segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

DEUS É QUEM CURA

Samuel Cristian Hahnemann
Alguns homens, quando realizam grandes feitos, costumam encher-se de orgulho. Chegam a pensar que são infalíveis em sua atuação e creem que tudo podem. E isso nos recorda do grande mestre e criador da Homeopatia, Samuel Cristian Hahnemann. Uma postura de verdadeiro sábio. Em 1835, chegou a Paris e começou a clinicar, embora o descrédito e o ataque de muitos dos seus colegas alopatas. Foi então que a filha de Ernest Legouvé, membro da Academia Francesa, famoso escritor da época, adoeceu gravemente. Um artista de nome Duval foi chamado para fazer um retrato da jovem agonizante. Era a derradeira lembrança que o pai amoroso desejava ter da filha que se despedia da vida. Concluída a tarefa, executada com as emoções que se pode imaginar, Duval fez ao pai uma pergunta nevrálgica: 
-Se toda a esperança está perdida, por que o senhor não tenta uma experiência com a nova medicina que tanto alvoroço tem feito? Por que não consulta o doutor Hahnemann?
Nada havia a perder e o pai chamou o homeopata. Quando o viu, pareceu-lhe estar defronte a um personagem fantástico de contos infantis. Hahnemann era de baixa estatura, robusto e firme no andar, envolvido em uma capa e apoiado sobre uma bengala com castão de ouro. Uma cabeça admirável, cabelos brancos e sedosos, lançados para trás e cuidadosamente encaracolados em torno do pescoço. Com seus olhos de um azul profundo, sua boca imperiosa inquiriu minuciosamente sobre o estado da menina. Na sequência, pediu que transferissem a enferma para um quarto arejado, abrindo portas e janelas para que ar e luz entrassem abundantes. No dia seguinte, iniciou o tratamento. Foram dez dias de expectativa e de tensão. Finalmente, a esperança se confirmou. A menina estava salva. O impacto dessa cura, quase milagrosa, foi enorme, em toda Paris. Em reconhecimento pela salvação de sua filha, apesar de muitos ainda afirmarem que Hahnemann não passava de um charlatão, Legouvé presenteou o médico com o próprio quadro pintado por Duval. Era uma obra prima. O criador da Homeopatia a contemplou demoradamente, tomou da pena e escreveu: Deus a abençoou e salvou. Hahnemann. Considerava pois a cura uma bênção de Deus, da qual ele não fora mais do que um instrumento. 
 * * * 
Assim são os verdadeiros sábios, os grandes gênios da Humanidade. Eles sabem que dominam grandes porções do conhecimento. Mas não esquecem de que a inteligência lhes foi dada por Deus, de onde todos emanamos. Somos os filhos da Suprema Inteligência, que nos permite crescer ao infinito. Contudo, a Ele cabem todas as bênçãos, permitindo-nos, na qualidade de irmãos uns dos outros, atuar, agir, no grande concerto da Criação. Pensemos nisso e façamos o bem, sempre nos recordando que sem Deus nada podemos.
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Samuel Hahnemann. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. Fep. Em 2.1.2013.

domingo, 7 de janeiro de 2018

DEUS E NÓS

Quando o mundo geme, atormentado, é como um soluço que escapa de nosso peito e busca o Pai Celeste. Quando as provações visitam a nossa vida, e tudo parece cinza, o coração se agita em busca do Senhor dos mundos. E Deus está presente. A grande certeza que assinala nossa vida é a existência de um Pai amoroso, que vela por nós. Esqueçamos tudo o que nos disseram sobre um Deus vingativo. Apaguemos de nossa mente a imagem de um Deus mesquinho, que aplica punições para Seus filhos. Essas coisas são criação humana. Deus é todo amor. Causa de todas as coisas, Senhor dos mundos, Ele nos criou por Sua vontade. Deu-nos a preciosa vida, plantou em nós as sementes dos sentimentos, deixou florescer inteligência, livre-arbítrio e sorrisos. Ao longo dos milênios, esse Divino amor nos segue. Acompanha nossa trajetória, testemunha nossos erros e acertos. E aguarda. Sim, pacientemente Deus aguarda. Ele espera o fim de nosso tempo de tempestades, de turbulência íntima. Sabe que é passageira essa época atormentada, em que ainda não sabemos domar os sentimentos, controlar a mente ou ser feliz com as coisas do Espírito. Ele sabe que estamos em plena era de descobertas. É paciente com esses filhos que agem como crianças tolas, embora sejam homens maduros. Sim, Deus está ao nosso lado. Para ver os sinais dessa presença grandiosa, basta aprender a ler o grande livro da natureza. Cada estrela que reluz no céu é um recado do Pai Celeste. O brilho dos sóis, nas galáxias distantes, nos fala da magnífica Criação além da Terra. E nos transmite a mensagem silenciosa: mesmo no breu das noites escuras, há luzes de esperança. Deus está vivo nas flores que criou para enfeitar jardins e campos. Girassóis, lírios, rosas e margaridas traduzem o carinho Divino por todos nós. Se Deus os veste tão ricamente, muito mais faz por nós. Cantoria de passarinhos, brisa que agita os cabelos, o espetáculo do mar que brilha ao sol – tudo isso é Deus sussurrando mensagens de beleza e harmonia aos nossos ouvidos cansados, como um hino de esperança. Por isso não demoremos mais: abramos a janela da alma para Deus. Ele está ali, no templo do nosso coração. Para amá-lO, aprendamos a cuidar de tudo o que Ele criou. Mesmo que não entendamos alguém, não concordemos com algo ou não gostemos de alguma coisa, esforcemo-nos, ao menos, para respeitar o fruto do trabalho Divino. Já é um belo começo. Deus sorri de volta quando O buscamos. Portanto, busquemo-lO. Um dia, estaremos frente a frente com a morte. E mesmo que tenhamos milhares de amigos, essa será uma experiência solitária, uma viagem individual. Estaremos diante de nós mesmos. Os parentes, amigos e amores ficarão para trás. Ou terão partido antes. E, nessa hora suprema, haverá somente um Ser a quem poderemos chamar com inteira confiança: Deus. É ao nosso Pai que volveremos os olhos cheios de esperança. E Ele – que nos ama muito – estenderá até nós o Seu amor e seremos abraçados, acolhidos. No colo desse Pai Divino, nos sentiremos embalados como pequenas crianças. E nosso coração se encherá de imortal alegria. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23 e no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. Em 6.7.2017.

sábado, 6 de janeiro de 2018

DEUS EM NOSSAS VIDAS

O extraordinário Houdini, que encantava plateias com as suas ousadas fugas e desafios, foi um instrumento a favor da mediunidade. Ficou conhecido pelo seu afã em desmascarar falsos médiuns e mistificadores. Poucos talvez saibam de sua crença em Deus e sua fé na Providência Divina. Num de seus grandes desafios, quando em visita ao Canadá, permitiu-se algemar, ser preso por correntes e cadeados e colocado dentro de um saco. Dessa forma, foi jogado no congelado rio São Lourenço, para o que se providenciou um buraco no gelo. Tão logo mergulhou nas gélidas águas, Houdini se desvencilhou das algemas, das correntes, dos cadeados, saindo do saco em que estava encerrado. Na tentativa de retornar, com rapidez à superfície, descobriu que, ao idealizar o desafio, não contara com a correnteza que o levara distante do único orifício existente no grande rio gelado. Como a pedra de gelo se forma um pouco acima da água, inclinou a cabeça para trás e respirou. Quase sem suportar a temperatura da água, ciente de que precisava sair logo do rio, Houdini ouviu uma voz. Era a inconfundível voz de sua mãe, que o chamava repetidas vezes, na doce inflexão que imprimia ao seu nome, no dialeto russo. 
- Houdini! Houdini! 
A voz vinha do orifício e seguindo-a, ei-lo a salvo. Cumprimentos. Salvas de palmas. Gritos de alegria. Mais um desafio vencido. Sem nada dizer do que lhe acontecera, Houdini rumou para sua casa. Mal chegara e recebe um telegrama. Algumas horas antes sua mãe desencarnara. Grande foi o baque para o artista que passaria, dali em diante, a fazer tentativas, junto a vários médiuns, para se comunicar com ela. Anos mais tarde, num ensaio biográfico, a esposa de Houdini teve oportunidade de afirmar, referindo-se especialmente ao episódio no Canadá: Estamos todos sob a proteção de Deus. Nenhum mal nos pode fazer mal porque ele está conosco. A mão de Deus sempre está regendo as nossas vidas. E se manifesta de muitas e variadas formas. 
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O Mestre de Nazaré, lecionando sobre o cuidado de Deus para conosco, discursou a respeito das aves do céu que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisão nos celeiros, e são sustentadas pelo Pai Celeste. O Evangelista Mateus anotou em seu capítulo seis: Porventura não sois vós muito mais do que elas? Considerai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham, nem fiam. E digo-vos todavia que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu jamais como um deles. Se pois Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé. 
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Deus permanece nos guiando e fortalecendo para o objetivo feliz. Ele é o fulcro gerador de poder, em torno do qual tudo e todos gravitam. Deus permanece sempre guiando-nos e fortalecendo-nos para o final feliz. Ele está conosco, mesmo quando O esqueçamos. Ele se revela através dos homens, dos Espíritos, de todos os que se importam conosco. Descubramo-lO pois que Ele permanece conosco. 
Redação do Momento Espírita, com base em história narrada por Divaldo Pereira Franco, na palestra Passes e curas e no cap. 27, do livro Filho de Deus, pelo Espírito Joanna de Ângelis, ed. LEAL. Em 17.12.2015.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

IRMÃO LOBO

No ano de 1226, na floresta de Gubbio, na Europa medieval, um bandido se fizera um tipo de monstro aterrador. Mais astuto do que uma fera, havia se tornado um terrível salteador. Espalhava pavor e medo por todo lado e matava qualquer homem desarmado. Seu nome ninguém sabia, mas sua fama fez com que o denominassem O lobo. Lobo de Gubbio. Francisco de Assis, também conhecido como o Cristo da Idade Média, certo dia foi procurá-lo. Ao encontrá-lo, em vasta ramaria, em vez de chamá-lo lobo, como todos faziam, chamou-o irmão. 
-Venho em paz, disse Francisco. Venho falar-te da bondade, do amor, da caridade, do carinho. Em nome de Jesus, venho pedir-te que alteres o teu caminho e abraces o caminho da fraternidade. 
E convidou-o, finalmente, a morar com ele, no convento. O homem-fera optou por seguir Francisco. Mudou de atitude E, feliz, se entregou ao trabalho do bem, nas tarefas de Assis. Onde quer que Francisco fosse, o ex-bandido o seguia. Carregava cestos, buscava pão, trabalhava incansável. Como guarda-noturno era um dos melhores. No entanto, Francisco necessitava viajar. E, por vezes, se detinha por semanas ou meses longe do convento, em serviço. Saía em peregrinação, com frei Leão, a fim de semear o ensino do Senhor. Nessas ocasiões, o irmão Lobo sentia a carência de amor e a fome de alegria. Longe da proteção de Francisco, o que recebia nas estradas eram insultos e pedradas. Chamavam-no covarde, lobo maldito, carniceiro feroz. De tanto aguentar o tratamento vil, vendo-se a sós na vida, o irmão Lobo decidiu retornar à antiga lida. Embrenhou-se na floresta e cedeu aos instintos da fera. Quando retornou Francisco de sua longa ausência, teve notícia da ocorrência. Embora cansado, lastimou o acontecido e foi procurar o irmão Lobo. Embrenhou-se no verde da floresta e encontrou-o perseguindo uma vítima indefesa. 
-Irmão Lobo, o que é isso? Já não te lembras dos ensinos do Cristo? 
-Ah, santo amigo, disse o Lobo, não pude aguentar tanta humilhação. Acreditei que o vosso sonho de paz e de amor fosse uma realidade na existência. No entanto, ainda trago no corpo as marcas dos maus tratos dos homens. 
-Irmão, tornou Francisco, a presença do Cristo é o sol de nossa vida. Volta comigo, irmão. Eu também sofri calúnia e provação. As tuas cicatrizes são feridas irmãs das úlceras que tenho. Continua, irmão Lobo, ao meu lado. Necessito de ti em minha casa. 
O Lobo, cabisbaixo, acompanhou o amigo e se fez guardião fiel, guardando-lhe as palavras desde então. Aprendeu a amar perdoando e a viver com Jesus no coração. 
* * * 
Nem sempre é claro o céu do cristão decidido, quando servindo a Jesus. Contudo, o cristão decidido se entrega a Jesus, nEle confia e a Ele se dá. Os seguidores de Jesus são caminhantes solitários da estrada humana. São conhecidos, apontados, observados, mas nem sempre compreendidos, pois suas atitudes se destacam pela bondade, pela abnegação, pelo desprendimento. Importante é perseverar e seguir em frente, semeando estrelas nas longas estradas deste grande mundo de Deus. 
Redação do Momento Espírita, com base no verbete Cristão,do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no cap. 26 do livro Somente Amor, dos Espíritos Maria Dolores e Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL. Em 5.1.2018

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NOSSO VERDADEIRO LUGAR

Jesus era um educador de qualidades especiais. Ele não perdia oportunidade alguma para o ensino. Toda ação, palavra, feito que ocorresse onde Ele estivesse, era motivo de observações precisas. Como nosso Modelo e Guia, tinha plena consciência de que a vida é dada ao homem para o seu progresso. E todos os momentos na vida são oportunidades de crescimento. Narra o Evangelista Lucas que, em dia de sábado, entrou Jesus na casa de um fariseu. O nome do fariseu não é mencionado, no entanto, o Mestre fora ali convidado à refeição. Quando adentrou o local, foi observado pelos que lá se encontravam. Por Sua vez, observou Jesus que os convidados escolhiam os primeiros lugares, em quase atropelo. Todos desejavam ficar o mais próximo possível do anfitrião. Recordemos que, ao tempo do Cristo, as refeições não eram realizadas em torno de uma mesa. Os convidados se acomodavam em poltronas, sofás que eram distribuídos pelo ambiente, em mais ou menos semicírculo. As refeições eram tomadas com o convidado meio reclinado, apoiando a cabeça sobre o braço esquerdo e servindo-se com a mão direita. Por isso, a grande disputa pelos lugares mais próximos ao dono da casa. Talvez porque desejassem ser vistos por ele, porque isso lhes constituiria um ponto a mais no relacionamento interpessoal, o que poderia ter valor para negociações de futuro. Talvez estivessem interessados em estar mais próximos para não perderem nenhuma das palavras que o anfitrião proferisse. Assim, poderiam participar do diálogo, tanto quanto teriam possibilidades de tudo avaliar. E, possivelmente, formular críticas mais tarde, sobre esse ou aquele ponto. Relanceando o olhar pela sala, Jesus tomou da palavra e propôs uma parábola, dizendo: Quando fordes convidados para bodas, não tomeis o primeiro lugar, para que não suceda que, havendo entre os convidados uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos: Dai o vosso lugar a este. E vos vejais constrangidos a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar. Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar, vos diga: Meu amigo, venha mais para cima. Isso será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa. Porquanto todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado. As palavras de Jesus eram, primeiramente, uma lição de etiqueta. Porque ninguém que seja convidado para um banquete, deve ir se assentando onde bem queira. A etiqueta estabelece que se aguarde o direcionamento do mestre de cerimônias ou de quem às vezes lhe faça. Era a exortação do Mestre, também, um ensino essencialmente voltado ao Espírito. Somente quem abriga em si a humildade, cresce de forma autêntica, progredindo. Não foi diversa a postura do Modelo e Guia da Humanidade que se credenciou como o servidor de todos. São Suas as palavras: Estou entre vós como aquele que serve. Pensemos nisso: se o Senhor das estrelas, o Cristo, assim se posicionou, por que ainda nos magoamos tanto quando não recebemos as deferências dos homens? Sirvamos sempre. Deus, que a tudo vê e tudo sabe, conhece exatamente o lugar onde precisamos estar. Ele é a Justiça Suprema e nunca se engana. Pensemos nisso e vivamos melhor, menos preocupados com o olhar dos homens. E mais atentos ao que o Senhor da Vida tem a ofertar a cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XIV, versículos 1, 7 a 11 do Evangelho de Lucas. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. Em 4.1.2018.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

DEUS EM MEU QUINTAL

Alguns guardam o domingo indo à igreja 
eu o guardo ficando em casa 
tendo um sabiá como cantor 
e um pomar por santuário. 

Alguns guardam o domingo em vestes brancas
mas eu só uso minhas asas 
e ao invés de repicar dos sinos da igreja 
nosso pássaro canta na palmeira. 

É Deus que está pregando, 
pregador admirável e o Seu sermão é sempre curto 
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final 
Eu o encontro o tempo todo no quintal. 

Emily Dickinson
Emily Dickinson, autora deste poema, reveste de beleza singela uma idéia muito profunda e importante, a respeito de nossa adoração a Deus. Haverá lugar específico para adorar a Deus? Haverá tempo certo, posição mais adequada, formas, vestimentas? Estudemos a orientação primordial de Jesus, que foi bastante claro em dizer que Deus é Espírito, e deve ser adorado em Espírito e Verdade. O Espírito não tem forma, não é corpo, não é matéria. Assim, o que o Mestre deseja dizer com adorá-Lo em Espírito, é que tal adoração deve ser interior, e que não precisa das formas exteriores. A adoração deverá ser sempre de Espírito para Espírito, de nossa alma para o Criador, independente de onde estivermos, independente das formas exteriores utilizadas. Há de se considerar as crenças humanas arraigadas, que trouxeram para as formas externas muitos hábitos, muitos rituais envolvendo o contato com Deus. Porém, a alma madura, esclarecida, conhecedora da verdade, da mesma verdade da qual Cristo fala nesta passagem, precisa ir mudando seus costumes gradativamente. A adoração a Deus em Espírito, abre-nos mil possibilidades inigualáveis. Independente se estamos nesta ou naquela crença religiosa, se neste ou naquele local, se usando destas ou daquelas palavras, podemos nos comunicar com Ele. Quando o pensamento está elevado, quando se reveste do bem, da caridade, da poesia, ele está em contato com o Criador. Quando admiramos a natureza num fundo de quintal, e percebemos a grandeza da Criação, nos sentindo parte de algo grandioso e maravilhoso, estamos adorando o Criador. Quando praticamos as leis de Deus, inscritas em nossa consciência, colocamo-nos em comunhão com Ele. Basta a sintonia mental positiva. Basta a alegria de viver. Basta a gratidão pela existência, pelos seres amados, e lá estamos nós sintonizados com o Pai. Adorar a Deus em Espírito e Verdade, é conhecer a felicidade no caminhar, é despertar para a verdadeira vida todos os dias. Pense nisso. 
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Allan Kardec, na terceira parte de O livro dos Espíritos trata sobre a lei de adoração. Na questão 654 ele pergunta: Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo? Ao que os Espíritos lhe respondem: Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal(...).
Redação do Momento Espírita com base no item 654 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb, e versos da poetisa americana Emily Dickinson,, do livro Complete poems, ed. BackBay Books. Em 21.09.2009.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

TREM DA VIDA

Silvana Duboc
Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso. A nossa existência terrena pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa. Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em algumas partidas. Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos que estejam sempre conosco: são nossos pais. Infelizmente, isso nem sempre é possível. Em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis... Mas isso não impede que durante a viagem outras pessoas especiais embarquem para seguir conosco: são nossos irmãos, amigos, amores. Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio. Outras encontrarão somente tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precise. Muitas desembarcam e deixam saudades eternas... Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu assento, ninguém percebe. Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede que, durante o percurso, nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar. Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... O importante é que façamos nossa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor. Devemos lembrar que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda. A grande diferença, afinal, é que no trem da vida jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação desembarcarão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia... Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos. Com certeza será triste. No entanto, em algum lugar há uma estação principal para onde todos seguimos... E quando chegar a hora do reencontro teremos grande emoção em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo... Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali. Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até à estação onde teremos que deixar o trem. * * * Se nossa viagem não está acontecendo exatamente como queremos, demos a ela uma nova direção. Se é verdade que não podemos mudar de vagão, é possível mudar a situação do nosso vagão. Observemos a paisagem maravilhosa com que Deus enfeitou todo o trajeto... Busquemos uma maneira de dar utilidade às horas. Preocupemo-nos com aqueles que seguem viagem ao nosso lado... Deixemos de dar importância às queixas e façamos algo para que a nossa estrada fique marcada com rastros de luz... Pensemos nisso... E, boa viagem! 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria de Silvana Duboc, disponível no site www.silvanaduboc.us. Em 2.1.2018.