terça-feira, 7 de julho de 2026

BOTÕES

Possivelmente, você clicou em alguns botões para ouvir esta mensagem. 
Acessou um site, um link, usando o sistema de touch screen.
Aumentou volume, baixou. 
Para isso, teve de utilizar o smartphone, que também foi ligado por um botão. 
Ou um computador pessoal: ligou, clicou aqui, ali e abriu.
Perceba como sua vida é repleta de botões. 
Quantos controles remotos? 
Quantos controles para abrir portão, porta do carro, ligar ar-condicionado, acionar ou desligar alarmes. 
Botão para dar entrada num relógio de ponto. 
Botões e botões. 
Tudo se liga e se desliga, se acessa ou se desconecta por eles.
É uma grande praticidade. 
Tudo, menos você mesmo. 
Já percebeu isso? 
Não possuímos botões. 
Não temos esses sistemas e nunca tivemos. 
Somos outro tipo de máquina, outro tipo de sistema. 
Acontece que nos acostumamos tanto com o mundo do liga/desliga, com o mundo do standby, dos acessos rápidos para isso e aquilo, que muitos de nós começamos a nos tratar assim também. 
Temos certeza de que um dos nossos grandes inimigos é o alarme da manhã. 
Em tempos idos seria um relógio barulhento na cabeceira, treinado para nos acordar na hora marcada. 
Marcada com o compromisso, mas não com o corpo. Paramos para pensar nisso? 
Chegamos a inventar o rádio-relógio, que poderia nos despertar com música ou com um alarme que parecia um aviso de incêndio, de tão assustador. 
Muitos relógios e rádios foram destruídos por pessoas que se revoltavam contra aquela determinação das horas. 
Por que será? 
Porque nosso corpo não tem botões, não é uma máquina com circuitos, com placas, que pode ser simplesmente acordado a tal hora e sentir-se bem. 
Depende de muitos fatores. Passamos a nos tratar como se pudéssemos ser ligados e desligados a qualquer momento.
Deita na cama. 
Aperta o desliga. 
A tal hora, aperta o liga e sai vivendo. 
O corpo cansa. 
Algo que nos ameaça acontece. 
Aperta o botão da fome, da sede, do pequeno descanso. 
E tudo parece seguir funcionando bem. 
Sabemos que não é assim conosco. 
Nosso corpo, ligado diretamente à mente, comandado pelo Espírito, é muito mais complexo e precisa ser respeitado, precisa ser mais bem tratado. 
Precisamos entender como funcionamos. 
Precisamos perceber nosso ritmo e não sermos agressivos conosco mesmo. Ideal seria deixar o corpo acordar sem a utilização de recursos externos, barulhentos, que o colocam em alerta como preparado para o perigo. Ideal prepará-lo igualmente para o sono, reduzindo o ritmo gradualmente ao chegar a noite, cuidando dos hábitos, daquilo que assistimos, daquilo que lemos e com o que nos alimentamos. 
A oração será sempre um recurso precioso nesse preparo.
Não pode ser mais um botão, mas sim uma proposta de higiene da alma, uma transição saudável e lenta entre momentos importantes do dia. 
Pensemos nisso, na próxima vez que apertarmos qualquer botão. 
Quais deles nos fazem bem?
Quais deles estão quase nos escravizando e nos tornando dependentes de algo que não precisamos?
Lembremos: não temos em nós os botões de refletir, pensar, sentir. 
 Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 07.07.2026

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