quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A MAIS NOBRE PROFISSÃO

Qual será a profissão mais nobre? 
Quem será mais importante: o médico que salva vidas ou o motorista do coletivo que conduz centenas de passageiros, todos os dias, em segurança? 
Quem terá maiores méritos perante a Divindade? 
O professor que ensina à criança as primeiras letras, descortinando-lhe o mundo encantado do alfabeto ou o professor universitário que prepara os jovens para o mercado de trabalho, para a sociedade, ensinando-os com a própria experiência? 
Analisando as tantas profissões que existem no mundo, conclui-se que nenhuma pode ser descartada. Senão vejamos: o escritor utiliza dos seus recursos e escreve livros que renovam o pensamento do mundo. A sua é a possibilidade de encantar, de proporcionar viagens fantásticas pela imaginação, de utilizar sabedoria, arte e beleza, dentro da vida. Contudo, uma vassoura simples faz a alegria da limpeza. E, sem limpeza, o poeta não consegue trabalhar. As máquinas agrícolas abrem sulcos profundos na terra, revolvendo-a e a preparam para o plantio. Logo mais, as linhas que ela traça no solo transbordarão de milho, arroz, batata, trigo, enchendo os celeiros e as mesas. O marceneiro trabalha com cuidado a madeira e lhe confere formas que cooperam na construção do lar. O pedreiro ergue muros, coloca alicerces para os edifícios grandiosos. Organiza o seu pensamento e os seus esforços e faz surgir obras fenomenais. Mas por mais belo que seja o edifício, os seus mármores, cristais, tapetes luxuosos, não dispensarão a mão amiga da faxineira que lhes dará brilho. Os magistrados usam a pena e a justiça e sentenciam. Das suas sentenças dependem vidas. Vidas que prosseguirão a ter alegrias ou se encherão de tristezas. Os políticos orientam e governam, elaboram leis e as votam, decidindo o que seja melhor para o povo. Entretanto, todos eles necessitam das mãos hábeis que conduzem as máquinas que lhes tecem as roupas que os defendem do frio. Se os juízes se reúnem nas mesas de paz e justiça, os lavradores e agricultores são os que lhes ofertam os recursos para as refeições. Ninguém suponha que, perante Deus, os grandes homens sejam somente aqueles que usam a autoridade intelectual. 
Que seria da Humanidade se, de repente, não tivéssemos mais cozinheiros, recepcionistas, lavadeiras, arrumadeiras, babás? 
Que faríamos sem essa gama enorme de servidores da Humanidade? 
* * * 
Todos somos chamados a servir, na obra do Senhor, de maneira diferente. Cada trabalhador, em seu campo de ação, pode se considerar honrado pelo bem que possa produzir. Cada empregador ou empregado nos convençamos de que a maior homenagem que podemos prestar ao Criador é a correta execução do nosso dever, onde estivermos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 44, do livro Alvorada cristã, pelo Espírito Neio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. 
Em 14.2.2019.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O QUE FAZ UMA VIDA FELIZ

Robert Waldinger
A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, tem o que é considerado o estudo mais longo acerca da felicidade. O Harvard Study of Adult Development existe desde 1938 e observou, desde então, a vida de setecentos e vinte e quatro jovens. Acompanhou seu crescimento, suas famílias e as novas gerações. O estudo abrange diversas áreas, mas a principal delas diz respeito à análise do nível de felicidade dessas pessoas. As observações minuciosas buscaram responder à questão: 
-O que faz uma vida feliz? 
E as principais conclusões foram as seguintes: conexões sociais são muito boas para nós, enquanto a solidão mata. As pessoas que são mais conectadas socialmente, à família, amigos e comunidade, são mais felizes, são fisicamente mais saudáveis e vivem mais. Não se trata apenas do número de pessoas à volta, do número de amigos que têm, ou se estão num relacionamento sério ou não, mas, principalmente, da qualidade dos relacionamentos mais próximos. O estudo também concluiu que os bons relacionamentos não protegem apenas nossos corpos, mas também nosso cérebro. As pessoas que mantêm bons relacionamentos, sobretudo quando estão em avançada idade, têm sua memória melhor preservada, isto é, ela se mantém viva por mais tempo. O diretor atual da pesquisa, Robert Waldinger, afirma que essas relações não precisam ser perfeitas, onde só reine a paz, sem problemas ou discussões. Não, o que mais importa, segundo ele, é o fato de um saber que pode contar com o outro. E que esses pequenos problemas do dia a dia não se fixam na memória. As relações em si sempre falarão mais alto. 
 * * * 
O homem deve progredir, mas não pode fazer isso sozinho porque não dispõe de todas as faculdades. Por isso precisa se relacionar com outros. No isolamento, se embrutece e se enfraquece. Nenhum ser humano possui todos os conhecimentos. Pelas relações sociais é que se completam uns aos outros para assegurar seu bem-estar e progredir. Tendo necessidade uns dos outros, somos feitos para viver em sociedade e não isolados. Desses laços, os familiares são aqueles que representam os de maior importância, pois muitos deles são escolhidos ou aceitos num planejamento prévio de cada nova encarnação. Isso quer dizer que podemos escolher em que lar iremos nascer, se tivermos merecimento e discernimento para tal. O que acontece, para a maioria de nós, é uma escolha por necessidade, isto é, precisamos estar vinculados a esse ou aquele lar por compromissos anteriores. Pensando assim, a felicidade nas relações sociais na família poderá ter dupla causa: a primeira está no próprio laço em si, que nos faz mais felizes por poder contar com amores ao nosso lado. A segunda, pela chance de podermos resgatar débitos do passado, de ajudar quem prejudicamos e, em muitos casos, como missões, auxiliar Espíritos que vêm à Terra em condições precárias, necessitando de orientação e amorosidade. O que faz uma vida feliz? Viver boas relações em que se possa doar, mais do que receber. Amar, acima de tudo. 
Redação do Momento Espírita, com base na questão 768, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 13.2.2019.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ELEVAÇÃO PELO TRABALHO

William J. Bennett
Contam as lendas que, quando Hércules ainda era muito jovem, saiu um dia para levar um recado de seu padrasto. Caminhava triste, mergulhado em pensamentos amargos. Questionava-se porque outros jovens, não melhores que ele, levavam uma vida fácil e cheia de prazer, enquanto para ele a vida era só trabalho e dor. Ruminando essas questões, chegou a uma bifurcação da estrada. Diante da incerteza sobre qual caminho deveria seguir, parou e olhou atentamente. A estrada à sua direita era montanhosa e acidentada. Não havia beleza nela, nem nos seus arredores, mas conduzia diretamente às montanhas azuis que se perdiam na distância. A estrada à esquerda era larga e lisa, com árvores frondosas oferecendo sombras tentadoras em ambos os lados. Os pássaros cantavam alegres e as flores enfeitavam as margens do caminho. Mas essa estrada terminava em bruma e neblina muito antes de chegar às maravilhosas montanhas azuis que se podia ver ao longe. Enquanto o rapaz estava parado, em dúvida quanto à direção a seguir, vieram duas belas mulheres em sua direção, cada uma delas por uma das estradas. A que veio pelo caminho florido alcançou-o antes e era linda como um dia de verão. Tinha as faces coradas, os olhos faiscantes e dizia-lhe palavras tentadoras: 
-Oh, nobre jovem não se curve mais ao trabalho e às tarefas árduas; siga-me. Eu o conduzirei por caminhos agradáveis, onde não há tempestades para perturbar nem problemas para aborrecer. Você terá uma vida fácil, sem responsabilidades. Bebida, comida requintada, ricas vestes, muita música e alegria. Venha comigo e sua estrada será um sonho de contentamento. 
A essa altura aproximou-se a outra bela mulher e falou ao rapaz: 
-Eu não lhe prometo nada, exceto o que irá conquistar por suas próprias forças. A estrada pela qual o conduzirei é acidentada e difícil. Terá que subir muitos morros e descer por vales e pântanos. As vistas que por vezes você descortinará do topo dos morros são grandiosas, gloriosas, mas os vales profundos são escuros e a subida é penosa. No entanto, a estrada leva às montanhas azuis da felicidade eterna, que você pode ver no horizonte. Não se consegue alcançá-las sem trabalho. De fato não há nada que valha a pena possuir se não tiver sido ganho com esforço. Se você quiser frutos e flores, deve plantá-los e cultivá-los. Se quiser o amor de seus companheiros, deve amá-los e sofrer por eles; se quiser gozar dos favores dos céus, deve se tornar digno desses favores; se quiser gozar da felicidade plena, não deve desprezar a árdua estrada que a ela conduz. 
Hércules viu que essa mulher, embora fosse tão bela quanto a outra, tinha o semblante puro e suave, como uma manhã ensolarada de primavera. 
-Qual é o seu nome? Perguntou. 
-Alguns me chamam de trabalho - respondeu - mas outros me conhecem como virtude. 
Ele virou-se para a primeira mulher e perguntou: 
-E qual é o seu nome? 
Ela respondeu com um sorriso nos lábios: 
-Alguns me chamam prazer, mas eu prefiro ser conhecida como a alegre e feliz... 
-Virtude - disse Hércules - tomarei a ti por minha guia! A estrada do trabalho e do esforço honesto deverá ser a minha e meu coração não mais abrigará a amargura nem o descontentamento. 
E ele tomou a mão da Virtude e seguiu com ela pela estrada reta e agreste que conduziria às claras montanhas azuis no horizonte distante. 
 * * * 
O caminho do progresso é cimentado com o suor dos trabalhadores leais do Supremo Bem, que descobrem no próprio sacrifício e no heroísmo silencioso e anônimo a glória da libertação espiritual 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A escolha de Hércules, adaptação de James Baldwin, de O livro das virtudes, v.1, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira e no verbete Caminho, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed.Feb. 
Em 05.10.2010.
James Baldwin

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ELES VIVERÃO

A Espiritualidade Superior ensina que os planetas funcionam como educandários. Os Espíritos neles encarnam para ter as experiências evolutivas de que necessitam. A Terra por ora serve de morada e escola para Espíritos de reduzida evolução. Embora, em geral, não falte inteligência aos habitantes do orbe, eles ainda vacilam no quesito da moralidade. Têm facilidades de raciocínio, mas possuem dificuldades nos planos do sentimento, da conduta. Certamente incontáveis se esforçam para viver com dignidade e o conseguem. Entretanto, ainda é comum o triste espetáculo da leviandade, da corrupção e da crueldade. Em um mundo imperfeito, a impunidade dos espertos e dos poderosos costuma ser frequente. Não raro, esse panorama de vício aparentemente vitorioso causa indignação. Muitos desanimam quando se deparam com certas cenas. Pode ser o político corrupto que segue livre, mediante a adoção de estratagemas legais. Ou quem, para enriquecer, não se incomoda de destruir o meio ambiente. Talvez seja quem abusa da inocência ou oprime os fracos. Ou então quem vence demandas na justiça contando com testemunhos falsos. Não faltam exemplos de maldade vitoriosa, ao menos na aparência. Seguramente, todos devem agir, no limite de suas forças, para que o bem se instale no mundo. Mas, quando o mal parece vencer, não há razão para raiva ou desânimo. Não há necessidade de desejar o mal para os que semeiam a desgraça nos caminhos alheios. Para manter o coração em paz, basta refletir que eles viverão. Sim, a morte não existe e todos seguirão vivos para sempre. A vida dispõe de recursos para produzir arrependimento nos que se fizeram culpados. Cedo ou tarde, chega o momento de rever a própria conduta e de enfrentar as consequências do que se fez. Tal pode se dar na mesma encarnação, mediante importantes decepções, ignoradas da coletividade. Ou no plano espiritual, onde não há disfarces possíveis quanto à própria realidade íntima. Ou mesmo em outras existências, nas quais se experimentem as dores que se semeou na vida do próximo. A vida constitui o melhor remédio para qualquer gênero de decadência. Todos viverão para sempre e cada qual será feliz ou desgraçado, conforme as opções que fez. A cada um segundo suas obras, como bem disse Jesus. Assim, não convém praguejar contra quem fere, rouba, ilude ou mata. Basta saber que os corruptos, os mentirosos e os defraudadores da paz alheia também viverão. A cada homem incumbe o dever de ser digno e solidário, de esclarecer, amparar e socorrer. Os desvios incontornáveis, segundo a ótica humana, ficam por conta da Lei Divina, sempre perfeita e atuante. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 23.02.3011.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

ELES FIZERAM A DIFERENÇA

Steve Jobs e Joanne Schieble-mãe
A vida é um grande patrimônio. Os que nos encontramos na Terra, neste momento, nem sempre nos damos conta de como somos afortunados por viver. Quando os problemas avolumam, quando o cansaço se estabelece, uma quase desistência da vida parece nos sussurrar aos ouvidos. No entanto, todos os que nascemos somos pessoas afortunadas. Afortunadas porque alguém nos aceitou e nos permitiu vir ao mundo. Todos temos o direito de nascer mas nem todos temos essa oportunidade. Nem podemos imaginar quantas vidas, todos os dias, em todo o mundo, são impedidas de se concretizarem. Então, quando aplaudimos um astro do futebol, da música, da dança, da tecnologia, alguém que fez ou faz a diferença no mundo, podemos imaginar o que seria o mundo se eles não tivessem nascido? Podemos imaginar a nossa vida sem um Mac, um iPhone, um iPad? Pois é. Se Joanne Schieble, aos vinte e dois anos, tivesse desistido de levar a gestação a termo, a tecnologia não seria como a conhecemos hoje. Universitária, ela engravidou do namorado, também universitário. Seu pai, no entanto, não admitia que ela se casasse, por ele ser de descendência síria. Joanne poderia ter abortado, naquela circunstância. No entanto, optou por ter a criança e dá-la em adoção. Terá ela imaginado onde chegaria seu filho? Como venceria na vida? Um filho que não somente foi o criador da Apple e do estúdio de animação Pixar, mas exemplificou tenacidade, perseverança, superando seus dramas pessoais. Rejeitado em primeira adoção, por ser do sexo masculino, Steve Jobs foi adotado por um casal de origem humilde. Sofreu com a pobreza. Frequentava, uma vez na semana, determinado culto religioso em troca de uma refeição. Recolhia garrafas vazias de Coca-Cola para os depósitos para comprar comida. Não tinha quarto no dormitório na Universidade. Por isso, dormia no chão do quarto de amigos. Adulto, enfrentou um câncer devastador, numa vitória dramática que lhe deu uma sobrevida ainda mais aplaudida pelos admiradores. Em discurso aos formandos de Stanford em 2005, afirmou: Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso não querem morrer para estar lá. Apesar disso, a morte é o destino de todos nós. Ninguém nunca escapou. E deve ser assim, porque a morte é, provavelmente, a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos. Ele partiu em 2011. Um homem que fez a diferença no mundo.
CELINE DION E SUA MÃE
Um mundo que também estaria diferente sem a voz de Celine Dion, a cantora canadense. Quando engravidou, sua mãe tinha treze filhos e cogitou de não ter essa décima quarta criança. Contudo, um sacerdote, digno pastor de almas, a aconselhou a levar a termo a gravidez. Graças a isso, o mundo se extasia com a voz da cantora que, inicialmente, interpretava canções somente em seu idioma pátrio, o francês. Para alcançar as plateias internacionais, aprendeu inglês, conquistando a admiração do mundo. Jobs e Celine Dion são testemunhas da vida. Eles puderam cantar, sentir, amar, triunfar porque alguém lhes permitiu vir à luz. Quem pode imaginar o que virá a ser esse embrião, esse feto que apenas se esboça no ventre materno: um grande estadista? Um cantor? Um poeta? Um cientista? Somente Deus o sabe... 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Steve Jobs e Celine Dion. 
Em 11.5.2018.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

ELES E NÓS

LÉON DENIS
Uma figura de costas, estática, olhando para o oceano imenso à sua frente. Não há mais ninguém na areia, apenas aquele espectro. Ele se despede de alguém que vai longe? Será que aguarda a chegada de um grande amor? Aquele mar lhe traz lembranças de chegadas ou partidas? Em que margem ele está? Na margem de cá ou na margem de lá? E todos nós, habitantes do planeta Terra, em que margem estamos? Ora, dizem os mais práticos, na margem de cá! Será? Onde é aqui e onde é lá? Não seria apenas uma questão de ponto de vista? O partir não seria um chegar, caso visto da outra margem, da margem de lá? Podemos pensar da mesma forma no que diz respeito a eles e nós. Os que partiram, que vivem na nova realidade do mundo espiritual são chamados de eles. Porém, será que do ponto de vista daqueles seres, irmãos nossos que atravessaram o portal da morte física, eles não somos nós aqui, encarnados ainda na Terra? Questão de ponto de vista! Por isso, podemos afirmar com toda certeza, que a morte, a grande partida, é também a grande chegada, a grande volta ao mundo de origem, ao mundo dos Espíritos. Nascemos para o mundo de lá, quando desencarnamos. Somos motivo de festa quando retornamos vencedores, homens e mulheres de bem. Quando reencarnamos na Terra há também uma despedida no mundo espiritual. Há lágrimas de saudade, palavras de incentivo e apoio. Os que deixamos lá não perdem o contato conosco. Sempre que possível estão conosco, acompanhando nossos passos, dando bons conselhos, velando por nossas vidas. O amor proporciona isso. Assim, eles e nós meio que nos misturamos aqui e lá, pois, por exemplo, durante o sono, nós nos desprendemos parcialmente e voltamos ao mundo dos Espíritos, temporariamente. Durante a vigília, embora com os olhos materiais não os enxerguemos, estão em constante contato, influenciando-nos, mais do que podemos imaginar. Não há como distinguir, em termos de espaço físico o aqui e o lá. O Universo é um só e somos todos habitantes do cosmo, apenas vivendo realidades distintas em cada instante da vida. Eles e nós, nós e eles. Somos todos criaturas do mesmo Criador, não importa onde ou em que realidade da existência estejamos no presente momento. 
 * * * 
Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer. 
Redação do Momento Espírita, com citações do cap. X, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 26.2.2016.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

"ELE PRECISAVA DE AMOR!"

Ela morava em um asilo de idosos há três anos. Agradável com todos, tornou-se o centro das atenções gerais. Embora tivesse que permanecer em sua cama, ou na cadeira de rodas, em função das dores que sentia com o desgaste das vértebras e das juntas, mostrava-se feliz. Sempre tinha uma história para contar, com uma dicção clara, um linguajar de alto e bom astral, que encantava quem a ouvia. Quando falava sobre o Evangelho de Jesus, fazia quem a ouvisse, chorar de emoção, tão bem pintava as telas que descrevia. Dava exemplos, por vezes, relatando fatos de sua própria vivência, junto da família. Certa feita, alguém lhe perguntou por quantos anos fora casada. Com um fundo suspiro, ela respondeu: 
-Por cinquenta e três anos. E sem férias. As curiosidades foram muitas e a primeira foi desejar saber se o marido era bom e gentil, para que o casamento durasse tanto. Até o dia do casamento me parecia que seria, disse ela, depois, as coisas foram mudando muito. Ele era bem mais velho, estrangeiro, ateu, cheio de costumes muito diferentes dos meus. Eu era jovem, vinda de uma família simples. De infância pobre e muito religiosa. Seu Deus, segundo ele mesmo, era o dinheiro. Seus apegos maiores, a gula e o sexo. Tinha momentos em que parecia ter saído daqueles filmes antigos, da Idade Média. Nunca falou que me amava ou que gostava de mim. 
Em determinado momento da narrativa, ela foi interrompida: 
-O que fez você continuar com ele? 
Tranquilamente, ela foi enumerando: 
-Primeiro, em respeito aos filhos, que precisavam de uma família, para crescerem e se tornarem homens de bem. Segundo, em respeito a ele mesmo, pois o conhecendo melhor, senti que ele precisava de mim, para não se tornar pior do que era. Ele precisava sentir-se protegido, cuidado, acompanhado. 
Quando o ouvinte atento lhe disse que isso deveria ter representado muito sacrifício, sua resposta foi ainda mais surpreendente: 
-Ele foi para mim, em verdade, um grande professor. Foi meu professor de paciência, de renúncia, de fé, de resignação, de superação, de virtudes... Tive que me esmerar para continuar vivendo junto dele, e para o ver partindo da Terra, com alguma mudança interior. No final de seus dias, ele já buscava Deus. O sexo esfriara, até mesmo pela idade. Somente a gula persistiu até o fim. No entanto, o melhor foi que aprendeu, com os netos, a lhes dizer: “Eu te amo!”
 * * * 
E continuou: 
-Em minhas orações, agradeço aos meus pais, que me deram um exemplo especial de parceria, mesmo nos momentos mais árduos, enfrentados em família. Agradeço à crença na vida imortal que justifica os sacrifícios, explicando-os à luz da razão. Agradeço o fato de saber, conscientemente, que nada nos acontece por acaso. Sobretudo, agradeço a Deus por ter podido levar minha tarefa até o fim, e conquistar essa imensa paz, em minha consciência.
* * * 
Amor desinteressado. Dedicação imorredoura. Exemplo de vida, que nos leva a imaginar o valor do dever retamente cumprido. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 13.8.2015.