quinta-feira, 2 de julho de 2026

QUEM OFERECE FLORES

Quem oferece flores está sempre perfumado. 
A frase é uma das muitas adaptações já sofridas por um possível provérbio chinês antigo.
Em outra versão lê-se que: 
Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.
Na essência dessa ideia está o ensino de que somos nós os maiores beneficiados por uma boa ação praticada, por uma doação, por um gesto de carinho. 
Quem recebe as flores poderá se perfumar ou não, se encantar ou não, ficar agradecido ou dar pouca importância.
Porém, quem oferece o ramalhete já está perfumado. 
Não temos controle sobre a reação do outro. Não sabemos se irá aproveitar bem, se saberá dar o verdadeiro valor àquilo que fizemos ou dissemos. 
Mas, ao tomar a decisão de colher as rosas já estamos nos encharcando de sua essência delicada e bela. 
Depois, transportando-as e permanecendo em sua companhia por um tempo, presenteamos nossos próprios olhos e pensamentos com imagens floridas. 
Por vezes nos preocupamos em demasia em como o outro irá receber, se saberá valorizar, se saberá agradecer, e acabamos intranquilizando a alma. 
A alma de quem oferece florescências não precisa se angustiar, pois já está mergulhada no bem, inundada de amor, do verdadeiro amor, aquele que não espera retorno nem reconhecimento. 
É claro que sempre torcemos pelo sorriso no rosto de quem recebeu nosso presente, como se ele fosse a confirmação de que nossa ação foi nobre. 
Porém, a confirmação maior está em nossa consciência, que sempre nos avisa, que sempre nos sinaliza quando estamos no caminho dos sentimentos nobres. 
Aí está o pouco de perfume que permanece em nossas mãos.
Sempre saímos ganhando quando nos doamos, quando nos preocupamos com o outro.
Essa é uma das grandes bênçãos da caridade. 
Ela nos preenche. Igualmente, se pensarmos pelo lado negativo, das ações maléficas, imaginemos mãos cheias de lama, prontas para atirar no outro. 
Quem atira a lama já está coberto dela. 
É o primeiro que se suja e se prejudica e, mesmo que a jogue longe, mirando em algo ou alguém, sempre permanecerá com as mãos lamacentas. 
Isso nos leva a entender que sempre temos a escolha: de estar com as mãos perfumadas ou cheias de lama. 
* * * 
Ofereço-lhe as flores de minh´alma, colhidas aqui e ali, nos campos que percorri, 
Nas vidas que vivi, durante este tempo em que já sou eu.
Ofereço-lhe meus sorrisos e minha arte.
A arte de misturar as palavras multicolores, como flores, fazendo um jardim. 
Ofereço-lhe meu tempo mais precioso, pois tempo que se passa junto é muito maior do que aquele que se passa só.
Ofereço-lhe companhia, não de quem pensa igual, mas de quem pensa ao lado, ouve, respeita e entende outros tipos de pensares. 
Ofereço-lhe o que há de melhor em mim... 
E o mais curioso é que não me esvazio. 
Não, ao fazer isso, sinto-me ainda maior. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 11 e no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 02.07.2026

quarta-feira, 1 de julho de 2026

NÃO FUJA DO DEVER

Todo ser humano enfrenta períodos difíceis em sua vida. 
Há momentos em que a esperança parece desaparecer no horizonte. 
Nessas oportunidades, todos os sonhos e planos periclitam. 
A harmonia familiar, tão cuidadosamente construída, sucumbe a brigas. 
A carreira, tratada com o máximo carinho, passa a ser motivo de tormento.
A saúde, habitualmente vigorosa, torna-se frágil e vacilante.
Amigos de longa data se afastam por conta de desentendimentos fortuitos. 
Muitas vezes é possível identificar uma falha no próprio comportamento que desencadeou a catástrofe. 
Uma leviandade, uma palavra mal posta, falta de dedicação ou de carinho podem ter levado à desarmonia. 
Nesses casos, torna-se evidente o que deve ser corrigido, a fim de evitar novas crises.
Mas às vezes não há causa visível para uma tragédia que se abate. 
É o trabalhador dedicado e honesto que se torna desempregado. 
O marido fiel e atencioso traído pela esposa.
O filho amado e cercado de atenção que sucumbe às drogas e causa infinitas aflições aos pais. 
A amizade antiga que termina por conta de fofocas. 
Em outras oportunidades, a vida parece exigir uma quota muito grande de esforços. 
A doença de um familiar consome vastos recursos financeiros.
Além disso, o doente exige atenção e cuidados constantes. 
A manutenção de um negócio torna-se árdua e pouco rentável. 
O patrão revela-se exigente e avaro. 
Trabalhar converte-se em uma penitência. 
A união da família só se mantém a custo de inauditos esforços. 
Entre incompreensões e dificuldades, a tarefa parece hercúlea. 
Muitas vezes, há uma saída fácil. 
Em outras, isso não ocorre. 
Perante um familiar doente, um filho drogado, o único emprego disponível que se torna árduo, o que fazer? 
Em tais situações, tem-se um regime severo imposto pela vida. 
Se não há causas identificáveis na presente existência, elas se encontram no passado. 
O destino das criaturas não é regido pelo acaso. 
Em face de situações inelutáveis e graves, não se sinta uma vítima. 
Pense que você está tendo oportunidade de redimir-se perante sua própria consciência. 
O sacrifício atual representa a liberação de uma antiga dívida.
O familiar que reclama atenção e cuidados pode ter sido outrora levado por você ao vício e à degradação. 
Ajudá-lo hoje não representa um favor, mas a reparação de um erro. 
Talvez o chefe insensato tenha sido um explorado servo seu no pretérito. 
Se ele não teve a força necessária para superar o episódio, cabe a você entendê-lo e desculpá-lo. 
Os recursos financeiros que hoje lhe faltam devem ter sido esbanjados outrora. 
Seja digno em face das dificuldades que a vida lhe apresenta.
Elas correspondem às suas exatas necessidades de aprendizado e reparação. 
Não pense em abandonar o barco, em fugir do dever. 
As leis divinas não podem ser burladas. 
Elas sempre dão o justo retorno ao mérito e aos equívocos.
Se alguém o trair ou prejudicar, perdoe. 
Aja com grandeza e feche o ciclo da dor. 
Aprenda a viver e a servir com alegria, mesmo por entre dificuldades. 
Para seguir adiante é preciso acertar-se com o passado.
Redação do Momento Espírita