sábado, 26 de setembro de 2026

A RIQUEZA DE UM POVO

Markus Gabriel
A Copa do Mundo nos permitiu ver cenas interessantes.
Assistimos a equipes participando por primeira vez de uma copa mundial e dar o máximo. 
Assistimos a técnicos irem às lágrimas ante o bom desempenho dos seus jogadores. 
Vimos as arquibancadas explodirem em manifestações de alegria. 
Porém, foi na Times Square, em Nova York, com suas luzes vibrantes e telões imensos, que pudemos assistir ao verdadeiro espelho da alma de uma nação. 
Em meio à multidão, um bloco rubro de noruegueses tomou o espaço. 
Não com desordem, não com o caos que tantas vezes acompanha as grandes massas, mas com o peso da história e a leveza inconfundível da civilidade. 
Sob a cadência de um tambor compassado, centenas deles se agachavam em uníssono. 
O movimento era um só: braços esticados para a frente, sendo recolhidos com força em direção ao peito. 
O grito forte que ecoava de suas gargantas era Ro!, o antigo comando ancestral para remar. 
Havia naquela coreografia espontânea uma sincronia belíssima, quase reverencial.
Era a demonstração viva de que a verdadeira força de um povo não reside no barulho desordenado, mas na sua capacidade de agir como um corpo único, coordenado, consciente de si e do respeito ao olhar do outro. 
Foi uma profunda aula de educação, de pertencimento e de propósito. 
* * * 
O que faz com que centenas de pessoas compreendam que, para o barco avançar, todos precisam puxar o remo na mesma direção? 
A resposta repousa em uma única e poderosa palavra: educação. 
Quando uma nação decide, com seriedade, investir na educação dos seus filhos, ela não está apenas transmitindo conteúdos acadêmicos ou preparando mão de obra. 
Ela está lapidando o espírito humano. 
Está forjando o caráter de seus futuros construtores. 
Está ensinando que o espaço público é sagrado, que o direito de um indivíduo se harmoniza com o dever para com o próximo, e que o sucesso de toda a comunidade depende do esforço conjunto. 
Um povo educado compreende que a pátria não é um mero pedaço de terra delimitado por fronteiras geográficas. 
É um barco imenso que abriga a todos. 
Se uns remam contra, ou se recusam a remar por indiferença, o barco gira em falso e a tempestade ameaça a todos.
Quando a instrução do intelecto se alia à nobreza dos sentimentos, formam-se cidadãos verdadeiros. 
Cidadãos que não esperam de braços cruzados que o país resolva todas as suas dores, mas que se levantam com a vontade férrea de trabalhar juntos. 
Que sentem orgulho de fazer o seu melhor, não para a própria glória, mas para deixar um legado de luz, de ordem e de progresso para as gerações que virão. 
A verdadeira riqueza de um povo caminha por suas ruas, senta-se nos bancos escolares e revela-se na civilidade de seus gestos cotidianos. Pensemos nisso. 
Que possamos, em nossos lares e em nossas escolas, nas pequenas e grandes atitudes de todos os dias, aprender a remar juntos. 
Assim, embalados pela cadência do bem comum, faremos com que o barco da nossa nação navegue, seguro, rumo ao porto de um futuro mais justo, próspero e feliz. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O eco de duas margens de Markus Gabriel em 06.07.2026. 
Em 25.09.2026

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