segunda-feira, 7 de setembro de 2020

FALTA AMAR!

Um vídeo circulou pelas redes sociais. 
Mostrava algo bastante singelo e valioso: filhos adolescentes, jovens, ligando para seus pais para dizer simplesmente: 
-Eu te amo. 
Eram ligações de celular, inesperadas, a qualquer hora do dia. O pai ou a mãe atendiam, ouviam um Olá e logo depois: 
-Pai, mãe, eu queria dizer que te amo. Só liguei para dizer isso. 
As reações foram belíssimas. Pais dizendo: 
-Puxa, como é bom ouvir isso. Eu também te amo, meu filho. 
E do lado de cá, de quem estava fazendo as chamadas, da mesma forma: lágrimas de emoção de jovens que, raramente, ou nunca haviam proferido tais palavras. 
Como se o simples contato com essas palavras mágicas, quando verdadeiramente sentidas, já provocasse neles algum tipo de transformação. 
Muitos podem dizer que o amor está subentendido, está nos gestos, na companhia diária, não exige provas. E que talvez não precise ser declarado. Muitos temem ser pieguismo expressar-se dessa forma. 
Será? 
Banalizamos o Eu te amo, é certo, recitando-o da boca para fora muitas vezes, automaticamente. As paixões avassaladoras e efêmeras se apropriaram dele, tornando-o menor, pois da mesma forma que o amor nasce, voraz, também morre, triste, pouco tempo depois em relações vazias. 
O Eu te amo dos altares enfeitados, das grandes festas, não sobrevive às primeiras intempéries de muitos casamentos. Esse amor das infinitas canções, das belas obras, mas também das puramente sentimentalistas, que nada acrescentam para a verdadeira arte. 
Curioso. 
O Eu te amo foi dito tantas vezes que parece ter enfraquecido pelo mundo afora, praticamente caindo no esquecimento. 
* * * 
Não falta amor nos poemas, nas músicas, nas bocas. 
Falta, sim, amar. 
Não falta amor nos lares, nas famílias: falta amar. 
Não falta amor nos pensamentos, nas ideias: falta amar. 
Não falta amor nas potências de nossa alma. 
Falta, sim, o movimento do amar. 
E muitas vezes, a expressão pura e simples desse amor já é grande parte desse amar. Quando verdadeiramente sentimos dentro de nós essa afeição profunda, esse querer bem, essa consciência do quão importante é aquela pessoa, nada mais natural do que dizer, do que extravasar. 
Bom para quem diz, pois se encharca de suas vibrações benfazejas e revigorantes. 
Bom para quem ouve, pois recebe muito mais que palavras. 
Recebe o conforto, o aconchego e a gratidão que tal declaração guarda em si. 
Ouvir um Eu te amo de verdade, é como ser levado pelas mãos a um passeio, uma viagem para um mundo melhor, de menos preocupações e sofrimentos, um refrigério para a alma em luta na Terra. 
Voltamos renovados, dispostos a seguir adiante e mais, voltamos conhecendo o amor um pouco melhor. 
Ainda sabemos pouco do amor em sua profundidade. 
Estamos dando os primeiros passos depois de deixar o primitivismo necessário. 
Falta amar para encontrá-lo e permanecer nele por mais tempo. 
Falta amar para podermos declará-lo sem medo de pieguismos empobrecedores. 
Falta apenas amar, nada mais. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 15.5.2019.

domingo, 6 de setembro de 2020

FALEMOS DE DEUS AOS NOSSOS FILHOS

A infância é o período ideal para o aprendizado de todos nós. 
Nessa fase, como uma esponja, a mente infantil melhor absorve o que lhe é apresentado. 
Nossos pequenos respondem, de forma positiva, aos estímulos a que os expomos. 
Esse é o motivo pelo qual os aprendizados da infância parecem marcados de maneira profunda, e se refletem em nossos valores, conceitos e hábitos.
Assim, nós que na infância aprendemos a afetividade, o valor de um abraço, de um carinho, ao nos tornarmos adultos, teremos tais expressões como naturais. Seremos pessoas afetuosas, que conquistam e alimentam amizades, que se fazem gentis e simpáticas onde quer que se encontrem. Porém, se formos expostos a estímulos de uma sensualidade precoce, com músicas, coreografias e comportamentos não condizentes com a ingenuidade infantil, logo nos primeiros passos da adolescência começaremos a enfrentar dificuldades emocionais. 
O poder das palavras mas, principalmente, dos exemplos de mães e pais calam fundo na mente infantil. Por isso, é necessário que reflitamos sobre o que estamos depositando na mente de nossas crianças. Para isso, é importante que avaliemos de que maneira usamos o tempo que passamos com elas. Os momentos da intimidade familiar são preciosos no processo da educação. Será nessas horas que deveremos semear os valores e princípios que queremos lhes deixar, valores que marcarão sua vida adulta. 
Fundamental, não esqueçamos, que falemos de Deus e das Suas obras aos nossos filhos. 
Falemos naturalmente, sem exageros ou conceitos sem lógica, pois esses se desmantelarão à medida que eles forem desenvolvendo sua razão. 
Falemos de Deus, mostrando a grandiosidade do céu, a beleza das flores, a providência da chuva, os benefícios dos raios solares, a carícia dos ventos brandos. E lhes ensinemos a serem gratos a esse Criador extraordinário, Pai de amor e bondade. 
Também os convidemos ao respeito à natureza, a todos os seres vivos, ao meio ambiente. E, ensinando-os a orar, na intimidade do lar, iremos lhes oferecendo subsídios para melhor enfrentarem seus desafios, logo mais ou em anos ainda distantes. 
Oração como recurso de reflexão, amparo, tranquilidade e fé. 
Oração como fortalecimento das próprias forças. 
Oração de quem se sabe filho de um Pai generoso e bom. 
Envolvidos por esses conceitos nobres, nossos filhos crescerão no respeito a si mesmos, ao seu próximo, tornando-se bons cidadãos, generosos e solidários. E, entendendo, desde cedo, a importância do respeito aos recursos que a natureza oferece, ao planeta em que vivemos, atuarão em todos os seus dias, de forma coerente e exemplar.
Falemos, portanto, de Deus aos nossos pequenos. 
Que eles saibam que poderão enfrentar adversidades, que poderão sofrer revezes, mas jamais estarão sós. Porque a Providência Divina por eles vela, de forma constante. 
Ofereçamos a eles o melhor legado, aquele da confiança em Deus, da dignidade, da honra, do respeito a si mesmo, a tudo e a todos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 53, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 15.6.2017.

sábado, 5 de setembro de 2020

FALE DE DEUS COM SEU FILHO

Era uma tarefa de escola, passada para crianças de seis e sete anos.
Cada um deveria, junto com os pais, observar o céu estrelado à noite e, depois, representar numa folha de papel o que viram e conversaram, através de desenhos e palavras. 
Um desses meninos convidou seu pai para ajudá-lo. Ambos passaram alguns minutos olhando a noite e conversando, encantados. 
-Como é grande tudo isso, não é filho? E olha que grande parte dessas estrelas, galáxias e planetas, nem conseguimos ver assim, sem um telescópio. 
-O que é um telescópio, pai?
E a conversa seguiu por aí. O menino fez diversas perguntas sobre o tamanho de Júpiter, sobre qual era a estrela mais brilhante e muitas outras coisas. 
-E você já pensou sobre quem fez tudo isso, filho? 
-Sim, pai, eu sei, foi Deus. 
-Ele fez todas as coisas. Todo o Universo. E que tal se colocarmos na sua tarefa de casa, junto aos seus desenhos dos planetas, uma pergunta, assim: “Quem fez as estrelas?” E depois, lá embaixo, bem grande, escrito: “Deus! Que tal?” 
Terminou o pai, super empolgado – quase querendo fazer a tarefa pelo filho. 
-Não, pai, não quero desse jeito. Quero deixar apenas a pergunta e fazê-la para minha professora e aos meus amigos. 
A veia de filósofo do filho era bem maior que a do pai. 
-Tudo bem. Ótima ideia. Deixamos só a pergunta e você a faz em sala para ver o que seus amigos vão dizer. 
Ao final do dia, o pai desejou saber como fora a apresentação da tarefa:
-E aí, filho, como foi? Eles gostaram? Fez a pergunta? 
-Sim, pai. 
-O que eles disseram? 
-Nada. 
-Como, nada? 
-Não falaram nada, pai. Ninguém sabia a resposta. Só eu e a professora.
Falou o menino, por fim, cheio de orgulho de si mesmo. 
 * * * 
Será que não estamos falando de Deus com nossos filhos? 
Nem mesmo essas questões simples como Quem criou o Universo, as pessoas, a natureza? 
Será que durante cerca de seis a sete anos de vida os pais daquelas crianças nunca citaram Deus dessa forma? 
Nunca mencionaram um possível Criador – seja lá o nome que possa ter? 
Não estamos aqui falando da menção de Deus, da forma religiosa comum, com seus estereótipos e dogmas. 
Não. 
Refletimos nesse caso sobre essa ideia de uma força maior, de uma Inteligência Suprema e causal de tudo que existe. Certamente, as crianças precisam começar a questionar sobre isso desde cedo, sem receber respostas prontas, sem desejar fazer-lhes lavagem cerebral com ideias ininteligíveis sobre a figura Divina. As crianças precisam refletir sobre sua origem, seus destinos, precisam, desde cedo, entender ou recordar que fazemos parte de algo muito grande e importante.
* * * 
Fale de Deus com seu filho. 
Não do Deus vingativo, do Deus que tem preferidos, do Deus que castiga. Esse Deus não tem mais espaço nos dias de hoje. Já estamos maduros para entender o Criador de forma diferente. Fale de Deus com seu filho mostrando que estamos amparados por mãos amorosas sempre. Fale de Deus com seu filho, inspirando-se na forma com que Jesus O mencionava: 
-Pai. 
Se nossas crianças enxergarem em Deus a figura de um bom Pai, criarão uma relação muito mais saudável desde pequenos, e serão adultos que levarão Deus em seus dias, de forma muito natural. 
Fale de Deus com seu filho. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 27, ed. FEP. 
Em 30.3.2015.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A FELICIDADE DA ORAÇÃO

Quando alguém enfrenta duras dificuldades e a convidamos a orar, por vezes, escutamos, de retorno: 
-E isso vai resolver o meu problema? Acaso encherá meu prato de comida ou me dará um cobertor para eu suportar melhor o frio? 
Estamos ainda muito longe de termos a ideia exata do poder da prece. Santo Agostinho teve oportunidade de afirmar: 
-Como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora. Avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. São as liras dos arcanjos. São as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos bosques. A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe. No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Apóstolos do pensamento, é para vós a vida. Lembramos que Jesus, durante a sua estada entre nós, buscava a solidão para orar. Dirigia-se ao Pai, em muitas ocasiões. Num dos momentos mais cruciais de Sua vida, antevendo Sua prisão, suplício e morte, Ele ora, no Jardim das Oliveiras. Ora e pede aos amigos Pedro, Tiago e João que orem com Ele. Na cruz, em Sua agonia, Sua última frase foi uma profunda e sentida oração: 
-Pai, em tuas mãos entrego meu Espírito.
Desconhecemos sim, o poder da oração e não a vimos utilizando tanto quanto deveríamos. Além de nossas preces regulares da manhã e da noite, a prece deveria ser de todos os instantes, sem mesmo que tenhamos que interromper os nossos trabalhos. Ante as dores, pedir ao Senhor que nos abrevie as provas, que nos conceda alegria e bens de que necessitamos para nossa subsistência. Também que nos conceda os recursos preciosos da paciência, da resignação e da fé. Então, em momentos de tormenta, de caos, oremos. Busquemos esse amparo superior que, mesmo não nos fornecendo o alimento material, nos repletará a alma de bênçãos, abastecendo-nos de energias espirituais. E, com certeza, encaminhada aos mensageiros de Deus, que cumprem a Sua Vontade, na Terra, inspirarão alguém para nos socorrer a fome. Também o frio. Acionemos a prece pois ela é a filha primogênita da fé. Quando os ventos soprarem, inclementes, quando a tempestade nos alcançar, que poder senão o Divino, de imediato, nos poderá socorrer? 
A quem pediremos clemência, senão ao Pai de todos nós? 
Recordamos as palavras do Mestre, anotadas por Mateus: 
-Porquanto haverá nessa época grande tribulação, como jamais aconteceu desde o início do mundo até agora, nem nunca mais haverá.E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne seria salva. Mas, por causa dos eleitos, aquele tempo será encurtado. Quem são os eleitos, senão os filhos do Deus bom, generoso, que levanta as ondas e aplaca os ventos? O Deus que nos sustenta a vida, oferecendo-nos diariamente Seu hálito, que absorvemos no ar que respiramos. 
Por isso, não nos esqueçamos igualmente de orar, louvando a generosidade Divina, agradecendo pelo dom da vida, a maravilha da Criação. 
Exercitemos a felicidade da oração. 
Oremos em pensamento, palavras e atos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXVII, itens 22 e 23 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB e transcrições do Evangelho de Mateus, cap. XXIV, vers. 21 e 22 e do Evangelho de Lucas, cap. XXIII, vers.46. 
Em 4.9.2020.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

INIMIZADES

Você já se perguntou algum dia, de onde nascem nossos sentimentos de querer bem e querer mal? 
Como conseguimos querer tanto a uns, e ter aversão ou dificuldade de relacionamento com outros? 
Os nossos valores e sentimentos, aquilo que guardamos na alma e no coração, são nossa identidade emocional. E será, baseados nessa identidade, que teremos afinidades com uns e nem tanto com outros. 
É natural que tenhamos pendores para as amizades com esse ou aquele perfil de pessoa, de personalidade, pois que esses carregam na alma valores semelhantes aos nossos, valores com os quais nos simpatizamos. 
E o contrário também se faz regra. 
Há também aqueles que, quando nos encontramos nos caminhos da vida, parece que o sentimento já estava pronto. De imediato estamos a nos gostar, a querer bem, ou a nos antagonizar, a nos querer mal. 
Para esses, nossos encontros são reencontros de experiências anteriores. Assim, ao reencontrarmos nesta vida aqueles que já aprendemos a amar em outras vidas, em outras experiências, é sempre o presente que Deus nos oferece para tornar esta existência mais suave, mais leve. Esses serão aqueles a nos apoiar na caminhada, a nos ajudar nas dificuldades, a deixar nossos dias com o frescor do perfume da amizade e do bem querer. E, quando encontramos aqueles com quem nos antipatizamos, é a oportunidade da vida para refazermos sentimentos. Seja na forma da implicância, da má vontade, ou ainda, mais intensamente, do rancor ou mesmo ódio. Todos esses sentimentos são variações diferenciadas do antagonismo que alimentamos pelo nosso próximo. E se hoje, esses inimigos do ontem cruzam novamente os nossos caminhos, é porque a Providência Divina percebe ser agora o momento oportuno. 
Dessa forma, aproveitemos quando a vida nos apresentar alguém que não queremos bem para aprender a amá-lo. 
Não um amor irrestrito e incondicional. 
Não o amor com que amamos um filho, o companheiro, os pais. 
Esses companheiros de jornada vão exigir de nós o amor na forma da paciência, do entendimento, da benevolência, e principalmente, da compreensão. 
Por isso, se detectarmos nos nossos relacionamentos, aquele que classificaríamos de inimigo, proponhamo-nos, a partir de agora, uma nova classificação para ele: alguém a ser conquistado. 
Aceitemos o desafio de modificar nosso sentimento íntimo, sem a preocupação dele ter que agir de igual modo. Afinal, nós iremos responder pelo nosso próprio campo emocional. De ninguém mais. Façamos do inimigo, do desafeto, nosso mais dileto professor. Ele será aquele que irá nos ensinar a compreensão, a humildade, o perdão, fazendo com que conquistemos valores nobres. Jamais gastemos tempo e energia colecionando ou criando novos desafetos. Não percamos tempo contentando-nos em tê-los, como se isso não nos dissesse respeito. Lembremo-nos que a oportunidade que a vida nos oferece de refazer relações será sempre a oportunidade de retirar pedras e calhaus que se acumulam no baú de nossas emoções, trocando-as por joias preciosas, os verdadeiros tesouros do reino dos céus. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 03.09.2020.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

FALAR COM OS MORTOS

Um dos princípios básicos do Espiritismo consiste na comunicabilidade dos Espíritos.
Ela se dá com o concurso dos chamados médiuns. 
Tratam-se de homens e mulheres dotados de uma organização física e psíquica especial. Essa organização lhes permite entrar em contato com os Espíritos desencarnados. Os talentos mediúnicos são os mais diversos. Eles variam em espécie, qualidade e intensidade. Dentre outros, há os que veem Espíritos e os que os ouvem. Também existem os que facultam que os Espíritos falem por suas bocas ou escrevam por suas mãos. 
Por vezes se argumenta que Moisés proibiu os homens de falarem com os mortos. Entretanto, essa proibição precisa ser analisada no contexto em que foi proferida. Primeiro, convém salientar que só se proíbe o que é possível. Ninguém se ocupa de proibir uma conduta que não pode ser realizada. 
Na época, o intercâmbio com o plano espiritual dava-se em geral sem cuidado e respeito. O primitivismo do povo favorecia o contato com Espíritos igualmente carentes de evolução. Nesses contatos, tratavam-se de questões comezinhas. Falavam-se de casamento, heranças, intrigas e bens materiais. 
Aliás, na narrativa bíblica há uma passagem evidenciando que Moisés distinguia as comunicações sérias das profanas. 
Certa feita, foram-lhe denunciar dois homens que, tomados por Espíritos, estavam a profetizar. Moisés não adotou qualquer providência contra os denunciados e ainda lamentou que outros não profetizassem do mesmo modo. Então, a proibição não era absoluta.
Estava vedado o comércio vil com o plano espiritual. Aliás, no episódio da transfiguração de Jesus, o próprio Moisés, acompanhado de Elias, apareceram em Espírito. Caso o contato entre vivos e mortos fosse errado, não seria protagonizado por seres tão nobres. Mas é interessante notar que apenas Pedro, Tiago e João presenciaram esse encontro magnífico. E o Cristo ainda lhes recomendou que por um tempo guardassem silêncio sobre o que viram. Após sua morte física, Jesus apareceu não só para Seus discípulos, mas para inúmeras outras pessoas. 
Já no dia do Pentecostes, todo o colégio apostólico foi distinguido por dons espirituais. 
Há também a previsão do profeta Joel no sentido de que chegaria um tempo em que as manifestações espirituais seriam as mais amplas. Em seu dizer, os jovens teriam visões e os velhos, sonhos. 
Bem se vê que a interação com o plano espiritual constitui um fenômeno crescente. Ele acompanha a evolução moral da Humanidade. Hoje já se tem ciência de que os chamados mortos não devem ser importunados para solucionar questões corriqueiras da vida. O contato com eles, sempre possível, pressupõe respeito e cautela. 
Antes de nos lançarmos na empreitada, convém estudar o tema com seriedade. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 3.11.2012

terça-feira, 1 de setembro de 2020

INVESTIMENTO DE SABEDORIA

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Naqueles memoráveis dias, brilhava a Luz da Verdade, que descera do Infinito para iluminar o mundo. E porque a treva predominasse, o Embaixador Celeste narrou inúmeras parábolas que deveriam permanecer para sempre na memória da Humanidade. 
Em maravilhoso amanhecer, Ele falou: 
-Lamed era um rei muito poderoso, que possuía terras a perder-se de vista, palácios e joias valiosos, animais e escravos inumeráveis, invejado e bajulado por multidões. Acreditava-se feliz, repousando na ociosidade dourada, engendrando planos para aumentar a fortuna, sempre receoso de ter o trono usurpado e os tesouros perdidos. Na sua ganância havia perdido a paz e na temeridade em que se refugiava, passou a ser detestado. O tempo furtava-lhe as energias, e à louçania juvenil tomaram o lugar a velhice, o cansaço e a debilidade orgânica. Nesse ínterim, ele ouviu falar que havia duas pérolas de valor inestimável, que todos cobiçavam, mas ninguém possuía recursos para adquiri-las. Eram únicas, por isso mesmo, incomparáveis e estavam à disposição de quem as pudesse comprar. Porque já não administrasse os seus bens e domínios, quase exaurido, sem entusiasmo nem fé, o ancião resolveu vender tudo quanto possuía. Ao concluir todas as negociações, deu-se conta que amontoara o exato valor para adquirir as duas pérolas incomuns. Sem qualquer receio operou a troca, e nunca mais sofreu, nem se inquietou, nem receou a morte ou a vida. Ao possuir os dois glóbulos brilhantes e nacarados, libertou-se de tudo e tornou-se totalmente feliz, porque as duas pérolas, nas quais investiu todos os bens, são o amor e a paz.
* * * 
Será que estamos dispostos a investir todos nossos bens em tal conquista? 
São tantos os bens que temos para investir: nossa inteligência, nossa saúde, nossas energias, nossa disposição. Imaginemos a consequência de colocarmos todos esses bens a serviço deste objetivo: conseguir as pérolas do amor e da paz. Eis um investimento de sabedoria, que sempre nos dará um retorno inestimável e perene. Os bens materiais acabam, cedo ou tarde. 
Esses tesouros da alma, não. 
Uma vez conquistados, ficam conosco para sempre. 
Nenhum amor se perde. 
Quando passamos a amar alguém – amor de verdade, amor maduro – esta pérola fica conosco por toda eternidade. Não há quem possa no-la tomar. 
Quando temos a consciência em paz – dessa paz de quem faz o bem – nada pode usurpá-la. A paz do cumpridor da lei de caridade é posse legítima. 
Pensemos, reflitamos, e façamos nossa escolha. 
Onde estamos aplicando nossos bens? 
Naquilo que acaba, ou naquilo que permanece? 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 5, do livro A busca da perfeição, pelo Espírito Eros, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em1ª.9.2020.