segunda-feira, 16 de maio de 2016

UM CASO INTERESSANTE

JERÔNIMO MENDONÇA
Na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, a televisão mostrava um jovem singular. Portador de enfermidade degenerativa, estava no leito há mais de 13 anos, paralisado, na mesma posição. O apresentador lhe fez a última pergunta para encerrar o programa. Pediu-lhe que, em um minuto, definisse o que é a felicidade. O rapaz sorriu, pensou um pouco, e respondeu com simpatia: Olha, amigo, para mim, que estou há tantos anos deitado de costas nesta cama, sem outro movimento a não ser o dos lábios e dos olhos, a felicidade seria poder deitar um pouco de bruços ou então de lado. Ambos riram e a entrevista foi encerrada. No dia seguinte, o jovem paralítico recebeu a visita de uma senhora, na casa onde estava hospedado. Ela estava um tanto inquieta, desejava falar-lhe com certa urgência, antes que ele se fosse da cidade, pois não residia em Uberlândia. Levada pelos anfitriões, a senhora acercou-se da cama móvel do rapaz e disse emocionada: Eu assisti ontem a sua entrevista na TV e gostaria de lhe dizer que você me fez ver a vida de forma diferente. Estava, já há algum tempo, enfrentando séria crise existencial... Tenho uma vida que considero dentro dos padrões de normalidade. Sou saudável e tenho uma situação financeira satisfatória mas, nos últimos tempos, viver não tem mais sentido. Embora aparentemente tenha tudo para ser feliz, desejava pôr um fim nessa vida vazia que levo. Quando vi você nessa cama, viajando pelo Brasil afora, levando esperança e consolo às pessoas que sofrem, comecei a refletir com mais seriedade sobre a vida. Afinal, pensei, eu posso dormir na posição que deseje, mover-me para o lado que quiser, andar, correr, saltar e, por esse motivo, eu já deveria ser mais feliz que você, não é mesmo? O rapaz dialogou com ela por mais alguns minutos, contou-lhe casos engraçados da sua própria desgraça e ambos riram muito. A senhora se foi e o jovem, carcereiro de um corpo deformado, ficou meditando a respeito de como Deus é justo e misericordioso. De como lhe havia concedido a oportunidade de, com o seu exemplo, confortar e consolar outras pessoas que perderam a vontade de viver, ao mesmo tempo, iluminar a própria intimidade com resignação e coragem. Ele sentia, nas profundezas do seu ser, que estava recebendo conforme suas obras, como afirmara Jesus, mas tinha a vontade férrea de espalhar sementes boas, apesar das dificuldades e limitações físicas. 
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As deformidades do corpo nem sempre denotam deformidade da alma. Existem almas deformadas, albergadas em corpos saudáveis e belos, e há Espíritos saudáveis detidos em corpos deformados. Também há Espíritos destrambelhados em corpos igualmente em desalinho. Seja qual seja a situação, não há o que lamentar pois todos estamos em processos de aprendizados valiosos, que não merecem ser desperdiçados nem lamentados. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Um caso interessante, do livro Crepúsculo de um coração, de Jerônimo Mendonça. Em 26.04.2010.

domingo, 15 de maio de 2016

A CASA SOBRE A ROCHA

O chamado Sermão do Monte de Jesus é a maior declaração de amor que a Humanidade recebeu, ao longo das eras. O conteúdo, a forma, a estrutura da Carta Magna do bem são perfeitos, irretocáveis. O homem-paz, Mahatma Gandhi, foi capaz de dizer que se fossem perdidos todos os textos sacros da Humanidade, e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido. Sábia observação pois, realmente, está ali o mais seguro guia de conduta de que se tem notícia. Não só pelas nove bem-aventuranças que cantam esperança, mostrando um futuro feliz para os corações sedentos de orientação e consolo mas, também, pela postura perante a lei antiga, mostrando que teve seu tempo, sua validade, no entanto, precisava de reforma, de melhoria. Precisava dar o próximo passo. São muitas orientações, algumas brandas, outras enérgicas. É no Sermão do Monte que Jesus fala que não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte, conclamando-nos a fazer brilhar a luz interior que todos temos. É ali que fala do amor aos inimigos, jamais pensado, jamais considerado antes por alguém. Uma proposta revolucionária e de beleza inigualável pelas nuances intrínsecas. Foi do alto daquele monte que nos ensinou a orar, primeiro recomendando que a oração fosse realizada em nosso quarto interno. Depois, orientando-nos a evitar o palavreado excessivo, tornando o ato de falar com Deus uma conversa amiga, desprovida de ritos ou pomposidades. Por fim recita o Pai nosso... Como esquecer aquela oração, aquele roteiro, aquele poema de luz! Quantas almas, ao longo das eras, já se libertaram de seus sofrimentos atrozes, nas asas de um Pai nosso, feito de coração! Quantas almas... Em seguida, fala dos tesouros do céu, mostrando que são os únicos que levamos daqui, os únicos verdadeiramente reais para nossa vida espiritual. Olhai as aves do céu... Não semeiam, nem ceifam... E vosso Pai celestial as alimenta... Que consolo aos de vida material sofrida, aos que padecem a falta do necessário saber que alguém os cuida com carinho... Do alto da montanha ainda diz Jesus: Pedi e vos será dado. Buscai e encontrareis. Batei e será aberto para vós. Fez-nos deuses das possibilidades, das realizações através de uma vontade pulsante no íntimo. Termina o grande poema de forma majestosa e didática: Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado ao homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos; precipitaram-se contra aquela casa, mas não desabou.
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Construir nossa casa sobre a rocha é buscar a prática dos ensinos do Cristo em nossa vida diária. De nada vale conhecer as palavras, os conteúdos, se eles não nos fazem homens e mulheres melhores, se não nos transformam em pessoas de bem. Construir nossa casa sobre a rocha é perguntar sempre: Qual o comportamento cristão nesta circunstância? Em cada decisão, questionar: Qual a decisão que me leva ao bem do meu próximo? Que me transforma em farol de luz sobre os alqueires do mundo atual? É tempo de construir essa nova casa, nos dias de hoje, finalmente, sobre a rocha.
Redação do Momento Espírita. Disponível no cd Momento Espírita, v. 22, ed. Fep. Em 26.7.2012

sábado, 14 de maio de 2016

CASAS MORTAS, CASAS VIVAS!

Sua casa é viva ou morta? A pergunta soa estranha, com certeza. E você logo responderá que casa é algo inanimado. A casa é feita de pedras, tijolos, madeira, portanto, não tem vida. Entretanto, casas existem que são mortas. Você as adentra e sente em todos os cômodos a inexistência de vida. Sim, dentro delas habitam pessoas, famílias inteiras. Mas são aquelas casas em que quase tudo é proibido. Tudo tem que estar tão arrumado, ajeitado, sempre, que não se pode sentar no sofá porque se está arriscando sujar o revestimento novo e caro. Casas em que o quarto das crianças é impecável. Todos os bichinhos de pelúcia, por ordem de cor e tamanho, repousam nas prateleiras. Essas casas são frias. Pequenas ou imensas, carecem do calor da descontração, da luz da liberdade e da iluminada possibilidade de dentro delas se respirar, cantar, viver. Por isso mesmo parecem mortas. As casas vivas já demonstram, desde o jardim, que nelas existe vibração e alegria. No gramado, a bola quieta fala da existência de muitos folguedos. A bicicleta, meio deitada, perto da garagem, diz que pernas infantis até há pouco a movimentaram com vigor. Em todos os cômodos se reflete a vida. No sofá, um ursinho de pelúcia denuncia a presença de um pequenino irrequieto que carrega a sua preciosidade por todos os cantos. Na saleta, livros, cadernos e lápis dizem dos estudos que se repetem durante horas. O dicionário aberto, um marcador de páginas assinalando uma mensagem preciosa falam de pesquisa e leitura atenciosa. A cozinha exala a mensagem de que ali, a qualquer momento, pode chegar alguém e se servir de um copo d’água, um café, um pedaço de pão. Os quartos traduzem a presença dos moradores. Cores alegres nas cortinas, janelas abertas para que o sol entre em abundância. Os travesseiros um pouco desajeitados deixam notar que as crianças os jogam, vez ou outra, umas contra as outras, em alegres brincadeiras. Enfim, as casas vivas são aquelas em que as pessoas podem viver com liberdade. O que não quer dizer com desordem. As casas vivas são aquelas nas quais os seus moradores já descobriram que elas foram feitas para morar, mas sobretudo para se viver. 
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O desapego às coisas terrenas inicia nas pequeninas coisas. Se estabelecemos, em nosso lar, rígidas regras de comportamento para que tudo esteja sempre impecável, como se pessoas ali não vivessem, estamos demonstrando que o mais importante são as coisas, não as pessoas. Manter o asseio, a ordem é correto. Escravizar-se a detalhes, temer por estragos significa exagerado apego a coisas que, em última análise, somente existem em função das pessoas. Transforme sua casa, pequena, de madeira, uma mansão, num lugar agradável de se retornar, de se viver, de se conviver com a família, os amigos, os amores. Coloque sinais de vida em todos os aposentos. Disponha flores nas janelas para que quem passe, possa dizer: Esta é uma casa viva. É um lar. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 12 e no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. Em 10.1.2014.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

CASAS MAL-ASSOMBRADAS

Haverá quem acredite em casas mal-assombradas? De um modo geral, se pensa que são contos das vovós para assustar crianças. Contos para espíritos fracos e crédulos, pensam muitos. Mas a história de casas mal-assombradas é tão velha quanto o mundo. Já se soube de casos em que se descobriu que os fatores que provocavam ruídos não passavam de artifícios usados para amedrontar os moradores, vingar uma injustiça, desacreditar uma casa para comprá-la barato ou simplesmente para rir às custas dos ingênuos. Em outros casos, os ruídos estranhos, aumentados pelo silêncio das noites e a imaginação excitada, demonstraram ser apenas animais domésticos em movimento: cães, gatos, ratos, morcegos ou o vento a estalar velhas traves, batendo portas e derrubando objetos. Mas nem todos os casos de assombração se podem enquadrar nessas explicações. É uma realidade a existência dos fantasmas que assombram algumas casas. Na Inglaterra, os fantasmas são atração turística, o que significa boa fonte de divisas. A Associação Britânica de Viagens divulga o Guia dos fantasmas britânicos. Os jornais anunciam casas para alugar, com fantasmas ou sem fantasmas. Consta existirem na Grã-Bretanha dez mil fantasmas, mais ou menos catalogados, três mil dos quais podem ser visitados nos locais que frequentam. A Torre de Londres é um viveiro superlotado desses esquisitos e transparentes seres, todos irmãos nossos, em tarefa regenerativa. Conta-se que até hoje o fantasma de Ana Bolena, a infeliz rainha e esposa de Henrique VIII, reside no palácio de Hampton Kurt, perto de Londres. Por que, é de nos perguntarmos, os Espíritos permanecem em certos lugares, onde viveram, trabalharam quando possuíam um corpo de carne? Alguns são somente Espíritos que se desejam divertir. Isso mesmo: se divertir às custas dos sustos alheios. Outros têm por objetivo vingança. Sabe-se do caso de um Espírito, que atormentava a casa de duas irmãs. Em certo momento disse que aquilo fazia para as castigar. Elas falavam muito mal do próximo e ele mesmo, quando encarnado, fora vítima das suas calúnias. De outras vezes, são Espíritos necessitados que desejam chamar a atenção para sua existência. Finalmente, existem os que permanecem fixados a certos lugares pelos dramas que ali viveram ou tarefas que desempenharam. É comum, ainda hoje, em castelos europeus, serem identificados Espíritos de soldados e oficiais nazistas a montarem guarda, a executarem ordens como se não tivessem perdido o corpo físico. Que desespero o de verem pessoas adentrarem salas e escritórios para bisbilhotar, como acreditam eles! O que, portanto, as pessoas chamam de fantasmas são Espíritos, as almas dos homens que morreram e não se deram conta ou permanecem vinculados às coisas da Terra. O remédio para eles é a prece. Alfred de Musset dizia que a prece é um grito de esperança. Orar, assim, em benefício daqueles que, libertos da carne, ainda se conservam ligados ao ambiente terreno em que viveram e cometeram crimes, desatinos, é um ato de caridade. Pensemos nisso e exercitemos essa prática. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.2 do livro As casas mal-assombradas, de Camille Flammarion, ed. FEB e na pág. 26 da revista Presença espírita, nº 18, ed. LEAL. Em 30.9.2013.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Casa ou Lar?

ALICE GRAY
O que será mais importante: uma casa ou um lar? Existe grande preocupação com a casa. São importantes o estilo, o tamanho, os móveis e, claro, cada coisa no seu lugar. Enquanto não se tem filhos, quase tudo vai bem, mas depois, começa a se tornar difícil se ter uma casa bem arrumada. Alguns pais ocultam brinquedos das crianças, porque elas fazem bagunça demais. Esquecem que, quando se tornarem adultas, elas não necessitarão mais de brinquedos. Um dia, um pai, depois de ouvir o estardalhaço da esposa sobre o estado de sua casa, perguntou: Afinal, o que você quer: uma casa ou um lar? As palavras soaram como uma bomba. Ele tinha razão. Os olhos dela se voltaram para um quadro que se encontrava na parede da sala. O quadro mostrava uma antiga roda de vagão de trem, encostada em um pilar, prestes a apodrecer. O mato ameaçava tomar conta das flores silvestres que cresciam perto de sua base. No topo do pilar, havia uma velha caixa de correspondência amassada, cuja porta sustentava-se no lugar apenas por uma dobradiça enferrujada. Dentro, protegidos em seu ninho de galhos secos, quatro filhotes aguardavam a refeição. A cautelosa mãe estava empoleirada no galho de um arbusto retorcido, que sobressaía do outro lado da abertura da caixa. Ela havia escolhido o local do ninho com muito cuidado. Ali, seus filhotes estariam protegidos do sol e da chuva, enquanto ela e seu companheiro procuravam comida. A pequenina ave não estava preocupada com o que seus vizinhos poderiam pensar ou se seu ninho passaria pelo teste de controle de qualidade. A mensagem da pintura era muito simples: a casa não faz o lar. O lar é construção da família. É produto do carinho e do amor. Resultado do saber eleger prioridades. Assim, quando você tiver que escolher entre uma casa totalmente limpa e arrumada e as necessidades de sua família, pense um pouco. Se sua filha a convidar para sair com ela e você tiver roupas para lavar, pense que sempre haverá roupas sujas, mas um dia aquela garotinha vai parar de chamar você para sair com ela. Se seu filho o convidar para jogar bola e você estiver pensando em colocar em ordem a sua biblioteca, pense que os livros continuarão sempre necessitando de ordem e limpeza, mas o seu garotinho crescerá e deixará de buscar você para chutar bola com ele. Naturalmente, você não dará todo o seu tempo aos seus filhos, mas terá o bom senso para administrá-lo bem, a fim de eleger o que seja mais importante. * * * Mantenha a casa em ordem, mas não esqueça de colocar flores de ternura nos vasos do seu lar, e de regá-las com a água da paciência. Quando descobrir rabiscos nas paredes, peça a seus filhos que os limpem, mas antes admire o arco-íris que eles pintaram. Quando aparecerem marcas de dedos nas janelas, providencie a limpeza, mas antes fotografe todos os dedinhos com a câmara do seu coração para sempre os lembrar. E quando descobrir brinquedos quebrados, agradeça a Deus, que sejam somente brinquedos e não os corações amados dos seus filhos, joias preciosas da sua existência. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Quadro perfeito, de Ann Campshure e no cap. A oração de uma mãe, de Ângela Thole, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray,ed. United Press. Em 17.7.2014.

terça-feira, 10 de maio de 2016

CASAMENTO

O que você pensa a respeito do casamento? As respostas para esta pergunta são as mais variadas. Uns dizem que o casamento é uma instituição falida. Outros afirmam que é coisa do passado, que o moderno é viver o sexo livre, sem maiores compromissos. Vejamos o que os Espíritos responderam à questão proposta por Allan Kardec, em O livro dos Espíritos: Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento? Seria uma regressão à vida dos animais. O estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão exemplo de uniões constantes. Podemos perceber, com esta resposta, que o casamento é uma excelente escola de aprendizado para o casal e para os filhos que chegam através da sua união. Todavia, o que ocorre é que poucas pessoas se preparam convenientemente, antes do consórcio matrimonial. A ausência desse cuidado, quase sempre ocasiona desastre imediato de consequências lamentáveis. Tentados por paixões de variada ordem, que se estendem desde o apelo sexual até os jogos dos interesses financeiros, deixam-se levar e caem nas armadilhas da própria irresponsabilidade. Podemos perceber que o problema não está no casamento em si, mas na condução que damos a ele. Considerando que o lar é a célula básica da sociedade, a característica de cada sociedade será a resultante das características gerais das famílias que nela vivem. Assim, se os pilares que deveriam sustentar cada lar desmoronam, a sociedade inteira se ressente com as consequências. E se não há harmonia no lar, que é o embrião da sociedade, não haverá sociedade harmonizada. Além disso, sendo o casamento uma grande escola para se aprender a arte do convívio, a fraternidade, a solidariedade, o cultivo do afeto, se este não sobrevive, o que podemos esperar da comunidade? Infelizmente, o que se pode constatar, quando um casamento se desfaz, é a supremacia do individualismo, do egoísmo, da tola vaidade, do orgulho e da prepotência de uma ou de outra parte, ou de ambas. O que acontece é que geralmente os casais se esquecem das promessas feitas quando da assinatura desse contrato de convivência mútua que chamamos casamento. As promessas foram as de ficar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza, mas juntos. E dificilmente o casamento mal estruturado resiste aos primeiros golpes da dificuldade que se apresenta. Os casais se esquecem de que apenas algumas gotas de tolerância podem salvar e fortalecer a união. Que a renúncia preserva o convívio e o torna mais sólido. Que o esquecimento de um mal-entendido aproxima e engrandece os seres. E que o amor, nas suas mais variadas expressões, é a ferramenta capaz de solidificar e conservar a união dos seres por toda a eternidade. 
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O matrimônio é abençoada oficina onde podemos aprender a tecer os mais lindos sonhos de ventura e paz. É a oportunidade bendita de reatar os laços rompidos em existências passadas ou estreitar o afeto iniciado com alegria. O casamento é experiência nobre que pode nos credenciar aos altos planos da Criação, ao encontro da felicidade plena que tanto desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base no item 696 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. Disponível no livro Momento Espírita, v. 2, ed. FEP. Em 9.12.2013.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CASAMENTO FELIZ

John e Julie Gottman
Qual o segredo para um casamento feliz? Todo relacionamento é desafiador. Quanto mais íntimo se faz, mais dedicação nos exige. Assim, a vida a dois, o compartilhar a nossa existência com outrem, demanda empenho e atenção. Porém, será possível entender quais as melhores virtudes para construir um casamento feliz? Se a paixão inicial, e logo em seguida o amor, são fatores indispensáveis, haverá outros valores que necessitam permear a relação? Pensando nisso, dois psicólogos americanos, John e Julie Gottman, fizeram um estudo com casais para entender o sucesso ou fracasso de um casamento. Analisaram o comportamento de cento e trinta casais, como eles se relacionavam, como reagiam entre si, em atitudes corriqueiras, como cozinhar, limpar a casa, fazer as refeições. Baseados em suas percepções, os pesquisadores classificaram os casais em dois grupos básicos. Passados seis anos, os psicólogos voltaram a analisar os mesmos casais. Perceberam que os pertencentes ao primeiro grupo continuavam casados e felizes. Porém, aqueles que foram classificados no segundo grupo, ou estavam separados, ou permaneciam juntos, porém, infelizes. Ao analisar as causas de sucesso do primeiro grupo, o casal Gottman percebeu que duas virtudes preponderavam na vida desses casais: a bondade e a generosidade. Os psicólogos perceberam que, a longo prazo, torna-se fundamental e significativo que nas ações diárias, mesmo nas mais corriqueiras, a generosidade e a bondade estejam presentes. Por exemplo, a esposa se atrasa para um compromisso porque despendeu um tempo maior se arrumando. A reação do marido poderá ser a de brigar, resmungar e reclamar que ela sempre se atrasa, que nunca consegue cumprir horários. Ou ele poderá perceber nisso um zelo e cuidado dela para se apresentar em sua companhia, de um jeito especial e da melhor forma. Se o marido vai ao supermercado e esquece a compra de alguns itens, trazendo metade do relacionado, a esposa pode reclamar, dizer que ele não dá valor às coisas da casa, chamá-lo de distraído e descuidado. Ou ela poderá lhe agradecer por ter ido ao supermercado, e apenas refazer a lista com o que faltou. São nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor. Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez. Assim, em nome do casamento que elegemos para nós, analisemos quanto de bondade e generosidade temos para com nosso cônjuge. Frente à resposta ríspida, utilizemo-nos da bondade da palavra suave e compreensiva. Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha. Pensemos nesses detalhes. 
Redação do Momento Espírita. Em 11.9.2015.