sexta-feira, 7 de abril de 2017

NÃO TE ENTREGUES!

SANTA JOANA D'ARC
Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram? Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti? Pessoas a quem confidenciaste questões particulares, jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais? Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores? Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição? Acreditas que estás só, difamado, em abandono? Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza. Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado. Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais. Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis. Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta. Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos. Aqueles que, mesmo cometas erros, prosseguirão contigo. Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas. Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças. Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes. E olha por ti, todos os dias. Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões. O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-O e evoca-O nas tuas horas mais amargas. Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo segundos. O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato. Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo. Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces. Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua. Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida. Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo. Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido. Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer. Sempre. Serve-te da prece. Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. Sempre. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. Em 7.4.2017.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

FAZER AS PAZES COM DEUS

Não houve povo, até hoje, que ignorasse a existência da Divindade. A ideia dessa Força Superior expressou-se, ao longo do tempo, conforme a cultura e os valores de cada comunidade, de cada época. Assim, na Antiguidade, alguns, como ainda ocorre, concebemos a existência de um grupo de deuses. Conforme a cultura greco-romana, eles eram quase humanos e, embora seus grandes poderes, eram considerados portadores dos mesmos sentimentos e imperfeições de qualquer mortal. Algumas culturas lhes atribuíam atitudes tão brutais, que chegavam a lhes oferecer sacrifícios humanos, a fim de aplacar os achaques e destemperos das temidas divindades. Mais tarde, concebemos a ideia do Deus único, Criador de tudo e de todos. Embora a evolução do conceito monoteísta, permanecia a ideia do Criador a vigiar as criaturas, pronto a castigá-las e enviar Sua ira Divina pelos menores erros humanos. Assim, apenas temíamos a Deus, pois acreditávamos que quaisquer desvios de conduta eram severamente punidos. Foi somente com Jesus que a concepção da Divindade ganhou outro caráter. Pela primeira vez, a relação com Deus se tornou filial. O Mestre, ao orar, no-lO apresentou como o Pai Nosso que está nos céus. Foi Jesus também quem nos explicou sobre a amorosa Justiça Divina, Sua Providência, seja com as aves dos céus, os lírios do campo, ou para conosco, Seus filhos. Porém, poucos fomos aqueles que compreendemos essa proposta cristã. Confundimos o próprio emissário com o Criador, imaginando-os como uma figura única. E, em nome de um ou de outro, perseguimos, matamos, torturamos, ao longo dos séculos. Por isso, muitos passaram a negá-lO, questionando a razão da existência de um Deus, que cometia injustiças. Vários foram os filósofos, principalmente a partir do Século XIX, que se empenharam em destruir, em matar a ideia de Deus, em enterrá-lO, negando-O. Entronizar a razão em Seu lugar era a atitude mais lúcida, defendiam. De certa forma, tais filósofos tinham razão. Se esse era o Deus existente, melhor seria negá-lO a aceitar Seus disparates. Porém, se esqueceram de analisar as alterações que os próprios homens introduziram no cristianismo nascente, tornando-o, muitas vezes, bem distante da proposta do Cristo. Necessário, portanto, que resgatemos o Deus que Jesus nos apresentou. Não o Deus a ser adorado em templos suntuosos, mas o Pai que mora em nossa intimidade. Não o Deus tribal, que protege aos Seus, castigando os supostos inimigos, mas o Deus que ama a todos. Não o Deus que se incomoda com o que vestimos, com a música que escutamos, com o que nos alimentamos ou com a religião que praticamos, mas o Deus do Universo, Criador das galáxias infindas e belezas incomuns. É necessário fazermos as pazes com Deus. Desatar os nós emocionais que carregamos com relação ao nosso Pai Celestial. Compreendê-lO, efetivamente, como o Pai, que não castiga, mas ensina; que não nos pune, mas oferece caminhos nem sempre agradáveis para nosso melhor aprendizado. E entender que acima de tudo Deus nos ama, provendo a todas as nossas necessidades, dia após dia, conforme nos ensinou Jesus.
Redação do Momento Espírita. Em 6.4.2017.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

LUCIDEZ TERMINAL

Eben Alexander
Quantas vezes já ouvimos falar a respeito de pacientes em fase terminal que, de forma repentina, acusam melhora do seu estado, surpreendendo médicos e familiares? Quantas vezes ouvimos histórias a respeito de enfermos que, apresentando confusão mental ou demência, desde algum tempo, adquirem plena lucidez, conversando com quem esteja ao lado, de forma plena e consciente? Também ouvimos que isso dura pouco. Talvez algumas horas, um dia, para depois morrerem. Isso é tão verdadeiro que o dito popular denominou tais questões de a melhora da morte. Aquele médico, cientista de primeira linha, tinha uma história muito peculiar, vivenciada por ele próprio. Não havia explicação científica para o que ele presenciara e o assombrara. No entanto, ele não pôde se furtar a admitir a verdade profunda e confortante: somos Espíritos imortais. E todos os que nos amamos estamos interconectados, nesta vida e na outra. A morte não apaga os luminosos raios da estrela do amor nem destrói os laços do afeto. Seu pai estava enfermo há cinco anos e entrara em uma fase bastante difícil, nos últimos vinte e quatro meses. Incapaz, demente, sentia muita dor e insistia que queria morrer. Não suportava mais viver daquela forma, confessava. Então, de repente, pareceu tomado de lucidez. Fixou o olhar no pé da cama e se pôs a fazer observações a respeito da vida e da família. O filho, John, prestou atenção no que dizia seu velho pai e se deu conta de que ele conversava com alguém. Ninguém menos do que a sua mãe, morta há uns sessenta e cinco anos, quando ele era apenas um adolescente. John pouco ouvira falar a respeito dessa avó, mas agora verificava que seu pai mantinha com ela uma animada conversa. E pelo tom do diálogo, John deduziu que ela estava dando as boas vindas ao Espírito de seu pai. Depois de alguns minutos, o enfermo se voltou para ele com uma expressão totalmente diferente no olhar. Nada lembrava aquela alienação dos últimos dois anos. Ele sorriu, irradiando uma aura de paz jamais antes apresentada. 
-Durma, papai. – Disse o médico. Descanse, está tudo bem. 
E foi exatamente o que ele fez. Fechou os olhos, e se deixou levar, com uma expressão de serenidade no rosto. Ele partiu e John guardou a certeza de que a sua avó estivera ali, recebendo nos braços o Espírito do filho do qual se apartara fisicamente há mais de sessenta anos. 
 * * * 
Nossos amores não nos abandonam. Partem para a pátria espiritual mas mantém os olhos fixos nos que permanecemos por cá, ainda com tarefas a realizar, missões a desempenhar. Periodicamente, nos enviam suas vibrações de bom ânimo, por vezes nos visitam nas asas do sonho, arrefecendo as saudades da separação. Finalmente, quando se aproxima o momento da nossa partida, ei-los a postos, encorajando-nos para a grande viagem a empreender. Eles vêm nos tranquilizar, falando de sua própria experiência e do que nos espera, do outro lado da vida. Estão ali para nos recepcionar, para nos abraçar e nos dizer: Sejam bem-vindos. Demorou um pouco mas nos reencontramos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 31, do livro Uma prova do céu, de Eben Alexander III, ed. Sextante. Em 5.4.2017.

terça-feira, 4 de abril de 2017

A ÚLTIMA CORDA

Nicolo Paganini
Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de assistir seu espetáculo. Numa certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o público delirou. Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos. De repente, porém, um som estranho interrompe o devaneio da plateia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara. O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini não parou. Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar. Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino do virtuose se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou. Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar. Mas o público não poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh! Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra. O maestro para. A orquestra para. A respiração do público para. Mas Paganini... Paganini não para. Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Paganini atinge a glória. Seu nome corre através do tempo. Ele não é apenas um violinista genial, mas o símbolo do ser humano que continua diante do impossível. 
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Este é o espírito da perseverança, da criatividade e habilidade perante os obstáculos naturais da vida no mundo. Lembremos desta história todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem. Afirmemos no íntimo: Eu sei que posso continuar! Afirmemos para a alma: Não é qualquer adversidade que irá me derrubar, que irá me fazer desistir! Perceberemos então, com encanto, que muitas vezes nossas mãos calejadas, obrigadas a retirar sons de uma única corda, estão sendo amparadas por mãos invisíveis de misericórdia. Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra. À maneira de um público empolgado que incentiva o artista, o invisível nos dá forças, nos alimenta o ânimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos. Continuemos... sem medo, sem hesitação. Toquemos nossa música da alma para o céu azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas de nossa rabeca, ou apenas com uma delas. Não deixemos de tocar. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autor desconhecido, recebido pela Internet. Em 4.4.2017.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

CUIDADOS COM A DIVULGAÇÃO

Waldo Vieira
O pai de família chegou em casa após o dia de trabalho e encontrou a mesa do jantar já posta à sua espera. Quando todos os familiares tomaram seus lugares para compartilhar daquele momento que deveria ser de tranquilidade, o pai começou a contar sobre um incêndio criminoso ocorrido na cidade. Referiu-se à esperteza do malfeitor que o provocou. Explicou, nos mínimos detalhes, todos os passos do criminoso para atingir seu objetivo. Descreveu cenas emocionantes. Contava tudo gesticulando como se estivesse fazendo a reconstituição da cena. Enumerou todos os materiais que o rapaz usara para desencadear o incêndio. Depois que acabou sua refeição, ausentou-se, em companhia da esposa, para suas atividades costumeiras no templo religioso. Entretanto, não havia passado uma hora quando foi chamado às pressas para que voltasse ao lar. De retorno, pôde perceber, ao longe, que sua casa estava em chamas. As labaredas consumiam com voracidade o lar que, até bem pouco tempo, abrigava a família. Imediatamente o pai de família começou a praguejar contra tudo e contra todos, tentando achar o responsável pela desgraça. Pensava, consigo mesmo, que isso só poderia ser obra de um louco. Em poucos minutos vários pensamentos passaram por sua mente em busca de algo que justificasse aquele ataque misterioso. Não tinha inimigos declarados. Não se lembrava de ter dívidas com ninguém. Por fim, admitiu que o incêndio só poderia ser fruto de um acidente. Sim, teria que ser um mero acidente. Preocupado com os filhos, buscou-os imediatamente em meio à fumaça e os encontrou protegidos em baixo de uma das árvores do quintal. Notou, todavia, que o seu garoto de oito anos se escondia por trás dos demais, temendo reprimendas. Aproximou-se, para ficar sabendo que fora o próprio filho a atear fogo na casa, copiando todos os pormenores da descrição do incêndio criminoso feita pelo pai. 
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Nunca nos esqueçamos da cautela que devemos ter em nossos comentários sobre acontecimentos menos felizes. Quem nutre conversação inconveniente, pode estar colaborando com a divulgação do mal dentro do próprio lar. Devemos considerar que o mal não merece comentários em momento algum, a menos que seja para ser corrigido. 
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Quando você quiser que uma notícia ou ideia seja esquecida, não a comente. Foi combatendo as doutrinas e ideias consideradas maléficas que a Humanidade as popularizou e tornou conhecidas. Assim, a melhor maneira de se combater o mal é dar-lhe total esquecimento. Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 44, do livro Bem-aventurados os simples, pelo Espírito Valérium, psicografia de Waldo Vieira, ed. Feb Em 19.07.2010.
http://momento.com.br

domingo, 2 de abril de 2017

AS CRUZES DO CAMINHO

Você já deve ter reparado, no curso das rodovias federais e estaduais, um sem fim de cruzes espalhadas ao longo dos inúmeros quilômetros que ligam as pontas de nosso país. Em geral, elas assinalam um acontecimento trágico ocorrido naquele trecho da estrada: um atropelamento, um choque entre veículos, um tombamento de caminhão, cujo desfecho é a morte de uma ou mais pessoas. Elas também registram, de forma singela, a tristeza, o pesar daqueles que padecem a saudade da ausência física de seus amores. Estradas, tantos quilômetros... e tantas cruzes. Silenciosas, discretas... Ali está o memorial em respeito à lembrança de alguém. Para nós, um desconhecido, mas que foi muito amado por ser filho, filha, esposo, esposa, pai, mãe. Erigidas em meio à pressa, à velocidade, erguem-se em respeito à saudade, às recordações, às lágrimas. 
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Quantas cruzes deixamos às margens do nosso caminho? Quantas lágrimas deixamos correr soltas, quantos arrependimentos sepultados, amarguras, desilusões, frustrações? Jesus, o Mestre Nazareno, sentenciou: Se alguém quiser me seguir, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Cada cruz que deixamos em nossos caminhos, ainda que referenciem as dores e os sofrimentos pelos quais passamos, ajudam a contar os passos que demos para chegar onde estamos e para sermos o que somos. As cruzes deixadas representam a morte de um antigo eu, a fim de que possamos renascer mais experientes, mais sábios, mais preparados para os novos desafios. Na Epístola aos Efésios, colhemos: Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. 
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Para cada cruz em nossa jornada, uma despedida. Ainda que com lágrimas, pouco a pouco damos adeus ao nosso orgulho, à nossa maledicência, à vaidade, ao desamor, à falta de caridade e fé. Em toda cruz, paulatinamente, vamos deixando para trás o homem velho, os velhos hábitos, os antigos preconceitos. A cada cruz, a exemplo do Rabi da Galileia, entregamos nas mãos do Pai nosso Espírito em marcha, o qual ruma em direção à verdade, ao bem e à felicidade. As cruzes, ao longo das rodovias, representam apenas um breve adeus, uma vez que a vida jamais cessa, os laços fraternos jamais se desfazem e não há dúvidas quanto ao reencontro com nossos amores, no outro plano da existência. Da mesma forma, as cruzes que deixamos no curso de nosso caminho representam lágrimas passageiras, dores que não são eternas, visto que o norte de nossa jornada é a felicidade, o bem, a paz. * * * Tomemos as nossas cruzes, os nossos desafios, os nossos medos, os nossos infortúnios e sigamos o Cristo. As cruzes às margens de nossas jornadas e as que carregamos são os desafios que a Providência Divina sabe sermos capazes de superar. Com elas aprendemos e através delas nos renovamos. Pensemos nisso! Confiemos! 
Redação do Momento Espírita, com citações do Evangelho de Lucas, cap.9, versículo 23 e da Epístola aos Efésios, cap. V, vers. 22 a 24. Disponível no CD Momento Espírita, v. 31, ed. FEP. Em 22.3.2017.

sábado, 1 de abril de 2017

OLHAR PARA AS ESTRELAS

Mikhail Bulgakov
O que efetivamente é permanente em nossa existência? O que vai durar para sempre? Se esses questionamentos parecem fáceis de serem analisados em dias tranquilos, em dias tormentosos dificilmente eles nos chegam à mente. Por isso, será sempre nos dias de calmaria que conseguiremos construir a certeza de que tudo é passageiro em nossas vidas. Glórias, conquistas, tesouros, tudo se esvai com o tempo. Assim como dificuldades, dores, carências. Atormentados com uns, iludidos com outras, comumente nos perdemos nos acontecimentos da vida, esquecendo-nos de que, efetivamente, isso tudo não é a vida em si. Mikhail Bulgakov, escritor e dramaturgo ucraniano do Século XX, ao concluir seu romance O Exército Branco, escreveu: 
"Tudo passa – sofrimento, sangue, fome, peste. A espada também passará, mas as estrelas ainda permanecerão quando a sombra de nossa presença e nossos feitos se tiverem desvanecidos na Terra. Não há homem que não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê?"
 Dessa forma reflexiona o escritor sobre as coisas do cotidiano, sobre como são efêmeras, como nada perdura. E elege as estrelas como símbolo de permanência. Também como símbolo de sonho e da capacidade de olhar além dos problemas do dia a dia, essas coisas pequenas que, por vezes, nos atormentam tanto. Essa deve ser a proposta da nossa vida: que passemos por suas lições, que aprendamos com elas, que guardemos para sempre em nossa intimidade o que de melhor elas possam nos ensinar. Nenhum de nós é condenado pela Providência Divina a eternos suplícios, a dificuldades intermináveis. Deus não nos castiga nem nos impõe severas punições desnecessárias. Na verdade, todas as situações da vida têm um propósito e acontecem como boas oportunidades de aprendizado, sejam na alegria, nas conquistas ou na tristeza. Se o sucesso, o dinheiro, a fartura se fazem presentes, em nossos caminhos, significam oportunidades de aprendermos parcimônia, justiça, empatia e generosidade. Porém, se é a dor a nos alcançar, seu objetivo é que alimentemos a fé, a esperança, a paciência. Se é a dificuldade financeira que nos encontra, exercitemos a perseverança, a coragem. Se os conflitos familiares se fazem mais intensos, são momentos para exercitar um tanto mais a humildade, a compreensão, o entendimento. Em todas as situações há aprendizado. Não nos percamos com os excessos que nos chegam, pois tudo passa e eles se perderão, se dissiparão no tempo. Tampouco nos martirizemos em demasia com as dores e dificuldades porque essas também logo mais nos deixarão. Portanto, em momentos de felicidade ou de rudes dificuldades, olhemos para o Alto. As estrelas nos afirmarão que tudo passa, tudo se desvanece com o tempo; que somente permanecem as lições construtivas, diante das quais tenhamos tido a boa vontade de aprender ao longo da nossa jornada terrena. E que esses aprendizados constituirão as verdadeiras e perenes estrelas que iremos colecionando, no mais profundo da alma, a fim de evoluirmos. Por enquanto, olhemos as estrelas que nos iluminam as noites e prossigamos caminhando, firmes, aprendendo sempre, enquanto espalhamos as nossas próprias e pequeninas luzes pelas veredas da Terra. 
Redação do Momento Espírita. Em 31.3.2017.