segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O NOSSO EGOÍSMO DE CADA DIA!

Diariamente, há inúmeras demonstrações de egoísmo partindo de nós ou à nossa volta. É o motorista que para o carro em fila dupla, só por um minutinho. O torcedor que, para festejar a vitória do seu time esportivo, sai com seu carro buzinando pelas ruas, independente da hora e do local. É o religioso que, a pretexto de atender os seus fiéis, transmite seu ato litúrgico através de auto-falantes. O passageiro que entra no transporte coletivo e corre para pegar o lugar vazio, sem olhar se tem algum idoso, alguma senhora grávida, ou uma mãe com criança, que precisaria trafegar melhor acomodado. São as comemorações com fogos de artifício, sem se cogitar de enfermos nos hospitais, crianças dormindo nas casas. É aquele que procura furar a fila, tentando um jeitinho, desconsiderando os que chegaram antes dele. São os pais que se portam com intolerância e irritação, quando o filho pequenino não se porta adequadamente no restaurante, exigindo-lhe atenção e ocasionando demora à sua refeição. Dificultar a circulação de veículos, por não dar a vez ao motorista que está saindo da garagem, de estacionamento ou tentando entrar numa via preferencial. Com o pretexto de estar com pressa, tratar os familiares com grosseria e estupidez. Prender a porta do elevador enquanto conclui a conversa ou se despede demoradamente. Estacionar o seu veículo, sem observar se está ocupando mais de uma vaga, ou se não vai trancar ou dificultar a movimentação dos demais veículos. Infelizmente, há muitos exemplos a serem dados de egoísmo explícito. O egoísmo é um dos grandes males da Humanidade, também por ser fonte geratriz de orgulho, de prepotência, de ingratidão, de desordem, de rebeldia, de violência, de sovinice, de indiferença. A primeira providência para combater esse mal em nós é examinar-nos com atenção e intenção, identificando as atitudes egoístas de cada dia, desde as mais pequeninas até às mais relevantes. Depois, começar a dobrar essa personalidade equivocada, impondo-se medidas corretivas, intencionalmente corretivas. 
Eis algumas dicas bem singelas: em casa, não se apressar ou atropelar tudo e todos, para ter tempo de assistir a telenovela ou ao telejornal; não deixar as crianças com fome, esperando que você termine de assistir a esse ou aquele programa na televisão, ou que você conclua a longa conversa ao telefone; se o seu filho lhe pedir para brincarem juntos, deixe a leitura do jornal ou da revista para depois, e vá diverti-lo, com toda a atenção e boa vontade; se estiver cuidando do seu filho, busque atividades que digam respeito à idade e à vontade dele, e não insistir para que ele faça o que você quer. Não fique ao lado dele, somente, enquanto ele brinca. Brinque com ele, role no chão, viva o mundo dele; sentado à mesa para a refeição, procure servir aos demais, em primeiro lugar, com paciência e zelo; quando for tomar banho, faça-o adequadamente, mas com rapidez. Tem gente na fila; ao terminar seu banho, deixe o banheiro em condições de uso para os outros, para que esses não tenham que fazer uma faxina antes de usar; ao invés de ficar pedindo pelas coisas em casa, antecipe-se e providencie o que você quer, por conta própria; ajude na arrumação da casa, cuidando para não bagunçá-la; ao se levantar pela manhã, faça-o sem pressa, arrume sua cama, ajude no atendimento dos menores, providencie o café da manhã, trate a todos com cortesia e simpatia; ao sair de casa, seja cortês no trânsito, no transporte coletivo, nas ruas, nos elevadores, para com os atendentes, para com os colegas de trabalho. O egoísmo deve ser sobreposto pelo altruísmo. No egoísmo você é o único e o primeiro. No altruísmo, o próximo existe e merece toda a sua dedicação. Amar ao próximo como a si mesmo, já ensinou Jesus há mais de dois mil anos. Está mais do que na hora de modificar o egoísmo nosso de cada dia, para o altruísmo nosso de todos os dias. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 07.06.2010.

domingo, 20 de janeiro de 2019

O EGOÍSMO DAS NOSSAS VIDAS

LÉON DENIS
Egoísmo é descrito como das mais terríveis enfermidades da alma e o maior obstáculo ao melhoramento social. É a persistência em nós desse individualismo feroz que caracteriza o animal, como vestígio do estado de inferioridade. Quase sempre, quando se menciona o egoísmo, nos vêm à mente os que acumulam grandes riquezas e a quem nada de material falta. São vistos em manchetes constantes, em viagens internacionais, festas elegantes, banquetes luxuosos, iates e aviões particulares. Ou então cogita-se das nações civilizadas, excessivamente ricas que tanto têm e não repartem com as nações pobres. Essa é a nossa visão. Mas, convenhamos, um tanto distorcida. Se pensarmos bem, acabaremos por descobrir que todos somos um pouco ou um tanto egoístas. Observemos no lar como funcionam as coisas. Levantamo-nos da mesa e não nos preocupamos em retirar o nosso prato e talheres, ou sequer recolocar a cadeira no lugar. Quando nos vamos servir, não pensamos em divisão, mas em encher e muito o nosso prato. Quando nos dispomos a assistir televisão, é tal o egoísmo que sequer cogitamos de combinar uma espécie de escala para que cada componente da família escolha, em um dia, a programação de sua eleição e juntos assistamos ora um, ora outro programa, a todos satisfazendo. Nosso egoísmo é tamanho que preferimos logo ter uma televisão para cada um, em seu próprio quarto, para nunca ter que ceder ou deixar de ter atendida a sua vontade. Quando andamos pelas ruas, em dias de chuva, somos tão egoístas que, mesmo estando com o guarda-chuva, desejamos andar debaixo das marquises, em vez de deixá-las para aqueles que foram apanhados desprevenidos pela intempérie. Quando tomamos o coletivo para os deslocamentos urbanos, nosso egoísmo é tão grande que nem olhamos para o lado, a fim de não descobrirmos que alguém idoso, ou com criança ao colo ou deficiente, precisaria muito mais do que nós do assento em que nos acomodamos. E pensamos tanto em nós mesmos, que nem esperamos que os passageiros desçam do ônibus e já vamos entrando, empurrando. Que importa se os demais precisam sair? Nós desejamos entrar e logo, às pressas, para conseguirmos um lugar para sentar. No ambiente de trabalho, fala alto também o egoísmo. Quando alguém nos deve substituir durante um período de férias, preferimos não ensinar tudo ao substituto, para que ele, por sua dedicação e competência, não venha a suplantar-nos e nós acabemos sobrando. Em matéria religiosa, não somos diferentes. Cada qual deseja ter a exclusividade da verdade, do conhecimento e merecer, por isso, o reino dos céus. Quantos nos afirmamos os exclusivos filhos de Deus, esquecidos de que Deus é um só. O único Criador. De todos. De tudo. E com o mesmo amor que nos ama, ama a todos os demais. 
 * * * 
Aquele que não simplesmente aproveita o trabalho já encetado por outros mas, ao contrário, sabe cooperar, espalha ao redor de si tudo que tem de bom e se sente mais feliz. Está consciente de ser um membro útil à sociedade. Interessa-lhe tudo o que se realiza no mundo, tudo o que é grande e belo sensibiliza-o e comove. Sua alma vibra em harmonia com todos os Espíritos esclarecidos e generosos e em pé, como campeão ou como soldado, está pronto a participar de todos os grandes trabalhos, a penetrar em novos caminhos, a fecundar o patrimônio comum da Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XLVI do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb. 
Em 02.01.2009.

sábado, 19 de janeiro de 2019

EFICIENTES FÍSICOS

CLODOALDO SILVA
Em 2004, após as olimpíadas em Atenas, aconteceram as pára-olimpíadas, que reuniram 136 países. As 55 mil pessoas que lotavam o estádio puderam se emocionar com a garra desses atletas muito especiais. O Brasil foi representado por 98 atletas. No desfile, Caco, o nadador brasileiro, que teve paralisia infantil, entrou sentado na cadeira de rodas com a bandeira brasileira na mão e um sorriso no rosto. Outro atleta, mesmo com uma perna mecânica, entrou sambando. A recordista mundial de arremesso de peso, Rosinha, que teve uma perna amputada aos 14 anos após ser atropelada por um caminhão, desfilou feliz. Segundo ela, a alegria estava em poder estar ali, representando o seu país, como uma atleta campeã. O judoca Antônio Tenório esteve lá para tentar a sua terceira medalha de ouro. Aos 13 anos, numa brincadeira com estilingue, um de seus olhos foi atingido por uma mamona. Perdeu a vista. Aos 19 anos ficou completamente cego, após deslocamento de retina do outro olho. E lá estavam também países pobres. Como Ruanda, cujos atletas, ao invés de bengalas, entraram utilizando pedaços de madeira. Uganda foi representada por apenas cinco integrantes. Um deles era uma mulher com dificuldade de locomoção. Ela foi, literalmente, empurrada pelo estádio inteiro, que celebrou cada passo dessa atleta, que já começou os jogos sendo uma vencedora. Também estiveram lá países como Iraque e Afeganistão. Nada de guerra. A paz reinava no coração daquela gente. Os atletas para-olímpicos trouxeram muitas medalhas para o Brasil. Cada vez que a bandeira brasileira era içada e o hino nacional executado era a demonstração de que tudo é possível àquele que crê. Os deficientes físicos nos ensinam o verdadeiro valor que tem a força de vontade. Eles restauram a sua saúde ao afirmarem que nada vai lhes impedir de ver o mundo, mesmo sendo cegos. Eles podem ver a vida de outras formas. Podem contar com alguém que será seus olhos. E os deficientes auditivos podem ouvir o som da vida na canção do amor ao próximo que os trata com carinho. Os deficientes não estão presos a cadeiras de rodas. Estão livres para sonhar que cada dia é uma dádiva, que cada dia vão conquistar algo novo. Eles nunca desistem, porque têm sempre algo novo para ser conquistado, para melhorar e aperfeiçoar em si. Enfim, eles nos mostram que podem ser mais lentos, mas já chegaram na nossa frente, porque estão vencendo a si próprios. A montanha deles é mais alta do que a nossa. A conquista deles pode demorar um pouco mais, mas será a maior das conquistas. 
-Você sabia? 
-Você sabia que o Brasil tem 26 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência? 
-E que, a cada ano, surgem 10 mil novos deficientes? 
São pessoas que se envolveram em acidentes de carro ou arma de fogo, principalmente. Cada deficiente físico pode ser considerado como uma rocha onde as ondas das dificuldades se chocam e são transformadas em combustível. Tudo em busca de um objetivo maior, que é se superar a cada dia de suas vidas. Aprendamos com eles. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base nos artigos Eficientes físicos, de Joil Menezes Guimarães e minha primeira Pára-olimpíada, de Reinaldo Gottino, inseridas na revista Kardebraile.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

EFETIVAMENTE NECESSÁRIO

Ricardo Darin
A entrevista era dada pelo ator argentino Ricardo Darin, um dos maiores nomes do cinema e teatro de seu país. Entre vários assuntos, o repórter indagou se nunca lhe haviam feito um convite para atuar em Hollywood. Ricardo respondeu afirmativamente mas que, à época do convite, ele estava filmando na Espanha, em uma temporada de seis meses, e que desejava voltar para casa. O entrevistador desejou saber o nome do norte-americano que havia recebido sua negativa. O ator, ao declinar o nome do famoso profissional, observou o espanto do repórter. 
-Bem, diz Ricardo Darin, deixe-me dizer-lhe porque não aceitei o convite. 
Para o repórter era totalmente despropositado abrir mão de tal possibilidade profissional, que iria levá-lo a um outro patamar de estrelato. Continuou o ator: 
-Primeiramente, não concordei, ideologicamente, com o papel oferecido. Em segundo lugar, eu estava com saudades de minha casa, da esposa, dos filhos, e o que mais queria naquele momento, era terminar a temporada na Espanha para voltar para minha família.
Talvez achando os argumentos um pouco ingênuos, o repórter redarguiu, quase exaltado, perguntando se ele sabia quanto dinheiro teria ganho com aquele convite. E o que faria eu com tanto dinheiro? 
- Poderia viver melhor. Acentuou o entrevistador. 
-Melhor do que eu vivo? Indagou Ricardo. Veja bem: tomo dois banhos quentes por dia, sou reconhecido pelo meu trabalho no teatro, as pessoas me cumprimentam na rua, me tratam carinhosamente. O que mais posso querer? A ambição pode nos levar a um lugar muito escuro, desolador. Eu sou um cara feliz, completou. Sou o máximo feliz que pode ser uma pessoa que vive em um mundo e em uma sociedade como a de hoje. Tenho uma família feliz, as pessoas gostam de mim, me abraçam, me beijam na rua... O que mais posso querer?
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A argumentação do ator argentino nos leva a concluir de sua sabedoria no tocante ao conceito da felicidade e do ser feliz. E nos remete a reflexões sobre as reais definições do necessário e supérfluo para cada um de nós. Muitas vezes lutamos para ter bens que não irão fazer sentido ao longo do tempo. Investimos nossas horas na busca de fama, glória ou dinheiro, sem entender que tudo isso, efetivamente, não tem verdadeiro significado para nossas necessidades emocionais. Muito embora tenhamos inúmeras exigências profissionais, financeiras, devemos ter claro e lúcido o que queremos e o quanto nos basta para sermos felizes. Para o ator argentino era claro que estar em seu lar, conviver com a família era muito melhor do que ser famoso em Hollywood. Vale a pena nos questionarmos a respeito do que é efetivamente necessário em nossa vida. E analisarmos do quanto não estamos a despender nossos valores de tempo, capacidades e competências, em torno de coisas supérfluas. Afinal, como nos alerta Jesus, onde estiver nosso tesouro, aí estará nosso coração. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 11.5.2016.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A INIGUALÁVEL PALAVRA DE JESUS

Sempre importante lembrarmos das palavras de Jesus. A palavra do Cristo é a luz acesa para encontrarmos na sombra terrestre, em cada minuto da vida, o ensejo Divino de nossa construção espiritual. Erguendo-a, vemos o milagre do pão que, pela fraternidade, em nós se transforma, na boca faminta, em felicidade para nós mesmos. Irradiando-a, descobrimos que a tolerância por nós exercida se converte nos semelhantes em simpatia a nosso favor. Distribuindo-a, observamos que o consolo e a esperança, o carinho e a bondade, veiculados por nossas atitudes e por nossas mãos, no socorro aos companheiros mais ignorantes e mais fracos, neles se revelam por bênçãos de alegria, felicitando-nos a estrada. 
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Geme a terra, sob o pedregulho imenso que lhe atapeta os caminhos... Sofre o homem sob o fardo das provações que lhe aguilhoam a experiência. E assim como a fonte nasce para estender-se, desce o dom inefável de Jesus sobre nós para crescer e multiplicar-se. Levantemos, cada hora, essa luz sublime para reerguer os que caem, fortalecer os que vacilam, reconfortar os que choram e auxiliar os que padecem. O mundo está repleto de braços que agridem e de vozes que amaldiçoam. Seja a nossa presença junto aos outros algo do Senhor inspirando alegria e segurança. Não nos esqueçamos de que o tempo é um empréstimo sagrado, e quem se refere a tempo diz oportunidade de ajudar para ser ajudado; de suportar para ser suportado; de balsamizar as feridas alheias para que as próprias feridas encontrem remédio e de sacrificar-se pela vitória do bem, para que o bem nos conduza à definitiva libertação. Assim, pois, caminhemos com Jesus, aprendendo a amar sempre, repetindo com Ele, em nossas proveitosas dificuldades de cada dia: Pai nosso, seja feita a vossa vontade, assim na Terra como nos céus.
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Que a palavra de Jesus não permaneça apenas nos lábios dos oradores. Que a palavra de Jesus não permaneça apenas nos ouvidos dos seguidores. Ante a lembrança dEle, pensemos nas nossas escolhas de vida. Reflitamos se estamos escolhendo o caminho mais cômodo, ou se já optamos pelo caminho mais seguro e certo. A palavra de Jesus nos orienta com clareza. Ouçamos todos os que tenhamos ouvidos de ouvir. Em algum momento todos teremos que despertar para o bem, e nada melhor do que despertar ao som dos ensinos deste Amigo tão querido e zeloso. Esqueçamos os fanatismos religiosos. Esqueçamos dogmas e mistérios. Lembremos apenas das lições do Mestre que nos apontam o amor como solução, como sentido para a vida. Toda palavra de Jesus poderá ser resumida em apenas uma: Amor. Amemos e estaremos no mais seguro dos caminhos para a felicidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro Vozes do Grande Além, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 21, ed. FEP. 
Em 17.1.2019.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A LIÇÃO DAS GAIVOTAS

Um enorme transatlântico partiu de movimentado porto rumo a outro continente. Do convés, os passageiros acenavam lenços e agitavam mãos, em manifestações de adeuses. No porto, muitas pessoas acenavam igualmente e lançavam beijos ao ar, num misto de antecipada saudade e carinho. Pouco depois, os que se encontravam no convés, ainda observando os que permaneciam em terra, puderam constatar uma nuvem de gaivotas prateadas acompanhando o imenso navio. O seu voo atraiu a atenção de quase todos, tanto pela algazarra que promoviam, quanto pelo capricho de suas voltas, ao redor da enorme máquina concebida pelo homem. Passada uma meia hora de viagem, o tempo se tornou ameaçador. Ondas de espuma se levantavam ao açoitar dos ventos violentos. Esboçou-se no firmamento uma tremenda tempestade. Com suas possantes máquinas, o navio cortava as vagas agitadas e parecia fazê-lo com dificuldade, dada a presença dos elementos da natureza em convulsão. Um dos poucos viajantes que até então permanecia no tombadilho, contemplou as aves a voejar e as lastimou. Como podiam elas, com suas asas tão débeis, lutar contra o tufão, desamparadas nos céus? Elas nada tinham além do próprio corpo para enfrentá-lo. Suas asas resistiriam ao vento implacável, se o possante navio, com suas máquinas que representam milhares de cavalos resistia com dificuldade ao tempo torrencial? De repente, aquele homem que estava tão compadecido das avezinhas do mar, ficou perplexo. É que as pequenas gaivotas, estendendo as asas que Deus lhes deu abandonaram o navio na tempestade e se ergueram acima da tormenta, passando a voar numa região serena dos ares. E a máquina, representando a ciência humana, prosseguiu na sua luta penosa para resistir à fúria dos elementos.
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Em nossas vidas ocorre de forma semelhante. Quando pretendemos lutar unicamente com nossos próprios meios, encontramos o fustigar dos ventos das dificuldades atrozes, que vergastam a alma e maceram o corpo. Contudo, se utilizarmos os recursos da oração alcançaremos as possibilidades das asas das gaivotas. Pelas asas poderosas da prece, o homem pode se elevar acima das tempestades do cotidiano e voar placidamente. Envolvidos pelas luzes da prece, alcançaremos regiões que o vendaval das paixões inferiores não alcança. Fortificados pela oração, enfrentaremos o mar agitado dos problemas, a fúria das vicissitudes, e chegaremos ao porto seguro que todos almejamos.
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DIVALDO PEREIRA FRANCO
Quando o triunfo nos alcançar ou quando sofrermos aparentes quedas, busquemos Jesus e falemos sem palavras ao Seu coração de Mestre e Amigo. Condutor vigilante de nossas almas, Ele assumirá o leme da frágil embarcação das nossas vidas, permitindo-nos singrar o mar agitado das nossas dores, com coragem e segurança. A medida ideal será sempre orar antes de agir, a fim de evitar que procedamos de forma imprevidente, o que nos conduziria ao desespero e a maior soma de dores. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A tempestade e as gaivotas, do livro Lendas do céu e da terra, de Malba Tahan,ed. Melhoramentos e no verbete Oração, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 16.1.2019.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CONVITE À JUVENTUDE

Narra-se que, entre a Judeia e a Síria, na cidade de Sebastes, também chamada a Rainha do Ponto, pelos anos trezentos, quarenta jovens deram sua vida por amor à verdade. Eram todos legionários e cristãos. Recrutados pelas ordens romanas. Vestiam os uniformes, os capacetes e as capas vermelhas. Em seus corações, porém, serviam a Jesus, e somente a Ele. Muito antes que as vozes de Roma se fizessem ouvir, nas ordens de recrutamento, eles haviam acedido, vindos de variadas partes do globo, à doce voz do Rabi Galileu. Porque as perseguições se fizessem intensas, reuniam-se às escondidas em local ermo e abandonado. Após o recrutamento, raramente podiam estar todos juntos, ao mesmo tempo, pois que diferentes eram os dias das suas folgas. Mas não descuidavam do estudo dos ditos do Senhor e dos Atos dos Apóstolos, das Epístolas de Pedro e Paulo. Serviam na Décima Segunda Legião todos eles. Um dia, uma denúncia anônima os colocou frente a um teste terrível. Para salvar suas vidas deveriam oferecer sacrifícios ao deus Júpiter. Porque se recusassem, receberiam a pena máxima. Desejosos seus superiores que suas mortes servissem de lição a outros ou quem sabe, com o intuito de que fraquejassem e voltassem atrás em sua decisão, escolheram uma forma lenta de agonia para eles. Foram conduzidos até a beira de um lago, cujas águas frias tornavam-se geladas nas noites de inverno. Ao som dos tambores, os quarenta jovens perfilados, robustos na sua fé, avançaram para o lago. A água foi lhes chegando às virilhas, depois às cinturas, finalmente aos ombros. Foram horas e horas de imersão nas águas negras e salgadas. A chama da fé os aquecia ao ponto de cantarem. E o canto era como uma cascata de esperanças feita em sons de ternura e renúncia. Na madrugada, um a um, eles foram morrendo, hirtos de frio, congelados. 
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Lembrando os legionários, heróis da fé, recordamos da mocidade dos dias atuais. Observando tantos moços a descerem pelas ladeiras escuras do vício e da desesperança, pensamos na mensagem do Cristo que se dirige, esperançosa e viva a todos os homens. Muito poderiam esses jovens, se portassem Jesus em suas vidas, desde que dispõem da agilidade mental, do vigor físico, de energias! Crescer para a luz, e na sua ascensão, arrastar outros tantos, pois toda vez que um homem se ergue no mundo, centenas se erguem com ele. 
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Jovem! Ouve a mensagem de Jesus que te chega, límpida e pura e afeiçoa-te ao bem. Não permitas que passe o tempo e fujam as horas. Enquanto a juventude canta em teu corpo, estuda e trabalha. Executa tarefas no bem, semeia luzes em tuas veredas. Mais tarde, as haverás de perceber como estrelas luminescentes que aclararão os dias da tua madureza e da tua velhice. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXVIII do livro Esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim. 
Em 15.1.2019.