terça-feira, 11 de agosto de 2020

ISSO TAMBÉM PASSARÁ

O médium mineiro Francisco Cândido Xavier contou que, num de seus dias de profunda amargura, solicitou ao benfeitor espiritual que levasse o seu pedido de socorro à Maria de Nazaré, para que ela o consolasse, já que seus problemas eram graves. Após alguns dias, o benfeitor retornou dizendo-se portador de um recado da Mãe de Jesus. Chico imediatamente pegou papel e lápis e colocou-se na posição de anotar: 
-Pode falar, tomarei nota de cada palavra. 
Emmanuel, benfeitor atencioso, lhe falou: 
-Anote aí, Chico. Maria me pediu para que trouxesse o seguinte recado: “Isso também passará. Ponto final.” 
Chico tomou nota rapidamente e perguntou ao benfeitor: 
-Só isso? 
E ele respondeu: 
-É, Chico. A Mãe Santíssima pediu para lhe dizer que isso também passará. 
* * * 
Como Chico Xavier, muitos de nós, quando visitados pela dor, gostaríamos de receber uma mensagem individual de consolo. Pensando que fomos esquecidos pela Divindade, rogamos nos seja concedida uma deferência especial por parte dos benfeitores espirituais. Todavia, Deus tudo sabe e tudo vê. Nada acontece sem Seu consentimento, basta que depositemos confiança em Suas Soberanas Leis. 
Todas as coisas, na Terra, passam... 
Os dias de dificuldades passarão... 
Passarão também os dias de amargura e solidão... 
As dores e as lágrimas passarão. 
As frustrações que nos fazem chorar... um dia, passarão. 
A saudade do ser querido que se vai na mão da morte, passará. 
Os dias de glórias e triunfos mundanos, em que nos julgamos maiores e melhores que os outros... igualmente passarão. 
Essa vaidade interna que nos faz sentir como o centro do Universo, um dia passará. 
Dias de tristeza... 
Dias de felicidade... 
São lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no Espírito imortal as experiências acumuladas. https://youtu.be/w4JDaCh0PdM Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante. Elevemos o pensamento e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente: Isso também passará... E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre. 
* * * 
O planeta Terra, semelhante a enorme embarcação, às vezes parece que vai soçobrar diante da turbulência de gigantescas ondas. São guerras, interesses mesquinhos, desvalores... 
Mas isso também passará, porque Jesus está no leme dessa nau, e segue com o olhar sereno de quem guarda a certeza de que a agitação faz parte do roteiro evolutivo da Humanidade, e que um dia também passará. Ele sabe que a Terra chegará a porto seguro porque essa é a sua destinação. 
Assim, façamos a nossa parte o melhor que pudermos, sem esmorecimento. E confiemos em Deus, aproveitando cada segundo, cada minuto, que agora, já não é mais o mesmo de quando iniciamos o programa e o de agora, também passará... 
Redação do Momento Espírita. 
Em 11.8.2020.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A FAGULHA E O INCÊNDIO

Nenhum Espírito hoje encarnado na Terra saiu recentemente das mãos do Criador. Todos trilharam um longo caminho para se construírem tal qual são na atualidade. Todo Espírito é criado simples e ignorante e gradualmente cresce em inteligência e moral. No curso de sua caminhada erra e acerta, vivencia paixões e desenvolve virtudes. O progresso é uma lei da vida e implica a impossibilidade de um Espírito regredir em sua evolução. Todo Espírito se encontra no ápice de suas virtudes e de sua inteligência. Contudo, por vezes impressiona a derrocada moral de algumas pessoas. Elas parecem levar uma vida honrada e, de repente, se permitem atos vergonhosos. Se um Espírito não pode regredir, como isso se explica? Na verdade, apesar do equilíbrio aparente, cada homem traz em si as marcas de seu passado. Paixões e vícios do pretérito dormem no íntimo da criatura. Porque não foram definitivamente superados, não se pode afirmar que a evolução quanto a eles se consolidou. Cada qual sabe o que constitui uma tentação para si. Alguns identificam, no próprio íntimo, a tendência à desonestidade material. Outros têm inclinação para leviandades sexuais. Há quem sinta um certo regozijo com a humilhação alheia. Essas são áreas críticas do processo evolutivo da criatura. Em relação a elas, urge exercitar a vigilância. O maior incêndio principia por uma simples fagulha. Em face da tentação, é importante evitar o primeiro passo rumo ao vício. Após começar a trilhar o antigo caminho, as tendências escondidas podem ressurgir fortes e dominadoras. É raro que uma pessoa de vida regrada decida repentinamente cometer uma grande loucura. Ela dá pequenos passos nessa direção e pouco a pouco seu caminhar ganha velocidade. Os escândalos mais vergonhosos são o desdobramento de pequenos deslizes que a pessoa imaginou irrelevantes. O que parece chocante aos olhos alheios é apenas o resultado de um longo processo. Uma vez despertadas as sombras íntimas, dominá-las pode se revelar uma tarefa árdua. Todo Espírito tem suas grandezas e suas misérias. Em dadas áreas, seu potencial no bem é incomum e sua força é manifesta. Em outras, ele possui flagrante fragilidade moral. Ciente disso, preste atenção em seu mundo íntimo. 
Enfatize seu potencial no bem, desenvolva-o, centre nele sua emoção e seus atos. Quanto a suas fissuras morais, cuide de fazê-las definhar, por falta de alimento. Não se permita a fagulha que principia o incêndio. Não imagine que sua felicidade depende de vivenciar paixões e tendências inferiores. A genuína felicidade é feita de paz, honradez e plenitude.
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. 
Em 5.3.2014.

domingo, 9 de agosto de 2020

HOMENAGEM A UM PAI AUSENTE

Pai, você sempre zelou pela minha segurança, buscando pessoas e lugares que pudessem ajudá-lo a me fazer viver... 
Eu era seu filho e passei a ser a razão do seu viver. 
Do seu jeito, você me amou. 
Nossos parentes que o admiravam tanto, pessoas que não o conheceram, meus amigos, alguns vizinhos, todos desejam que você faça uma boa viagem e que nos espere um dia, pois você tomou o ônibus da frente. O próximo talvez seja o nosso... 
Você nunca demonstrou, mas se angustiava quando precisava ir trabalhar, viajar, e queria estar comigo para me dar segurança. 
Quando estava longe pensava com carinho em mim. 
Você não falou “Amo você”, mas tudo o que fez para mim provou que você me amava. 
Lembro das broncas que levei quando fazia algo errado... 
Dos causos que você me contava... 
Dos seus conselhos, dos incentivos para as boas ideias... 
Aprendi a confiar em seus conselhos, a respeitar sua autoridade de experiência de vida, a buscar sua opinião antes de fazer algo. E, sempre que não o escutei, eu errei. 
Mas o que eu mais gostei, foi a liberdade que tive com você. Com a liberdade que você me deu, aprendi a ter responsabilidade. 
Você me ensinou a viver e a me cuidar no mundo. 
A assumir minhas atitudes. 
A errar menos para sofrer menos, e nunca prejudicar alguém. 
Aprendi que não se deve viver por viver, mas ajudar as pessoas e fazer um mundo melhor, começando por nós. 
Lembro-me de como você fazia seu serviço... 
Os problemas que passou na vida... 
Você me contou sua vida. 
E com sua vida aprendi que existem pessoas e fatos que nem sempre nos fazem felizes, mas que precisam ser rapidamente superados porque devemos seguir em frente. 
Aliás, seguir em frente foi a coisa mais importante que aprendi com você, porque nunca o vi reclamando de alguma situação, mas, sim, tomando atitudes para modificar e melhorar. 
Você sempre me dizia:
-“Se não der certo aqui, tente ali, nunca desista.” 
E hoje, pensando em você, quero celebrar a vida. 
Vida que você teve. 
Vida que você me deu. 
Vida que vivemos juntos. 
Fiquei muito triste com a sua viagem. Ao chegar em casa não vou vê-lo sentado na sala ouvindo as notícias pelo rádio ou vendo televisão... 
Não vou mais, ao banco, receber a sua aposentadoria, contar novidades para você, fazer as compras que me pedia... O pão, o leite, a margarina... 
Agora a casa está vazia, sem vida, sem a sua vida. 
Posso imaginar você escutando isto... 
Talvez tenha vontade de chamar minha atenção, alertando: 
-“Meu tempo já passou... O que você está fazendo do seu tempo?”
Talvez me perguntasse se já pintei a casa... 
Se aluguei o ponto comercial... 
Se cortei a grama... 
Você concluiu sua caminhada... 
Neste momento, em respeito a sua memória, eu afasto a tristeza e qualquer sentimento negativo.  
Sinto saudades porque a falta continua... 
Não sei dizer ao certo se eu vim para lhe fazer feliz ou se fui feliz por ter vindo ao mundo através de você. 
Acredito que foi bom para você ter a mim como filho. Porém, com toda certeza deste mundo, foi muito melhor ter tido você como pai... 
Redação do Momento Espírita, a partir de texto em homenagem a Félix Bieniacheski, de autoria de Francisco Bieniacheski. 

sábado, 8 de agosto de 2020

MEU PAI, MEU HEROI!

Quando eu cheguei a este mundo, não sabia ao certo o que estava fazendo aqui, até que percebi que havia alguém para me orientar na jornada. 
Um dia, quando você me ergueu nos braços, elevando-me acima da sua cabeça, descobri que você queria que eu percebesse o mundo de um ponto de vista muito abrangente. 
Quando comecei a ensaiar meus primeiros passos, com a musculatura das pernas ainda frágil, você me sustentou segurando-me a mão, e entendi que você não desejava me carregar no colo para sempre: queria que eu andasse com as próprias pernas. 
Quando entrei em casa pela primeira vez, ofegante, me queixando dos amigos, você disse para eu me acertar com eles, e compreendi que deveria assumir a responsabilidade pelos meus próprios atos. 
Quando trouxe para casa minha primeira lição e você se sentou ao meu lado, orientando-me, mas não fez a lição para mim, entendi que você desejava que o aprendizado fosse uma conquista minha. 
No dia em que alguns objetos alheios foram parar em minha mochila escolar, você, sem me ofender, me pediu para devolver ao legítimo dono, e compreendi que você queria fazer de mim uma pessoa honesta.
Quando, um dia, meus amigos saíram da sala e tracei alguns comentários maldosos sobre eles, e você me disse que não devemos falar mal das pessoas ausentes, aprendi as lições da sinceridade e do respeito. 
Nos momentos difíceis, você estava sempre ao meu lado para me apoiar, e nas horas alegres não me faltou o seu abraço para compartilhar.
Quando fraquejei diante do primeiro embate da vida, você me falou de coragem... 
Quando chorei as lágrimas provocadas pelo primeiro sofrimento, você me falou de resignação... 
Quando desejei fugir dos compromissos que se apresentavam, você me falou de responsabilidade... 
Quando pensei em mentir para um amigo, você me falou de fidelidade...
Quando senti em minha alma os açoites dos primeiros vendavais, você me falou de flexibilidade, e aprendi a me dobrar para não quebrar, como o pequeno ramo verde faz diante dos golpes do vento. 
Quando você pressentiu em meu olhar a insinuação da vingança, me falou do perdão... 
Quando desejei salvar o mundo, nos ardentes dias da juventude, você me ensinou a moderação e o bom senso. 
Quando quis me submeter aos modismos do grupo, você me falou de liberdade. 
Quando me iludi, pensando que o mundo era meu, você me falou do Criador do Universo... 
Assim, meu pai, desejo dizer que você sempre foi meu herói, meu amigo, meu grande mestre, meu companheiro de caminhada... 
Você foi firme, quando era de firmeza que eu precisava... 
Você foi terno, quando era de ternura que eu necessitava... 
Você foi lúcido, quando era de lucidez que eu precisava... 
Quando eu cheguei a este mundo, não sabia ao certo o que estava fazendo aqui, até que percebi que havia alguém para me orientar na jornada... 
Hoje, bem, hoje eu sei claramente o que estou fazendo aqui, porque você, meu pai, fez mais que apenas me orientar, você caminhou ao meu lado muitas vezes, me seguiu de perto outras tantas, e andou à minha frente muitas outras, deixando rastros de luz, como diretrizes seguras que eu pudesse seguir. 
Hoje eu sei muito bem o papel que me cabe na construção de um mundo melhor, porque isso eu aprendi com você, meu grande e admirado amigo... 
E quando eu vejo tantos jovens perdidos, sem rumo e sem esperança, vagando entre a violência e a morte, eu peço a Deus por eles, porque é bem possível que não tenham tido a felicidade de ter um pai como você... 
E peço a Deus por você, papai, meu grande amigo. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, coletânea v. 8/9 e no livro Momento Espírita, v. 4, ed. FEP. 
Em 7.8.2020.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

FADAS EXISTEM?

Luciana Goldschmidt Costa 
Tudo aconteceu assim. 
Ela completou nove anos. Um dente caiu, em processo natural e, como sempre, ela o deixou no local marcado para ser trocado por um dinheirinho, pela fada dos dentes. 
Pois bem: quando a mãe foi colocar o dinheiro e apanhar o dente, encontrou uma carta e uma caneta bem pequena, dessas que se usa como chaveiro. A carta, entre corações desenhados, dizia: 
-Oi, fada! Espero que você exista. Bom, eu acho que sim. Mas eu quero a verdade. Se for o meu pai ou a minha mãe, eu vou aceitar numa boa. Se for a fada, vai ser melhor que assine com esta caneta pequena. 
Ao final da carta, havia a opção para ser assinalada: 
Existência – Sim – Não
E, bem grande, entre mais corações desenhados: 
Eu acredito em você! 
Luciana entrou em pânico. Como responder a uma carta dessas? Mostrou ao marido que leu, riu e falou: 
-Isso é com você! Vire-se. Eu não tenho a mínima ideia de como responder. 
Ela decidiu se aconselhar com os avós da menina. Mariza e Maneco leram com atenção, riram, trocaram ideias e, por fim, Luciana teve como responder para a filha: 
-Existência: Sim e Não. Assinado: Mamãe Fada e Papai Duende. Ah! Pegou a gente. Você é realmente muito esperta. Você pediu a verdade e a verdade é que eu acredito em fadas, acredito em duendes, em sereias e em toda a magia que torna a nossa vida mais colorida e encantadora. A vovó até diz que bruxas existem. Eu acredito. E você? 
E ali estavam as opções – Sim. Não. Depois, virando a página, a mãe ainda escreveu: 
-Você não vê Deus. Mas Ele existe. Você não vê o amor. Mas ele existe! Se você pode sentir, então... existe. 
No dia seguinte, Marina chegou na cozinha, para o café da manhã, com um lindo sorriso. A mãe ficou aliviada, ao ouvi-la dizer, entregando a carta: 
-Ah! Peguei vocês de verdade!!! 
Quando Luciana abriu a carta, viu que a filha havia marcado um lindo Sim. E bem marcado. Daqueles que se passa a caneta várias vezes para destacar. 
* * * 
Este fato nos mostra como podemos manter a magia da vida, dizendo a verdade. Afinal, tudo depende da forma como se argumenta, como se explica, como se fala. As crianças passam pelo período mágico em que tudo tem a ver com o irreal, o faz de conta. Fértil é a imaginação. Possivelmente, porque, por serem Espíritos imortais, recém vindos da pátria verdadeira, o mundo espiritual, guardam essa informação de que estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas. 
Anjos de guarda, Espíritos familiares, Espíritos amigos que nos cercam são interpretados pela criança como esses seres que as lendas, os contos e a imaginação popular denominaram fadas, duendes, seres especiais. 
Afinal, não estão tão distantes da verdade. Logo mais, quando melhor entendam, lhes falaremos desses seres que Deus envia para nos atender em nossas necessidades, nos guardarem em nossos percalços e nos auxiliarem em nossa jornada na Terra. 
Não há mal em preservar a magia. 
Não há mal em alimentar a imaginação própria da infância. 
O importante é esclarecer, quando preciso se faça, mas ensinar que o mundo em que vivemos e a Espiritualidade que nos rodeia são mais extraordinários do que tudo que a imaginação humana possa ter concebido. 
Afinal, tudo emana de Deus e Deus é insuperável! 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Luciana Goldschmidt Costa. Disponível no CD Momento Espírita, v. 27, ed. FEP. 
Em 30.3.2015.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

MOMENTOS...

Momentos... 
Ela estava profundamente triste. Acabara de saber que seu querido irmão, residente em outra cidade, tivera um infarto e morrera. Ainda surpreendida pela notícia, que nem pudera digerir, um telefonema lhe informou que deveria atender, rapidamente, a sua avó, que lhe era dependente. A senhora, com mais de noventa anos, passara mal e precisava de internamento imediato. Então, Lúcia foi providenciar a ambulância, o hospital. Prover tudo que se fazia necessário para confortar a avó. Engoliu o choro, serviu-se de maquiagem para disfarçar a face transtornada, a fim de que a idosa não lhe descobrisse a dor e pudesse ter seu quadro enfermiço agravado. No meio da tarde, dirigindo-se ao lar para apanhar mais alguns pertences da avó, encontrou um amigo. Ao abraçá-lo, a emoção a tomou por inteiro e grossas lágrimas jorraram de seus olhos. Mas, em vez de lhe indagar a causa do choro, ele a afastou de si, olhou-a e falou, duramente: 
-Nada de lágrimas. Nenhum cristão tem o direito de chorar. Deve estar sempre alegre. 
Lúcia tentou dizer o que acontecera. Ele desabou num sermão de como ela devia sorrir, sempre, sempre. Ela esperava que o amigo a pudesse abraçar, ouvir, oferecer consolo pela morte do irmão, que ela nem poderia ir ver pela derradeira vez, considerando que precisava ficar atendendo a enferma. Contava que ele fosse compreensivo. Somente recebeu admoestação, longo discurso sobre a obrigação de estar sempre sorrindo. 
* * * 
À semelhança desse amigo incompreensivo, encontramos algumas pessoas, em nossas vidas. Pessoas que não admitem que nos entristeçamos um dia, que desanimemos ante as lutas. Pessoas que nos exigem somente sorrisos, felicidade. Tomam de escritos de cá e de lá, falam da gratidão que devemos ter por estarmos vivos. Sem dúvida. No entanto, é bom pensarmos que os que nos encontramos em trânsito sobre esta Terra, não somos perfeitos. Estamos sujeitos a muitas dores. Algumas maiores, outras menores. A morte de um ser amado, a enfermidade de quem queremos bem, a falta de recursos financeiros para as necessidades cotidianas. É de nos indagarmos se não temos o direito de nos entristecer, desanimar, em um momento ou outro.
Lágrimas? 
São benditas as da dor e as da alegria. A doce mãe de Jesus, ao ver seu filho sofrendo na cruz, com certeza, terá derramado lágrimas. Amigos que O viram partir, choraram. O importante não é mascarar sentimentos. Importante é admiti-los e administrá-los. Ficar triste hoje, neste momento, pelo punhal da dor cravado no próprio peito. Um leve desalento agora, pelo cansaço das lutas constantes. Depois, erguer a cabeça e continuar a lutar. 
Lembremos: não temos obrigação de sermos felizes cem por cento das horas. A dor faz parte da nossa vida. Aprendamos a conviver com esses momentos. Parafraseando os versículos do livro bíblico Eclesiastes, há tempo de lágrimas, há tempo de sorrisos. Então, nos permitamos sorrir. Também chorar, desanuviar a alma. Nem alegria exagerada. Nem tristeza e desalento contínuos. 
Momentos... Vivamo-los. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 6.8.2020.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

FACETAS DO AMOR

James C.Hunter
De todos os sentimentos, o amor tem sido, ao longo do tempo, aquele com o qual o homem mais tem se envolvido. 
Paradoxalmente, se equivocado muito a respeito de seu real significado.
Há os que afirmam amar e atormentam as criaturas. 
Há os que pretendem lecionar amor e agridem os demais. 
Há, enfim, os que afirmam ser o amor uma utopia. 
Os gregos tinham diversas palavras para expressar o amor. 
Eros, por exemplo, de onde se deriva a palavra erótico, expressa esse sentimento de atração sexual e desejo ardente. 
Por sua vez, para designar a afeição, sobretudo entre os familiares, os seus membros, serviam-se do vocábulo storgé
Para o amor condicional, aquele do tipo eu faço o bem a você e você faz o bem a mim, eles se serviam da palavra philos
No entanto, para designar o amor incondicional, aquele amor que nada pede em troca, a palavra era ágape. Esse amor não se refere exatamente a um sentimento, mas a um comportamento, a ações. 
Nas anotações dos Evangelistas, ao se referirem à expressão de Jesus quanto ao amor, a palavra utilizada é ágape. Justamente porque Jesus, nosso Modelo e Guia, profundo conhecedor da alma humana, tinha ciência plena de que não se podia ordenar a outrem que tivesse determinado sentimento. Assim, se pensarmos que ágape é o amor traduzido por um comportamento e pela escolha, a fala de Jesus quanto a nós mesmos e ao próximo é perfeitamente coerente. Amar a si mesmo é respeitar o próprio corpo, zelando por ele, não dilapidando o patrimônio da saúde. É ter o cuidado de não lhe impor alimentos em excesso a fim de não o sobrecarregar, tanto quanto não ingerir o que mal lhe faça. É zelar pela própria condição espiritual, alimentando a mente de elementos positivos para o seu crescimento. Como conseqüência natural, zelar pela saúde do próximo, o que desce a detalhes pequenos como manter a limpeza da cidade, preservar o meio ambiente, não desperdiçar água. Também manter o automóvel em condições adequadas, a fim de que não se torne veículo poluente do ar que todos necessitamos respirar. Dirigi-lo com cuidado, para não ser causador voluntário de acidentes que destroem corpos e trucidam vidas. Isso é amar o próximo. 
E quanto ao amor aos inimigos? 
Dos mais simples casos aos mais complexos, vejamos: podemos não gostar do vizinho porque ele estaciona o seu carro em frente à nossa garagem, nos impedindo a saída. 
Podemos não gostar dele porque deixa o lixo acumulando na calçada e as chuvas o trazem para o nosso terreno. No entanto, podemos nos comportar amorosamente para com ele, o que significa ter paciência, ser respeitoso, embora ele se comporte mal. Isso nos impedirá de retribuirmos em moeda maldosa essas faltas de cuidado e desleixo. O ágape é paciente, bom, não é arrogante, não deseja tudo para si. Tudo suporta, tudo agüenta. Esse amor não se vangloria, não se comporta de forma inconveniente, a ninguém condena por um erro cometido. Traduz-se, enfim, por paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, confiança. Assim, entendemos que Jesus ao nos prescrever essa lição, lecionava que para as pessoas ruins, as nossas ações devem ser no sentido de não lhes retribuir o mal que nos façam. Mais: de não se sentir feliz, quando a desgraça os atinge, pensando que esse momento seja o de tripudiar sobre a infelicidade alheia. Desse modo, mesmo para quem nos puxa o tapete, quem nos rouba a namorada, o cargo, a nossa ação deve se dar no sentido de não agir da mesma forma. Viver é um grande desafio. Conviver com os demais, auxiliar-se mutuamente, colaborar e crescer juntos requer exatamente esse amor prescrito por Jesus. Esse amor-ação, amor-comportamento. A não agirmos assim, estaremos fadados à infelicidade, à dificuldade de progresso, a muitos fracassos e à destruição de nós mesmos. Aprendamos pois a amar a nós mesmos, ao nosso próximo, a quem não nos quer bem, a quem nos faz mal. 
Texto da Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4 do livro O monge e o executivo – uma história sobre a essência da liderança, de James C.Hunter, ed. Sextante.