terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A CORAGEM DA PALAVRA ESCRITA

RAQUEL DE QUEIROZ
Todos os dias, publicações das mais diversas chegam às prateleiras das livrarias. Vivemos um tempo em que publicar um livro se tornou fácil. Isso permite que abundem as nulidades e que se publique tantas e tantas páginas sem verdadeiro conteúdo. Literatura que não soma, que não acrescenta algo de útil e bom ao ser humano. Ao longo da história da Humanidade, contudo, a palavra escrita se fez presente, iluminando mentes, alertando o povo. Inúmeros são os exemplos nos tempos passados e, na atualidade, ainda em alguns países, de escritores que ousaram utilizar a sua pena para criticar governantes, denunciar ditaduras, protestar contra a injustiça. Romancistas, jornalistas, amantes da verdade se serviram da palavra escrita para lutar por direitos humanos, para esclarecer as mentes. Em épocas de repressão, se tornaram heróis, tendo alguns deles, pago sua ousadia com prisão e tortura. Mulheres corajosas, nesse contexto, não faltaram. 
Recordamos de Rachel de Queiroz que, com apenas dezessete anos, enviou uma carta ao jornal O Ceará, ironizando determinado concurso. O sucesso foi tão grande que ela foi convidada a colaborar com aquele veículo da imprensa. Durante trinta e um anos foi cronista exclusiva da extinta revista O Cruzeiro. Enquanto o Brasil tentava a sua redemocratização, Rachel usou o espaço que dispunha nesse veículo de alcance nacional para conclamar o povo a bem utilizar da sua qualidade de cidadão. Mulher de coragem em tempos tão conturbados, escreveu: 
-Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político, que se chama governo democrático, ou governo do povo. Em política, a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato. No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: governo do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de fazer o governo. Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vai governar por determinado prazo de tempo. Escolhem-se pelo voto aqueles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas – e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia. E conclui: Votem, irmãos, votem... Mas não se esqueçam de que dentro da cabine indevassável vocês são homens livres... O voto é secreto. 
 * * * 
Sim, escritores os há muitos. Também brasileiros de valor que se preocuparam e se preocupam com os destinos da Pátria do Cruzeiro. Por amá-la, a desejam grandiosa, livre, vitoriosa. E felizes os seus filhos, com direito de trabalhar e progredir. Unamo-nos a eles, realizando a parte que nos cabe. 
Redação do Momento Espírita, com frases da crônica Votar, de Rachel de Queiroz, da revista O Cruzeiro, de 1947. Em 8.2.2013.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PREVISÕES QUE DERAM ERRADO

Como lidamos com os obstáculos que o mundo apresenta em nossa caminhada? 
Como recebemos as oposições das pessoas, em relação a nossas habilidades, ao nosso potencial? 
Do que realmente somos capazes? 
Alguns casos célebres de previsões e julgamentos do mundo que deram errado, talvez possam iluminar estas reflexões e inspirar nossa jornada: 
Após o primeiro teste cinematográfico de Fred Astaire, o memorando do diretor de testes da MGM, datado de 1933, dizia assim: 
-Não sabe representar! Ligeiramente calvo! Dança um pouco.
Astaire conservou este memorando pendurado sobre a lareira, em sua casa em Beverly Hills. 
Beethoven segurava o violino desajeitadamente, e preferia tocar suas próprias composições, ao invés de aperfeiçoar sua técnica. Seu professor julgava-o um compositor sem futuro. 
Os pais do famoso cantor de ópera Enrico Caruso queriam que ele fosse engenheiro. Seu professor lhe disse que ele não tinha voz e que não poderia cantar. 
Um dos professores de Albert Einstein o descreveu como: 
-Mentalmente lento, insociável e eternamente mergulhado em seus sonhos imbecis. 
Louis Pasteur foi apenas um aluno mediano nos estudos do ensino fundamental. Ficou em décimo quinto lugar entre os vinte e dois alunos de química. 
Dezoito editores recusaram a história de dez mil palavras de Richard Bach sobre a gaivota sublime. Finalmente, em 1970, uma editora resolveu publicá-la. Em 1975, havia mais de sete milhões de exemplares vendidos, apenas nos Estados Unidos. 
 * * * 
Todos esses expoentes mostraram ao mundo que seu julgamento estava errado. Mostraram que somos nós apenas, na intimidade de nossa força de vontade, de nosso brilhantismo secreto, os únicos aptos para saber do que realmente somos capazes. Os julgamentos do mundo, das pessoas, são completamente insuficientes para avaliar o que somos verdadeiramente. Avaliam situações momentâneas, cenas estanques, experiências isoladas, mas nunca aquilatam a potencialidade da alma. Assim, todos esses gênios e tantos outros anônimos na Terra, de tempos em tempos surpreendem o mundo com seu esplendor. Ninguém melhor do que eles conheceram a palavra obstáculo. Mas, certamente, não encararam as adversidades, as barreiras, como a maioria de nós ainda as enfrenta. Onde ainda vemos impedimento, oposição, eles veem superação, veem oportunidade. Oxalá se faça próximo o dia em que possamos olhar para trás, em nossas vidas, após uma grande conquista, e dizer: O mundo estava errado. Eu fui capaz. Celebremos a auto-superação sempre que possível. Instauremos este hábito em nossos filhos desde pequenos, mostrando-lhes que as derrotas fazem parte do caminho, e que, ao invés de nos puxar para trás, quando bem compreendidas, nos impulsionam para frente. E quando das vitórias, ao invés de erroneamente inflar-lhes o orgulho, fazendo comparações tolas com os outros, lembremos de lhes mostrar que estão melhores do que eram, e que isso é o mais importante. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. Em 16.1.2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A CORAGEM DA FÉ

Em várias passagens do Evangelho, Jesus salienta a importância da coragem de testemunhar a própria fé. Por exemplo, em determinado ponto da narrativa evangélica, o Cristo afirma que ninguém deve se envergonhar Dele e de Suas palavras. Das exortações do Mestre, extrai-se que não basta crer em algo. O homem deve viver na conformidade de suas crenças. Esposar um ideal é muito pouco. É necessário ser fiel a esse ideal. Em um mundo corrompido, a fidelidade a uma concepção de vida mais pura não costuma ser fácil. Os exemplos que se recebe diariamente são bastante tristes. A Humanidade vive um período de grave crise moral. Sob o nome de liberdade, impera a libertinagem. A título de diversidade de costumes, as criaturas se permitem os mais estranhos desregramentos. Há inúmeros desonestos ocupando elevados cargos e vivendo no luxo. Seres viciosos posam de modelo para a sociedade. Muitos artistas bonitos, mas levianos e desequilibrados, ditam modas e tendências de comportamento. A promiscuidade e a troca constante de namorados ou esposos não mais chocam. Nesse contexto, ser sóbrio, trabalhador, honesto e responsável parece quase exótico. O homem pouco reflexivo pode se sentir tentado a seguir a “onda da modernidade”. Entretanto, é preciso ponderar um pouco. Hábitos que destroem a integridade física e psíquica, o lar e a própria dignidade de quem os adota não podem ser saudáveis. A corrupção dilacera a sociedade. Ela implica o desvio de dinheiro que poderia salvar e melhorar inúmeras vidas. A promiscuidade sexual deixa um rastro de desencanto e doença nas vidas de quem a adota. Perante um Mundo conturbado e violento, o homem precisa refletir a respeito de seus ideais. Quais são os valores que se consideram necessários para uma vida harmoniosa e saudável? Identificados esses valores, impõe-se a fidelidade a eles. O que não vale é viver ao sabor das circunstâncias, como um animal que se guia pelo movimento da manada. A inteligência é um dom precioso demais para ser desperdiçado. Urge lançar um olhar crítico sobre os hábitos da sociedade e meditar sobre eles. Se todos adotarem determinado padrão de comportamento, será possível uma convivência pacífica e proveitosa? Certo naipe de conduta é louvável? Seria agradável ver os próprios filhos ou pais vivendo de forma destrambelhada? Ou ver um ente querido sofrendo as conseqüências da conduta inconseqüente de outrem? O que não é bom e honroso, o que torna infelizes os outros deve ser combatido. Aí surge a necessidade de ser corajoso. Viver de acordo com padrões mundanos é fácil. Difícil é esposar ideais nobres e viver com nobreza. Ser fiel a um Ideal não implica tornar-se conversor compulsório dos semelhantes. A liberdade de consciência é um imperativo da vida em sociedade. Entretanto, respeitar a liberdade dos outros não significa ser conivente com seus equívocos. Para viver em paz é necessário aprender a conviver com o diferente. Mas viver pacificamente não é sinônimo de ser passivo. Em certos momentos, a omissão é um escândalo. Sempre que chamado a dar opinião sobre uma questão ética, é importante ser honesto, embora mantendo a gentileza. Se a opinião não agradar, paciência. Perante condutas que prejudicam inocentes ou o patrimônio público, deve-se atuar na defesa do bem e da ética. Em todo e qualquer caso, agir corretamente, mesmo em prejuízo dos próprios interesses imediatos. Uma vida honrada é o maior e mais corajoso testemunho que um homem pode dar de suas crenças. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Quem de nós é o maior?

AMÉLIA RODRIGUES
Jesus era possuidor de paciência e compreensão inigualáveis. Ouvia as questões mais simples com atenção e, em cada oportunidade, deixava lições profundas, completas, que poderiam ser entendidas naquele momento, bem como servirem aos séculos vindouros. Certa feita escutou os discípulos discutindo entre eles, sobre qual seria o maior, o mais amado, o de importância mais significativa. Todos reconhecemos que João é distinguido pelo vosso amor; Pedro é merecedor da mais expressiva confiança; Judas guarda as moedas e se encarrega do controle das nossas modestas finanças... E os demais? Que somos e que papel desempenhamos no grupo? Afinal, qual de nós é o maior? Certamente se sentiram constrangidos pela disputa, mas como ela aconteceu, era justo serem honestos, libertando-se das dúvidas. Jesus envolveu-os na luz da compaixão, e com a sabedoria habitual, respondeu-lhes: O grão de mostarda, menor e mais insignificante que qualquer outra semente, reverdece com o mesmo tom o solo abençoado pelo trigo vigoroso. O fruto do carvalho desenvolve a árvore grandiosa que nela jaz, assim como o pólen quase invisível de todas as flores, se encarrega de transmitir beleza e perpetuar a espécie em outras plantas. Todos são importantes na paisagem terrestre. O grão de areia se anula ante outro para construir a praia imensa, que recebe o carinhoso movimento das ondas arrebentando-se no seu leito reluzente. Tudo é importante diante de Meu Pai, não pela grandeza, mas pelo significado de que cada coisa se reveste para a utilidade da vida. 
 * * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Nos dias atuais, em que ainda tanto se faz questão de ser o melhor, o mais importante, o número um, precisamos refletir sobre as orientações do Cristo. A competição desenfreada tem nos feito escravos do sucesso e das aparências. A vaidade tem ditado as regras em todas as áreas, transformando algumas em mais importantes que outras, por questões puramente materialistas. Julga-se a importância dessa ou daquela atividade, por sua visibilidade na mídia, ou por sua remuneração material. O mundo moderno e seus valores descabidos parece muito semelhante à conversa dos discípulos em torno de quem seria o mais amado. Desejamos ser amados, desejamos preencher essa carência, esse vazio existencial que nos incomoda tanto, mas não sabemos como. Jesus já havia dado a resposta naqueles idos tempos... Além de dizer que todos são importantes, disse ainda que entre os homens, o maior sempre seria aquele que se esquecesse de si mesmo, tornando-se o melhor servidor. Seria aquele que não se cansasse de ajudar, de cooperar com os outros. É sempre bom ouvir o Mestre, que permanece atual, que permanece nos esperando como Aquele que oferece o caminho da Verdadeira Vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no capítulo A importância de ser pequeno, do livro Até o fim dos tempos, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 13.1.2017.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CORAÇÕES DISTANTES

Meher Baba
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos: 
-Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? 
-Gritamos porque perdemos a calma. Disse um deles. 
-Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador. 
-Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo. 
E o mestre volta a perguntar: 
-Então não é possível falar-lhe em voz baixa? 
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu: 
-Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir essa distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.  
Por fim, o pensador conclui, dizendo: 
-Quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta. 
 * * * 
Quando você for discutir com alguém, lembre-se de que o coração não deve tomar parte nisso. Se a pessoa com quem discutimos não concorda com nossas ideias, não é motivo para gostar menos dela ou nos distanciar, ainda que por instantes. Quando pretendemos encontrar soluções para as desavenças, falemos num tom de voz que nos permita uma aproximação cada vez maior, como a dizer para a outra pessoa: 
-Eu não concordo com suas ideias ou opiniões, mas isso não me faz gostar menos de você. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em ensinamento atribuído ao pensador indiano, Meher Baba. Disponível do livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. Em 09.03.2012.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

UM CORAÇÃO SOLIDÁRIO

Tom Crabtree
O progresso tecnológico trouxe para a Humanidade uma série de benefícios, isso é indiscutível. Por um lado isso é bom, mas por outro, deixa as pessoas menos sensíveis, menos humanas, mais indiferentes. As Instituições seguiram pelo mesmo caminho e foram se tornando frias, embora eficientes. Mas esse problema não passou despercebido aos olhos do jovem psicólogo inglês, Tom Crabtree. Ele estava sempre disposto a entender quando as pessoas precisavam dele para dividir suas dores. E compreendia também que nem sempre falar é a melhor solução. Conta ele que, logo que iniciou sua carreira profissional, numa clínica de orientação para crianças, no Noroeste da Inglaterra, certo adolescente chegou para vê-lo. Ele foi até à recepção e percebeu o rapaz que andava de um lado para o outro, agitado e assustado. Levou-o até sua sala e lhe indicou a cadeira do outro lado da mesa. Era fim do outono. A árvore em frente à janela não tinha folhas. 
-Sente-se, disse ao jovem. 
David vestia uma capa preta impermeável, abotoada até o pescoço. O rosto estava pálido. Torcia as mãos com nervosismo e olhava fixamente para os pés. Seu pai falecera quando era bebê. Foi criado pela mãe e pelo avô. Mas no ano anterior, quando David tinha 13 anos, o avô faleceu e a mãe morreu num acidente de carro. Agora, com 14 anos, estava em tratamento. O diretor da escola o havia encaminhado, com um bilhete: 
-Este garoto encontra-se muito triste e deprimido, o que é bastante compreensível. No entanto, ele se recusa a falar com quem quer que seja. Estou muito preocupado. Você pode ajudar? 
O jovem psicólogo olhou para o garoto. Como poderia ajudá-lo? Há tragédias humanas para as quais a psicologia não tem respostas, para as quais não há palavras. Às vezes, ouvir com toda a atenção e sentimento é o mais apropriado, pensou. Nas duas primeiras visitas, David não falou. Afundado na cadeira, só levantava os olhos para fixá-los nos desenhos infantis que decoravam a parede. Quando David saía do consultório, após a segunda sessão, Tom colocou a mão sobre o seu ombro. O garoto parou. Não se retraiu, mas, ainda assim, não olhou para o psicólogo. 
-Venha na próxima semana, se quiser, disse Tom. 
Fez uma pausa e acrescentou: 
-Sei que é doloroso. 
David veio e Tom sugeriu que jogassem xadrez. O rapaz fez que sim com a cabeça. Os jogos de xadrez continuaram todas as quartas-feiras à tarde, em silêncio total e sem contato visual da parte do garoto. Embora não seja fácil trapacear no xadrez, Tom fazia o possível para que David ganhasse uma ou duas vezes. O menino chegava cedo, procurava o tabuleiro e as peças na estante. Começava a arrumá-las antes mesmo que Tom sentasse. Parecia estar gostando da ideia. 
-Mas por que nunca me olha? 
Pensava Tom. 
-Talvez ele precise simplesmente de alguém com quem dividir a dor. Talvez sinta que respeito a dor dele. Concluiu. 
Numa tarde, quando o inverno dava lugar à primavera, David tirou a capa e a colocou nas costas da cadeira. Enquanto arrumava as peças do jogo de xadrez, seu rosto parecia mais animado, os movimentos mais vivos. Alguns meses depois, quando flores já recobriam a árvore lá fora, Tom olhava David enquanto ele se inclinava sobre o tabuleiro. Pensava que pouco se sabe sobre terapia, sobre os misteriosos processos de cura. De repente, o garoto levantou os olhos e disse: 
-Sua vez. 
Depois disso, David começou a falar. Fez amigos na escola e entrou para o clube de ciclismo. Um dia, chegou um cartão postal de David que dizia: 
-Estou passeando de bicicleta com amigos e me divertindo muito.
Tempos depois Tom recebeu uma carta em que David falava que pretendia ir para a Universidade.
 * * * 
Tom ofereceu algo a David, mas certamente aprendeu como o tempo pode tornar possível superar o que parece dolorosamente insuperável. Aprendeu, ainda, como estar presente quando alguém precisa dele. E que se pode entrar em contato com outro ser humano sem usar palavras. Só é preciso um abraço, um toque gentil, um ouvido atento, um coração solidário. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Alguém para ouvir, da Revista Seleções Reader’s Digest, de março de 1998. Em 08.10.2010.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

CORAÇÃO DO MUNDO

Andrey Cechelero
Coração do mundo, pulsa... 
Pulsa e empurra tua seiva de vida para todos os cantos dessa terra. 
Para as almas cansadas de guerra, para os corpos caídos no chão. 
Coração do mundo, pulsa... 
Celebra o áureo raiar de uma nova era. 
Celebra a fraternidade e a diversidade. 
Leva o sorriso a quem ainda tem medo de sorrir, e aos galhos secos, o verde da afetividade. 
Coração do mundo, descobre tua missão bendita. 
Coração do mundo... 
Pátria do Evangelho, Brasil. 
 * * * 
O Espírito Humberto de Campos, respeitado jornalista e escritor brasileiro, homem da Academia Brasileira de Letras, é escolhido pela Espiritualidade para trazer ao mundo uma obra de extrema importância. Pela mediunidade luminosa de Francisco Cândido Xavier, nasceu em 1938, o livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. A obra trata essencialmente da missão espiritual da pátria brasileira. O Brasil é escolhido por Jesus para reviver Seu Evangelho primitivo, sem as deturpações que o fizeram sair de seus objetivos principais, ao longo dos séculos pretéritos. O país do Cruzeiro recebe o título de coração do mundo, pois passa a abrigar e a acolher muitos Espíritos que, após inúmeras encarnações na Terra, ainda não haviam encontrado o caminho do bem, do acerto. Seres muito inteligentes, seres com vastas experiências na civilização europeia, sobretudo, mas que se haviam perdido por conta do mau uso da inteligência, do mau uso das suas potencialidades. Na nova terra, teriam a oportunidade de refazer seus destinos e encontrar sua redenção. O coração do mundo acolheu, assim, os que faliram, os que vêm de séculos de abuso de poder, abuso do dinheiro, abuso das energias sexuais... O coração do mundo passou a ser símbolo da diversidade, pois aqui aprendemos a conviver com o diferente, de forma toda especial. O brasileiro é uma mistura de muitas raças, de muitas culturas, de muitas religiões, e todas elas têm sua importância. Com o passar dos anos vimos edificando essa árvore do Evangelho... Que ainda não está madura, exuberante, mas que carrega um potencial de beleza inimaginável. As estatísticas mostram a relação do brasileiro com o Cristianismo e como ele é forte e diferente de todo o restante do globo. Temos a chance de mostrar ao mundo o Cristianismo da fraternidade, do amor ao próximo, da tolerância racial, da aceitação das diferenças. Esse é o tronco da árvore do Evangelho de Jesus, independente da religião que abracemos, independente dos rótulos que exibamos. Aí está o Brasil espiritual, o Brasil luminoso, que não precisa ser a primeira economia, o primeiro em consumo, o primeiro nas competições materiais da Terra. Ser grande em amor já nos basta...
 * * * 
Coração do mundo, pulsa...
Celebra o áureo raiar de uma nova era.
Celebra a fraternidade e a diversidade.
Leva o sorriso a quem ainda tem medo de sorrir
E aos galhos secos, o verde da afetividade.

Redação do Momento Espírita com trechos do poema Coração do Mundo, de Andrey Cechelero. Em 6.12.2013