domingo, 31 de maio de 2026

NÃO BRIGUE COM DEUS!

A filha chegou em casa aos prantos. 
Não tinha conseguido, pelo segundo ano consecutivo, pontuação suficiente para o sonhado curso na Universidade mais concorrida do país. 
-Minha vida acabou. - Gemia, entre lágrimas. 
A mãe tentava consolá-la: 
-Não se desespere. Ano que vem você tenta novamente. 
-E se no ano que vem não der de novo? A cada ano aumenta a concorrência e esse curso só existe lá. Eu tinha feito tantos planos. 
-Filha, quando algo não dá certo, é um recado de Deus nos dizendo para tentar novamente ou para mudar de rumo. 
-Lá vem você com esse papo. Deus não gosta de mim. Tudo o que eu mais quero Ele tira de mim. 
-Não brigue com Deus, meu anjo. Ele sabe o que é melhor para você. 
Mas a menina chorava desconsolada. 
A mãe abraçou a filha e pediu em prece que Deus a acalmasse e a ajudasse a vislumbrar o caminho. 
No ano seguinte, o curso foi cancelado e a jovem teve de mudar completamente seus planos.
Foi aprovada em outro curso. 
Contudo, não se conformava por ter perdido a chance de se realizar na carreira que havia escolhido. 
A mãe procurava confortá-la: 
-Lembre-se de que o não de Deus hoje é o nosso maior bem de amanhã. 
A filha contestava: 
-Deus não é justo. Ele protege quem não merece. Conheci estudantes que nunca estudaram, pagaram para alguém fazer os trabalhos e passaram! Eu estudei muito e nada deu certo. Acho que Deus não gosta de mim. 
A mãe repetia: 
-Não brigue com Deus, Ele sempre sabe o que é melhor para você. Um dia você vai entender. 
A jovem iniciou o curso a contragosto. 
Aos poucos, porém, foi percebendo que havia muita sintonia entre o que ela pensava e desejava fazer na vida e o que a nova carreira oferecia. 
Acabou se envolvendo mais e mais com os estudos, encantando-se definitivamente. 
Seu desempenho chamou a atenção dos professores, que a convidaram para participar de uma importante pesquisa. 
Ao longo dos anos, ela agarrou todas as oportunidades oferecidas e se dedicou com tamanho afinco que acabou obtendo bolsas para fazer pós-graduações. 
Anos depois, aquela jovem se tornou referência em sua área, reconhecida como uma pesquisadora séria e competente.
Recebeu prêmios e foi convidada para proferir palestras e aulas nas Universidades mais importantes do país. 
Numa de suas premiações, ao fazer o discurso, agradeceu à sua mãe, que a havia feito ver que os caminhos sonhados nem sempre são aqueles trilhados. 
E concluiu: 
-Se algo não der certo com suas escolhas, não briguem com Deus. Deem uma chance para que Ele lhes mostre o grande bem que os aguarda lá na frente.
* * * 
Muitas vezes, por mais que tentemos, fazemos planos que não se concretizam. 
De nada adianta culpar Deus. 
Ele sabe o que é melhor para nós e fornece pistas para que possamos mudar de rota a fim de atingir um bem maior.
Quando temos confiança na bondade, na justiça e no amor de Deus, seguimos confiantes de que encontraremos esse bem.
Na próxima vez em que seus sonhos aparentemente naufragarem, não brigue com Deus. 
Com certeza, Ele estará mostrando um caminho melhor. Um caminho para a felicidade.
Redação do Momento Espírita. 
Em 23.01.2024.

sábado, 30 de maio de 2026

A PARTE DE DEUS

Não me deixe rezar por proteção contra os perigos, mas pelo destemor em enfrentá-los. 
Não me deixe implorar pelo alívio da dor, mas pela coragem de vencê-la.
Não me deixe procurar aliados na batalha da vida, mas a minha própria força. 
Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo, mas esperar paciência para merecer a liberdade.
Não me permita ser covarde, sentindo sua clemência apenas no meu êxito, mas me deixe sentir a força de sua mão quando eu cair. 
* * * 
Os versos do poeta indiano Rabindranath Tagore nos provocam profundas reflexões sobre como tem sido nossa relação com o Criador. 
Identificamos Deus como a Inteligência Suprema do Universo, o Pai infinitamente justo e amoroso. 
Criador de todas as coisas, rege o cosmos utilizando-se de leis perfeitas. 
Encontramos na prece, na elevação de pensamentos, um recurso magnífico de contato com essa Providência Divina mergulhando em nossa essência espiritual. 
A prece nos permite um mergulho para dentro de nós mesmos. 
É exatamente nesses momentos que nos deparamos com as questões: 
O que dizer? O que pedir? Por que pedir? 
O que nos dá o direito de usar desse instrumento como um canto de lamento e petições sem fim? 
Comecemos pelo mais básico e simples de entender. 
O simples fato de conseguirmos essa conexão com o Criador, de conseguirmos elevar os pensamentos sempre tão presos à materialidade, já nos traz ganhos inigualáveis. 
Esse contato com nossa essência verdadeira equivale a um recarregar das energias, a uma reconexão a algo que estava desconectado e nos causava prejuízos. 
Recordemos: somos Espíritos criados por Deus. 
Somos portadores da Sua assinatura.
Daí podemos extrair a coragem que nos falta tantas vezes, o ânimo que parece nos abandonar em tantas oportunidades.
Não somos qualquer coisa. 
Fomos criados à Sua imagem e semelhança. 
Não estamos abandonados num Universo onde reina o caos.
Fazemos parte de um sistema maravilhoso regido por leis perfeitas e belas, que mal principiamos a compreender. 
Em palavras mais fáceis: fazemos parte de algo grande, muito grande. 
Assim, se qualquer situação desafiadora nos surpreende é porque temos condições de enfrentá-la. 
Ou porque chegou a hora de enfrentar e seguir adiante. 
Deus está ali, dizendo exatamente isso, fazendo-nos encontrar em nós mesmos as forças que não acreditávamos possuir. 
E, depois que aquilo passa, alguns de nós imaginamos a cena em nossa consciência, quem sabe ouvindo uma voz a nos dizer: 
-Viu como era possível? Eu fiz você assim. Só você não havia descoberto tudo que poderia fazer ou suportar. Demos mais um passo juntos, agora está mais forte, mais maduro. Dentro de ti coloquei paciência, perseverança, determinação. Todas as virtudes estão aí, esperando apenas ser despertadas e cultivadas. Eu fiz e ainda faço a minha parte. Basta você fazer a sua. Com trabalho e amor, você poderá se tornar cada dia mais felizes. Confie em Mim. 
Redação do Momento Espírita com poema da obra O coração da primavera, de Rabindranath Tagore, editorial A. O. Braga.
Em 30.05.2026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

NA MESMA EMBARCAÇÃO

Letty Mcmaster
Com apenas dezoito anos, a britânica Letty Mcmaster estava feliz em poder realizar um voluntariado de um mês na Tanzânia, durante o seu período de férias da Faculdade. 
O que ela não imaginara é que se defrontaria com necessidades imensas de seres sofridos, em quase desamparo. 
Não contava com a doída surpresa de ver crianças em situações de sofrimento físico, mental e emocional, sem remédios, sem apoio médico.
Descobriu que elas recebiam alimentação somente uma vez ao dia e que havia, inclusive, relatos de abuso sexual. 
O impacto foi tão grande que o voluntariado de um mês se transformou em três anos. 
E retornou outras vezes.
Finalmente, quando o orfanato em que ela doava as suas horas, anunciou que iria fechar, ela adotou as nove crianças e adolescentes que viviam no local. 
Aos vinte e seis anos, ela abriu um lar, o Street Children Iringa, e se tornou tutora legal de quatorze jovens tanzanianos. 
Ela passa nove meses em Iringa, na Tanzânia. 
No restante do ano, retorna ao Reino Unido em busca de doações para poder arcar com despesas médicas, material escolar e tudo o mais que necessitam as crianças que tem sob seus cuidados.
* * * 
Vemos, falamos, sentimos o nosso entorno. 
Mas somente quando agimos, causamos a transformação na vida de outrem. 
Às vezes, precisamos presenciar determinada cena rude e brusca para despertarmos e nos decidirmos por empreender alguma ação a favor do outro. 
É importante termos em mente que nos encontramos em um imenso navio. 
Todos embarcamos no mesmo porto, chamado nascimento, embora em dias e horários distintos. 
A viagem é comum e temos que conviver irmanados durante toda a travessia. 
Repartir o alimento, a água, o camarote, a vestimenta. 
Tudo deve ser compartilhado para que todos cheguemos bem ao destino. 
Existe um comandante, que estabelece a ordem e tudo coordena. 
Direciona o rumo, e nos oferece um capitão, modelo de virtude, para melhor entendermos o programa de convivência no decorrer da viagem. 
Nessa embarcação, com maioria de passageiros necessitados de socorro, quem olha e vê, quem ajuda, quem colabora, se destaca. 
E quando prevalece a atenção de uns para com os outros, ninguém perece. 
Ninguém morre à fome, nem sofre frio, sede. 
Esse é o verdadeiro sentido da fraternidade. 
Auxílio mútuo, total, constante. 
Compreender que somos interdependentes, que precisamos uns dos outros e nos pormos à disposição. 
Dessa forma, a viagem, curta ou longa, será feita com menores dificuldades. 
Ante as borrascas, quase naufrágios, sempre haverá os que estejamos prontos a tomar providências, a socorrer, de forma a que o sofrimento não se alastre. 
Alguns até nos credenciaremos como tripulantes atenciosos, enfermeiros dedicados, para providenciar o que se faça preciso aos demais. 
A viagem não transcorrerá, com certeza, sem problemas maiores ou menores, para uns e outros. 
Haverá feridos, doentes, carentes de atenção maior. 
Mas, o importante é que existirá a certeza de que a solidariedade preside a tudo. Que a fraternidade impera.
Redação do Momento Espírita 
Em 17.07.2021.
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

NOSSO HUMOR

Como anda nosso humor? 
Percebemos que ele é relativamente constante ou oscila bastante? 
Muitos altos e baixos? 
Como costumamos despertar? 
Somos daqueles que resmungam e não são capazes de olhar ninguém nos olhos, ou daqueles que despertam falantes, sorrindo? 
Cada um tem seu jeito e precisamos respeitar. 
Há idades, como a adolescência, que trazem condições peculiares, que necessitam atenção, mas também muita compreensão. 
Quem exige que um adolescente acorde cedo, falante, cheio de energia, talvez não se recorde como foi sua própria adolescência. 
As alterações de humor são relativamente normais em nossas vidas. 
O problema está quando se tornam repentinas e de muita intensidade. 
Nesses casos, valem algumas orientações, principalmente no que diz respeito ao estado de mau humor constante.
Conceituando de forma rápida, o mau humor é o estado emocional caracterizado por irritabilidade, impaciência, pessimismo e raiva. 
No mau humor, tendemos a enxergar apenas o lado negativo das situações e tomar decisões por impulso, o que, obviamente, nos traz consequências indesejadas.
Importante que toda vez que nos percebermos nesse estado mental, investiguemos suas raízes. 
Já somos capazes dessas viagens para dentro de nós mesmos para questionar: por que estou assim? 
Por que estou gratuitamente irritado com as pessoas? 
O que está me tirando a paz neste instante? 
Alguns de nós descobriremos rapidamente: algumas dívidas, uma enfermidade, problemas na família, expectativa não atendida, um revés. 
Por vezes, é um pequeno pensamento pessimista, um chamado balde de água fria que, sem que nos apercebamos, acaba com toda energia de nosso dia e nos atira nas teias da irritação. 
Fechamos a cara, baixamos a cabeça, tudo passa a ter tons de cinza e, ainda, descontamos em quem surgir a nossa frente! 
Porém, que culpa têm as pessoas? 
Por que o companheiro recebeu nossa resposta grosseira se ele não tem nada a ver com o fato de estarmos com problemas em casa? 
Por que deixamos de agradecer e sermos simpáticos com a atendente do supermercado naquele dia se ela nada sabe sobre nossas questões de saúde? 
Vejamos que descontar nos outros não leva a nada. 
Pelo contrário, espalhamos mau humor pelo mundo. 
E quem é capaz de dizer se o nosso mau humor, junto com o do outro, que virá logo em seguida, não estragará o dia de alguém que estava animado com a vida! 
Vejamos a nossa responsabilidade. 
Assim, toda vez que percebamos as nuvens escuras do mau humor querendo pairar acima de nós, ativemos uma espécie de modo de segurança: 
Auto-observação: por que estamos assim? 
O pequeno contratempo é motivo para tanto? 
Oração: elevemos o pensamento em prece. 
Peçamos ajuda, leiamos uma página que nos inspire o otimismo, a renovação. 
Contato com a natureza: as criações de Deus sempre nos darão sopro de vida na alma, sempre nos mostrarão como vale muito mais a pena sorrir do que manter o cenho fechado.
Cuidemos de nosso humor. 
Observemos como ele anda. 
Estaremos no rumo certo de cuidarmos de nossa saúde.
Redação do Momento Espírita 
Em 28.05.2026

quarta-feira, 27 de maio de 2026

NA MEMÓRIA SILENCIOSA DE DEUS

KHALIL GIBRAN
Certo dia, passeando pelo parque, notei dois idosos sentados em frente ao lago.
Mãos dadas, sorrisos largos e uma cumplicidade admirável entre eles. 
Tal cena me chamou profundamente a atenção. 
Por conta de minha natureza curiosa, me aproximei, no exato instante em que o senhor, distendendo seu braço, aproximou-se de sua amada e a envolveu. 
Os lábios brevemente se encostaram, seguido por um Eu te amo comovente e apaixonado. 
Depois de passar a enrugada mão pelo rosto da esposa, o senhor, sorrindo, virou-se em minha direção - eu, que por conta de minha curiosidade estava perto demais - e asseverou: 
-Sessenta e três anos, meu filho. 
-Perdão, meu senhor. Não compreendi bem, disse eu, um tanto quanto envergonhado por conta do flagrante. 
-Sessenta e três anos, repetiu ele, rindo, provavelmente por conta do meu rubor ligeiro. 
-Nesta semana, minha esposa e eu completamos sessenta e três anos de um casamento feliz e apaixonado. 
-Puxa! Exclamei. E qual o segredo para um casamento tão duradouro? 
-O rapaz tem tempo para ouvir a resposta? Hoje em dia, os jovens não têm tempo para nada. 
-Tenho sim, senhor, respondi, me sentando em outro banco, próximo ao apaixonado casal. 
-Bem, disse ele, certa vez li, em um livro, o que considero ser a receita para um casamento feliz. 
E, tomando as mãos de sua esposa entre as suas, o sábio idoso começou a declamar: 
-Nascestes juntos e juntos ficareis para sempre. Ficareis juntos quando as asas brancas da morte dispersarem os vossos dias. Sim, ficareis juntos até na memória silenciosa de Deus. Mas que haja espaço na vossa comunhão. E que os ventos do céu dancem no meio de vós. Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um empecilho: seja antes um mar vivo entre as praias das vossas almas. Enchei cada um o copo do outro, mas não bebais no mesmo copo. Partilhai o pão, mas não comais do mesmo bocado. Cantai e dançai juntos, sede alegres. Mas permaneça cada um sozinho, como estão sozinhas as cordas do alaúde, embora nelas vibre a mesma harmonia. Dai os vossos corações, mas não os confieis aos cuidados um do outro. Porque somente a mão da vida pode conter os vossos corações. Mantende-vos juntos, mas nunca demasiado próximos. Porque os pilares do templo elevam-se, distanciados, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.
* * * 
Muitos são aqueles que respondem, superficialmente, que o objetivo do casamento é a perpetuação da Humanidade.
Todavia, a união entre dois seres é marco de progresso no seio da Humanidade. 
O objetivo maior é a evolução moral do ser. 
É assim que o casamento se constitui em excelente oportunidade de progresso para aqueles que bem sabem aproveitar. 
Nele, o meu torna-se nosso. 
Ainda, eis grande ensejo de desenvolvermos e praticarmos a fraternidade, a tolerância, o desprendimento, o companheirismo, a benevolência. 
O casamento é, acima de tudo, afortunada ocasião para compreendermos que o amor só é amor quando se doa, quando não há interesse, quando as necessidades do próximo são tão ou mais importantes do que as nossas. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O matrimônio, do livro O Profeta, de Khalil Gibran, ed. L&PM Pocket. 
Em 31.01.2024.

terça-feira, 26 de maio de 2026

NINGUÉM TE CONDENOU?

HUMBERTO DE CAMPOS
(espírito)
CHICO XAVIER(+)
Muitos de nós recordamos do encontro de Jesus com a mulher surpreendida em adultério. 
Ela recebeu o rótulo de adúltera devido ao vício humano de julgar sem indulgência. 
Ela era muitas outras coisas, tinha outras características. 
Por que rotulá-la por causa de um dos seus deslizes? 
Jesus interveio no momento certo, evitando mais um apedrejamento, comum na época e, curiosamente, ainda persistente nos tempos atuais, mesmo que seja com outras características. 
Passado o momento, o Apóstolo João, desejando aprender mais, voltou-se para o Mestre, inquirindo qual a razão de Ele não ter permitido que a lei antiga fosse cumprida. 
-Ela pecou e fez jus à punição. Não está escrito que os homens pagarão, ceitil por ceitil, os seus próprios erros?
Jesus se serve da indagação para demonstrar como as leis de Deus são muito maiores, muito mais amorosas e belas do que nossa compreensão. 
É nesse instante que o Nazareno apresenta o amor da Sua revelação em contrapartida à rigidez das leis antigas, sem jamais deixar de respeitá-las. 
Sorriu e, sem se perturbar, respondeu: 
-Ninguém pode contestar que ela tenha pecado. Porém, quem estará impecável na face da Terra? Há sacerdotes da lei, magistrados e filósofos que prostituíram suas almas por baixo preço. Contudo, ainda não vi seus acusadores. 
Vejamos que Jesus inicia concordando que houve equívoco e que todos somos passíveis de errar no mundo. 
Destaca a hipocrisia da sociedade que enxerga os erros de alguns apenas, enquanto mantém na penumbra equívocos maiores de tantos outros. 
E continuou esclarecendo: 
-Deus é o Pai de bondade infinita que aguarda os filhos pródigos em Sua casa. 
Faz menção à parábola antes contada, do pai amoroso que recebe o filho perdido de braços abertos, que deseja o bem de suas criaturas, que deseja o fim do pecado e não do pecador.
Em seguida, prosseguiu: 
-Podemos desejar para a pecadora tormento maior do que aquele a que ela própria se condenou por tempo indeterminado? Quantas vezes lhe tem faltado pão à boca faminta ou a manifestação de um carinho sincero à alma angustiada? Raras dores do mundo serão idênticas às agonias de suas noites silenciosas e tristes. Esse o seu doloroso inferno, sua aflitiva condenação.
Jesus oferece um novo ângulo para nossa visão: enxergar o outro, entender as suas dores, perceber que quem erra já sofre as consequências do mal praticado, isto é, já se encontra no processo de quitação de dívidas com as leis maiores. 
Esse é o ponto que nos escapa, como julgadores impiedosos.
Só vemos uma parte, não enxergamos o todo. 
Quem enxerga o todo é o Criador, por isso a justiça mais sábia estará sempre nas mãos divinas. 
Jesus entendeu que aquela punição era demasiada. 
Uno com Deus, conhecia as dores íntimas daquela mulher.
Conhecia-lhe toda a história. 
Será que, quando nos pomos a julgar, temos ciência de toda a história da pessoa que estamos condenando severamente?
Pensemos nisso. 
Lembremos de Jesus e de como compreendeu a história dessa mulher. 
Uma mulher, um ser humano, como você e eu, ainda falhos.
Apenas isso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 26.05.2026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

PODERÍAMOS SER MELHORES

RAUL TEIXEIRA
Raul Teixeira narra, em oratória de profundas reflexões, episódio ocorrido consigo e que lhe conferiu sábia lição. 
Conta que foi a uma cidade e percebeu que, quando falava em determinada assembleia religiosa, os integrantes da outra instituição não compareciam. 
E vice-versa. 
Aquilo lhe causou estranheza. 
Como os lidadores do bem, os que se encontram vinculados a uma Instituição que tem por objetivo espalhar a semente da boa nova, podem ter esse tipo de comportamento? 
Ele mesmo se perguntou: 
-Como falarei de Cristo, de paz, de trabalho, de Evangelho no meio dos cristãos de mal um com o outro? 
Confessa que sofreu muito. 
Mas deu conta de todas as tarefas. 
De retorno à sua cidade, Niterói, chegou em casa, depôs a mala, sentou-se na cama e chorou. 
Descreve que a sensação que tinha era de quem enxugava gelo com pano quente. 
Para quem ele fora pregar? 
Recordou das palavras de advertência de Espírito amigo, que registrara: 
-Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! 
Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. 
-Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai! 
Angustiado, deixava que as lágrimas lhe lavassem a face, quando lhe apareceu o Espírito Camilo, seu benfeitor espiritual. 
Olhou profunda e demoradamente a Raul, que se sentiu como que radiografado. 
Então, lhe perguntou como se já não houvesse auscultado a alma do seu pupilo: 
-Por que você chora? 
Acabrunhado, Raul declinou as razões, extravasou toda sua tristeza. Quando concluiu, ouviu a voz do amigo: 
-Pois é, meu filho, e pensar que você já poderia estar longe de tudo isto. 
A frase chocou o orador. 
Mas deu-se conta de que aquilo valia mesmo para ele. 
E vale, igualmente, para nós. 
Essa é a realidade dos que sofremos com a injustiça, que nos martirizamos com a criminalidade, que nos sentimos violados em nossos direitos com a violência tranquilamente livre nas nossas sociedades. 
Poderíamos ter saído desse tormento, deste mundo aturdido em que nos achamos. 
Quantas vezes já ouvimos o chamado de Jesus. 
E, com tudo que ouvimos, que nos foi reprisado, ainda não nos unimos a Ele. 
Poderíamos não mais viver as situações tristes que vivemos.
Poderíamos ser melhores. 
E, se fôssemos melhores, o mundo seria melhor. 
Já viveríamos o mundo de regeneração, de menos dores e mais trabalho no bem. 
De menos maldade e maiores benefícios pela família humana.
Poderíamos estar vivendo a realidade crística: 
-Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.
Isso é possível, de forma mais rápida. 
Basta nos decidirmos pela sua concretização. 
Talvez, para acelerar nossa vontade, nos recordemos dos convites do suave nazareno: 
-Vem e segue-me. O meu jugo é suave e meu fardo é leve. Vinde, benditos de meu pai para o reino que vos tenho preparado. 
Redação do Momento Espírita, com narrativa extraída do curta Poderíamos ser melhores, disponível no @canalfep e citação do cap. XX, item 4 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 25.05.2026

domingo, 24 de maio de 2026

COMO VEMOS O OUTRO

Não vemos os outros como realmente são. 
Vemos os outros como nós somos. 
É de se estranhar a afirmativa. 
Como assim, ver o outro como somos? 
Toda vez que fazemos um julgamento, toda vez que fazemos avaliação de uma pessoa, estamos fazendo com os instrumentos que temos, isto é, com a nossa própria lente.
Acontece que essa lente é complexa. 
Foi formada com nossas experiências ao longo de anos, séculos, até milênios. 
Cada um de nós enxerga com uma lente própria, com seus valores, com sua cultura, com tudo aquilo que aprendeu.
Nossos óculos têm um pouco dos óculos dos nossos pais. Têm outro tanto dos amigos com quem convivemos. 
Outra parte do próprio caldo cultural no qual estamos inseridos. 
Alguns de nós temos as lentes bastante distorcidas, rachadas, quebradas, pois vivemos experiências que nos marcaram ou traumatizaram profundamente. 
Em decorrência disso, a nossa visão está afetada.
Naturalmente, o nosso julgamento será diferente daquele que está ao nosso lado, e não sofreu o que sofremos. 
Imaginemos que cada um de nós se serve de um par de óculos. 
Esses óculos estão conosco há muito tempo e vêm sendo configurados conforme nossas necessidades.
Eles são parte de nós. 
Tudo que enxergamos é através deles. 
Podemos entender por que a visão que temos do outro, da vida, passa sempre pelo filtro próprio desses nossos óculos?
Eles podem estar escurecendo tudo. 
Pode ser um par de óculos, com filtro que bloqueia certos reflexos, mostrando cores diferentes do que outros enxergam.
Pode ainda estar com pequenos pontos de sujeira, o que nos fará jurar sempre que alguma coisa está errada em tudo que enxergarmos. 
Quem sabe possamos entender por que é temerário sair por aí emitindo julgamentos sobre a vida do outro, achando que somos os donos da verdade. 
O que seria a verdade? 
Seria a realidade sem lentes alteradas. E quem de nós a possui? 
Impossível não emitir julgamentos, alguém poderia argumentar. 
Sim, certamente, porém a lição é inspirada na prudência proposta por Jesus. 
Não julgueis, a fim de não serdes julgados, porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros. 
Vejamos, primeiro, exatamente a ideia das lentes. 
Uma vez que nos colocamos na posição de julgadores vorazes, naturalmente estamos nos expondo a sermos igualmente julgados dentro da mesma regra: por lentes limitadas e repletas de imperfeições. 
Em segundo lugar, o Mestre nos ensina que não devemos julgar os outros com mais severidade do que julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. 
Em nossos óculos, deve haver bondade, compreensão, indulgência. 
Em nossos óculos, devemos perceber a sutil incidência de raios de luz transversais que, ao baterem na lente pelo lado de dentro, mostram o nosso próprio reflexo. 
Olhar para o outro é olhar para nós mesmos. 
Por isso o sábio Mestre de Nazaré estabeleceu que a lei do amor mantém sempre unidas as propostas de amar ao próximo e a si mesmo. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.05.2026

sábado, 23 de maio de 2026

NA MEDIDA CERTA

Ele adoecera gravemente. 
O diagnóstico fora quase aterrador. 
Parecia uma sentença de morte para quem estava prestes a cruzar a linha de chegada dos cem anos. 
O tratamento prescrevia quimioterapia e radioterapia. 
Sessões diárias, por semanas. 
Finalmente, conseguimos autorização dos que lhe compõem a família física e o pudemos visitar. 
O abatimento dele era visível. 
Natural, pensamos nós, para quem está com tratamento tão agressivo e soma mais de nove décadas. 
Emagrecera muito. 
A voz não possuía o vigor de a pouco, quando ainda o ouvíamos em suas atividades doutrinárias. 
No entanto, o que mais nos chocou foi o olhar. 
Parecia ter perdido o brilho, aquele brilho que estávamos acostumados a ver. 
Olhar que sabia sorrir, de longe, quando avistava um amigo.
Olhar que envolvia a pessoa, mesmo que ela estivesse à distância. 
Aquele olhar de tantos benefícios. 
Conversamos pouco. 
Sabíamos que não poderíamos nos deter em seus aposentos por muito tempo. 
Fôramos avisados para sermos breves. 
Como se fosse possível marcar tempo para a amizade, que deseja abraçar, aconchegar, contar novidades, trazer para dentro de quatro paredes todo o dinamismo de um mundo que aprendeu a amar esse ser tão especial. 
Como se pudéssemos traduzir de forma abreviada todos os recados dos tantos amigos que o amam, que estão distantes mas presentes. 
Como se rapidamente pudéssemos dizer dos que oram, dos que lhe enviam votos de recuperação, dos que gostariam de ter notícias suas... 
Quando acalmamos nossa torrente de notícias, o olhamos mais uma vez. 
Ele sorria, embora não fosse aquele sorriso espontâneo, atrás do qual estávamos acostumados a ouvir uma pergunta gentil, uma observação especial. 
Então, ele nos disse: 
-Atualmente, a única coisa que posso decidir em minha vida é se deixo a minha janela aberta ou fechada. 
A frase foi curta. Ligeira. 
Talvez se não tivéssemos ouvidos de ouvir nem tivéssemos percebido que o amigo, na atual condição de enfermidade que o maltrata, falava do quanto desejaria poder reger a própria vida. 
Como sempre fizera, desde os verdes anos da juventude quando saíra da casa paterna para conquistar o mundo, no mercado de trabalho. 
Depois, conquistar o universo dos corações, com sua dedicação ao bem e oferta da sua amizade. 
Ficamos a cogitar quantas vezes, nós, por desejarmos preservar o nosso afeto, em situações semelhantes, lhe tolhemos a liberdade. 
Estabelecemos regras rígidas de alimentação, de acomodação, de horários, do que pode ou não fazer. 
Não nos preocupamos em perguntar: 
-O que gostaria de fazer hoje? Quem sabe estar conosco à mesa? Gostaria que contatássemos algum amigo em especial para o vir visitar? Que podemos fazer para que você sinta que o amamos intensamente mas que não o desejamos sufocar com nosso amor? 
* * * 
O maior amor é aquele que renuncia em benefício do ser amado. 
Saibamos dosar nossos cuidados, não retirando a liberdade de quem pode estar idoso ou enfermo, mas está lúcido e prezaria tomar suas próprias decisões. 
A alegria se faz de pequenas coisas. 
Não retiremos isso de quem amamos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 24.03.2025

sexta-feira, 22 de maio de 2026

NA HORA MAIS AMARGA!

José Couto Ferraz
Ela é assim. 
Chega quando se está no auge da alegria, quando os planos são muitos e se espera o jamais alcançado. 
Chega e derruba sonhos, destrói prazeres idealizados, consome de dor os que permanecem. 
Conta a atriz Helen Hayes a sua inconformação com a morte de sua filha, de apenas dezenove anos de idade, levada por um ataque de poliomielite. 
-Por quê? – Gritava seu coração. Minha filha era jovem e inocente, por que razão ser levada desta forma, às vésperas de sua estreia na carreira teatral, em nova Iorque? 
Ela própria, envolta em luto, abandonou a carreira artística.
Como poderia criar beleza nos palcos, se estava morta por dentro? 
Passou a recusar compromissos sociais e profissionais, limitando-se a receber as pessoas mais íntimas da família.
Tentou encontrar Deus, na literatura. 
Leu São Tomás de Aquino, a vida e a obra de Gandhi, a Bíblia. Tudo, porém, sem êxito algum. 
Sua filha estava morta e ela só conseguia ver sombras espessas no mundo, na sua vida. 
Mas, Deus tem formas estranhas de informar da Sua existência e socorrer Seus filhos. 
Então, um tal Isaac Frantz começou a telefonar, diariamente, para sua casa, tentando lhe falar. 
Helen jamais o atendeu. 
Finalmente, como ele não desistisse, ela concordou em recebê-lo em sua casa. 
Ele chegou, com a esposa. 
E foi no início do diálogo que a atriz entendeu o motivo da visita do casal. 
A ideia fora do senhor Isaac, inclusive, sem o conhecimento da esposa, que ficara apavorada ao saber do compromisso.
Contudo, comparecera, considerando que o marido tivera tanta dificuldade para marcar aquele encontro. 
O que surpreendeu Helen foi a espontaneidade com que a visitante começou a falar do filho, desencarnado, há pouco tempo, vítima de paralisia infantil. 
Subitamente, percebeu que ela mesma estava mencionando o nome de sua filha, o que não havia feito desde a sua morte. 
E isso, emocionalmente, aliviara o seu coração. 
Entretanto, o que a escandalizou foi ouvir a visitante lhe dizer que tinha intenção de adotar um órfão de Israel. 
A senhora Frantz, delicadamente, lhe disse: 
-A senhora está pensando que esse órfão irá tomar o lugar do meu filho? Isso jamais poderá acontecer. No entanto, ainda há amor no meu coração e não desejo que esse sentimento se perca por falta de uso. Não posso morrer, emocionalmente, porque meu filho morreu biologicamente. Não devo amar menos por ter desaparecido fisicamente o afeto do coração. Devo amar ainda mais, porque o meu coração conhece o sofrimento dos que perderam o seu ente querido. 
Quando o casal se despediu, concluída a visita, Helen compreendeu porque não encontrara Deus anteriormente. 
É que ele, o Deus-amor, não está nas páginas de um livro. 
Ele reside no coração humano. 
Também reconheceu que Deus a ninguém privilegia. 
Pessoas famosas ou quase anônimas, todas são iguais, perante o Seu amor e a Sua justiça. 
* * * 
Na hora mais amarga, serão a resignação dinâmica e a busca de Deus que poderão aplacar a dor e estabelecer novas diretrizes para a continuidade da vida. 
Afinal, a aurora se faz extraordinária, explodindo em cores, a cada dia. 
E nos convida a amar, a não permitir que esse sentimento seque em nossa intimidade. 
Porque Deus é amor, por amor nos criou e nos sustenta.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Desencarnação de um ente querido, de José Couto Ferraz, da RevistaPresença Espírita nº 317, de novembro/dezembro 2016, ed. LEAL. 
Em 10.03.2017

quinta-feira, 21 de maio de 2026

NA ESTAÇÃO INVERNOSA

CHICO XAVIER E EMMANUEL
O inverno é a estação mais fria do ano, desafiando, com suas características acentuadas, determinadas regiões do planeta.
Temperaturas muito baixas, tempestades de neve, frio enregelante.
Os animais, que hibernam, se abrigam em refúgios próprios e permanecem imóveis, a fim de conservarem a energia corporal, considerando que, nessa época, a comida é escassa. 
Aves voam milhares de quilômetros, migrando para regiões mais quentes. 
As abelhas se apinham na colmeia para suportar o frio com o calor umas das outras. 
As formigas se internam no lugar mais profundo do formigueiro e tampam a entrada com restos vegetais. 
O homem, igualmente, busca abrigo adequado a fim de vencer as investidas da estação invernosa. 
Em certas circunstâncias, precisa permanecer recluso, aguardando o amenizar das condições climáticas. 
Aventurar-se na neve, no gelo, nem pensar. 
Embora nos possa parecer interminável, como toda estação, o inverno é sazonal. 
Tem começo, meio e fim. 
Quando ele se vai, respiramos aliviados e, imediatamente, reformulamos nossa maneira de viver. 
De forma semelhante, agimos em nossas relações com o Pai Celeste. 
Quando o inverno do sofrimento nos visita, nós o buscamos como a cabana aquecida que nos haverá de abrigar. 
Existem muitas almas que apenas se recordam da necessidade do encontro com os emissários do Divino Mestre por ocasião do inverno rigoroso do sofrimento. 
Muitas se lembram do Salvador somente em hora de neblina espessa, de tempestade ameaçadora, de gelo pesado e compacto sobre o coração. 
Em momentos assim, o barco da esperança costuma navegar sem rumo, ao sabor das ondas revoltas. 
Os nevoeiros ocultam a meta e tudo, em torno do viajante da vida, tende à desordem e à desorientação. 
Nesses momentos, recorremos a Jesus, ao Pai, como se eles fossem criados de sobreaviso para nos atender. 
É quando nos lembramos de orar: quando estamos em apuro, quando as coisas da vida vão mal. 
Quando tudo vai bem, não achamos que seja necessário orar.
Na calmaria, fechamos nosso coração. 
Importante aprendermos que manter contato com nosso Pai e Criador, não deve ser um expediente de última hora, em extrema necessidade. 
Orar não deve ser somente pedir. 
Deve nos constituir algo tão importante como respirar. É a respiração da alma. 
Orai sempre, recomenda o Apóstolo Paulo, ao escrever sua epístola aos companheiros da Tessalônica. 
É como dizer Respirai sempre. 
Nunca deixeis de respirar porque sem respiração não podereis viver. 
Dessa forma, não invoquemos a proteção celestial somente quando surgirem as avalanches na caminhada, quando a geada enregelar nossos corações. 
Filhos do amor do Pai permaneçamos conectados com Ele, todos os dias. 
A alma que ora cria uma abertura rumo ao infinito, porque está com fome e espera receber alimento de Deus. 
É indispensável, diz o benfeitor espiritual Emmanuel, procurar o Amigo Celeste ou aqueles que já se ligaram, definitivamente, ao Seu amor, antes dos períodos angustiosos, para que nos instalemos em refúgios de paz e segurança. 
Pensemos a respeito. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 66, do livro Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB; na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, cap. 5, vers. 16 e no livro A Metafísica do Cristianismo, de Huberto Rohden, ed. Martin Claret, cap. Quando quiserdes orar. 
Em 27.03.2023

quarta-feira, 20 de maio de 2026

UMA LUZ HÁ DE VIR

Por vezes, tanto empeço na estrada, 
que indagas, coração, de alma desencantada, 
por que meios humanos prosseguir… 
Entretanto, ergue a fronte, ao vasto firmamento, 
da nuvem mais pesada ou do céu mais cinzento 
uma luz há de vir… 
O trecho do poema de Maria Dolores acalenta nosso coração, relembrando-nos algo precioso: tudo passa e devemos confiar mais e confiar sempre. 
No entanto, que fique claro: não se trata de uma confiança incerta, que tem cara de quem sabe, talvez ou espero que...
Não, essa confiança, que também chamamos de fé raciocinada, pode ser construída sobre o fundamento da certeza e da razão.
Conforme vamos conhecendo as leis divinas, conforme vamos nos apropriando de parte da beleza de como tudo funciona, vamos nos sentindo mais confiantes. 
No Universo, nada está no lugar errado. 
Nenhum astro, dos bilhões e bilhões que já descobrimos, nenhum deles escapa ao cumprimento das leis universais.
Para que estivéssemos vivos hoje pela manhã, e para que a vida no planeta Terra fosse possível, muita coisa teve que dar certo ao mesmo tempo, muita coisa teve que ser pensada, calculada, colocada em seu devido lugar. 
Nada a esmo, nada jogado, nada deixado aqui ou ali de qualquer jeito. 
Segundo alguns cálculos das ciências, para que a vida fosse possível na Terra, mais de cem variáveis físicas e químicas precisaram ser exatas. 
Um ajuste fino, que, estatisticamente calculado, nos mostra que a probabilidade de ter sido feito ao acaso é de um em dez, elevado à potência cento e trinta e oito. 
Isso é, de longe, pela matemática, considerado probabilidade zero. 
Não há acaso no Universo e as ciências sabem disso. Não há acaso em nossas vidas, da mesma forma. 
Tudo está como está por alguma razão. 
Tudo se alinhou dessa forma, neste momento, por uma série de fatores, muitos deles provocados por nós mesmos. 
Esse nós mesmos pode ser entendido de uma maneira mais ampla. 
O eu de hoje e o eu milenar, que vem seguindo através das eras. 
Se pudéssemos olhar melhor o passado, se soubéssemos observar melhor o cuidado das leis para com nosso processo evolutivo, iríamos perceber que uma luz sempre veio. 
A maior delas chamou-se Jesus. 
Jesus foi a luz que o Pai amoroso enviou para a Terra, servindo-nos de Guia e Modelo. 
Muitas outras luzes O seguiram e O seguem até hoje. Francisco de Assis iluminou a Idade Média. 
Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, irmã Dulce foram outras tantas luzes que nos exemplificaram como é seguir a luz.
Saibamos ver e procurar pela luz. 
Quem trabalha pelo bem, quem serve sem olhar para trás, certamente logo a vê. 
Quem confia na grandeza do Universo, respeita suas leis e abraça seu próximo com amorosidade faz a sua própria luz.
Os empeços na estrada são lições da escola. 
Os desafios precisam existir, caso contrário, nos acomodamos aos vícios. 
Não peçamos vida fácil; saibamos lidar com as lutas, confiando sempre na luz que há de vir! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 37, do livro Maria Dolores, pelo Espírito Maria Dolores, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL. 
Em 20.05.2026

terça-feira, 19 de maio de 2026

O ENDEREÇO CERTO

O jovem rapaz fazia os últimos preparativos para a viagem que se avizinhava. 
Ficaria distante da família, do país, na busca de novos desafios profissionais. 
Estava às portas de iniciar uma nova fase da vida, na qual precisaria se afastar do lar, dos amigos. 
Pela primeira vez, pensava ele, estaria sozinho, dono de si e de seu destino. 
Os vinte e poucos anos davam-lhe o combustível para correr em busca dos sonhos e das aventuras, no desejo natural de se descobrir e descobrir a vida. 
Certo dia, o avô o chamou, pois queria ter com ele uma conversa antes de partir. 
Recebido entre abraços e brincadeiras carinhosas, o velho senhor o convidou a ouvi-lo, pois tinha um último conselho a lhe dar antes da viagem. 
O jovem, afeito aos cuidados naturais do avô, imaginou que seriam as falas de sempre, aqueles conselhos para se cuidar, mandar notícias, e outras coisas do gênero. 
Sentou-se e esperou. 
Contudo, com o peso da sabedoria que os anos lhe possibilitavam, o avô o olhou, profundamente, nos olhos e lhe disse: 
-Meu filho, por onde quer que você vá, não importam os caminhos e possibilidades que a vida lhe oferte, lembre-se de nunca perder o endereço de sua casa. 
O rapaz achou, a princípio, que se tratava de alguma brincadeira, ou mesmo que o juízo do avô falhara por alguns instantes. 
Afinal, como ele iria esquecer o nome da rua, o número da casa que lhe fora lar por toda a vida? 
-Como assim, vovô, perder o endereço de casa? O senhor acha que eu não vou me lembrar onde moro? 
Depois de uma pausa natural, o ancião explicou: 
-Meu filho, muitos serão os convites que lhe chegarão. E cada convite, será uma bifurcação na estrada de sua vida. Você terá a opção de ir para um lado ou para outro. Terá sempre a chance de dizer sim ou de dizer não. A sua resposta, para cada convite é que definirá o rumo de sua caminhada, o destino que você estará construindo para si mesmo. Assim, quando tiver dúvidas, quando se perguntar se vale a pena isso ou aquilo, lembre-se do endereço de sua casa. Lembre-se dos valores com que foi educado. Lembre-se de que é aqui que você aprendeu a ser honesto, honrado, solidário com o próximo, a ser uma pessoa de bem. As propostas que o afastarem da sua casa, tenha certeza, não valerão à pena. Não importa se possam acenar com sucesso, conquistas, dinheiro ou reconhecimento social. 
Escutando as valiosas palavras do avô, o jovem, emocionado, o abraçou, guardando na alma a lição. 
* * * 
Os valores recebidos no lar deverão nos acompanhar vida afora, aonde quer que nos conduzam nossos passos e nas mais diversas circunstâncias, sorria-nos o sucesso ou as momentâneas nuvens do fracasso. 
Os conselhos dos que nos antecederam na jornada reencarnatória devem nos merecer acurada reflexão, uma vez que, tendo experienciado determinadas lutas, eles têm, além do peso natural dos anos, a própria vivência a lhes guiar as palavras. 
Pensemos nisso. 
Fiquemos atentos às ponderações dos que nos querem bem e somente desejam que sejamos felizes nesta vida, sob a bandeira da honestidade e da dignidade. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.05.2026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

NA CONSTRUÇÃO DO AMANHÃ

Dale Galloway
Nos Estados Unidos, o dia dos namorados é comemorado a 14 de fevereiro. 
Nesse dia, as pessoas costumam enviar cartões não somente para os namorados. 
Também a amigos e pessoas queridas. 
Foi com preocupação que a mãe de um garoto tímido e calado ouviu-o dizer que desejava dar um cartão para cada colega seu. 
Chad era um excluído na classe. 
A mãe o via, todos os dias, retornando da escola. 
A turma vinha na frente, brincando, conversando. 
Ele sempre atrás, sozinho. 
Ela ficou angustiada. 
Mesmo assim, nos dias que se seguiram, ela ajudou o filho a confeccionar os cartões. 
Comprou papel, cola e lápis de cor. 
E ele trabalhou com afinco. 
Finalmente, no dia dos namorados, estavam prontos os trinta e cinco cartões. 
Ele não cabia em si de contentamento. 
A mãe passou o dia preocupada. 
Tinha certeza que ele voltaria desapontado. 
Não receberia nenhum cartão. 
Por isso, resolveu fazer alguma coisa para amenizar a situação. 
Assou biscoitos especiais que ele gostava. 
Depois, ficou esperando. 
Olhou pela janela e viu os garotos. 
Como sempre, eles vinham rindo e se divertindo. 
Como sempre, Chad vinha atrás do grupo. 
Caminhava, no entanto, um pouco mais rápido do que o normal. 
Quando entrou em casa, ela esperou que ele se desmanchasse em lágrimas. 
Chegou de mãos vazias, como ela pensara. 
Segurando o pranto, a mãe lhe disse: 
-Filho, preparei um lanchinho para você. 
Mas Chad não prestou atenção ao que ela disse. 
Com passos firmes, se encaminhou para a cozinha, repetindo:
-Nenhum... Nenhum... 
Nesse momento, a mãe observou que o rosto do filho brilhava de alegria. 
E o ouviu completar a frase: 
-Não esqueci nenhum, nenhum deles! 
* * * 
A atitude do garoto é altruísta e denota uma alma que muito mais se preocupa em ofertar amor, do que buscar ser amado.
Poucas criaturas podem superar, contudo, situações semelhantes. 
O bullying, essa prática de agressividade repetida, muito comum entre crianças e adolescentes, tem dado causa a alguns desastres. 
O fenômeno é mundial. 
Crianças e adolescentes são excluídos pelos colegas, perseguidos e humilhados. 
Muitos abandonam a escola, sem condições de prosseguirem enfrentando humilhações e trotes. 
As estatísticas apontam, ainda, crescente número de suicídios na faixa etária da infância/adolescência, como efeito do bullying. 
Qual será o motivo de tamanha crueldade? 
Educadores e pais, estejamos atentos. 
Observemos o comportamento dos nossos filhos. 
Serão eles os promotores do bullying ou suas vítimas? 
É tempo de ensinar a amar em nosso lar. 
A respeitar os diferentes. 
A imitar os melhores, não tentar destruí-los. 
Pensemos: quais são os comentários que nossos filhos mais ouvem, com respeito aos outros seres, em nosso lar? 
Que falamos a respeito dos colegas de trabalho, dos vizinhos, dos filhos dos outros? 
É possível que descubramos que essa manifestação doentia, o bullying, seja a resultante da indiferença e do desamor que ensinamos a eles, todos os dias. 
* * * 
O mundo melhor do amanhã está em nossas mãos. 
Depende de nós a geração que se estrutura hoje para atuar no mundo logo mais, como cidadãos do mundo, herdeiros das nossas riquezas morais. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Dia dos namorados, de Dale Galloway, do livro Histórias para o coração, v. 1, de Alice Gray, ed. United Press. 
Em 23.01.2017.

domingo, 17 de maio de 2026

NA BÊNÇÃO DA VIDA

Mal acordamos, pela manhã, e muitas preocupações passam a ocupar a nossa mente. 
São tantas as providências que temos a tomar que muitas vezes ficamos atordoados. 
Nem percebemos o dia acabar. 
As coisas mais simples e as mais graves são alvos de nossa atenção, ocupando-nos as horas.
A noite nos encontra extremamente exaustos.
Mastigamos o jantar enquanto tentamos digerir os problemas que ficaram pendentes. 
Algumas horas de sono e novamente o dia nos convida a agir... 
E lá vamos nós outra vez. 
As horas se sucedem, os dias se vão, os meses se transformam em anos, e passamos pela vida sem nos darmos conta das muitas bênçãos que ela nos oferece, bem como de todas as criaturas que dividem o planeta conosco. 
Entretanto, o novo dia se apresenta para ser vivido. 
Talvez seja oportuno lançarmos um olhar mais atento ao mundo à nossa volta, buscando interagir, de maneira consciente. 
Descubramos o valor das dádivas que o Senhor nos faz pelas mãos da vida e ofereçamos alegria e reconhecimento por toda a parte. 
Observemos a natureza a nos abençoar a existência na Terra.
Nascem frutas saborosas em árvores cujas raízes se prendem à lama... 
Correm brisas leves, entoando melodias suaves, em apertados vales onde cadáveres se decompõem. 
Cai o orvalho da noite sobre o solo ressequido e misérrimo, castigado pelo sol. 
Voam borboletas delicadas nos rios de ar ligeiro qual festival de cor flutuante sobre campina pontilhada de flores miúdas.
Desabrocham, além, espécies variadas da flora que o pólen feliz fecunda em todo lugar. 
Cintilam constelações no manto da noite salpicando a treva de diamantes preciosos. 
Em cada madrugada renasce o sol dourado, purificando o pântano, vitalizando o homem, atendendo à flor sem indagar da aplicação que lhe façam dos raios beneficentes. 
Não nos detenhamos e recordemos os tesouros com que o bem nos enriquece o coração, através dos valiosos patrimônios da saúde e da fé, da alegria e da paciência, e vamos em frente. 
Indiferença é enfermidade. 
Medo é veneno que mata lentamente. 
Acendamos a luz da coragem na alma, a fim de que não fiquemos embaraçados nas dificuldades muito naturais que seguem ao lado dos nossos compromissos em relação à vida.
Confiança em nossos atos é fortalecimento para a coragem alheia. 
Otimismo nas realizações também é aliança de identificação com as esferas superiores. 
* * * 
Não nos encontramos no mundo sem propósitos elevados.
Aproveitemos a oportunidade, valorizemos as bênçãos que recebemos, todos os dias,difundamos gratidão e alegria por onde passarmos, com quem estivermos, com o que possuímos, justificando em atos edificantes a nossa passagem pela Terra. 
Não somos simples figurantes nos palcos da vida terrestre.
Somos protagonistas, lições vivas, peças importantes nesta imensa engrenagem chamada sociedade. 
Pensemos nisso, e nos movimentemos produzindo o melhor para nós e para a grande família humana à qual pertencemos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Na bênção da vida, do livro Ementário Espírita, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. O CLARIM.
Em 17.07.2020.

sábado, 16 de maio de 2026

OS MAIS ALTOS LOUROS

Neerja Bhanot 
Podemos definir um herói como alguém que age em benefício do outro ou de uma causa maior, muitas vezes sob risco pessoal ou sacrifício significativo. 
O que o qualifica é sua ação. 
Citamos os heróis da Pátria, que se evidenciaram em momentos estratégicos da nossa História.
Lemos sobre seus atos nos livros de História. 
E os reverenciamos. 
Não menos herói é, no entanto, o bombeiro que entra em um prédio em chamas ou alguém que doa um órgão para salvar uma vida, mesmo que seja a de um estranho. 
Às vezes, o maior ato heroico é simplesmente continuar. 
É o heroísmo de quem enfrenta doenças graves, luto ou pobreza extrema e mantém a integridade e a ajuda aos outros. 
Herói é um pai ou mãe que trabalha em três empregos para garantir o futuro dos filhos sem nunca perder a ternura.
Christopher Reeve, em seu martírio de nove anos de paralisia, depois de seu trágico acidente equestre, disse que o herói é um indivíduo comum que encontra a força para perseverar e resistir apesar dos obstáculos devastadores.
Em resumo, podemos dizer que o herói demonstra sua natureza no exato momento em que o nós se torna mais importante do que o eu. 
Foi o que aquela jovem demonstrou, às vésperas de seu vigésimo terceiro aniversário, naquele fatídico dia de setembro de 1986. 
O voo Pan Am 73 pousara apenas para reabastecimento, quando o avião foi invadido por quatro homens armados, instalando o pânico entre os passageiros. 
Na frente da cabine estava a comissária-chefe, Neerja Bhanot. 
Ela poderia ter se evadido, de imediato. Mas ficou. 
Enviou um sinal aos pilotos, permitindo-lhes escapar pela escotilha de emergência. 
Com isso, frustrou o plano dos terroristas de sequestrar o avião, levá-lo para outro país ou jogá-lo ao chão. 
Foram dezessete horas de terror, que ela enfrentou com calma.
Para que não fossem identificados os passageiros visados pelos terroristas, ela escondeu seus passaportes. 
Neerja acalmou as crianças, abraçou passageiros assustados. 
Não pensou em si mesma. Nem por um segundo. 
Manteve e transmitiu calma. 
Quando a noite caiu, as luzes do avião se apagaram. 
Os terroristas abriram fogo. 
O pânico foi geral. 
A porta de emergência estava aberta e os passageiros correram para ela. 
A comissária permaneceu firme, empurrando as pessoas para fora. 
Quando três crianças ficaram paralisadas de medo, ela as cobriu com seu corpo, recebendo todas as balas.
Ela não sobreviveu àquela noite, mas salvou mais de trezentas pessoas. 
Postumamente, recebeu a mais alta condecoração da Índia por bravura em tempos de paz. 
Um filme lhe foi dedicado. 
Nas companhias aéreas, seu comportamento tornou-se parte dos programas de treinamento. 
Ela se tornou um exemplo de fidelidade além do dever. 
Afinal, quando teve de escolher entre a sua vida e a dos outros, ela escolheu a deles. 
Sem hesitação. Sem medo. 
Nesse dia, guindou-se ao altar dos que se sacrificam pelo bem-estar alheio. 
Ela retornou para a pátria espiritual, coroada dos mais altos louros: o sacrifício da vida pelos outros. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos. 
Em 16.05.2026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

VERBO TRANSITIVO DIRETO

SANDRA BORBA PEREIRA
Ele procurara o psiquiatra porque precisava tomar uma decisão. 
Precisava de quem lhe dissesse que estava certo no que pretendia fazer. 
 O que ele sabia com certeza: era tremendamente infeliz. 
E a primeira frase que saiu de sua boca foi: 
-Doutor, eu não amo mais a minha esposa. Quero me separar. O que o senhor me diz? 
O médico, experiente e calmo, respondeu: 
-Ame a sua esposa. 
O paciente pensou que não se expressara de forma conveniente. 
Ou talvez se tratasse mesmo de um problema de audição.
Diga-se, sempre pensamos assim quando o outro responde de maneira diversa daquela que esperávamos. 
Então repetiu, dessa vez, frisando as palavras: 
-Doutor, preste atenção. Eu estou lhe dizendo que eu não amo mais a minha mulher. Acabou o amor, eu quero me separar. O que o senhor me diz? 
O médico reprisou a mesma frase: 
-Ame a sua esposa. 
-Doutor, estou dizendo ao senhor que eu não amo mais a minha esposa. Perdi todo aquele encantamento. Estou dizendo que eu não a amo. Eu perdi aquele frisson, aquele elã, aquela coisa. 
O médico olhou para ele e esclareceu: 
-O problema do senhor é que o senhor está com a cabeça em Hollywood. 
-Como assim? – Quase gritou o homem ansioso por quem lhe referendasse a decisão. 
-O senhor está querendo o amor cinematográfico. Está querendo aquele amor com cara de adolescente. O que o senhor está querendo é ter aquelas emoções próprias da adolescência, da juventude. Amor é sentimento. Mas amar é verbo e verbo transitivo direto, ou seja, exige ação.
***
Somente descobrimos o amor quando amamos. 
O amor necessita de uma ação. 
É preciso sair daquela preguiça na qual vivemos para buscar o amor. 
Porque o amor se resume em amar.
Então, é preciso sair de nós mesmos, de nossa zona de conforto, para amar. 
O amor resume-se ao exercício de amar. 
Começamos amando, amando e aí ele vai aparecendo.
Estamos falando do exercício que é necessário para que esse sentimento de fato ecloda em nossa intimidade e crie raízes de profundidade. 
É necessário buscar essa construção, que é o exercício de amar. 
A pequena planta necessita de água, ar, luz e calor para viver.
O amor precisa de emoção e de alegria. 
Tem que ser regado, alimentado todo dia. 
E o detalhe importante é nos apaixonarmos pelo menos uma vez por semana. 
Como se cada semana fosse um novo capítulo de um livro que não queremos parar de ler. 
Cada dia, darmo-nos conta de que, mesmo convivendo tanto, ainda existe um universo no outro, um universo a ser explorado. 
Ficarmos atentos a detalhes. 
Algo especial que somente o ser amado tem, como aquele jeito de mexer no cabelo, o sorriso fácil que brota gentil a cada reencontro, mesmo que o período seja curto, da saída pela manhã ao retorno no cair da tarde. 
Estarmos sempre prontos para mudar os planos do cotidiano para fazer algo diferente, saindo da trilha batida e criando uma memória fresquinha e vibrante. 
Selarmos o compromisso, cada semana, de nunca deixar o nós virar paisagem, porque, afinal, amar é verbo transitivo direto. 
Quem ama, ama alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A lei de amor. Porque o amor tudo supera, de Sandra Borba Pereira, proferida na 6ª Conferência Estadual Espírita, em 24.4.2004, no Palácio de Cristal, Círculo Militar do Paraná, em Curitiba/PR. 
Em 15.05.2026

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O QUE É JUSTO, É JUSTO!

Uma vez mais, o noticiário surpreende com um ato inusitado.
 Numa competição de Triathlon, com premiação em dinheiro, o atleta que estava a poucos metros da linha de chegada simplesmente parou. 
Olhou para trás, observando a vinda daquele que seria segundo colocado, e o aguardou. 
Esse passou por ele, ambos fizeram um breve cumprimento com as mãos. 
O atleta que vinha atrás acabou vencendo. 
O que houve? 
Para os olhos de quem é justo, absolutamente correto. 
No trecho de ciclismo, o atleta que venceu, havia, por engano, feito uma volta a mais do que o necessário, o que o havia deixado agora para trás. 
Um erro que, para quem é justo, pode ser facilmente remediado. 
O atleta que iria cruzar a linha de chegada em primeiro lugar sabia disso. 
Sabia que, pela distância em que estava, por justiça, a vitória cabia ao outro, caso não tivesse perdido um tempo precioso.
Então ele esperou. Apenas isso. 
A atitude chamou a atenção. 
O vídeo, mostrando a linha da chegada, tem milhões e milhões de visualizações. 
Curioso como apenas ser justo, agir com naturalidade, ainda é uma espécie de show, fato inusitado, em nosso país. 
Honesto, bom caráter, homem de princípios. 
Assim foram os elogios que ele recebeu. 
Certamente o é.
E os que são assim, ainda se destacam num mundo de tantos comportamentos injustos, mundo de provas e expiações como este que construímos para nós. 
Eles nos mostram as novas qualidades que todos precisamos adquirir para nos tornarmos bons Espíritos. 
Para muitos que agem assim em diversas esferas, quando se pergunta por que o fizeram, simplesmente respondem: 
-Porque é o certo. 
Alguns não conseguem ver outra forma de agir senão essa, e, conforme vão repetindo esses comportamentos, a virtude vai se fixando neles. 
Por isso, passam a agir com plena espontaneidade, a ponto de dizerem: 
-Não fiz nada demais. O que é justo é justo. 
Pensemos nisso.
Conforme formos agindo cada vez mais dentro desse princípio, mais vamos criando raízes fortes dentro de nós.
Haverá um dia em que nenhum pensamento distinto chegará a planar sobre nossa mente com algum convite absurdo e indigno. 
Como ainda muitos vivemos a ideia de levar vantagem sobre o outro, a ideia de sobrevivência a qualquer custo ou a vitória acima de tudo, notícias dessa natureza surgirão como uma espécie de novidade.
Mal sabemos nós que todos podemos fazer isso a todo instante, basta querer. 
Nas mais simples atitudes, sempre ter em mente o justo, o bom para a maioria e não apenas para nosso próprio benefício. 
O que é meu é meu, o que é do outro é do outro! 
Não é assim que ensinamos às crianças desde cedo?
Vejamos que é uma verdade tão óbvia que poderíamos pensar: 
-Não há necessidade de se ensinar esse tipo de coisa! 
Pois bem, pelas tendências que trazemos, ainda precisamos reforçar esses bons comportamentos. 
Notícias como essa são também para educar os adultos, para mostrar a todos nós o quanto é belo ser honesto, respeitar a verdade dos fatos, e o quanto faz bem simplesmente sermos justos. 
Redação do Momento Espírita
Em 14.05.2026