sábado, 12 de janeiro de 2019

EDUQUE AS EMOÇÕES

CAMILO CASTELO BRANCO
Cada momento da vida guarda lições e aprendizados muito especiais. No trabalho da educação da mente, reside uma grande dificuldade para a maioria das pessoas. Quando você esteja à frente de alguém que lhe é apresentado, ou alguém que esteja vendo por primeira vez, é comum a excitação das conjecturas. Há momentos em que você é tomado por grandes simpatias, à primeira vista, entregando-se, totalmente, ao amigo novo. Em nome do bom senso, será recomendável que você trate a todos com fraternidade, deixando, porém, a maior abertura do coração para depois do devido entrosamento, do necessário conhecimento recíproco, o que a convivência cuidadosa permite. Agindo assim, trabalhará com simpatia, sem se queixar de frustrações ou decepções, decorrentes do estouvamento e invigilância tão comuns em muitas almas. Há circunstâncias, porém, nas quais você marca o novo conhecido por tremenda antipatia, prevendo ou prejulgando-lhe o caráter, fazendo-se enormemente fechado, frio e antipático, cerrando qualquer chance de maior aproximação do outro. Não há nenhuma necessidade de tanta frieza emocional. Pode-se ter cuidados e manter cautelas, com gestos fraternos, com espírito de cooperação, devidamente equidistante dos arroubos entusiásticos e das posições de gelo. Evite tachar as pessoas, antes de as conhecer melhor. Como é perfeitamente natural que você tenha o seu parecer inicial sobre qualquer pessoa, e isso é inevitável, pelo menos reserve espaço para mudar de opinião e de postura, na medida do maior contato, para que não peque por excesso ou por falta, guardando-se em clara maturidade emocional. Nunca suponha que estará deixando de ser bom cristão se tiver cautelas emocionais. Não, não é assim.
-“Descobri que fulano não era quem eu pensava.” 
Mas, era você que pensava, e não o fulano que afirmou ser o que você pensava. 
-“Sofri decepção com beltrano.” – Falam outros. 
A verdade é que a decepção não foi bem com o beltrano, mas sim consigo mesmo, que fez um juízo avantajado do outro, sem considerar que o outro é igualmente falível, porque é gente. Dessa forma, lembre-se de educar as emoções relativamente ao contato humano. Você só terá a crescer, aprendendo a descobrir as suas reais afinidades da alma, identificando aqueles que não lhe sejam tão amistosos, conseguindo, não obstante, conviver e ser útil a todos. 
 * * * 
RAUL TEIXEIRA
Há muitas pessoas que assumem a postura de suposta sinceridade e transparência nos relacionamentos, encobrindo assim seu comportamento anticristão, de cordialidade e respeito ao próximo. Muito cuidado para não acreditar que ser honesto e sincero é ferir a suscetibilidade de alguém. Muito cuidado para não ser exigente demais, e assim afastar de sua vida as pessoas. Lembre-se que, antes de tudo, deve existir a caridade. E caridade, nesse caso, é sinônimo de tolerância, de paciência e simpatia. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 22, do livro Para uso diário, pelo Espírito Camilo, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 28.4.2014.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

NA BARCA DO CORAÇÃO

Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas... Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis -, levarem-te a dizer: 
-Que dia! 
Lembra-te...Caía a tarde e a multidão ainda estava reunida na praia. Desde que o sol surgira, Jesus atendera as incontáveis súplicas daqueles que O buscavam. Mãos e lágrimas roçavam-lhe o rosto e a túnica - antes tão limpa e alva - e agora, toda manchada de lamentos. Finalmente, chegara às margens do lago, vencendo a dor e as tristezas dos sofredores. Aqueles que O viram deixando atrás de si um rastro confortador de estrelas, perguntavam-se: 
-Quem será este homem, a quem as dores obedecem? 
O céu acendia as cores da noite quando a barca de Pedro recolheu a preciosa carga. Jamais Jesus mostrara na face sinais tão evidentes de cansaço. Acomodado sobre uma almofada de couro, Sua majestosa cabeça pendeu sobre o peito, como um girassol real despedindo-se ao poente. Seus lábios deixaram escapar um longo suspiro antes de adormecer. Seus amigos pescadores não ousaram lhe perturbar o merecido sono, manejando remos com cuidado, auxiliados pelos sussurros de doce brisa. O lago de Genesaré assemelhava-se a gigantesco espelho de prata ao luar, tranquilo e sereno como o Mestre adormecido. Faltava pouco para completar a travessia, quando tudo transformou-se. O tempo irou-se, sem aviso. Adensadas, as nuvens de gaze leve tornaram-se tenebrosa tempestade, e o lago esqueceu a calmaria, encrespando-se, açoitado pelo vento. Para a barca, vencer a tormenta era como lutar contra vigoroso e invencível titã. Pedro usou toda a sua força e sabedoria nos remos, gritando ordens que se perdiam entre as gargalhadas dos trovões e dos relâmpagos. Os discípulos assustados correram a acordar Jesus, que ainda dormia. 
-Mestre! - exclamaram em coro desesperado - perecemos! 
Jesus, assim desperto, levantou-se prontamente, equilibrando o corpo cansado muito ereto, apesar da barca que, por pouco, não naufragava. Sua majestosa silhueta parecia estar envolta em misteriosa luz, quando ergueu os braços, ordenando à tempestade: 
-Calai-vos! 
E voltando-se para os amigos: 
-Acalmai-vos! Homens, onde está a vossa fé? 
Os ventos emudeceram e o lago baixou suas ondas, aplacado por misterioso imperativo. Os discípulos olhavam-se, num misto de surpresa e alívio. Envergonhados, voltaram-se para os remos. No compasso ritmado avançava a barca, ao compasso do coração daqueles homens que se perguntavam: 
-Quem será este homem, a quem os ventos obedecem? 
* * * 
Quando as nuvens negras dos pensamentos tormentosos cobrirem com escuro véu o horizonte de tuas esperanças, e a barca de teu coração agitar-se, desgovernada, sobre as ondas... Quando as obrigações diárias, as dificuldades e os problemas, as surpresas - nem sempre agradáveis -, levarem-te a dizer: Que dia! Lembra-te... Acorda a mensagem do Cristo adormecida em ti e... acalma-te! 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. 
Em 11.1.2019.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

LEIS IMUTÁVEIS

A palavra lei expressa uma regra ou um conjunto de regras, criadas com o objetivo de definir e regulamentar diversas situações entre os homens. A lei civil, por exemplo, regula a relação entre os cidadãos. A lei criminal define os delitos e determina a maneira como serão as punições referentes a cada falta. Verificamos, nas leis da química, física e astronomia, a definição de algumas relações constantes, que existem entre os fenômenos naturais. A lei moral ou divina indica ao homem o que ele deve fazer ou deixar de fazer. É um conjunto de normas ou regras, emanadas da Providência Divina, que orientam os atos humanos segundo a justiça natural. É a ética religiosa de todos os povos e de todas as nações. A desobediência aos seus códigos causa sofrimento e desequilíbrio ao infrator que, de forma alguma, fugirá ao reajuste. O homem traz a lei de Deus gravada em sua consciência e mesmo o mais bruto a sente, em forma de impulsos. Somos todos capazes de distinguir o bem do mal. Deus é a Inteligência Cósmica que rege o mundo com perfeição. Não é como um hábil relojoeiro que formou o mundo, deu-lhe corda e a deixa esgotar-se, lentamente, até o fim. Pelo contrário, Ele é o Pai amoroso que cuida daquilo que criou. Colocou junto a nós seres superiores, nossos guias espirituais e protetores, que estão sempre prontos a nos aconselhar e amparar. Permanecem ao nosso lado desempenhando uma missão de amor. Através da inspiração que recebemos desses Espíritos, Deus nos alerta, a cada instante, se fazemos o bem ou o mal. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade. Segundo a palavra do Cristo, estamos em Deus assim como Ele está em nós. Ele nos criou, deu-nos um objetivo e nos fornece os meios de alcançarmos essa meta. Colocou-nos sob Sua regência. O Supremo Pai utilizou-se, através dos tempos, de profetas e sábios para nos indicar essa rota segura. Mas foi Jesus quem nos apresentou o modelo perfeito a ser seguido, ensinando, pelo exemplo e sacrifício, toda a vivência do estatuto das leis morais. Elas têm o seu fundamento no amor e encerram todos os deveres dos homens uns para com os outros. As leis naturais de justiça, amor, igualdade e caridade resumem todas as outras e possibilitam ao homem adiantar-se na vida espiritual. Estabelecidas pelo Pai Criador, as invioláveis leis morais são de todos os tempos e constituem roteiro de felicidade no caminho evolutivo. Pensemos em como tem sido o nosso proceder na relação com Deus, no uso do nosso tempo, no cuidado com o corpo físico, na vida em sociedade e em família, no uso dos bens da Terra e perante as desigualdades sociais. Em benefício da nossa própria evolução moral e espiritual, mantenhamos viva a chama da fé e a sintonia com a Espiritualidade maior, para que consigamos seguir com fidelidade as leis morais da vida. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 10.1.2019.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

EDUCAR PARA SALVAR

Dora Incontri
Diante dos dias conturbados por que passa a sociedade atual, só existe uma maneira eficiente de fazer com que desponte uma aurora límpida e bela, neste Terceiro Milênio: a educação. Somente através da educação bem sedimentada poderá surgir o homem renovado do século XXI. Mas, educar não significa apenas transmitir padrões sócio-culturais, nem acompanhar o desenvolvimento físico-intelectual da criança ou passar uma série de informações pela instrução formal. A educação, bem entendida, consiste em formar o homem de bem, contemplando seu duplo aspecto: espiritual e físico. A violência grassa e desgraça, num mundo onde o ser humano vem perdendo o senso de fraternidade, de solidariedade, face aos conflitos de opiniões, às imposições do intelecto sobre o sentimento, à robotização que transforma o ser humano em máquina, a repetir atividades que lhe destroem a capacidade de criar, de enriquecer-se de novos valores espirituais. Educar, no sentido que o termo exige, é desenvolver, cultivar, fazer brotar, elevar, fazer crescer, não de maneira unilateral, mas de forma integral, para que o educando possa ser o cidadão honrado que todos desejamos encontrar na sociedade da qual fazemos parte. E para que se atinja esse grandioso objetivo será preciso, antes de tudo, duas premissas básicas: amor e autoeducação. Amar para educar e auto-educar-se para amar. Esse binômio: amor e autoeducação deverá ser o denominador comum para pais e mestres. Aos pais não basta amar, é preciso que seu amor seja firme, sem tirania, e terno, sem pieguice. Aos mestres não basta instruir, transmitir informações áridas, sem o real enriquecimento do conteúdo com o tempero do afeto. É preciso que haja uma conjugação de forças entre pais e mestres para que se logre êxito na reforma moral da Humanidade.... Para que se possa ver o despontar da verdadeira aurora do Terceiro Milênio... É preciso que o ser humano passe a ser o tesouro mais valioso do planeta, para que entenda o papel que lhe cabe na obra do Criador. É preciso que não se tente resumir o ser humano a uma simples máquina de fazer sexo, fabricar dinheiro, se projetar sob as luzes transitórias dos holofotes da fama. É preciso que se compreenda a realidade imortal do homem. É preciso que se entenda, de vez por todas, que o ser humano não é um amontoado de ossos e músculos, numa breve experiência espiritual. O homem é um ser espiritual, imortal, vivendo uma breve experiência num corpo carnal, frágil e perecível, que caminha na direção do túmulo. E, por fim, é preciso que se viva como ser imortal, que terá que prestar contas dos seus atos à consciência cósmica e à própria consciência, assim que se desembaraçar da carne. Se pais e mestres, que geralmente também são pais, amassem para bem educar e se auto-educassem para amar, o panorama do mundo se transformaria em pouco tempo, para melhor. Veríamos no lar, que é a primeira escola, as crianças aprendendo o respeito ao semelhante, a dignidade, a honradez, a liberdade intelectual, o respeito a si mesma e ao próximo. E, na escola, com mestres conscientes do seu nobre dever, aprenderiam as lições para iluminar o intelecto, mas sempre acompanhadas com os componentes do amor e da ternura. Eis uma receita infalível... Eis a solução para banir, definitivamente, a violência da face da Terra. 
 * * * 
A educação sem um propósito de transcendência é uma ideia vazia e estreita e pode sempre se tornar instrumento de manipulação dos poderes sociais. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base na Introdução e no cap, VIII, do livro A educação da Nova Era, de Dora Incontri, ed. Comenius. 
Em 1.7.2013.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

APÓS A TEMPESTADE

Não são muitas as pessoas que reconhecem o valor da mensagem impressa, atribuindo aos livros pouca ou nenhuma importância. Assim pensam, sem imaginarem o que seria dos ensinos de Jesus se os Evangelistas não os tivessem anotado e entregue à posteridade. E da filosofia de Sócrates, sem os escritos de seu discípulo Platão. O tempo ter-se-ia encarregado, com certeza, de os diluir nos séculos, eis que todas as histórias que somente vivem na memória das criaturas e são passadas oralmente, de geração a geração, acabam por se tornar lendas, cujo fundo de verdade é bem difícil de ser identificado. Há algum tempo, uma jovem senhora vivia um drama familiar imenso. O marido a abandonara e ela não dispunha de meios para garantir o sustento dos três filhos menores. Lesada no afeto e sem vislumbrar melhores perspectivas, resolvera abandonar a vida física. Arquitetou uma estratégia e conseguiu uma substância corrosiva para realizar o seu intento. Enquanto retornava ao lar, acariciando no bolso a porção fatídica, passou por uma banca de livros espíritas e a capa de um determinado livro lhe chamou a atenção. Aproximou-se, abriu-o e leu alguns títulos. O atendente, vendo-a devolver o livro à prateleira e fazer o gesto de quem iria se retirar, perguntou-lhe se não desejava levar a obra. Timidamente, ela se desculpou, dizendo que não dispunha de dinheiro. O jovem, sensibilizado, tomou do volume e o colocou nas mãos da senhora, presenteando-a. Ela se foi com a obra intitulada Após a tempestade. Chegando em casa, pensou em ler uma página. Seria a sua despedida do mundo. Folheou-o e surpreendeu-se com um título: Suicídio. Sentou-se e leu atentamente as observações ali contidas a respeito dessa fuga da vida. Ao concluir a leitura, a vontade de matar-se já havia passado. Virou a página e leu outra mensagem, e outra mais, até que se deu conta de que tinha lido várias e seu estado de ânimo mudara. As lágrimas lhe brotavam com abundância dos olhos. Havia motivos para viver: Deus a amava e ela era responsável por três vidas, além da sua própria. A vida é patrimônio divino e não deve ser malbaratada. Dispôs-se a prosseguir vivendo. Os meses escoaram e a situação se transformou. Conseguiu um emprego. Voltou-se para a religião, ela que até havia se esquecido de orar. Cinco anos depois, sua vida se reestruturara e ela seguia feliz. Cinco anos... após a tempestade. 
* * * 
Muitos livros existem à disposição de almas aflitas e seres sedentos de orientação. Livros grandes, pequenos, opúsculos. Todos servem ao objetivo do amor divino: atender os Seus filhos que vivem o infortúnio, para que se redescubram e descubram o amor que nunca perece. 
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O livro nobre, impresso ou virtual, pode ser considerado pão da vida. É preparado com o trigo da sabedoria para sustentar as criaturas, todos os dias. Difundir o bom livro é espalhar esperanças no mundo. As almas sofridas nele encontrarão sempre repouso para as suas fadigas e a luz do conhecimento para as suas mentes. Pensemos nisso e nos empenhemos em divulgar os bons livros. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato extraído do Divulgador do livro espírita, de maio de 1998, a respeito do livro Após a tempestade e nos verbetes Livro e Livro espírita, do livro Repositório de sabedoria, v.2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 8.1.2019.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EDUCAR COM SABEDORIA

A garotinha, de pouco mais de três anos de idade, tentava rabiscar a agenda da mãe e essa lhe dizia, com carinho, apontando o caderno que estava ao lado: 
-Filha, esta agenda é da mamãe, e este caderno é seu. Você pode escrever no seu caderno, não na agenda da mamãe. Está bem? 
A filha tentou, disfarçadamente, mais algumas vezes, mas a mãe se manteve firme no propósito de educar e colocar limites nas ações da criança. Minutos depois, o pai entrou na sala e a menina fez uma nova tentativa. Levou o lápis sobre a agenda da mãe, mas o pai a orientou: 
-Querida, escreva no seu caderno e não na agenda da mamãe.
A garotinha, esperta como toda criança, sentiu que não teria a ajuda do pai e passou a agir certo. Se o pai tivesse apoiado a atitude da filha, contrariando as orientações da mãe, certamente a criança saberia onde buscar aprovação quando a mãe lhe negasse algo. Felizmente, aquele casal sabia educar com sabedoria, falando a mesma linguagem para que a filha não tivesse outra opção a não ser obedecer. Todavia, nem todos os casais agem dessa forma. Lamentavelmente, há pais e mães que agem de maneira infantil para conquistar o amor dos filhos, fazendo concessões que deseducam a criança e deformam seus caracteres. Se a mãe diz não, o pai diz sim e se o pai diz não, a mãe permite. Essa disparidade é extremamente prejudicial, pois a criança se sente insegura ou passa a tirar vantagem da situação. Quando não consegue a aprovação da mãe para seu intento, ela busca o pai e vice-versa. A criança passa a fazer um jogo perigoso entre os pais, colocando, tantas vezes, um contra o outro, ou chantageando a um ou outro. Ademais, o filho fica sem parâmetro, não sente firmeza nas orientações que os pais lhe passam pois o que um diz o outro desdiz. Por essa razão, os pais devem ter sempre, pelo menos diante dos filhos, a mesma posição. Sim, sim. Não, não. Se um, ou outro, não concordar com a orientação que foi dada, depois, a sós, discute a questão, mas nunca na frente dos filhos. O mais lamentável, ainda, é quando um dos cônjuges se une ao filho para criticar ou depreciar o outro, desmoralizando-o para tirar algum tipo de vantagem afetiva. Importante lembrar que a criança deve ser educada para respeitar limites. E os limites devem ser estabelecidos desde cedo, como, por exemplo, não permitir que ela tome conta de tudo, como se fosse a dona do mundo. Na hora de brincar, a criança deve saber quais são os limites do seu território. Ela poderá usar seus brinquedos, seu espaço, seus pertences e nunca os aparelhos de áudio e vídeo, controles remotos, vasos de flores ou outros objetos da casa. Os limites são de extrema necessidade para que a criança cresça consciente de que vive num mundo onde vivem também outras pessoas, que também têm direitos tanto quando ela. Se você, pai ou mãe, ainda não havia pensado nisso, pense agora. Pense que a única maneira de evitar conflitos e desgastes na relação com seus filhos adolescentes, mais tarde, é educar bem a criança, hoje, enquanto ela está receptiva. 
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A educação é a arte de formar caracteres. E não há melhor período para educar do que o da infância, em que a criança é mais suscetível aos ensinamentos. É por essa razão que o Criador faz com que o Espírito encarnado passe por esse período, de mais ou menos sete anos, para receber dos educadores uma base sólida de valores morais, a fim de se conduzir com dignidade na fase adulta. Pense nisso e analise seriamente sua importante missão de educador. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por Miroslava Rosinski, na III Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Curitiba, no dia 19 de julho de 2003. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. 
Em 05.03.2012

domingo, 6 de janeiro de 2019

EDUCANDO NOSSOS PEQUENOS

Quando o pai de Blaise Pascal entrou no quarto do menino e viu o soalho tomado por barras e rodas, não o puniu. Indagou-se o que seria aquilo tudo. Em verdade, rodas e barras eram círculos e as linhas retas da geometria. Logo mais, o garoto provaria que a soma dos ângulos de um triângulo perfaz dois retos, resolvendo num passatempo, o trigésimo segundo teorema de Euclides, cujo nome ele ignorava. Quando nos encantamos com os tantos inventos de Leonardo da Vinci; quando vemos os tantos esboços que fez em papéis e mais papéis; quando lemos a respeito da sua precocidade, sua genialidade, que parecia não poder ser contida, não deixamos de pensar o que teria sido daquele menino se seu pai não tivesse prestado atenção àquilo tudo. O genitor reuniu alguns dos trabalhos de Leonardo e os encaminhou para o escultor, ourives e pintor Andrea Del Verrocchio, figura de grande importância no âmbito das artes. Isso fez com que Leonardo fosse admitido na sua oficina, como aprendiz. Estava aberto o caminho para a expressão da sua genialidade. Lemos que uma criança de seis anos utilizou a parede da sala de estar para desenhar uma casa. Isso não é novidade. Crianças de diferentes idades, em um momento ou outro, resolvem pintar a parede da casa dos pais. A questão é como a família reage. Normalmente, os pais fazem o filho limpar a bagunça para que nunca mais torne a fazer nada semelhante. Bom, o pai do garotinho, ao encontrar a simpática casinha desenhada, ficou imaginando o que diria sua esposa. E o que ela faria. A atitude foi, no mínimo, inusitada. Ao ver o desenho, ela emoldurou o que considerou uma obra de arte e transformou a sala da família em uma galeria. Além da tradicional moldura, a obra do pequeno recebeu uma placa de identificação, como nos grandes museus. Na primeira linha, o seu nome e a data do seu nascimento. Na sequência, o título da obra prima: Casa interrompida. E o ano da sua criação, 2017. Naturalmente, não podia faltar o material utilizado para a pintura: Canetinha em pintura de látex. Dado aos seus pais, de surpresa, em 13 de novembro. O que terá pensado essa mãe? Talvez tenha cogitado ser a primeira expressão de um grande pintor. Ou talvez não tenha querido frustrar a primeira tentativa, desejando incentivá-lo a prosseguir na sua arte. Com certeza, lhe providenciando material devido para isso. O que chama a atenção, contudo, não é o fato de uma parede da casa ter sido pintada dessa forma. O que sobressai é que essa mãe pensou mais no filho do que no que é material e pode ser lavado, substituído, arrumado. É nesse sentido que o gesto merece ser analisado. É de nos questionarmos como temos considerado as peraltices dos nossos filhos. Será que somente os temos podado em suas ações ou temos parado um pouco, observado e tentado verdadeiramente entender para educar de forma adequada? Educar requer tempo, dedicação, atenção. Atenção ao que o filho fala, escreve, cogita, às ideias que expressa. Quantas vezes temos, simplesmente, levado à conta de tolices tanto do que diz, do que faz? Eis uma boa oportunidade para nos indagarmos: Estamos nos preocupando, verdadeiramente, com a educação do nosso pequeno? Estamos ouvindo-o, observando-o, descobrindo o de que ele verdadeiramente necessita para se tornar um bom cidadão, um homem para o mundo? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com narração de fato colhido na internet. 
Em 2.3.2018.