terça-feira, 21 de julho de 2026

TRÊS PERGUNTAS

LÉON TOLSTOI
Conta-se que um soberano, no intuito de melhor governar, procurou um sábio para auxiliá-lo a estabelecer a melhor estratégia. 
Vestiu roupas simples e, antes de chegar ao destino, apeou do cavalo, deixou seus guarda-costas para trás e foi sozinho.
O sábio estava cavando o chão em frente à sua cabana. 
O rei chegou e disse:
-Vim procurá-lo porque preciso que me responda três perguntas: Como posso aprender a fazer o que é certo na hora certa? Quem são as pessoas às quais devo prestar maior atenção? Quais os assuntos aos quais devo conceder prioridade? 
O sábio não respondeu e continuou a cavar, demonstrando dificuldade na tarefa. 
O rei se ofereceu para cavar em seu lugar e preparou duas extensas sementeiras. 
Ao final da tarde, como não obtivesse resposta alguma, preparou-se para partir. 
Então, da floresta surgiu um homem correndo. 
Estava ferido e caiu desmaiado. 
O rei e o sábio o socorreram e conseguiram estancar a hemorragia. 
Levaram-no para a cama. 
E, porque a noite chegara, o rei sentou-se na entrada da cabana e, cansado, adormeceu. 
Ao despertar pela manhã, demorou um pouco para se dar conta de onde estava. 
Voltou-se para dentro. 
O ferido o olhou e lhe pediu perdão. 
-Não tenho nada para lhe perdoar, disse o rei. Nem o conheço. 
-Mas eu o conheço. O senhor prendeu meu irmão e jurei acabar com sua vida. Esperei na floresta para matá-lo. Mas o senhor não voltou. Saí de meu esconderijo e seus guarda-costas me feriram. Fugi deles. Teria sangrado até a morte se não me tivesse socorrido. Se eu sobreviver, serei o mais fervoroso de seus servos. 
O rei ficou satisfeito por ter conseguido a paz com seu inimigo.
Disse que mandaria seu médico para atendê-lo. 
Levantou-se e procurou o sábio, que estava plantando nas sementeiras cavadas no dia anterior. 
-Então, vai responder às minhas perguntas? 
Erguendo os olhos, o sábio lhe respondeu: 
-O senhor já tem todas as suas respostas. 
E, ante a surpresa do rei, explicou: 
-Se Sua Majestade não tivesse ficado condoído da minha fraqueza, ontem, e cavado essas sementeiras para mim, indo embora, teria sido atacado por aquele homem. Teria se arrependido de não ter permanecido comigo. Por isso, a hora mais importante foi quando cavava as sementeiras. Eu era o homem mais importante. Fazer-me o favor foi o mais importante. Depois, quando o quase assassino chegou correndo, a hora mais importante foi quando cuidou dele. Se não fizesse isso, ele teria morrido sem estar em paz consigo. Por isso, ele era o homem mais importante. O que foi feito por ele foi o mais importante. Então, majestade, só existe um momento importante, o agora. O homem mais importante é aquele com quem você está, pois ninguém sabe se vai tornar a lidar com outro alguém. O assunto mais importante é fazer o bem para esse com quem se está, pois esse é o grande propósito da vida. 
* * * 
A hora de agir é agora. 
O local onde nos encontramos é o mais ajustado. 
As pessoas que estão conosco são as ideais para a nossa vida e o nosso crescimento. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Três perguntas, de Léon Tolstoi, de O livro das virtudes, de William J. Bennett, v. II, ed. Nova Fronteira. 
Em 21.07.2026

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