sábado, 26 de janeiro de 2019

A GRANDE DIFERENÇA

Elisabeth Klüber-Ross
Os alunos residentes estavam reunidos discutindo suas dificuldades. Todos eram unânimes em afirmar que o maior problema no hospital era o Dr. M. Ninguém gostava daquele médico que tinha aos seus cuidados pacientes portadores de câncer. Ele era brilhante em seu trabalho, mas intolerável no trato pessoal. Era áspero, arrogante e nunca admitia que alguém falasse que um de seus pacientes iria morrer. A médica psiquiatra que a tudo escutava, inesperadamente falou: 
-Não se pode ajudar uma outra pessoa sem gostar um pouquinho dela. Há alguém aqui que goste dele? 
Depois de muitas caretas, risos e gestos hostis, uma moça ergueu a mão hesitante. Era uma enfermeira. 
-Vocês não conhecem esse homem, ela começou. Não conhecem a pessoa que ele é. Todas as noites, depois que todos os médicos já se retiraram, ele visita os pacientes. Começa no quarto mais distante do posto de enfermagem e vem seguindo, entrando de quarto em quarto. Quando entra no primeiro, parece seguro, confiante, de cabeça alta. Mas, de cada quarto que sai, suas costas vão se curvando mais. Quando sai do último quarto, está arrasado. Sem alegria, esperança ou satisfação por seu trabalho. O que eu mais desejaria é quando ele está assim triste, pousar minha mão no seu ombro, como uma amiga. Mas nunca o fiz porque sou só uma enfermeira e ele é o chefe do departamento de Oncologia. 
Nos momentos seguintes, todos se uniram e insistiram para que ela se esforçasse e seguisse o impulso do seu coração. Aquele homem precisava de ajuda. Uma semana depois, reunidos novamente, a enfermeira entrou sorridente e disse: 
-Consegui. 
Na sexta-feira anterior, ela vira o médico sair arrasado do plantão. Dois dos seus pacientes haviam morrido naquele dia. Aproximou-se dele e, inesperadamente, ele a levou para o seu consultório e desabafou. Ele falou como sonhava curar seus pacientes, enquanto os seus amigos, da mesma idade que ele, estavam constituindo família. Sua vida tinha sido aprender uma especialidade. Agora, ele ocupava uma posição que podia fazer a diferença para a vida dos enfermos. E, no entanto, todos eles morriam. Um após outro, todos morriam. Ele era um homem acabado, vencido. Quando ouviram essa história, os residentes se deram conta de como todos somos frágeis e necessitados de afeto. Também de como uma pessoa tem o poder extraordinário de curar outras, apenas tomando coragem e agindo sob o impulso do coração. Um ano depois, o Dr. M. era outro homem. Abriu o seu coração às pessoas e redescobriu as maravilhosas qualidades que possuía, o afeto e a compreensão que o haviam motivado a se tornar um médico. 
 * * * 
Um gesto, uma atitude, um olhar podem mudar a vida de uma criatura. Pessoas ásperas, de trato rude, quase sempre estão ocultando as suas mágoas e pesares profundos. Por vezes, basta um pequeno toque para que elas abram o coração e demonstrem toda a sua fragilidade. E o que faz a grande diferença na vida de tais pessoas é a demonstração de afeto, que pode ser de um grande amor, de um amigo, de um irmão ou de um colega de trabalho. Por tudo isso, esteja atento. Olhe ao redor e descubra se você, com sua atitude, não pode fazer a grande diferença na vida de alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 20, do livro A roda da vida, de Elisabeth Klüber-Ross, ed. Sextante. 
Em 25.1.2019.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO

Antônio Carlos Jobim
Você já imaginou se todas as pessoas fossem idênticas a você, neste mundo? Todos tivessem pensamentos iguais, sentimentos iguais, gostos iguais aos seus? Ninguém para lhe contrapor uma ideia, ninguém que contrariasse seus desejos, e muitos que agissem exatamente como você. E se todas as pessoas gostassem dos mesmos filmes, dos mesmos alimentos, das mesmas festas, dos mesmos times de futebol, dos mesmos carros, e de frequentar os mesmos lugares? Será que a vida teria graça? Ou será que isso seria um real motivo para a infelicidade? Imagine se todos vestissem roupas das mesmas cores, dos mesmos modelos, da mesma marca. Isso causaria tédio. Se todos fôssemos idênticos não haveria graça nem crescimento. Nós precisamos uns dos outros para sermos felizes. Precisamos de pessoas que pensem diferente, que sintam diferente, que ajam diferente, porque é a soma das diferenças que produz a felicidade. Precisamos trocar experiências, discutir idéias, concordar e discordar. É essa dinâmica da vida que nos dá motivos para viver e crescer realmente. Por isso as diferenças são salutares, são incentivo e estímulo para o nosso progresso. A felicidade é uma propriedade do Espírito, mas só é conquistada na vida de relação. As emoções que sentimos só são possíveis porque existe o outro. Se não houvesse o outro não teríamos como avaliar nossos sentimentos. Sem o inter-relacionamento seríamos ilhas, isoladas, e a vida não teria sentido. Podemos afirmar, então, que a felicidade é uma conquista social. Por tudo isso, vale a pena pensar na importância das pessoas em nossa vida, por mais problemáticas que elas sejam. São elas que dão significado à vida e nos permitem a felicidade. Portanto, as pessoas são mais importantes que os bens materiais e o dinheiro. Imagine que você tivesse muito dinheiro, a casa de seus sonhos, com a mobília mais sofisticada possível, roupas maravilhosas e comida abundante. Mas tudo isso ao preço de nunca mais ver ou ser visto por qualquer ser humano. Você ficaria contente? Ou será que enlouqueceria? Só se é feliz em sociedade. Como disse o poeta Antônio Carlos Jobim, é impossível ser feliz sozinho. De que adianta ter beleza, dinheiro, bens, se não tiver olhos para contemplar a beleza, companhia para gastar o dinheiro e alguém para admirar nossos bens? Assim também acontece no campo dos sentimentos. De que adianta ter a mente mais brilhante, o coração mais afetuoso sem ninguém para dividir esses tesouros? E somente podemos interagir dessa forma com outras pessoas. Não podemos trocar idéias com coisas ou animais. As coisas não interagem e os animais não trocam idéias... Restam os seres humanos. É com eles que construímos e dividimos a nossa felicidade. Por isso é importante que o outro seja diferente. Não há crescimento sem antagonismos. Se todos fôssemos iguais não haveria progresso. É na harmonia dessas diferenças que está a beleza da relação entre os seres racionais. Do homo sapiens. Pense nisso. Analise sua vida de relação. Observe como o contato com as outras pessoas lhe possibilita ser feliz. E lembre-se sempre: as pessoas não são e nem podem ser idênticas a você. 
 * * * 
A felicidade não é um lugar aonde chegaremos um dia, é uma forma de vida, é uma maneira de caminhar. 
Redação do Momento Espírita, com base em Seminário coordenado por Cosme Massi, realizado na Federação Espírita do Paraná, em 19/04/2004. Disponível no CD Momento Espírita, v. 10, ed. Fep. 
Em 11.05.2009.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A HISTÓRIA DAS MÃES FELIZES

Narra famoso escritor árabe que uma jovem mãe iniciou a grande jornada pela estrada incerta da vida. Trazia no peito apreensões pois não tinha certeza se teria condições de educar bem os seus filhos. A existência lhe transcorria feliz, em companhia de seus pequenos. Brincava com eles, colhia para eles as mais lindas flores. O sol brilhava, inundando a Terra com torrentes de luz. Ela agradecia a Deus, acreditando que jamais poderia ser mais feliz do que era. No entanto, veio a noite com seu manto pesado e sombrio. Desabou o temporal. O vento gritava alto. A natureza toda parecia enfurecida, num concerto desesperador. Os pequenos se encolhiam, trêmulos de medo e choravam. A jovem mãe os aconchegou contra o peito e os agasalhou com sua própria túnica. As crianças se acalmaram, sentindo-se seguras no regaço materno. A mãe, sorridente, ergueu uma prece aos céus, por ter podido proteger os seus filhos e lhes lançar nos corações a lição da confiança e da coragem. Os dias se sucederam, cada qual com sua lição preciosa de vida. Finalmente, um grande cataclismo aconteceu. Fez-se noite em pleno dia. A morte começou a visitar todos os lares, rondando por toda parte. As crianças se apavoraram e começaram a chorar. Mas a mãe lhes dizia: 
-Confiai em Deus, confiai. Ele não nos abandonará. 
Os pequenos confiaram em Deus. Oraram e se acalmaram. Nesse dia, a mãe teve muito a agradecer a Deus. Agradeceu pela grande oportunidade de ter ensinado aos seus filhos a respeito da confiança em Deus, na Sua misericórdia. E acreditou que aquele sim era o dia mais feliz de sua vida. Os anos se sucederam. A jovem mãe nevou os cabelos e traçou rugas no rosto. O passo foi se tornando cansado, mais lento e dificultoso. Mas os filhos eram bons e dedicados. Um dia, a boa velhinha partiu para o mundo espiritual. Despediu-se e com serenidade abandonou o corpo. Os filhos tiveram a nítida impressão de que largos portões se abriram para lhe receber o Espírito. E, enquanto ela ingressava feliz na Espiritualidade, olharam-se, dizendo: A lembrança de nossa mãe viverá para sempre em nossos corações. Eduquemos os nossos filhos como ela nos educou: na bondade, na obediência, no amor, na confiança em Deus. 
* * *
Será que temos aproveitado todos os momentos de dificuldades para ensinar valores positivos aos nossos filhos? Será que temos lembrado de, ante o desemprego que a tantos atinge, ensinar aos nossos filhos o valor do esforço para viver honestamente, enfrentando a adversidade? Temos lhes falado a respeito do valor moral do dinheiro? De como o devemos empregar, sem abusos ou excessos? Temos lhes ensinado o valor da oração? Temos lhes falado da fé que remove as montanhas, vence os abismos e nos permite superar os desafios da vida? Pais e mães: lembremo-nos da nossa missão que é conduzir para o Criador os Espíritos dos filhos que foram confiados por Ele, à nossa guarda. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto A parábola das mães felizes, de Malba Tahan. 
Em 24.1.2019.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A IMPORTÂNCIA DA INFÂNCIA

ALAN KARDEC
Qual a utilidade da infância para o Espírito que retorna à Terra através da reencarnação? Por que, como seres humanos, temos uma infância tão longa, comparada a todos os animais irracionais? A resposta a estas perguntas tem nuances muito interessantes e importantes para nossa vida. Primeiramente precisamos compreender que esse ser pequenino, que os genitores conduzem em seus braços carinhosos, não passa de milenário viajor da evolução para o Criador. Sim, exatamente: um Espírito imortal que volta ao orbe terrestre com objetivos muito claros, envolvendo a auto-superação, a reestruturação do caráter moral e abrilhantamento intelectual. Este ser passa sempre por um processo de esquecimento do passado, recebendo a nova existência como uma nova oportunidade. É um verdadeiro começar de novo. Renasce desprotegido, totalmente dependente, inspirando cuidados e amor a todos que estão ao seu redor. Para não lhe impor uma severidade muito grande, Deus lhe dá todo o toque da inocência. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que era antes. Não, é a imagem do que deveria ser. E a bondade e beleza dos desígnios divinos não param por aí, pois não é apenas por esse ser que o Criador lhe dá esse aspecto. É também e, principalmente, por seus pais, cujo amor é necessário para sua fragilidade. Esse amor seria notoriamente enfraquecido frente a um caráter impertinente e rude, ao passo que, ao acreditar que seus filhos são bons e dóceis, os pais lhes dão toda afeição e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados. Ainda há uma segunda razão, uma segunda utilidade para o período conhecido como infância. O Espírito, encarnado para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento. A criança é verdadeira esponja a sorver tudo o que acontece à sua volta. Através dos exemplos que recebe, molda sua nova personalidade com características saudáveis ou não. O que virem como usual no comportamento dos progenitores e tutores, tomarão para si com facilidade muito grande. Imitarão o palavreado, os gestos e as atitudes frente a esta ou aquela situação. É desta forma que aqueles que estão encarregados de sua educação desempenham um papel fundamental. Assim, eis a séria advertência do Espiritismo aos pais e educadores: Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus, que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios, e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os brotos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. 
Redação do Momento Espírita, com base nos itens 383 e 385 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB; no cap. XIV, item 9, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB e na pt. 1, do livro Desafios da educação, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 23.1.2019.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

EGOÍSMO

O egoísmo é a fonte da maioria absoluta dos males que assolam a Humanidade. A exagerada preocupação com os próprios interesses faz com que qualquer coisa que os contrarie tome desmedida importância. Essa forma equivocada e rasteira de perceber a vida a todos prejudica. Primeiro, tira a paz do próprio egoísta, que se angustia em suas tentativas de submeter o mundo aos seus interesses. Segundo, causa danos à sociedade, que não pode ser harmônica enquanto seus integrantes se digladiam. Já a solidariedade e a preocupação com o bem-estar coletivo disseminam a felicidade. Tome-se como exemplo a questão da segurança. Os habitantes das grandes cidades vivem em estado de alerta, com medo de serem molestados. Quem pode contrata serviço de vigilância para sua residência. Há preocupação constante com os filhos e os parentes em geral. Teme-se um assalto, um sequestro relâmpago, um golpe de qualquer ordem. Tal situação é típica de uma sociedade egoísta. Se a preocupação com os próprios interesses fosse menor, poderiam ser encontradas formas de resolver o problema. Mas, para isso, o objetivo das criaturas não poderia ser fazer crescer a qualquer custo o próprio patrimônio. É bom e natural que os homens se preocupem em conquistar bens que lhes garantam uma vida digna, e fomentem o progresso. Mas quando a busca das coisas materiais é exacerbada, ela causa grandes problemas. Numa sociedade em que a grande maioria está despreocupada com o bem-estar coletivo, as disparidades crescem. É impossível que todos conquistem exatamente o mesmo nível de conforto. Os homens são diferentes em talentos e habilidades. Mas é necessário assegurar condições para que todos conquistem o mínimo indispensável a um viver digno. Quando o homem consegue ver o próximo como um semelhante, torna-se solidário. A dor do outro dói tanto quanto a sua. A miséria e o desemprego na casa do vizinho são tão trágicos como se fossem na sua residência. Imagine como seria bom viver em uma sociedade segura. Sair tranqüilo na rua, mesmo à noite. Mandar seus filhos para a escola, certo de que ninguém os molestaria. Está nas mãos de todos adotar as providências iniciais para uma reforma social. Essa reforma principia pela modificação do próprio comportamento. A reforma íntima é uma dura batalha. É mais fácil vencer os outros do que a si mesmo. Mas não há equívocos no Universo, que é regido pela Sabedoria Divina. Cada qual vive no meio que lhe é mais adequado. Se você deseja viver em paz, comece a burilar o seu interior. Preste atenção em todas as suas atitudes que revelam egoísmo. Esse egoísmo pode ser pessoal, familiar ou de classe. Analise o que você deseja para você, para sua família ou para sua classe profissional. Há como estender tais vantagens para os outros? O custo de suas regalias não é excessivamente alto para os semelhantes? Certamente vale a pena moderar um pouco os próprios anseios, em prol de uma vida harmoniosa. De nada adianta enriquecer causando o empobrecimento alheio. Não é possível viver em paz em meio à miséria e a dor dos semelhantes. A genuína felicidade surge quando se aprende a compartilhar. Quem experimenta a ventura da solidariedade jamais volta atrás. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 21.11.2008.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O NOSSO EGOÍSMO DE CADA DIA!

Diariamente, há inúmeras demonstrações de egoísmo partindo de nós ou à nossa volta. É o motorista que para o carro em fila dupla, só por um minutinho. O torcedor que, para festejar a vitória do seu time esportivo, sai com seu carro buzinando pelas ruas, independente da hora e do local. É o religioso que, a pretexto de atender os seus fiéis, transmite seu ato litúrgico através de auto-falantes. O passageiro que entra no transporte coletivo e corre para pegar o lugar vazio, sem olhar se tem algum idoso, alguma senhora grávida, ou uma mãe com criança, que precisaria trafegar melhor acomodado. São as comemorações com fogos de artifício, sem se cogitar de enfermos nos hospitais, crianças dormindo nas casas. É aquele que procura furar a fila, tentando um jeitinho, desconsiderando os que chegaram antes dele. São os pais que se portam com intolerância e irritação, quando o filho pequenino não se porta adequadamente no restaurante, exigindo-lhe atenção e ocasionando demora à sua refeição. Dificultar a circulação de veículos, por não dar a vez ao motorista que está saindo da garagem, de estacionamento ou tentando entrar numa via preferencial. Com o pretexto de estar com pressa, tratar os familiares com grosseria e estupidez. Prender a porta do elevador enquanto conclui a conversa ou se despede demoradamente. Estacionar o seu veículo, sem observar se está ocupando mais de uma vaga, ou se não vai trancar ou dificultar a movimentação dos demais veículos. Infelizmente, há muitos exemplos a serem dados de egoísmo explícito. O egoísmo é um dos grandes males da Humanidade, também por ser fonte geratriz de orgulho, de prepotência, de ingratidão, de desordem, de rebeldia, de violência, de sovinice, de indiferença. A primeira providência para combater esse mal em nós é examinar-nos com atenção e intenção, identificando as atitudes egoístas de cada dia, desde as mais pequeninas até às mais relevantes. Depois, começar a dobrar essa personalidade equivocada, impondo-se medidas corretivas, intencionalmente corretivas. 
Eis algumas dicas bem singelas: em casa, não se apressar ou atropelar tudo e todos, para ter tempo de assistir a telenovela ou ao telejornal; não deixar as crianças com fome, esperando que você termine de assistir a esse ou aquele programa na televisão, ou que você conclua a longa conversa ao telefone; se o seu filho lhe pedir para brincarem juntos, deixe a leitura do jornal ou da revista para depois, e vá diverti-lo, com toda a atenção e boa vontade; se estiver cuidando do seu filho, busque atividades que digam respeito à idade e à vontade dele, e não insistir para que ele faça o que você quer. Não fique ao lado dele, somente, enquanto ele brinca. Brinque com ele, role no chão, viva o mundo dele; sentado à mesa para a refeição, procure servir aos demais, em primeiro lugar, com paciência e zelo; quando for tomar banho, faça-o adequadamente, mas com rapidez. Tem gente na fila; ao terminar seu banho, deixe o banheiro em condições de uso para os outros, para que esses não tenham que fazer uma faxina antes de usar; ao invés de ficar pedindo pelas coisas em casa, antecipe-se e providencie o que você quer, por conta própria; ajude na arrumação da casa, cuidando para não bagunçá-la; ao se levantar pela manhã, faça-o sem pressa, arrume sua cama, ajude no atendimento dos menores, providencie o café da manhã, trate a todos com cortesia e simpatia; ao sair de casa, seja cortês no trânsito, no transporte coletivo, nas ruas, nos elevadores, para com os atendentes, para com os colegas de trabalho. O egoísmo deve ser sobreposto pelo altruísmo. No egoísmo você é o único e o primeiro. No altruísmo, o próximo existe e merece toda a sua dedicação. Amar ao próximo como a si mesmo, já ensinou Jesus há mais de dois mil anos. Está mais do que na hora de modificar o egoísmo nosso de cada dia, para o altruísmo nosso de todos os dias. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 07.06.2010.

domingo, 20 de janeiro de 2019

O EGOÍSMO DAS NOSSAS VIDAS

LÉON DENIS
Egoísmo é descrito como das mais terríveis enfermidades da alma e o maior obstáculo ao melhoramento social. É a persistência em nós desse individualismo feroz que caracteriza o animal, como vestígio do estado de inferioridade. Quase sempre, quando se menciona o egoísmo, nos vêm à mente os que acumulam grandes riquezas e a quem nada de material falta. São vistos em manchetes constantes, em viagens internacionais, festas elegantes, banquetes luxuosos, iates e aviões particulares. Ou então cogita-se das nações civilizadas, excessivamente ricas que tanto têm e não repartem com as nações pobres. Essa é a nossa visão. Mas, convenhamos, um tanto distorcida. Se pensarmos bem, acabaremos por descobrir que todos somos um pouco ou um tanto egoístas. Observemos no lar como funcionam as coisas. Levantamo-nos da mesa e não nos preocupamos em retirar o nosso prato e talheres, ou sequer recolocar a cadeira no lugar. Quando nos vamos servir, não pensamos em divisão, mas em encher e muito o nosso prato. Quando nos dispomos a assistir televisão, é tal o egoísmo que sequer cogitamos de combinar uma espécie de escala para que cada componente da família escolha, em um dia, a programação de sua eleição e juntos assistamos ora um, ora outro programa, a todos satisfazendo. Nosso egoísmo é tamanho que preferimos logo ter uma televisão para cada um, em seu próprio quarto, para nunca ter que ceder ou deixar de ter atendida a sua vontade. Quando andamos pelas ruas, em dias de chuva, somos tão egoístas que, mesmo estando com o guarda-chuva, desejamos andar debaixo das marquises, em vez de deixá-las para aqueles que foram apanhados desprevenidos pela intempérie. Quando tomamos o coletivo para os deslocamentos urbanos, nosso egoísmo é tão grande que nem olhamos para o lado, a fim de não descobrirmos que alguém idoso, ou com criança ao colo ou deficiente, precisaria muito mais do que nós do assento em que nos acomodamos. E pensamos tanto em nós mesmos, que nem esperamos que os passageiros desçam do ônibus e já vamos entrando, empurrando. Que importa se os demais precisam sair? Nós desejamos entrar e logo, às pressas, para conseguirmos um lugar para sentar. No ambiente de trabalho, fala alto também o egoísmo. Quando alguém nos deve substituir durante um período de férias, preferimos não ensinar tudo ao substituto, para que ele, por sua dedicação e competência, não venha a suplantar-nos e nós acabemos sobrando. Em matéria religiosa, não somos diferentes. Cada qual deseja ter a exclusividade da verdade, do conhecimento e merecer, por isso, o reino dos céus. Quantos nos afirmamos os exclusivos filhos de Deus, esquecidos de que Deus é um só. O único Criador. De todos. De tudo. E com o mesmo amor que nos ama, ama a todos os demais. 
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Aquele que não simplesmente aproveita o trabalho já encetado por outros mas, ao contrário, sabe cooperar, espalha ao redor de si tudo que tem de bom e se sente mais feliz. Está consciente de ser um membro útil à sociedade. Interessa-lhe tudo o que se realiza no mundo, tudo o que é grande e belo sensibiliza-o e comove. Sua alma vibra em harmonia com todos os Espíritos esclarecidos e generosos e em pé, como campeão ou como soldado, está pronto a participar de todos os grandes trabalhos, a penetrar em novos caminhos, a fecundar o patrimônio comum da Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XLVI do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb. 
Em 02.01.2009.