quarta-feira, 7 de maio de 2025

UM NOVO ATO

Léon Denis
Em algum momento, paramos para pensar que o que chamamos de vida, esse tempo de existir na Terra, que na nossa compreensão vai do berço ao túmulo, é na verdade apenas mais um ato, uma parte de uma obra muito maior? 
Quando usamos a palavra ato, remetemo-nos às peças de teatro.
Atos nos mostram o desenrolar de uma história mais longa, com muitos personagens, com acontecimentos que vão nos fazendo entender o drama como um todo. 
A peça Hamlet, a mais famosa de Shakespeare, é composta de cinco atos. E cada ato, por diversas cenas. 
No primeiro ato, temos a aparição do fantasma do pai de Hamlet e uma grande revelação. 
Se assistirmos apenas ao segundo ato, sem termos entendido o primeiro, não aceitaremos as razões da mudança do humor de Hamlet, não nos fará sentido a raiva que ele carrega. 
Se formos diretamente ao quarto ato, sem termos conhecido bem os personagens e a história, pouco sentido terão suas atitudes. Imaginemos, então, neste momento, uma das cenas de um dos atos da sua peça, a peça da sua existência de Espírito imortal. 
Torna-se mais fácil entender que a alma, depois de residir temporariamente no espaço, renasce na condição humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do seu passado. 
Renasce criancinha, reaparece na cena terrestre para representar um novo ato do drama da sua vida. 
Vem resgatar as dívidas que contraiu, conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascensão, acelerar a marcha para a frente. 
A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da Imortalidade. 
A evolução do ser indica um plano e um fim. Esse fim, que é a perfeição, não pode realizar-se em uma única existência, por mais longa que seja. 
Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária de sua educação e de seus progressos. 
É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade. 
E se eleva, de degrau a degrau, primeiramente na Terra e, em seguida, através das inumeráveis estâncias do céu estrelado.
Reencarnação é o fenômeno natural, o processo que nos faz alternar de ato para ato. 
O figurino será distinto. 
No entanto, o ator é o mesmo. 
Novos personagens surgem. 
Alguns desaparecem por alguns atos e retornam mais tarde, até em outros papéis. 
A lei das vidas sucessivas promove dramas muito mais complexos e longos que os de Shakespeare. 
Por fim, um detalhe importante: se formos conhecer a obra do grande escritor inglês, veremos que quase todas as suas peças terminam em tragédia, em desgraça. 
Fazendo ainda um paralelo, recordaremos que algumas de nossas existências tiveram desfechos desagradáveis. 
Porém, entendamos como finais de atos e não da obra como um todo. a peça segue rumo a cenas e atos melhores, mais felizes. 
É da lei que tudo siga o caminho da felicidade e da perfeição. 
Atores mais experientes, roteiros mais maduros, cenários mais amplos e agradáveis. 
 Pensemos nisto: somos nós que dirigimos nossa grande peça, cena a cena, ato a ato. 
Redação do Momento Espírita, com trecho do cap. XIII, pt. 2, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 07.05.2025

terça-feira, 6 de maio de 2025

QUERERES DE UMA ALMA

Naquela manhã, ela saiu para caminhar, respirando o ar fresco ainda não escaldado pelo sol forte. 
A cidade estava vestida de flores. 
Verão de dias quentes. 
Árvores frondosas de verde renovado na estação primaveril.
Enquanto andava, pensava, como em tantas outras manhãs, a respeito de sua própria vida. 
Os pensamentos foram se organizando e, intimamente, foi dizendo para si mesma ou talvez fosse uma prece ao Todo Poderoso, Pai e Criador? 
Nem ela mesma tinha certeza. 
As frases foram brotando, sinalizando seus anseios. 
Eu queria poder entrar nesse supermercado enorme e não somente ficar olhando as prateleiras bem montadas, desfilando produtos selecionados. 
Eu queria simplesmente poder adquirir tudo que me encanta os olhos e acelera minha vontade consumista. 
Tudo que fosse chamativo, lindo. Latas decoradas de várias maneiras, com biscoitos de sabores exóticos. 
Vidros de compotas de frutos, de geleias. Frutas frescas importadas de lugares distantes. 
Queria passar pela banca das flores e toda semana comprar flores novas, esses ramalhetes montados com primor por mãos habilidosas.
Com eles, perfumaria e encheria de cores o ambiente de minha casa.
Como gostaria de entrar na perfumaria e escolher aquele perfume espetacular, sem preocupar-me com o preço, e andar pelo shopping, ostentando a sacolinha personalizada, como um tesouro. 
Aliás, shopping deveria ser um lugar em que eu pudesse ir para usufruir muitas coisas. 
Das lojas de doces, pães e broas importados às dos calçados, das roupas finas. 
Não somente admirar a beleza, a textura, o cuidado nas vitrines, mas sair de mãos cheias, além de encantar os olhos. 
Eu queria tantas coisas... 
Viajar, andar por terras longínquas, cheias de história, de mistérios, de encantamento. 
Visitar castelos em que viveram reis, rainhas e princesas, com seus dramas, suas alegrias e tristezas. 
Visitar lugares em que respiraram gênios da Humanidade, que legaram ao mundo o melhor de si. 
Alguns deles que estiveram aqui, por algum momento, somente para nos beneficiar com sua criatividade. 
Lugares de beleza natural, lugares criados pela inventividade humana, no alto de morros, beirando penhascos, em vales encantadores. 
Seria enriquecedor conhecer a História in loco, peregrinando além das páginas de livros ou dos vídeos paradisíacos que a tecnologia oferece. Eu queria tantas coisas... 
Enfim, como nada disso me é possível, agradeço, Deus, por receber a Sua brisa da manhã, o Seu sol brilhante e a chuva generosa.
Agradeço pelo ar que respiro abundante, pela possibilidade de andar, pela riqueza do meu pensamento, pelo brilho do meu olhar. 
Obrigada por me teres criado, me permitires viver tantos anos.
Obrigada pelos meus pais, pelo meu lar, com tudo que tem e com tudo que lhe falta. 
Obrigada pela escola, pelos amigos, joias preciosas que me ofertam o doce abraço do carinho, o afago da ternura, um sorriso, uma flor. Finalmente, 
Deus, obrigada por permitires que eu simplesmente extravase os desejos de minha alma um tanto inquieta. 
Obrigada por me deixares sonhar.
Redação do Momento Espírita 
Em 06.05.2025

segunda-feira, 5 de maio de 2025

SEMPRE FOMOS AMADOS

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Curiosa toda essa nossa carência, toda essa nossa necessidade de atenção, de sermos notados, valorizados, de sermos amados. 
Será que nunca percebemos o amor que nos é dedicado desde sempre?
É um amor distinto de todos os modelos que conhecemos na Terra, um amor muito maior, o amor primordial, o amor de Deus. 
Ele é tão grandioso, tão completo, que talvez seja esse o motivo pelo qual não o compreendemos. 
Da mesma forma como não compreendemos como nosso sol, tão vasto, pode receber dentro dele cerca de um milhão e três mil planetas Terra, enquanto existem outros sóis, outras estrelas que são, ainda, muito maiores do que ele. 
Por exemplo, Rigel, a estrela supergigante azul que se encontra na constelação de Órion. 
Tem um raio setenta e oito vezes maior que o nosso sol e é sessenta e duas mil vezes mais brilhante. 
É a estrela mais brilhante da sua constelação e a sétima mais brilhante do céu. 
Temos ideia do que seja isso? 
Possivelmente não. 
Mas está lá, no conhecido Universo, movendo-se em harmonia pelo espaço, cumprindo seu papel nesta engrenagem fabulosa, neste mecanismo perfeito divino. 
Onde entra o amor em tudo isso? 
O Espírito Emmanuel, possuidor de uma sensibilidade belíssima, explica que o amor puro é o reflexo do Criador em todas as criaturas.
Brilha em tudo e em tudo palpita na mesma vibração de sabedoria e beleza. 
Surge, sublime, no equilíbrio dos mundos erguidos à glória da imensidade, quanto nas flores anônimas esquecidas no campo. 
Nele fulgura, generosamente, a alma de todas as grandes religiões que aparecem, no curso das civilizações, por sistemas de fé à procura da comunhão com a espera celeste, e nele se enraíza todo o impulso de solidariedade entre os homens. 
Plasma divino com que Deus envolve tudo o que é criado, o amor é o hálito dele mesmo, penetrando o Universo. 
Vemo-lo assim, como silenciosa esperança no céu, aguardando a evolução de todos os princípios e respeitando a decisão de todas as consciências. 
Será que você já conseguiu perceber um pouco desse amor? 
Ele sempre esteve conosco. 
Ele ampara cada um de nós desde nosso princípio, nos deu a mão quando fomos criados Espíritos simples e ignorantes, oferecendo-nos plenas condições de conquistar tudo o que desejamos. 
Nunca nos abandonamos, nunca falhamos, nunca nos deixamos sem novas chances, mesmo quando relutamos em aceitar as realidades das próprias leis naturais. 
Nunca se ofendeu, nunca desistiu. 
Estamos mergulhados nesse amor: 
O hálito divino dEle mesmo, Deus, penetrando o Universo.
Busquemos dentro de nós as potências adormecidas e começaremos a percebê-lo com mais clareza. 
Quando nos colocamos como instrumentos da fraternidade, quando nos propomos a nos fazer desinteressadamente, estamos retirando as vendas que nos impedem de olhar, ver e sentir melhor todo esse amor à nossa volta. 
Sempre fomos amados, é fato. 
Agora é tempo de aprender com esse amor e refletir com todas as nossas forças em todas as direções. 
Redação do Momento Espírita, com base no boné. 30, do livro Pensamento e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEV. 
Em 05.05.2025

domingo, 4 de maio de 2025

MENSAGEM PARA O AMANHÃ

Quem observa esses frágeis seres que abrem seus olhinhos curiosos para o cenário do mundo, logo percebe como eles dependem dos adultos. 
Bebês, pequeninos, com o aroma da inocência aureolando suas ações, andam na Terra em busca de carinho. 
Parecem aves implumes, tal sua delicadeza e fragilidade. 
Às vezes, as vemos colocando suas mãozinhas nas pernas dos adultos, batendo de leve com seus dedinhos miúdos, erguendo os bracinhos a dizer sem palavras: 
-Quero colo. 
As crianças expressam assim seu desejo de serem carregadas. 
Desejo que às vezes é repelido com expressões grosseiras como: 
-Não pego no colo, não. Vai andar! Quis vir junto, agora ande. Do contrário, poderia ter ficado em casa. 
Isso cai sobre a cabecinha da criança como uma bomba. 
Não percebem, os que assim agem, que o pequeno tem menos resistência. 
Dirão que a criança pula, corre, e brinca o dia todo, que, se tem energia para brincadeira, também deverá ter para andar. 
Ora, na brincadeira a criança tem a recompensa do prazer. 
Ela brinca até cansar e ao se sentir exausta, para. 
Até mesmo o bebê de poucos meses parece, por vezes desligar. 
É o período de calmaria, de repouso que ele busca. 
A caminhada contínua, onde não lhe é permitido parar para observar o cachorro que late, o brinquedo colorido na vitrine, o movimento das pessoas que circulam rápido, faz com que ela se canse com maior rapidez. 
Sem falar que, normalmente, os adultos esquecem que os pequenos estão juntos, e andam a passo acelerado, obrigando-os a quase correr para os acompanhar. 
Outra situação que se repete com constância é a de crianças, no seu período de imitação, desejarem ser a cabeleireira da mãe. 
Munidas de escova e pente, elas tentam criar o penteado que sua mente cataloga como maravilhoso. 
O que conseguem, em verdade, é despentear. 
Mas elas insistem, põem a ponta da linguinha para fora da boca, demonstrando esforço, e alisam os cabelos com suas mãos.
Satisfeitas, exclamam: 
-Pronto. 
Quantas vezes todo esse cuidado é repelido com as desculpas de: 
-Vai estragar o meu penteado. 
Ou: 
-Não tenho tempo para perder. 
Atitudes dessa natureza, repetidas, terminam por passar para a criança que o sofrimento do outro, como o seu cansaço, não importa.
O lema é: Cada um por si. 
Não nos admiremos se, no futuro, nos depararmos com adolescentes frios e adultos indiferentes. 
Pessoas que pensarão somente no seu bem-estar, no seu conforto, não se importando com a família, amigos ou colegas. 
Nas relações humanas, como tudo na vida, a questão é de aprendizado e de semeadura. 
* * * 
Até aos sete anos de idade a criança é mais suscetível às mensagens que recebe dos adultos. 
A educação integral compreende, não somente o comportamento social, as boas maneiras, a conduta reta, mas também a questão afetiva, emocional e espiritual. 
Assim, não desprezemos as carícias da criança. 
Dia virá, quando os anos se forem, que ansiaremos por quem se aproxime de nós e nos acaricie os poucos cabelos brancos. 
Alguém que disponha de seu tempo para colocar sua cabeça junto da nossa e diga: 
-Como vai minha velhinha, hoje? Está cansada? Quer um carinho?
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9 e no CD Momento Espírita, v. 11, ed. FEP. 
Em 28.12.2018.

sábado, 3 de maio de 2025

MENSAGEM INFANTIL

Foi em fevereiro de 1975 que três irmãos - Marcos, com doze anos, João Batista, onze anos e Sheila, com sete - desencarnaram, em acidente, na via Anhanguera. Pai e mãe mergulharam numa noite de tristeza. 
Três filhos mortos na mesma hora.
Uma casa vazia. 
A Sra. Elite, a mãe, mergulhou em uma fonte de lágrimas, enquanto o pai, Roberto, se fechou em si mesmo, trabalhando mais do que nunca para esquecer a imensa dor da perda e da saudade. 
Então, um dia, numa dessas abençoadas sessões com o médium Francisco Cândido Xavier, na cidade de Uberaba, eles receberam uma mensagem do filho de doze anos, que pode, igualmente, consolar outros corações de pais e mães que viram seus filhos adentrarem a aduana da morte. 
"Querida mamãe, a senhora pede notícias e rogou tanto, mas tanto, que me vejo aqui para trazer a esperança ao seu coração e fortalecer em meu pai a confiança na vida. Por dentro de mim, estou como quem traz o pensamento tropeçando na vontade de chorar. É preciso ser forte e ser um homem para receber um compromisso desses. Rogo a vocês para não se deixarem dominar pelo sofrimento, embora este conselho deva ser ditado para mim mesmo. Estamos assim como num telefone direto, em que o fio do lápis vai formando as minhas palavras, sem que eu possa receber as palavras de meus pais queridos, ao mesmo tempo. Sei tudo o que tem acontecido. Nós entendemos daqui as suas aflições. Três filhos esmagados quase ao chegarem em casa. E a nossa separação de repente. Desde que acordei aqui, ouço os seus gritos do coração: suas palavras que não são faladas, suas preces de aflição no silêncio e suas lágrimas que aí na terra ninguém vê. Mas peço à senhora, em nome da nossa Sheilinha, do João Batista e em meu nome, para viver com fé em nosso reencontro. Mamãe, se não fosse a falta que a gente experimenta de casa, se não fosse a voz da senhora e do papai por dentro de mim, eu diria que tudo está bem. Temos repouso, mas o repouso é atravessado pelas recordações que se fazem tão vivas como se fossem relâmpagos coloridos e parados em nossas lembranças. Não chore mais com desânimo e aflição. A senhora, sempre carinhosa e imensamente boa para nós, não choraria mais com tanta angústia se visse a nossa querida Sheila cair de aflição, querendo ir ao seu encontro sem poder. Nós estamos todos unidos sem que eu saiba como é isso. Mamãe, não fique parando o olhar em nossas lembranças. As lágrimas são forças de Deus em nossa vida. Por isso, nenhum de nós está livre de chorar, mas as nossas lágrimas devem ser orações de gratidão e amor, paz e fé. Não se queixem. Vamos cultivar a saudade na igreja do amor ao próximo. Mamãe, abençoe os filhos que somos nós aqui, sem você, mas contando sempre com a senhora para ficar mais fortes. Deus nos auxiliará. Em nome dos irmãos e em meu nome, deixo a vocês, em casa, o nosso beijo de respeito e de amor. Marcos."  
* * * 
A saudade é um rio de águas profundas, cujas nascentes procedem do coração. 
Por isso mesmo, Espíritos na carne ou fora dela a sentimos e a sofremos. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Crianças no Além, pelo Espírito Marcos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 30.1.2014.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

UM LÁPIS NA MÃO DE DEUS

"Sou apenas um lápis na mão de Deus. 
É Ele quem me escreve."
A frase foi dita por Madre Teresa de Calcutá, que criou uma congregação para servir aos mais pobres entre os pobres. 
Ficou conhecida mundialmente por seu trabalho humanitário e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979. 
Seu legado é de amor, compaixão e serviço ao próximo. 
Quão felizes seríamos se nós, igualmente, nos dispuséssemos a ser um lápis na mão de Deus, instrumentos de sua vontade, traçando linhas de amor e esperança. 
Amor a toda Sua Criação. 
Dos pequenos animais aos de grande porte, resguardando a mata, a floresta, a fim de lhes preservar o habitat. 
Respeitar-lhes a vida, o lar que a Divindade lhes concedeu. 
Manter limpos os rios, para que a vida prolifere, em abundância.
Preservar as águas para prosseguir a usufruir da sinfonia das cachoeiras, das corredeiras, dos riachos calmos que murmuram segredos, no cair da tarde. 
Sermos um lápis que escreve cartas de amor. 
Mensagens de Deus para Seus filhos, que falam de Seu amor incondicional. 
Um lápis colorido na mão de Deus, revelando a beleza divina nas cores da alegria e da paz. 
Alegria de viver a própria vida, de desfrutar do calor da família, do afago dos amigos, da cortesia de estranhos. 
Paz na consciência pelo dever cumprido. 
Das pequenas e quase insignificantes tarefas às grandiosas, que modificam a vida dos demais, que somam bênçãos de saúde. 
Paz nas palavras que proferimos, nos gestos que fazemos, nas medidas que tomamos. 
Um lápis colorido que pinta a vida com o verde da esperança, o branco da paz. 
Um lápis que descobre as cores mais belas para oferecer ao mundo, por onde passamos, por onde nos movemos. 
Um lápis que escreve histórias de redenção, que transforma vidas pela simples presença, pelo sorriso, pelo olhar. 
Que cura corações despedaçados com acenos de esperança, de mantras de luz, na repetição dos versículos sonoros dos textos de um Mestre da sensibilidade e do amor. 
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. 
Não vos afadigueis pelo amanhã pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. 
Basta a cada dia o seu próprio mal. 
Pedi e vos será dado. 
Buscai e achareis. 
Batei e vos será aberto. 
Sermos um lápis que escreve canções de louvor. 
Cânticos de fé, de adoração, de gratidão, que nos remetem a um estado ímpar. 
Algo como uma descoberta extraordinária de que somos filhos do Dono do Universo. 
Do mais poderoso Ser. 
Infinito em Suas qualidades de justiça e amor. 
Melodias que ecoam em nossos corações para se espalharem pelo mundo. 
Sermos um lápis que desenha o caminho do bem, que traça rotas de bênçãos em que outros possam se beneficiar. 
E que desejem seguir para descobrirem, como nós, a realidade da vida que nunca morre, do bem que suplanta todo mal. 
Um lápis na mão de Deus, escrevendo através de nós. 
Em cada traço, com cada cor, cada letra, revelando o Pai Criador, que vive em nós. 
Um simples lápis direcionado pelas mãos de Deus. 
Redação do Momento Espírita, com citações do Evangelho de Mateus, cap. 6, vers. 34; cap. 7, vers. 7 e cap. 11, vers. 29 e 30. 
Em 02.05.2025

quinta-feira, 1 de maio de 2025

SUBMERSAS

ANDREIA FUENTES
e
ANITA ALVAREZ
A atleta americana de nado sincronizado, Anita Alvarez, desmaiou e afundou na piscina, durante o mundial de Budapeste no ano de 2022.
A treinadora da equipe e medalhista olímpica, Andreia Fuentes, percebeu que Anita estava há muito tempo debaixo d’água. 
Sem pensar duas vezes, simplesmente se atirou na piscina, completamente vestida. 
Andreia Fuentes foi até o fundo e puxou sua atleta para a superfície.
Anita estava inconsciente, sem forças para se mover ou esboçar qualquer reação. 
Graças à rápida ação da treinadora, pôde receber os primeiros socorros e conseguiu sobreviver. 
As câmeras captaram a eficiente ação de Andreia Fuentes, atenta, conhecedora de sua atleta, agindo na hora certa. 
Se ela não tivesse notado rapidamente, se não tivesse sido ágil, Anita certamente teria se afogado.
Isso nos faz pensar sobre os dias atuais. 
Se ficarmos tempo demais submersos na piscina dos nossos problemas, quem são as pessoas que irão perceber? 
Quem estará ali, olhando atentamente, e notará que não temos mais forças e mergulhará sem hesitar? 
Quem nos puxará de volta em momentos como esse? 
E será que alguém pode contar conosco para fazer o mesmo? 
Será que somos, muitas vezes, essa treinadora atenta que pula na água sem titubear? 
Será que há pessoas que contam com isso: com nossa ação ágil, eficiente? 
Num mundo tão individualista, vejamos como é importante a existência de pessoas do quilate da treinadora. 
Criaturas que não questionam antes, não ficam na beira da piscina pensando se pulam ou não. 
Ou perguntando para saber como está a pessoa. 
Dar esse salto e mergulhar é acolher o outro, ir ao encontro das necessidades urgentes que, por vezes, podem ser apenas um abraço, ou um simples eu estou aqui. 
O pulo no fundo da piscina é muito significativo, pois ele é exatamente isso. 
Lá, embaixo d’água, a treinadora não disse nada. 
Ela abraçou e trouxe a atleta para cima. 
Quase sempre só precisamos fazer isso. 
Estarmos disponíveis para o outro. 
Doarmos um ombro, alguns minutos de escuta. 
Curioso é que vez ou outra todos nós podemos submergir, ter nossos momentos de fragilidade. 
E sabemos da importância de ter alguém para nos salvar. 
Será que alguém pode contar conosco? 
Caso sim, já dissemos isso? 
Deixamos claro que estamos a postos para ajudar? 
Observando as estatísticas das doenças mentais no mundo, contabilizamos os números crescentes de suicídios, e vemos quantos de nós permanecemos submersos por tempo demais. 
São números alarmantes. 
Mas não são apenas números, são pessoas, iguais a cada um de nós, com histórias, família, ideais, planos, que simplesmente adoecem.
Precisamos nos amparar diariamente, estar atentos, participantes na vida um do outro. 
Não hesitar em pedir ajuda e não hesitar em mergulhar para ajudar.
Confiemos em nossa intuição. 
A Providência Divina utiliza nossa sensibilidade para sermos agentes do bem na face da Terra quando estamos atentos, quando nos propomos a amar. 
Confiemos em Deus. 
Confiemos em nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 1º.05.2025