domingo, 19 de dezembro de 2021

HERANÇAS

Uma questão que deixa muita gente intrigada é a semelhança psicológica que existe entre membros da mesma família. 
As parecenças físicas estão bem explicadas pela genética. 
No entanto, será que o Espírito herda também, de seus pais, as características morais? 
No diálogo de Jesus com Nicodemos, vamos encontrar a resposta clara para essas questões.
Respondendo ao doutor da lei, ensina o Mestre de Nazaré: 
-O que nasce da carne é carne. O que nasce do Espírito é Espírito. Não te maravilhes de eu te dizer que é preciso nascer de novo. O Espírito sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito. 
Fica bem clara a distinção que Jesus assinala entre o corpo e o Espírito. 
A carne procede da carne, mas o Espírito não sabemos de onde vem. 
Então, como pode um filho parecer tanto, moralmente, com o pai?
Existem leis que regem a vida, das quais ainda não temos o entendimento completo.
Uma delas é a lei de afinidade. 
As pessoas se unem ou se reúnem por afinidade de tendências, de gostos, de objetivos.
Assim é que, só vão a um estádio aqueles que gostam de futebol. Isso se dá também com os povos. 
A lei de afinidade os reúne em determinada região, considerando a predominância de suas características. 
Dessa forma é que podemos perceber claramente as tendências de alguns povos, para a violência, ou para a paz. 
O Espírito é um ser individual e indivisível. Todas as tentativas de se reproduzir um igual ao outro será frustrada. 
Podemos reproduzir a matéria, mas o Espírito que a animará, terá características sui generis.
Não é outro o motivo pelo qual filhos de gênios podem nascer com inteligência limitada e pessoas de inteligência mediana podem ter filhos prodígios. 
Se os geneticistas levassem em conta a ação do Espírito sobre o corpo teriam resposta para muitas das questões que não se explicam somente pelas leis da genética. 
Se levassem em conta que cada corpo que nasce é animado por um Espírito imortal, que traz consigo experiências milenares, resolveriam muitas dúvidas a respeito das enfermidades, da genialidade, da idiotia, e tantas outras particularidades das criaturas. 
Há crianças, que nos primeiros anos de vida, leem, escrevem, fazem contas, decoram nomes de países e suas capitais, sem que tenham herdado essas capacidades de seus pais. 
Em resumo, importa que saibamos que o corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. 
Importa também, sabermos que, se o corpo gerado tiver vida, há um Espírito a animá-lo, e que terá suas próprias características, independente das de seus pais. 
O que pode ocorrer, entretanto, é que o mesmo Espírito que animou o corpo de um ancestral, renasça na mesma família. Poderemos registrar, então, o neto com características psicológicas do avô por ser ele próprio retornando. 
Como disse Jesus: Não sabemos de onde vem o Espírito. 
O que temos certeza é dos laços que nos unem ou nos virão a unir, a partir do agora.
Redação do Momento Espírita, com base no Evangelho de João, cap. 3, vers. 3, 6 a 8. 
Em 19.8.2020

sábado, 18 de dezembro de 2021

HERANÇA DE IMORTALIDADE

Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor... 
Os versos da canção popular traduzem o que, ainda hoje, acontece no mundo.
A morte prossegue a ser vista com horror e a vestir-se de negro. 
O que deveria ser um momento de reflexão e de prece transforma-se em grandes lamentações. 
Há dois mil anos, um Sublime Mensageiro, nas terras da Galileia, cantou a Imortalidade. 
Mais do que conviver com os Espíritos, falar com eles, amá-los, o que atestam os escritos dos Evangelistas, Ele mesmo retornou após a morte. 
Ele dissera que, se destruído fosse o templo de Seu corpo, em três dias Ele retornaria. 
E o fez. 
Esteve com os Seus apóstolos, entrando no cenáculo totalmente fechado. 
-Sou eu, não temais! 
Permitiu que o incrédulo Tomé lhe tocasse a chaga aberta no peito. 
Aos discípulos que seguem a Emaús, igualmente se identifica.
Durante quarenta dias esteve com eles, intensamente, em variados momentos. 
Exortando-os à coragem, ao trabalho, ao dever. 
Amigo Incondicional, assegurou que onde houvesse duas ou mais pessoas, reunidas em Seu nome, Ele ali se faria presente. 
E assim tem sido ao longo dos séculos que se dobraram, no tempo.
Ele, o Mestre, nos deu a lição imortalista, demonstrando que a morte não é o fim. 
Vou à frente, preparar-vos o lugar, também prometeu. 
Cabe-nos, então, reflexionar um tanto mais a respeito desse fenômeno que a todos alcança, sem exceção alguma: a morte. 
A morte que chega devagar, após enfermidades longas e dolorosas. 
A morte que vem de rompante, levando os nossos amores. 
A morte que não faz diferença entre raça, idade, posição social. 
A todos ela abraça. 
Naturalmente, que sempre se terá a dor da separação. 
A partida é a dor da antecipada saudade. 
A dor pela ausência de quem parte. 
No entanto, da mesma forma que nos despedimos no aeroporto, na rodoviária, nos lares, dos afetos que buscam outras terras, em férias, não cabe desespero. 
Chora-se somente pela ausência, pela saudade, sem lamentar, porque guardamos a certeza de que logo mais voltaremos a nos encontrar. 
Da mesma forma que vamos ao encontro de quem está em férias, depois de um período, também acontece com a morte. 
Um dia, tornaremos a estar juntos. 
Quando partirmos, eles estarão nos aguardando na fronteira da Espiritualidade. 
Na Terra, quando estamos distantes, vamos utilizando todas as formas de comunicação de que dispomos para arrefecer a saudade. 
Quando os amores partem para a pátria espiritual, utilizemos os fios mentais da recordação dos tempos felizes juntos, e a oração, para conversarmos com eles. 
E nos será, então, bastante comum sonharmos com os amores que se foram e continuam a nos amar. 
Serão momentos gratificantes de abraços, de reencontros. 
Momentos que irão envolvendo a nossa imensa saudade em suaves lembranças. 
Um dia, tornaremos a estar juntos, neste mundo ou no outro. 
Somos imortais, filhos da luz, herdeiros do Universo. 
Confiemos: ninguém morre. 
Todos retornamos à Casa do Pai, destino final dos que fomos criados pelo 
Seu amor soberanamente justo e bom. 
Pensemos nisso e enxuguemos nossas lágrimas de revolta, de inconformação, deixando que escorram somente as da saudade, do amor, das lembranças de tantos momentos bem vividos. 
Transformemos nossos adeuses em até breve! 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 32, ed. FEP.
Em 26.3.2018.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

INTENSAMENTE DESEJADO

Aqueles eram dias acabrunhadores. 
Aproximava-se a festa dos ázimos, ou seja, a Páscoa. 
A hora era de intranquilidade. 
Os sacerdotes arquitetavam o melhor plano para prender o Nazareno. Desejavam tê-lO em suas mãos, julgá-lO e fazer com que desaparecesse. A Sua presença punha em risco toda a hierarquia sacerdotal. Eles sentiam que, dia a dia, perdiam seu status. O povo seguia aquele Mestre que nada pedia senão que amassem a Deus e ao seu próximo. Não exigia dinheiro para ser ouvido, seguido ou oferecer as Suas bênçãos. 
Jesus, o Mestre, de tudo estava ciente. 
Não somente por conhecer as escrituras, o que haviam falado os profetas a respeito do Messias. Mas, sobretudo, por estar plenamente cônscio do preço que deveria pagar, nas mãos de homens que não desejavam a Sua mensagem. 
Então, Ele pediu a Pedro e João que entrassem na cidade de Jerusalém e preparassem o lugar para a celebração da Páscoa. 
Quando Ele se encontra no aposento, junto aos doze, afirma: 
-Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. 
São palavras que expressam um grande desejo. 
Era a última Páscoa em que estaria com eles. 
O Cordeiro sabe que logo mais haveria de ser sacrificado. 
Sua doação derradeira é estar com os Seus. 
Todos sabemos como aquela noite se fez de importância, pelas recomendações apontadas, por todas as revelações apresentadas. 
Uma noite inesquecível para aqueles corações. 
* * * 
O calendário terreno nos anuncia que o Natal se aproxima. 
A data em que nós, os humanos, elegemos, para recordar a vinda do Rei. 
O Rei Solar, o Governador Planetário, nosso Mestre e Senhor. 
A pessoa mais ilustre que esta Terra já abrigou, em suas estradas. 
Muito importante que imitemos o Nazareno, parafraseando a Sua expressão daquele dia:
-Desejo ardentemente comemorar este Natal convosco. 
Que a possamos dizer aos nossos familiares, nossos amigos, aos que passam pela nossa vida. 
E nos preparemos para a data, desde agora. 
Preparemos a sala do nosso coração, para recepcionar os que amamos e lhes oferecer nosso abraço, no natalício do Mestre. 
Preparemo-nos para a data, colocando flores nos vasos do nosso carinho e envolvendo com laços de ternura os pacotes que iremos oferecer. 
Pacotes pequenos, minúsculos, grandes, valiosos todos porque trabalhados pela nossa afeição. 
Preparemos a mesa com o que possamos ofertar, em nome do amor. 
E que a nossa noite seja, como aquela longínqua Páscoa, recheada de preces, de hinos, de pão repartido. 
A data se aproxima. 
Apressemo-nos e desejemos ardentemente estar com quem amamos. 
Recordemos: na oferta do pão à mesa da confraternização, quem sabe possamos ter um gesto de perdão a quem nos feriu e o possamos incluir à mesa. 
Quem sabe instalemos uma mesa em casa alheia, oferecendo um banquete. 
Um banquete de luz que ofereça pratos de desculpas, doces de perdão, frutas de ternura e paz. 
Apressemo-nos. 
O Natal se aproxima. 
Desejemos ardentemente comemorá-lo com Ele, o Celeste Amigo. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição do Evangelho de Lucas, cap. 22, versículo 15. 
Em 17.12.2021.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

A HERANÇA

O mundo moderno prescreve previdência em todos os atos. É assim que companhias seguradoras trabalham, incentivando os pais de família a comprarem apólices de seguro de vida. A propaganda fala de como haverão de ficar os filhos, em caso de morte de um ou de ambos os pais. 
Sozinhos, sem dinheiro. 
Ao menos, que se lhes assegure o necessário para viver e as condições para estudarem. Alguns pais, além de apólices de seguro, se preocupam também em deixar muitos bens para os seus filhos. Em especial, aqueles que sofreram muitas agruras em sua infância e não desejam que os filhos passem pela mesma experiência. 
Esmeram-se, portanto, em adquirir propriedades, joias e tudo o mais que possam deixar como herança para os seus, depois que partirem.
Tal forma de agir nos recorda da história de um homem muito rico que mandou seu filho estudar em outro país. Desejava que seu filho se tornasse um homem instruído, dominando as ciências, tanto quanto conhecesse o mundo para além das fronteiras do próprio país. Enquanto o filho cumpria, com satisfação, os anseios paternos, aconteceu que o pai adoeceu gravemente. Percebendo que a morte se avizinhava, chamou o tabelião à sua casa, reuniu testemunhas e ditou as suas últimas vontades. 
Para o seu escravo, aquele que dele cuidava com desvelo, deixou as suas terras, as contas bancárias, as joias, tudo enfim. 
Para o seu filho, que se encontrava distante, assegurava a possibilidade de escolher o que ele desejaria herdar. 
E morreu. 
O escravo, tão logo morreu o seu senhor, providenciou um enterro pomposo e tomou posse de tudo. Começou a tomar decisões, administrando muito bem todo o patrimônio. Ao mesmo tempo, despachou um outro escravo para que fosse em busca do filho do ex-patrão e lhe desse a notícia da morte do pai. 
O filho voltou com rapidez e ficou muito magoado. Procurou o advogado da família e foi chorar em seu ombro. 
Afinal, por que o pai fizera aquilo com ele? 
Por que dera todos os seus bens para um escravo, não lhe deixando nada? 
Ele não se lembrava de ter ferido o pai, de o ter desrespeitado. 
Por que, então? 
O advogado, homem ponderado, lhe falou: 
-Rapaz, ao deixar todos os seus bens para o escravo, seu pai usou de sabedoria. Se ele tivesse deixado para você, é possível que depois de sua morte, antes que você soubesse do ocorrido, os próprios escravos dilapidassem o seu patrimônio e pouco lhe sobraria. Deixando os bens ao escravo, ele os preservou. Deixando a você a possibilidade de escolher o que desejasse herdar, lhe deu a chance de escolher o escravo. Como tudo o que é do escravo, é do senhor, tudo lhe pertencerá. Para esse nobre servidor conceda a liberdade, o maior de todos os bens, e providencie para que ele tenha uma vida digna com sua família. Aja com a sabedoria do seu pai.
* * * 
O maior tesouro que os pais podem deixar como herança aos seus filhos são os valores morais. 
A honra, a verdade, o trabalho, a dignidade, esses não acabam nunca e são eles que constroem o mundo feliz que todos desejamos. 
Ao mesmo tempo, estaremos legando ao mundo a nossa melhor herança: homens de bem, por nós formados.
Redação do Momento Espírita 
Em 23.10.2019.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

APRESSADA AVALIAÇÃO

Conta-se que um açougueiro atendia suas atividades habituais, quando adentrou o estabelecimento um cachorro. Ele se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um saco à boca. Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete. Atendeu o que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco, com carne bem acondicionada e troco dos valores que encontrara. O animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do açougue e foi andando pela calçada. O açougueiro ficou intrigado: 
-De quem seria aquele cão tão bem treinado? 
Resolveu segui-lo. O cão chegou na esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o botão do semáforo para travessia de pedestres, parando o trânsito de veículos. Então, atravessou a rua, na faixa de pedestres. Mais adiante, outro semáforo estava vermelho e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão atravessou a rua. Chegou a um ponto de ônibus e esperou. Quando o primeiro ônibus parou, o cão olhou para o letreiro e não entrou. Quando outro ônibus parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o letreiro. Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o trajeto com atenção. O homem do açougue estava perplexo. Nunca vira nada igual. Depois de várias quadras, o cão desceu do ônibus e andou um pequeno trecho. Frente a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou frente à porta e começou a bater com a cabeça na madeira. Depois, foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro, várias vezes. Finalmente, a porta se abriu. Um homem grande e zangado veio para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de bobão, inútil, traste. O açougueiro não aguentou. Deteve a agressão e falou ao dono do cão:
-Que é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente e o agride desta maneira? 
-Inteligente? – gritou o dono. Ele é um tonto. Já falei um milhão de vezes e este inútil vive esquecendo de levar a chave da porta. 
 * * * 
Naturalmente, o conto é fictício. 
Pode levar ao riso. 
Ou podemos parar um momento e reflexionar. 
Quantas vezes agimos como o dono desse cão? 
As pessoas nos servem, nos agradam e nós... só reclamamos. 
Reclamamos da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos. 
E esquecemos de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário; os pratos preparados com esmero; as frutas, o suco, o cereal no café da manhã. 
Reclamamos dos pais que não entendem nossos sonhos, nosso papo, nossa turma legal. E não lembramos dos braços que nos carregaram, depois das brincadeiras, na praia; das horas exaustivas de trabalho deles para nos garantir a escola, o lazer, as viagens.
Reclamamos do funcionário que não atendeu uma ordem, em todos os detalhes. Não lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar, diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa empresa. 
Reclamamos sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o real valor dos que nos cercam. 
Pensemos nisso e tomemos ciência, primeiro, de que, por vezes, nos tornamos pessoas um tanto desagradáveis, com esse tipo de atitudes. 
Segundo, perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor. 
É possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos digam que estamos reclamando, de verdade, por nos darmos conta de como somos dependentes dessas criaturas... 
Pensemos nisso e foquemos de forma diversa a nossa apressada e tola avaliação. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria desconhecida. 
Em 15.12.2021.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

HÁ TRÊS ANOS...

Luciana Goldschmidt Costa
Quem poderia imaginar que tudo aconteceria dessa forma, com a mãe tão distante? 
Luana se recuperava da exitosa cirurgia que, finalmente, a faria parar de sangrar. A viagem, programada há tantos meses, poderia se concretizar. A mãe hesitou se deveria mesmo ir. Contudo, a família insistiu. Os tantos meses de hospital, as noites insones, os cuidados constantes com a pequena enferma, a haviam desgastado em demasia. Ela precisava espairecer um pouco e descansar, recompor as energias. A avó e as tias continuariam cuidando muito bem da Luaninha. E, afinal, seriam somente três dias. 
O que poderia acontecer em período tão curto? 
E Luciana foi, com o irmão, Paulo, para a casa de uma prima, em Salvador, na Bahia. De noite, as notícias de que tudo estava bem com Luana lhe valeram algumas boas horas de sono. No dia seguinte, sol em abundância, calor e um passeio até o Farol da Barra... E foi lá que o telefonema chegou. Luana não estava bem. 
-Ela precisa de você! Venha logo!
Foi o que lhe disse a mãe. Luciana sentiu que algo grave acontecera com seu tesouro. Correu para o aeroporto, Paulo foi buscar as malas na casa da prima. A sensibilidade dos atendentes no balcão da companhia aérea foi comovente, ante o desespero de Luciana. Ela adjetivaria, mais tarde, aquele dia como o mais agonizante de sua vida. Enquanto aguardava o voo que nunca chegava, se indagava se chegaria a tempo. Então, ela orou e sentiu a presença dos amigos espirituais, insuflando-lhe calma. Enfim, chegou ao hospital e jamais, em todos os meses anteriores, ela se preparara tão rapidamente para entrar na UTI. Literalmente arrancou os brincos, o relógio, trocou a roupa... Ainda no elevador, atendera à ligação: 
-Onde você está? 
Percebeu, na voz angustiada, que o tempo corria mais depressa do que ela. 
-Ela já foi? 
Perguntou Luciana, chorosa. 
-Ainda não foi, mas está indo... 
E a sua linda princesa estava lá. Ligada a máquinas, aguardando a chegada da mãezinha. Luciana cantou todas as músicas que a filha gostava. Contou todas as historinhas que lembrava. Depois, com lágrimas de dor, sussurrou ao ouvido dela: 
-Filha querida, pode partir. Mamãe ficará bem. Todos ficaremos bem. 
Foi um momento lindo. Pais, avós, tias, em torno daquele leito, de mãos dadas. Como se um ao outro desejasse infundir forças. Ou talvez porque desejassem formar um cordão de proteção para Luaninha. Então, ela se foi... Delicadamente, desprendeu-se. A mãe a tomou nos braços, embalando-a pela derradeira vez e lhe disse: 
-Vá com Deus, meu amor! Até logo mais! Mamãe irá ao seu encontro... depois. 
* * * 
Três anos se passaram. 
No aniversário de seu passamento, a mãe lhe escreveu dizendo das saudades, da doce dor da saudade, que nunca cessa. 
Mas, conforme lhe prometera, ela está bem. 
Aguarda o momento do reencontro, que se fará algum dia. 
Aguarda o momento em que poderá, outra vez, abraçar Luana, que deve estar no jardim de Deus, fazendo peraltices. 
Agora, sem dores, sem enfermidade, é flor que desabrocha na Espiritualidade. 
Tão doce o reconforto da Imortalidade! 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos de Luciana Goldschmidt Costa. Disponível no CD Momento Espírita, v. 30, ed. FEP.
Em 6.9.2016.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

RECANTOS DE LUZ

CHICO XAVIER
Quantas pessoas caminham desoladas e sós... 
Andam, e sentem que seus passos as conduzem a lugar nenhum... Perderam, há muito, o endereço da esperança...
Várias se debatem nas trevas da desilusão, do abandono, da desdita... 
Sucedem-se os dias, as horas dobram-se umas sobre as outras, e os minutos passam como se trouxessem consigo uma soma cada vez maior de dissabores... 
A vida lhes parece um eterno anoitecer, uma escuridão perpétua. Milhares de criaturas estão à beira de um colapso nervoso. 
Muitos corações estão quase sufocados de angústia, de saudade, de desespero, debruçados no passado, em busca de memórias perdidas. 
Diante desse quadro, nós podemos ser um recanto de luz, convidando as criaturas a suave reconforto. 
Podemos cultivar, na intimidade, um jardim de flores e luzes, a espalhar bênçãos de esperança. 
Podemos ser a madrugada ridente, que traz consigo a melodia dos pássaros, anunciando o alvorecer. 
Podemos ser o amanhecer daqueles que se debatem na escuridão, trazendo os primeiros raios de sol que vencem as trevas, irradiando claridade e conforto. 
Podemos emitir uma frase de otimismo ou apenas uma palavra de fé viva que lhes restaure a confiança no futuro... 
Incentivar-lhes a coragem de modo a que o desalento não se transforme em moléstia destruidora. 
Ou então, estender a ponte do diálogo amigo, capaz de induzir ao reequilíbrio e à serenidade. 
Sejamos um recanto tranquilo. 
Para isso, é preciso que o cultivemos portas adentro do coração. 
É preciso que semeemos flores de compreensão, de afabilidade e doçura. 
É tão triste caminhar na solidão! 
Mais triste ainda é ter como companhia a desesperança. 
Pensemos em romper, de vez por todas, as amarras de egoísmo que nos detêm os gestos de amizade, de dedicação e afeto. 
Vençamos, em definitivo, a indiferença, derrubando as muralhas do orgulho, que nos impedem de vislumbrar as necessidades dos que caminham ao nosso lado. 
Sejamos um recanto de luz, de paz, de esperança! 
Agindo assim, sentiremos suave felicidade a invadir-nos a alma, penetrando-nos o coração e aliviando nossas carências e dores. 
Na medida em que nos fazemos úteis a alguém, recebemos as bênçãos de que tanto precisamos. 
Esquecemos os pés feridos nos espinhos do caminho e sentimos nossas forças ampliadas.
Auxiliando-nos uns aos outros conseguiremos alcançar o topo da montanha escarpada de onde poderemos vislumbrar a ampla planície coberta de relva e flores, como prêmio pelos esforços realizados. 
* * * 
Não há noite que perdure para sempre.
O ponto mais alto da escuridão é também o início da madrugada que traz consigo a claridade, vencendo as trevas. 
As nuvens, por mais densas que pareçam, são efêmeras e passageiras, mas o sol é perene.
Se nos parecem eternos esses meses pandêmicos que atravessamos, pensemos que a Terra já viveu outros graves conflitos.
E eles se foram. 
Tivemos guerras que duraram anos... 
E que desapareceram. 
Tivemos pestes que dizimaram milhares... 
E foram vencidas. 
Venceremos também esta pandemia. 
Unamos os nossos raios de esperança e iluminaremos muitas almas. 
Sejamos um recanto de luz. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14, do livro Momentos de Ouro, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. 
Em 13.12.2021