sexta-feira, 7 de agosto de 2015

UM APARENTE ADEUS

Léon Denis
O dia estava alegre e divertido. Os familiares estavam reunidos na chácara dos avós para um almoço especial. Muita conversa, risada, carinho e felicidade. As crianças faziam algazarra. Os avós, orgulhosos, as contemplavam, alegres pela presença tão estimada dos filhos e netos. Após deliciosa refeição, as crianças, acompanhadas por alguns adultos, reuniram-se em torno do lago existente na propriedade, a fim de aproveitarem a tarde. Junto delas estava Raul, que contava apenas dois anos. Por breve instante de distração de todos que ali estavam, ele se afastou do grupo e acabou por parar perto da piscina. Movido pela curiosidade, o menino aproximou-se da água e acabou nela caindo. O pai, assim que percebeu o fato, tirou-o da piscina e fez todas as manobras de emergência para desafogá-lo, sem muito sucesso. Mais do que depressa, levaram-no para o hospital, onde foi prontamente atendido. Entretanto, foi com pesar que o médico responsável comunicou à família que o pequeno não havia sobrevivido ao afogamento. Naquele momento, os pais de Raul perderam o chão. Como podia aquele menino que, há apenas alguns instantes estava brincando e alegrando suas vidas, estar morto? A dor era grande demais. Os avós, tios e primos estavam desnorteados. Não conseguiam acreditar na triste realidade na qual estavam imersos. Onde há pouco existira alegria, risos e diversão, agora, havia tristeza, lágrimas e dor. Como entender tal fenômeno que, não mais que de repente, leva para longe de nós aqueles a quem amamos, a quem devotamos todos os nossos melhores sentimentos? Como entender que aquele que estava conosco, agora partiu, nos privando de sua companhia, nos privando de seus abraços e de seu carinho? Estranho seria pensar que Deus, infinitamente justo e bom, nos uniria em famílias, com a finalidade de nos amarmos e depois ceifaria tal sentimento com um ponto final, chamado morte. A morte, no entanto, não é uma despedida absoluta e, sim, relativa. A vida do homem é como o sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência. Mas, logo depois, torna a elevar-se, para novamente descrever sua órbita imensa no céu. Por mais pareça que a escuridão será eterna, o sol sempre nasce outra vez, brindando-nos com sua luz radiante. No momento oportuno, as sombras da aparente perda e da saudade darão espaço à luz do reencontro, pois o corpo, esse sim perece, mas o Espírito é viajor incessante da eternidade. E, enquanto tal reencontro não ocorre, cultivemos os laços de amor, que permitem a sintonia com o ser amado e a certeza de que o tão esperado abraço ocorrerá. As lágrimas, nesse nobre momento, serão expressões sinceras de duas almas que muito ansiavam por esse reencontro. 
* * * 
Lembremos: a morte não é um adeus. Antes, é um até breve!
Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos do cap. 10, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. Em 31.10.2013.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

APARÊNCIAS

O ser humano costuma se preocupar com a imagem que transmite ao mundo. Há regras de comportamento e de vestimentas para as mais variadas ocasiões. Conforme o local, as exigências mudam. Há ambientes formais e informais, mais ou menos sofisticados. Para ter uma boa aparência, as pessoas cuidam de seu vestuário e de seu corpo. Uma imagem desleixada em geral dificulta o sucesso profissional. Também a vida social oscila conforme o apuro da apresentação pessoal. É bom e necessário que haja preocupação em ser asseado, agradável no trato e em se vestir conforme a ocasião. Esse acatamento das regras sociais constitui sinal de respeito às pessoas com quem se convive. Contudo, convém não cuidar apenas do que aparece. Tudo o que é material é sempre efêmero. Boas roupas, corpo bem cuidado e maneiras sofisticadas podem ser apenas uma capa para esconder o que realmente se é. A polidez é importante, mas representa apenas uma aparência, que pode ser enganosa, ou a porta de entrada das virtudes. É possível adotar expressões que traduzem atenção e respeito, sem ter o menor interesse no bem estar do próximo. A título de princípio, vale a disciplina do exterior. Entretanto, é preciso que o coração também seja convocado a participar. Não dá para cuidar apenas do exterior e achar que basta. Cedo ou tarde, as aparências cessarão. Todo homem é um Espírito momentaneamente vestindo um corpo de carne. Por lindo que seja esse corpo, seu destino é a sepultura. A essência da criatura reside em sua realidade íntima. Cada qual transcende com o que é, não com o que aparenta. Há pessoas que se ocupam de aparentar pureza. Mas cultivam pensamentos e sentimentos desonestos e lascivos. Para os que estão a sua volta parecem exemplos de dignidade. Mas os Espíritos, que podem perceber seus pensamentos, os veem de modo bem diverso. Conforme a realidade íntima, assim é a constituição espiritual. Alguém de aparência e modos irretocáveis pode ter estrutura espiritual apodrecida. Talvez passe uma imagem respeitável à sociedade, que lhe ignora o íntimo. Contudo, é visto pelos Espíritos como um decaído. Exala fluidos deletérios, literalmente cheira mal, para quem consegue perceber. Será como um lascivo decadente que ressurgirá após a morte do corpo. Convém pensar nisso, para evitar surpresas desagradáveis. Mais cedo ou mais tarde, sua realidade íntima aparecerá, sem nenhum disfarce. 
Redação do Momento Espírita. Em 21.05.2010.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Num orfanato, igual a tantos outros que enxameiam por toda parte, havia uma pobre órfã, de 8 anos de idade. Era uma criança lamentavelmente sem encantos, de maneiras desagradáveis, evitada pelas outras e francamente malquista pelos professores. Por essa razão, a pobrezinha vivia no maior isolamento. Ninguém para brincar, ninguém para conversar... Sem carinho, sem afeto, sem esperança... Sua única companheira era a solidão. O Diretor do orfanato aguardava ansioso uma desculpa legítima para livrar-se dela. E um dia apresentou-se, aparentemente, uma boa desculpa. A companheira de quarto da menina informou que ela estava mantendo correspondência com alguém de fora do orfanato, o que era terminantemente proibido. Agora mesmo, disse a informante, ela escondeu um papel numa árvore. O Diretor e seu assistente mal puderam esconder a satisfação que a denúncia lhes causara. Vamos tirar isso a limpo agora mesmo, disse o superior. E, somando-se ao assistente, pediu para que a testemunha do delito os acompanhasse a fim de lhes mostrar a prova do crime. Dirigiram-se os três, a passos rápidos, em direção à árvore na qual estava colocada a mensagem. De fato, lá estava um papel delicadamente colocado entre os ramos. O Diretor desdobrou, ansioso, o bilhete, esperando encontrar ali a prova de que necessitava para livrar-se daquela criança tão desagradável aos seus olhos. Todavia, para seu desapontamento e remorso, no pedaço de papel um tanto amassado, pôde ler a seguinte mensagem: A qualquer pessoa que encontrar este papel: eu gosto de você. Os três investigadores ficaram tão decepcionados quanto surpresos com o que leram. Decepcionados porque perderam a oportunidade de livrar-se da menina indesejável e surpresos porque perceberam que ela era menos má do que eles próprios. 
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Quantos de nós costumamos julgar as pessoas pelas aparências, embora saibamos que estas são enganadoras. E o pior é que, se as aparências não nos agradam, marcamos a pessoa e nos prevenimos contra ela e suas atitudes. Uma antiga e sábia oração dos índios Sioux roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos. Aqueles que talvez ela queira esconder de si mesma, para proteger-se dos sofrimentos que a sua lembrança lhe causaria. 
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Nenhuma pessoa é essencialmente má. Isso porque todos nós temos, na intimidade, a Centelha Divina que é o amor em germe. Assim sendo, potencialmente todos somos bons, basta que nos esforcemos para fazer brilhar essa chama sagrada depositada em nós pelo Criador. Jesus conhecia essa realidade, por isso afirmou: Vós sois deuses e noutra oportunidade insistiu: Brilhe a vossa luz. 
Redação do Momento Espírita, com base em história publicada em Seleções Reader’s Digest, de maio de1945. Disponível no CD Momento Espírita, v. 11, ed. Fep. Em 31.01.2010

terça-feira, 4 de agosto de 2015

APARÊNCIA DA ALMA

Allan B. Chinen
Há um antigo conto popular japonês que narra a história de uma moça tiranizada pela sogra. Tudo era motivo para ela brigar e xingar. A jovem sofria calada, sem responder. Certo dia, um monge andarilho bateu à porta da casa e a nora lhe deu um bolinho de arroz. Quando soube, a velha senhora ficou furiosa e a mandou buscar o alimento de volta. Muito constrangida, ela obedeceu. Procurou o homem e explicou que teria de levar o bolinho. O monge sorriu e devolveu. Também deu a ela uma toalha que deveria ser usada para enxugar o rosto e amenizar o peso da convivência com a mãe do marido. A partir desse dia, a irritadiça mulher começou a notar que sua nora ficava cada vez mais linda. Isso alimentou sua raiva e inveja. Numa manhã, viu-a enxugar o rosto com a toalha e observou que ela ficava mais bela e radiante. Acreditou tratar-se de um objeto mágico e planejou pegá-lo para si. No dia seguinte, enquanto a jovem foi ao mercado, ela roubou o presente. Lavou o rosto e o enxugou uma vez. Nada aconteceu. Esfregou o rosto com mais força. Sua aparência começou a se alterar. Entretanto, em vez de rejuvenescer, como esperava, assumiu a aparência de um monstro. Horrorizada, deu um grito e desmaiou. Quando a nora chegou em casa e viu o que parecia ser uma criatura monstruosa, tentou fugir. A mulher, chorando, implorou por socorro. Reconhecendo a voz da sogra, ela se comoveu. Saiu pelo vilarejo em busca do monge. Ele saberia, com certeza, como reverter aqueles efeitos da toalha. Quando, finalmente, o encontrou e contou o sucedido, o andarilho sorriu e disse: Quando uma pessoa usa a toalha, revela a aparência de sua alma. Para que ela volte a ser como antes, basta enxugar o rosto com o outro lado do tecido. Assim foi feito e a velha senhora recuperou a forma anterior. O mais interessante é que algo se modificou nela, depois do ocorrido. Parou de ofender a nora, alterando a maneira de tratamento para com ela. Compreendeu que o aspecto monstruoso, provocado pela toalha mostrava, em verdade, a pequenez de sua alma. Envergonhou-se da maneira cruel com que tratava a esposa do filho e se esforçou para mudar. Envelheceu feliz, abandonando a raiva, a inveja e a maldade.
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Quando cultivamos o orgulho, o egoísmo, a raiva, a inveja, a maledicência, moldamos nossa alma com uma aparência feia, monstruosa. Se aplicamos o amor, a caridade, a amizade, a solidariedade, a bondade, assumimos formas luminosas de inigualável beleza. É possível modificar a alma por meio da autotransformação, da mudança de padrão vibratório. Isso requer coragem: olhar-se, ver-se por dentro e assumir o que precisa ser mudado. Depois, é preciso fortalecer os bons sentimentos, que trazemos no íntimo, alguns mais desenvolvidos, outros menos. Assim, não importa a idade e a aparência física que tenhamos, nossa alma assumirá o aspecto inconfundível das pessoas de consciência leve. 
Redação do Momento Espírita, com base no conto A toalha mágica, do livro ...E foram felizes para sempre – contos de fadas para adultos, de Allan B. Chinen, ed. Cultrix. Em 2.6.2015.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

APAIXONE-SE

Sempre que um novo dia amanhece e os nossos sentidos buscam captar as belezas que nos cercam, temos vontade de abrir as janelas da alma e inspirar com força a brisa fresca que brinca com a folhagem verde. Sempre que um novo ano se apresenta fazemos planos para novas realizações. No entanto, muitos não abriram os olhos físicos para saudar o ano que se inicia ou termina, nem para contemplar o alvorecer do dia de hoje ou despedir-se do sol, quando o crepúsculo enfeita a noite com seu manto negro bordado de estrelas... Mas você está vivo! E quando muitos não percebem sequer os canteiros floridos onde as borboletas bailam e o gramado se espreguiça, estendido como um tapete verde e macio, convidando a brincar... E enquanto outros saem apressados para suas atividades do dia, sem se dar conta de que hoje é o nosso melhor momento, um poeta se deteve para escrever este belo conselho em forma de poema: Apaixone-se pelo mistério que nos cerca, pelo ar que você respira, pelas árvores e pelas estrelas. Olhe com atenção para as flores. A visão é antes uma ação do cérebro que dos olhos. Ouça o vento nas folhas, o canto dos pássaros e o tagarelar das crianças. O ouvir é uma arte que depende mais da mente que do ouvido. Olhos e ouvidos são canais fantásticos que levam mensagens até você; eles serão inúteis se, em sua alma, não habitar a vontade de ver e de ouvir. Apaixone-se por sua capacidade de se autotransformar para melhor. Você é um pouco deus na exata medida em que pode, por sua própria vontade e determinação, construir uma pessoa melhor. O caminho da perfeição é infinito, mas cada passo nesta estrada é fonte cristalina de pura felicidade. Ninguém é tão miserável que não possa dar um primeiro passo na direção certa, assim como ninguém é tão perfeito que já não precise caminhar. Apaixone-se pelo saber, devore livros, raciocine, converse com pessoas inteligentes, ouça boas músicas, olhe com atenção para as obras de arte. Os artistas, os filósofos, os poetas, os cientistas veem, ouvem e sentem mais que a maioria dos homens, e é mister aprender com eles. Pergunte, discuta, descubra, polemize, investigue, faça experiências. Dê o melhor de seu esforço em tudo o que faz. Ajude seu próximo e sua comunidade e descobrirá o verdadeiro significado das palavras “é dando que se recebe”. Receberá em moeda divina, receberá em dignidade, sensibilidade, grandeza de Espírito e amor-próprio. Trabalhe com o cérebro e com as mãos. Transforme o mundo em um lugar melhor para se viver. Não polua, proteja a natureza, conserte sua calçada, plante flores em sua casa e em sua rua. Lembre-se sempre de que cada atitude sua, cada movimento seu, será sempre na direção do bem ou do mal. Seu, de seus semelhantes ou de seu mundo. Apaixone-se pelo progresso, por sua capacidade de se transformar e de transformar o mundo. Apaixone-se por uma pessoa que ainda vai nascer. Uma pessoa capaz de fazer perguntas, como Aristóteles ou Platão, capaz de ouvir, como Vivaldi ou Verdi, capaz de ver a natureza, como Van Gogh ou Renoir e tantos outros, capaz de usar as mãos com a habilidade de um Rodin ou de um Michelangelo. Apaixone-se pela tarefa de ser parteiro de si mesmo, pela missão de dar-se à luz por vontade própria. Apaixone-se por você amanhã. Mas faça isso, enquanto é hoje... 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de Oriovisto Guimarães, publicado no Jornal Gazeta do Povo, em 06/01/2005. Disponível no CD Momento Espírita, v. 10, ed. Fep. Em 11.05.2009.

domingo, 2 de agosto de 2015

Apaguem as luzes; quero ver!

O título desta mensagem é intrigante. Em princípio, parece um contrassenso que alguém peça: 
Apaguem as luzes: quero ver! 
No entanto, vale a pena acompanhar com atenção os argumentos do pensador que a escreveu, para entender que luzes são essas que, apagadas, podem favorecer a nossa visão. A mensagem foi escrita por um ilustre professor, e diz o seguinte: 
A beleza da consciência não costuma se mostrar no clarão das luzes que brotam do calor dos acontecimentos. 
Assim como os olhos exigem alguma proteção para olhar diretamente em direção ao sol, nossa razão pede a proteção do tempo para poder contemplar com serenidade a verdade em todo o seu esplendor. É preciso distanciar-se dos fatos, das experiências vividas, para finalmente poder-se contemplar a beleza da verdade. O tempo é o único colírio capaz de limpar os olhos da nossa razão, com os quais realmente enxergamos. É mister despir-se das ilusões, miragens que não ocorrem apenas para os perdidos nos desertos de areia. É essencial livrar-se dos falsos valores que levam a julgamentos igualmente falsos; abandonar tolas crendices, filhas da angústia e do medo do desconhecido. Existe ainda o perigo do deslumbre que cega a mente e ilude nossa capacidade de julgar; a vaidade tola e a megalomania, caminhos que levam a bezerros de ouro, à paixão pela conquista do poder pelo poder, ou como forma de submeter o próximo. Nossos olhos, muitas vezes, emprestam lentes de Narciso, capazes de distorcer nossa real imagem e os julgamentos que fazemos dos nossos atos. Só o tempo permite àqueles que dele fazem bom uso, cultivando o saber e examinando a vida em profundidade, perceber as coisas realmente importantes e belas. Nós, humanos, como as flores, os pássaros e tudo que é vivo, temos um ciclo que se inicia com o nascimento, prossegue com o florescer da maturidade e termina com a morte. Morremos todos, sem a beleza ou o vigor físico. De nada adiantam nossas conquistas terrestres, todas são fugazes. Se algo for eterno, será apenas a consciência que adquirimos neste viver. Esse enorme mistério da vida e da morte é o mais tranquilo, límpido e belo espetáculo ao qual nenhum outro se compara, mas que só pode ser observado e compreendido com o tempo, com o passar do tempo. Esse é um privilégio reservado aos que usaram bem seu tempo de vida. É contraditório, mas é preciso morrer para se entender e vislumbrar toda a beleza da vida. Daí, talvez, a sabedoria popular do velho ditado que diz: 
"Neste mundo, quem mais olha menos vê, quem não morre não vê Cristo." 
 Acreditamos que, no ditado popular, a palavra Cristo significa "ter consciência do processo da vida". Se fôssemos capazes de menores ilusões e maior consciência, certamente seríamos muito mais felizes. Teríamos maior prazer no trabalho, trataríamos o próximo com mais amor e respeito; seríamos mesmo capazes de amá-lo, não por nossos interesses, mas sim por ele mesmo. Não teríamos a maioria das nossas preocupações, dormiríamos melhor, administraríamos melhor nossas energias e não permitiríamos que tolas fantasias e angústias desnecessárias se apossassem de nosso ser. Viveríamos em paz, teríamos mais tempo para as crianças, as flores e os pássaros. Não necessitaríamos do consumo de drogas ou de bens supérfluos, usaríamos nosso tempo e nossa energia para coisas muito mais prazerosas: pensar e examinar a vida, livrar-nos de falsos valores, fantasias e miragens, encontrar a essência da vida, ver com os olhos da alma. Apague as luzes, dilate as pupilas da alma e veja. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto do Professor Oriovisto Guimarães, do Centro Universitário Positivo - UNICENP. Em 10.06.2011.
http://momento.com.br

sábado, 1 de agosto de 2015

AOS QUE DESEJAM DESISTIR

JOANA DE ÂNGELIS E DIVALDO PEREIRA FRANCO
Dias há nos quais tens a impressão de que mesmo a luz do sol parece fraca, sem que consiga brilhar nos panoramas do teu caminho. Tudo são inquietações e ansiedades que pareciam vencidas e que retornam como fantasmas ameaçadores, gerando clima de sofrimento interior. Nessas ocasiões, tudo corre mal. Acontecem insucessos imprevistos e contrariedades surgem de muitas situações que se amontoam, transformando-se em obstáculo cruel de difícil transposição. Surgem aflições em família que navegava em águas de paz, reportam problemas de conjuntura grave em amigos que te buscam socorros imediatos e, como se não bastassem, a enfermidade chega e se assenhoreia da frágil esperança que, então, se faz fugidia. Nessa roda-viva, gritas interiormente por paz e sentes indescritível necessidade de repouso. A morte se te afigura uma bênção capaz de liberar-te de tantas dores!... Refaze, porém, a observação. Tudo são testemunhos necessários à fortaleza espiritual, indispensáveis à fixação dos valores transcendentes. Não fora isso, porém, todas essas abençoadas oportunidades de resgate, e a vida calma amolentaria o teu caráter, conspirando contra a paz porvindoura, por adiar o instante em que ela se instalaria no teu íntimo. Quando tudo corre bem em volta de nós e de referência a nós não nos dói a dor alheia nem nos aflige a aflição do próximo. Perdemos a percepção para as coisas sutis da vida espiritual, a mais importante e, desse modo, nos desviamos da rota redentora. Não te aborreças, pois, com os acontecimentos afligentes que independem de ti. A família segue adiante, o amor muda de domicílio, a doença desaparece, a contrariedade se dilui, a agressão desiste, a inquietude se acalma se souberes permanecer sereno ante toda dor que te chegue, enquanto no círculo de fé sublimas aspirações e retificas conceitos. Continua fiel no posto, operário anônimo do bem de todos, e espera. Os ingratos que se acreditaram capazes de te esquecer lembrar-se-ão e possivelmente retornarão. Os amigos que te deixaram; os amores que te não corresponderam; aqueles que te não quiseram compreender; quantos zombaram da tua fraqueza e ridicularizaram tua dor envolta nos tecidos da humildade; os que investiram contra os teus anseios voltarão, tornarão sim, pois ninguém atinge a plenitude da montanha sem a vitória pelo vale que necessita ser vencido. Tem calma! Silencia a revolta! 
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Por que desistir da vida, se ela nunca desiste de nós? Por que desistir dessa grande oportunidade, se ela foi tão arduamente conquistada por nós, antes de voltarmos a nascer? Sabíamos das provas que iríamos enfrentar aqui, aliás, viemos aqui justamente para isso, para suportar, e suportando com bravura, crescer interiormente. Se não são as provas que nos assustam, mas sim expiações duríssimas que a lei nos impõe, encaremo-las como o momento da redenção, da libertação do sofrimento prolongado e indefinido. O segredo da felicidade não está na vida de mansuetude, mas nas vitórias logradas sobre as batalhas diárias. Cada vitória, uma felicidade a mais. Aos que desejam desistir, força sempre! Quem resiste bravamente cresce e é feliz, mesmo em meio aos desafios. 
Redação do Momento Espírita,com base no cap. 42, do livro Lampadário espírita, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. FEB. Em 5.8.2014.