domingo, 13 de junho de 2021

FUI AJUDÁ-LO A CHORAR

Leo Buscaglia
Como anda seu envolvimento com as outras pessoas? 
Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda? 
Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las, ou pelo menos não deixando que alguém sofra na solidão? 
Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. 
Foi vivida pelo autor Leo Buscaglia, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era: 
A criança que mais se preocupa com os outros. 
O vencedor foi um menino cujo vizinho – um senhor de mais de oitenta anos – acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo. Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem. 
-Nada. – Disse o menino – Ele tinha perdido a sua mulher, e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar.
* * * 
A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos. Geralmente costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes, ou porque sabemos tão pouco para consolar. Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos, e que os outros são menos importantes. 
Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar. 
Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer, ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse. 
Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer 
-Estou aqui com você, são atitudes muito importantes. 
Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe, e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso. Outras vezes, mais importante que os conselhos, que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém. Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos, para conseguir ajudar. Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que têm, o que sabem, e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros. 
Você sabia? 
Você sabia que não precisamos dizer Meus pêsames, às pessoas, quando enfrentam a morte de um ente querido? 
O dicionário nos diz que a palavra pêsames, significa pesar pelo falecimento ou infortúnio de alguém. 
Assim sendo, torna-se um termo muito pesado, já que aprendemos a compreender a morte, não como um desastre, um infortúnio, e sim uma passagem, uma mudança na vida daquele que parte, e daqueles que ficam. 
Não nos preocupemos em ter algo para dizer. 
Um abraço fala mais do que mil palavras. 
Uma prece silenciosa é como uma brisa suave consolando os corações que passam por esse momento. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O que mais se preocupava, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho, ed. Globo. 
Em 25.10.2013.

sábado, 12 de junho de 2021

PARA MINHA AMADA

É dia dos namorados. 
Queria lhe escrever um poema de amor, como jamais ninguém o fez. Queria que fossem os versos mais poéticos que alguém já concebera. Tentei, mas somente resultaram folhas e folhas de papel amassado, e muitas linhas deletadas no computador. 
Pensei em comprar flores: as mais perfumadas, coloridas e aveludadas que encontrasse. Procurei em floriculturas, jardins e bancas. Nenhuma me satisfez. Essa era perfumada mas tinha muitos espinhos. Aquela era belíssima, aveludada, exuberante... mas não tinha perfume. 
Pensei em adquirir uma joia. Procurei em lojas especializadas. Uma me pareceu exagerada, considerando a sua delicadeza. Outra, pesada demais para seus delicados dedos. Examinei anéis, braceletes, colares, broches. 
Pode acreditar que nada me agradou? 
Ando tão angustiado e, por isso mesmo, insatisfeito com tudo que me é mostrado. Mas desejo homenagear o nosso amor, neste dia. 
Porque, em meio aos problemas que todos enfrentamos, diante da incerteza do amanhã que antes não se fazia tão intensa quanto nesses meses da pandemia, em meio a tudo isso, você representa a minha luz.
Você é essa criatura incrível que ao me ver atolado, no meio da papelada, não sabendo bem ao certo se faço meu trabalho ou me preocupo com as contas que se avolumam, chega e me abraça. E me fala aos ouvidos, dizendo que o amanhã está por vir, que depois da noite surge a alvorada, que depois da tempestade, sempre surge o dia bonançoso. Você me fala de esperança, me embala com sua doçura e diz: 
-Vamos conseguir vencer, juntos. 
E me convida a orar. 
E como você sabe orar! 
Sua voz soa mansa, calma, atravessa a imensidão dos céus, toca as estrelas e chega ao Senhor da Vida, como uma joia de intenso brilho. 
Você é essa criatura especial que se assenta ao meu lado, enquanto realizo as pesquisas que meu trabalho exige. 
Simplesmente, ali, sem palavra alguma. 
Uma presença. 
Basta que eu erga os olhos das páginas dos livros para encontrar o seu olhar a me falar: 
-Em frente, prossiga. Estou aqui, pelo tempo que precisar. 
Como você sabe, exatamente, o momento em que erguerei os olhos para ter os seus fixados nos meus? 
Amada minha, como poderei expressar o quanto a amo? 
* * * 
Depois de tudo, me recordo: você partiu. 
Você se foi numa madrugada e nem pudemos nos despedir entre abraços e beijos, porque quem a abraçou foi o vírus terrível, arrebatando-a deste mundo. 
Minha alma mergulhou em luto e dor. 
Como é que neste dia, eu esquecera de que já não está entre nós, que não precisa de joias, nem de mimos, nada para enriquecer o seu visual.
Porque você vive em outra dimensão. 
Está vestida de luz porque foi luz em minha vida. 
Como pude esquecer que você se fora? 
Esqueci, amada minha, simplesmente porque você deixou a veste rota da carne mas, alma amante, continua comigo. 
Têm razão todas as Escrituras e os Evangelhos: ninguém morre. 
A vida prossegue. 
E você vive. 
Então, neste dia, o que desejo lhe oferecer são as flores da minha alma.
Feliz Dia dos Namorados.
Até breve! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 12.6.2021.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

FUGAS

Uma característica muito comum, notada nos seres humanos, é a tentativa de fuga. 
Muitos de nós, quando nos sentimos pressionados por circunstâncias adversas, temos a tendência natural de fugir. 
Às vezes, quando se apresenta uma situação para a qual não vemos saída, gostaríamos que o chão se abrisse sob nossos pés e nos tragasse em definitivo. Mas, como isso não ocorre, tentamos fugir de várias outras formas. 
Para alguns a saída é afogar as mágoas num copo de bebida. Afinal, pensamos, o álcool perturba o psiquismo e tira da mente, temporariamente, a preocupação que nos faz sofrer. 
Outros fumam um cigarro após outro, numa tentativa frenética de libertar-se das idéias perturbadoras, como querendo cobri-las com a fumaça abundante. 
Outros, ainda, buscam as drogas mais pesadas, capazes de anestesiar a mente e desviar o curso dos pensamentos por alguns instantes. 
Alguns vão às compras tentando distrair-se. Compram, e compram mais, como se ocupando a mente com outras coisas pudessem livrar-se dos problemas. 
Outros viajam, vão para bem longe, buscando na distância física a tentativa de esquecimento de seus problemas. 
Muitos, infelizmente, buscam a porta falsa do suicídio, como medida mais drástica, com intuito de apagarem a mente de vez por todas, para que nunca mais possam cogitar das amarguras. 
Se buscarmos raciocinar logicamente sobre o assunto, considerando a imortalidade da alma, chegaremos à conclusão de que a fuga dos problemas, é, no mínimo, infantilidade da nossa parte. 
Jamais tivemos notícia de alguém que, tendo se utilizado de um desses artifícios, tenha logrado êxito, conseguindo que os problemas se diluíssem. 
Nem o álcool, nem o cigarro, nem as viagens, nem as compras, e tampouco o suicídio conseguem nos livrar das circunstâncias desagradáveis que necessitamos enfrentar de cara limpa e consciência lúcida. 
O que pode acontecer em tais casos, é o agravamento da situação, com o nosso comportamento inconseqüente. 
A melhor e mais acertada atitude, é buscar asserenar a mente para bem raciocinar e melhor agir na busca de soluções efetivas. 
Quando nos comportamos como crianças rebeldes só teremos, logo mais, os problemas aguardando a solução, e mais o agravamento provocado pela nossa rebeldia. 
Dessa forma, sejamos cristãos também nas horas do testemunho.
Busquemos imitar o Mestre que dizemos seguir, pois Ele, mesmo sofrendo açoites e injúrias, manteve o olhar sereno e a mansuetude nos gestos, demonstrando sabedoria e lucidez diante das situações mais graves. 
Nos momentos de tormentos, diante de problemas sérios, quando nos venha o impulso para a fuga, detenhamo-nos por alguns instantes.
Elevemos o pensamento, buscando Jesus nas paragens celestiais e aconcheguemo-nos no Seu abraço afetuoso, junto ao Seu coração magnânimo. 
Se a nossa confiança é ainda vacilante, peçamos ajuda ao Irmão Maior, que disse para que tomássemos o Seu fardo que é leve e que experimentássemos o Seu jugo que é suave. 
Agindo assim, ainda que não logremos a solução imediata dos nossos problemas, teremos uma certeza: não os estaremos agravando ainda mais. 
 * * * 
Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. 
Aguarda um pouco mais, quando tudo te empurrar ao desespero. 
Confia. 
Pois a Divindade possui soluções que desconheces para todos os enigmas da vida. 
Ama a vida e vive com amor, apesar de às vezes te sentires incompreendido, desiludido e martirizado... 
Ouve a voz suave do Meigo Nazareno a dizer: 
-Nunca estarás a sós. 
Redação do Momento Espírita. 
Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. Fep. 
Em 31.12.2008.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

MENSAGENS

Em todos os tempos, Deus enviou mensageiros à Terra, para transmitir recados aos homens. 
Os livros bíblicos são pródigos nos relatos, com maior relevância, quiçá, nos relatos do Novo Testamento. Narra o Evangelista Lucas que um anjo do Senhor foi enviado a uma cidade da Galileia, de nome Nazaré, especialmente à casa de uma jovem chamada Maria. Entrando o mensageiro onde ela estava, disse: 
-Eu te saúdo, cheia de graça. O senhor é contigo. 
E porque ela refletisse consigo mesma o que significaria semelhante saudação, continuou ele, após se identificar como o anjo Gabriel: 
-Venho te dizer que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus.Ele será grande e será chamado filho do altíssimo. E o seu reino não terá fim. 
E lhe dá ainda notícia de que sua prima Isabel também concebera e se encontrava em seu sexto mês de gravidez. O mensageiro é meticuloso em seu recado, dando detalhes que se haveriam de concretizar nos séculos futuros. Meses depois, quando Maria deu à luz seu filho primogênito, um anjo do Senhor apareceu no campo a pastores que faziam vigília, guardando os seus rebanhos. A mensagem era clara: 
-Trago-vos uma nova de grande alegria. Nasceu, hoje, na cidade de David, o Cristo Senhor. 
E a seguir uma multidão de arautos apareceu e se pôs a cantar Hosanas a Deus, saudando o nascimento do Menino. Mas Deus, em Sua bondade, não se serve somente de mensageiros espirituais, de seres do Além. Assim, homens e mulheres se transformam, na Terra, em arautos do bem, a Seu convite. Quando Maria vai a Jerusalém, com o esposo, levando o bebê, segundo as prescrições da lei de Israel, um homem se destaca.
É o velho Simeão que, tomando o menino nos braços, louva a Deus, por poder tê-lO contemplado, a Luz, a Glória do povo de Israel. Mas igualmente olha para Maria e lhe prediz que sua alma de mãe seria ferida por uma espada e que seu filho estava destinado a ser a ruína de muitos em Israel. Também Ana, a profetisa, compareceu na mesma ocasião e glorificou a Deus, falando do Menino a todos. 
Quando Jesus inicia Sua missão, elege setenta e dois discípulos e os incumbe de ir, dois a dois, pelas cidades anunciando a chegada do reino de Deus. 
A samaritana, com quem Ele se encontra, no poço de Jacó e entabula singular diálogo, se transforma em mensageira da verdade que Ele pregava. 
A mulher equivocada de Magdala se torna a mensageira da esperança para os excluídos da época, os leprosos. 
E o discípulo amado, João, é a própria mensagem do amor, não cansando de repetir, até a sua velhice: 
-Amai, meus filhos, amai muito. 
Mensageiros espirituais, mensageiros na carne. 
O importante é ser veículo da Luz. 
Por isso, nos dias que atravessamos, quando tantos alardeiam desesperança e desânimo, é bom pensar se temos sido mensageiros da palavra de encorajamento. 
Quando tantos aludem à derrocada moral desses tempos de transição, é salutar meditarmos se temos sido os mensageiros do bom ânimo. 
Enfim, enquanto muitos afirmam que o mundo está perdido, que as gerações novas são o caos, é importante indagarmos se temos sido os mensageiros do bom exemplo. 
Ao nascer, Jesus teve a anunciá-lO um coro de anjos. 
Para disseminar a Sua palavra pela Terra, transformou homens e mulheres, pescadores e comerciantes em seus mensageiros. 
E pela necessidade imperiosa de que a Boa Nova se espalhe pela Terra, incendiando os corações, Jesus conta conosco. 
Portanto, se somos cristãos, façamos a nossa parte na difusão do bem. Sejamos os mensageiros da paz, da moral e do amor, onde e com quem nos encontremos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 10.6.2021.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

FUGA ENGANOSA

CAMILO CASTELO BRANCO
Amanhece o dia e despertas. 
Mal abres os olhos e acodem-te à mente um turbilhão de pensamentos. 
As preocupações do ontem assomam à lembrança. 
Os problemas, que te torturavam horas antes do sono, tornam a te alcançar. 
Novo dia, é preciso recomeçar. 
É preciso enfrentar a dificuldade, a prova, a dor, retornar à luta. 
Dias há que desejas fugir, escapar. 
Ah, se pudesses ir para longe, muito longe das pessoas, lugares e situações que te constituem tormenta. 
Mas não podes. 
O dever te chama à ordem. 
As vozes dos familiares, dos colegas, dos amigos te dizem das obrigações a cumprir, dos obstáculos a vencer, da dor a enfrentar. 
Por vezes, te sentes como se estivesses acuado e um lampejo atravessa-te o cérebro: fugir! 
A ideia da fuga toma vulto e pensas em abandonar a vida. 
Matar-se. 
Detém o gesto, enquanto é tempo. 
Recompõe o pensamento. 
O suicídio não te sanará os problemas e as dores que te dilaceram irão contigo. 
Acrescidas, ainda, da constatação de que ninguém mata a vida. 
Morre o corpo, mas o Espírito, esse permanece vivo e ativo. 
Alija da mente a ideia suicida. 
Se prosseguires alimentando-a, encontrarás quem te dê um empurrãozinho. 
A grande maioria dos que vivemos na Terra temos inimigos do ontem, retidos na Espiritualidade. 
Um deles poderá desejar perder-te e aumentará, com sua presença, teu desejo de fuga. 
Refaz o pensamento. 
Seja qual for o drama ou o problema que estejas vivendo, deves procurar na prece e no trabalho o socorro urgente. 
Se o motivo for problema financeiro, pensa que o dinheiro vai e volta, e vale a pena suportar o momento difícil e esperar... 
Se o motivo é afetivo, mais fortes razões para apagar do íntimo a ideia infeliz. 
Afinal, o verdadeiro bem-querer é mensagem de vida. 
Não de morte. 
Caso o motivo seja uma falta cometida, recorda que o suicídio não resolverá a questão. 
Vale a pena viver, mantendo o corpo, demonstrando coragem, e arcando com o pagamento do erro. 
Se fugires, carregarás a consciência da culpa onde quer que estejas. 
Vive, pois! 
Por que te quererás matar, se não há morte, em nenhuma parte do universo? 
Em tudo, somente as transformações. 
Se chamas a isso de morte, faze esforços para que morras de tanto amar ao próximo, de tanto trabalhar no bem, de tanto te afastares dos vícios em busca das virtudes. 
Morre, então, de tanto viver pelo bem de todos. 
Esquece o suicídio. 
É coisa fora de sentido para quem amadureceu sob as bênçãos da vida.
 * * * 
RAUL TEIXEIRA
Lembra que a prece é um apoio para a alma desalentada e aflita. 
Recorda que o fardo das dores é sempre proporcional às forças e Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos. 
Por fim, tem em mente que a vida humana é uma escola vasta e bendita que responde ao nosso esforço na mesma intensidade do nosso impulso na criação do bem. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 6, do livro Revelações da luz, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter; no item 16 do cap. V, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e no verbete Vida, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. 
Em 14.09.2012.

terça-feira, 8 de junho de 2021

EDUCAÇÃO

JESUS E ALLAN KARDEC
Dia desses lemos, em um adesivo colado no vidro traseiro de um veículo, a seguinte advertência: 
Minha educação depende da tua. 
Ficamos a imaginar qual seria o conceito de educação para quem pensa dessa forma. Ora, se nossa educação dependesse dos outros, certamente seria tão instável quanto a quantidade de pessoas com as quais nos relacionamos. Ademais, se assim fosse, não formaríamos jamais o nosso caráter. Seríamos apenas o resultado do comportamento de terceiros. Refletiríamos como se fôssemos um espelho. 
A educação, segundo o Codificador do Espiritismo Allan Kardec, é a arte de formar caracteres e, por conseguinte, é o conjunto de hábitos adquiridos. 
Assim sendo, como fica a nossa educação se refletir tão somente o comportamento dos outros, como uma reação apenas? 
O verdadeiro caráter é forjado na luta. Na luta por dominar as más tendências, por não revidar uma ofensa, por retribuir o mal com o bem. 
Um amigo tinha o costume de dizer: 
-Bateu, levou. 
Um dia perguntamos se ele admirava os mal-educados que tanto criticava. Imediatamente ele se posicionou em contrário: 
-É claro que não! 
Então questionamos outra vez: 
-Se não os admira, por que você os imita? 
Ele ficou um tanto confuso, pensou um pouco e respondeu: 
-É, de fato deveríamos imitar somente o que achamos bonito. 
Dessa forma, a nossa educação não deve jamais depender da educação dos outros, menos ainda da falta de educação dos outros. 
Todos os ensinamentos do Cristo, a quem a maioria de nós diz seguir, nos recomendam apresentar a outra face. 
Imaginemos se Jesus, o Mestre, tivesse nos ensinado: 
-Se alguém te bater numa face, esmurra-lhe a outra. 
Ou então: 
-Faz aos outros tudo aquilo que não desejas que te façam. 
Nós certamente não O aceitaríamos como Modelo e Guia. 
Assim sendo, lutemos por nos educar segundo os preceitos do Mestre de Nazaré que, diante dos momentos mais dolorosos de Sua vida, manteve a calma e tolerou com grandeza todas as agressões sofridas. 
Não nos espelhemos nos que não são modelos nem de si mesmos.
Construamos o nosso caráter com os exemplos nobres. 
Quando tivermos que prestar contas às leis que regem a vida, não encontraremos desculpas para a nossa falta de educação, nem poderemos jogar a culpa nos outros, já que Deus nunca deixou a Terra sem bons exemplos de educação e dignidade. 
* * * 
Não adotemos os costumes comuns que nada têm de normais.
O normal é cada um buscar a melhoria íntima com os recursos internos e externos que Deus oferece. 
As rosas, mesmo com as raízes mergulhadas no estrume, se abrem para oferecer ao mundo o seu inconfundível perfume. 
O sândalo, por ser uma árvore nobre, deixa suave fragrância impregnada no machado que lhe dilacera as fibras. 
Assim, nós também podemos dar exemplos dignos de serem imitados.
Redação do Momento Espírita, com base nos itens 685 e 685 a, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 2, ed. FEP. 
Em 8.6.2021.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

ATÉ ONDE DEVEMOS IR

As bibliotecas e as livrarias estão abarrotadas de livros com histórias de homens e mulheres incríveis. 
Histórias de superação, que falam de persistência, de não abandonar o sonho, de determinação e confiança. 
A persistência é exaltada. 
Todos sabemos que a força de vontade, a determinação são ingredientes essenciais para as conquistas humanas. 
Tomas Edison, na busca pela descoberta da lâmpada incandescente realizou mais de mil experimentos. Não desistiu e iluminou o mundo. 
Os navegadores, os inventores, os cientistas deram ao mundo o seu melhor porque se mostraram persistentes, incansáveis. São exemplos que nos arrastam. 
Então, colocamos na nossa mochila de sonhos os planos que desejamos alcançar e vamos à luta. 
Vamos à luta para concluir o curso superior, para prosseguir na especialização, alcançar o mestrado, o doutorado. 
Adentramos ao campo das pesquisas, que nos exigem esforço fantástico.
Abrimos o nosso negócio, ampliamos o que temos, perseguimos os sonhos. Isso é muito positivo. 
No entanto, importante pensarmos até onde vai a nossa persistência ou a nossa teimosia. 
Os especialistas em negócios reforçam a ideia da necessidade de rever estratégias e, se preciso, mudar os planos. Isso significa, por vezes, desistir do que pretendemos e criar uma nova meta. 
E não há nada de errado nisso. 
Levantar a cabeça, seguir em frente, se reinventar. 
Nesses tempos de pandemia, a criatividade, investir no diferente, inovar foi o que manteve negócios ativos, garantiu o sustento de muitas famílias. 
A sabedoria está em sabermos se o momento é de perseverar no que vimos fazendo ou se devemos desistir. 
Em um debate, ouvimos o relato da maratonista suíça que, nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, concluiu a prova cambaleando, em sofrimento extremo. Foi ovacionada, elogiada e apresentada como um exemplo de verdadeiro espírito olímpico. No entanto, três médicos disseram que ela ultrapassara seus limites e tinha colocado em risco a sua vida. Caso tivesse andado mais uma centena de metros, poderia ter tido uma lesão cerebral irreversível. 
Quem pode dizer o contrário? 
É um fato que nos leva a pensar em nossos investimentos. 
Pensarmos que persistir é louvável desde que não estejamos insistindo em um projeto somente para não dar o braço a torcer. 
Talvez tenhamos que reavaliar as questões, os riscos e parar tudo. 
Parar para pensar, para planejar um novo rumo. 
É o desistir para conquistar. 
Quantos iniciamos um curso universitário, reconhecemos depois de algum tempo que aquilo não nos satisfaz, mas vamos até o fim. 
Recebemos o diploma, frustrados. 
Não é o que desejamos para nossa vida. 
Não desistimos porque tememos ser considerados fracos, ou tolos ou indecisos. 
Contudo, desistir não é feio. 
Feio é não tentar, e mais feio ainda é não reconhecermos que erramos, que nos enganamos, que temos que mudar de planos, que podemos mudar de ideia. 
Se a dúvida estiver nos abraçando, façamos uma pausa para orar, meditar, pedir auxílio superior. 
E depois, retornemos à luta, renovados. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O momento de desistir, de Eugenio Mussak, da Revista Vida Simples, de junho 2017, ed. CARAS. Em 7.6.2021.