quarta-feira, 9 de agosto de 2017

DEIXE O OUTRO FALAR!

Dale Carnegie
Deixar o outro falar ajuda em situações familiares e profissionais. Barbara Wilson relacionava-se muito mal com sua filha Laurie. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco. Laurie, que fora uma criança serena e complacente, tornou-se avessa à cooperação, às vezes provocadora. A Sra. Wilson passava-lhe sermões, ameaçava-a, punia, sem sucesso. 
-Certo dia, contou a Sra. Wilson, simplesmente desisti. Laurie tinha me desobedecido e fora para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, eu estava prestes a estourar com ela pela milésima vez, mas não tive forças para isso. Limitei-me a fitá-la e a dizer: "Por quê, Laurie, por quê?" Laurie percebeu o estado em que eu me encontrava e, com uma voz calma, perguntou: "Quer mesmo saber?" Fiz que sim com a cabeça e Laurie contou-me, primeiro hesitando, depois com uma fluência impressionante. Eu nunca lhe prestara atenção. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo. Quando sentia necessidade de conversar comigo sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, interrompia-a com mais ordens. Comecei a compreender que ela precisava de mim - não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para suas confusões de adolescente. E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira. A partir daquele momento, fui uma perfeita ouvinte. Hoje ela me conta o que lhe passa pela cabeça e nosso relacionamento melhorou de maneira imensurável. Ela se tornou, de novo, uma colaboradora. 
* * * 
Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos. Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais. Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc, e eles, os filhos, precisam apenas ouvir. Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem e tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos? Será que esses pais sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? O processo de aprendizado, e mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que este é uma via de mão dupla. No diálogo fala-se, mas também se ouve, e muito... Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez, ainda seja tão difícil para a Humanidade. Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia. Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações, etc. Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor. Pais, deixemos nossos filhos falarem! Filhos, deixemos nossos pais falarem! O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 6, pt. III, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional. Em 24.02.2010.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A LENDA DA CRIAÇÃO DOS PAIS!

Erma Bombeck
Conta-se que, quando Deus se dispôs a criar os pais, ele se esmerou a tal ponto que atraiu a atenção de um anjo, que ficou a observá-lO. Deus começou fazendo um homem de estatura muito alta. O anjo vacilou um pouco, mas resolveu falar com o Criador:
- Senhor, que tipo de pai é este? Se as crianças são baixinhas, por que um pai tão alto? Ele terá dificuldades para jogar bolinhas de gude sem se ajoelhar. Não poderá colocar uma criança na cama, nem beijá-la, sem ter que se curvar muito. 
Deus sorriu e explicou que o pai precisava ser alto, para a criança ter alguém para enxergar, quando olhasse para cima. Aí, ele partiu para colocar mãos grandes e vigorosas no modelo. O anjo criou coragem e falou outra vez: 
- Senhor, desculpe-me. Mas mãos grandes são desajeitadas. Elas não vão conseguir abotoar botões pequenos, nem prender elásticos nos cabelos e nem retirar cisco do olho de uma criança. E como irão trocar fraldas num bebezinho? 
- Pensei nisso, respondeu Deus, com toda sua paciência. Eu as fiz grandes o suficiente para segurar tudo o que um menino tira do bolso no fim do dia. E você verá, são pequenas o suficiente para segurar e acariciar o rosto de uma criança. 
Depois, Deus começou a modelar as pernas. E as fez longas, esguias. E colocou ombros largos no protótipo de pai que estava criando. O senhor percebeu que fez um pai sem colo? Quando ele segurar uma criança, ela vai cair pelo vão das suas pernas! Tornou a censurar o anjo.  Deus continuou a modelar, com todo o cuidado e esclareceu: 
- Mães necessitam de colo. O pai necessita de ombros fortes para equilibrar um menino na bicicleta ou segurar uma cabeça sonolenta no caminho de casa, depois das brincadeiras do circo ou da ida ao parque. 
E Deus colocou pés grandes. Os maiores pés que o anjo já tinha visto. Ele não se conteve:
- Senhor, acha justo isso? Honestamente, o senhor acha que esses dois pés vão conseguir saltar rápido da cama quando o bebê chorar? E quando tiver que atravessar um salão de festas de aniversário de uma criança, então! No mínimo, com esses pés enormes vai esmagar umas três delas, até chegar do outro lado. 
- Eles vão ser úteis, foi explicando o bom Deus. Você verá. Vão ter força para sustentar uma criança que deseje ver o mundo, do alto do pescoço do pai. Ou que deseje brincar de cavalinho. Vão dar passadas firmes e quando a criança as ouvir, subindo as escadas, em direção ao seu quarto, se sentirá segura, por saber que o pai logo mais estará ali, para abençoá-la, antes de se entregar ao sono. 
Deus continuou a trabalhar noite adentro. Deu ao pai poucas palavras, porém uma voz firme, cheia de autoridade. Deu-lhe também olhos que enxergavam tudo, mas que continuavam calmos e tolerantes. Contemplando Sua obra de arte, Deus resolveu acrescentar um último detalhe. Tocou com Seus dedos os olhos do pai e colocou lágrimas que ele pudesse acionar, quando tivesse necessidade. Aí, virou-se para o anjo e perguntou: 
- Agora, você está satisfeito em ver que ele pode amar tanto quanto uma mãe? 
O anjo nada mais tinha a argumentar. Permaneceu em silêncio. 
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É de relevância a lição dos exemplos dos pais aos filhos, a par da assistência constante de que necessitam os caracteres em formação, argila plástica que deve ser bem modelada. No compromisso do amor, estão evidentes o companheirismo, o diálogo franco, a solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e sociais. Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência. Grande é a tarefa que lhes está reservada, no que tange aos deveres da educação dos Espíritos que lhes são confiados na qualidade de filhos da carne. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Quando Deus criou os pais, de autoria de Erma Bombeck, do livro Histórias para o coração 2, de autoria de Alice Gray, ed. United Press. Em 8.8.2017.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BRINQUEDO DE ESCONDER

Amálio Benicacio, o Lulu Benencase
Num caderno antigo, uma criança escreveu: 
-Mãe, como eu gosto de você. E que saudade tenho de você. Pareço me ver, pequeno, ensaiando os passos. Um pé aqui, outro ali. Balançava e caía. Bastava fazer beicinho para chorar e sentia os seus braços me erguendo, me abraçando e dizendo: “Não foi nada. Continue andando.” Lembro das tantas brincadeiras que fazíamos juntos. Eu correndo e você fingindo que corria para me alcançar. De repente, me agarrava e suspendia em seus braços. Eu me sentia como alguém que estivesse no topo do mundo, mais alto do que os demais. Olhando tudo de cima. Mas, o brinquedo que eu mais gostava era o de esconde-esconde. Eu me escondia atrás da cortina e você demorava para me encontrar, andando de um para o outro lado, perguntando: “Onde estará aquele menino?!” E eu ficava ali, achando muita graça. Nem me dava conta de que os meus pés me denunciavam de longe onde me escondia. Quando era você que se escondia, eu procurava naqueles mesmos esconderijos que eu conhecia. Às vezes, demorava um pouco para encontrar você. Eu ficava triste. Pensava: “Mamãe foi embora.” Nessa hora, você aparecia, saindo detrás da porta entreaberta ou do sofá da sala, sorrindo. E tudo ficava bem. Eu era uma criança feliz. Muito feliz. Até o dia em que você inventou uma brincadeira diferente. Você ficou quieta, muda, não falava. Muita gente veio em casa. Mexeram com você, falaram. Mas você continuou firme. Não se mexeu, não falou. Pensei: “Acho que mamãe está brincando de estátua. E que estátua verdadeira ela está imitando.” Depois, vieram outras pessoas e colocaram você em um carro feio, preto, que eles tentaram enfeitar com flores. Continuou feio. Alguém me disse: “Não fique triste. Sua mãe foi se esconder.” Então fui procurar e procurar. Tentei descobrir onde o carro levara você. Andei muito e fui olhando atrás de cada árvore, de cada arbusto. Nada. Deixei-me ficar na estrada, sentado. E chorei. Você nunca mais apareceu. Fiquei com muita raiva daquele jogo de estátua e da brincadeira de esconde-esconde. Ainda espero que você volte, minha mãe, para eu poder sorrir outra vez. Onde você está, mamãe? 
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Quanta dor na escrita de um menino a quem não foi explicado o fenômeno da morte. A morte, dolorosa sim, por se constituir o desaparecimento físico da pessoa amada, deveria ser matéria a ser lecionada, desde a mais tenra idade. Isso porque não há nada mais certo na vida. Quem nasce, morre, mais cedo ou mais tarde. Por vezes, no intuito de não querer traumatizar os pequenos, os enganamos, dizendo que a pessoa viajou, que foi passear. Isso os deixa na ansiedade da espera. Uma espera interminável. Quão melhor seria que lhes ensinássemos a respeito da vida que nunca morre. Que lhes disséssemos que quando morre alguém querido, ele continua conosco, em nosso coração. Que poderão falar com ele, lhe endereçar as suas preces, lhe dizer do que sentem e como sentem. Com certeza, tudo seria mais suave e, na sequência dos anos, a morte perderia seus dolorosos véus negros de mistério. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, inspirado no artigo Brinquedo de escondê, de Lulu Benencase, do Boletim Informativo FAEP, nº 1388. Em 7.8.2017.

domingo, 6 de agosto de 2017

DEIXAI CRESCER

A tradição bíblica ensina que antes da chegada de João Batista houve um grande silêncio profético. Por aproximadamente quatrocentos anos, nenhum profeta falou ao povo. Finalmente, João Batista começou a pregar e causou grande comoção. Muitos até achavam que ele era o Salvador longamente esperado. Contudo, quando Jesus o procurou para ser batizado, João foi enfático em apontá-Lo como o que haveria de vir. Em um momento posterior, surgiu certa crise envolvendo os discípulos de João, a respeito da figura de Jesus. O Batista novamente não titubeou e afirmou com clareza: É necessário que Ele cresça e que eu diminua. É interessante observar que o famoso profeta não estava procurando um caminho fácil para seguir. Ele não se tornou inerte, não fugiu de seus testemunhos. Continuou a pregar com desassombro, até que seu falar claro fez com que os poderosos da época decidissem assassiná-lo. Mas nem por isso deixou de reconhecer o lugar que lhe cabia na concretização de um ideal superior. Essa postura de João Batista pode suscitar saudáveis reflexões. Muitas criaturas se dispõem a fazer o bem ou a trabalhar por um ideal. Entretanto, exigem ocupar lugares de importância. Desejam servir, sim. Mas, desde que isso lhes propicie brilho e reconhecimento. Quando se apresenta alguém mais capacitado para o desempenho de uma tarefa considerada importante, relutam em ceder o lugar. Se uma nova liderança surge, com grande potencial, tratam de boicotá-la. Fazem-se severos críticos de tudo e de todos que podem lhes fazer sombra. É como se o bem somente pudesse se realizar através delas. Tal gênero de conduta sinaliza que a vontade de servir-se de uma causa é maior do que o desejo de servi-la. Entretanto, na tarefa de construção de um mundo melhor há espaço para todos. A verdadeira recompensa pelo amor do belo e do bem é a paz interior. O reconhecimento do mundo é transitório e costuma representar principalmente um fardo a ser suportado. Não compensa viver em função dele. Importa aprender a servir, onde e como se fizer necessário. Se a tarefa exigir alguma exposição, manter a modéstia. Quando o momento de brilho passar, permanecer no serviço, ainda que em posição singela. Assimilar que o bem não tem dono e que sua concretização é uma conquista da Humanidade inteira. Rejubilar-se com o aparecimento de pessoas com grande potencial e desejosas de trabalhar. Deixar que cresçam e alegrar-se mesmo com o crescimento delas. No momento certo, saber tornar-se obscuro, a fim de que uma luz maior brilhe, em benefício de todos. 
Redação do Momento Espírita. Em 29.05.2009.

sábado, 5 de agosto de 2017

DEIXAI VIR A MIM!

Ela era apenas uma garota, e sua vida nunca fora um mar de rosas. No entanto, a força interior, que trazia em si, permitiu suplantar os sofrimentos e amar a vida. Tendo passado por desafios familiares na infância, Marilda não demonstrava as dores vivenciadas. E tinha vontade de fazer algo diferente. Quando via uma criança triste, se aproximava e tentava estabelecer um diálogo. Conversando com carinho, destacava as raras coisas boas daquela vida sofrida, e as valorizava. A comunidade onde vivia ficava distante do centro da cidade e as dificuldades só aumentavam, com a quantidade de pessoas que continuavam chegando. Ela aprendera a ler. Ganhara um livro contendo as lições do Evangelho e feliz, resolveu fazer algo pelas crianças. Todas as tardes, as reunia no gramado do terreno ao lado de sua casa, e lia as histórias da vida de Jesus para elas. A passagem preferida de todas era a que falava do Mestre chamando as crianças para junto de si. Marilda ensinou-as a orar a Deus e ao seu anjo de guarda, o que elas faziam com uma emoção incrível. Ela tinha consciência de que aquilo era muito pouco, mas o fazia com dedicação. O sorriso das crianças era alimento para o seu coração.
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Jesus citou as crianças como modelo da inocência que todos devemos buscar cultivar. A criança não costuma enxergar as ironias, as maldades, os sentimentos menores, que fazem de certos homens muros de pretensão e de maldade. Ao iniciar nova jornada, na Terra, o Espírito não possui no cérebro atual, os registros do que foi, viu e sentiu outrora. Por isso os primeiros anos de vida devem ser muito bem conduzidos, com amor e responsabilidade, por seus pais ou por quem as atende. Ser criança na Terra é recomeçar o aprendizado permanente, até atingir a perfeição. Aprender, com base no Evangelho de Jesus, representa para todos os que nos aventuramos, nesta viagem, o recomeço seguro e promissor. A criança é semelhante a um material moldável, onde podemos imprimir o que quisermos. Não tendo ainda sua personalidade atual formada, tudo o que ensinarmos a ela hoje, será impresso fortemente em seu ser, refletindo no seu comportamento, no amanhã. Se as lições e exemplos que vivenciar forem negativos, ela os registrará naturalmente, fazendo disso sua bagagem de aprendizado e vida. Porém, se nos dispusermos a presentear esse Espírito com os melhores conteúdos e exemplos, com certeza, haveremos de colher frutos doces e nutritivos. A criança sempre representará, no mundo, as expectativas da Humanidade para o futuro. Resta nos questionarmos qual o futuro que queremos construir, a partir de agora. Quando todos compreendermos essa realidade, os lares oferecerão para a sociedade o modelo sonhado, de homens e mulheres que haverão de construir nossa futura realidade. Estamos aqui para dominarmos nossas más inclinações, e nos aprimorarmos na compreensão da vida. Semeemos muito amor ao nosso redor, sempre. Chegará o momento em que o perfume dele nos envolverá. 
Redação do Momento Espírita. Em 17.6.2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ÁRVORES DESPEDAÇADAS

A tormenta agressiva atravessou a árvore, despedaçando-a, e prosseguiu rugindo, em desalinho. A árvore ferida, no entanto, segura de si através da seiva, respondeu ao golpe violento derramando óleo perfumado pelo corte, e em breve, reverdecida, se multiplicou em flores e frutos. Era a resposta da paz da natureza ao rigor do desespero das forças desgovernadas...
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Quantas vezes somos despedaçados pelas tempestades dos dias. Elas chegam, muitas vezes, sem avisar. Não temos tempo nem de observá-las em aproximação no horizonte. Inundam nossas raízes, carregam as folhas mais frágeis e nos cortam, ferindo-nos profundamente. Tormentas fazem parte desse mundo, assim como os dias de sol, alternando-se descompassadamente, tal como o clima interno no coração dos homens. Porém, a natureza, que sempre nos traz ricas lições, apresenta-nos uma proposta dignificante. A árvore que está segura de si, através de sua seiva, derrama perfume pelo local do corte, e se revigora em tempo breve. A alma que está segura de si, segura de seus destinos futuros, segura do amparo do Pai e certa de que as tormentas são necessárias, apresenta em seu interior uma seiva poderosa, rica, que a alimenta em abundância. Assim, sabe se recuperar sempre que preciso, mesmo que ofendida e maltratada. E sua resposta às agressões do mundo é a outra face, a face da paz de espírito.
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Não permitamos que as forças desgovernadas do planeta em guerra nos façam pequenos, através da infelicidade que nos causam. A árvore continua crescendo após suportar a tormenta, e cresce mais forte, mais resistente. Mantenhamos os galhos voltados para o alto, assim como faz a araucária, recebendo o auxílio do Criador sempre que necessário. Mantenhamo-nos confiantes do nosso destino futuro: a felicidade. E trabalhemos, incansavelmente, por alcançá-lo. Se percebermos que as coisas fogem do nosso controle, lembremos que, na verdade, muitas coisas estão além de nossa compreensão atual. Não podemos controlar tudo. Aceitemos. Mas, não numa postura derrotista e paralisante. Aceitemos compreendendo, aceitemos trabalhando, com fé e com a esperança de que tudo passa. Quando alvejado pelas loucuras do globo em transição, respondamos com o perfume da compreensão, da calma, da paciência. Se vivemos tempos de luta constante, é sinal de que uma grande mudança se aproxima. Observemos, aprendamos, entendamos o que as adversidades querem dizer em altos brados ao nosso coração aprendiz. O que faz uma árvore majestosa e forte não são os dias de sol que desfruta, mas sim os dias de vento e chuva que lhe desafiam a capacidade de se manter em pé. Flores e frutos chegam quando menos se espera. Ninguém sabe o tempo exato da colheita, a não ser o grande Semeador, que é nosso Pai Maior. Lembremo-nos de que Ele está no comando de tudo. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição do cap. Junho, item 27, do livro Poemas de paz, pelo Espírito Simbá, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 3.8.2017.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

UM MOMENTO APENAS

CHICO XAVIER
Costumamos andar sempre apressados. A nossa desculpa é de que temos tarefas e mais tarefas nos aguardando. Nesse corre-corre diário, por vezes, nos esquecemos de atender a deveres mínimos. Como dar a correta informação da localização de uma rua, socorrer alguém que escorrega e cai na calçada. Ou atender ao telefone com calma, ouvindo o que a pessoa deseja, mesmo que seja uma ligação equivocada. Com atitudes semelhantes, vamos a pouco e pouco nos tornando criaturas distantes e indiferentes. Regidas e comandadas por compromissos sempre inadiáveis. E é tão pouco que nos é pedido, um minuto, talvez dois. Recordamos que o médium espírita Francisco Cândido Xavier trabalhava, nos dias da sua juventude, em uma fazenda modelo. Certo dia, pela manhã, saiu de casa um pouco atrasado. Ele ficara até a madrugada atendendo sofredores do mundo e se levantara alguns minutos além do horário habitual. Caminhava apressado, pelas ruas quase desertas, àquela hora da manhã. Passando frente a casa de uma velha senhora que morava sozinha, ela o viu e o chamou. Chico acenou com a mão e falou rápido, sem deter o passo: 
-Agora não posso. Na volta, no final do dia, falarei com a senhora. 
No exato momento, a mediunidade do jovem mineiro visualizou a figura serena do seu amigo espiritual que lhe falou: 
-Chico, não deixe de atender agora. É importante. 
O médium parou, voltou sobre os próprios passos, abriu o portão e se dirigiu até a casa. A senhora estava com um vidro de remédio nas mãos. Precisava saber como deveria tomá-lo. Com dificuldades de visão, não conseguia decifrar as indicações da bula, nem as da receita médica. E a medicação lhe era necessária, com a possível brevidade. Chico leu com cuidado e com paciência lhe explicou como deveria ser ministrado o medicamento. Tornou a explicar porque ela não entendera da primeira vez. Depois se despediu. Retornou à estrada, apurando o passo. De longe, pôde ouvir a senhora agradecida, quase a gritar: 
-Vá com Deus, seu Chico. Vá com Deus. 
Ele olhou para trás e percebeu que da boca da mulher saíam fluidos alvos que o alcançavam, envolvendo-o numa aura de harmonia. Outra vez, o amigo espiritual lhe disse: 
-Chico, já imaginou se não tivesse parado?
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A quantas bênçãos nos furtamos por não estacar o passo, na nossa correria diária. Quantas oportunidades de praticar o bem, auxiliar alguém são perdidas. Por pura pressa. Isso sem pensar que, se fôssemos nós no lugar do solicitante, do necessitado, gostaríamos imensamente de ser ajudados, orientados, amparados. No momento. Não depois. Porque depois pode ser tarde demais. 
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O bem que deixamos de fazer, podendo fazê-lo, é um grande mal. O bem que praticamos gera o prazer do bem em si mesmo. Façamos o bem em toda a parte com as mãos e o coração, orando e esclarecendo, a fim de que o trabalho da verdade fulgure em nossos braços como estrelas luminescentes em forma de mãos.
Redação do Momento Espírita, com transcrição de frases do item Bem, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 2.8.2017.
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