terça-feira, 31 de março de 2026

CONVIDANDO À VIDA

Elizabeth Barret Browning
A mãe de Elizabeth morrera quando seus onze filhos eram ainda pequenos e o pai passou a dirigir a família com rigor. 
De saúde delicada, Elizabeth vivia confinada em um sofá.
Isso lhe garantia direito a cuidados especiais, como ter um quarto somente para si e estar ao abrigo das fúrias do pai. 
Aos vinte anos, ela publicou seu primeiro livro de poesia. 
O pai gostava de ter um gênio doméstico. 
Algo que ele podia exibir, desde que continuasse sob sua autoridade controladora. 
No século XIX, um poeta não precisava frequentar salões para ser lido. 
Bastava enviar manuscritos a editores, manter correspondência e ter críticos interessados. 
Elizab eth fazia tudo por cartas, de sua própria casa. 
O poeta Robert Browning começou a escrever para ela como admirador de seus poemas. 
As cartas viraram amor intenso. 
Eles se encontraram às escondidas e, dois dias depois, ele lhe mandou uma carta transbordante de paixão. 
Vencendo os receios dela, ele conseguiu arrancá-la de seu quarto de doente e se casaram, em segredo, numa cerimônia discreta em Londres. 
Pouco depois, ela fugiu com o marido para a Itália, levando apenas o essencial. 
O pai jamais a perdoou e devolveu todas as cartas que ela lhe enviou, sem abri-las. 
O mais surpreendente é que, longe do pai, Elizabeth recuperou a saúde. 
Passou a andar, viajar, socializar e escrever com mais vigor.
Muitos biógrafos veem nisso um forte componente psicológico — a libertação emocional foi tão poderosa quanto qualquer remédio. 
Ela tinha quarenta anos e Robert era seis anos mais jovem.
Ele, literalmente, a convidou a viver. 
Ela se tornou uma mulher engajada em temas políticos e sociais. 
Em sua poesia, abordou a opressão dos italianos pelos austríacos, o trabalho infantil nas minas e fábricas da Inglaterra e a escravidão, entre outras injustiças sociais.
Embora isso tenha diminuído sua popularidade, Elizabeth continuou sendo ouvida e reconhecida em toda a Europa. 
Ela morreu em 1861, nos braços de Robert, em Florença. Ele nunca mais se casou. 
* * * 
Uma história de amor. 
Sobretudo um convite a viver. 
Robert era dessas pessoas maravilhosas e inesquecíveis, que convidam a viver. 
Pessoas desse naipe nos estimulam a desenvolver e aperfeiçoar tudo o que somos e tudo o que podemos ser. 
O convite à vida é o convite ao crescimento, a que sejamos nós mesmos e gozemos a bênção de estarmos vivos.
Vivemos quando somos honestos com nós próprios, autênticos nos nossos sentimentos e fiéis às nossas convicções. 
Vivemos quando amamos, quando nos interessamos pela vida dos outros, quando nos damos e preocupamos. 
Vivemos quando construímos e criamos, temos esperança, sofremos e nos alegramos. 
O mais importante é nos darmos conta de que podemos ser a pessoa que estimula outros a uma existência vibrante, cheia de esperança e amor. 
Podemos imitar aquele Mestre que foi ao encontro dos pescadores no mar da Galileia e lhes estendeu o mais audacioso convite: 
-Vinde e vos farei pescadores de homens. 
Todos conhecemos o resultado maravilhoso das suas adesões ao convite. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Elizabeth Barret Browning e no artigo Convite à vida, de Ardis Whitman, de Seleções do Reader’s Digest, de julho 1972. 
Em 31.03.2026

segunda-feira, 30 de março de 2026

O MUNDO E O MAL

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Em certo trecho do Evangelho, Jesus faz uma longa oração pelos Seus discípulos.
Nessa oração, Ele pede a Deus que não os tire do mundo, mas que os livre do mal. 
Esse trecho da prece do Cristo suscita as mais interessantes reflexões. 
Nos centros religiosos, há sempre grande número de pessoas preocupadas com a ideia da morte.
Muitas não creem na paz, nem no amor, senão em planos diferentes da Terra. 
A maioria aguarda situações imaginárias e injustificáveis em seu futuro espiritual. 
Nessa expectativa de um amanhã rosado e glorioso, esquecem o esforço próprio. 
Não fazem o possível para tornar melhor o mundo em que vivem. 
Olvidam a bênção do trabalho, da disciplina e da perseverança. 
Envolvem-se o mínimo possível com o sofrimento alheio.
Parecem achar que a vida na Terra é simplesmente algo a ser suportado. 
Quanto antes passar, da forma mais automática possível, mais rapidamente entrarão na posse de uma felicidade perfeita. 
Contudo, o anseio de morrer para ser feliz é enfermidade do Espírito. 
Afinal, orando ao Pai por Seus discípulos, Jesus não rogou para que fossem retirados do mundo. 
Pediu apenas que fossem libertos do mal. 
Trata-se de um eloquente sinal de que o importante para as criaturas não consiste em trocar de domicílio. 
Na Terra ou no Plano Espiritual, continuam as mesmas. 
O mal, portanto, não é essencialmente do mundo, mas das criaturas que o habitam. 
A Terra, em si, sempre foi boa. 
De sua lama, brotam lírios de delicado aroma. 
Sua natureza maternal é repositório de maravilhosos milagres que se repetem todos os dias. 
De nada adianta alguém partir do planeta, quando seus males não foram exterminados convenientemente. 
Em tais circunstâncias, a imensa maioria dos homens se assemelha aos portadores das chamadas moléstias incuráveis. 
Podem trocar de residência. 
Mas a mudança é quase nada, se as feridas os acompanham.
O relevante é embelezar o mundo e aprimorá-lo. 
E isso se realiza mediante a transformação moral dos homens. 
Nessa linha, cada ser humano é colocado no melhor contexto para que se aperfeiçoe. 
Então, você não precisa morrer e nem mesmo trocar de vizinhança, de emprego, de família ou de país para ser feliz.
Necessita, sim, ser digno e generoso onde quer que a vida o tenha colocado. 
Precisa aprender a perdoar e a dar de si, em vez de reclamar auxílio dos outros. 
Quando se tornar trabalhador, desprendido, leal e bondoso, viverá em paz em qualquer ambiente. 
Ainda que desafiado por fatores externos, possuirá um pedaço do céu em seu coração. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 30 do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 01.06.2012.

domingo, 29 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSIÇÃO!

O ano de 2011 está assinalado por muitas catástrofes. 
É como se observássemos uma grande revolta dos elementos naturais, buscando local próprio. 
A tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, transformando cidades e edificações em um mar de lama e pedras, ceifando incontáveis vidas, abalou os brasileiros. 
Mas, ainda não refeitos desses fatos que motivaram gestos de solidariedade de variadas localidades, os terremotos no Japão nos levam ao quase terror. 
Mais do que as cenas do cinema catástrofe, as imagens televisivas nos impressionaram ao mostrar o mar erguendo-se em enormes vagalhões e engolindo tudo.
Destruição em segundos do que o homem levou muito tempo para construir. 
Belos edifícios, cidades inteiras, lugares aprazíveis, tudo levado de roldão, arrasado. 
Carros e máquinas arrastadas como brinquedos pela correnteza inclemente. 
E vidas, quantas vidas ceifadas. 
Desaparecidos sem conta. 
E, depois, continua o tsunami em sua jornada, ameaçando outros países, que se colocam em alerta. 
E dizer que todos recebemos o Ano Novo com tanta esperança. 
E vivemos o Terceiro Milênio em anseio de um novo tempo.
Como entender tamanha destruição? 
Recorremos ao Evangelho de Jesus. 
Ele não nos enganou, em momento algum. 
Falou de um mundo em extinção para o aparecimento de outro. 
Falou de dores, de desolação, de tempos amargosos: 
-Pedi a Deus que a vossa fuga não se dê durante o inverno. A aflição desse tempo será tão grande como ainda não houve igual desde o começo do mundo até o presente e como nunca mais haverá. 
E se esses dias não fossem abreviados, nenhum homem se salvaria. 
Mas esses dias serão abreviados, em favor dos eleitos. 
-Em verdade vos digo: chorareis e gemereis, e o mundo se rejubilará. Estareis em tristeza, mas a vossa tristeza se mudará em alegria. Uma mulher, quando dá à luz, está em dor, porque é vinda a sua hora. Mas depois que ela dá à luz um filho, não mais se lembra de todos os males que sofreu, pela alegria que experimenta de haver posto no mundo um homem. É assim que agora estais em tristeza. Mas, eu vos verei de novo e o vosso coração rejubilará e ninguém vos arrebatará a vossa alegria.
Jesus predisse os últimos tempos de um mundo de dores em transição para outro onde o bem predominará. 
Assim, o que hoje observamos e que nos leva à solidariedade, ao auxílio de tantas vítimas é a concretização daqueles tempos anunciados. 
Muitas dores se farão no mundo para que a grande renovação se apresente. 
Muitos irão de retorno à Pátria Espiritual, outros tantos retornarão, Espíritos renovados para promover a grande transformação moral do planeta. 
O mundo físico também sofre as transformações e por isso treme, alteram-se paisagens, modificam-se elevações. 
Tudo é um grande estertor. Mas, como Jesus mesmo afirmou, após as grandes dores, virá o tempo da bonança. 
Auxiliemo-nos enquanto as dores nos maltratam e aguardemos a aurora nova de um novo mundo. 
O Senhor está no leme. 
Redação do Momento Espírita, com citações extraídas do Evangelho de Mateus, cap. XXIV, vv. 15 a 22 e do Evangelho de João, cap. XVI, vv. 20 a 22. 
Em 24.03.2011.

sábado, 28 de março de 2026

OS RECURSOS DE UM MESTRE

Ele se apresentou no rio Jordão, submetendo-se ao batismo de João, o Batista, exatamente para que pudesse ser identificado por aqueles que O aguardavam. 
Ele era o Enviado, o Cordeiro de Deus, Aquele que viera para acender o fogo da transformação nas almas. 
E tinha pressa que se incendiasse a Terra, que Seu rebanho evoluísse sem tantos percalços, furtando-se a muitas dores.
Saindo das águas, Ele foi seguido por dois discípulos do Batista. 
Quando eles lhe indagam onde mora, o convite do Mestre é para que O sigam e vejam.
Em resumo, Ele diz que as cobras têm covis, os pássaros têm ninhos, mas ele, o Filho do Homem, não tem uma pedra para repousar a cabeça. 
E, contudo, realizou uma revolução, transformando pescadores do mar da Galileia em pescadores de homens, no imenso mar das turbulências humanas. 
Em Seu tempo, não havia livros. 
Existiam os rolos de papiro e pergaminho. 
Mas Ele não se serviu de nenhum desses materiais para deixar gravado o Seu ensino, que foi todo oral. 
Ele semeou luzes nas mentes humanas, o mais extraordinário depósito de sabedoria de todos os tempos. 
Um arquivo que, através dos séculos e das idades, somente se engrandece com acréscimos do conhecimento. 
Um dia, somente um dia, Ele escreveu no pó da terra algumas palavras. 
Referiam-se aos equívocos daqueles homens que estavam na praça, pedindo-lhe o julgamento de uma mulher surpreendida em adultério. 
Escreveu na terra. 
O vento apagou as letras, que, no entanto, ficaram gravadas, de maneira indelével, na consciência de cada um dos que se retiraram do local, envergonhados. 
Naqueles dias, não havia tecnologia de ponta para projeção de imagem e som. 
Ele subiu a um monte e projetou a Sua voz para ser ouvida com absoluta clareza por mais de cinco mil pessoas. 
Ele não se serviu de nenhum meio de transporte. 
Viajou constantemente a pé entre povoados e cidades da Galileia, da Judeia e da Pereia. 
Não temos ideia exata de quantos quilômetros percorreu. 
Uma estimativa conservadora sugere que Ele pode ter percorrido cerca de trezentos e vinte e um quilômetros.
Especulações baseadas em um cálculo mais amplo de Sua vida sugerem milhares de quilômetros, chegando a cerca de trinta e quatro mil. 
Não há um número exato e universalmente aceito, pois os Evangelhos focam nos ensinamentos e eventos, não em um registro detalhado de viagens. 
Sem recursos externos, que hoje nos favorecem a comunicação e o marketing, Jesus nos deu o exemplo de como se pode utilizar os recursos próprios para concretizar o que nos compete. 
Pensemos o quanto nós podemos realizar dispondo dos livros, da internet, das plataformas digitais, das redes sociais.
Sobretudo, prestemos atenção ao fato de que são todos talentos, que nos são disponibilizados. 
Talentos dos quais teremos que prestar contas em algum momento. 
Afinal, Ele mesmo asseverou que nos compete dar contas da nossa administração. 
Administração do tempo, dos recursos da inteligência, dos talentos do conhecimento e tudo o mais que o extraordinário mundo dos homens nos oferece. 
Redação do Momento Espírita 
Em 28.03.2026

sexta-feira, 27 de março de 2026

INTRIGANTE ESCOLHA

Augusto Cury
Ele é o Rei Solar. 
Antes que fôssemos, Ele já era. 
Era o Espírito excelso, que galgara degraus da evolução, alçando-se a Modelo e Guia da Humanidade pela qual é responsável. 
Antes que fôssemos, Ele era um com o Pai e dEle recebeu a missão de preparar um lar para bilhões de almas, Seu rebanho. 
Tomou da bola de fogo das mãos do Criador e a moldou, por milênios, preparando-a para receber Suas ovelhas. 
Não lhe escapou nenhum detalhe. 
A camada de ozônio, a disposição do globo girando em torno de si e ao redor do astro rei. 
Ao mesmo tempo, executando uma viagem infinita pelo Universo para que descobrisse a grandeza do Criador.
Nenhum despertar no planeta no mesmo ponto do dia anterior.
Podemos nos dar conta da grandiosidade do Universo que apenas começamos a descobrir? 
Ele veio para os Seus. 
Apresentou-se como o Bom Pastor, Aquele que dá a Sua vida pela das Suas ovelhas. 
Estranhamente, não abraçou a profissão de pastor ao se manifestar na Terra. 
Falou de sementes, demonstrando Seu conhecimento sobre o preparar a terra, o plantio, a colheita. Mas não se fez agricultor. 
Abraçou a profissão de seu pai, o bom José, carpinteiro. 
O Construtor de um local tão magnífico como o planeta em que vivemos optou por ser carpinteiro. 
Aquele que toma a madeira bruta e a amolda, transformando-a. 
Talvez pudesse ter sido um arquiteto, considerando que projetou, planejou e gerenciou a construção de todos os espaços terrenos, transformando-os em funcionais, estéticos e seguros para os seres que os viriam habitar. 
No entanto, ele escolheu nascer filho de um carpinteiro para, conforme o costume de Israel, seguir-lhe os passos profissionais. 
É de admirar essa disposição de Jesus trabalhar, desde a infância, com martelo, pregos e madeira, exatamente as armas que lhe destruiriam o corpo físico. 
Menino, quantas vezes terá ouvido de Seu pai acerca dos cuidados que deveria ter para não se ferir. 
Plenamente consciente do que lhe sucederia ao final da missão, como terá ressoado em Sua mente o martelar dos pregos na madeira? 
Pregos o fixariam na cruz, um dia, pelos pulsos e pelos pés. Maria, sua mãe delicada e observadora, quantas vezes terá retirado farpas de madeira do jovem Jesus. 
Mas, quando levado para o sacrifício, Ele receberia um madeiro bruto, com farpas que lhe penetrariam a carne, dolorosamente. 
Trabalhar com as mesmas ferramentas que lhe iriam produzir as mais intensas feridas e dores, seria suficiente para produzir zonas de tensão em Seu inconsciente. 
Contudo, Ele apresentou o topo da saúde psíquica.
Aprendamos com nosso Modelo e Guia. 
Modelo é um padrão a ser replicado. 
Foca na forma e no resultado final. 
Guia é um conjunto de diretrizes, princípios ou instruções que orienta o caminho. 
O Modelo é o exemplo pronto. 
O Guia ensina como percorrer o trajeto. 
Modelo é o que devemos almejar. 
Guia é o manual de diretrizes para chegar a isso. 
Por isso, disse Jesus: 
-Eu sou o Caminho. 
Sigamo-lO. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 2, do livro O Mestre do Amor – coleção Análise da Inteligência do Cristo, de Augusto Cury, ed. Academia de inteligência. 
Em 27.03.2026

quinta-feira, 26 de março de 2026

UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

Morey Belanger (centro)
Notícias boas nos levam a crer que podemos alimentar esperanças de um mundo melhor, que se encontra em construção. 
Faz bem ouvir a respeito de movimentos que são fortalecidos pela ação de crianças e jovens. 
Preconceitos, exclusão e bullying começam a ser vistos com outros olhares pela maioria. 
A solidariedade principia a se tornar panorama comum em muitas situações. 
Emocionam atitudes altruístas, frente a situações como a da pequena Morey Belanger. 
Sua matrícula foi anunciada antes de seu ingresso na Escola Elementar do Maine, nos Estados Unidos. 
Diagnosticada com um distúrbio auditivo raro, ela seria uma exceção entre tantos alunos. 
A instituição empreendeu uma ação preparatória que envolveu alunos, professores e funcionários, a fim de que a menina se sentisse bem-vinda, acolhida.
Os que seriam seus colegas de classe se dispuseram, com afinco, a aprender a língua de sinais a fim de recebê-la da melhor forma. 
E foi o que aconteceu no dia em que Morey Belanger, com seis anos, adentrou a Escola. 
Isso ocorreu em dois mil e dezessete. 
Na oportunidade, ela era a primeira aluna surda naquela Escola. 
A mãe comovida disse que, desde o início, sua filha foi aceita e amada, o que a manteve animada para ir à Escola todos os dias. 
Não demorou para que fizesse amizades, feliz, participando das brincadeiras, das festinhas, de tudo, enfim.
* * * 
Quando Jesus nos ensinou os dois mandamentos básicos que transformariam nosso mundo, 
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, possivelmente não imaginamos que seria dessa forma. 
Hoje compreendemos que, cada qual fazendo a sua parte, melhorando-se e oferecendo sua contribuição, melhoraremos o mundo. 
Também se tornou evidente que quando procuramos oferecer ao próximo o que ele mais precisa, nos sentimos realizados, capazes, felizes e estimulados a continuar nesse caminho. 
Se a felicidade da menina Morey foi grande, se a satisfação de sua mãe ao vê-la acolhida foi enorme, o sentimento de realização de todos os que colaboraram para que isso se concretizasse foi maior ainda. 
De fato, há um sentido profundo na orientação do Mestre de Nazaré quando prescreve que façamos ao outro o que gostaríamos nos fosse feito. 
Quando tivermos plena consciência dessa assertiva, veremos se multiplicar em nós o respeito ao semelhante. 
Essa nova geração, que vimos despontar na Terra, portadora de sentimentos fraternos, propensão para o bem, age de forma muito natural aos movimentos de respeito e preservação da vida em todos os sentidos. Importa que nós, os adultos, que sonhamos com um futuro melhor para todos, os estimulemos nas suas ações e nos engajemos, atuando ao lado deles. 
O mundo vai melhorar quando cada um de nós se fizer melhor. 
Quando estimularmos, pelo exemplo, os outros a agirem melhor. 
Quando aderirmos a movimentos que promovem o acolhimento, a derrubada de preconceitos de qualquer ordem, quando nos sentirmos como verdadeiros irmãos e parte de uma única e imensa família, chamada raça humana.
Pensemos a respeito e espalhemos bons exemplos, colaborando com o bem, fazendo a nossa parte nessa grande construção do mundo melhor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no site www.sonoticiaboa.com.br 
Em 16.11.2019.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O MUNDO DO TERCEIRO MILÊNIO

Fala-se muito que vivemos em um mundo de constante violência. 
E se diz que todos andam apressados, que tudo é uma loucura, que não dá mais para viver de forma serena.
Contudo, graças a iniciativas que ocorrem, ainda de forma esporádica, mas com grande brilhantismo, verifica-se que existem variantes felizes. 
Um dos exemplos mais recentes foi a iniciativa de um pouco mais de trinta integrantes da Companhia de Ópera da Filadélfia. 
Aconteceu no dia 24 de abril de 2010, um sábado, no Reading Terminal Market, na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia. 
O local é um bazar gastronômico, ainda hoje, conforme suas remotas origens no século XVII. 
Em qualquer dia ali se pode encontrar uma variedade eclética de produtos diretos do campo, especiarias incomuns, flores, aves, artesanatos, joias e roupas. 
É um local apinhado de gente. 
A média é de cem mil pessoas que o visitam, a cada semana.
Pois nesse sábado de abril, enquanto as pessoas se acotovelavam, indo e vindo, em meio a balcões de produtos e exposição de telas, de repente, uma música começa a encher os ouvidos de todos. 
É La Traviata, composição de Giuseppe Verdi, inspirada na obra de Alexandre Dumas Filho, A dama das camélias. 
Então, um tenor lança sua voz, seguido de outro, mais adiante. 
Surpreendentemente, do meio daquele povo todo, que andava de um lado para outro, conversando, tirando fotos, vão se destacando os membros da Companhia de Ópera. 
Estão misturados à multidão, vestidos de forma comum, uns com boné à cabeça, portando mochilas, bolsas, roupas esporte, descontraídos. 
Somente são identificados, a partir do momento que abrem sua boca e começam a cantar. 
Surpresas, as pessoas vão se dando conta de que cada um deles, que sorri e canta, que brinda com o copo de papel com café ou que os convida a alguns passos de dança, está com um boton com a identificação da Companhia de Ópera da Filadélfia e os dizeres: La Traviata.
E todos param o que estão fazendo para ouvir, admirar, se emocionar. 
Os turistas tiram fotos e mais fotos. 
Um momento mágico. Algo que nos diz que iniciativas dessa ordem devem, graças ao êxito observado, se repetir de outras vezes e em muitas localidades. 
Em todo o mundo. 
Em terminais de ônibus e de trens, onde as pessoas ficam horas aguardando, inquietas, desejando chegar logo aos seus destinos.
Em aeroportos, onde os atrasos deixam as pessoas estressadas, mal-humoradas. 
Pelas ruas das cidades. 
Iniciativas como essa nos dizem que, a pouco e pouco o homem vai descobrindo como é bom viver a harmonia, o belo, a arte. 
Como é bom ter um dom e dividi-lo com todos, alegrar corações, fazer as pessoas sorrirem e sonharem. 
Sonharem com o mundo maravilhoso que todos idealizamos para o nosso Terceiro Milênio. 
Vibremos por isso. 
E que Deus abençoe Alexandre Dumas Filho, Giuseppe Verdi, os músicos, os cantores, todos que tornam, enfim, este imenso mundo de Deus tão mais belo e harmonioso para nossas vidas. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 1º.12.2022.

terça-feira, 24 de março de 2026

SEMPRE COM ALEGRIA

Dominique Lapierre
Irmã Ananda. 
Ananda quer dizer alegria. 
Irmã Alegria. 
Desde sua mais tenra infância, acostumara-se a mergulhar nas águas do rio Ganges, para resgatar vestidos, joias, o que pudesse ser transformado em dinheiro. 
Dessa forma, ela se constituía no sustento de toda a família. 
Sua agilidade e habilidade em nadar, até os lugares mais fundos eram elogiáveis. 
No entanto, quando manchas estranhas começaram a aparecer em sua pele escura, quando a palavra terrível foi pronunciada, ela foi jogada na rua, pela família mesma por quem tanto trabalhara.
Não poderiam, de forma alguma, permanecer com uma leprosa no lar. 
E a menina, impedida de se misturar aos demais, impedida de retirar do rio sagrado o seu sustento, sentiu a fome abraçá-la.
Sozinha, enferma, esfomeada, foi acolhida pelas Irmãs de Caridade que, não somente lhe providenciaram o teto, a vestimenta, o alimento, como lhe deram o melhor presente.
Submeteram-na a tal tratamento que ela foi declarada curada da hanseníase. 
Agora, passados os anos, cumprido seu noviciado, ela recebeu das mãos de Madre Teresa de Calcutá, o sari branco, com lista azul. 
Dali em diante, essa seria sua única vestimenta. 
Vestimenta que a identificaria como uma das Missionárias da Caridade em qualquer dos mais de cento e trinta países em que ela fosse designada a servir. 
Ela foi enviada a Nova Iorque, com mais três companheiras.
Sua bagagem chamou a atenção: eram baldes, caixas de papelão amarradas, colchões de palha enrolados em pedaços de pano presos por cordas. 
Tudo endereçado para Madre Teresa de Calcutá – Nova Iorque. Estados Unidos. 
A maior recomendação de Madre Teresa era de que servissem sempre com alegria. 
Era um dia frio e a menina indiana, transformada em missionária, se encantou com os flocos de neve que caíam. Jamais vira tal espetáculo. 
Então, seu coração exultou na recitação dos versos do profeta Daniel: 
-Orvalhos e geadas, gelos e neves, bendizei ao Senhor por todos os séculos. 
Quando chegou ao local em que trabalharia, dirigiu-se ao subsolo. 
Era ali que ficavam as suas acomodações. 
Embora Madre Teresa houvesse especificado que não deveria haver conforto algum, quem viera reformar o prédio tudo ignorara. 
E lá estavam quatro chuveiros à disposição. 
Ananda ficou olhando-os, admirada. 
Desde sempre, ela tinha algo muito especial com a água. 
Na Índia, carregava os baldes da fonte para casa. Emocionada, Ananda estendeu uma mão trêmula e abriu a torneira. 
Um verdadeiro dilúvio caiu imediatamente do teto.
Hipnotizada, ela olhou a água correr. 
Aquilo parecia um milagre. 
Com os braços abertos, a cabeça caída para trás, ela se jogou toda vestida debaixo do chuveiro. 
Teve vontade de cantar. 
E cantou os versos do profeta: 
-Chuvas e orvalhos, exaltai o Senhor. E vós, astros do céu, bendizei-O por todos os séculos. 
Sua voz atraiu as demais companheiras que vieram correndo.
Ao verem Ananda se divertir como uma criança, explodiram todas numa sonora gargalhada. 
Felicidade. 
Sim, Madre Teresa de Calcutá poderia ficar tranquila. 
Era com alegria no coração que suas Irmãs começavam sua tarefa em Nova Iorque. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 52, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.
Em 24.03.2026

segunda-feira, 23 de março de 2026

O CAMINHO DE VOLTA

Lúcia tinha dezenove anos quando conheceu Fernando, através de uma prima, que a convidou para sair com ela, seu namorado e um amigo. 
Foram meses de diversão com risadas e bate-papos alegres. Coisas de jovens. 
Fernando comentou que namorava uma moça, residente em Fortaleza, e que tinha intenção de se casar. 
Por sua vez, Lúcia, residindo no Rio de Janeiro, tinha desfeito um namoro de quatro anos, e desejava liberdade para recomeçar sua vida. 
Naquele momento, queria apenas curtir a amizade com Fernando. 
Contudo, com o passar dos meses, ela percebeu que algo mais profundo poderia surgir. 
Conversaram a respeito e decidiram que melhor seria se afastarem. 
Afinal, ele tinha um compromisso de namoro e ela desejava atender aos projetos de sua carreira. 
Rolaram os anos. 
Ela soube do casamento de Fernando, de sua residência nos Estados Unidos, retorno ao Brasil. 
Por motivos profissionais, Lúcia transferiu residência para Campinas, viajou para o Exterior, fez novos amigos. 
Enfim, atendeu ao que planejara.
Então, no ano de 1978, foi surpreendida por uma ligação telefônica. 
Era ele: 
-Lembra de mim? Sou o Fernando, nos conhecemos há uns dez anos, no Rio de Janeiro. 
Ela reconheceu a voz de imediato. 
Ele enviuvara, há alguns meses, depois de acompanhar o sofrimento da esposa, portadora de leucemia, por três longos anos. 
Fernando foi a Campinas, reataram antigos gostos comuns, a conversa tão amiga. 
Ela foi a São Paulo, a seu convite, para conhecer seus dois filhos. 
Em seis meses, estavam casados. 
Corajosa, ela se tornou mãe dos dois pequenos. 
Quase cinquenta anos se passaram, durante os quais uma filha veio selar de forma magnífica o amor que os une. 
* * * 
Essa história nos lembra que a vida não utiliza relógios de pulso, mas o compasso das estrelas. 
É um lembrete de que a vida não é uma linha reta, mas um bordado que faz sentido apenas quando olhamos pelo lado do avesso. 
Naquele primeiro encontro, a juventude ardia, mas o mundo ainda era vasto demais e as estradas divergiam. 
Eles se soltaram, cada um carregando um fragmento do outro no silêncio da memória, sem saber que o tempo estava apenas respirando fundo. 
Quando os olhos se cruzaram, dez anos depois, não eram as mesmas pessoas. 
Ele trazia as marcas da vida e as mãos ocupadas pelo amor de seus filhos. 
Ela trazia a serenidade de quem soube esperar sem saber o que aguardava. 
Foi ali que o invisível se tornou claro: a separação não foi um erro, foi o intervalo necessário. 
O silêncio não foi esquecimento, foi o amadurecimento do fruto. 
A dor dele precisava do porto dela. 
A espera dela precisava do transbordar dele. 
Hoje, após quase cinco décadas de mãos dadas, eles são a prova viva de que o que é nosso sempre encontra o caminho de volta. 
A intensidade do amor que vivem não nasceu do acaso, mas da paciência. 
Afinal, o amor não é encontrar a pessoa certa no momento certo. 
É confiar que, mesmo quando o tempo parece errado, a vida está apenas escrevendo um capítulo mais bonito do que aquele que tentamos ditar. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos. 
Em 23.03.2026

domingo, 22 de março de 2026

O MUNDO DO AMANHÃ

 Severn Suzuki
O Codificador da Doutrina Espírita, em sua obra, A gênese, assinala que a Terra se transformará. 
E estamos observando o fenômeno acontecer. 
De um Mundo de muitas dores e injustiças vamos caminhando para um Mundo de regeneração. 
Um Mundo em que nos importemos mais uns com os outros.
Em que sejamos amigos, irmãos. 
Tal transformação se processa pela transformação gradual das criaturas que vivem na Terra.
Exemplos de tais Espíritos encarnados entre nós os temos todos os dias, em nossos lares, na comunidade em que vivemos. 
Alguns nos surpreendem com sua maturidade e bom senso, como a menina canadense Severn Suzuki, de apenas 13 anos. 
Ela discursou no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio ambiente e Desenvolvimento, em 1992.
Entre tantas questões, disse ela: 
-“Represento a ECO, a Organização das Crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos tentando fazer a nossa parte, contribuir. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir. Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho soluções, mas, quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. Vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto. Se vocês não podem recuperar nada disso então, por favor, parem de destruir! Aqui, vocês são representantes de seus Governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas, na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios, e todos também são filhos. Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de bilhões de pessoas e, ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade. Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo, rumo a um único objetivo. Sou apenas uma criança, mas ainda sei que, se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria! Na escola, desde o jardim de infância, vocês nos ensinaram a não brigar com os outros. A resolver as coisas bem. Respeitar os outros. Arrumar nossas bagunças. Não maltratar outras criaturas. Dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer? Vocês estão decidindo em que tipo de Mundo nós iremos crescer. O que vocês fazem, nos fazem chorar à noite. Vocês adultos, nos dizem que nos amam. Eu desafio vocês. Por favor, façam as suas ações refletirem as suas palavras.” 
Redação do Momento Espírita, com reprodução de parte do Discurso de Severn Suzuki, na Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento – ECO 1992, no Rio de Janeiro.

sábado, 21 de março de 2026

APEDREJAMENTO MORAL

O apedrejamento é uma das formas mais antigas e brutais de execução de que se tem registro na História da Humanidade.
No contexto bíblico e na sociedade judaica da época de Jesus, era reservado para crimes considerados gravíssimos, como o adultério, a blasfêmia ou a idolatria. 
Recordamos que o jovem Estêvão, considerado o primeiro mártir da Boa Nova, foi apedrejado pela acusação de blasfêmia contra Deus e Moisés.
O ato não era apenas uma punição física, mas um ritual de exclusão comunitária. 
Ao lançar pedras, a sociedade declarava que aquele indivíduo não era mais digno de habitar entre os vivos, transformando a execução em um espetáculo de dor lenta e humilhação pública. 
Em algumas regiões do nosso planeta, continua vigente, qual um lembrete sombrio de como a intolerância pode se institucionalizar, ignorando a dignidade humana em nome de um julgamento implacável. 
A Anistia Internacional tem desenvolvido campanhas para a abolição plena dessa penalidade e feito apelos diretos a países que utilizam ou preveem o apedrejamento para que abandonem essa prática. 
No entanto, para além das pedras físicas que ferem o corpo, existe um apedrejamento simbólico que alguns enfrentamos diariamente. 
Na arena social, as pedras são substituídas por palavras, olhares e silêncios punitivos. 
Quando lançamos uma mentira em uma rede social ou um boato de corredor, isso funciona exatamente como um projétil.
Atinge o alvo com força e deixa marcas que, às vezes, levam anos para cicatrizar. 
Talvez uma das pedras mais pesadas seja a do desprezo, especialmente quando direcionada às melhores intenções.
Dedicamos tempo, energia e amor em alguma ação benemérita e recebemos a crítica destrutiva ou o julgamento de quem nada faz. 
Podemos chamar de apedrejamento da boa vontade, em que o esforço altruísta é tido como vaidade ou erro. 
Suportar ser apedrejado psicologicamente exige uma força interior profunda. Jesus, ao confrontar os acusadores da mulher adúltera, trouxe a reflexão: 
-Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra. 
Essa frase não apenas interrompeu uma execução física, mas desarmou o tribunal moral da época. 
Dessa maneira, frente às pedras da calúnia e do desprezo que possam nos atingir no trabalho, na família ou na vida social, o desafio é não revidar com o mesmo peso. 
Embora as feridas doam, elas não têm o poder de mudar quem somos, a menos que permitamos que o ódio do outro se torne o nosso próprio veneno. 
Para lidar com o apedrejamento moral, especialmente quando ele vem de onde menos esperamos, como para nossos gestos de maior entrega, fortaleçamos nossa imunidade emocional. 
E não percamos tempo em nossa defesa. 
Gastar energia nos defendendo de calúnias infundadas apenas alimenta o conflito. 
Deixemos que o tempo e a constância do nosso trabalho falem por nós. 
As pedras que nos lançam, e que nos ferem, são as mesmas que, sob o solo da paciência, pavimentarão o caminho da nossa vitória moral. 
Permaneçamos firmes no bem. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.03.2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

O PAI AO PÉ DA CAMA

Ela sempre teve pesadelos noturnos. 
Os sonhos ruins atrapalhavam as noites. 
Acordava assustada uma, duas, três vezes. 
Assim foi enquanto era menina e depois, quando chegou na adolescência.
E ela nunca conseguiu dizer o que perturbava tanto o período noturno. 
A única coisa que solucionava, que resolvia o problema dos pesadelos, era a presença da mãe ou do pai. 
Ela os buscava no quarto, quase sonâmbula, pegava-os pelas mãos em silêncio, e os conduzia até o seu quarto. 
Eles a abraçavam, faziam breve oração, diziam para ela pensar em um lugar bem bonito onde desejava estar, e a colocavam de volta na cama. 
Um gesto, porém, era bastante curioso, e durou anos. 
A menina simplesmente apontava para os pés da cama como a dizer: 
-Fiquem um pouquinho comigo ali. 
Eles entendiam e ficavam. 
Bastava uns cinco minutos. 
A resposta vinha imediata. 
Ela se deitava, fechava os olhos, e uns segundos depois os abria, como que a espiar para saber se o pai ou a mãe ainda estava ali. 
Quando identificava um deles, nascia um sorriso sem igual, um sorriso de Agora está tudo bem. 
A respiração se normalizava, o sono se restabelecia e tudo voltava à paz. 
Bastava ela saber que o pai ou a mãe permanecia ali, aos pés da cama. 
* * * 
Isso é muito simbólico. 
Não porque tenhamos pesadelos e acordemos assustados pedindo ajuda, mas pela questão da confiança. 
A figura dos pais ao pé da cama representa a vigilância, a guarda, a certeza de que nada nos fará mal, pois eles estão velando. 
Na vida adulta, essa figura ainda existe, representada por nosso Espírito protetor, que é também uma mãe ou um pai, que é um amigo ou uma amiga querida presente em nossos dias. 
Mais ainda, a figura dos pais ao pé da cama é também a confiança que devemos construir em Deus, nosso Pai Maior.
Ele está sempre conosco, embora não O sintamos na maioria das vezes, por estarmos nas batalhas dos pesadelos, sem poder abrir os olhos. 
Falta-nos despertar, buscá-lO pelas mãos e pedir Seu auxílio.
Ele nunca nega ajuda a quem lha pede. 
O Pai aos pés da cama nos ouve com paciência. 
Poderá ser invocado diversas vezes à noite e nunca irá reclamar. 
Sempre nos atenderá com a mesma boa vontade e paciência. Contemos com Ele. 
Contemos com a figura de nosso Espírito protetor.
Conversemos mais com esse Espírito amigo que assumiu missão tão grandiosa. 
Perguntemos, peçamos e tenhamos a sensibilidade e a humildade de ouvir as respostas, mesmo que não sejam aquelas que desejaríamos. 
Lembremos que nosso anjo de guarda e nosso Pai Maior não são gênios da lâmpada, ou serviçais que existem apenas para atender nossos três desejos ou caprichos. 
Eles nos conhecem. 
Eles nos viram nascer, sabem das nossas necessidades.
Sabem o que é manha e sabem o que é carência. 
Sabem o que é real ou apenas passageira ilusão de nossa parte. 
Mas, no que diz respeito aos pesadelos, aos medos e aos enfrentamentos, podemos contar sempre com eles, ali, ao pé da cama, nos dizendo: 
-Fique tranquilo. Você não está sozinho. Estamos com você.
Redação do Momento Espírita 
Em 20.03.2026

quinta-feira, 19 de março de 2026

SURPRESAS NUMA CARTA

Tanto se fala a respeito da gentileza. 
Livros são escritos, vídeos são postados. 
Quando paramos, em uma dessas tardes de tempo para amar, e trocamos confidências sobre gestos de gentileza que nos alcançaram um dia, refazendo nosso ânimo, descobrimos exemplos extraordinários. 
Paulo, um amigo, contou que, recém-saído da Escola Técnica de Indústria Química, foi estagiar na capital pernambucana.
Saindo do Rio de Janeiro, ele e o colega Jair foram procurados pela vizinha para que levassem, em mãos, uma carta a seus parentes. 
Nenhum dos dois questionou por que ela não postou a carta, enviando pelos correios. 
Afinal, eles chegariam numa cidade desconhecida e teriam de procurar o tal endereço para a entrega. 
Deliberados a se desincumbirem da tarefa, se apressaram, tão logo chegaram a Recife, a entregar a encomenda. 
A surpresa veio exatamente na recepção da correspondência pela família.
A carta era uma apresentação dos dois jovens estudantes, acrescida do pedido para que fossem auxiliados da melhor maneira possível. 
As portas daquela casa se abriram, de imediato. 
Eles poderiam ficar hospedados ali, pelo tempo que necessitassem. 
Ambos aceitaram e permaneceram naquele lar por muitos meses. 
Finalizando o estágio, Jair retornou à sua cidade. 
Paulo somente deixou aquela casa quando se casou, anos mais tarde. 
Relata ele que, até hoje, lembrando da gentileza daquela família, se emociona. 
Uma família que acolheu dois estranhos. 
E uma vizinha que os recomendou aos seus próprios parentes. 
Narrando o fato, ele mesmo nem se recorda que também se dispôs, junto com seu colega, a ser gentil entregando uma correspondência que poderia ter seguido por via postal.
Gentileza verdadeira é assim, espontânea, nem percebida por quem a oferece. 
* * * 
A gentileza é muito mais do que um simples ato de cortesia. 
É uma força capaz de catalisar mudanças profundas, tanto em quem a oferece quanto em quem a recebe. 
Quando surge, pode até surpreender aquele que é alvo dela.
Chega, por vezes, a alterar o rumo de sua vida. 
Em um mundo cada vez mais acelerado e muitas vezes frio, um gesto de atenção e empatia se torna um bálsamo para a alma, quebrando barreiras de indiferença. 
Pequenas ações, que podem ir de um sorriso sincero, uma palavra de apoio ou a simples escuta atenta até as que auxiliam em profundidade, criam uma onda de positividade que se espalha de forma contínua. 
Ela não exige recursos financeiros. 
Somente riqueza de espírito e a decisão consciente de ter olhos de ver. 
Olhos de perceber a dificuldade que alguém atravessa e se dispor a auxiliar. 
Não importa quem seja. 
Porque a gentileza não indaga de procedência, de crença religiosa, político-partidária ou qualquer detalhe da vida.
Simplesmente, ao se apresentar, ela estabelece a construção de um ambiente mais harmonioso, pavimentando o caminho para uma sociedade verdadeiramente mais humana e, por consequência, transformadora. 
A gentileza não é um ato isolado. 
É a semente diária que plantamos para colher um futuro mais humano e radiante. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.03.2026

quarta-feira, 18 de março de 2026

MUNDO DIGITAL

A cena é comum nos dias de hoje: reuniões sociais e profissionais, nas quais as pessoas ficam grande parte do tempo conectadas aos seus telefones móveis. 
Quando chegam aos lugares, vão logo depositando à mesa o acessório e a partir daí, fica dividida a atenção. 
É um olho no ambiente e outro na tela do aparelho. 
Parece até que tem um poder magnético, pois as pessoas são capazes de olhar mais para ele do que umas para as outras.
Estando sozinhos, a impressão que se tem é que o referido instrumento é capaz de fazer companhia ao indivíduo, substituindo a presença física de um amigo. 
Quando funcionavam simplesmente como telefones não eram tão invasivos, mas hoje o seu uso está muito ampliado. 
Na ânsia de nos mantermos conectados com o mundo, por vezes, nos esquecemos de quem está ao nosso lado.
Priorizamos a necessidade de receber uma notícia importante, de enviar ou receber alguma mensagem ou fazer consulta para esclarecer dúvidas. 
São os novos hábitos sociais. Infelizmente, eles partem as pessoas ao meio. 
Metade do indivíduo fica presente e a outra metade fica ligada ao aparelho e a tudo que ele proporciona. 
Temos consciência de que todo progresso tecnológico, quando empregado para o bem, traz alegria e conforto à humanidade. 
São muitas as facilidades que essa nova tecnologia nos possibilita e abrir mão delas está fora de questão. 
A reflexão é no sentido de utilizá-la da forma mais conveniente, com moderação e respeito aos que nos cercam.
É certo que esses aparelhos, que estão facilmente ao nosso alcance, nos trazem informações necessárias. 
Mas, devemos ter cuidado para que eles não interfiram em momentos fundamentais aos relacionamentos. 
Estejamos atentos à forma como temos utilizado esses recursos. 
Não deixemos jamais de valorizar a companhia de quem está ao nosso lado, de olhar nos olhos durante um diálogo, de escutar o outro com atenção, de se fazer presente e curtir o momento em que estamos vivendo essa ou aquela situação.
Procuremos não dar maior importância a esses aparelhos, em detrimento da atenção que possamos oferecer a quem está próximo de nós.
Os momentos passam e não voltam. 
Todos eles são importantes para fortalecer os vínculos afetivos que existem nos relacionamentos. 
As mensagens, pesquisas, informações e tudo mais, muitas vezes, podem esperar. 
* * * 
Qualquer processo de reeducação é sempre mais trabalhoso do que a educação pura e simples, pois implica em deixarmos hábitos enraizados e substituí-los por outros. 
Se já nos deixamos levar por esses costumes inadequados, busquemos modificá-los. 
Nesta época de tecnologia avançada e de cibernética, trabalhemos em nós mesmos a capacidade de vivenciar integralmente os relacionamentos pessoais. 
Busquemos desligarmo-nos do que está distante para valorizarmos e nos ligarmos verdadeiramente em quem está conosco aqui, agora. 
Aproveitemos cada minuto com os amores, os afetos. 
Isso é insubstituível e poderá não se repetir.
Pensemos nisso: o momento é agora, enquanto estão conosco. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.08.2012.

terça-feira, 17 de março de 2026

O NOVELO DE LÃ

Quando o novelo de lã despencava da cama era uma festa!
Todos parávamos o que estávamos fazendo imediatamente.
A tv, o videogame de mão, o desenho, a tarefa da escola, tudo era menos importante a partir daquele momento. 
Agora era ele, o novelo, o centro das atenções. 
Para onde ele iria correr? 
Que caminho iria escolher? 
Que desenho a linha faria no chão até, finalmente, parar?
Minha avó achava graça, de toda graça que fazíamos. 
E como demorávamos para devolver a bola de lã! 
Ela andava por tudo! 
Com uma certa ajuda, é claro. 
Passava por debaixo da cama, por detrás da cortina, por cima do televisor. 
Uma vez ela foi parar no lustre, vejam só! 
Que danada! 
E minha avó ali, recostada no baú de madeira da cama, que lhe servia como cabeceira, com as duas agulhas na mão, só esperando a bagunça terminar. 
Sabe… hoje penso que esse novelo caiu tantas vezes... que não pode ter sido só acidente… 
Acho que ele foi “derrubado” deliberadamente, assim, quase sem querer, só para ser motivo de alegria entre nós. 
Essa vó… que sabida! 
* * * 
Vivemos tempos de individualismo. 
Afastamo-nos uns dos outros. 
Os aparelhos, que cabem na palma da mão, nos entregam o mundo. 
Então, os olhos não desgrudam das telas. 
Será que nos oferecem mesmo o mundo? 
Será que tudo que precisamos está ali? 
Será que uma conversa por texto ou mesmo áudio é capaz de substituir um olhar? 
Ou um abraço? 
O que irá substituir, dentro deste mundo digital, o poder de um abraço? 
Não é possível que tenhamos aceitado isso tudo, tão facilmente. 
Não há o que substitua uma brincadeira com uma avó, uma caça a um novelo de lã que é jogado de lá para cá, e umas boas risadas. 
Não há o que substitua o afeto da presença física, do olhar, do abraço, do mesmo espaço físico. 
O coração registra lembranças. 
Esse registro constrói um legado dentro de nós. 
Esse legado vai moldando o que chamamos felicidade. 
Será que não sentimos falta desses momentos simples, íntimos, quase bobos, que nos divertiam tanto? 
Falta tempo? 
Ou falta vontade e oportunidade? 
Tempo, não. Pois, quando desejamos fazer algo que realmente queremos, damos sempre nosso jeitinho. 
Vontade e oportunidade estão em nossas mãos. 
Vontade é uma potência de nossa alma. 
Oportunidade é criada e não esperada. 
Existem muitos que resgatam jogos para serem partilhados em família, pequenas atividades em grupo, divertidas, que envolvem todos e ainda por cima relaxam. 
Piqueniques inesperados, passeios ao ar livre, convites-surpresa. 
Pensemos: o que podemos fazer? 
Por vezes, lembranças da infância nos serão boas inspirações. 
Precisamos de momentos a sós, sim, mas evitemos o isolamento excessivo. 
Tenhamos muitos outros momentos juntos, partilhados, colaborativos. 
Aprendamos a apreciar, a curtir, sem olhar no relógio, sem a ansiedade de se estar com a alma em outro lugar. 
Corramos atrás de nossos novelos de lã, sem vergonha de sermos crianças novamente, sem medo de fazermos feliz a criança que ainda mora em todos nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.03.2026

segunda-feira, 16 de março de 2026

MUNDO DE IRMÃOS

Cinco de maio. 
Mukhtar, um somaliano residente em Copenhagen, na Dinamarca, se ergue pela manhã e comparece ao serviço.
Ele é motorista de ônibus. 
Tudo parece normal, como todos os dias. As pessoas entram, saem, o ônibus faz as paradas devidas. 
E é justamente numa dessas que, entre outros, entra um jovem vestindo o mais fino traje a rigor. 
Na mão, um instrumento de sopro. 
Coloca-se em lugar estratégico do ônibus e toca. 
O motorista olha pelo espelho e continua sua rota. 
Então, uma mulher começa a cantar. 
É uma música que, com certeza, fala de felicidades, de dia de aniversário. 
Mukhtar sorri agora, abrindo a boca, mostrando os dentes alvos. 
É o dia do seu aniversário. 
Outras vozes se unem à primeira e também cantam. 
A viagem prossegue. 
Então, ao entrar em determinada via, ele se depara com uma marcha de protesto. 
Bom, não dá para ele saber com exatidão contra quem ou o que eles protestam. 
As pessoas, jovens, homens, mulheres, estão de costas para ele.
Portam cartazes, que ele não consegue ler. 
Eles gritam palavras de ordem, erguendo os punhos. 
Mukhtar sabe que deve ter cuidado. 
Avança devagar, aproxima-se delas e pede passagem buzinando. 
A marcha continua imperturbável na sua manifestação. Ele torna a buzinar. 
Aí, o inusitado acontece. 
Todas aquelas pessoas se voltam de frente para ele. 
Os cartazes agora estão virados para ele e o saúdam pelo seu aniversário. 
São felicitações. 
Todos cantam, sorriem. 
O ônibus para. 
Não há como prosseguir. 
Entre a surpresa e a emoção, o motorista abre a porta do veículo. 
Um homem vem ao seu encontro, o abraça e lhe entrega flores. 
Outros lhe oferecem presentes. 
Mukhtar disfarça as lágrimas da emoção que o toma por inteiro. 
Algumas daquelas pessoas são passageiros habituais da sua linha de ônibus, outras se encontravam na rua e foram convidadas a participar da homenagem ao aniversariante.
Tudo organizado pela empresa de ônibus que o emprega.
Uma empresa que lembrou que aquele somaliano, vivendo distante de sua terra, de sua gente, apreciaria uma manifestação de alegria e de afeto, no dia do seu aniversário.
* * * 
Enquanto houver pessoas que se preocupam em ofertar momentos de alegria a outras pessoas; enquanto houver tempo para manifestações de afeto; enquanto um empresário se lembrar de parabenizar seu funcionário pelo seu aniversário, pelo filho que lhe nasceu, pelo diploma que conquistou, tenhamos certeza: o mundo está melhor.
Enquanto alguns ainda se comprazem em prejudicar o seu irmão ou se mostram indiferentes à dor alheia, acreditemos: há um número expressivo de pessoas que se importam com o seu semelhante. 
Pessoas que se sentem felizes em propiciar felicidade a outros. 
Mesmo que isso possa ser somente cantar uma canção de aniversário, ofertar um abraço, tocar uma música, aceitar participar de uma homenagem a um servidor de todos os dias.
Pensemos nisso e vibremos e nos unamos a tais pessoas, engrossando a fileira dos que mentalizam o bem, fazem o bem e materializam, dia a dia, um mundo de irmãos, um mundo de amor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos na Internet. 
Em 06.12.2011.

domingo, 15 de março de 2026

UM MUNDO DE CORES E BÊNÇÃOS

É comum reclamarmos do mundo, das coisas que observamos acontecer, das tantas tragédias provocadas pelo próprio homem. 
Quase sempre, nossa visão acanhada toma ciência das maldades cometidas pelo homem e dizemos que o mundo vai muito mal. 
Ouvimos falar de crimes hediondos, de corrupção em vários níveis, de tantos que desafiam a lei do respeito e da cidadania e dizemos que está tudo perdido, mesmo. 
Os anos se somam acumulando séculos e o homem continua lobo do próprio homem. 
Por vezes, chegamos até a duvidar que nossas atitudes corretas possam vir a produzir qualquer diferença positiva para cenário tão triste. 
No entanto, é bom que consultemos a História. 
É bom relembrar como éramos no ontem das nossas existências. 
Lembrar das mulheres que eram consideradas coisa alguma.
Recordar que a mulher era tida como propriedade do pai, depois do marido, que sobre seu destino decidia sem contestação da sociedade, ou de qualquer lei que lhe pudesse garantir direitos. 
Recordar que crianças bastardas tinham direito algum, podendo se lhes dar o destino que bem se quisesse. 
Olhemos para nosso mundo hoje. 
Sim, ainda pleno de equívocos, de maldade, até mesmo de crueldade. 
No entanto, basta que uma tragédia se instale em algum local do planeta e todos se irmanam em donativos, em auxílio, em voluntariado para saciar a sede, a fome dos envolvidos. 
O ser humano tem seu direito à vida assegurado. 
As mulheres conquistaram um largo espaço, podendo frequentar a escola, ilustrar suas mentes, tornando-as ainda mais brilhantes. 
Sim, há muito mal na Terra. 
Contudo, a soma de bens sobrepuja o que ainda persiste. 
A dor é socorrida com a anestesia e o medicamento. 
Doenças consideradas incuráveis são combatidas, ferozmente. 
A higiene é propalada como indispensável condição para a saúde e dignidade da vida. 
Sim, com o Apóstolo Paulo podemos afirmar que não somos perfeitos, que muito deve ser conquistado e melhorado mas graças a Deus, já somos o que somos. 
Seres que se importam com o outro, que batalham por leis sempre mais justas, pela proteção do ser humano, desde o ventre materno. 
Por leis que assegurem a educação plena a todos, o direito ao teto e ao pão, leis que digam da correta remuneração a quem trabalha. 
Das aristocracias do passado marchamos para a verdadeira aristocracia, a do mérito, ajustando-nos ao preceito evangélico: A cada um segundo as suas obras. 
Obras de construção, de amor, de engrandecimento. 
Com certeza, ainda é duro o mundo quando a impiedade nos alcança, quando os maus agridem, quando nos sentimos acuados pela desonestidade e pela ironia. 
No entanto, avançamos, rumo ao Alto. 
Estamos melhores hoje. 
Somos melhores hoje. 
Guardemos essa certeza e continuemos a crescer para a luz.
Somos filhos da Luz, nos disse o Mestre. 
Iluminemos o mundo com nossa luz. 
Luz da compreensão, luz que ampara o caído, que socorre quem errou, que estende a mão ao que resvala pelo caminho.
Somos seres humanos. 
Comportemo-nos como tal, amando-nos uns aos outros.
E, de mãos dadas, rumemos para a angelitude. 
Ela pode estar bem próxima de nós, se quisermos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.06.2022.

sábado, 14 de março de 2026

QUANDO A PERSISTÊNCIA VIRA COMBUSTÍVEL

Sabrina Gonzalez Pasterski
Em um bairro comum de Chicago, enquanto outros adolescentes aprendiam a dirigir, uma jovem trabalhava com rebites, planos e motores. 
Ela dispunha de uma garagem, ferramentas emprestadas e uma obstinação silenciosa em entender como o mundo decola. 
Seu nome era Sabrina Gonzalez Pasterski
Tinha quatorze anos quando construiu, completamente sozinha, um avião monomotor funcional. 
Desenhou-o, montou-o peça por peça e o pilotou.
Postou o vídeo na internet como quem guarda provas, não como quem procura aplausos. 
Enviou sua candidatura ao Instituto de Tecnologia de Massachussetts. 
Era latina, cubano-americana de primeira geração, vinda de escolas públicas, sem ligações herdadas, sem sobrenome influente. 
Ela era extraordinária, mas o Instituto não a aceitou. 
Ela se sentiu despedaçar porque todo o seu sonho tinha sido construído em volta daquele lugar. 
Não era só uma faculdade. Era a porta. 
Seu instrutor de voo alertou dois professores do instituto, que viram uma adolescente pensar como engenheira, trabalhar como mecânica e voar como piloto. 
Eles viram potencial. 
Levaram o vídeo para as admissões. 
E, dessa vez, a porta se abriu. 
Ela se graduou em apenas três anos, com a maior pontuação possível. 
Foi a primeira mulher em duas décadas a formar-se como melhor estudante de física. 
Estagiou na NASA. 
Foi para Harvard. 
Estudou buracos negros, gravidade quântica e a própria estrutura do espaço-tempo. 
Aos vinte e cinco anos, Stephen Hawking citou seu trabalho.
Não como promessa. 
Como referência. 
Chegou a ser comparada a Einstein. 
Aos vinte e sete anos, chegou ao corpo docente no Instituto Perimeter de física teórica no Canadá, um dos centros de física teórica mais importantes do planeta. 
Toda vez que ensina, cada vez que posta, cada vez que acompanha um aluno, deixa a porta um pouco mais aberta para quem vem atrás. 
Para a próxima garota latina. 
Para o filho de imigrantes.
Para quem se atreva a querer o Universo sem pedir permissão. 
O Instituto de Tecnologia não a considerou no início. 
Ela o obrigou a olhar de novo. 
E fez algo mais importante do que ingressar. 
Fez história. 
* * * 
Alguns de nós, ante os reveses, ante os tantos nãos recebidos e as portas que se fecham, desanimamos. 
Os que acreditamos no próprio potencial e temos a firmeza do ideal estampada na vontade, insistimos. 
Isso nos levará a alcançar patamares jamais imaginados e abrir sulcos na terra do sucesso para que outros nos sigam. 
O exemplo de Sabrina demonstra que mesmo a inteligência mais brilhante exige o motor da persistência para traduzir o potencial em descoberta. 
Sua persistência não é apenas a recusa em desistir. 
É a capacidade de sustentar um nível extraordinário de foco e autodisciplina em busca de uma meta que transcende o sucesso pessoal e busca o avanço do conhecimento universal. 
Uma história que merece se tornar exemplo a quantos nos permitimos sonhar com o deslindar de mistérios do imenso Universo de Deus. 
Conhecer, avançar, crescer ao infinito porque, afinal, fomos criados à Sua Imagem e Semelhança. 
Imortais, inteligentes, criadores. 
Redação do Momento Espírita 
Em 14.03.2026