quarta-feira, 7 de maio de 2014

OS DOIS AMIGOS

Dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador. 
Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita. Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos.
Cada um seguiu o seu rumo. 
À noite, já no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou:
"Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu". 
Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu.
Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando: "Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar. As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter". 
Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer.
Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente. 
Olharam-se espantados. Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção. Amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro.

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

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terça-feira, 6 de maio de 2014

A FOLHA AMASSADA

Quando criança, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva à menor provocação.
Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.
Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas, depois de uma explosão de raiva, e entregou-me uma folha de papel lisa e me disse:
-Amasse-a!
Com medo , obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora, deixe-a como estava antes. Voltou a dizer-me.
Óbvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentasse, o papel continuava cheio de pregas.
O professor me disse, então:
- O coração das pessoas é como esse papel. A impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim, aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. 
Quando sinto vontade de estourar, lembro daquele papel amassado.
A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.
Quando magoamos alguém com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas é tarde demais...
Alguém já disse, certa vez:
- Fale somente quando suas palavras possam ser tão suaves como o silêncio.
Mas não deixe de falar, por medo da reação do outro.
Acredite, principalmente em seus sentimentos!
Seremos sempre responsáveis pelos nossos atos, nunca se esqueça.

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

UM SÉCULO DE SABEDORIA

Alice Herz-Sommer
"O Segredo da Felicidade é a Liberdade,
o Segredo da Liberdade é a Coragem."

Alice Herz-Sommer nasceu em Praga, em 1903, numa família de ascendência judaica de elevado nível cultural. A mãe era de uma família de músicos da Morávia, e amiga de infância de Gustav Mahler. Alice lembra-se de assistir à estreia da 2ª Sinfonia de Mahler em Praga, tinha então oito anos de idade. 

Alice começou a ter lições de piano aos cinco anos de idade. Por volta dos dez anos já participava em concertos, interpretando Bach, Beethoven, Schumann e Smetana. 

Em 1939, quando os alemães ocuparam a Boémia e a Morávia, Alice Herz-Sommer já tinha uma carreira consagrada como pianista na Europa Central. Nesse mesmo ano, uma parte da sua família conseguiu fugir para a Palestina. Alice, no entanto, ficou em Praga a cuidar da mãe doente, que foi a primeira a ser deportada para Terezín. Em Julho de 1943, Alice, o marido e o filho – Raphael -, de seis anos de idade, foram igualmente deportados para aquele campo. 

Em Terezín, apesar das condições de vida duríssimas, Alice Herz-Sommer deu mais de 100 concertos, juntamente com outros colegas músicos. 

Para os alemães, em geral apreciadores de música, assistir aos concertos era puro entretenimento. Aliás, essa era uma razão para manterem vivos certos prisioneiros (músicos dotados), como Alice Herz-Sommer. Mas a maioria da audiência nos concertos de Terezín era composta por pessoas idosas, tristes e debilitadas, que encontravam na música um suporte moral e espiritual, que lhes dava uma certa sensação de liberdade. Mesmo que por instantes, podiam esquecer-se do horror que as rodeava. 

O pequeno Raphael veio a ser o membro mais jovem do elenco de Brundibár, onde desempenhou por várias vezes o papel de “pássaro”. O marido, Leopold Sommer, foi deportado em 1944 para Auschwitz e depois para Dachau, onde morreu. 

Em Maio de 1945, o Exército Vermelho libertou o campo e Alice e o filho regressaram a Praga. Mas a situação era dolorosa: parte da sua família, a família do marido, bem como muitos amigos, tinham desaparecido. Em 1949 decidiu emigrar para Israel, onde se reuniu à família. Lá viveu e trabalhou como professora de música. Alice Herz-Sommer recorda os anos que viveu em Israel como um dos períodos mais felizes da sua vida. Em Israel, apesar da tensão política, vivia-se em democracia, uma experiência de grande significado para quem conheceu as ditaduras de Hitler e Stalin. 

Em 1986, a pedido do filho (violoncelista e maestro de renome), muda-se para Londres. Raphael morre subitamente aos sessenta e cinco anos, deixando mulher e dois filhos. Alice sofre um dos golpes mais duros da sua vida. Mas, Alice Herz-Sommer vive cada dia da sua vida com um enorme sentimento de gratidão, porque sente a vida como uma dádiva. O seu optimismo inesgotável ajudou-a a vencer mais este desgosto.

Alice Herz-Sommer vive num pequeno apartamento em Londres. Continua a praticar piano diariamente e frequentou até há pouco tempo a Universidade para a Terceira Idade, três vezes por semana, onde estudou História, Filosofia e História do Judaísmo. 

Em 2008 foi publicada a sua biografia com o título A Garden of Eden in Hell. Nela é realçada a luta incansável de uma mãe que tudo faz para criar um ambiente de felicidade para o seu filho, no meio da atrocidade e da barbárie. Com base em A Garden of Eden in Hell, Anthony Robbins fez em 2011 uma entrevista a Alice Hertz-Sommer, a sobrevivente mais antiga do Holocausto. É com ela que terminamos este artigo. 


"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

domingo, 4 de maio de 2014

JESUS E NÓS

É inegável que a História do Cristianismo confunde-se em muito com a da civilização ocidental.
É impossível rememorar esses dois mil anos passados, sem percorrer acontecimentos do Cristianismo.
Afinal, é o próprio Cristo quem divide a contagem do tempo, em antes e depois de Sua vinda.
E é de tal forma contundente Sua vinda e Sua passagem entre nós, é de tal força a Sua mensagem, que Ele não apenas conseguiu dividir o calendário terreno, mas dividiu também a vida de muitos, em antes e depois do encontro que tiveram com Ele.
Para alguns, esse encontro foi pessoal, direto. Após isso, nunca mais foram os mesmos.
Pedro foi capaz de largar suas redes para se tornar pescador de almas, como Jesus lhe propôs. Mateus, coletor de impostos, voltou as costas ao mundo para contabilizar as riquezas celestes.
Outros, encontraram-nO na intimidade da visão psíquica, com os olhos da alma, como Saulo de Tarso, na estrada de Damasco.
Após o encontro com Jesus, entregou-se à Sua causa, não olhando para trás, para sua vida antes dEle.
Francisco, da bucólica Assis, conquistou o mundo tornando-se o irmão menor de todos. Teresa de Jesus, em Ávila, ganhou as estradas a fim de fundar casas de assistência em nome dEle.
Juana Inés de La Cruz, no México, abandonou seus estudos, a imensa biblioteca, para atender aos pobres e miseráveis, em nome do amor a Jesus.
Teresa de Calcutá, na Índia, ergueu mais de quatrocentas casas, em nome da causa de Jesus, em nome do amor ao próximo.
O musicista Albert Schweitzer abandonou sua carreira musical e de orador religioso, tornando-se médico, partindo para a África Equatorial Francesa, a fim de vivenciar o amor, junto aos irmãos esquecidos.
Chico Xavier, da singela Pedro Leopoldo, foi capaz de reestruturar vidas e ensinar a seguir Jesus, na proposta de amar ao próximo.
Sem dúvida, todos esses, e tantos mais, entregaram-se e entregaram suas vidas à proposta do Cristo.
Após encontrá-lO, já não mais pensaram em si, não mais tiveram preocupação consigo, mas, plenos do mais sublime amor, viveram a Sua mensagem.
* * *
É bem verdade que não temos ainda os recursos emocionais e a grandeza moral desses que fazem de sua vida um hino de louvor a Deus.
Porém, nada impede que possamos, aos poucos, iniciar nosso caminho nessa direção.
Todas as vezes que deixarmos de pensar em nós e pensarmos no próximo; quando usarmos da humildade, da benevolência, da compreensão, ao invés da arrogância, da crítica e da prepotência, estaremos dando os primeiros passos nesse rumo.
Começando assim, dia virá em que, à semelhança de Paulo de Tarso, também perceberemos que Cristo vive em nós, pois estaremos vivendo em abundância o amor que rege todo o Universo.
Redação do Momento Espírita.

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

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sábado, 3 de maio de 2014

O PAI NOSSO DA ETERNIDADE

Sagrado Princípio, Divino Espírito Emanador,
Pai Onisciente, Onipresente e Onipotente,
Cujas Leis Fundamentais resumem o Amor,
A Virtude Divina que embala eternamente. 

Teu Sacro Nome é Santo por Essência,
Dispensa os conceitos de homem qualquer,
E quando o homem for bom, por decência,
Com o Amor triunfará, porque este é o Mister. 

Teu Reino é Amor, Inteligência e Glória,
Em cada espírito está, nos seus fundamentos.
E para desabrochar, vive o homem sua história,
Como bem ensinam, todos os Testamentos. 

Tua Vontade é Lei, acima de humanos conceitos,
Nem tarda nem falta, mas oferece reparações,
E todos assim aprendem, e executam preceitos,
Sobem na Escala, e atingem Divinos Escalões. 

Sendo acima de infernos e de humanos céus,
De tempos e locais, tão humanos e relativos,
A todos convida, para que deixem de ser labéus,
Desabrochem o Amor, e sejam da Glória cativos. 

Teu pão é o Amor, e dele é feita a Vitória,
Porque o do mundo passa, é apenas peregrino,
E quem disto vem a saber, demanda à Glória,
Aquela união vibracional, o Sagrado Destino. 

Em Tua Justiça a Harmonia tudo representa,
Com a dor e a tormenta, concita à reparação,
De cada qual faz o juiz, como a Lei sustenta,
Porque é da experiência, que surte a solução. 

Há testes, não tentações… E há que triunfar,
E para todos conhecerem, enviaste Revelações,
Dizendo que o Reino, ninguém fora irá realizar.
Visto que estão no homem, as Divinas Equações. 

Assim sejam, portanto, Tuas Leis cumpridas,
E Tuas centelhas, que foram de Ti emanadas,
Crescendo na Verdade, virão a ser unidas,
Verbos Teus serão, cumprindo Missões Sagradas. 

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

MENSAGEM DE CONFORTO


Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja. Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel
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quinta-feira, 1 de maio de 2014

MÃOS DO TRABALHO

Um jovem foi se candidatar a um alto cargo em uma grande empresa . Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do diretor para a entrevista final. O diretor viu seu CV, era excelente. E perguntou-lhe: 
- Você recebeu alguma bolsa na escola? - o jovem respondeu - - - Não.
- Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
- Sim - respondeu ele.
- Onde é que seu pai trabalha?
- Meu pai faz trabalhos de serralheria.
O diretor pediu ao jovem para mostrar suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.
- Você já ajudou seu pai no seu trabalho?
- Nunca, meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.
O Diretor lhe disse:
- Eu tenho um pedido: quando você for para casa hoje, vá e lave as mãos de seu pai. E venha me ver amanhã de manhã.
O jovem sentiu que a sua chance de conseguir o trabalho era alta!
Quando voltou para casa, ele pediu a seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
Seu pai se sentiu estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos de seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Algumas contusões eram tão dolorosas que sua pele se arrepiou quando ele a tocou.
Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que seu pai teve que pagar por sua educação, suas atividades escolares e seu futuro.
Depois de limpar as mãos de seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.
Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do moço quando ele perguntou:
- Você pode me dizer o que você fez e aprendeu ontem em sua casa?
O rapaz respondeu: 
- Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem meus pais, eu não seria quem eu sou hoje... Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.
O diretor disse: 
- Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objetivo na vida. Você está contratado.
Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de "Tenho direito" e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais.
Se somos esse tipo de pais protetores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos?
Você pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de ponta, uma televisão de tela grande... Mas quando você está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, o faça experimentar isso também . Depois de comer, que lave os pratos com seus irmãos e irmãs. Não é porque você não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque você quer amar do jeito certo. Não importa o quão rico você é, você quer entender. Um dia, você vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem.
O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.
(Tradução da postagem de Adri Gehlen Korb)

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel


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