segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O BALÃO DE BENNY

Benny tinha setenta anos quando morreu, subitamente, de câncer, em Wilmette, Illinois. Nos últimos dez anos de vida, havia recebido o amor de alguém muito especial: sua neta, Rachel – e o amor de avô para neta, assim como o de neta para avô, é desses sentimentos de que nunca se esquece, e que nunca perece. Infelizmente, Rachel não teve a chance de dizer adeus ao seu avô e, por isso, chorou durante vários dias. Seu pranto apenas cessou quando teve uma ideia, após receber um grande balão vermelho numa festa de aniversário. E a ideia era a de escrever uma carta para o vovô Benny, e enviá-la ao céu em seu balão. A mãe de Rachel não teve coragem de dizer não, e observou, com lágrimas nos olhos, o frágil balão subir por entre as árvores que cercavam o jardim, e desaparecer. Dois meses depois, Rachel recebeu esta carta, com carimbo do correio de uma cidade a novecentos quilômetros de distância, na Pensilvânia: Querida Rachel, vovô Benny recebeu a sua carta. Ele realmente a adorou. Por favor, entenda que coisas materiais não podem ficar no céu, por isso tiveram que mandar o balão de volta para a Terra. Lá eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo. Rachel, sempre que você pensar no vovô Benny ele saberá e estará muito perto, com um amor enorme por você. Sinceramente, Bob Anderson (também um vovô).
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A singeleza dessa passagem nos traz muita emoção. Faz-nos pensar sobre a morte, sobre a separação, sobre o amor, de uma forma tão sublime! A resposta que Rachel recebeu de um bondoso e inspirado avô, deve conduzir-nos a uma reflexão profunda sobre a vida, sobre como continuamos a estar próximos daqueles que partiram. Eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo. Isto é, a maior homenagem que podemos fazer a eles estará no que sentir nosso coração, e no que recitarem as nossas preces. Sigamos o exemplo dessa neta, e enviemos constantemente balões vermelhos ao céu, com nossas mensagens de amor e saudade a eles. Os balões serão nossas orações, que somente ganharão altura suficiente para serem ouvidas, se guardarem em seu íntimo a simplicidade, a sinceridade e o coração. O som das palavras voltará à Terra, pois, como disse o avô da história, coisas materiais não podem ficar no céu, mas tenhamos plena certeza que os sentimentos chegarão ao seu destino, e inundarão de alegria nossos amores desencarnados. Rachel, sempre que você pensar no vovô Benny, ele saberá e estará muito perto, com um amor enorme por você. 
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Ensinemos as nossas crianças, desde cedo, a compreender a morte. Mostremos a elas que esse é um fenômeno natural, e que nos separa apenas fisicamente daqueles que nos são caros. Como se esses estivessem numa viagem ao Exterior, vivos, felizes, trabalhando e estudando. E apenas tivéssemos que desenvolver outras formas de comunicação com eles, além de telefonemas, cartas e e-mails. Essas outras formas de nos comunicarmos estão em nossas preces, em nossos sonhos, e nas inspirações que nos enviam. É muito importante que as crianças entendam, desde cedo, que a morte não existe, e que tornaremos a encontrar todos aqueles que não habitam mais a Terra. Redação do Momento Espírita, com base na história O balão de Benny, de Michael Cody, do livro Histórias para aquecer o coração, de Mark Victor Hansen, Jack Canfield, Heather Mcnamara, ed. Sextante. Em 29.10.2013.

domingo, 6 de dezembro de 2015

BALANÇO DA VIDA

Como anda você? Está sempre on-line, conectado às redes sociais, sabendo de quase tudo a respeito do que fazem seus amigos e os amigos dos seus amigos? Sempre em dia com as fofocas, em tempo real? Você é daqueles que não pode ficar desconectado em momento algum, pois teme perder a notícia mais recente? Você tem centenas e centenas de amigos virtuais e se vangloria disso? Entre esses, é possível que se encontrem pessoas que jamais viu, nem tem bem clara a ideia de onde vivem, o que verdadeiramente apreciam. Também, com certeza, amigos de muito tempo. Responda agora: há quanto tempo vocês não se encontram pessoalmente? Entretanto, o contato pessoal é muito importante, pois nada substitui o calor de um abraço, um olhar profundo de olhos nos olhos. Assim, não deixe escapar a chance de sentir o calor de um aperto de mão, a agradável sensação de ouvir o coração do amigo batendo apressado, ante a emoção do reencontro. Aproveite esses momentos, promova-os e viva-os em totalidade. E, quando sair de casa, aproveite para observar o seu entorno. Deixe o aparelho eletrônico no bolso ou na bolsa. Você está habituado a receber diariamente, via virtual, dezenas de imagens espetaculares, de lugares paradisíacos e com elas se extasia. No entanto, você deixa de apreciar o jardim da sua casa, os canteiros da rua por onde transita. Percebeu que uma rosa amarela desabrochou e derrama pétalas coloridas, atapetando o chão? Notou que o vento da noite arrancou as folhas dos arbustos e preparou um delicado ninho de fofura sobre a grama? Deu-se conta de que a árvore balança seus ramos, em saudação a você, que passa? Sentiu como a ramagem exala delicado e característico perfume, em resposta ao fustigar da chuva da madrugada? Se você está com amigos, desligue o celular, esqueça o Ipad, fique off-line. E conecte-se, fique on-line com quem está com você. Olhos nos olhos, converse, ouça. Já se disse que a voz humana é o mais excelente instrumento musical que existe sobre a Terra. Sirva-se dele como quem dedilha as cordas ou acaricia um teclado. Ouça e grave, na acústica da alma, a voz dos seus amigos, cada qual com seu timbre particular. Ouça o que dizem. Eles poderão narrar detalhes da viagem fantástica, que realizaram há pouco e você compartilhará do seu entusiasmo. Ou, quem sabe, lhes ouvirá o relato das dores que os abraçam e lhes poderá enxugar algumas lágrimas. Um dia, quando a solidão o envolver, você poderá fechar os olhos, acionar as lembranças e ouvir o cristalino som do riso ou o balbuciar de um soluço. Isso é viver, conviver. Pense nisso. Analise. E ponha em prática, hoje ainda. Telefone. (Não mande um torpedo nem digite uma mensagem). Telefone e combine uma saída com seus amigos, com seus primos, sobrinhos. Delicie-se com os sorrisos, com a companhia. Depois, repita isso várias outras vezes, plenificando-se de felicidades, sentindo a irresistível vontade de reprisar as mesmas e salutares emoções, que alimentam a alma e alegram as horas. 
Redação do Momento Espírita. Em 28.6.2014.

sábado, 5 de dezembro de 2015

BALANÇO CRISTÃO

Que tal realizarmos um balanço em nossa vida? Pensemos há quanto tempo aderimos ao chamado do Cristo, isto é, há quanto tempo nos afirmamos cristãos. Observemos à nossa volta, em nossa própria casa. O que vemos? As estantes estão abarrotadas de vozes caladas, livros que a traça devora. Estão ali, parados. A poeira já se acumula e umas pequeninas teias de aranha aparecem entre uns e outros, só para nos dar trabalho com a limpeza. Os armários estão entupidos de roupas fora da moda e que acreditamos que, um dia, voltarão a ser usadas. As caixas se empilham, guardando botas, sapatos, sandálias que não servem mais em nossos pés. Em baús ou armários bem altos estão os agasalhos de inverno abandonados, entregues ao apodrecimento. Os móveis estão cheios de coleções de tantas coisas que guardamos, que nem recordamos. As farmácias improvisadas estão repletas de medicamentos que aguardam as nossas enfermidades, enquanto o prazo de validade expira. Estantes, armários, baús, caixas, pacotes cobertos de pó, mofo, bolor. Comida de traça, esconderijo para pequenos animaizinhos. Tanta coisa parada, sem uso. E tantos a padecer carências. Por isso, realizemos uma mexida nas estantes. Passemos adiante os livros que não vamos ler. Examinemos o conteúdo e tornemo-los mensagens de vida. Distribuamos as roupas, enquanto ainda estão boas, para os que se encontram desnudos, na miséria. Verifiquemos se falta um botão, se há necessidade de refazer uma bainha, costurar um pequeno rasgo. Retoquemo-las e façamos delas instrumento da alegria. Selecionemos os calçados, botas e sandálias. Retifiquemos as solas gastas, providenciemos uma cola aqui, uma costura ali e ofertemos a quem anda descalço. Imaginemos quantas crianças terão protegidos os seus pezinhos dos cacos de vidro, das pedras pontiagudas. Quantos pés cansados, idosos não mais terão que suportar o calor das pedras ou o frio da terra úmida. Desapeguemo-nos das velhas lãs e capotes, doando-os aos sofredores. Propiciemos calor abençoado a corpos quase sem roupa. Conduzamos os remédios, que estão nas prateleiras, para postos de saúde, hospitais, clínicas comunitárias. Sacudamos a poeira. Limpemos o bolor. Afugentemos as traças. Conservemos o que tenhamos em movimento. Tudo o mais, distribuamos, demonstrando que somos senhores e não escravos de coisa alguma. 
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Não esperemos que a dor se adorne de trapos e se apresente ao abandono para que surja o nosso momento de ajudar. Não esperemos que a miséria desnude corpos sofredores a fim de que ofereçamos a contribuição do nosso socorro. Não aguardemos que as pessoas pereçam à falta de medicamentos. Vamos ao encontro da dor, da necessidade e ajudemos com o que tivermos. Atendamos às ordens do nosso coração de seguidor de Jesus, nosso Mestre e Senhor. Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 44 e 45, do livro Legado Kardequiano, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 2.1.2013.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O BALANÇO

Um balanço ao vento se move suavemente. Não se vê chão, não se vê céu... Apenas um movimento ritmado para frente... para trás... Juliana tem 13 anos e está feliz como nunca. 
-Mais forte, papai! - Diz ela, eufórica. 
Naquele momento inesquecível, a paisagem se apaga para ela. Some em meio à alegria de estar com quem se ama. Seu sorriso de criança encontra o ar leve, perfumado. Seus ouvidos se deleitam com a voz tranquila do pai amado. Ela se sente segura, como nunca antes se sentira. O balanço vai diminuindo o ritmo, e quando está prestes a parar ela percebe que o pai está diante do seu rosto.
-Como ele é bonito... - ela pensa. 
Uma beleza especial, que está mais dentro do coração da filha, do que nos olhos do mundo. 
-Filha... Você precisa voltar. - Diz o homem ternamente. 
-Mas eu não quero, papai... - Responde ela com voz de cristal. 
-Eu sei, meu amor... Mas você precisa voltar. 
Ela começa a chorar... O choro da brincadeira que acaba tão cedo. O choro da vontade de continuar ali. A menina acorda em pranto. 
-Era um sonho! - Pensa ela. 
Mas parecia tão real... 
Sente um aperto forte no peito e não consegue identificar o que é. 
-É a saudade... - Diz uma pequena voz em sua cabeça. 
Sim, era a saudade do pai, do amor que havia partido quando tinha apenas 3 anos de idade. Ela já havia sonhado com ele várias vezes, mas dessa vez foi inesquecível. Tão especial que, a partir desse dia, ela aprendeu a chamar aqueles sonhos de visitas. Todo balanço que vê, ativa sua memória, acelera seu coração, pois faz lembrar de um grande amor que esteve na Terra com ela, durante pouco tempo, mas que ainda a visita sempre. 
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Por onde andam os amores que não mais estão aqui conosco? Se aprendemos que o amor une ao invés de afastar, por que crer na distância da morte? Sim, a morte não nos separa. Talvez um breve afastamento físico, mas nunca o afastamento das almas. Os que nos amam continuam ao nosso lado, e se partiram antes, quase sempre se tornam companheiros anônimos e invisíveis dos nossos dias. São eles, muitas vezes, que nos trazem as forças que precisamos para continuar, o carinho dos bons conselhos ou os puxões de orelha amorosos. Em espírito nos acompanham, oram e vibram por nós, da mesma forma que fariam se estivessem ainda encarnados. A morte não muda o amor. A distância não é impedimento para o carinho. Eles estão mais perto do que imaginamos, e neste grande ir e vir do planeta, logo mais estaremos juntos uma vez mais. Estaremos juntos lá, pois nunca sabemos quanto tempo ainda temos, ou mesmo aqui, lembrando que a reencarnação é uma das Leis maiores do Universo. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 16, ed. Fep. Em 22.11.2010.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

BAIXAS

No dia em que a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque teve início, o mundo inteiro estava atento aos noticiários e quase todos os meios de comunicação divulgavam os fatos, com incrível rapidez. O silvar dos mísseis, a fumaça, misturada com a claridade provocada pela explosão, eram imagens constantes. Os pontos atingidos pelos bombardeios, os soldados capturados, a posição das tropas, eram fatos revelados pela mídia. Vez que outra, uma imagem de civis feridos, soldados mortos, aeronaves abatidas. Aviões decolando de suas bases, carregados de mísseis e mais mísseis, se podia ver com frequência. A cobertura jornalística da guerra, como se diz, estava cumprindo o seu papel. Passados alguns dias, as pessoas deixaram de se importar tanto com esse acontecimento. Principalmente as que não conseguem ouvir o estrondo das explosões, nem os gritos de dor e desespero, nem o odor fétido daqueles cujos corpos são dilacerados pelas chamas das explosões... Mas, há outra realidade que ninguém mostra... É algo tão cruel que, se mostrado, talvez mudasse o rumo dos acontecimentos... É o desespero e a sensação de impotência dos pais dos soldados enviados para as frentes de batalha. São os sentimentos dos soldados. Jovens que foram arrancados do conforto de seus lares e empurrados para morrer, a qualquer momento, numa guerra que não provocaram... Se se pudesse ouvir e sentir seus gemidos de pavor ante a escuridão, seus medos, suas inseguranças, seus prantos silenciosos de saudades dos seus amores... Ah, se fosse registrada a situação a que se converteram os bravos soldados, após várias noites sem dormir... Alguns ficam mais de uma semana sem nenhum repouso, pois um cochilo pode significar a morte. Mas isso é resolvido com anfetaminas para render mais... Afinal, são máquinas de guerra. Não! É impossível imaginar o que sejam o tormento da fome, da sede, do sono, do cansaço, aliados ao temor de um ataque surpresa do inimigo. Se se pudesse registrar a agonia de filhos perdidos em meio à paisagem devastada pelos ataques, à procura de pais cujos corpos jazem sobre escombros, cinzas e sangue... Isso, certamente, os que optam pela guerra não sabem o que é. Talvez digam que é preciso sacrificar algumas vidas, desde que não seja a sua ou a de seus familiares... Como não se pode registrar esses sentimentos, ninguém toma conhecimento, a não ser aqueles que estão na mesma situação. E, quando, por fim, o pior acontece, o pavor do combatente é silenciado pelo manto escuro da morte, aquele jovem é contado apenas como uma baixa a mais. Sim, sua existência foi interrompida, seus sonhos violentados, seus sentimentos desconsiderados... Mas, isso foi apenas mais uma baixa. Como dizer a uma mãe ou a um pai que aquele filho ou filha, que há pouco cantarolava pela casa, agora representa apenas mais um número na triste estatística das baixas no campo de batalha? Isso não faz sentido... Mas, quem se importa? Para os governantes de países que sacrificam seus cidadãos em nome da liberdade, as riquezas minerais e seus interesses escusos são mais importantes do que vidas humanas. Vale a pena pensar, como cidadãos dessa grande aldeia chamada Terra, sobre essas questões que tanto entristecem aqueles que realmente desejam a paz. É importante pensar, principalmente quando se elege os representantes, sobre quem é a favor dessas atrocidades e quem é a favor da vida, do ser humano, dos sentimentos alheios. Talvez você esteja se perguntando: Mas, o que eu posso fazer, agora, para mudar a situação? Você pode enviar, através de uma oração sincera, as suas melhores vibrações de paz em favor, primeiro, dos que mais precisam: os governantes responsáveis por essas insanidades. Segundo, por aqueles que sofrem a consequência dessas atrocidades. Pense nisso, e faça a sua parte.
Redação do Momento Espírita

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

BAGAGEM PARA A MORTE

Naqueles dias, as manchetes alardearam a morte de personalidade internacional famosa. Por quase uma semana, elas ocuparam as páginas dos principais jornais, estiveram nas rádios e nas emissoras de TV. O mundo inteiro tomou conhecimento dos detalhes do funeral, amplamente coberto pela imprensa. Uma das curiosidades registradas foi mencionada por um dos familiares do falecido, que informou que, a pedido dele, fora colocado nos bolsos do paletó que vestia ao ser enterrado, algumas moedas, um maço de cigarros de sua marca favorita, um isqueiro e uma garrafa de especial bebida alcoólica, de seu hábito. Tais notícias nos levaram a pensar sobre o que realmente podemos levar conosco ao morrermos. A citada personalidade não é a primeira a manifestar desejos de levar objetos para o túmulo, nem foram os objetos almejados os mais estranhos. O que causa estranheza é nos encontrarmos tão avançados em tecnologia e ciência, e tão ignorantes ainda da nossa condição de Espíritos. Servimo-nos dos bens da Terra e nos vinculamos a eles de tal maneira, que os desejamos portar conosco para toda a eternidade. Objetos de estimação. Imprescindíveis. Tais são as expressões como são referendadas as últimas vontades de jamais se separar deles. Nem na morte. Contudo, a morte nos remete para outra realidade. O mundo espiritual, onde tais apetrechos materiais de nada servirão ao Espírito, senão para o manter aprisionado à carne, ao mundo que acabou de abandonar. Impedem-lhe, pois, a verdadeira libertação. Quando se trata de objetos que traduzem os nossos vícios, cria-se um vínculo ainda maior, no sentido de que se parte para o mundo espiritual com a certeza de prosseguir nos mesmos desatinos da Terra. O dito popular expressa que só se leva da vida a vida que se leva. E tem razão. As únicas coisas que nos haverão de servir na Espiritualidade, finda a vida corpórea, serão as ações praticadas e as conquistas espirituais. Somente elas partem conosco e se constituirão em nossas alegrias ou em nossas desditas, no mundo para o qual nos deslocamos ao morrer. 
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Na Grécia Antiga era costume se enterrarem os mortos com suas joias e vestimentas. Os exageros eram tão grandes que um legislador estabeleceu que se reduzisse ao máximo de três o número de vestimentas a seguirem com o cadáver. Na Roma Antiga era hábito se alimentar, periodicamente, os que haviam partido com leite, carne e frutas. Acreditavam então que o morto necessitaria de tudo aquilo na nova vida que iria viver. Convenhamos que, após o advento de Jesus e Sua lição de Imortalidade, cabe-nos abraçar a verdade, abandonar a ignorância e viver como Espíritos imortais que somos, preparando-nos de forma digna para o retorno à pátria espiritual, quando soar a nossa hora. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que Sinatra levou consigo, publicado na Revista Isto é, nº 1496. Disponível no CD Momento Espírita, v. 17, ed. Fep. Em 03.11.2010.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A BAGAGEM

Existe um personagem de desenhos animados infantis que tem um certo toque de mistério e magia. Seu nome é Gato Félix. A todo lugar que vá, ele leva a sua maleta. É uma maleta especial, pequena. E tudo o que ele deseja, tira da dita maleta. Se for hora do lanche, ele encontra frutas, sanduíches e sucos. Se necessitar fazer um conserto, as ferramentas lá estão. Sempre as certas e precisas. Se chover de repente, basta abrir a maleta para encontrar capa, guarda-chuva, botas. E assim em qualquer situação. Cada um de nós também possui uma pequena mala de mão, em nossa vida, mais ou menos parecida com a do personagem infantil. Quando a vida começa, temos em mãos a pequena mala. À medida que os anos passam, a bagagem, dentro dela, vai aumentando. É que vamos colocando tudo o que recolhemos pelo caminho. Algumas coisas muito importantes. Outras, nem tanto. Muitas, dispensáveis. Chega um momento em que a bagagem começa a ficar insuportável de ser carregada. Pesa demais. Nesse momento, o melhor mesmo é aliviar o peso, esvaziar a mala. Você examina o conteúdo e vai pondo para fora. Amor, amizade. Curioso, não pesam nada. Depois você tira a raiva. Como ela pesa! Na sequência, você tira a incompreensão, o medo, o pessimismo. Nesse momento, você encontra o desânimo. Ele é tão grande que, ao tentar tirá-lo, ele é que quase o puxa para dentro da mala. Por fim, você encontra um sorriso. Bem lá no fundo, quase sufocado. Pula para fora outro sorriso. E mais outro. Aí você encontra a felicidade. Mas ainda tem mais coisas dentro da mala. Você remexe e encontra a tristeza. É bom jogá-la fora. Depois, você procura a paciência dentro da mala. Vai precisar bastante dela. E também procura a força, a esperança, a coragem, o entusiasmo, o equilíbrio, a responsabilidade, a tolerância e o bom e velho humor. A preocupação que você encontrar, deixe de lado. Depois você pensa o que fazer com ela. Bem, agora que você tirou tudo da sua mala, deve arrumar toda a bagagem. Pense bem no que vai colocar lá dentro de novo. Isso é com você. E depois de toda a bagagem pronta, o caminho recomeçado, lembre de repetir a arrumação vez ou outra. O caminho é longo até chegar ao final da jornada e você terá que carregar a mala o tempo todo. E quando chegar do outro lado é bom que em sua bagagem tenha o máximo de coisas positivas, como boas obras, amizades, carinho, amor. Porque isso tudo não pesa na sua bagagem, enquanto na Terra. Mas quando for colocada na balança da justiça, para além da existência física, pesará e muito, positivamente. 
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A vida é uma grande viagem. Durante um tempo excursiona-se pelas paisagens terrenas. É um período para estudar, trabalhar, progredir. Um dia, retorna-se para a estação espiritual. É o momento de contar as conquistas e as perdas. Os erros e os acertos. Que a nossa bagagem, nesse dia, possa estar repleta de virtudes, o bem praticado, afetos conquistados para nossa própria e grande felicidade.
Redação do Momento Espírita com base em artigo de autoria ignorada. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. Em 09.03.2012