segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A IMENSA ALEGRIA DE SERVIR

GABRIELA MISTRAL
Toda natureza é um desejo de serviço. Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco. Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu. Onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu. Onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu. Sê quem tira: a pedra do caminho, o ódio dos corações e as dificuldades dos problemas. Há a alegria de ser sincero e de ser justo. Há, porém, mais do que isso, a imensa alegria de servir. Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, se não houvesse uma roseira para plantar, uma iniciativa para lutar! Não te seduzam as obras fáceis. É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar. Não cometas, porém, o erro de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras. Há pequenos préstimos que são bons serviços: enfeitar uma mesa. Arrumar uns livros. Pentear uma criança. Aquele é quem critica, este é quem destrói; sê tu quem serve. Servir não é próprio dos seres inferiores: Deus, que nos dá fruto e luz, serve. Poderia chamar-se: O Servidor. E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos e pergunta-nos todos os dias: Serviste hoje?
*   *   *
Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma proposta de vida maravilhosa.
O poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro, fosse o servo de todos.
Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.
Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.
Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade – merecendo colher o mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.
Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências enriquecedoras.
Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?
Redação do Momento Espírita, com base no poema

A imensa alegria de servir, de Gabriela Mistral.

domingo, 27 de janeiro de 2019

É JÁ ANO NOVO OUTRA VEZ

Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas... É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o Novo Ano. Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia. Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos? Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que atesta da pouca disposição em perseguir os itens elencados. Ano Novo deve ter um significado especial. Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação. Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional. Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares. Sair mais com as crianças, não somente para passeios como a praia, a viagem de férias. Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete. Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete. Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar. Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses? Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir. Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um Olá, desejar Boa viagem, Feliz aniversário! Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso. Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista. E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial. Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma. Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo. Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista. Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola. Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois. Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o Novo Ano. Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória. Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida!
Redação do Momento Espírita. 
Em 31.12.2018.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A GRANDE DIFERENÇA

Elisabeth Klüber-Ross
Os alunos residentes estavam reunidos discutindo suas dificuldades. Todos eram unânimes em afirmar que o maior problema no hospital era o Dr. M. Ninguém gostava daquele médico que tinha aos seus cuidados pacientes portadores de câncer. Ele era brilhante em seu trabalho, mas intolerável no trato pessoal. Era áspero, arrogante e nunca admitia que alguém falasse que um de seus pacientes iria morrer. A médica psiquiatra que a tudo escutava, inesperadamente falou: 
-Não se pode ajudar uma outra pessoa sem gostar um pouquinho dela. Há alguém aqui que goste dele? 
Depois de muitas caretas, risos e gestos hostis, uma moça ergueu a mão hesitante. Era uma enfermeira. 
-Vocês não conhecem esse homem, ela começou. Não conhecem a pessoa que ele é. Todas as noites, depois que todos os médicos já se retiraram, ele visita os pacientes. Começa no quarto mais distante do posto de enfermagem e vem seguindo, entrando de quarto em quarto. Quando entra no primeiro, parece seguro, confiante, de cabeça alta. Mas, de cada quarto que sai, suas costas vão se curvando mais. Quando sai do último quarto, está arrasado. Sem alegria, esperança ou satisfação por seu trabalho. O que eu mais desejaria é quando ele está assim triste, pousar minha mão no seu ombro, como uma amiga. Mas nunca o fiz porque sou só uma enfermeira e ele é o chefe do departamento de Oncologia. 
Nos momentos seguintes, todos se uniram e insistiram para que ela se esforçasse e seguisse o impulso do seu coração. Aquele homem precisava de ajuda. Uma semana depois, reunidos novamente, a enfermeira entrou sorridente e disse: 
-Consegui. 
Na sexta-feira anterior, ela vira o médico sair arrasado do plantão. Dois dos seus pacientes haviam morrido naquele dia. Aproximou-se dele e, inesperadamente, ele a levou para o seu consultório e desabafou. Ele falou como sonhava curar seus pacientes, enquanto os seus amigos, da mesma idade que ele, estavam constituindo família. Sua vida tinha sido aprender uma especialidade. Agora, ele ocupava uma posição que podia fazer a diferença para a vida dos enfermos. E, no entanto, todos eles morriam. Um após outro, todos morriam. Ele era um homem acabado, vencido. Quando ouviram essa história, os residentes se deram conta de como todos somos frágeis e necessitados de afeto. Também de como uma pessoa tem o poder extraordinário de curar outras, apenas tomando coragem e agindo sob o impulso do coração. Um ano depois, o Dr. M. era outro homem. Abriu o seu coração às pessoas e redescobriu as maravilhosas qualidades que possuía, o afeto e a compreensão que o haviam motivado a se tornar um médico. 
 * * * 
Um gesto, uma atitude, um olhar podem mudar a vida de uma criatura. Pessoas ásperas, de trato rude, quase sempre estão ocultando as suas mágoas e pesares profundos. Por vezes, basta um pequeno toque para que elas abram o coração e demonstrem toda a sua fragilidade. E o que faz a grande diferença na vida de tais pessoas é a demonstração de afeto, que pode ser de um grande amor, de um amigo, de um irmão ou de um colega de trabalho. Por tudo isso, esteja atento. Olhe ao redor e descubra se você, com sua atitude, não pode fazer a grande diferença na vida de alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 20, do livro A roda da vida, de Elisabeth Klüber-Ross, ed. Sextante. 
Em 25.1.2019.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO

Antônio Carlos Jobim
Você já imaginou se todas as pessoas fossem idênticas a você, neste mundo? Todos tivessem pensamentos iguais, sentimentos iguais, gostos iguais aos seus? Ninguém para lhe contrapor uma ideia, ninguém que contrariasse seus desejos, e muitos que agissem exatamente como você. E se todas as pessoas gostassem dos mesmos filmes, dos mesmos alimentos, das mesmas festas, dos mesmos times de futebol, dos mesmos carros, e de frequentar os mesmos lugares? Será que a vida teria graça? Ou será que isso seria um real motivo para a infelicidade? Imagine se todos vestissem roupas das mesmas cores, dos mesmos modelos, da mesma marca. Isso causaria tédio. Se todos fôssemos idênticos não haveria graça nem crescimento. Nós precisamos uns dos outros para sermos felizes. Precisamos de pessoas que pensem diferente, que sintam diferente, que ajam diferente, porque é a soma das diferenças que produz a felicidade. Precisamos trocar experiências, discutir idéias, concordar e discordar. É essa dinâmica da vida que nos dá motivos para viver e crescer realmente. Por isso as diferenças são salutares, são incentivo e estímulo para o nosso progresso. A felicidade é uma propriedade do Espírito, mas só é conquistada na vida de relação. As emoções que sentimos só são possíveis porque existe o outro. Se não houvesse o outro não teríamos como avaliar nossos sentimentos. Sem o inter-relacionamento seríamos ilhas, isoladas, e a vida não teria sentido. Podemos afirmar, então, que a felicidade é uma conquista social. Por tudo isso, vale a pena pensar na importância das pessoas em nossa vida, por mais problemáticas que elas sejam. São elas que dão significado à vida e nos permitem a felicidade. Portanto, as pessoas são mais importantes que os bens materiais e o dinheiro. Imagine que você tivesse muito dinheiro, a casa de seus sonhos, com a mobília mais sofisticada possível, roupas maravilhosas e comida abundante. Mas tudo isso ao preço de nunca mais ver ou ser visto por qualquer ser humano. Você ficaria contente? Ou será que enlouqueceria? Só se é feliz em sociedade. Como disse o poeta Antônio Carlos Jobim, é impossível ser feliz sozinho. De que adianta ter beleza, dinheiro, bens, se não tiver olhos para contemplar a beleza, companhia para gastar o dinheiro e alguém para admirar nossos bens? Assim também acontece no campo dos sentimentos. De que adianta ter a mente mais brilhante, o coração mais afetuoso sem ninguém para dividir esses tesouros? E somente podemos interagir dessa forma com outras pessoas. Não podemos trocar idéias com coisas ou animais. As coisas não interagem e os animais não trocam idéias... Restam os seres humanos. É com eles que construímos e dividimos a nossa felicidade. Por isso é importante que o outro seja diferente. Não há crescimento sem antagonismos. Se todos fôssemos iguais não haveria progresso. É na harmonia dessas diferenças que está a beleza da relação entre os seres racionais. Do homo sapiens. Pense nisso. Analise sua vida de relação. Observe como o contato com as outras pessoas lhe possibilita ser feliz. E lembre-se sempre: as pessoas não são e nem podem ser idênticas a você. 
 * * * 
A felicidade não é um lugar aonde chegaremos um dia, é uma forma de vida, é uma maneira de caminhar. 
Redação do Momento Espírita, com base em Seminário coordenado por Cosme Massi, realizado na Federação Espírita do Paraná, em 19/04/2004. Disponível no CD Momento Espírita, v. 10, ed. Fep. 
Em 11.05.2009.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A HISTÓRIA DAS MÃES FELIZES

Narra famoso escritor árabe que uma jovem mãe iniciou a grande jornada pela estrada incerta da vida. Trazia no peito apreensões pois não tinha certeza se teria condições de educar bem os seus filhos. A existência lhe transcorria feliz, em companhia de seus pequenos. Brincava com eles, colhia para eles as mais lindas flores. O sol brilhava, inundando a Terra com torrentes de luz. Ela agradecia a Deus, acreditando que jamais poderia ser mais feliz do que era. No entanto, veio a noite com seu manto pesado e sombrio. Desabou o temporal. O vento gritava alto. A natureza toda parecia enfurecida, num concerto desesperador. Os pequenos se encolhiam, trêmulos de medo e choravam. A jovem mãe os aconchegou contra o peito e os agasalhou com sua própria túnica. As crianças se acalmaram, sentindo-se seguras no regaço materno. A mãe, sorridente, ergueu uma prece aos céus, por ter podido proteger os seus filhos e lhes lançar nos corações a lição da confiança e da coragem. Os dias se sucederam, cada qual com sua lição preciosa de vida. Finalmente, um grande cataclismo aconteceu. Fez-se noite em pleno dia. A morte começou a visitar todos os lares, rondando por toda parte. As crianças se apavoraram e começaram a chorar. Mas a mãe lhes dizia: 
-Confiai em Deus, confiai. Ele não nos abandonará. 
Os pequenos confiaram em Deus. Oraram e se acalmaram. Nesse dia, a mãe teve muito a agradecer a Deus. Agradeceu pela grande oportunidade de ter ensinado aos seus filhos a respeito da confiança em Deus, na Sua misericórdia. E acreditou que aquele sim era o dia mais feliz de sua vida. Os anos se sucederam. A jovem mãe nevou os cabelos e traçou rugas no rosto. O passo foi se tornando cansado, mais lento e dificultoso. Mas os filhos eram bons e dedicados. Um dia, a boa velhinha partiu para o mundo espiritual. Despediu-se e com serenidade abandonou o corpo. Os filhos tiveram a nítida impressão de que largos portões se abriram para lhe receber o Espírito. E, enquanto ela ingressava feliz na Espiritualidade, olharam-se, dizendo: A lembrança de nossa mãe viverá para sempre em nossos corações. Eduquemos os nossos filhos como ela nos educou: na bondade, na obediência, no amor, na confiança em Deus. 
* * *
Será que temos aproveitado todos os momentos de dificuldades para ensinar valores positivos aos nossos filhos? Será que temos lembrado de, ante o desemprego que a tantos atinge, ensinar aos nossos filhos o valor do esforço para viver honestamente, enfrentando a adversidade? Temos lhes falado a respeito do valor moral do dinheiro? De como o devemos empregar, sem abusos ou excessos? Temos lhes ensinado o valor da oração? Temos lhes falado da fé que remove as montanhas, vence os abismos e nos permite superar os desafios da vida? Pais e mães: lembremo-nos da nossa missão que é conduzir para o Criador os Espíritos dos filhos que foram confiados por Ele, à nossa guarda. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto A parábola das mães felizes, de Malba Tahan. 
Em 24.1.2019.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A IMPORTÂNCIA DA INFÂNCIA

ALAN KARDEC
Qual a utilidade da infância para o Espírito que retorna à Terra através da reencarnação? Por que, como seres humanos, temos uma infância tão longa, comparada a todos os animais irracionais? A resposta a estas perguntas tem nuances muito interessantes e importantes para nossa vida. Primeiramente precisamos compreender que esse ser pequenino, que os genitores conduzem em seus braços carinhosos, não passa de milenário viajor da evolução para o Criador. Sim, exatamente: um Espírito imortal que volta ao orbe terrestre com objetivos muito claros, envolvendo a auto-superação, a reestruturação do caráter moral e abrilhantamento intelectual. Este ser passa sempre por um processo de esquecimento do passado, recebendo a nova existência como uma nova oportunidade. É um verdadeiro começar de novo. Renasce desprotegido, totalmente dependente, inspirando cuidados e amor a todos que estão ao seu redor. Para não lhe impor uma severidade muito grande, Deus lhe dá todo o toque da inocência. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que era antes. Não, é a imagem do que deveria ser. E a bondade e beleza dos desígnios divinos não param por aí, pois não é apenas por esse ser que o Criador lhe dá esse aspecto. É também e, principalmente, por seus pais, cujo amor é necessário para sua fragilidade. Esse amor seria notoriamente enfraquecido frente a um caráter impertinente e rude, ao passo que, ao acreditar que seus filhos são bons e dóceis, os pais lhes dão toda afeição e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados. Ainda há uma segunda razão, uma segunda utilidade para o período conhecido como infância. O Espírito, encarnado para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento. A criança é verdadeira esponja a sorver tudo o que acontece à sua volta. Através dos exemplos que recebe, molda sua nova personalidade com características saudáveis ou não. O que virem como usual no comportamento dos progenitores e tutores, tomarão para si com facilidade muito grande. Imitarão o palavreado, os gestos e as atitudes frente a esta ou aquela situação. É desta forma que aqueles que estão encarregados de sua educação desempenham um papel fundamental. Assim, eis a séria advertência do Espiritismo aos pais e educadores: Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus, que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios, e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os brotos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. 
Redação do Momento Espírita, com base nos itens 383 e 385 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB; no cap. XIV, item 9, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB e na pt. 1, do livro Desafios da educação, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 23.1.2019.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

EGOÍSMO

O egoísmo é a fonte da maioria absoluta dos males que assolam a Humanidade. A exagerada preocupação com os próprios interesses faz com que qualquer coisa que os contrarie tome desmedida importância. Essa forma equivocada e rasteira de perceber a vida a todos prejudica. Primeiro, tira a paz do próprio egoísta, que se angustia em suas tentativas de submeter o mundo aos seus interesses. Segundo, causa danos à sociedade, que não pode ser harmônica enquanto seus integrantes se digladiam. Já a solidariedade e a preocupação com o bem-estar coletivo disseminam a felicidade. Tome-se como exemplo a questão da segurança. Os habitantes das grandes cidades vivem em estado de alerta, com medo de serem molestados. Quem pode contrata serviço de vigilância para sua residência. Há preocupação constante com os filhos e os parentes em geral. Teme-se um assalto, um sequestro relâmpago, um golpe de qualquer ordem. Tal situação é típica de uma sociedade egoísta. Se a preocupação com os próprios interesses fosse menor, poderiam ser encontradas formas de resolver o problema. Mas, para isso, o objetivo das criaturas não poderia ser fazer crescer a qualquer custo o próprio patrimônio. É bom e natural que os homens se preocupem em conquistar bens que lhes garantam uma vida digna, e fomentem o progresso. Mas quando a busca das coisas materiais é exacerbada, ela causa grandes problemas. Numa sociedade em que a grande maioria está despreocupada com o bem-estar coletivo, as disparidades crescem. É impossível que todos conquistem exatamente o mesmo nível de conforto. Os homens são diferentes em talentos e habilidades. Mas é necessário assegurar condições para que todos conquistem o mínimo indispensável a um viver digno. Quando o homem consegue ver o próximo como um semelhante, torna-se solidário. A dor do outro dói tanto quanto a sua. A miséria e o desemprego na casa do vizinho são tão trágicos como se fossem na sua residência. Imagine como seria bom viver em uma sociedade segura. Sair tranqüilo na rua, mesmo à noite. Mandar seus filhos para a escola, certo de que ninguém os molestaria. Está nas mãos de todos adotar as providências iniciais para uma reforma social. Essa reforma principia pela modificação do próprio comportamento. A reforma íntima é uma dura batalha. É mais fácil vencer os outros do que a si mesmo. Mas não há equívocos no Universo, que é regido pela Sabedoria Divina. Cada qual vive no meio que lhe é mais adequado. Se você deseja viver em paz, comece a burilar o seu interior. Preste atenção em todas as suas atitudes que revelam egoísmo. Esse egoísmo pode ser pessoal, familiar ou de classe. Analise o que você deseja para você, para sua família ou para sua classe profissional. Há como estender tais vantagens para os outros? O custo de suas regalias não é excessivamente alto para os semelhantes? Certamente vale a pena moderar um pouco os próprios anseios, em prol de uma vida harmoniosa. De nada adianta enriquecer causando o empobrecimento alheio. Não é possível viver em paz em meio à miséria e a dor dos semelhantes. A genuína felicidade surge quando se aprende a compartilhar. Quem experimenta a ventura da solidariedade jamais volta atrás. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 21.11.2008.