segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

NAVE ESPACIAL

Filmes de ficção científica já mostraram, com muita riqueza, cenas de naves espaciais imensas cruzando o Cosmo a velocidades espantosas. Dentro delas, pequenas cidades. Salas, quartos, restaurantes, espaços de lazer, tudo que se possa imaginar. Além disso, uma enorme tripulação levando uma vida normal, como se estivesse num planeta qualquer. Nem parece estar cruzando o espaço velozmente. Uma visão futurística? Um futuro distante? Na verdade, não. Curiosamente, vivemos uma realidade exatamente como essa, sem perceber. Somos passageiros de uma grande nave que se desloca rapidamente pelo espaço. Ela se chama Terra. O planeta gira em torno do Sol a uma velocidade altíssima, cerca de cento e sete mil quilômetros por hora. Além disso, todo nosso sistema solar gira em torno do centro da galáxia a uma velocidade de cerca de setecentos e setenta e oito mil quilômetros por hora. Poderíamos ir adiante na citação de velocidades, pois nem a Via Láctea está parada. No entanto, ficando apenas com estes dados temos uma informação impressionante: a cada minuto a Terra está, no Universo, a dezenove mil quilômetros de distância de onde estava antes. Isso faz de todos nós viajantes siderais. É muito interessante saber que há cerca de dois mil anos imaginávamos que a Terra era o centro do Universo. A teoria dizia que o planeta estava parado e o Sol girava em torno dele. Era o homem e seu egocentrismo, aflorado em suas crenças. Essa teoria durou quase mil e setecentos anos, e só foi substituída pela teoria heliocêntrica – o Sol como centro do Universo - a muito custo. Astrônomos, como Nicolau Copérnico, sofreram para conseguir provar que a proposta anterior precisava ser revista. O homem não era o centro de tudo. O Universo era maior e mais complexo do que se imaginava. Hoje se sabe um tanto mais. Nosso Sol é uma anã amarela, pequenina diante das gigantes estrelas descobertas. Nosso sistema solar é reduzida composição num dos braços da imensa via láctea, que também não é a maior das milhões de galáxias existentes. Tudo isso nos leva a perceber que somos viajores do espaço. No momento, habitamos a espaçonave Terra, mas podemos tripular outras ao longo da grande viagem, de acordo com a necessidade e o merecimento. Não somos o centro do Universo. Fazemos parte dele, como engrenagens importantes de algo extremamente complexo e belo. Por tudo isso, vale a pena refletir sobre nossos propósitos de vida, se estamos nos comportando como viajantes realmente. Muitos ainda cremos que só existe a matéria; que a vida se inicia no berço e termina no túmulo; que o mais importante é ter do que ser. Muitos ainda levamos uma vida egocêntrica, como se o Universo girasse ao nosso redor. Todos existem para nos servir, para nos atender, e quando não o fazem se tornam inimigos e incômodos. Facilmente nos frustramos. Teimamos em nos conservar parados quando tudo ao nosso redor está em movimento, mudando, evoluindo, crescendo em direção à perfeição. Assim, enxerguemo-nos como um membro da tripulação Terra, uma nave espacial fantástica que cruza o Cosmo enquanto aprendemos, dia após dia, sobre o amor universal. 
Redação do Momento Espírita 
Em 4.2.2019.
http://momento.com.br

domingo, 3 de fevereiro de 2019

ELEGÂNCIA

A vida moderna caracteriza-se pela informalidade, pela pressa e pelas mudanças constantes. Hábitos até pouco tempo bastante difundidos, hoje são raros. A carta escrita a mão foi substituída por mensagem via e-mail. Poucos homens permanecem puxando a cadeira para suas companheiras ou abrindo a porta do carro para elas. Malgrado todo o interesse por almas gêmeas e temas da espécie, o romantismo parece quase extinto. Há muita afoiteza em começar, consumar e terminar os relacionamentos. Prestar atenção no companheiro, identificar seus sonhos e os tesouros de seu mundo íntimo, tudo isso se afigura terrivelmente fora de moda. Tal descuido com a essência do ser humano está presente em quase todas as espécies de relações. Tem-se pressa para tudo. Essa urgência desmedida faz com que regras básicas de educação sejam constantemente ignoradas. Os cumprimentos, quando existem, são lacônicos e despidos de calor. Uma palavra mal posta é de pronto devolvida. Não se pára para pensar se o interlocutor enfrenta algum problema e por isso se manifesta com rudeza. Afinal, tem-se pressa, embora raramente se tenha um objetivo nobre a embasar os atos que ela inspira. Nesse contexto, desentendimentos surgem à toa e rápido degeneram em antipatias e inimizades. É mais fácil julgar, responder e reagir de plano. Refletir, compreender, preservar e aprofundar vínculos demanda tempo. É difícil ignorar as pressões do mundo moderno. Globalismo, competitividade, empregabilidade, há inúmeros conceitos que inspiram a pressa. Às vezes até a explicam, mas não a justificam, no trato com o semelhante. Afinal, a afoiteza não pode justificar converter-se o homem em um bruto insensível. Para permanecer civilizado, é preciso preservar um pouco da tradicional e boa elegância. Ao contrário do que talvez sugira, o termo elegância não implica forçosamente a adoção de vestuários requintados e gestos afetados. Segundo o dicionário, um dos significados de elegância é distinção de maneiras. Ser elegante é ser distinto, atencioso e polido. É prestar atenção nas necessidades dos que o rodeiam e tratá-los como pessoas importantes. Elegância implica abster-se de expressões rudes e não se envolver em discussões ácidas e ferinas. Elegante é não falar dos ausentes, é não ser uma presença desagradável aos demais. Para quem responde tudo ao pé da letra e não costuma levar desaforo para casa, ser elegante constitui um grande desafio. Contudo, quem fala e age sem pensar, cedo ou tarde se arrepende e percebe que fez bobagem. Atos impulsivos e grosseiros destroem oportunidades pessoais e profissionais. Ninguém gosta de estar perto de um grosseirão. Mas você jamais se arrependerá de ser elegante. Talvez no princípio estranhe não responder quando provocado. Ser gentil e obsequioso em face de ofensas e grosserias demanda uma boa dose de disciplina. Mas você colherá os melhores frutos desse novo naipe de comportamento. Quem o maltratar fatalmente ficará constrangido, ao perceber o esmero de sua educação. E gradualmente um novo padrão de conduta se estabelecerá em torno de você. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível noCD Momento Espírita, v. 14 e no livro Momento Espírita, v. 7, ed. Fep. 
Em 31.01.2010.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

ELE CONFIA...

Quando um Espírito decide por retornar ao cenário terrestre, um planejamento se faz. Seu anjo de guarda e aqueles interessados em seu progresso, em sua felicidade o assessoram nessa tarefa. Alguns preparam programas muito bem elaborados, caso venham à Terra para grandes missões, questões que objetivem o bem maior, revoluções do pensamento, das artes, da ciência. Outros vêm com planos mais gerais. Mas, ninguém simplesmente nasce como obra do acaso, ou de simples descuido, conforme costumamos afirmar, algumas vezes. Nesse planejamento se encontra, primordialmente, a escolha dos pais. Quem o receberá, no planeta terrestre, quem o aninhará em seu seio, alimentando-o, até o momento de renascer no cenário do mundo. Quem lhe será o protetor dos primeiros dias, da infância, quem o guiará, com mão forte, através dos anos, até poder andar por si mesmo e crescer, no rumo da luz. Que doce encantamento não deve envolver quem assim se prepara. É uma nova chance de progresso, de vida no abençoado planeta azul, nosso lar de tantas e tantas vidas reprisadas, revividas. Então, nasce o pequenino e se entrega confiante, esperando que a mãe que o acolheu em sua intimidade, por meses, o amamente, com amor. E quando o faça, tenha olhos para ele, dizendo-lhe sem palavras: 
-Querido filho, eu te amo! Sorve de minha seiva. 
Ele aguarda que ela lhe seja o esteio. Enquanto se alimenta, ouve o coração daquela que o gestou e nela confia. Confia que ela o proteja, lhe providencie o agasalho, o conforto. Que ela o leve nos braços como quem carrega um tesouro frágil, uma joia de subido valor, um cristal valioso. Ele confia que o pai o receba em seus braços, lhe acompanhe o desenvolvimento, dia a dia. Que lhe ampare os primeiros passos, que o conduza pela mão, pelos caminhos do mundo. Ele espera, ele confia. Por sua vez, a Divindade, igualmente confia que Seus filhos, a quem elegeu pai e mãe, exercerão o seu papel junto ao ser que envia, indefeso e pequeno, aos seus cuidados. Cuidados que vão além das questões materiais do alimento, agasalho, abrigo. Questões que têm a ver com o sentimento, com o desabrochar de emoções de gerar uma outra vida, de passar suas experiências nobres ao ser que chega. Questões que falam de amor demonstrado em pequenos gestos, em um olhar, um abraço, um aperto de mão. Tudo isso que se expressará em acompanhamento do filho, incentivando-o a enfrentar os desafios de ficar em pé, andar, correr, dominar o próprio corpo. Acompanhamento que observará cada conquista e a elogiará, dizendo-lhe que ele pode um tanto mais. E mais. Acompanhamento que lhe dirá do certo e do errado, nos rumos da educação, que o brindará com exemplos de honestidade, dignidade, trabalho, possibilitando-lhe se tornar cidadão honrado, onde quer que venha a atuar, no mundo. Sim, esse Espírito confia em você, pai, mãe. Deus confia em cada um de nós, a quem estabelece a missão da paternidade e da maternidade. Estejamos atentos. Tenhamos os olhos postos nessa preciosidade com que a Divindade nos honrou o lar: nosso filho. Não o percamos de vista, mesmo à distância. Ofertemos-lhe nosso amor, nossa ternura, auxiliemo-lo a vencer os obstáculos, tenhamos a alegria de vê-lo prosperar, crescer material e espiritualmente. É nosso filho! Confia em nós. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 2.12.2015.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A LIÇÃO A JOANA!

Ela era uma mulher que desfrutava de prestígio social e muitas posses. Possuía criadas que a serviam com zelo. Casada com um alto funcionário de Herodes, Joana de Cusa era das mulheres mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Atraída pelo verbo eloquente de Jesus, passou a ouvir as pregações do lago. De nobre caráter, vestia-se de forma simples, a fim de não atrair a atenção do povo. O seu desejo era beber da água viva de que ele falava. Trazia no coração uma infinidade de dissabores. Possuidora de verdadeira fé, amargurava-se pela atitude do esposo que, para manter sua posição de intendente e prosseguir a gozar de prestígio social, ora comparecia ao templo de Jerusalém, ora adorava os deuses romanos, não se definindo em conceito religioso. Trazendo a alma torturada, pois ansiava convencer o esposo a também aceitar Jesus e Sua Boa Nova, certa feita procurou o Mestre para lhe expor seus dissabores. Jesus a ouviu longamente e depois ponderou: 
-Joana, só há um Deus, que é o nosso Pai, e só existe uma fé para as relações com o Seu amor. Todos os templos da Terra são de pedra. Eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. No entanto, algum tempo se escoará antes que os homens possam compreender essa mensagem. Deus sabe aguardar, de forma paciente.
- Mas, Senhor, continuou Joana, não seria justo impor ao meu esposo os Seus princípios? Afinal, o que almejo é conquistá-lo para o Seu reino. 
O Cristo sorriu, com serenidade, e lhe recomendou: 
-Deus não impõe a Sua verdade e o Seu amor a ninguém. O Pai não impõe a reforma a Seus filhos, mas os esclarece no momento oportuno. Ele não extermina as paixões, antes as transforma. Joana, o Evangelho é de colaboração com todos. Deus não trava lutas com as Suas criaturas. Ele trabalha em silêncio, por toda a Criação. Retorna para casa, Joana, ama teu esposo como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de amor. Trabalha e silencia. Quando convocada ao esclarecimento, fala as palavras doces ou enérgicas, conforme as circunstâncias. Sobretudo, vive a mensagem que te penetrou a alma pois que o teu exemplo falará mais alto ao coração daquele que Deus te deu por esposo. 
A mulher de Cusa gravou o ensino do Mestre e retornou ao lar. Transformou todas as suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia. Anos depois enviuvou. Ficando só, sem fortuna e com dois filhos pequenos nos braços, mostrou-se fiel à mensagem de vida, trabalhando com nobreza e honra. No ano 68, a mulher que fora exemplo no lar, para seu marido e seus filhos, exemplificou para uma multidão reunida no circo romano que Jesus lhe ensinara não somente a viver e morrer com dignidade, mas principalmente a amar. E morreu perdoando os que a supliciavam pelos açoites e pelo fogo. 
 * * * 
O exemplo convence muito mais do que um grande número de palavras, de expressões, de narrativas. Exatamente por isso é que o Mestre Jesus, convivendo com os homens, lecionou a humildade desde o primeiro instante, escolhendo por berço a pobreza de um estábulo e tomando, para lhe iluminar as primeiras horas, o brilho das estrelas que enriqueciam aquela noite. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 15, do livro Boa nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e informações colhidas no livro Joana e Jesus, uma história de amor, de Divaldo Pereira Franco e Cezar Braga Said, ed. FEP. 
Em 1º.2.2019.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

ELE, O CRISTO!

Fez-se humano, Ele que é luz estelar, para que pudesse entre nós trafegar e cantar o Seu verbo de luz. Fez-se simples, Ele que conhece e compreende toda a complexa e grandiosa estrutura do Universo e as Leis do Criador. Exemplificou a humildade, mesmo tendo em Suas mãos o destino de todo o planeta. Quando tantos esperavam o conquistador, Ele veio ser servo de todos, amparando as mazelas humanas, curando as feridas da alma, sustentando as necessidades do Espírito. Quando muitos queriam o Messias Rei, Ele se fez operário, filho de carpinteiro, vindo de um vilarejo simples, quase desconhecido, para que Seu verbo de luz conquistasse os corações. Quando outros anelavam pelas conquistas terrenas, pelos tesouros que brilham aos olhos, Ele apontava para as riquezas da alma. Quando muitos elegiam a beleza, a fama, as ilusões do mundo, Ele estava com os coxos, leprosos, cegos e estropiados, do corpo e da alma, mostrando a transitoriedade da vida física. Quando tantos se perdiam em tradições e regras vazias, Ele dava novo significado às coisas e aos atos, ensinando que o exterior nada significa se não reflete o mundo interior, esse sim, de grande importância. Trafegava entre poderosos, ricos e intelectuais, mas também entre os simples, os analfabetos e os pobres, pois via a todos como almas em evolução, Seus irmãos, filhos de Deus. Se tantos elegiam as armas, a guerra e a morte como ferramentas de conquista e usurpação, Ele veio conquistar o mundo, sem nada usurpar, falando e vivenciando o amor, na sua mais alta expressão. Se à época foi incompreendido, preterido ou ignorado por muitos, não foram poucos aqueles que se deixaram tocar pela Sua presença, e nunca mais voltaram a ser os mesmos. Naqueles dias, grassava a violência, a barbárie e as injustiças. Não muito diferente dos dias de hoje. Naqueles dias, o poder, o dinheiro e as glórias externas eram o desejo e ambição dos homens. Tal e qual nos dias que hoje transcorrem. Se a tecnologia, filha do intelecto, transformou o mundo, nós ainda continuamos praticamente os mesmos. O amor, filho do coração, ainda aguarda espaço para surgir em nós e nos transformar intimamente, para que o mundo então se transforme efetivamente. Somos todos nós ainda, os cansados e aflitos que Ele aguarda, pacientemente, para nos amparar. Somos ainda os estropiados, não do corpo, mas da alma, necessitados dEle para a nossa cura definitiva. Somos aqueles, de alma sofrida, pelas opções infelizes que fizemos, agora sedentos da Sua paz. E ainda hoje Ele nos aguarda, para que, cansados das ilusões da vida, possamos tê-lO efetivamente, como o Caminho, a Verdade e a Vida.
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Jesus Cristo é sempre a melhor resposta para todas as nossas necessidades, anseios e carências. Como há mais de dois mil anos, Ele prossegue como o pastor fiel, o jardineiro das almas, nosso Mestre e Senhor. Não nos percamos nos labirintos do mundo, entre a incerteza e a solidão. Entreguemos nossas vidas ao amor não amado e sintamos os benefícios da Sua presença em nós. Façamos isso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.12.2012.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O BEM VALE O QUE CUSTA

Na passagem evangélica conhecida como o óbolo da viúva, é enunciado o princípio, segundo o qual, o bem vale o que custa. Nela, Jesus estava sentado em frente ao local das oferendas e observava o modo pelo qual o povo lançava ali suas dádivas, fazendo seus pedidos de bênçãos, como era prática comum para eles. Algumas pessoas ricas deitavam dinheiro em abundância. Uma pobre viúva doou duas pequenas moedas, no valor de dez centavos cada uma. Jesus imediatamente afirmou a Seus discípulos que ela havia doado mais do que todos os outros. Afinal, doara do que lhe faria falta, enquanto os ricos haviam dado do que lhes sobrava. Algumas pessoas afirmam que gostariam de ficar ricas, a fim de poderem fazer o bem em larga escala. Chegam a esperar auxílio divino em mirabolantes projetos, em nome da nobreza do fim que almejam. Contudo, se fossem honestas consigo mesmas, admitiriam que pretenderiam, antes de tudo, viver luxuosamente. Sem dúvida, se enriquecessem, fariam caridade material, talvez até de forma abundante. Mas, primeiro, realizariam suas fantasias, comprariam coisas caras e bonitas para si próprias. O enunciado evangélico evidencia que a realização do sumo bem não depende de vastas posses materiais. O cumprimento das leis cósmicas, que traz harmonia e felicidade, é possível em qualquer condição econômica. Basta fazer o que estiver ao próprio alcance. O valor não reside na riqueza da doação. O mérito é proporcional ao sacrifício necessário à prática do ato. Quanto mais difícil, mais meritória é a ação e mais ela repercute perante a consciência cósmica. Sem dúvida o ideal é fazer o bem sem sequer refletir a respeito de eventuais benefícios. Nessa linha, Jesus afirmou que a mão direita não deve saber o que a esquerda faz. É sinal de que os atos nobres não devem ser alardeados e nem envoltos em criteriosas análises a respeito de seus reflexos. Entretanto, ninguém surge sublime em um piscar de olhos. O correto é mesmo praticar o bem por impulso natural do coração e rejubilar-se nele. Mas, enquanto esse estado ideal não é atingido, o bem deve ser praticado como for possível. Mesmo que seja a título da educação do próprio caráter, convém habituar-se a prestar serviços ao próximo. O Espiritismo ensina que a felicidade de um Espírito é proporcional ao seu cabedal de virtudes. Também diz que a sublimidade da virtude reside no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo, sem segundas intenções. Essa conclusão está em total harmonia com a lição extraída do óbolo da viúva. Apenas um Espírito de bom coração é capaz de sacrificar-se pelo bem alheio, sem esperar nada em troca. Fazer doações que pouco exigem de sacrifício está ao alcance de todos. Doar do que sobra, embora desejável, não é algo difícil. Entretanto, sacrificar-se em prol de um ideal ou de outro ser humano pressupõe uma boa dose de maturidade espiritual. Atos desprendidos e custosos pressupõem assimilação da lei de fraternidade que rege a vida. Para ser generoso, até às últimas consequências, é preciso compreender as superiores finalidades da existência. A suprema virtude repercute na ordem cósmica e traz suprema felicidade. Como ela não é uma dádiva, mas uma conquista, deve ser desenvolvida. Assim, esforce-se em fazer o bem ao seu alcance. Um dia, à custa de seu esforço, você será sublime. Então, mundos de paz e bem-aventurança abrirão suas portas para você. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. 
Em 30.1.2019.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

ELDAD e MEDAD

PAULO ALVES GODOY
Ao se falar a respeito de comunicação com os mortos, lembram alguns da proibição feita por Moisés. No entanto, o que Moisés proibiu foram os abusos reinantes em sua época. Estabeleceu exatamente a mesma norma que o Espiritismo recomenda: evitar a invocação de Espíritos para fins menos elevados, para consultas frívolas ou para obter informações do terra-a-terra. O que Moisés combatia era o uso da mediunidade sem objetivos sérios. Por outro lado, aplaudia toda vez que reconhecia a seriedade com que médiuns idôneos falavam com os Espíritos. A prova do que afirmamos se encontra no livro bíblico de Números, capítulo onze. Um moço foi denunciar a Moisés que dois médiuns, de nome Eldad e Medad, estavam recebendo comunicações mediúnicas. Imediatamente, seu assessor mais direto, Josué, falou: 
-Moisés, proibe-lhes. 
Contudo, o libertador do povo hebreu disse: 
-Tens tu ciúme por mim? Quisera eu que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhe desse o seu Espírito! 
Essa atitude deixa bem claro que a sua proibição não atingia os médiuns sérios e conscientes dos seus deveres. Somente aqueles que não se preocupavam com a verdade e, por isso mesmo, se tornavam levianos porta-vozes dos Espíritos mentirosos e enganadores. Ele mesmo, Moisés, entrava em contato com o Espírito Jeová, o Espírito protetor da nação israelita. Não existe lógica, portanto, em se afirmar que a proibição de Moisés fosse irrestrita. As páginas do Velho e do Novo Testamento estão cheias de demonstrações do intercâmbio dos homens com o mundo invisível. No dia de Pentecostes, todos os Apóstolos foram inspirados pelos Espíritos. Ocorreu aí a maior sessão coletiva de mediunidade, na história religiosa do mundo. Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios, recebeu em seu quarto a visita de um Espírito que lhe pede que vá à Macedônia, para esclarecer o seu povo a respeito dos ensinos da Boa Nova. E, na sua Primeira Epístola aos Coríntios, afirma que a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. A cada um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria. E a outro, pelo mesmo Espírito, é dada a palavra da ciência. E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé. E a outro, o dom de curar. Finalmente, diz o Apóstolo tarsense: 
-Todos podeis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam, e todos sejam consolados. 
O fato ocorrido com os médiuns Eldad e Medad é suficiente para provar que Moisés proibia somente a mediunidade sem escrúpulos, a que visa atender a própria vaidade ou aos interesses terrenos. Nada tem a ver com a mediunidade que se torna sublime atendimento ao irmão, no consolo, no esclarecimento, no arrefecer das dores. Na atualidade, não é mais possível se fazer silenciar as vozes dos Espíritos, porque estamos vivendo os tempos de que o profeta hebreu Joel falou: 
-O Espírito será derramado sobre toda a carne. Época em que as pedras falarão. 
As pedras, se referindo aqui às lápides dos túmulos. No sentido alegórico, os Espíritos que, um dia, habitaram os corpos que se encontram enterrados debaixo delas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. I, item os médiuns Eldad e Medad, do livro O evangelho pede licença, de Paulo Alves Godoy, ed. FEESP. 
Em 4.3.2014.