quinta-feira, 20 de novembro de 2025

NOSSAS HISTÓRIAS FAMILIARES...

Houve tempos em que se convidavam as crianças a mergulharem no passado da família. 
Avós, pais buscavam caixas bem acondicionadas, recheadas de fotos. 
Os pequenos descobriam o bisavô imigrante chegando ao porto, alguns pertences em uma mala que parecia ter resistido a um campo de batalha, de tão maltratada. 
Falava-se das lutas, da casa velha de madeira. 
Desfilava, perante os olhos encantados dos pequenos, a carroça com que o tio vendia o leite, acondicionado em garrafas de vidro, de casa em casa. 
Mostrava-se o ônibus antigo no qual trabalhara o avô como motorista, a conquista do seu primeiro Ford, o caminhão a diesel. 
Havia muitos risos, observando as vestimentas do início do século vinte, aquelas fotos em que todos posavam sérios como se fosse um ato religioso. 
As fotos eram caras, raras e guardadas como preciosidades.
Tudo isso parece que se diluiu de forma rápida com a evolução da fotografia, da sua forma física para a digital. 
Foi um processo marcado por inovações químicas, mecânicas e eletrônicas. 
E marchamos para um tempo em que, por falta de uma foto impressa e tátil, perde-se a formação da memória familiar.
Uma foto impressa é um objeto de memória. 
Ela pode ser manuseada, passada de mão em mão, emoldurada, guardada em álbuns físicos e, o mais importante, descoberta por acaso em uma gaveta. 
Esse processo de descoberta e interação física atua como um poderoso gatilho de memória. 
Quando as crianças folheiam um álbum ou uma caixa com fotos, estão participando de uma atividade social de construção de narrativas. 
No digital, a visualização geralmente é uma atividade individualizada na tela de um dispositivo, reduzindo a chance de ela ouvir, do adulto, a história por trás da imagem. 
A materialidade do papel fotográfico, o amassado do tempo, a caligrafia na parte de trás ajudam a ancorar a memória no tempo e no espaço. 
O digital é abstrato e torna a foto menos especial. 
Antes, tirar uma foto era um ato deliberado. 
Cada foto era selecionada com cuidado, carregando um peso maior. 
Hoje, a maioria das fotos é descartável. 
A sobrecarga de imagens dificulta para as crianças discernir quais momentos são verdadeiramente significativos ou merecem ser lembrados. 
Elas crescem sem um álbum de família no sentido tradicional.
Em vez de cem fotos impressas, que contam a história ponto a ponto, elas têm dez mil imagens desorganizadas em uma pasta. 
Isso torna mais difícil construir e compreender a narrativa visual do passado. 
A fotografia digital garante o registro de todos os momentos, mas falha na preservação duradoura e acessível. 
Também na interação tátil que transforma a imagem em uma memória vívida e compartilhada. 
* * * 
Ante a fragilidade do esquecimento que a facilidade do armazenamento digital oferece, permitamo-nos momentos de resgate histórico. 
Não deixemos que a riqueza da nossa história familiar se dilua no mar de bytes. 
Assinalemos um tempo para esse retorno ao paciente relato do heroísmo dos que nos precederam, hoje, enquanto ainda peregrinamos por aqui. 
Redação do Momento Espírita 
Em 20.11.2025

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

CASAR-SE

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Os bons Espíritos não cansam de nos repetir lições ou de nos alertar para novas reflexões, em torno de assuntos que, por vezes, nem cogitamos. 
Em pequeno livro lemos: 
"Não basta casar-se. Imperioso saber para quê."  
Talvez nunca tenhamos feito essa reflexão. 
A lógica primeira seria indagar: 
-Por que me casei? Por que nos casamos? 
No entanto, a indagação apresentada é para quê? 
Isso nos fala de finalidade. 
Quando pensamos no porquê, a resposta pode ser o clássico:
-Por amor, porque nos gostamos muito. 
A grande questão é que o amor não nasce pronto, se é que ainda não percebemos isso. 
Ele precisa ser cultivado. 
Assim, se respondemos: 
-Casei-me para amar e construir uma família, estamos mais próximos do entendimento da lição edificante. 
A felicidade na comunhão afetiva não é prato feito e sim construção do dia a dia. 
As leis humanas casam as pessoas para que as pessoas se unam segundo as leis divinas. 
Importante considerarmos esse curioso aspecto. 
Devido às crenças, aos rituais construídos pelos homens, temos a impressão de que a cerimônia do casamento na Terra é algum tipo de união segundo as leis divinas. 
Entretanto, trata-se de mero cerimonial que celebra uma união terrestre. 
A outra parte, a que vem em seguida, de fazer com que nos unamos segundo as leis divinas, é responsabilidade apenas nossa, do casal. 
Ninguém pode decretar isso. 
Dessa maneira, o casamento não nasce pronto. 
O que nasce pronto é uma disposição inicial, um movimento de compromisso, de vamos construir. 
Naturalmente, a construção se faz aos poucos, de maneira contínua. 
Então, casamento não é a cerimônia, não é a assinatura de papéis nem anéis nos dedos. 
Casamento é cultivo de anos. 
Anos de doação ao outro, anos de trabalho, autoconhecimento e autossuperação. 
Erguemos o lar por amor e é o amor que irá conservá-lo no dia a dia. 
Finalizando as reflexões, encontramos na mesma lição de início:
"Unicamente doando a ti mesmo em apoio da esposa ou do esposo é que assegurarás a estabilidade da união em que investiste os melhores sentimentos. Se sabes que a tolerância e a bondade resolvem os problemas em pauta, a ti cabe o primeiro passo a fim de patenteá-las na vivência comum, garantindo a harmonia doméstica."
O primeiro passo é de cada um de nós, não do outro. 
É na doação que sustentamos um lar. 
É no cultivo dessa forma tão elevada de amor ao próximo que conseguimos um ambiente de harmonia. 
Amor é também sacrifício. 
Sacrificar nossas horas, sacrificar, por vezes, o que nos é importante individualmente pelo bem da união. 
Casar-se é tarefa para todos os dias. 
Família é tarefa para todos os dias. 
O amor não nasce pronto. 
A paixão pode nos inebriar nos primeiros momentos, acendendo um fogo que impressiona, mas se ela não for alimentada pelo combustível do amor, nos meses e anos seguintes, ela se apaga e desaparece. 
Lembremos disso: não nos cansemos de investir no amor.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro Na Era do Espírito, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 19.11.2025

terça-feira, 18 de novembro de 2025

O HOMEM DE BOA VONTADE

Billy-o menino bombeiro
A jovem mãe se aproximou do leito do filhinho. 
Ela queria tanto que o filho crescesse e concretizasse os seus sonhos. 
Entretanto, a leucemia o estava matando. 
Lembrou-se de que, um dia, o filho lhe dissera que queria ser bombeiro, quando crescesse. 
Ela foi ao Corpo de Bombeiros local, na cidade de Phoenix, Arizona, explicou a situação do filho a um bombeiro de enorme coração, chamado Bob. 
-Seria possível, perguntou, meu filho de seis anos dar uma volta no carro de bombeiros, em torno do quarteirão? 
-Nós podemos fazer muito mais, respondeu Bob. Se estiver com seu filho pronto às sete horas da manhã, na próxima quarta-feira, nós faremos dele um bombeiro honorário por todo o dia. Ele poderá vir ao quartel, comer conosco, sair para atender as chamadas de incêndio. Se você nos der as medidas dele, conseguiremos um uniforme verdadeiro, com chapéu, com o emblema do nosso batalhão, um casaco amarelo igual ao que vestimos e botas. 
Três dias depois, o bombeiro Bob pegou o garoto Billy. 
Vestiu-o com o uniforme de bombeiro e o escoltou do leito do hospital até o caminhão dos bombeiros. 
Billy ficou sentado na parte de trás do caminhão e foi levado ao quartel central. 
Ele estava muito, muito feliz. 
Acompanhou os três chamados que aconteceram naquele dia e saiu no caminhão tanque, na van dos paramédicos e no carro especial do chefe do Corpo de Bombeiros. 
Até foi filmado pelo programa de televisão local. 
Com o seu sonho realizado, Billy ficou tão contente que viveu três meses além da previsão dos médicos. 
Uma noite, a enfermeira chefe começou a chamar toda a família ao hospital. 
Billy estava morrendo. 
Ela se lembrou do passeio com os bombeiros. 
Por isso, ligou para o quartel e perguntou se um bombeiro poderia fazer uma visita rápida ao garoto. 
Com certeza, ele ficaria feliz. 
O chefe dos bombeiros respondeu: 
-Nós podemos fazer muito mais do que isso. Estaremos aí em cinco minutos. Quando você ouvir as sirenes e ver as luzes de nossos carros, avise no sistema de som que não se trata de um incêndio. É apenas o Corpo de Bombeiros vindo visitar, mais uma vez, um de seus mais distintos integrantes. E, por favor, abra a janela do quarto dele. 
Cinco minutos depois, uma van e um caminhão com escada Magirus chegaram ao hospital, estenderam a escada até o andar onde estava o garoto. 
Dezesseis bombeiros subiram pela escada e, com a permissão da mãe, abraçaram e saudaram o melhor bombeiro de todo o quartel. 
Billy deu um sorriso tímido e perguntou: 
-Sou mesmo um bombeiro? 
E, ante a afirmativa sorridente do chefe dos bombeiros, Billy fechou seus olhos pela última vez. 
* * * 
O Mestre de Nazaré ensinou: 
-Se alguém te obrigar a dar mil passos, vai com ele mais outros dois mil. Ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica. 
Reflitamos a respeito e nos perguntemos como temos respondido aos pedidos de nossos amigos, filhos, parentes e da comunidade em geral. 
Que tal começarmos a colocar em prática, em nossa vida, a frase: 
-Eu posso fazer mais do que você me pede? 
Redação do Momento Espírita, a partir do artigo O homem de boa vontade sempre faz mais, de Ary Brasil Marques, publicado no Jornal Correio Fraterno do ABC, de dezembro de 2000.
Em 18.11.2025

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A MORTE CHEGA PARA TODOS

ALBERT E MAJA EINSTEIN
Você já percebeu que, sempre que o noticiário nos mostra as tragédias do mundo, acreditamos que nada semelhante jamais nos atingirá? 
Já se deu conta de que, normalmente, partilhamos a ideia de que o mal somente chegará à casa do vizinho? 
Com esses conceitos, vivemos despreocupados. 
Nem sempre utilizamos a prudência que nos seria devida para nos furtarmos de certos acontecimentos inconvenientes.
Quando a morte ronda os lares, continuamos a acreditar que o nosso está protegido dessa megera terrível. 
Por isso, quando ela chega, é sempre uma surpresa para nós.
Mas, ninguém foge à morte. 
E seria importante que, a respeito dela, meditássemos um pouco a cada dia. 
Recordamos que, depois do término da Segunda Guerra Mundial, morreu a amada irmã de Albert Einstein. 
Ele havia estado com ela, dias antes de sua morte. 
Ambos estavam abatidos e doentes. 
Albert tinha recebido o diagnóstico de um aneurisma abdominal da aorta. 
Tivera uma crise e, com fortes dores abdominais, ficara internado no hospital para longo tratamento. 
Brincando, ele havia dito à irmã: 
-Creio que enfrentarei a grande jornada para o espaço, antes de você, querida Maja. Por isso, estou aqui para as despedidas. 
E Maja respondeu: 
-Não, meu querido irmão, partirei antes. Em sonho recente, vi nossos pais. Entendi, por sinais feitos pelas mãos de nossa mãe, que a partida seria logo. 
Albert a abraçara, falando ao seu ouvido: 
-Seja como for, sinto que em breve nos encontraremos.
Recebendo, agora, a notícia da morte da irmã, olha o Infinito e fala baixinho: 
-Que Deus a abençoe! Como disse a você, em breve nos encontraremos. 
Nem raiva, nem desespero.
Atitude de quem tinha a certeza da Imortalidade. 
Continuou a trabalhar. 
Mesmo com suas dores, ele não se deixava vencer. 
Recebia amigos, viajava, proferindo palestras sobre suas teorias e respondia a todas as perguntas que os jornalistas lhe faziam. 
Com o rompimento do aneurisma abdominal, agrava-se seu quadro anêmico. 
Em 18 de abril de 1955, a uma hora e quinze minutos da madrugada, Albert Einstein morre, em Princeton, Nova Jersey.
Ele providenciara seu testamento, legando seus inventos e documentos científicos, já provados ou não, à Universidade de Jerusalém. 
Sabia que a morte o rondava. 
Preparou-se para recebê-la, mantendo-se ativo e sereno. 
Ele tinha a certeza da Imortalidade. 
* * * 
Conforme seu pedido, o corpo de Albert Einstein foi cremado e suas cinzas espalhadas em local ignorado. 
Ele doou seu cérebro a Thomas Harvey, patologista do Hospital Princeton. 
Esse fato causou profundo abalo no meio dos físicos e intelectuais filosóficos. 
Mas era preciso respeitar o desejo do maior conhecedor em cálculos matemáticos e das teorias sobre Física. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Albert Einstein. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. 
Em 09.01.2014.

domingo, 16 de novembro de 2025

MORTE, TEMIDA MORTE!

Se a um jovem perguntarmos o que lhe representa a morte, ele responderá: 
-A morte é a ceifeira dos sonhos. É uma megera que se compraz em destruir o que de mais idealista se projeta. Teima em não obedecer regras pois arrebata filhos antes dos seus pais, crianças antes dos idosos. Abraça os que apenas desabrocham para a vida; envolve em seu manto negro adolescentes apaixonados, jovens estudantes. Destrói a ventura de um casal, atingindo um dos cônjuges, deixando o outro mergulhado em sombras de saudade e dor. Agrada-lhe a semeadura da desgraça e cascatas de lágrimas. A um dia de sol, em que a criançada grita e brinca, entre os jardins, o bosque e o lago, oferece a sua presença e transforma risos em pranto, cantos em lamentos. Aproveita-se de qualquer descuido para roubar o ente querido. Basta uma leve distração e a criança é arrebatada. Um senão qualquer e a vida amada se vai. No entanto, se indagarmos a alguém que padece sobre um leito, dia após dia; alguém que já não encontra remédios que lhe amenizem as dores; alguém a quem o bendito repouso do sono não chega porque a enfermidade dolorosa não o permite; se questionarmos alguém a quem os meses se multiplicaram em acentuados anos, secando-lhe o viço e a mobilidade; alguém que viu seus amores partirem um a um, seguidos pelos colegas e amigos; alguém que vive só, sem ter quem o visite, amenizando-lhe a carência afetiva e depende de mãos alheias para o asseio, o alimento, os mínimos movimentos, esse alguém nos dará uma visão diversa da morte. Ele dirá que ela é a libertadora, que o corpo lhe pesa em demasia, que não suporta mais as dores físicas ou a solidão, que deseja o reencontro com os que se foram. Então, para esse, a morte vem com outras vestes. Não é a lúgubre presença destruidora, mas aquela que ele aguarda o abrace suavemente e o conduza ao outro mundo. 
 * * * 
De um modo geral, consideramos a morte sempre como indesejada. 
Os que temos nossos amores envoltos em enfermidades, não nos cansamos de estabelecer novas trincheiras de combate, a fim de lhes devolver a saúde.
Todos os que amamos se fazem preciosas presenças e, por isso, não desejamos que partam. 
Os pais esperam seguir antes dos filhos, que não almejam morram seus amigos, conhecidos, colegas. 
No entanto, a morte é inexorável para todos. 
E, como disse Jesus, ninguém sabe o dia, nem a hora, senão o Pai que está nos céus. 
Importante, dessa forma, que nos conscientizemos que estamos no mundo de passagem. 
Por mais se alonguem os anos, por mais a ciência progrida e estabeleça parâmetros mais dilatados de longevidade humana, um dia, a morte chegará. 
Por isso, guardemos a sabedoria de viver intensamente cada dia, de saborear cada momento com os pais, os filhos, o cônjuge. 
Dediquemos tempo aos nossos amigos, permitamo-nos parar para ouvir o colega, o vizinho. 
Tudo para que, quando a morte nos arrebate, os que ficarem possam ter doces lembranças da nossa presença a lhes luarizar a saudade dos dias. 
E, se nossos amores antes forem, possamos guardar a certeza de que não desperdiçamos nenhum momento ao seu lado. 
Depois, é só aguardar o reencontro, um dia, na Espiritualidade. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 01.11.2012.

sábado, 15 de novembro de 2025

A ALMA DO PÃO

Todos os dias, naquele mercado, forma-se uma fila próximo às cinco horas da tarde. 
É o horário em que sai a fornada de pão. 
Num mundo que preza pela velocidade e resultados instantâneos, todos esperam pacientemente, ninguém reclama. 
Alguns conversam, falam de como apreciam o pão quentinho.
E isso nos leva a pensar na extraordinária virtude chamada paciência. 
Damo-nos conta de como o pão nos leciona paciência. 
Longa é a jornada do grão do trigo até a entrega do produto final. 
Ele passa por plantio, floração, colheita, armazenamento, transformação em farinha. 
E o processo de um pão saboroso começa antes de a massa ser formada: na escolha da farinha. 
Depois, a mistura dos ingredientes — água, fermento e sal. É o ato de dar vida. 
O fermento é o grande mestre da paciência. 
Ele não age instantaneamente. 
Seu trabalho é silencioso, invisível e lento. 
Sem tempo para o fermento acordar e desenvolver o sabor, o pão ficará pesado. 
Na vida, equivale ao período em que as ideias se fundem, as habilidades se consolidam e os relacionamentos se aprofundam. 
É o momento de confiar no processo invisível de não forçar a evolução, mas de permitir que ela aconteça a seu tempo.
Tentar apressar o crescimento é como assar um pão que ainda não levedou: o resultado será decepcionante. 
O ato de sovar a massa é, talvez, a metáfora mais clara para a paciência ativa. 
É um trabalho repetitivo, que exige esforço e que, inicialmente, parece não levar a lugar nenhum. 
A paciência na sova é o compromisso de continuar o trabalho mesmo quando o progresso é lento. 
É o reconhecimento de que a força e a elasticidade da massa só se desenvolvem através da fricção e da persistência. 
Na vida, são as horas dedicadas a um treino, à revisão de um texto, ou à repetição de um hábito até que ele se torne natural.
Finalmente, o pão vai para o forno. 
O padeiro não pode simplesmente colocar o pão na temperatura máxima para acabar logo. 
É preciso um calor constante e na temperatura certa. 
Nem tão baixo que o pão seque, nem tão alto que ele queime por fora e fique cru por dentro. 
A paciência aqui é a disciplina e o controle. 
É a capacidade de manter o foco e a calma sob pressão, garantindo que as condições para o resultado sejam ideais.
Na vida, é saber que cada etapa tem a sua temperatura. 
O sucesso sustentável não vem de explosões de energia, mas da manutenção de um esforço calibrado e constante, que cozinha o nosso caráter sem o queimar. 
Quando o pão é retirado do forno — dourado, crocante por fora e macio por dentro — ele é mais que um alimento. 
É a prova material de que a espera valeu a pena. 
A fragrância que inunda o ambiente é o aroma do resultado conquistado. 
A paciência é a ação no tempo certo. 
É a sabedoria de esperar pelo desenvolvimento necessário, de sovar o esforço, de manter a temperatura da disciplina e de confiar que a combinação de bons ingredientes e tempo dedicado nos trará o nosso próprio pão perfeito.
A alma do pão se chama paciência. 
Em nossa vida, uma virtude que nos mantém o bom ânimo e o vigor. 
Redação do Momento Espírita 
Em 15.11.2025

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

MORRER LENTAMENTE

MARTHA MEDEIROS
Morre lentamente quem não sorri para uma nova manhã, quem esqueceu de olhar as estrelas na noite anterior e quem não se encanta com a grandiosidade da natureza à sua volta.
Morre lentamente quem não encontra graça em si mesmo, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece. 
Morre lentamente quem faz da televisão seu guru, ou sua única companhia. 
Morre lentamente quem não toma iniciativa alguma quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca nem um pouco que seja, para ir atrás de um sonho. 
Morre lentamente quem passa os dias se queixando de sua má sorte ou da chuva incessante ou do sol intenso. 
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, quem não pergunta sobre um assunto que desconhece, ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente quem não mais agradece a Deus pelos filhos que lhe deu, ou pelos pais que o receberam neste mundo. 
Morre lentamente quem não retribui o sorriso de um bebezinho, e quem não acha fascinante a forma pela qual chegamos todos a este mundo. 
Morre lentamente quem não abraça, quem não beija, quem não expressa carinho de alguma forma – mesmo que através de um olhar. 
Morre lentamente quem é adepto de expressões como este mundo não tem jeito mesmo, ou a coisa está cada dia pior.
Morre lentamente quem se desespera com a perda de um amor, e não consegue perceber que há muitos que podem ser amados por nós, e muitos que podem nos amar profundamente. 
Morre, sem perceber, dia após dia, quem não se dedica à felicidade de alguém, quem não se doa, quem não divide o que tem - material e espiritualmente – com outras pessoas. 
* * * 
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. 
Estar vivo pressupõe agir, e não apenas reagir. 
Toda reação é perigosa, pois comumente não passa pelo processamento seguro da razão. 
Estar vivo implica em fazer avaliações constantes, não avaliações dos outros, mas de nós mesmos e de nosso viver.
Quem não se avalia perde grandes chances de se aprimorar, de poder mudar de rumo quando percebe que a direção poderia ser outra. 
Estar vivo significa: entusiasmo - carregar Deus em nossa alma, levar a certeza de Sua presença em nossas vidas e a vontade de conquistar os altos páramos da felicidade. 
* * * 
Vivo para que o sol tenha sentido, e é minha luminescência que ele espelha e devolve ao orbe, agradecido. 
Vivo para que a chuva lave o ar, e leve volte ao éter com meu perfume elegante, de árvore vigorosa de seiva sã. 
Vivo para que o amor tenha vazão, e não deseje razão – pois de condição o amar não precisa. 
Vivo para florescer outros jardins, e sem perceber o meu se abarrota de lírios, ciclames, girassóis... 
Vivo cada dia como se fosse cada dia. 
Nem o último nem o primeiro - o único. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Quem morre, de Martha Medeiros. 
Em 27.10.2017.