domingo, 20 de setembro de 2020

FAMÍLIAS FELIZES

Elas existem. Não são exceção. 
Ao contrário, mais e mais proliferam nesta Terra bendita de todos nós.
São famílias de pessoas felizes que fazem a outros felizes. 
As pessoas que as compõem se reencontram na Terra, pelos laços do afeto e do bem querer. 
Amam-se: pais, irmãos. 
E os que vêm de fora, para alargar esse Universo familiar, genros, noras, são da mesma nobre estirpe. 
Não são pessoas incólumes ao sofrimento. 
Não. 
Pelo contrário, nelas registramos pesadas cargas expiatórias. 
Em algumas dessas famílias, é um filho que nasce como esperança de muitas alegrias para logo mais demonstrar a enfermidade de que é portador, envolvendo todo o conjunto familiar em redobradas preocupações. 
Em outras, é o filho que nasce portador de alguma deficiência, necessitando de especiais cuidados. E todos se reúnem para isso lhe proporcionar. 
Famílias assim superam tragédias que as atingem, em forma de morte súbita de um ente querido, ou reveses de qualquer outra ordem. Sustentam-se mutuamente pela força do amor e transmitem energias uns aos outros pela proposta de afetividade que registram. 
Nessas famílias cultua-se a ciência ou a religiosidade ou a arte ou tudo como um conjunto. São famílias nas quais os membros tendem para as carreiras de um mesmo ramo ou ramos diferentes, mas em que todos estudam e alcançam títulos universitários, de graduação, demonstrando seu grande potencial intelectivo. Elas se envolvem com a arte e cada membro apresenta uma qualidade específica na execução de instrumentos musicais, no canto, na composição, na arte dramática. 
Por vezes, parecem compor uma fenomenal orquestra, pois que cada um tem uma especial habilidade. E, quando à ciência, ou à arte, reúnem a religiosidade, transformam as comunidades onde se demoram. Atuam em benefício da dor que se espalha, erguendo instituições de amparo aos sofredores. Esmeram-se na ilustração das mentes alheias, erigindo escolas, oferecendo-se em voluntariado. O dinheiro que circula em suas mãos, simplesmente circula, direcionado para o bem geral. E parece que quanto mais oferecem, tanto mais lhes chega às mãos. Famílias felizes. Vivem a alegria do reencontro dos amores de muitas vidas. Vivem a união de ideais e de beleza. Chegam a causar, por vezes, uma certa inveja por neles se descobrir tantas bênçãos, tantas alegrias. Contudo, quem preste atenção, verificará que, em meio às marcas abençoadas dos sorrisos, as faces também registram a chibata da dor, em vincos dolorosos. São felizes por terem aprendido que na Terra tudo é transitório e que cada minuto deve ser vivido em plenitude. São felizes, acima de tudo, por terem descoberto que a Divindade que lhes permitiu o renascer, abençoados pelos amores próximos e pelas venturas da beleza, de talentos variados e de bens da Terra, lhes exige apenas que façam felizes a outros que cruzam seus caminhos. 
Famílias felizes. 
Famílias que amam e estendem seu amor para além das fronteiras do próprio lar, da própria cidade. 
Desde cedo, aprenderam que todos, afinal, somos cidadãos do mundo e herdeiros do Universo. Por isso, não retêm riquezas em seus cofres. Somente multiplicam pérolas de luz em seus corações. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no Cd Momento Espírita, v. 30, ed. FEP. 
Em 6.9.2016.

sábado, 19 de setembro de 2020

FAMÍLIA ESPIRITUAL

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
É comum se escutar, em especial por parte dos adolescentes e jovens, queixas a respeito de sua família. 
Afinal, a família do amigo, do vizinho é sempre melhor. A mãe do amigo é compreensiva, o pai ouve o filho. Alguns chegam a dizer que se sentem estranhos no seu lar, que prezariam imensamente serem filhos dessa ou daquela família. E levam tão a sério suas afirmativas, que não é raro se encontrar meninos e meninas a passar dias e dias em casa de amigos. 
Porque é lá, naquele ambiente, que se sentem muito bem. 
Por que isso acontece? 
Primeiro, temos que considerar que os pais, como responsáveis pela educação dos seus rebentos, de contínuo estão a chamar a sua atenção para os seus deveres, suas obrigações. É a escola, o dever de casa, as pequenas tarefas do lar, a limpeza do quarto. Tais questões habitualmente fazem que o jovem se sinta pressionado em seu lar, enquanto no do amigo, nada lhe é exigido, desde que ele é visita. E visita merece tratamento especial, mesmo porque a sua educação não é dever dos seus anfitriões. 
Outro detalhe a se considerar é que alguns de nós, verdadeiramente nascemos em famílias não muito simpáticas a nós. Tal ocorre como parte do nosso aprendizado, dentro da lei de causa e efeito, pois que, provavelmente em anteriores experiências na carne, descuramos dos afetos familiares, menosprezamos o seu convívio. Retornamos assim, para viver entre seres indiferentes ou até antipáticos. Mas, se imaginam que, em tais circunstâncias, deve-se desconsiderar a família atual, enganam-se. Para nossa própria edificação, é importante que essa família, hoje somente unida pelos laços corporais, se transforme em uma família verdadeira, unida pelos laços do afeto. 
Cabe-nos, portanto, trabalhar para isto. 
Quando a situação parecer meio difícil, dentro do lar, recorrer à oração.
Se a conversa se encaminha para uma discussão, sair um pouco, esfriar a cabeça e retornar depois para um diálogo ameno. 
Se um ou outro membro da família nos é antipático, meditemos que não é o acaso que nos reúne, que motivos muito graves nos levaram a estar juntos no hoje e comecemos a olhá-lo, buscando descobrir suas virtudes.
Se, ao sairmos desta vida, pudermos levar como trunfo em nossa bagagem espiritual, o termos conquistado um ou mais membros da nossa família, com certeza teremos realizado algo muito proveitoso para nossa vida, como Espíritos eternos. 
Porque conquistar um Espírito indiferente ou antipático, transformando-o em amigo é algo que jamais se perderá.
 * * * 
A fraternidade é sol para as almas e um roteiro para a vida. Ela começa sempre no lugar onde estamos, para que possamos alcançar a região que desejamos. Exercitar a fraternidade é deixar-se envolver pela lição de amor de Jesus Cristo, libertando o Espírito e enriquecendo os sentimentos. 
Redação do Momento Espírita, utilizando, ao final, pensamento extraído do livro Repositório de sabedoria, verbete Fraternidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Disponível no livro Momento Espírita, v. 6. ed. FEP. 
Em 9.1.2014.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

SEMEADURAS E COLHEITAS


Plantaremos todos os dias. 
É a lei. 
Até os inativos e ociosos cultivam, mesmo que seja o joio da imprevidência. 
É necessário reconhecer, porém, que diariamente também colheremos. 
Há vegetais que produzem em poucas semanas. Outros, no entanto, só revelam frutos na passagem laboriosa de muito tempo. 
Em todas as épocas, uma multidão cria complicações de natureza material, acentuando o labirinto das próprias vidas, demorando-se em dolorosas dificuldades. Ainda hoje, temos notícia dos que pretendem curar a honra com o sangue alheio e lavar a injustiça com a vingança. 
Daí, o ódio de ontem gerando as guerras de hoje, a ambição pessoal formando a miséria que há de vir, os prazeres fáceis que irão acarretar retificações no amanhã. 
Vivemos nesse processo de constante semeadura e colheita. 
Infelizmente, até hoje, a maioria de nós tem semeado com descaso, sem se preocupar com a qualidade das sementes que atiramos no solo das múltiplas existências. 
Vida após vida, então, somos surpreendidos por colheitas amargas, ingratas, que geram em nós indignação e tristeza. 
Como alterar esse curso doloroso?  
Semeando melhor, semeando bem. 
Pensemos, nos anos de nossa vida aqui na Terra, sejamos jovem, maduro ou idoso, quantas coisas boas semeamos? 
Quantas vidas mudamos para melhor? 
Que papel importante desempenhamos na sociedade à nossa volta? 
O que de louvável construímos? 
Como somos para nossa própria família? 
São todas possibilidades ímpares de semeaduras felizes. 
Pensemos nos caminhos que seguimos, desde que nascemos. 
Quantos deles foram de sementeiras conscientes e maduras? 
Se percebermos que foram poucas as boas sementes cultivadas, não entremos em desespero. 
Ainda há tempo. 
Sempre estamos aptos a semear. 
Hoje mesmo, daqui a alguns minutos, podemos tomar uma decisão importante, podemos encontrar-nos com alguém e mudar os rumos de uma história. 
Hoje mesmo podemos perdoar, podemos começar uma tarefa nova, nos engajarmos em alguma causa valorosa com responsabilidade.
Comecemos qualquer semeadura nova hoje mesmo, a qualquer instante.
Somos capazes. 
E não nos preocupemos com as colheitas penosas, reflexos de outros tempos. 
Façamos a colheita resignados, aprendamos e semeemos melhor de agora em diante. Tornemo-nos um melhor semeador, o que seleciona as sementes que espalhará no solo do mundo. 
* * * 
Passados séculos sobre o Cristianismo, apenas alguns de nós, que nos afirmamos seguidores do Cristo, compreendemos a necessidade da sementeira da luz espiritual em nós mesmos. Dessa forma, se desejamos plantar na lavoura divina, cabe-nos fugir do velho sistema da semeadura do mal, optando por cultivar o bem. São muitos os que padecemos, no mundo, por equívocos do ontem. Se desejamos criar nossa felicidade, importante que não percamos tempo, prosseguindo em caminhos escusos. A luz veio ao mundo há séculos. Milênios se passaram. 
Optemos pela reconstrução de nós mesmos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 18.9.2020.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O QUE VOCÊ FARIA?

 


Que tal imaginarmos que, por alguma circunstância qualquer, recebamos a notícia da certeza de que em oito dias, num mês ou num ano o mundo chegará ao fim.

Nenhum indivíduo sobreviverá.

Que faríamos nós?

Trabalharíamos por nosso próprio progresso, por nossa instrução?

Entregar-nos-íamos ao trabalho, à profissão?

Continuaríamos respeitando os direitos, os bens, a vida do nosso semelhante?

Será que nos submeteríamos a alguma lei ou autoridade, por mais legítima que fosse?

Haveria para nós, nessa situação terminal, qualquer dever?

Possivelmente não, se ainda vivermos de acordo com o materialismo.

Nossa tendência seria a de aproveitar a vida não medindo consequência alguma.

Por que fazer algum esforço, por que fazer sacrifício? Por que buscar conquistar algo de valor, se tudo logo se perderá com o fim inevitável?

Curiosamente, e por mais estranho que possa parecer, grande maioria de nós vive dessa forma, mesmo sem perceber.

Mergulhados no agora, no imediato, no gozar a qualquer custo e na busca pelo prazer, custe o que custar, agimos de acordo com essa perspectiva niilista.

O niilismo se configura numa negação da vida.

A palavra niilismo vem do latim nihil e significa nada. Comumente ligado ao comportamento e à ética, pode se classificar como uma corrente ou doutrina filosófica.

Também como uma postura, uma atitude frente à vida.

Pela crença no nada, concentramos todos os nossos pensamentos, forçosamente, na vida presente.

Na postura niilistaencaramos a vida com indiferença. Criticamos o que há à nossa volta, afirmando que tudo é falso porque é tudo artificial.

Para o pensador Nietzsche, por exemplo, o niilismo é o sintoma do adoecimento do homem.

Poderíamos perguntar então: qual seria a outra opção?

O oposto de tudo isso é a ideia de uma vida futura, já trazida por tantos e tantos sábios ao longo das eras. E enaltecida pelo Mestre Jesus.

O entendimento de uma vida futura mostra que a morte só destrói o corpo e que o Espírito sobrevive.

Implica também em saber que seremos na vida futura aquilo que nós mesmos fizemos de nós nesta vida.

Que as qualidades morais e intelectuais adquiridas permanecerão conosco.

Que nos livrarmos de alguma imperfeição aqui será um passo a mais para a felicidade.

*   *   *

nossa felicidade ou infelicidade depende da utilidade ou inutilidade da presente existência, esta breve passagem pelo planeta.

Vejamos, assim, que a perspectiva é totalmente outra.

Isso não nos impede de aproveitar a vida atual, com todos os seus momentos importantes.

A perspectiva da vida futura propõe mudarmos os valores, propõe que você e eu questionemos o que realmente queremos para nós.

Propõe que entendamos o que é aproveitar a vida, verdadeiramentecom todas as suas nuances de beleza, de progresso, de construção para o bem.

Que tal pensar o que você faria se soubesse que o mundo está no fim?

Redação do Momento Espírita, com base no cap. I do
livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 16.9.2020.

http://momento.com.br/pt/index.php

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR

Stephen Kanitz
O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte: 
"Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. O encontro foi na própria empresa. Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele. Seus olhos estavam estranhos. Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. “Bobagem minha”, pensei. Homens não choram, especialmente na frente dos outros. Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia. “Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu. Percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.” Voltei para casa arrasado. Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim. Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá? O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada. Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo. Teria levado pessoalmente a criança ao evento. Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo. A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar. Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: “Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.” Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha? "
* * * 
O lar constitui o cadinho redentor das almas. Merece nosso investimento em recursos de afeto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima. Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado. Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente. Afinal, na família consanguínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, baseado no artigo de Stephen Kanitz, Revista Veja, seção Ponto de vista, de 20 de fevereiro de 2002 e no cap. 19 do livro Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. FEB. 
Em 15.1.2018.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

FAMÍLIA CORPORAL E ESPIRITUAL

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Você já se deu conta de que seu afeto não é o mesmo para com todos os membros da sua família? 
Uns nos são muito caros, outros menos, alguns nos são indiferentes, podendo, até mesmo, haver aqueles que nos são antipáticos. 
E você já pensou nos motivos dessas diferenças? 
Quando nos questionamos sobre o assunto, muitas dúvidas nos vêm à mente. 
Ora, se somos filhos dos mesmos pais, se somos os pais de vários filhos, porque não nutrimos o mesmo sentimento por todos, de igual forma?
Indagando-nos, com sinceridade, chegaremos à conclusão de que há duas espécies de famílias: as famílias espirituais e as famílias pelos laços corporais. Concluiremos, ainda, que não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias. Ou seja, os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. 
Para entender essas disparidades na relação de afeto ou desafeto, é preciso que lancemos mão da Lei da reencarnação. 
Reunidos na mesma família, pelas Leis Divinas, encontram-se Espíritos simpáticos entre si, ligados por relações anteriores que se expressam por uma afeição recíproca. 
Mas, também pode acontecer que sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo. 
Com a teoria da reencarnação, entenderemos porque é que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos, pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. 
Nessa mesma linha de raciocínio, compreenderemos a animosidade alimentada por irmãos consanguíneos, fato muito comum que se observa todos os dias. 
A Lei da reencarnação também esclarece sobre os objetivos pretendidos por Deus para Seus filhos: o progresso intelectual e moral. 
Se Deus nos permite o reencontro com afetos e desafetos do passado é que está a nos oferecer uma nova oportunidade de aperfeiçoamento. Enquanto a convivência com os desafetos nos dá oportunidade de estabelecer a simpatia, os afetos são o sustentáculo em todos os momentos. 
Entendemos, assim, que as múltiplas existências estendem os laços de afeto, ampliando nossa família espiritual, enquanto a unicidade da existência os limita ou rompe definitivamente após a morte. 
Não fosse a abençoada porta da reencarnação e não teríamos a chance de amar os nossos inimigos, conforme recomendou Jesus. 
Dessa forma, repensemos a nossa postura com relação à família. 
Olhemos para os parentes difíceis e percebamos neles a bendita oportunidade de estabelecer a simpatia para, logo mais, amá-los efetivamente, conforme a recomendação do Cristo. 
 * * * 
O instituto familiar é uma organização de origem Divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação de um mundo melhor.  
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 2 do livro Vida e sexo, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier e no cap XIV do livro O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 10.08.2009.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

FRATERNIDADE

Desde que o Cristianismo espalhou-se pelo mundo, o grande desafio foi demonstrar nossa condição de discípulos de Jesus. 
Organizamos diversos concílios para estabelecer dogmas e pontos fundamentais de uma doutrina que desejávamos estruturar, esquecidos de que o Mestre fez da natureza Seu templo e dos amigos a Sua igreja.
Promovemos guerras e conquistas, arrasando e impondo medo naqueles que não se dobravam à nossa fé, embora Ele nos tenha prescrito o amar aos inimigos. 
Disputamos Seu sepulcro, como se fora troféu a ser conquistado. No entanto, Ele nos ensinara que Seu reino não é deste mundo. 
Criamos hierarquias, distinções, cargos religiosos, cerimônias e celebrações, em nome dEle, muito embora Suas ações tenham se pautado na simplicidade. 
Construímos belíssimas e imensas edificações em Seu nome, sem lembrar de que Ele afirmara não ter uma pedra para repousar a cabeça.
Inventamos suplícios, impusemos a tortura, acendemos fogueiras para que uma fé fosse imposta, mesmo que de aparência. 
Não obstante, Ele nos alertara para não sermos sepulcros caiados por fora, guardando podridão por dentro. 
Exemplificou, em palavras e atos, que viera para servir. E aquele que desejasse ser o maior, no reino que Ele anunciava, deveria ser o servo de todos. 
* * * 
Prosseguimos, na atualidade, alimentando cismas, divisões, segmentando e segregando aqueles que fogem de nossos padrões, referências ou entendimento, quando falamos de fé, comportamento e religião. 
Porém, o ensinamento de Jesus é claro: os Seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem. 
Nenhuma outra condição. 
Simplesmente amor. 
Nenhuma religião será capaz de nos conduzir à felicidade se abrirmos mão desse preceito ensinado por Jesus. 
Nenhuma doutrina poderá nos plenificar, se esquecermos daquele que está ao nosso lado, de quem caminha conosco. 
O Cristianismo é doutrina de ação e de relação, nos ensinando a agir em favor do outro, sem esperar que o mesmo suceda de retorno.
É o desafio de amar o semelhante, mesmo sendo considerado inimigo e mantendo-se nessa postura sem desejar mudar. 
É doutrina que nos convida a orar por quem nos persegue, sabendo que esses se darão conta da postura equivocada em que ora estagiam, para algum dia, se proporem também a amar. 
Cristianismo é proposta de vida que nos convida a amar e compreender, mesmo aqueles que ainda não possuem condições ou disposição de nos compreenderem.  
É necessário nos exercitarmos no amor ao próximo. 
Compreensão, empatia, abnegação são exercícios que nos marcarão como cristãos. 
Em dias de disputa, de antagonismos ideológicos, políticos ou religiosos, a proposta do Mestre é a mesma. 
Se nos entendemos ou pretendemos nos dizer cristãos, o primeiro e indispensável movimento a ser feito é em direção ao próximo, a fim de aprender a amá-lo. 
Construir em nós o sentimento de fraternidade pura e simples, no amparo de uns pelos outros, sensibilizando-nos pela dificuldade ou carência do outro, de ordem material, emocional ou afetiva. 
Sem isso, nada mais fará sentido. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 14.9.2020.