segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EDUCAR COM SABEDORIA

A garotinha, de pouco mais de três anos de idade, tentava rabiscar a agenda da mãe e essa lhe dizia, com carinho, apontando o caderno que estava ao lado: 
-Filha, esta agenda é da mamãe, e este caderno é seu. Você pode escrever no seu caderno, não na agenda da mamãe. Está bem? 
A filha tentou, disfarçadamente, mais algumas vezes, mas a mãe se manteve firme no propósito de educar e colocar limites nas ações da criança. Minutos depois, o pai entrou na sala e a menina fez uma nova tentativa. Levou o lápis sobre a agenda da mãe, mas o pai a orientou: 
-Querida, escreva no seu caderno e não na agenda da mamãe.
A garotinha, esperta como toda criança, sentiu que não teria a ajuda do pai e passou a agir certo. Se o pai tivesse apoiado a atitude da filha, contrariando as orientações da mãe, certamente a criança saberia onde buscar aprovação quando a mãe lhe negasse algo. Felizmente, aquele casal sabia educar com sabedoria, falando a mesma linguagem para que a filha não tivesse outra opção a não ser obedecer. Todavia, nem todos os casais agem dessa forma. Lamentavelmente, há pais e mães que agem de maneira infantil para conquistar o amor dos filhos, fazendo concessões que deseducam a criança e deformam seus caracteres. Se a mãe diz não, o pai diz sim e se o pai diz não, a mãe permite. Essa disparidade é extremamente prejudicial, pois a criança se sente insegura ou passa a tirar vantagem da situação. Quando não consegue a aprovação da mãe para seu intento, ela busca o pai e vice-versa. A criança passa a fazer um jogo perigoso entre os pais, colocando, tantas vezes, um contra o outro, ou chantageando a um ou outro. Ademais, o filho fica sem parâmetro, não sente firmeza nas orientações que os pais lhe passam pois o que um diz o outro desdiz. Por essa razão, os pais devem ter sempre, pelo menos diante dos filhos, a mesma posição. Sim, sim. Não, não. Se um, ou outro, não concordar com a orientação que foi dada, depois, a sós, discute a questão, mas nunca na frente dos filhos. O mais lamentável, ainda, é quando um dos cônjuges se une ao filho para criticar ou depreciar o outro, desmoralizando-o para tirar algum tipo de vantagem afetiva. Importante lembrar que a criança deve ser educada para respeitar limites. E os limites devem ser estabelecidos desde cedo, como, por exemplo, não permitir que ela tome conta de tudo, como se fosse a dona do mundo. Na hora de brincar, a criança deve saber quais são os limites do seu território. Ela poderá usar seus brinquedos, seu espaço, seus pertences e nunca os aparelhos de áudio e vídeo, controles remotos, vasos de flores ou outros objetos da casa. Os limites são de extrema necessidade para que a criança cresça consciente de que vive num mundo onde vivem também outras pessoas, que também têm direitos tanto quando ela. Se você, pai ou mãe, ainda não havia pensado nisso, pense agora. Pense que a única maneira de evitar conflitos e desgastes na relação com seus filhos adolescentes, mais tarde, é educar bem a criança, hoje, enquanto ela está receptiva. 
 * * * 
A educação é a arte de formar caracteres. E não há melhor período para educar do que o da infância, em que a criança é mais suscetível aos ensinamentos. É por essa razão que o Criador faz com que o Espírito encarnado passe por esse período, de mais ou menos sete anos, para receber dos educadores uma base sólida de valores morais, a fim de se conduzir com dignidade na fase adulta. Pense nisso e analise seriamente sua importante missão de educador. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra proferida por Miroslava Rosinski, na III Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Curitiba, no dia 19 de julho de 2003. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. 
Em 05.03.2012

domingo, 6 de janeiro de 2019

EDUCANDO NOSSOS PEQUENOS

Quando o pai de Blaise Pascal entrou no quarto do menino e viu o soalho tomado por barras e rodas, não o puniu. Indagou-se o que seria aquilo tudo. Em verdade, rodas e barras eram círculos e as linhas retas da geometria. Logo mais, o garoto provaria que a soma dos ângulos de um triângulo perfaz dois retos, resolvendo num passatempo, o trigésimo segundo teorema de Euclides, cujo nome ele ignorava. Quando nos encantamos com os tantos inventos de Leonardo da Vinci; quando vemos os tantos esboços que fez em papéis e mais papéis; quando lemos a respeito da sua precocidade, sua genialidade, que parecia não poder ser contida, não deixamos de pensar o que teria sido daquele menino se seu pai não tivesse prestado atenção àquilo tudo. O genitor reuniu alguns dos trabalhos de Leonardo e os encaminhou para o escultor, ourives e pintor Andrea Del Verrocchio, figura de grande importância no âmbito das artes. Isso fez com que Leonardo fosse admitido na sua oficina, como aprendiz. Estava aberto o caminho para a expressão da sua genialidade. Lemos que uma criança de seis anos utilizou a parede da sala de estar para desenhar uma casa. Isso não é novidade. Crianças de diferentes idades, em um momento ou outro, resolvem pintar a parede da casa dos pais. A questão é como a família reage. Normalmente, os pais fazem o filho limpar a bagunça para que nunca mais torne a fazer nada semelhante. Bom, o pai do garotinho, ao encontrar a simpática casinha desenhada, ficou imaginando o que diria sua esposa. E o que ela faria. A atitude foi, no mínimo, inusitada. Ao ver o desenho, ela emoldurou o que considerou uma obra de arte e transformou a sala da família em uma galeria. Além da tradicional moldura, a obra do pequeno recebeu uma placa de identificação, como nos grandes museus. Na primeira linha, o seu nome e a data do seu nascimento. Na sequência, o título da obra prima: Casa interrompida. E o ano da sua criação, 2017. Naturalmente, não podia faltar o material utilizado para a pintura: Canetinha em pintura de látex. Dado aos seus pais, de surpresa, em 13 de novembro. O que terá pensado essa mãe? Talvez tenha cogitado ser a primeira expressão de um grande pintor. Ou talvez não tenha querido frustrar a primeira tentativa, desejando incentivá-lo a prosseguir na sua arte. Com certeza, lhe providenciando material devido para isso. O que chama a atenção, contudo, não é o fato de uma parede da casa ter sido pintada dessa forma. O que sobressai é que essa mãe pensou mais no filho do que no que é material e pode ser lavado, substituído, arrumado. É nesse sentido que o gesto merece ser analisado. É de nos questionarmos como temos considerado as peraltices dos nossos filhos. Será que somente os temos podado em suas ações ou temos parado um pouco, observado e tentado verdadeiramente entender para educar de forma adequada? Educar requer tempo, dedicação, atenção. Atenção ao que o filho fala, escreve, cogita, às ideias que expressa. Quantas vezes temos, simplesmente, levado à conta de tolices tanto do que diz, do que faz? Eis uma boa oportunidade para nos indagarmos: Estamos nos preocupando, verdadeiramente, com a educação do nosso pequeno? Estamos ouvindo-o, observando-o, descobrindo o de que ele verdadeiramente necessita para se tornar um bom cidadão, um homem para o mundo? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com narração de fato colhido na internet. 
Em 2.3.2018.

sábado, 5 de janeiro de 2019

EDUCANDO NOSSOS FILHOS

Aquele que experimenta a ventura da maternidade ou da paternidade, que tem a alegria incontida de um filho, vindo pelos caminhos biológicos ou pelos caminhos do coração, nunca mais será o mesmo. Não nos referimos àqueles que simplesmente possibilitam o nascimento, oferecendo seu material genético ou o corpo para o desenvolvimento do feto. Esses não são os que chamamos de pai ou de mãe. Falamos daqueles que se envolvem até as entranhas da alma, em nome da vida daquele a quem têm a responsabilidade de criar. E não é tarefa fácil. São as preocupações iniciais da saúde, do corpo ainda frágil se desenvolvendo, começando sua jornada na Terra. O leite materno, a comida balanceada, as vacinas, as noites insones. Logo mais se sucedem outras preocupações. São os primeiros tombos, as mordidas e brigas na escola, as aulas, tarefas. E, rapidamente vão crescendo. E junto surgem outras e novas necessidades e preocupações. Depressa chega a adolescência com seus desafios. As dores das primeiras desilusões sentimentais, a decisão do futuro profissional, a inserção no mercado de trabalho, a independência financeira, enfim, tantas preocupações... Porém, no meio de tantos desafios, há que se perguntar: O que é mais importante para educar um filho? Alguns talvez respondam que o mais importante é oferecer a ele uma excelente instrução, os melhores colégios, permitir-lhe bons desafios intelectuais. Outros possivelmente digam ser importante mostrar-lhe as coisas da vida. Dar-lhe noção do mundo, suas armadilhas, a vida de relação, as responsabilidades. Talvez ainda haja os que digam ser o mais importante dar-lhe noções de religiosidade, fazê-lo entender Deus, não importando como esse Deus se denomine. Mas infundir-lhe o entendimento do Pai, da nossa relação com Ele e com nosso próximo. É verdade que nada disso está errado. Todas essas ferramentas estão corretas, e devemos dedicar esforços para oferecê-las aos nossos filhos. Porém, ao educá-los, haverá uma ferramenta muito mais importante e que deve acompanhar todas as outras: o amor. Educar um filho é tarefa que, para ser bem sucedida, não dispensa a companhia do amor. Não desse amor que se fala, mas do amor que age. Do amor paciência, do amor abnegação, do amor companheirismo, amor amizade... Indispensável. Educar um filho somente oferecendo o que o mundo tem de melhor é instruí-lo, é dar-lhe a formação do cidadão. Porém, se desejarmos educar nosso filho formando-lhe o caráter, alimentando-lhe a alma que está escondida além da forma física, é indispensável e insubstituível o amor. Desta forma, procuremos amar nosso filho e externemos nosso amor de forma que ele o possa perceber. Digamos-lhe o quanto o amamos. Olhemos nos seus olhos para buscar sua alma e entendê-lo. Compreendamos que ele também é um Espírito imortal, cheio de dificuldades e dúvidas, e que conta conosco. Assim, ele será alimentado, não só pela excelente formação intelectual que lhe oportunizemos mas, muito melhor que isso, terá alimentado o coração, tornando-se forte para enfrentar a existência e seus desafios. Todo aquele que se sente amado em profundidade, supera os dramas, erros e tropeços com os quais, porventura, venha a se envolver nos caminhos da vida, buscando com mais facilidade o caminho do bem e da felicidade. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 08.04.2011.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

EDUCANDO DEVIDAMENTE

Ouvimos a história de alguém que aprecia contá-las ao sabor da própria memória e de suas próprias adições. Eram dois garotos levados. Dois irmãos “do barulho”. Tudo que acontecia em termos de confusão, na pequena cidade, envolvia os pirralhos. A mãe, mulher honesta, de bons costumes, se preocupava com o que viriam a ser seus dois rebentos. Por isso, procurou o pastor da igreja que frequentava, pedindo ajuda. O que fazer se os filhos não lhe ouviam os conselhos? Que tática poderia ela utilizar para fazer com que os filhos deixassem de ser tão travessos? O pastor era um homem alto, encorpado, de voz forte. Disse àquela mãe que mandasse os garotos falarem com ele, separadamente. Primeiro, o mais novo. E lá foi o menino. O pastor o levou a uma sala, fê-lo sentar-se em uma cadeira e, dedo em riste, foi logo falando alto: 
-Menino, então, me diga, onde está Deus? 
O garoto se encolheu, esbugalhou os olhos, escancarou a boca e ficou olhando o homenzarrão à sua frente, que continuava a perguntar: 
-Diga: onde está Deus?
As mãos do pequeno ficaram trêmulas. E continuou mudo, o pavor tomando-o por inteiro. E, porque a pergunta se tornasse insistente, ele se levantou e fugiu em desabalada correria. Foi para casa e se escondeu no armário do quarto. O irmão mais velho o encontrou, pálido e agitado. 
-O que aconteceu, mano? 
E o garoto, ainda sem fôlego, gaguejou: 
-Mano! Desta vez estamos perdidos. Deus sumiu! E o pastor está dizendo que fomos nós!
O fato, com certeza, nos motiva o riso. Contudo nos dá a tônica de como nós, na qualidade de educadores, ainda andamos longe do ideal. Quantos de nós não agimos assim? Fazemos perguntas, acusamos nossos filhos, nossos alunos, sem que eles possam entender exatamente o que está acontecendo. O porquê daquelas afirmações e indagações. É por isso, entre outras questões, que nossa educação não alcança os objetivos que desejamos. Porque não nos fazemos entender. Não dizemos exatamente o que se faz necessário. Ao tentar corrigir um erro, vamos pelas beiradas, quando deveríamos ir diretamente ao ponto. Indagar o porquê da atitude equivocada, se aquilo é correto, se é justo, se gostaria que com ele acontecesse o que fez ao outro, etc. Aí, sim, nosso falar seria como pregava Jesus: 
-Sim, sim, não, não. 
Indo ao ponto, falando às claras, e, a partir disso levar a criança ou adolescente a pensar conosco. Ela precisa entender o que é que estamos cobrando, por que estará recebendo uma ou outra penalidade. Isso fará com que nossos educandos, sejam filhos ou alunos, ou sobrinhos, ou vizinhos, não nos temam. Mas nos entendam. Entendam nossas propostas educativas. Pensem a respeito e as assimilem. Com certeza, nenhum de nós deseja amedrontar quem quer que seja e, muito menos, criar complexos de culpa, sempre perniciosos, a almas em formação. Pensemos nisso! 
 * * * 
A tarefa da educação nos convida, de forma incessante, à revisão das nossas próprias atitudes e comportamentos, a fim de que sejamos os autênticos promotores da nossa educação. Por extensão, dos que estão conosco. Dos que nos observam todos os dias, nas mais diversas situações. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria desconhecida.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

COM O QUE TENS!

WALLACE LEAL RODRIGUES
Com o que tens Narram os versículos primeiros do capitulo três de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, que Pedro e João subiram ao templo para orar. Perceberam, ao lado da porta, um coxo de nascimento, que era diariamente trazido, e ali deixado, a fim de esmolar. Ao ver os dois Apóstolos por ele passarem, fez a sua rogativa. Pedro pôs nele os olhos e lhe disse: 
-Olha para nós. 
O homem os olhou com atenção, ficando na expectativa de que eles lhe dessem alguma coisa. Mas o velho Apóstolo, passando as mãos ao longo da túnica rústica, emocionado, falou: 
-Não tenho prata nem ouro. 
Na sequência, distendeu os braços na direção do mendigo e com os olhos marejados de sentidas lágrimas, usou a voz embargada para falar: 
-Mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te, e anda.
Tomou-lhe da mão direita, levantou-o e imediatamente as pernas se consolidaram, os pés se firmaram e o coxo pôs-se a andar, exultando de felicidade. Meditemos na profundidade da lição. Pensemos em como seria o mundo se todos os homens estivessem resolvidos a dar o que possuem para a edificação do bem geral. Ainda hoje, muitos dizemos: 
-Como poderei dar se não tenho? 
E outros: 
-Quando tiver, darei. 
Contudo, para o serviço real do bem, não necessitamos em caráter absoluto dos bens perecíveis da Terra. O homem generoso distribuirá dinheiro e utilidades com os necessitados que encontre pelo caminho. Entretanto, se não realizou em si mesmo o sentimento do amor, que é sua riqueza legítima, não fixará dentro de si a luz e a alegria que nascem das dádivas. Todos trazemos conosco as qualidades nobres já conquistadas. Não há ninguém tão pobre que não possa se dar. Dar de si mesmo. Pedro ofereceu seu amor ao pedinte e lhe devolveu o uso das pernas, o que o retirou, desde então, da condição de mendigo. Curado, a possibilidade do trabalho e o consequente ganho honrado se lhe abriram. Também nós podemos dar do que temos, agora, no momento que se faz precioso. Todos os que esperamos pelo dinheiro, pelas posses, para contribuir nas boas obras, em verdade ainda nos encontramos distantes da possibilidade de ajudar a nós próprios. Doar-se é servir com desinteresse. Dar das nossas horas, do nosso tempo, das nossas habilidades. Há tanto para dar desde que cada criatura, na Terra, é depositária da enorme fortuna que angariou ao longo dos séculos, nas várias vidas. Fortuna que não se guarda em cofres ou casas bancárias, mas se aloja na intimidade do coração e na lucidez da mente. Você sabia? Você sabia que o discípulo de Jesus que nas listas dos Apóstolos é chamado Pedro chamava-se Simão? E que ele nasceu em Betsaida mas, que na época do seu encontro com Jesus, morava em Cafarnaum? Pedro é a forma masculina que em grego significa rocha. Talvez por isso mesmo tenha recebido de Jesus, desde o primeiro encontro, o apelido aramaico de Cefas, que significa rocha. 
Redação do Momento Espírita, com base nos versículos 1 a 8, do cap. 3 de Atos dos Apóstolos; no cap. XXVI, do livro Esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O clarim e no verbete Pedro, do Dicionário Enciclopédico da Bíblia, de A. Van den Born, ed. Vozes. 
Em 3.1.2019.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

MAIS UMA DAS CORES DA CARIDADE

A caridade possui muitas cores. Semelhante a uma luz branca que passa por um prisma, ao passar pela polarização da vida na Terra, ela se decompõe numa infinidade de colorações belíssimas. Eis uma dessas cores. Uma autoestima elevada é capaz de nos fazer ganhar o céu, mesmo estando ainda sofrendo a gravidade da Terra. Certo escritor narra uma experiência singular que viveu numa agência dos correios: 
-Estava na fila, esperando para registrar uma carta. Observava o funcionário de registro trabalhando, e o percebia fatigado com sua atividade intensa: pesando envelopes, entregando selos, dando troco, preenchendo recibos... Assim, disse para mim mesmo: 
-“Vou tentar fazer este rapaz gostar de mim.” 
Obviamente, para conseguir, teria que dizer alguma coisa bonita, não sobre mim, mas sobre ele. Perguntei-me novamente: 
-“O que há sobre ele que eu possa admirar com sinceridade?” 
Eis uma pergunta difícil de responder, principalmente quando se trata de estranhos. Mas, neste caso, foi fácil. Instantaneamente, vi algo que admirei. Enquanto pesava meu envelope, observei com entusiasmo: 
-“Certamente eu desejaria ter a sua cabeleira!” 
Ele levantou a vista meio assustado. Sua fisionomia irradiou sorrisos. 
-“Bem, ela não está tão bem como já foi”, disse modestamente. 
Assegurei-lhe que, embora pudesse ter perdido certa quantidade de cabelos, mesmo assim continuava magnífica. Ficou imensamente satisfeito. Demoramo-nos numa pequena e agradável conversa, e a última coisa que ele me disse foi: 
-“Muitas pessoas têm admirado meus cabelos!” 
Aposto que aquele rapaz saiu para almoçar andando à vontade. Aposto que, quando foi para casa, à noite, contou tudo à esposa. Aposto como se olhou no espelho e disse: 
-“É uma bela cabeleira!” 
Certa vez, ao narrar este caso em público, ouvi de uma pessoa: 
-“O que o senhor queria conseguir dele?” 
Ora, o que eu estava procurando conseguir dele!!! Será que somos tão desprezivelmente egoístas, que não podemos irradiar uma pequena felicidade e ensejar uma parcela de apreciação sincera, sem procurar obter alguma coisa de outra pessoa como recompensa? O autor termina dizendo: 
-Sim, eu queria alguma coisa daquele rapaz. Queria alguma coisa que não tinha preço. E consegui. Consegui a satisfação de fazer alguma coisa por ele, sem que ele necessitasse fazer alguma coisa por mim como retribuição. Isso significa um sentimento que crescerá e ecoará na memória dele, mesmo muito tempo depois de passado o incidente. 
* * * 
Quantas formas de desenvolver o amor, de praticar a caridade... Quando começarmos a perceber, a sentir o prazer intenso, a gratificação suprema de fazer os outros felizes, começaremos a perseguir ardentemente a caridade. Começaremos a buscá-la incessantemente, em suas mais diferentes cores e tons. Cada nova descoberta, cada nova cor da caridade vislumbrada, então será motivo de festa, de celebração ao amor, e a Deus.
Redação do Momento Espírita, com base em trecho do cap. 6, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, livro 2, ed. Companhia Editora Nacional. 
Em 2.1.2019.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

ANO NOVO

JOANNA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Hoje é o dia que dá início a um Novo Ano. É o dia primeiro. Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas. É um momento de alegria e confraternização. As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender. Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um Ano Novo cheio de felicidade? Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde. Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós. Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte. Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente. Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante. Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, desde que um Feliz Ano Novo não se deseja, se constrói. Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, desde que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente. Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular. Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz. Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos. Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por Quem realmente tem autoridade, por tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo. No ensinamento Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo está a chave da felicidade verdadeira. Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos. Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o Espírito com a raiva, a inveja, o ciúme. Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita Sua criação e Suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por Ele e que Ele a todos nos ama. Enfim, quem quer um Ano Novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo. Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós. 
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O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação. Assim, hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente. E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente. Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.
Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos dos verbetes Oportunidade e Tempo, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 1º.1.2019.