quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A NECESSÁRIA CONVIVÊNCIA

Já nos demos conta de que não são poucos os habitantes de nosso planeta que estagiam em um nível de consciência mais lúcido? 
Com frequência, encontramos aqueles com comportamentos éticos exemplares, com atitudes generosas em relação ao próximo, preocupados com o coletivo e o bem-estar alheio.
São inúmeros a lutar em prol do meio ambiente, contra o racismo, defendendo minorias, buscando igualdade de gênero. 
Muitos outros se dedicam aos desfavorecidos, às populações em situação de rua, aos abandonados, aflitos, distribuindo amor em forma de comida, conversa ou sorrisos. 
Alguns, ainda muito jovens, se encontram à frente de ONGs, defendendo uma sociedade mais igualitária, mais justa.
Outros, profissionais de larga experiência, se engajam em trabalhos voluntários ou mesmo usam sua expertise para causas coletivas e de impacto social. 
Tantos são os voluntários em asilos, creches, escolas, oferecendo solidariedade, suas presenças, amenizando dores.
Todos esses fazem o bem e fomentam a paz na sociedade.
É assim que, impactados por tantos a fazer tanto, passamos também a oferecer um pouco de nós, em prol do mundo.
Começamos a nos esforçar em modificar nossas paisagens íntimas. 
Buscamos nos engajar em causas importantes, e colaboramos para que o mundo seja melhor, a partir de nós.
Nada obstante esse esforço de outros e de nós mesmos, também encontraremos aqueles ainda refratários a tal movimento de progresso. 
São os que agem em prol de si próprios, sem se preocuparem com padrões éticos, desrespeitando leis e vidas em nome de vantagens pessoais e para os seus. 
São esses que fomentam o crime, a corrupção, oprimem os desfavorecidos, defendendo com unhas e dentes seus interesses. 
Como cada um de nós estagia em seu próprio nível de consciência, não deve nos causar alarde, nem constrangimento, encontrar aqueles que ainda não comungam de sentimentos mais nobres. 
Porém, não nos afastemos deles, nem com eles nos antipatizemos, mesmo que gerem dificuldade e criem problemas à nossa volta. 
No esforço de autoiluminação em que nos encontramos, utilizemos da paciência para com esses difíceis companheiros de jornada. 
Se no trânsito encontramos alguém arrogante, em desequilíbrio e insensato, ofereçamos a nossa compreensão e vibrações de paz. 
Logo mais, ele, em momento aprazado, encontrará oportunidade de reflexão e aprendizado. 
Se o colega de trabalho age de maneira irascível, ou se mostra tirano, abusivo, busquemos a palavra firme, porém amiga, fraterna, não sintonizando com as vibrações de sua dificuldade. 
Ele também encontrará, em algum momento, as lições para o despertar da consciência, tal como ocorreu conosco. 
Dessa forma, buscando os primeiros como exemplo, e a esses outros como laboratório de compreensão e empatia, persistamos no esforço de fazer nosso mundo melhor a cada dia. 
Pensemos que em tudo dependemos das mentes mais esclarecidas e dos homens de boa vontade. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.05.2021.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

NOSSO FERMENTO

Colhemos nos registros do Evangelista João as palavras do Cristo dizendo-se o pão da vida, o pão do céu. 
O pão é um dos alimentos mais antigos produzidos pelo ser humano. 
Faz parte da história da humanidade e, além de nutrir o corpo físico, carrega consigo o simbolismo de alimento para o Espírito. 
Originalmente de forma rústica, o preparo do pão foi se tornando mais elaborado ao longo dos séculos, recebendo novos ingredientes para se tornar macio, saboroso e de aspecto convidativo. 
No entanto, para fazer um bom pão, é imprescindível o fermento, que, na sua essência, faz com que a massa se avolume, o que resulta em um pão fofo. 
Se o fermento for ruim, ele não consegue levedar a massa, deixando o pão pesado e difícil de ser digerido. 
Esta dinâmica da panificação nos permite compreender a nossa própria existência e a forma como interagimos com o mundo. 
Nossa vida é, invariavelmente, um fermento espiritual com o qual influenciamos as existências alheias. 
É de nos perguntarmos qual a qualidade do nosso fermento.
Será da malícia e da maldade, representando nossos vícios morais? 
Se assim for, da mesma maneira como um mau fermento arruína toda uma fornada, essa nossa contribuição haverá de prejudicar quantos convivem conosco e que nos recebem, de alguma maneira, a influência.
Porém, se bom for o nosso fermento, estribado na sinceridade e na verdade, multiplicaremos o bem e avolumaremos bons sentimentos ao nosso redor. 
Nossas palavras determinam as palavras de quem nos ouve.
Nossos modos e costumes geram modos e costumes da mesma natureza em torno dos nossos passos, especialmente naquelas pessoas que se situam nos círculos da nossa experiência e do nosso conhecimento. 
Nossas vibrações e ações têm um alcance que muitas vezes desconhecemos. 
Assim como o fermento, esses elementos podem se aninhar nas mentes alheias, levedando-as e multiplicando-se. 
O processo real para reformar e edificar o ambiente ao nosso redor é aceitar as sugestões do bem e praticá-las intensivamente. 
Por isso, temos o dever inadiável de cuidar da qualidade daquilo que espalhamos. 
* * * 
Que tipo de fermento estamos oferecendo a quem convive conosco? Com quais sentimentos estamos alimentando o Espírito daqueles que nos rodeiam? 
Sempre podemos aprender a produzir um bom fermento.
Basta buscá-lo nas palavras e no exemplo daquele que é o pão da vida por excelência, o Mestre Jesus.
Regenerando o pensamento, o caminho que conduz ao Senhor se revela reto e limpo. 
Agindo com o fermento da vontade voltada para o bem, permitiremos que bons sentimentos se avolumem dentro de nós, espalhando-se naturalmente entre aqueles que convivem conosco ou que, de alguma forma, se aproximem dos nossos passos. 
Acionemos a nossa vontade e sejamos o bom fermento, aquele que Paulo de Tarso, escrevendo aos irmãos de Corinto, na Grécia, asseverou: um pouco de fermento leveda a massa toda. Isso salienta a nossa ação individual. 
Podemos ser esse pouco de fermento que avoluma o pão da esperança, nos corações alheios. 
Redação do Momento Espírita com base no Evangelho de João, cap. 6, versículo 35, e na 1ª Epístola aos coríntios, cap. 5, versículo 6.
Em 29.09.2026

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

NAVE ESPACIAL

Filmes de ficção científica já mostraram, com muita riqueza, cenas de naves espaciais imensas cruzando o Cosmo a velocidades espantosas. 
Dentro delas, pequenas cidades. 
Salas, quartos, restaurantes, espaços de lazer, tudo que se possa imaginar. 
Além disso, uma enorme tripulação levando uma vida normal, como se estivesse num planeta qualquer. 
Nem parece estar cruzando o espaço velozmente. 
Uma visão futurística? 
Um futuro distante? 
Na verdade, não. 
Curiosamente, vivemos uma realidade exatamente como essa, sem perceber. 
Somos passageiros de uma grande nave que se desloca rapidamente pelo espaço. 
Ela se chama Terra. 
O planeta gira em torno do Sol a uma velocidade altíssima, cerca de cento e sete mil quilômetros por hora. 
Além disso, todo nosso sistema solar gira em torno do centro da galáxia a uma velocidade de cerca de setecentos e setenta e oito mil quilômetros por hora. 
Poderíamos ir adiante na citação de velocidades, pois nem a Via Láctea está parada. 
No entanto, ficando apenas com estes dados temos uma informação impressionante: a cada minuto a Terra está, no Universo, a dezenove mil quilômetros de distância de onde estava antes.
Isso faz de todos nós viajantes siderais. 
É muito interessante saber que há cerca de dois mil anos imaginávamos que a Terra era o centro do Universo. 
A teoria dizia que o planeta estava parado e o Sol girava em torno dele. 
Era o homem e seu egocentrismo, aflorado em suas crenças. Essa teoria durou quase mil e setecentos anos, e só foi substituída pela teoria heliocêntrica – o Sol como centro do Universo - a muito custo. 
Astrônomos, como Nicolau Copérnico, sofreram para conseguir provar que a proposta anterior precisava ser revista.
O homem não era o centro de tudo. 
O Universo era maior e mais complexo do que se imaginava.
Hoje se sabe um tanto mais. 
Nosso Sol é uma anã amarela, pequenina diante das gigantes estrelas descobertas. 
Nosso sistema solar é reduzida composição num dos braços da imensa Via Láctea, que também não é a maior das milhões de galáxias existentes. 
Tudo isso nos leva a perceber que somos viajores do espaço. No momento, habitamos a espaçonave Terra, mas podemos tripular outras ao longo da grande viagem, de acordo com a necessidade e o merecimento. 
Não somos o centro do Universo. 
Fazemos parte dele, como engrenagens importantes de algo extremamente complexo e belo. 
Por tudo isso, vale a pena refletir sobre nossos propósitos de vida, se estamos nos comportando como viajantes realmente.
Muitos ainda cremos que só existe a matéria; que a vida se inicia no berço e termina no túmulo; que o mais importante é ter do que ser. 
Muitos ainda levamos uma vida egocêntrica, como se o Universo girasse ao nosso redor. 
Todos existem para nos servir, para nos atender, e quando não o fazem se tornam inimigos e incômodos. 
Facilmente nos frustramos. 
Teimamos em nos conservar parados quando tudo ao nosso redor está em movimento, mudando, evoluindo, crescendo em direção à perfeição. 
Assim, enxerguemo-nos como um membro da tripulação Terra, uma nave espacial fantástica que cruza o Cosmo enquanto aprendemos, dia após dia, sobre o amor universal.
Redação do Momento Espírita. 
Disponível na Agenda Momento Espírita 2020, ed. FEP. 
Em 25.03.2019.

domingo, 27 de setembro de 2026

O NÁUFRAGO

Um rico habitante de Atenas navegava com outros passageiros, quando veio uma forte tempestade. 
As ondas tornaram-se gigantes e a embarcação começou a mostrar-se muito instável. 
Violentas rajadas de vento estufavam as velas e batiam contra a estrutura de madeira da nau. 
O barco aguentou por mais alguns instantes, até que virou repentinamente, atirando os passageiros ao mar. 
Enquanto todos os seus companheiros lutavam contra as ondas, procurando se manter vivos, o ateniense não parava de invocar a deusa Atena, prometendo-lhe uma oferenda atrás da outra, se ela o salvasse. 
Então, um dos náufragos, que nadava ao seu lado, disse-lhe:
-Convoca Atena, mas também conta com teus próprios braços... 
* * * 
A lição é simples: contar também com nossos próprios braços... 
Deus, através de Seus incansáveis trabalhadores, atua incessantemente na Terra, em favor de nossas vidas.
Recebemos proteção, inspiração, consolo aos nossos corações nos momentos difíceis, mas precisamos lembrar que o Criador também atua no mundo através dos homens e de suas forças. 
Assim, recebemos as orientações invisíveis, mas elas precisam das nossas ações para se tornarem reais. 
Através da oração, dessa elevação de pensamentos em busca de Deus, pedimos auxílio, amparo nas dificuldades que a vida nos apresenta. 
Mas não podemos esquecer que temos que fazer a nossa parte, com nosso próprio esforço. 
Num naufrágio da vida, quando pedimos para sermos salvos, a ajuda Divina virá na forma de ânimo, coragem, alento à nossa alma, força aos nossos braços, que utilizarão dessas injeções de energia para nadar sem parar e, enfim, chegar a algum lugar seguro. 
O esforço precisa ser nosso para que possamos crescer. 
Para que vençamos as dificuldades e nos tornemos, cada dia, mais fortes. 
Lembremos da lição do Amigo e Mestre Jesus, dizendo que aquele que perseverar até o fim será salvo, mostrando-nos que a felicidade, a paz, estarão nas consequências de nossa perseverança, na luta contínua por nos tornarmos homens de bem. 
Conte sempre com a presença Divina em sua vida, na imagem de um Pai amoroso que faz o possível para ver Seu filho feliz, realizado. 
Mas também enxergue esse Pai como um sábio, que tem plena consciência de que Seu rebento necessita crescer por si próprio, empregando suas forças íntimas nas conquistas que deseja alcançar. 
* * * 
Não se desespere.
Compreenda que todo sofrimento tem um propósito bom em seu viver. 
É ele que nos faz rever nossos atos do passado, rever nossa maneira de agir, de pensar. 
Não desanime. 
Os momentos de angústia parecem não ter fim, mas eles passam. 
Eles passam. 
Após as grandes tempestades, sempre aparece o céu azul.
Tenha certeza disso. 
Redação do Momento Espírita, com base em fábula de Esopo. Em 05.01.2013

sábado, 26 de setembro de 2026

A RIQUEZA DE UM POVO

Markus Gabriel
A Copa do Mundo nos permitiu ver cenas interessantes.
Assistimos a equipes participando por primeira vez de uma copa mundial e dar o máximo. 
Assistimos a técnicos irem às lágrimas ante o bom desempenho dos seus jogadores. 
Vimos as arquibancadas explodirem em manifestações de alegria. 
Porém, foi na Times Square, em Nova York, com suas luzes vibrantes e telões imensos, que pudemos assistir ao verdadeiro espelho da alma de uma nação. 
Em meio à multidão, um bloco rubro de noruegueses tomou o espaço. 
Não com desordem, não com o caos que tantas vezes acompanha as grandes massas, mas com o peso da história e a leveza inconfundível da civilidade. 
Sob a cadência de um tambor compassado, centenas deles se agachavam em uníssono. 
O movimento era um só: braços esticados para a frente, sendo recolhidos com força em direção ao peito. 
O grito forte que ecoava de suas gargantas era Ro!, o antigo comando ancestral para remar. 
Havia naquela coreografia espontânea uma sincronia belíssima, quase reverencial.
Era a demonstração viva de que a verdadeira força de um povo não reside no barulho desordenado, mas na sua capacidade de agir como um corpo único, coordenado, consciente de si e do respeito ao olhar do outro. 
Foi uma profunda aula de educação, de pertencimento e de propósito. 
* * * 
O que faz com que centenas de pessoas compreendam que, para o barco avançar, todos precisam puxar o remo na mesma direção? 
A resposta repousa em uma única e poderosa palavra: educação. 
Quando uma nação decide, com seriedade, investir na educação dos seus filhos, ela não está apenas transmitindo conteúdos acadêmicos ou preparando mão de obra. 
Ela está lapidando o espírito humano. 
Está forjando o caráter de seus futuros construtores. 
Está ensinando que o espaço público é sagrado, que o direito de um indivíduo se harmoniza com o dever para com o próximo, e que o sucesso de toda a comunidade depende do esforço conjunto. 
Um povo educado compreende que a pátria não é um mero pedaço de terra delimitado por fronteiras geográficas. 
É um barco imenso que abriga a todos. 
Se uns remam contra, ou se recusam a remar por indiferença, o barco gira em falso e a tempestade ameaça a todos.
Quando a instrução do intelecto se alia à nobreza dos sentimentos, formam-se cidadãos verdadeiros. 
Cidadãos que não esperam de braços cruzados que o país resolva todas as suas dores, mas que se levantam com a vontade férrea de trabalhar juntos. 
Que sentem orgulho de fazer o seu melhor, não para a própria glória, mas para deixar um legado de luz, de ordem e de progresso para as gerações que virão. 
A verdadeira riqueza de um povo caminha por suas ruas, senta-se nos bancos escolares e revela-se na civilidade de seus gestos cotidianos. Pensemos nisso. 
Que possamos, em nossos lares e em nossas escolas, nas pequenas e grandes atitudes de todos os dias, aprender a remar juntos. 
Assim, embalados pela cadência do bem comum, faremos com que o barco da nossa nação navegue, seguro, rumo ao porto de um futuro mais justo, próspero e feliz. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O eco de duas margens de Markus Gabriel em 06.07.2026. 
Em 25.09.2026

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O NAUFRÁGIO DE MUITOS INTERNAUTAS

Mario Sergio Cortella
Alice estava desnorteada, e encontrando um gato sentado sobre o galho de uma árvore, perguntou-lhe: 
-O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho tomar para sair daqui? 
-Isso depende muito de onde você quer ir... - Respondeu o gato com um sorriso enigmático de orelha a orelha. 
-Não me importa muito para onde... - Afirmou Alice. 
O felino sentenciou: 
-Então não importa o caminho que você escolher. Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. 
* * * 
Nestes tempos de informações abundantes, de possibilidades infinitas, de tecnologia surpreendente, fazem-se necessários alguns cuidados. 
Cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da Humanidade na era do conhecimento. 
Exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a primeira riqueza. 
Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas é a internet. 
É neste ponto que precisamos ir devagar com as coisas. 
Não se deve confundir informação com conhecimento. 
A internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação.
No entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento - ao contrário da informação - não é cumulativo, mas seletivo. 
Seria como alguém que entra numa dessas grandes livrarias, sem saber muito bem o que deseja. 
Corre o risco de entrar em pânico, tendo a sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo. 
Faz-se fundamental o critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha.
Os computadores e a internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido. 
Ferramenta não tem objetivo em si mesmo. 
É instrumento para outra coisa, para outro fim. 
O critério, o equilíbrio nos permitirão, assim, poder utilizar desse ferramental com sabedoria, na dosagem certa, no momento adequado. 
Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo.
Esquecem-se de se perguntar:
-Eu quero isso para mim? Eu preciso disso? Para que serve? Aonde desejo ir? 
Nos tempos de hoje, se não formos muito cuidadosos, corremos o risco de navegar na internet, e naufragar. 
Sêneca, sabiamente, já havia dito, que nenhum vento é a favor, para quem não sabe para onde ir. 
* * * 
David Hume, afirmava: 
-Por conhecimento, entendo a certeza que nasce da comparação de ideias. 
Para que nasça o conhecimento é necessário pensar, comparar, conectar ideias. 
Nenhuma informação poderá ser tomada por verdade, por conhecimento, antes de amadurecer dentro da alma humana.
Sabedoria não se transmite. 
É preciso que nós mesmos a descubramos depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar.
Redação do Momento Espírita com base no texto O naufrágio de muitos internautas, do livro Não nascemos prontos - provocações filosóficas, de Mario Sergio Cortella, ed Vozes. Em 02.02.2026

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A NATUREZA ENSINA

Abraham Cressy Morrison

É comum contemplarmos a criatividade de costureiros e alfaiates. 
Algumas criações realmente nos causam admiração, pela concepção das linhas, a arte, beleza, leveza. 
Eles unem tecidos, fios, botões, flores, joias e compõem uma vestimenta que, diríamos, digna de um rei. 
Não menos admiráveis são certas edificações erguidas pelo homem.
Edifícios que parecem escalar as nuvens, formas arrojadas, concepções extraordinárias que imitam um olho, uma nave espacial, uma agulha desejando alcançar alturas. 
Obras de ousados costureiros, engenheiros e arquitetos. 
Entre as aves, existe um pequeno pássaro, nativo da Ásia tropical, cuja característica mais intrigante não é o canto, mas sua extraordinária engenhosidade na construção do ninho.
Normalmente, a fêmea escolhe folhas sólidas a, no mínimo, metro e meio do solo e no final dos galhos, onde existe menos chance de serem alcançadas pelos predadores. 
Ela testa as dimensões e a resistência das folhas, se enrolando nelas. 
Consideradas ideais as condições, a fêmea operosa começa a trabalhar. 
Com os pés, puxa duas folhas e com o bico perfura as bordas de uma e de outra. 
Nesses orifícios, com fibras das plantas ou teias de aranha, ela começa o processo de confecção de um berço. 
A costura é primorosa. 
O ninho não se desmancha, seja pelo material usado, seja pelo complexo padrão da costura. 
Um ninho pode ter entre cento e cinquenta a duzentos pontos. Ver essa ave trabalhar é realmente encantador. 
Se, no processo de construção, acontece de uma das folhas se rasgar, o pássaro alfaiate lida com isso, sem problema, acrescentando outra folha. 
Caso sejam irreparáveis os danos, sem cansaço, tudo recomeça do início. 
Pronto o ninho, a fêmea o preenche com penas e material vegetal para a incubação dos ovos e a recepção dos filhotes.
Fantástico! Eis aí um costureiro/ arquiteto/ engenheiro. 
É de nos perguntarmos: quem ensinou a esse pássaro essa técnica primorosa? 
Buscar a matéria-prima ideal, o local de mais difícil acesso a predadores, testar a resistência, dar-lhe a forma de que necessita para abrigar os filhotes. 
Sabemos que o que rege os animais é o instinto, essa inteligência rudimentar. 
As manifestações do instinto são espontâneas e variam conforme as espécies e suas necessidades. 
Mas que coisa espetacular é o instinto nos animais. 
Entre nós, humanos, a ciência, a arte, o saber são passados, de geração a geração e, a partir da base aprendida, o homem cria variações e aprimoramentos, graças à sua inteligência. Isso se chama progresso. 
Lei Divina. 
O instinto é sempre a mesma nota melódica. 
Sempre o mesmo, lei que estabelece científica e matematicamente o equilíbrio da flora e da fauna na face da Terra. 
Por isso, os que temos olhos de ver, ao contemplarmos a natureza e suas nuances, nos indagamos: 
-Quem deu o instinto aos animais? 
-Quem estabeleceu coisas tão impressionantes a cada espécie para lhes assegurar a vida? 
E é o vento que nos responde, numa sequência de sons, como um mantra recitado em uníssono: 
-Foi Deus, o Criador. Foi Deus, o Pai. Foi Deus, Amor.
Redação do Momento Espírita, com frase da obra Sete razões pelas quais um cientista crê em Deus, de Cressy Morrison, ed. Fleming H. Revell. 
Em 04.11.2021.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

SUBLIME PARCERIA

Tilly Smith
Alguma vez já nos detivemos a refletir sobre o poder contido em uma semente de conhecimento? 
E sobre a aliança sagrada que se forma entre a alma que ensina e o coração que se dispõe a aprender?
A história que compartilhamos hoje nos convida a uma profunda meditação sobre essa sublime parceria. 
Ela se chamava Tilly Smith e tinha apenas dez anos de idade. 
Era a manhã de 26 de dezembro de 2004. 
A menina desfrutava de suas primeiras férias fora do país. 
Um presente de Natal junto à família, na belíssima praia de Mai Khao, na Tailândia. 
O cenário parecia um pedaço do paraíso na Terra. 
De repente, o mar começou a agir de um modo estranho. 
A água não se movia com a serenidade habitual. 
A superfície tornou-se espumosa, borbulhante, inquieta. 
Para os muitos banhistas ao redor, aquilo era apenas algo inusitado da natureza. 
Um fato curioso. 
Mas, para Tilly, aquele mar revolto era um sinal. 
Apenas duas semanas antes, em sua escola, o professor de geografia Andrew Kearney havia ministrado uma aula sobre tsunamis. 
Ele explicara para a turma as mudanças repentinas no comportamento do mar: recuos incomuns, água turva e o oceano se movendo de forma anormal. 
Vejamos a importância do bom professor e da boa aula.
Aquele educador não se limitava a obedecer a um currículo.
Ele estava entregando a seus alunos ferramentas de compreensão do mundo. 
Porém, detalhe que não podemos esquecer: a semente do ensino, por melhor que seja o semeador, exige solo fértil para germinar. 
É aí que brilha o segundo milagre dessa história: a excelente atenção da aluna. 
Naquela sala de aula, Tilly acolheu o conhecimento, permitiu que a lição penetrasse em sua mente. 
E, então, na praia ensolarada, reconhecendo os sinais exatos do que havia aprendido, Tilly começou a gritar, alertando que um tsunami estava chegando. 
De início, ninguém lhe deu atenção. 
Não havia onda gigante à vista, o céu estava limpo.
Entretanto, a convicção na voz da menina era tão assustadora que seu pai decidiu acreditar. 
O alerta se espalhou. 
A equipe do hotel começou a retirar as pessoas da praia.
A família de Tilly alcançou a segurança. 
Então, a terrível muralha de água de quase 9 metros chegou.
O tsunami do Oceano Índico levou centenas de milhares de vidas naquele triste dia. 
Mas, naquela praia específica de Mai Khao, ninguém morreu.
Tudo porque uma criança prestou atenção em uma aula. 
Mais tarde, chamada de o anjo da praia e homenageada internacionalmente, Tilly fez questão de esclarecer: 
-Não foi intuição, nem heroísmo. Foi conhecimento. Uma única aula, duas semanas antes, transpôs as paredes de uma escola e salvou uma centena de vidas. 
* * * 
Aprendamos a valorizar e abençoar os mestres que dedicam suas vidas a ensinar. 
Como educadores, preparemos nossas lições, nas escolas, nos lares ou na convivência diária, com amor e profundidade.
Também saibamos, como a pequena Tilly, ser alunos atentos na grande escola da vida, guardando na alma os ensinamentos que, um dia, poderão ser a luz a guiar os nossos passos e a proteger os nossos irmãos. 
Pensemos nisso... 
Redação do Momento Espírita, com base em fato da vida da britânica Tilly Smith, que circula em redes sociais. 
Em 23.09.2026

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O NATURALISTA CRISTÃO

MALBA TAHAN
Abuzit, famoso naturalista, morava em Genebra. 
Todas as manhãs, com a maior cautela, ele media a pressão do ar e anotava-a cuidadosamente.
Assim ele procedia, seguindo a marcha de seus estudos, a vinte e dois anos. 
Um dia, uma nova criada começou o serviço por uma grande limpeza no seu gabinete de trabalho. 
Abuzit, ao entrar, perguntou-lhe preocupado:
-“Onde você pôs os papéis que estavam aqui, junto ao barômetro?” 
-“Queimei-os, senhor.” – respondeu a moça com tranqüilidade –“estavam sujos e amarelados. Mas não se preocupe, patrão, porque coloquei papel limpo no lugar deles.” 
O naturalista, num relance, deu-se conta do desastre. 
A jovem, por ignorância, havia atirado ao fogo todas as tabelas numéricas, destruindo o trabalho metódico e paciente de vinte e dois anos.
O que lhe disse, então o sábio?
Cruzou os braços, quem sabe para reprimir a tempestade que ameaçava se desencadear nele, e depois falou-lhe com serenidade: 
-“Você acaba de atirar ao fogo o resultado de vinte e dois anos de trabalho. De hoje em diante, peço-lhe encarecidamente que não toque em coisa alguma que estiver no meu gabinete.”
Reagir violentamente às ofensas e aos prejuízos que nos atingem as fibras mais íntimas não resolve os dramas estabelecidos. 
Ao contrário, em geral a reação violenta costuma causar novos males, em um ciclo contínuo. 
Paulo, o apóstolo dos gentios, orienta-nos que não devemos deixar que o sol se ponha sobre nossa cólera. 
Jesus, irmão e mestre, convida-nos à reconciliação com os nossos inimigos, enquanto estamos a caminho. 
Ele nos ensina que o sacrifício mais meritório aos olhos de Deus é aquele que diz respeito ao ressentimento superado pela criatura. 
Questionado sobre tal tema, Jesus afirmou que devemos perdoar não apenas sete vezes a ofensa recebida, mas sim, setenta vezes sete vezes. 
Estabeleceu, assim, o perdão incondicional e ilimitado. 
O exercício do perdão ensina às criaturas o esquecimento de si mesmas, tornando-as invulneráveis às injúrias e aos maus procedimentos. 
Além disso, o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal sofrido. 
Não há nenhum merecimento em relevar agravos que não passam de simples arranhões e que não nos atingiram efetivamente. 
Tampouco pode o perdão das injúrias ser um termo vão, que atinge apenas os lábios. 
O verdadeiro perdão é aquele que lança um véu sobre o passado, esquecendo completa e absolutamente qualquer ofensa. 
Somos responsáveis também pelos nossos pensamentos, os quais, todos, são conhecidos do Pai Criador, que sabe o que pulsa no coração de cada um de seus filhos. 
Ele não se satisfaz com meras aparências, sondando o recesso de nossos corações e nossos mais secretos pensamentos. 
Extirpemos de nossa intimidade qualquer sentimento de rancor, a fim de sermos merecedores do perdão que nós próprios pleiteamos perante Deus. 
Pense nisso! 
Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio. 
Perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade.
Perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era.
Perdoemos a fim de que Deus nos perdoe, porque se formos intransigentes e inflexíveis para com nossos irmãos, como poderemos querer que o pai seja indulgente para com as nossas faltas? 
Pensemos nisso! 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, p. 100, 22ª edição, Editora Record e capítulo X de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

SEMIMORTOS

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Quando lemos a parábola do bom samaritano, narrada por Jesus, é comum imaginarmos aquela estrada antiga e poeirenta que descia de Jerusalém para Jericó. 
Imaginamos o homem caído, espoliado e ferido pelos assaltantes, esperando por algum tipo de socorro à beira do caminho. 
No entanto, se olharmos ao nosso redor, perceberemos que essa estrada é muito mais atual do que parece. 
Ela atravessa as nossas cidades, passa pelos nossos locais de trabalho e, muitas vezes, cruza os corredores da nossa própria casa. 
O Espírito Emmanuel, com sua profunda sensibilidade, nos lembra que hoje, nas estradas do mundo moderno, encontramos aqueles a quem ele chama de os semimortos da alma. 
Eles não estão sangrando pelas feridas do corpo físico, mas carregam dilacerações invisíveis que doem profundamente e lhes roubam a alegria de viver. 
Quem são eles? 
São os caídos aos golpes da incompreensão e da intolerância, numa sociedade cada vez mais exigente. 
São os desorientados que o ateísmo e o materialismo empurraram para o nevoeiro do sofrimento sem sentido. 
São os mutilados da mente, que foram atropelados pela calúnia e pela maledicência em pleno trabalho edificante. 
São os cansados da solidão, que caminham no meio da multidão, rodeados de pessoas, mas se sentindo completamente invisíveis e abandonados. 
São aqueles que se emaranharam nos espinhos da revolta, são as vítimas do desânimo profundo, os prisioneiros da obsessão, os envenenados pelo desespero e os esquecidos na sombra da ignorância. 
Quantas vezes nós mesmos passamos por eles como os indiferentes da parábola? 
Com a nossa pressa, com os olhos focados nas telas dos nossos celulares ou nos nossos compromissos inadiáveis, simplesmente passamos adiante. 
Dizemos a nós mesmos que não temos tempo, que não queremos nos envolver ou que o problema é exclusivamente do outro. 
Entretanto, Jesus nos convida, com a doçura de sempre, a sermos os samaritanos da estrada. 
O samaritano é aquele que interrompe a própria viagem, abre mão do seu tempo e dos seus interesses, porque o amor e a compaixão lhe falam mais alto ao coração. 
É aquele que se aproxima do irmão caído e derrama o óleo do carinho e o vinho da esperança nas suas feridas. 
Esse óleo e esse vinho podem se traduzir num abraço demorado, numa palavra de estímulo, num bom dia sincero e caloroso, ou apenas no silêncio respeitoso de quem se senta ao lado e oferece uma escuta atenta, sem cobranças e sem julgamentos. 
Pensemos nisso. 
Somos Espíritos imortais, fazendo uma rápida viagem educativa pela escola e oficina do planeta. 
A Terra é tão somente uma estalagem aonde chegamos ontem e da qual partiremos amanhã pela manhã. 
Ao término dessa jornada, levaremos conosco apenas aquilo que aprendemos e o amor que semeamos. 
Não deixemos que o nosso irmão continue caído na estrada da vida. 
Sejamos a mão estendida, trazendo de volta à luz e à esperança aqueles que o mundo, na sua indiferença, deixou semimortos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Nós, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no Evangelho de Lucas, cap. 10, versículos 25 a 37. 
Em 21.09.2026

domingo, 20 de setembro de 2026

NA SOLIDÃO DO CAMINHO

EMMANUEL e CHICO XAVIER(+)
Um palestrante, em certa oportunidade, afirmou que, à medida que somos promovidos na hierarquia das organizações, enfrentamos progressiva surdez. 
Trata-se de uma metáfora, que nos merece acurada reflexão.
Ela nos diz que, ao galgarmos degraus de poder e responsabilidade, perdemos, forçosamente, a identificação com os companheiros de jornada. 
Passamos a viver em outro círculo. 
Com isso, perdemos o contato com grande parte dos antigos colegas de caminhada profissional. 
Em nossa vida religiosa, algo semelhante, por vezes, acontece. 
Quando nos decidimos a trilhar as sendas de iluminação e elevação, descobrimos que são caminhos em desertos de solidão. 
Quando avançamos em conhecimento e consciência, deixamos para trás as tolices da imaturidade, para nos encontrarmos com o chamamento ao dever, ao qual nos afervoramos. 
Abandonamos os vales dos prazeres fugazes e dos pensamentos rasos, abraçando com alegria e comprometimento outro modo de ser, que reflete um novo eu.
Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, marcou com incomparável beleza esse momento de transformação, assinalando: 
-Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino. Quando me tornei homem, acabei com as coisas de menino. 
Nesse processo de crescimento, a claridade que nos invade o coração vem acompanhada de um profundo e martirizante silêncio, que nos fere a alma sensível quando nossos amores ficam para trás. 
A felicidade de saber que subimos um degrau na montanha da evolução contrasta com a dor de não sermos compreendidos, de não termos com quem compartilhar. 
Os corações que nos buscavam para partilhar das mesmas fantasias são agora nossos estranhos. 
Porque falamos outra linguagem, amigos do passado não conseguem nos compreender. 
Somos como a semente que vive a dor de romper a casca na cova solitária, em busca do próprio desabrochar. 
Como a lagarta, trocamos o rastejar por nova roupagem que nos permitirá voos libertadores em círculos mais altos e de maior compromisso. 
E tudo isso nos modificou e nos transformou numa versão aprimorada de nós mesmos. 
* * * 
Nesses momentos, quando nos propomos à nossa melhoria, recordemos Jesus e aprendamos com Ele. 
Subiu sozinho o Calvário, enfrentando uma morte desonrosa e sem culpa, tendo por companhia compulsória dois malfeitores.
Tomou a Sua cruz sem reclamar e seguiu, conforme ordenava a justiça dos homens. 
Não relacionou, em Sua defesa, os bens que distribuiu, as pessoas que curou, os pecadores que salvou, as viúvas que amparou, as crianças que abençoou, as lições que espalhou.
Entregou-se ao sacrifício, perdoando e rogando ao Pai que perdoasse a todos pela inconsequência em que se encontravam. 
Façamos como o Amigo Divino. 
Guardemos a certeza de que, na solidão do aprendizado, na subida da montanha do conhecimento e da autoiluminação, Ele sempre estará conosco. 
E os que ficarem na retaguarda nos haverão de reencontrar, em algum momento, em alguma dobra do caminho, igualmente renovando-se. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 70, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 27.06.2025.

sábado, 19 de setembro de 2026

MARIA DE NAZARÉ

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais 
É com esta denominação que a Mãe de Jesus foi eleita para ser a protetora de Curitiba, a capital paranaense. 
E existem outras tantas denominações com que é lembrada a Mãe de Jesus. 
De acordo com o local, as circunstâncias, Ela recebe o adjetivo. 
Nossa Senhora de Fátima, de La Salete, dos Navegantes, Imaculada Conceição, Nossa Senhora Aparecida. 
Algumas das denominações têm a ver com aparições de Espíritos luminosos. 
Apresentando-se com características femininas e excelsa beleza, foram tomados pela própria Mãe de Jesus. 
Foi somente na segunda metade do século quarto que Maria passou a ser objeto de culto. 
Na Armênia, na Gália e na Espanha, os documentos do século sexto registram um dia consagrado à Maria. 
Em Roma, as festas em Sua homenagem aparecem só no século VII. 
Não se sabe ao certo se as aparições eram realmente da Mãe de Jesus. 
No entanto, todas as religiões cristãs reverenciam a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
No Espiritismo também aprendemos a reconhecer em Maria uma entidade muito evoluída.
Há mais de dois mil anos já havia conquistado elevadas virtudes que a tornaram apta a desempenhar, na crosta terrestre, a elevada missão de receber nos braços o emissário de Deus. 
Emissário que se fez menino para se transformar no modelo de perfeição moral que a humanidade pode pretender sobre a Terra. 
Após o episódio da crucificação do filho, Maria permanece um curto período em Bataneia. 
Depois se transfere, com João Evangelista, para Éfeso. 
Ali estabelece um pouso e refúgio aos desamparados. 
Com João, passa a ensinar as verdades do Evangelho. 
Em poucas semanas, a casa de João se transforma num ponto de assembleias adoráveis. 
Maria fala das Suas lembranças. 
Fala sobre Jesus com maternal enternecimento. 
Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados passam a frequentar o sítio generoso. 
São velhos e desenganados do mundo que vêm ouvir as palavras confortadoras. 
São enfermos que invocam Sua proteção.
Infortunados que pedem a bênção de Seu carinho. 
Sua morada passa a ser conhecida como a Casa da Santíssima. 
Assim foi até Sua morte. 
Ao libertar-se do vaso físico, Ela deseja rever a Galileia. 
Fora ali que Seu filho apresentara as mais belas canções da Imortalidade. 
Em seguida, visita os cárceres de Roma, repletos de discípulos do Mestre, que aguardam a morte. 
Conforta-os e lhes transmite bom ânimo. 
Na Espiritualidade, Jesus lhe confia a assistência aos suicidas. 
Esses Espíritos, em profundo sofrimento no Além, são atendidos pela Legião dos Servos de Maria. 
Maria é, pois, a sublime acolhedora desses Espíritos que se arrojaram aos abismos da morte voluntária. 
Todas as petições que a Ela são dirigidas, são acolhidas pelos Seus emissários. 
Examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria. 
Maria de Nazaré prossegue amparando com imenso amor maternal a humanidade inteira. 
Os espíritas a reconhecem como Ser Sublime que, na Terra, mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitude maternal, Aquele que foi o redentor dos homens, nosso Mestre e Senhor Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados históricos colhidos no verbete Maria, na Enciclopédia Mirador, v.13, ed. Encyclopaedia Britannica do Brasil. 
Em 19.09.2026

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ROCHA VIVA

CHICO XAVIER(+) e EMMANUEL
Pedra é algo que nos remete, geralmente, ao pensamento de algo que incomoda. 
Pensamos na rigidez, na frieza, naquilo que não tem vida e que nos machuca ou nos impede de avançar. 
Quando desejamos expressar que algo está criando uma dificuldade para alcançar um objetivo, dizemos que há uma pedra no caminho. 
No entanto, Jesus, o maior intérprete de almas que já pisou na Terra, olhava para as coisas de um jeito diferente. 
Para Ele, uma pedra não era apenas um obstáculo. 
Podia ser um alicerce. 
Onde, habitualmente, vemos algo duro e inflexível, o Mestre via firmeza, base segura, fundação para se construir uma casa que os ventos não abalassem, nem a tempestade viesse a derrubar. 
E foi usando essa exata figura que Ele olhou para um pescador impulsivo, cheio de falhas, e o chamou de rocha viva da fé. 
Por que exatamente Pedro, entre os doze? 
Se nós fôssemos escolher alguém para ser a rocha de um projeto mundial, talvez buscássemos a pessoa mais perfeita, inabalável e culta. 
Jesus escolheu Simão Pedro. 
Um homem que tinha medo, que afundou na água quando duvidou, que cortou a orelha de um soldado num ímpeto de raiva e que, na hora mais difícil, O negou três vezes.
Por que, então, chamá-lo de rocha? 
Porque Jesus não estava olhando para o Pedro daquele momento. 
Ele olhava para o potencial daquele Espírito. 
Uma pedra, antes de ser o alicerce de um templo, de um edifício, passa por pancadas, é lapidada, perde as arestas. 
As dores e os erros de Pedro foram o cinzel que tirou o excesso de orgulho e impulsividade, revelando a rocha forte que havia por baixo. 
Prestemos atenção ao adjetivo que Jesus confere à rocha: viva. 
Uma rocha morta é a rigidez, a dureza das regras sem amor.
Uma rocha viva, por outro lado, é firme nas convicções, mas pulsa de compaixão. 
Ela dá sustentação aos outros. Sabe se adaptar para acolher. Pedro se tornou essa rocha viva. 
Depois da partida de Jesus, foi ele quem sustentou os primeiros cristãos, apaziguou contendas e deu a vida pela mensagem. 
* * * 
A história de Pedro é a nossa história. 
Quantas vezes nós também prometemos mundos e fundos a Jesus em nossas orações, e logo depois tropeçamos, negamos nossos valores e afundamos no mar das próprias dúvidas?
Quantas vezes afirmamos que O seguiríamos em todos os momentos e, no entanto, ante percalços maiores, O negamos? 
Ou seja, nos sentimos fracos, esquecidos de que Ele segue conosco. 
Mesmo assim, o Mestre continua nos chamando para sermos pedras de construção. 
Ele confia na nossa capacidade de transformação. 
Toda vez que escolhermos perdoar em vez de revidar, estaremos sendo rocha viva. 
Toda vez que mantivermos a esperança quando tudo der errado, estaremos demonstrando a nossa firmeza. 
Que possamos nos tornar rocha viva, alicerce seguro e amoroso na vida daqueles que caminham ao nosso lado. 
Que possamos ser considerados ditosos por trabalharmos juntos e unirmos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra que nos foi dada a realizar. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 124 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 18.09.2026

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

NAS MÃOS DE DEUS

Há momentos em que nossas mãos parecem pequenas demais. 
Tentamos segurar tudo ao mesmo tempo: problemas, decisões, medos, responsabilidades. 
Apertamos forte, como se o controle fosse a solução. 
Porém, descobrimos que nem tudo pode caber em nossas mãos. 
Há limites que não são fraquezas, são aprendizados. 
Há dores que não conseguimos resolver. Situações que fogem do nosso alcance.
Perguntas que não encontram resposta imediata. 
É nesse instante que aprendemos uma lição essencial: aquilo que não cabe em nós deve ser colocado nas mãos de Deus.
Conta-se que uma enfermeira que trabalhava em uma UTI neonatal, cuidava de bebês extremamente frágeis. 
Sabia exatamente o que fazer tecnicamente. 
Dominava os protocolos, conhecia os equipamentos. 
Ainda assim, havia dias em que nada parecia suficiente. 
Certa noite, um recém-nascido não respondeu aos tratamentos esperados. 
A equipe fez tudo o que estava ao alcance. 
Ao final do plantão, exausta e frustrada, a enfermeira percebeu que suas mãos tremiam. 
Não de medo, mas de cansaço emocional. 
Antes de sair, voltou ao leito, ajustou o cobertor, tocou delicadamente o bebê e, em silêncio, fez algo diferente do habitual. 
Não pediu resultados. 
Não pediu controle. 
Apenas depositou nas mãos de Deus o que não cabia em suas mãos. 
Asserenou a própria alma. 
Entregou aquele pequeno ser a quem decidira por tê-lo como seu filho, na Terra. 
Determinar-lhe o rumo da existência competia a Ele, somente a Ele. 
***
Nas mãos de Deus cabem nossas dores. 
Mesmo aquelas que não sabemos explicar. 
Cabem as lágrimas silenciosas, as noites difíceis, as feridas que teimam em não cicatrizar. 
Cabem nossas esperanças, os sonhos interrompidos, os planos que não saíram como desejávamos, os caminhos que precisaram ser mudados.
Deus não despreza nossos projetos, mas sabe quando é preciso ajustá-los ao que realmente nos fará crescer. 
Nas suas mãos cabem todas as nossas escolhas. 
As acertadas e as equivocadas. 
Quando entregues com humildade, até os erros se transformam em aprendizado. 
Deus não nos condena pelo tropeço. 
Ele nos convida ao recomeço. 
Cabem, sobretudo, os silêncios. 
Aqueles momentos em que oramos e não ouvimos resposta. O silêncio de Deus não é abandono. 
É trabalho invisível. 
É cuidado que acontece sem anúncio, preparando o que ainda não conseguimos ver. 
Confiar nas mãos de Deus não é cruzar os braços. 
É fazer o que nos cabe e entregar o que ultrapassa nossas forças. 
É compreender que nem sempre teremos explicações, mas sempre teremos amparo. 
A fé não elimina os desafios, mas muda a forma como caminhamos entre eles. 
Quando colocamos nossas dores nas mãos de Deus, elas não desaparecem, mas encontram direção. 
Quando entregamos o futuro, ele deixa de ser ameaça e passa a ser caminho.
Nada se perde nesse processo. 
Por isso, diante do que não compreendemos, diante do que não conseguimos mudar, saibamos dizer, com fé e serenidade, a frase que nos foi ofertada pelo Mestre de Nazaré: 
-Pai, seja feita a vossa vontade assim na Terra como nos céus. 
Redação do Momento Espírita 
Em 24.04.2026

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

NAS LEIS DO DESTINO

CHICO XAVIER e EMMANUEL
Há quem pense que o Criador, por vezes, sentencia Suas criaturas a sofrimentos eternos. 
Contudo, tanto quanto se pode perceber, o Pai Celestial se manifesta através de leis que expressam ser Seu objetivo o bem supremo.
Essas leis podem ser observadas mesmo nos processos rudimentares do campo físico. 
O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado. 
Entretanto, se colocamos a mão no braseiro, é natural que venhamos a sofrer dolorosas consequências. 
A máquina é parte acessória do progresso.
Mas em mãos que não a saibam manusear, pode se converter em instrumento de destruição. 
Negligência, imperícia ou indisciplina na sua utilização causam resultados desastrosos. 
Ocorre o mesmo nos planos da consciência. 
Na matemática do Universo, o destino sempre dá para a criatura o que ela lhe der. 
É inútil que autoridades de um ou outro princípio religioso pintem o Todo Poderoso com as tintas das paixões humanas.
Com frequência, ouvimos interpretações que assemelham Deus a um soberano rodeado de púrpura e riquezas. 
A alguém que fica simplesmente governando Seus súditos à distância. 
Segundo esses relatos, Ele se enraivece por falta de louvores ou pela desobediência dos Seus filhos.
Também se envaidece com adulações. 
Os que assim apresentam a Divindade podem estar movidos de santos propósitos. 
Talvez raciocinem sob o influxo de lendas e tradições respeitáveis do passado longínquo. 
Mas se esquecem de que, mesmo perante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra. 
Deus é amor. Amor que se expande do átomo aos astros. 
Mas é justiça também. Justiça que atribui a cada Espírito segundo o que ele próprio escolheu. 
Nosso Mestre Jesus disse que a cada um seria dado segundo as suas obras. 
Sendo amor, Deus concede à consciência transviada tantas experiências quantas necessite, a fim de retificar o próprio caminho. 
Sendo justiça, ignora privilégios de qualquer ordem. 
Para Ele, todos são iguais, filhos do Seu amor. 
Jamais afirmemos, portanto, que Deus privilegia a uns e condena a outros. 
Recordemos que não podemos raciocinar pelo cérebro alheio. Também não podemos nos alimentar pela boca do próximo.
Cada um é o responsável pelas suas próprias ações. Deus nos criou a todos para que nos engrandeçamos, para que realizemos o progresso, de ordem intelectual e de ordem moral. 
Em uma palavra, para que alcancemos a felicidade no mais amplo sentido. 
Para isso, sendo amor, nos proporciona um caminho de bênçãos e de luzes. 
Sendo justiça, determinou que cada Espírito possuísse vontade e razão. 
Assim, nenhum de nós é vítima senão de si mesmo. 
Cada qual nos adiantamos ou nos atrasamos, conforme queiramos, no decorrer de incontáveis existências. 
O livre-arbítrio vigora amplamente no Universo. 
Apenas é necessário arcar com as consequências das próprias opções. 
Dessa forma, nossa vida, aqui ou no Além, será sempre o que quisermos, ou seja, o que dela fizermos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. LI, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 27.12.2018.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

COMO JESUS NOS VÊ

e CHICO XAVIER(+)
Por vezes, ao pousarmos os olhos sobre nós mesmos ou sobre o próximo, permitimos que uma severidade implacável embace a nossa visão. 
Julgamos com o imediatismo da carne, medindo a eternidade pelo tamanho das imperfeições do hoje. 
Será que o bom Mestre de Nazaré olha dessa forma a humanidade, ainda tão ignorante, com tantos defeitos? 
Ele, o puro por excelência, não se serve das lentes frias do julgamento. 
Onde o mundo aponta criaturas frágeis e caídas, o Seu olhar identifica seres que lhe foram confiados pela Divindade para a correta condução. 
Onde nosso orgulho enxerga apenas ignorância, Jesus acolhe corações sedentos de rumo, almas que tateiam na penumbra ansiando por se libertar da lama que as prende ao chão. 
Para ele, nosso Irmão Maior, ainda guardamos a fragilidade de crianças imaturas. 
Nossos passos trôpegos e rebeldias passageiras clamam pelo amparo constante e por Seu terno desvelo. 
Essa delicadeza compassiva moldou cada passo de Sua trajetória terrena.
Enquanto os homens viam na manjedoura apenas um canto rústico e esquecido para os animais, Jesus apresentou a própria presença aninhada na simplicidade da natureza.
Transformou a palha em um poema de excelsa beleza. 
O Seu olhar sempre enxergou o que estava oculto nas profundezas da alma.
Para a mulher de Magdala, cruelmente rotulada pela sociedade como sem valor e prisioneira de sombras espirituais, estendeu Ele um olhar que rasgou as aparências. Compreendeu a agonia que sangrava naquele peito feminino, e, envolvendo-a em amor sublime, transformou-a na primeira e radiante mensageira da ressurreição. 
Quando os olhos do mundo viam em Simão Pedro apenas o pescador rude, Jesus divisou o reflexo de Deus pulsando em seu espírito atribulado. 
Lapidou aquele homem até torná-lo a rocha inabalável da fé cristã através dos séculos. 
E, enquanto o mundo via apenas a névoa espessa da traição, a ternura do olhar do Mestre não se alterou. 
Enquanto condenamos Judas como um negociante de intenções sombrias, Ele viu a alma de um companheiro invigilante em desalinho. 
Estendeu-lhe braços amorosos e o buscou, após a sua dolorosa deserção, convidando-o ao ressarcimento de suas falhas. 
Diante de Saulo de Tarso, o perseguidor feroz e orgulhoso, Cristo foi ao seu encontro na estrada de Damasco para lembrá-lo de sua nobre missão: tornar-se embaixador da Boa Nova. 
* * * 
Inspirados pelo rastro luminoso de Jesus, aprendamos a perceber que, mesmo no fundo do pântano denso e escuro, nascem os lírios alvos e perfumados para exalar, triunfantes, a glória de Deus. 
Aprendamos que a maldade e o erro são apenas espinheiros e lamas provisórias que revestem, por fora, o solo sagrado da alma. 
Somos filhos da luz, criados para mostrar a sublime luz que em nós se aninha. 
Floresçamos em luz. 
Aprendamos a nos servir dos olhos de Jesus para olhar a cada um dos nossos irmãos e a nós mesmos. 
Encontramo-nos aqui para aprender, servir, amparar e amar.
Colocados lado a lado, demo-nos as mãos e marchemos para o Alto, conquistando virtudes, tornando-nos, a cada dia, luz mais brilhante.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro Religião dos Espíritos, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 15.09.2026

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A COR DA NOSSA MISSÃO

Joanna Shimkus e Sidney Poitier
Você já se perguntou por que nascemos com esta ou aquela cor de pele? 
Por que reencarnamos como negros, brancos ou amarelos?
Por que alguns de nós despertam para a vida em países marcados por graves problemas políticos e ambientais, ou em nações que sofrem com a fome, a miséria e o poder arbitrário de governos que parecem se eternizar?
Compreendemos que o acaso não existe. 
A roupagem física e o cenário em que estagiamos fazem parte de um planejamento minucioso. 
Nascer com determinada cor de pele ou em certo contexto social e geográfico reflete as diretrizes particulares de cada Espírito. 
É o palco exato onde devemos realizar o nosso aprendizado e, acima de tudo, a nossa cota de contribuição benéfica para a humanidade. 
Alguns entendemos isso de imediato. 
Como aquele ator que, nascido em Miami, criado nas Bahamas, chegou aos Estados Unidos ainda adolescente e encontrou uma sociedade que tentava, a todo custo, defini-lo e limitá-lo pela cor de sua pele.
Ao buscar espaço no cinema, esbarrou em uma engrenagem cruel: os papéis destinados a atores negros eram, na época, invariavelmente marcados pela submissão, pela ignorância ou pela caricatura degradante. 
Ele precisava do salário para sobreviver, mas a sua alma nobre falou mais alto. 
Sidney Poitier tomou uma decisão inflexível que poderia ter lhe custado a carreira. 
Recusou papéis que considerava ofensivos à sua humanidade. 
Fez questão de interpretar profissionais respeitados, médicos, professores, homens de fibra. 
Sua postura perante o preconceito o levou a quebrar barreiras inimagináveis. 
Em 1964, fez história ao se tornar o primeiro homem negro a vencer o Oscar de melhor ator. 
Três anos depois, brilhou interpretando um médico negro, noivo de uma jovem branca, exatamente quando o país debatia o fim das leis que proibiam o casamento inter-racial. 
E foi no amor que ele também encontrou seu porto seguro, longe dos holofotes. 
Com a atriz Joanna Shimkus, construiu um casamento de quase quarenta e seis anos. 
Quando questionada se a diferença racial havia sido um problema no cotidiano do casal, Joanna não fez discursos políticos, apenas respondeu com a simplicidade das almas afins: 
-Acho que simplesmente estávamos destinados a ficar juntos.
Sidney Poitier retornou à pátria espiritual aos noventa e quatro anos, deixando um legado indelével.
Ele usou a sua profissão, o seu lugar no mundo e a sua condição física para curar dores sociais, abrir portas e elevar o espírito humano. 
Ele não se acomodou. 
Ele fez a diferença. 
* * * 
E nós? 
O que estamos fazendo com o cenário que nos foi confiado?
Onde quer que nos encontremos hoje, na profissão, na sociedade ou no ambiente religioso em que estagiamos, temos nas mãos o poder de transformar a realidade. 
Não importa se o país enfrenta crises severas ou se os obstáculos parecem intransponíveis. 
Nascemos no lugar certo, com as características exatas de que precisamos para sermos agentes de mudanças para melhor. 
Sejamos pioneiros do amor, da integridade e do respeito.
Onde quer que a vida nos tenha plantado, floresçamos e façamos a diferença. 
Redação do Momento Espírita, com dados biográficos de Sidney Poitier. 
Em 14.09.2026

domingo, 13 de setembro de 2026

NASCIMENTO ESPECIAL

Todos os anos, os cristãos comemoram o Natal no dia 24 para 25 de dezembro. 
A história nos diz que Jesus, nosso Mestre, em verdade não nasceu nesse dia e aponta algumas datas prováveis, especificando dia, mês e ano.
Afinal, quando realmente terá nascido Jesus? 
E onde? Em Nazaré ou em Belém? 
Se perguntarmos a Francisco de Assis o que ele sabe a respeito do nascimento de Jesus, ele nos responderá: 
-Jesus nasceu no dia em que, na praça de Assis, entreguei minha bolsa, minhas roupas e até meu nome para segui-Lo, pois sabia que Ele é a fonte inesgotável de amor. 
Se indagarmos ao Apóstolo Pedro quando se deu o nascimento de Jesus, ele nos dirá: 
-Jesus nasceu no pátio do palácio de Caifás, na noite em que o galo cantou pela terceira vez, no momento em que eu negava outra vez ao meu Mestre. Foi nesse instante que minha consciência despertou para a verdadeira vida. 
Se questionarmos a Joana de Cusa sobre onde e quando nasceu Jesus, ela nos falará: 
Jesus nasceu no dia em que, amarrada ao poste do circo em Roma, ouvi o povo gritar: 
-"Nega! Nega! Renuncia a Ele!" 
E o soldado, com a tocha acesa, dizendo: 
-"Este teu Cristo te ensinou apenas a morrer?" 
Nesse instante em que senti o fogo subir pelo meu corpo e eu pude, com certeza e sinceridade responder:
-"Não me ensinou só isso. Ele também me ensinou a te amar."
Foi então que nasceu Jesus. 
Se interrogarmos a Lázaro onde e quando nasceu Jesus, a sua resposta será: 
-Jesus nasceu em Betânia, na tarde em que me visitou o túmulo e ordenou-me: "Lázaro! Levanta e vem para fora!" Nesse momento, eu compreendi quem Ele era e Ele nasceu em mim. 
Mas, o doutor da lei, Saulo, transformado em Paulo de Tarso, nos afirmará: 
-Jesus nasceu na estrada de Damasco, em pleno meio-dia, quando a luz que o envolvia me cegou e ouvi a Sua voz: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Foi aí que passei a enxergar um mundo novo e lhe disse: "Senhor, o que queres que eu faça?" 
A mulher samaritana, da cidade de Sicar, nos dirá que Jesus nasceu junto à fonte de Jacob, na tarde em que ela O encontrou e Ele lhe ofereceu a beber da água viva, que sacia toda a sede, pois vem do amor de Deus e santifica as criaturas.
Naquela tarde, Fotina descobriu que Jesus era o Filho de Deus e modificou a sua vida. 
Finalmente, Maria de Nazaré, sorrindo, nos falará que Jesus nasceu quando Se escondeu das estrelas nas sombras da Terra. 
Quando O segurou pela primeira vez nos braços e sentiu que ali se cumpria a promessa de um novo tempo. 
Aquele menino, enviado por Deus, vinha para ensinar aos homens, seus irmãos, a Lei maior do amor. 
* * * 
Se já te permites banhar pelas claridades do Evangelho, permite que Jesus nasça em teu coração. 
Deixa que as vibrações 
Dele te cheguem ao Espírito e espalha o perfume da Sua presença, na senda por onde avanças na busca da vida.
Refaze, mentalmente, o caminho percorrido, desde que a sinfonia da Boa Nova te alcançou e propõe-te a viver a mensagem do Mestre que é o teu Modelo e Guia, Jesus.
Então, Ele finalmente nascerá em ti. 
Redação do Momento Espírita com base em texto atribuído a Vinícius (Pedro de Camargo) e no verbete Natal, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 24.12.2009.