domingo, 8 de novembro de 2015

AULAS DE GENTILEZA

Leila Ferreira
Falar baixo é uma das lições ensinadas nas aulas de gentileza, que os alunos da quinta série de uma escola da Alemanha são obrigados a assistir. A escola fica na cidade de Bremem e a disciplina "Trato, modos e conduta" foi implantada depois que a direção tentou que os alunos aprendessem a conviver com mais respeito - entre eles mesmos e com os professores. Na sala de aula, eles são apresentados às regras básicas de comportamento, e treinam o uso de expressões como "Com licença" e "Obrigado". Quando a matéria foi implantada no currículo escolar, gerou controvérsias e virou assunto na imprensa. A necessidade surgiu diante da constatação de uma realidade que as empresas vinham enfrentando há muito tempo. Verificaram que os jovens recém-saídos das escolas desconheciam as regras elementares de convívio social. O então presidente da Confederação dos Empresários da Alemanha disse, numa entrevista, que os jovens chegavam com excelente capacitação técnica, mas não conseguiam interagir de forma civilizada. 
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Essa situação nos leva à reflexão sobre a formação das crianças e jovens de hoje. De nada adianta as pessoas terem um excelente currículo e não conseguirem tratar o outro com civilidade. Educação é tarefa primordial dos pais. Temos a obrigação de ensinar aos filhos as regras básicas de convivência social. Se a criança não aprende desde cedo, dentro de casa, a tratar com bons modos os próprios pais e irmãos, não virá a se comportar como um indivíduo civilizado. Cuidemos para não deixar lacunas na formação de nossos filhos. Devemos nos preocupar em demonstrar, através do exemplo, respeito por todos aqueles com os quais nos relacionamos, a começar dentro do próprio lar. Coloquemo-nos no lugar dos outros, inclusive de nossos servidores e não nos esqueçamos que todos gostamos de receber gentilezas. É comum justificarmos que as preocupações em excesso, a ansiedade dos tempos modernos e a falta de tempo são responsáveis por comportamentos grosseiros. Convenhamos que a delicadeza e a educação não têm a ver com essas circunstâncias. Comportamentos injustificáveis nos mostram que está faltando controle sobre as próprias ações e, acima de tudo, respeito para com o próximo. Não podemos achar natural agir com falta de cortesia. Pode parecer difícil agir com amabilidade no mundo competitivo e individualista em que vivemos, mas não devemos abrir mão de nossas convicções. É lamentável que as expressões Com licença, Por favor e Obrigado estejam sendo usadas com menor frequência. Muitas vezes vivenciamos situações em que as pessoas agem com esperteza e driblam regras de educação com o objetivo de obter alguma vantagem ou conseguir algo mais rápido. Caso venhamos a sofrer indelicadezas, não nos deixemos envolver por essas atitudes e sigamos em frente dando bom exemplo, mesmo que seja através do nosso silêncio. Formalidades em excesso muitas vezes são dispensáveis, mas respeito mútuo, consideração e boas maneiras são essenciais aos relacionamentos. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Gentileza, do livro A arte de ser leve, de Leila Ferreira, ed. Globo. Em 12.9.2012.

sábado, 7 de novembro de 2015

ATRIBUTOS DE DEUS

A imensa maioria dos homens afirma acreditar em Deus. Contudo, seus atos nem sempre refletem essa crença. Corruptos, mentirosos, maledicentes, fraudadores e assassinos figuram dentre os que se afirmam crentes. É como se admitir a existência da Divindade fosse algo sem relação com qualquer aspecto prático do viver. Crer em Deus não implica filiar-se a uma associação religiosa. A Divindade não pertence a uma ou outra religião. Mas admitir a existência do Criador tem consequências inevitáveis. É imprescindível viver de acordo com o que se acredita. Deus é a causa primária de todas as coisas. Sendo a origem de tudo o que existe, de toda a vida, Ele fornece o sentido e a razão do viver. Conforme a ideia que faz da Divindade, o homem deve orientar o próprio comportamento. A Humanidade ainda é muito limitada para compreender a essência do Criador. Entretanto, a lógica indica o que Ele não pode ser, sem deixar de ser Deus. Daí se deduz o que Ele deve ser. É inerente à ideia de Deus a posse de todas as virtudes em seu grau máximo. Se Ele possuísse em grau menor qualquer virtude, alguém poderia ultrapassá-lO. Então, esse ser é que seria supremo e ocuparia o posto da Divindade no Universo. Possuir uma qualidade ao infinito implica a impossibilidade de também ostentar, ainda que minimamente, a qualidade que lhe é contrária. É impossível que um lenço seja infinitamente branco, mas tenha algumas manchas negras. Consequentemente, não é possível ser totalmente bom, mas fazer algumas maldades. A obra da Criação revela, em sua formulação, a presença de uma Inteligência que supera enormemente a capacidade do homem mais brilhante. Conclui-se que Deus é a Suprema e Soberana Inteligência, ilimitada em Seu potencial. Deus é Eterno, pois não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, alguém ou algo teria existido antes dEle, presenciado o que Ele não presenciou e saberia o que Ele não sabe. Esse algo Lhe teria dado origem e seria o verdadeiro Deus. Se Deus tivesse fim, alguém poderia sobreviver a Ele e desfazer o que Ele fez. Deus é onipotente. Caso houvesse algo que não pudesse fazer, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa, a qual seria o Ente Supremo. Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das Leis Divinas revela-se em todas as coisas. O instinto materno, a beleza da natureza, a harmonia do movimento dos astros, tudo isso revela a bondade Divina. Se Deus fosse injusto, em apenas uma situação, já não seria infinitamente bom, pois toda injustiça é uma maldade. Certamente você concorda com isso. Mas talvez veja pouca relação entre essa concepção do Divino e a sua vida. Mas reflita: Deus é infinitamente justo e bom, Ele tudo pode e sabe. Isso implica reconhecer a impossibilidade de qualquer injustiça persistir em face das Leis Divinas. Não há absolutamente nada que você faça e fique sem resposta. Talvez você não perceba de imediato as consequências, mas elas sempre vêm, nesta encarnação ou em outra. Assim, se você deseja paz e felicidade, seja honesto, trabalhador, justo e bondoso. A consequência de crer em Deus é a necessidade de comportar-se dignamente. 
Redação do Momento Espírita. Em 28.09.2012.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O ÁTOMO E O PRECONCEITO

Conta-se que um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, uma escada no centro e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros batiam nele. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo macaco foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se caso fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui! 
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Albert Einstein
 É dessa forma que vemos a Humanidade agindo, no que diz respeito aos preconceitos. Herdamos valores do passado sem questioná-los, sem pensar sobre sua validade, sobre seu conteúdo. O grande Albert Einstein, certa feita disse: Triste época esta, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Em seus pensamentos, com toda certeza, fulgurava essa dificuldade que tem o homem de se libertar de sua ignorância, de agir de acordo com a racionalidade, e não conforme as convenções descabidas. Por isso, conceituamos antecipadamente muitas coisas, como uma raça, uma religião, uma profissão, uma opção de vida, uma pessoa. Escondemo-nos na ideia de que sempre foi assim, escapando de ter que pensar, de ter que mudar. Nesse momento, chegamos bem próximos das atitudes dos animais, que agem apenas por instinto, e se encontram na primitividade da evolução terrena. O homem moderno precisa urgentemente rever seus valores. O homem do novo século necessita derrubar antigos conceitos e abrir sua mente para as verdades novas que lhe chegam. Juntamente com a importantíssima evolução do intelecto, que nos possibilitou dividir o átomo, precisamos cuidar também do crescimento ético, do desenvolvimento espiritual que nos fará, finalmente, livres dos preconceitos, que até hoje na História do Mundo, só trouxeram a espada, a divisão, o sofrimento. 
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Quantas das guerras modernas ainda são resultado de preconceitos antigos! Quantos sentimentos de ódio por outras raças, por outras crenças, responsabilizando milhões, pelos erros passados de alguns poucos! Quantos dias, anos, décadas, séculos, ainda faltam para compreender que somos todos irmãos, que temos todos o mesmo objetivo, e que não precisamos competir, e sim buscar a união para sermos felizes? Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada. Em 13.1.2014.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ATO DE AMOR

Alice Gray
Dizer ou não dizer ao filho que ele é adotado continua sendo, para muitos pais, um grande desafio. Uns falam muito cedo, outros deixam para falar muito mais tarde e a inabilidade para dizer das circunstâncias que levaram à adoção, por vezes, cria algumas dificuldades de relacionamento. Adoção, contudo, é um especial ato de amor. Por isso, aquela mãe não se cansava de repetir, quase toda noite, a história. Quando chegava a hora de dormir, ela se deitava ao lado da menina, acariciava os seus cabelos, a aconchegava e lhe dizia como ela era uma criança especial. E muito amada. Durante muito tempo, contava, seu pai e eu quisemos ter um bebê. Oramos para que eu ficasse grávida. Os anos se passaram e nada aconteceu. Começamos a compreender que Deus tinha algo diferente para nós. E decidimos adotar um bebê. Um bebê cuja mãe não tivesse condições de cuidar dele. Então, um dia o telefone tocou e uma voz do outro lado da linha me disse que o nosso bebê havia acabado de nascer. Era uma menina. Telefonei ao seu pai no escritório. Ele veio correndo para casa e fomos até o hospital. Por detrás do vidro do berçário, ficamos olhando a fileira de bercinhos com os bebês recém-nascidos, tentando adivinhar qual era você. Não víamos a hora de a levar para casa e apresentá-la à nossa família e aos amigos. Quando chegamos frente ao portão, havia uma multidão de amigos com presentes nas mãos, ansiosos por conhecer nosso bebê. E, filha, você tem sido uma bênção para nós. A melhor coisa que seu pai e eu fizemos na vida foi adotar você. A mãe se empolgava em contar. A filha adorava ouvir. E toda vez sentia que ser adotada era uma coisa muito especial. Ela havia sido escolhida. Quando a menina cresceu, casou-se e engravidou, a mãe a foi visitar. Ela estava no sétimo mês de gravidez e se sentia muito desconfortável. O bebê não parava de chutar. Enquanto a jovem gemia e levava a mão ao ventre, sua mãe lhe disse: Deve ser uma coisa maravilhosa sentir o chute de um bebê na barriga. De repente, a filha se deu conta que sua mãe nunca sentira um bebê no útero. Por isso, tomou as mãos da mãe, colocou-as na sua barriga e falou: Mãe, sinta sua neta. Uma extraordinária expressão de alegria se estampou no rosto daquela mãe, que nunca pudera ter uma gestação, que nunca pudera sentir o filho no seu ventre. E a filha compreendeu que, naquele momento, oferecia para sua mãe, aquela mulher que a adotara com tanto amor, um presente que ela nunca pôde sentir pessoalmente. Ela havia recebido tantos presentes ao longo da sua vida. Sempre fora imensamente amada e acarinhada. E agora podia repartir um momento muito especial com aquela mulher especial, sua mãe. 
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A maternidade do coração é muito mais vigorosa do que a do corpo. Quem adota, o faz por amor. Pais de adoção são almas que sustentam outra alma, vidas completas que amparam outra vida em desenvolvimento. Seu querer é suave como a claridade da lua e forte como somente o amor abnegado pode se tornar. São anjos anônimos e abençoados na multidão, demonstrando que o amor é Deus e dEle tudo procede e que pessoa alguma é propriedade de outra, porque todos somos filhos do Seu amor, nutridos pelo amor. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Eu fui escolhida, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press; no cap. Filho adotivo e no cap. Mãe adotiva, do livro S.O.S. família, por diversos Espíritos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 8.5.2013.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

UM ATO DE AMOR

Aquele era um dia dos mais felizes na vida de André. Afinal, ele iria realizar seu grande sonho: mergulhar na piscina grande do clube. Seu pai havia lhe prometido que, quando ele completasse cinco anos de idade, poderia entrar na piscina dos adultos. Na companhia do pai, é claro. O pequeno André estava radiante naquela manhã ensolarada de domingo. Ele e o pai chegaram cedo ao clube. E como o pai precisava fazer o exame médico, pediu ao filho que o aguardasse por alguns minutos. Mas André, que não via a hora de pular naquele mar de águas azuis, tão logo o pai se afastou, correu para a piscina e mergulhou com vontade. Foi só depois do mergulho que ele se deu conta de que aquela piscina não tinha fundo. Acostumado com a piscina rasa onde sentia seus pezinhos firmes no chão, não desconfiava que a piscina grande era diferente. Aqueles foram os segundos mais dolorosos da sua existência... A água entrando em seus pequenos pulmões... Seus bracinhos frágeis tentando alcançar a superfície, respirar... Tudo em vão. Ao redor, o silêncio... André percebeu que não adiantava mais lutar... Resolveu parar de se debater e dormir... Tudo foi ficando longe, a angústia passou e ele sentiu que uma mão iluminada se estendia na sua direção... Percebeu, ao longe, um túnel de luz que o atraía... Entregou-se àquele sono diferente... E nada mais percebeu. Algum tempo depois André recobrou os sentidos, mas já não estava mais na água, estava no hospital... Os pais, em desespero, vibraram quando ele deu os primeiros sinais de vida... Os anos se passaram e André nunca esqueceu aquele episódio. Na sua juventude, foi que seu pai lhe contou como ele havia sido salvo. Um homem bom que passava pela piscina naquele dia distante, viu algo estranho no fundo da água e perguntou a outro homem, que também estava nas proximidades, o que era aquilo. O outro disse que talvez fosse um desses garotos testando por quanto tempo poderia ficar sem respirar. Mas o homem bom não se contentou com a resposta. Mergulhou imediatamente e descobriu o corpo do garoto, quase sem vida. Retirou-o da água e constatou que seu corpo já estava todo roxo. Não podia perder nenhum minuto. Começou ali mesmo os procedimentos para reavivar aquele corpinho inerte. Com as técnicas adequadas conseguiu reativar seu coraçãozinho e o garoto foi levado às pressas para o hospital. Mas o mais importante dessa história foi o homem que salvou a vida de André. Como ele sabia as técnicas exatas para efetuar aquele salvamento? Na verdade essa habilidade lhe custou muito caro. Um dia, ele viu seu filho pequeno morrer daquela mesma forma, porque não sabia o que fazer... Com o coração dilacerado de dor, aquele pai prometeu a si mesmo que jamais deixaria alguém morrer na sua frente por falta de socorro. Fez cursos e aprendeu todos os procedimentos para atendimentos de emergência. E foi assim que ele conseguiu fazer com que o pequeno André recuperasse os sinais vitais e conseguisse chegar vivo até o Pronto Socorro. Tudo porque aquele pai não se deixou abater pela dor. Pelo contrário, viu na dor um grande desafio. O desafio de ser um agente de Deus junto aos Seus filhos. O desafio de ser um agente do bem. Um pai... Uma dor... Uma nobre decisão... Um grande exemplo. E quanto a André? Terá feito jus a essa segunda chance recebida? Sim, é claro! Hoje ele é o jovem pai de dois meninos. Seus pulmões foram poupados para que ele fosse um excelente saxofonista e alegrasse o mundo através da música. Um garoto e seu sonho inocente... Um homem bom... Uma bela história... 
Redação do Momento Espírita, com base em história real. Em 19.10.2012.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

ATITUDE NO LAR

Alkindar de Oliveira
Certa vez, uma criança de sete anos perguntou à sua mãe, que era famosa apresentadora de programa de tv: 
-Mãe, por que na tela da televisão você sempre aparece sorrindo e feliz e em casa está sempre séria e nervosa? 
A mãe, pega de surpresa, respondeu: 
-É porque na televisão eu sou paga para sorrir. 
E a filha, mais que depressa, tornou a perguntar: 
-Mãe, quanto você quer ganhar para sorrir também em nossa casa? 
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A pergunta da garotinha nos oferece motivos de reflexão. Por que não sorrir no melhor lugar do mundo, que é o nosso lar? Por que não dar para os nossos tesouros mais preciosos, o melhor? Você já parou para observar um irrigador de grama em funcionamento? Girando, ele irriga toda a grama à sua volta. Mas quando chegamos mais perto, observamos que a grama que está próxima do irrigador, está seca. O irrigador molha a grama que está distante de si, mas não consegue molhar a grama que está mais próxima. Será que em nossa família estamos agindo à semelhança do irrigador de grama? Se estamos, é hora de mudar com urgência. Verifiquemos que, quando um amigo vem à nossa casa, colocamos um sorriso no rosto. Procuramos ser prestativos, companheiros, perguntamos como ele está, o que tem feito. Somos extremamente simpáticos. Nosso rosto é a própria expressão da alegria e da camaradagem. Batemos carinhosamente em suas costas. Olhamos com respeito e amizade nos seus olhos. Sorrimos e sorrimos muito. Toda nossa atenção, durante o tempo em que ele está conosco, é para ele. Deixamos as nossas atividades habituais, largamos o jornal, deixamos de assistir o programa de televisão de que tanto gostamos. Termina a conversa, o amigo precisa ir embora e despedimo-nos. Acompanhamo-lo até à porta, ficamos acenando até ele desaparecer na rua. Agora, voltamos para o interior da nossa casa e para nossa família. Como que num passe de mágica, nosso rosto se fecha, ficamos carrancudos. Vamos ler nosso jornal em silêncio e que ninguém nos perturbe. Passamos a ser outra pessoa. Junto ao amigo somos pessoas simpáticas e sorridentes. Junto à nossa família somos antipáticos e exigentes. Por quê? Será que os nossos amores não merecem a nossa atenção e o nosso carinho? 
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Se você se deu conta que está agindo mais ou menos como um irrigador de grama, reverta logo a situação. Ainda hoje, enquanto você está com seus filhos, sua esposa, seus pais, seja alegre. Converse. Interesse-se pela vida deles. O que eles fazem enquanto você está na escola, no trabalho, na rua? Eles estão com algum problema? Gostariam de contar? Sorria. Conte histórias de bom conteúdo. Relate fatos de sua experiência. E sorria. Sobretudo, abrace com carinho, beije com amor. Agindo assim, a casa se transformará em um lar. E ainda hoje todos serão mais felizes. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O próximo mais próximo, de Alkindar de Oliveira, publicado na Revista Espírita Allan Kardec, ano XII, nº 44. Em 11.05.2012.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

ATITUDE HOJE, MENSAGEM PARA O AMANHÃ

Quem observe esses frágeis seres que abrem seus olhinhos curiosos para o cenário do mundo, logo percebe como eles dependem dos adultos. Bebês, pequeninos, com o aroma da inocência aureolando-lhes as ações, andam na terra em busca de carinho. Parecem avezitas implumes, tal sua delicadeza e fragilidade. Às vezes, as vemos colocando suas mãozinhas nas pernas dos adultos, batendo de leve com seus dedinhos miúdos, erguendo os bracinhos a dizer sem palavras: "quero colo." As crianças expressam assim seu desejo de serem carregadas. Desejo que é repelido com expressões grosseiras como: "não te pego no colo, não. Vai andar! Quis vir junto, pois agora ande. Do contrário, poderia ter ficado em casa." Isso cai sobre a cabecinha da criança como uma bomba. Não percebem os que assim agem que o pequerrucho tem menos resistência, fatigando-o o esforço contínuo da caminhada. Dirão que a criança pula, corre, e brinca o dia todo, que, se tem energia para brincadeira, também deverá ter para andar. Ora, na brincadeira a criança está tendo a recompensa do prazer. Ela brinca até cansar e ao se sentir exausta, pára. Já não nos demos conta como mesmo o bebê de poucos meses, parece por vezes "desligar"? É o período de calmaria, de repouso, que ele busca. A caminhada contínua, onde não lhe é permitido parar para observar o cachorro que late, o brinquedo colorido na vitrine vistosa, o movimento das pessoas que circulam rápido, faz com que ela se canse com maior rapidez. Sem se falar que, normalmente, os adultos esquecem que os pequenos estão juntos, e andam a passo acelerado, obrigando-os a quase correr para os acompanhar. Outra situação que se repete com constância é a de crianças, no seu período de imitação, desejarem ser a cabeleireira da mãe. Munidas de escova e pente, elas tentam criar o penteado que sua mente cataloga como maravilhoso. O que conseguem, em verdade, é despentear. Mas elas insistem, põem a ponta da linguinha para fora da boca, demonstrando o esforço e alisam os cabelos com suas mãos. Satisfeitas, exclamam: "pronto." Quantas vezes todo esse cuidado é repelido com as desculpas de "vai estragar o meu penteado." Ou "não tenho tempo para perder." Atitudes repetidas desta natureza terminam por passar para a criança que o sofrimento do outro, como o seu cansaço, não importa. O lema é: "cada um por si." Igualmente a ensinarão que carinho é perda de tempo e a aparência vale mais do que ele. Não nos admiremos se, no futuro, nos depararmos com adolescentes frios e adultos indiferentes. Pessoas que prezarão somente o seu bem-estar, seu conforto pessoal, não se importando com a família, amigos ou colegas. Nas relações humanas, como tudo na vida, a questão é de aprendizado e de semeadura. Você sabia? Você sabia que até aos 7 anos de idade a criança é mais suscetível às mensagens que objetivam a educação? E que a educação integral compreende, não somente o comportamento social, as boas maneiras, a conduta reta, mas também a questão afetiva, emocional e espiritual? Assim, não desprezemos as carícias da criança. Dia virá, dobrados os anos, em que ansiaremos por quem se aproxime de nós, nos alise os poucos cabelos brancos. Alguém que disponha de seu tempo para colocar sua cabeça junto à nossa e perguntar:
"Como vai minha velhinha, hoje? Está cansada? Quer um carinho?"