sábado, 14 de outubro de 2017

DESCOBRINDO A SIMPLICIDADE

Aos dez anos, aquele garoto viajou ao interior do país na companhia da família de um amigo. Nascido e criado em uma grande metrópole, já havia estado em outras pequenas cidades durante viagens com sua família, mas sempre em breves passagens. Dessa vez foi diferente. O convite era para que ele passasse uns dias na casa da avó do amigo, em uma cidadezinha sem grandes atrativos turísticos. Pela primeira vez teve a oportunidade de vivenciar a rotina de uma vida no interior. No retorno, a alegria estava estampada nos seus olhos. O sorriso era largo, espontâneo, parecia que tinha a alma leve. Obviamente que o passeio lhe fizera muito bem. Contou à família alguns episódios divertidos que vivenciara, sempre enfatizando que havia gostado muito da viagem. Nos dias seguintes ao seu regresso, todas as vezes que surgia uma oportunidade, o garoto comentava sobre a alegria de ter passado alguns dias naquele lugar e que se pudesse, voltaria quantas vezes fosse convidado. Mas ele mesmo não sabia explicar os motivos para tanto entusiasmo. Lembrava de outras viagens maravilhosas que havia feito e das quais tinha ótimas recordações, mas nenhuma delas remetia a esse sentimento que agora experimentava. Passados mais alguns dias, o menino abordou a mãe com certa aflição, pois havia encontrado os motivos de estar encantado com a viagem que fizera e queria dividir com ela a sua descoberta. Quase que num desabafo infantil, ele disse que havia gostado tanto do lugar que conhecera porque lá era tudo muito simples. Segundo ele, as pessoas não corriam para todos os lados o dia inteiro. Elas paravam para conversar quando encontravam algum conhecido e ficavam olhando nos olhos umas das outras, com atenção. Andavam a pé pelas ruas. As famílias almoçavam e jantavam reunidas. E as casas estavam sempre cheias de visitas de parentes e amigos. A impressão que ficou gravada foi a de que as pessoas não estavam perdendo tempo ao fazer tudo aquilo e sim, aproveitando a vida. 
 * * * 
Essa observação, vinda de um olhar infantil, nos leva a uma profunda reflexão sobre a forma como estamos vivendo nas grandes cidades e sobre os valores que estamos passando para nossos filhos. Sob essa ótica, ele observou o quanto faz bem ao coração uma vida calma, onde há tempo para as coisas mais simples. Vida na qual existem momentos para construir e consolidar os relacionamentos. É comum vivermos presos aos ponteiros do relógio, não nos permitindo cultivar as coisas simples e importantes. Por mais que estejamos atarefados e envolvidos com os compromissos assumidos, é indispensável fazermos uma revisão de nossas ações. Procuremos conduzir as horas com tranquilidade. Façamos com que nossos dias sejam luminosos, aproveitando-os com sabedoria e transformemos nossas horas em um rosário de bênçãos. 
Redação do Momento Espírita. Em 16.5.2013.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

DESCOBRINDO A PRÓPRIA FORÇA

Rachel Naomi Remen
Rachel tinha apenas dezesseis anos quando, certa noite, recolheu-se ao leito, no dormitório da escola. Acordou seis meses depois, numa cama de hospital, na cidade de Nova Iorque. Ela sofrera um forte sangramento intestinal que a fez mergulhar num longo estado de coma. Era o fim de sua vida como uma pessoa saudável e o início de uma vida como pessoa portadora de doença crônica. Foi nessa época que Rachel se recorda de ter verdadeiramente conhecido sua mãe. Até então, lembrava-se dela como a profissional que passava longas horas trabalhando. Rachel a via quando chegava em casa, tarde da noite, para lhe dar banho, ler uma história, dar-lhe um beijo de boa noite. Era uma figura passageira que tinha um perfume gostoso e tomava conta dela nos finais de semana. Durante os seis meses de seu coma, seus pais se tomaram de temores. O prognóstico médico era sombrio. Se saísse do coma, viveria como uma inválida, limitada por uma doença que os médicos não compreendiam, nem controlavam. Teria que se submeter a uma série de cirurgias importantes. Não deveria viver além dos quarenta anos. Sem chance de retornar aos estudos. Mas Rachel desejava ser médica. Ali, deitada na cama, ouvindo seu pai lhe dizer tudo isso, ela ficou zangada. Não importava o que diziam os médicos, ela iria voltar aos estudos, à faculdade. Queria ser médica. Nada a impediria.
-Ah, disse o pai, uma coisa a impedirá, sim. Não pagarei os seus estudos. 
Foi então que a mãe de Rachel, sem alteração na voz, afirmou: 
-Eu pago a faculdade. Tenho uma conta no banco há muitos anos. É toda sua, Rachel. 
Vinte e quatro horas depois, ela assinou um termo de responsabilidade e retirou a filha do hospital, contra a recomendação médica. Tomou um pequeno avião e levou Rachel de volta à faculdade. Nos seis meses seguintes, ficou levando a filha para as salas de aula, muitas vezes empurrando a cadeira de rodas, porque ela não conseguia andar. Então, quando percebeu que ela poderia cuidar de si mesma, a deixou. Telefonava todos os dias. Os dois anos seguintes foram de muitas lutas. Rachel não conseguia comer direito e tomava medicamentos fortes para controlar os sintomas. Mas foi descobrindo uma força que desconhecia. Encontrou uma maneira de viver essa nova vida e seguir em frente. Concluiu a faculdade e passou a clinicar. Anos depois, conversando com sua mãe, lhe perguntou porque a deixara sozinha em momento tão difícil. Afinal, ela era a sua única filha. 
-Eu temia por você. – Disse-lhe a mãe. Mas temia ainda mais pelos seus sonhos. Se eles morressem, essa doença dominaria a sua vida. 
A pior morte é permitir que sejam sepultados os próprios sonhos. 
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Amparar a vida, por vezes, é algo muito complexo. Há momentos em que o melhor é oferecer a nossa força e a nossa proteção. No entanto, acreditar numa pessoa num momento em que ela não consegue acreditar em si mesma, tem uma importância toda especial. Essa nossa crença poderá se tornar o seu barco salva-vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Uma questão de vida ou morte, do livro As bênçãos do meu avô, de autoria de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante. Em 9.12.2015.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A ALMA INFANTIL

A alma infantil, nos diz Cecília Meirelles, como aliás, a alma humana, não se revela jamais completa e subitamente, como uma janela que se abre deixando ver todo um cenário. É necessário ter cuidado para entendê-la, e sensibilidade no coração para admirá-la. A autora nos narra que, certa vez, ouviu o comentário de uma professora que contava sobre alguns presentes recebidos de alunos seus: 
-Os presentes mais engraçados que eu já recebi de alunos, foram, certa vez, na zona rural: um, levou-me uma pena de pavão incompleta: só com aquela parte colorida na ponta. Outro, uma pena de escrever, dourada, novinha. Outro, um pedaço de vidro vermelho... 
Cecília afirma que seus olhos se alargaram de curiosidade, esperando a resposta da professora sobre sua compreensão a respeito de cada um dos presentes. A amiga, então, seguiu dizendo: 
-O caco de vidro foi o que mais me surpreendeu. Não sabia o que fazer com ele. Pus-me a revirá-lo nas mãos, dizendo à criança: “Mas que bonito, hein? Muito bonitinho, esse vidro...” 
E procurava, assim, provar-lhe o agrado que me causava a oferta. Ela, porém, ficou meio decepcionada, e, por fim, disse: 
-“Mas esse vidro não é para se pegar, não... 
-Sabe para que é? Olhe: a senhora põe ele assim, num olho, e fecha o outro, e vai ver só: fica tudo vermelho... Bonito, mesmo!” 
A professora finalizou dizendo que esses presentes são, em geral, os mais sinceros. Têm uma significação muito maior que os presentes comprados. Cecília Meirelles vai além, e busca ainda fazer uma análise de caráter psicológico: 
-O que me interessou, no caso relatado, foram os indícios da alma infantil que se encontraram nos três presentes. E os três parecem ter trazido a mesma revelação íntima: uma pena de pavão incompleta – reparem bem -, só com aquele pedacinho “colorido” na ponta, uma pena de escrever “dourada” novinha, e um caco de vidro “vermelho” são, para a criança, três representações de beleza. Três representações de beleza concentradas no prestígio da cor e desdobradas até o infinito, pelo milagre da sua imaginação. Essas três ofertas, portanto, da mais humilde aparência (para um adulto desprevenido), não devem ser julgadas como esforço entristecido da criança querendo dar um presente, sem ter recursos para comprar. A significação de dinheiro, mesmo nas crianças de hoje, ainda é das mais vagas e confusas. E sua relação de valor para com os objetos que a atraem é quase sempre absolutamente inesperada. 
-Eu tenho certeza - diz a autora ainda – de que uma criança que dá a alguém uma pena dourada, uma pena de pavão e um caco de vidro vermelho, os dá com certo triunfo. Dá com certa convicção de que se está despojando de uma riqueza dos seus domínios, de que está sendo voluntariamente grande, poderosa, superior. 
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A infância não é somente útil, necessária, indispensável, mas é, ainda, a consequência natural das leis que Deus estabeleceu, e que regem o Universo. Com ela, aprendem os Espíritos que reencarnam – mais dóceis e influenciáveis quando no estado infantil. Aprendem também as almas que as cercam, colhendo desse período de inocência e magia o exemplo da pureza e da simplicidade de vida, que devemos todos encontrar em nosso íntimo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Os indícios da alma infantil, do livro Crônicas de educação, v. 1, de Cecília Meirelles, ed. Nova Fronteira. Em 12.10.2017.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A VISÃO DA INFÂNCIA

Diz-nos Cecília Meirelles que se fosse preciso ainda uma vez recordar a diferença profunda que existe entre a infância e a idade adulta, eu convidaria o leitor a relembrar os lugares por onde passou, quando pequeno. Então, comparar a impressão que lhe deixavam naquele tempo com a que lhe oferecem agora. O ambiente em que se desenvolveu a nossa meninice foi visto por nós com olhos tão diversos daqueles que veem depois as realidades do adulto, que geralmente sentimos uma enorme surpresa revendo esses lugares. Achamo-los tão mudados... no entanto, não mudaram, eles. Mudamos nós. As coisas... nós as víamos de perto, com um interesse e uma atenção de que já não dispomos. Nossos sentidos, donos ainda de raras sensações, analisavam cada espetáculo, linha por linha, percorrendo-os com verdadeiro deslumbramento. E, nessa encantadora viagem do olhar iam tecendo uma história que foi a primeira legenda, escrita por nós sobre as vidas que encontramos. Hoje, um inseto é para nós um inseto, apenas, com um lugar determinado na História Natural. Esse mesmo inseto foi um motivo decorativo de infinita beleza nos nossos tempos de criança. Conhecíamos com exatidão o desenho das suas asas, a cor que tomavam, com a luz, o movimento que tinham, a resistência que lhe era peculiar. Como eram enormes as nossas bonecas e os nossos carros! Se algum deles tivéssemos conservado até hoje, haveríamos de o achar insignificante, e ficaríamos admirados do tamanho que lhe supúnhamos. A eminente escritora brasileira termina então por questionar: Com toda essa diferença de visão, como querer fazer que as crianças sintam o que sentimos? Como forçá-las a compreender o nosso mundo com as proporções que lhe damos? Como arrancá-las ao seu prodigioso cenário, tão diverso deste que em geral se lhe quer impor, como o único autêntico? Muito há de se pensar sobre essas questões, certamente. Preciso se faz refletir sobre como estamos tratando nossas crianças, e ainda mais: sobre como tratamos a criança que mora em cada um de nós. Por que perdemos esta visão acurada ao longo do tempo? Será realmente uma mudança natural, necessária, inevitável? Não seria possível conservar, como um grande tesouro que se guarda, pelo menos um pouco dessa sensibilidade infantil? Nós, adultos, temos muito a aprender com as crianças. Primeiramente entendendo seu mundo, sua visão da vida, sua interpretação dos fatos, evitando exigir-lhes compreensões que são nossas apenas. Em segundo lugar, enamorando-nos de sua sensibilidade apurada, analisando-a com cuidado, e tomando-a como exemplo. Passemos algumas férias dentro do coração de nossos filhos, procurando viver em seu mundo por alguns instantes, de quando em vez. Será viagem inesquecível para ambos. Para eles será prova de amor, de companheirismo. Para nós, escola moral enriquecedora. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto do livro Crônicas de educação, de Cecília Meirelles, ed. Nova Fronteira. Em 11.10.2017.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

QUANDO O AMOR SUPERA A MORTE

A jovem chegou na pacata localidade litorânea praticamente sem bagagens. Arrumou um emprego na lanchonete local e alugou uma casa longe de tudo e de todos. O seu objetivo era não criar laços afetivos para que ninguém, eventualmente, lhe pudesse descobrir a origem e os motivos que a haviam conduzido até ali. Apesar disso, uma pretensa vizinha, que dizia morar um pouco mais distante do que ela mesma, se aproximou. Demonstrou-se amiga, aparecendo nas horas de solidão, acompanhando-a nas idas e vindas do emprego para casa e vice-versa; aconselhando-a a ser menos rigorosa, nos seus posicionamentos e aceitar a ajuda que lhe oferecia o charmoso e gentil viúvo Alex, pai de dois filhos. A convivência com as duas crianças, que sentem, naturalmente, a ausência da mãe, que morrera, vitimada por um câncer, e as gentilezas de Alex acabam por fazer com que o coração de Katie se entregue à afeição. Então, em uma manhã radiosa, de forma inesperada, ele lhe entrega uma carta deixada pela esposa. 
Estava endereçada: Para ela. 
A letra é caprichada e as palavras surpreendentes, escritas com alma e coração: 
"Para a mulher que meu marido ama. Se você está lendo está carta, então deve ser verdade: ele ama você, sem sombra de dúvida. Eu só espero que você sinta por ele o mesmo que ele sente por você. Mas, eu quis lhe escrever uma carta porque queria que você soubesse uma coisa muito, muito importante: estou feliz por ele tê-la encontrado. Eu só queria poder estar aí, de algum modo, para conhecer você. Talvez, de alguma forma, eu esteja. Depois de meu marido e meus dois filhos lindos, você é a pessoa mais importante do mundo para mim porque eu parti e eles são seus agora. Está tudo bem. Você precisa cuidar deles, fazê-los rir, abraçá-los quando eles chorarem, defendê-los, ensiná-los a distinguir o bem do mal. Pensar que você está aí, me dá esperança. Esperança de que Alex se lembre de como é ser jovem e estar apaixonado. Esperança de que meu filho tenha de novo com quem pescar. Esperança de que minha filha tenha alguém para ajudá-la, no dia do casamento. Espero que um dia minha família esteja novamente completa mas, sobretudo, eu espero que um dia, eu esteja aí, com todos vocês, zelando por vocês."
A carta é emocionante. Carta de uma esposa e mãe, que, sabendo-se prestes a partir, pensou no marido jovem, na vida que poderia reconstruir, numa mulher que poderia surgir em sua vida para lhe ser a companheira, mulher que também deveria ser mãe para os seus filhos. O mais interessante, no entanto, é que, graças a uma foto encontrada junto à carta, Katie descobre que a sua amiga especial, aquela que, praticamente, a colocou no seio da família, era a esposa desencarnada. 
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Sim, nossos amores prosseguem a se interessar pelos que permanecemos sobre a face da Terra, preocupam-se com o que nos ocorre, e, quando possível, por autorização da Bondade Divina, podem estar próximos. Pensemos nisso: a morte não mata o amor, nem a esperança, nem a saudade.
Redação do Momento Espírita, com base no filme Um porto seguro. Em 10.10.2017.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A DESCOBERTA

Waldo Vieira
Um homem adquiriu uma casa em uma propriedade que lhe pareceu de excelente qualidade. A localização, próxima à escola, permitiria que as crianças não tivessem problemas maiores para o aprendizado das letras. O local era bem iluminado à noite, pois vários postes de luz se acendiam tão logo a claridade do dia diminuísse. Tudo parecia perfeito. Ele não entendeu muito bem porque o dono, que lhe vendera a propriedade, dela se desfizera por um preço quase irrisório. Alguns dias depois é que se deu conta porque o antigo dono saíra daquela casa, desgostoso e amargurado. O problema era o vizinho. Água podre escorria pelo seu quintal, vindo do terreno ao lado. As crianças jogavam pedras, quebrando o telhado e as vidraças. Papéis e outros produtos eram queimados, deixando cheiro ruim nas roupas que a esposa acabara de estender no varal. Parecia proposital. Bastava colocar as roupas no varal e lá vinha a fumaça. Lixo era jogado no seu quintal: latas, vidros, objetos inaproveitáveis. Seus filhos não podiam brincar na calçada porque logo os filhos do vizinho os vinham perturbar, arrancando-lhes das mãos a bicicleta, o carrinho, a bola e os ameaçando com palavrões. Preocupado, o pai de família procurou um advogado. Acreditava que, com vizinho tão difícil, somente a lei o poderia ajudar. Deveria ter, com certeza, lei que protegesse o cidadão de outro ser que não agia como cidadão. O advogado, muito bem conceituado na cidade, ouviu com atenção. À medida que ia tomando ciência de todas aquelas barbaridades, foi se indignando. Quando a exposição de todos os atos foi concluída, ele falou que a família vizinha deveria ser muito irresponsável. As crianças eram perversas. Os pais ausentes. Como podiam permitir tamanhos disparates? A medida mais correta seria recorrer à ação policial. Sim, somente uma ação grave poderia pôr fim àqueles desmandos e tamanho desrespeito. Sentou-se frente ao computador para preparar os papéis, a fim de dar uma solução ao caso e perguntou ao homem qual era o endereço da sua residência. Quando ouviu o nome da rua, o número, a exata localização, ficou pálido e se recostou na cadeira. A casa do vizinho tão mal-educado, das crianças terríveis era o seu próprio lar. 
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De um modo geral, olhamos muito para os erros alheios e nos esquecemos de verificar as próprias falhas. Em matéria de educação de filhos, quase sempre acreditamos que os nossos jamais tomarão atitudes erradas ou agressivas. Tudo porque os enviamos a uma boa escola e temos um certo padrão de vida. Estejamos atentos. Examinemo-nos e observemos as ações dos nossos filhos, na infância ou na adolescência. E, antes que eles se tornem os terrores da vizinhança, façamos uso do amor que ampara e da energia que transforma os seres em criaturas dignas de serem chamadas seres humanos. 
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Educar é a melhor maneira de curar o desequilíbrio do mundo. A violência somente será banida da Terra quando nos educarmos na calma e no bom senso. Existe a educação pessoal e a coletiva. A educação pessoal proporciona o progresso do indivíduo. A coletiva, resultado da primeira, faculta a evolução do mundo e das suas leis. Para nos livrarmos de todas as chagas morais do mundo a iniciativa deve ser individual, estendendo-se no lar e se derramando pelas ruas e estradas, alcançando todos os seres. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19 do livro Bem-aventurados os simples, pelo Espírito Valérium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb. Em 11.10.2010.

domingo, 8 de outubro de 2017

DESCANSA , CRIANÇA!

Os dias agitados e as preocupações, muitas vezes, nos levam para bem distante dos sonhos acalentados na infância. As alegrias da meninice há muito foram tragadas pelo tempo, implacável, que exige cada vez mais concentração nas questões do dia-a-dia. As responsabilidades, naturalmente, foram ocupando o lugar das brincadeiras descontraídas e o sorriso inocente foi dando lugar a um cenho marcado pelas preocupações e as dores da caminhada. O tempo, que se desenrolava sem pressa, agora cobra o seu tributo, exigindo cada vez mais a participação nas decisões sérias da vida. Quando nos damos conta, aquela criança já partiu há muito... Sentimos uma saudade imensa dos dias risonhos e parece impossível reviver os mesmos sonhos, as mesmas alegrias, as mesmas esperanças de outrora. Parece que os anos roubaram a confiança que se tinha no futuro e a dureza insiste em se instalar no coração... Os passos ligeiros e saltitantes, agora são lentos e arrastados... E aquela criança, onde está? Ainda é possível dar um tempo e acordar a criança que dorme, na intimidade desse adulto tão mergulhado nas questões amargas. Deixa tua dureza derreter-se frente ao novo que te é dado, dia após dia. Para isso, basta buscar um lugar que te permita ouvir as águas rolando nos seixos. Elas trazem uma canção que o teu coração já conhece... Observa o vento que balança as folhas das árvores... É o mesmo que toca tua fronte iluminada. Acompanha o voo do pássaro sob o céu, e sente... O teu Espírito é tão livre quanto ele. Sente o silêncio abençoado da natureza que te permite comungar com ela a quietude, a paz que vai em teu ser. Olha as flores, mistura tuas cores e cria teu próprio arco-íris. Deixa teu coração presente em tuas palavras, em tuas decisões, em teus silêncios. Deixa a saudade vir e te avisar de um tempo precioso, onde viveste em liberdade, em alegria e vê... Ainda é tempo de ser feliz. Relembra tua história e o caminho que fizeste... Quanto aprendeste, quanto mudaste e quanto ainda há por ser feito. O tempo não para, ele continua fiel à sua natureza: sê também fiel à tua natureza e resgata tuas fontes cristalinas, tua alegria generosa, tua confiança no agora, tua dança, tua segurança em ti mesmo. O mundo não tem outro propósito senão o de te ensinar que és a criança de Deus, e para a criança de Deus toda a criação é presente, todo amor é dado. Descansa, criança! Teu jardim ainda é o mais bonito e floresce mansamente aos olhos Daquele que tem por alegria olhar, amar e cuidar de todas as tuas flores. 
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Dedica tempo para trabalhar, esse é o preço do triunfo. Encontra tempo para pensar, o pensamento é a fonte do poder. Permite-te um tempo para brincar, esse é o segredo da eterna juventude. Arranja tempo para ler. A leitura nobre é o fundamento da sabedoria. Permite-te um tempo para ser amigo, esse é o caminho da felicidade. Encontra tempo para sonhar... E viaja rumo às estrelas. Encontra tempo para amar e ser amado, esse é um privilégio dos filhos de Deus. Reserva um tempo para olhar ao redor, o dia é muito curto para ser egoísta. Invista boa parte do seu tempo para sorrir, pois o sorriso é a música da alma. 
Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria desconhecida e em oração irlandesa. Em 28.02.2011.