sábado, 14 de dezembro de 2024

O HOMEM JESUS

Dezembro é um mês muito especial. 
Como são todos os meses de dezembro. 
As casas, as ruas, as avenidas se enchem de luzes. 
Cantos, cantigas, dramatizações do nascimento de uma criança singular se reprisam em escolas, templos e associações. 
Em nome de um menino, os corações se sensibilizam e cada qual procura tornar muito bom o dia do Natal. 
Eclodem emoções. 
E ante tanta sensibilidade que desfila ao longo desses dias, é de nos indagarmos: 
-Quem é Essa criança cujo nascimento é evocado, mesmo após decorridos vinte séculos da Sua morte? 
Porque afinal, costumamos comemorar o aniversário, na Terra, dos que estão conosco. 
Depois que realizam a grande viagem, rumo ao invisível, nós lembramos outras datas. 
Mas ninguém pensa em realizar festa de aniversário para aquele que já se foi. 
E outro detalhe muito significativo. 
No dia em que se comemora o aniversário dEssa criança, quem recebe os presentes são os que promovem a festa, numa alegre troca de embrulhos, lembranças e mimos. 
Só mesmo um Espírito tão grande quanto o do Cristo poderia atravessar os séculos e prosseguir lembrado. 
Foi tal a revolução que promoveu no espírito humano que a Terra O recorda, ano após ano. 
Sua revolução não utilizou armas de fogo, ferro ou aço.
Foram, no entanto, as mais invencíveis armas do amor e da bondade. 
Desde o nascimento, exemplificou. 
Rei das estrelas, Senhor dos Espíritos, tornou-se criança, adolescente, homem e viveu com os homens, demonstrando, através de pouco mais de três décadas, que não importam as circunstâncias, quem deseja ser bom pode sê-lo. 
Viveu período em que a política romana comandava o mundo, em que a hipocrisia farisaica imperava e, no entanto, manteve-se puro. 
Lecionando humildade ao nascer em um berço de palha, traduziu a lição do trabalho na carpintaria de Seu pai José.
Ele, que moldara, junto com o Pai Supremo as formas da Terra que habitamos, não Se envergonhou de domar a madeira e transformá-la em bancos, mesas, utensílios domésticos outros. 
Senhor e Mestre, em cada momento de Sua vida, ensinou pelo exemplo, testificando que o bem vence o mal, a luz vence a treva. 
Mais de dois mil anos são passados, desde a Sua vinda à Terra. 
Quando nos decidiremos por lhe seguir a Excelsa Doutrina, que conjuga o verbo amar e que utiliza os substantivos doação, renúncia, abnegação? 
* * * 
Você sabia que Jesus é nosso Modelo e Guia? 
Por isso mesmo, nenhum de nós deve se dizer desiludido com essa ou aquela postura equivocada de seguidores de qualquer credo. 
Porque afinal o que importa mesmo é a conduta do nosso Mestre Jesus que, em nenhum momento, abandonou as linhas do dever e do amor sem limites. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 15, ed. FEP. 
Em 14.12.2024

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

FIDELIDADE A JESUS

Wallace Leal Rodrigues
Houve, em tempos passados, uma localidade denominada Sebastes. 
Situava-se entre a Judeia e a Síria. 
Foi ali que quarenta legionários da Décima Segunda Legião Romana deram sua vida por amor à verdade. 
Presos por professarem o Cristianismo, os quarenta jovens marcharam saindo da cidade, escoltados por outros tantos soldados. 
À frente se desenhava o lago de águas tristes e frias. 
O sol se afundava na direção do poente e o vento soprava gelado. 
Os tambores soavam, ditando o ritmo da marcha. 
E os prisioneiros foram entrando no lago. 
Um passo, dois, três, dez, vinte. 
Os pés foram agitando a água e eles entrando mais e mais.
Só ficaram as cabeças descobertas fora d’água. 
Os superiores haviam lhes decretado uma terrível forma de morrer. 
Ali parados, impassíveis e silenciosos, iriam morrer enregelados. 
As luzes do crepúsculo se envolveram num manto dourado e se retiraram, deixando que a noite se apresentasse com seu cortejo de estrelas. 
Ao redor do lago, nas margens, familiares e amigos oravam silenciosos. 
E silenciosos permaneciam os jovens dentro d’água. 
Então, em nome de César, falou um oficial. 
Eles eram jovens e, levando em conta a sua inexperiência, seriam perdoados se jurassem fidelidade aos deuses protetores do Império. 
Era tudo muito simples. 
Bastaria queimar algumas ervas, perante o improvisado altar a Júpiter Olímpico, na outra margem. 
Dentro do lago, nem um mínimo movimento. 
O ar foi se fazendo mais frio e uma névoa começou a se erguer das águas. 
Os guardas acendiam fogueiras nas margens, batiam as mãos, andavam para se aquecer. 
Mas os quarenta legionários permaneciam imóveis. 
Então, eles começaram a cantar e mais forte do que o vento, o hino se ergueu como um grito vitorioso. 
Era como uma cascata de esperanças feita de fé, ternura e renúncia. 
Um a um, no transcorrer das horas, aquelas chamas foram se apagando na Terra, para tremeluzirem na Espiritualidade. Quando nasceu o dia, somente um vivia. 
Um guarda se aproximou de uma mulher e lhe disse que seu filho vivia. 
Como ele vivera até então, teria sua vida poupada. 
Que ela o retirasse das águas e, em nome dele, oferecesse sacrifício aos deuses romanos. 
Nunca. 
Foi a resposta dela. 
-Se ele consciente não o fez, como poderia me aproveitar da sua agonia para traí-lo? 
Firmemente, avançou para as águas e ali esteve com o filho até que o coração dele parasse de bater. 
Depois, apertando-o firmemente nos braços, tomou o seu corpo e o veio depositar aos pés do oficial da guarda. 
* * * 
Há mais de dois mil anos, na Judeia, um homem amou e morreu por muito amar. 
A maravilhosa fé que soube despertar teve o poder de modificar vidas. 
A Sua voz convidava para viver a verdadeira vida, a vida que se desdobra para além da morte. 
Dentre os Seus ensinos, lembramos: 
-Quem perseverar até o fim, este será salvo. Quem crer em mim, mesmo morto viverá. 
A Sua mensagem atravessou os séculos e permanece viva até hoje, estabelecendo diretrizes seguras aos Seus seguidores. 
A Sua é a mensagem do amor, da fé, da fidelidade até o fim.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXVIII, do livro A esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim. 
Em 13.12.2024.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

MATRIMÔNIO VERDADEIRO

PAPA FRANCISCO
Nos dias atuais, muitas são as pessoas que se manifestam contra a disposição de se casar. 
Dizem ser esse passo muito complicado. 
Alguns filhos, com mais de três décadas de vida, prosseguem no lar paterno, sem vontade de formarem sua própria família, terem seu lar. 
Justificam, dizendo ter medo de serem infelizes. Isso porque observam parentes e amigos que, tendo se casado, com o propósito de felicidade, cedo se divorciaram. 
Outros demonstram uma situação de acomodação. 
Preferem investir na profissão, na carreira, com exclusividade, dizendo que não há lugar, em suas vidas, para compromissos de ordem familiar. 
Muitos idealizam sua vida entre trabalho, estabilidade financeira e lazer, com viagens pelo mundo. 
Ao refletir sobre isso, lembramos que lemos, recentemente, manifestação de um líder religioso que nos convida a observarmos que o amor que se fundamenta na família é um amor para sempre. 
Isso é um fato, pois o amor que se constrói nas lutas do dia a dia se torna sólido. 
O papa Francisco nos convida a construir os sentimentos sobre a rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus.
Porque o amor construído sobre as areias da ilusão se desfaz, até mesmo com a brisa que sopra. 
Convida-nos a aprender a arte de vivermos juntos, porque isso é um desafio que nos faz crescer. 
Crescer em solidariedade, em paciência, em resignação, em doação. 
Crescer como seres humanos em evolução. 
E ele conclui: 
-O matrimônio é um trabalho de ourivesaria que se constrói todos os dias ao longo da vida. O marido ajuda a esposa a amadurecer como mulher, e a esposa ajuda o marido a amadurecer como homem. Os dois crescem em humanidade, e esta é a principal herança que deixam aos filhos. É evidente para um bom observador: quando marido e mulher colaboram no crescimento mútuo, a família se une, e todos crescem em harmonia, amor e alegria. É na convivência diária, enfrentando amores e dissabores, que aprendemos a auxiliar e a perdoar. É na dedicação e doação nos momentos difíceis que nos desapegamos da força do egoísmo e nos tornamos solidários. É na renúncia de desejos e vontades pessoais, em prol de realizações do par, que valorizamos o sentimento de amor. É no silêncio mantido em momentos de desabafos exaltados do outro, que cultivamos a paciência. É na economia da receita financeira que aprendemos a ser precavidos e a eleger prioridades. É na cortesia e gentileza de palavras mágicas como Obrigado, Por favor, Desculpe, que desabam as nuvens dos desentendimentos. Afinal, não existe uma família perfeita, nem o marido, a esposa ou filhos perfeitos. Todos nos encontramos a caminho da angelitude mas, por enquanto, ainda estagiamos no estado de humanidade. Por fim, importante lembrarmos de trazer Deus e Jesus para nossos lares, mantendo contato diário pela prece. Orarmos juntos, rogando pela nossa união, pela nossa família. Ensinar nossos pequenos, desde o berço, a essa sadia convivência nos garantirá a paz, o amor e a paciência para crescermos em amor e sabedoria.
Redação do Momento Espírita, com transcrição de frases do Papa Francisco. 
Em 28.1.2017.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

MATRIMÔNIO E AMOR

EMMANUEL E CHICO XAVIER
O casamento, ou seja, a união permanente de dois seres, é um progresso na marcha da Humanidade. 
A partir do momento em que o homem abandona a poligamia e se encaminha para a monogamia, solidificam-se as afeições. 
O respeito pelo outro adquire foro de cidadania. 
O casamento implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. 
Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração, na criação e desenvolvimento de valores para a vida. 
O símbolo da união, normalmente, é uma aliança ou anel. 
A tradição do anel de diamantes para noivas começou em 1477, quando Maximiliano da Áustria pediu Mary de Borgonha em casamento. 
Muito tímido e sem saber como falar com a jovem, Maximiliano pediu um conselho a um parente mais velho, que recomendou que o príncipe deveria oferecer a Mary um anel com diamantes. 
O conselho foi seguido e a tradição surgiu. 
No século XVIII, o anel com diamantes, usado à frente da aliança, era considerado o guardião do casamento. 
Apesar de todos esses símbolos de eternidade, o casamento anda muito pouco considerado. 
As pessoas já se casam supondo que, se não der certo, descasam. 
Não cogitam de como o outro se haverá de sentir ao ser abandonado. 
Nem mesmo como se sentirão os filhos, após a dissolução da união. 
Acontece que milhões de almas que se encontram no planeta estão algemadas a débitos perante a lei de causa e efeito. 
Os débitos contraídos por legiões de companheiros da Humanidade, com entendimento ainda verde para os temas do amor, determinam a existência das uniões supostamente infelizes. 
Nesses casos, temos as ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento. 
É forçoso reconhecer que, no mundo, na grande maioria dos casos, as conjugações afetivas têm raízes em princípios cármicos. 
Quando as obrigações mútuas não são respeitadas no ajuste, surgem as separações, as dissoluções matrimoniais. 
Falta-nos um tanto mais de esforço, pois é difícil a criatura que decline de seus desejos e vontades, num processo de renúncia para o bem da união. 
Cada qual pensa em continuar a ser depois do casamento exatamente como era antes. 
As mesmas atividades, idêntica liberdade de ir e vir. 
Ora, o matrimônio pressupõe um compromisso onde um atende as necessidades do outro e tem responsabilidades comuns. 
Não que se deva abandonar amigos e atividades. 
Contudo, refazer horários e disposições. 
A ligação deve se basear na responsabilidade recíproca, pois no casamento um ser se entrega a outro ser em totalidade. 
E não pode haver qualquer desconsideração entre si. 
Amor feito de respeito, amizade, afeto, longos diálogos. 
Assim se constitui e se mantém um casamento. 
* * * 
Foi na Grécia antiga que surgiu a tradição do uso da aliança e do anel de casamento no quarto dedo da mão esquerda. 
É que a Vena Amoris, a veia do amor, segue desse dedo em direção ao coração. 
Na simbologia do anel, a mensagem do amor que deve reger as relações entre o casal. 
Os gregos consideravam o diamante como a constante chama do amor. 
* * * 
Pensa, refletindo, antes de casar. 
Reflexiona, porém, muito antes de debandar, após assumidos os compromissos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.7, do livro Vida e sexo, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no verbete Casamento, do livro Repositório de sabedoria, v.1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 31.01.2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

CONVITE DE JESUS

Wallace Leal Rodrigues
Ele é um jovem alto e de porte elegante. 
Adentra Roma, a cidade eterna, com esperança no coração.
Vem em busca de trabalho. 
Naquele início do século IV, o jovem artista deseja um lugar para se apresentar e garantir o sustento próprio. 
No paredão do aqueduto vê um cartaz: 
O circo necessita de músicos, 
malabaristas, atores para representações. 
O coração do jovem bate forte. 
Ali está a sua grande oportunidade. 
O circo necessita de artistas. 
Ele é um artista. 
Mas, Domiciano não sabe como chegar ao circo. 
A noite já começa a desdobrar seu manto negro sobre a Terra, enquanto ele principia a procurar o circo. 
Há muita gente nas ruas. 
Todos parecem seguir para uma mesma direção. 
São mulheres e crianças, velhos e jovens como ele. 
Ao contemplar-lhes os rostos, Domiciano percebe que todos estão felizes. 
Ora, pensa, são outros candidatos ao circo. 
E segue-os. 
Rumam para fora da cidade e, na medida que ganham as cercanias, o número de pessoas cresce. 
Domiciano pensa na concorrência. 
Seria bom que não fossem tantos. 
Contudo, os caminheiros não chegam ao circo, mas ao portão de uma quinta às escuras, quase oculta por entre espesso arvoredo. 
Um homem a todos recebe e a cada recém-chegado diz: 
-Seja bem-vindo! 
Domiciano está intrigado. 
Apesar do grande número de pessoas, ainda confia que apresentará sua performance e conseguirá o emprego. 
À luz de tochas de resina, um homem alto, de grisalhas barbas, adentra o local. 
Todos começam a cantar baixinho. 
Pois então, pensa Domiciano, não é que estão ensaiados. Todos sabem o hino que ele tenta acompanhar. 
As palavras lhe entram no coração. 
São palavras mansas, a música é suave. 
Fala de um reino além deste mundo. 
Ele se sente transportado a uma esfera diferente. 
Emociona-se. Sente os olhos úmidos. 
Distribui-se um pedaço de pão, do qual ele mesmo se serve, com emoção. 
Depois, o homem grisalho relembra palavras e feitos de um outro homem, chamado Jesus. 
Fala do princípio da caridade, do amor entre as criaturas, do abandono aos bens da Terra, do trabalho e canseiras da Terra, das alegrias do céu. 
O jovem ouve e ouve. 
Não, aquilo não é o circo. 
Ele se enganou. 
Porém, seu coração lhe diz que aquele é um grande dia. 
Ao terminar a reunião, ele se aproxima do orador da noite e lhe fala: 
-Cheguei aqui por acaso, mas quero ficar. 
O outro o abraça e lhe diz: 
-Nós te aceitamos. Mas não creio que chegaste por acaso. Alguém te trouxe. 
-Quem? Pergunta Domiciano. 
E o próprio coração responde: 
-Jesus. 
Jesus todos os dias renova o seu convite às criaturas para que se acheguem à Sua mensagem e ao Seu coração. 
Para cada um, um convite especial. 
Você já recebeu o seu e o entendeu?
* * *
Jesus é o mesmo ontem, hoje, sempre. 
Amor não amado prossegue amando. 
Seus braços abertos na cruz do martírio continuam abertos para abraçar a Humanidade inteira, Seus irmãos. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Domiciano, do livro A esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim.
Em 10.12.2024

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

VENDAVAL E BRISA LEVE

É um fenômeno que ocorre, vez ou outra. 
Chamamos vendaval e a própria palavra, ao ser pronunciada, recorda destruição. 
Sua passagem determina queda de árvores e postes de energia; destelhamento de casas e edifícios; destruição de pontes e outras estruturas; danos em linhas de transmissão de energia e comunicação; arrasa vastas semeaduras. 
Em sua violência, arremessa objetos como telhas, galhos de árvores, atingindo quem esteja em seu caminho. 
Ele é assim. 
Surge violento e se vai, deixando um rastro de desolação e dor: patrimônios danificados, natureza tombada, searas arrasadas, pessoas feridas ou mortas. 
* * * 
MARIA HELENA MARCON
Por vezes, alguns de nós somos como o vendaval. Por coisa alguma, explodimos em desequilíbrio, elevamos o tom de voz.
Ou investimos contra as coisas inanimadas, em agressões tolas, como se fossem culpadas por qualquer desacerto que nos ocorra. 
Semelhantes ao vendaval, deixamos que a irritação nos domine e despejamos a fúria do nosso verbo, em palavreado grosseiro, atingindo os ouvidos alheios. 
Em outros momentos, pelo cansaço do trabalho, pelas dificuldades que nos cabe enfrentar, nos permitimos responder agressivamente a qualquer coisa que nos indaguem. 
Nem percebemos que amedrontamos nossos filhos, assustamos os que estão próximos, afastamos os que nos amam.
Como o vendaval, arrasamos as paisagens doces do afeto e semeamos tristeza nos corações dos que convivem conosco no lar, no trabalho, na vida social. 
Será que desejamos ser esse promotor de coisas tristes?
Será mesmo que desejamos impor pavor, com nossa simples presença, desde que todos ficam à espera de que, de rompante, tornemos a explodir? 
Desejamos permanecer vendaval? 
Que tal renovarmos nossa maneira de agir, deixando de reagir? 
Comecemos a reter o verbo impensado e louco. 
A palavra nos é dada para a comunicação, para o entendimento. 
Adocemos as palavras, a entonação da voz. 
Tornemo-nos a brisa leve que areja o ambiente. 
Sejamos o vento calmo que beneficia o nosso entorno, refrigerando o ar, transmitindo tranquilidade. 
Formulemos, de imediato, a nova resolução. 
Amanhã, quando despertar o dia, ergamo-nos do leito dispostos a nos tornarmos a brisa amena, solta e leve. 
Essa que chega mansa e abraça, com delicadeza, os que encontra em sua passagem. 
Nosso tempo neste planeta é tão breve, tão passageiro.
Cultivemos afeto, boas lembranças, para deixar como nosso legado. 
Que todos os que conviverem conosco ou nos encontrarem em seu caminho, possam dizer: 
-Que brisa suave, delicada, como faz bem à alma. 
Quem sabe quantos, à nossa passagem, possam se beneficiar dessa nossa vibração amena, de quem deseja paz para si e para todos. 
E sejamos saudados, onde quer que nos apresentemos, com sorrisos de boas-vindas e alegria, que nos dirão que todos se sentem muito felizes com nossa presença. 
Sejamos brisa leve e amena, arejando delicadamente os caminhos dos que nos seguem, dos que compartilham esse mesmo tempo de renovação. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Vendaval e brisa leve, do Espírito Marina, psicografia de Maria Helena Marcon, no Centro Espírita Ildefonso Correia, em Curitiba/PR, em 16.9.2024. 
Em 9.12.2024.

domingo, 8 de dezembro de 2024

MATERNIDADE ABENÇOADA

AMÉLIA RODRIGUES(Espírito)
Afirma o Apóstolo João, em seu Evangelho que, se todas as coisas feitas pelo Mestre Jesus fossem escritas, o mundo não comportaria o número de livros. 
A vida de Jesus foi intensa de obras. 
É o Espírito Amélia Rodrigues que nos conta que, certa vez, após as pregações do dia, tendo a multidão se dispersado, o Rabi se afastou para uma parte solitária da praia e mergulhou em profundo cismar. 
Durante aquele dia, as criaturas atendidas que nEle haviam encontrado diretriz, trouxeram novos candidatos ao Amigo Divino, que a todos atendera. 
As ondas morriam na areia, quase em sussurro, não desejando interromper o silêncio que se tornara moldura viva na qual a figura do Mestre se destacava, irradiando claridade. Foi então que dEle se acercou uma mulher. 
Desculpou-se por perturbá-lO e Lhe falou do seu drama. Tinha sede de amor, e não lograra a honra de fruir o amor. 
Há muitos anos tivera os seus sentimentos de mulher dilapidados e, desde então, procurava a paz, que parecia dela fugir. 
-Que fazer, perguntava, para viver a felicidade? 
O Mestre perpassou o olhar pela paisagem e lhe falou:
-Observa a terra arrebentando-se em flores, frutos e verdor, o rio cantante, enriquecendo as margens de vida, os astros fulgurando ao longe. Em tudo, a ordem, o amor, a transparência da misericórdia do Pai, ensinando equilíbrio e vida. Em tudo vige a Sabedoria do Criador. Assim, não relaciones dores, nem mágoas. Levanta o olhar e avança para o futuro. 
-Senhor, prosseguiu a mulher, entendo a grandeza Divina na Criação. No entanto, eu me equivoquei e do meu equívoco me nasceu um filho. Ele é meu motivo de inquietação e desespero. 
Mais doce que nunca, Jesus lhe respondeu: 
-A mulher é sempre mãe. A relva que cresce sobre os escombros oculta as suas deformidades e disfarça as suas imperfeições. Quando a mulher é abençoada por Deus, pela maternidade, um filho é sempre uma estrela engastada na carne, com a oportunidade de espalhar claridade pelo caminho. Enquanto houver, na Terra, crianças e mães, o Amor Divino estará cantando esperanças para a Humanidade. Não existe filho do equívoco, do delito ou do pecado. Todos eles são dádivas da Vida para a vida. Esquece as circunstâncias em que te chegou o anjo que te bate à porta do sentimento. Levanta-te com ele, avançando no rumo das estrelas. 
A mulher, emocionada, procurou os olhos de Jesus, por entre a nuvem de lágrimas que encobria sua visão. 
Levantou-se com uma discreta reverência, e preparou-se para partir. 
Ela não saberia dizer se O ouviu falar ou se O escutou no imo d’alma. 
-Vai filha, e ama. 
* * * 
A maternidade é a mais elevada concessão de nosso Pai, demonstrando que o mal jamais triunfará no mundo. 
Porque, enquanto houver um coração de mãe, um sentimento maternal, na Terra, o amor ateará o fogo purificador e a esperança de felicidade jamais se apagará. 
* * * 
Dizem que mãe não tem limite. 
É como tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento ou a chuva desaba. 
É veludo escondido na pele enrugada. 
É água pura, ar puro, puro pensamento. 
Um poeta ousou dizer que a palavra é pequenina, mas mãe é do tamanho do céu e apenas menor que Deus! 
Redação do Momento Espírita, com base no versículo 25, do cap. 21 do Evangelho de João; no cap. 5 do livro Há flores no caminho, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL; no poema Mãe, de Mário Quintana e no poema Para sempre, de Carlos Drumond de Andrade. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP.
Em 22.7.2013.