sexta-feira, 12 de março de 2021

RECOMEÇO

Na natureza, o processo de renovação ocorre de forma cíclica. As estações do ano se sucedem. Na gradual alternância entre frio e calor, a vida se renova. Algumas espécies vegetais sobressaem-se e vicejam em determinadas épocas do ano. Depois saem de cena e dão lugar a outras. Há animais que hibernam no inverno e apenas vivem ativamente durante o verão. Os hábitos de boa parte deles apresentam diferenças conforme a época do ano. Sempre há na natureza um certo frescor que decorre desse bailado renovador. 
Os homens também sentem necessidade de renovação. No princípio de um novo ano, são comuns as promessas de modificação do próprio comportamento. Surgem projetos de dietas, economias, estudos e dedicação a diversos objetivos. Tem-se aí o desejo de romper com a inércia ou com velhos hábitos nocivos. Entretanto, muitas vezes o que se fez ou não se fez, o que se calou ou o que se disse parece irremediável.
Nem sempre é fácil voltar sobre os próprios passos e refazer o passado.
Padrão de comportamento mais nobre para o futuro sempre pode ser adotado. Mas algumas consequências dos atos praticados se afiguram incontornáveis. 
Quem não deu atenção a pais idosos e enfermos vê-se em dificuldades para reparar a falta, após a morte deles. 
A traição entre esposos costuma deixar tristes marcas na intimidade. Mesmo que eles permaneçam juntos, a relação pode adquirir outro jeito de ser, menos espontâneo e feliz. 
A calúnia que se lançou na vida do próximo dificilmente comporta total reparação. O caluniado conviverá para sempre com as suspeitas que sobre ele foram lançadas. 
Pais omissos que veem os filhos nos caminhos do crime ou das drogas não veem modo fácil ou eficaz de remissão. 
Como recuperar a confiança do amigo a quem se faltou em momento de grande dor ou necessidade? 
De fato, alguns atos apresentam consequências graves e inexoráveis. 
A leviandade de um momento pode complicar uma vida. 
Muitas vezes, ao refletir melhor sobre o que fez, o homem experimenta atroz arrependimento. Desejaria poder voltar sobre os próprios passos e agir com dignidade.
Na velhice, quando as paixões e as ilusões diminuem, não raro surge a vontade de refazer muitas coisas. 
A Sabedoria Divina, atenta à fragilidade humana, providenciou um meio de amplo recomeço. 
Trata-se da reencarnação, que permite o esquecimento das faltas cometidas e sofridas. 
Ela tem a finalidade de viabilizar que as criaturas aprendam e se recomponham. 
Ofendidos e ofensores do passado renascem no mesmo ambiente familiar ou social. 
Mediante nova convivência, têm a oportunidade de reatar velhos laços e acertar antigas pendências. 
Ciente disso, valorize e trate muito bem seus familiares, vizinhos e amigos.
Os que lhe parecem mais difíceis talvez tenham sido outrora prejudicados por você e guardem intuição do ocorrido. 
Aproveite toda oportunidade de ser compreensivo, leal e bondoso. 
As dificuldades de hoje representam a nova oportunidade que você desejou ardentemente no passado. 
Não a perca! 
Redação do Momento Espírita Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 12.3.2021.

quinta-feira, 11 de março de 2021

FLORES NO JARDIM DA VIDA

DR.LAÉRCIO FURLAN
A lista de compras foi cuidadosamente elaborada. 
Somente o necessário, nada de supérfluos ou exageros nas quantidades.
Em tempos de crise, a economia doméstica se faz em todos os detalhes.
Laércio apanhou a lista e a transformou em três menores, dividindo os produtos entre elas, de forma mais ou menos equitativa. Aí, convidou os netos Beatriz, Marcus Vinicius e Gabriel, com as idades variando entre sete e onze anos e rumou para o supermercado. Descendo do carro, distribuiu as listas, incumbindo a cada um o compromisso de apanhar os produtos. Com a precisão de atletas, todos se puseram ao trabalho. Em poucos minutos, três carrinhos estavam com as compras acumuladas em seu interior. O avô deu uma olhada e constatou que algum exagero fora cometido. Por exemplo, havia dois potes de sorvete, de sabores diferentes, ao invés do único anotado. Criterioso, Laércio exigiu que fosse feita a devida devolução do excedente, no lugar certo. No entanto, algumas guloseimas deixou passar. Afinal, os três tinham realizado a mesma proeza de escolherem algo de que gostavam, para as horas de não fazer nada, a não ser saborear algo gostoso. Dirigiram-se ao caixa preferencial, desde que estavam assessorando o velho avô. Porém, em seguida, a equipe, notando a presença de um senhor idoso, logo atrás e com poucos itens, pediu que ele passasse à frente, o que fez, agradecido. Também uma senhora jovem, com um filhinho ao colo e grávida, recebeu o mesmo convite. Um sorriso brilhante se desenhou no rosto dela e, enquanto ia colocando os itens sobre o balcão, foi falando que estava no sexto mês de gravidez. E era mais um menino. Finalmente, começou o esvaziamento dos três carrinhos de um lado e o enchimento de outros dois, após passarem os itens pelo caixa e serem empacotados. Com a mesma disposição, as crianças levaram os carrinhos cheios pela calçada irregular, quase tombando um deles. Nada além de um susto. Tudo foi colocado no carro, com cuidado: coisas pesadas primeiro, frutas e verduras por último, por cima, para não serem amassadas. E o retorno para casa se fez entre risos e muita conversa dos três falando ao mesmo tempo, exigindo redobrada atenção do avô para dar conta de tantos verbos e substantivos que lhe chegavam aos ouvidos. 
* * * 
Uma cena comum. 
Uma ida ao supermercado. 
Contudo, para um avô atento à educação dos pequenos, uma oportunidade de ensinar disciplina, economia, cooperação. 
E de registrar, feliz, a educação e a boa índole dos netos. 
Constatar que os seus filhos estão conduzindo muito bem os seus rebentos, preparando-os para a vida. 
Esse é, em essência, o verdadeiro papel dos pais: cuidar da educação dos seus pequenos como um jardineiro cuida das flores do seu jardim: podando aqui, enxertando ali, transplantando acolá. 
Finalmente, exatamente como nos dias de primavera, as flores se manifestam em profusão, as boas atitudes florescerão no jardim da vida, através de cidadãos conscientes e homens de bem. 
E o mundo, então, será melhor, bem melhor. 
Redação do Momento Espírita, com fatos narrados por Laércio Furlan. 
Em 7.11.2016

quarta-feira, 10 de março de 2021

FLORES DE AMOR

RAUL TEIXEIRA
SOBRE
O ESPÍRITO ROSÂNGELA
Ela estava sozinha e, naquele dia de primavera, decidira almoçar ao ar livre, sentada em um banco, à sombra de majestosa árvore. Era o seu horário de descanso do escritório e desejou imaginar que estivesse em um piquenique. Naqueles momentos, começou a refletir sobre a sua solidão. Após o divórcio, ela terminara de criar seus filhos sozinha e estivera ocupada demais tentando sobreviver. Pensava, naquele momento, que talvez fosse por isso que não encontrara outro companheiro. Alguém com quem pudesse compartilhar a sua vida e o seu amor. Ela se mantivera ocupada com as atividades da filha adolescente, acompanhando-a a um e outro lugar, ou visitando os filhos mais velhos e o novo neto, além de cuidar da profissão e trabalhar no grupo religioso de sua comunidade. Lembrou que no escritório havia muitas colegas casadas e que recebiam, às vezes, flores dos seus maridos. Os buquês maravilhosos chegavam, geralmente, acompanhados de um cartão, dizendo que as flores estavam sendo enviadas só porque "eu amo você". Ela admirava as flores, mas admirava mais os sentimentos que havia por trás daqueles gestos. Ela fora infeliz no casamento e nunca recebera tais mimos. Aliás, nada que indicasse que ela era uma mulher amada. E, porque adoraria receber flores, não podia deixar de invejar aquelas mulheres. Elas eram felizes. Tinham maridos que as amavam e que, mesmo após anos de convívio conjugal, se lembravam de remeter flores, serem criativos, surpreender. As flores ficavam dias sobre as mesas, em jarros d’água, perfumando o ambiente, atestando a existência de um sentimento cálido e maduro. E ela se sentia tão só. Sua mesa sempre estava despida de cores e perfume. Vazia. Enquanto assim se perdia em pensamentos, sentiu alguma coisa cair em sua cabeça. Era uma flor despencando em direção à grama. Olhou para cima e viu que a árvore enorme, sob a qual estava sentada, trazia a copa repleta de graciosas flores vermelhas, penduradas quase ao alcance de sua mão. Ela não as havia notado porque não olhara para cima. Deu-se conta, então, que estava sendo agraciada com flores, lindas flores de Alguém que a amava. Sempre a amara e não desejava que ela ficasse sem recebê-las. Ela olhou para o chão, colheu as flores dispersas, lindas, vibrantes e compôs um ramalhete. Levou-as para sua mesa de trabalho e as colocou em uma jarra de vidro. Durante todo aquele dia, foi maravilhoso contemplá-las, enquanto trabalhava. Elas a fizeram lembrar que Deus quis lhe dar flores só porque Ele a amava. 
* * * 
As flores que lançam aromas nos canteiros são mensagens do amor de Deus falando nos jardins. 
Os passarinhos que pipilam nos prados e cantam nos ramos são a presença do amor de Deus se manifestando nos ninhos. 
O filete transparente de águas cantantes, que beija a face da rocha, canta o amor de Deus, jorrando suave da pedra. 
As vagas agigantadas que se arrebentam nas praias mostram o amor de Deus engrandecendo-se no mar. 
Os astros que giram na amplidão enaltecem o Amor Divino, enquanto falam dessa cadeia que une os seres e as coisas na Casa de Deus. 
Por tudo isso jamais te sintas não amado. 
Porque se não tiveres quem te diga aos ouvidos: Eu te amo, Deus te abraça com Seus raios de luz e te dá, todos os dias, o mundo para viver, amar e ser feliz. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Só porque eu amo você, de Suzanne F. Diaz, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press e no cap. 22, da obra Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 7.7.2014.

terça-feira, 9 de março de 2021

A BANDA DIREITA DO BARCO

Uma das últimas aparições de Jesus aos discípulos se deu no Tiberíades e ficou conhecida como a pesca maravilhosa. Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois. Saíram a pescar, porém, naquela noite, nada apanharam. Ao raiar do dia, viram um homem na praia que, num primeiro momento, eles não reconheceram. Era o Mestre e lhes perguntou calmamente: 
-Filhos, acaso tendes algo para comer? 
Responderam de forma negativa. 
- Então lançai a rede para a banda direita do barco e encontrareis. 
 Assim o fizeram prontamente, atendendo a sugestão. 
Ao começarem a puxar perceberam que estava muito pesada devido à enorme quantidade de peixes. 
Foi só então que um deles disse: 
-É o Senhor! 
E foram ao Seu encontro. 
***
A passagem é bastante significativa. Possui diversos componentes que merecem nossa reflexão mais atenta. Um deles diz respeito ao fato dos discípulos não reconhecerem Jesus, de imediato. Logo eles que passaram tanto tempo ao Seu lado, acompanhando Seus dias, desfrutando da companhia tão iluminada e transformadora. 
Reflitamos se muitas vezes não somos assim também, aqueles de nós que estudamos, que sabemos as passagens de cor, que nos colocamos como arautos de Suas lições sublimes, mas, nos momentos críticos, não reconhecemos Jesus. 
Somos desatentos, descuidados e nos deixamos absorver pelos afazeres da existência. 
Não reconhecemos Jesus nos pequeninos necessitados que cruzam nosso olhar. 
Não reconhecemos Jesus nas oportunidades de trabalho no bem. 
Não reconhecemos Jesus no amor que recebemos dos que estão ao nosso lado. 
Outro ensino preciso da passagem diz respeito à orientação segura passada pelo Mestre: 
-Lançai a rede para a banda direita do barco e encontrareis. 
Jesus, mesmo depois de despedir-se da vida corporal, mostrava-se ainda atento em alimentar Seus irmãos menores... 
Por isso lhes deu o conselho de lançar a rede para o lado direito do barco, onde Ele sabia que havia um cardume. 
Milênios se passaram e o Rabi da Galileia ainda está entre nós, como Governador do planeta, mostrando-nos a banda do barco que nos oferece o alimento da alma. 
Suas lições, Seu exemplo, Seus trabalhadores incansáveis são vozes constantes no mundo a nos dizer onde pescar melhor. 
Quantas vezes deixamos de escutar o Mestre? 
Quantas vezes ouvimos claramente a orientação amorosa, mas escolhemos pescar na outra banda? 
O livre-arbítrio nos permite viver assim por um bom tempo. 
No entanto, a fome e a maturidade vão nos fazendo pensar melhor e começar a confiar mais em quem sabe mais. 
A mensagem de Jesus é a banda direita do barco, é o lado da rede repleta de peixes, da pesca maravilhosa dos dias melhores. 
Que possamos escutar a voz acertada do Mestre em todas as situações que a vida nos apresentar. 
Estejamos atentos. 
Jesus permanece ao nosso lado. 
A rede nos exigirá força, trabalho, sacrifício mas, o resultado da pesca nos irá alimentar por muito tempo. 
Atendamos ao convite. 
Redação do Momento Espírita 
Em 9.3.2021.
http://momento.com.br/pt/index.php

segunda-feira, 8 de março de 2021

O ANO EM QUE NOS DESCOBRIMOS

CINTHYA DO TOCANTINS E OS GARIS
O ano de 2020 se foi. 
Foram nove meses de isolamento social, intercalados por lockdown, toque de recolher, hospitais sem vagas para os infectados com a COVID. 
Talvez nossos avós e bisavós tenham experienciado alguma dessas questões, de forma semelhante, na gripe espanhola que manteve o mundo em polvorosa por dezoito meses. 
Muitos afirmam que esse ano foi perdido. 
Não valeu nada. 
São os pessimistas, aqueles que somente conseguem ver o que é ruim, desastroso, mau. 
Os que temos olhos de ver, ouvidos de ouvir, com certeza nos demos conta do quanto crescemos nesses meses. 
Para sobreviver, tivemos que nos reinventar, criando formas diferentes de vender nosso produto. 
Nosso pão caseiro, bolachas, nossas hortaliças passaram a ser ofertadas pelo site que elaboramos. 
Nosso pequeno negócio precisou se adequar a regras de controle: álcool gel, máscara, circulação contida. 
Entrega a domicílio. 
Inauguramos nosso próprio delivery. 
Cada um de nós a seu modo, do seu jeito, conquistando clientela. 
Os religiosos, com nossos templos de portas cerradas, criamos atendimento on-line para os necessitados da alma. 
E horários diversificados para a entrega das cestas básicas aos carentes do corpo. 
Passamos a utilizar as plataformas digitais que estavam aí, há tanto tempo. Descobrimos os seus grandes benefícios. 
Nosso Evangelho no lar, feito portas familiares adentro, se estendeu para o mundo. 
Convidamos amigos, parentes para participarem, enchendo as janelinhas de uma ou outra plataforma digital. 
E a dimensão foi se ampliando, amigo enviando a amigo até perdermos a conta de quantos participam dessa nossa atividade. 
Nosso estudo em grupo, de trinta a quarenta pessoas, em uma sala, tomou a dimensão de dezenas e mais dezenas de pessoas que aderiram.
Aprendemos a nos comunicar pelas janelinhas, a debater ideias, apresentar vídeos, criar maravilhas, ofertar a nossa poesia, o nosso canto.
Avaliemos o quanto crescemos, o quanto fizemos, demonstrando que quando a adversidade se apresenta, acionamos nosso potencial criativo e a superamos. 
Superamos a distância, o isolamento, a vontade de abraçar. 
Aprendemos a sorrir pelos olhos porque a máscara nos cobre o nariz e a boca. 
Foi nesse ano de tantas dores, de tantas mortes, de tantas perdas, que aprendemos a olhar para os invisíveis. 
Para os lixeiros que nunca deixaram de vir fazer a coleta, nos dias e horas precisos. 
Para tantos atendentes em postos de saúde, enfermeiros, cuidadores. Aprendemos a aplaudir os médicos, dedicados e exitosos. 
Reconhecemos a importância do trabalho dos garis que limpam as ruas das nossas cidades. 
Alguns, mais sensíveis, como uma garota de dez anos, de uma cidade do Tocantins, resolveu fazer algo mais. E preparou para esses invisíveis, de todos os dias, um super café da manhã. 
Um dos agraciados com a gentileza de Cinthya afirmou: 
-Precisamos olhar mais para o próximo. Que continue sempre assim.
Convenhamos: esse ano foi desafiador. 
Alguns sofremos grandes perdas de amores, de valores amoedados. 
Mas, crescemos. 
E aqui estamos no novo ano. 
Podemos afirmar: vencemos. 
E prosseguiremos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 8.3.2021.

domingo, 7 de março de 2021

FLOR DE LÓTUS

Planta que floresce sobre a água, a flor de lótus, nativa da Ásia, é considerada sagrada em algumas culturas orientais. Suas raízes nascem no lodo e seu caule vai se desenvolvendo na lama até alcançar seu tamanho total, quando o botão emerge na superfície da água para desabrochar ao sol. À noite, as pétalas da flor se fecham e ela mergulha debaixo d’água. Antes de amanhecer, ela volta à superfície, onde se abre novamente. Suas luminosas pétalas têm a propriedade de autolimpar-se, ou seja, conseguem repelir microorganismos e lodo, não deixando que a água a contamine e, por isso, é capaz de florescer em meio ao pântano.
Em um simbolismo utilizado no Oriente, a água lodosa que acolhe a planta é associada ao apego e aos desejos materiais e a flor que desabrocha sobre a água, em busca de luz, indica promessa de elevação espiritual.
Ela representa a superação da dor e do sofrimento no mundo físico em busca do crescimento espiritual e é considerada símbolo de pureza da alma. 
* * * 
Podemos fazer uma analogia do desabrochar dessa flor com a forma com que nos envolvemos com as questões do mundo que nos cerca. 
O objetivo principal da vida terrena é o aperfeiçoamento moral do Espírito.
Aqueles que têm essa compreensão buscarão elevar-se sempre, independente das adversidades. 
Quando as circunstâncias não nos forem favoráveis, quando as tentações nos cercarem, quando formos frequentemente chamados a testar nosso caráter, busquemos retirar o bom proveito da situação e lembremo-nos de Jesus. 
Cristo propôs que vivêssemos no mundo sem ser do mundo. 
Foi o exemplo vivo de que podemos passar por situações que nos atormentam os sentimentos e, mesmo assim, não nos deixarmos abater e seguirmos confiantes em nossos propósitos. 
Mostrou-nos também que é possível usufruir das coisas do mundo e não nos deixarmos possuir por elas. 
A vida social e em família faz parte do processo de evolução. 
Ninguém consegue a realização espiritual seguindo a sós. 
É através dos relacionamentos que trocamos experiências e vamos trabalhando os sentimentos e nos conhecendo melhor a cada dia. 
Por vezes, passamos por dificuldades de ordens diversas, mas devemos reconhecer que sem a presença desses testes, perderíamos as motivações que nos impulsionam ao crescimento e à melhora íntima. 
* * * 
A flor de lótus é exemplo de determinação, perseverança e superação, pois surge em meio ao lodo em que vive. 
É prova de que nós também podemos buscar o crescimento espiritual e o aprimoramento moral em um meio que não nos seja favorável. 
Ela leciona confiança em nós mesmos e crença em nossa própria beleza.
Floresce diariamente em busca da luz, mostrando-nos que não importam os obstáculos e nem o quanto as circunstâncias possam parecer contrárias. 
Não há nada que a impeça de florescer bela e formidável. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.4.2013.

sábado, 6 de março de 2021

PROMESSAS MATRIMONIAIS

No ato do consórcio matrimonial, os cônjuges realizam algumas promessas. 
Prometem amar e respeitar um ao outro, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe.
Estranhamente, muitas vezes os votos formulados são esquecidos em pouco tempo. 
Esposos se antagonizam. 
Criam dificuldades um para o outro. 
E o que começa como um lindo sonho de amor, em muitos casos acaba com um desfazer da aliança, em meio a muita mágoa. 
Onde ficam as promessas do casamento? 
Onde o amor eterno jurado tantas vezes, durante o namoro? 
Talvez se devesse pensar em algumas promessas diferentes para o momento em que as pessoas se decidam casar. 
Perguntas que levem a reflexões. 
Ou que digam, de forma mais explícita, o que é amar e respeitar um ao outro. 
Eis algumas delas: 
- Promete não desejar assumir o controle da vida do outro? 
- Promete ter em mente que ele é um ser que, antes de conhecer você, fazia parte de uma família, tinha amigos e ideais? 
- Promete respeitar os seus gostos musicais, mesmo que você não aprecie o tipo de música de que a pessoa gosta? Afinal, vocês poderão fazer um acordo de forma a que cada um ouça, em determinado tempo, e em volume condizente, a música que aprecie.
- Promete acompanhar seu par quando este desejar ir ao cinema, ao teatro ou à praia? Pode ser que você prefira o futebol, a conversa com os amigos. Mas sempre há possibilidade de se dialogar e estabelecer um momento para cada coisa, sem que nada fique esquecido ou desprezado.
- Você promete ser paciente quando encontrar a toalha de banho molhada sobre a cama e pedirá outra vez e uma vez mais para que o fato não se repita? 
- Você promete que deixará seu par dirigir o automóvel, sem ficar a todo instante dizendo que engatou a marcha errada, que deve andar mais rápido, que agora deve ir mais devagar, que não sabe dirigir? 
- Promete que, mesmo que a comida não seja a melhor do mundo, agradecerá pelo prato que foi feito? 
- Você promete não esbravejar quando as contas se acumularem no final do mês, embora ambos tenham feito o possível para apertar o cinto, diminuir as despesas? 
- Você promete que não esquecerá de dizer Eu amo você? 
- E também Você é importante em minha vida? 
- Você promete que não descuidará de si, simplesmente porque casou?
- Que continuará a usar perfume, pentear o cabelo, preparar-se para o outro, exatamente como nos dias do namoro? 
- Você promete que não deixará o amor esfriar, a paixão ir embora? 
- Você promete que não contará todos os dias as rugas que forem marcando o rosto do outro? 
- Nem fará comentários desagradáveis com seus amigos sobre as dificuldades do seu par? 
- Você promete que, ao menos no dia do aniversário de casamento, tentará surpreender o outro com um delicioso café na cama? 
- Você promete ser eterno namorado, mesmo que não haja lua no céu, nem estrelas a brilhar? 
- Com chuva, frio ou tempestade, ficará com seu par? 
- Enfim, você promete que vai se esforçar para cumprir todas essas promessas? 
Se a tudo isso, um ao outro disser sim, então, com certeza, o casamento durará muito tempo, porque ambos não serão somente marido e mulher. Serão duas pessoas maduras, cientes de que ambos têm defeitos. Também virtudes. E cada dia, um no outro buscará descobrir a virtude ainda não desvelada. Um ao outro incentivará naquilo em que ainda não é tão bom. E um ao outro pedirá:
-Por favor, me ajude, quando precisar. 
E dirá-Obrigado!-, toda vez que receber uma dádiva, um carinho, uma atenção. 
Quem quer que adentre o barco matrimonial e não deseje ceder vez ou outra, entender e auxiliar, dificilmente chegará ao porto da felicidade.
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Disponível no CD Momento Espírita, v. 11 e no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 4.3.2021.