domingo, 20 de novembro de 2016

UM CONTO DE NATAL

A história é simples, mas comovedora. Tudo começou porque Mike odiava o Natal. Claro que não era o verdadeiro sentido do Natal, mas seus aspectos comerciais. Os gastos excessivos, a corrida frenética na última hora para comprar presentes para alguém da parentela de que se houvesse esquecido. Sabendo como ele se sentia, certo ano a esposa decidiu deixar de lado as tradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas do gênero. Procurou algo especial só para Mike. A inspiração veio de uma forma um tanto incomum. O filho Kevin, que tinha doze anos na época, fazia parte da equipe de luta livre da sua escola. Pouco antes do Natal, houve uma disputa especial contra uma equipe patrocinada por uma Associação da parte mais pobre da cidade. Esses jovens usavam tênis tão velhos que a impressão que passavam é de que a única coisa que os segurava eram os cadarços. Contrastavam de forma gritante com os outros jovens, vestidos com impecáveis uniformes azuis e dourados e tênis especiais novinhos em folha. Quando a competição acabou, a equipe da escola de Kevin tinha arrasado com eles. Foi então que Mike balançou a cabeça triste e falou: 
-Queria que pelo menos um deles tivesse ganho. Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode acabar com o ânimo deles. 
Mike adorava crianças. Todas as crianças. E as conhecia bem, pois tinha sido técnico de times mirins de futebol, basquete e vôlei. Foi aí que a esposa teve a ideia. Naquela tarde, foi a uma loja de artigos esportivos e comprou capacetes de proteção e tênis especiais que enviou, sem se identificar, para a Associação que patrocinava aquela equipe. Na véspera de Natal, deu ao marido um envelope com um bilhete dentro, contando o que tinha feito e que esse era o seu presente para ele. O mais belo sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal. No ano seguinte, ela comprou ingressos para um jogo de futebol para um grupo de jovens com problemas mentais. No outro, enviou um cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa em um incêndio, na semana anterior ao Natal. O envelope passou a ser o ponto alto do Natal daquela família. Os filhos deixavam de lado seus brinquedos e ficavam esperando o pai pegar o envelope e revelar o que tinha dentro. As crianças foram crescendo. Os brinquedos foram sendo substituídos por presentes mais práticos, mas o envelope nunca perdeu o seu encanto. Até que Mike morreu. Chegou a época do Natal e a esposa estava se sentindo muito só. Triste. Quase sem esperanças. Mas, na véspera do Natal, ela preparou o envelope como sempre. Para sua surpresa, na manhã seguinte, havia mais três envelopes junto dele. Cada um dos filhos, sem um saber do outro, havia colocado um envelope para o pai. 
 * * * 
O verdadeiro espírito do Natal se chama amor e no momento especial em que se reprisa, nos quadros da Terra, nos possibilita o exercício da nossa capacidade maior de doação. Muito além dos presentes, da ceia, do encontro familiar, comemorar o Natal significa viver a mensagem do Divino Aniversariante, lançada há mais de dois mil anos e que até hoje prossegue ecoando nos corações... 
Redação do Momento Espírita, a partir de história de autor desconhecido. Em 21.12.2012.

sábado, 19 de novembro de 2016

UM CONTO DE AMOR

Lorri Benedik
O rapaz passava pelo empório da cidade, quando o proprietário o chamou. Tinha 19 anos e tinha boa aparência. O dono lhe ofereceu um bandolim para comprar e lhe disse que tocar um instrumento era uma ótima forma de atrair garotas. O rapaz achou interessante a ideia e depois de uma negociação, comprou o instrumento. Ele já ouvira falar de uma orquestra de bandolins que praticava todas as semanas no porão de uma sinagoga. Eram filhos de imigrantes judeus, vindos da Europa Oriental. Foi lá, aprendeu a tocar e a ler partituras musicais. A jovem Dora já tocava na orquestra. Foi olhar o rapaz e ir se encantando aos poucos. Um dia, ela criou coragem e o convidou para ser seu par numa festa de formatura da escola. Começaram a namorar. Quando andavam lado a lado, Kelly segurava o braço de Dora gentilmente. A vizinhança dizia que eles pareciam Cinderela e o Príncipe Encantado. O jovem par se casou. Era o ano de 1944 e Dora acabara de completar 20 anos. Três anos mais tarde, nasceu o primeiro filho e depois o segundo e o terceiro. Preocupações sempre havia. Orçamento familiar. Comportamentos na escola. Momentos sérios de conversas ao redor da mesa da cozinha, depois de colocar as crianças na cama. E elas ouviam, de seus quartos, as vozes suaves dos pais flutuarem pelo corredor. Risos eram constantes naquele lar. Contavam histórias bobas, só para rir. Criavam danças malucas, ouviam e tornavam a ouvir os mesmos discos. Quando as crianças ficaram maiores, Dora manifestou desejo de trabalhar meio período. E, se isso a faria feliz, tudo estava bem para Kelly. Logo, ela chegaria à conclusão que, sem um diploma universitário, não teria promoções, não cresceria. E nem seu salário. Reuniu marido e filhos ao redor da mesa da cozinha e expôs seu plano. Precisava e desejava obter um diploma universitário. Queria ser professora de verdade. No entanto, o marido teria de cuidar das crianças, durante a noite. O filho maior teria que colaborar, chegando em casa cedo o suficiente para ajudar o pai com o jantar. A filha do meio deveria auxiliar a menor nos deveres de casa. Kelly respirou fundo e disse: 
-Dora, não se preocupe. Ficaremos bem. Sei o que isso representa para você. Serei o homem mais feliz desta cidade porque terei a mulher mais feliz ao meu lado. 
Aos 50 anos, Dora recebeu o grau de bacharel em educação pré-escolar. Kelly enxugou lágrimas de alegria, irradiando orgulho. Ele não conseguiu terminar os estudos, pois precisava trabalhar para ajudar no sustento da família. Dia desses, Dora precisou viajar para ir ao casamento de um parente. Kelly ficou em casa, porque não gosta de viajar. A filha, preocupada com o pai sozinho em casa, telefonou. Achou a voz dele muito estranha. 
- Algum problema?- Perguntou. 
- Promete que não vai rir? - Disse ele.-Sinto falta de sua mãe.
- Mas, pai, ela viajou há poucas horas. Eu sei, mas depois de 60 anos de casamento... 
Na história de amor desse casal, nada de extraordinário. O seu conto de amor não tem mágica, castelo, fada madrinha, varinha de condão. Como eles conseguem viver juntos há tanto tempo? Eles nunca brigam. Não são abertamente carinhosos mas têm uma união muito profunda. Importam-se um com o outro. Relevam pequenas falhas. Exaltam as virtudes de um e de outro. Sobretudo, entre carinho, ternura e afeto, uma grande dose de respeito mútuo. 
Redação do Momento Espírita com base no artigo Uma história de amor à moda antiga, de Lorri Benedik, de Seleções Reader´s Digest, outubro de 2005. Em 08.02.2010.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

CONTENTAR-SE

SÃO PAULO DE TARSO
Em sua Epístola aos filipenses, Paulo de Tarso afirmou já ter aprendido a se contentar com o que tinha. Trata-se de uma reflexão interessante e muito atual. A vertigem da posse avassala a maioria das criaturas da Terra. Homens e mulheres perdem a paz e, muitas vezes, a dignidade, na busca de riquezas. Multiplicam suas atividades, para muito além do necessário, a fim de possuir muitas coisas. Com tal proceder, deixam de prestar atenção em questões graves da existência humana. Para ter mais e mais, abdicam do convívio com amigos e familiares e se deixam tomar pelo egoísmo. A vida simples constitui uma condição da felicidade relativa que o planeta pode oferecer. Contudo, ela foi esquecida por grande parte dos homens. A Espiritualidade informa que a esmagadora maioria das súplicas que partem da Terra não se alça a planos superiores. Elas não conseguem avançar além de seu acanhado âmbito de origem. Isso porque os pleitos dirigidos à Divindade costumam conter estranhos absurdos. Raras pessoas se contentam com o material recebido para a solução de suas necessidades. Raríssimas pedem apenas o pão de cada dia, como símbolo das aquisições materiais indispensáveis. O homem incoerente não procura saber se possui o menos para a vida terrena. Ele costuma andar ansioso pelo mais nas possibilidades transitórias. Geralmente, permanece absorvido pelos interesses perecíveis. Insaciado, inquieto, vive sob o tormento angustioso de desmedida ambição. Na corrida louca para o imediatismo, esquece a oportunidade que lhe pertence. Desvaloriza e considera pouco o que a Sabedoria Divina lhe depositou nas mãos. Olvida que renasceu para se pacificar e tornar virtuoso, e não para amontoar coisas que deixará ao morrer. Com isso, atira-se em aventuras de consequências imprevisíveis, em face de seu futuro infinito. Quem já entende a finalidade superior da existência terrena, precisa se esforçar para sair desse círculo vicioso. De nada adianta gastar todas as energias em questões transitórias, com esquecimento do objetivo essencial da vida humana. Cedo ou tarde, a morte de forma simples e clara revela a cada um o que é de fato importante. Para não se arrepender amargamente, importa analisar a essência dos próprios desejos. Faz sentido arder de cobiça pelo que ficará em suas mãos por reduzidos instantes? Não é melhor libertar-se de tanto apego e prestar atenção em questões mais importantes, como a família, os amigos e as dores que pode amenizar? Há muitos séculos, Paulo de Tarso iluminou-se ao aprender a contentar-se com o que tinha. Ninguém fará essa lição por você. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 29, do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 18.04.2012.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ANTE OS QUE NOS SERVEM

JOSÉ RAUL TEIXEIRA
É comum que, em nossas preces, peçamos a Deus, entre tantas coisas, que nos ajude a encontrar alguém de confiança. Alguém que nos possa auxiliar nos trabalhos repetitivos e multiplicados do nosso lar. Assim procedemos porque reconhecemos necessitar de ajuda, bem como desejamos empregar nosso tempo em outras coisas úteis que pretendemos fazer. O Criador, em Sua bondade, normalmente dirige uma boa alma para o caminho da nossa casa, de modo que mais despreocupados, consigamos realizar tudo quanto almejamos. Dessa maneira, surgem bons cozinheiros, faxineiras caprichosas, atenciosas babás para nossas crianças, cuidadoras para os nossos idosos. Também enfermeiros devotados e jardineiros sensíveis, dentre outros tipos de profissionais. Isso nos permite, em retornando ao lar, provenientes das ocupações comuns, encontrarmos tudo organizado: casa limpa, os idosos e os pequenos bem atendidos, a alimentação esmerada, mesmo que simples. Tudo, enfim, para o nosso conforto e tranquilidade. Felizes, agradecemos a Deus por nos haver atendido as rogativas. É cabível, no entanto, que tenhamos um olhar generoso para quem trabalha em nosso lar atendendo as nossas necessidades. Precisamos pensar que esses servidores domésticos têm também a sua própria casa. Certamente têm filhos, esposo ou esposa, como também compromissos com a vida como nós os temos. Em vista disso, procuremos evitar qualquer espírito de exploração, retendo-os até altas horas, presos aos serviços, que começaram no início do dia. Não os obriguemos a expedientes desgastantes. Possivelmente, tais servidores têm ainda que realizar os deveres da própria casa, quando deixam o nosso lar. Com certeza, sentem dores e malestares, além do cansaço geral. Coloquemo-nos no lugar deles e, tanto quanto possível, tratemos de lhes facilitar a vida, a fim de que o trabalho em nossa casa não seja para eles um tormento suportado por conta do salário. Pelo contrário, que possa ser um motivo de justa alegria por poderem somar ao que ganham o gosto em desfrutar do nosso convívio, bem como dos nossos sentimentos de humanidade. Por vezes, o nosso auxiliar não trabalha bem. Verificamos que se queimam comidas e roupas, ou a casa não foi cuidada como seria desejado. Quem sabe tudo seja por conta de um filho que precisa ser levado ao médico, e não há tempo. Não seria por causa de uma dor de dentes violenta sem atendimento? Não terá ficado em casa o cônjuge acamado e a sós? Se contratamos alguém, temos o direito de cobrar pelos serviços bem executados, bem atendidos, naturalmente. Contudo, não podemos esquecer do nosso dever de ter por ele a consideração humana, como desejamos merecer dos nossos patrões ou da sociedade. Importante que o ensinemos com paciência como desejamos que as coisas sejam feitas; que o ajudemos com bondade a superar limitações indesejadas. Que o olhemos nos olhos, façamos comentários gentis a respeito dos serviços executados, para que ele saiba que apreciamos o que bem realiza. Que saibamos lhe agradecer a colaboração, a boa vontade, evitando transformar a sua condição subalterna numa via de indiferença e de exploração desumana. Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 49, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de José Raul Teixeira, ed. FRÁTER. Em 16.11.2016.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CONTAR AS BÊNÇÃOS

A natureza, caprichosa artesã, jamais repete um alvorecer ou um pôr de sol. A cada amanhecer o céu se veste com cores e tons diferentes. Há manhãs de sol e de muita luz, que nos convidam a despertar sorrindo. Há manhãs cinzentas, em que nuvens escuras e densas cobrem sem piedade os raios dourados do sol. Há tardes em que o poente assume cores que nem mesmo os mais criativos pintores jamais arriscaram usar em seus trabalhos. Há poentes em que a garoa fina domina a paisagem, ocultando, em meio à bruma, até mesmo as árvores mais próximas. Há noites sem luar, quando as sombras invadem nosso olhar e as estrelas distantes parecem senhoras de um brilho ainda mais intenso. Há dias de sol e há dias de chuva. Assim também são os momentos de nossas vidas. Nenhum minuto repete minutos anteriores. Nenhum dia é igual a outro que já vivemos, tampouco será idêntico a algum que ainda vamos viver. A vida é feita de experiências únicas que, somadas, criam o arcabouço de nossa história. Há momentos de alegria e momentos de dor. Há conquistas que nos felicitam. Há perdas que nos dilaceram. Tudo que vivemos e aprendemos integra nossas existências e forma o ser que somos ou que um dia seremos. É evidente que nem todos os momentos são fáceis. Há dificuldades que nos parecem intransponíveis e dores infinitas. Nesses momentos o desalento deita sobre nós o peso do sofrimento e da angústia. Curvamo-nos, incapazes de olhar o horizonte, e só vislumbramos as pedras do caminho. Não somos capazes de perceber a luz do sol que brilha acima das nuvens. Tampouco notamos a beleza das flores que emolduram a nossa estrada. Nessas ocasiões, lembremo-nos de contar as bênçãos recebidas. Enumeremos as dádivas que iluminam nossos dias. São tantas! O corpo físico, instrumento bendito que nos possibilita mais essa jornada terrestre; a família, composta por amores do passado e do presente, oportunizando-nos reconciliação e crescimento conjunto; os amigos, presenças que nos fortalecem e animam nas mais variadas situações; o trabalho, fonte de recursos materiais a sustentar-nos e engrandecer-nos; a mensagem do Cristo, guiando nossos passos por trilhas de luz, consolando-nos sempre; a natureza exuberante, prova inequívoca da existência e da presença de Deus em nossos dias.
 * * * 
Não deixe que as adversidades ocultem dos seus olhos as bênçãos que a vida lhe concede. Se a saúde lhe falta, se os amores se afastaram ou se os recursos materiais se mostram escassos, não se entregue ao desespero. São apenas dias de chuva a preceder manhãs de sol. São situações passageiras e necessárias para o aprendizado do Espírito. Valorize o que de bom você já conquistou. As verdadeiras riquezas não são consumíveis pelo tempo, nem podem ser corroídas pela inveja alheia. Ao contrário, elas integram e integrarão, para sempre, a essência de cada ser, completando-o. Conte as bênçãos que já lhe chegaram às mãos e que hão de fazer eternamente parte da sua existência imortal. Levante os olhos, seque as lágrimas e prossiga sempre. 
Redação do Momento Espírita. Em 31.01.2010.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CONTANDO TESOUROS

Após a aula de Educação Física, o professor Jorge pediu aos seus alunos que se reunissem em torno dele. Como hoje é nosso último dia de aula, eu vou lhes propor um desafio, falou ele. Aquele que me trouxer o objeto mais caro, seja qual for, ganhará esta bola de futebol. Os alunos ficaram afoitos. Assim, ao sinal do professor, saíram correndo pela escola, a fim de buscarem o objeto mais caro que pudessem encontrar. Alguns entraram nas salas de aula, pedindo aos outros professores que lhes emprestassem seus relógios, anéis, colares. Outros foram conferir os enfeites que ornamentavam a mesa da diretora, buscando por aqueles que, julgavam, seriam os mais caros. Meia hora depois, conforme o combinado, reuniram-se novamente na quadra esportiva, com o intuito de apresentar seus objetos ao professor. Um a um, cada aluno foi apresentando ao educador e aos colegas o objeto coletado. Alguns haviam trazido joias. Outros, artigos preciosos de decoração. Houve até mesmo quem trouxesse equipamentos eletrônicos. E, então, chegou a vez de João. Ele se postou à frente dos colegas e retirou do seu bolso uma pequena fotografia, na qual estavam retratados sua mãe, seu pai, seu irmão mais velho e sua irmã caçula. Os colegas, vendo objeto tão simples e comum, começaram a caçoar. As risadas que começaram meio tímidas logo cresceram em volume. O professor repreendeu aquele comportamento e disse que cada qual era livre para apresentar aquilo que mais lhe aprouvesse. Esperou, então, que todos os estudantes terminassem de apresentar suas conquistas e, pedindo silêncio, apontou o vencedor: João. A turma não se conteve. Como poderia o professor ter escolhido a fotografia de João quando tantos objetos caros haviam sido apresentados? Jorge, observando o alvoroço da turma, esperou pacientemente que eles se acalmassem e, dando voz a João, perguntou o motivo pelo qual ele apresentara aquele retrato de família. 
-Meus pais e meus irmãos são meu grande tesouro, respondeu o menino. Não há nada no mundo que, para mim, valha mais do que eles. 
O professor, como que já esperando aquela resposta, sorriu para o garoto e o abraçou, lhe entregando o prêmio. Depois, se dirigindo a toda turma, explicou: 
-Recebemos da vida muitos tesouros: bens materiais, amizades, nossas famílias e muitos mais. Porém, alguns são mais valiosos do que outros. O verdadeiro sábio,prosseguiu, é aquele que sabe dar o valor correto para cada um deles. 
Sorrindo, finalizou: 
-E, por acaso, existe bem mais precioso, mais caro e mais importante no mundo do que nossas famílias? Parabéns por nos lembrar disso, João! 
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O Criador, em toda Sua sabedoria, nos reúne em famílias a fim de que elas nos sejam laboratório de experiências. Afinal de contas, como podemos almejar o amor ao próximo, o perdão, a caridade, a paciência e todas as outras virtudes, quando não as colocamos em prática nem ao menos com aqueles que são nosso próximo mais próximo? Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada. Em 4.4.2014.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A CONTAMINAÇÃO

Ananda era uma garota indiana, que vivia a vida miserável dos párias. Desde os primeiros dias da infância aprendera a não erguer o olhar para encarar outra pessoa. Oito mil anos de cultura lhe diziam que ela era indigna, por ser pária. Exímia nadadora, vivia de mergulhar no rio Ganges a retirar peças de vestuário, jóias e calçados dos cadáveres. Certo dia, descobrindo-a enferma, a família a vendeu a um prostíbulo, onde ela conheceu a lama fétida da imoralidade. Exausta, fugiu para outra cidade, sendo recolhida pelas mãos caridosas das monjas lideradas por Madre Teresa de Calcutá. Conheceu a mensagem de Jesus e optou por se tornar uma das servidoras da Ordem de Madre Teresa. Anos mais tarde, foi servir aos aidéticos em uma penitenciária masculina americana. Foi ali que a sua beleza amorenada, de olhos amendoados, despertou a paixão de um dos internos. Ele a desejou e passou a assediá-la, enquanto ela se esquivava com habilidade. Como as almas corrompidas não acreditam na dignidade de ninguém, entendeu o enfermo que ela o rejeitava por ser aidético. Em certa data em que a dedicada Ananda atendia um doente terminal, ele tomou de uma seringa, encheu-a com o próprio sangue e, traiçoeiro, injetou grande quantidade na freira.
-Agora somos iguais! gritou, vitorioso. 
Estranhamente, a missionária não contraiu a Síndrome da Imunodeficiência adquirida - a AIDS. Mesmo anos depois, continuou a mostrar que era soro-negativa. 
- Mas por quê? 
Perguntaram-se os médicos. Afinal, ela recebera uma quantidade concentrada de vírus. Estudiosos haveriam de constatar que quem comanda o cérebro é a mente, não sendo ele senão uma máquina que obedece aos comandos daquela. Pesquisando mais atestaram que, quando amamos, sorrimos, adquirimos resistências às viroses, baciloses e toda sorte de doenças. Constatou-se que uma substância enzimática que existe na saliva diminui, sob certas circunstâncias, como seja a de se assistir a filmes violentos, com predominância de ódio, sexo e agressões. Isto torna o indivíduo vulnerável a contrair, a partir de um simples resfriado, enfermidades graves. Essa substância aumenta o seu potencial ante mensagens de amor, de beleza, de altruísmo, conferindo possibilidades de saúde. Ananda não se contaminou pois estava em paz, em harmonia. O seu era o desejo de servir no bem. Adoecer, enfermar, contrair moléstias é decisão pessoal. Não foi por outro motivo que as exortações de Jesus se referem à paz de consciência: Vigiai e orai, para que não venhais a sucumbir. 
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O primeiro caso de AIDS foi diagnosticado no ano de 1980, em Los Angeles. À época ainda não se havia dado uma denominação à enfermidade, que seria confirmada como um grande flagelo, a partir do surgimento de outros tantos casos em Nova York, Miami, Paris, Taiti, Rio de Janeiro. O vírus da AIDS chama-se HIV e foi descoberto em Paris. 
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A AIDS e o sexo na visão espírita, de Divaldo Pereira Franco. Em 20.01.2010.