terça-feira, 18 de agosto de 2020

AS FLORES VOLTARÃO

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Uma suave melancolia canta uma balada. 
E essa música sinfônica da nostalgia, da saudade, nos alegra. Apesar da pandemia nos ter roubado a primavera, nossos corações estão florescendo, porque a nossa estação das flores está no mundo íntimo, independendo dos fatores do lado de fora. Aprendemos com Jesus Cristo que a alegria real é aquela que diz respeito à plenitude do mundo espiritual. Essa primavera nada, ninguém nos pode roubar. A pandemia passa e as flores voltarão a perfumar os bosques, voltarão a cantar as aves, a murmurar os córregos. E a vida em abundância irá repetir a inolvidável canção da gratidão. 
* * * 
Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, finalizou com estas belas palavras o seu Roteiro Europa de palestras, edição 2020. Pela primeira vez, sem estar presente fisicamente nas atividades doutrinárias, essa alma de luz cumpriu sua missão no formato on-line. 
Alessandro Frezza
Divaldo utilizou todas as oportunidades para usar seu verbo seguro para acalmar os corações do mundo, tão ansiosos nos dias atuais. O orador fez menção a um trecho da obra Il capitano e il mozzo, do escritor italiano Alessandro Frezza, que descreve o diálogo entre um jovem e o capitão de um navio. Toda tripulação está retida no navio, devido à quarentena, e o jovem reclama da situação pela qual estão passando, em tom de desânimo. Diz que a pandemia estava fazendo com que ele perdesse muitas coisas. O capitão, com toda sua experiência de outras quarentenas, lembrando de uma outra ocasião em que fora obrigado a permanecer na embarcação, o esclarece: 
-Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, porém eu, mesmo assim, floresci. Levei a primavera dentro de mim, e ninguém, nunca mais, pôde tirá-la. 
* * * 
Estamos sendo privados de primaveras lá fora. Muitos ficamos privados da liberdade de ir e vir. Muitos não pudemos nos despedir de nossos amores, que partiram de forma repentina. São, realmente, duras provações. No entanto, tais experiências, quando enfrentadas com consciência, nos fortalecem muito. Fazem o trabalho de anos e anos de dias comuns. Que possamos entender que este é o mundo que habitamos, mundo das provas, das batalhas diárias, dos sacrifícios constantes. Ninguém nos prometeu o paraíso na Terra. Ninguém nos disse que seria fácil, porém, nos garantiram sim, que teríamos condições de superar, de vencer. A primavera interior é uma analogia perfeita. A vida nos ensinou que as estações devem ser cultivadas na alma e não do lado de fora. Voltamos os pensamentos para nós mesmos. Fomos convidados a refletir sobre questões graves, muito mais importantes do que as distrações que consumiam todas as nossas energias. Não nos assustemos diante do flagelo que nos alcança. Não estamos desamparados. Nunca estivemos. E, quando tudo tiver passado, olharemos para trás e nos haveremos de surpreender com tudo o que enfrentamos, com tudo que superamos. Confiemos, as flores voltarão.
Redação do Momento Espírita, com base em trecho de conferência proferida por Divaldo Franco, no encerramento do Roteiro Europa 2020, em 7.6.2020 e citação de frase da crônica O Moço e o Capitão, de Alessandro Frezza. 
Em 18.8.2020.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

CERTEZAS DA VIDA

Possivelmente já tenhamos ouvido a expressão: 
A única certeza que temos na vida é que vamos morrer. 
Esta frase nos fala da naturalidade do fenômeno da desencarnação, que acontecerá com todos, cedo ou tarde. Ela carrega um sentido de inevitabilidade pessimista, isto é, de que a única certeza que teríamos na existência terrestre seria de algo terrível. 
Precisamos rever esses conceitos. 
Primeiramente retirar da morte do corpo esse peso tão grande, esse fardo de fim definitivo que ela carrega.
Não há fim de tudo. 
Somente fim de uma etapa, de um capítulo do grande livro da existência de cada Espírito. 
Em segundo lugar, o que também é preocupante na expressão, é essa visão de que não temos certezas na vida. Essa mentalidade gera insegurança, medo, causadores de muitos dos transtornos psicológicos que jorram aos borbotões pelos consultórios especializados. 
Não, essa não é a única certeza que temos. 
Quando passamos a enxergar a existência e a nós mesmos, sob o ponto de vista espiritual, além da casca material, ganhamos muitas outras certezas. 
A certeza de que a encarnação é uma oportunidade sem igual de crescer, de aprender, de amadurecer a alma. 
A certeza de que o amor que cultivamos será colhido em algum momento, seja no hoje ou no amanhã. 
A certeza de que os laços de amor que criamos ou fortificamos permanecem conosco para sempre. Nada se perde. 
A certeza de que não há injustiçados nesse mundo, embora ainda haja tanta injustiça. 
A certeza de que há uma inteligência maior no leme, no comando de tudo e que não precisamos nos desesperar quando as coisas saem do nosso controle. 
A certeza da vida, antes da certeza da morte. 
A certeza de que cada minuto importa, de que cada dia é um tesouro inestimável.
* * * 
Ante a fragilidade da vida material, da vida do corpo, percebamos a resistência e a exuberância da vida da alma. Um vírus imperceptível pode nos fazer adoecer e pode nos levar a passar pelo umbral da morte a qualquer instante. No entanto, que isso não revele nossa fraqueza e sim nossa grandiosidade. 
Somos Espíritos e temos um corpo, lembrando de que esse que temos não traduz posse, pois não há propriedade absoluta no campo da materialidade. 
Somos Espíritos e essa essência só avança, não retrograda e não tem fim. Estamos aqui de passagem. A Terra é escola, é hospital, é campo de semeadura. Que possamos usar o tempo que temos para nos educar, para nos curar e para trabalhar sempre pelo bem. 
Não nos deixemos desanimar perante as crises, perante os momentos de sofrimento. São as provas escolares apenas, que se realizam a cada término de período letivo. Passemos bem pelas avaliações, sejamos alunos aplicados neste mundo de provas e expiações e logo poderemos merecer fazer parte de uma escola melhor, da escola da regeneração.
Esta é mais uma certeza que temos: de que a dor não dura para sempre e de que podemos ser hoje melhores do que fomos ontem. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.8.2020.

domingo, 16 de agosto de 2020

FALA-NOS DA DÁDIVA

Gibran Khalil Gibran
Tratando sobre o ato de dar, assim escreveu Gibran Khalil Gibran: 
-Então, um homem rico disse ao profeta: 
-“Fala-nos da dádiva!” 
E ele respondeu: 
-“Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando dais de vós próprios que realmente dais. Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã? E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultraprudente que enterra ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos para a cidade santa? Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas. E há os que têm pouco e dão-no inteiramente. Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam. E há os que dão com alegria, e essa alegria é sua recompensa. E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria e sem pensar na virtude. Dão como, no vale, a flor espalha sua fragrância no espaço. Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala; e através de seus olhos, Ele sorri para o mundo. É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido. E para os generosos, procurar quem recebe é uma alegria maior ainda que a de dar. E existe alguma coisa que possais guardar? Tudo que possuís será um dia dado. Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros. E vós que recebeis – e vós todos recebeis – não assumais nenhum encargo de gratidão a fim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores. Antes, erguei-vos, junto com eles, sobre asas feitas de suas dádivas. Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai. Dizeis muitas vezes: Eu daria, mas somente a quem merece. As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos. Dão para continuar a viver, pois reter é perecer. Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo o mais. E quem mereceu beber do oceano da vida, merece encher sua taça em vosso pequeno córrego. E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber? E quem sois vós para que os homens devam expor seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu amor-próprio rebaixado? Procurai ver, primeiro, se mereceis ser doadores e instrumentos do dom. Pois, na verdade, é a vida que dá a vida, enquanto vós, que vos julgais doadores, sois simples testemunhas.” 
Redação do Momento Espírita com base no cap. A dádiva, do livro O profeta, de Gibran Khalil Gibran, ed. ACIGI. 
Em 5.6.2014.

sábado, 15 de agosto de 2020

MÃE SANTÍSSIMA

É sabido que as religiões cristãs reverenciam, com profunda gratidão, a figura ímpar de Maria de Nazaré. 
Sua elevação espiritual sempre foi tida como parâmetro maior, por ter recebido de Deus a missão de ser Mãe do Messias. Intimamente, trazia o compromisso de colaborar para que o Divino se fizesse Homem entre os homens. Aceitou a tarefa e cumpriu-a de maneira extraordinária. Quando a dor maior invadiu seu coração, na hora do martírio, exclamou: 
-Meu filho! Meu amado filho! 
E ouviu a resposta significativa, enquanto Jesus indicava o Apóstolo João: 
-Mãe, eis aí teu filho! Ela compreendeu que era o momento da renúncia maior da sua alma. Era a lição da família universal colocada em prática pelo filho amado que se fazia substituir pelo amigo querido. 
Maria! Alma santificada pela dor, pelo silêncio, pela renúncia, mas essencialmente pelo amor. 
 * * * 
Chico Xavier e Humberto Campos
A Doutrina Espírita, através da mediunidade responsável, tem permitido que nos cheguem relatos biográficos de Maria de Nazaré. Os autores espirituais buscam os dados originais nos arquivos fieis do mundo espiritual. Foi assim que o Espírito Humberto de Campos nos trouxe, através de Chico Xavier, informações mais detalhadas, além das contidas nos Evangelhos. Atendendo à promessa que fizera ao Mestre, aos pés da cruz, tão logo pôde, o Apóstolo João foi buscar Maria e a levou a Éfeso, onde residia. Ali, durante o dia, ele saía para cuidar de seus afazeres e da divulgação da Boa Nova, enquanto Maria passou a atender os caminhantes necessitados. Com o passar do tempo, aquela casa se tornou um ponto de referência para quem quisesse ouvir falar a respeito de Jesus. O Apóstolo Lucas, por orientação de Paulo de Tarso, foi até Éfeso. Seu objetivo era entrevistar a Mãe de Jesus, a fim de poder escrever a biografia do Mestre, segundo as suas lembranças. Idosos, doentes, mães infortunadas a buscavam para serem por ela abençoados. Sentia-se um pouco mãe daquelas criaturas sofridas, e lhes falava de Jesus e de Seus ensinamentos como uma mãe fala aos seus amores. Acalmava os corações sofridos com palavras amigas, onde se destacava um quase refrão: Isso também passa. Certa feita, um doente, sentindo alívio em suas chagas, ao beijar-lhe as mãos, murmurou:
-Senhora, sois a Mãe de nosso Mestre e a nossa Mãe Santíssima.
Desde então, a sua casa passou a ser conhecida como a casa da Mãe Santíssima. Um dia, em que a saudade do filho era muito grande, ela atendeu a um peregrino. Com mais intenso sentimento, ela falou daquele Jesus, que se fora da Terra, há alguns anos. E disse da sua imensa saudade. Então, o peregrino retirou o capuz, e com a voz que ela conhecia muito bem, disse: 
-Minha mãe! 
Ela se emocionou. O coração começou a bater mais forte. E ele completou: 
-Vim te buscar porque meu Pai quer que sejas, no meu reino, a rainha dos anjos! 
Naquela noite, João, retornando das atividades, lhe assistiu aos últimos momentos. Ela partiu, mansamente. E como uma estrela, de intenso brilho, adentrou a Espiritualidade. 
Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 2 e 30, do livroBoa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 17.11.2018.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

CASCATA DO BEM

Comenta-se que gentileza gera gentileza e que os exemplos, mais do que as palavras, arrastam, convencem outros a reproduzi-los. Assim nos ensinou o Mestre Jesus, que exemplificou a sublimidade do amor. Aquela jovem recebeu um livro de presente, e de tudo o que leu, o que a marcou foram, especialmente, as considerações a respeito da gentileza. O autor, entre outras coisas, indagava em certo capítulo: 
-Você já pensou, alguma vez, em fazer algo diferente? Que tal pagar o pedágio para o carro que está atrás do seu? 
As semanas se sucederam e, fazendo uma viagem, enquanto aguardava, na fila do pedágio, ela se recordou daquele desafio. Resolveu experimentar. Atrás do seu carro, estava uma caminhonete e um senhor ao volante. Ela se dirigiu a ele e lhe disse: 
-Olhe, seu pedágio está pago. Já providenciei. Boa viagem. 
O motorista ficou parado, sem reação. Pouco depois, na estrada, ela foi alcançada por aquele veículo, que acabou emparelhando com o seu. O sexagenário lhe pediu para fornecer o número de seu telefone e sinalizou que havia anotado na memória. Meses se passaram. Ela recebeu uma ligação. Era aquele motorista, Mário. Disse que resolvera lhe telefonar para narrar algo surpreendente. Contou que, estando no pedágio, resolvera reprisar o gesto dela. Olhou e viu que atrás do seu carro, havia uma Kombi, com um casal. Foi até eles, disse o que fizera e desejou seguissem viagem, em paz. Para seu espanto, marido e mulher começaram a chorar. Disseram que estavam a caminho de São Paulo, para tentar conseguir um emprego. Haviam deixado na Bahia seus cinco filhos. Durante toda a viagem, vinham rogando a Deus que permitisse que eles conseguissem algo que lhes permitisse manter a família, e uni-los de novo. Então, o senhor Mário abriu um sorriso e falou: 
-Amigo, eu sou mestre de obras. Considere-se empregado. 
E, ali mesmo, ajustaram detalhes. Uma vida transformada. Sete bocas que passaram a ter uma alimentação, sete corpos que passaram a ter um teto para abrigá-los. Tudo por causa de um simples ato de gentileza.
* * * 
O que você está pensando agora? Que tudo não passa de uma grande coincidência? Será mesmo? O que fez que, justamente naquele dia, naquele momento, se lembrasse Mário de repetir o gesto recebido tanto tempo antes? 
Em verdade, Deus é um grande promotor de coincidências. Dessas que salvam vidas, que espalham esperança. Ele se serve de pessoas que têm o coração aberto a fazer um gesto, pequeno que seja, em favor do outro. E gentileza não somente gera gentileza. Ela transforma panoramas de tristeza em esperança, lágrimas em sorrisos. 
Gandhi afirmava que se um único homem atingisse a plenitude do amor, neutralizaria o ódio de milhões. 
Tudo começa com algo simples. Uma gentileza. Um favor. Uma delicadeza. E o bem jorra como uma cascata, dessas que se lançam de grandes alturas, em beleza sem par, criando aquela névoa fina, embelezando a paisagem ao redor. Antes mesmo de alcançar o seu destino, lá embaixo, ela já beneficiou outros pelo caminho. 
Cascata do bem. 
Sejamos as gotas que a compõem, pequenas, generosas, importantes.
Redação do Momento Espírita, com base em depoimento colhido na internet. 
Em 14.8.2020.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A FAIXA PRETA

Alexandre Rangel
Depois de incansáveis anos de treinamento, um disciplinado aluno de artes marciais viu-se diante do mestre para receber a faixa preta.
-“Antes que lhe dê a faixa você terá de passar por um outro teste”, avisou o mestre. 
-“Estou pronto.” Respondeu o aluno. 
-“Você precisa responder a uma pergunta essencial. Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?” 
O jovem respirou fundo e disse: 
-“Ela representa o fim de minha jornada. Será uma recompensa merecida por meu bom trabalho.” 
O mestre esperou um pouco. O jovem percebeu que o professor não estava satisfeito. O silêncio que constrangia o jovem foi quebrado por novas palavras do mestre: 
-“Você não está pronto para receber a faixa preta. Volte daqui um ano.” 
Desapontado o aluno partiu. Um ano depois, ajoelhou-se novamente na frente do mestre. 
-“Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?” – repetiu a pergunta o professor. 
-“É o símbolo da excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte”, respondeu o jovem. 
O mestre permaneceu em silêncio. O aluno percebeu que outra vez sua resposta não fora satisfatória. Por fim, disse o professor:
-“Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano.” 
Resignado o aluno partiu. Um ano depois voltou a ajoelhar-se diante do mestre. Mais uma vez foi-lhe feita a pergunta: 
“Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?” 
O aluno respirou fundo e respondeu: 
-“A faixa preta representa o começo. É o início de uma jornada sem fim de disciplina, trabalho e busca por um padrão cada vez mais alto.” 
O mestre sorriu e disse: 
-“Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho.” 
Estamos a caminho. Muito já percorremos. Muito já foi vencido. Quando olhamos para trás vemos os vales extensos. Os rios de correnteza inclemente. Os desfiladeiros traiçoeiros. Pântanos sombrios. São paisagens passadas. Situações superadas. Também havia na jornada campos floridos. Praias de areia alva. Árvores frondosas a oferecer-nos sombra e abrigo. São paisagens passadas. Momentos que nos enchem de saudade. Estamos a caminho. Quando olhamos para frente vemos cenários novos. Grandes surpresas nos aguardam nas curvas das estradas. Grandes dores também esperam por nós. São tantas as trilhas que se apresentam. Cada qual com uma característica especial. Algumas prometem facilidades e alegrias fugazes. Escondem armadilhas em recantos com aparência inofensiva. Outras mostram-se árduas desde o início, mas compensam os viajantes persistentes com vastos oásis de consolo e amparo. Cada estrada apresenta riscos e prêmios. Todas, porém, levam a um destino único. O tempo de viagem depende da disposição de cada peregrino. Há muito a percorrer. Estamos, ainda, a caminho. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro As mais belas parábolas de todos os tempos, vol. II, pp. 262/263, Editora Leitura, 4ª edição, organizado por Alexandre Rangel.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

HÁ FLORES NO OUTONO

A primavera é a estação das flores, do renascimento, da renovação. Tudo volta a desabrochar após o frio inverno. 
Certamente já ouvimos alguma dessas expressões. 
Também ouvimos que o outono é a estação das folhas que caem, deixando as árvores quase desnudas, preparando-se para a temporada invernal que logo chegará. As verdes folhas como que desaparecem. Em muitos casos mudam de cor antes de pousarem no chão. O frio dá os primeiros sinais, como que nos preparando para uma experiência difícil que virá adiante. Outono é sinônimo de nostalgia, de recolhimento, de vento que despedaça ou desfolha. 
No entanto, talvez essas sejam impressões apressadas, dos que olhamos apenas a superfície ou aceitamos facilmente os rótulos limitadores. 
Olhemos com atenção para o outono e veremos que a estação é repleta de cores, de júbilos. Também de flores. Sim, há flores no outono, flores que persistem ou mesmo que nascem apenas nessa época. O tempo seco, os dias de sol resplandecente, permitem que encontremos na natureza diversas cores pintando a tela fria dos dias. Dizer que no outono, ou mesmo no inverno, não há flores, é julgamento precipitado, de quem não tem olhos de ver. 
Percebamos as flores das estações frias. 
Notemos, mesmo nos dias penosos, o desabrochar de tantas oportunidades, de tantas florescências que insistem em resistir aos ventos gelados das estações. Deus nunca nos deixa sem jardins, nunca nos deixa sem cores. Se algumas árvores se despedaçam, se desfolham à nossa frente, logo ali adiante, outras se pintam de mil tons para nos encantar. 
 * * * 
Próximo a uma situação dolorosa podemos encontrar oportunidades de crescimento. Por vezes, no mesmo jardim das flores despetaladas pelas rajadas frias da vida, encontramos outras que insistem, que estão preparadas para as ventanias, e que sabem florir mesmo assim. 
Não aceitemos a dor como castigo, desprendamo-nos desse conceito arcaico que tanto tem nos assustado e imobilizado diante das provas da existência. A dor é lição, é aprendizado, é remédio para esta ou aquela área da alma que ainda precisa de atenção, precisa ser curada. Notemos, no entanto, que junto do remédio amargo, sempre há um afago, um consolo, um gesto de carinho do médico que nos cuidou. 
É assim que funciona no reino de amor de nosso Criador. Um Pai cuidadoso, que através de Sua Providência não nos deixa sós, não nos deixa sem flores nas estações congelantes. Confiemos, porfiemos, e não deixemos de notar as florescências tão belas que a natureza tem a oferecer todos os dias. Se tivermos olhos de ver, perceberemos que, ao lado de uma árvore que perde as folhas, há uma outra sorrindo em flores para nós. 
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As flores do outono nasceram para resistir ao vento que as castigam. 
As flores do outono suportam a estiagem e a falta de atenção. 
As flores do outono nos ensinam a viver, a suportar, e apesar de tudo, florescer. 
Redação do Momento Espírita 
Em 12.8.2020