quinta-feira, 9 de julho de 2026

NOSSAS INCOERÊNCIAS

RAUL TEIXEIRA
Muitas vezes, em nossas preces silenciosas ou no recolhimento do lar, elevamos o pensamento a Deus com um pedido recorrente: a saúde. 
É comum dizermos que, se o Criador nos conceder o bem-estar do corpo, o restante nós mesmos resolveremos.
Brindados com a saúde do corpo, acreditamos que poderemos trabalhar com honra para o sustento, estudar para iluminar a inteligência e guiar nossos filhos pelas veredas do bem. 
É um discurso bonito e, em sua essência, sincero. 
No entanto, compete-nos considerar se há coerência entre o que pedimos e nosso proceder. 
Por vezes, rogamos pela saúde ao mesmo tempo que agredimos nosso organismo com excessos à mesa ou nos entregando a vícios, como o tabaco, com suas dezenas de itens nocivos. 
Pedimos a bênção do equilíbrio enquanto nos permitimos o uso de alcoólicos que, naturalmente, nos desequilibrarão física e emocionalmente. 
Não raro, criamos problemas que transbordam para o ambiente doméstico, afetando aqueles que amamos por puro descontrole emocional. 
Nosso corpo físico é nosso instrumento precioso de trabalho nesta escola terrena. 
Mais do que isso, trata-se de uma obra-prima da engenharia divina, cedida por empréstimo para que nos alcemos para a luz. 
Quando o prejudicamos, criamos transtornos que poderão ser passageiros ou se instalar como doenças insidiosas. 
Da mesma forma, é habitual pedirmos paz. 
E Deus, em Sua bondade infinita, sempre a envia para nós.
Contudo, a conservação dessa paz em nosso íntimo é tarefa que nos cabe. 
A paz não é um estado estático que recebemos de fora, mas uma construção diária que exige o controle de nossas reações impulsivas, a disciplina de não agir impensadamente. 
Também o cuidado com as palavras agressivas que, uma vez lançadas, semeiam má vontade em nosso caminho. 
Como a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto, se oferecemos ofensas, colheremos, em algum momento, os frutos amargos, reflexo da nossa própria semeadura. 
Jesus, o Mestre por excelência, ensinou-nos que aquele que não é fiel no pouco, não conseguirá ser fiel no muito. 
É de nos indagarmos como poderemos gerir nosso destino se negligenciamos o cuidado com o nosso corpo, com nossas atitudes e com nossas ações mais simples. 
É indispensável um ajuste de rota. 
Precisamos nos libertar do que é supérfluo, daquilo que não promove o nosso bem-estar. 
Antes de nos deixarmos vencer por hábitos destruidores ou por atitudes que esfacelam nossa paz interior, vale o questionamento: 
-Para que isso me serve? 
Ao buscarmos o melhor para nós mesmos através da disciplina e do autocontrole, nossa oração ganhará uma nova força. 
Então, quando suplicarmos por saúde, equilíbrio e paz, a resposta será o suave abraço da Divindade, duplicando e consolidando tudo o que, com esforço e dedicação, estamos ensaiando dentro de nós. 
E seremos, na Terra, o reflexo de um Espírito que compreendeu que viver com equilíbrio é a forma mais bela de dizer: 
-Obrigado, Senhor, pelo dom da vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no curta Por que somos incoerentes?, de Raul Teixeira, disponível no @canalfep. 
Em 09.07.2026

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