quinta-feira, 14 de outubro de 2021

A GRANDEZA DA COMPAIXÃO

Algumas das mais lindas histórias da Humanidade podem ser encontradas na literatura da velha Índia. A que você vai conhecer agora está no poema épico Mahabharata. 
Uma grande batalha estava prestes a ocorrer: os Kurus e seus primos Pandavas se enfrentariam, dentro de poucas horas. Mas, instantes antes do início da batalha, os olhos do príncipe Krishna pousaram sobre uma avezinha que estremecia diante dos ruídos da guerra. Era uma ventoinha. O passarinho havia feito seu ninho em meio à grama alta. Logo, os elefantes e cavalos da guerra esmagariam os ovinhos que abrigavam os filhotes. Os olhos claros de Krishna se encheram de compaixão. Desceu da carruagem e aproximou-se. Viu a avezinha que se recusava a abandonar o ninho indefeso. Ouviu seus pios desesperados. Observou como ela se debatia, aflita, adivinhando o perigo iminente. Comoveu-se. 
-Mãezinha – disse Krishna – que bela é a devoção que tens à tua família! Que elevada forma de amor há em teu coração. 
Buscou então um pesado sino de bronze e, cuidadosamente, cobriu a mãe e o ninho. Conta a história que a batalha foi terrível, mas, quando terminou, a família de passarinhos estava a salvo. Os milênios se passaram e aquele campo de batalha ainda existe na Índia. E nele se pode ouvir os pios das ventoinhas que ali fazem seus ninhos. São a lembrança viva do gentil Krishna e de sua compaixão por todos os seres vivos. 
Que lição temos nesta história singela! 
E como podemos estendê-la às nossas vidas. 
Compaixão é enxergar o sofrimento do outro, mesmo quando estamos em meio aos nossos próprios problemas. 
Compaixão é uma doce palavra, que torna o coração sensível e está muito além de somente comover-se com o sofrimento material de alguém.
É claro que fome, pobreza e doença sensibilizam a alma, mas a compaixão também pode ser traduzida pelo sentimento de compreensão perante as pessoas difíceis, pelo perdão a quem nos ofende e maltrata. 
Diga-se, a mais difícil forma de compaixão é tolerar aqueles que são desagradáveis ou causam prejuízos. 
Portanto, a mais séria pergunta é: 
-Como amar os que nos humilham sem nos tornarmos covardes? 
A resposta foi dada por Jesus: 
-Seja o teu dizer sim, sim; não, não. 
Isto é: sinceridade, transparência sempre. 
Mas tudo isso dulcificado pela compaixão. 
Não se trata de achar que o outro é um coitado ou um medíocre. 
Quem pensa assim está desprezando a outra pessoa. 
O estado de compaixão compreende o próximo verdadeiramente. 
Não se põe em posição superior a ele. 
Não o humilha. 
A verdadeira compaixão é generosa. 
Ela entende o momento e as razões da outra pessoa. 
Um exemplo de gesto de compaixão está em Jesus: no alto da cruz, fustigado por fome e sede, traído pelos amigos, torturado pelos homens, Ele ergueu os olhos para o céu. E pediu simplesmente ao Pai Celeste: 
-Perdoa-os, Pai, pois não sabem o que fazem. 
Não lhes enumerou os erros, mas suplicou para eles o perdão divino. 
Certamente cada um dos que feriram Jesus carregou, durante anos a fio, o peso do remorso. 
A lei divina não deixou de agir neles. 
Mas, enquanto seus algozes permaneciam na Terra, açoitados pela própria consciência, o Cristo seguia adiante, em paz consigo mesmo.
Hoje - pelo menos hoje - pense na grandeza desse gesto e imite Jesus. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 30.1.2017.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A GRANDEZA DA AMIZADE

Você já pensou na grandeza da amizade? 
Diz um grande pensador que quem encontra um amigo, encontra um tesouro valioso. 
A amizade verdadeira é sustentáculo para muitas almas que vivem sobre a face da Terra. Ela está presente nos lares e fora deles, na convivência diária das criaturas.
A amizade é tão importante que já foi comparada com muitas coisas de valor. 
Um pensador anônimo compara a amizade com as estrelas, e aqueles que não têm amigos ele compara com os cometas, que vêm e vão, mas não permanecem, nem iluminam como as estrelas. 
Diz ele mais ou menos assim: 
-Há pessoas estrelas e há pessoas cometas. Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam. As estrelas permanecem. O Sol permanece. Passam-se anos, milhões de anos e as estrelas permanecem. Os cometas desaparecem. Há muita gente como os cometas, que passa pela vida da gente apenas por instantes. Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende. Gente sem amigos. Gente que apenas passa, sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença. 
Assim são as pessoas que vivem na mesma família e que passam um pelo outro sem serem presença. 
O importante é ser como as estrelas. 
Permanecer. 
Clarear. 
Estar presente. 
Ser luz. 
Ser calor. 
Ser vida. 
Ser amigo é ser estrela. 
Podem passar os anos, podem surgir distâncias, mas a marca da amizade fica no coração. 
Corações que não querem se enamorar de cometas, que apenas atraem olhares passageiros e passam. 
São muitas as pessoas cometas. 
Passam, recebem as palmas e desaparecem. 
Ser cometa é ser companheiro apenas por instantes. 
É explorar os sentimentos humanos. 
A solidão de muitas pessoas é consequência de não poderem contar com alguém.
É resultado de uma vida de cometa. 
Ninguém fica. 
Todos passam uns pelos outros. 
Há muita necessidade de criar um mundo de pessoas estrelas. 
Aquelas com as quais todos os dias podemos contar. 
Todos os dias ver a sua luz e sentir o seu calor. 
Assim são os amigos estrelas na vida da gente. 
Pode-se contar com eles. 
Eles são presença. 
São coragem nos momentos de tensão. 
São luz nos momentos de escuridão. 
São segurança nos momentos de desânimo. 
Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo cheio de pessoas cometas, é um desafio, mas, acima de tudo, uma recompensa. 
É nascer e ter vivido e não apenas existir. 
E você? É cometa? Ou é estrela? 
* * * 
Enquanto o desejo é chama que se consome e deixa um vazio nas almas, a amizade é bênção que alimenta e sustenta em todos os momentos da vida. 
Quem compartilha apenas do desejo corre o risco de ficar só, tão logo o desejo cesse, mas quem divide a amizade tem a certeza de que nunca estará sozinho. 
É por essas e outras razões que a amizade é sempre comparada às coisas belas e de grande valor. 
Pode ser comparada a um tesouro... 
A uma flor perfumada que jamais fenece... 
A uma estrela que aquece e vivifica, ou com a luz que jamais se apaga... 
O importante mesmo é ter amigos ou ser amigo de alguém, porque só assim teremos a certeza de que nunca estaremos desamparados. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida. Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. Fep e no CD Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. 
Em 02.03.2009.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

MÃE SANTÍSSIMA

É sabido que as religiões cristãs reverenciam, com profunda gratidão, a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
Sua elevação espiritual sempre foi tida como parâmetro maior, por ter recebido de Deus a missão de ser Mãe do Messias. 
Intimamente, trazia o compromisso de colaborar para que o Divino se fizesse Homem entre os homens. 
Aceitou a tarefa e cumpriu-a de maneira extraordinária. 
Quando a dor maior invadiu seu coração, na hora do martírio, exclamou: 
-Meu filho! Meu amado filho! 
E ouviu a resposta significativa, enquanto Jesus indicava o Apóstolo João: 
-Mãe, eis aí teu filho! 
Ela compreendeu que era o momento da renúncia maior da sua alma. 
Era a lição da família universal colocada em prática pelo filho amado que se fazia substituir pelo amigo querido. 
Maria! 
Alma santificada pela dor, pelo silêncio, pela renúncia, mas essencialmente pelo amor. 
* * * 
HUMBERTO DE CAMPOS
E
CHICO XAVIER
A Doutrina Espírita, através da mediunidade responsável, tem permitido que nos cheguem relatos biográficos de Maria de Nazaré. 
Os autores espirituais buscam os dados originais nos arquivos fieis do mundo espiritual. 
Foi assim que o Espírito Humberto de Campos nos trouxe, através de Chico Xavier, informações mais detalhadas, além das contidas nos Evangelhos.
Atendendo à promessa que fizera ao Mestre, aos pés da cruz, tão logo pôde, o Apóstolo João foi buscar Maria e a levou a Éfeso, onde residia. 
Ali, durante o dia, ele saía para cuidar de seus afazeres e da divulgação da Boa Nova, enquanto Maria passou a atender os caminhantes necessitados. 
Com o passar do tempo, aquela casa se tornou um ponto de referência para quem quisesse ouvir falar a respeito de Jesus. 
O Apóstolo Lucas, por orientação de Paulo de Tarso, foi até Éfeso. 
Seu objetivo era entrevistar a Mãe de Jesus, a fim de poder escrever a biografia do Mestre, segundo as suas lembranças. 
Idosos, doentes, mães infortunadas a buscavam para serem por ela abençoados.
Sentia-se um pouco mãe daquelas criaturas sofridas, e lhes falava de Jesus e de Seus ensinamentos como uma mãe fala aos seus amores. 
Acalmava os corações sofridos com palavras amigas, onde se destacava um quase refrão: 
-Isso também passa. 
Certa feita, um doente, sentindo alívio em suas chagas, ao beijar-lhe as mãos, murmurou: 
-Senhora, sois a Mãe de nosso Mestre e a nossa Mãe Santíssima. 
Desde então, a sua casa passou a ser conhecida como a casa da Mãe Santíssima.
Um dia, em que a saudade do filho era muito grande, ela atendeu a um peregrino.
Com mais intenso sentimento, ela falou daquele Jesus, que se fora da Terra, há alguns anos. E disse da sua imensa saudade. 
Então, o peregrino retirou o capuz, e com a voz que ela conhecia muito bem, disse:
-Minha mãe! 
Ela se emocionou. 
O coração começou a bater mais forte.
E ele completou: 
-Vim te buscar porque meu Pai quer que sejas, no meu reino, a rainha dos anjos!
Naquela noite, João, retornando das atividades, lhe assistiu aos últimos momentos.
Ela partiu, mansamente. 
E como uma estrela, de intenso brilho, adentrou a Espiritualidade. 
Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 2 e 30, do livroBoa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 17.11.2018.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

SE EU TIVESSE...

Se eu tivesse falado do amor que sentia, 
se eu tivesse perdoado, aconselhado, 
se eu tivesse me calado... 
Estas são afirmativas que costumam fazer parte dos nossos pensamentos, em alguns momentos da vida. Diante da perda de um ente querido ou no momento em que sabemos estar próxima a nossa partida para a pátria espiritual, a sensação de que se poderia ter feito muito mais, é causa de uma das grandes dores do ser humano. Pensamos que poderíamos ter sido mais cuidadosos nos relacionamentos com os amigos e amores, ter nos doado mais ao próximo, realizado aquele sonho... Ou, simplesmente, poderíamos ter amado mais. O arrependimento pelo bem que não foi feito é doloroso. Conveniente seria se vivêssemos a vida sem precisar de um dia empregar essas frases, que demonstram que algo poderia ter sido feito e que agora, não mais nos é possível fazê-lo. Muitas vezes justificamos o abandono de um objetivo por não termos as condições que julgamos ideais para cumpri-lo. Dizemos a nós mesmos que não temos o dinheiro ou o tempo suficiente, o poder ou a autoridade, que não temos coragem ou disposição, que somos velhos demais ou jovens demais ou que temos saúde de menos. Essas afirmativas apenas demonstram o nosso desânimo, frente às situações que a vida nos apresenta. Colocamo-nos facilmente na condição de depender de algo ou de alguém para agir, quando toda ação depende exclusivamente da nossa própria vontade. 
* * * 
Tenhamos coragem e entusiasmo para fazer o que consideramos correto, para agir de acordo com o que a nossa própria consciência nos orienta e para fazer o que for preciso em defesa dos nossos sonhos. 
Obstáculos sempre serão encontrados e dificuldades pessoais todos nós as temos, pois fazem parte do estágio evolutivo em que nos encontramos. 
Com coragem, paciência e disciplina seremos capazes de vencer as dificuldades.
Quando nos mantemos ligados a Deus, sentindo-O em nosso íntimo, qualquer objetivo que nos propusermos a alcançar não nos parecerá distante e encontraremos a força necessária. 
Seja a realização de uma grande obra ou apenas um pedido sincero de perdão a alguém que estimamos, se não tivermos coragem, acabaremos por deixar esquecida a nossa vontade. 
Diante da história de nossas vidas, olhemos para trás para perceber o quanto já aprendemos, o quanto já crescemos. 
E, no caso de constatar que não fizemos as melhores escolhas ao longo da nossa jornada, que usamos mal a liberdade que Deus nos concedeu para escolher os próprios caminhos, não deixemos o desânimo se instalar. 
Sempre há uma boa lição a ser retirada das experiências vividas. 
É hora de caminhar com fé e entusiasmo no coração. 
Hora de fazer renascer a esperança, deixar germinar a coragem e enxergar que somos capazes de realizar esse ou aquele feito. 
A coragem nos impulsiona a agir. 
Vivamos com a sensação de estar fazendo o melhor que pudermos para que, um dia, quando chegar a nossa hora de partir, não precisemos dizer para nós mesmos: 
-Se eu tivesse...
Redação do Momento Espírita. 
Em 11.10.2021.

domingo, 10 de outubro de 2021

O GRANDE TESOURO

Certa vez, um andarilho apareceu numa aldeia. Dirigiu-se à praça central, anunciou-se como alquimista e disse que ensinaria como transformar qualquer tipo de metal em ouro. Algumas pessoas pararam para ouvi-lo e começaram a proferir gracejos e ridicularizá-lo. O estranho não se abalou com as chacotas. Pediu um pedaço de metal e alguém lhe entregou uma ferradura. Um outro lhe ofereceu um prego. O alquimista, então, pegou ambas as peças e ainda sob as risadas dos incrédulos, colocou-as numa pequena vasilha e derramou sobre elas o conteúdo de um frasco que havia retirado de sua sacola. Permaneceu alguns segundos em silêncio e o fenômeno aconteceu. A ferradura e o prego se tornaram dourados. Uma sensação de espanto percorreu a multidão que se avolumava cada vez mais na praça. O alquimista levantou as peças de ouro para que todos as pudessem admirar. Um ourives presente no local pediu para examinar os objetos e foi atendido. Em pouco tempo, revelou que as peças eram mesmo de ouro puro, tão puro como ele nunca tinha visto. As pessoas se agitaram. Todos se aproximaram do alquimista, desejando ouvi-lo. Ele apanhou um livro grosso de sua sacola e disse estar nele o segredo da transformação. Em seguida, entregou o livro para uma criança e partiu. Ninguém o viu ir embora, pois todos os olhos se mantiveram fixos no objeto nas mãos da criança. Poucos dias depois, a maioria das pessoas já tinha uma cópia do valioso manuscrito. Assim, a receita para produzir ouro passou a ser conhecida por todos. Contudo, a fórmula era complexa. Exigia água destilada mil vezes no silêncio da madrugada e ingredientes que deveriam ser colhidos em noites especiais e em praias distantes. No início, todos puseram mãos à obra. Com o passar do tempo, entretanto, as pessoas foram desistindo do trabalho. Era muito penoso ficar mil noites em silêncio, esperando a água destilar. Além disso, procurar os outros ingredientes era muito cansativo. Mas, um pequeno grupo prosseguiu com o trabalho. Apesar de ridicularizados pelos demais da aldeia, continuaram destilando a água e fizeram várias viagens, juntos, à procura dos ingredientes da fórmula. Assim, o grupo dos aprendizes de alquimia tornou-se cada vez mais unido. Converteram-se em grandes amigos. Até que em um mesmo dia, todos os que tinham começado juntos, viraram a última página das instruções do livro, e lá estava escrito: 
-Se todas as instruções foram seguidas, você tem agora o líquido que, derramado sobre qualquer metal, o transformará em ouro. Entretanto, agora você já percebeu que a maior riqueza não está no produto final obtido, mas sim no caminho percorrido. 
* * * 
O que nos torna infinitamente ricos não é o que possuímos, mas os momentos que compartilhamos com os verdadeiros amigos. 
Esses são o nosso grande tesouro porque quem tem amigos, caminha com a certeza de que não está desamparado. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Alquimia, de autoria desconhecida. 
Em 19.1.2013.

sábado, 9 de outubro de 2021

VOZ DE DEUS

Quando os hebreus se encontravam ao sopé do monte Sinai, em sua peregrinação pelo deserto, narra o livro bíblico de Êxodo que ouviram trovões e relâmpagos e um som de buzina muito forte. Moisés falava e Deus lhe respondia em voz alta, diz o texto. 
A narrativa nos remete a um fenômeno mediúnico denominado voz direta. Tratava-se de uma manifestação ostensiva porque diz que todo o povo ouvia. Era, com certeza, o Espírito protetor da nação hebraica que ali se manifestava, em nome do Todo Poderoso. 
Mas, quem de nós não apreciaria ouvir a Voz de Deus? 
Em um poema de luz, lemos que quem ouve a voz dos imortais não esquece nunca mais. 
Como seria ouvir a Voz do Supremo Poder do Universo? 
Em verdade, todos os dias Ela nos fala aos sentidos. 
Os povos primitivos acreditavam que os deuses gritavam, enfurecidos, nas tempestades, nas tormentas e nos ventos uivantes. Tinham uma certa razão porque Deus nos segreda doces melodias aos ouvidos quando sussurra o vento, docemente, debulhando as folhas das árvores. Elas caem, arrastam-se pelo chão, continuando a traduzir a Voz de Deus. Quando o vento nos alcança os cabelos e os desarranja, é porque Deus deseja que nossos ouvidos estejam abertos à Sua Voz. 
Deus canta na voz das cachoeiras que se lançam de alturas imensas e caem, estrondosas, no rio abaixo, que segue, caudaloso, murmurando e murmurando.
Deus fala nas cataratas exuberantes, ouvidas desde longe, enquanto respinga água em nossos rostos ao nos aproximarmos. 
Está dizendo: 
-Você me ouve? Você me percebe? Lavo seu rosto para que possa me sentir.
Basta que prestemos atenção e ouviremos a canção de amor entoada pela passarada, num concerto sempre renovado e sempre inédito, porque jamais repetido de igual forma. 
Deus fala na noite de gala, na sinfonia dos astros, que brilham, exatamente como uma grande orquestra em palco esplendoroso. Instrumentos sensíveis traduzem a Voz de um Pai que ama e envia Suas bênçãos nos raios da lua, que nos encanta, enquanto a noite avança. 
Deus fala no amanhecer, despejando o sol sobre a Terra. 
Ou o líquido precioso nos veios secos. 
A Voz de Deus. 
Quantos A teremos ouvido, na intimidade da alma, quando em prece. 
Quantos A ouvimos no riso da criança, que corre feliz, dizendo da alegria de ter nascido em um mundo de tanta cor e beleza. 
Quantos teremos ouvido a Voz de Deus nos lamentos de dor de um mundo enlutado, atingido pela pandemia. 
Quantos entendemos que Deus nos pede que estendamos nosso socorro a quem sofre a dor do abandono, da ausência de amores. 
A quem padece a fome, o desabrigo, o desemprego, a ausência de condições de sobrevivência. Voz de Deus. Sempre presente. 
Não lhe sufoquemos os brados de alerta, de compaixão que nos dirige. 
Somos todos filhos da mesma família, dependentes uns dos outros. 
Herdeiros do Universo, repartamos o pão, ofertemos a palavra amiga, socorramos nosso irmão, próximo ou distante. 
A Voz de Deus nos indaga: 
-Como está seu irmão? 
Não cerremos os ouvidos, nem nos desculpemos. 
Atendamos a Voz de Deus. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro bíblico Êxodo, cap, XIX, vers. 15 a 17. 
Em 7.10.202

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

QUANDO A PEDRA SE TRANSFORMOU!

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Era o período nazista. Segunda Guerra Mundial. O campo de concentração de Auschwitz, entre tantos carrascos, conhecia um muito bem: chamava-se Herr Müeller. Senhor Müeller. Nome comum para o povo alemão. Mas, os prisioneiros daquele campo o podiam distinguir de qualquer outro. Parecia ter uma pedra no lugar do coração. Frio, implacável. Decidia sobre a vida e a morte daqueles pobres prisioneiros da arbitrariedade e loucura humanas. Entre tantos prisioneiros, um havia que o conhecera muito antes que o nazismo o transformasse em carrasco. Era o ilustre rabino de uma aldeia polonesa, Samuel Shapira. Ele conhecera Herr Müeller quando ele era um lavrador, na década de 1930, em sua aldeia. Quando descera do trem de prisioneiros, seu olhar cruzou com o de Herr Müeller e, como naqueles anos distantes, se cumprimentaram: 
-Bom dia. 
E o carrasco lhe indicara para seguir para a fila da direita, para se tornar mais um prisioneiro naquele campo de concentração. Os que fossem indicados para a esquerda, iam diretamente para a morte. O tempo passou e, apesar das tantas condições adversas, sub-humanas, o rabino sobreviveu e pôde ouvir, com alegria, o anúncio, em quatro idiomas, de que estavam livres. A guerra terminara. Embora o horror do que os homens haviam feito, naqueles anos, demorasse a se diluir na memória de cada um. A partir de agosto de 1945 até 1949, instalou-se um grande Tribunal Militar Internacional, que passou a julgar os criminosos. O mundo o conheceu como Julgamento de Nuremberg e foram vinte e dois os réus. Mas, vários outros julgamentos aconteceram em territórios ocupados. Num deles, em Frankfurt, o rabino foi testemunha de Herr Müeller. Testemunha de defesa. Herr Mueller era um ser que a filosofia nazista transformara em alguém impiedoso e cruel. Ele nunca fora amado. Em verdade, não era ele que mandava as pessoas para a câmara de gás. Era o regime. 
-Herr Müeller era um homem bom. 
Desta forma se expressou o rabino, não por ter tido a sua vida salva, naquele momento inicial da seleção, mas por, como cristão, assim acreditar. Herr Müeller foi condenado à pena de morte por enforcamento. Ao ser retirado do tribunal, passando pelo rabino, o olhou. Dos seus olhos, escorreu uma lágrima e ele sussurrou: 
-Muito obrigado! 
Ao influxo do amor do rabino, o coração de pedra se transformara. Voltara a ser homem. Sentir, emocionar-se, ante o afeto de alguém a quem ele, em essência, nada fizera. 
* * * 
O amor tem força extraordinária. Não há ninguém imune à sua ação. 
Quando ele se manifesta, salva vidas, alimenta outras e tem o poder de transformar pessoas tidas como más em renovadas criaturas. 
Foi por isso que Jesus nos recomendou: 
-Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. 
E ainda: 
-Amai os vossos inimigos. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato narrado por Divaldo Pereira Franco, em Encontro com as lideranças espíritas, na Federação Espírita do Paraná, no dia 27.11.2010. 
Em 8.10.2021.