quarta-feira, 4 de novembro de 2026

NEM MAIS UM DIA SEM SORRIR!

RAUL TEIXEIRA
-Depois que minha filha nasceu, não passo mais nem um dia sequer sem sorrir. 
Esta foi a declaração desse pai apaixonado pela nova vida que segurava nos braços e que modificaria sua forma de ver o mundo e de viver, para sempre.
Uma nova vida é sempre um novo sorrir. 
Sorrir de Deus, que concede nova chance a um de nós. 
Sorrir da natureza, que se renova, que vibra com seus ciclos belíssimos na Terra. 
Sorrir de quem chega pois, por mais que a existência seja ainda campo de provação e expiação, é também campo de redenção, de novos caminhos. 
Um passo a mais para a felicidade. 
E ainda, sorrir de quem recebe no lar um novo ser, que não é propriamente novo, mas que aterrissa no planeta de uma forma muito especial, através das vestes da infância. 
Uma nova vida é sempre um novo sorrir. Identificamos na criança a confiança que o Criador deposita nas mãos da Humanidade. 
A criança é a canção com que o tempo embala os ouvidos do futuro quanto é a semente, que lançada na terra fértil da nobre orientação, produzirá floração e frutos de esperanças para o amanhã. 
A infância é o poema de amor e docilidade, que o Pai Maior recita para Seus filhos queridos, mostrando-lhes o caminho da pureza que os incita a construir em suas almas. 
Aprendamos com a simplicidade da infância, com as primeiras conquistas e com esse olhar de admiração e encanto que somente os pequeninos têm. 
Aprendamos com eles a importância do aconchego, de estar sempre perto, abraçado a quem se ama. 
Aprendamos a confiar no colo do pai e da mãe, que não nos deixam cair em momento algum e assim nos entreguemos à vontade de Deus, que nunca nos desampara. 
Aprendamos com as crianças a perceber as minúcias do espaço à nossa volta, os detalhes, as delicadezas da existência. 
Aprendamos, enfim, a dar a nós mesmos novas chances, novas oportunidades de acertar, pois o Criador assim O faz sempre e com muita competência. 
Não deixemos que o tempo, na companhia delas, passe voando. Não. 
Lembremos de cada progresso, de cada nova vitória, registrando tudo nas fotos, gravações e, claro, no coração.
Porque uma nova vida é sempre um novo sorrir. 
E quem de nós não precisa sorrir mais? 
Sorrir de alegria, sorrir de gratidão, sorrir por amar; sorrir por sorrir, por estar vivo... 
O Criador Maior e Suas Leis perfeitas desejam que sempre estejamos sorrindo. 
Dessa forma, promovem nosso crescimento através das eras, pelas sendas do amor infinito. 
Quem sabe um dia todos possamos dizer: 
-Não passo mais nem um dia sequer sem sorrir... 
Redação do Momento Espírita, com trecho do cap. 10 do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita, v. 27, ed. FEP. 
Em 30.03.2015.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

TORNANDO-SE CLARO!

Rachel Naomi Remen
Quantas vezes, durante um simples dia, nos servimos da palavra Claro? 
Quando afirmamos que faremos o que nos pedem, que estaremos presentes na reunião marcada, sintetizamos com Claro. 
Se nos questionam sobre a veracidade de um fato, dizemos:
-Claro, como sinônimo de afirmação imediata. 
Esse vocábulo tem mais de sessenta significados. 
E o convite que a vida nos faz vai além da superfície dos dicionários e das nossas conversas rotineiras. 
É para que possamos, na intimidade do nosso ser, dia após dia, nos tornarmos claros. 
Trata-se de um processo contínuo de libertação e de despertar. 
É permitir que a luz do entendimento dissipe, com suavidade, as sombras que ainda habitam o nosso mundo interior. 
É compreender que somos Espíritos imortais, viajantes do universo, fadados à perfeição. 
Nossas asas espirituais não foram forjadas para a gaiola do comodismo ou da pequenez. 
Ser claro é expandir os horizontes, sem as barreiras que nós mesmos nos impomos. 
É realizar o trabalho silencioso de limpar a vidraça do próprio coração. 
É retirar, com a flanela do perdão, o pó do ressentimento, a fuligem da mágoa e a espessa teia de aranha do egoísmo.
Dessa maneira, a luz do amor poderá nos atravessar e iluminar o próximo. 
Não significa ter a presunção de possuir todas as respostas do universo, mas abrigar a fé inabalável de que o leme de nossa vida está em boas mãos. 
Ser claro é confiar na pedagogia divina, sabendo que cada lágrima e cada sorriso são lições perfeitamente desenhadas para o nosso burilamento moral. 
É permitir que o rio da bondade flua através de nós, sem as pesadas pedras do orgulho a barrar a correnteza. 
É nos tornarmos instrumento dócil da paz, um canal desobstruído por onde a misericórdia flui, facilitando a jornada daqueles que caminham ao nosso lado. 
É perdoar a nós mesmos. 
Compreender que o erro cometido foi apenas o degrau áspero e doloroso que nos ensinou a subir. 
Ser claro é recusar carregar o peso esmagador de um passado que não pode ser alterado, utilizando, em vez disso, suas duras lições para retificar o presente. 
Tornar-se claro é, sobretudo, adotar uma postura íntima de coragem e de renovação. 
É tomar a decisão consciente de não alimentar os monstros da ansiedade e do pavor, criados pelas ilusões da nossa mente. 
***
Enfrentemos as situações, por mais desafiadoras, com a serenidade de quem sabe que toda tempestade é passageira. Não estamos sós. 
O Criador do universo, em Seu amor incondicional, sustenta cada um de nossos passos. 
Ele sussurra coragem na brisa suave da manhã, oferece consolo no silêncio repousante da noite e derrama bênçãos de recomeço a cada novo amanhecer. 
Aceitemos esse inadiável convite. 
Retiremos, um a um, os véus que nos encobrem e deixemos brilhar a centelha divina que trazemos guardada no peito.
Tornemo-nos claros como a água pura da fonte, claros como a verdade que liberta, claros como o amanhecer que triunfa, invariavelmente, sobre a mais escura e longa das noites. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Tornando-se claro, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante 
Em 03.11.2026

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

AS DÁDIVAS DA VIDA

Na encruzilhada da existência, todos nos encontramos, em algum instante, postos a cultivar a paciência e a observação.
Imaginemo-nos parados na esquina do calçadão do tempo, vendo a multidão que vem e vai. 
Rostos cansados, rostos iluminados, rostos esperançosos. 
Se prestarmos atenção, perceberemos que esse local não é apenas um ponto de passagem. 
Trata-se de um local de trocas invisíveis. 
Cada pessoa que caminha em nossa direção traz algo nas mãos. 
Ao passar por nós, sem interromper o passo, cada uma nos entrega um objeto singular. 
Há quem ofereça uma flor perfumada, ou uma pedra gasta pelo uso. 
Alguém nos entrega um livro antigo. 
O próximo, apenas um pedaço de pão, uma fita colorida ou uma semente seca. 
Todos seguem em frente, misturando-se novamente à brisa do tempo, sem pedir nada em troca. 
Diante desse fluxo incessante, a gratidão deve ser a nossa primeira e mais profunda resposta. 
Nada do que recebemos nessa esquina é por acaso. 
A flor nos ensina a beleza efêmera e a delicadeza. 
A pedra nos fala da resistência necessária nos dias difíceis. 
O livro nos oferta a sabedoria e a semente nos convida à fé no amanhã. 
Mesmo os gestos mais simples guardam um valor inestimável.
Por vezes, a vaidade do mundo tenta nos seduzir. 
Vozes ao nosso redor nos afirmam que somos extraordinários, dotados de inteligência superior, detentores de criatividade ímpar e singularmente especiais. 
No entanto, como verdadeiros aprendizes da vida, tenhamos consciência de que o orgulho é uma venda sobre os olhos.
Nenhuma virtude individual é tão brilhante que possa ofuscar o brilho presente no próximo. 
Por mais talentosos que possamos parecer, jamais saberemos tudo, nem seremos autossuficientes. 
Cada ser humano que cruza o nosso caminho é um tesouro vivo, uma obra em construção sob as bênçãos do Criador.
Não há alma desprovida de luz ou destituída de um propósito sagrado. 
Se nos posicionarmos com humildade e atenção genuína, seremos capazes de perceber a dádiva que cada passante compartilha conosco. 
O viajante cansado nos ensina a empatia. 
A criança sorridente nos devolve a esperança. 
O idoso nos entrega a paciência lapidada pelos anos. 
O enfermo nos repassa resiliência e força moral. 
Aprender a colher esses presentes exige silêncio interior e um olhar desarmado. 
Exige enxergar além das aparências, das limitações temporárias e das ruidosas distrações cotidianas. 
Aquele que nos parece simples ou rude pode ser, na verdade, o portador da lição mais profunda que precisávamos receber naquele exato instante. 
Ao final da jornada, ao olharmos para as nossas mãos repletas dessas oferendas e memórias, perceberemos que nunca caminhamos sós. 
Somos o tecido vivo feito das experiências, dos afetos e do aprendizado que coletamos em cada esquina. 
Saibamos, portanto, abençoar cada pessoa que passa, guardar cada oferta com reverência e reconhecer que, na grande escola da vida, todos somos doadores e receptores da infinita bondade de Deus. 
Redação do Momento Espírita 
Em 02.11.2026

domingo, 1 de novembro de 2026

NEM CEDO, NEM TARDE!

...e CHICO XAVIER
O presente é hoje. 
O passado está no arquivo. 
O futuro é uma interrogação. 
Faça hoje mesmo o bem que escolheu fazer. 
Se você tem algo a entregar, entregue isso agora. 
Se deseja apagar um erro que cometeu, consciente ou inconscientemente, procure sanar essa falha sem demora.
Caso se sinta na obrigação de escrever uma carta, uma mensagem, não deixe que caia no esquecimento. 
Na hipótese de idealizar algum novo trabalho que poderá ser de utilidade geral, não adie a sua realização. 
Se alguém lhe ofendeu, desculpe e esqueça, para que não siga adiante carregando sombras no coração. 
Auxilie os outros, enquanto os dias lhe favorecem. 
Faça o bem agora, pois, na maioria dos casos, "depois" significa "fora do tempo" ou "tarde demais". 
* * * 
A vida é breve, a alma é vasta, já dizia o grande poeta português, Fernando Pessoa. 
A existência na Terra é um sopro. 
Tudo passa muito rápido. 
Além disso, chegamos sem saber quando será o instante da volta. 
Algo providencial, assim como o esquecimento do passado, pois isso nos dá a grande lição do recomeço e da urgência. 
O recomeçar deixando seja lá o que fizemos e o que fomos para trás; a urgência de aproveitar a oportunidade ao máximo.
Não confundamos urgência com a pressa que vem acompanhada da ansiedade. 
A urgência aqui é no sentido de prontidão, iniciativa e importante necessidade. 
Realmente, não sabemos quanto tempo temos. 
Saímos para o trabalho, fazemos uma breve viagem, vamos à panificadora. 
Quem garante que iremos voltar? 
Não se trata de nos aterrorizarmos e ficarmos aguardando o instante da morte a qualquer momento, mas de entendermos que se trata de um fenômeno natural e que não sabemos o que está em nosso planejamento reencarnatório. 
Adiar questões importantes da vida será sempre uma aposta arriscada. 
Deixar mais para frente aquilo que sonhamos ou que nosso coração pede que realizemos sempre será uma jogada duvidosa. 
Vejamos que, muitas vezes, a intuição nos é muito clara:
Faça agora! Diga! Vá até lá! 
Telefone para Fulano, converse um pouco. 
Ignoramos as intuições, porque deixamos que elas se misturem às atribulações e às preocupações menores. 
E lá se vão grandes oportunidades. 
Nem cedo, nem tarde, a hora é agora. 
Reflitamos sobre tudo aquilo que vai no coração. 
Aquilo que acreditamos ser importante realizar ou mudar em nossa vida. 
Não enchamos a vida de quando eu... 
Ou depois que eu... 
A frustração de chegarmos no plano espiritual, mais uma vez, deixando questões importantes para trás, atravessa o peito como espada incandescente. 
Culpa, decepção, arrependimento. 
Não queremos isso em nosso Espírito já tão marcado pelos acontecimentos dos tempos passados. 
Realizemos agora. 
Comecemos hoje. 
Um primeiro passo pelo menos. 
Façamos do dia de hoje um dia único. 
Surpreendamos aos outros e nos surpreendamos. 
Lembremos sempre: 
-Faça o bem agora, pois, na maioria dos casos, "depois" significa "fora do tempo" ou "tarde demais". 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 3, do livro Hora certa, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 19.04.2024.

sábado, 31 de outubro de 2026

TUDO RESSURGE E BRILHA

Constâncio Alves
Não chores quem se vai, quando a faina termina!… 
Para lá do sepulcro outra senda começa… 
A natureza, em tudo, é sublime promessa, 
Tudo ressurge e brilha, ante a glória divina!… 
***
Esses versos sublimes de Constâncio Alves são uma verdadeira canção de esperança para os nossos dias de saudade. 
Eles traduzem a lição de Jesus: Deus não é de mortos, mas, sim, de vivos. 
Para acalmar o coração, é imprescindível compreender a morte não como extinção, mas como uma atividade transformadora da própria vida. 
Espiritualmente falando, apenas conhecemos um gênero temível de morte: a morte da consciência denegrida no mal, torturada de remorso ou paralisada nos despenhadeiros que marginam a estrada da insensatez e do crime. 
Essa sim, é a verdadeira morte da alma, que se encarcera nas sombras de seus próprios desatinos.
Fora disso, é chegada a época de reconhecermos que todos somos vivos na Criação eterna.
Por tardar esse conhecimento em nós, constatamos grandes erros diante da morte dos entes queridos. 
Em razão disso, a teologia criou céus e infernos artificiais, rejeitando a lógica reencarnacionista. 
Algumas pessoas se apegam à letra, crentes de que o corpo material - apenas vestimenta temporária - deverá ressurgir dos sepulcros. 
E outras veem os Espíritos como fantasmas de laboratório, vagando indefinidamente pelo espaço. 
Quem passa pela sepultura prossegue trabalhando e aprendendo nas estações do Além. 
Lá, tanto quanto aqui, só existe desordem para o desordeiro e equilíbrio para o trabalhador do bem.
Na crosta da Terra ou além dos seus círculos, permanecemos vivos invariavelmente. 
Os desencarnados não são magos ou adivinhos para satisfazer curiosidades. 
São irmãos de jornada que continuam na luta do próprio aprimoramento. 
Tiveram seu tempo na encarnação atual e agora continuam os planos individuais em outra dimensão. 
Podem permanecer nesse estado por pouco ou muito tempo, porém, tão logo seja necessário, planejam novo retorno, assim como o fizeram antes. 
Recordemos que lidamos com algo semelhante aqui mesmo no planeta, quando parte da família habita outro continente; quando irmãos, filhos, amigos queridos, enfrentam o desafio de um emprego ou um longo período de estudos fora do país.
Há os que se mudam para realizar tratamentos específicos de saúde e ainda os que encontram sua nova família no outro lado do oceano. 
O amor não conhece distâncias e se faz ponte de luz sobre todos os abismos do caminho. 
Ninguém morre. 
Ninguém desaparece. 
Apenas entramos em fases diferentes da vida do Espírito, que é muito maior do que esta que chamamos de existência.
Todos nós já passamos por isso antes. 
Confiemos nas forças da Providência Divina. 
A natureza em tudo é sublime promessa. 
Tudo ressurge e brilha!
Tudo em Deus tem um significado muito maior do que podemos, muitas vezes, compreender. 
Ou mesmo imaginar. 
A razão e o coração nos apontam: a morte não existe. 
Os mortos vivem. 
O amor dura para sempre. 
EMMANUEL E CHICO XAVIER
Redação do Momento Espírita com base no poema Os mortos vivem, do livro Estrelas no chão, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM e no cap. 42, do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 31.10.2026 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

GRANDE É A GENTILEZA

No imenso tecido da jornada humana, muitos instantes de aparente acaso são caminhos silenciosos da Providência. 
A internet, por vezes criticada, foi o palco de uma bela história de solidariedade, iniciada por um simples erro. 
Em março de 2018, a jovem Sydney estava provando um vestido de festa. 
Ela enviou as fotos no espelho para o celular de uma amiga, porém as fotos acabaram no aparelho de um estranho.
Número errado. 
Sabemos que isso representa um certo perigo: fotos de nossa intimidade indo para algum lugar que não sabemos onde.
Mas, quem recebeu a mensagem foi Tony Wood, pai de seis filhos. 
Ele teria várias opções após receber as fotos. 
Vale a pena pensar o que faríamos se acontecesse conosco, lembrando que são fotos de uma adolescente. 
Ele poderia ter apagado a mensagem. 
Poderia ter respondido de forma fria: Número errado. 
Poderia ter feito algum tipo de brincadeira de mau gosto ou se aproveitado da situação. 
No entanto, ele decidiu fazer daquele momento um gesto de gentileza, respondendo com bom humor: 
-Sua mensagem foi para o número errado. Eu queria ajudar, mas minha esposa não está em casa, então não pude pedir a opinião dela. Contudo, eu e os meus filhos achamos que você ficou deslumbrante nesse vestido! Com certeza deveria comprar! 
Para deixar a reação descontraída, Tony anexou uma foto de cinco de seus filhos no sofá, sorrindo com sinal de positivo com o polegar. 
Sydney achou sensacional. 
Pediu desculpas, e fez questão de compartilhar com a amiga, aquela que deveria ter recebido as fotos. 
As duas deram boas risadas e viram uma oportunidade de divulgar como há pessoas gentis no mundo. 
E publicaram a história nas redes sociais. 
A foto das cinco crianças encantou a todos. porém, os internautas encontraram algo estranho. 
Tony era pai de seis filhos e na foto só havia cinco. 
Onde estava o sexto? 
Assim, a internet descobriu que o caçula de Tony, Kaizler, de apenas quatro anos, lutava contra a leucemia desde 2015.
Havia, inclusive, uma campanha on-line da família para arrecadar vinte mil dólares para o tratamento, mas que mal havia chegado aos dois mil. 
Ao descobrir a história, a comunidade virtual se mobilizou em velocidade recorde. 
Em dias, as doações ultrapassaram sessenta mil dólares. 
A própria Sydney contribuiu.
O valor cobriu o tratamento e, em abril de 2019, Kaizler concluiu a última quimioterapia. 
Curado, tornou-se destaque no atletismo escolar. 
***
Essa história ilustra o quão grande é a gentileza. 
Tony, ao responder com carinho a uma desconhecida, não imaginava que semeava a salvação do seu filho. 
Ele não pediu ajuda, porém, sua gentileza preparou o caminho para as bênçãos que a Providência Divina se propunha entregar. 
Que possamos escolher sempre o trato ameno e a compreensão diante dos acasos que nos surjam. 
Muitas vezes, os imprevistos são bênçãos de Deus convidando-nos a exercer o amor e a transformar a nossa existência numa perene canção de luz. 
Redação do Momento Espírita com base na história real O erro mais certo da Internet, de Sydney Usilton e Tony Wood.
Em 30.10.2026

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

NEM CASTIGO, NEM PERDÃO!

Um dos maiores temores que vibram no coração do homem é o medo do castigo divino.
Convivendo com a possibilidade de que Deus possa se ofender e castiga-lo por suas faltas, o indivíduo sofre e se divide entre o amor e o temor de Deus.
Atribuindo ao Criador os mesmos vícios que ainda possui, o ser humano teme ser castigado a qualquer momento por um Deus caprichoso e cruel que está sempre à procura de defeitos para se vingar, impondo-nos sofrimentos. 
Paulo, o apóstolo, se manifestou a respeito desse tema dizendo o seguinte:
-“Gravitar para a unidade divina, eis o fim da humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Pois bem! Digo-vos, em verdade, que mentis a estes princípios fundamentais, comprometendo a idéia de Deus, exagerando-lhe a severidade. Duplamente a comprometeis, deixando que no espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais virtude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao ser infinito." 
Quem é, com efeito, o culpado? 
É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo. 
Que é o castigo? 
A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgosta-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. 
Assim, o que se chama castigo é apenas a conseqüência das leis naturais. 
É graças à dor física que a criatura procura o remédio para sua enfermidade. 
É graças ao sofrimento moral que a alma busca a própria cura. 
O sofrimento só tem por finalidade a reabilitação, o retorno do aprendiz ao caminho reto. 
Como podemos perceber, o mal não é de essência divina, é gerado pelas criaturas, ainda imperfeitas. 
O sofrimento não é imposto por Deus como castigo, é o efeito natural do falso movimento da criatura, e que a estimula, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma, a voltar ao objetivo traçado pelas leis divinas, que é a harmonia. 
E essas leis são justas, imparciais e amorosas. 
Um exemplo disso acontece quando um homem, enlouquecido, assassina várias pessoas, foge e, na fuga, se fere profundamente. 
O que acontece com seu organismo? 
Suas células, obedecendo a lei natural, começam imediatamente a se movimentar para estancar o sangue, cicatrizar a ferida e expulsar os germes que causam infecção.
Se Deus quisesse castiga-lo, derrogaria suas próprias leis e faria com que as células desse indivíduo não trabalhassem a seu favor, mas se rebelassem e o deixassem morrer. 
Afinal, ele é um criminoso! 
Mas não é isso que acontece. 
As leis divinas seguem naturalmente seu curso. 
O sol brilha, incansável, sobre justos e injustos, sem se importar com o que acontece sob sua luz. 
A chuva cai sobre a mansão e sobre o casebre. 
O frio fustiga a pobres e ricos. 
As catástrofes naturais arrebatam sábios e ignorantes, velhos e crianças, fortes e fracos. 
Por todas essas razões devemos entender que o Criador não derroga suas próprias leis para nos punir ou para nos premiar.
As nossas ações é que geram efeitos sobre essas leis. 
As boas ações geram efeitos positivos, e as infrações às leis geram efeitos desajustados. 
Nada mais justo do que esta sentença: “a cada um segundo suas obras.” 
Nem castigo, nem perdão. 
Deus não castiga porque suas leis são de amor, e não perdoa porque jamais se ofende. 
Pensemos nisso, e busquemos atender essas leis soberanas que estão inscritas em nossa própria consciência. 
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no item 1009 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

QUAL JESUS HABITA EM NÓS?

Simão Pedro de Lima
No silêncio das nossas reflexões, uma pergunta ecoa na alma: 
-Afinal, qual Jesus habita em nós? Será o Jesus simples e acolhedor dos Evangelhos, ou Aquele que construímos ao longo dos séculos, enclausurado em doutrinas, instituições e autoridades religiosas? 
Talvez tenhamos complicado demais o caminho até Ele. 
Criamos especialistas para explicá-lO, passamos séculos debatendo Suas palavras e, quase sem perceber, geramos a falsa ilusão de que alguns sabem chegar a Jesus melhor do que outros. 
Como se o conhecimento intelectual concedesse algum privilégio espiritual. 
Mas, quando olhamos para a vida do Mestre, não encontramos essas barreiras. 
Jesus conversava com os pescadores, com os doentes, com as mulheres, com os estrangeiros e com os situados à margem da sociedade. 
Para chegar até Ele, era suficiente se aproximar. 
Uma de Suas frases mais belas é, também, a mais direta e amorosa: 
-Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados. 
Ele não pediu para procurarmos primeiro quem pudesse explicá-lO. 
Não exigiu que soubéssemos explicar Seus ensinos de maneira impecável. 
Ele apenas disse: Vinde. 
Há um Jesus anterior às nossas disputas e denominações.
Um Jesus que não pergunta à pessoa exausta o que ela sabe sobre religião. 
Simplesmente oferece o Seu abraço. 
Talvez seja esse o Jesus que precisamos reencontrar. 
Não Aquele sobre quem aprendemos a falar de forma eloquente, mas Aquele com quem podemos conversar, de coração a coração. 
Se retirarmos de nossas vidas as instituições, os rótulos e tudo que dizemos acreditar, o que sobra do cristianismo em nós? 
Jesus respondeu a isso de maneira simples: 
-Conhece-se a árvore pelos frutos. 
É fácil pertencer a uma denominação, defender uma ideia, participar de celebrações e falar do Cristo. 
Os frutos, porém, germinam em outro terreno. 
Eles aparecem na maneira como tratamos quem não pensa como nós. 
Na nossa facilidade ou dificuldade de perdoar. 
Na vaidade que conseguimos conter. 
No julgamento que evitamos. 
Na mão que estendemos no anonimato. 
Os frutos aparecem, sobretudo, naquilo que somos quando estamos longe dos lugares onde parecemos religiosos. 
Talvez tenhamos dedicado tempo demais perguntando quem possui a interpretação correta das escrituras, quando Ele nos deixou um espelho muito mais simples para observar: o que a nossa presença produz na vida do outro? 
Se a nossa presença produz acolhimento, misericórdia, paz e esperança, então alguma coisa do Evangelho está acontecendo em nós. 
Se produzimos arrogância, exclusão, ressentimento e julgamento, é sinal de que precisamos reler com o coração aquilo que julgamos conhecer tão bem. 
A profundidade do ensinamento cristão está naquilo que conseguimos viver conforme o que Ele ensinou. 
Oportuno seria nos perguntarmos: 
-Se ninguém soubesse qual é a nossa religião, e não pudesse ouvir aquilo que dizemos acreditar, as pessoas conseguiriam perceber, pela maneira como vivemos, que o Evangelho passou por nós? 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que fizemos com a simplicidade do Evangelho?, de Simão Pedro de Lima. 
Em 28.10.2026

terça-feira, 27 de outubro de 2026

NEM A DISTÂNCIA, NEM A SAUDADE!

Boris e Anna Kozlov
O Apóstolo Paulo, em sua primeira Epístola aos Coríntios, asseverou: 
-O amor é paciente, o amor é bondoso. 
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 
Ter a oportunidade de nos casarmos com o amor de nossas vidas é um privilégio. 
Todavia, ter que se separar três dias após o casamento e esperar sessenta anos para se encontrar novamente é uma história extraordinária. 
Foi o que aconteceu com o casal russo Anna e Boris Kozlov.
Ele, membro do partido comunista, estava discursando em uma praça quando ela se aproximou. 
Ambos tiveram a certeza de que desejavam passar a vida toda juntos. 
Assim, organizaram o casamento rapidamente. 
A família de Anna não era bem vista pelo governo da época.
Há pouco, seu pai havia sido exilado para a Sibéria.
Entretanto, tais divergências partidárias não importavam ao casal. 
Ainda que em meio a turbulências políticas, decidiram selar o seu amor. 
Porém, o governo de Stalin continuava a desconfiar dos familiares de Anna. 
Haviam castigado o seu pai e decidiram fazer o mesmo com sua esposa e filhos. 
Três dias depois do casamento, a família foi exilada e os recém-casados se despediram. 
Boris partiu em missão com o exército. 
A família de Anna foi alocada em várias regiões e países distintos. 
A comunicação se extinguiu. 
Anna e Boris perderam totalmente o contato. 
Depois de muita insistência de seus familiares, Anna se casou com outro homem. 
Foram anos de profunda tristeza, com exceção do contentamento que lhe trouxeram os filhos e os netos. 
Boris também se casou. 
Tornou-se escritor. 
Nas linhas que escreveu, o tema saudade esteve sempre presente. 
Sessenta anos se passaram... 
* * * 
Anna e Boris contavam mais de oitenta anos quando decidiram retornar ao povoado natal. 
Ambos viúvos, planejavam passar o resto de suas vidas no lugar em que haviam sido felizes. 
Numa manhã, Anna avistou um homem que acabara de sair de um carro. 
Notou algo qualquer em seu porte, em seu olhar, gestos familiares. 
Não podia ser! Era ele! Era Boris! 
Seu grande e único amor! 
Passaram o dia falando sobre suas vidas. 
A sensação era de que nunca haviam estado separados.
Alguns meses depois, Boris teve a ideia: Casariam novamente! 
Anna ficou um tanto reticente, afinal, eram octogenários. 
Mas em breve cedeu. 
Hoje, o feliz casal é a prova viva de que nem a distância e nem a saudade são capazes de destruir o amor. 
* * * 
Que é a morte? 
Uma viagem, uma separação temporária, um até logo.
Todavia, jamais o fim, jamais o adeus. 
Aqueles que nos separamos temporariamente de nossos amores por ocasião desse fenômeno natural, devemos guardar em nossos corações a certeza: a morte, tal qual a distância, não rompe os laços de amor. 
Os dias podem se transformar em anos. E os anos, em décadas. 
Mas quando o momento oportuno se fizer, o reencontro virá e, junto dele, o esperado e saudoso abraço... 
Então, coração com coração, saberemos que nem por um instante ficamos separados daqueles a quem amamos.
Pensemos nisso. Confiemos! 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Boris e Anna Kozlov, colhidos no site http://melhorcomsaude.com/um-amor-voltou-encontrar-apos-60-anos/ 
Em 16.04.2016.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ABUNDÂNCIA COTIDIANA

Jordan Dworkin
Há cem anos, muitos chamariam de impossível.
Outros chamariam de milagre.
Já paramos para pensar na quantidade de comodidades que estão à nossa disposição no dia a dia? 
Imaginemo-nos deitados no conforto do sofá, após um dia cansativo, ouvindo a música que escolhemos com apenas um clique no celular. 
Acendemos uma luminária, mandamos mensagens para o outro lado do mundo e ajustamos a climatização do quarto. 
Se temos sede, abrimos a torneira. 
Se temos fome, encontramos alimentos frescos na geladeira e especiarias do mundo todo. 
Se necessitamos aquecer algum alimento, basta colocar por segundos dentro de um aparelho que funciona com ondas eletromagnéticas. 
Tudo parece tão automático, tão simples... 
Quase invisível. 
Essa abundância cotidiana é, na verdade, uma galeria de conquistas heroicas da humanidade. 
Tudo em nossa casa foi um luxo da realeza ou impossibilidade física. 
Antes, ouvir uma música dependia de instrumentistas ao vivo. Iluminar a casa exigia velas e chamas perigosas. 
Perder a visão devido à idade significava o fim da leitura e da vida produtiva, pois não existiam os óculos. 
A água vinha de poços poluídos que provocavam cólera, e as cirurgias eram feitas em total agonia, sem anestesia. 
Cada pequena conveniência de hoje traz a assinatura de Espíritos que lutaram contra a escassez, a dor e o isolamento.
Obviamente, nem todos têm a possibilidade de usufruir dessas maravilhas da modernidade porque ainda vivemos num mundo de desigualdades severas. 
O ponto de vista aqui é outro. 
É o que nos ensina a viver no presente para usufruir de uma galeria construída pelos esforços heroicos de gerações passadas. 
Ensina a cada um de nós, principalmente aos mais jovens, que chegam e encontram tudo pronto, a resgatar o sentimento de admiração diante dessas conveniências diárias.
Reconhecer e honrar esse legado. 
Essa evolução não ocorre por acaso, pois a lei do progresso rege o universo. 
Como Espíritos imortais, talvez sejamos nós mesmos colhendo o que plantamos em outras encarnações. 
As máquinas e vacinas são frutos do progresso que direciona o globo para a regeneração. 
Deus colocou o remédio ao lado do mal, agindo em proveito da nossa evolução. 
Não nos permitamos viver no automatismo da indiferença.
Quando vestirmos nossas roupas, tomarmos um remédio ou olharmos fotos de quem amamos, façamos uma pausa.
Reconheçamos a mão desvelada de milhões de irmãos que trabalharam antes de nós para que nossa jornada fosse mais leve. 
Agradeçamos pela dádiva do agora, com a consciência de que cada minuto nesta atual existência é um empréstimo precioso do Criador. 
Acima de tudo, nos perguntemos: 
-O que vamos deixar como testamento natural para os que virão depois de nós? 
Façamos do nosso presente uma semeadura de amor, tornando-nos cooperadores da luz, na promoção pelo bem-comum. 
Saibamos admirar o extraordinário que se veste de cotidiano, pois a gratidão é a alquimia que transforma a cobiça em paz e a matéria em eterno bem. 
Redação do Momento Espírita com base no ensaio Ordinary Abundance, de Jordan Dworkin, disponível no site: www.ordinaryabundance.com 
Em 26.10.2026

domingo, 25 de outubro de 2026

NEGÓCIOS

Peter Drucker
Ganhar a vida já não é suficiente, o trabalho tem que nos permitir vivê-la também. 
A frase é daquele que é considerado o Pai da Administração Moderna - Peter Drucker - e revela uma verdade preciosa para os dias de hoje. 
Drucker acompanhou um período sem precedentes na Terra, no que diz respeito ao mundo dos negócios.
Nascido em 1909, veio a desencarnar em 2005, após uma vida de muitas conquistas e de farto material produzido na área corporativa.
Sua citação sobre o papel do trabalho, da profissão, em nossa existência, precisa ser analisada em profundidade, pois traz consequências imediatas em todo viver, uma vez colocada em prática. 
A profissão tem como função principal nos fazer peça útil na sociedade e, também, nos propiciar o ganha-pão. 
A reflexão de Drucker nos convida a pensar: 
-De que adianta ganhar a vida, ter o meio de sustento, ter riqueza, se não consigo "usufruir" disso tudo para meu benefício? 
O trabalho tem que nos permitir viver a vida. 
Ele não pode nos escravizar numa teia de compromissos, responsabilidades, sem nos deixar sequer respirar o ar de uma bela manhã. 
Se nos transformamos nos chamados workaholics, perdemos o foco verdadeiro da encarnação, trocando os meios pelos fins. 
Sim, a profissão, o trabalho, tudo isso são meios. 
Meio de subsistência, meio de crescimento intelectual, meio de ser útil. 
Quando percebermos que o mundo dos negócios, a vida profissional está nos deixando quase loucos, é tempo de parar tudo e repensar. 
Temos, como Espíritos encarnados, compromisso direto com a melhoria material do planeta, ao mesmo tempo que temos compromisso conosco de nos melhorarmos, de nos tornarmos pessoas de bem. 
Assim, não podemos deixar que essas atividades simplesmente nos absorvam todas as energias, a ponto de nos fazer chegar em casa, ao final de cada dia, sem vontade sequer de conversar, de brincar com um filho pequeno, de sorrir. 
Temos que dar a cada coisa seu devido valor. 
E o mundo dos negócios não pode ser mais importante do que a família, do que a saúde de nosso corpo e de nosso Espírito.
Se você percebe que a vida tem lhe carregado para esse caminho, pare, pense, reflita, reprograme tudo enquanto há tempo. 
* * * 
Do Eclesiastes do Antigo Testamento Bíblico retiramos:
-Melhor é um punhado com descanso, do que ambas as mãos cheias com trabalho e aflição de espírito. 
Pense nisso. 
Pense se realmente vale a pena tanta aflição, tanto desespero, tantas horas de tensão, apenas por questões puramente materiais. 
Não podemos deixar de trabalhar, é certo, mas quem sabe possamos deixar o trabalho mais leve, menos extenuante, menos neurótico, permitindo que vivamos a vida em abundância. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 24, ed. FEP. 
Em 15.09.2025

sábado, 24 de outubro de 2026

A REDE E OS PEIXES

Cairbar Schutel
As parábolas de Jesus são códigos de luz que aguardam decifração. 
Aos poucos, à medida que nos tornamos mais esclarecidos, nós vamos entendendo sua essência.
Uma das mais impactantes é a parábola da rede. 
O reino dos céus é semelhante a uma rede.
Lançada ao mar, reúne peixes de toda espécie e, depois de cheia, separam-se os bons nos cestos e deitam-se fora os ruins. 
Assim será no fim do mundo: os anjos separarão os maus dentre os justos, lançando-os na fornalha do sofrimento, onde haverá choro e ranger de dentes. 
Essa imagem parece severa demais, motivo pelo qual nos cabe retirar o espírito da letra. 
Primeiramente, tenhamos em mente que esse fim do mundo não é a destruição do planeta, mas o fim do velho mundo, dos velhos costumes e o advento de uma nova fase, abrindo um novo programa de vida. 
A rede representa a lei suprema que atrai a todos, e os anjos são os Espíritos superiores encarregados desse apuramento moral. 
Uma advertência que devemos considerar é de que não vale só conhecer, é preciso praticar. 
Não vale estar na rede, é indispensável ser bom! Muitos exigimos lealdade, mas não a praticamos. 
Clamamos por indulgência sem sermos indulgentes.
Pregamos a humildade, mas buscamos os primeiros lugares. Se ficarmos na penumbra da vaidade, não seremos selecionados para os cestos da nova geração. 
O Espiritismo deixa clara a justiça de Deus, retirando o caráter sobrenatural do Além e revelando a certeza da vida futura. 
A reencarnação explica as anomalias da nossa jornada, mostrando que cada um renasce segundo a sua semeadura anterior. 
Deus não criou privilégios nem privilegiados. 
Todos fomos criados simples e ignorantes, com a mesma essência e destino. 
Os que praticamos o mal demonstramos ser Espíritos retardatários, que nos deveremos aperfeiçoar, depurando-nos na fornalha de dor dos mundos inferiores. 
A razão rejeita as penas eternas. 
As portas do arrependimento e da reparação nunca se fecham. 
Pela lei dos renascimentos, os laços de família deixam de ser carnais e se tornam verdadeiras uniões, solidários no passado e no futuro. 
Frente a todas essas ponderações, cabe-nos indagar, dentro dessa rede da parábola do Mestre, que tipo de peixe somos nessa estação do agora? 
Somos o peixe distraído, preocupado apenas com as nossas coisas? 
Somos o peixe que entendeu a importância do bem, mas que só o prega por palavras? 
Ou, finalmente, somos aquele que se esforça para ser bom diariamente? 
Que tipo de esforços temos feito? 
Ou temos exigido mudanças somente nos outros? 
Temos pensado apenas em nós mesmo, egoisticamente, ou já conseguimos ter a visão do cardume? 
A renovação do mundo não será feita por um milagre do céu.
Somente se concretizará pela mudança íntima daqueles que nos reunimos em nome do amor. 
Acalmemos nossos raciocínios e abramos o coração para o amanhã. 
Façamos o nosso trabalho de evolução hoje, sabendo que a caridade real é o único caminho seguro na jornada da eternidade. 
Redação do Momento Espírita com base na Parábola da rede, do livro Parábolas e ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, ed. O Clarim. 
Em 24.10.2026

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O ENDEREÇO MAIS SEGURO

A dor da perda é uma das travessias mais difíceis e misteriosas da experiência humana. 
Quando parte alguém que amamos, deixando o palco deste mundo, um silêncio denso e gélido parece tomar conta de tudo ao nosso redor. 
Precisamos viver essa dor. 
O luto não é um equívoco da alma ou um sinal de fraqueza. 
É um processo necessário de reajuste íntimo. 
As lágrimas são o orvalho que umedece a terra árida do coração ferido, permitindo que a esperança, no seu tempo certo, volte a brotar. 
Não devemos fingir que o coração não sangra. 
Contudo, existe um limiar delicado e vital entre vivenciar a dor e aprisionar-se nela. 
Muitas vezes, na tentativa desesperada de desejar manter o ser amado por perto, paralisamos a nossa existência.
Deixamos de viver. 
Mergulhamos em um oceano de angústia permanente, iludidos pela falsa crença de que a intensidade e a duração do nosso sofrimento são a medida exata do nosso amor.
Acreditamos que deixar de sofrer, ou permitir que um sorriso aflore novamente aos lábios, seria uma traição. 
Pensamos que cicatrizar a ferida seria o mesmo que esquecer, diminuindo o valor que essa vida teve para nós e desonrando, de alguma forma, a sua memória. 
Ao observar nossos dias cinzentos e nossa recusa em abraçar a vida que continua a pulsar, com certeza nosso afeto poderá nos endereçar uma pergunta: 
-Por que você construiu um monumento de dor tão pesado ao seu redor, quando toda a minha existência ao seu lado foi baseada no amor? 
Essa única indagação tem o poder extraordinário de quebrar as correntes do sofrimento crônico. 
A verdadeira traição à memória de um grande amor não está em voltar a ser feliz, mas em transformar a sua lembrança brilhante e luminosa em uma sombra escura de tristeza interminável. 
O amor, em sua essência mais pura, liberta. 
Jamais escraviza. 
Ele não deseja o suplício ou a paralisia do outro. 
Ao contrário, anseia pela sua paz, pela sua felicidade e pela sua contínua evolução. 
Quando descobrirmos que deixar de sofrer não significa esquecer, um horizonte novo se desvela. 
A dor dilacerante cede lugar a um sentimento mais nobre, maduro e reconfortante: a saudade serena. 
Essa saudade que ilumina o peito, que nos faz sorrir ao lembrar de uma história engraçada ou compartilhada, que nos fortalece nos instantes de fraqueza. 
Não diminuamos o valor inestimável da vida do nosso afeto resumindo-a a um ponto final de inércia e lamentação.
Honremos a passagem dessa alma pela Terra vivendo de forma plena tudo aquilo que ela gostaria que vivêssemos.
Derrubemos, pedra por pedra, o pesado monumento de dor e solidão. 
Em seu lugar, com paciência e carinho, cultivemos um jardim vibrante de memórias felizes. 
Aqueles que amamos não morrem jamais. 
Eles apenas se mudam para o endereço mais seguro: o nosso coração. 
Acolhidos na luz, eles aguardam pacientemente que o nosso pulsar seja, novamente, de pura alegria, paz profunda e imensa gratidão à vida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.10.2026

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

A NECESSIDADE DO TRABALHO

Tudo no Universo é dinamismo e labor. 
Os mundos giram incessantemente pelo espaço infinito, em grandiosas jornadas.
As estações do ano mantêm a Terra em processo de constante e viva metamorfose. 
As espécies animais e vegetais estão em contínuo aprimoramento. 
A organização e o progresso surgem das alterações incessantes. 
No âmbito dos seres irracionais, o aprimoramento ocorre de forma automática. 
Os imperativos da natureza fazem com que apenas os espécimes mais hábeis e adaptáveis vivam o bastante para assegurar sua reprodução. 
Desse modo, a melhor herança genética é transmitida aos futuros seres. 
Na faixa da Humanidade, o processo evolutivo é mais sofisticado. 
O homem não é guiado apenas pelo instinto de forma automática. 
Ele dispõe da razão para orientá-lo. 
E sua evolução não possui como aspecto primordial as alterações do organismo físico. 
Embora vinculado a um corpo, o homem possui de mais importante a sua natureza espiritual. 
Malgrado os corpos se sucedam ao longo das reencarnações, o Espírito que os anima mantém suas conquistas. 
As experiências na Terra visam ao burilamento intelecto-moral. 
As fadigas necessárias à manutenção da vida física têm por objeto viabilizar essa evolução. 
O homem possui muito forte o instinto de conservação da vida. 
Para preservá-la, ele se afadiga em inúmeras tarefas. 
Essas tarefas, desenvolvidas com a finalidade de obter bem-estar e segurança, fazem-no superar-se a cada dia. 
No ambiente profissional, a gentileza é imperativa. 
Ninguém pode se dar ao luxo de espantar clientes e maltratar colegas e superiores. 
Também é necessário ser pontual, vestir-se adequadamente, falar com correção. 
A concorrência torna necessário o contínuo aperfeiçoamento dos próprios talentos e habilidades. 
Vagarosamente a criatura desenvolve disciplina, tolerância, amor ao estudo e bons modos. 
Caso não necessitasse trabalhar a fim de manter-se, o homem permaneceria um bruto. 
Tudo se encadeia com perfeição nos planos divinos. 
A Humanidade é uma fase, após a qual vem a Angelitude. 
No concerto cósmico, não há favores ou privilégios. 
Cada qual é responsável por seu destino e pelos caminhos que trilha. 
Mas para sempre, e em qualquer condição, haverá trabalho para ser feito. 
Os próprios anjos laboram na manutenção da ordem cósmica.
Trabalhar não é um castigo, conforme o vagabundo o qualifica. 
Ócio e estagnação são sinais de doença e de morte. Valorize suas tarefas. 
Realize-as com amor, mesmo por entre dificuldades. 
Se você se sente bem apenas no final de semana, esforce-se por mudar esse modo doentio de perceber o mundo. 
O seu trabalho corresponde a uma genuína bênção em seu favor. 
Se ele lhe exige paciência, renúncias e esforços, não se rebele. 
São exatamente as suas áreas de dificuldade que estão sendo trabalhadas. 
Enquanto você não enfrentar e superar suas deficiências evolutivas, elas continuarão presentes em sua vida. 
Após vencê-las, você estará pronto para experiências mais sublimes. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.11.2007.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

NECESSIDADE DE REFORMA

Vivemos tempos tormentosos. 
Há guerras em várias partes do Mundo. 
Em nosso país, o cenário político e social é desolador. 
Entre denúncias de corrupção e de venalidade, resta pouca fé nos homens públicos. 
A impunidade instiga novos desmandos. 
O povo se mira nas figuras eminentes e acredita encontrar no comportamento dessas, justificativa para seus próprios equívocos. 
Levar vantagem parece um objetivo que se generaliza pelo corpo social, a tal ponto que a idéia do sucesso como resultado de um esforço continuado e metódico torna-se pouco sedutora. 
O famoso “jeitinho brasileiro” não mais significa criatividade, mas apenas esperteza e falta de caráter.
A História fornece inúmeros exemplos de civilizações que se corromperam e de como isso causou sofrimento aos seus integrantes. 
Em Roma, no período de transição entre a República e o Império, os costumes e os valores degeneraram. 
O filósofo e jurista Marco Túlio Cícero era profundamente angustiado com esse estado de coisas. 
Ele deixou inúmeros escritos que denotam sua preocupação com a corrupção que invadia a vida pública romana. 
Cícero se preocupava com medidas populistas freqüentemente adotadas pelos governantes. 
Tais medidas atendiam a caprichos da multidão, mas sem educá-la ou destiná-la a trabalho útil. 
Quem trabalhava era fortemente tributado, a fim de que largos benefícios fossem concedidos pelo Estado, sem qualquer critério razoável. 
Era, já naqueles tempos, a prática do assistencialismo, às custas dos contribuintes. 
Mas o que mais indignava Cícero era a corrupção e a troca de favores envolvendo o dinheiro público. 
Ao refletir sobre os valores fraternos, afirmou:
-“Estabeleçamos, pois, como lei primeira da amizade, não pedir nem conceder nada de vergonhoso. É uma desculpa indigna de ser admitida em qualquer pecado, e principalmente naqueles cometidos contra o Estado, confessar que se agiu por um amigo.” 
Bem se percebe a semelhança com a situação brasileira atual, pois ainda vivemos sob o regime do compadrio: o dinheiro público é rateado entre alguns, como se particular fosse.
Aproximadamente dois milênios nos separam da crise vivida pelo Mundo Romano, que provocou sua desarticulação.
Nesse período, a Humanidade evoluiu muito, sob os prismas intelectual e científico. 
Mas, embora alguns avanços, permanece titubeante, no que tange à moralidade. 
Na verdade, todos sofrem em razão da falta de ética. 
São inúmeros os prejuízos oriundos da torpeza generalizada.
Um deles é o aumento dos preços de produtos e serviços, causado pela inadimplência: os comerciantes computam em seus custos e, conseqüentemente, nos preços que praticam, um percentual destinado a fazer frente aos calotes que ordinariamente sofrem. 
Se todos tivessem o hábito de pagar regularmente as próprias contas, isso não ocorreria. 
Por outro lado, o desvio do dinheiro público dificulta a construção de creches, escolas e hospitais. 
Sem uma estrutura adequada de serviços básicos, a vida da população, especialmente de baixa renda, torna-se mais difícil. 
Como decorrência, cresce o número de desesperados e revoltados, a insegurança e a violência se alastram, em prejuízo de todos, ricos ou pobres. 
* * * 
O progresso intelectual é precioso, mas por si só não garante a paz. 
Se queremos viver em um mundo melhor, mais harmonioso, importa aprimoremos a moralidade. 
É imperioso um esforço em promover uma profunda reforma ética. 
Como toda mudança começa no indivíduo, para que a sociedade melhore, cada um deve esforçar-se em se aprimorar. 
Torna-se imperativa a adoção de novos hábitos: chega de levar vantagem, de fugir dos próprios deveres; basta de mentir, fraudar, sonegar e trair. 
O patrimônio público é sagrado e todos são responsáveis por ele. 
O dinheiro público não existe para ser apropriado por alguns, mas para atender demandas relevantes da coletividade. Impõe-se a severa fiscalização de sua utilização, como o cumprimento de um dever. 
Quando formarmos uma sociedade consciente e cumpridora de seus deveres, apenas por isso já desfrutaremos de grande tranqüilidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Diálogo sobre a Amizade, de Marco Túlio Cícero, ed. Cultura Moderna Sociedade. 
Em 02.01.2008.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

NOSSO SISTEMA AVANÇADO DE PROTEÇÃO

Você já ouviu falar em sistema avançado de proteção ao motorista? 
Os veículos mais modernos são equipados com uma tecnologia impressionante, que proporciona uma vigilância constante e minuciosa. 
Exemplos disso são o detector de fadiga e o assistente de frenagem. 
O monitor de fadiga atenta para pequenos sinais no motorista: o piscar mais lento, o olhar que se desvia, a cabeça que pende. 
Ele não interfere na direção.
Apenas observa e emite um alerta discreto quando percebe que o condutor se afasta do caminho natural. 
Essa presença discreta não toma o controle, respeitando a decisão e a vontade de quem dirige. 
Já o sistema anticolisão age no momento crítico, quando o risco está diante dos olhos e o tempo de reação humana não é suficiente. 
Nesse instante, a tecnologia intervém, evitando o choque sem substituir totalmente a vontade de quem dirige. 
Esses sistemas desempenham um papel de vigilância muito parecido com o dos nossos Espíritos protetores. 
Juntos, os dois sistemas compõem uma guarda em duas camadas: um que previne, alertando cedo, e outro que socorre, agindo no limite. 
A Doutrina Espírita revela que essa vigilância ininterrupta é feita por seres que nunca se cansam e perseveram ao nosso lado em toda circunstância. 
Como nos ensina Allan Kardec, todos temos ligado a nós, desde o nascimento, um Espírito bom que nos tomou sob a sua proteção. 
Ele desempenha a missão de um pai para com o filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso através das provas da vida. 
Esse companheiro desvelado nos acompanha desde o início, inspirando e guiando a nossa jornada. 
Como o detector de fadiga, o nosso anjo guardião age na primeira camada da prevenção, através do silencioso caminho da intuição. 
Ele sussurra avisos à consciência e nos inspira quando o cansaço da alma ameaça nos desviar do caminho. 
Porém, com respeito à nossa liberdade, ele jamais se impõe. Apenas alerta e inspira, deixando que a decisão seja nossa. 
E se acabamos tropeçando nas horas de tempestade? 
Se as nossas forças se esgotam e a queda parece inevitável?
É aí que entra a segunda camada de proteção.
Ele respeita nossas escolhas. 
Como bom professor, entende a importância das lições da queda, e nos atende de outra maneira. 
Atua no consolo, na recuperação, buscando facilitar o entendimento daquela prova para que extraiamos dela o melhor possível. 
É eles que nos diz ao pé da cama, em nossos sonhos: Fique tranquilo, você não está sozinho. 
Estou com você. 
Conversar com esse amigo pela prece é o melhor meio de acionar esse maravilhoso sistema de defesa da alma. 
 A oração atrai essa influência salutar que dissipa as angústias e recarrega as energias para o amanhã. 
Sós, realmente sós, nunca estaremos, pois estamos abraçados por esse guardião que Deus colocou ao nosso lado. 
Valorizemos essa companhia celeste, escutemos o nosso protetor e sigamos seu rumo com a certeza de que Deus nos cuida, assim como cuida de todos, como Pai de infinito amor pelos filhos a quem concedeu a vida. 
Redação do Momento Espírita com base na pt. 2, cap. IX, q. 489 a 521 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 20.10.2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

NECESSIDADE OU DESEJOS?

Você, que é pai ou educador, já deve ter ficado em dúvida, alguma vez, quanto às verdadeiras necessidades do seu educando.
Já deve ter se perguntado se deve atender a todos os desejos de seu filho, ou só às necessidades. 
Mas, afinal de contas, como distinguir as reais necessidades dos desejos caprichosos das crianças?
Aqui vão algumas dicas que podem ser úteis na hora da decisão: 
Comer, por exemplo, é uma necessidade. Mas, comer chocolate em vez de almoçar é um desejo que a criança tem e que não deve ser atendido para não criar problemas de saúde. 
Beber é uma necessidade. Mas, beber apenas refrigerante é um capricho prejudicial.
Brincar também é uma necessidade de qualquer criança. No entanto, brincar com o novo aparelho de som do pai ou da mãe, ou com o computador, já é outra questão. 
Dormir é necessidade básica. Mas, dormir em vez de ir para a escola, e ficar até tarde navegando na Internet, jogando vídeo game ou assistindo televisão, é outra história. 
Vestir-se confortavelmente e de acordo com o clima é necessário Mas, exigir roupas de determinada grife é mero capricho. 
Descansar após um ano de estudos e dedicação faz parte das necessidades físicas do ser humano. Mas, exigir viagens para este ou àquele lugar por passar de ano, é apenas desejo.
Carinho e afeto também são necessidades básicas do ser. Mas, exigir atenção exclusiva a todo momento é um desejo que não deve ser atendido quando se quer educar. 
Assim, cabe aos pais e educadores decidir se devem ou não atender alguns desejos da criança, levando sempre em conta as possibilidades financeiras e as oportunidades de educar.
Se nosso filho tem várias calças, por exemplo, mas quer mais uma para a sua coleção, devemos ponderar a respeito de comprar para que ele não nos importune, ou aproveitar a oportunidade para orientá-lo sobre os inconvenientes do consumismo. 
Se ele deseja receber uma viagem como prêmio por ter passado de ano, podemos optar por apenas satisfazer-lhe o desejo ou conversar sobre o assunto, de maneira a deixar claro que só consentimos porque ele foi um bom aluno e cumpriu com as suas obrigações junto ao lar e à família, mas que isso não se tornará regra.
O importante é ter sempre em mente que nosso filho precisa aprender a viver com limites e disciplina. 
Importante, também, é ensinar-lhe que nem tudo o que ele deseja ele pode ou deve ter, mesmo que tenhamos condições de atender. 
Criança que tem tudo o que quer é grande candidata à delinquência. 
Suprir suas necessidades de afeto e atenção é medida salutar, mas se deixar levar pelas exigências movidas pelo ciúme e pelo desejo de posse, é altamente prejudicial na formação do caráter da criança. 
Algumas crianças são extremamente inseguras e, por essa razão, desejam atenção exclusiva para si. 
Pais atentos na educação vão colocando limites e contendo os exageros. 
Por todas essas razões e outras mais é preciso estar sempre atento para as oportunidades de dar aos filhos uma educação baseada no amor e também na razão e no bom senso. 
* * * 
O verdadeiro amor não é permissivo, é exigente e visa o crescimento do ser amado. 
Em matéria de filhos, é preciso avaliar muito bem o que é melhor para cada um, pois nem sempre o que eles desejam os fará crescer e se tornar homens de bem. 
Quem ama, educa. 
E quem educa bem, salva. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no livro Limites sem traumas, de Tânia Zagury, ed. Record.
Em 16.11.2010.