sexta-feira, 19 de março de 2021

A VIAGEM DA VIDA

A cada vez que a Bondade Divina nos convida a reencarnar, se abre um imenso leque de oportunidades na História de nossa vida enquanto Espíritos imortais que somos. 
Nascer novamente num corpo físico é programação complexa e de altíssima importância. O projeto de uma nova existência se inicia, muitas vezes, décadas antes de nos vincularmos ao novo corpo físico.
Escolhemos a família que nos receberá, as possibilidades de aprendizado, a concretização ou não do casamento, a profissão e tantos outros fatores significativos. 
Porém, como toda viagem, mesmo que programada minuciosamente, poderá ter seu planejamento alterado. 
Ao iniciarmos o percorrer dos trajetos estabelecidos, podemos tomar um atalho, determo-nos em lugares não planejados, optar por outros caminhos. 
Podemos melhorar ou piorar o planejado. 
Tudo dependerá de nossa vontade e decisões. 
Os antigos navegadores, para não se perderem em mares bravios, levavam consigo cartas náuticas e uma bússola. Para definir o rumo a tomar, consultavam, minuciosa e atentamente, esses instrumentos. Foi dessa forma que contornaram a África e chegaram até as Índias, de tantas e raras especiarias. Seguiram resolutos até que o oceano sem fim lhes apresentasse o novo mundo, que denominaram América. Sem esses instrumentos e informações seguras, dificilmente teriam sucesso em suas viagens. 
Nada diferente acontece conosco, ao navegarmos pela vida. O barco de nossa História, ao desatracar do cais da Espiritualidade, singra as águas da nova existência a fim de renovar e incrementar aprendizados e conhecimentos. 
Exatamente como os antigos navegadores, enfrentaremos dias de mares tranquilos e fáceis de navegar. Igualmente, horas de tempestades que exigirão muito das nossas habilidades para não perecermos. 
Haverá momentos em que necessitaremos tomar decisões importantes e destemidas. 
E, o bom resultado da viagem dependerá do que determinarmos realizar.
Para isso, precisamos dispor dos instrumentos necessários e precisos, que possam ser consultados. Não serão a bússola e as cartas náuticas dos destemidos navegadores de outrora. 
Nossa melhor bússola será a mente lúcida, amparada pelos sentimentos nobres do coração. 
E nossa carta náutica deverá ser o Evangelho de Jesus. 
As turbulências mais perigosas e as maiores ondas que iremos enfrentar, nessa viagem chamada vida, serão as que se encontram em nossa própria intimidade. 
Por isso, a melhor orientação para as acertadas decisões, que nos conduzirão por rumo seguro e feliz, dependerá destes três instrumentos: mente, coração, Evangelho. 
Sondemos nosso coração e nossa mente, a cada passo da existência, para nos certificarmos de que estamos pautando nosso caminho por valores nobres, evitando nos perdermos nas ilusões do mundo.
Consultemos, reflitamos, meditemos em torno das propostas de Jesus.
Assim procedendo, teremos a certeza de que, mesmo singrando mares bravios, ou enfrentando tempestades desafiadoras, haveremos de atracar, novamente, no porto seguro da Espiritualidade, tendo realizado com êxito a viagem e concluído o bom combate. 
Redação do Momento Espírita 
Em 18.3.2021.

quinta-feira, 18 de março de 2021

AS FOBIAS E A REENCARNAÇÃO

Uma psicóloga norte-americana foi procurada para atender um adolescente, portador de problema singular. Desde a infância, o garoto trazia uma fobia com relação ao bater das asas dos pássaros mas, foi na adolescência que o problema se intensificou e os pais buscaram a ajuda de um profissional. Quando percebia um pássaro pousando, o movimento das asas lhe causava crises terríveis culminando em desmaio. A psicóloga buscou, com todos os recursos de que dispunha, uma forma de ajudá-lo. Provocou, por inúmeras vezes, a regressão de memória até ao útero materno e não conseguia descobrir as origens do desequilíbrio. Materialista convicta, a profissional só admitia uma única existência e buscava a resposta a partir da vida no ventre materno. Mas, como os anos rolaram sem que pudesse resolver a questão, e porque o desafio se tornasse cada vez maior, numa das sessões de regressão resolveu deixar que o jovem fosse mais além. Embora não acreditasse na teoria da preexistência do Espírito, foi nesse universo desconhecido que encontrou a origem do trauma. O jovem, então com 21 anos, mergulhou no seu passado e se viu como soldado, lutando na Segunda Guerra Mundial. Descrevia seu drama com detalhes. Estava em meio a uma batalha, juntamente com os demais soldados, quando houve uma grande explosão e todos foram atingidos. Ele também fora atingido pelos estilhaços da bomba mas não morrera de imediato, ficando apenas semiconsciente. Após baixar a poeira, vieram os tratores e juntaram os inúmeros corpos em monturos, deixando-os para serem enterrados em covas coletivas mais tarde. Nessa ocasião, ele, que estava agonizante mas não morto, fora arrastado para o monturo com os demais cadáveres, ficando sobre os demais. E porque demorassem para soterrar os corpos, os abutres buscaram neles o seu alimento. Quando os abutres sentavam sobre seu corpo, ele percebia o bater das asas e sentia suas carnes sendo dilaceradas com violência. Essa cena se repetiu por muitas horas, até que a morte física se consumasse. Embora rompidos os laços do corpo físico, aquele Espírito ficou impregnado das sensações horríveis dos últimos momentos, a ponto de trazer o desequilíbrio para a nova existência, em forma de fobia. Não é preciso dizer que a doutora materialista rendeu-se aos fatos e mudou seu pensamento a respeito da vida. 
* * * 
Muitos medos e traumas cujas causas não estão na presente existência têm suas raízes em um passado mais ou menos distante, em existências anteriores. 
O Espírito recebe um novo corpo em cada nova existência, mas traz consigo os problemas não resolvidos de outros tempos. 
Por esse motivo é importante que olhemos para as pessoas como Espíritos milenares, mesmo que estejam albergados temporariamente num corpo infantil. 
Percebendo a vida sob esse ponto de vista, teremos mais e melhores possibilidades de ajudar as criaturas que trazem dificuldades, começando por nós mesmos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 22.12.2009.

quarta-feira, 17 de março de 2021

PREPARAÇÃO

DIVALDO PEREIRA FRANCO
O dia que surge é oportunidade nova, nem sempre percebida pelos que vivemos enredados em dificuldades multiplicadas. 
O sol que inunda de luz o mundo, penetrando com seus raios os mais ocultos lugares, é mensagem de renovação. 
O ar fresco da manhã, a relva ainda úmida do orvalho da madrugada fala de um doce e lento despertar. 
Tal qual a manhã que desabrocha, lenta, aos beijos do sol, compete-nos atender algumas regras a fim de bem aproveitar o novo dia. 
Antes de qualquer atividade, reservemo-nos uns minutos. 
Abrindo os olhos, observemos com calma o local onde nos encontramos e agradeçamos a Deus a bênção do corpo carnal, o teto que nos agasalha, as mil pequenas coisas do lar que se constituem na nossa riqueza material. 
Erguendo-nos do leito busquemos um livro nobre e façamos uma pequena leitura de página de otimismo e consolo. 
Página que nos fixe na mente mensagens positivas e agradáveis.
Permitamo-nos meditar por alguns minutos no seu conteúdo valioso, com o objetivo de gravá-lo nas delicadas telas da memória. 
Impregnados da mensagem positiva, estabeleçamos uma disposição favorável para as lutas que tenhamos a enfrentar: trabalhos exaustivos, enfermidades, revezes de toda sorte. 
Encerremos esses preciosos instantes com uma prece, através da qual busquemos sintonizar com o pensamento Divino, dEle rogando inspiração e forças. 
Agora, e somente agora, nos encontramos equipados com energias positivas e nos podemos permitir o confronto das tarefas árduas do dia que apenas começa. 
Assim como nosso corpo necessita ser preservado e mantido, com os cuidados da higiene, da conservação da saúde dos órgãos, a fim de não ser bruscamente interrompida a sua existência, nossa alma precisa de atendimento especial. 
Por vezes, cultuamos em demasia o corpo, esmerando-nos em atenções para com ele, atendendo a imperativos de dietas, exercícios, caminhadas, massagens e nos esquecemos de igualmente atender o Espírito imortal. 
E é o Espírito o responsável pela organização corporal, pela geração de forças que facultam a vida física. 
Por isso, ele necessita de atenção a fim de que não se desarticulem seus equipamentos delicados, quando então se torna campo propício ao desalento, ao desfalecimento e à tristeza injustificável. 
Poucos minutos, diariamente, bastam para alimentá-lo na fonte inesgotável que emana de Deus, Nosso Pai. 
Não nos esqueçamos disto! 
* * * 
A meditação é combustível precioso que mantém o vigor moral e movimenta a máquina da ação. 
É sempre terapia que oferece paz. Toda criatura tem necessidade de meditar e de orar, porque aprofundando meditações nos ricos conceitos do Evangelho, seguirá pela vida de forma digna e consciente. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 2 do livro Episódios diários, e no verbete Meditação do livro Repositório de sabedoria, v.2, ambos pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 17.3.2021.

terça-feira, 16 de março de 2021

AS FLORES VOLTARÃO

Uma suave melancolia canta uma balada. E essa música sinfônica da nostalgia, da saudade, nos alegra. Apesar da pandemia nos ter roubado a primavera, nossos corações estão florescendo, porque a nossa estação das flores está no mundo íntimo, independendo dos fatores do lado de fora. 
Aprendemos com Jesus Cristo que a alegria real é aquela que diz respeito à plenitude do mundo espiritual. 
Essa primavera nada, ninguém nos pode roubar. 
A pandemia passa e as flores voltarão a perfumar os bosques, voltarão a cantar as aves, a murmurar os córregos. 
E a vida em abundância irá repetir a inolvidável canção da gratidão. 
 * * * 
Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, finalizou com estas belas palavras o seu Roteiro Europa de palestras, edição 2020. Pela primeira vez, sem estar presente fisicamente nas atividades doutrinárias, essa alma de luz cumpriu sua missão no formato on-line. Divaldo utilizou todas as oportunidades para usar seu verbo seguro para acalmar os corações do mundo, tão ansiosos nos dias atuais. O orador fez menção a um trecho da obra Il capitano e il mozzo, do escritor italiano Alessandro Frezza, que descreve o diálogo entre um jovem e o capitão de um navio. Toda tripulação está retida no navio, devido à quarentena, e o jovem reclama da situação pela qual estão passando, em tom de desânimo. Diz que a pandemia estava fazendo com que ele perdesse muitas coisas. O capitão, com toda sua experiência de outras quarentenas, lembrando de uma outra ocasião em que fora obrigado a permanecer na embarcação, o esclarece: 
-Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, porém eu, mesmo assim, floresci. Levei a primavera dentro de mim, e ninguém, nunca mais, pôde tirá-la. 
* * * 
Estamos sendo privados de primaveras lá fora. 
Muitos ficamos privados da liberdade de ir e vir. 
Muitos não pudemos nos despedir de nossos amores, que partiram de forma repentina. 
São, realmente, duras provações. 
No entanto, tais experiências, quando enfrentadas com consciência, nos fortalecem muito. Fazem o trabalho de anos e anos de dias comuns. 
Que possamos entender que este é o mundo que habitamos, mundo das provas, das batalhas diárias, dos sacrifícios constantes. 
Ninguém nos prometeu o paraíso na Terra. 
Ninguém nos disse que seria fácil, porém, nos garantiram sim, que teríamos condições de superar, de vencer. 
A primavera interior é uma analogia perfeita. 
A vida nos ensinou que as estações devem ser cultivadas na alma e não do lado de fora. 
Voltamos os pensamentos para nós mesmos. 
Fomos convidados a refletir sobre questões graves, muito mais importantes do que as distrações que consumiam todas as nossas energias. 
Não nos assustemos diante do flagelo que nos alcança. 
Não estamos desamparados. 
Nunca estivemos. 
E, quando tudo tiver passado, olharemos para trás e nos haveremos de surpreender com tudo o que enfrentamos, com tudo que superamos.
Confiemos, as flores voltarão. 
Redação do Momento Espírita, com base em trecho de conferência proferida por Divaldo Franco, no encerramento do Roteiro Europa 2020, em 7.6.2020 e citação de frase da crônica O Moço e o Capitão, de Alessandro Frezza. 

Em 18.8.2020.

segunda-feira, 15 de março de 2021

UM HOMEM CHAMADO JESUS

Certa vez, um Espírito sublime deixou as estrelas, revestiu-se de um corpo humano e veio habitar entre os homens. Porque fosse um exímio artista plástico, habituado a modelar as formas celestes, compondo astros e globos planetários, tomou da madeira bruta e deu-lhe formas úteis. Durante anos, de Suas mãos brotaram mesas e bancos, onde amigos e irmãos se assentavam para repartir o pão. Para receber os seus corpos cansados, ao final do dia, Ele preparou camas confortáveis e, porque amasse a todos os seres viventes, não esqueceu de providenciar cochos e manjedouras onde os animais pudessem vencer a fome. Porque fosse artista de outras artes, certo dia deixou as ferramentas com que moldava a madeira, e partiu pelas estradas poeirentas. Tomou do alaúde natural de um lago, em Genesaré, e ali teceu as mais belas canções. Seu canto atraía crianças, velhos e moços. Vinham de todas as bandas. A entonação de sua voz calava o choro dos bebês e as dores arrefeciam nos corações das viúvas e dos desamparados. As harmonias que compunha tinham o condão de secar lágrimas e sensibilizar corações endurecidos. Como soubesse compor poemas de rara beleza, subiu a um monte e derramou versos de bem-aventuranças, que enalteciam a misericórdia, a justiça e o perdão. Porque sua sensibilidade se compadecia das dores da multidão, multiplicou pães e peixes, saciando-lhe a fome física. Delicado na postura, gentil no falar, por onde passava, deixava impregnado o perfume de Sua presença. Possuía tanto amor que o exalava de Si aos que O rodeassem. Uma pobre mulher enferma tocou-lhe a barra do manto e recebeu os fluidos curadores que lhe restituíram a saúde. Dócil como um cordeiro, abraçou crianças, colocou-as em seus joelhos e lhes falou do Pai que está nos céus, que veste a erva do campo e providencia alimento às aves cantantes. Enérgico nos posicionamentos morais, usou da Sua voz para o discurso da honra, defendendo o templo, a Casa do Pai, dos que desejavam lesar o povo já por si sofrido e humilhado. Enalteceu os pequenos e na Sua grandeza, atentava para detalhes mínimos. Olhou para a figueira e convidou um cobrador de impostos a descer a fim de estar com Ele mais estreitamente. Acreditavam que Ele tomaria um trono terrestre e governaria por anos, com justiça. Ele preferiu penetrar os corações dos homens e viver na sua intimidade, para que eles usufruíssem de paz e a tivessem em abundância. 
Seu nome é Jesus, o Amigo Divino que permanece de braços abertos, declamando os versos do Seu poema de amor: 
-Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei... 
Redação do Momento Espírita, com transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 11, vers. 28. Disponível no CD Momento Espírita, v. 15, ed. FEP. 
Em 15.3.2021.

domingo, 14 de março de 2021

FLORES RARAS

Conta-se que havia uma jovem que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe rendia um bom salário e uma família unida. O problema é que ela não conseguia conciliar tudo. O trabalho e os afazeres lhe ocupavam quase todo o tempo e ela estava sempre em débito em alguma área. Se o trabalho lhe consumia tempo demais, ela tirava dos filhos, se surgiam imprevistos, ela deixava de lado o marido... E assim, as pessoas que ela amava eram deixadas para depois até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito rara, da qual só havia um exemplar em todo o mundo. O pai lhe entregou o vaso com a flor e lhe disse: 
-Filha, esta flor vai lhe ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando e, às vezes, conversar um pouquinho com ela. Se assim fizer, ela enfeitará sua casa e lhe dará em troca esse perfume maravilhoso. 
A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor. Ela chegava em casa e as flores ainda estavam lá, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou em casa e levou um susto! A planta, antes exuberante, estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores murchas e as folhas amareladas. A jovem chorou muito e contou ao pai o que havia acontecido. 
Seu pai então respondeu: 
-Eu já imaginava que isso aconteceria e, infelizmente, não posso lhe dar outra flor, porque não existe outra igual a essa. Ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor lhe deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre viçosa, sempre perfumada e esqueceu de cuidar dela. 
Por fim, o pai amoroso e sábio concluiu: 
-Filha! Cuide das pessoas que você ama! 
* * * 
E você,tem cuidado das flores raras que Deus lhe empresta, em forma de filhos, esposa, esposo, irmãos e outros familiares? 
Lembre-se sempre que seus amores são flores únicas que lhe compete cuidar. 
Problemas surgem. 
O trabalho pode ser feito mais tarde. 
Compromissos sociais podem ser adiados, mas os filhos dependem dos seus cuidados constantes para que não venham a fenecer... 
* * * 
Cada pessoa é uma flor única... 
Não há no Universo outra igual... 
O Divino cultivador as deposita em nosso lar, confiando-as aos nossos cuidados. 
E para que essas flores raras possam perfumar sempre o ambiente, ofertando-nos sua beleza, é preciso que as podemos de vez em quando e as reguemos todos os dias com gotas de afeto e compreensão. 
Pense nisso, mas pense agora! 
Redação do Momento Espírita com base em mensagem intitulada A flor, de autor desconhecido. Disponível no livro Momento Espírita v. 5, ed. Fep.
Em 25.06.2012.

sábado, 13 de março de 2021

AS FLORES QUE DEUS NOS DEU

Ao compor o nosso lar Terra, Deus o encheu de flores. 
Certamente para amenizar as dificuldades que temos que enfrentar por aqui. Interessante que, em as observando, passamos a lhes conferir valores e as escolhemos como símbolos de afeição, sinceridade, amizade. Até de movimentos sociais. Quando estão abertas, elas simbolizam a natureza em seu maior esplendor. Representam a glória e refletem tudo o que esteja ligado à beleza, à juventude, à paz, ao Espírito e à primavera.
Para os astecas e os maias, as flores possuíam uma simbologia sagrada e de perfeição. Isso porque os jardins repletos de flores representavam não somente um ornamento, mas estavam associados aos deuses e à criação do Universo. 
Por sua vez, nas passagens bíblicas elas surgem como símbolos da beleza, do amor. Jesus se serve dos lírios e da erva do campo para falar da Providência Divina. 
Nas culturas ocidentais, a flor-de-lis e o lírio simbolizam a pureza, a virgindade, a beleza e a renovação espiritual. 
Em alguns momentos, flores se tornaram símbolos de momentos marcantes. 
Os cravos, por exemplo, são conhecidos como as flores do recomeço. No dia 25 de abril de 1974, aconteceu a Revolução dos Cravos, um marco para a democracia portuguesa, que deixava para trás um passado trágico, regido pela ditadura. Os soldados colocaram cravos vermelhos na ponta das armas e assim, a flor ficou simbolizando a nova fase política daquele país. 
Por sua vez, a camélia, favorita dos mandarins e monges chineses, foi imortalizada pelo famoso escritor Alexandre Dumas, em seu romance A dama das camélias. Na História brasileira, conforme os escritores que descreveram as lutas abolicionistas, na segunda metade do século XIX, a camélia era símbolo do movimento. A escolha dessa flor se deu porque havia, no Rio de Janeiro, um famoso quilombo no bairro do Leblon onde eram produzidas flores, especialmente camélias, que abasteciam a então capital do país. Desde muito que a camélia, natural ou artificial, era um símbolo da ala radical do movimento, utilizada inclusive como senha para a identificação dos seus participantes. Os que se envolviam mais perigosamente no movimento, apoiando fugas, criando esconderijos, usavam camélias. Qualquer escravo que fugisse encontrava um protetor, identificando-o pela camélia que a mulher ostentava no decote e o homem na lapela. A própria Princesa Isabel era vista, em público, com camélias no decote. O palácio imperial de Petrópolis, por sua iniciativa, teve seus jardins cobertos de cameleiras. Em 13 de maio de 1888, no momento em que assinava a Lei Áurea, foram-lhe entregues dois buquês de camélias. Um era artificial, em nome do movimento vitorioso. O outro, de flores naturais, vindas do quilombo do Leblon, enviadas por gente do povo, que o abolicionista Rui Barbosa definiu como a mais mimosa das oferendas populares. 
Flores, dádivas de Deus para alegrar e perfumar as nossas vidas. 
Quem as pode contemplar sem se emocionar com a beleza, o aroma, as cores tão diversas, que falam da generosidade de um Deus Pai, Amoroso e Bom? 
Redação do Momento Espírita. 
Em 22.10.2019.