domingo, 15 de novembro de 2015

AUTODESARMAMENTO

Muitos têm sido os esforços empregados para se conseguir o desarmamento infantil. Uma situação que até bem pouco tempo não era percebida, ou era ignorada, agora é alvo da preocupação de pessoas e instituições filantrópicas. Foi preciso que várias desgraças se sucedessem para despertar a atenção da sociedade para essa triste realidade. Pais que até então fomentavam o arsenal dos filhos com armas de brinquedo, perderam o controle, desde que os filhos começaram a buscar nos arsenais dos próprios pais, armas que não são de brincadeira, para brincar de mocinho e bandido. Mas como a educação depende do exemplo, chegou-se à conclusão de que era preciso desarmar também os pais, e criou-se uma lei que considera crime o porte ilegal de armas. Assim, tirando a arma de pais e filhos, ou de adultos e crianças, pensa-se que o problema estará resolvido. Será que estará resolvido mesmo? Será que basta tirar a arma das mãos de alguém para desarmá-lo? Se fossem eliminadas todas as armas da face da Terra, ainda assim nós continuaríamos armados uns contra os outros, pois a violência está dentro do indivíduo que é violento. Quantas pessoas que jamais tocaram numa arma e já destruíram tantos sonhos e esperanças, pela forma agressiva de ser! Basta olharmos nos olhos de muitas das nossas crianças para perceber o quanto estão armadas. O olhar agressivo, os gestos brutalizados, o comportamento irreverente e inconsequente, dão mostra de quão armados continuam nossos filhos, mesmo sem empunhar uma arma. O mesmo ocorre com os adultos, pois é desses que as crianças copiam a maneira de ser. Pais que se dirigem aos filhos sempre aos berros, que atiram as coisas com brutalidade, batem portas, esmurram mesas são exemplos vivos de violência, sem porte de armas. Genitores que agridem os filhos até a morte, pois fazem das mãos e pés verdadeiras armas. Todas as medidas coercitivas tendem ao insucesso quando não acompanhadas de medidas educativas de profundidade, de conscientização dos indivíduos. Se o porte ilegal de armas é crime, a violência é imoral e contrária às leis de Deus. 
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É importante que nos dediquemos ao desarmamento infantil, começando por nos desarmar interiormente, empreendendo esforços por domar a fera que insiste em permanecer em nossa intimidade. Agindo assim, perceberemos que em pouco tempo mudaremos a feição da sociedade. Pois se a violência é geradora de violência, a paciência, que é a ciência da paz, fomentará a paciência. 
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Não basta tirar a arma de alguém para desarmá-lo. Quem quer agredir não depende de armas, lança mão de qualquer objeto ao seu alcance. É preciso que o nosso comportamento seja harmonioso e complacente. É imperioso que nos desarmemos intimamente. Agindo assim, daremos o exemplo às crianças que passarão a nos imitar os gestos e, mesmo com uma arma na mão, não agredirão a ninguém, já que lhes faltará o impulso para tanto. Empreendamos assim, uma campanha de autodesarmamento, de desarmamento interior, e lograremos êxito em muito pouco tempo. Redação do Momento Espírita. Em 15.07.2009.

sábado, 14 de novembro de 2015

AUTOAMOR

Muito se tem falado, nestes tempos, sobre o autoamor. E muitos ainda não sabem o que realmente seja o autoamor, confundindo-o com egoísmo, com vaidade. O autoamor nada tem a ver com esses sentimentos doentios, que deixam transparecer que, no íntimo da pessoa, prevalece o medo, a insegurança, em razão dos conflitos que ainda carrega em si. O egoísta não se ama. Ele ama a posse, as suas paixões, os seus desequilíbrios. No entanto, o amor verdadeiro é o combustível da vida. É ele que nos sustenta na caminhada do progresso que almejamos. O amor é de essência Divina, é o sentimento mais sublime que se pode conceber. Reclama-se da falta de amor verdadeiro na face da Terra, porque muitos esperam apenas receber amor, poucos se dispõem a vivenciá-lo, a doá-lo. Muitos nem sequer sabem que aquele que não se ama, não consegue amar a ninguém, pois não se dá daquilo que não se tem. Jesus recomendou que amássemos ao próximo como a nós mesmos. Como fazer isso, quando não se possui o parâmetro do amor a si mesmo? Muitos pensam que o amor deve ser buscado lá fora, mas é dentro de si mesmo que está a fonte desse recurso. Deus é Pai de amor e bondade, e como filhos Seus, todos possuímos essa semente, esperando ser cultivada para germinar. Cada qual deve desenvolver a chance de deixar crescer e florescer o amor que traz em si. Quando a criatura se ama, ela se respeita, se valoriza, aprende a selecionar atitudes e escolhas que lhe façam bem. Quanto mais se ama, mais se desliga de crenças, de dependências, de pessoas e situações prejudiciais. Autoamor dá equilíbrio interior, propicia crescimento intelectual, espiritual, emocional, moral. O autoamor nos detém ante vícios e abusos de qualquer ordem. O autoamor permite engrandecimento e sublimidade nos projetos de vida. Para isso, importante buscar o autoconhecimento, avaliar posturas, sentimentos, ações, e mudar o que precisa ser mudado. A meditação, por alguns minutos diários, permite essa viagem interior. Descobre-se que a maioria dos problemas que se enfrenta não está nos outros, mas no nosso próprio íntimo. A meditação permite que se observe, em nós, as causas e as soluções para os nossos problemas. Percebe-se então, quem realmente somos, e o que precisamos mudar em nosso interior, propiciando oportunidades de crescimento. Mesmo que nos assustemos com o que somos, fujamos da culpa e do remorso. O autoperdão é fundamental nesse processo. É importante a aceitação de quem somos para podermos realizar a autotransformação. Usemos o momento atual para agir acertadamente, trabalhando a melhoria que almejamos. A Doutrina Espírita alerta para que sejamos hoje melhores do que fomos ontem, e amanhã, melhores do que somos hoje. Conhecendo-nos, nos aceitando, nos melhorando, acabaremos por nos amar. Em nos amando, estaremos habilitados a amarmos ao próximo conforme a Lei nos pede. Amando-nos e amando ao próximo, perto estaremos de amar a Deus! 
Redação do Momento Espírita. Em 14.11.2015.
http://momento.com.br/

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O AUTO CONHECIMENTO

Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, perguntou aos Espíritos: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? Os Benfeitores da Humanidade responderam: Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo. A Doutrina Espírita mostra-nos o caminho que devemos percorrer para conseguirmos esse intento: o autoconhecimento. A caminhada, portanto, é em sentido contrário ao que temos buscado até agora. É para dentro de nós mesmos, e não no exterior. Alguns de nós não nos conhecemos, não fazemos idéia de quem somos, de qual será o nosso comportamento diante de determinada situação. Enfim, somos um ilustre desconhecido de nós mesmos. Pelo desconhecimento dos nossos sentimentos, às vezes tomamos atitudes equivocadas, que nos causam desagrado tão logo nos damos conta do ocorrido. Uma senhora afirmava sempre que, se um dia fosse assaltada, ficaria imobilizada, petrificada; que certamente não teria forças para reagir. A sua amiga, por sua vez, dizia que reagiria, que se fosse preciso lutaria, mas não deixaria barato não. Um dia, ambas estavam conversando na calçada. Um garoto passou e levou a bolsa daquela que disse que reagiria. Ela ficou paralisada. A outra, que afirmara que ficaria imobilizada, saiu correndo atrás do menino, dando-lhe com a sua bolsa nas costas e gritando para que devolvesse a bolsa da amiga. O menino, que não esperava tal reação, jogou a bolsa no chão e se foi, pois achou melhor salvar a própria vida. Isso prova que ambas desconheciam suas tendências, pois diante do inesperado tiveram reações contrárias às que afirmavam que teriam. Muitos de nós também nos desconhecemos, não costumamos fazer uma análise profunda da nossa intimidade. Assim, facilmente nos surpreendemos conosco mesmo diante de situações inusitadas. Para sabermos quanto de orgulho e egoísmo, piores chagas da sociedade, ainda carregamos em nós, basta que nos observemos com sinceridade, nos pequenos atos do quotidiano, que perceberemos com clareza. Observando a nossa reação diante da indiferença de um amigo, do pouco caso que fazem de um trabalho que executamos, do penteado ou da roupa que vestimos, ou quando alguém nos chama à atenção. Cada pessoa é um Universo que precisa ser descoberto, para que possa fazer brilhar a luz que jaz latente no seu íntimo. Todos somos lucigênitos, filhos da luz, pois o Criador, que é a Luz Suprema, assim nos fez a todos. Se perscrutarmos com atenção nossa intimidade, perceberemos que já temos muitas conquistas, mas que ainda nos falta dar alguns passos para que brilhe de fato a nossa luz. É só uma questão de tempo e de disposição. 
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Santo Agostinho, um dos Pais da Igreja, colaborou na Codificação da Doutrina Espírita. A resposta a que nos referimos no início foi dada por ele. Recomenda que cada um de nós faça como ele fizera quando viveu na Terra. A cada noite ele fazia uma análise de como fora o seu dia. Questionava-se se fizera alguma coisa contra Deus, contra seu próximo e contra ele próprio. E sempre buscava corrigir o que precisava ser corrigido, buscando ser a cada dia melhor que no dia anterior. 
Redação do Momento Espírita, com base no item 919 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb. Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. Fep. Em 11.01.2010.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

AUTO-SUPERAÇÃO

Você já se sentiu, alguma vez, a pessoa mais incapaz da face da terra? É até possível que tenha acontecido por mais de uma vez, não é mesmo? E por que será que isso acontece? Vamos refletir um pouco sobre essa questão. Considere, em primeiro lugar, que você é uma pessoa única, não existe ninguém no universo igual a você. Você tem uma soma de experiências só suas. Tem sentimentos únicos e tem limites que são só seus. Então, é provável que ao tentar superar outra pessoa, tenha a sensação de que não é capaz e se frustre. Se uma pessoa muito ligada a você, por exemplo, inicia um curso qualquer, e você não tem o mínimo talento para essa atividade, sente-se inferior. Se um amigo começa um regime para emagrecer, e você está se sentindo um pouco acima do peso, faz o mesmo regime e não perde uma única grama, sente-se a pessoa mais infeliz. Se, na academia que freqüenta, as pessoas ao seu redor fazem proezas enquanto você apenas faz tentativas vãs, a vontade de desistir é quase inevitável. Essas, entre tantas outras situações, podem ocasionar desestímulo e sensação de fracasso. No entanto, ao admitir que você é um ser único, e não há no universo ninguém igual a você, todas as frustrações desaparecem. Você, ao invés de olhar ao redor, tentando superar os outros, buscará conhecer suas próprias possibilidades, talentos e limitações, e buscará superar a si mesmo. E então, cada conquista, ainda que mínima, será uma vitória real. Considere que você, e somente você, deve servir de parâmetro quando se trata de conquistas próprias. As conquistas dos outros são dos outros, e todos tiveram ou têm limitações a superar ou talentos conquistados com os próprios esforços. Não há dúvida que podemos almejar determinadas conquistas que outros já possuem, mas não devemos querer tê-las prontas. Cada esforço deve ser envidado com lucidez, pela auto-superação, e não pela superação dos outros. Sempre existe algo que você faz melhor que os outros e algo que os outros fazem melhor que você, e isto não é motivo para desanimar. A verdadeira grandeza está justamente em reconhecer essa realidade e aceitá-la com maturidade. Embora haja um forte apelo social para que acreditemos que somos uma massa uniforme, que devemos seguir determinados padrões, nós continuamos a ser indivíduos únicos. Reflita sobre essas questões e tenha uma conversa consigo mesmo. Analise-se com carinho e atenção, para conhecer seus limites e tente superá-los, sem neuroses. Conheça seus talentos e reforce-os, sem pretensões descabidas. Busque a auto-superação e não a superação dos outros. Cresça de forma efetiva, para ser a cada dia melhor que no dia anterior. Melhor que você mesmo, e não melhor que os outros. Não há clones de você e tampouco você é clone de alguém, por mais que se pareça fisicamente com outra pessoa. Nem mesmo irmãos gêmeos estão nivelados nas experiências. Cada um tem seus limites e potencialidades singulares. Pense nisso! Você é um espírito ímpar. Pode até imitar muito bem outras pessoas, mas ainda nisso você será sempre inigualável. Seu perfume espiritual é único. Suas emoções são intransferíveis. Deus criou você para que seja você mesmo, ninguém mais. Pense nisso, e busque vencer os próprios limites para ser cada dia melhor que na véspera. 
TC 11/11/2006 Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

AUTÊNTICA CORAGEM

Há muita falta de coragem nos dias que correm. Não a coragem que significa bravura em face de um grande perigo qual foi a do lendário Teseu, na Grécia, que se decidiu a enfrentar o terrível Minotauro, na ilha de Creta, para libertar o seu povo da maldição que lhe impusera o rei Minos. Esse rei, como represália pela morte de seu filho na Grécia, em circunstâncias estranhas, jamais explicadas, passou a exigir a cota anual de sete moças e sete moços dos mais belos e requisitados de Atenas para servirem de pasto ao seu monstro, afinal enfrentado e derrotado por Teseu, filho do rei Egeu. Falamos da coragem de assumir os próprios erros, de tomar posturas frente a situações, qual seja a paternidade responsável. Quantos, em nome de preconceitos ou comodismo, não o tem feito. Coragem é definida também como a defesa do que é justo, correto, verdadeiro. Quantos temos essa coragem? Recordamos de Jesus, postando-se ao lado da mulher adúltera e, por reconhecer que o julgamento era injusto, arbitrário, pois somente apresentava um dos réus, a defende. Não pelo seu ato, pois lhe recomenda que não torne a repeti-lo, convidando-a a uma nova vida nobre e digna. Mas defende, em verdade, a reforma de uma lei, com seu gesto e suas palavras, motivando os homens de então a uma séria reflexão e revisão dos conceitos vigentes.
Coragem tamanha teve Gandhi, o líder indiano, tomando a defesa de seu povo, lutando pelo que acreditava correto e verdadeiro. E frise-se, uma luta sem sangue, sem guerra. Foi luta de ideias, demonstrando fortaleza moral. Tudo para libertar o seu povo do domínio inglês. E o conseguiu. Coragem semelhante teve, nos Estados Unidos, Rosa Parks, uma mulher negra. Cansada das humilhações porque passavam ela e os seus irmãos, naquele país, resolveu lutar. Sua luta resumiu-se a se negar ceder o lugar no ônibus para os brancos, simplesmente pelo fato de ela ser negra e assim dizer a lei. Enfrentou os que estavam no ônibus, o motorista, tudo. Permaneceu sentada, dizendo dos seus direitos como ser humano que trabalhava, havia pago sua passagem, como todos os demais, estava cansada e não via motivo algum para proceder diferente. Não se tratava de ceder o lugar a um idoso, a um deficiente, a uma mulher grávida ou com criança ao colo. Era uma questão de cor da pele. Injusta, portanto. Foi presa e julgada. Sofreu, sim. Mas sua coragem conseguiu que a lei fosse revista e mais tarde revogada. Coragem de lutar, de afirmar-se honesto, fiel a bons propósitos, coragem para vencer - eis o de que necessita o mundo atual.
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Ante comentários assim: Sofro muito. Detesto a vida. Não me mato porque me falta coragem, pense: é necessária muita coragem para se viver todos os dias, com dignidade, enfrentando as lutas e os óbices, vencendo tudo e a si mesmo. Quando ouça: Sei que está errado, mas não tenho coragem de falar, pense: não defender o que é correto, verdadeiro, pode redundar em prejuízo para muitos. Se todos desejamos um mundo melhor, mais pleno e justo, lutemos para implantá-lo, com nossas ações, em todas as oportunidades que se façam presentes. 
Redação do Momento Espírita. Em 25.1.2013.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O AUSENTE PRESENTE

Plínio Salgado
Era a derradeira refeição que fariam juntos. É um momento de alegria, pela comemoração da Páscoa judaica. Recordam-se das agruras da escravidão no Egito e as alegrias da libertação pelo legislador hebreu Moisés. Os cânticos se sucedem, em obediência ao rito comemorativo. Serve-se o carneiro, o pão sem sal e sem fermento, embebido no molho de ervas amargas. Recordam-se das bênçãos e a proteção de Yaweh. É também um momento de despedida. Um pouco e já não mais me vereis, assevera Jesus. E como Bom Pastor, exorta: Meus filhinhos... E tece recomendações, dizendo das dores que adviriam aos Seus seguidores, a todos aqueles que desejassem levar o archote da Boa Nova na tentativa de iluminar a Terra. O machado está posto à raiz, dizia o Mestre. Mas, se falou de dores e sofrimentos, não deixou de declamar esperança e consolo. Por isso, em observando o ar de tristeza que envolvia os Apóstolos, naquela hora, profetizou: Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus. Crede também em mim. Eu vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. O Pastor anuncia Sua viagem, mas apresenta os objetivos dela e afirma o Seu retorno. A hora avança e Ele ensina: Um novo mandamento vos dou: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado. Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. E sentencia: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. É um momento solene. Os minutos se sucedem ligeiros, como se desejassem que aquela despedida não se alongasse. Mas o Mestre dos mestres tem algo mais a dizer: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Tenho-vos chamado amigos, porque tudo o que sei de meu Pai vos transmiti. Repito-vos: amai-vos uns aos outros. E, como num testamento, exterioriza Sua doação final: Deixo-vos a paz: a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Amai-vos como eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que aquele que dá a própria vida pelos seus amigos. Sereis meus amigos, se fordes amigos uns dos outros. A noite se envolve em crepe. Talvez a lua tenha escondido sua cara redonda e prateada, para enxugar o próprio pranto. O Cordeiro vai ser imolado...
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 Ele voltaria depois da morte para atestar que a morte não existe. E quando chega, faz-Se visível àquele grupo de homens assustados, como uma equipe sem chefia e os saúda: Paz seja convosco! E ficaria com eles por dias e dias. Dias de sol, noites de estrelas, de luar. Pelas estradas da Galileia e da Judeia, pelas praias do mar e do lago, nas montanhas, onde os pastores apascentam seus carneiros, nas planícies onde os camponeses cortam o trigo, todos sentem que ele pode estar, que Ele pode vir, de repente e dizer: “A paz seja convosco!” Certeza de Sua presença. Amigo, Mestre, Senhor: presente! Não nos esqueçamos disso. 
Redação do Momento Espírita, com base no Evangelho de João, cap. XIV e com parágrafo colhido no cap. LXXXII, do livro Vida de Jesus, de Plínio Salgado, ed. Voz do Oeste. Em 18.7.2015.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A AUSENTE

Há várias espécies de dores capazes de atingir os corações humanos. Qual a mais intensa?
Parece-nos ser aquela que estamos sentindo no momento.
Temos o costume de esquecer o passado e valorizar o sentimento presente como se nada de pior tivesse acontecido, ou pudesse vir a acontecer.
Isso é uma tendência muito natural do ser humano.
Mesmo assim, existem sofrimentos que se distinguem dos outros, e assumem, perante a maioria das criaturas, uma condição de maior gravidade.
A morte de um ser querido, por exemplo.
Não há quem não se comova, sofra, sinta verdadeiramente quando um ser amado abandona o envoltório corporal e parte para outro plano da vida.
Não importa se a desencarnação foi repentina, ou não. Se foi violenta, ou serena.
Não interessa se aquele que partiu contava avançada idade, ou se ainda era jovem.
Não há como mensurar essa dor.
Cada um a sente e reage a ela, de forma diversa.
Há aqueles que se entregam, blasfemam e se revoltam.
Há outros que choram, mas que aceitam, envolvendo suas dores no bálsamo da prece e da fé.
Há os que buscam modos nobres e belos para render novas homenagens àqueles que se foram.
Assim parece-nos ter agido o poeta Augusto Frederico Schmidt, que toca nossos corações com os seguintes versos:
Augusto Frederico Schmidt

Os que se vão, vão depressa,
Ontem, ainda, sorria na espreguiçadeira.
Ontem dizia adeus, ainda da janela.
Ontem vestia, ainda, o vestido tão leve cor-de-rosa.

Os que se vão, vão depressa.
Seus olhos grandes e pretos, há pouco, brilhavam.
Sua voz doce e firme faz pouco ainda falava.
Suas mãos morenas tinham gestos de bênçãos.
No entanto hoje, na festa, ela não estava.
Nem um vestígio dela, sequer.
Decerto sua lembrança nem chegou, como os convidados,
Alguns, quase todos, indiferentes e desconhecidos.

Os que se vão, vão depressa.
Mais depressa que os pássaros que passam no céu,
Mais depressa que o próprio tempo,
Mais depressa que a bondade dos homens,
Mais depressa que os trens correndo, nas noites escuras,
Mais depressa que a estrela fugitiva que mal faz traço no céu.

Os que se vão, vão depressa.
Só no coração do poeta, que é diferente dos outros corações,
Só no coração sempre ferido do poeta
É que não vão depressa os que se vão.

Ontem ainda sorria na espreguiçadeira,
E seu coração era grande e infeliz.
Hoje, na festa ela não estava, nem sua lembrança.
Vão depressa, tão depressa os que se vão...
*   *   *
Não permita que sua dor o impeça de perceber a beleza de cada momento.
Não deixe que suas lágrimas, por mais sentidas e justas, turvem sua visão, impossibilitando que seus olhos vejam a vida com clareza e serenidade.
Dedique aos amores que partiram pensamentos otimistas e repletos de confiança no reencontro futuro, sem desespero, nem revolta.
Se hoje, na sua rotina, pareceu-lhe que ninguém notou a dor que lhe invadia intensamente o peito, saiba que nada, nem mesmo nossas angústias, passam despercebidas ao Pai.
Confie, persista e prossiga, sempre.
Redação do Momento Espírita.
Em 30.7.2015