sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

ESTE É MEU NETINHO

Lembro-me feliz das vezes em que chegava à sua casa e, ligeira, você vinha me receber no portão. 
Lembro-me de que meus olhos encontravam os seus e de que você me ensinou a utilizá-los também para sorrir.
Lembro-me da ternura daquele olhar tão silencioso, capaz de falar ao meu coração. 
Lembro-me do seu colo, do seu abraço, das suas mãos suaves que acariciavam meus cabelos. 
Recordo-me de sua casa: tão festiva, tão acolhedora, tão primaveril e dos beijos com os quais me acolhia em sua alma. 
Recordo-me do orgulho com o qual me apresentava aos vizinhos e aos amigos: 
-Este é meu netinho, dizia, puxando-me logo em seguida para um beijo e um afago. 
Quando jovem, lembro-me dos seus conselhos tão adequados e sábios, que eram capazes de me desnudar o Espírito e me revelar a você, em toda a minha fragilidade. Os anos se passaram. Eu vi a neve do tempo cobrir os seus cabelos outrora tão negros. No canto de seus olhos surgiram as marcas da experiência. Suas mãos, aquelas mãos vigorosas cujos dedos ágeis preparavam a massa do pão e dos biscoitos, dos quais eu tanto gostava, agora se tornaram frágeis e rugosas. Suas pernas, antes fortes e decididas, que inúmeras vezes me acompanharam em passeios e brincadeiras de roda, são agora lentas e custam a carregar seu delicado corpo. 
 * * * 
Já sou adulto, vovó. Hoje, não mais você marcha ligeira em minha direção, mas, embora com grande dificuldade, faz questão de me receber no portão. Meus olhos ainda encontram os seus e você os continua utilizando para sorrir para mim, com certo esforço, por conta de sua catarata. Você não mais me pega ao colo, mas em seu sorriso tenho verdadeiro porto seguro para me sentir acolhido diante das dores do mundo. Suas mãos frágeis descansam em meus cabelos, embora agora precise que eu coloque minha cabeça bem perto de você, para que não se canse tanto ao distender seus braços. Sua casa, desgastada pela ação do tempo, continua trazendo primavera ao meu Espírito. E, com um sorriso lhe iluminando o rosto, quando me aproximo, você carinhosamente olha para sua enfermeira e diz: 
-Este é meu netinho, mesmo que ela me conheça de longa data. 
Sua memória não é mais a mesma, no entanto, você continua tendo as palavras certas, na hora certa, fazendo com que minha alma permaneça como um livro aberto para você. 
 * * * 
Hoje você partiu, vovó. Deixou-me o coração repleto de saudades e a alma transbordante de recordações. Entretanto, as lágrimas que correm em minha face não são de tristeza. São de gratidão pelo seu amor, pelos afagos recebidos, pelos beijos carinhosos e pelos conselhos que sempre me nortearam. Dia virá em que receberei seu abraço apertado novamente e sorrindo, como sempre, você olhará para os bons anjos que a acompanham e, serenamente, repetirá: 
-Este é meu netinho. 
 * * * 
Os laços de amor não são desfeitos pela morte. Mesmo que a saudade se faça espada desembainhada a nos ferir a alma, guardemos a certeza de que, no reino do Criador, não há pontos finais. Antes, há reticências que sinalizam a continuidade da existência, nas moradas do Infinito. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 21.3.2014.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O OUTRO LADO DO CAMINHO

Henry Scott Holland
A morte não é nada. 
Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês continuarei sendo. Deem-me o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vidas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho... Você que aí ficou, siga em frente. A vida continua linda e bela como sempre foi. 
* * * 
Quem dera todos pudéssemos nos despedir assim de mais uma jornada no mundo físico, de cabeça erguida, sem remorsos, sem medo e ainda deixando um rastro de esperança para os que ficam. 
Quem dera todos tivéssemos essa noção clara de que não estaremos longe, apenas do outro lado do caminho. 
Quem dera conseguíssemos manter o laço com quem partiu, não o laço que segura, que retém, mas aquele que mantém a ligação do coração, que faz com que quem deixou o mundo por primeiro se sinta tranquilo, sem preocupações em relação aos que ainda nele permaneceram. 
Quem dera entendêssemos que cada um tem seu próprio trilhar, e por maior que seja nosso amor, não foi feito para viver eternamente amarrado em nós. 
O amor não acorrenta, pelo contrário, liberta, dá asas, dá oportunidades, deseja e trabalha pelo bem do outro. E quando o tempo do outro termina aqui na Terra, nossa alma deveria se inundar de felicidade. Isso não nos impede de sentir a ausência, de demorar em se acostumar a viver mais distante daquele que, por vezes, dividiu toda uma encarnação conosco. Isso não nos impede de sofrer. Sofrer faz parte da vida, do crescimento do Espírito e de seu processo de sensibilização moral. Sigamos em frente mesmo assim. Chegará o nosso tempo. E o mais incrível de tudo isso é que nunca sabemos quando. Por isso é importante estar sempre preparado, deixando a casa da alma em ordem, arrumada, nada fora do lugar, nada por fazer ou resolver no suposto amanhã. Logo estaremos do outro lado e ainda caminhando, pois a estrada é longa, contínua e cheia de conquistas, em ambos os lados. Quanto mais adiante estamos, mais fortes e dispostos estaremos. Cada passo dado nos faz mais completos, mais felizes. Os que estão do outro lado do caminho acompanham nosso trilhar com carinho e, por vezes, se programando para retornar, pois o ir e vir é lei universal. Um dia ainda nos questionaremos: qual o verdadeiro outro lado do caminho? 
Redação do Momento Espírita, com base em trecho do sermão de Henry Scott_Holland, intitulado Morte do Rei dos Terrores, pronunciado durante o funeral do rei Eduardo VII. 
Em 20.2.2020.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

ESTATURA ESPIRITUAL

Quando alguém nos pergunta sobre a nossa estatura, logo informamos quanto temos de altura. Mas, se alguém nos perguntar sobre a nossa estatura espiritual, o que diremos? Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas a estatura espiritual é a nossa real dimensão. O notável poeta português Fernando Pessoa escreveu, numa de suas poesias: 
-Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura... 
Eu sou do tamanho do que vejo, eis os parâmetros para saber nossa real estatura. Como você observa o mundo? De que maneira age em seu âmbito de influência? Como trata as questões do Universo em que se movimenta? As respostas a essas perguntas ajudam a dimensionar sua estatura espiritual. Se você observa o mundo de um ponto de vista abrangente, que contempla mais do que seu próprio lar, seu emprego, seus familiares e seus amigos, tem uma boa estatura. Se, em seu âmbito de influência, você prioriza sempre e incondicionalmente o bem geral, a nobreza das iniciativas, a importância de cada pessoa envolvida no contexto, você é grande. Se nas decisões que lhe cabem você sempre leva em conta o esforço, a dedicação, a intencionalidade de quem lhe apresenta um projeto, uma nova ideia, uma sugestão, você tem uma ótima estatura. Se trata com a mesma consideração e respeito todas as pessoas, se não discrimina ninguém, se não faz pré-julgamentos e age sempre com justiça, você é gigante. Mas... se seu mundo se resume nos seus próprios interesses e nos de seus familiares, do seu time de futebol, do seu partido político, da sua religião... Se você rejeita projetos novos que lhe são apresentados, sugestões ou opiniões que venham de pessoas que você não estima, ou ofereçam algum risco aos seus interesses pessoais... Se age de acordo com as suas conveniências, da de seus correligionários, dos que pensam como você, então você tem estatura espiritual de pigmeu. Existem pessoas que não conseguem vislumbrar os verdadeiros valores da vida, porque sua estatura espiritual é mínima. São essas as pessoas que sentem inveja, ciúmes, e não suportam ver os outros felizes. Por causa da sua miopia espiritual, não admitem o bem realizado por um indivíduo que torce para o time adversário, professa uma fé diferente da sua ou tem idéias divergentes. Ainda que trabalhem na mesma corporação, professem a mesma fé, ou sejam do mesmo partido político, esses pigmeus não aceitam as boas idéias, simplesmente porque não são suas. Essa é uma visão muito limitada, e é por isso que vivemos num mundo ainda problemático, do ponto de vista ético-moral. Quando nossos horizontes se ampliarem, e a nossa visão for bem maior que a nossa altura, então formaremos uma nação onde a felicidade poderá fazer morada. 
 * * * 
Pessoas que têm uma visão abrangente da vida são as que fazem o bem pelo bem, e não por conveniência ou interesses escusos. Valorizam as boas iniciativas por elas mesmas, e não pelas pessoas envolvidas. O bem geral passa a ser a meta, e quem quer que deseje unir forças para realizá-lo será bem-vindo, como um verdadeiro irmão. E agora, você já sabe responder qual é a sua real estatura? Lembre-se de que você é do tamanho do que vê e não do tamanho da sua altura... 
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.07.2009.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

DERROTANDO O EGOÍSMO

ESPÍRITO EMMANUEL
Ajuda a quem te calunia, oferecendo, em silêncio, novos recursos de apreciação a teu respeito, através dos bons exemplos. 
Ampara aquele que te persegue sem razão, endereçando-lhe vibrações de amor, em tuas preces mais íntimas. 
Sê útil ao companheiro que não te compreende, mantendo-te invariavelmente disposto a socorrê-lo em suas necessidades. 
Esquece-te para servir. 
Renuncia a ti mesmo, a fim de que o ideal do bem supere o círculo de tua personalidade. 
Ajusta-te aos desígnios da união fraterna para registrares, em teu caminho, os anseios e as esperanças de todos os que te cercam.
Considera como teu o sofrimento de teu irmão!… 
Compadece-te das vítimas infelizes do ódio e da maldade e, sem o veneno da queixa no teu pensamento ou nos teus lábios, segue distribuindo os dons da bondade pura. 
Quando pudermos esquecer o centro escuro de nosso “eu”, envolvendo-o na claridade sublime da vontade de Deus, que deseja o bem e a paz, o progresso e a alegria para todas as criaturas, teremos vencido em nós o egoísmo – velho monstro de mil garras – que nos retém no inferno da crueldade, estabelecendo o céu em nosso próprio coração. 
 * * * 
Jaqueciel de Souza
Não há outro caminho para a verdadeira felicidade, senão o do amor ao próximo, a si mesmo e ao Pai. Qualquer outra estrada frustrará o caminhante. Esquecer-se para servir não significa deixar de se amar. Pelo contrário, quando passamos a sentir nossa essência divina, servimos com alegria e o serviço nos completa a alma. Realizamos uma espécie de auto-conquista, em que nos percebemos capazes, nos percebemos úteis. Todo instrumento do bem, ao mesmo tempo que serve, também se embeleza e se auto-burila. Esquecer-se para atender o outro não significa auto-abandono, descaso consigo mesmo. Esquecer-se significa deixar de lado nossos desejos materialistas, imediatistas e personalistas. Esquecer-se é deixar de atender apenas as nossas vontades, os nossos interesses e olhar para os lados, perceber a vida que pulsa e que pede nosso auxílio e colaboração. Não crescemos sozinhos. Amparamo-nos uns nos outros para ascender. O caso do jovem Jaqueciel de Souza, de 17 anos, ficou conhecido nas redes sociais. Ele nasceu com paralisia cerebral e tem dores diariamente. Depois que a família simples pediu ajuda nas redes sociais para conseguir uma cama hospitalar, a fim de que ele tivesse um mínimo de conforto, uma grande mobilização dominou a região de Lima Duarte, em Minas Gerais. Sensibilizados, militares do Exército se uniram a voluntários do Projeto Mãos Amigas e juntos fizeram uma campanha para arrecadar dinheiro e comprar a cama. A entrega foi emocionante. Eles montaram a nova cama e colocaram o rapaz nela com cuidado e respeito. 
 * * * 
E se todos olhássemos para os lados e percebêssemos o que falta para o outro? Como podemos atender? Como podemos ajudar? Derrotaremos o egoísmo com a vontade e sensibilidade. Basta querer, e querer agora.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 40, do livro Escrínio de Luz, pelo Espírito Emmanuel, ed. O Clarim. Em 18.2.2020.
http://momento.com.br/pt/index.php

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A ESTÁTUA DE OURO

Em 1988, um casal viajou ao Extremo Oriente. Como o marido iria fazer uma conferência em Hong Kong, eles resolveram estender a viagem e visitar a Tailândia. Quando chegaram a Bancoc, decidiram percorrer os templos budistas mais famosos da cidade. Eram tantos que, depois de um tempo, parecia ao casal que todos se misturavam em suas lembranças. Foi então que visitaram o templo do Buda de ouro. A edificação era pequena, mais ou menos dez metros por dez. O que os deslumbrou, contudo, foi a estátua de mais de três metros de altura de um Buda em ouro maciço. Pesa mais de duas toneladas e está avaliada em duzentos milhões de dólares. Uma visão impressionante! Saindo dali, o casal se dirigiu a uma vitrine e viu um grande pedaço de argila. Deveria ter uns vinte centímetros de espessura e trinta de largura. Ao lado, uma página datilografada contava a história da maravilhosa obra de arte. Em 1957, um grupo de monges precisou transferir um Buda de argila do templo. O mosteiro iria dar lugar a uma estrada. Quando o guindaste começou a levantar a estátua, o peso era tal que ela começou a rachar. Preocupado com danos que pudessem ser causados ao Buda, o monge principal mandou suspender os trabalhos. A estátua foi devolvida ao chão e, porque começou a chover, foi coberta com uma lona. À noite, ainda preocupado com a estátua, o monge foi verificar se ela estava seca. Quando a luz da lanterna bateu na rachadura, ele percebeu um reflexo brilhante. Achou estranho. Mais de perto, percebeu que havia mesmo algo brilhante debaixo da argila. Foi até o mosteiro, apanhou um cinzel e um martelo e começou a tirar lascas de argila. Horas depois, ele se viu face a face com o extraordinário Buda de ouro maciço. Os historiadores acreditam que há centenas de anos, quando a Birmânia estava para invadir a Tailândia, à época Sião, os monges cobriram o Buda com argila para o proteger de eventual saque. Parece que o que aconteceu é que os birmaneses mataram todos os monges. Assim, o segredo do Buda de ouro ficou intacto até meados do século XX.
* * * 
Jack Canfield e
Mark Victor Hansen
Somos semelhantes à estátua do Buda. Por fora, uma dura camada de argila. Podemos dizer que essa camada representa nosso corpo físico. Um corpo que é visto, tratado, a quem ornamos com joias, roupas caras. Um corpo cuja forma trabalhamos em academias, oferecemos produtos de beleza para sua melhor estética. No entanto, sob essa camada, existe um Buda de ouro, que é a nossa verdadeira essência. Essa essência de ouro somos nós, Espírito imortal. Herdeiro do Universo, fadado à perfeição, à felicidade. Nossa tarefa maior é zelar por seu brilho, pela sua segurança. Não nos permitirmos a entrega a vícios, paixões de qualidade inferior, desânimo e maldade. Poli-lo, todos os dias, com o óleo do autoconhecimento, investindo em burilamento pessoal, de forma constante. Aprender, exercitar-se no trabalho. Orar e vigiar. Propor-se a cada dia ser melhor do que no anterior e acertar os equívocos da véspera. Isso, até alcançarmos tal qualidade que, à semelhança de Jesus no Tabor, brilhemos mais do que o sol. E sejamos mais preciosos que a fenomenal estátua de ouro de duzentos milhões de dólares. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no cap. O Buda de ouro, de Jack Canfield, do livro Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante. 

domingo, 16 de fevereiro de 2020

ESTAR A CAMINHO

AMYR KLINK
Foi em uma manhã gelada de domingo, perto das seis horas que, em junho de 1984, Amyr Klink foi oficialmente autorizado a deixar um porto da Namíbia, com destino ao Brasil. Depois de mais de dois anos de trabalho incessante e muitas dificuldades, ele estava pronto para começar a travessia do Atlântico Sul, remando. Era um projeto audacioso e muito, muito bem planejado. Tudo havia sido cuidadosamente estudado e escolhido: a rota, o local de partida, a estrutura e o material do barco, a época do ano em que seria mais viável tal travessia ... Muitos detalhes, muito trabalho e muitas pessoas dizendo que aquilo não daria certo. Havia também aqueles que o ajudaram e que o incentivaram. Porém, no fundo, a responsabilidade e os riscos reais por tal empreitada eram apenas dele, um homem obstinado a alcançar seu objetivo. Por isso, quando Amyr se viu sozinho no seu pequeno barco, naquela manhã fria, tentando deixar a África para trás, sentiu-se imensamente feliz. Apesar do medo que o deixava mais branco do que a espuma das ondas, ele estava realmente satisfeito. Sobre isso ele narra no livro Cem dias entre céu e mar o seguinte: 
"Era preciso vencer o medo; e o grande medo, meu maior medo na viagem, eu venci ali, naquele mesmo instante, em meio à desordem dos elementos e à bagunça daquela situação. Era o medo de nunca partir. Sem dúvida, este foi o maior risco que corri: não partir. (...) Confiava por completo em meu projeto e não estava disposto a me lançar em cegas aventuras. Mas não poder pelo menos tentar teria sido muito triste. (...) Pelo simples fato de estar ali onde estava, debatendo-me entre os remos, xingando as ondas e maldizendo a sorte, me sentia profundamente aliviado. Feliz por ter partido."
* * * 
Mais importante do que ter sucesso nos projetos que traçamos é buscar realizá-los de forma consciente e efetiva. É necessário traçar as rotas que desejamos seguir, avaliar os riscos e planejar nossas ações. Não podemos esquecer de examinar com honestidade nossa motivação e os resultados que poderemos obter diante de nossa empreitada. Afinal, o que queremos fazer? Aonde queremos chegar? Para que todo esse esforço? Para quem? Se nossos projetos são legítimos, úteis e viáveis, devemos nos lançar em busca da realização dos mesmos. Sem esmorecer, sem nos deixar naufragar diante das dificuldades e do cansaço. Tudo que se busca na vida exige esforço e dedicação. Vitórias que se obtêm sem mérito não satisfazem nossos exigentes corações e nossas incorruptíveis consciências. Porém, não se pode esquecer que mesmo as jornadas mais longas e duras exigem que se dê o primeiro passo. Projetos que não saem da mente e do papel não mudam a face do mundo, nem a mentalidade das pessoas. Sonhos que não ousamos tornar reais jamais serão motivo de alegria verdadeira. Não tema as ondas bravias da vida nem o vento inclemente. Trace rotas seguras e faça a sua parte. É preciso estar a caminho. É indispensável tentar.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1 do livro Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink, ed. Companhia das letras. 
Em 27.08.2009.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

ESTAGIÁRIOS DO AMOR

As Leis Divinas são perfeitas em Seus objetivos de nos fazer gravitar para Deus. Cada existência no corpo físico é oportunidade bendita de aprendizado e crescimento. Nesta escola chamada Terra, estagiamos em todos os continentes, dentro do seio das várias raças, experimentando os mais variados costumes sociais. Quando nascemos dentro de um lar brasileiro, aprendemos as lições de vida que o Brasil nos propicia. Temos liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade no vestir, na escolha da profissão. Aprendemos a ser solidários, a ser um povo gentil, alegre, vivendo num país banhado pelo oceano e ensolarado quase o ano inteiro. Numa outra reencarnação, as Leis Divinas nos conduzem a outro país, para que aprendamos novas lições. E aí nascemos em algum país da Europa onde o sol se esconde boa parte do ano. Teremos que conviver com o frio intenso e com os dias cinzentos por vários meses. Aprenderemos a cultivar outros valores, outras maneiras de viver, outro jeito de ser. E as leis nos direcionam a um país árabe. Aprenderemos a conviver com uma cultura bem diferente; com a pouca liberdade da mulher, com a rigidez na educação dos filhos, com as várias restrições e costumes característicos. Depois iremos estagiar no Japão, na Índia, na África, e aprenderemos a amar outras tantas pátrias, outras tantas raças, outros tantos irmãos em Humanidade. Desenvolveremos nossa capacidade de amar num lar norte-americano, num lar russo, numa família iraquiana, num lar australiano... Passaremos por momentos de dor e alegria e abriremos em nossos corações um espaço para o amor que abrange todos os povos... É por essa razão que muitos alemães sentem grande afeto pelo Brasil, pelo povo brasileiro. É por essa razão que muitos árabes e japoneses nutrem amor por nossa pátria. Não é por outro motivo que muitos brasileiros guardam especial carinho pelo povo africano, alemão, russo, e por outros tantos povos. E é assim que vamos estendendo nossos laços de afeto pela Humanidade inteira. É assim que, quando alguma tragédia acontece num desses países em que já vivemos, nós sentimos como se fosse com nosso próprio país. Quando vemos as guerras cruéis infelicitando os povos distantes, nossos corações se entristecem como se fosse com nosso próprio povo. Dessa forma, estagiando ora aqui, ora ali, vamos aprendendo todas as lições e retendo o que há de melhor para nossa evolução, como Espíritos imortais que somos. Chegará o dia em que nosso amor abrangerá a Humanidade inteira, independente de raça, de posição social ou de religião. E nesse dia não haverá mais guerras, nem disputas, e a verdadeira fraternidade será uma realidade entre todos os povos. Não haverá mais a subjugação do mais fraco pelo mais forte, e todas as nações serão solidárias. É assim que Deus governa os mundos. E a reencarnação é a prova do amor divino pelos Seus filhos, conduzidos ao palco da Terra tantas vezes quantas sejam necessárias. É assim que, estagiando no seio de todos os povos, aprenderemos a amar, sem distinção, a raça humana. 
* * * 
Nesta imensa escola chamada Terra, há alunos em diferentes estágios de aprendizado. Alguns já aprenderam as lições básicas do respeito à vida e ao semelhante. Outros ainda estão por aprender o beabá da fraternidade. Mas muitos já estão ensinando, através do próprio exemplo, o amor incondicional que um dia será a tônica desta escola chamada Terra. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por J.Raul Teixeira, em 14/09/01, na cidade de Cascavel – PR. 
Em 25.05.2009.