sexta-feira, 14 de abril de 2017

A AJUDA INESPERADA

Ele era o chefe do departamento de um grande hospital. Era o Dr. Figurão. Arrogante. Detestado pelas enfermeiras, por muitos dos seus colegas e auxiliares. Ele era um problema no hospital. Mas, quem lhe diria essa verdade? Certo dia, reuniram-se colegas, enfermeiras e demais profissionais para decidirem o que fazer com aquele homem. Ninguém mais o suportava. Em meio a críticas sem fim, uma enfermeira tímida, jovem, atreveu-se a dizer que gostava daquele médico. Os olhares a fulminaram. Adquirindo coragem, ela contou:
-Vocês não conhecem esse homem. Eu fico à noite. Esse homem faz suas visitas nesse período. Quando todos se vão, ele entra no quarto de um paciente, de forma arrogante. Quando sai, seu rosto está abatido. Entra no quarto seguinte, e quando sai, seu rosto está mais abatido. Quando sai do último quarto, ele parece devastado. Isso acontece todas as noites. 
Ante o relato que a todos espantou, disseram que ela devia tentar falar com ele. Ela relutou. Afinal, era só uma enfermeira. Temia a questão da hierarquia hospitalar. Dias depois, voltou ao grupo para relatar que, na noite anterior, ela o vira sair do último quarto. Era o quarto de um jovem que estava morrendo de câncer. O rosto do médico estava lívido, os ombros caídos. Ela se aproximara e lhe dissera:
-Meu Deus, como deve ser difícil.
O médico começara a soluçar. Depois a levara até a sala dele e despejara seu sofrimento, toda sua angústia. Contara que durante anos, enquanto seus amigos já ganhavam a vida, ele continuava a estudar. Sacrificara-se para se especializar no que fazia. Renunciara a sair com garotas, a passear e divertir-se. Dedicação total. Acreditara que realmente poderia ajudar alguém. E concluíra: 
-Agora, sou o chefe de um departamento. E todos os meus pacientes morrem. Não consigo ajudar ninguém. Pergunto-me todos os dias se terá valido a pena renunciar à felicidade pessoal, aos meus amigos, para resultar em nada. 
Ele se sentia um fracasso. Depois desse dia, todos passaram a olhar, de forma diversa, aquele médico. Como resultado do gesto daquela enfermeira, um ano depois ele buscou ajuda de uma colega do setor psiquiátrico. Havia se dado conta de que necessitava que alguém o auxiliasse a administrar todos aqueles sentimentos, para se sentir melhor. Ser melhor. Três ou quatro anos depois, ele havia se tornado um outro homem. Humilde, compreensivo, com grande dose de compaixão para com seus pacientes. Tudo porque uma enfermeira, um dia, teve a coragem de olhar o doutor figurão como um ser humano, durante dois minutos e lhe dirigir a palavra. 
* * * 
Quando tivermos que lidar com pessoas difíceis, lembremos de pensar nelas com amor, compreensão e compaixão. Se todos os colegas ou funcionários de uma unidade fizerem isso com alguém difícil, dia após dia, logo começarão a observar os resultados. Podemos mudar o que acreditamos impossível, se vibrarmos positivamente. Se, além disso, conseguirmos olhar o outro como um ser humano e tratá-lo como tal, teremos colaborado para a melhoria do mundo. Isso porque a melhoria do mundo depende dos resultados individuais de todos os que nele nos movemos, respiramos e agimos. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A cura no nosso tempo, do livro O túnel e a luz, de Elisabeth Kübler-Ross, ed. Verus. Em 14.4.2017.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

CUIDANDO DAS PEQUENAS COISAS

Anne Sullivan e Helen Keller
Ela foi, sem dúvida, uma das mulheres mais notáveis que o mundo já conheceu. Nasceu normal mas, aos dezoito meses, teve uma febre infecciosa, provavelmente escarlatina e ficou cega, surda e muda. No entanto, graças a uma professora, Anne Sullivan, ela se tornou escritora, filósofa, conferencista. Anne apareceu na vida de Helen Keller quando Helen tinha seis anos. Ensinou-lhe o alfabeto dos mudos, que soletrava na mão da menina. Ensinou-a ler e escrever em Braille. Aos dez anos, Helen aprendeu a falar. Cursou a Universidade e formou-se em filosofia, com louvor. Foi a primeira deficiente visual e auditiva a completar um curso universitário. Sua professora a acompanhou por cinquenta anos. Na Universidade, soletrava em sua mão as palavras. Aos vinte anos, Helen escreveu sua obra mais famosa, A história de minha vida, traduzida para cinquenta idiomas e para o Braille. Dominou os idiomas francês, latim e alemão. Aos vinte e sete anos, fez sua primeira aparição em público, como oradora. Dedicou-se à defesa dos direitos de mulheres pobres e deficientes. Nas conferências, ela falava sobre a situação dos cegos, surdos-mudos, chamando a isso um dos pequenos problemas da Humanidade. Havia outros mais graves. Respondia a perguntas e fazia os ouvintes rirem, descontraídos, com seu senso de humor e suas respostas inesperadas. Pois esta mulher excepcional, que fez viagens internacionais, proferindo conferências em trinta e cinco países, tinha atenção para coisas pequenas. Coisas que alguns de nós, talvez, acreditemos que não têm muita importância. Quando sua professora se casou, levou Helen para morar com ela. Por muitos anos, não tiveram criada alguma, por falta de recursos. Helen aprendeu a fazer tudo o que podia, para ajudar a sua professora. Enquanto Anne levava o marido de carro à estação, para que ele tomasse o trem para o seu trabalho, Helen tirava a mesa. Depois, lavava a louça, arrumava os quartos. Mesmo que montanhas de cartas, livros e artigos para escrever a aguardassem, a casa era a casa. Alguém tinha de fazer as camas, colher flores, catar lenha, pôr o moinho de vento a andar e pará-lo quando a caixa d´água estivesse cheia. Enfim, tinha em mente essas coisas imperceptíveis que fazem a felicidade da família. Afirmava ela: Quem gosta de trabalhar sabe como é agradável a gente estar ajudando as pessoas a quem estimamos, nas tarefas diárias de casa. 
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Quando tanto nos eximimos de tarefas simples, procurando destaque; quando outros alegamos que não podemos perder tempo com coisas pequenas, Helen nos dá o exemplo. Ela era aplaudida, recebia condecorações, era homenageada, mas, era preciso ajudar nas tarefas do lar. Com certeza, ela aprendera muito bem a lição evangélica de que quem é fiel nas coisas pequenas, o será sempre nas coisas grandes. E tudo fazia com alegria e prazer, afirmando: Não peçamos tarefas iguais às nossas forças. Mas forças iguais às nossas tarefas. Você sabia? Você sabia que o Lions Club Internacional declarou, em 1971, que o dia 1º de junho passaria a ser lembrado como o dia de Helen Keller? E que, nesse dia, os leões do mundo inteiro implementam projetos de serviços relativos à visão? Tudo em nome de uma menina deficiente visual e auditiva, que cuidava das coisas simples com o mesmo carinho que dedicava às grandes causas que defendia. 
Redação do Momento Espírita, com base na biografia de Helen Keller, publicada por The International Association of Lions Clubs. Em 2.6.2014.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

DUAS JANELAS

A cada dia que despertamos, abrimos duas janelas para o mundo. São os nossos olhos que se abrem para a poesia que se renova a cada manhã. As janelas, no entanto, não são todas iguais. E não falamos da cor da íris, do tamanho dos olhos, mas sim, da capacidade de ver. 
Existem pessoas dotadas de acurada visão, sem, contudo, conseguirem perceber detalhes de importância. 
Existem outras, desprovidas da visão física, que abrem suas janelas com atilada percepção. 
Cada um pode e vê o que deseja, aquilo para o que se interessa. Há os que veem, no céu azul, as aves que parecem pousar no ar. Acompanham seu voo, sua faina no sentido de buscar alimento, água, repouso. Desconsertam-se com a capacidade desses pequenos alados que, sem consultarem o relógio, conseguem despertar ao alvorecer e se recolher ao anoitecer. Alguns abrem suas janelas e encontram águas cantantes, onde a vida se move, desenvolve e reproduz. Veem o desabrochar das rosas nos canteiros e nos vasos bem dispostos, que recebem diariamente o cuidado de mãos atenciosas. Outros veem o trabalho dos que se desdobram pelo seu semelhante. Ali, uma jovem conta histórias para ilustrar a infância. E veem as expressões dos rostos, alternando-se da surpresa ao deslumbramento. Adiante, um jovem se esmera em ensinar a sua arte de domínio da bola, da técnica da natação. No palco, ao ar livre, uma bailarina clássica toma de meninas da periferia e as inicia na arte da dança, permitindo que expressem a poesia que lhes vibra na alma. Crianças vão para a escola. Com suas mochilas às costas, elas passam sorridentes, alegres, e correm, gritando felicidade. Nos muros, os pardais pulam e de lá se lançam, equilibrando-se nos ramos das árvores próximas. Na primavera que tece versos, eles constroem ninhos, preparando o lar para os filhotes que virão, logo mais. Gatos sonolentos ficam abrindo e fechando seus olhos, sonhando com os pássaros que poderão abocanhar. Borboletas coloridas dançam no ar. Jasmineiros exalam perfumes. Às vezes, ouve-se o cantar de um galo. Será meio-dia? Um avião passa, conduzindo pessoas a lugares distantes. Cada uma leva um sonho, cada uma cumpre uma tarefa. E tudo, tudo está certo. No lugar exato, no momento preciso.
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Quando as minhas janelas veem tudo isso, sinto-me feliz. Feliz por participar deste magnífico concerto. De ser uma parte atuante. Sei que, em alguns dias, sou como as delicadas cordas do violino, emitindo notas suaves. Em outros, pareço mais instrumento de percussão, com barulho quase ensurdecedor. É minha alma que se emociona com o que presencia através das minhas janelas. E, então, desejo me adestrar um tanto mais nessa magnífica arte de aprender a olhar para poder descobrir maiores tesouros, nesse imenso e maravilhoso mundo de Deus. 
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O mundo se encontra repleto de belezas. O que nos falta ainda é a exata percepção de tudo que nos cerca. A nos adestrar nessa capacidade de ver com profundidade, é que nos devemos esmerar. Daí, olharemos para o arco-íris e não veremos somente as sete cores que nossa visão física detecta. Encontraremos todas as gradações que a alma sonha, o poeta idealiza, o Espírito vê. E tudo nos falará de Deus, suprema bondade, suprema perfeição, que a cada alvorecer supera todas as nossas expectativas, apresentando-nos outras maravilhas para nosso deleite. Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita. Disponível nos livros Momento Espírita, v. 7 e 11 e no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. Em 12.4.2017.

terça-feira, 11 de abril de 2017

ANTES DA NOSSA PARTIDA

Somos perecíveis enquanto seres vivos, transitando pela Terra. Imortal somente o Espírito. Apesar dessa transitoriedade, ainda continuamos a dar importância a uma série de coisas que não importam tanto assim. Deveríamos ter aprendido a reservar espaços na agenda e energia para as pequenas coisas que nos fazem felizes e dão sentido à vida. Possivelmente por isso é que alguém escreveu um poema de despedida sobre uma pessoa que, ao encarar a morte, realiza um balanço sobre os ontens deixados para trás e o amanhã que não viverá mais neste mundo. Quando o amanhã começar sem mim, e eu não estiver lá para ver, se o sol nascer e encontrar seus olhos cheios de lágrimas por mim, eu gostaria que você não chorasse da maneira que chorou hoje, enquanto pensava nas muitas coisas que deixamos de dizer. Sei quanto você me ama, e quanto amo você. E cada vez que você pensa em mim, sei que sente a minha falta. Mas quando o amanhã começar sem mim, por favor, tente entender que um anjo veio e chamou meu nome, tomou-me pela mão e disse que meu lugar estava pronto, nas moradas celestiais. E que eu tinha de deixar para trás todos os que eu tanto amava. Mas quando me virei para ir embora, uma lágrima escorreu-me pela face. Eu pensei que não queria morrer. Eu tinha tanto para viver, tanta coisa por fazer, e pareceu quase impossível que eu estivesse indo sem você. Pensei em nossos dias passados, nos dias bons e nos dias ruins, em todo o amor que vivemos, em toda as alegrias que tivemos. Se eu pudesse reviver o ontem ainda que só por um instante, eu diria adeus e lhe daria um beijo. E talvez visse você sorrir. Só então descobri que isso não aconteceria, pois o vazio e as lembranças ocupariam meu lugar. Quando pensei nas coisas deste mundo, vi que posso não voltar amanhã. Então pensei em você e meu coração se encheu de dor. Mas quando cruzei os portões do céu eu me senti em casa. Quando Deus olhou para mim e sorriu, ele disse:
- “Isto é a eternidade e tudo o que lhe prometi. Agora sua vida na Terra é passado mas aqui uma vida nova começa. Eu prometo que não haverá amanhã, mas que o hoje durará para sempre. Então, que tal me dar a mão e compartilhar da minha vida?” 
Logo, quando o amanhã começar sem mim, não pense que estamos separados, pois todas as vezes que pensar em mim, eu estarei dentro do seu coração. 
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Não esperemos a morte chegar para desejar fazer as coisas que nos deixam felizes. Ouçamos o nosso coração e não esperemos a hora de partir para dizer: Amo você! Você é importante na minha vida! Minha vida sem você não teria sido tão maravilhosa! Não economizemos gestos e palavras para manifestar a nossa ternura, o nosso carinho para com aqueles que amamos. Obrigado, minha mãe! Parabéns, meu filho! Você lembra daquele dia? Lembremos: depois da nossa morte, a empresa em que trabalhamos continuará, o trabalho prosseguirá, alguém o fará. Mas ninguém nos poderá substituir no coração dos nossos amores. Por isso, aproveitemos, intensamente, a estadia ao lado deles. Nenhum de nós sabe o dia, nem a hora da partida. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição do poema Quando o amanhã começar sem mim, de David M. Romano, que circula pela internet. Em 11.4.2017.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

CUIDANDO DA ALMA

RAUL TEIXEIRA
Pais são criaturas de excepcional grandeza. Por amarem seus filhos, estão sempre à volta deles, como se fossem satélites em torno de um planeta. Preocupam-se para que o lar não padeça carências ou necessidades de sorte alguma. Esgotam-se para manter a limpeza doméstica, entregando-se a faxinas constantes. Seu objetivo é que os filhos tenham um ambiente saudável no lar. E sempre a mesa estará posta à hora, as roupas limpas e passadas, flores na janela da casa e do coração, perfumando o domicílio. Envolvem-se em lutas financeiras, a fim de que os seus não experimentem a falta do alimento, da vestimenta, do remédio e do lazer. Empenham-se para que não falte a escola, com a glória dos seus conhecimentos, a fim de ilustrar o intelecto dos seus rebentos. Enfim, são múltiplas as preocupações para que os filhos vivam bem, afastados de qualquer carência material. Também para que gozem de segurança onde quer que estejam. Tudo isso é comovedor. E quem quer que cresça, à sombra de pais assim amorosos, somente tem motivos para ser grato e crescer. Crescer, aproveitando tudo que lhe é ofertado. No entanto, existe uma questão da qual os pais, por vezes, passam desatentos. É a questão do seu contato com Deus, levando junto os seus amores. A oração, com todas as suas amplas possibilidades de alegrias, é esquecida. A oração, que é a porta de acesso ao diálogo com o Pai Criador. Oração que é fortaleza moral, propiciando o mergulho da alma no âmago de Deus. Seria tão bom que, da mesma forma que cuidamos da família, nos itens higiene, alimentação, vestuário, escolaridade e lazer, conseguíssemos cuidar das nossas relações espirituais. Então, nossa família estaria muito bem atendida em todos os planos. Seria importante que levássemos nossa família para as praias da oração. Também que criássemos o hábito da leitura de pequena página que convide ao amor, ao bem e à paz. Poderão ser rápidos instantes em que juntos se possa estabelecer alguns comentários, inclusive sobre em que momento da vida aquela mensagem melhor se ajustará. Isso fará com que cresçamos em família. Assim, em meio a tantas providências tomadas em favor dos filhos, do seu conforto e proteção, tenhamos a feliz iniciativa de ensiná-los a estabelecer sintonia com Deus. É fundamental ensinar aos nossos filhos que, do mesmo modo que todos precisamos do banho, da comida, do repouso e do remédio, igualmente temos necessidade de alimentar nossa alma e iluminar nossa inteligência. Se, na qualidade de pais, assim procedermos, quando um dia, nosso Pai Criador nos indagar a respeito do que fizemos dos Espíritos que nos foram confiados como filhos, poderemos responder com a alma cheia de contentamento: Eu os conduzi ao encontro do Mestre. Eu os aproximei dos Seus ensinos. Eu os ensinei a orar e a buscar, na sabedoria do Evangelho, orientação para suas vidas. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 50 e 54 do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Em 15.03.2011.

domingo, 9 de abril de 2017

CUIDADOS DE DEUS

O hábito de reclamar é muito difundido. Em toda parte, as criaturas reclamam. Filhos em relação aos pais, cônjuges entre si, patrões e empregados, vizinhos, amigos e meros conhecidos. Reclamões não faltam. Já pessoas genuinamente gratas são um tanto raras. Quem presta atenção no que falta costuma não notar o que tem. Esse mau hábito é especialmente triste em se tratando da Divindade. Porque Deus é o Senhor do Universo. Dele procedem todas as bênçãos e oportunidades. Ele cria todos os Espíritos e lhes viabiliza existências incontáveis a fim de que se aprimorem. Cerca-os dos mais ternos cuidados. Providencia-lhes corpos, vidas e amores. Inclusive cuida de boicotar seus desatinos mais graves, para que não se compliquem em excesso. Entretanto, curiosamente, os homens ainda se sentem no direito de reclamar do Eterno. Imaginam ter direito a mais do que recebem. Desejam tranquilidade, riqueza, poder, fama e beleza. Contudo, nesse querer fantasioso, esquecem-se de notar e agradecer o muito que recebem. Olvidam a bênção dos tempos de paz, nos quais podem perseguir seus sonhos. Não valorizam a família na qual nasceram. Os pais que lhes cercaram os primeiros passos de cuidados. As escolas nas quais foram matriculados. Os professores que os instruíram. A saúde do corpo, a existência em um país pacífico, os amigos... Acham natural possuir tantos tesouros. Ocorre que nem todos podem desfrutar simultaneamente dos mesmos dons. A vida na Terra constitui uma estação de aprendizado. Nela, as experiências variam ao Infinito. Há os que experienciam a saúde, enquanto outros vivem a enfermidade. Os com facilidades materiais e os de vida mais modesta. As posições se alternam no curso dos séculos. O papel de cada homem é ser digno e fraterno na posição em que se encontra. Utilizar os tesouros que recebeu da vida, a fim de crescer em talentos e virtudes. E, especialmente, entender que o próximo é um irmão de caminhada. Ele também deseja ser feliz e viver em paz. É igualmente um filho de Deus. Tendo isso em mente, urge repensar os próprios hábitos. Identificar os inúmeros cuidados recebidos de Deus. Ser grato por todos eles e cessar de reclamar por bobagens. Quanto à gratidão, ela tem uma forma muito especial de se manifestar. Consiste no amparo ao semelhante em estado de sofrimento ou abandono. A bondade para com o próximo é uma forma de gratidão que o homem pode oferecer ao seu Criador. Pense nisso.
Redação do Momento Espírita. Em 14.05.2012.

sábado, 8 de abril de 2017

OS CUIDADOS DE DEUS

A mãe dava as primeiras lições de fé e entendimento a respeito de Deus para a filha, que lhe acompanhava, atentamente, o raciocínio. Buscando o linguajar infantil, escolhendo as palavras para que lhe fossem compreensíveis, falava a mãe com cuidado e gentileza a respeito de Deus, Criador do Universo. O Pai de todos nós. Ao ouvir a mãe lhe explicando que Deus é nosso Pai, a menina arregalou os olhos, surpresa. Buscando ter certeza de que havia compreendido, perguntou:
-Pai de todo mundo? Pai de cada um de nós? 
-É isso mesmo. - Respondeu a mãe, contente pelo aprendizado que se fazia. 
-Então, conclui a criança, deixando a mãe sem resposta, diante da sagacidade da pequena: Ora mãe, se ele é Pai de cada um de nós, como é que Ele cuida de todo mundo?
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A profundidade da reflexão infantil muitas vezes não encontra resposta em nossa mente, quando não nos habituamos a refletir um pouco a respeito das coisas de Deus. Quantas vezes nos queixamos, a respeito da vida, dos dissabores, das desilusões e desafios, tão pesados para nossos ombros? Nessas horas nos deixamos levar pelo pensamento pessimista de quem se imagina sozinho no mundo, como se ninguém cuidasse de nós, como se ninguém se importasse conosco. Esquecemos que aprendemos a chamar Deus de Pai. Esquecemos de que não é o pai figurativo e imaginário, mas sim Aquele que cuida e Se preocupa com cada um de Seus filhos. Jesus, procurando nos explicar as coisas de Deus, nos leva a raciocinar de forma simples, ao dizer que nem os maus, quando um filho lhes pede pão, são capazes de lhe dar uma serpente e assim, tanto mais se poderá esperar do Pai que está nos Céus. Com esse raciocínio nos fortalece a fé, nos aconselhando a deixar a cada dia as suas necessidades, não nos preocupando com aquilo que não está ao nosso alcance, pois Deus provê a todas as nossas necessidades. E, quantas vezes os cuidados de Deus nos chegam através de um amigo, de um conselho certo nas horas da intemperança? Em outros momentos, são os cuidados de Deus que nos chegam através de um encontro aparentemente fortuito ou de um telefonema inesperado, que nos faz mudar de rumo, nos demove de um propósito infeliz ou renova nossa paisagem íntima. Mesmo que, muitas das vezes, os desígnios de Deus passem despercebidos por nós e lhes demos o nome de acaso, sorte ou coincidência, sempre estará a Providência Divina a cuidar dos Seus filhos. Os cuidados de Deus com cada um de nós são tão preciosos que, antes de nascermos, Ele nos designa um Espírito amigo que irá velar por nossa caminhada, nos proteger, ser nosso anjo da guarda. Irá nos cuidar em nome dEle. Só mesmo um Pai seria capaz de tantos cuidados e desvelos para com um filho. E, mesmo que nos apresentemos ora rebeldes ou ainda ingratos para com tanto cuidado, Ele será sempre o Pai amoroso a aguardar nosso amadurecimento a fim de que consigamos entender o quanto Ele nos ama.
Redação do Momento Espírita. Em 20.04.2011.