma, nos afastamos de seus conselhos, de suas inspirações, de seu amparo. 
A oração é a higiene do Espírito.
Uma comunicação saudável da criatura com seu Criador.
Precisamos adquirir esse hábito, mantendo-nos constantemente em contato com o Alto, tornando-nos assim mais fortes e mais preparados para enfrentar os reveses da vida, e as vicissitudes que se apresentarem. 
A oração é um diálogo de coração com coração, em que abrimos os salões de nossa alma para receber a visita de nossos amigos, daqueles que, de outras esferas, velam por nossas vidas. 
Não nos preocupemos com a beleza dos dizeres, e sim com a sinceridade e a pureza de seu conteúdo. 
Quando houver mais sentimento, mais honestidade em nossas palavras, mais fortes serão os raios invisíveis que nossa oração emitirá em direção ao firmamento divino. 
Vale lembrar a lição do abade ao noviço: 
-Se você não acordar cedo, nunca conseguirá ver o sol nascendo. Se você não orar, embora Deus esteja sempre por perto, você nunca conseguirá notar Sua presença. 
* * * 
A seara exuberante de grãos e de frutos se distende ante as suas necessidades. 
Contudo, para que dela se aproveite, você terá que cozer os grãos e preparar as polpas, a fim de utilizá-los devidamente. 
A chuva benfazeja se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo o amparo dos céus à fertilidade do chão e à manutenção das fontes. 
Mas, se você pretende dela valer-se, é preciso construir a calha conveniente ou providenciar o pote que a possa recolher. 
Pensando desse modo, vemos que as bênçãos do Criador, sob forma de energias balsâmicas e equilibradas, se espalham sobre todas as Suas criaturas. 
Porém, para que você possa ser dulcificado por essa benesse, torna-se necessário unir-se, em sintonia feliz, a essas faixas de luz. 
E a prece propicia esse diálogo, essa união. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O discípulo impaciente, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho, ed. Globo e no cap. 3, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela Costa Lima, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 27.01.2024.

sábado, 5 de setembro de 2026

NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO

RAUL TEIXEIRA
A Terra estava informe e vazia. As trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 
Assim inicia o livro bíblico Gênesis, resumindo em poesia o estado do nosso planeta antes de vir a ser. 
Então, separou Deus as águas do elemento árido. 
Fez os pássaros do céu, os anfíbios, os répteis. 
No sexto dia, fez o ser humano, que também saiu da água.
Por quê? 
Porque foi feito da argila, que, por sua vez, tinha saído da água. 
A vida orgânica começou nas águas. 
Nascer da água significa nascer na vida orgânica. 
Nosso corpo físico é um corpo de água, que, adulto, tem cerca de sessenta e cinco a setenta por cento de água. 
Nascer da água é, portanto, nascer no corpo. 
E, quando reestruturamos a nossa vida moral, nos aproximamos de Cristo. Isto é nascer do Espírito. 
Nascer da água não é a condição suficiente. 
É preciso nascer da água e do Espírito, segundo Jesus.
Assim, não basta estar encarnado. 
É preciso dar à encarnação um bom desempenho, desenvolver o melhor. 
Se estamos na Terra, com esse dever de nos aprimorarmos, o que é que estamos esperando? 
Não estamos proibidos de comer, de beber, de namorar, de casar, de ter filhos, de gozar, de jogar futebol, de competir, de ser campeões. 
Mas, enquanto estamos usufruindo dessas prerrogativas, o que estamos armazenando para a alma imortal? 
Tudo que fizermos deverá ter por sentido final a nossa felicidade, o nosso progresso, a nossa evolução. 
Por isso, é preciso levar a vida com seriedade. 
Saber que estamos na Terra como quem se acha numa escola, em que há momento de recreio, embora a maior parte do tempo seja para o aprendizado. 
O recreio é um deleite para refrescar a mente, para refrescar a alma. 
Para isso, a Divindade coloca à nossa disposição este planeta belíssimo, cheio de picos, como dedos de pedra erguidos aos céus para pouso das águias; esses mares bravios que se atiram contra os arrecifes, provocando um tapete de espuma.
Pelo amor de Deus, temos a Terra recoberta por esse toldo de estrelas, iluminada pelo spotlight que reflete a luz do sol e que chamamos Selene, nosso satélite lunar. 
A Terra é um planeta de primaveras abençoadas, que a transformam num gigantesco jardim.
Um mundo maravilhoso no qual todas as coisas acatam a vontade de Deus. 
As aves, das andorinhas às águias, continuam a voejar, a cantar os seus cantos e a bater suas asas, singrando os céus do mundo. 
As estações se sucedem disciplinadamente, uma vez ao ano, cada qual com sua característica. 
E temos as brisas mansas, os ventos que sopram das montanhas e refrescam as baixadas. 
Um planeta recortado de artérias chamadas de rios, que vão encontrar-se no mar. 
Tudo sob os cuidados da Divindade. 
* * * 
Pensemos:
É preciso entender Jesus na solidão das nossas reflexões:
Onde esse Mestre nos está faltando? 
Onde estamos sentindo falta dEssa Voz macia da Galileia, dessas águas mansas de Genesaré? 
Onde está faltando Cristo em nós, para que O possamos entronizá-lO no coração? 
Redação do Momento Espírita, a partir do curta O mundo em que vivemos e o Espiritismo, de Raul Teixeira, disponível em @canalfep 
Em 13.06.2026

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

NOSSO MAGNETISMO

RAUL TEIXEIRA
Cada criatura humana é um verdadeiro magneto que caminha pela Terra, a qual, por si mesma, é também um imenso corpo magnético a viajar pelo cosmos.
Trazemos conosco a delicada e poderosa capacidade de atrair, irradiando energias invisíveis e fluidos sutis que revelam a essência da nossa alma. 
Somos ímãs silenciosos, tecendo os fios da afinidade, aproximando corações que vibram em nossa mesma sintonia. 
A história nos presenteou com almas que souberam sublimar essa força, transformando seus campos magnéticos em verdadeiros oásis para a humanidade. 
Pensemos na figura serena de Mahatma Gandhi, com sua fala mansa e, ao mesmo tempo, inquebrantável. 
Ele exalava o magnetismo puro da pacificação. 
Sem levantar uma única arma, ancorado na força do amor e da não violência, ele atraiu e reuniu toda uma nação ao seu redor. 
Mesmo com o passar das décadas, seu nome segue como um farol luminoso, arrebanhando legiões de almas de boa vontade que têm fome de liberdade e de paz. 
Contemplemos a extrema doçura de Francisco de Assis. 
Na juventude privilegiada, tinha ao seu redor jovens como ele, que se divertiam entre canções, danças e brincadeiras.
Quando renunciou à riqueza para viver a pobreza e a paz, muitos daqueles jovens ficaram profundamente tocados pelo seu exemplo. 
Abandonaram a vida mundana, a ostentação e as armas, tornando-se os primeiros companheiros de sua tarefa de amor. Desprovido de posses terrenas, seu magnetismo pessoal transbordava riqueza celestial. 
O pobrezinho de Assis amou tanto, e com tamanha pureza, que abrandou o orgulho humano. 
Sua simplicidade exala, através dos séculos, um perfume de fraternidade que continua a atrair multidões, inspirando-nos a enxergar cada criatura como irmã e o universo como um sagrado altar. 
Mas de todos os luminares que já acariciaram o solo deste mundo, o magnetismo mais arrebatador e fascinante foi, sem dúvida, o de Jesus de Nazaré. 
Por onde passava, atraía multidões de almas famintas. 
Não apenas carentes de pão, também transbordantes da mais profunda sede de amor, de paz, de esperança e de Deus. 
 Seu magnetismo luminoso envolvia os tristes, consolava os invisíveis e abraçava os caídos. 
Como ele mesmo prometeu, ao ser erguido no madeiro, atrairia todos os homens para si. 
É exatamente o que seu amor incondicional continua a fazer, transpondo o véu do tempo para curar as nossas dores. 
* * * 
O exemplo desses grandes luzeiros nos convida a uma reflexão íntima e poética: quais energias e virtudes estamos liberando no mundo ao nosso redor? 
Nós também podemos ser construtores da harmonia. 
Para beneficiar aqueles que partilham a jornada conosco, basta que lapidemos, com ternura, o nosso próprio magnetismo pessoal. 
Quando escolhemos a doçura no lugar da aspereza, a paciência no lugar da irritação, e a compaixão no lugar do egoísmo, irradiamos uma luz serena. 
Assim como as flores atraem as borboletas pela doçura do seu néctar, passaremos a atrair o bem, tornando-nos um porto seguro de afeto, paz e esperança para todos os corações que caminharem ao nosso lado. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. 13, do livro Vida e Valores, ed. FEP. 
Em 04.09.2026