quinta-feira, 7 de julho de 2016

CÓDIGOS E CÓDIGOS

Um assunto sempre atual é o Código de Trânsito. Uns falam a favor, outros contra, e outros o desconhecem. Para alguns, o Código em nada muda seu comportamento porque já agem de acordo com as normas estabelecidas pelo bom-senso. Conduzem seu veículo com prudência, prezando pela sua vida e a de seus passageiros, a dos demais motoristas, dos pedestres, enfim, respeitando a vida sempre. Diversos se esforçam por conhecer as leis e adequar-se a elas. Outros afirmam que não será um codigozinho que servirá de freio para os desatinos que já vinham cometendo. Dirigem embriagados, pondo em risco a própria vida e a vida de todos quantos cruzem seu caminho. Acham-se os donos do mundo, são a mais pura expressão de egoísmo e prepotência. Dessa forma, fazendo um paralelo entre os Códigos humanos e os Códigos Divinos, vamos encontrar, da mesma forma, os que já os respeitam quase que em totalidade, os que os buscam conhecer e respeitar, os que lhes são contrários, e os que os desprezam, crendo-se mais espertos que o próprio Criador. Todavia, há uma diferença significativa entre ambos. Enquanto as infrações cometidas contra as leis humanas só serão registradas se os representantes da lei as detectarem, as infrações contra as Leis Divinas ficam gravadas nos arquivos da própria consciência imortal que as cometeu. Assim, com relação aos Códigos humanos, há infrações que não sofrerão sanções, dando motivo a que o infrator pense que levou a melhor, que é muito esperto. Mas isso jamais ocorre com relação aos Códigos Divinos, uma vez que todos os nossos atos são registrados por mecanismos perfeitos e invioláveis. Ainda que o infrator pense que está sendo esperto por ludibriar as leis humanas, suas faltas ficam impressas em si mesmo, como em um filme, cujo diretor e protagonista é ele mesmo. Assim, por mais que nos aborreça a existência de leis que regulam a vida social, temos que convir que elas são necessárias, embora nem todas sejam justas e conformes com o bom-senso. Para a formulação de leis justas e imparciais, é necessário que a Humanidade avance moralmente, despojando-se de qualquer interesse pessoal a benefício da comunidade em que vive. Quando os homens aprenderem a sacrificar seus interesses por amor à justiça, então as leis serão observadas naturalmente, sem imposição nem fiscalização. E essa será uma das características da sociedade do futuro, pois o progresso moral é Lei Divina. Até mesmo os Espíritos mais teimosos serão levados de roldão, caso não se ajustem aos Códigos Divinos. Assim como são tomadas medidas mais severas para aqueles que não querem submeter-se ao Código de Trânsito porque têm recursos para pagar as multas, as Leis Divinas também têm recursos mais convincentes para que a elas nos ajustemos. 
 * * * 
A disciplina faz parte da vida. Tudo, em a natureza, nos dá mostra de disciplina. Os astros giram nos espaços infinitos obedecendo normas estabelecidas pelo Criador. Os animais e as plantas nascem e se reproduzem segundo sua espécie e na época certa. Sem disciplina, a vida em sociedade seria o caos. Com disciplina e respeito mútuos, vivemos em harmonia e todos nos sentiremos integrantes de uma sociedade justa e civilizada. 
Redação do Momento Espírita Em 16.06.2009.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

COBRANÇA INDEVIDA

Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, seguindo por longa estrada. Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, ouviram um gemido. Verificaram e descobriram um homem caído. Estava pálido e com uma grande mancha de sangue, próxima ao coração. Tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência. Com muita dificuldade, mestre e discípulo o carregaram para o casebre rústico, onde viviam. Lá trataram do ferimento. Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca. Disse também que conhecia seu agressor, e que não descansaria enquanto não se vingasse. Disposto a partir, o homem disse ao sábio: 
-“Senhor, muito lhe agradeço por ter salvado a minha vida. Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.” 
O mestre olhou fixo para o homem e disse:
-“Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.” 
O homem ficou assustado e disse:
-“Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!” 
Com serenidade, tornou a falar o sábio:
-“Se não pode pagar pelo bem que recebeu, com que direito quer cobrar o mal que lhe fizeram?” 
O homem ficou confuso e o mestre concluiu:
-“Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que aconteçam em sua vida, pois a vida pode lhe cobrar tudo de bom que lhe ofereceu.” 
Todos os dias somos aquinhoados com centenas de bênçãos. A primeira, é a própria oportunidade de tornar a abrir os olhos no corpo físico. Depois, a oportunidade de encher os pulmões de ar. Ar que nos é dado pela Divindade. A bênção do alimento que nos nutre o corpo. Alimento que extraímos da terra generosa, bastando que nela plantemos a semente. A bênção do trabalho que nos permite o desenvolvimento das nossas habilidades, o progresso, a aquisição de bens materiais que nos são necessários. Enfim, o digno sustento próprio e dos que nos constituem responsabilidade. A bênção da religião, que nos fortalece o espírito, dando-nos o conhecimento da existência de um Deus Pai, que dirige os nossos destinos e guarda a nossa vida. A bênção da família, dos amigos, dos colegas, dos animais de estimação. Cada qual, a seu modo, nos oferta, a cada dia, seu carinho, sua devoção, enriquecendo as nossas horas. Pense, enfim, nas bênçãos que todos os dias você recebe, sem esforço algum. Você não precisa acender o sol, nem pedir a ele que apareça. Ele simplesmente vem e lhe dá calor, luz, vida. Você não necessita acionar botão algum para que o vento amigo se manifeste nos dias de ardência. Ele simplesmente vem. Balança o arvoredo, espanca nuvens borrascosas, limpa o céu e ainda brinca de desarrumar os seus cabelos. Você não precisa suplicar ao botão para desabrochar. Ele arrebenta em perfume e colorido para o seu deleite. Você não precisa suplicar aos pássaros que encham de sons o dia. Eles aparecem e brindam seus ouvidos com a variedade infinita de seus trinados e cantorias. Por tudo isso, pense, que direito você tem de tomar contas a quem quer que seja, por algo ruim que lhe tenha feito, ante um débito tão grande para com a divindade que tudo vê, provê, sem exigência alguma.
Pense nisso! 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.

terça-feira, 5 de julho de 2016

CLARO ESCURO

“Conta-me...
 Como é o sol, lua sincera?
 Encanta-me...
 Teu lume azul, tua esfera.

 Daríamos valor ao dia
 Se a noite não nos fosse companhia?
 Teria eu tua presença, sol, astro amigo
 Se o claro fosse do escuro inimigo?

 E as cores, na ausência da intensidade
 Pintariam retratos com tanta propriedade?
 E a luz própria, que procuramos descobrir
 Teria algum sentido em surgir?

 Se tudo nascesse claridade
 E da penumbra não surgisse...
 Onde estaria a felicidade
 No fim de uma jornada que não existisse?

 Conta-me...
 Como é o sol, lua sincera?
 Encanta-me...
 Teu lume azul, tua esfera.”

O poema nos fala da evolução humana, e dos caminhos que trilhamos para alcançar o objetivo maior, a sublimidade, a perfeição.
O processo evolutivo não dá saltos. Tudo no Universo segue desenvolvimentos graduais, desde as transformações das galáxias, dos globos, até o crescimento moral dos Espíritos.
Não há criatura no Universo criada perfeita. A perfeição é finalidade de todos, e não há privilégios na Criação Divina.
Os anjos, por exemplo, são apenas Espíritos Superiores, que alcançaram este estágio de beleza moral e intelectual por seus próprios esforços.
Partimos todos, sem exceção, da ignorância e da simplicidade, destinados à felicidade, à perfeição.
Seguimos nossos caminhos fazendo escolhas, regidos pela Lei maior de Causa e Efeito, voltando à carne tantas e tantas vezes para desenvolver nossas virtudes, semeadas nos jardins íntimos da potencialidade.
Criaturas de Deus - desta Inteligência Suprema e Causa Primeira de todas as coisas - levamos as Leis maiores do Universo nas vastas naves da consciência.
Criaturas de Deus, trazemos a possibilidade do contato constante com o Pai, através da oração sincera e da confiança raciocinada nos mecanismos educacionais da vida.
Criaturas de Deus, partimos da penumbra, da ausência das virtudes no coração, com o objetivo de conquistar a luminescência própria, assim como os astros do Cosmos que aprendemos a chamar de sóis. 
                                                           *   *   *
Todos trazemos o sol potencial em nossas almas...
Todos trazemos a perfeição potencial em nossas almas...
Resta-nos seguir, e seguir em frente, conquistando a felicidade em cada alvorada, em cada nova oportunidade que o Criador nos concede de darmos mais um passo, de brilhar um pouco mais nossa luz.
Resta-nos seguir, seguir e amar, pois não há senda mais segura e agradável do que aquela apontada pelo amor...
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no poema Claro escuro, de Andrey Cechelero.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO

Do final do século XIX aos dias atuais, houve um grande avanço tecnológico. Isso ninguém pode contestar. O homem venceu os espaços e chegou à lua... Construiu máquinas capazes de vencer as distâncias entre os continentes, entre as nações. Descobriu a cura de enfermidades até então tidas como incuráveis. Conseguiu erradicar da face da Terra doenças que dizimavam vidas. Embora todo o progresso tecnológico conseguido e apesar da possibilidade de comunicação instantânea, o homem não logrou sequer minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor, a doença e a morte. Conquanto a humanidade avance a passos largos na conquista de melhores condições de vida, de descobertas científicas, de aperfeiçoamento na produção de alimentos, vestuário, e outras tantas conquistas, não consegue deter a onda de violência que apavora os seres. Não consegue erradicar o preconceito do coração do homem, a revolta dos povos vencidos, as catástrofes de toda ordem que assolam as nações. É de nos perguntarmos: por quê? Por que tanta miséria moral, diante de tantas conquistas intelectuais? A resposta é simples. Os Benfeitores da humanidade esclarecem em “O Livro dos Espíritos”, que o progresso intelectual engendra o progresso moral, mas que o moral nem sempre o segue imediatamente. É preciso que os povos se tornem civilizados, e não apenas povos esclarecidos. Na busca desenfreada por melhores condições de vida, no campo material, o homem esqueceu de voltar sua atenção para ele mesmo, enquanto figura principal dessa engenharia toda. São importantes as conquistas intelectuais, porque as morais devem vir depois. Homens intelectualmente desenvolvidos, podem melhor compreender o bem e o mal e optar pelo bem. Basta que uma virtude brote nos corações: a piedade, que é o embrião da caridade. Quando o homem se detiver diante do sofrimento alheio e lutar por solucioná-lo, descobrirá naturalmente o caminho que o conduzirá à felicidade. Essa é a orientação espírita. Só lograremos a nossa própria felicidade, fomentando a felicidade do próximo. Se somos todos irmãos, não podemos admitir que sejamos felizes, vendo os demais padecendo fome e frio, sem possibilidades de educação, de crescimento, de um lugar ao sol. Numa sociedade verdadeiramente civilizada todos terão, pelo menos, o necessário para viver. E numa sociedade moralizada todos seremos amparados e, solidários, venceremos a solidão, a ansiedade, a dor... Porque vencidas serão as distâncias que separam os seres e os infelicitam. 
 *** 
Você sabia que a inteligência é poderoso instrumento para fomentar o progresso da humanidade? Deus quer que as pessoas inteligentes usem-na para o bem de todos e não para esmagar os mais fracos. E você sabia que por mais inteligente que seja o homem, seu saber tem limites muito estreitos e restritos ao nosso planeta? Por esse motivo ninguém tem o direito de envaidecer-se de sua inteligência, pois a Terra representa um grão de areia diante do Universo infinito.

domingo, 3 de julho de 2016

CIÚMES

Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce. William Shakespeare apresenta em sua obra Otelo, uma análise profunda, incômoda e intensa desse grande gigante da alma, o ciúme. Na clássica peça Shakesperiana, o General mouro Otelo é envenenado pela desconfiança, vinda do verbo afiado e sorrateiro de seu alferes, Iago. Iago, também por ciúme e inveja, procura uma forma de destruir seu amo e sua amada, Desdêmona, e encontra nesse poderoso tóxico a maneira de promover sua vendeta. Procurando descobrir mais sobre esta fragilidade humana, vamos perceber o ciúme como a inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos. É uma espécie de distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo. Adentrando na intimidade deste sentimento, vamos descobrir que ele é medo. Medo de algum dia sermos dispensáveis à pessoa com a qual nos relacionamos. Medo de sermos abandonados, rejeitados ou menosprezados. Medo de não mais sermos importantes. Medo de não sermos mais amados, enfim, é, de certa forma, medo da solidão. O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos revela que tal sentimento é totalmente voltado para si mesmo, egocentrado e, por esta afirmação, podemos entender o porquê da frase do personagem Iago, de Shakespeare, dizendo que o ciúme não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo. Suas causas interiores, segundo o Espírito Joanna de Ângelis, são encontradas principalmente na insegurança psicológica, na baixa autoestima, no orgulho avassalador que não suporta rivalidades. E no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa volta como posses. O ser inseguro transfere para o outro a causa desta insegurança, dizendo-se vítima, quando apenas é escravo de ideias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateiam incêndios em ocorrências imaginárias. Agravado, este sentir leva a psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais. O ciúme é um sinal de alerta, mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado. A terapia para o ciúme passa pelo autoconhecimento, quando percebemos a fragilidade em nós, e tomamos atitudes práticas de autocontrole, autodisciplina, para erradicá-lo gradualmente da vida. O tratamento também prescreve uma reconquista da autoestima, da confiança em si mesmo, tornando-nos menos sensíveis às investidas cruéis desse vício moral. Finalmente, as ações no bem, que fazem com que a alma se doe e amplie seu leque de relações, também colabora significativamente para educar o sentimento de posse exacerbado e inquieto. O amor não precisa do sal do ciúme para temperar as relações. O sabor de todo relacionamento sadio virá da confiança irrestrita e do altruísmo, que pensa sempre no bem do outro.
Redação do Momento Espírita com base no cap. Ciúme, do livro O ser consciente, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 17.09.2010.

sábado, 2 de julho de 2016

CIÚME SEM RAZÃO

Ao deixar a roupa suja no lugar apropriado, tropecei no diário da minha irmã de treze anos. Logo pensei: 
-O que eu faço agora? 
Eu sempre tive ciúme de minha irmã caçula. Seu sorriso charmoso, sua personalidade cativante e muitos outros talentos ameaçavam meu lugar como filha principal. Eu competia com ela silenciosamente e via crescer suas habilidades naturais. Por conseqüência, nós raramente nos falávamos. Eu procurava oportunidades para criticá-la e superar seus feitos. Agora, seu diário estava aos meus pés. Eu não pensei nas conseqüências. Não levei em conta a sua privacidade, a moralidade de minhas ações, nem seus sentimentos. Eu apenas saboreei a chance de encontrar segredos suficientes para sujar a reputação de minha concorrente. Raciocinei que seria meu dever, como irmã mais velha, verificar suas atividades. Apanhei o livro do chão e o abri. Folheei as páginas, procurando por meu nome, convencida de que descobriria tramas e calúnias. Quando encontrei, o sangue gelou em meu rosto. Era pior do que eu suspeitava. Senti-me fraca e sentei-me no chão. Não havia nenhuma conspiração, nenhuma difamação. Havia uma descrição sucinta de si mesma, de seus objetivos e de seus sonhos, seguidos por um curto resumo da pessoa que mais a inspirava. Eu comecei a chorar. Eu era sua heroína. Admirava-me por minha personalidade, minhas realizações e, ironicamente, por minha integridade. Queria ser como eu. Tinha me observado por anos, quieta, maravilhando-se com minhas escolhas e ações. Eu parei a leitura, golpeada pelo crime que havia cometido. Eu tinha perdido tanta energia para mantê-la fora do meu caminho... Agora, eu violara sua confiança. Lendo as sérias palavras que minha irmã tinha escrito, me pareceu derreter uma barreira gelada em meu coração e eu desejei conhecê-la de verdade. Eu podia, finalmente, pôr de lado a insegurança estúpida que me manteve longe dela por tanto tempo. Naquela tarde, quando consegui me sustentar sobre as próprias pernas, decidi ir até ela. Mas, desta vez, para conhecer em vez de julgar, para abraçar em vez de lutar. Para viver como verdadeiras irmãs. 
 * * * 
Por vezes, temos agido como crianças, com relação às pessoas que nos cercam. Imaginamos que não gostam de nós, que desejam nossa infelicidade, nossa queda. Importante não estabelecer pré-julgamentos em nenhuma situação, por mais que os fatos conspirem a favor. Nem sempre será possível descobrir os sentimentos dos outros pelas aparências. Há pessoas que não conseguem exprimir seus sentimentos e dão impressão de frieza ou indiferença. Por essa razão é que o pré-julgamento é altamente prejudicial. Assim sendo, se for preciso imaginar os sentimentos dos outros, façamos esforços para imaginar sempre o melhor. O ciúme produz o câncer da suspeita, transformando os sonhos de sua esperança em pesadelo cruel, que se converte em enfermidade demorada, a lhe corroer interiormente. Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de Elisha M. Webster, traduzido por Sergio Barros. Em 13.01.2009.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CIÚME DESTRUIDOR

A vida de Ana se tornara muito ruim, desde o momento em que começara a desconfiar que Artur, seu marido, tinha outra mulher. Ana olhava para ele e se sentia traída. Toda vez que Artur chegava atrasado do trabalho, mesmo que dissesse que fora o trânsito complicado ou uma reunião de última hora, ela pensava: Demorou por causa da outra. Devem ter se encontrado hoje. Por isso se atrasou. A paz do lar ficou comprometida. Ele chegava cansado, ela estava mal-humorada e procurava todos os motivos para reclamar. Por vezes, ela surpreendia Artur dispersivo. O pensamento distante. Era o suficiente para pensar consigo mesma: Olhe só como está pensativo! Aposto que está pensando nela. Finalmente, um dia, ela resolveu seguir o marido para o surpreender. Esperou-o na saída do trabalho. Ele pegou o carro, andou algumas quadras e parou na floricultura. Ela viu quando ele escolheu as maravilhosas flores e saiu carregando-as com carinho. Mau caráter, pensou ela. Gastando com outra. Aquilo a deixou de tal forma desconcertada, que começou a chorar. Foi para casa e se jogou na cama. Chorou muito. Pouco depois, ela ouviu a porta abrir e seu marido chegar. Escutou os passos dele na escada, subindo até o quarto do casal, onde ela estava. Mal o viu adentrar o quarto, ela se sentou na cama, os olhos vermelhos de chorar, os cabelos em desalinho e desabafou: 
-Eu vi tudo. Você não pode negar. Comprou flores para ela. Rosas vermelhas maravilhosas. Você me traiu. Traiu o nosso amor. 
Alterada, ela se levantou e avançou na direção dele. Para sua surpresa, verificou que ele trazia nas mãos o lindo ramalhete de rosas vermelhas. Um pouco chateado, estendendo o ramalhete para ela, ele falou: 
-Ana, hoje é dia do nosso aniversário de casamento. Você não lembrou? 
 * * * 
O ciúme cria quadros exagerados, fomentando desconfiança. Atestado de insegurança, destrói o relacionamento pelo clima de tensão que cria a todo momento. Cultivador da infelicidade, o ciúme altera a correta visão dos fatos, aumentando a importância de pequenos atrasos, desejos não atendidos, esquecimentos de datas e compromissos a dois. Criando azedume, envenena a alma e desassossega o pensamento. Colocando óculos escuros na visão mental, tudo faz parecer sombrio, devastador. Uma distração é tida à conta de desinteresse. O atraso para um encontro é considerado desrespeito. Fora da realidade sempre, o ciúme provoca cenas desastrosas e desgastantes, em situações onde uma leve indagação ou uma conversa a dois, com toda a certeza, resolveria. 
 * * * 
Nunca deixemos que o ciúme nos atormente. Ele é o responsável pela devastação de corações e de lares. Se nos sentimos inseguros, fortifiquemos a relação a dois com diálogos mais profundos, com saídas para um passeio ao luar ou um final de semana a sós. Se o outro estiver, verdadeiramente, permitindo que a relação esfrie, que o amor amorne, providenciemos o melhor para o estreitamento dos laços afetivos, guardando a certeza de que é nos pequenos gestos que a relação se fortalece.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 48, do livro Para que minha vida se transforme, v. 1, de Maria Salete e Wilma Ruggeri, ed. Verus. Em 24.10.2014.
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