domingo, 4 de outubro de 2020

HOMENAGEM À VIDA

Sua voz encanta. Sua presença no palco emociona. Ele atrai multidões para os seus concertos, shows, mas não os vê. O que lhe atesta a presença das pessoas são os aplausos que ouve e o fazem sorrir. Em plena pandemia, realizou uma live na Catedral de Milão totalmente vazia. Ele chamou de Música pela esperança. Esperança de que o mundo melhore, de que a pandemia seja controlada, de que as pessoas sejam felizes. 
Todo ano, em julho, verão europeu, ele realiza um grande show no Teatro do Silêncio, espaço a céu aberto, construído por sua iniciativa, em sua cidade natal, Lajatico, na região da Toscana. O agendado para 2020 não se realizou, em virtude da decretação do isolamento social. Mas ele se apresentou para uma plateia de bandeiras de todas as nações do mundo. 
-O Teatro do Silêncio vive. – Disse ele. Vive no imaginário e na esperança de dezenas de milhares de espectadores que esperam por 2021. O público maravilhoso está aqui, encarnado nas bandeiras multicolores de todo o mundo. 
Foram cinco músicas, iniciando por uma prece à mãe de Jesus, Ave, Maria e concluindo com um hino de amor à sua pátria. 
Os que nos habituamos a aplaudi-lo e que temos sido privilegiados com suas apresentações, talvez não saibamos que o mundo esteve muito próximo de jamais tê-lo entre nós. 
Em uma entrevista a um canal de televisão, sua mãe revelou que, quando estava grávida, os médicos lhe recomendaram abortar. O próprio Andrea, em um vídeo, narra que sua mãe chegou ao hospital com fortes dores no ventre. Tratava-se de apendicite mas ela teve aplicado gelo sobre o abdômen. Depois, os médicos a aconselharam abortar o filho que gestava porque ele nasceria com doença congênita. Jovem, Edi optou por ter a criança, que nasceu com glaucoma. A perda total da visão viria aos doze anos, depois de sofrer um golpe na cabeça, divertindo-se em um jogo de futebol. O agradecimento do tenor italiano à sua mãe é surpreendente. Por isso, diz ele, luta e é a favor da vida. Narra esse fato para que sirva de encorajamento a outras mulheres que possam vir a se encontrar em situação semelhante. Ele agradece por ter vindo ao mundo. E todos nós agradecemos àquela jovem esposa que optou pela vida e nos deu o tenor, compositor e produtor italiano. Que bela voz teria perdido o mundo sem a sua presença. 
 * * * 
A vida é assim. 
Quando não somos nada além de um embrião, de um feto, quem pode imaginar o que seremos. 
Que contribuição viremos a dar ao mundo. 
Poderemos vir para encantá-lo com nossa arte musical, com nossos discursos ou com nossos poemas. 
Alguém que reformule conceitos na arquitetura, na engenharia.
Poderemos ser um embaixador da paz, um cientista que realize descobertas. 
Alguém que contribua, revolucionando tratamentos de doenças graves.
Um médico anônimo servindo no front da enfermidade, lutando contra a morte, por seus pacientes. 
Poderemos ser, simplesmente, um homem ou uma mulher de bem, fazendo a diferença no mundo. 
Um pai, uma mãe que ofertarão sua prole ao mundo, educada, operosa, tornando melhor este planeta.
A vida nos merece homenagens. 
Redação do Momento Espírita, com base em entrevista de Edi Aringhieri, no programa televisivo Domenica In, Transmitido pelo Canal RAI, em janeiro de 2018. 
Em 5.10.2020

sábado, 3 de outubro de 2020

FASES DA VIDA

Nossa vida na Terra é a bênção maior que Deus nos permite na senda do progresso. 
Quando, em espírito, somos encaminhados para nova experiência na matéria, enchemo-nos de esperanças. 
Desejo de superação de nossas fraquezas, vontade de muitos aprendizados positivos, de reconciliações e de reencontros felizes.
Passamos por várias fases até chegar aos sonhados objetivos. 
Cabe a cada um de nós fazer o melhor em cada fase, para colher o melhor resultado. 
Enquanto no ventre materno, sonhamos vivenciar a experiência que nos aguarda. 
Quando na infância, esperamos de nossos responsáveis o direcionamento positivo que melhor nos impulsione ao bem. E para lhes facilitar a tarefa contamos com toda a ingenuidade e doçura que Deus nos permite, conquistando-lhes os corações amorosos. 
Chega a adolescência, o período dos conflitos existenciais, quando as forças genésicas fazem acordar em nós o homem velho, adormecido temporariamente. São antigas forças, sentimentos diferentes, vícios e virtudes, que nos turbilhonam internamente. É a fase que nos faz andar fora do ritmo compassado, nos levando muitas vezes a tombos doloridos.
Porém, devagar e sistematicamente, vamos acertando o passo na cadência da nova empreitada. Para isso, o aprendizado adquirido na infância, os exemplos observados, as atitudes reformuladas nos mostram uma opção nova a seguir. 
Começamos a amadurecer, a ter que escolher um rumo para seguir.
Há os que optam por formar um lar, ter companhia certa para a realização do sonho familiar. 
Outros buscam servir aos demais com generosidade, e partilham seu tempo e seus bens. 
Existem os que preferem, egoisticamente, viver para gozar a vida, sem abraçar compromissos com ninguém. 
Cada qual faz a sua escolha e realiza seu sonho de vida, de acordo com os princípios abraçados. 
Deus nos concedeu o livre-arbítrio e, ao optarmos por uma forma de vida, escolhemos também os efeitos dessa escolha. 
Chega a maturidade e vemos, pelo caminho, pessoas afortunadas, felizes e cheias de amores a lhes oferecer carinhos. Essas respiram felicidade por terem conseguido bem cumprir seus objetivos, trazendo a consciência tranquila. 
Outros, exibindo a cabeleira de neve, sorriem satisfeitos por terem espalhado ao seu redor a solidariedade e o amor desinteressado.
Encontramos também, os amargurados, os acabrunhados, por não terem saído do seu egoísmo profundo, permanecendo no fosso da solidão. 
Essa fase da vida nos mostra o balanço intransferível, quando pesamos o que demos, o que negamos, e o que lucramos. 
Alguns poderemos padecer a senilidade. E teremos amores a nos amparar. 
Ou contaremos com alheio auxílio, por misericórdia de Deus. 
Talvez tenhamos que suplicar ajuda, para chegar ao fim da viagem.
Etapas da vida, bênçãos do céu para serem bem utilizadas em nosso próprio benefício. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 6.2.2016.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A PRESENÇA DAS QUEDAS D'ÁGUA

CHICO XAVIER, EMMANUEL
E ANDRÉ LUIZ
Deus permitiu a existência das quedas d’água para aprendermos quanta força de trabalho e renovação podemos extrair de nossas próprias quedas.
Ao contemplar uma queda d’água, por vezes, não percebemos quanta força, quanto trabalho e renovação existe naquele lugar. 
A natureza nos dá constantemente exemplos de conduta edificante. 
São lembretes do Criador, marcas que deixou, sinais, para que não nos perdêssemos no caminho a seguir. 
O encerrar da noite nos fala sobre a necessidade de finalizar ciclos. 
A renovação da manhã nos convida a renascer sempre e proclama que toda escuridão passa. 
A rotação da Terra nos apresenta dias e noites, claro e escuro, contrastes e extremos sempre presentes. 
As estações trazem as cores diferentes da existência, em cada fase de nosso tempo aqui na Terra. Convidam também aos necessários recomeços. 
Observando a colmeia dinâmica e disciplinada percebemos a organização do Universo, a riqueza do instinto presente em todos os seres. 
Mirando o espetáculo de polinização realizada pelos pássaros, notamos a importância dos voos para além dos espaços conhecidos. 
Acompanhando o crescer silencioso do bambu debaixo da terra, extraímos a lição da paciência e da resistência, compreendendo que tudo tem seu ritmo. 
 Deus está conosco, não apenas nas quedas d’água, mas em todo gesto de amor, de proteção, de cuidado. 
A natureza é boa. 
As leis de Deus também o são. 
Quando presenciamos uma tempestade devastadora sem a compreensão necessária, enxergamos apenas destruição, incômodo e mal. Precisamos perceber o que acontece em cada fenômeno, em cada mudança, em cada pequeno ajuste realizado pela Divindade. A eficaz limpeza da atmosfera espiritual durante as grandes chuvas nos passa despercebida. 
Não nos damos conta do reequilibrar da temperatura, do regar do solo, da alegria das fontes. 
Pensamos somente no imediato, no pequeno, no individual. 
Somos parte importante de um todo majestoso, mas não somos tudo. 
Não somos apenas, somos também. 
A presença das quedas d’água, assim como a presença do solo árido, dos insetos e pássaros, nos contam os segredos da Vida Maior, da vida espiritual. 
* * * 
Inspiremo-nos na natureza esplendorosa. 
Construamos nossos dias abraçados às maravilhas do Criador. Permaneçamos atentos, despertos, como aprendizes aplicados nesse cosmo infinito. 
 Aprendamos com a natureza. 
Resplandece o sol no alto, a fim de auxiliar a todos. 
As estrelas agrupam-se em ordem. 
O céu tem horários para a luz e para sombra. 
A rocha garante a vida no vale, por se resignar à solidão. 
O rio atinge os seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos. 
A ponte serve ao público sem exceções, por se afirmar contra o extremismo. 
O vaso serve ao oleiro, após suportar o clima do fogo. 
A pedra brilha, depois de sofrer as limas do lapidário. 
A semeadura rende sempre, de acordo com os propósitos do semeador.
Reflitamos a respeito.
Redação do Momento Espírita, com transcrições do cap. 35, do livro Agenda Cristã, pelo Espírito André Luiz e do cap. 12, do livro Companheiro, pelo Espírito Emmanuel, ambos psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e IDE, respectivamente. 
Em 2.10.2020.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

A FASCINAÇÃO DOS NÚMEROS

Saint-Exupéry e o Pequeno Príncipe
O inesquecível personagem de Saint-Exupéry, o Pequeno Príncipe, trouxe inúmeros pensamentos sábios ao mundo. 
Uma de suas constatações nos diz que as pessoas grandes adoram números. 
-“Quando a gente fala de um novo amigo, elas nunca se interessam em saber como ele realmente é.” – afirma ele. 
-“Não perguntam: Qual é o som da sua voz? Quais são seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas? Mas sempre perguntam: Qual é a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa?Quanto o pai dele ganha? Só então elas acham que o conhecem.” – termina ele por dizer.
Exupéry nos convida a redescobrimos o que há de bom na infância, a redescobrir a pureza, a essência das coisas e da vida. E quando nos fala, de forma até inocente, sobre as pessoas e os números, nos alerta para algo muito grave: viciamo-nos em números. 
Associamos o tempo sempre a números. Esquecemos que os numerais atribuídos à medição do tempo são convenções, e nos escravizamos a elas. 
Muito tempo; pouco tempo; não vai dar tempo; tempo de sobra. 60 segundos; 60 minutos; 24 horas; 365 dias – são números que parecem nos perseguir. 
Vivem em nossos sonhos, pesadelos e em nossas urgências maiores.
Esquecemos que o tempo é oportunidade, é sucessão de experiências e de fatos, e que deve ser aproveitado ao máximo, tendo em vista nosso crescimento espiritual. 15 anos de vida; 30 anos; quarentões; sessentões; terceira idade – são todos rótulos que criamos no mundo, e que, na verdade, não correspondem à idade verdadeira, à idade da alma. 
A idade da alma está associada não ao tempo dos números, mas à disposição, ao humor, ao ânimo, à coragem. 
Encantamo-nos ao ver relatos de pessoas que depois dos 90 anos vão aprender a ler, e dizem-se realizadas, sentindo-se mais jovens do que nunca! 
Não é força de expressão! Elas são jovens mesmo. 
A idade do corpo pode ser disfarçada, maquiada. 
A da alma, nunca. 
Como avaliar, julgar alguém, pelo número de dígitos em sua folha de pagamento? 
Pelas roupas que pode comprar; pelas viagens que pode fazer; pelo ano de seu automóvel? 
Dizendo assim, parece absurdo, exagero, mas é a forma de muitos procederem no que diz respeito aos números e aos julgamentos que fazemos. Muitos têm números como objetivos: números na balança; números das loterias; número de clientes; números de metas de vendas, etc. 
Ainda não descobriram que o mundo verdadeiro não é feito de numerais, que os objetivos maiores da vida, as aquisições de maior valor, nunca poderão ser mensuradas desta forma. 
É tempo de conhecer os outros e a nós mesmos pelo que somos, e não por tudo aquilo que os números podem contar. 
Números nunca poderão medir felicidade. 
Números nunca poderão mensurar alegria. 
Nunca poderão ponderar o amor. 
 * * * 
Mas se neste mundo ainda não pudermos escapar dos números, pensemos nestes: 
Quantos sorrisos damos ao dia? 
Há quanto tempo não dizemos que amamos alguém? 
Não este “Eu te amo” de novela, mas aquele dito e sentido por todas as partes da alma. 
Quantos segundos dura seu abraço? 
Qual a data que você escolheu para abandonar um vício, para se libertar de algo que o escraviza? 
Quantos dias faltam para você começar a ser feliz? 
Texto da Redação do Momento Espírita com base em citação da obra O pequeno príncipe, do livro Felicidade, amor e amizade – a sabedoria de Antoine de Saint-Exupéry, ed. Sextante. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

VERDADEIRA HOMENAGEM

Sérgio Vieira de Mello
Foi em agosto de 2003 que um caminhão estacionado nas proximidades do escritório da ONU, em Bagdá, no Iraque, explodiu. Foi mais um ataque terrorista e causou a morte de vinte e dois funcionários. Entre eles, estava o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. 
Quatro anos depois, no dia 28 de junho de 2007, a Organização das Nações Unidas inaugurou, em Genebra, um busto de bronze, em homenagem ao diplomata brasileiro. Colocado em um pedestal, constam igualmente ali os nomes dos outros vinte e um funcionários mortos, no trágico atentado. 
Justa, com certeza, a homenagem, a quem se doava em prol dos direitos humanos. 
Enquanto isso, a notícia de que, nos próximos dias, seria enforcado, pela justiça iraquiana, o suposto responsável pelo ataque, chegou aos ouvidos da família de Sérgio. 
A mãe emitiu um comunicado, apelando para que a sentença de morte fosse revista. Também o relator especial da ONU sobre a independência do poder judiciário, emitiu o mesmo apelo ao governo iraquiano. 
Tudo poderia passar como apenas uma notícia a mais, não fosse a justificativa, entre outras, da mãe de Sérgio: 
-Ele sempre foi contra a pena de morte. 
Esta, com certeza, foi a melhor e mais verdadeira homenagem que o brasileiro poderia receber. 
Enquanto, em nosso próprio país, vozes se erguiam para invocar a instauração da pena de morte, uma mãe, em memória de seu filho, a própria vítima, pedia pelo seu algoz. 
Isso nos leva a cogitar o quanto essa mãe ama seu filho, pois que, mesmo após a morte dele, suplantando a dor da separação e da saudade, o respeita e procura fazer valer a sua vontade. Ela poderia deixar tudo transcorrer. Afinal, o Iraque é tão longe e o suposto assassino lhe é desconhecido. Poderia pensar que ela nada tem a ver com isso. Mas, como alguém que ama em profundidade, ela faz o apelo. E recorda os anseios que nortearam a vida do seu filho. Ele lutava por direitos humanos. E a vida é o primeiro direito a ser assegurado. 
Oportuna manifestação de um coração materno. Ela sabe que nada trará seu filho de volta. Ela o guarda em sua memória, colorindo as lembranças com as flores da sua terna e longa saudade. Não pensa em vingança. Tem em mente respeitar o filho amado e, possivelmente, o coração de outra mãe, esposa, filha, irmã, que muito sofrerá com a morte do seu afeto, não importando o que ele tenha feito. 
Seu gesto impactou a sociedade. 
Possivelmente, algumas mentes repensarão as suas posições destrutivas. Outras tantas verão com olhos diversos a delicada questão da pena de morte. Todos, no entanto, não esquecerão, a especial, justa e verdadeira homenagem de uma mãe ao seu filho. 
Um respeito que suplanta a dor da separação, a ausência da presença física do filho amado para se expressar em nome de ideais defendidos por quem teve sua vida ceifada, tão violentamente. 
Um exemplo a ser seguido. 
Redação do Momento Espírita, com base em notícia publicada na pág. 4 (Mundo), do Jornal Gazeta do Povo, de 29.6.2007. Disponível no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. 
Em 30.9.2020.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

A NOSSA MAIOR CONQUISTA

Tenzing Norgay e Edmund Hillary 
Foi em 1953, que Tenzing Norgay e Edmund Hillary fizeram a primeira subida oficial do Everest, usando a rota sudeste, ou seja, pelo Nepal.
Desde então, anualmente, entre os meses de abril e maio, as autoridades emitem licenças para alpinistas que desejam realizar a grande escalada. Isso tem levado à superlotação da montanha mais alta do mundo. Alpinistas aguardam horas, devido às filas que se formam para chegar ao topo. Esse congestionamento é um grande perigo para os alpinistas e guias, desde que cada minuto é importante, quando dependem de cilindros de oxigênio para sobreviver. Além disso, ficar muito tempo na zona da morte, como é chamada a região de altitude de oito mil metros, aumenta os riscos de queimaduras, doenças da altitude e da própria morte. 
Há quem vença tudo isso, mas acaba sendo derrotado na descida, alcançado por alguma avalanche ou pela exaustão. Nas últimas duas décadas, a taxa média anual de mortos tem sido de seis. Pode parecer um número pequeno, considerando-se tantos que alcançam o cume. No entanto, essa vontade de chegar ao pico da montanha mais alta do planeta, nos leva a pensar. 
Fomos criados para grandes desafios. Não há limites para a nossa criatividade, para nossa tenacidade. Faz parte da nossa natureza. Foi isso que nos fez sair das cavernas e chegar à era da tecnologia. Olhamos para o passado e nos parecem quase uma miragem os registros da História, nos mostrando um mundo sem condições de higiene, sem conforto, sem as tantas comodidades e facilidades do presente. 
Muitos de nós assistimos os passos dos dois primeiros homens na lua. Acompanhamos as sondas espaciais e as imagens espetaculares enviadas, por elas, para a Terra. Temos notícias das estações espaciais, nas quais vivem os astronautas por semanas, meses. 
Sim, somos criaturas excepcionais. 
Isso nos diz que não há nada que nos impeça de sermos seres melhores.
Se temos tanta garra e conseguimos proezas inimagináveis, se chegamos a colocar em risco a própria vida, para alcançar nossos propósitos, por que não investirmos os mesmos esforços na mudança de nós mesmos? 
Há dois mil anos ouvimos a voz do Celeste Cantor com Seu convite irresistível. 
O que nos falta para aderirmos, para nos transformarmos em homens de paz, promotores do bem, altruístas? 
O que nos falta para transpormos os umbrais do comum e nos tornarmos homens que venceram a si mesmos? 
Seria muito importante que o empenho que nos estimula a desejar alcançar as estrelas, fosse o mesmo para a viagem ao nosso cosmo interior. Aos planetas da nossa intimidade, para explorarmos as grandes possibilidades do amor, da coragem. Da perseverança, da renúncia, da doação. 
Então, nos tornaríamos homens portadores da fé que move a montanha, não somente heróis da escalada. 
Homens que alcançam as cumeadas da glória do bem, iluminando mais do que sol de primeira grandeza. 
Deixaríamos de ser homo technologicus e nos transformaríamos em homo amorosus. 
Atenderíamos ao que nos exortou o Mestre Galileu: 
-Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito. 
Aceitaremos o desafio? 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.9.2020.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

FAROL IMENSO

Ela ainda não completara trinta anos, mas tinha uma aparência triste, cansada. Chegou ao quarto, andando devagarzinho, e aproximou-se do berço do filho. Olhou para aquele corpo tão pequeno e tão limitado. Suspirou, sentindo uma dor muito grande em sua alma. O menino completara oito anos, mas tinha o tamanho de uma criança de três. Com lágrimas, que eram verdadeiras pérolas, a rolar pela face, perguntava a si mesma: 
-Por que, meu Deus, por que meu filho não representa o meu sonho? Não fala, não anda, nem mesmo pode se sentar, não ouve e mal enxerga vultos. 
O menino se mexeu, gemendo. Ela afastou os lençóis bordados, suspendeu-o nos braços e o colocou de encontro ao próprio coração.
Quanto amor naquele gesto! 
Quanta ternura no beijo que lhe depositou na face pequenina. 
Seu pensamento continuou a questionar ao Pai Celestial: 
-Por que, senhor, não acontece um milagre, para que eu possa ver meu filho perfeito, como os de minhas amigas? 
Entre súplicas e lágrimas, o carinho materno, em manifestação sublime, envolvia a ambos, unindo-os num amplexo de imensa luz. Devagarzinho, ela sentiu acalmar o coração. Sentou-se e elevou uma prece simples, revestida de humildade, pedindo aos céus a bênção para seu menino. Rogou a Deus lhe desse muita força e resistência, para completar sua tarefa junto àquele anjo que recebera de suas mãos. E fez o propósito, pela enésima vez, de sustentar seu rebento como se fora um tesouro celeste. Com o coração aliviado pelo novo rumo dos pensamentos, sentiu envolver-se em serenidade e confiança. Então, prometeu a si mesma que quanto mais o pequeno precisasse, mais ela se doaria para tornar os seus dias cheios de amor e paciência. 
 * * * 
Existem mães e pais muitos especiais. 
Criaturas que idealizam um filho saudável, perfeito. E recebem uma criatura necessitada de tudo para tudo. 
Deus sabe perfeitamente a quem confiar essas Suas criaturinhas. 
Quando uma criança portadora de necessidades especiais reencarna, esse lar passa a ser centro de atenções espirituais. 
Um farol imenso ilumina o lar e os familiares, expandindo-se, alcançando os corações sensíveis e amorosos. 
E todos os que se prontificarem a auxiliar, de alguma forma e em algum momento, estarão também envolvidos e refletindo essa luz. 
Aqueles que elevarem suas preces a Deus rogando amparo e assistência ao necessitado, seus familiares e cuidadores, estarão em sintonia com os ensinos de Jesus. Sempre que houver dor e sofrimento sob um determinado teto, é porque Deus, através das leis maiores da vida, assim o permitiu. 
Sua vontade é soberanamente justa e repleta de sabedoria. 
Sempre que vemos dificuldades e nos dispomos a ajudar, espalhando fraternidade, nos tornamos os agentes da Providência Divina que age, no mundo, através das pessoas de boa vontade. 
Somente o amor verdadeiro, o amor luz, pode remover as dificuldades que se enfrenta, no decorrer da vida na Terra. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 23.7.2016.