quarta-feira, 24 de julho de 2019

O VALOR DE CADA UM

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Narra uma lenda indiana que um homem foi contratado para levar água do córrego à residência do seu amo, todos os dias. A sua tarefa consistia em encher um grande recipiente com a água cristalina. Para isso, lhe forneceram dois potes, amarrados com cordas a um pedaço de madeira especial, que ele carregava aos ombros, um de cada lado. Todas as manhãs, mal rompia o dia, lá estava ele enchendo os potes de barro, caminhando pela estrada e realizando o seu trabalho com muita alegria. Passados alguns meses, o trabalhador observou que um dos potes rachou. Assim, no trajeto do córrego até a casa do seu senhor, muita água se ia perdendo pelo caminho, de forma que em vez de chegar com dois potes cheios, ele chegava com somente um e meio. Numa manhã, o servidor foi surpreendido pela fala do pote rachado que lhe perguntou por que ele não o substituía por um novo. Ele estava rachado. Perdia muita água. Não servia mais. O homem, entusiasmado, lhe respondeu: 
- De forma nenhuma considero você inutilizado para o trabalho. Você talvez não tenha se dado conta mas vai sempre pendurado do meu lado direito. O fato de você ir derramando água pelo trajeto, fez-me perceber que a terra daquele lado ficou umedecida, mais verde. Então, vendo a terra assim tão disposta, arranjei algumas sementes de flores e as semeei. Se você prestar atenção, verificará que do lado direito há um canteiro de flores belas, perfumadas e coloridas. Graças à sua rachadura, transformei o caminho em um jardim agradável. 
Mas o pote voltou à carga. 
-Contudo, o seu amo está sendo lesionado e não deve estar gostando nada do seu desempenho. Você foi contratado para levar dois potes cheios de água, e chega somente com um e meio. 
Novamente, o homem respondeu, feliz: 
- Ao contrário. Cada dia meu amo mais aprecia o meu trabalho e a minha dedicação. Desde que as flores começaram a surgir, na sua profusão de qualidades e encantos, passei a colher algumas. Levo-as com cuidado e as deposito no vaso na mesa da sala do meu senhor. Ele se delicia com o perfume. E já o surpreendi, mais de uma vez, a acariciar as pétalas das flores, encantado. 
 * * * 
À semelhança do pote rachado, alguns de nós nos sentimos inúteis na vida. Parece-nos que não somos importantes a ninguém, que nada de útil ou bom fazemos. Mas não é verdade. Pensemos em quantas vidas influenciamos com a nossa presença. Pensemos no que, mesmo com nossos poucos recursos, podemos realizar a bem de quem vive à nossa volta. Quem dispõe de voz, pode usá-la para cantar uma canção e alegrar o dia. Quem dispõe de braços, pode estendê-los na direção do outro e agasalhá-lo nos dias da adversidade, como um colo de mãe protege o filho. Quem tem pernas saudáveis, pode direcioná-las no caminho da carência e aliviar dores escondidas em casebres, barracos e ruas. Quem tem um coração que ama, pode modificar o mundo, começando pelo seu local de trabalho, seu lar, sua rua, sua comunidade. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto narrado por Divaldo Pereira Franco, no IV Simpósio Paranaense de Espiritismo, em 22.8.1999, em Curitiba, Paraná. 
Em 24.7.2019.

terça-feira, 23 de julho de 2019

QUANDO A BONDADE SE EXPRESSA

Chris Benghue
O rapaz estava desempregado. Fora despejado e dormia no carro. Carro, aliás, que ele não tinha dinheiro para colocar combustível. Chegou o dia em que estava com fome. E sem dinheiro para comprar nada. Desesperou-se. Na noite fria, o estômago reclamando, ele entrou em uma lanchonete. Como não sabia quando seria sua próxima refeição, comeu a mais não poder. Quando chegou a hora de pagar, fingiu que tinha perdido sua carteira. Fez um barulho enorme. Começou a olhar por todo lugar. Virou a lanchonete de cabeça para baixo. De trás do balcão o cozinheiro, que era também o dono do lugar, saiu e foi até onde estava o rapaz. Abaixou-se, fingiu apanhar alguma coisa do chão e entregou a ele. Eram cem reais. Acho que você deixou cair quando entrou. Danilo ficou confuso mas pagou a conta e saiu rapidinho. 
-E se o dono do dinheiro aparecer? 
Ele se perguntava, andando pela rua. Até que se deu conta que na verdade o dono da lanchonete fingira achar o dinheiro. Ele colocou gasolina no carro e rodou para outra cidade. Enquanto rodava, agradeceu a Deus o gesto daquele desconhecido. E prometeu que se sua vida melhorasse, ele faria aos outros o que aquele homem fizera por ele. O tempo passou. Ele teve fracassos, reveses. Até que, afinal, as dores da pobreza passaram. Foi então que Danilo decidiu que era hora de honrar a promessa e completar o voto feito naquela noite escura de inverno. Pelos anos seguintes, ele iniciou sua jornada de doações. Queria dar, mas não queria que as pessoas o agradecessem. Começou a identificar pessoas realmente necessitadas. Assim, a família de um garoto de 14 anos, que sofria de leucemia, encontrou uma larga soma de dinheiro, em sua caixa de correio. Uma viúva, com sete crianças e dois netos, foi surpreendida com várias notas, colocadas embaixo de sua porta. Um jovem que precisava de um transplante de pulmão, respirou aliviado quando em sua conta apareceu a expressiva soma que precisava para a cirurgia. Ele pagou aluguel, prestações de carro, contas de mercado, sempre sem aviso e sem ficar por perto para elogios. A sua alegria era a expressão no rosto dessas pessoas. Agora só faltava ele agradecer a quem o socorrera. Ele procurou pelo dono da lanchonete por quase um ano. O local estava fechado. Arranjou em encontro, dizendo-se historiador e que desejava fazer uma matéria sobre pessoas antigas da localidade. Chegou carregado de presentes e uma grande quantia em dinheiro. 
-Eu sou aquele sujeito que você ajudou 29 anos atrás, disse Danilo. Você mudou a minha vida, naquela noite. 
O ex-dono da lanchonete, aposentado, com 81 anos de idade, chorou. Sua esposa estava doente, lutando contra o câncer e o mal de Alzheimer. Ele estava atolado em contas hospitalares. O dinheiro fora mandado por Deus. Para Danilo, era um simples gesto de gratidão. Para aquele idoso, era o acenar de um novo tempo, sem provações. 
 * * *
Fomos criados para amar. Importar-se com os outros é caminho para a felicidade. Se você segura a porta para a pessoa que está atrás de você, se leva uns docinhos para repartir com o pessoal do escritório, respire fundo. Respire e sinta o cheiro da bondade. O mundo em que vivemos depende dela. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O princípio do altruísmo, do livro Muito além da coragem, de Chris Benghue, ed. Butterfly. 
Em 23.7.2019.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O EQUILÍBRIO ENTRE O SER E O TER!

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANA DE ÂNGELIS
Vivemos em um mundo que valoriza extremamente os bens materiais. Em sua maioria, as pessoas valorizam ou não o próximo, a partir do que o outro possui e aparenta, e não pela essência de seu ser. Em um mundo dominado por nações materialistas e ainda sem ter alcançado suficiente desenvolvimento espiritual, grande parte das pessoas dedica sua vida a acumular dinheiro e bens materiais. Desde cedo as crianças se acostumam a ter o que querem. E passam a valorizar seus amigos por suas aparências. O que ocorre é que, sem reservas morais suficientes, muitos se tornam verdadeiros escravos da posse material e, muitas vezes, escravizam outros para atingir seus objetivos. Sem dúvida que as posses materiais são uma conquista sócio-econômica do ser humano, ao longo de suas inúmeras jornadas na Terra. O desenvolvimento material das sociedades é importante, pois gera melhorias na qualidade de vida, incentiva o desenvolvimento da indústria, do comércio, das ciências, das artes. Todas essas conquistas permitem à Humanidade superar obstáculos de sobrevivência básica e, com isso, a possibilidade de desenvolver seu lado espiritual e moral. A conquista do ter é dever de todos. A família depende dos recursos materiais para seu desenvolvimento, bem como a sociedade. A conquista do ter, contudo, jamais deve ser mais importante que a do ser, que é a conquista dos valores morais e leva o indivíduo a elevar-se como Espírito. O risco da posse ou da aquisição da propriedade não está no fato em si, mas da maneira como isto se dá e no que representa emocionalmente. A aquisição de bens materiais não deve ter como base a avareza, e como objetivo a conquista de posição social passível de inveja ou de submissão de outrem. A conquista material deve ser resultado do trabalho digno e constante, frequentemente oriundo de uma profissão baseada em estudo e preparo. A conquista material deve prover conforto e equilíbrio àqueles que a possuem, mas jamais levar ao desequilíbrio das posses supérfluas e do modo de vida de ostentação e prazeres intermináveis. Quem acumula bens materiais em quantidade superior àquela necessária à sua dignidade bem como de sua família, tem uma obrigação moral: dividir seus bens de uma maneira inteligente e sensata. Obviamente que a doação àqueles que necessitam é necessária e nobre, mas a verdadeira divisão é baseada na geração de empregos e desenvolvimento. Para ter tal lucidez é preciso que o indivíduo já tenha maior evolução espiritual a fim de que possa perceber que de nada serve uma fortuna acumulada em instituições financeiras e transformada apenas em bens de uso próprio. É preciso ter equilíbrio, é preciso pensar no próximo, é preciso ser mais do que ter. A felicidade, na Terra, independe do que se tem, mas se constitui naquilo que o ser cultiva interiormente em termos de amor sincero, ilimitado e em simplicidade. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Propriedade, do livro Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco,ed. Leal. 
Em 01.04.2010.

domingo, 21 de julho de 2019

O EQUILÍBRIO DO UNIVERSO

LÉON DENIS
A Terra flutua sem ruído na imensidão. Essa massa de quarenta mil quilômetros de circunferência desliza sobre ondas do éter como um pássaro no espaço. Nada denuncia sua marcha imponente. Nenhum rangido de rodas, nenhum murmúrio sequer. Silenciosa, ela passa, rola entre suas irmãs do céu. Toda a potente máquina do Universo se agita. Os milhões de sóis e de mundos que a compõem, mundos junto dos quais o nosso e? apenas uma criança, todos se deslocam, se entrecruzam, prosseguem suas evoluções com velocidades apavorantes, sem que nenhum som, nenhum choque venha trair a ação desse aparelho gigantesco. O Universo permanece calmo. É o equilíbrio absoluto. É a majestade de um poder misterioso, de uma inteligência que não se impõe, que se esconde no seio das coisas, mas cuja presença se revela ao pensamento e ao coração. Se a Terra evoluísse com ruído, se o mecanismo do mundo se restabelecesse com tumulto, os homens, apavorados, se curvariam e acreditariam. Mas, a obra formidável é executada sem esforços. Globos e sóis flutuam no infinito, tão livres quanto plumas sob a brisa. Avante, sempre avante! A ronda das esferas se desenvolve, guiada por uma potência invisível. A vontade que dirige o Universo passa despercebida a todos os olhares. As coisas estão dispostas de maneira que ninguém seja obrigado a acreditar nelas. Se a ordem e a harmonia do cosmo não bastam para convencer o homem, ele e? livre para imaginar. Nada constrange o descrente para ir a Deus. 
 * * * 
Acontece o mesmo com as coisas morais. Nossas existências se desenvolvem e os acontecimentos se sucedem sem ligação aparente. Porém, a permanente Justiça domina do Alto e regula nossos destinos segundo um princípio irresistível, pelo qual tudo se encadeia numa série de causas e de efeitos. Seu conjunto constitui uma harmonia que o Espírito, liberto de preconceitos, iluminado por um raio de sabedoria, descobre e admira. O ser gravita um a um os degraus da escada gigantesca que conduz a Deus. E cada um desses degraus representa para ele uma longa série de séculos. Se os mundos celestes nos aparecessem de repente, sem véus, em toda a sua gloria, ficaríamos ofuscados, cegos. Mas, nossos sentidos exteriores foram medidos e limitados. Eles aumentam e se apuram a? medida que nos elevamos na escala do aperfeiçoamento. Acontece o mesmo com o conhecimento, com a posse das leis morais. O Universo se desvenda aos nossos olhos a? proporção que a nossa capacidade de compreender as suas leis se desenvolve e engrandece. Assim é a progressão dos mundos. Assim é a progressão das almas. * * * Reclina tua cabeça, jovem Espírito. Reverencia aquilo que é maior que tu, maior que tua compreensão, maior que teus próprios sonhos e imaginação. Aprecia o equilíbrio do Universo e te submete a ele alegremente, agradecido por fazer parte de algo tão majestoso. Teu crer ou não crer não abala as estruturas perfeitas do cosmo que te guarda, humilde, em seu regaço seguro. Influencia, no entanto, teus dias, tua esperança, tuas forças diante dos abalos que sofres a todo instante. Assim, a escolha sempre será tua. No Universo reina equilíbrio absoluto, independente de ti. Em tua intimidade, porém, a estabilidade estará sempre sob teu controle. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro O grande enigma, de Léon Denis, ed. FEP. 
Em 1º.10.2018.

sábado, 20 de julho de 2019

O EQUILÍBRIO DA SAÚDE

Alírio de Cerqueira Filho
É comum, em relação à questão da saúde, vivermos, quase sempre, procurando combater a doença, haja vista o número de remédios, farmácias, hospitais equipados com alta tecnologia para diagnóstico e tratamento, planos de saúde, etc. Por esses meios buscamos a libertação de nossos males, no entanto, continuamos doentes e mais ansiosos em nos vermos livres das doenças. Novas doenças aparecem a cada dia, doenças milenares ressurgem com toda a força. Tudo isso acontece num momento em que a Medicina conta com recursos avançadíssimos de diagnóstico e tratamento. Por que isso acontece? Em uma abordagem profunda, querer se livrar da doença não significa a mesma coisa que buscar a saúde. Desenvolver a saúde requer um movimento do indivíduo em direção a ela. Não é possível nos livrarmos da doença de fora para dentro. Muito menos, através de uma atitude de ansiedade e inquietação no sentido de arrancá-la de nós, por meio de recursos externos. Arrancá-la só nos trará um alívio temporário para que, posteriormente, possamos agir de outra maneira. A causa das doenças, tanto as mentais quanto as físicas, estão no Espírito doente que ainda somos, comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do dever. Todos esses fatores são geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores. O ser, então, sem a ética necessária ou o sentimento de superior eleição, atira-se nos cipoais dos conflitos que geram a desarmonia das defesas orgânicas. Essas cedem à invasão de micróbios e vírus que lhes destroem a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores. Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar as condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas e promovendo o equilíbrio estrutural do ser. Encobrir uma ferida não impede que ela permaneça decompondo a área, na qual se encontra instalada. Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento e para a sua compensação pelo bem. Na fé, a canalização de todas as possibilidades psíquicas alterando a ação das forças habituais. A fé tudo pode, pois aciona inexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna e, posteriormente, a paisagem externa do ser. Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, através da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos Espíritos Superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral. Pense nisso Somente uma ação decisiva, firme, visando a saúde espiritual, nos libertará definitivamente das doenças que, em si mesmas, são caminhos para a conquista da saúde do Espírito. É na transformação moral do indivíduo para melhor e na ação da caridade que a cura se processa e o sofrimento se dilui, cedendo lugar à paz e ao equilíbrio psicofísico. 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANA DE ÂNGELIS
Redação do Momento Espírita com base em texto explicativo do livro Saúde espiritual, de Alírio de Cerqueira Filho, ed. Ebm e do cap. VIII do livro Plenitude, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

BALEIAS OU SEREIAS?

Estamos vivendo a época do culto ao corpo. Naturalmente que cuidar desse precioso instrumento de trabalho é muito importante. Contudo, criou-se a ideia de que as pessoas precisam ter corpos esculturais. Cresce o número de escolas para modelos e muitas adolescentes sonham em se tornar top model. Em serem ricas e famosas. Nas lojas, encontram-se manequins que se direcionam para esse segmento de mercado, em número expressivo. As academias anunciam fórmulas diversas para se atingir o objetivo de um corpo perfeito. Medicamentos, drogas são receitadas e utilizadas para se conseguir o efeito almejado. A propósito, lemos que uma determinada academia, colocou, no início do verão, um outdoor com o seguinte apelo: 
-Neste verão, você quer ser sereia ou baleia? 
Uma mulher dirigiu à academia a seguinte resposta: 
-Ontem vi um outdoor da academia, com a foto de uma moça escultural, de biquíni, e a frase: “Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou baleia?” Respondo que as baleias sempre estão cercadas de amigos. Elas engravidam e têm filhotinhos fofos. Elas amamentam. Nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares maravilhosos como as banquisas de gelo da Antártida, ou os recifes de coral da Polinésia. Baleias esguicham água e brincam bastante. Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados. Baleias são lindas e amadas. E quanto às sereias? Bom, sereias não existem. Se existissem, viveriam em crise. Elas não têm filhos, pois matam os homens que se encantam com sua beleza e sua melodia. São lindas, mas tristes e solitárias.
 * * *
A resposta encaminhada nos leva a refletir em como temos dado excessiva ênfase ao corpo. Ênfase que se reflete na sociedade, de um modo geral. Tanta que, por vezes, pessoas com maior peso têm dificuldades para entrar em determinados lugares, para se sentar em bancos pequenos, estreitos. É claro que o descuido com o corpo gera uma série de inconvenientes, de enfermidades. Não menos o exagero que leva as pessoas a não se alimentarem, a desenvolverem fobias por gramas a mais, a padecerem de bulimia. E em tudo isso temos esquecido de algo muito importante: o ser que habita o corpo é mais importante do que o corpo. Assim, nem tanto ao mar, nem tanto à Terra, como diz a sabedoria popular. Mais adequada está determinada marca de produto que, no verão, aproveitou para divulgar que o sol, o mar e a praia são para todas as mulheres. Mesmo aquelas que não têm um corpo escultural. Assim, preservar-se, alimentar-se de forma adequada, exercitar-se. Tudo muito bom. Mas, sem exageros, a fim de que não se caia no desleixo ou no excesso de cuidados. E, mais que tudo, recordar que é preciso cultuar valores imperecíveis, que não acabam com o corpo. Uma pessoa é amada e tem valor real não pelo peso de seu corpo, pela forma harmoniosa ou não, mas pelo seu conteúdo. Conteúdo que não perece com os anos, não enruga, não envelhece. Conteúdo que se traduz em saber granjear amigos, manter a família, produzir para o benefício de todos. Assim, sejamos sábios e aproveitemos o que há de bom na sereia e na baleia. Cuidado exterior, sim. Beleza interior, também. E, por fim, lembremos que somos seres imortais, destinados à perfeição. Hoje, somos humanos. Amanhã, seremos anjos, benfeitores dessa e de outras Humanidades, espalhadas por esse imenso Universo de Deus. 
Redação do Momento Espírita, a partir de texto sem menção a autoria. 
Em 19.7.2019.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

ARMA PODEROSA

ANTOINE LAVOISIER
O sábio Lavoisier afirmou que no mundo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Isso aprendemos na escola e é exato. O que temos observado, contudo, é que atualmente, as transformações estão sendo cada vez mais rápidas. Recordam-nos os autores espirituais que, para construir a floresta, a natureza demora séculos sobre séculos, partindo das sementes simples até à grandiosidade das sequoias e a resistência do carvalho. Para destruí-la basta a chispa de fogo, muitas vezes consequência do descuido e do descaso humanos. Para construir um avião, equipe de técnicos primorosamente escolhidos associa os prodígios da inteligência, agindo em conjunto. Todos os detalhes são pensados e revistos, na busca pela segurança e arrojo tecnológico. Para destruir uma aeronave, é suficiente um erro de cálculo. Para a edificação de uma cidade os homens empregam anos e anos de sacrifício. Constroem a escola, o hospital, os jardins, as casas. Cada detalhe é examinado e projetado para melhor servir às necessidades humanas. Para destruí-la, suficiente se faz uma bomba. Para construir são precisos amor e trabalho, estudo e competência, compreensão e serenidade, disciplina e devotamento. Para destruir são suficientes golpes de martelo, um artefato explosivo, um fósforo esquecido. Assim também acontece com a reputação de uma pessoa, que é resultado de anos de esforço e dedicação, em que demonstra, paulatinamente, seus valores e competência, seja no âmbito científico, social, religioso. É o trabalho continuado que atesta a capacidade do trabalhador. No entanto, o poder vigoroso de uma língua mal intencionada tem a capacidade de denegrir a imagem de pessoas íntegras e instituições nobres. Tudo começa como um rastilho de pólvora, para estourar adiante, arrojando por terra anos de renúncias, dedicação, assistência. Muito oportuno se meditássemos um pouco sobre essa arma mortal, que é a nossa língua, direcionando sua utilização para o bem, o bom, o belo. Usar a língua de forma apropriada, construindo, é também demonstração de sabedoria. 
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CHICO XAVIER
Você sabia que certa vez um califa prendeu um de seus maiores inimigos? Desejando dar um fim ao desafeto, pediu a opinião de seu melhor ministro. O servidor, exemplificando como se pode utilizar as palavras com harmonia, argumentou: 
-Príncipe, se o matares, terás feito o que outros fazem. Se o perdoares, serás único.
Falar, edificando, é sinal dos que admitem Jesus como Mestre e O seguem. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 61, do livro Ideal Espírita, por Espíritos Diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC. 
Em 18.7.2019.