sábado, 7 de agosto de 2021

PAIS SEM TEMPO

-Sabe, meu filho, até hoje não encontrei tempo para brincar com você. Arranjei tempo para tudo, menos para vê-lo crescer. Nunca joguei dominó, xadrez ou empinei pipa com você. Sabe, sou muito importante. Não tenho tempo para sentar no chão com você. Não, não tenho tempo! Certa vez você veio com o caderno da escola. Não liguei. Continuei lendo o jornal. Afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os de minha casa. Qual a importância de eu saber se hoje você venceu ou perdeu a corrida na escola? Amanhã, quando falar com os homens de negócio, o que eu preciso saber é a cotação da bolsa e como anda a política internacional. São esses assuntos que me tornam importante aos olhos dos outros e que permitem que eu cresça no mundo dos negócios, sempre mais. Nunca vi o seu boletim, nem sei qual foi a sua primeira palavra. Você entende... Não tenho tempo. Eu não reparo em quase nada. Minha vida é muito corrida. Sei que você se queixa, que sente falta de uma palavra minha, de um corre-corre, de um chute na sua bola. Sei que você sente falta do meu abraço e do meu sorriso. Mas não tenho tempo. Você entende, sou um homem muito importante. Preciso dar atenção a muita gente, dependo delas. Na verdade, sou um homem sem tempo. Sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que conversamos, só eu falo, e a maior parte é bronca. Quero silêncio! Quero sossego! E você tem a péssima mania de pular sobre a gente, de agarrar, querer contar tudo que lhe acontece. Filho, não tenho tempo para abraçá-lo para ficar com papo-furado com criança. Filho, o que você entende de comunicação, cibernética, racionalismo? Você sabe o nome dos grandes economistas? Dos grandes investidores? Sabe quais são as ações que estão em alta? Sabe qual é o melhor investimento a ser feito? Sabe, filho, não tenho tempo. Tenho muitos cursos a frequentar, muitas coisas a aprender. Mas o pior de tudo é que... Se você morrer agora, já, neste instante, eu ficaria com um peso na consciência, porque até hoje não arrumei tempo para brincar com você. E sei que nada iria preencher o vazio que sua ausência deixaria em nossa casa. Oh, filho, por que eu não consigo arrumar tempo para estar com você? 
* * * 
O mundo sente falta de homens que sejam pais. 
De homens que, após o dia das tarefas exaustivas, saibam ser doces e se debruçar sobre o berço do pequeno que dorme e o acariciem. 
Que tenham ternura e cuidado suficientes para se erguer pela madrugada para acompanhar o filho que segue para a viagem de férias com amigos.
O mundo precisa de pais que saibam ouvir não somente os grandes executivos e o tilintar das moedas. 
Mas, que, se fazendo pequenos, ouçam com atenção a narrativa ofegante do garoto que chega da rua, da escola, da creche. 
Esses pais formarão cidadãos nobres, homens dignos que se preocuparão com os demais, porque desde cedo aprenderam que o amor e a dedicação são peças indispensáveis para o mundo melhor que todos desejamos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Não tenho tempo, de autoria desconhecida, do livro Momentos de luz, v. 1, organizado e selecionado por Hiran Rocha, ed. Kuarup. 
Em 26.09.2011

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

PAI, EU ESTOU OBSERVANDO VOCÊ!

Pai... 
Você não sabe disto agora... mas eu estou observando você. 
Observando as coisas que você faz. 
Observando como você trata as pessoas. 
O modo como você trata a mim, a minha mãe e a minha irmã. 
O modo como você vive está tendo um grande impacto em mim. 
Quando chegar a minha hora de escolher uma profissão, e prover minha família, a sua ética no trabalho estará na minha mente. 
O tempo que você passa comigo, mesmo que fazendo algo bobo, fará com que eu me sinta mais confiante. 
Haverá momento em minha vida, em que lutarei com minha integridade e, talvez, não esteja certo do que fazer. 
Mas me recordarei de como você defendia aquilo que era correto, mesmo quando você podia ter olhado para o outro lado. 
Algumas das escolhas que você está fazendo, eu também farei. 
Por favor, não tenha medo de me mostrar seus fracassos, de mostrar os seus erros. 
Eu aprenderei com eles. 
Pai, você está ouvindo? 
Eu estou observando você... 
Observando se você crê realmente naquilo que fala sobre Deus. 
Eu preciso da sua ajuda para me mostrar o caminho. 
Mostrar-me como viver uma vida que não é segura. 
Mas é boa! 
Eu estou observando, pai. 
Todos os dias. 
Você está me ensinando como viver... 
Ainda que não saiba disso. 
* * * 
O exemplo é fundamental no processo de aprendizado de qualquer ser humano, sobretudo no seu período infantil. As referências que o filho tem em casa, daqueles que são seus tutores na nova vida, serão determinantes para a moldagem de seu caráter. Há uma tendência, perfeitamente natural, de repetirmos a conduta de nossos pais. A influência é tão forte, que extrapola a parecença comportamental e se estende até a semelhança dos gestos, da maneira de falar, de organizar ideias, etc... 
São esses referenciais de conduta que irão ser confrontados, já a partir da primeira infância, com tudo aquilo que a alma imortal traz em sua bagagem milenar. 
Se as referências forem positivas, há uma chance muito maior de que o filho venha a obter sucesso em sua nova jornada. 
Por isso, pais e mães, muito cuidado com o que estamos passando aos nossos filhos. 
Não só através de palavras, de discursos, mas sobretudo através de nossa conduta. 
Tudo que apresentarmos como normal na vida no lar, tende a se normalizar na vida da criança. 
Os filhos estão nos observando sempre e construindo, em cada momento ao nosso lado, seu sucesso ou infelicidade futuros. 
Todos ganhamos quando passamos a vigiar nossa maneira de agir no mundo: os filhos, pois terão referencial seguro, maduro. 
Os pais, pois conseguem a motivação que lhes faltava para se autotransformarem. 
A oportunidade da convivência familiar é única. 
Aproveitemos com sabedoria. 
Redação do Momento Espírita com base em texto extraído de vídeo encontrado na Internet, sem menção a autor. 
Em 06.03.2012.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

PAI, COMEÇA O COMEÇO!

Quando era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
-“Pai, começa o começo!” 
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito. Meu pai morreu há muito tempo e não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar. O esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes. O enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, minhas “tangerinas” transformam-se em abacaxis. Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo meu pai quando lhe pedia para “começar o começo”, era o que me dava a certeza de que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. Além da atenção e carinho que eu recebia, ele também me ensinou a pedir ajuda a Deus, Pai do céu. Meu pai terreno me ensinou que Deus é eterno, que está sempre ao nosso lado e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias. 
* * * 
Quando a vida parecer muito difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembremo-nos de suplicar o auxílio Divino. Deus nos indicará o caminho e não só começará o começo, mas pode ser que, em algumas ocasiões, resolva toda a situação. Não sabemos o tipo de dificuldade que encontraremos na nossa caminhada, mas amparemo-nos no amor eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: 
-Pai, começa o começo! 
* * * 
A sensibilidade de enxergar as dificuldades dos filhos e oferecer o apoio necessário, no momento certo, é essencial. Tem o poder de curar feridas e se transforma em bálsamo para a dor. Devemos saber o quanto é importante dizer ao filho: 
-Se você tem medo, venha aqui. Se você cair, falhar, estarei ao seu lado. Amo você. 
Devemos saber valorizar toda atitude positiva. O abraço e o beijo fazem a criança se sentir querida e consolidam a segurança e o amor. Demonstrarmos a confiança de que somos constantemente amparados por Deus oferece aos filhos um caminho para a construção da fé. Todo o carinho e afeto demonstrados pelos pais aos filhos, durante a infância, se transformarão em direcionamento seguro e formarão base sólida para o enfrentamento das dificuldades na vida adulta. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Pai, começa o começo, de autoria desconhecida. 
Em 10.8.2016

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

O MELHOR PAI

O carteiro chegou e entregou o telegrama. 
Carlos Alberto leu e uma ruga lhe sulcou a testa. 
Eram palavras breves: 
-Seu pai morreu. Enterro: 18 horas. Mamãe. 
Ele continuou parado, olhando o vazio. 
Nenhuma lágrima. 
Por que não sentia a morte do velho? 
Avisou a esposa e tomou o ônibus. 
No íntimo não desejava ir ao funeral. 
Ia para que sua mãe não ficasse ainda mais triste. 
Ela sabia que pai e filho não se davam bem. 
Desde o dia que Carlos Alberto havia feito as malas, depois de mais uma discussão com seu pai, e saído de casa, nunca mais voltara. 
Telefonava para sua mãe no Natal, Ano Novo, aniversário. 
Não pensava no pai. 
No velório, poucas pessoas. Sua mãe estava pálida, chorosa. 
Carlos Alberto não chorou. 
Parecia-lhe estar no velório de um estranho. 
Depois do funeral, ele prometeu retornar trazendo a esposa e os netos, para conhecer a mãe. 
Agora que seu pai não estava mais lá para criticá-lo e para lhe dar conselhos ácidos, ele podia vir visitá-la. 
Quando se despediu, a mãe lhe colocou algo pequeno e retangular na mão. 
Algo que havia encontrado entre os guardados do marido, recentemente.
No ônibus, Carlos Alberto abriu curioso aquela caderneta de capa vermelha. 
Reconheceu a caligrafia firme de seu pai: 
Nasceu hoje o Carlos Alberto. 
Quase quatro quilos. 
Meu primeiro filho. 
Um garotão. 
Cada folha que Carlos Alberto lia o remetia ao passado, numa mistura de dor e perplexidade. 
Hoje meu filho foi para a escola. 
Fiquei emocionado quando o vi de uniforme. 
Desejei-lhe um futuro cheio de sabedoria. 
Que ele possa ser alguém na vida, melhor do que eu que não pude estudar. 
Noutra página, estava escrito: 
Carlos Alberto pediu hoje uma bicicleta. 
Meu salário não dá. 
Vou fazer horas extras para conseguir comprar uma. 
Ele merece, pois é estudioso e esforçado. 
Carlos Alberto mordeu os lábios. 
Lembrou das brigas que teve com o pai para ganhar a bicicleta. 
Se todos os amigos tinham, por que ele não podia ter? 
Agora ele descobrira porque seu pai tinha sempre os olhos vermelhos. 
Era de atravessar as madrugadas em horas extras para comprar o que o filho queria. 
Hoje fui obrigado a levantar a mão contra meu filho. 
Foi preciso chamá-lo à razão. 
Carlos Alberto anda com más companhias. 
Carlos Alberto lembrou da cena. Naquela noite, se seu pai não o tivesse impedido, ele teria ido ao baile com os amigos. Amigos cujos caixões ele acompanhara ao cemitério, vítimas de um terrível acidente de carro, no dia seguinte. 
As páginas se sucediam. 
Anotações e mais anotações. 
Em silêncio, seu pai o havia amado. 
Escrevia na madrugada de solidão. 
Ninguém havia ensinado aquele pai a chorar, a dividir as suas dores. 
O mundo esperava que ele fosse durão. 
Nem fraco. 
Nem covarde. 
Mas agora Carlos Alberto estava tendo a prova de que, debaixo daquela fachada de fortaleza, havia um coração terno e cheio de amor. 
Quando fechou a caderneta, depois das últimas anotações, Carlos Alberto sentia o peito doer. 
Honre seu pai para que os dias de sua velhice sejam tranquilos! 
Onde ouvira aquilo? 
Nos dias da sua adolescência e da sua juventude jamais havia parado para pensar em verdades mais profundas. 
Os pais eram descartáveis. 
Sem valor. 
Agora, tudo lhe passava pela mente, de forma bem diversa. 
Gostaria de poder recomeçar. 
Mas o pai se fora. 
Uma lágrima brotou como o orvalho. 
De repente, Carlos Alberto estava dizendo para o pai que partira: 
-Se Deus me mandasse escolher, eu juro que não queria ter tido outro pai que não fosse você, meu velho! Obrigado por tanto amor. Perdoe-me por haver sido tão cego e tão tolo. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto que circula pela Internet. Disponível no CD Momento Espírita, v. 19, ed. FEP. 
Em 3.8.2021.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

VOCÊ NÃO É SEU CORPO!

Já aconteceu de você se olhar no espelho e não se reconhecer? 
Teve dificuldade em aceitar aquela imagem refletida, muitas vezes castigada pelas marcas dos longos anos de vida ou por cicatrizes que o tempo desenhou? 
Não se preocupe, não se trata de um desequilíbrio ou transtorno. 
Não, você simplesmente pode estar estranhando o fato de que por dentro, você é uma pessoa e por fora, no mundo tangível, o mundo das formas, é outra. 
Essa é uma das consequências de estarmos encarnados, vestindo um corpo material, que nos serve durante um tempo para cumprirmos determinados objetivos, mas que se deteriora, que tem vida útil.
Importante sempre lembrar que você não é seu corpo. 
Você se utiliza dele para estar aqui, para agir no mundo. 
Ele é importantíssimo, fundamental, mas, é apenas uma roupa. 
Procure não se identificar demais com ele. 
Assim, quando os traços da velhice se apresentarem, inevitáveis, entenda que é o corpo que está colhendo os frutos do tempo, não é você, Espírito Imortal, que está perdendo a vitalidade. 
Entenda que quando os músculos não responderem mais com o mesmo vigor dos tempos de juventude, e tudo parecer mais lento, não é você, alma Imortal, que está ficando para trás. 
É apenas o veículo corporal, que tem ciclo marcado com ascensão, ápice e queda. 
Você, a essência verdadeira, não necessita perder o ânimo, a vitalidade, as forças. 
Pelo contrário. 
Quanto mais experiência ganha a alma, mais vigor moral, mais pujança de vontade ela pode ter e demonstrar. 
O que acontece é que, ainda muito ligados à matéria, misturamos as coisas. 
Se não temos mais beleza, não podemos ser felizes, não podemos mais ser aceitos pelos padrões do mundo exterior. 
Se pensarmos dessa forma, murchamos com o corpo. 
Envelhecemos a alma. 
Se não podemos mais realizar certas atividades, que exigiam energia explosiva, altas cargas de resistência física, então não servimos mais, não somos bons o suficiente... 
Esse mundo cruel, de valores cruéis, fomos nós mesmos que criamos.
Vejamos quantos tipos de energia existem. 
Quantos tipos de trabalho e força criativa podemos encontrar em a natureza. 
Por que apenas os jovens e impetuosos devem ser cultuados? 
É porque nossos valores estão doentes, estão trocados. 
Não vivemos como Espíritos que vestem corpos, mas como corpos que, vez ou outra, lembram que têm uma essência Imortal... 
Você não é seu corpo. 
Lembre sempre disso, embora deva respeitá-lo e cuidar dessa máquina fabulosa para que ela lhe proporcione tudo que pode lhe dar. 
A imagem no espelho é uma das máscaras que vestimos.
É uma casca. 
O seu eu verdadeiro está em algum lugar, entre o fundo do seu olhar e o invisível, o intocável. 
Não se deixe impressionar em demasia pelas marcas do corpo. 
Não se deixe desestimular pelas limitações que ele pode apresentar.
Limitações essas que foram escolhidas e necessárias para essa sua fase de provas e expiações. 
Não se julgue pelo corpo. 
Não deixe que o corpo seja uma barreira. 
Você é mais do que ele. 
Somos muito mais do que ele. 
Redação do Momento Espírita 
Em 2.8.2021

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

GESTO DE COMPAIXÃO

Costuma-se dizer que pimenta nos olhos dos outros é colírio. 
Expressa-se, dessa forma, esse sentimento bastante comum de não nos importarmos com o sofrimento dos outros. Afinal, já temos tantos problemas pessoais a serem equacionados, resolvidos, sem procurarmos mais problemas. 
Contudo, o Modelo e Guia da Humanidade lecionou a compaixão como regra de conduta. 
Ele mesmo a demonstrou em vários momentos de Sua vida. 
Compadeceu-se da mulher cananita, que lhe suplicava piedade e lhe curou a filha, mergulhada em enfermidade soez. 
Adentrando a cidade de Naim, deparando-se com um cortejo fúnebre, condoi-se das lágrimas maternas que choram o filho, sendo levado à sepultura. E, por verificar que o rapaz se encontrava em estado letárgico, o traz de retorno à vida, devolvendo-o ao colo materno. 
Penaliza-se com o paralítico de Cafarnaum, descido pelo telhado, graças aos braços vigorosos dos amigos e lhe devolve os movimentos. 
Vai a Gadara e liberta o obsediado, vítima de vários Espíritos que o atormentavam. 
Compaixão é a nota constante na vida do Nazareno.
E uma dessas pessoas, verdadeiramente seguidora do Cristo, agiu de forma semelhante, dia desses. No ônibus urbano, apinhado de pessoas, entrou uma jovem com seu bebê. Gentilmente, lhe foi providenciado lugar ao lado de uma senhora idosa. Essa, amadurecida na experiência, calejada nas dores, para logo descobriu as lágrimas mal disfarçadas nos olhos da jovem mãe. Enquanto acalentava seu bebê e delicadamente o alimentava, levava as mãos ao rosto, buscando colher as lágrimas, que teimavam em encher-lhe os olhos. A senhora ficou a meditar que drama estaria vivendo aquela pessoa: 
Teria sido abandonada pelo pai da criança? 
Estaria passando por problemas financeiros? 
Teria descoberto alguma doença grave no seu filhinho? 
Em si mesma? 
O que a poderia fazer sofrer assim? 
A senhora olhou a criança, tão bonita, aninhada nos braços maternos. E imaginou quanta dor deveria sufocar o coração daquela mãe. Teve vontade de abraçar a mãezinha, contudo, como reagiria ela a esse gesto de uma estranha? Chegado o ponto em que deveria saltar da condução, a senhora se levantou, mas sussurrou ao ouvido da outra: 
-Minha filha, eu não sei qual a dor que a aflige. Mas, seja o que for, tenha fé em Deus. Ele vela por você e por seu filho. Confie em Deus. Tudo haverá de se resolver. 
A jovem ergueu os olhos e sorriu, agradecendo, de forma tímida. Um halo de paz envolveu os três. 
Com certeza, o problema fosse qual fosse, não ficou equacionado.
Contudo, um coração aflito encontrou ressonância em outro coração e mudou a sua forma de pensar. 
Teve reavivada sua fé e sua esperança. 
E bastaram poucas palavras... 
Um importar-se com o outro, um breve lembrete. 
Pensemos nisso e jamais detenhamos nosso gesto de compaixão ao semelhante. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 27.3.20

domingo, 1 de agosto de 2021

UM GESTO DE BONDADE

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
Costuma-se ouvir pessoas reclamarem da ingratidão com que são recompensados seus gestos de bondade. É possível até se escutar promessas veementes de que jamais tornarão a ajudar a quem quer que seja, pois não vale a pena. 
Para um repórter de um jornal inglês uma ação bondosa lhe valeu a vida. Enviado para a África do Sul como correspondente, ele chegou até Moçambique, uma terra devastada, por décadas, pela guerra e pela fome. Ele crescera na África e costumava andar por todos os lugares, junto com sua mãe. Médica devotada, ela priorizava a questão da vacinação e percorria vales e montanhas, para todos imunizar. Ele sabia que os rebeldes moçambicanos tinham bases em Malauí, mas também sabia que os jornalistas estrangeiros não eram bem-vindos. Ávido pelas notícias, contudo, aventurou-se, até ser preso por seis homens com cartucheiras, granadas e lança-bombas. Resolveram levá-lo como prisioneiro até sua base de operações. Pelo caminho, passando pelas aldeias, ele era apresentado como um troféu e, embora não entendesse o que falavam, uma mistura de dialetos, podia perceber que a sua captura era dramatizada. Era um espião. Estava armado. Resistira. Por vezes, davam-lhe chutes e tapas. Após dois dias de caminhada rude e maus tratos, finalmente o grupo chegou à base e ele foi apresentado ao comandante do campo. Vestido a caráter, ouvia o relato com atenção, alimentando-se bem, enquanto ao pobre aprisionado não foi permitido nem sentar-se. Em dado momento, o jornalista pôde ouvir que eles passaram a usar o dialeto Chindau. Este ele conhecia de seu tempo de criança, quando de suas andanças com sua mãe pelas aldeias. Prestou atenção e, então, hesitante, saudou o comandante com o que pôde se lembrar do dialeto Chindau. O comandante ficou admirado. Como ele conhecia aquela língua? 
-Cresci aqui. - Falou o prisioneiro. 
Dizendo o nome de sua família, viu repentinamente o semblante duro daquele chefe se transformar. 
-Sua mãe era médica? Perguntou ele. Então foi ela que me vacinou. 
E, erguendo a manga da camisa, mostrou a cicatriz da vacina. 
-E você, continuou, você é o garoto que nos dava um torrão de açúcar, com o remédio. Ficava insistindo para que colocássemos a língua para fora e punha açúcar nas nossas bocas. Graças a isso, eu cresci forte!
Tudo mudou em questão de minutos. De refém passou a hóspede de honra. Pôde sentar-se, alimentar-se, refrescar-se com um pano úmido. No dia seguinte, foi levado de volta com todo cuidado e atenção. Os captores dos dias anteriores, transformados em zelosos guarda-costas agora, até tiraram foto com ele. O jornalista guardou a foto, certo de que uma boa ação permanece sempre viva, apesar das distâncias e do tempo. 
* * * 
A bondade é luz que se espalha na noite das desesperanças. 
Acendamos as luzes da bondade onde se estenda a escuridão e convertamos os nossos braços em traves de misericórdia, silenciando a eventual ingratidão que venhamos a receber. 
Os ingratos necessitam redobrados atos de bondade para serem sensibilizados, pois a ingratidão é enfermidade da alma. 
Redação do Momento Espírita com base no artigo A recompensa de uma boa ação, publicado em Seleções Reader´s Digest, de janeiro de 1999 e no verbete Bondade, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 23.07.2010.