segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A MEMÓRIA DO CORAÇÃO

Denzel Washington
e Connie Mauro
Muitas vezes, caminhamos pela estrada da existência sem nos darmos conta de quantas sementes de luz são plantadas em nosso íntimo, por almas generosas que cruzam nossos passos. 
São pequenos gestos, palavras de incentivo ou momentos de pura dedicação que alteram o rumo de nossas vidas, sem que tenhamos a sensibilidade de agradecer. 
E, no entanto, a gratidão é virtude que devemos cultivar, sem nos esquecer de manifestá-la a quem nos ofereceu, em algum momento, sua atenção, sua orientação, sua gentileza. 
Lembramos de um menino de sete anos que vivia em Mount Vernon, em Nova York. 
Ele costumava visitar a biblioteca pública, acompanhado por sua mãe. 
Um dia, ele foi até Connie Mauro, a bibliotecária infantil, e lhe explicou que precisava ler algo curto no fim de semana para apresentar um relatório na escola na segunda-feira. 
Com paciência, Connie buscou um livro curto, entregou-lhe o seu primeiro cartão de usuário e o ajudou a iniciar uma relação com a leitura que ele nunca mais abandonaria.
Para ela, foi apenas um gesto diário, o simples cumprimento de seu trabalho. 
O garoto cresceu e tornou-se um consagrado ator de Hollywood, diretor e vencedor de importantes reconhecimentos: Denzel Washington. 
Do outro lado do tempo, Connie envelheceu e foi viver em uma residência assistida em Marietta, na Georgia. 
Quando ela estava prestes a completar noventa e nove anos, a equipe do local gravou um vídeo lembrando o menino que procurava a biblioteca em Nova York. 
A gravação chegou até as mãos de Washington. 
Tocado pela lembrança, ele telefonou para ela. 
Disse-lhe, comovido, que ainda se lembrava daquele dia e que nunca tinha deixado de ler. 
Prometeu visitá-la. 
Em dezembro de 2016, ele cumpriu a sua palavra. 
Connie reconheceu imediatamente o homem famoso, mas viu nele também o menino que outrora procurara um livro para uma tarefa escolar. 
Denzel a beijou, segurou suas mãos e passou um longo tempo conversando. 
Por sua vez, Connie, transbordando carinho, havia tricotado dois cachecóis, um para ele e outro para a sua esposa.
Entregou-lhe ainda um livro com uma dedicatória. 
* * * 
Nenhum de nós sabe para onde a vida nos levará e quem acabará nos influenciando intensamente. 
Quantos de nós carregamos em nossa história benfeitores aos quais esquecemos de agradecer? 
Um professor que enxergou nosso potencial, um amigo que nos estendeu a mão em um momento de dor, um colega cujo sorriso iluminou um dia sombrio. 
A gratidão é a memória do coração. 
Que possamos resgatar em nossas lembranças essas almas queridas e, mesmo em pensamento, dizer-lhes um profundo obrigado. 
Que sigamos plantando pequenas sementes de bondade, influenciando beneficamente outras vidas. 
Porém, que não nos esqueçamos jamais de quem plantou uma flor no jardim de nossa vida, nos ofereceu um conselho, nos abraçou em dia de triunfo ou de tristeza. 
Sejamos gratos! Manifestemos nossa gratidão! Redação do Momento Espírita, com dados biográficos de Denzel Washington. Acesso em 18.7.2026
https://www.facebook.com/groups/ 4127901240565937/posts/27699108516351878/ 
Em 31.08.2026

domingo, 30 de agosto de 2026

NA RELAÇÃO A DOIS

Enquanto muitos apregoam o fim das relações familiares e observa-se um deperecimento do afeto em tantos casais, encontra-se, em contrapartida, exemplos que tocam fundo a alma. 
Contou-nos uma senhora que há alguns meses, em exames de rotina, foi-lhe constatado um início de diabetes. 
O exame estava ali, mostrando a alta taxa de glicose. 
Sua primeira reação foi vestir-se de tristeza. 
Pensou que bem podia diminuir ou até eliminar os farináceos, os tubérculos, o arroz. 
Mas, os doces... 
Como poderia ficar sem eles? 
Ela já tivera problemas outros de saúde, anteriormente, bastante sérios e à conta de se recuperar, impusera-se um rigoroso ritmo de vida. 
Abdicara de tantas coisas, pensava. Mas agora, teria que se privar também dos doces. 
Doces que ela adorava fazer e saborear. 
Com que prazer criava novas receitas e oferecia pratos deliciosos à família e amigos. 
Contou ao marido e ficou entabulando consigo mesma como poderia iniciar a nova dieta. 
E quando o faria. 
Naturalmente, o médico a iria melhor orientar, dizer-lhe exatamente como proceder doravante. 
O retorno ao equilíbrio orgânico exigia que a decisão fosse imediata. 
Entretanto, ela aguardou alguns dias. 
Dias que passaram lentos, morosos. Finalmente, decidiu refazer todos os exames. 
Outro médico. Outro laboratório. Nova coleta de material. 
Dias depois, o marido foi apanhar os resultados no laboratório.
Retornou ao lar e mal estacionou o carro, entrou em casa, chamando as filhas, a esposa, todos. 
Na mão direita, um envelope que sacudia sem parar. 
Ante o suspense que se fez, ele abriu o envelope e disse, eufórico: 
-Este exame diz que você, meu bem, está com a dosagem glicêmica absolutamente normal. Deve ter ocorrido um engano anteriormente. Não importa. O que importa mesmo é que você poderá continuar a comer doces. E nós vamos comemorar. Porque agora posso voltar a ficar feliz, sabendo que você não precisará se submeter a mais essa dieta, privando-se de algo que você gosta tanto. 
E abraçou a esposa, as filhas, entre a emoção e inusitada alegria. 
* * *
Isto se chama amor. 
Alguém que se importa tanto com o outro, que se alegra quando descobre que aquele não necessitará de mais um sacrifício para prosseguir a viver. 
Alegra-se com a alegria dele. 

Entristece-se com a sua problemática. 
Benditos os casais que assim levam a vida, mesmo após os anos de convivência se contarem às dezenas e os olhos não guardarem o mesmo brilho dos tempos da juventude. 
Casais que compartilham tudo: o amor, a dor, a alegria, o desconforto. 
Que se apoiam mutuamente, nos dias de invernia. 
* * * 
Enquanto segue a dois, lembre-se de usar a ternura, vez ou outra.
Lembre ao cônjuge que o amor ainda prossegue a fazer vibrar o seu coração.
Encontre palavras de carinho para enfeitar o dia de quem caminha, na vida, ao seu lado. 
Recorde enfim, que a relação conjugal é uma oportunidade de progresso e redenção e que não foi o acaso que os reuniu. 
E não se canse de utilizar a frase sempre aguardada dos lábios de quem ama: 
-Amo você! 
Redação do Momento Espírita, a partir de fato ocorrido com o casal Lannes Boljevac Csucsuly e Abigair Ivone Csucsuly. 
Em 11.03.2015.

sábado, 29 de agosto de 2026

NOSSAS TENTAÇÕES

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
JOANNA DE ÂNGELIS(ESPÍRITO)
Viver na Terra é uma dádiva sublime, uma jornada indispensável que nos enriquece a cada amanhecer. 
O contato com o nosso semelhante e com os fenômenos da natureza esculpe a nossa alma, estimulando-nos a crescer.
Nessa bela escola que é o mundo, caminhamos por trilhas onde, por vezes, nos deparamos com um dos mais delicados desafios da alma humana: o das tentações. 
Quase sempre, diante desse espelho da vida, fazemos um juízo equivocado de nós mesmos e superestimamos as nossas forças. 
Juramos ao vento que somos inabaláveis, que jamais cederemos a determinados apelos e que não cairemos nas armadilhas do caminho. 
No entanto, em momentos de distração, adotamos posturas infelizes obedecendo exatamente a esses apelos. 
Eles surgem disfarçados de promessas fáceis. 
Apresentam-se na ilusão de experimentar um vício apenas uma única vez, sob a crença de que manteremos a sobriedade. 
Mostram-se na temeridade de pisar fundo no acelerador e desafiar o perigo, ou na sombra de nos apropriarmos do que não nos pertence. 
E, quando nos equivocamos, é tão humano terceirizar a responsabilidade pelas nossas quedas, justificando que foram as más companhias ou as entidades sombrias que nos arrastaram ao abismo. 
A verdade, porém, é que a tentação age no sagrado território da vontade. 
Não realizamos coisa alguma que não encontre eco nesse nosso território. 
Afinal, a tentação não está do lado de fora. 
Ela reside dentro de nós. 
É o eco de uma bagagem interior que aguarda pela ação da disciplina de uma situação íntima ainda não trabalhada devidamente. 
As influências infelizes, sejam espirituais ou dos que se encontram na esfera física, como nós mesmos, apenas se aproveitam das nossas brechas morais, somando o desejo delas à nossa débil e indisciplinada vontade. 
Jesus Cristo nos ensinou que quem busca encontra. 
Se nos pusermos a rastrear a origem de um espinho, certamente nos depararemos com o espinheiro. 
Se procurarmos perfumes e cores, a vida nos guiará a um jardim. 
Para que possamos triunfar e transformar as nossas fragilidades em força, o Mestre Jesus nos entregou uma bússola infalível: oração e vigilância. 
Aprendamos a orar, construindo essa ponte luminosa de amor com o Divino. 
Saibamos ter vigilância, que nada mais é do que o cuidado amoroso com nós mesmos, prestando atenção aos caminhos por onde trafegamos, para onde vão os nossos pensamentos e quais serão as consequências dos nossos atos.
Entendamos as tentações como pedras da estrada, criando impedimentos à movimentação dos viajantes do progresso.
São os espinhos cravados nas carnes do coração ferindo, a cada contração muscular. 
Constituem, também os estímulos à vitória, à transformação íntima para melhor.
São o aguilhão que impele para a frente todo aquele que lhe padece o estímulo. 
Somos Espíritos imortais em marcha evolutiva. 
Usemos a nossa vontade soberana para educar nossos pendores. 
Cada desafio superado é uma vitória, um degrau acima, preparando a nossa alma para que um dia, plenos de luz, possamos finalmente tocar as estrelas. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. 14, do livro Vida e Valores, ed. FEP e no cap. 5 do livro Desperte e seja feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 29.08.2026

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

QUANDO DESPERTAREMOS?

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Infelizmente, ainda não sabemos valorizar as preciosas companhias de nossa jornada terrena. 
Caminhamos, muitas vezes, de olhos vendados para a beleza e a profundidade das almas que compartilham conosco a poeira das estradas do mundo.
Somente a distância, sob o filtro do tempo e da saudade, é que nos damos conta da real grandeza daqueles que estiveram ao nosso lado, servindo em silêncio, com abnegação. 
A história humana é um testemunho vivo dessa nossa persistente miopia espiritual. 
Antonio Vivaldi, cuja música hoje ecoa como um hino à própria criação e à sensibilidade, foi enterrado numa cova simples, esquecido pelo mundo que tanto embelezou. 
Johann Sebastian Bach, cujas composições tocam as franjas do divino, era visto pelos seus contemporâneos muito mais como um organista virtuoso e professor, e menos como o compositor genial e revolucionário que conhecemos.
O gênio e a inovação de Mozart incomodavam tanto pela grandiosidade de suas obras que a inveja e o orgulho dos homens trataram de isolá-lo e afastá-lo do convívio social. 
No campo do conhecimento e das ideias, repetimos o mesmo padrão de incompreensão. 
Allan Kardec foi impiedosamente perseguido e ridicularizado pelos intelectuais de seu tempo, simplesmente por descortinar as realidades imortais do Espírito. 
Hoje, na era da tecnologia, deslumbramo-nos com as respostas sofisticadas das inteligências artificiais. 
Mas deliberadamente esquecemos o nome de Alan Turing, o homem que, na solidão de seu pioneirismo, definiu o padrão de comportamento dessas mentes digitais, pagando um preço altíssimo em sua vida pessoal por sua incompreendida genialidade. 
Exaltamos o fruto, mas ignoramos o suor anônimo de quem preparou o alicerce. 
Assim ocorre no círculo de nossas vidas. 
Quantas vezes a dedicação no lar, no trabalho ou na tarefa voluntária é recebida com a indiferença daqueles que não sabem ouvir, ou com o silêncio dos que não aprenderam a ver? 
Quantas vezes quem serve persistente e dedicado passa despercebido, desconsiderado... 
Nessas horas, ergue-se um exemplo grandioso. 
O do Mestre de Nazaré, que estendeu o amor e a verdade, a paz e a luz, levantou enfermos, devolveu movimentos a membros paralisados. 
Contudo, lhe foi conferida a cruz entre dois malfeitores. 
Era o Príncipe da Paz e foi esmagado pela guerra dos interesses inferiores.
Era o Justo e padeceu a suprema injustiça.
Foi vilipendiado numa tarde. 
Porém, transformou a própria dor em glória divina. 
Pendera-lhe a fronte, empastada de sangue, no madeiro, numa sexta-feira de tristeza. 
Ressurgiu à luz do sol, ao hálito perfumado de um jardim, inaugurando um domingo radiante. 
Isso nos afirma que todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, e continuam a servir, descobrem o trilho bendito da eterna ressurreição. 
A nós, humanidade, cabe uma indagação contundente: Quando despertaremos para reconhecer os heróis silenciosos que ombreiam conosco? 
Até quando continuaremos a desconsiderar os que estabelecem o bem, a harmonia e a beleza no mundo?
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 46 do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 28.08.2026

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NARCISOS CONTEMPORÂNEOS

Na mitologia grega, Narciso era um jovem bonito e vaidoso.
Um dia, Narciso curvou-se para beber água em uma fonte e, vendo sua própria face refletida na água, enamorou-se dela. 
A lenda nos conta que ele foi definhando, dia após dia, sem se alimentar, sem descansar, encantado pelo reflexo de sua própria imagem na superfície da água, até morrer. 
Foi Sigmund Freud que acrescentou o termo narcisismo ao vocabulário da psicologia para designar amor à própria imagem. 
O termo contemplava também a etapa do desenvolvimento na qual a criança faz do próprio eu o objeto principal de seu amor. 
Segundo o Manual Americano de Diagnóstico de Distúrbios Mentais, narcisistas são indivíduos arrogantes e convencidos, que têm fantasias magníficas sobre si mesmos. 
Eles superestimam seu sucesso, precisam ser constantemente admirados e sempre esperam tratamento preferencial. 
Os narcisistas estão convencidos de que merecem mais do que recebem. 
Preocupam-se em ter boa aparência e manter-se jovens. 
Não são sensíveis às necessidades e aos problemas dos outros. 
Com pouca tolerância para crítica, frequentemente reagem com fúria a ofensas reais ou imaginárias. 
Em suma, os narcisistas focalizam a si mesmos, fascinados com sua personalidade e seu corpo. 
Com um individualismo atroz que carece de valores morais e sociais e se desinteressa por qualquer questão transcendental. 
Percebe-se que o distúrbio em questão é bastante sério, e comum de se encontrar nos dias de hoje. 
Vivemos dias em que cultuamos o narcisismo, seja na esfera individual, coletiva e das grandes mídias. 
Muitos valores do mundo contemporâneo não passam de consequências de um narcisismo disfarçado de bem-estar, de saúde, de prazer. 
Dessa forma, faz-se urgente uma revisão em todos os valores que temos, em todas as coisas a que damos importância e em que aplicamos nossas energias. nas adolescentes anoréxicas; no exibicionismo de corpos esculturais na televisão; nas cirurgias plásticas excessivas; nos expectadores que compram quaisquer novas ideias impostas pelas mídias, percebemos o narcisismo reinante. 
Talvez seja necessário relembrar as consequências do comportamento de Narciso. 
Iludidos pela imagem do corpo, pela superficialidade dos valores do mundo, não só o corpo, mas sobretudo a alma acaba definhando, perdendo-se num mar de ilusões passageiras. 
* * * 
Ainda há tempo de perceber que a imagem do espelho não representa quem somos. 
Não é nossa essência, e sim apenas uma vestimenta temporária. 
O verdadeiro eu é a alma imortal, a alma que aprende, que luta, que se desenvolve. 
A verdadeira beleza está no Espírito que se liberta das amarras do materialismo preponderante. 
O ser realmente belo será aquele que se entregue, não à imagem refletida numa superfície refletora, mas se doe profundamente, por amor, aos outros. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Mário Pereyra, disponível no site
Em 20.06.2014.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

NARCISISMO E AMOR-PRÓPRIO

Brené Brown
A renomada professora e pesquisadora norte-americana, Brené Brown, apresenta pesquisa curiosa e reveladora, em sua obra A coragem de ser imperfeito. 
Informa que um grupo de pesquisadores realizou uma análise em três décadas de canções que chegaram ao topo das paradas de sucesso. 
Eles registraram uma tendência estatística significativa para o narcisismo e a hostilidade na música popular. 
Encontraram uma diminuição expressiva no uso de nós e nosso, e um aumento de eu e meu. 
Não para por aí. 
Eles relataram um declínio das palavras relacionadas à solidariedade e a emoções positivas. 
E um aumento das palavras relacionadas à ira e ao comportamento antissocial, como ódio e matar. 
Dois pesquisadores da equipe, que publicaram o livro A epidemia do narcisismo, argumentaram que a incidência do transtorno de personalidade narcisista mais que dobrou nos Estados Unidos nos últimos dez anos. 
São sintomas de uma sociedade adoecida, certamente. 
No entanto, não podemos apenas identificar problemas, precisamos ir em busca de soluções. 
O amor a si mesmo, proposto por Jesus, é o caminho autêntico e seguro para isso. 
Provavelmente, na sua fase inicial, se expressa como autovalorização descabida, por ignorância real das possibilidades que lhe são inatas. 
Quando não estamos hábeis ao amor-próprio no seu sentido mais profundo, permitimo-nos tornar soberbos, enrijecendo o sentimento de ternura e de respeito por nosso próximo. 
O amor-próprio saudável é fundamental nos relacionamentos humanos, em particular nas parcerias afetivas, no matrimônio ou não. 
À medida que o ser humano se conscientiza dos objetivos existenciais, dos desafios que o aguardam, de como deverá enfrentar insucessos e problemas, maior se lhe apresenta o amor-próprio. 
Ele o induz a não cometer os mesmos desvarios de antes, ao culto do personalismo perturbador, ao narcisismo desenfreado, nem tampouco à subestima, à desconsideração pelos seus potenciais de realização. 
Enfim, a tudo quanto é próprio como resultado das conquistas conseguidas. 
Dá-se conta, então, do muito que lhe falta conquistar. 
Porém, se percebe feliz pelo que já alcançou.
O amor-próprio abre um elenco abençoado de possibilidades de serviço para o progresso interior, equilibrando a emoção em referência às aspirações, a mente em relação ao comportamento, a vida diante da imortalidade. 
Induzido ao autoaprimoramento, o Espírito torna-se tolerante para com as falhas do seu próximo, embora não concordando com essas atitudes infelizes. 
Não se transforma em julgador de ninguém, porque conhece as dificuldades que ele mesmo enfrenta, nesse embate de autocrescimento que não cessa. 
A sua visão de mundo é mais abrangente, mais rica de compaixão, mais enternecedora. 
O amor-próprio dá a exata dimensão do que somos, de como nos encontramos e do quanto necessitamos realizar a fim de alcançar o objetivo da harmonia. 
Por isso, trabalhemos por menos narcisismo e mais amor-próprio. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 1, do livro A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, ed. Sextante, e no cap. 20, do livro Garimpo de amor, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 06.03.2026

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SAUDADE COM EQUILÍBRIO

CHICO XAVIER
Minha mãe, minha amada mãezinha Ebe. 
Eu quero lhe pedir para não chorar.
As suas lágrimas são como chamas 
de dor no meu coração... 
Eu tenho aqui a minha amada
 bisavó Tina 
e o nosso bisavô Amadei, 
que estão comigo. 
Fique tranquila, Deus está conosco. 
À senhora e ao meu pai, 
um beijo do seu filho. 
*** 
Francisco Cândido Xavier psicografou inúmeras cartas, que, muitas vezes, começavam assim, buscando apenas tranquilizar os corações que haviam permanecido na Terra.
Por vezes, mergulhados na imensa dor da saudade, da falta, acabamos nos tornando egoístas, isto é, deixamos de lado a dor daqueles que partiram. 
Eles estão vivos. 
Essa a primeira constatação, a maior certeza.
Não se trata de fé, crença, mas de confirmação da realidade.
Uma realidade que muitos não conhecem e que, no entanto, está mais que clara. 
A segunda certeza nos fala de amparo. 
Todos recebem a devida assistência ao desencarnar, seja pelos antepassados, pela família espiritual que lá está, ou pelos socorristas do bem. 
Há equipes de resgate, equipes responsáveis pelo auxílio aos recém-desencarnados. 
Trabalhadores do bem que se propõem à tarefa nobre de acolher as almas dos que se desligam do corpo. 
Tudo isso é manifestação de um Deus, Pai de amor. 
É a ação de uma Providência Divina muito bem-organizada, ciente de tudo que ocorre no planeta a cada instante. 
Assim, nesses primeiros e mais dolorosos momentos da morte de um amor, digamos a nós mesmos: 
-Calma, nada está fora do controle. Não há razão para desespero ou revolta. 
Num segundo momento, importante pensarmos naquele que parte, mais do que em nós que ficamos. 
Trata-se de um instante necessário, do término de uma jornada no planeta, o fechamento de um ciclo. 
Dói-lhes e os perturba ouvir frases como: 
-Você não poderia ter partido! Por que você me deixou? Como vou viver sem você agora? 
Nosso coração aflito quer dizer isso. 
Sentimos a partida, sofremos com a ausência física. 
Mas não há prova maior de amor do que, nesse momento, deixarmos a nossa dor em segundo plano para pensarmos na tranquilidade dos seres amados. 
Com certeza, desejamos que o momento da partida lhes seja o mais suave, o menos atribulado possível. 
Nós, os que amamos, desejamos somente o melhor aos nossos amores. 
Nesse momento devemos ajudá-los com nossas preces, com pensamentos orientadores e com lembranças positivas. 
Talvez ele ou ela demore para descobrir que ainda vive, embora não mais em um corpo físico. 
E que notícia maravilhosa quando se derem conta disso!
Então, contemos isso a eles em nossas orações, falemos disso em nossas conversas com os familiares e até nas cerimônias que se realizam, em sua homenagem. 
Se sofremos em demasia, eles sofrem conosco. 
Se nos revoltamos, eles querem voltar e não conseguem.
Agindo assim lhes criamos uma agonia desnecessária.
A morte celebra uma nova fase. 
Uma separação temporária, jamais destruição ou fim.
Cultivemos a saudade com equilíbrio, com desejo do bem àqueles que iniciam um novo ciclo, guardando a certeza de que, nem eles e nem nós, que permanecemos aqui, estamos sem amparo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Claramente vivos, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 25.08.2026

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

NÃO VALORIZE AGRESSÕES

JOSÉ RAUL TEIXEIRA
Como você costuma se comportar diante das agressões? Você as valoriza ou não? 
O seu cotidiano será sempre marcado por situações de variados níveis de gravidade. 
Você estará sempre a braços com as correntezas diárias de satisfação ou de tormento que o alcançam para fazê-lo crescer para Deus. 
Em meio aos episódios todos que você vivencia está a agressão entre os indivíduos, que se esbarram a todo momento pelas vias comuns. 
Sem dúvida, você também participa de um modo ou de outro dessa verdadeira tomada humana, cabendo-lhe, no entanto, realizar esforços por superar essas ondas perturbadoras.
Tenha cuidado com o mau humor de familiares, de amigos próximos, do chefe ou do empregado. 
Não lhes passe recibo. 
É muito comum que a pessoa deseje dar ou receber explicações em situações assim. 
Os resultados costumam ser desastrosos. 
Quando veja alguém nas crises de mau humor, ore por ele e busque entender como tratá-lo, como abordá-lo, para que não haja desentendimentos desnecessários. 
Você sairá sempre feliz desses episódios, se adotar essas providências. 
Nessas horas, fale o mínimo, module com tranquilidade a própria voz. 
Não esqueça, porém, de vibrar pelos que estão mal sintonizados. 
Quando receba agressões no movimento de veículos, no trânsito, não revide, pense no bem e avance em seu caminho.
Evite discutir, evite explosões temperamentais, evite atirar ameaças em nome da irritação. 
Você nunca sabe com quem está falando, se é com uma alma serena que cometeu, por um momento, algum equívoco, que se calará frente à sua irritação. ou se está se dirigindo a alguém de temperamento também explosivo, que resolve tudo no braço ou com o uso de armas. 
Recorde-se de que Jesus exaltou a mansuetude e a paz, ao enunciar as bem-aventuranças. 
Busque tranquilizar-se, fazendo esforços por não sintonizar com níveis de fluidos corrompidos onde se vinculam entidades de péssima índole, sejam encarnadas ou não. 
Procure preservar boa relação com seus patrões, com seus empregados, com seus companheiros da oficina de trabalho.
Nada consegue recompensar a alegria e a paz íntima que você sente, cada vez que doma a si mesmo, demonstrando superioridade espiritual, pela capacidade de não valorizar o mal. 
Em cada situação complexa, em qualquer área ou momento da sua vida, aja sempre da melhor forma, evocando o equilíbrio que você quer desenvolver pensando nas bênçãos da paz almejadas. 
Passados os momentos das ocorrências, sejam quais forem, você sentirá saudável atmosfera de harmonia e de segurança espiritual, com a alma iluminada pelo ideal do bem, sem guardar remorsos, sem reter mágoas, sem se perturbar.
Confie no bem e faça o bem, a fim de que você se transforme num polo de equilíbrio a balizar a marcha humana de tanta gente. 
* * * 
O homem, que no mundo ocupa elevada posição, não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. 
O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da Humanidade material. 
Esse compreende que o ódio e o rancor só o rebaixariam.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18 do livro, Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 19.08.2010.

domingo, 23 de agosto de 2026

NÃO TE RECORDES DA NOITE QUANDO TENS O DIA

DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura. 
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor. 
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo. 
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva. 
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: 
-Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome.
Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida. 
A resposta de Jesus é brilhante: 
-Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna. Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz. 
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala. 
* * * 
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador. 
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. 
Ajustes com a lei. Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação. 
O alerta a Madalena serve para todos nós. 
Não olhar para o passado. 
Não olhar para a noite que se foi. 
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. 
Dessa maneira, proponhamo-nos a arar! Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás.
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. 
Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural. Conhecer a si mesmo é uma coisa. 
Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente. 
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante. 
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material. 
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo. 
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe. 
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro. 
Lembremos da recomendação do Mestre: 
-Não te recordes da noite, quando tens o dia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3 da obra A estrela verde, de Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho, ed. LEAL. 
Em 25.07.2026
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sábado, 22 de agosto de 2026

PROVOCANDO ESCÂNDALOS

Marcelo Anátocles Ferreira
Profundo conhecedor das Suas ovelhas, Jesus de Nazaré asseverou que o escândalo se faz necessário na Terra. 
Mas advertiu sobre a responsabilidade de quem o provoca. 
Em 1937, o pintor espanhol Pablo Picasso concebeu a célebre obra Guernica. 
O quadro retratava o terrível massacre da Alemanha nazista, sofrido por aquela cidade no período da guerra civil espanhola. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, o seu apartamento em Paris foi invadido por soldados alemães. 
Ao encontrarem os esboços da obra, um dos militares questionou de forma imediata: 
-Você fez isso? 
Com serenidade, o pintor respondeu: 
Pablo Picasso
-Eu não, vocês fizeram. 
Qual seria o verdadeiro escândalo: pintar Guernica para denunciar o mal, ou ser responsável pelo massacre?
No final do século 19, um escândalo político abalou a França. 
O judeu Alfred Dreyfus, oficial da artilharia do Exército francês, foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de alta traição. 
O processo, embasado em documentos falsos, foi conduzido a portas fechadas, impedindo que o inocente produzisse provas a seu favor. 
Inconformada, sua família lutou sem sucesso pela revisão da sentença. 
Em busca de apoio, procurou o escritor Émile Zola, que, indignado, publicou, na primeira página de um jornal, uma carta aberta ao presidente da República, que ficou conhecida como Eu acuso. 
Isso lhe custou o exílio em Londres. 
Contudo, o impacto da matéria foi tão grave que o processo foi reaberto, o verdadeiro traidor foi descoberto e Dreyfus, após cinco dolorosos anos de prisão, recuperou a liberdade.
Em 1857, quando Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos, provocou um escândalo que abalou as bases da filosofia e da religião. 
Ele e seus seguidores enfrentaram severas perseguições, culminando no Auto de fé de Barcelona, em 1861, quando 300 livros espíritas foram incendiados por ordem do bispo local.
Não menores, com toda certeza, foram os escândalos provocados por João Batista com o anúncio de que vinha preparar os caminhos do Senhor. 
E do Nazareno, que nos apresentou Deus como Pai de todos os residentes do planeta. 
Um Deus de amor, misericórdia e justiça, que ampara aos Seus filhos. 
Escândalos numerosos produziram os primitivos seguidores do Cristo, descendo às arenas do circo romano cantando louvores, testificando da romagem que empreendiam para a verdadeira vida. 
A história mostra que quase todo grande avanço moral, científico ou artístico começou como um escândalo. 
A afirmação de Galileu Galilei de que a Terra girava em torno do Sol foi um escândalo que abalou a visão de mundo da época. 
A luta para que mulheres tivessem o direito ao voto e o movimento pela Abolição da Escravatura foram tratados como atos escandalosos que destruiriam a família e a economia.
Podemos dizer que o escândalo positivo é a dor do crescimento intelectual e moral da humanidade. 
Ele destrói uma velha ordem para que uma forma mais elevada de pensamento, justiça ou empatia ocupe o seu lugar.
Que tal nos tornarmos promotores de escândalos positivos, agindo como verdadeiros seguidores do Homem de Nazaré?
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O mundo precisa de mais escândalos positivos, de Marcelo Anátocles Ferreira, do Jornal Mundo Espírita, edição 1703, ano 94, da Federação Espírita do Paraná. 
Em 21.08.2026

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

NÃO TENHA INVEJA DOS RICOS

JOANNA DE ÂNGELIS
DIVALDO PEREIRA FRANCO(+)
Quem nunca sonhou em ser milionário? 
Viver entre luxo e festas, divertimentos, viagens e alegria?
Essa aspiração é universal e é comum a pessoas de todos os países e épocas. 
É que a maior parte da Humanidade fixa seus interesses apenas na vida material. 
Acreditamos mesmo que a boa condição financeira vai nos trazer a completa felicidade.
É uma ilusão.
Associamos o bem-estar a coisas que nos dão prazer ou satisfazem nossos sentidos: boa comida, conforto, pessoas que nos servem e atendem aos nossos mínimos desejos. 
Aos poucos, passamos a acreditar que os ricos é que são felizes em suas vidas, que nos parecem uma permanente festa. 
Quando passam em seus carros de luxo, elegantemente vestidos, suspiramos ao contemplar a beleza das joias e, sequer imaginamos que algo possa estragar tal felicidade.
Mas, nos enganamos.
As belas residências também abrigam gente que se entristece, que tem problemas, que está sujeita à doença, morte, traições, decepção. 
E quantas vezes os ricos carregam excessiva carga de dores que não vemos. 
Sim, pois o dinheiro tem o poder de trazer consigo falsas amizades, ambição, paixões e excessos. 
A riqueza tem um componente ainda mais grave. 
Não raro, ela nos escraviza. 
Muros altos, cercas eletrificadas, guardas de segurança, cães e grades atestam o medo que deixa sitiadas as grandes fortunas. 
É o temor de ladrões, de sequestradores, de gente que tentará enganar ou levar algum tipo de vantagem. 
E o que dizer do medo de que os amores e amizades sejam interesseiros? 
O que pensar das brutais disputas por heranças? 
São escravizações. 
O dinheiro tem, ainda, um estranho poder: o de fazer com que se gaste tanto quanto se ganha. 
E que sempre se queira muito mais do que se tem. 
É comum vermos as pessoas passarem horas a buscar os melhores investimentos, as aplicações mais rentáveis.
Atormentam-se com as oscilações da bolsa de valores e acompanham trêmulos o comportamento do mercado.
Escravos do dinheiro, que deveria lhes trazer benefícios. 
Por isso, não tenha inveja dos ricos. 
Não queira ser mais um a ser dominado pelo dinheiro. 
Se tiver que admirar alguém, que seja aquele que consegue viver satisfeito com o que tem. 
Se tiver de imitar alguém, que seja o sábio Francisco de Assis, que sentiu a força escravizadora da fortuna e optou pela liberdade. 
Francisco pobre, feliz Francisco, que escolheu o amor em vez do dinheiro. 
* * * 
A riqueza, sob qualquer aspecto considerada, é bênção que Deus concede ao homem para sua felicidade. 
Ao homem compete bem utilizá-la, multiplicando-a em dons de misericórdia e progresso a benefício do próximo. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento extraído do verbete Riqueza, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, v. 2., ed. LEAL. Disponível no livro Momento Espírita v. 7. ed. FEP 
Em 16.12.2021

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

NÃO TEM PREÇO

Às vésperas do Natal, chegou a nota, por e-mail, lacônica e terrível. 
Todos os cursos da Faculdade estavam sendo encerrados.
Alunos e professores ficaram estarrecidos, desarvorados. 
-Que presente de Natal! – Comentaram alguns. 
Uma professora, em especial, vestiu-se de tristeza.
Lecionando há bastante tempo, naquela Universidade, ela tinha muitos compromissos assumidos, contando com o salário dos próximos meses. 
Agora, lhe parecia que o chão lhe fora retirado de sob os pés.
Começou a fazer contas, a pensar onde buscar nova colocação. 
Naturalmente, nuvens de preocupação lhe cobriram a face, a tal ponto que o filho, de apenas cinco anos, percebeu. 
E, ouvindo comentários aqui, ali, foi imaginando, em sua cabecinha, o que significava desemprego.
Era, com certeza, algo muito ruim porque sua mãe estava triste. 
Assim, em certo momento, achegou-se a ela e perguntou:
-Mamãe, se a senhora tivesse dinheiro, poderia comprar seu emprego de volta? 
-Como assim? – Indagou ela, não captando o exato sentido da pergunta. 
-Eu quero saber se a senhora, tendo dinheiro, pode ir na faculdade e comprar seu emprego de volta. 
Verificando a preocupação do menino, ela lhe explicou o que era emprego, ou seja, exatamente o propiciador de recursos para as necessidades da família. 
E, preocupada com o que poderia estar atormentando seu filho, resolveu indagar: 
-Mas, por que você está perguntando isto? 
-Nada não. É que se precisasse de dinheiro para conseguir seu emprego de volta, eu queria lhe dar as moedas do meu cofrinho. Não quero lhe ver triste. 
* * * 
-Filhos? Melhor não tê-los. – Escreveu, certa vez, Vinícius de Moraes. 
Mas, que grande alegria se perderia, que grande amor se deixaria de vivenciar. 
Os anos haverão de rolar, muitas coisas boas e ruins acontecerão na vida daquela mãe. 
No entanto, pode-se afirmar com toda a certeza de que jamais ela esquecerá a oferta do filho, singela, inocente: todo seu tesouro, guardado a pouco e pouco, suas moedinhas, para acabar com a tristeza de sua mãe. 
Isso se chama amor. 
Amor de filho. 
Filhos são gemas preciosas que Deus envia aos corações dos pais para os plenificar de grandeza. 
Maravilhoso gerar um filho. 
Ser cocriador com a Divindade. 
Extraordinário vê-lo se desenvolver dia a dia, descobrindo o mundo ao seu redor. 
Acompanhar-lhe os passos, as pequenas conquistas: ficar de pé, andar, subir e descer degraus, relacionar-se com o mundo, dominar seu próprio espaço. 
Dominar o mundo das letras, das formas, dos números.
Descobrir o milagre da junção dos vocábulos, a riqueza das frases, a poesia dos versos. 
Vê-lo crescer e tornar-se um homem. Cidadão. 
Alguém que colabora positivamente com o mundo. Realmente, não tem preço a ventura de ter filhos. 
Não tem preço ter filhos que tenham tanto amor por nós que desejem dar tudo que têm para nos ver felizes. 
Mesmo que esse tudo sejam somente as moedas de um cofrinho. 
Filhos? Que maravilha tê-los. 
Que presente amá-los, de forma intensa e inigualável.
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.03.2015.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NÃO TE ENTREGUES

Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram?
Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti? 
Pessoas a quem confidenciaste questões particulares, jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais?
Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores? 
Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição?
Acreditas que estás só, difamado, em abandono? 
Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza. 
Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado.
Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais. 
Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis. 
Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta. 
Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos. 
Aqueles que, mesmo cometas erros, prosseguirão contigo.
Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas. 
Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças.
Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes. 
E olha por ti, todos os dias. 
Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões. 
O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-O e evoca-O nas tuas horas mais amargas. 
Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo segundos. 
O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. 
Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato.
Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo.
Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces. 
Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua. 
Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida. 
Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo. 
Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido. 
Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer.
Sempre. 
Serve-te da prece. 
Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. 
Sempre. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 07.04.2017.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

COM QUEM TU ANDAS

JAQUELINE PEREIRA
Desde cedo, ouvimos aquele ditado popular: 
"Diga-me com quem andas que te direi quem és."
Nossas avós sempre souberam disso antes mesmo de qualquer estudo profundo. 
Pelo interior, as expressões são ainda mais pitorescas, como aquela que afirma: 
"Passarinho que acompanha morcego aprende a dormir de cabeça para baixo."
Ou aquela que nos alerta que o que não falta no mundo é tatu pronto para te levar para o buraco. 
São frases simples, com um toque de humor, mas que carregam uma lição incontestável: conviver pressupõe influenciar e ser influenciado. 
É uma verdadeira contaminação invisível. 
Vejamos que, hoje, a própria ciência está comprovando essa intuição ancestral.
Um estudo robusto de uma das maiores Universidades do mundo, o M I T, revelou algo interessante. 
Os pesquisadores descobriram que até mesmo as nossas decisões financeiras são fortemente influenciadas pelas pessoas com quem convivemos diariamente. 
Segundo o estudo, a proximidade com perfis impulsivos nos torna igualmente impulsivos. 
Ambientes emocionalmente instáveis aumentam os nossos gastos e nos levam a escolhas pouco conscientes. 
Se isso acontece com a nossa vida material, imaginemos o impacto gigantesco das companhias nos nossos sentimentos e nas virtudes ainda vacilantes da nossa alma! 
A lei de sintonia e afinidade nos ensina exatamente isso: os semelhantes se atraem invariavelmente. 
Somos como rádios vivos, emitindo e captando ondas mentais o tempo todo. 
Quando escolhemos nossas amizades, não estamos apenas escolhendo pessoas para conversar. 
Estamos escolhendo as energias que vamos absorver e os Espíritos que vão caminhar ao nosso lado. 
Se nos cercamos de pessoas que vivem a reclamar da sorte e a falar mal dos outros, lentamente a nossa lente interna vai ficando obscurecida por essa mesma sombra. 
Por outro lado, se buscamos a convivência com almas nobres, otimistas e voltadas para o bem, sentimos as nossas próprias asas crescerem, impulsionadas pelo exemplo irresistível da caridade. 
É claro que o Cristo nos convida a amar a todos. 
Deve haver benevolência em nosso coração para com todas as criaturas. 
No entanto, amar e auxiliar quem está no lodo não significa mergulhar e morar no ambiente deles. 
Jesus amou profundamente a todos, mas, ao constituir o Seu círculo íntimo para construir as bases do Evangelho, buscou corações dispostos a trabalhar pela luz. 
Façamos uma reflexão sincera no dia de hoje: 
-Quem são as pessoas que têm moldado as nossas escolhas? De quem temos nos aproximado mental e fisicamente? Será que as nossas companhias estão nos puxando para cima ou estão ancorando os nossos pés na ilusão? 
Além disso, perguntemos a nós mesmos: 
-Que tipo de companhia temos sido para os outros? Somos aquele que eleva o ambiente ou aquele que o contamina?
Vigiemos as nossas sintonias e escolhas. 
Somos donos de nossos destinos, mas são os nossos passos de hoje, incluindo os daqueles com quem temos andado, que desenham a paz do nosso amanhã. 
Redação do Momento Espírita com base No artigo Diga-me com quem tu andas…, de Jacqueline Pereira, da revista Vida Simples, ano 24, nº 290. 
Em 18.08.2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

UM DUETO INSÓLITO

Quem caminha pelas terras da Capadócia, no coração da Turquia, é imediatamente tomado por uma profunda sensação de estranhamento e encanto. 
Diante dos olhos, desdobra-se um cenário que desafia a lógica terrestre. 
São torres de pedra que parecem se erguer em prece em direção ao céu, vales ondulados que imitam as ondas de um mar petrificado. 
Uma paisagem que evoca um mundo quase extraterreno. 
No entanto, o mais extraordinário nesse lugar não está na beleza incomum de suas formas. 
O que é espetacular é o dueto que ali se estabeleceu entre a engenharia divina e a criatividade humana. 
Uma parceria sublime que atravessou os milênios. 
Há milhões de anos, o Arquiteto do Universo preparou a tela. Cinzas vulcânicas cobriram o solo, solidificando-se em uma rocha macia, o tufo. 
Por cima, a lava moldou uma capa protetora, mais dura. 
E o tempo — esse operário silencioso —, acompanhado pelo cinzel invisível do vento e das chuvas, começou a esculpir.
Século após século, os dedos invisíveis de um Criador insuperável desenharam aquelas colunas, desgastando o que era frágil e preservando o que era forte. 
Cada curva daquelas rochas traduz um traço da paciência divina, revelando que a natureza nada mais é do que a arte do Criador em constante movimento. 
Entretanto, a sinfonia não parou na geologia. 
Para que o dueto fosse perfeito, Deus convocou Sua obra-prima: o homem, feito à Sua imagem e semelhança. 
Ao se deparar com aquela paisagem inacreditável, a criatura humana sintonizou-se com o ambiente. 
Com inteligência e sensibilidade, percebeu que a rocha esculpida por Deus guardava a promessa de um lar, de um refúgio. 
E começou a agir. 
Onde a natureza oferecia o mistério das formas exteriores, a engenharia humana esculpiu a História em seu interior.
Cidades subterrâneas inteiras foram cavadas, descendo andares e mais andares nas entranhas da terra.
Labirintos de pedra que abrigaram milhares de almas em momentos de dor e perseguição. 
Os cristãos não foram os primeiros, nem os únicos a usarem a região como fortaleza. 
O local foi disputado e habitado por vários povos, que chegaram a transformar as cavernas e túneis subterrâneos em complexos habitacionais defensivos. 
E os homens também esculpiram santuários no coração das chaminés de rocha. 
Templos onde as preces do passado ecoavam, subindo aos céus junto com a fumaça das lamparinas. 
O interior das pedras transformou-se em arte viva, decorada com pinturas que retratavam a fé, enquanto o exterior continuava sob a guarda dos ventos. 
*** 
Esse dueto nos recorda a nossa própria essência espiritual.
Somos, por excelência, herdeiros da capacidade criativa de Deus. 
Quando nos unimos às leis da natureza com respeito, reverência e inteligência, somos capazes de transformar o rude em belo, o deserto em santuário, a rocha bruta em abrigo de amor. 
Naquela paisagem de rara beleza, o Criador e a criatura assinaram juntos uma das artes mais impressionantes da Terra. 
Um dueto que canta, através das eras, que a beleza máxima nasce quando o homem reconhece os traços de Deus e decide participar ativamente. 
Redação do Momento 
Espírita Em 17.08.2026

domingo, 16 de agosto de 2026

NÃO SONHE OS SONHOS DOS SEUS FILHOS

BENEDITA MARIA(+), ESPÍRITO
Pai, quando eu crescer quero ser jogador de futebol! 
Mãe, quando eu for adulto quero ser criador de jogos de video game! 
Ao ouvir expressões como estas, bastante comuns a partir de certa idade, alguns pais começam a se preocupar, principalmente se não foi isso que imaginaram para o futuro de seus pequenos. 
* * *
É muito bonito e importante que, na condição de mãe ou de pai, façamos planos para a ventura dos filhos. 
Isso faz parte das preocupações pater-maternais, empolgados como nos encontramos com essa bendita honra que Deus nos concedeu de pôr no mundo mais um dos Seus filhos. 
É válido, contudo, que nos apercebamos de que os nossos sonhos com relação a eles não devem passar de sonhos.
Nada de fazer-lhes imposições descabidas ou inoportunas chantagens, supondo que eles terão que atender ao que vimos sonhando para a vida deles. 
Nenhum problema haverá, caso dialoguemos e falemos dos nossos sonhos, sem exageros emocionais, nenhum erro existirá em ajudá-los a pensar no que almejam para a carreira profissional ou para a vida sentimental. 
Porém, será uma atitude adulta, respeitosa e digna parar por aí.
Quando em tenra idade, faz parte do primeiro contato dos nossos filhos consigo mesmos, as ideias muitas vezes esdrúxulas, sonhadoras demais, a nosso ver. 
Porém, isso é exercício de autoconhecimento e deve ser feito livremente, sem freios dos pais. 
Importantíssimo é deixar que os filhos façam escolhas, decidam, peçam sugestões ou orientações aos pais, aos professores ou a algum profissional já experimentado nas profissões que almejam. 
Tudo isso, porém, sem o peso das exigências dos pais.
Jamais deveremos confundir sugestões, conjecturas e diálogos com determinações ou imposições para as vidas que não serão vividas por nós. 
Afinal, há sonhos que precisam ser sonhados por nossos filhos, a fim de que eles trabalhem para convertê-los em realidade. 
* * * 
Vivemos tempos novos no que diz respeito à escolha da profissão. As opções se multiplicaram de forma inacreditável.
O mercado de trabalho mudou e se transforma constantemente. 
As ocupações antes tidas como de grande destaque social, agora já não são mais o anelo da grande maioria. 
O mundo se transforma e a educação dos filhos precisa ser repensada. 
Muitas das heranças que trazemos de tempos idos, vícios de conduta e de pensamento, necessitam ser renovados. 
Isso não dá dinheiro. Isso não fará de você ninguém importante. 
- São expressões que devem ser abandonadas do nosso vocabulário e do nosso pensamento. 
A vocação de cada um, através de nossas habilidades, nos insere na sociedade como peça importante de um mecanismo que precisa de todos para funcionar com perfeição. 
Ser útil deve vir antes de ser rico, pois a utilidade nos faz realizados, enquanto que a riqueza não é e nunca foi condição para tal. 
Precisamos sobreviver, sim, mas antes viver. 
Ou recordando Sócrates: 
-O mais importante não é viver, mas sim, bem viver. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de José Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.10.2015.

sábado, 15 de agosto de 2026

NÃO SOMOS UMA ILHA

AUGUSTO CURY
Em tudo que fazemos afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. 
Os mínimos comportamentos podem interferir na História da Humanidade. 
Quando um índio, em uma tribo isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a História. 
O pássaro não porá ovos, que não serão chocados e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. 
Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. 
A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. 
Quando um aluno tem problemas na leitura, perante uma classe e é obrigado a repetir, muitas vezes, o mesmo trecho, sob o deboche dos colegas, registra a experiência. 
Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência.
Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. 
Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. 
Uma pessoa que se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. 
Ele despedaçará a emoção e a memória deles. 
Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores que afetarão as suas histórias. 
Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas, alterando o futuro da sociedade. 
Quando Hitler se mudou para Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. 
Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. 
Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. 
O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos. 
Os rumos da Humanidade foram alterados. 
É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre. 
Mas não um dos maiores sociopatas da História. 
Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nas artes, mas poderia ter sido abrandada. 
Ou até mesmo deixado de se manifestar. 
Não somos uma ilha. 
Somos uma grande família. 
Uma única espécie. 
Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. 
O que fazemos influencia as pessoas que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. 
Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros.
Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outrem, acolher uma criança, pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas.
* * * 
O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos, assim, em tudo que dizemos e façamos. 
Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. 
Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. 
Pensemos nisso, antes de agir, no próximo minuto. 
Somos responsáveis pelo mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro O futuro da Humanidade – a saga de Marco Polo, de Augusto Cury, ed. Sextante. 
Em 27.4.2017.