quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

QUANDO O DESEJO É SERVIR

OLIVER DAVIS
Ele tem apenas cinco anos de idade. Mora no Estado do Kansas, nos Estados Unidos. No último Natal, ele pediu um uniforme de policial como presente, para estranheza de sua mãe, considerando que não existem policiais em sua família, que ele desejasse, eventualmente, imitar. O uniforme azul, no entanto, se tornou sua roupa diária, até mesmo para ir à escola. Nascia, ali, o oficial Oliver Davis. Logo, ele pediu mais equipamentos policiais. Quando sua mãe viu uma motocicleta policial, do tamanho de uma criança, de imediato a adquiriu. Com ela, ele chegou a posar para fotos ao lado de policiais verdadeiros, com suas grandes motocicletas. Não satisfeito em vigiar sua mãe no trânsito, quando ela dirige muito rápido, ou quando troca de faixa sem sinalizar com o pisca, ele perguntou como poderia ajudar as pessoas. Porque um bom policial faz isso: ajuda as pessoas. Como resultado, começou a visitar casas de repouso locais e distribuir flores para os moradores. No primeiro local, ele ficou um pouco nervoso. Não sabia bem o que fazer, além de dar flores a cada um. Será que poderia abraçá-los? Quando acabou aquela visita, ele disse que queria fazer tudo aquilo de novo porque tinha gostado muito… Foi se soltando, nas visitas seguintes. Foi perdendo a timidez. Entra, então, com sua motocicleta, oferece uma flor a cada um, abraça. 
 * * * 
Uma criança visitando idosos, oferecendo flores. Sem dúvida, uma nova geração vai surgindo na Terra. Uma geração que vem para transformar o mundo, a partir de pequenos gestos, de coisas simples, de atos pequenos. Mas que fazem a grande diferença, que fazem sorrir um idoso, que encantam uma idosa que olha a flor e seus olhos se enchem de lágrimas porque recorda do namorado que lhe ofertava rosas, exatamente daquela cor: amarelas. Uma geração que pensa no outro, que o deseja feliz, ao menos por alguns minutos, enquanto se entretém olhando um menino entrando pela sala com uma motocicleta, carregada de flores. Pessoas que se sentem menos solitárias porque um raio de sol, nos braços de uma criança, lhes veio aquecer os corações. 
 * * *
A nova geração está aí, nos nossos lares. Alguns demonstram genialidade e adentram pelos campos das artes, da ciência, da tecnologia. Outros, simplesmente, estão chegando para ensinar a conjugação do verbo amar. Amar a todos e a qualquer um. Fazer alguém feliz, se importar com o outro. Assumir, desde cedo, responsabilidades, tomar atitudes positivas. Olhando o garoto vestido de azul, nos indagamos o quanto de benefícios semeará até se tornar adulto e dar continuidade ao seu intento. Importante que pais e educadores nos façamos atentos a essas crianças a fim de lhes perceber as tendências e auxiliá-las, nos seus propósitos, no despertar de suas missões. Que as saibamos identificar, apoiar. Sobretudo entender seus sonhos, suas aspirações, no intuito de colaborar na construção desse mundo novo. Prestemos atenção para não nos tornarmos pedra de tropeço. Também para não supervalorizarmos coisas pequenas, atos corriqueiros, provocando endeusamentos prejudiciais. Atenção e prudência. A hora nos exige. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Oliver Davis.
Em 7.2.2019.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ELEGENDO PRIORIDADES

Quantas vezes você já se disse cansado, estressado, desanimado? Quantas vezes a vida lhe pareceu pesar sobre os ombros, como se carregasse o mundo e se sentiu quase a soçobrar? Já se indagou, alguma vez, por que esse seu estado de ânimo? Você poderá responder que é o cansaço da luta diária, que já não é tão jovem, que os anos contam na economia do corpo, que as forças já não são as mesmas, que as lutas recrudesceram. Tudo isso pode ser verdade, parcialmente. No entanto, por vezes, elegemos alguns itens como prioritários em nossa vida, sem que realmente o sejam. Isso nos remete a um fato que ouvimos e que buscaremos narrar, ao sabor da nossa própria emoção. Certo professor costumava reunir, com alguma frequência, seus alunos, extraclasse, a fim de estreitarem laços de amizade. Sua casa era, de modo geral, o local onde se encontravam. Numa dessas oportunidades, os rapazes começaram a falar dos seus desencantos, do seu cansaço, do estresse de que se sentiam acometidos. Todos falavam e a tonalidade era a mesma. Então, o diligente professor foi até a cozinha e preparou chocolate quente. O dia estava frio e a bebida era propícia. Trouxe uma grande jarra com o chocolate quente e a colocou sobre a mesa da sala. Ao seu redor, colocou canecas de tamanhos, cores e tipos diferentes. Umas eram grandes, coloridas, bonitas. Algumas de porcelana, outras de cristal, outras de barro. Logo, os rapazes, ávidos por beber algo quente, começaram a se servir, escolhendo as mais caras e vistosas canecas. E a conversa continuou. Passado algum tempo, esgotadas as reclamações, tomou a palavra o professor: Jovens, vejo que todos apreciaram o chocolate quente. 
-Vocês se deram conta de que cada um, de forma rápida, procurou apanhar a caneca mais bonita, mais preciosa? Embora vocês achem normal desejarem somente as melhores coisas para si, é aí que está a fonte de seus problemas. A caneca não acrescenta nada à qualidade da bebida. Na maioria das vezes, é apenas mais cara. Às vezes, até esconde o que estamos bebendo. No entanto, o que todos queriam era o chocolate, não é verdade? A caneca é apenas o recipiente, que não tem o condão de alterar a substância que contém.
Vejam bem: o chocolate quente é a vida que Deus nos dá. Emprego, dinheiro e a posição na sociedade são as canecas. São ferramentas que fazem parte da vida. As canecas que vocês têm nas mãos não definem, nem mudam a qualidade de vida que vocês vivem. Às vezes nos concentramos nas canecas, deixamos de saborear o chocolate quente que Deus nos tem ofertado. Lembrem-se de que Deus provê o chocolate. Ele não escolhe a caneca.
 * * *
Lembremos que as pessoas felizes não são as que têm o melhor de tudo, mas as que fazem o melhor de tudo que têm. Pensemos nisso e façamos a eleição das nossas prioridades. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada. 
Em 01.06.2011.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

DIVINA SOBERANA

As lágrimas de Maria lhe desciam pelas faces, discretas e silenciosas. As memórias a transportavam àquele doloroso dia, quando o fruto de seu ventre fora levado ao madeiro da cruz. Ela sempre cultivara a fé que lhe fazia recordar as palavras do emissário do Senhor: 
-Não temas, Maria. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. 
E lembrava de sua resposta humilde: 
-Eis aqui a serva do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra. 
Então, um pálido sorriso apareceu na face serena de Maria, quando se lembrou dos primeiros passos do filho, das primeiras palavras, das tantas vezes que o amamentara e o embalara. Em vários desses momentos, temera por Ele, é verdade. Seu coração de mãe pressentia que muito seria exigido de seu pequeno. Todavia, em instante algum, deixou de confiar. Conhecia as vozes dos profetas que haviam cantado a vinda do Messias, o Filho de Deus. Quando, porém, Ele se uniu a doze amigos e se pôs a cumprir a missão que lhe fora destinada, Ele não levantara espadas, não conduzira exércitos, não destronara reis. Ao contrário, do alto de Sua grandeza, fizera-se pequeno. Aos inimigos de Seu povo, oferecera a justiça: A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Para a arrependida de Magdala, ofereceu a libertação: 
-Mulher, porque muito amaste, todos os teus pecados foram perdoados. 
Ao companheiro de crucificação, oferecera a esperança: 
-Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. 
Pregado ao madeiro, para Maria de Nazaré ofereceu a sagrada missão de tomar todos os homens, ali representados por João, sob os cuidados de seu amor maternal: 
-Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí a tua mãe. 
 * * * 
CHICO XAVIER
Mãe de todas as cores, mãe de todas as culturas, mãe dos grandes e dos pequenos, mãe dos exaltados e dos esquecidos. Senhora dos olhos gentis, do sorriso cândido, do toque de luz, do coração acolhedor. Teu filho, Mestre de nossas almas, nos deixou o convite gentil:
- “Se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. 
Por vezes, mãe, a cruz de nosso orgulho, de nossa vaidade, de nossa falta de fé e de caridade se faz pesada sobre nossos ombros chagados por nossas mazelas morais. Tu, que conheces as fragilidades humanas, ampara-nos. Quando os pregos nos atarem ao madeiro, volta teus olhos para nós, acaricia-nos a fronte, dá-nos a coragem que por vezes nos falta. Faz-nos recordar o teu filho, Mãe Santíssima. Faz-nos seguir os passos que Ele trilhou. Faz-nos recordar que, para aprendermos a bem caminhar, por vezes, a queda é necessária. Que, para nos iluminarmos, é preciso que conheçamos profundamente o que se oculta em nossa intimidade. Que, para alcançarmos a plenitude dos céus da alma, é preciso enfrentarmos as turbulências de nossa pequenez interior. 
 * * * 
Bendito o fruto imortal da vossa missão de luz, desde a paz da manjedoura às dores além da cruz. Assim seja para sempre, Divina Soberana, refúgio dos que padecem nas dores das lutas humanas. Salve, Maria! Salve, Senhora! Salve, Mãe Santíssima de todos os homens! 
Redação do Momento Espírita, com citação final do poema Ave Maria, do livro Parnaso de Além–túmulo, pelo Espírito Amaral Ornellas, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 5.2.2018

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

NAVE ESPACIAL

Filmes de ficção científica já mostraram, com muita riqueza, cenas de naves espaciais imensas cruzando o Cosmo a velocidades espantosas. Dentro delas, pequenas cidades. Salas, quartos, restaurantes, espaços de lazer, tudo que se possa imaginar. Além disso, uma enorme tripulação levando uma vida normal, como se estivesse num planeta qualquer. Nem parece estar cruzando o espaço velozmente. Uma visão futurística? Um futuro distante? Na verdade, não. Curiosamente, vivemos uma realidade exatamente como essa, sem perceber. Somos passageiros de uma grande nave que se desloca rapidamente pelo espaço. Ela se chama Terra. O planeta gira em torno do Sol a uma velocidade altíssima, cerca de cento e sete mil quilômetros por hora. Além disso, todo nosso sistema solar gira em torno do centro da galáxia a uma velocidade de cerca de setecentos e setenta e oito mil quilômetros por hora. Poderíamos ir adiante na citação de velocidades, pois nem a Via Láctea está parada. No entanto, ficando apenas com estes dados temos uma informação impressionante: a cada minuto a Terra está, no Universo, a dezenove mil quilômetros de distância de onde estava antes. Isso faz de todos nós viajantes siderais. É muito interessante saber que há cerca de dois mil anos imaginávamos que a Terra era o centro do Universo. A teoria dizia que o planeta estava parado e o Sol girava em torno dele. Era o homem e seu egocentrismo, aflorado em suas crenças. Essa teoria durou quase mil e setecentos anos, e só foi substituída pela teoria heliocêntrica – o Sol como centro do Universo - a muito custo. Astrônomos, como Nicolau Copérnico, sofreram para conseguir provar que a proposta anterior precisava ser revista. O homem não era o centro de tudo. O Universo era maior e mais complexo do que se imaginava. Hoje se sabe um tanto mais. Nosso Sol é uma anã amarela, pequenina diante das gigantes estrelas descobertas. Nosso sistema solar é reduzida composição num dos braços da imensa via láctea, que também não é a maior das milhões de galáxias existentes. Tudo isso nos leva a perceber que somos viajores do espaço. No momento, habitamos a espaçonave Terra, mas podemos tripular outras ao longo da grande viagem, de acordo com a necessidade e o merecimento. Não somos o centro do Universo. Fazemos parte dele, como engrenagens importantes de algo extremamente complexo e belo. Por tudo isso, vale a pena refletir sobre nossos propósitos de vida, se estamos nos comportando como viajantes realmente. Muitos ainda cremos que só existe a matéria; que a vida se inicia no berço e termina no túmulo; que o mais importante é ter do que ser. Muitos ainda levamos uma vida egocêntrica, como se o Universo girasse ao nosso redor. Todos existem para nos servir, para nos atender, e quando não o fazem se tornam inimigos e incômodos. Facilmente nos frustramos. Teimamos em nos conservar parados quando tudo ao nosso redor está em movimento, mudando, evoluindo, crescendo em direção à perfeição. Assim, enxerguemo-nos como um membro da tripulação Terra, uma nave espacial fantástica que cruza o Cosmo enquanto aprendemos, dia após dia, sobre o amor universal. 
Redação do Momento Espírita 
Em 4.2.2019.
http://momento.com.br

domingo, 3 de fevereiro de 2019

ELEGÂNCIA

A vida moderna caracteriza-se pela informalidade, pela pressa e pelas mudanças constantes. Hábitos até pouco tempo bastante difundidos, hoje são raros. A carta escrita a mão foi substituída por mensagem via e-mail. Poucos homens permanecem puxando a cadeira para suas companheiras ou abrindo a porta do carro para elas. Malgrado todo o interesse por almas gêmeas e temas da espécie, o romantismo parece quase extinto. Há muita afoiteza em começar, consumar e terminar os relacionamentos. Prestar atenção no companheiro, identificar seus sonhos e os tesouros de seu mundo íntimo, tudo isso se afigura terrivelmente fora de moda. Tal descuido com a essência do ser humano está presente em quase todas as espécies de relações. Tem-se pressa para tudo. Essa urgência desmedida faz com que regras básicas de educação sejam constantemente ignoradas. Os cumprimentos, quando existem, são lacônicos e despidos de calor. Uma palavra mal posta é de pronto devolvida. Não se pára para pensar se o interlocutor enfrenta algum problema e por isso se manifesta com rudeza. Afinal, tem-se pressa, embora raramente se tenha um objetivo nobre a embasar os atos que ela inspira. Nesse contexto, desentendimentos surgem à toa e rápido degeneram em antipatias e inimizades. É mais fácil julgar, responder e reagir de plano. Refletir, compreender, preservar e aprofundar vínculos demanda tempo. É difícil ignorar as pressões do mundo moderno. Globalismo, competitividade, empregabilidade, há inúmeros conceitos que inspiram a pressa. Às vezes até a explicam, mas não a justificam, no trato com o semelhante. Afinal, a afoiteza não pode justificar converter-se o homem em um bruto insensível. Para permanecer civilizado, é preciso preservar um pouco da tradicional e boa elegância. Ao contrário do que talvez sugira, o termo elegância não implica forçosamente a adoção de vestuários requintados e gestos afetados. Segundo o dicionário, um dos significados de elegância é distinção de maneiras. Ser elegante é ser distinto, atencioso e polido. É prestar atenção nas necessidades dos que o rodeiam e tratá-los como pessoas importantes. Elegância implica abster-se de expressões rudes e não se envolver em discussões ácidas e ferinas. Elegante é não falar dos ausentes, é não ser uma presença desagradável aos demais. Para quem responde tudo ao pé da letra e não costuma levar desaforo para casa, ser elegante constitui um grande desafio. Contudo, quem fala e age sem pensar, cedo ou tarde se arrepende e percebe que fez bobagem. Atos impulsivos e grosseiros destroem oportunidades pessoais e profissionais. Ninguém gosta de estar perto de um grosseirão. Mas você jamais se arrependerá de ser elegante. Talvez no princípio estranhe não responder quando provocado. Ser gentil e obsequioso em face de ofensas e grosserias demanda uma boa dose de disciplina. Mas você colherá os melhores frutos desse novo naipe de comportamento. Quem o maltratar fatalmente ficará constrangido, ao perceber o esmero de sua educação. E gradualmente um novo padrão de conduta se estabelecerá em torno de você. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível noCD Momento Espírita, v. 14 e no livro Momento Espírita, v. 7, ed. Fep. 
Em 31.01.2010.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

ELE CONFIA...

Quando um Espírito decide por retornar ao cenário terrestre, um planejamento se faz. Seu anjo de guarda e aqueles interessados em seu progresso, em sua felicidade o assessoram nessa tarefa. Alguns preparam programas muito bem elaborados, caso venham à Terra para grandes missões, questões que objetivem o bem maior, revoluções do pensamento, das artes, da ciência. Outros vêm com planos mais gerais. Mas, ninguém simplesmente nasce como obra do acaso, ou de simples descuido, conforme costumamos afirmar, algumas vezes. Nesse planejamento se encontra, primordialmente, a escolha dos pais. Quem o receberá, no planeta terrestre, quem o aninhará em seu seio, alimentando-o, até o momento de renascer no cenário do mundo. Quem lhe será o protetor dos primeiros dias, da infância, quem o guiará, com mão forte, através dos anos, até poder andar por si mesmo e crescer, no rumo da luz. Que doce encantamento não deve envolver quem assim se prepara. É uma nova chance de progresso, de vida no abençoado planeta azul, nosso lar de tantas e tantas vidas reprisadas, revividas. Então, nasce o pequenino e se entrega confiante, esperando que a mãe que o acolheu em sua intimidade, por meses, o amamente, com amor. E quando o faça, tenha olhos para ele, dizendo-lhe sem palavras: 
-Querido filho, eu te amo! Sorve de minha seiva. 
Ele aguarda que ela lhe seja o esteio. Enquanto se alimenta, ouve o coração daquela que o gestou e nela confia. Confia que ela o proteja, lhe providencie o agasalho, o conforto. Que ela o leve nos braços como quem carrega um tesouro frágil, uma joia de subido valor, um cristal valioso. Ele confia que o pai o receba em seus braços, lhe acompanhe o desenvolvimento, dia a dia. Que lhe ampare os primeiros passos, que o conduza pela mão, pelos caminhos do mundo. Ele espera, ele confia. Por sua vez, a Divindade, igualmente confia que Seus filhos, a quem elegeu pai e mãe, exercerão o seu papel junto ao ser que envia, indefeso e pequeno, aos seus cuidados. Cuidados que vão além das questões materiais do alimento, agasalho, abrigo. Questões que têm a ver com o sentimento, com o desabrochar de emoções de gerar uma outra vida, de passar suas experiências nobres ao ser que chega. Questões que falam de amor demonstrado em pequenos gestos, em um olhar, um abraço, um aperto de mão. Tudo isso que se expressará em acompanhamento do filho, incentivando-o a enfrentar os desafios de ficar em pé, andar, correr, dominar o próprio corpo. Acompanhamento que observará cada conquista e a elogiará, dizendo-lhe que ele pode um tanto mais. E mais. Acompanhamento que lhe dirá do certo e do errado, nos rumos da educação, que o brindará com exemplos de honestidade, dignidade, trabalho, possibilitando-lhe se tornar cidadão honrado, onde quer que venha a atuar, no mundo. Sim, esse Espírito confia em você, pai, mãe. Deus confia em cada um de nós, a quem estabelece a missão da paternidade e da maternidade. Estejamos atentos. Tenhamos os olhos postos nessa preciosidade com que a Divindade nos honrou o lar: nosso filho. Não o percamos de vista, mesmo à distância. Ofertemos-lhe nosso amor, nossa ternura, auxiliemo-lo a vencer os obstáculos, tenhamos a alegria de vê-lo prosperar, crescer material e espiritualmente. É nosso filho! Confia em nós. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 2.12.2015.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A LIÇÃO A JOANA!

Ela era uma mulher que desfrutava de prestígio social e muitas posses. Possuía criadas que a serviam com zelo. Casada com um alto funcionário de Herodes, Joana de Cusa era das mulheres mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Atraída pelo verbo eloquente de Jesus, passou a ouvir as pregações do lago. De nobre caráter, vestia-se de forma simples, a fim de não atrair a atenção do povo. O seu desejo era beber da água viva de que ele falava. Trazia no coração uma infinidade de dissabores. Possuidora de verdadeira fé, amargurava-se pela atitude do esposo que, para manter sua posição de intendente e prosseguir a gozar de prestígio social, ora comparecia ao templo de Jerusalém, ora adorava os deuses romanos, não se definindo em conceito religioso. Trazendo a alma torturada, pois ansiava convencer o esposo a também aceitar Jesus e Sua Boa Nova, certa feita procurou o Mestre para lhe expor seus dissabores. Jesus a ouviu longamente e depois ponderou: 
-Joana, só há um Deus, que é o nosso Pai, e só existe uma fé para as relações com o Seu amor. Todos os templos da Terra são de pedra. Eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. No entanto, algum tempo se escoará antes que os homens possam compreender essa mensagem. Deus sabe aguardar, de forma paciente.
- Mas, Senhor, continuou Joana, não seria justo impor ao meu esposo os Seus princípios? Afinal, o que almejo é conquistá-lo para o Seu reino. 
O Cristo sorriu, com serenidade, e lhe recomendou: 
-Deus não impõe a Sua verdade e o Seu amor a ninguém. O Pai não impõe a reforma a Seus filhos, mas os esclarece no momento oportuno. Ele não extermina as paixões, antes as transforma. Joana, o Evangelho é de colaboração com todos. Deus não trava lutas com as Suas criaturas. Ele trabalha em silêncio, por toda a Criação. Retorna para casa, Joana, ama teu esposo como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de amor. Trabalha e silencia. Quando convocada ao esclarecimento, fala as palavras doces ou enérgicas, conforme as circunstâncias. Sobretudo, vive a mensagem que te penetrou a alma pois que o teu exemplo falará mais alto ao coração daquele que Deus te deu por esposo. 
A mulher de Cusa gravou o ensino do Mestre e retornou ao lar. Transformou todas as suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia. Anos depois enviuvou. Ficando só, sem fortuna e com dois filhos pequenos nos braços, mostrou-se fiel à mensagem de vida, trabalhando com nobreza e honra. No ano 68, a mulher que fora exemplo no lar, para seu marido e seus filhos, exemplificou para uma multidão reunida no circo romano que Jesus lhe ensinara não somente a viver e morrer com dignidade, mas principalmente a amar. E morreu perdoando os que a supliciavam pelos açoites e pelo fogo. 
 * * * 
O exemplo convence muito mais do que um grande número de palavras, de expressões, de narrativas. Exatamente por isso é que o Mestre Jesus, convivendo com os homens, lecionou a humildade desde o primeiro instante, escolhendo por berço a pobreza de um estábulo e tomando, para lhe iluminar as primeiras horas, o brilho das estrelas que enriqueciam aquela noite. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 15, do livro Boa nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e informações colhidas no livro Joana e Jesus, uma história de amor, de Divaldo Pereira Franco e Cezar Braga Said, ed. FEP. 
Em 1º.2.2019.