segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE SOTERRAR

Conta-se que um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar no trabalho de sua pequena fazenda. 
Um dia, o capataz lhe trouxe a notícia que um de seus cavalos havia caído num velho poço abandonado. 
O buraco era muito fundo e seria difícil tirar o animal de lá. 
O fazendeiro avaliou a situação e certificou-se de que o cavalo estava vivo. 
Mas, pela dificuldade e o alto custo para retirá-lo do fundo do poço, decidiu que não valia a pena investir no resgate.
Chamou o capataz e ordenou que sacrificasse o animal soterrando-o ali mesmo. 
O capataz chamou alguns empregados e orientou-os para que jogassem terra sobre o cavalo até que o cobrissem totalmente e o poço não oferecesse mais perigo aos outros animais.
No entanto, à medida que a terra caía sobre seu dorso, o cavalo se sacudia, derrubava-a no chão e ia pisando sobre ela. 
Logo, os homens perceberam que o animal não se deixava soterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra caía, até que, finalmente, conseguiu sair. 
* * * 
Algumas vezes nós nos sentimos como se estivéssemos no fundo do poço e, de quebra, ainda temos a impressão de que estão tentando nos soterrar para sempre. 
É como se o mundo jogasse sobre nós a terra da incompreensão, da falta de oportunidade, da desvalorização, do desprezo e da indiferença. 
Nesses momentos difíceis, é importante que lembremos da lição profunda da história do cavalo e façamos a nossa parte para sair da dificuldade. 
Afinal, se nos permitimos chegar ao fundo do poço, só nos restam duas opções: ou nos servimos dele como ponto de apoio para o impulso que nos levará ao topo, ou nos deixamos ficar ali até que a morte nos encontre. 
É importante que, se estamos nos percebendo soterrar, sacudamos a terra e a aproveitemos para subir. 
Ademais, em todas as situações difíceis que enfrentamos na vida, temos o apoio incondicional de Deus, nosso Pai Celestial, do qual podemos nos aproximar através da oração.
E a oração é uma poderosa alavanca de que podemos lançar mão a qualquer momento e em qualquer lugar. 
* * * 
Jesus nos recomendou oração e vigilância. 
A vigilância constante pode nos poupar de muitos dissabores, pois quem está atento facilmente percebe a investida de sentimentos perigosos que podem nos infelicitar. 
É a chegada silenciosa de uma desilusão, da inveja, do orgulho, da soberba, da solidão e de outros tantos detritos que pesam em nossa economia moral e tendem a nos levar para o abismo. 
A oração é recurso precioso que nos permite as forças necessárias para resistir a todas as investidas menos felizes.
Por isso, vale a pena meditar sobre os sábios conselhos do Mestre de Nazaré, pois eles podem nos ser muito úteis na conquista da felicidade que tanto desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autor desconhecido.
Em 24.04.2018.

domingo, 2 de agosto de 2026

NÃO SE DEIXE DESESTIMULAR

RAUL TEIXEIRA
No seu aprendizado diário, na caminhada necessária para a evolução, você encontra empeços variados, ao longo do caminho, que parecem destinados a lhe desanimar no longo percurso. 
Muitas vezes você encontra os chamados inimigos gratuitos, os amigos faladores que o deixam em situações difíceis.
Outras vezes você se depara com enfermidades físicas, com as deficiências de caráter de tanta gente, o que lhe provoca profunda tristeza, pois são companheiros que não movem uma palha em seu favor, embora ocupem seu tempo sempre que encontram a mínima dificuldade.
Você tem à sua volta a inflação que cresce e os ganhos materiais que parecem não acompanhá-la, o que lhe faz pensar que quanto mais trabalha menos ganha e gasta mais.
Você costuma ver desmoronar os mais acalentados sonhos domésticos, sem se sentir no direito de fugir. 
Desmoronam os anseios do cônjuge atencioso e afetuoso; dos filhos estudiosos, responsáveis, respeitosos; da família companheira capaz de supri-lo de energias nas horas apertadas para o seu coração. 
Como se não bastasse, ainda surge a indiferença que o faz sentir-se solitário no mundo, sem qualquer apoio ou sustentação moral.
Contudo, seja qual for a luta que lhe caiba, seja qual for o testemunho que tenha de enfrentar, não se deixe desestimular, não se permita o abatimento. 
Você não é vítima da vida. 
Encontra-se unicamente em processo de reeducação, tendo oportunidade de acertar-se com a vida que um dia desrespeitou em vários de seus aspectos. 
Você que conhece Jesus, ou que um dia ouviu sobre a Lei de Causa e Efeito, deve raciocinar que o bem ou o mal semeado na vida, da vida será colhido, e o seu desconsolo ou o seu desalento em nada colaborará para a resolução dos seus problemas.
Você deverá, então, aprender a analisar melhor as situações pelas quais tenha que passar.
Deverá aprender a perdoar, a compreender, a respeitar diferenças, a falar menos, a penetrar melhor as razões das coisas, a condenar menos, a ser mais indulgente. 
O tempo implacável não para. 
Assim, se você o aproveitar para aprender a crescer e ser feliz, ele o abençoará com expressiva claridade. 
Caso o desperdice, recolhendo-se à maldição do desânimo ou à fuga, verdadeiramente terá lançado fora o mais expressivo tesouro que nos é oferecido pelo Criador, para que nos façamos ricos e felizes: o tempo.
Não se perca nas teias do desestímulo. 
Confie sempre em Deus, que lhe dá sempre o melhor, dando-lhe chances de brilhar e ser feliz. 
* * * 
Pense nisso. 
Os obstáculos que surgem no seu caminho, não são para impedir seus passos. 
São desafios para serem superados. 
Cada vez que você consegue vencer uma dificuldade, sai dela mais fortalecido e mais confiante. 
Assim, não se deixe, jamais, desestimular, em circunstância alguma, pois Deus confia no seu poder de vencer os impedimentos e vencer-se a si mesmo. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 10 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Disponível no CD Momento Espírita v. 6, ed. FEP. 
Em 02.09.2022.

sábado, 1 de agosto de 2026

A ALFORRIA DO TEMPO

Nas vastas terras da Capadócia, onde o vento desenha formas místicas nas rochas e o céu se colore de poesia, reside uma das mais belas lições de gratidão da Terra.
É a história dos seus cavalos. 
Durante anos, esses animais de força monumental entregam seu suor e sua energia aos homens. 
Puxam o arado, carregam fardos pesados, cruzam vales sob o sol causticante e o frio rigoroso. 
Quando a velhice lhes bate à porta e suas pernas já não têm a agilidade de outrora, a tradição local não lhes reserva o descarte ou o esquecimento. 
Premia-os com a liberdade. 
Os cavalos são devolvidos à natureza. 
Despidos de selas e arreios, ganham o direito de correr livres pelas planícies, de pastar sem pressa e de contemplar o sol que se deita no horizonte. 
É a poesia da aposentadoria animal: o reconhecimento sagrado de que quem muito serviu merece o descanso.
Libertos, esses cavalos tornam-se totalmente selvagens. 
Eles vivem em bandos livres, correndo pelas planícies, desertos e montanhas da região. 
Eles desenvolveram uma resistência física impressionante e um comportamento de manada puramente selvagem. 
Um dos passeios mais disputados por quem visita a região é fazer safáris fotográficos para registrar as nuvens de poeira levantadas por centenas de cavalos correndo juntos ao pôr do sol. 
* * * 
Se o coração humano é capaz de tamanha sensibilidade com os benfeitores de quatro patas, quanto mais devemos exercitar essa mesma reverência para com os nossos idosos.
Quantos homens e mulheres entregaram a primavera e o verão de suas vidas para erguer as estruturas do mundo em que habitamos? 
Trabalhadores silenciosos que doaram o suor de suas frontes, o vigor de seus músculos e a lucidez de suas mentes para sustentar famílias, educar filhos e movimentar a sociedade.
Quando essas almas queridas chegam ao inverno da existência física, quando os cabelos de prata testemunham o cansaço do corpo, elas não devem encontrar a invisibilidade.
A velhice lhes deve ser o momento mais luminoso da jornada.
Sua aposentadoria precisa ser vista como uma merecida carta de alforria. 
O direito legítimo de viver bem, com a dignidade garantida.
Desfrutar da liberdade de caminhar devagar, sem o relógio a ditar as regras. 
De gozar a delícia de um pôr do sol sem a preocupação com o amanhecer do trabalho. 
Deve ser o tempo bendito de viajar ao encontro dos seus amores, de abraçar os afetos que o tempo e a distância afastaram. 
Essa fase deve ser o convite para o lazer da alma. 
O momento de dedicar-se àquela arte há muito guardada no fundo do peito. 
Pode ser deslizando o pincel sobre a tela, descobrindo cores na pintura, escrevendo memórias, costurando afetos ou simplesmente contemplando as belas paisagens que a rotina, outrora, os impedia de ver.
Quem trabalhou honestamente por décadas tem o direito soberano de ser feliz na calmaria de seus dias derradeiros.
Garantir-lhes um entardecer de paz é o teste definitivo da evolução moral de uma sociedade. 
Que possamos oferecer aos nossos idosos o respeito, o carinho e a liberdade que lhes é devida. 
Redação do Momento Espírita 
Em 31.07.2026